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A Beleza da Vida Sob o Olhar

Fraterno da Morte

Processo de Evolução do SER

TOT. FÍSICA BIOLÓGICA RELAÇÃO REALIZAÇÃO TRASNCENDÊNCI A TOT. PSÍQUICA E MUNDO OUTR MISTÉRI U O
TOT. FÍSICA
BIOLÓGICA
RELAÇÃO
REALIZAÇÃO
TRASNCENDÊNCI
A
TOT. PSÍQUICA
E
MUNDO
OUTR
MISTÉRI
U
O
O
TOT. ESPIRITUAL
INTERSUBJETIDAD
ESSÊNCIA
ESTRUTRA
OBJETIVIDAD
E
E
MENTE
CORPO
ESPÍRITO

POR QUE EXISTO ?

POR QUE SOFREMOS ?

POR QUE MORREMOS ?

Reflexão inicial

Rubem Alves

Já tive medo da morte. Hoje não tenho mais. O que sinto

é uma enorme tristeza. Concordo com Mário Quintana:

O diabo é deixar de viver”.

“Morrer, que me importa? [

]

A vida é tão boa! Não quero ir embora.

Eram 6h. minha filha me acordou. Ela tinha três anos. Fez-me então a pergunta que eu nunca imaginara:

“Papai, quando você morrer, você vai sentir saudades?”

emudeci. Não sabia o que dizer. Ela entendeu e veio em

meu socorro: “Não chore, que eu vou te abraçar

menina de três anos, sabia que a morte é onde mora a saudade.

ela,

A MORTE E O MORRER

POR QUE ESTE TEMA TORNOU SE TÃO IMPORTANTE?

POR VOLTA DE 1900, A IDADE MÉDIA DO SER HUMANO ERA

DE 40 À 50 ANOS.

TERCEIRO MUNDO

60 ~ 65 ANOS

06/06/2013

ATUALMENTE

Prof. Waldir Souza

PRIMEIRO MUNDO

75 ~ 80 ANOS

A MORTE E O MORRER

COMO É A MORTE NA REALIDADE BRASIELIRA?

PARA O POBRE, A MORTE É UMA REALIDADE MUITO PRÓXIMA.

A CRIANÇA POBRE ESTÁ MAIS PERTO DA MORTE DO QUE O ANCIÃO DE PAÍSES OU CLASSES RICAS.

ISTO CONTRADIZ TODA A BIOLOGIA.

A MORTE E O MORRER

ASSIM SE MORREU DURANTE SÉCULOS OU MILÊNIOS:

A MORTE ERA ESPERADO NO LEITO.

A MORTE MAIS TEMIDA ERA A MORTE REPENTINA.

NÃO SÓ PORQUE NÃO SE TINHA TEMPO PARA O ARREPENDIMENTO, COMO TAMBÉM PORQUE PRIVAVA O HOMEM DE SUA MORTE.

A MORTE ERA UMA CERIMÔNIA PÚBLICA E ORGANIZADA.

A MORTE E O MORRER

A MORTE HOJE

A

MORTE

TÃO

PRESENTE

NO

PASSADO,

VAI

SE

APAGAR

E

DESAPARECER.

 

HÁ UM ESFORÇO ENORME EM NEGÁ LA.

 

A

ATITUDE

CULTURAL

DE

NOSSO

TEMPO

TENDE

A

TRANSFORMAR A MORTE MISTÉRIO

EM MORTE PROBLEMÁTICA.

OS QUE CERCAM O DOENTE TENDEM A POUPÁ LO E OCULTAR LHE A GRAVIDADE DE SEU ESTADO.

06/06/2013

Prof. Waldir Souza

A MORTE E O MORRER

A MORTE HOJE

A VERDADE COMEÇA A SER PROBLEMÁTICA.

O DOENTE NÃO DEVE SABER NUNCA QUE SEU FIM SE

APROXIMA.

TORNOU SE REGRA MORAL QUE O DOENTE MORRA DE

IGNORÂNCIA DE SUA MORTE.

A MORTE E O MORRER

A MORTE HOJE

É IMPORTANTE O NÃO SENTIR QUE SE ESTA MORRENDO.

JÁ NÃO SE MORRE EM CASA, EM MEIO AOS ENTES QUERIDOS,

MAS SOZINHO NO HOSPITAL ( UTI).

NO HOSPITAL A MORTE É UM FENOMÊMO TÉCNICO.

A morte nas diversas fases da vida

Sofre influência do luto dos adultos;

Problema da separação definitiva;

Atrelado a etapa do desenvolvimento;

Crianças terminais apresentam

também o medo do sofrimento e do tratamento, além da separação da família;

Esconder a verdade perturba o

processo de luto;

Pequenos atos autodestrutivos como sintoma de luto mal

elaborado.

NA INFÂNCIA
NA INFÂNCIA
luto;  Pequenos atos autodestrutivos como sintoma de luto mal elaborado. NA INFÂNCIA 06/06/2013 Prof. Waldir

A Morte na Infância

•
Entre 0 e 2 anos
Entre 0 e 2 anos

A morte é percebida como ausência e falta (esconde- esconde);

Quando há morte, vai experienciar uma situação de perda,

mas intelectualmente não compreende a permanência da

perda e tem a intenção de procura.

diferenciar

da perda e tem a intenção de procura. diferenciar Entre 2 e 5 anos – Não
Entre 2 e 5 anos
Entre 2 e 5 anos

Não

conseguem

– Entre 5 e 9 anos
Entre 5 e 9 anos

objetos

animados

e

inanimados;

Não percebem a morte como irreversível ou definitiva.

Não percebem a morte como irreversível ou definitiva. – – ainda Aparece Distinguem não a conseguem

– – ainda Aparece Distinguem não a conseguem noção objetos de irreversibilidade. animados dar explicações e inanimados, para a morte; mas

animados dar explicações e inanimados, para a morte; mas Maiores de 9 anos – Capazes de
Maiores de 9 anos
Maiores de 9 anos

Capazes de dar explicações biológicas para a morte;

Vêem-na como parte da vida e com caráter universal;

Compreender causa ansiedade e termina por manter o tema à distância.

A morte nas diversas fases da vida

Período de lutos a elaborar; Já podem perceber as características essenciais da morte; Discutem o tema; Incidência de comportamentos

de risco;

Intensas expressões de

sentimentos;

Ainda não existe espaço para

imaginar a própria morte.

NA ADOLESCÊNCIA
NA ADOLESCÊNCIA
 Ainda não existe espaço para imaginar a própria morte. NA ADOLESCÊNCIA 06/06/2013 Prof. Waldir Souza

A morte nas diversas fases da vida

Abandono dos sonhos de infância;

Aquisição de

sabedoria e habilidades;

Aquisição de senso da

realidade; Reconhecimento das limitações e falhas dos outros e suas.

NA IDADE ADULTA
NA IDADE ADULTA

A morte nas diversas fases da vida

Posição desvalorizada na sociedade;

A idade muda a relação com a morte; Aposentadoria;

Menopausa;

Maior a ideação de morte quanto menor o convívio

familiar;

Quanto mais satisfatória a vida, menor a preocupação com a morte.

NA VELHICE
NA VELHICE
 Quanto mais satisfatória a vida, menor a preocupação com a morte. NA VELHICE 06/06/2013 Prof.
A equipe de saúde e a morte
A equipe de saúde e a morte
Cuida das necessidades básicas do doente e coloca em prática as decisões; Nos cursos, pouca
Cuida das necessidades
básicas do doente e coloca
em prática as decisões;
Nos cursos, pouca ou

nenhuma ênfase a questões

ligadas à emoção; Nem sempre próxima nos momentos mais difíceis;
ligadas à emoção;
Nem sempre próxima nos
momentos mais difíceis;
pouca ou nenhuma ênfase a questões ligadas à emoção; Nem sempre próxima nos momentos mais difíceis;
A equipe de saúde e a morte
A equipe de saúde e a morte
A equipe de saúde e a morte  Em contato com a família e portanto com

Em contato com a família e portanto com os sentimentos dos parentes. Afastamento do profissional, pois isso traz à tona o temor de sua própria morte; Preferencialmente multidisciplinar;

pois isso traz à tona o temor de sua própria morte;  Preferencialmente multidisciplinar; Frágil e
Frágil e vulnerável.
Frágil e vulnerável.
A equipe de saúde e a morte
A equipe de saúde e a morte
A equipe de saúde e a morte Formação de grupos de estudos e de reflexão, reduzindo
Formação de grupos de estudos e de reflexão, reduzindo as impotências e onipotências e
Formação de grupos de
estudos e de reflexão,
reduzindo as
impotências e
onipotências e

aumentando o encontro humano, base para as

relações de cuidado dignas e éticas.
relações de cuidado
dignas e éticas.

Sobre a Morte e o Morrer

As cinco fases do morrer:

1ª fase: Choque e negação;

2ª fase: Ira, raiva, revolta;

3ª fase: Negociação e esperança;

4ª fase: Tristeza e depressão;

5ª fase: entrega e aceitação.

Sobre a Morte e o Morrer

fase

-

Choque

e

negação:

 

Ao receber o diagnóstico de uma doença terminal

a pessoa geralmente nega os fatos, fazendo de tudo para convencer a si

e a seus cuidadores de

que o diagnóstico está

errado.

de tudo para convencer a si e a seus cuidadores de que o diagnóstico está errado.

Sobre a Morte e o Morrer

fase

revolta:

ira,

raiva,

Ao perceber que o

diagnóstico é verdadeiro,

o doente se revolta, tornando-se agressivo principalmente com as pessoas mais próximas.

Surgem as perguntas:

Por que comigo? Por que agora?

as pessoas mais próximas. • Surgem as perguntas: • Por que comigo? Por que agora? 06/06/2013

Sobre a Morte e o Morrer

3ª fase negociação e esperança:

O doente parece

aceitar a situação mas tenta adiar o inevitável.

Tenta novas terapias,

sessões de cura em cultos, faz promessas, consulta outros

médicos, busca

benzedeiras e curandeiros.

cura em cultos, faz promessas, consulta outros médicos, busca benzedeiras e curandeiros. 06/06/2013 Prof. Waldir Souza

Sobre a Morte e o Morrer

4ª fase tristeza e

depressão:

Nesse momento, o doente toma consciência da

inevitabilidade da

morte, percebe que

é hora de despedir-

se, de desapegar-se

e é tomado de

profunda tristeza.

percebe que é hora de despedir- se, de desapegar-se e é tomado de profunda tristeza. 06/06/2013

Sobre a Morte e o Morrer

fase

aceitação:

entrega

e

É o momento em que o doente terminal percebe que deve desligar-se de seus laços terrenos para

poder partir em paz.

Contudo, os familiares nesse momento

necessitarão de maior

apoio.

06/06/2013

Prof. Waldir Souza

para poder partir em paz. Contudo, os familiares nesse momento necessitarão de maior apoio. 06/06/2013 Prof.

Sobre a Morte e o Morrer

“É obvio que a passagem pela cinco fases descritas não acontece

necessariamente de maneira linear,(

acontecer independentemente da fase do processo psíquico em que o paciente terminal se encontra.(in Teologia e saúde)

a morte biológica pode

)

06/06/2013

Prof. Waldir Souza
Prof. Waldir Souza

Curar e Cuidar

“Curar” a morte é:

Idolatrar a vida física (biológica);

Usar o poderio da biotecnologia para prolongar a vida, às vezes em condições inaceitáveis;

Declinar da responsabilidade quando se esgotam

os meios de tratamento.

Curar e Cuidar

Cuidar é:

Aceitar a morte como condição humana; Quando esgotados os métodos para tratamento, surge a obrigação moral de parar o que é

medicamente inútil e intensificar esforços para

amenizar o desconforto e o sofrimento; Maior preocupação com o doente do que com a

doença;

Aumento da importância da relação médico- paciente.

Cicely Saunders

Dor Total:

Quando há, além da dor física, a dor

mental, a dor social e

a espiritual.

“O sofrimento somente é intolerável quando ninguém cuida.”
“O sofrimento somente é intolerável
quando ninguém cuida.”

Cuidados Paliativos

Encara o morrer como um processo normal;

Enfatiza o controle da dor e dos sintomas;

Objetiva uma maior qualidade de vida, sem

a pretensão de curar ou prolongar;

Ajuda a lidar com o estresse causado pela

doença, pela proximidade da morte e pela dor da perda iminente.

Cuidados Paliativos

Manter o paciente livre da dor, propiciando uma morte confortável e digna;

Não permitir que o paciente se sinta

abandonado ou perca sua identidade;

Quando possível, que ele possa escolher ONDE

deseja morrer.

Cuidados Paliativos

Permitir que ele tenha controle sobre as

decisões que envolvem seu cuidado;

Permitir que ele seja ouvido como pessoa em

seus medos, pensamentos, sentimentos, valores

e esperanças;

Abordagem multidisciplinar (necessidades

físicas, emocionais, espirituais, e sociais dos

pacientes e seus familiares).

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