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SUPERAÇÃO DA DORMÊNCIA EM SEMENTES DE JATOBÁ (Hymenaea courbaril L.)

Marilú de Aguiar Teixeira Moreira 1,3 Severino de Paiva Sobrinho 2 Sergio José da Silva 2 Aline Gonçalves de Siqueira 3

1 Bolsista PVIC/UEG

2 Pesquisador orientador

3 Curso de Ciências Biológicas, Unidade Universitária de Porangatu, UEG

Resumo

O presente trabalho foi desenvolvido na UEG, Unidade de Porangatu no período de setembro a dezembro de 2004. O objetivo do trabalho foi superar a dormência de sementes de jatobá através de tratamento químico e físico. Os tratamentos aplicados foram: escarificação com ácido sulfúrico concentrado por 15 min, 25 min e por 35 min; escarificação com hidróxido de sódio (concent ração de 23,5 Molar) por 20 min, 35 min e 50 min; imersão em água por 24 h; escarificação com lixa e testemunha. Os parâmetros avaliados foram: germinação, início da germinação e tempo médio de germinação. Todos os tratamentos aplicados foram eficientes na superação da dormência. O menor tempo para o início da germinação e o menor tempo para o início da germinação foram obtidos para o tratamento com ácido sulfúrico por 25 min, sendo que este resultado não diferiu estatisticamente do tratamento com acido sulfúrico por 35 min. Palavras – Chave : dormência, germinação, sementes.

Introdução

O jatobá (Hymenaea courbaril) é uma espécie arbórea muito vistosa, pertencente à família Leguminosae (Fabaceae), subfamília Caesalpinoideae. É encontrada por toda América. No Brasil se estende do Piauí até o norte do Paraná, desenvolve em florestas semidecidua. O jatobá além da importância ecológica, apresenta potencial agronômico para utilização do caule e dos frutos. Porém esta espécie está ameaçada de extinção devido à exploração da sua madeira e o desmatamento do seu ecossistema. Com um crescimento ve getativo muito lento e sementes duras de tegumento impermeável à água que dificultam e retardam a germinação, este fato dificulta a reprodução da espécie em sementeiras. Em sementes de leguminosas tropicais a impermeabilidade do tegumento a água é o mecanismo mais comum de dormência (Rolston, 1978), podendo atingir até 98% das

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sementes (Cruz et al., 1997). Esse tipo de dormência pode ser superado através da escarificação, termo que se refere a qualquer tratamento que resulte na ruptura ou no enfraquecimento do tegumento, permitindo a passagem de água e dando início ao processo de germinação (Mayer & Poljakoff-Mayer, 1989). As técnicas mais utilizadas para superar a impermeabilidade à água nas sementes de leguminosas são: tratamentos térmicos, químicos (ácido sulfúrico ou álcool), elétricos ou pressão, abrasão e armazenamento (Nascimento, 1982), proporcionando alta porcentagem de germinação, em curto espaço de tempo. No entanto, deve ser efetuada com muito cuidado para evitar que a escarificação excessiva possa causar danos ao tegumento e diminuir a germinação (McDonald & Copeland, 1997). Os tratamentos para quebra de dormência apresentam vantagens ou desvantagens, de modo que cada um deles deve ser estudado, levando-se em conta, o custo efetivo e sua praticidade de execução (Eira et al., 1993). Frente à necessidade da reposição vegetal nativa ou recuperação de áreas desmatadas se tornou de fundamental importância a recomposição florestal feita de forma racional. Dentre os vários fatores a serem estudados existem um em especial que atinge diretamente a produção de mudas, que o processo de dormência das sementes. Desta forma, o presente trabalho teve como finalidade, superar dormência de sementes de jatobá, utilizando para isso, tratamentos químicos e físicos.

Materiais e Métodos

As sementes de jatobá foram colhidas no mês de agosto e setembro de 2004, no município de Porangatu, norte do estado de Goiás. Os testes foram desenvolvidos no laboratório de Biologia da UEG – Unidade Universitária de Porangatu – GO. Os frutos de jatobá foram colhidos completamente maduros no chão sob as árvores. As sementes foram retiradas do fruto e colocadas em badejas com água e deixadas de repouso por 20 minutos para facilitar a remoção da polpa farinhosa. As sementes foram distribuídas em 8 tratamentos e a testemunha, sendo que cada tratamento foi constituído de cinco repetições, onde cada repetição tinha 10 sementes. Tratamentos utilizados para quebrar dormência foram distribuídos em um delineamento inteiramente casualizado (DIC). Os tratamentos foram: Escarificação com ácido sulfúrico - As sementes de cada tratamento foram imersas em ácido sulfúrico concentrado por 15 mim, 25 mim e 35 mim. Escarificação com hidróxido de sódio - Utilizou-se uma solução de 23,5 M.

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As sementes de cada tratamento foram colocadas na solução por 20 mim, 35 mim e 50 mim. Imersão em água - Neste processo as sementes foram mergulhadas em água comum e

permaneceram na mesma a temperatura ambiente por 24 horas. Após este período as sementes foram semeadas. Escarificação mecânica - Este tipo de tratamento foi realizado manualmente atritando apenas um lado da semente sobre a lixa evitando, contudo danificar o embrião. Testemunha - Lote de semente que não foi submetido a nenhum tratamento para superar dormência. Após a aplicação dos tratamentos, as sementes foram semeadas a uma profundidade de 2,0 cm em saco de polietileno preto, contendo substrato constituído de esterco bovino e terra de cultura na proporção de 1:2 e irrigados diariamente. Os parâmetros avaliados foram: Germinação - que foi o número de sementes germinadas; início da germinação – foi considerado início da germinação quando se observou a emergência da primeira plântula e tempo médio de germinação – o tempo foi estimado através

da equação Tm = (G 1 T 1 +G 2 T 2 +

plantas emergidas na primeira, segunda,

dias da semeadura à primeira contagem, segunda,

, última contagem Edmond & Drapala

(1958). Os resultados obtidos foram submetidos à análise de variância pelo teste “F”, a comparação de médias pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

G n = número de T n = tempo em

+

GnTn)/(G 1 +G 2 +

+Gn) onde: G 1 , G 2 ,

,

última contagem e T 1 , T 2 , T 3

Resultados e discussão

A porcentagem de germinação das sementes de jatobá imersa em ácido sulfúrico concentrado por 25 min e a escarificação com lixa foram as maiores em valores absolutos, entretanto estatisticamente foi igual à porcentagem de germinação entre todos os tratamentos (Tabela 1). Os dados de porcentagem de germinação estão de acordo com Carpanezzi & Marques (1981), o mesmo afirma que o uso da escarificação de sementes do gênero Hymenaea permite obter germinação acima de 90%. No geral esses resultados indicam que a dormência tegumentar foi superada satisfatoriamente quando as sementes foram submetidas a tratamentos pré- germinativos. Os resultados de germinação obtidos com a aplicação dos tratamentos são semelhantes aos obtidos por Garwood (1983) trabalhando com H. courbaril L. e também semelhantes aos obtidos por Reis et al. (1980) para a espécie H. estilbocarpa, entretanto estes dados são conflitantes com as informações de Lorenzi (1992) onde afirma que as sementes dessa espécie

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de jatobá germinam rapidamente de 12 a 18 dias bastando para isto semeá- las em substrato

adequado.

Tabela 1. Porcentagem de germinação de sementes de jatobá (H. courbaril) submetidas a

diferentes métodos de superação de dormência. UEG – UnUP, Porangatu, 2004.

 

Tratamentos

Porcentagem de germinação (%)

H 2 SO 4

15min

90

A

25min

100

A

35min

94

A

 

20

min

92

A

NaOH

35

min

96

A

50

min

96

A

Imersão em água por 24 horas

94

A

Escarificação com lixa

 

100

A

Testemunha

 

0,00

O início da germinação apresentou uma variação em função do tratamento aplicado. Observa-

se que as sementes tratadas com ácido sulfúrico por 25 minutos apresentam o menor tempo

para o início de germinação, entretanto esse tratamento não difere estatisticamente do

tratamento com ácido sulfúrico por 35 minutos (Tabela 2).

Tabela 2. Início da germinação das sementes de jatobá (H. courbaril) submetidas a diferentes

métodos de superação de

UEG – UnUP, Porangatu, 2004.

 

Tratamentos

Início da germinação (dias)

H 2 SO 4

15min

17,40 BC

25min

15,00 D

 

35min

16,20 CD

NaOH

20

min

20,60 A

35

min

21,00 A

 

50

min

19,00 AB

Imersão em água por 24 horas

19,00 AB

Escarificação com lixa

 

19,00 AB

Os

tratamentos

realizados

com

hidróxido

de

sódio

apresentam

resultado

inferior

aos

tratamentos

com

ácido,

mas

não

diferenciam

estatisticamente

dos

tratamentos

com

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escarificação com lixa e imersão em água por 24 horas, porém em termos absolutos os

tratamentos

com

hidróxido

de

sódio

apresentam

os

maiores

tempos

para

o

início

da

germinação.

As sementes tratadas com ácido sulfúrico por 25 minutos e 35 minutos apresentaram os

menores tempos médio de germinação, sendo que em valores absolutos o tratamento por 25

minutos apresentou o menor tempo médio (Tabela 03).

Tabela 3. Tempo médio de germinação das sementes de jatobá (H. courbaril) submetidas a

diferentes métodos de superação de

UEG – UnUP, Porangatu, 2004.

 

Tratamentos

Tempo médio de germinação (dias)

H 2 SO 4

15min

21,93 B

25min

17,44 C

 

35min

19,05 C

NaOH

20

min

24,92 A

35

min

26,05 A

 

50

min

24,80 A

Imersão em água por 24 horas

26,74 A

Escarificação com lixa

 

22,48 B

As sementes tratadas com hidróxido de sódio e as imersas em água por 24 horas apresentaram

um tempo médio de germinação estatisticamente igual, porém em valores absolutos a imersão

em água por 24 horas obteve o maior tempo (26,74 dias) e o tratamento com hidróxido de

sódio por 50 minutos teve o menor tempo (24,80 dias).

As sementes escarificadas com lixa apresentaram um tempo médio de germinação de 22,48

dias, este valor foi estatisticamente igual àqueles obtidos com tratamento utilizando ácido

sulfúrico por 15 minutos. Ainda na tabela 3 observa-se que as sementes escarificadas com lixa

tiveram um tempo médio superior àquelas tratadas com ácido sulfúrico por 25 minutos e 35

minutos, porem inferior aos tempos obtidos com as sementes tratadas com hidróxido de sódio

e por imersão em água por 24 horas.

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Conclusão

Os tratamentos com ácido sulfúrico, hidróxido de sódio, imersão em água por 24 horas e

escarificação com lixa mostraram-se eficientes na superação da dormência de sementes de

jatobá. A porcentagem de sementes germinadas não apresentou diferenças estatísticas ent re os

tratamentos aplicados. O menor tempo médio de germinação e o menor tempo para o início de

germinação foram obtidos quando as sementes foram submetidas ao tratamento com ácido

sulfúrico concentrado por 25 min.

Referê ncias Bibliográficas

CRUZ, E.D.; CARVALHO, J.E.U. & OLIVEIRA, R.P. Variabilidade na germinação e

dormência em sementes de Centrosema pubescens Beth. Pasturas Tropicales 19:37-41,

1997.

EDMOND, J.B. & DRAPALA, W.J. The effects of temperature, sand and soil, and acetone on germination of okra seed. Proceedings of American Society for Horticultural Science 71:428-434, 1958. EIRA, M.T.S.; FREITAS, R.W.A. & MELLO, C.M.C. Superação de dormência de sementes de Enterolobium contortisilliquuum (VELL.) Morong. –Leguminosae. Revista Brasileira de Sementes. v.15, p.177-182, 1993. GARWOOD, N.C. Seed germination in a seazonal tropical Forest in Panama: a community study. Ecological Monography. 53:195-181, 1983. LORENZI, H. Árvores Brasileiras: Manual de Identificação e Cultivo de Plantas Arbóreas Nativas do Brasil. Nova Odessa. Ed Plantarum, 1992. MAYER, A.M. & POLJAKOFF-MAYER, A. The Germination of Seeds . Oxford:

Pergamon Press, 1989. 270p. McDONALD, M. B. & COPELAND, L.O. Seed production: principles and practices. New Jersey: Chapmam & Hall, 1997. 749 p. REIS, G.G., BRUNE, A. & RENA, A.B. Germinação de sementes de essências florestais. Pesquisa Agropecuária Brasileira 15:97-100, 1980 ROLSTON, M.P. Walter impermeable seed dormancy. Botanical Review. 44: 365-396. 1978.