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UFPB Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Ambiental da Paraíba I CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO LATO

UFPB

UFPB Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Ambiental da Paraíba I CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO LATO

Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Ambiental da Paraíba

UFPB Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Ambiental da Paraíba I CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO LATO

I CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO LATO SENSU:

“EDUCAÇÃO AMBIENTAL PARA O SEMIÁRIDO”

Disciplina: Educação para Convivência no Contexto do Semiárido Professora: Antônia Arisdelia Fonseca M.A. Feitosa Aluno: Hugo da Silva Florentino

AS DEMANDAS DA EDUCAÇÃO CONTEMPORÂNEA E A CONTEXTUALIZAÇÃO DA TEMÁTICA AMBIENTAL NO ESPAÇO ESCOLAR DO CARIRI PARAIBANO

Diante das contínuas e rápidas mudanças dentro do contexto problematizante que permeia a sociedade contemporânea, a educação como concebemos atualmente, vem tornando-se insuficiente para atender as demandas e desafios impostos pelo século XXI. Como afirma Morin (2003) à educação na era pós-moderna deve nortear uma prática pedagógica que situe de modo crítico e participativo o contexto a qual os diferentes atores sociais estão inseridos. Nesse sentido, a estrutura educacional contemporânea, conforme alerta Morin (2003), deve enfocar não apenas o acumulo de conhecimento, mas deve levar o aluno a desenvolver a criatividade, a imaginação e o espírito de iniciativa; deve, principalmente, fazê-lo raciocinar. A educação dentro de uma sociedade Contemporânea não pode ser manifestada como um fim em si mesma, mas sim como um instrumento de manutenção ou transformação social. Assim sendo, necessita de pressupostos, de conceitos que fundamentem e orientem os seus caminhos (LUCKESI, 1994). Para a superação destas fragilidades é necessária a construção de uma Educação Contextualizada à realidade do semiárido brasileiro, que segundo Feitosa (2011) pode ser entendida como uma educação que representa a possibilidade de um fazer educativo pautado na realidade social dos diferentes educandos e educandas. Contextualizar significa, antes de tudo, levar em consideração as potencialidades socioculturais, econômicas e ambientais do semiárido e dos sujeitos que o compõem. Segundo Braga (2007, p. 35), a Educação Contextualizada deve se caracterizar por três dimensões:

1) a do estar junto para, na liberdade da existência, construir identidades e compartilhar a vida; 2) a do viver comum, que e mais do que estar junto, pois implica aceitar o outro ser vivo (homem e natureza) como legitimo outro, na sua “existencialidade”, identidade e subjetividade e 3) a da contestação e da luta, da dialética da existência e da afirmação da diferença, onde buscamos o equilíbrio entre as forcas opostas da vida. Educar para a convivência e trabalhar essas dimensões junto com os sujeitos do processo educativo.

Contudo, Contextualizar o ensino, ao nosso entendimento, é incorporá-lo ao cotidiano, é integrar os saberes acadêmicos com os saberes locais, com os saberes dos educandos e educandas. Contextualização neste sentido se traduz como processo de produção de saberes parceiros a partir do saber inerente ao mundo vivido dos educandos. Nesse contexto, a educação desenvolvida no espaço escolar do cariri paraibano, apesar dos avanços, ainda está bem distante da proposta de Educação Contextualizada para era Contemporânea, pois ainda é construída sobre valores e concepções equivocadas sobre a realidade da região. Sendo assim, reflete uma educação que reproduz em seu currículo uma ideologia preconceituosa e estereotipada que reforça a representação do semiárido como espaço de pobreza, miséria e improdutividade, negando todo o potencial dessa região e do seu povo (CARVALHO, 2004). A escola almejada para o semiárido deve ser pensada na perspectiva da superação do antigo modelo de educação escolar descontextualizado da realidade local, para um modelo contextualizado que tivesse como ponto de partida a realidade vivenciada pelos diferentes atores sociais (REIS, 2004). Entretanto, esse modelo de sistema escolar deve estar atenta não somente as necessidades emergentes e atuais de formação e conhecimento, como também, ao seu papel maior, o de propiciar processos formativos que contribuam para o desenvolvimento pessoal do educando, no que diz respeito a sua formação para a cidadania. Sendo assim, um dos seus maiores desafios é trabalhar com a reelaboração crítica e reflexiva do educando, de modo a prepará-lo para o enfrentamento das desigualdades sociais, presentes na sociedade capitalista. Não obstante, Lima (2008) afirma que a era planetária necessita de uma educação que busque contextualizar o ensino-aprendizagem com a cultura local, considerando as potencialidades e limitações do semiárido, num espaço de promoção do conhecimento, de produção de novos valores e a divulgação de tecnologias apropriadas à sua realidade, construindo uma ética de alteridade na relação entre natureza humana e não humana. O autor acrescenta ainda que:

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construir uma proposta de educação contextualizada no Semiárido

exige que os professores procurem re-aprender a aprender para poder ajudar o seu aluno/a tornar-se um aluno-pesquisador de sua realidade. O aluno/a aprende refletindo sobre sua ação e interagindo no meio social, já o professor, amplia seu olhar sobre o mundo no momento em que se desafia a pensar sobre sua prática no processo de reflexão-na- ação (LIMA, 2008, p. 98).

Desta forma, no mundo contemporâneo, a escola deve repensar seu modo de pensar e agir, pois a sustenbalidade do semiárido depende fundamentalmente da mudança de mentalidade e de práticas. A educação no semiárido brasileiro para atender as demandas da era Contemporânea deve ter como parâmetro norteador a contextualização, relacionando-a a questão ambiental e ao desenvolvimento sustentável. E um dos aspectos fundamentais a ser enfatizado nesse debate é a construção de uma nova racionalidade que considere as diferentes realidades socioambientais e as distintas trajetórias da sociedade, levando em conta os valores, os princípios éticos, e o respeito ao ecossistema (FARIAS, 2009). Nesse sentido, faz-se mister (re)significar a educação a fim de integrar/entrelaçar, sem bipolaridades, o local/global, permitindo ao educando o reconhecimento e a valorização das diversas culturas e das múltiplas vivencias que compõem a realidade, investindo na produção de novos significados, novos saberes e nova cultura, que englobe toda a tessitura cotidiana das relações socioculturais que perpassam a sociedade e os ambientes educativos (MARTINS, 2006). Portanto, na era Contemporânea, a educação deve ser (re)significada, de modo a abarcar a temática ambiental de forma contextualizada, e colocando-se como um via de acesso a sustentabilidade, e desta forma, deverá assumir um papel cada vez mais desafiador, demandando a emergência de novos saberes para apreender processos sociais que se complexificam e se intensificam. A educação que se quer e que precisa ser desenvolvida no século XXI envolve diferentes processos de ensino-aprendizagem, que vão desde a valorização dos saberes à legitimação do homem como ser histórico, cultural e social (FREIRE, 1979).

REFERÊNCIAS

BRAGA, O. R. Educação e convivência com o semi-arido: introdução aos fundamentos do trabalho politico-educativo no semi-árido Brasileiro. In: KUSTER; MATTOS (Org.). Educação no contexto do Semiárido. Juazeiro: Fundação Konrad Adenauer / RESAB, 2007. p. 27-46.

CARVALHO, L. D. A emergência da lógica da “Convivência com o Semi-Árido” e a construção de uma nova territorialidade. In. RESAB. Educação para a convivência com o semiárido: Reflexões teóricas-práticas. Juazeiro: RESAB, 2004. p. 13-28.

FARIAS, A.E.M. Educação Contextualizada e a convivência com o semi-árido do assentamento Acauã-PB.112f. Dissertação (Mestrado em História Regional) - Universidade Federal da Paraíba, Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes, João Pessoa, 2009.

FEITOSA, A.F.M.A. Educação para Convivência no Contexto do Semiárido. In:

ABÍLIO, F.J.P. (Org.) Educação Ambiental para o Semiárido. João Pessoa: Editora Universitária da UFPB, 2011. p. 137-198.

FREIRE, P Educação e Mudança. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979.

LIMA, E. S. A formação continuada de professores no semi-árido: valorizando experiências, reconstruindo valores e tecendo sonhos. 2008. 240f. Dissertação. (Mestrado em Educação) - Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Piauí, Teresina, 2008.

LUCKESI, C. C. Filosofia da Educação. São Paulo: Cortez 1994.

MARTINS, J.S. Tecendo a Rede: Notícias críticas do trabalho de descolonização curricular no Semi-Árido Brasileiro e outras excedências. 346f. Tese (Doutorado em Educação) -. Universidade Federal da Bahia, 2006.

MORIN, E. Os sete saberes necessários a educação do futuro. 7. ed. São Paulo:

Cortez, 2003.

REIS, E. S. Educação do campo e Desenvolvimento Rural Sustentável: avaliação de uma prática educativa. Juazeiro: Editora Franciscana, 2004.