Imagem: Ground.Zero, CC 2.0.

Ano 1 - Edição Especial - Setembro de 2008 www.feed-se.com.br

Admirável Gado Novo – A Arte do Ciberativismo

Você Sabe Votar?
Blogs, Liberdade de Expressão e Censura
Justiça Mira no Twitter e Acerta Num Blog
Medocracia - Entendendo Relações de Poder e Influência Sobre a Sua Dita Liberdade de Expressão

Edição Especial

Democracia

A Frágil Democracia
No último dia 15 de setembro, celebrou-se pela primeira vez o Dia Internacional da Democracia. A data, criada pela Organização das Nações Unidas em novembro de 2007, quer lembrar-nos que a democracia é essencial ao desenvolvimento humano. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, frisou que, apesar das críticas e da descrença no regime democrático, é nele que se torna mais provável a garantia dos direitos básicos dos cidadãos. Ban Ki -moon sabe do que está falando: seu próprio país, a Coréia do Sul, trilhou um longo e penoso caminho até atingir a democracia. No Brasil, ainda estamos caminhando. É verdade que temos democracia formal desde 1985. Vivemos o maior período democrático de toda a nossa história - o que, por si, já mostra como a democracia brasileira precisa de cuidados constantes para manter -se. Desde 1989, ininterruptamente escolhemos pelo voto direto o cargo máximo do Poder Executivo. Os nascidos no primeiro ano de governo de Fernando Collor mal entraram na idade adulta. Sim, ainda temos muito a aprender. Em períodos eleitorais, como o atual, fica ainda mais claro que nos falta muito para atingirmos a maturidade democrática. Entre os candidatos, muitas caras conhecidas, corruptas e d emagogas. Nos discursos, inúmeras promessas vazias. Nas ruas, o famigerado "voto útil", a apatia e o desinteresse. No Judiciário, o absoluto desconhecimento de como funciona a internet, o meio de comunicação democrático por excelência. Vigilância constante e um clima de medo: sobre o que posso falar, afinal? Enquanto os candidatos à presidência dos Estados Unidos usam twitter, youtube e vários outras ferramentas virtuais, aqui temos medo de publicar um texto sobre política e acabarmos com uma intimação no nariz, ou com nossos blogs fora do ar. Às vezes, nem é preciso falar sobre as eleições para sentir a opressão da Justiça Eleitoral. O Twitter Brasil, blog apartidário, viu-se fora do ar graças a uma liminar desarrazoada. O caso inspirou a edição Feed-se Democracia, que entrevistou Raquel e Fernando, autores do blog. Diante da proximidade das eleições, discutimos a importância de votar com responsabilidade para construirmos uma democracia real. Sugerimos canais para reclamar e propor ações aos candidatos eleitos. Passeamos pelas discussões políticas presentes na música, no cinema, na literatura e na televisão. Frisamos a importância dos blogs como meios de livre expressão e abordamos vários outros temas relacionados. Nosso desejo é que, lendo a Feed-se, você se interesse pela democracia, por política, pelas eleições que estão aí e por todas as que virão. Pesquise, converse, debata, troque idéias com amigos, vizinhos, com a família. Reflita sobre a sociedade que temos. Imagine que sociedade você gostaria de ter. Aja para construí-la, cotidianamente. Não, a democracia não é perfeita. Vale, no entanto, lembrar o estadista Winston Churchill:

Imagem: Lu Monte Creative Commons 2.0.

Nesta Edição
Editorial - A Frágil Democracia ………………………………………………………… 1 Entrevista: Justiça mira no Twitter e acerta num blog …………………………… 2 Disse me Disse: Democracia ……………………………………………………………… 5 De Voto Em Voto Se Muda Um País ……………………………………………………… 6 Medocracia ……………………………………………………………………………………… 7 Admirável Gado Novo e a Quixotesca Arte do Cyberativismo ………………… 8 Mensagem Aos Dirigentes Políticos …………………………………………………… 9 Gentileza Gera Gentileza ………………………………………………………………… 10 Blogs, Liberdade de Expressão e Censura ………………………………………… 11 Você Sabe Votar? …………………………………………………………………………… 13 Quero dar pitaco - Comofas?* ………………………………………………………… 15 DemoROCKracy ……………………………………………………………………………… 16 Na Estante ……………………………………………………………………………………… 17 Navegue ………………………………………………………………………………………… 19 Humor …………………………………………………………………………………………… 19 Tirinhas Democráticas ……………………………………………………………………… 20 Ficha Técnica ………………………………………………………………………………… 21

Ninguém pretende que a democracia seja perfeita ou sem defeito. Tem-se dito que a democracia é a pior forma de governo, salvo todas as demais formas que têm sido experimentadas de tempos em tempos.
Boa leitura! Lu Monte
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Entrevista: Justiça mira no Twitter e acerta num blog Lucia Freitas
No dia 9 de setembro, o Twitter Brasil, carinhosamente criado pela Raquel Camargo e Fernando Souza, amanheceu fora do ar. Em vez da página conhecida, que tinha posts sobre o passarinho, um aviso: "este site foi registrado mas ainda está em construção". Foi uma seqüência de atos praticados por quem, obviamente, não entende nada de internet. O primeiro: a advogada de uma candidata em Fortaleza achou que o blog era o legítimo representante do Twitter no Brasil. O juiz, sem consultar nenhum perito no assunto, expediu a liminar e mandou retirar o perfil falso da tal candidata do ar. O provedor, talvez com medo da multa de R$ 50 mil por dia, tirou o blog do ar. Eu tive o prazer e a agonia de acompanhar cada passo da história na tarde do dia 9 de setembro. Foi esta história - e seus desdobramentos - que inspirou esta edição especial sobre Democracia. Então vamos deixar o bla-bla-bla de lado e publicar logo a entrevista com a Raquel e o Fernando. Antes que a gente cometa uma injustiça: a Gabi Zago também escreve lá no Twitter Brasil. . A história, como previsto, seguiu. No dia 15 de setembro o excelentíssimo juiz fez despacho em que pede que a Raquel Camargo diga qual é a diferença entre o focinho de porco e a tomada. Trechinho da decisão: " Notifique-se a sra. Raquel Camargo, apontada Raquel Camargo: Na manhã de terça-feira (09/09), recebemos a notificação do provedor dizendo que o Twitter Brasil estava sendo bloqueado em virtude de decisão liminar emitida pelo TRE/CE. Na mesma mensagem dizia que poderíamos pedir a cópia da decisão via fax. Logicamente a pedimos imediatamente. A notificação veio por e-mail mesmo? Sem direito a defesa? Fernando Souza: O domínio é meu e da Raquel Camargo. Na ocasião do registro decidimos colocar o domínio no nome da Raquel porque a hospedagem estava no meu nome, assim dividimos a questão. Conta do comecinho. Calma, Raquel, calma. Você só tem que explicar que Twitter Brasil é um blog/site criado e mantido independentemente do Twitter. Coisa que, aliás, qualquer cristão que saiba ler encontra no "Sobre" do blog: Dicas e

novidades sobre o fenômeno dos microblogs .
Esmiúça mais um pouquinho que tudo vai dar certo. De quem é o domínio? Raquel Camargo: É meu e do Fernando, na verdade, mas está em meu nome. Foi assim:a notificação veio pros dois, mas na liminar estão os meus dados porque quando fizemos o registro colocamos o meu nome. informando que o site estava bloqueado por uma ação judicial e que para ter acesso ao documento era necessário fornecer um telefone para que eles o enviassem via fax. Qual foi a sua reação? Raquel Camargo: Eu não entendi nada na hora. Fiquei tentando lembrar se em algum post tínhamos citado candidatos políticos, algo que desse chance ao TSE de procurar-nos, mas eu não conseguia me lembrar de nada. Até apelei para o cache do google no primeiro momento, pra ver se achava algum post sobre isso, mas nada... Fernando Souza: Na hora fiquei surpreso e indignado, questionando-me sobre o que havia acontecido. Envie o e-mail para a Raquel e fiquei tentando lembrar se havíamos falado algo que pudesse ter gerado o bloqueio. Procurei no feed e não encontrei nada de errado. Começamos a conversar por gtalk e também não chegamos a nenhuma conclusão. Cheguei a pensar que poderíamos ter sido derrubados por uma bala perdida, ou seja, era pra tirar o Twitter fora do ar e tiraram nosso blog. Nesse meio tempo, entrei em contato com a a empresa responsável pelo registro Raquel Camargo: Por email mesmo. quando mandaram o email, o blog JÁ estava fora do ar - 9 horas da manhã do dia 9 de setembro. Fernando Souza: Sim, a empresa de domínio para conseguir o máximo de Raquel Camargo: A gente passou um número de fax para eles enviarem a cópia da liminar, e eles alegaram que estavam com dificuldades para enviar... depois Vocês começaram a contar para todo mundo como? Twitter? IM? mandaram o link do processo, que nós publicamos. informações e conseguir o documento via fax, mas eles estavam com dificuldades para enviá-lo! Por que demorou tanto? Fernando Souza: Logo quando vi o comunicado fiquei um pouco nervoso e foi impossível não contar a ninguém. Na seqüência, expliquei para o pessoal da Pólvora! a situação e o que estava conhecendo indignação. informações pessoas. e o porquê ter da minha algumas para Esperamos mais Raquel Camargo: Não, no primeiro momento fiquei quietinha. Mostrei apenas para o meu chefe e alguns colegas de trabalho que estavam do meu lado. (A Raquel trabalho na Studio Sol ) Enquanto isso eu me comunicava com o Fernando por email e esperávamos mais que ansiosamente pela liminar - que só chegou no dia seguinte.

específicas

começarmos a contar o fato para outras

como proprietária do domínio http://www.twitterbrasil.org, no endereço fornecido às fls. 52 (retirado o endereço da Raquel, que ninguém merece), para que tome conhecimento de todos os termos da presente representação, bem como para que informe, no prazo de 48 horas, acerca da responsabilidade do site acima citado na veiculação do falso perfil, cuja propagação restou proibida na decisão liminar de fls. 44/45 ."
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responsável pelo domínio enviou um e-mail

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Continuação:

Entrevista: Justiça mira no Twitter e acerta num blog
Como foi a mobilização? Raquel Camargo: Ah, a mobilização foi algo que me surpreendeu, sério. Eu fiz o post TRE atira contra o Twitter e acerta a vítima errada e em seguida fiz posts no twitter do blog. Aí o pessoal já se assustou. Com a ajuda de amigos a notícia foi só espalhando... e de repente comecei a receber muitos, muitos comentários e a ver a enorme repercussão do assunto no próprio twitter. Foi um susto ver naquele texto do site do TRE "site twitter" como representado do processo. Fernando Souza: a Raquel fez um post sobre o acontecido em seu blog e twittou. Em seguida fiz meu post. Mostrei para alguns outros amigos e daí começou a mobilização - todo mundo fazendo contatos e utilizando sua rede de influências. Meu telefone começou a tocar sem parar, era gente do Comunique-se, Folha, Jornal da Globo etc!
Raquel Camargo

Como

você

se

sente

neste

instante,

Raquel? Raquel Camargo: Eu me sinto preocupada e revoltada com o caso... Preocupada pelo fato de saber que meu nome está lá, e que embora o erro tenha sido reparado ainda não tenho certeza de como está o processo por completo. Revoltada por ver que erros crassos acontecem assim...

Confio demais no poder dessa "gritaria on-line", como você disse. É essa a força mesmo. Fernando Souza: Fico muito feliz de ver o poder de nossa mobilização e a capacidade que temos de movimentar a "blogosfera", a "twittosfera" e os canais de mídia mais tradicionais, que reportaram o fato, deram ouvidos e correram atrás de informações de todas as partes envolvidas para aquecer o assunto - o que considero um grande motivo de termos conseguido a volta do site no mesmo dia. Qual foi o "resultado" do bloqueio no

Você acompanhou o apoio de blogueiros e twitteiros na história. Por onde começou? Pelo teu post ou pelo twitter (ou ambos)?

Raquel Camargo: Pelos dois, já que foram postados quase no mesmo minuto. Como a imprensa chegou ao caso? Raquel Camargo: Através dos próprios

Twitter Brasil? (Aumentaram as visitas, caíram?) Raquel Camargo: As visitas aumentaram sim, principalmente no dia seguinte ao ocorrido. Como esse bloqueio deu uma boa "sacudida" em nossas vidas, não pudemos aproveitar o ritmo e fazer posts. Mas acredito que várias pessoas tenham tomado conhecimento do site no momento da polêmica. E agora? O que fazer para evitar a (in)justiça? Raquel Camargo: Você se refere a qual injustiça? futuras? A esta e outras, tão aberrantes quanto... (nada garante que não tirem outros do ar, né?) Raquel Camargo: Como evitar? Não sei... Agora se acontecer, é pedir justiça, pelo menos dando o grito. Não ficar quieto...

O que os advogados dizem? Afinal, defender-se no Ceará é um mega-esforço... Raquel Camargo: A gente sabe que a justiça é lenta (pior que minha conexão), e sabemos que para desafiar cachorro grande é preciso muita coragem e dinheiro. Essa é minha principal preocupação: ter o meu nome citado no processo. Mas ainda não tive acesso aos documentos lá no Ceará, então vamos ver o que acontece nas próximas semanas.

blogueiros e twitteiros. Quantas entrevistas você deu na tarde de terça?

E focinho de porco virou tomada na hora.

Raquel Camargo: Sem dúvidas. O grito dos blogueiros e twitteiros, seguido da atenção da mídia em geral foi fundamental pro retorno do site. Se não fosse isso, duvido que o blog voltasse ao ar no mesmo dia.

Raquel Camargo: Humm, tenho que contar... foram umas 6 eu acho. Digo: entrevistas para 6 veículos. Teve gente que ligou mais de uma vez. Foi uma experiência legal essa, pois dá pra perceber o foco e a linha de cada veículo.

Mas eles erraram - e reconheceram isso, não? Vocês vão ter que se defender neste processo? Como está agora? Raquel Camargo: Reconheceram voltando o blog ao ar, mas ainda não sei se retificaram nos documentos, Raquel Camargo: Estou no processo de "apuração" (risos). Conversei já com dois advogados e estou querendo ainda ver a opinião de mais algum. explicando que a inclusão do meu nome foi um equívoco. Os advogados precisam de mais dados para dar orientações mais seguras. Esses dados estão em Fortaleza. Eu não tenho acesso ao processo completo, portanto não sei dizer de qual parte veio o reconhecimento do erro…

Ainda é cedo, porque a gente não tem informação, mas qual o resultado desta experiência para vocês, como blogueiros? Vocês ficam com medo? Ou confiam na "força" da nossa gritaria on-line?

Raquel Camargo: Deu pra ficar mais inspirada ainda com a força dos blogueiros após esse episódio.

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Continuação:

Entrevista: Justiça mira no Twitter e acerta num blog
Isso que o PL do Azeredo ainda não entrou em vigor... já pensou? Raquel Camargo: Sim, já pensei. O Trasel fez um bom post já associando isso. Vocês vão ficar no servidor atual ou vão migrar? Já pensaram nisso? Raquel Camargo: O Fernando disse que estava procurando uma alternativa, mas ainda não chegamos a uma conclusão. Fernando Souza: Estou vendo qual a melhor saída, se colocar fora do país, apenas mudar de empresa ou deixar onde está ainda porque não chegamos a uma decisão. De onde vieram os apoios mais Raquel Camargo: É verdade, muitos sabiam... ou os dois. Senti falta de mais posts. Porque, cá entre nós, quem vai lá no twitter search somos nós, não? Bem, foi tudo bem Raquel Camargo: Ah sim, estava difícil rastrear os twitts porque não havia uma "hash tag" nem nada. =/ O que a gente pode fazer para ajudar o blog neste momento? Raquel Camargo: Ah Lu, pra ajudar, nada demais agora... o mais tenso já passou, o blog está no ar! Fernando Souza: Num primeiro momento, acredito que a função do blog será a de informar o ocorrido e explicar que houve um engano, pela falta de informação e/ou pesquisa, faltou apuração. Felizmente, conseguimos com a ajuda de amigos blogueiros e jornalistas, que o fato fosse divulgado e corrigido. É um exemplo de que devemos ter muito cuidado com o uso das redes sociais. Assim, erros como a confusão do Twitter com o Twitter Brasil, deverão ocorrer com menos frequência, espero. Raquel Camargo: Sim... talvez o SEO tenha falado mais alto (risos). Será? SEO ou falta de consciência? Lucia Freitas é mulher, blogueira e jornalista, aprendiz e professora. Adora uma boa discussão, conversar com amigos, novidades, gadgets. Seu blog? Ladybug. Fernando Souza: Fiquei muito feliz em ver a mobilização de muita gente! Esses momentos ajudam a estreitar alguns laços, reconhecer as pessoas com que você pode realmente contar e descobrir novos apoios. Mas foi uma certa blogosfera. Teve muito neguinho "famoso" que nem tocou no assunto, né? Fernando Souza: O processo está correndo. Houve uma nova citação do nome da Raquel, e mais uma vez estamos aguardando a chegada dos documentos para tomarmos as devidas providencias. Sim, mesmo à distancia estou comprometido com o assunto e sei de tudo que está acontecendo, além de estar fazendo alguns contatos para ver o que conseguimos de apoio jurídico. Estamos prontos para o que der e vier! Como está o processo agora?

Fernando Souza

inesperados? Raquel Camargo:

inesperado na verdade. Eu não imaginei que aquele post ia repercutir tanto assim. A cada comentário recebido, a cada pingback, a cada twittada eu ficava mais surpresa. Quando os "grandes veículos" começaram a entrar em contato foi mais uma surpresa grande... Não imaginei que o assunto iria tão longe e em tão pouco tempo. Qual o efeito desta avalanche de apoio? Raquel Camargo: Foi bom ver o quão forte é o poder dos blogueiros. Fiquei feliz vendo isso, e claro, muito, muito grata. Ver a blogosfera mostrar a "eles" que não é todo mundo que fica quietinho diante de certas atitudes também me deixou satisfeita. Sem saber, os blogueiros participaram de um episódio pró-ciberativismo (lembrando o Caribé).

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Disse - me - Disse: Democracia
Ninguém é suficientemente competente para governar outra pessoa sem o seu consentimento. Abraham Lincoln O sufrágio universal, a mais monstruosa e a mais Se o homem falhar em conciliar a justiça e a liberdade, então falha em tudo. Albert Camus iníqua das tiranias, pois a força do número é a mais brutal das forças, não tendo ao seu lado nem a audácia, nem o talento. P. Bourget Desejo tanto que respeitem a minha liberdade que sou incapaz de não respeitar a dos outros. Françoise Sagan

A democracia muitas vezes significa o poder nas mãos de uma maioria incompetente. Bernard Shaw

A liberdade é o direito de fazer tudo o que as leis consentem. Montesquieu

A liberdade econômica é a condição necessária da liberdade política Luigi Einadi

A democracia, mais do que qualquer outro regime, exige o exercício da autoridade. Saint-Jonh Perse

© Chappatte - www.globecartoon.com O meu ideal político é a democracia, para que todo o homem seja respeitado como indivíduo e nenhum venerado. Albert Einstein

A igualdade só poderá ser soberana nivelando as liberdades, desiguais por natureza. Charles Maurras

A democracia é a mais severa forma de despotismo. Aristóteles

Tudo quanto aumenta a liberdade, aumenta a responsabilidade. Victor Hugo

A capacidade do homem para a justiça torna a democracia possível, mas a sua inclinação para a injustiça torna a democracia necessária. Reinhold Niebuhr

Há muito poucas repúblicas no mundo, e mesmo Tudo é caso de sangue. Não é fácil ser um homem livre: fugir da peste, organizar encontros, aumentar a potência de agir, afetar-se pela alegria, multiplicar os afetos que exprimem e envolvem o máximo de afirmação. Gilles Deleuze e Claire Parnet A liberdade de escolha é um direito de todos, mas só Depois da liberdade desaparecer, resta um país, mas já não há pátria François Chateaubriand A democracia é apenas a substituição de alguns A democracia fundada sobre a igualdade absoluta é a mais absoluta tirania. Cesare Cantú A liberdade custa muito caro e temos ou de nos Democracia é a regra do povo, pelo povo e para o povo. Abraham Lincoln
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A democracia surgiu quando, devido ao fato de que todos são iguais em certo sentido, acreditou-se que todos fossem absolutamente iguais entre si. Aristóteles

assim elas devem a liberdade aos seus rochedos ou ao mar que as defende. Os homens só raramente são os dignos de se governar a si mesmos Voltaire Não há pessoa que não ame a liberdade, mas quem é justo exige-a para todos, quem é injusto, apenas para si mesmo. Ludwig Borne

alguns a exercem com elegância. Honorè de Balzac.

O diabo foi o primeiro democrata. Lord Byron

Assim como eu não seria escravo, não seria senhor. Isso expressa minha idéia de democracia. Abraham Lincoln

As liberdades não se concedem, conquistam-se. Fonte: "Palavras de um Revoltado" Piotr Kropotkine

corruptos por muitos incompetentes Bernard Bernard

A liberdade começa onde acaba a ignorância. Victor Hugo

A democracia não garante igualdade de condições - ela garante apenas igualdade de oportunidades. John Dryden

resignarmos a viver sem ela ou de nos decidirmos a pagar o seu preço. José Martí

Democracia quer simplesmente dizer o desencanto do povo, pelo povo, para o povo. Oscar Wilde

De Voto Em Voto Se Muda Um País (E de Blog em Blog Também) Liliana Pellegrini

O processo eleitoral brasileiro corresponde a eleger pessoas para cargos administrativos e legislativos através de votos individuais de cada eleitor. Cada pessoa apta a votar tem direito a um voto. E o voto de um é exatamente igual ao voto de outro. Ganha o cargo quem consegue ter o número de votos suficientes para tal. Por que eu expliquei isso? Não está mais que claro a noção de que cada voto é igual ao outro? E que se elege alguém com a união de votos individuais de cada pessoa? Infelizmente não está claro, não. O brasileiro no geral se comporta como se seu voto não valesse nada e não fosse somar-se a outros para fazer a diferença em algum resultado eleitoral. O que prevalece é o sentimento de inferioridade e exclusão política que faz os eleitores não se considerarem capazes de mudar algo no atual perfil que não os agrada. E muitos votam por obrigação sem se dar conta do poder que têm em mãos. E outros, ainda pior, nem votam. Votar conscientemente pode ser um processo doloroso para a maioria, pois envolve abrir os olhos para assuntos que se prefere empurrar para debaixo do tapete, enquanto a novela e o futebol continuarem passando na televisão.

E os políticos de sempre acabam sendo eleitos por esses mesmos votos que não faziam diferença nenhuma e tudo continua igual com essas mesmas pessoas reclamando. E esperando que alguém faça algo por elas. Muitos brasileiros se viram obrigados a prestar atenção à política quando sua situação econômica apertou. Por um lado vemos mais gente consciente votando, o que é bom. Por outro, o que os levou a essa postura foi interesse próprio, não ideais elevados. A água está batendo na bunda das pessoas, falando na gíria. Os veículos de informação também têm contribuído muito para a conscientização do eleitorado, apesar dos esforços em contrário para que se permaneça na ignorância e se mantenha o status quo . Os blogs adquiriram no mundo todo uma importância considerável como veículos livres de disseminação de informação e consciência. E em diversos países eles estão de igual para igual participando nos processos eleitorais. Os Estados Unidos são o exemplo. Isso pede também uma postura mais madura dos blogueiros dispostos a participar de mudanças em seus meios. Requer o reconhecimento do poder do próprio blog e da blogosfera no geral. Aqui, o mesmo pensamento "meu blog é só um blog e não vai fazer diferença" pode atrasar em muito a consolidação do veículo e seu poder de mudança. Ações individuais, sejam elas votar ou blogar, quando somadas, resultam em mudanças boas ou resultados neutros ou insatisfatórios. Depende de como cada participante se comportou no processo. No caso das eleições vindouras, suas ações irão resultar em algo que vai afetar milhões de pessoas, incluindo você e os seus. Você está preparado?

Imagem: Soyignatius, Creative Commons 2.0.

Envolve olhar de frente para a própria situação econômica e de seu país. Envolve considerar aspectos de liberdades individuais. Envolve pensar no bem-estar de seus entes queridos em níveis mais profundos do que dar um saquinho de porcaritos para a criança ficar quieta. É um passo gigantesco de iluminação política que, uma vez dado, não se pode voltar atrás. E assim é que votos são desperdiçados. As pessoas, além de não acharem que podem mudar algo, não querem ter trabalho de mudar alguma coisa. "Deixa para outro votar com consciência. Meu voto não vai fazer diferença mesmo..."

Liliana Pellegrini já fez um monte de coisas, já viveu muito, já foi para um monte de lugares e já viu quase de tudo.

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Medocracia
Luiz Yassuda
Entendendo relações de poder e influência sobre a sua dita liberdade de expressão.
Voltemos ao fim de Roma, perto do ano 476 d.C, quando acabou o Império Ocidental e começou a Idade Média: Enquanto Roma passava por uma profunda crise em todos os seus setores, o grande Império passou a ser sacudido por hordas bárbaras que atacaram todas as fronteiras. Quem tinha terra e alguns recursos começou a erguer grandes fortalezas que poderiam proteger as vidas abrigadas de possíveis saques. Temendo pela sua segurança nas cidades, a população iniciou um êxodo urbano e passou a se concentrar nas proximidades dos castelos, pedindo proteção ao senhor das terras. Um movimento de sobrevivência sensato em que o cidadão trocava os seus direitos conforme as leis pela proteção paga por submissão a um regime de servidão. Tal ilustração serve apenas para passarmos a conversar sobre o termo que intitula este artigo. A Medocracia não é o poder da tirania, e sim as atribuições de poder que o medo deu a cada parte. No caso citado, percebe-se que o poder do senhor feudal só foi possível pela existência de uma ameaça em potencial, um medo que pairava sobre os servos nos primeiros momentos de Idade Média. A pergunta que deve ser feita antes do prosseguimento é: e quem não tem medo? Quando falamos em comunicação no Brasil em tempos pós-ditadura, falamos de alguns poucos grupos que dominam a opinião pública. Tal estrutura é o que, basicamente, alimenta todas as famílias de quem trabalha em jornais, agências de publicidade, empresas de pesquisa e até nos departamentos de marketing. O jornal que você lê, a revista que você assina, o canal de televisão a que você assiste: - todos fazem parte das posses de um seleto grupo de empresários que têm o poder de ditar os rumos da opinião pública. E são nesses meios que a publicidade tem os seus lucros, as pesquisas são geradas e o marketing estuda os seus ganhos. É possível comparar estes grandes empresários da mídia aos senhores feudais. Um pobre camponês precisa se refugiar em um dos castelos para sobreviver, ou, em outras palavras, precisa estar ligado, de certa forma, à mecânica. É simples assim. Não há jornalismo, publicidade ou outra atividade de comunicação que não tenha pelo menos um pé dentro da terra destes senhores. Você já assistiu a um documentário produzido sobre o Governo de Minas Gerais e sua suposta influência em veículos de comunicação? Vez ou outra, uma coisa dessas surge, alimentando as nossas síndromes de conspirações e perseguições, sem que efetivamente tenhamos alguma confirmação da verdade. O vídeo entrevista alguns jornalistas que teriam perdido o emprego no maior jornal de Minas Gerais por publicarem comentários negativos em relação ao Governador local. O dia-a-dia no feudo é bem menos tenso do que isto, mas passa pelo mesmo questionamento: escrever tal artigo pode contrariar pessoas, mas se contrariar a alta cúpula do veículo que paga o salário, o que acontece? E então surgem os blogs como alternativa a quem produz comunicação com qualidade e isenção. Uma verdadeira revolução, se voltarmos aos papos de 2005 e 2006. O volume de coberturas instantâneas e de opinião fez dos blogs potenciais competidores dos feudos. Hordas bárbaras de respeito. Um pequeno post pode fazer grandes estragos. É claro que os senhores feudais podem ficar de olho no que os seus servos produzem nestas mídias sociais. Mas o poder que eles têm para calar uma voz destoante de seu coro já não é mais o mesmo até porque já existem blogs com maior número de acessos do que os leitores de alguns jornais.

Seria a blogosfera o último reduto longe da Medocracia? Talvez não para este que lhes escreve, cujos ganhos estão ligados à publicidade. Mas se é bobagem, então a preocupação deste texto com algo que provavelmente não ocorre com os blogs - como a existência de blogs patrocinados por empresas, embaixo da aba de grandes grupos de mídia ou bancados por agências publicitárias -, brindemos à isenção. Ou aproveitemos estes belos dias de Camps para discutir quem é que vira senhor feudal se o blogueiro for o servo nesta metáfora . Luiz Yassuda é publicitário, pitaqueiro e quase ex-universitário, e publica seus textos no Blog do Yassuda . Castelo do século XII, na Bélgica. Imagem: Hbrinkman. Royalty free

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Vida de gado, povo feliz.
O "admirável gado novo" continua feliz, os poucos que conseguem enxergar além da cerca são conhecidos como "gados quixotescos". Cuidado com eles, diz a sabia vaquinha a seu recém desmamado bezerrinho. Ao invés de brigar contra a fome eles ficam brigando contra as leis que garantem a nossa segurança na internet, profere o velho touro, palavras replicadas pelo jovem bezerro, para parecer sábio. Um sábio de antolhos, que não consegue consumir além do que lhe fora ruminado pelos touros de massa. O admirável gado novo não quer enxergar além da cerca; a segurança da cerca, do "bolsa manada", das quotas dos bois malhados e outras “maravilhas” do curral os tornaram assim. Enxergar além da cerca é arriscado, pode-se enxergar o que não querem que você veja. O pessoal lá do curral acha que o gado quixotesco é um rebelde sem causa, afinal, depois que um dos fazendeiros falou que os gados quixotescos só falam bobagem, que o projeto de leis para a internet não vai afetar a vida do bom gado, só dos maus viu!, pronto, a boiada caiu na gargalhada, rindo da própria sorte, e o pior: sem saber disto. Mal sabem eles que o gado quixotesco há muito se libertou dos touros de massa, consegue enxergar além da cerca e juntar os fardos, enxergando claramente estratégias estudadas maquiavelicamente para beneficiar os amigos dos fazendeiros e os próprios fazendeiros, sempre à custa da obediente boiada. Os fins justificam os meios, leis para internet são para proteger os pobres bois velhinhos vitimas de golpes eletrônicos, e os indefesos bezerrinhos que são vítimas de pedófilos na internet, dizem os fazendeiros. Oh! Que causa nobre, rumina a Mimosa, estes quixotescos são uns monstros, não são gado de bem, exclama sem fazer uso de sua massa encefálica, apenas num ato reflexo ruminado pelos touros de massa.

E assim caminha o curral... Os fazendeiros são estrategistas experientes, conseguem fazer os touros de massa ruminarem informações ao vento, em diversos pontos do curral, dando a impressão de que se trata de uma ruminada meme, quando na verdade é apenas um pequeno mugido, ruminado de forma orquestrada e pontual. Informações são cuidadosamente estudadas, de forma que o conteúdo latente da mensagem seja claramente percebido, mesmo que nossos olhos ou ouvidos estejam em contato com o conteúdo manifesto. Uma das estratégias é usar números absolutos. Fazem os touros ruminarem que foram encontrados 50 mil perfis de bois pedófilos no “Murkut”. 50 mil é um número grande, mas 0,1% é insignificante apesar de ser um número real, já que o “Murkut” tem 50 milhões de cabeça de gado…

Imagem: Tamaraigl. Royalty free. Os barões do copyright já conseguiram que fossem criadas leis no mundo inteiro para proteger os direitos autorais, direitos autorais que são cedidos por seus autores aos barões. Como é bom ver TV, ouvir música, ler um livro ou usar um computador com o “Ruminindows”. A manada aqui do curral adora, mas mal sabem que seu lazer financia um terrível mercado, o mercado da indústria da intermediação cultural. Estas leis aplicam multas astronomicamente estúpidas: se você tive um “Ruminindows” pirata na sua máquina, você precisará pagar o valor de mil cópias, sabe-se lá porque razão. Vai ver que direito autoral é uma questão estratégica, de segurança nacional. Os barões do copyright criaram o ACTA com a desculpa de proteger as patentes de remédios, mas na verdade serve mesmo à indústria de intermediação cultural. O ACTA foi quem delineou a convenção de Budapeste com o objetivo de criar mecanismos para aplicar suas penalidades exageradas e controlar a pirataria, agora no meio digital. Afinal, os touros de massa só ruminam os aspectos negativos da pirataria, e lá no curral todos ruminam: “Pirataria é crime, papai do céu castiga”. Existem aspectos positivos, falam os bois quixotescos, além da disseminação rápida, a

Admirável Gado Novo e a Quixotesca Arte do Cyberativismo João Carlos Caribé

fomentação de uma sólida base instalada e/ou cultural, ainda existem aspectos positivos na questão de desenvolvimento e sociabilização cultural, e ainda citam dois exemplos: lembra que o curral Brazilis só se tornou referência no combate a AIDS por que ameaçou quebrar as patentes das drogras anti-AIDS? E o sucesso do Tropa de Elite? Lembra?Vendia em qualquer camelô e estava disponível em qualquer rede P2P, diversas pessoas fizeram legendas em diversos idiomas, disseminou no mundo. Foi recorde de bilheteria e ainda ganhou um Urso de Ouro. Só não ganhou um Oscar porque não foi indicado; afinal, se ganhasse, como ficaria o discurso contra a pirataria? Afinal, a pirataria provoca enormes prejuízos e desemprego, rumina o touro de massa. Isto é conversa pra boi dormir...

Ô vida de gado! Povo marcado, povo feliz...
Touros de massa ruminam que os bancos de nosso curral perdem R$ 300 mil por ano por conta de cibercrimes. 300 mil é um número muito grande, mas esquecem-se de falar que os cinco maiores bancos do curral faturaram juntos mais de 27 trilhões de Reais. Perto deste número, 300 mil é menor que 0,01%. Pífio, não?

Ô vida de gado! Povo marcado, povo feliz...
Imagem: .Wonderferret CC 2.0.

Ô vida de gado! Povo marcado, povo feliz...
Finalizando as transmissões aqui do curral, mês que vem tem mais. Entendeu agora ou quer que eu desenhe? Muuuuuuuuuuuuu!!!

João Carlos Caribé, publicitário, ciberativista de plantão e refugiado do curral, escreve no Entropia . .

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Mensagem Aos Dirigentes Políticos
Debora Rocco
"O que falta é consciência política totalmente permeada pela ética." O problema dos partidos é bem simples: eles não querem ou não desejam viver bem. A única coisa que lhes interessa é o Poder, ou o que acreditam que é Poder. Por isso a luta entre eles é sempre entre duas caras da mesma moeda: inseparáveis, ainda que não possam ver-se uma à outra. Eu represento uma comunidade muito maior do que vocês possam imaginar; sendo assim, o que vocês podem fazer por este país? O que vocês oferecem? Se sua oferta é boa, eu lhe darei a vitória. O país é uma latrina onde todos fazem as suas necessidades, sem que ninguém se responsabilize verdadeiramente por nada. Por isso, jamais diga o impróprio, pois isso se voltará contra você; como tem se voltado contra eles (os partidos); como os tem feito voltar-se uns contra os outros. "Impróprio" no sentido de não apropriado, de propriedade, de próprio, do que é de cada um. Não diga o que é impróprio, o que não é seu, o que não é Verdadeiro, o que não seja Verdade. Pois somente a Verdade e a sinceridade poderão levá-lo à vitória, que é o coração de cada um dos eleitores que esperam e que anseiam por uma mudança. Não desperdice seu tempo e sua energia em ataques estéreis a arcaicos modelos de comportamento, porque isso é o que eles fazem; e disso os corações dos povos sofridos já estão cansados. Isso é o que eles fazem, atacar-se; é o que sempre fizeram.

Se realmente você é a mudança da qual todos precisam, você tem que ser diferente, pensar diferente e estar de uma forma diferente. Estar na posição de amig@, não de dirigente; você tem que se apresentar como alguém que tem a capacidade, a coragem e o valor de ser a expressão máxima da necessidade de todos aqueles que tem sido relegados à posição de meros instrumentos para chegar ao poder. Você deve pensar em ser o instrumento dos relegados, para que eles assumam o poder real que pertence somente à comunidade como um todo; e não à grupos particulares que procuram viver às custas do sofrimento alheio, alicerçados na demagogia, em falsas promessas e no despertar de esperanças que eles nunca tiveram a intenção de cumprir ou levar a termo. Não acredite que é fácil viver com a verdade nas mãos. Quando você tocar o coração das pessoas com ela, todos depositarão seus sonhos sobre as suas costas, confiando e esperando que você lhes mostre um novo caminho, um rumo a seguir em direção à felicidade.

saiba e terá tudo o que precisar para chegar à vitória. O apoio e a ajuda para alcançar a sua meta não chegarão de ninguém em especial, nem de nenhum lugar em particular; mas virão de muitas fontes e de variadas formas, e serão muito mais que o necessário, muito além de qualquer expectativa que você tenha. Depois de tudo isto, volto a lhe perguntar: o que pode você fazer por este país? O que você oferece? Espero a resposta de um@ "amig@", alguém que fale com o coração; não como um político, não como quem está em campanha eleitoral, mas sim como alguém que fala por e para as pessoas, alguém que leva a verdade em seu coração. Um coração pleno de empatia e compaixão por seu povo; alguém que conhece a paixão pela vida, pois nela reside a força da voz que se levanta ante a injustiça e desvanece a indiferença que foi semeada sistematicamente por falsos dirigentes, através de vãs ilusões que levaram o país ao ponto crítico onde se encontra. De sua resposta, do que você escreva, dependerá meu apoio, que seguramente o levará à vitória - não a sua, mas a de todos; pois sua resposta será o argumento que usarei para que as pessoas saibam que o ser que esperavam finalmente chegou; e que elas têm que lhe dar seu voto de confiança para que as coisas possam seguir seu curso segundo a Lei. Por isso, suas palavras devem ser simples e diretas, porque os corações somente entendem o que é simples e verdadeiro, nada mais que isso. Não peço nada em troca, não há tratos nem compromissos ocultos; o único compromisso intrínseco em tudo isto é trabalhar pelo bem estar de todos. Mãe Terra Debora Rocco é mulher, bruxa e blogueira, entre outras coisas. Seu blog é o Magia Bruxa .

E qual é a Verdade?
A Verdade é a necessidade das pessoas; e qual é essa necessidade? A resposta é óbvia e simples, como tudo o que é verdadeiro: casa, estudo, trabalho digno e segurança. Tudo se reduz a isso; pois tendo essas coisas, o resto... as pessoas constroem. Sendo assim, a pessoa que tenha o valor de fazer dessas quatro coisas a sua Verdade se tornará aquele que, junto com a comunidade, traçará o novo rumo para um país mais justo e digno para todos. Não é um trabalho árduo, é um trabalho gratificante, pois não existe maior gratificação que ver um país crescer e tornar-se grande, na medida em que a sua gente se desenvolve e alcança seus objetivos. Não se preocupe em saber quem sou eu. Você pode pensar em mim como a voz da comunidade, pois não sou ninguém sem ela; da mesma forma que você não é um político sem seus eleitores. Tenho feito um trabalho à sombra do anonimato para que surja uma pessoa que simbolize a mudança que este país necessita; e se você acredita que é essa pessoa, faça com que eu o

Imagem: Barunpatro. Royalty free.

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Gentileza Gera Gentileza
Roberto Cassano
Por que pode ser uma boa idéia usarmos nossa força para um bem maior
Você está caminhando pela manhã, ouvindo Radiohead no seu iPod, e se depara com alguém polêmico. Sei lá, pode ser um juiz que tirou um blog do ar tentando detonar o Twitter inteiro. Ou um funcionário da Editora Abril que te fez uma proposta indecorosa (“e diz que espera uma resposta, uma resposta de João”). Ou um sujeito distribuindo geladeirinhas. Bom, qualquer um desses tipos. Você está sozinho. Além de você e o ProJoselito, apenas outros transeuntes. Pergunto: Você pararia pedras no sujeito? e arremessaria Não porque ela é composta de pessoas más, Marias-vão-com-as-outras ou inconseqüentes, nada disso. Assola por que a blogosfera, acredite, é composta de uma coisa tão esquisita quanto previsível: gente. Gente pensa assim. Individualmente, se limita fortemente pelas convenções sociais, pelos códigos pessoais e coletivos de ética. Por um monte de regras, que garantem a boa convivência e a venda de cursos de etiqueta. Mas, quando essas mesmas pessoas estão em grupo, tudo muda. Se uma multidão lincha um ladrão, o cara que deu uma cacetada no meliante se sente menos assassino, porque a culpa é compartilhada. A massa faz coisas que o indivíduo jamais faria sozinho. A massa tem uma personalidade própria. É um indivíduo quase tão poderoso quanto o “todo mundo faz” ou o “ninguém paga imposto”. O monitor de nossos computadores tem o mesmo papel de proteção. Atrás deles, somos mais corajosos. Nos sentimos livres para atirar nossas pedras. Nunca damos a cara a tapa e nunca estamos só. Sempre falamos em nome da massa, em nome desse ser coletivo. E nos alimentamos de uma necessidade quase inerente ao Homem: o irresistível desejo de falar mal dos outros. De meter o dedo na ferida. De ver o circo pegar fogo. Virais bacanas que passaram pelas teclas de todo mundo existem aos montes. Mas manifestações onde convertemos o enorme poder de mobilização da blogosfera em um grito uníssono são, em sua enorme maioria, na forma de gritos de negação. Negação ao Judiciário. Aos blogs da grande editora. Negação ao Ônibus Azul. A gente ignora rapidinho que tem gente trabalhando do outro lado. Gente que erra, que às vezes erra feio mas, caramba, quem não erra? Quem aperta o botão vermelho pra cima de outro sem pestanejar (“nunca vou me encontrar com o juiz que quis detonar o Twitter mesmo”) um dia pode ver um botão vermelho crescendo em sua direção. É real o risco de esse sentimento de auto-defesa, de se sentir superior, de se sentir a substituição da velha mídia, transformar esse espírito coletivo da blogosfera numa polícia cármica. Com julgamentos e execuções sumárias daqueles que ferem as regras. Os cada vez mais importantes formadores de opinião

Auto-retrato de José Datrino, o Profeta Gentileza. Intervenção urbana em viaduto da zona portuária do Rio. Imagem: Olimor. Wikimedia Commons

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O que José Datrino, o Profeta Gentileza, falaria se tivesse um Twitter?
O que faria, na internet, o papel das 56 pilastras de viaduto onde ele imortalizou seus mandamentos? Como ele viralizaria suas mensagens? Ele não está mais entre nós. Mas se o que vale são as mensagens, confira alguns dos mandamentos do maluco beleza, todos devidamente com até 140 caracteres: - Não usem problemas, não usem pobreza, usem amorrr do Gentileza e a natureza. - Este é o Profeta Gentileza que gera amorrr e paz para um Brasil e um mundo melhor. - Guerra só do Gentileza gera gentileza, Amorrr beleza, perfeição, bondade e riqueza. - Gentileza gera gentileza, amorrr. Meus filhos, nossa cabeça, nosso mestre, o mundo é uma escola, ensina o lado positivo e o negativo. Cuidado cabecinhas, cuidado lingüinhas ferinas. Por Jesus, disse Profeta Gentileza, Amorrr, Paz. - O pensamento negativo, poluído de maldade e perversidade, é o inferno. A má palavra, a porta do purgatório. - Não pense em dinheiro, ele é o capeta, capitalismo, cega a humanidade e leva para o abismo sujo do capitalismo. da blogosfera precisam perceber o poder e a responsabilidade que têm. Muitos sem querer. Tem muita gente boa aí elevada a patamar de deus mas que, no fundo, só quer mesmo se divertir, desabafar, conhecer gente nova. Não querem necessariamente ditar moda. E nem tem obrigação nenhuma disso. Mas a massa de seguidores lhes confere poder. E se o poder está aí, dando bobeira, por que a gente não o canaliza para uma energia positiva? As cento e tantas mil assinaturas da petição contra a Lei de Cibercrimes são um claro exemplo de como a gente pode, sim, se articular pelo bem comum É engraçado como tudo que descamba pro humanismo, pras grandes causas, pra gentileza cai um rótulo de boring , de carola, de abraçador de árvore. É inegável o maior poder de propagação do bizarro, da bola-fora, da putaria, da boa piada. E isso tudo é ótimo. Como disse no post que originou esse artigo, alguns de nós (como eu), fazem desse mundo virtual um ganha pão, mas para a grande maioria este é um espaço de diversão, de informação, de lazer. E tem mais é que ser o local das novidades, das piadas, da putaria. Só não precisa ser só isso. Seria legal se a gente se acostumasse a pensar duas vezes antes de apertar o botão vermelho. Antes de tacar a pedra. Não seria legal se a gente se habituasse a escolher uma “causa da vez” e viralizássemos essa idéia? Se a gente descobrisse as pessoas, as iniciativas do bem e déssemos uma forcinha? Um clique, um tweet, um post por vez. Antes de twittar, lembrem-se: “Gentileza gera gentileza”. Roberto Cassano é blogueiro, twitteiro e Diretor de Mídias Sociais da Agência Frog .

E se você se deparasse com uma pequena turba cercando o dito-cujo, atirando pedras compulsivamente? Resistiria a arremessar mais uma pedrinha portuguesa? Tem um episódio de “Além da Imaginação” que eu adoro. Tocam a campainha de um sujeito e entregam a ele uma caixa. Na caixa, apenas um botão vermelho e nada mais. O entregador faz uma proposta indecorosa (“e diz que espera uma resposta”): se o cara que recebeu a caixa apertar o botão, uma pessoa que ele não conhece, em algum lugar do mundo, vai bater as botas. Logo depois, aquele que apertou o botão ganharia uma grande bolada. O carinha pensa, pensa, pensa e, no fim, decide que não é tão mau assim matar alguém que se desconhece e que nunca vai saber quem o matou. E mete o dedo no botão. Um dia depois, o entregador volta, trazendo uma mala cheia de dinheiro. Entrega a mala e pega a caixa com o botão de volta. O apertador-de-botões pergunta: “O que você vai fazer com a caixa?”. No que o entregador responde: “entregar para alguém que você não conhece”. E o episódio termina com a cara de “mifu” do recém-milionário. As duas histórias ilustram um fenômeno que assola a blogosfera.
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Blogs, Liberdade de Expressão e Censura Jorge Alberto Araujo
A ascensão ao poder no Brasil de um partido oriundo da assim denominada esquerda criou toda uma geração de órfãos do seu antigo discurso. Durante os anos de chumbo e enquanto se mantiveram na direção do Estado as coalizões mais conservadoras, os partidos populares mantiveram um discurso favorável à democracia, cultura ecologia, etc. que era muito mais simpático à juventude do que a dicotomia referente à propriedade dos bens de capital que contrapunha socialistas e liberais. O panorama dos governos de esquerda, no entanto, nada traz de alentador para quem deles esperava um alargamento democrático, principalmente atinente às liberdades civis. Exemplo bem acabado disso são as quase ditaduras de Chávez e Morales, nada obstante isso sequer seja novidade à luz do que se teve em Cuba na interminável gestão de Castro. De outro lado, a recentíssima turbulência no mercado de capitais decorrente dos créditos podres dos bancos estadunidenses, que fez com que o governo Bush interviesse injetando pesadas somas de dinheiro público em empresas privadas, pôs por terra um paradigma da ideologia liberal mais próxima dos partidos considerados de direita , que apregoava um Estado mínimo, fundamentado na capacidade de o mercado se auto-regular. Neste caldo de cultura não é nenhuma surpresa a existência de manifestações extremamente críticas ao establishment e não há lugar mais democrático para a sua exposição do que a web ou formato mais adequado do que os blogs. Um dos pioneiros a manter uma página de opiniões no ar foi Gravataí Merengue, que escreve o Imprensa Marrom desde agosto de 2001. O autor, que se considera um "encrenqueiro com perfil adolescente incurável", dispara a sua metralhadora giratória contra tudo e todos e, embora seja assessor da vereadora e candidata a prefeita Soninha (aliás, também blogueira), do PPS, não poupa sequer tal partido, como fez questão de salientar na entrevista que Imagem: Gastonmag. Royalty free.

No artigo, há a referência a diversos jornalistas que dispõem de espaços na internet, a maioria composta de gente muito mais conhecida, ou estabelecida em veículos da mídia mais importantes que o do queixoso. Ninguém, no entanto, deu maior destaque à situação. Resultado: em uma pesquisa no Google sobre Políbio Braga, encontram-se muito mais referências ao A Nova Corja do que ao seu próprio blog. Os autores do A Nova Corja , que recusam o rótulo de blogueiros, são três jornalistas e um doutorando em Filosofia (justamente o réu do Políbio) e têm uma visão extremamente cínica do universo da política: " Todo mundo que entrou e saiu do A Nova Corja

" Essa questão de aliviar algum político é para a

imprensa tradicional, que não consegue fazer isso por falta de espaço nos jornais e revistas. E não dá para acusá-los de nada, porque a demência política aumentou exponencialmente nos últimos anos. "
Embora às voltas com um processo em que são réus, os autores do A Nova Corja são otimistas em relação ao Judiciário brasileiro: " Não temos problemas com a Justiça. As

decisões judiciais devem ser sempre acatadas, mas não necessariamente aceitas bovinamente. ", diz Rodrigo.
Por não aceitar bovinamente as decisões podem-se entender as críticas ferinas, por exemplo, à decisão do Supremo Tribunal Federal de ter arquivado as duas ações por improbidade administrativa contra seu Presidente, insinuando um comportamento mais do que corporativista na Suprema Corte brasileira.

realizamos: "Um exemplo é o caso Yeda que tem gente do partido envolvida". Merengue, no entanto, fez questão de deixar a chefia de gabinete da vereadora, justamente por não achar conveniente ficar recebendo telefonemas para comentar as críticas que veicula nas suas páginas. Foi por meio do Imprensa Marrom que muitos tomaram conhecimento de um blog gaúcho fortemente engajado na divulgação dos fatos que emergem das investigações e denúncias contra integrantes do governo do Estado do Rio Grande do Sul, o A Nova Corja. Curiosamente, o que lhe trouxe destaque na Blogosfera brasileira foi a ameaça do jornalista também sul-rio-grandense (na verdade catarinense, conforme a Wikipédia) Políbio Braga, em decorrência de um artigo em que questionava a existência de um "mensalinho" consistente na aquisição de espaços de anúncios no seu site por empresas ligadas ao poder público – ainda hoje é possível visualizar na página do jornalista o banner do Banrisul (veja o quadro sobre o caso). O blog A Nova Corja , que não explora espaços de publicidade, salientou no artigo "Mensalinho gaúcho? Junta os pontos e vai" a relação existente entre diversas páginas da internet mantidas por jornalistas do Rio Grande do Sul que seriam financiadas por meio de publicidade estatal, o que lhes comprometeria a isenção na hora de investigar e/ou criticar os ocupantes dos cargos mais altos nos respectivos governos municipal de Porto Alegre e estadual (sobre valores de espaços publicitários na internet, veja o quadro Publicidade sob suspeita ).

entende que a única forma de tratar os políticos é através do escárnio, porque é assim que eles fazem com quem os elege ", diz Rodrigo, autor
do artigo contestado judicialmente. E, ao ser perguntado acerca de vinculação a algum partido, pontifica:

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Entenda o caso Políbio Braga x A Nova Corja
25/06/2008 - Rodrigo Álvares, um dos autores do A Nova Corja , publica um artigo em que questiona a publicidade oficial no blog de Políbio Braga. 27/06/2008 - Políbio Braga envia um email para Rodrigo Álvares onde lhe solicita seu endereço para que possa " enviar um livro "; frente à recusa, envia outro email com a ameaça: " Eu vou te

achar, cara. Não adianta te esconder. Algum amigo teu vai abrir a boca e contar para onde foste depois que saíste da Cauduro, da Coletiva, da Folha… "

30/06/2008 - Rodrigo Álvares registra Boletim de Ocorrência por Ameaça (Artigo 147 do Código Penal). 01/07/2008 - Políbio Braga entra com dois processos contra Walter Valdevino (embora o artigo em que embasa seu pedido tenha sido escrito por Rodrigo). Em um destes processos foi deferida liminar em medida cautelar determinando que algumas partes de um dos artigos fossem excluídas da rede. 02/07/2008 - Políbio Braga concede entrevista ao Portal Imprensa na qual afirma que está processando Walter Valdevino por não ter localizado o jornalista Rod rigo Álvares: " Não consigo encontrá-lo. Então, fiz uma pesquisa e identifiquei o responsável pela publicação ." 21/08/2008 - Audiência de conciliação marcada para o dia 23 de setembro de 2008, a respeito de um terceiro processo. 23/09/2008 - O promotor de justiça presente à audiência de conciliação pediu vistas do processo para opinar sobre o prosseguimento ou não da ação. Até o fechamento desta edição, esta era a informação mais recente envolvendo Políbio Braga e A Nova Corja .

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Continuação:

Blogs, Liberdade de Expressão e Censura
Também o autor do Imprensa Marrom não identifica no Judiciário um inimigo da democracia. Pelo contrário, o blogueiro, que é advogado, afirma: " Não tenho má-fé quanto ao Judiciário, ao Os questionamentos de Arthurius, que, embora não tenha conhecimento técnico-jurídico, tem experiência de vida, são bastante inquietantes e atuais, na medida em que abordam questões atinentes ao exercício de direitos fundamentais e, principalmente, o conflito entre eles. Este estudo ou reflexão une, por exemplo, o autor do Visão Panorâmica ao juiz federal George Marmelstein, do blog Direitos Fundamentais, sem que se possa, muitas vezes, diferenciar a opinião de um ou de outro, exceto, talvez, pelo palavreado técnico ou fundamentação bibliográfica do último. Advogado, jornalistas, filósofo ou profissional de Informática, em comum, além de debater a realidade brasileira sem medo de levantar polêmica, todos afirmam não temer o Judiciário, embora observem alguns cuidados para não extrapolar os limites de sua liberdade de expressão. O direito de expor o pensamento se encontra assegurado na Constituição, no entanto, como qualquer direito, deve ser exercido de forma não-abusiva, ou seja, sem que atinja direitos fundamentais alheios, como, por exemplo, a honra, a intimidade etc. Por outro lado, não podemos de forma alguma admitir que exista no Brasil uma censura ou limitação ao conteúdo dos blogs. Devemos ficar atentos para que esta liberdade permaneça. A sombra de regimes populistas e autoritários ronda a América Latina e somente uma opinião pública livre e descomprometida é eficaz para evitar que sejamos por ela obscurecidos. Fiquemos com a advertência sombria de Rodrigo Alvarez, do A Nova Corja : " É melhor as pessoas começarem a levar a sério a

contrário da opinião que se propaga pela Internet, de forma errônea - como no caso recente do TRE do Ceará. A coligação da Luizianne Lins fez uma barbeiragem, o juiz foi OBRIGADO a citar uma das partes e então culparam o 'Judiciário' por 'não entender de internet'. Isso é errado. O erro foi da parte. "
A visão tolerante em relação às decisões da Justiça brasileira não é, no entanto, o forte do blog Visão Panorâmica. Sua criação decorreu do profundo desapontamento de seu autor com as instituições do país. Arthurius Maximus, pseudônimo adotado como forma de driblar a perseguição que diz sofrer de seu ex-empregador, uma grande instituição financeira que tudo fez para lhe arruinar econômica e psicologicamente após ter sido demandada na Justiça do Trabalho, foi fuzileiro naval, estudou Letras e trabalhou com Informática, daí sua coragem, redação impecável e habilidade com as novas tecnologias. Sobre o Judiciário, atira logo: " A justiça brasileira (em todas as áreas) é uma

Observação:
Tentamos entrar em contato com o jornalista Políbio Braga para a realização deste artigo, através do email em sua página, mas até o fechamento desta edição não tivemos qualquer resposta.

Publicidade sob suspeita
O que pode e deve ser levado em conta na avaliação de um espaço publicitário na Internet? Carlos Cardoso, do blog Contraditorium, suscitou esta pergunta ao divulgar a informação, constante da página web do Senado Federal, de que este pagava cerca de R$ 48.000,00 mensais a uma página para manter um banner de 125x60 pixels. O valor pago, no entanto, excederia em alguma dezenas de vezes o valor de idêntico espaço em páginas com um número de visitações muito mais expressivo. A página que recebia os R$ 48.000,00 por mês do Senado está em 214.146ª posição no ranking do Alexa, uma das ferramentas usadas na aferição de audiência de um site. O próprio Cardoso, entrevistado através de email, esclarece indicando como exemplos páginas nas quais escreve: " Um banner no Contraditorium (113.805ª posição no Alexa), de 728x96, custa R$ 3.000,00 por mês. " Outro exemplo da discrepância: segundo sua página de publicidade, o portal Terra cobra, pela exibição de um banner de 120x90, R$ 40.000,00 mensais no canal Beleza e R$27.000,00 por mês no canal Carro Online . Para este formato, o canal mais caro do portal é o Gente & TV : R$ 60.000,00 por mês. O Terra ocupa a 106ª posição no ranking do Alexa . Imagem: Nkzs. Royalty free.

piada. É inegável que melhorias devem ser feitas imediatamente. E não só melhorias físicas. A mentalidade de alguns juízes deve ser reformada e, se possível, banida do sistema judiciário brasileiro. "
Arthurius questiona em seu blog situações que entende equivocadas no procedimento judicial brasileiro como, por exemplo, a concessão de liberdade a criminosos procurados em diversos países mediante mero termo de compromisso de comparecimento – descumprido, ou o encaminhamento à Suprema Corte de processos ridículos ou irrelevantes.

possibilidade de haver uma censura e patrulhamento mais intenso na internet brasileira em pouco tempo, mesmo que tudo esteja dentro da legalidade. "

Jorge Alberto Araujo é Juiz do Trabalho, professor universitário e escreve no

Direito e Trabalho, no Athena de Vento e no Show Jumping Brasil .

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Imagem: Srbichara. Royalty free.

Você Sabe Votar?
Lu Monte
Não estou me referindo ao ato mecânico: ir até a seção, pegar fila, entregar o título de eleitor, apertar uns números e já foi. Isso, você sabe fazer. Mas será que você sabe mesmo votar? O processo do voto começa muito antes do primeiro domingo de outubro. Na verdade, o ideal é que ele seja permanente, sem pausas ou interrupções. Infelizmente, porém, não é isso que vemos. O desinteresse por política é geral. Muita gente acha até bacana falar "eu odeio política" ou "não me interesso por política". É a gente que esquece que a política está presente em grande parte do seu dia, mesmo quando não é partidária. O termo política vem do grego e deriva de polis, nome dado às cidades na Grécia Antiga. A política, portanto, abrange todos os assuntos relativos à cidade. Se você decide odiar ou ignorar a política, você está odiando ou ignorando parte considerável da sua própria vida em sociedade. Você sabe em quem votou nas últimas eleições? Provavelmente, recorda-se em quem votou para o cargo de Presidente da República. Talvez se lembre quem escolheu para governador. Mas lembra os nomes que indicou para o Senado, a Câmara dos Deputados e a Assembléia Legislativa? Sabe, ao menos, se eles ganharam ou perderam as eleições? Saber em quem votou é parte do processo de saber votar. Se seus candidatos venceram, você deve acompanhar suas ações nos respectivos cargos.

Estão cumprindo suas atribuições e suas promessas de campanha? Comparecem às sessões? Recebem o povo - e, mais importante, atendem seus clamores? Cuidam bem da cidade (ou do estado, ou do país) que está sob sua responsabilidade? Se os candidatos em quem você votou perderam, cabe acompanhar sua vida política da mesma forma. Eles perderam uma eleição mas, provavelmente (quase certamente) estarão de volta na próxima. Valerá a pena novamente? dar seu voto para eles

O Google é seu amigo.
Coloque o nome do seu candidato no Google e pesquise. Faça consultas também, sobre os atuais ocupantes dos cargos eletivos. Use duas formas de busca: pelo nome que o político costuma usar no dia-a-dia (o "nome fantasia", digamos) e pelo seu nome completo (que você descobre ao consultar o "nome fantasia"). A título de exemplo, googlei o nome do senador Azeredo, responsável pela propositura do polêmico Projeto de Lei dos Cibercrimes. Descartei, porque são naturalmente parciais, as páginas oficiais do político e do seu partido, bem como de seus adversários. Ignorei os verbetes da Wikipédia, que também tendem à parcialidade (quando não estão vandalizados). Para "Eduardo Azeredo" vieram milhares de resultados, dentre eles os seguintes: Entrevista do senador Eduardo Azeredo Xô Censura: o repórter confunde a citação válida (autorizada por lei) com a cópia, mas Azeredo não fica atrás ao dizer que fanfic é pirataria (antes de admitir que não faz idéia do que seja fanfic ). Não sabe o que é DRM, mas fez um projeto de lei sobre crimes relacionados a internet. PGR denuncia Eduardo Azeredo e Walfrido dos Mares Guia: O Ministério Público os denunciou em 21 de novembro de 2007 por peculato e lavagem de dinheiro. Para "Eduardo Brandão de Azeredo", dentre os milhares de resultados, há estes: Às Claras 2002: mostra as doações para a última campanha eleitoral do senador (cujo mandato dura oito anos, lembre-se), a média doações/votos, o comparativo com outros candidatos e as fontes das doações.

Aí, você me diz: "Tudo muito bonito, mas como faço esse acompanhamento? Esses crápulas mentem o tempo todo, sempre dirão que são os melhores do mundo". Verdade. Não dá para acreditar no que eles falam. Felizmente, temos alternativas melhores.

Acompanhe os noticiários na televisão, leia jornais, revistas e blogs sobre política.
São todos tendenciosos, sim. Cada um quer puxar a brasa para sua sardinha, ou para sua linha editorial. Apesar disso, são uma fonte razoável de informações. Você tira a média, noves fora a corrente política adotada por cada veículo de notícias e, no fim das contas, terá um panorama superficial, mas que funciona como um começo para saber o que estão fazendo os políticos. Para minimizar o efeito desinformativo da mídia, acompanhe dois veículos do mesmo formato, no mínimo. Se assiste regularmente a um telejornal, assista com a mesma freqüência a um outro, de emissora diferente. Se lê um jornal impresso, leia dois. Se acompanha uma revista semanal, acompanhe duas. Adicione uns três ou quatro blogs de política ao seu agregador de feeds.

Imagem: Woodsy Royalty free.

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Você sabe votar?
Documento de Mourão sobre caixa 2 de Azeredo é verdadeiro: notícia do jornal Hora do Povo sobre o caixa 2 da campanha presidencial de Fernando Henrique Cardoso, da qual Azeredo era tesoureiro. É preciso tirar uns dez minutinhos por candidato para fazer essa pesquisa, de modo a filtrar os resultados irrelevantes. Percorra umas três ou quatro páginas da pesquisa para que ela realmente valha a pena. Imagem: Júbilo Haku. Creative Commons 2.0. Não se limite a criticar os parlamentares e reclamar dos governantes. Faça algo para mudar a situação: use o seu voto com responsabilidade. Você tem diversas ferramentas de pesquisa e ínumeras fontes de informação - faça uso delas. O ditado é acertado: "Cada povo tem o governo que merece". Se você deseja um governo melhor, colabore para que ele aconteça. Lu Monte ama seriados, cinema, internet, música e livros. Aproveita o Dia de Folga para dar pitaco em tudo. É preciso um cuidado aqui: coligações adversárias e inimigos políticos podem processar seus opositores maliciosamente, sem fundamentos razoáveis, apenas para inseri-los na lista Esse, aliás, é um dos motivos para que não se proíba a candidatura de alguém simplesmente por responder a processos. O outro, e principal, é que num Estado Democrático de Direito todos são inocentes até se que prove o contrário, por meio de condenação sem possibilidade de recurso. Quem já foi processado injustamente sabe da importância desse princípio. O site não separa o joio do trigo, não faz juízo de valor sobre a relevância ou veracidade das ações impetradas. É você que deverá fazê-lo, usando o bom senso e as informações obtidas em outras fontes Deu no Jornal Reúne as notícias publicadas pela imprensa sobre corrupção ou mau uso do dinheiro público. Se você fizer a pesquisa usando o nome de um candidato, poderá encontrar notícias que o ligam a casos de corrupção ou ao combate dela. Às vezes, o candidato é apenas mencionado, sem maiores relações com os fatos. Não se assuste, portanto, com o número de ocorrências e reserve um tempo para ler as notícias antes de tirar conclusões. Uma ferramenta interessante do site é o Mapa de Relacionamentos: tomando as informações do banco de notícias, o mapa permite relacionar até três pessoas, com a possibilidade de filtrar suas ligações segundo assuntos. Novamente, não significa que os nomes estejam envolvidos em corrupção ou sejam parceiros - apenas, são mencionados nas mesmas notícias. Vale mais pela curiosidade que pela utilidade (e não funciona no Firefox). Portal Excelências Traz informações sobre todos os parlamentares em exercício no Brasil, nas três esferas: federal, estadual e municipal (neste caso, as informações se restringem às câmaras de vereadores das capitais brasileiras). Merece destaque a Multibusca, ferramenta que facilita a pesquisa por nome, empresa, CPF ou CNPJ em vários bancos de dados públicos. É o Transparência Brasil que mantém os projetos Às Claras , Deu no Jornal e Portal Excelências , além de outras iniciativas (veja em Projetos , na barra de navegação do site). Usa fontes públicas para tanto - e cabe notar que a maioria das casas legislativas não fornece dados sobre a atuação de seus integrantes. O portal consolida as informações públicas, apresentando ocorrências no Poder Judiciário, notícias publicadas na imprensa, bens declarados gastos de campanha e outros dados. O site conta com ótimas ferramentas de busca. Transparência Brasil Como o nome indica, pretende imprimir transparência à política e aos governos brasileiros, acompanhando a vida pública dos políticos e monitorando os casos de corrupção. Reúne estatísticas, artigos e outras publicações sobre política.

Consulte sites especializados.
Alguns sites apartidários fazem o possível para trazer informações atualizadas e confiáveis aos eleitores. São fontes independentes e objetivas, não filiadas a partidos políticos ou ideologias. Às Claras Informa detalhadamente sobre financiamento das campanhas candidatos, eleitos ou não. o dos

Apresenta a relação doação/voto, a lista de financiadores e um comparativo entre os candidatos ao mesmo cargo, na mesma região. É possível fazer busca por cargo, partido, estado ou candidato. Não é crime financiar campanhas (desde que obedecidas as regras eleitorais) e o site, obviamente, não tem informações sobre dinheiro do famigerado "caixa 2". Vale para dar uma noção dos valores declarados e do peso que o dinheiro tem nas eleições. Candidatos que respondem processo Mantido pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), o site divulga os nomes dos candidatos a cargos eletivos que respondem a algum processo penal, de improbidade administrativa ou eleitoral. Também fornece um espaço (muito pequeno, diga-se) para a justificativa do candidato

Reflita, pesquise, converse, informe-se. Vote com responsabilidade.
Antes de dar preparativos. uma festa, você faz mil

Quando vai encontrar-se com alguém especial, pensa na roupa que vai usar. Se quer comprar um carro, pesquisa marcas, modelos e especificações. Se busca um apartamento, anda pelas redondezas, conversa com o porteiro, reúne informações sobre a vizinhança. Você não é negligente com a sua vida pessoal. Por que seria negligente com sua vida política, ou seja, com os assuntos da sua cidade, do seu estado, do seu país?

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Quero dar pitaco - Comofas?*
Lu Monte
Quando se trata das eleições municipais, estaduais ou federais, você é exemplar. Não desperdiça seu direito indo na onda do "voto útil" ou do "voto de protesto". Pesquisa sobre seu provável candidato antes de se decidir. Acompanha o desempenho dos atuais mandatários para ver se fazem jus aos votos recebidos. Cumpre seu papel de cidadão. Durante o mandato, você percebe que as coisas não correm exatamente como você gostaria. O vereador não comparece às sessões. Aquela obra de iluminação pública não sai do papel. O prefeito não faz o menor esforço para implantar a coleta de lixo seletiva. Você anota tudo isso e decide: não vota mais nesse cara. Afinal, até a próxima eleição, não há nada mais que você possa fazer, não é? Nem município, nem estado. No Distrito Federal, não há prefeitos ou câmaras municipais - afinal, não há municípios. Os representantes mais próximos do povo são o governador e os deputados distritais que compõem a câmara legislativa.

*“Comofas?" é uma corruptela de "como faz?", ou "como se faz?", ou ainda "como faço?" - depende do
contexto. A expressão ganhou popularidade graças ao twitter e sua restrição de 140 caracteres por mensagem.
No mínimo, o representante eleito será convidado a dar explicações - e, diante da recusa, a imprensa usará a fórmula "procurado pela reportagem, Beltrano não foi localizado/não quis dar explicações" e suas variações que, geralmente, depõem contra o mandatário. Claro, procure sempre o veículo de imprensa de oposição ao político em pauta. Sistema de Atendimento ao Cidadão Prefeitura de São Paulo. Quanto mais transparente a gestão, mais ferramentas de comunicação e informação ela oferece.

Utopia?
Talvez você esteja pensando: "quanta utopia acreditar que qualquer dessas coisas faz a diferença!". É possível que você esteja certo. No entanto, se você não usa os recursos que estão à disposição, não poderá saber se são eficazes ou não. Ademais, como poderá cobrar que os canais de comunicação com prefeitos e vereadores sejam respeitados, se você os desconhece? Essa descrença nos meios democráticos de participação gera um ciclo vicioso. Os políticos não os respeitam, porque os cidadão não os levam a sério; como os cidadãos não os levam a sério, não cobram que os políticos os respeitem. É preciso romper esse ciclo se quisermos ter aqui a mesma democracia real que existe em países desenvolvidos. Sim, tem muito político por aí que ignora solenemente o povo, bem ao estilo de Justo Veríssimo, não importa quanto barulho seja feito. De todo modo, é na tentativa de transmitir-lhes os seus anseios, reclamações e sugestões que você descobrirá quem não dá a mínima para o que você tem a dizer e não votará novamente no sujeito.

Porque, quanto mais distante o político está dos seus eleitores, mais insensível a eles se torna. Além disso, melhorar a sua cidade é, conseqüentemente, melhorar seu estado e o Brasil. Sabendo a quem endereçar sua opinião, você pode fazê-lo de diversas formas.

Faça um blog.
A internet megafone. é um amplificador, um

Escreva para seus representantes.
Pesquise no Google ou nos sites da prefeitura ou da câmara de vereadores o email do político eleito a quem você gostaria de dirigir sua reclamação ou sugestão e escreva-lhe. Você também pode encaminhar uma boa e velha carta à sede do Executivo ou do Legislativo, "aos cuidados de Fulano de Tal" (sendo Fulano de Tal, obviamente, o representante com quem você gostaria de falar).

Você pode criar um blog, sozinho ou com gente que partilha pontos de vista semelhantes, e usar o espaço para publicar sugestões, críticas e reclamações dirigidas ao representantes locais. Com o tempo, conhecerá outras pessoas que pensam como você e ficará mais fácil fazer barulho e fazer diferença. “Eu quero que pobre se exploda!” Justo Veríssimo é um político corrupto, cujo único interesse é explorar a população o máximo possível. É um dos personagens mais famosos - e, possivelmente, mais realistas - de Chico Anysio. Você pode vê-lo em ação no youtube.

Bem, não exatamente.
Se quiser, você pode ter uma participação ativa na política - especialmente na política local, aquela que é diretamente ligada à sua cidade. Suas reclamações e sugestões não precisam ficar restritas à mesa de bar. Você pode fazer suas opiniões chegarem aos ouvidos certos. Pelo menos, pode tentar fazer-se ouvir.

Dirija-se à ouvidoria.
Nos sites da prefeitura e da câmara você encontrará, via de regra, um email ou telefone para contato com a ouvidoria, um "Fale Conosco". Não é tão direto quanto escrever, por exemplo, para o prefeito, mas é um recurso a mais.

Como?
Antes de mais nada, faça uma pesquisa e descubra os sites da prefeitura e da câmara municipal da sua cidade. A maioria das informações de que você precisa estará lá. Se os Poderes da sua cidade não mantêm sites, dê uma olhada nos carnês de IPTU e IPVA. Provavelmente, há um telefone para contato. A velha lista telefônica também ajuda.

Procure a imprensa.
Ela está sempre atrás de notícias e, se você tem uma reclamação pertinente ou uma denúncia, procurá-la é uma boa idéia. Afinal, quando uma pessoa reclama, é fácil ignorar; quando a reclamação cai na boca da mídia, a coisa complica.

Pesquise.
Alguns sites trazem canais próprios de participação popular. Por exemplo: Audiência Pública Virtual - Governo do Distrito Federal. Orçamento Participativo - Prefeitura do Recife.

Lu Monte ama seriados, cinema, internet, música e livros. Aproveita o Dia de Folga para dar pitaco em tudo.

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Dj Miss Cloud
Temas como política e democracia não motivam tantas canções quanto o amor ou a fossa, mas têm um espaço garantido e relevante no mundo da música. A Dj Miss Cloud fez seu Top 5 de canções sobre democracia, especialmente para a Feed-se. Para ver, ouvir e refletir. Holiday in Cambodia - Dead Kennedys Uma denúncia da política americana de complacência em relação ao regime totalitário de Pol Pot - a mesma política que criou Saddam e o totalitarismo do Afeganistão - até que as criaturas se voltaram contra o criador.

Jello Biafra Sunday Bloody Sunday - U2 Democracia? Direitos civis? Dívida Externa? Aquecimento global? Desmatamento? Jo-Ken-Po? Pense em uma causa nobre e lá estará o incansável Bono. E ele não podia se calar justamente quando a atrocidade está na porta de sua casa. No dia 30 de Janeiro de 1972, soldados britânicos executaram 13 cidadãos num protesto pelos direitos civis em Derry, Irlanda do Norte.

Fato: Jello Biafra é uma figura totalmente
engajada em movimentos políticos - além de um estudioso da América Latina. Já foi candidato a prefeito de San Francisco, Califórnia. Killing In the Name - Rage Against the Machine " Some of those who wear forces are the same that burn crosses "… uma referencia à Ku Klux Klan ? Segundo a banda, uma música contra o militarismo. Polêmica, censurada no Guitar Hero e até acusada de racista por alguns críticos, é o maior sucesso da banda.

Fato: houve um outro domingo sangrento na Irlanda
em 1920; a luta pela independência estava também como pano de fundo desse massacre. “ How long must we sing this song? ” Bono Declare Independence - Björk A canção escrita pela islandesa dedicada à luta pela emancipação das Il has Faroe e da Groenlândia em relação à Dinamarca (a própria Islândia só se tornou uma república independente em 1954) transformou-se em um hino a todos os povos oprimidos, mudando de letra conforme o país onde é executada. Kosovo, Tibet e outros já foram lembrados. Bem, é claro que quando Björk cantou "Tibet, Tibet" no concerto em Xangai, o governo chinês não apreciou a 'homenagem"; de fato, o Ministro da Cultura da China disse que Björk não apenas “violou as leis como feriu os sentimentos do povo chinês”. “ Raise your flag, higher, higher! ”

Fato: no Woodstock 99, eles queimaram a
bandeira americana no palco enquanto tocavam

Killing In The Name.

Perfeição - Legião Urbana Imagem:,Elicrisko CC 2.0. Com uma obra toda política, essa letra (para mim) é um retrato de tudo que se faz - e que se deixa de fazer também - num país que tem democracia mas não cidadania. “ O meu país e

sua corja de assassinos. Covardes, estupradores e ladrões ”.

Björk. Imagem: Thetripwirenyc, Creative Commons 2.0.

DemoROCKracy

e

Imagem: Joe Brockmeier, CC 2.0.

Fato: nos shows que fez no passado no Brasil, ela emendou um: "Viva la revolución!".
Eu não entendi mas, levando-se em conta critérios puramente revolucionários, valeu, né? Dj Miss Cloud é Dj, designer e sócia da Dasound Records. Para informações, agenda e contatos, acesse www.dasound.com.br.

Fato: a versão dessa música pela banda
Argentina Attaque 77 deixou-a mais revoltada ainda.

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por Wallace, é um olhar afiado de George Orwell sobre as transformações do mundo que o cercava. Boa noite e boa sorte (2005), por sua vez, situa-se no passado nada fictício marcado pelo macartismo, a "caça às bruxas" implantada pelo senador McCarthy contra comunistas, simpatizantes ou quem assim parecesse aos macartistas. A forte censura macartista perseguiu artistas e intelectuais, dentre eles o jornalista Edward Murrow, personagem principal do filme. Ao mesmo tempo em que mostra a importância da liberdade de imprensa para garantir a democracia, Boa noite e boa sorte destaca a responsabilidade que essa mesma imprensa tem perante a sociedade. Assista a um trecho do discurso de Murrow (em inglês). A Veri Serpa mencionou, ainda, Um Grito de Liberdade, história real passada durante o apartheid sul-africano. O Zé Offline citou Equilibrium que, aliás, lembra um bocado Admirável Mundo Novo . E aqui passamos à literatura. O pequeno romance começa numa fazenda governada por um sujeito explorador. Sob a liderança dos porcos, os animais se unem e expulsam o tirano. Com o tempo, porém, os porcos mostram-se ainda mais opressores que o homem, criando leis absurdas, obrigando os animais a trabalharem até a exaustão e executando os que discordam do governo. O livro faz óbvia referência ao regime socialista da ex-União Soviética. 1984 (escrito em 1949), também de George Orwell, apresenta um Estado totalitário sob o domínio da figura política e mística do Grande Irmão. Os cidadãos são constantemente vigiados - até mesmo seus pensamentos estão sob constante monitoramento. Pensar contra o governo é crime punido com o desaparecimento. O Processo (1925, póstumo), de Franz Kafka,relata a angústia de um homem que é processado judicialmente sem que lhe seja dito o que fez de errado. Ele se empenha em descobrir qual foi seu crime, a fim de poder formular defesa, mas toda e qualquer informação lhe é negada por um Judiciário autoritário e burocrático, absolutamente contrário ao Estado Democrático de Direito.

Feed-se pergunta: na sua estante, o que fala de democracia?
O assunto é mais recorrente do que imaginamos na música e na ficção. Veja algumas dicas. Organização: Lu Monte.

Cinema
Um dos clássicos filmes sobre a democracia fala, na verdade, da sua opositora, a ditadura. O Grande Ditador (1940), o primeiro filme sonoro de Charles Chaplin, critica especificamente o regime nazista, o mais sangrento que o mundo já viu. O discurso final é uma apaixonada conclamação à democracia e uma defesa da liberdade. Já na história recente do cinema, V de Vingança (2006) faz o chamado à democracia, como lembrou Inominado Anônimo.

Imagem:,Arquera Creative Commons 2.0.

Na Estante

A Revolução dos Bichos (1945), lembrado

Música
Na música, a política também têm seu espaço. Situações de guerra e épocas de crise institucional são particularmente fecundas em boas letras políticas. O artigo DemoROCKracy , nesta edição de Feed-se, apresenta cinco canções marcantes. Existem inúmeras outras - só para citar uns poucos exemplos:

"V de Vingança". Divulgação.

Literatura
As obras Admirável Mundo Novo, A Revolução dos Bichos e 1984 retratam sociedades antidemocráticas. Os três romances apresentam governos que abandonaram a democracia e passaram a moldar a sociedade segundo as regras que julgavam mais adequadas - regras que se revelam tirânicas, massificadoras e inimigas da liberdade e dos direitos individuais.

Abalando (Gabriel, o Pensador), lembrada

Adaptado dos quadrinhos de Alan Moore, V de Vingança se passa numa Inglaterra do futuro, oprimida pelo totalitarismo. V é o codinome de um homem que não se conforma com o regime e convoca uma rebelião em prol da democracia. Os quadrinhos, feitos nos anos 80, guardam semelhança com o livro 1984 , mas o filme parece uma crítica feita sob medida às ações de George W. Bush após o 11 de setembro.
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Admirável Mundo Novo (1932), de Aldous Huxley
narra um futuro longínquo em que a reprodução e a educação humanas são controladas ao extremo, de modo a gerar uma sociedade de indivíduos padronizados, uns mais limitados que outros, todos felizes com suas funções sociais, num sistema de castas. Questionar é impensável e a autodeterminação é inexistente.

Capa da primeira edição de Admirável Mundo Novo. Imagem: Wikipédia

Divulgação

pela Nospheratt: "E o meu erro foi dizer o que não devia, acreditei que existia o quê: democracia." Apesar de Você (Chico Buarque): "Hoje você é quem manda, falou, tá falado, não tem discussão, não. A minha gente hoje anda falando de lado e olhando pro chão." Imagine (John Lenon): "Imagine there's no countries, it isn't hard to do. Nothing to kill or die for and no religion too." O Bêbado e a Equilibrista (João Bosco e Aldir Blanc), dica da Nospheratt: ""Meu Brasil, que sonha com a volta do irmão do Henfil, com tanta gente que partiu num rabo de foguete." Que país é esse? (Legião Urbana): "Ninguém respeita a constituição, mas todos acreditam no futuro da nação". Revolution (Beatles), sugerida pela Lu Freitas: "You say you'll change the constitution. Well you know, We'd all love to change your head."

>>

Continuação:

Na Estante
Episódio Barts Selvagens Não Podem Ser Derrotados Homer e seus amigos começam um tumulto depois que os "Isótopos de Springfield" vencem o campeonato. Pensando que a destruição é culpa dos jovens da cidade, as autoridades os submetem a um toque de recolher.

Kent Brockman : Senador Dole, por que o povo
deveria votar no senhor e não no Presidente Clinton?

Kang : Não faz diferença em quem vocês
votem. De qualquer forma, seu planeta está condenado. CONDENADO! franca do senador Bob Dole.

Kent : Bem, uma resposta agradavelmente Kang : Enganar esses eleitores terráqueos é
mais fácil do que esperávamos

Kent Brockman (repórter) : A polêmica medida
foi aprovada por um único voto de diferença. votado, Homer.

Marge : Mmmm, você realmente devia ter Homer : Meh, não faria diferença.
Episódio A Casa da Árvore dos Horrores VII - Cidadão Kang Os alienígenas Kang e Kodos transportam Homer para sua nave espacial e perguntam-lhe quem é o Presidente. Homer acha que é Bill Clinton... ou seria Bob Dole? Kang e Kodos capturam Clinton e Dole, assumem suas identidades e concorrem ao cargo de Presidente. Homer decide mostrar que os dois candidatos são falsos.

Kodos : Sim. Tudo que eles querem ouvir são

amenidades triviais adornadas por um solo de saxofone ocasional ou um beijo numa criancinha.

Kang : Este é um sistema bipartidário! Vocês
têm que votar em um de nós! bipartidário.

Homem : Ele está certo, este é um sistema Homem 2 : Bem, acredito que votarei no
candidato do terceiro partido.

"Roque Santeiro", censurada em 1975, só foi ao ar dez anos depois. Divulgação.

Kang : Vá em frente, jogue seu voto fora.

Televisão
Vez por outra, a teledramaturgia brasileira também aborda questões políticas. Houve até uma novela inteira dedicada ao assunto, como bem lembrou o Cobra: Que Rei Sou Eu? , exibida meses antes das eleições presidenciais de 1989, as primeiras diretas em 29 anos. Certamente, foi uma das melhores novelas já produzidas. A trama se passava no fictício Reino de Avilan, situado em algum lugar da França e alguns anos antes da Revolução Francesa. Pleno de corrupção, desmandos, planos econômicos e desigualdades sociais, o Reino era uma óbvia sátira ao Brasil. No último capítulo, em meio a uma bela cena de capa-e-espada, há diálogos atuais ainda hoje. Vale mencionar, ainda, Roque Santeiro , menos pela sua trama e mais pelos bastidores. Em 1975, a novela A Saga de Roque Santeiro e a Incrível História da Viúva que Foi Sem Nunca Ter Sido foi proibida pela Censura Federal na sua noite de estréia, à alegação de que ofendia a moral, os bons costumes, a ordem pública e a Igreja. Não chegou a ser exatamente uma surpresa: Dias Gomes havia escrito a novela baseando-se em sua peça teatral O Berço do Herói, que já havia sofrido censura em 1965. Em 1985 Roque Santeiro foi, finalmente, produzida. O foco da história era a manipulação dos mitos e da fé do povo em prol de objetivos políticos e econômicos. Para encerrar o passeio pela estante, que tal recordar algumas cenas do ácido e divertido desenho animado Os Simpsons ? Nospheratt e sua memória afiada fazem as honras:

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Kang, Kodos e Homer. Simpsons Wiki.

Imagem: Wili Hybrid, CC 2.0.

Humor
© Chappatte - www.globecartoon.com Nova Corja Ganhou projeção ao ter um de seus blogueiros processados pelo jornalista Políbio Braga, ao denunciar o envolvimento da mídia local com o "mensalinho gaúcho". O blog é bastante politizado e, embora dê bastante destaque à política do Rio Grande do Sul, não se limita a ela. Xô Censura! Mantido por João Carlos Caribé, o blog defende a liberdade de expressão, mas não a anarquia, como explica seu autor. Está sempre atento a possíveis violações à democracia e ao direito de opinião. Global Voices Com a missão de agregar e amplificar a conversação online, a equipe do Global Voices acompanha blogs do mundo inteiro e preocupa-se especialmente em divulgar violações ao direito de expressão ao redor do globo. Fundado pela Faculdade de Direito de Harvard, hoje está presente em vários idiomas além do inglês, e o português é um deles © Chappatte - www.globecartoon.com

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Estenda suas leituras sobre política e democracia pelas ondas da web.
Eleições 2008 Recentemente criado pela Empresa Brasil de Comunicação, propõe-se a fazer uma cobertura completa das eleições municipais de 2008. Também apresenta um Guia do Eleitor e um

Está online? Divirta-se com estas charges do Maurício Ricardo: Mundo - Pela Democracia PIB - Partido da Internet Brasileira Reiberto Carlos - É Preciso Saber Viver

Guia do Candidato para acesso rápido a diversas
informações, como locais de votação e normas eleitorais. Generacion Y Apesar de toda a dificuldade para conectar-se à internet em Cuba, a filóloga Yoani Sánchez insiste em contar ao mundo a dura realidade da ilha. A cubana relata as dificuldades cotidianas para conseguir comida decente, bom atendimento médico, educação de qualidade e todas aquelas coisas que conferem cidadania real. Não é à toa que Yoani foi eleita pela Revista

Time uma das 50 pessoas mais influentes do
mundo.
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Tirinhas Democráticas

Bruno Alves

Bruno Alves é blogueiro, profesor universitário e cartunista oficial da Feed-se. Veja mais tirinhas no seu blog, o Macaxeira Geral.

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Ficha Técnica
Diagramação, Capa e Edição Gráfica Nospheratt
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Alex Alvarez
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Revista Feed-se
Conteúdo sob Licença Creative Commons By-NC 3.0 (Atribuição - Uso Não Comercial) exceto quando indicado de outra forma junto ao texto ou à imagem.

Edição Geral Nospheratt
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Lucia Freitas
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Lu Monte
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Ilustrações Flickr.com Creative Commons
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Stock.xchng
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Bruno Alves
www.macaxeirageral.net

A Revista Feed-se não se responsabiliza pelo conteúdo ou pelas opiniões dos artigos assinados.

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A Equipe Feed-se espera que a leitura desta edição especial sobre Democracia seja proveitosa e frutífera. Desejamos que os artigos e as informações oferecidas aqui sejam um ponto de partida; que criem consciência sobre a nossa responsabilidade quanto ao que acontece no nosso país, na nossa cidade, no nosso bairro, em nossas vidas. Jamais existirá uma verdadeira democracia, enquanto nós não assumirmos nossa responsabilidade por ela. Somos todos responsáveis, e de nós dependem as mudanças necessárias para um dia, termos um Brasil mais justo para todos. Faça a sua parte. Pense, analise, se informe, vote com consciência, converse, discuta, defenda seus direitos. Vamos?
Nospheratt

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