Você está na página 1de 99

Escola Estadual de Educação Profissional - EEEP

Ensino Médio Integrado à Educação Profissional

Curso Técnico em Agronegócios

Ecologia e Semiárido

Governador Cid Ferreira Gomes Vice Governador Domingos Gomes de Aguiar Filho Secretária da Educação Maria

Governador Cid Ferreira Gomes

Vice Governador Domingos Gomes de Aguiar Filho

Secretária da Educação Maria Izolda Cela de Arruda Coelho

Secretário Adjunto Maurício Holanda Maia

Secretário Executivo Antônio Idilvan de Lima Alencar

Assessora Institucional do Gabinete da Seduc Cristiane Carvalho Holanda

Coordenadora da Educação Profissional – SEDUC Andréa Araújo Rocha

Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP]

Ensino Médio Integrado à Educação Profissional

ECOLOGIA E O SEMIÁRIDO

1. MEIO AMBIENTE E AGRICULTURA. IMPORTÂNCIA DA PRESERVAÇÃO AMBIENTAL

3

1.1. MEIO AMBIENTE E AGRICULTURA

3

1.2. MEIO AMBIENTE E DIREITOS HUMANOS

5

1.3. MEIO AMBIENTE E SAÚDE

6

2. GESTÃO SUSTENTÁVEL DOS RECURSOS NATURAIS. ÁREA DE PRESERVAÇÃO

7

2.1. OBJETIVO E IMPORTÂNCIA DA CRIAÇÃO DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO

8

2.2. ESTRATÉGIAS PARA CONSERVAÇÃO DA DIVERSIDADE BIOLÓGICA

9

 

2.2.1. Conservação In Situ

9

2.2.2. Conservação Ex Situ

9

2.3.

ÁREAS DE PROTEÇÃO EXISTENTES

10

2.3.1. Categorias de Unidades de Conservação

11

2.3.2. Rede atual de Unidades de Conservação do Brasil

12

2.4.

CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE DA CAATINGA

15

3. DIREITO AMBIENTAL E AMBIENTALISMO. POLÍTICA AMBIENTAL E SUA IMPORTÂNCIA

15

3.1.

O AMBIENTALISMO COMO MOVIMENTO SOCIAL

16

3.2.

HISTÓRIA DO DIREITO AMBIENTAL

16

3.3.

O DIREITO AMBIENTAL NO BRASIL

17

3.4.

A CRIAÇÃO DE UMA POLÍTICA AMBIENTAL PARA O BRASIL

18

3.5.

A IMPORTÂNCIA DA LEI Nº 6.938/81

18

3.7.

HISTÓRIA DO DIREITO AMBIENTAL NO CEARÁ

22

4. MECANISMOS DE FUNCIONAMENTO DO SISNAMA E CONAMA

22

4.1. O SISNAMA TEM UMA ESTRUTURA PRÓPRIA E É FORMADO PELOS SEGUINTES ÓRGÃOS:

23

4.2. CONAMA - CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE

23

4.3. OS ATOS DO CONAMA CONSISTEM DE:

25

4.4. O SINIMA - SISTEMA NACIONAL DE INFORMAÇÃO SOBRE O MEIO AMBIENTE

26

 

4.4.1. O SINiMA - Sistema Nacional de Informação sobre o Meio Ambiente

26

4.4.2. A história do CONDEMA – SISNAMA e SINIMA

26

5. O QUE É O SEMIÁRIDO. CLIMA E VEGETAÇÃO DO SEMIÁRIDO

27

6. RECURSOS NATURAIS E CARACTERÍSTICAS EDAFOCLIMÁTICAS DO

27

7. SEMIÁRIDO

28

8. CARACTERÍSTICAS E IMPORTÂNCIA DO BIOMA

29

8.1. BIODIVERSIDADE DA CAATINGA

31

8.2. POTENCIAL TURÍSTICO

32

8.3. 10 PRINCÍPIOS DO TURISMO SUSTENTÁVEL

32

9. TÉCNICAS DE PRESERVAÇÃO

33

9.1. MANEJO SUSTENTÁVEL DA CAATINGA

34

9.2. PLANTIO DIRETO

34

9.3. COBERTURA MORTA

34

9.4. ADUBAÇÃO VERDE

35

9.5. REFLORESTAMENTO

35

9.6. SISTEMA DE PRODUÇÃO MANDALA

36

9.7. SERRAPILHEIRA

37

9.8. CLORADOR PARA POÇO OU CACIMBA

39

 

9.8.1. Bomba Manual com Corda

39

9.8.2. Fogão a Lenha Ecológico

40

9.8.3. Secador Solar Doméstico

41

9.9.

O CEARÁ E AS TECNOLOGIAS AMBIENTAIS SUSTENTÁVEIS

41

Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP]

Ensino Médio Integrado à Educação Profissional

10.

NOÇÕES DE BIOENGENHARIA. DEGRADAÇÃO DE SOLOS

42

10.1.

INTRODUÇÃO

42

10.2.

DEGRADAÇÃO DO SOLO

 

42

10.3.

TIPOLOGIA DA DEGRADAÇÃO

42

10.4.

IMPACTO DA DEGRADAÇÃO

44

10.5.

CAUSAS DA DEGRADAÇÃO

44

10.6.

O ESTUDO DAS FORMAS DE RELEVO E DOS PROCESSOS ASSOCIADOS

44

10.7.

CONTRIBUIÇÃO DA GEOMORFOLOGIA NO DIAGNÓSTICO DE ÁREAS DEGRADADAS

45

10.8.

A IMPORTÂNCIA DO ESTUDO DAS ENCOSTAS

46

10.9.

A IMPORTÂNCIA DO ESTUDO DAS BACIAS HIDROGRÁFICAS

46

10.10.

O AMBIENTE URBANO

 

47

10.11.

EROSÃO DOS SOLOS E MOVIMENTOS DE MASSA DIFERENÇAS ENTRE AMBOS

48

10.12.

EROSÃO

EM ÁREA RURAL E URBANA

48

10.13.

FUNÇÃO DA VEGETAÇÃO NA ESTABILIZAÇÃO DAS ENCOSTAS

49

10.14.

BIOENGENHARIA

 

49

10.15.

PLANOS DE RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS

50

10.16.

CONCLUSÕES

50

11.

PRÁTICAS ALTERNATIVAS DE CONTROLE HIDROAMBIENTAL

51

11.1.

TECNOLOGIAS: CAPTAÇÃO, ARMAZENAMENTO E USO DA ÁGUA

52

11.2.

BARRAGEM

52

11.3.

BARREIRO DE SALVAÇÃO

 

54

11.4.

CISTERNA DE PLACAS

55

11.5.

Irrigação com Potes

56

12.

CULTIVO EM NÍVEL.

59

12.1.

CLASSIFICAÇÃO DOS TERRAÇOS

62

12.1.1. Quanto à Função

62

12.1.2. Quanto

à

Construção

63

12.1.3. Quanto ao Tamanho da Base ou Faixa de Movimentação de Terra

63

12.1.4. Outros Tipos de Terraços - Informações

64

12.2.

PROCEDIMENTOS E PASSOS PARA ALOCAÇÃO DOS TERRAÇOS

65

13.

DESCOMPACTAÇÃO DO SOLO, COBERTURA

67

13.1. SUBSOLAGEM

 

67

13.2. ESCARIFICAÇÃO

 

69

13.3. COBERTURA MORTA

71

14.

MATÉRIA ORGÂNICA, ESTERCO E COMPOSTO

72

14.1. ESTERCOS

 

73

14.2. ADUBAÇÃO ORGÂNICA

 

74

15.

CANAIS ESCOADOUROS, CORDÕES DE VEGETAÇÃO PERMANENTE,

75

15.1.

CANAIS ESCOADOUROS

 

75

15.2.

CORDÕES DE VEGETAÇÃO PERMANENTE

77

15.3.

QUEBRA VENTO

 

78

16.

CORDÕES DE PEDRA EM CONTORNO. BARRAGENS DE PEDRAS E BARRAGENS

79

16.1. CORDÕES DE PEDRAS EM CONTORNO

79

16.2. CORDÕES DE PEDRA

 

80

16.3. BARRAGENS

 

81

16.4. SISTEMÁTICA DE LOCALIZAÇÃO DA BARRAGEM SUBTERRÂNEA

82

17.

ENERGIAS RENOVÁVEIS E MEIO

84

17.1. ENERGIA SOLAR

 

84

17.2. ALGUMAS FORMAS DE UTILIZAÇÃO DA ENERGIA SOLAR

85

17.3. ENERGIA EÓLICA

 

86

Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP]

Ensino Médio Integrado à Educação Profissional

1. MEIO

AMBIENTE

AMBIENTAL

E

AGRICULTURA.

1.1. Meio Ambiente e Agricultura

IMPORTÂNCIA

DA

PRESERVAÇÃO

O desenvolvimento tecnológico observado o final da década de 80 provocou profundas modificações

sociais, políticas e econômicas no mundo todo. A globalização da economia mundial provocou um grande aumento do nível de competição no mercado levando à mudanças dos sistemas de produção existentes. Estas transformações derivadas do processo de globalização geraram um aumento de oportunidades para uma parcela da população, mas para outros influenciaram no crescimento desordenado da pobreza e da desigualdade, na insegurança econômica, no deslocamento social e na degradação ambiental. Um desenvolvimento econômico sustentável seria aquele em que o estoque de capital natural pudesse continuar a desempenhar seu papel complementar indefinidamente na economia. Os padrões de produção e de consumo dos países desenvolvidos vêm sendo relacionados à maioria dos

problemas ambientais decorrentes do desenvolvimento como, por exemplo, as emissões de gases de efeito estufa. Por outro lado, os países pobres não são capazes de garantir um desenvolvimento sustentável. Assim, a pobreza geraria uma dependência circular na qual a degradação geraria mais pobreza, contribuindo para a instabilidade global. As questões como desenvolvimento econômico, social e ambiental passaram a ter grande relevância na sociedade atual, principalmente a partir de meados da década de 90. Atualmente, discute-se desenvolvimento tendo como foco a sustentabilidade. Este foco tem trazido mudanças nos conceitos e objetivos correntes, uma vez que até bem pouco tempo atrás se considerava como padrão somente o crescimento econômico. Nessa perspectiva, os aspectos sociais e ambientais passaram a constituir importantes elementos a serem incorporados na dinâmica econômica. Porém, ainda que a mudança de perspectiva tenha sido grande, ainda há a necessidade de ampliar a consciência e a responsabilidade sobre o tema.

A fim de atender a essas novas exigências e manter-se competitivo, um empreendimento de qualquer

natureza precisa oferecer produtos socialmente corretos, estabelecer relacionamento ético com clientes,

fornecedores e funcionários, além de se preocupar com a preservação do meio ambiente e com a melhoria

da qualidade de vida da sociedade.

Por muito tempo o Brasil foi considerado um país agrícola. A adoção de um novo padrão tecnológico a

partir da Revolução Verde ocasionou no Brasil a implantação de sistemas monoculturais com uso intensivo de fertilizantes e agrotóxicos, mas sem haver alteração simultânea na estrutura fundiária. Em conseqüência, em algumas áreas o uso e a ocupação de áreas agricultáveis vêm ocorrendo de forma desordenada e acelerada, sem a devida preocupação ambiental. Acrescem-se à questão ambiental os problemas por vezes detectados relativos aos custos sociais do trabalho agrícola sem formalização legal. Nesse processo, muitas substâncias químicas são utilizadas enquanto insumos, uma vez que o Brasil apresenta um dos maiores mercados na área de fitossanidade. Os sistemas de produção intensivos elevam a necessidade de uso de agroquímicos, os quais aumentam as concentrações residuais e a deriva destes produtos ocorridas durante o processo de aplicação. A contaminação ambiental por agroquímicos que daí pode ocorrer causa efeitos negativos aos recursos naturais, à saúde humana, além de trazer problemas para a exploração agrícola, fato que preocupa quanto

ao seu impacto na saúde humana e na qualidade ambiental.

Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP]

Ensino Médio Integrado à Educação Profissional

Muitos grupos populacionais estão expostos a esses produtos como os trabalhadores da agropecuária, saúde pública (controle de vetores), indústrias de pesticidas e do transporte e comércio de produtos agropecuários. Além disso, em pequenas comunidades agrícolas a agricultura é geralmente, um ciclo familiar onde todos participam de um modo ou de outro do processo de plantio, adubagem, combate às pragas e colheita. Mesmo os insumos mais modernos podem apresentar efeitos ambientais prejudiciais na dependência de

fatores como o emprego ou não das boas práticas agrícolas; a dose e a freqüência de exposição; absorção

e taxa de eliminação do composto pelo organismo não-alvo. Um dos problemas apontados para conhecer

a extensão da carga química de exposição ocupacional e a dimensão dos danos à saúde é a falta de

informações sobre o consumo de agrotóxicos e a insuficiência dos dados sobre intoxicações por estes produtos. Em alguns casos, há ainda a falta de conhecimento dos processos por meio dos quais os agroquímicos possam afetar os organismos alvo e não–alvo. Devido à complexidade, interações e variabilidade dos ecossistemas e seus organismos, uma mesma perturbação pode levar a diferentes respostas, dependendo das variações das condições ambientais.

A proposta de um desenvolvimento sustentável, incluindo a atividade agrícola, contempla em

conseqüência a conservação dos recursos naturais, a utilização de tecnologias apropriadas, além da viabilidade econômica e social. Desta forma, também o setor agrícola, para promover uma agricultura sustentável, deve se basear no equilíbrio entre a viabilidade social dos trabalhadores rurais, a viabilidade

ecológica pela redução do uso de insumos e energia não renováveis e a viabili ade econômica do empreendimento. Há, portanto, necessidade de construir uma agricultura que também considere os aspectos sociais e ambientais, além dos aspectos econômicos. Para tanto, deve haver um avanço no modelo tecnológico, na organização da produção e uma mudança de valores da sociedade.

Assim, é importante observar o manejo integrado de recursos naturais, referindo-se, em última instância,

ao ordenamento do uso/ocupação da área, observadas as aptidões regionais. Há necessidade de um

aumento da interação entre atividades agrícolas e da saúde refletida, por exemplo, pela adoção das práticas de recuperação de áreas degradadas e da redução do carreamento dos agrotóxicos pela água.

A sustentabilidade não é, então, restrita ao meio ambiente, assim como a responsabilidade social não se

limita a ações ou investimentos em projetos sociais. Embora a visão empresarial atual continue, em sua maioria, a ser governada pelo viés econômico, a dimensão social começa a ser valorizada. Responsabilidade social significa agir em resposta a uma nova demanda da sociedade, refletindo-se em benefícios também para a população envolvida por suas operações e o ambiente. A associação dos

conceitos sustentabilidade e responsabilidade social às práticas diárias de gestão de um empreendimento

de qualquer natureza devem expressar o compromisso efetivo de todos os envolvidos de forma

permanente e estruturada. Procedimentos ambientalmente responsáveis dentro da visão de sustentabilidade têm então maior potencial de sucesso com o uso de alternativas inteligentes de consumo. Portanto, a responsabilidade social se expressa em uma postura pró-ativa, identificando possibilidades de parcerias com o governo e organizações não-governamentais, tornando-se agentes de mudança social. Dentro dessa perspectiva, apesar dos diferentes grupos sociais assimilarem a necessidade de adotar tais medidas para garantir a

sustentabilidade dos sistemas de produção de forma distinta, deve-se objetivar a busca por respostas a parâmetros como a preservação da paisagem e da cultura local, além do uso multifuncional da área e de seus recursos naturais.

A responsabilidade social está em conseqüência intrinsecamente associada à ética e à transparência.

Assim, além de um empreendimento agrícola fornecer produtos de qualidade aos consumidores, deve se preocupar com a qualidade do entorno no desenvolvimento de suas atividades a fim de ser ético em suas relações com a sociedade. Por sua vez, a transparência requer o atendimento às expectativas sociais, mantendo a coerência entre o discurso e a prática, sem sonegação de informações importantes sobre os produtos e serviços.

Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP]

Ensino Médio Integrado à Educação Profissional

Dentro desse enfoque, o conceito de agricultura sustentável deve envolver um novo padrão que garanta a segurança alimentar e que não agrida o meio ambiente, refletido em sua forma mais simples por renda para o agricultor e preservação ambiental. Sendo assim, para que exista sustentabilidade, deve nortear a agricultura moderna um padrão que tenha como referência o uso racional da terra e dos recursos bióticos. Nesse contexto, faz-se necessário que a preocupação ambiental realmente converta-se em um instrumento de mudança para que a produção agrícola venha a se tornar sustentável em âmbito global. Assim, ela deve estabelecer a integração dos processos e impactos na dimensão socioeconômica, de saúde pública e ambiental, uma vez que os agroecossistemas incluem o homem produtor e consumidor.

1.2. Meio Ambiente e Direitos Humanos

Dentre os fatores de sucesso para a melhoria da qualidade de vida das pessoas, o que pode ser plenamente entendido como sinônimo de cidadania ou simplesmente direitos humanos, está o processo da educação ambiental. Segundo os maiores especialistas, a educação ambiental ensina regras claras para as relações do homem com o meio ambiente e com a natureza. Estas regras são de vital importância, pois mesmo sendo o homem um elemento da própria natureza, ele é um agressor em potencial. A preservação dos elementos bióticos e abióticos dos ecossistemas, além dos recursos naturais, são indispensáveis para o equilíbrio do homem com a natureza, pois sem estes elementos, é impossível a sobrevivência humana. Neste sentido, a educação ambiental deve começar nas escolas. As crianças no processo de aprendizagem e formação escolar, podem muito cedo aprender a preservar e a entender a importância dos recursos naturais para nossa vida. Governos tem implantado suas políticas de educação ambiental, seguindo a diretiva maior que é a Política Nacional de Educação Ambiental, mas ainda temos poucos exemplos práticos de sucesso. Os centros urbanos tem sofrido muito com o aumento populacional, fato este que está diretamente relacionado com o desequilíbrio ambiental em nossas metrópoles. A cada ano as reservas de alimento precisam ser garantidas fazendo com que a pressão do homem sobre a terra aumente cada vez mais, objetivando sua expansão para a agricultura. Mais gente consumindo, mais lixo sendo gerado, e assim por diante. A educação ambiental é de vital importância para o aprendizado deste equilíbrio. Além do preocupante crescimento das populações, é preocupante como o homem administra mal os recursos naturais e a biodiversidade. Desmatamentos, queimadas e poluição das águas com despejos industriais e domésticos, são alguns exemplos da má utilização dos recursos naturais; o homem polui a própria água que ele utilizará. Nossa espécie não sabe preservar; ela mesma desequilibra e não pensa no amanhã, nas gerações futuras que ainda utilizarão estes recursos. Desta forma, podemos afirmar que os direitos do homem com relação ao meio ambiente, ele mesmo não os preserva adequadamente, o que pode gerar um antagonismo quando o mesmo homem requer cidadania. Os mecanismos de atuação ambiental dos governos, podem ajudar neste processo de educação ambiental. Instrumentos como conselhos municipais de defesa do meio ambiente, agenda 21 local, fiscalização por parte dos órgãos do SISNAMA (como as secretarias municipais do meio ambiente), são importantes neste processo. Sem educação ambiental como fator de equilíbrio sustentável, corre-se um grande risco. A qualidade de vida do homem, depende da qualidade e estabilidade do ambiente onde ele vive, trabalha e retém o seu sustento. Ar e água poluídos, alimentos contaminados por agrotóxicos e outros tipos de poluição urbana e industrial, afetam drasticamente a qualidade de vida do homem. Pode-se concluir, que para se manter a qualidade de vida e até mesmo a vida sob a terra, as sociedades humanas devem mudar radicalmente sua postura e suas ações em relação ao meio ambiente. Este fenômeno somente será possível através da educação ambiental, não só de crianças, mas também dos adultos, da população e dos trabalhadores em geral. A educação ambiental é um processo de conscientização, as

Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP]

Ensino Médio Integrado à Educação Profissional

pessoas precisam aprender a mudar seu relacionamento com o meio ambiente. Nossa esperança é que através da educação ambiental, possamos atingir este grau de conscientização e equilíbrio em prol da preservação do meio ambiente, do desenvolvimento sustentável e principalmente da qualidade de vida das pessoas. Onde há qualidade de vida, há cidadania e direitos humanos assegurados.

1.3. Meio Ambiente e Saúde

Não é de hoje que as inter-relações entre população, recursos naturais e desenvolvimento têm sido objeto

de preocupação social e de estudos científicos. Desde há muito, as exigências cada vez mais complexas da

sociedade moderna vêm acelerando o uso dos recursos naturais, resultando em danos ambientais que colocam em risco a sobrevivência da humanidade no planeta.

A história mostra que o homem sempre utilizou os recursos naturais para o desenvolvimento da

tecnologia e da economia e, com isso, garantir uma vida com mais qualidade. Entretanto, é fácil constatar que essa equação (exploração dos recursos naturais = desenvolvimento econômico e tecnológico = qualidade de vida) não vem se relevando verdadeira. Isso porque os recursos oriundos da natureza estão sendo aproveitados de forma predatória, causando graves danos ao meio ambiente e refletindo negativamente na própria condição de vida e de saúde do homem.

Nesse sentido, Márcia Elayne Berbich de Moraes expõe que "tudo se tornou válido em nome do progresso, do bem estar da sociedade e da vida mais confortável". Mas, a busca do homem por uma vida melhor está lhe trazendo doenças, problemas sociais e comprometendo seu futuro na Terra, já que suas ações são altamente degradantes. Diante desse quadro, fica claro que meio ambiente e saúde são temas completamente indissociáveis, sendo certo que o ordenamento jurídico nacional contempla tal relação. Entre os especialistas, verifica-se a existência de diversas definições sobre "meio ambiente", algumas abrangendo apenas os componentes naturais e outras refletindo a concepção mais moderna, considerando-o como um sistema no qual interagem fatores de ordem física, biológica e sócio-econômica. Para José Afonso da Silva, meio ambiente é a interação do conjunto de elementos naturais, artificiais e culturais que propiciam o desenvolvimento equilibrado da vida em todas suas formas. José Ávila Coimbra, dissertando sobre o mesmo tema, considera meio ambiente como "o conjunto de elementos físico-químicos, ecossistemas naturais e sociais em que se insere o Homem, individual e socialmente, num processo de interação que atenda ao desenvolvimento das atividades humanas, à preservação dos recursos naturais e das características essenciais do entorno, dentro de padrões de qualidade definidos". Na legislação brasileira, o inciso I, do artigo 3º, da Política Nacional do Meio Ambiente (Lei Federal nº 6.938/81), define meio ambiente como "o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas". Assim, entende-se que a expressão "meio ambiente" deve ser interpretada de uma forma ampla, não se referindo apenas à natureza propriamente dita, mas sim a uma realidade complexa, resultante do conjunto

de elementos físicos, químicos, biológicos e sócio-econômicos, bem como de suas inúmeras interações

que ocorrem dentro de sistemas naturais, artificiais, sociais e culturais.

A palavra saúde também deve ser compreendida de forma abrangente, não se referindo somente à

ausência de doenças, mas sim ao completo bem-estar físico, mental e social de um indivíduo. Nesse sentido, é a orientação que se extrai da disposição contida no artigo 3º da Lei nº 8.080/90, onde se consigna que "a saúde tem como fatores determinantes e condicionantes, entre outros, a alimentação, a moradia, o saneamento básico, o meio ambiente, o trabalho, a renda, a educação, o transporte, o lazer e o acesso aos bens e serviços essenciais". Assim o termo "saúde" engloba uma série condições que devem estar apropriadas para o bem estar completo do ser humano, incluindo o meio ambiente equilibrado. Muitas pessoas não percebem, mas o homem é parte integrante da natureza e, nesta condição, precisa do meio ambiente saudável para ter uma vida salubre.

Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP]

Ensino Médio Integrado à Educação Profissional

É certo que qualquer dano causado ao meio ambiente provoca prejuízos à saúde pública e vice-versa. "A

existência de um é a própria condição da existência do outro", razão pela qual o ser humano deve realizar suas atividades respeitando e protegendo a natureza. Com um pouco de atenção, é fácil descobrir inúmeras situações que demonstram a relação entre o meio ambiente e a saúde.

O vibrião da cólera, por exemplo, é transmitido pelo contato direto com a água ou pela ingestão de

alimentos contaminados. A falta de saneamento básico, os maus hábitos de higiene e as condições precárias de vida de determinadas regiões do planeta são fatores que estão intimamente ligados com o

meio ambiente e que contribuem para a transmissão da doença. "A água infectada, além de disseminar a doença ao ser ingerida, pode também contaminar peixes, mariscos, camarões etc

O jornal "A Folha de S. Paulo" noticiou em outubro de 2004, que as enormes quantidades de substâncias

químicas encontradas no ar, na água, nos alimentos e nos produtos utilizados rotineiramente estão

diretamente relacionadas com uma maior incidência de câncer, de distúrbios neurocomportamentais, de depressão e de perda de memória. Tal reportagem também divulgou dados do Instituto Nacional do Câncer dos EUA, apontando que dois terços dos casos de câncer daquele país tem causas ambientais.

O referido artigo ainda menciona uma pesquisa feita com cinqüenta controladores de trânsito da cidade de

S. Paulo (conhecidos como "marronzinhos"), não fumantes e sem doenças prévias. A conclusão foi que todos apresentavam elevação da pressão arterial e variação da freqüência cardíaca nos dias de maior poluição atmosférica. Além disso, 33% deles possuíam condições típicas de fumantes, como redução da

capacidade pulmonar e inflamação freqüente dos brônquios. Portanto, diariamente é possível presenciar várias situações que nos revelam como a degradação

ambiental causa problemas na saúde e nas condições de vida do homem. Por sua vez, o sistema jurídico brasileiro contempla a relação entre meio ambiente e saúde, conforme se exemplifica a seguir.

O artigo 225, da Constituição Federal do Brasil, estipula que: "Todos têm direito ao meio ambiente

ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-

se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações". Nota-se que o dispositivo em foco é categórico ao afirmar que o meio ambiente ecologicamente equilibrado é essencial à sadia qualidade de vida, ou seja, à própria saúde.

O artigo 200 da Lei Maior fixa algumas atribuições do Sistema Único de Saúde (SUS), dentre os quais se

menciona a fiscalização de alimentos, bebidas e água para o consumo humano (inciso VI) e a colaboração

na proteção do meio ambiente (inciso VIII).

A Lei Federal nº 6.938/81, conhecida como Política Nacional do Meio Ambiente, tem por objetivo a

preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental favorável à vida e, portanto, à saúde, visando assegurar condições ao desenvolvimento sócio-econômico e à proteção da dignidade humana (artigo 2º). Além disso, esta lei define poluição como a degradação da qualidade ambiental resultante das atividades que direta ou indiretamente prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população (artigo 3º, inciso III, alínea "a"). Por fim, cumpre mencionar a Lei nº 8.080/90, que regula em todo país as ações e serviços de saúde. Essa lei, além de consignar o meio ambiente como um dos vários fatores condicionantes para a saúde (artigo 3º), prevê uma série de ações integradas relacionadas à saúde, meio ambiente e saneamento básico. Não se pretende cansar o leitor citando todas leis pertinentes ao tema ora estudado, bastando afirmar que são várias as normas legais que mostram a indissociabilidade das questões ambientais e de saúde humana.

2. GESTÃO

SUSTENTÁVEL

PRESERVAÇÃO.

DOS

RECURSOS

NATURAIS.

ÁREA

DE

Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP]

Ensino Médio Integrado à Educação Profissional

A história das Unidades de Conservação remonta aos povos pré-históricos, que já faziam rotação de culturas e se preocupavam em reservar partes das terras cultiváveis para que elas se regenerassem. No Brasil, a criação de Unidades de Conservação inicia-se em 1937 com o Parque Nacional de Itatiaia, no Rio de Janeiro.

2.1. Objetivo e importância da criação das Unidades de Conservação

As Unidades de Conservação (UC) tem objetivos relevantes que justificam sua criação. Deles, o mais importante é a preservação da biodiversidade, para permitir seu aproveitamento atual e, em especial, futuro. Ao longo prazo, a sobrevivência de muitas espécies depende, estreitamente, da proteção dos seus habitats.

Isto ocorre porque foram implantadas as “áreas protegidas”, lugares que o Estado julgou necessário proteger e gerir, com o objetivo de conservar grandes reservas da fauna e flora até os pequenos sítios mantidos para conservação das espécies particulares. Pode se tratar de reservas integrais, das quais a intervenção humana está excluída ou de zonas habitadas, em que a proteção da flora e da fauna é assegurada pelo engajamento das populações locais na gestão do meio ambiente e das espécies.

Alguns cientistas, bem como organizações de conservação da natureza, insistem sobre a destruição irremediável de milhões de espécies nos decênios vindouros, e promovem a ideia de uma necessária proteção da biodiversidade. Cifras muito alarmista foram antecipadas, indicando que 5 a 25% das espécies estão ameaçadas em médio prazo. Mesmo que esses dados sejam extrapolados, a perda de biodiversidade é uma questão que se coloca para os cientistas, pois há pelo menos uma certeza: os ambientes naturais são cada vez mais solicitados e desaparecem a uma velocidade inquietante em numerosas regiões do mundo, bem como espécies a ela vinculadas.

No nível mundial estima-se que 654 espécies vegetais e 484 espécies animais, das quais 58 espécies de mamíferos e 115 espécies de pássaros desapareceram desde o inicio do século XVII. Entre os animais, 75% das extinções tiveram lugar nas ilhas, e numerosas outras espécies estão ameaçadas atualmente, como mostra a tabela 1.

estão ameaçadas atualmente, como mostra a tabela 1. As cifras indicadas na tabela 1 embora defasadas

As cifras indicadas na tabela 1 embora defasadas devem ser consideradas como estimativas mínimas. Com efeito, o estatuto de uma espécie só pode ser avaliado se houver interesse e numerosas espécies desaparecem, provavelmente no anonimato, em especial aquelas que pertencem aos grupos menos conhecidos, pouco atrativos ou mais difíceis de inventariar. Portanto, é muito provável que o número de

Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP]

Ensino Médio Integrado à Educação Profissional

espécies ameaçadas seja muito superior ao que foi, por ora, inventariado. Isto mostra a importância e a urgência de tombar mais unidades de conservação, com o intuito de preservar essas espécies nos seus ambientes naturais.

2.2. Estratégias para Conservação da Diversidade Biológica

No mundo inteiro é adotada uma série de estratégias complementares, objetivando a conservação dos ambientes e sua riqueza de vida, sendo dividido em dois métodos de conservação: in situ e ex situ.

2.2.1. Conservação In Situ

A melhor estratégia para proteção em longo prazo da diversidade biológica é a preservação de

comunidades naturais preservação local.

e populações no ambiente selvagem, conhecida como proteção in situ ou

Somente na natureza as espécies são capazes de continuar o processo de adaptação para um ambiente em mudança dentro de suas comunidades naturais. A princípio, a conservação in situ pode não ser eficiente para pequenas populações ou no caso de todos os indivíduos remanescentes estarem fora das áreas protegidas.

Entretanto, em grande parte dos trópicos, incluindo o Brasil, não se conhece o tamanho da população de maior parte das espécies de plantas. É muito evidente que existem inúmeras espécies que nem foram nomeadas e descritas. Desta forma, a conservação in situ se configura como principal estratégia de conservação para estas espécies, para que antes que elas possam ser conservadas, possam ao menos ser estudadas.

2.2.2. Conservação Ex Situ

A conservação in situ nem sempre é possível, pois numerosos habitats têm sido demasiados perturbados e degradados e alguns até desapareceram. É provável que a única maneira de se evitar que as espécies se tornem extintas seja manter os indivíduos em condições artificiais sob supervisão humana, como no caso dos zoológicos e jardins botânicos.

Essa estratégia é conhecida como conservação ex situ e acontece nos zoológicos, fazendas com criação de caça, aquários e programas de criação em cativeiro no caso de animais. As plantas são mantidas em jardins botânicos, arboretos, e bancos de sementes.

Uma estratégia intermediária que combina elementos da preservação in situ é o monitoramento intensivo e o manejo de populações de espécies raras e ameaçadas em pequenas áreas protegidas; tais populações estão ainda de certa forma em nível selvagem, porém a intervenção humana pode ser usada ocasionalmente para evitar o declínio da população.

Os esforços de conservação ex situ são parte importante de uma estratégia de conservação integrada para proteger as espécies ameaçadas. Isto pressupõe que indivíduos de populações ex situ podem ser periodicamente soltos na natureza para aumentar os esforços de conservação in situ.

Essas estratégias, que devem conjugar de forma frequente, as conservações in situ e ex situ, apóiam-se nos conhecimentos das espécies e dos sistemas ecológicos submetidos às pressões de origem climática ou humana.

Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP]

Ensino Médio Integrado à Educação Profissional

Segundo estudos coordenados pela UICN, 70% das espécies animais e vegetais do planeta encontram-se em apenas 17 países, sendo estes os denominados países megadiversos. Desse total de países, sete são da América Latina e seis são da América do Sul, como mostra a tabela 2. Os seis países da América do Sul formam um só bloco ao redor do Brasil que é apontado como o país de maior megadiversidade do planeta. São eles: Colômbia, Peru, Bolívia, Equador e Venezuela.

A Colômbia, de todos os países do mundo, é o campeão da diversidade de vertebrados, excluindo peixes. Com estes, é o Brasil que ocupa o primeiro lugar. Mas a riqueza da biodiversidade da América do Sul não se limita a vertebrados e tem paralelo em diversidade conhecida de invertebrados do planeta.

em diversidade conhecida de invertebrados do planeta. 2.3. Áreas de Proteção Existentes Atualmente existem
em diversidade conhecida de invertebrados do planeta. 2.3. Áreas de Proteção Existentes Atualmente existem

2.3. Áreas de Proteção Existentes

Atualmente existem cerca de doze mil unidades de conservação criadas nos mais diversos países (tabela 4), mais de 700 localizadas no Brasil (incluindo as unidades estaduais) e totalizando cerca de 80 milhões de hectares. O maior Parque individual do mundo está na Groenlândia, com 700.000 Km², superior ao estado de Sergipe. Somente 3,5% da superfície seca da Terra estão dentro das categorias estritamente protegidas de reservas científicas e Parques Nacionais. As maiores áreas protegidas encontram-se na

Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP]

Ensino Médio Integrado à Educação Profissional

América do Norte, na América Central e na Oceania, e a menor, na Antiga União Soviética.

A proporção de terras em áreas protegidas varia muito entre os países, com grandes proporções de áreas de proteção na Alemanha (24,6%), Áustria (25,3%) e Reino Unido (18,9%). O Brasil, segundo os controvertidos dados do Ministério do Meio Ambiente, possui 8,3% (tabela 6) de sua superfície em áreas protegidas, porém somente 1,85% estão nas categorias mais restritas, também chamadas de uso indireto.

categorias mais restritas, também chamadas de uso indireto. 2.3.1. Categorias de Unidades de Conservação Existe grande

2.3.1. Categorias de Unidades de Conservação

Existe grande variação na nomenclatura das Unidades de Conservação. Para ajudar a resolver o problema, a Comissão Mundial de Áreas Protegidas (WCPA – World CommisiononProtectedAreas), realizou esforços para agrupar, em um número manejável de categorias internacionalmente aceitas, a variedade de categorias de áreas protegidas inventadas nos países.

As categorias pretendem agrupar as áreas protegidas de todos os países do mundo que tenham objetivos de manejo e características comparáveis, em uma ótica de desenvolvimento sustentável. O quadro abaixo nos mostra esta denominação.

Quadro1: Variedade de categorias de áreas protegidas

Parque Nacional

Parque Natural

Parque Florestal

Reserva Natural

Reserva Ecológica

Estação Ecológica

Reserva Biológica

Refugio da Vida Silvestre

Santuário

Floresta Nacional

Reserva Nacional

Estrada Parque

Rio Cênico

Reserva de Recursos

Monumento Natural

Parque de Caça

Reserva Indígena

Reserva Extrativista

Reserva da Biosfera

-

Uma maneira mais prática de classificar estas áreas é por meio de seus objetivos de gestão conforme proposição da UICN após extensa pesquisa sobre as áreas protegidas do mundo é mostrada na tabela 5.

Tabela 5. Áreas protegidas do mundo

Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP]

Ensino Médio Integrado à Educação Profissional

[EEEP] Ensino Médio Integrado à Educação Profissional A classe I representa as unidades com objetivo científico;

A classe I representa as unidades com objetivo científico; na classe II estão os parques propriamente ditos,

caracterizados pela abertura à visitação; em III estão os monumentos nacionais, como cavernas e afloramentos rochosos; em IV encontram-se os refúgios de espécies silvestres, como as sensíveis áreas de descanso de aves migratórias; em V e VI acham-se as áreas mais abertas à coleta de produtos naturais por

populações tradicionais.

2.3.2. Rede atual de Unidades de Conservação do Brasil

O crescimento do número de UC e de sua superfície, na América Latina e Caribe, tem sido exponencial.

Até 1920, essa região possuía só uma unidade de conservação e em 1996 passaram a ter mais de mil, segundo a Lista de Áreas Protegidas das Nações Unidas preparadas pela União Mundial para a Natureza (IUCN).

O maior crescimento, em número de unidades e área se verificou, como era de se esperar, nos últimos 20

anos. Em 1970, existiam somente 11 UC reconhecidas pela IUCN no Brasil, com apenas três milhões de hectares. Em 1988, com a promulgação da nova Constituição Federal, a situação começa mudar.

O Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) define e regulamenta as categorias de unidades

de conservação nas instâncias federal, estadual e municipal, separando-as em dois grupos: de proteção integral e de uso sustentável, como mostra a tabela 6.

Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP]

Ensino Médio Integrado à Educação Profissional

[EEEP] Ensino Médio Integrado à Educação Profissional Unidades de Proteção Integral: objetiva preservar a

Unidades de Proteção Integral: objetiva preservar a natureza, sendo admitido apenas o uso indireto dos seus recursos naturais, com exceção dos casos previstos em lei. Apresentam as seguintes categorias.

Categorias

 

Características

Estação Ecológica

Têm como objetivos preservar a natureza e realizar pesquisas científicas.

Reserva Biológica

Tem como objetivo a preservação integral dabiota e os demais atributos naturais existentes em seus limites, sem interferência humana direta ou modificações ambientais, excetuando-se as medidas de recuperação de seus ecossistemas alterados e as ações de manejo necessárias para recuperar e preservar o equilíbrio natural, a diversidade biológica e os processos ecológicos naturais.

Parque Nacional

Tem como objetivo preservar os ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica, possibilitando a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de educação e interpretação ambiental, de recreação em contato com a natureza e de turismo ecológico.

Monumento Natural

Tem como objetivo a preservação dos sítios naturais raros, singulares ou de grande beleza cênica.

Refúgio

da

Vida

Tem como objetivo a proteção dos ambientes naturais onde se asseguram condições para a existência ou reprodução de espécies ou comunidades da flora local e da fauna residente ou migratória.

Silvestre

Como mostra a tabela 6, existem 111 áreas federais, totalizando 28.245.720 ha (42% de todas as unidades de conservação federais). Os parques nacionais (54, cobrindo 17.493.070 ha) são as maiores unidades de conservação de proteção integral, e destinam-se a fins educativos, recreativos e para pesquisa científica.

As reservas biológicas são, geralmente, menores que os parques nacionais e fechadas ao público, exceto para educação ambiental. As estações ecológicas são similares, diferenciando-se somente na ênfase do seu

Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP]

Ensino Médio Integrado à Educação Profissional

papel prospectivo como estações de pesquisa. Até 3% (máximo de 1.500 ha) podem ser sujeitados a experimentos destrutivos.

Unidades de Uso Sustentável: permitem diferentes tipos e intensidades de interferência humana com a conservação da biodiversidade como um objetivo secundário. Pela tabela 6 podemos observar que existem 141 unidades de conservação de uso sustentável federais, que totalizam 30.194.984 ha (58%) de todas as unidades e conservação federais. Cinquenta e oito florestas nacionais (14.471.924 ha) foram estabelecidas para silvicultura, corte seletivo sustentável, proteção de bacias hidrográficas, pesquisa e recreação.

Categorias

Características

 

É

uma área em geral extensa, com certo grau de ocupação humana, dotada de

Área de Proteção Ambiental

atributos abióticos, bióticos, estéticos ou culturais especialmente importantes para a

qualidade de vida e o bem-estar das populações humanas, e tem como objetivos básicos proteger a diversidade biológica, disciplinar o processo de ocupação e assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos naturais.

Área

Relevante

de

É

uma área em geral de pequena extensão, com pouca ou nenhuma ocupação humana,

com características naturais extraordinárias ou que abriga exemplares raros da biota regional, e tem como objetivo manter os ecossistemas naturais de importância regional ou local e regular o uso admissível dessas áreas, de modo a compatibilizá-lo com os objetivos de conservação da natureza.

Interesse

Ecológico

 

É

uma área com cobertura florestal de espécies predominantemente nativas e tem

Floresta Nacional

como objetivo básico o uso múltiplo sustentável dos recursos florestais e a pesquisa

científica, com ênfase em métodos para exploração sustentável de florestas nativas.

 

É

uma área utilizada por populações extrativistas tradicionais, cuja subsistência

Reserva

baseia-se no extrativismo e, complementarmente, na agricultura de subsistência e na criação de animais de pequeno porte, e tem como objetivos básicos proteger os meios de vida e a cultura dessas populações, e assegurar o uso sustentável dos recursos naturais da unidade.

Extrativista

 

É

uma área natural com populações animais de espécies nativas, terrestres ou

Reserva de Fauna

aquáticas, residentes ou migratórias, adequadas para estudos técnico-científicos sobre o manejo econômico sustentável de recursos faunísticos.

 

É

uma área natural que abriga populações tradicionais, cuja existência baseia-se em

Reserva

Desenvolvimento

de

sistemas sustentáveis de exploração dos recursos naturais, desenvolvidos ao longo de gerações e adaptados às condições ecológicas locais e que desempenham um papel fundamental na proteção da natureza e na manutenção da diversidade biológica.

Sustentável

Reserva

 

Particular

do

É

uma área privada, gravada com perpetuidade, com o objetivo de conservar a

Patrimônio

diversidade biológica.

Natural

As áreas de relevante interesse ecológico (ARIE) são pequenas (5.000 ha ou menos), protegem fenômenos naturais notáveis ou populações e habitats selvagens, em locais com pouca ocupação humana, e permitem o uso público.

Áreas de Preservação Ambiental (APP) É uma unidade de conservação que objetiva conciliar as ações humanas com a preservação da vida silvestre, com a proteção dos demais recursos naturais e a melhoria da qualidade de vida da população, por meio de um trabalho multidisciplinar entre instituições governamentais e a colaboração efetiva da

Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP]

Ensino Médio Integrado à Educação Profissional

comunidade.

A prática do desenvolvimento sustentável requer, cada vez mais, a compreensão da questão ambiental por parte de toda a sociedade. Como exemplo de APP estão as áreas de mananciais, as encostas com mais de 45 graus de declividade, os manguezais e as matas ciliares. Essas áreas são protegidas pela Lei Federal Nº 4.771/65 (alterados pela Lei Federal Nº 7.803/89).

2.4. Conservação da Biodiversidade da Caatinga

Ao longo dos anos, a Caatinga tem sido bastante modificada pelo homem e percebe-se nos solos um processo progressivo de formação de semidesertos, devido à substituição da vegetação natural por culturas, principalmente por queimadas. Os desmatamentos e uso de sistemas de irrigação mal planejados estão levando à salinização dos solos, aumentando ainda mais a evaporação da água contida neles, acelerando o processo de desertificação.

Segundo a ConservatonInternational, a Caatinga é uma das 37 grandes regiões naturais do planeta e como tal é importante para manutenção dos padrões regionais e globais do clima, da disponibilidade de água potável, de solos agricultáveis e de parte importante da biodiversidade da Terra.

Em 2000, ocorreu em Petrolina-PE, o workshop: “Avaliação e Ações Prioritárias para Conservação da Biodiversidade na Caatinga”. Participaram desse workshop 140 pesquisadores que geraram uma formidável gama de informações sobre o estado de conhecimento e as lacunas de informação sobre o bioma caatinga. As conclusões dos trabalhos foram sintetizadas e publicadas pelo Ministério do Meio Ambiente (BRASIL, 2003), e se constatou, na época, que cerca de 2% da Caatinga estava protegida como unidades de conservação de proteção integral.

Nesse sentido, foram identificadas 82 áreas prioritárias para a conservação da biodiversidade da Caatinga. Dessas áreas, classificam-se: 27, de extrema importância; biológica; 12, de muito alta importância; 18, de alta importância; como mostra o mapa 1, e 25 como insuficientemente conhecidas, mas de provável importância, conforme mapa 2. No total, cobriam cerca de 436.000 km², ou seja, 59,4% do bioma Caatinga. As de extrema relevância biológica constituem 42% das áreas prioritárias, ou 24,7% de toda a Caatinga (BRASIL, 2003).

3. DIREITO

AMBIENTAL

IMPORTÂNCIA.

E

AMBIENTALISMO.

POLÍTICA

AMBIENTAL

E

SUA

Para realizar a Gestão Ambiental se faz necessário bem mais do que a existência de órgãos responsáveis, tornando-se imprescindível o estabelecimento de uma política voltada para a formação de instrumentos que assegurem sua efetividade. Um dos instrumentos mais eficazes é a Educação Ambiental que com a divulgação de informações faz com que, por meio da participação popular, os projetos em execução sejam fiscalizados de acordo com as leis nos âmbitos municipais, estaduais e federal. As políticas e ações ambientais desenvolvidas pelos municípios devem ser executadas em sintonia com as políticas públicas estaduais e federal, atendendo as normas e padrões vigentes. Para que o sistema municipal de meio ambiente seja implantado deve-se levar em consideração alguns itens, como a população, a área e os principais problemas do município. Para isto a Confederação Nacional dos Municípios (CNM), em sua Coletânea de Gestão Pública Municipal propõe diferentes estruturações dos órgãos ambientais no organograma das prefeituras de acordo com o tamanho do município. Outro instrumento é a criação de um órgão para facilitar a proteção ao Meio Ambiente e que possa

Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP]

Ensino Médio Integrado à Educação Profissional

executar políticas públicas ambientais nos diferentes âmbitos, estabelecendo inclusive a descentralização da gestão ambiental. O órgão criado deve ter as funções de fiscalizar como as normas e leis estão sendo cumpridas, emitir licenciamento de localização, instalação, ampliação e operação de empreendimento e atividades e, finalmente, realizar o monitoramento, acompanhando o comportamento de determinados fenômenos ou situações com o objetivo de detectar riscos e oportunidades.

O modelo de gestão ambiental definido pala Política Nacional de Meio Ambiente baseia-se no princípio

do compartilhamento e da descentralização das responsabilidades pela Proteção Ambiental.

3.1. O ambientalismo como movimento social

Assim que apareceram as primeiras ameaças ao meio ambiente, começou a surgir de uma forma ainda desorganizada, movimentos em que seus integrantes tinham como preocupação a defesa do Meio Ambiente.

Com a expansão industrial e o avanço da ciência, da tecnologia e do aumento exagerado da produção de Resíduos Sólidos, as agressões se deram de forma mais intensa e o movimento ambientalista cresceu.

A sociedade moderna é uma sociedade consumista e consequentemente produtora de material descartável,

o que também contribui, e muito, para as agressões feitas ao ambiente.

A produção de plásticos, PETs e baterias de vários aparelhos eletrônicos assustou os preocupados com o

Meio Ambiente. Por causa desta preocupação, cada vez mais, foi-se constituindo grupos de pessoas sensibilizadas que se reuniram para criar estratégias de preservação e conservação ambiental. Surgiram as Organizações não Governamentais (ONG) que tinham como principal finalidade a conscientização da Sociedade Civil, no sentido de ter uma maior preocupação com a importância de cuidar do Meio Ambiente.

Os movimentos ambientalistas surgiram para conscientizar a população de que cuidando do meio ambiente estamos preservando a sobrevivência das espécies, sobretudo da espécie humana.

3.2. História do direito ambiental

As agressões à natureza são tão antigas quanto a existência do homem. No Gênesis e no Deuteronômio já existe registro de agressões ao meio ambiente. Sua proteção também já vem deste mesmo tempo. Alguns ambientalista acreditam que o primeiro homem a se preocupar com a natureza foi São Francisco de Assis que conta em sua historia o grande amor pela natureza e pelos animais, chegando a chamar o lobo de “irmão lobo” e a andorinha “ irmã andorinha”. No Brasil colônia as primeiras preocupações com a natureza, surgem com o grande alvo dos colonizadores, a exploração do pau - brasil. Já nesta época começam a aparecer os movimentos em defesa da natureza. No inicio do século XIX surge a preocupação com a extração do pau – brasil. Princípios constitucionais começam a aparecer com a primeira constituição brasileira de 1824. Apenas nos anos 60 do século XX os movimentos de proteção ambiental deram um verdadeiro salto, onde ocorreram as grandes discussões políticas ambientalistas e os primeiros passos do Direito Ambiental. Ainda em meados de do século XX, quando o homem toma real consciência de que o planeta esta sendo degradado, começa na Europa diversas manifestações pacifistas, principalmente contra o uso da energia nuclear. Os maiores movimentos ocorreram após a explosão das bombas em Hiroshima e Nagasaki. Nos anos 70 o grande acontecimento foi em 1972. O governo da Suécia pressiona a ONU, por causa do desastre ecológico da Baía de Minamata, no Japão. Ocorre a conferência de Estocolmo, primeira reunião internacional sobre meio ambiente. Depois da conferência de Estocolmo surgiram vários outros movimentos. Outro grande marco dentro do direito ambiental ocorreu nos anos 80, quando em 1983, a Organização das Nações Unidas, fez a indicação da então primeira ministra da Noruega, GroHarlemBrunatland, para presidência da Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (CMMAD), criado para estudar as questões

Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP]

Ensino Médio Integrado à Educação Profissional

ambientais. Em 1987, esta comissão apresentou o relatório “OurConmmon Future” (Nosso Futuro Comum) conhecido como Relatório Brundtland, em que pela primeira vez aparece a expressão Desenvolvimento Sustentável, tão discutido até hoje. Em 1992, ocorre no Brasil a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiental e o Desenvolvimento Sustentável (CNUMAD), a conhecida ECO-92 ou Rio -92, que é considerada uma importante conferência sobre meio ambiente, onde foram produzidos vários documentos e participaram 150 paises.

Os documentos mais importantes produzidos nesta conferência foram, a Convenção da Biodiversidade e a Agenda 21.

A agenda 21 é “um documento que estabelece a importância de cada país a se comprometer, global e

localmente, sobre a forma pela qual governos, empresas, organizações não governamentais e todos os setores da sociedade poderiam cooperar no estudo para os problemas sócio-ambiental”.

Já a Convenção da Biodiversidade, “estabelece normas e princípios que devem reger o uso e a proteção da

biodiversidade biológica em cada país”, e propõe regras para assegurar a conservação da biodiversidade e seu uso sustentável.

3.3. O direito ambiental no Brasil

Para entendermos o direito ambiental no Brasil, vamos inicialmente ter uma ideia da definição de Direito Ambiental. “É a área do conhecimento jurídico que estuda as interações do homem com a natureza e os mecanismos legais para proteção do meio ambiente”. Só com a Constituição Federal de 1988, começaram as primeiras preocupações legais com meio ambiente. Segundo Milaré (2007), antes desta Constituição a proteção do meio ambiente não tinha força legal para combater as agressões que eram feitas à natureza. Porém, antes da constituição de 1988, ainda no Brasil pós descobrimento, algumas normas eram estabelecidas para o controle da exploração vegetal no país, além de disciplinar o uso do solo, conservação das águas dos rios e regulamentar a caça. Nas ordenações Afonsinas e Manuelinas aparecia o tema meio ambiente, mas o que mais se destacava não era uma preocupação com o meio ambiente, havendo uma maior preocupação com a “propriedade da nobreza da coroa”. Nestas Ordenações, após várias mudanças permaneceu como crime o corte de árvores frutíferas, a proibição da caça de certos animais e a comercialização de colmeias.

A instituição das capitanias hereditárias também tinha uma preocupação com o meio ambiente. Elas

foram instituídas para combater as invasões francesas que tinham como um de seus objetivos a extração e a comercialização do pau-brasil.

Nas Ordenações Filipinas, precisamente nos livros I, IV e V efetivamente interessam a legislação ambiental. No Livro I - proteção ambiental, cultural e o ambiente paisagístico. No Livro IV - proteção das sesmarias para instituir o dever de povoar terras virgens da colônia. No Livro V – proteção ambiental como um todo, instituiu o conceito de poluição.

O Livro V no titulo LXXXVIII - 7º, afirma: “e pessoa alguma não lance nos rios e lagoas em qualquer

tempo do ano

Mesmo quando o Brasil passa de colônia para império continua vigorando a legislação advinda do Reino. Com a chegada dos Holandeses a preocupação com o meio ambiente ficou mais intensa, pois proibiram o corte do cajueiro, o lançamento do bagaço da cana-de-açúcar nos rios e lagos e a pesca e a caça predatória.

O grande marco da legislação brasileira colonial veio com o movimento “Provisão ao Governador e

Capitão Geral do Rio de Janeiro”, que especifica que a madeira Tapinhoã e Pau-brasil não poderiam ser explorados a não ser para fabricação de navios de guerra. A grande preocupação com a madeira também trouxe avanços na legislação, no sentido de preservar as matas como um todo e um maior cuidado com as

barbasco, coca, cal em outro ou algum com que se o peixe mate”. (Milaré 2005 pág.135).

Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP]

Ensino Médio Integrado à Educação Profissional

madeiras que eram cortadas para lenha, deixando de se preocupar apenas com o Pau-brasil.

No período imperial podemos destacar dois fatos importantes para a legislação ambiental. O primeiro foi

a Constituição do Brasil em 1824, a Constituição Imperial Brasileira que possibilitou um maior rigor na questão ambiental. O segundo foi a criação do Código Comercial (Lei 601/1850) que proibia e aplicava sansões penais e administrativas para quem derrubasse árvores e realizasse queimadas ilegais.

Apesar de todos os avanços legais de proteção ambiental, só quando chegou a Republica foi que a proteção ambiental tomou um grande impulso.

3.4. A criação de uma política ambiental para o Brasil

A

década de 1930 trouxe importantes modificações na legislação ambiental. Após a revolução de 1930 e

da

revolução constitucional de 1932, foi instituída a Constituição de 1934, que deixou de se preocupar

somente com a proteção às belezas naturais, ao patrimônio histórico, artístico e culturais e conferiu a União competência em relação as riquezas do sub-solo, mineração, águas, florestas, caça, pesca e sua exploração. Nesta época foram criados o Código Florestal e o Código das Águas (ambos em 1934). Também foram criados o Código da Caça e o Código da Mineração.

A

Constituição de 1937 manteve a defesa dos recursos naturais como a de 1934 e inovou dando destaque

às

águas. Ela também se preocupou com a proteção dos monumentos históricos, artísticos e naturais. No

artigo 134 da constituição de 1987 fica determinado que “é competência da União Legislar sobre minas, águas, florestas, caça e pesca e sua exploração”.

O artigo 175 da Constituição de 1946 “manteve como competência da União“ á possibilidade de legislar e

fiscalizar sobre normas gerais em defesa da saúde, das riquezas naturais do subsolo, das águas das

florestas, caça e pesca”. Houve a inclusão no artigo 34 inciso I, a proteção às ilhas fluviais e lacustre nas zonas limítrofes com outros países dentre os bens de domínio da União. Foi na década de 1960 que aconteceu uma maior valorização jurídica do meio ambiente. Na Constituição 1967 foi conservada a norma das constituições anteriores e acrescentado o direito agrário.

Só na década de 1980, foi que a legislação ambiental passou a desenvolver-se com maior preocupação em

proteger o meio ambiente de forma especifica e global. Esta década tem como marco destas novas

políticas ambientais a edição da Lei 6.938 de 31.08.1931, que instituiu o SISNAMA( Sistema Nacional

do Meio Ambiente).

A preocupação do governo com a poluição e com o uso racional dos recursos ambientais, resultou na

criação da Secretaria Especial do Meio Ambiente(SEMA). Foi criada em 30 de outubro de 1973 pelo Decreto nº 73.030. A SEMA é um “órgão autônomo da Administração Direta”. Elaborada pela SEMA, foi sancionada em 31 de outubro de 1981, a Lei nº 6.938, que estabeleceu a Política Nacional do Meio Ambiente e facilitou a descentralização, de ações ambientais, tão necessária em um país com as dimensões geográficas do Brasil.

3.5. A importância da Lei Nº 6.938/81

A

Política Nacional do Meio Ambiente foi criada pela Lei Nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, e no seu art.

declara que “tem por objetivo a preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à

vida, visando assegurar, ao País, condições ao desenvolvimento socioeconômico, aos interesses da segurança nacional e à proteção da dignidade da vida humana, atendidos os seguintes princípios:

I - Ação governamental na manutenção do equilíbrio ecológico, considerando o meio ambiente como um patrimônio público a ser necessariamente assegurado e protegido, tendo em vista o uso coletivo.

II - Racionalização do uso do solo, do subsolo, da água e do ar.

III - Planejamento e fiscalização do uso dos recursos ambientais.

Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP]

Ensino Médio Integrado à Educação Profissional

IV - Proteção dos ecossistemas, com a preservação de áreas representativas.

V - Controle e zoneamento das atividades potencial ou efetivamente poluidoras.

VI - Incentivos ao estudo e à pesquisa de tecnologias orientadas para o uso racional e a proteção dos

recursos ambientais.

VII - Acompanhamento do estado da qualidade ambiental.

VIII - Recuperação de áreas degradadas;

IX - Proteção de áreas ameaçadas de degradação.

X – Educação ambiental a todos os níveis do ensino, inclusive a educação da comunidade, objetivando

capacitá-la para participação ativa na defesa do meio ambiente.

O art. 3º enuncia, de forma esclarecedora, o que é e se entende por meio ambiente, como “o conjunto de

condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a

vida em todas as suas formas; degradação da qualidade ambiental, a alteração adversa das características

do meio ambiente; a poluição; a degradação da qualidade ambiental resultante de atividades que direta ou

indiretamente:

a) Prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população.

b) Criem condições adversas às atividades sociais e econômicas.

c) Afetem desfavoravelmente a biota.

d) Afetem as condições estéticasou sanitárias do meio ambiente.

e) Lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos”.

Para tratar da Política Nacional do Meio Ambiente a Lei Nº 6.938 cria Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA) com a finalidade de estabelecer um conjunto articulado de órgãos e entidades responsáveis pela proteção e pela melhoria da qualidade ambiental. O outro órgão criado foi o Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), cuja finalidade é estudar e propor diretrizes e políticas governamentais para o meio ambiente e deliberar no âmbito de sua competência, sobre normas, padrões e critérios de controle ambiental. O CONAMA assim procede através de suas resoluções. A Constituição Federal de 1988 recebeu e avaliou toda a legislação ambiental no País, inclusive, e

principalmente, a necessidade da intervenção da coletividade, ou seja, participação da sociedade civil,

nela compreendida o empresariado na co-gestão da Política Nacional do Meio Ambiente. Foi escolhida

praticamente toda a legislação vigente, mesmo a de âmbito estadual, uma vez que ainda seguindo o espírito da Lei de Política Nacional do Meio Ambiente, determinou que essa legislação passasse a ser concorrente com a federal (CF, art. 24, VI).

Os objetivos da Política Nacional do Meio Ambiente são bem mais ambiciosos que a simples proteção de

recursos naturais para fins econômicos imediatos. Eles visam a utilização racional do meio ambiente

como um todo, consoante determina o artigo 2º da Lei. A legislação mais recente, como a Lei dos

Recursos Hídricos, mostra que estes princípios vêm sendo bem assimilados, e que têm como objetivo o desenvolvimento sustentável e a consciência de ser imprescindível a parceria do Governo e dos usuários

dos

recursos ambientais para sua utilização racional e conservação.

3.6.

Princípios da Prevenção e Precaução

"A

palavra princípio, em sua raiz latina última, significa ‘aquilo que se toma primeiro’ (primum capere),

designando o início, começo, ponto de partida. Princípios de uma ciência, segundo José Cretella Júnior,

‘são

as proposições básicas, fundamentais, típicas, que condicionam todas as estruturas subseqüentes".

Os princípios fornecem a base para a criação de leis e são a essência das normas de direito Direito

Ambiental, que visa a manutenção de um perfeito equilíbrio nas relações do homem com o meio ambiente, possui alicerces próprios (princípios), que são decorrentes não apenas de um sistema normativo ambiental, mas também do sistema de direito positivo em vigor.

Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP]

Ensino Médio Integrado à Educação Profissional

Dentre os diversos princípios do Direito Ambiental, cumpre destacar os princípios da prevenção e da precaução.

O princípio da prevenção se caracteriza pela "prioridade que deve ser dada às medidas que evitem o

nascimento de atentados ao ambiente, de molde a reduzir ou eliminar as causas de ações suscetíveis de alterar sua qualidade". Pelo princípio da prevenção, permite-se a instalação de uma determinada atividade ou empreendimento, impedindo, todavia, que ele cause danos futuros, por meio de medidas mitigadoras ou de caráter preventivo. Consoante se extrai das lições de Paulo de Bessa Antunes, existe "um dever jurídico-constitucional de levar em conta o meio ambiente quando se for implantar qualquer empreendimento econômico". Assim, segundo o referido doutrinador, a Carta Magna obriga todo empreendedor a proteger o meio ambiente ao exercer sua atividade econômica, razão pela qual se conclui que o princípio da prevenção impõe o equilíbrio entre o desenvolvimento sócio-econômico e a preservação ambiental.

O principio da precaução, por outro lado, "é um estágio além da prevenção, à medida que o primeiro

(precaução) tende à não realização do empreendimento, se houver risco de dano irreversível, e o segundo (prevenção) busca, ao menos em um primeiro momento, a compatibilização entre a atividade e a proteção ambiental". Assim, pelo princípio da precaução, quando existe risco ou incerteza científica de dano ambiental, a

atividade sequer poderá ser licenciada. Paulo Affonso de Leme Machado explica que "a implementação do princípio da precaução não tem por finalidade imobilizar as atividades humanas. Não se trata da precaução que tudo impede ou que em tudo vê catástrofes ou males. O princípio da precaução visa à durabilidade da sadia qualidade de vida das gerações humanas e à continuidade da natureza existente no planeta".

Mais adiante, arremata Machado: "a precaução caracteriza-se pela ação antecipada diante do risco ou do

perigo. (

No mundo da precaução há uma dupla fonte de incerteza: o perigo ele mesmo considerado e a

ausência de conhecimentos científicos sobre o perigo. A precaução visa a gerir a espera da informação. Ela nasce da diferença temporal entre a necessidade imediata de ação e o momento onde nossos conhecimentos científicos vão modificar-se". [20]

Como exemplo, vale mencionar que, em junho de 1999, o Juiz de Direito da 6ª Vara da Secção Judiciária do Distrito Federal acolheu expressamente o princípio da precaução na ação judicial proposta pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor contra a União Federal e a Monsanto do Brasil Ltda., ao proibir o plantio e comercialização de sementes da soja transgênica enquanto não fosse apresentado o Estudo Prévio de Impacto Ambiental e enquanto não fosse regulamentado, pelo Poder Público, as normas

de biossegurança e de rotulagem de Organismos Geneticamente Modificados [21] .

Diante do exposto, percebe-se que tais princípios visam restringir e até mesmo proibir a implantação de

novos empreendimentos, na hipótese dos mesmos oferecerem risco ao ambiente e a saúde das pessoas [22] . Afinal, o Direito Ambiental possui caráter preventivo, pois é praticamente impossível a reparação integral nos casos de degradação ambiental, já que na maioria das vezes a região afetada jamais voltará ao estado em que se encontrava antes do evento danoso. "Muitos danos ambientais são compensáveis, mas, sob a ótica da ciência e da técnica, irreparáveis". E, da mesma forma, são várias as doenças causadas por danos ambientais cujas seqüelas se tornam irreversíveis para o homem. Édis Milaré, citando Fábio Feldmann, menciona que "não podem a humanidade e o próprio Direito

Como reparar o desaparecimento de uma

contentar-se em reparar e reprimir o dano ambiental. (

espécie ? Como trazer de volta uma floresta de séculos que sucumbiu sob a violência do corte raso ? Como purificar um lençol freático contaminado por agrotóxicos ?" Por isso, o legislador constituinte atribuiu ao Poder Público o dever de aplicar os princípios da prevenção e precaução, por meio do controle da produção, comercialização e do emprego de técnicas, métodos e substâncias que comportem risco para a qualidade de vida e para o meio ambiente (artigo 225, parágrafo primeiro, inciso V, da Constituição Federal).

)

).

Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP]

Ensino Médio Integrado à Educação Profissional

O poder de polícia, o zoneamento ambiental, as normas legais, os padrões ambientais, a aplicação de

penalidades, o licenciamento ambiental, o estudo prévio de impacto ambiental, as regras de construção, o controle da poluição, o saneamento básico, o controle do uso do solo nos meios urbanos e rurais, o planejamento do crescimento da cidade e outros, são exemplos de instrumentos de controle ambiental onde se costuma aplicar os princípios da prevenção e da precaução. Lamentavelmente, os princípios em estudo não estão sendo empregados na forma preconizada pelo legislador constitucional, o que vem colaborando com o aumento dos problemas ambientais e com o agravamento das condições de vida e de saúde o homem.

"O ordenamento jurídico brasileiro é bastante claro, em suas várias normas, sobre a indissociabilidade dos temas concernentes à saúde e ao meio ambiente".

A atuação dos princípios da prevenção e da precaução é de suma importância, pois eles restringem e até

mesmo proíbem o estabelecimento de um empreendimento que potencialmente ofereça riscos à natureza e à saúde da população. Sob um aspecto geral, considera-se que o direito brasileiro fornece as ferramentas necessárias para que o Poder Público possa aplicar os princípios da prevenção e precaução na preservação dos recursos naturais . Entretanto, observa-se que alguns mecanismos legais destinados à proteção do meio ambiente e,

conseqüentemente, da saúde humana, esvaem-se no ar, atingidos por males maiores, capitaneados pela corrupção, que, por sua vez, é alimentada pela ambição e pela ignorância dos habitantes deste planeta. Ademais, não basta a existência material da lei. Isso é apenas marco zero de um longo processo de implementação dessa norma. Embora as leis ambientais em nosso país sejam avançadas, nota-se ainda uma lacuna, consistente na articulação institucional. São vários os motivos pelos quais, hodiernamente, a legislação e os princípios ambientais têm aplicabilidade limitada, valendo destacar:

(i)

dissociação entre os objetivos das políticas ambientais e as estratégias de desenvolvimento econômico adotadas pelo próprio Poder Público;

(ii)

presença de interesses sociais contraditórios segundo cada instância de governo;

(iii)

falta de recursos financeiros para a área ambiental;

(iv)

falta de capacitação técnica dos órgãos ambientais, entre outros.

Urge superar as barreiras que obstam os processos de implementação das normas legais de cunho

ambiental, sob pena da ineficiência dos princípios constitucionais estabelecidos na Carta de 1988, dentre eles os princípios da prevenção e da precaução, o que descaracterizaria por completo o Direito Ambiental Brasileiro.

E, sem dúvida nenhuma, uma dessas barreiras é a moderna e insustentável sociedade de consumo que, na

visão de Frainçois Ost, citado por Márcia Elayne B. de Morais, transformou a natureza em três etapas: "a primeira, efetivou-a como ambiente, cenário em que o homem se proclama ‘dono e senhor’; em etapa posterior, esta natureza perde sua ‘consistência ontológica’, passando a ser um reservatório de recursos; por fim, uma terceira etapa, ‘em depósito de resíduos’". Para a efetiva aplicação da legislação e dos princípios ambientais é preciso também que as políticas relacionadas à saúde pública e ao meio ambiente caminhem em conjunto e que os órgãos dos três níveis de governo ligados a essas áreas, bem como aos setores de agricultura e trabalho, não atuem isoladamente. Afinal, as conseqüências dos problemas ambientais que afetam a saúde da população não respeitam fronteiras geográficas ou níveis de competência . Quando se fala em questões ambientais e de saúde humana, não basta indenizar o vexame, a dor e as irreparáveis seqüelas causadas pelas doenças surgidas por conta da degradação da natureza. É preciso agir antes, empregando de forma efetiva o princípio da prevenção e, ser for preciso, o da precaução. Afinal preservar e conservar o meio ambiente se traduz na garantia de sobrevivência da própria espécie humana e, nesse sentido, "a natureza não pode se adequar às leis criadas pelo homem, muito pelo

contrário, o direito deve ser formulado em respeito às limitações naturais, submetendo às atividades econômicas às exigências naturais".

Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP]

Ensino Médio Integrado à Educação Profissional

3.7. História do direito ambiental no Ceará

Podemos considerar que duas leis foram de fundamental importância do ponto de vista do controle estadual do meio ambiente - a lei Nº 10.147 de 1/12/77 que dispõe sobre disciplinamento do uso do solo para proteção dos Recursos Hídricos da Região Metropolitana de Fortaleza e a lei Nº 10.148 de 02/11/77, que dispõe sobre a preservação e o controle dos Recursos Hídricos existentes no Ceará. Entretanto, no Ceará, a primeira lei que enfoca, especificamente, a questão ambiental de forma sistêmica é a lei Nº 11.411 de 28/11/87. São atribuições desta lei:

Dispor sobre a Política Estadual do Meio Ambiente.

Criar o Conselho Estadual do Meio Ambiente (COEMA) e a Superintendência Estadual do Meio Ambiente (SEMACE).

A participação das entidades do movimento ecológico foi fundamental no sentido de que o COEMA,

antes órgão com funções apenas consultivas, se tornasse o que é hoje, órgão normativo e deliberativo, coordenador, em comum acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente, da implantação e da execução da política estadual do meio ambiente (CE. Art. 2º, itens 1, 6 e 7).

A competente atuação dos representantes da sociedade civil e do movimento ecológico no COEMA,

articulando as lutas sociais com ação institucional, tem alcançado vitórias significativas. Podemos considerar que a participação da sociedade civil no planejamento e execução da política ambiental do estado é a mais importante conquista democrática do movimento ecológico no plano da legislação ambiental estadual.

A partir da Lei Nº 11.411/87 ocorreu a edição de uma série de leis e decretos na área do direito ambiental

em nosso estado. Deve ser destacada a Lei Nº 11.423, de 08.01.88, que proíbe, no território cearense, o depósito de rejeitos radioativos; a Lei Nº 11.482, de 20.07.88, que proíbe, no âmbito do estado, uso de

sprays que contenham o clorofluorcarbono (CFC); a Lei Nº 11.564, de 26.07.89, que institui a Medalha Chico Mendes e os Decretos Nº 20.067/89 (Regimento Interno do COEMA); Nº 20.252/89 (delimitação das faixas de proteção de 1º e 2º categorias da subbacia B-2 do Rio Cocó); Nº 20.253 (Parque Ecológico do Cocó); e os Nº 21.349/91 e Nº 21.350/91, de preservação da área da Lagoa da Maraponga.

Observa-se que todos essas determinações consagram, em leis e decretos, significativas vitórias do movimento ecológico em nosso estado.

4. MECANISMOS DE FUNCIONAMENTO DO SISNAMA E CONAMA.

SISNAMA - Sistema Nacional do Meio Ambiente

O Ministério do Meio Ambiente tem como uma de suas diretrizes o fortalecimento do SISNAMA. Este

trabalho tem-se pautado nas seguintes frentes:

Apoio aos órgãos ambientais nos municípios.

Descentralização da gestão ambiental.

Aumento do diálogo na área ambiental, para isto foram criadas as comissões tripartites.

Criação de redes e conselhos, órgãos e fundos do meio ambiente em âmbito estaduais, regional e nacional.

Foi criado pela

Lei nº

6.938 de 31 de agosto

de 1981, mas

em

6

de junho de 1990

a

lei foi

Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP]

Ensino Médio Integrado à Educação Profissional

regulamentada pelo Decreto 99.274.

4.1. O SISNAMA tem uma estrutura própria e é formado pelos seguintes órgãos:

Superior: O Conselho do Governo.

Consultivo Deliberativo: O Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA).

Central: O Ministério do Meio Ambiente (MMA).

Executor: O Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA).

Seccionais: Os órgãos ou entidades estaduais, responsáveis pela execução de programas, projetos

e pelo controle e fiscalização de atividades capazes de provocar a degradação ambiental.

Locais: Entidades municipais, responsáveis pelo controle e fiscalização dessas atividades, em suas jurisdições como o funcionamento integrado destes órgãos, do SISNAMA. Os órgãos federais têm

a função de coordenar e emitir normas gerais para a aplicação da legislação ambiental em todo o

País. Dentre outras atividades também são responsáveis, pela troca de informações, a formação da consciência ambiental, a fiscalização e o licenciamento ambiental de atividades cujos impactos afetem dois ou mais estados.

Aos órgãos estaduais cabem as mesmas atribuições, porém no âmbito do estado, a criação de leis e normas complementares baseiam-se nas existentes em nível federal, sempre levando em consideração o

estímulo ao crescimento da consciência ambiental, fiscalização e licenciamento de obras que possam causar impacto em dois ou mais municípios. O mesmo ocorre para os órgãos municipais.

O modelo de gestão definido pela Política Nacional de Meio Ambiente tem como principio o

compartilhamento e a descentralização das responsabilidades pela proteção ambiental.

As funções do SISNAMA estão voltadas para a proteção do meio ambiente e são os seguintes:

Acompanhamento da qualidade e da melhoria ambiental.

Compartilhamento dos governos federal, estadual e municipal garantindo a descentralização.

Implementar a Política Nacional de Meio Ambiente.

4.2. CONAMA - Conselho Nacional do Meio Ambiente

A Lei nº 6.938/81, que dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente instituiu o Conselho Nacional

de Meio Ambiente (CONAMA). Regulamentada pelo Decreto nº 99.274/90.

O

CONAMA é um órgão consultivo e deliberativo do Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA).

O

conselho é um colegiado representativo de cinco setores, a saber:

Plenário: composto pelos órgãos federais, estaduais, municipais, setor empresarial e sociedade civil assim

distribuídos:

1. Ministro de Estado que o presidirá.

2. Secretário Executivo do Ministério do Meio Ambiente, que será o seu Secretário Executivo.

3. Um representante do IBAMA.

4. Um representante da Agência Nacional das Águas (ANA).

5. Um representante de cada um dos Governos Estaduais e do Distrito Federal, indicado pelos respectivos

governadores.

6. Oito representantes dos Governos Municipais que possuam órgão ambiental.

7. Oito representantes dos Governos Municipais que possuam órgão ambiental estruturado e Conselho de

Meio Ambiente com caráter deliberativo, sendo:

Um representante de cada região geográfica do País.

Um representante da Associação Nacional de Municípios e Meio Ambiente (ANAMMA).

Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP]

Ensino Médio Integrado à Educação Profissional

Dois representantes de entidades municipalistasde âmbito nacional.

Vinte e dois representantes de entidades de trabalhadores e da sociedade civil, sendo:

o

Dois representantes de entidades ambientalistas de cada uma das Regiões Geográficas do País.

o

Um representante de entidade ambientalista de âmbito nacional.

o

Três representantes de associações legalmente constituídas para a defesa dos recursos naturais e do combate à poluição, de livre escolha do Presidente da República (uma vaga não possui indicação).

o

Um representante de entidades profissionais, de âmbito nacional, com atuação na área ambiental e de saneamento, indicado pela Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES).

o

Um representante de trabalhadores indicado pelas centrais sindicais e confederações de trabalhadores da área urbana (Central Única dos Trabalhadores - CUT, Força Sindical, Confederação Geral dos Trabalhadores - CGT, Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria - CNTI e Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio - CNTC), escolhido em processo coordenado pela CNTI e CNTC.

o

Um representante de trabalhadores da área rural, indicado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG).

o

Um representante de populações tradicionais, escolhido em processo coordenado pelo Centro Nacional de Desenvolvimento Sustentável das Populações Tradicionais (CNPT /IBAMA).

o

Um representante da comunidade indígena indicado pelo Conselho de Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Brasil (CAPOIB).

o

Um representante da comunidade científica, indicado pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

o

Um representante do Conselho Nacional de Comandantes Gerais das Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares (CNCG).

o

Um representante da Fundação Brasileira para a Conservação da Natureza (FBCN).

o

Oito representantes de entidades empresariais

Um membro honorário indicado pelo Plenário.

8. Integram também o Plenário do CONAMA, na condição de Conselheiros Convidados, sem direito a voto:

Um representante do Ministério Público Federal.

Um representante dos Ministérios Públicos Estaduais, indicado pelo Conselho Nacional dos Procuradores Gerais de Justiça.

Um representante da Comissão de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias da Câmara dos Deputados.

Comitê de Integração das Políticas Ambientais (CIPAM).

Câmaras Técnicas: são instâncias encarregadas de desenvolver, examinar e relatar ao plenário as matérias de sua competência. São 11 câmaras técnicas, previstas pelo regimento interno, compostas por 07 conselheiros, que elegem um Presidente, um Vice Presidente e um Relator.

Grupos de Trabalho: criados por tempo determinado para analisar, estudar e apresentar propostas sobre matérias de sua competência.

Grupos Assessores.

O CONAMA reúne-se ordinariamente a cada três meses no Distrito Federal, podendo realizar Reuniões Extraordinárias fora do Distrito Federal, sempre que convocada pelo seu presidente, por iniciativa própria ou a requerimento de pelo menos 2/3 dos seus membros.

Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP]

Ensino Médio Integrado à Educação Profissional

São competências do CONAMA:

1. Estabelecer, mediante proposta do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais

Renováveis (IBAMA), dos demais órgãos integrantes do SISNAMA e de Conselheiros do CONAMA,

normas e critérios para o licenciamento de atividades efetiva ou potencialmente poluidoras.

2. Determinar, quando julgar necessário, a realização de estudos das alternativas e das possíveis

conseqüências ambientais de projetos públicos ou privados.

3. Decidir, após o parecer do Comitê de Integração de Políticas Ambientais, em última instância

administrativa, em grau de recurso, mediante depósito prévio, sobre as multas e outras penalidades impostas pelo IBAMA.

4. Determinar, mediante representação do IBAMA, a perda ou restrição de benefícios fiscais concedidos

pelo Poder Público, em caráter geral ou condicional, e a perda ou suspensão de participação em linhas de financiamento em estabelecimentos oficiais de crédito.

5. Estabelecer, privativamente, normas e padrões nacionais de controle da poluição causada por veículos

automotores, aeronaves e embarcações, mediante audiência dos Ministérios competentes.

6. Estabelecer normas, critérios e padrões relativos ao controle e à manutenção da qualidade do meio

ambiente, com vistas ao uso racional dos recursos ambientais, principalmente os hídricos.

7. Estabelecer os critérios técnicos para a declaração de áreas críticas, saturadas ou em vias de saturação.

8. Acompanhar a implementação do Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC)

conforme disposto no inciso I do art. 6º da Lei Nº 9.985, de 18 de julho de 2000.

9. Estabelecer sistemática de monitoramento, avaliação e cumprimento das normas ambientais.

10. Incentivar a criação, a estruturação e o fortalecimento institucional dos Conselhos Estaduais e

Municipais de Meio Ambiente e gestão de recursos ambientais e dos Comitês de Bacia Hidrográfica.

11. Avaliar a implementação e a execução da política e normas ambientais do País, estabelecendo

sistemas de indicadores.

12. Recomendar ao órgão ambiental competente a elaboração do Relatório de Qualidade Ambiental,

previsto no inciso X do art. 9º da Lei Nº 6.938, de 1981.

13. Estabelecer sistema de divulgação de seus trabalhos.

14. Promover a integração dos órgãos colegiados de meio ambiente.

15. Elaborar, aprovar e acompanhar a implementação da Agenda Nacional do Meio Ambiente, a ser

proposta aos órgãos e às entidades do SISNAMA, sob a forma de recomendação.

16. Deliberar, sob a forma de resoluções, proposições, recomendações e moções, visando o cumprimento

dos objetivos da Política Nacional de Meio Ambiente.

17. Elaborar o seu regimento interno.

4.3. Os atos do CONAMA consistem de:

Resoluções, quando se tratar de deliberação vinculada a diretrizes e normas técnicas, critérios e padrões relativos à proteção ambiental e ao uso sustentável dos recursos ambientais.

Moções, quando se tratar de manifestação de qualquer natureza relacionada com a temática ambiental.

Recomendações, quando se tratar de manifestação acerca da implementação de políticas, programas públicos e normas com repercussãona área ambiental, inclusive sobre os termos de parceria de que trata a Lei Nº 9.790, de 23 de março de 1999.

Proposições, quando se tratar de matéria ambiental a ser encaminhada ao Conselho de Governo ou às Comissões do Senado Federal e da Câmara dos Deputados.

Decisões, quando se tratar de multas e outras penalidades impostas pelo IBAMA, em última instância administrativa e grau de recurso, ouvido previamente o CIPAM (Comitê de Integração de Políticas Ambientais). As reuniões do CONAMA são públicas e abertas à toda a sociedade.

Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP]

Ensino Médio Integrado à Educação Profissional

4.4. O SINiMA - Sistema Nacional de Informação sobre o Meio Ambiente

Como um dos instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente foi instituído pela lei Nº 6.938/81, o Sistema Nacional de Informação sobre o Meio Ambiente (SINIMA). O SINIMA é um facilitador do acesso a informações ambientais, estejam elas em âmbito federal, estadual, municipal ou em outros países. Tem como objetivo disponibilizar, de forma descentralizada e ao mesmo tempo integrada, todas as informações sobre o meio ambiente no Brasil. Isto é possível devido ao uso de tecnologias de integração pautada em softwares livres (sem custo) a partir da rede mundial de computadores, a internet. A importância do SINIMA consiste em:

Facilitar o acesso e disponibilizar todas as informações sobre meio ambiente produzidas no país.

Ter baixo custo.

Garantir transparência no acesso ás informações.

Facilitar pesquisas.

Contribuir para o desenvolvimento das políticas públicas.

Dá suporte á construção de uma estrutura sólida para o tratamento ambiental do País.

4.4.1. O SINiMA - Sistema Nacional de Informação sobre o Meio Ambiente

O CONDEMA é órgão colegiado, normativo, paritário, consultivo de assessoramento ao Poder Executivo Municipal e deliberativo no âmbito de sua competência, sobre as questões ambientais propostas na Lei Nº 3.291 de 30 de abril de 2010. Sua composição foi proposta de modo estrategicamente paritário, em proporção idêntica, por representantes do Poder Público e da Sociedade Civil para a defesa do meio ambiente. O CONDEMA atua diretamente na gestão ambiental do município, que tem entre outras atribuições acompanhar e propor políticas de defesa do meio ambiente. Seus principais objetivos são:

Definir as prioridades da política ambiental do município.

Acompanhar a implementação da política ambiental municipal participando da elaboração de critérios e normas técnicas para a proteção e conservação do meio ambiente.

Definir critérios para a celebração de convênio ou contratos entre o setor público e as entidades privadas ligadas ao meio ambiente.

Levantar o patrimônio ambiental (natural, ético, e cultural) do município.

Propor normas, critérios e procedimentos visando a proteção do patrimônio ambiental do município.

4.4.2. A história do CONDEMA – SISNAMA e SINIMA

Em 23/12/1985, foi promulgada a Lei Municipal Nº 4.289, criando a Secretaria Municipal do Meio Ambiente e ainda o Conselho Municipal de Conservação e Defesa do Meio Ambiente (CONDEMA), como órgão consultivo, de composição colegiada, ao qual foi atribuído poder deliberativo, através da Lei Municipal Nº 4.421 de 05/06/1986, que estabeleceu, ainda, a sistemática para gestão da política de meio ambiente no Município.

Em 1990, a Lei Orgânica Municipal, em seu artigo 218, retirou o poder deliberativo do CONDEMA mantendo apenas o poder consultivo.

Em 04/12/1991, foi revogada a lei Nº 4421/86 pela Lei Complementar Nº 017/91, que estabeleceu a nova política de meio ambiente no Município e encontra-se vigente.

Em 01/06/2001 com aprovação de Emenda ao artigo Nº 218 da L.O.M., foi extinto o Conselho Municipal de Conservação e Defesa do Meio Ambiente.

Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP]

Ensino Médio Integrado à Educação Profissional

Em 23/07/2001, com promulgação da Lei complementar Nº 263/01, foi institucionalizado o novo CODEMA (Conselho Municipal de Desenvolvimento Ambiental) com caráter deliberativo.

Em 29/08/2002, a Lei complementar Nº 292/2002 deu ao CODEMA competência para apreciar Licenças Ambientais e Alvarás de Funcionamento e alterou a representação de entidades no Conselho, tornando-a paritária, com 11 representantes do Poder Público e 11 da Sociedade Civil.

É importante lembrar que o CONDEMA é o órgão consultivo e deliberativo do SISNAMA no nível municipal, junto com a SMMA, que é o órgão executor.

5. O QUE É O SEMIÁRIDO. CLIMA E VEGETAÇÃO DO SEMIÁRIDO.

Meteorologicamente falando, o semiárido é aquela região aonde o Índice de Aridez (IA) encontra-se nafaixa de 0,21 a 0,50, onde este índice é feito levando-se em conta o volume dechuvas, a evaporação máxima da água e a transpiração das plantas. No semiárido nordestino, este valor é de 0,35. Mas considerar apenas esse índice pode ser insuficiente. Muitos estudiosos levam em conta outros elementos, entre eles: o começo da estação úmida, que é incerto, e a concentração da precipitação, que chega a 95% durante a estação chuvosa e é muito variável de um ano para outro. Outro exemplo ilustrativo para avaliar a oferta de água no semiárido pode ser feito a partir do volume de água gerado pela pior seca que ocorreu na região. No entanto, o problema está na distribuição pluviométrica, cuja concentração em apenas dois a quatro meses no ano, associada aos elevados índices de evaporação tornam ineficientes os sistemas de armazenamento superficial de água como também sua disponibilidade para as plantas via solo. No período úmido, as chuvas apresentam elevada intensidade que associada ao significativo escorrimento superficial contribuem acentuadamente para reduzir o aproveitamento da água caída. Essa situação de baixa efetividade da chuva associadacom a reduzida capacidade de armazenamento de água no solo coincide com os meses mais secos e de temperaturas elevadas. Estas condições determinam a quantidade e o tipo de vegetação que tem condições de viver nesta zona ambiental. O semiárido nordestino é um dos mais úmidos do planeta. Na maioria das zonas áridas de outros países, a precipitação média anual é da ordem de 80 a 250mm. No trópico semiárido da Bahia, por exemplo, a média de precipitação anual é de 750mm. O total de chuvas que cai na região semiárida como um todo, equivale a um volume 20 vezes superior ao da barragem de Sobradinho, que é o maior reservatório de água do Nordeste brasileiro.

6. RECURSOS SEMIÁRIDO.

NATURAIS

E

CARACTERÍSTICAS

EDAFOCLIMÁTICAS

DO

Ao contrário do pensamento generalizado a região semiárida do Brasil não é homogênea quanto a condições ambientais e apresenta elevada diversidade de unidades geoambientais. Nas zonas onde não é possível a irrigação encontram-se áreas de vales e áreas de encosta e topo. Por sua posição topográfica as áreas de vales possuem, em geral, maior disponibilidade hídrica, e, consequentemente, são os locais preferenciais de agricultura. Não obstante limitadas em volume, a flora e a fauna do semiárido são das mais abundantes quanto a sua diversidade, apresentando múltiplas utilidades tanto para o homem quanto para os animais. Devido à intensidade da aridez as condições ambientais são inóspitas para o estabelecimento de espécies sem adaptação. No semiárido os fatores climáticos são mais marcantes que outros fatores ecológicos, na definição da cobertura vegetal. Por isso, a vegetação da zona semiárida é composta por espécies xerófilas,

Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP]

Ensino Médio Integrado à Educação Profissional

lenhosas, deciduais, em geral espinhosas, com ocorrências de plantas suculentas e áfilas, de padrão tanto arbóreo quanto arbustivas. Os recursos hídricos de superfície têm como principais representantes os rios São Francisco, Parnaíba, Paraguaçu e Contas.

A geologia no ambiente semiárido é bastante variável, porém com predomínio de rochas cristalinas,

seguidas de áreas sedimentares e em menor proporção encontram-se áreas de cristalino com uma cobertura pouco espessa de sedimentos arenosos ou areno-argilosos. Em consequência da diversidade de material de origem, de relevo e da intensidade de aridez do clima, verifica-se a ocorrência de diversas classes de solo no semiárido, os quais se apresentam em grandes extensões de solos jovens e também solos evoluídos e profundos. De modo geral, os solos são poucos profundos, apresentam baixa fertilidade natural e pH normalmente ácido, mas podendo tornar-se alcalino nas áreas calcárias. Estão sujeitos a erosão devido à intensidade das chuvas torrenciais, baixa permeabilidade e profundidade efetiva.

7. SEMIÁRIDO CEARENSE.

O Ceará possui 86,8% do seu território composto por semiárido, que segundo odicionário Aurélio,

significa meio sem umidade ou meio seco. Por outro lado,do ponto de vista ecológico, o semiárido é composto principalmente pelo biomaCaatinga que possui uma vegetação que se divide em hipoxerófila e hiperxerófila. Onde a hipoxerófila possui um IA menor e a hiperxerófila maior. Sendo assim, aCaatinga hipoxerófila possui 5 a 7 meses secos, vegetação de porte maior e normalmentemais densa, enquanto, a Caatinga hiperxerófila é a formação que ocupaa maior parte do nosso Estado, ela possui 7 a 8 meses secos,

vegetação de portemenor, isto é, predominantemente arbusto, menos densa, com indivíduos de portebaixo, espinhentos e cujas folhas na época seca caem totalmente. No tocante afauna, a Caatinga hipoxerófila é mais rica que a hiperxerófila. Os solos da Caatingasão rasos e ácidos. Apesar desta descrição que lembra um ambiente inóspito, é impressionantea biodiversidade existente no semiárido, onde muitos seres vivos ainda não foramdevidamente estudados e poderiam ser utilizados como inimigos naturais no equilíbriodas cadeias alimentares ou na fabricação de medicamentos.

A principal causa das mudanças climáticas é o efeito estufa que atualmente émais intenso, no entanto,

quais são as causas do efeito estufa?

O efeito estufa é causado pela emissão dos gases efeito estufa (GEE), tais como:dióxido de carbono

(CO2), óxido nitroso (N2O), metano (CH4), ozônio (O3), clorofluorcarbonoe vapor d’água. Os GEEs são chamados assim, porque simulam o vidro de uma estufa, pois permitemque a luz solar passe

para a superfície da terra, no entanto, impedem que o calor (radiaçãoinfravermelha) seja irradiado de volta para o espaço. Assim, a atmosfera se aquece. Partedo calor da atmosfera é transferido para os oceanos, aumentando a sua temperatura. Àmedida que a atmosfera e os oceanos se aquecem em demasia, a temperatura global daTerra aumenta, provocando o derretimento das geleiras e a elevação das marés.

O

maior vilão é o dióxido de carbono produzido pela combustão de combustíveisfosseis (carvão, petróleo

e

gás natural) e pelo desmatamento das florestas, particularmentenos trópicos. Desde 1850, a

concentração de dióxido de carbono naatmosfera tem aumentado de 270 partes por milhão (ppm) para as

atuais 360 ppm.

O que as mudanças climáticas irão alterar no semiárido? A pergunta é fácil, noentanto, a resposta é um

pouco complexa. De uma maneira genérica podemos responder que as mudanças climáticas irãocausar um desequilíbrio nas cadeias alimentares e consequentemente nas teias alimentares. Regiões secas ficarão cada vez mais secas e regiões úmidas cada vez mais úmidas.Em particular o semiárido aumentará o seu período seco e as chuvas serão mal distribuídas,portanto, teremos enchentes

Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP]

Ensino Médio Integrado à Educação Profissional

alternadas por secas, além de áreas desertificadas,que já é uma realidade atual, nos municípios de Irauçuba (CE) e Jaguaribe (CE). Como causa das mudanças climáticas, para exemplificar, podemos citar o atrasoe a redução na floração

das espécies frutíferas nativas do semiárido, devido àausência de chuvas regulares. Este atraso e redução

da floração provocam um danoem cadeia, pois diminui a formação dos frutos que é o alimento das aves e

consequentementea sua postura, portanto, diminui a população das aves. Se estas avesse alimentarem também de insetos, a redução de sua população irá provocar umaumento na população dos insetos, o que trará um maior ataque na vegetação nativaou agrícola circunvizinha. O predador que se alimenta desta ave também terá asua população reduzida. Se ano a ano o alimento for ficando cada vez mais escasso para as espécies envolvidas nesta cadeia alimentar, irá levá-los a extinção, portanto,teremos uma perda em biodiversidade, a qual se fosse utilizada de forma racionale sustentável traria desenvolvimento e qualidade de vida para a população local. Outro exemplo de desequilíbrio que podemos citar é o aumento na concentraçãode CO2 dos oceanos, tornando-o mais ácido e consequentemente reduzindo apopulação de plânctons, isto é, algas e cianobactérias, que são a base alimentar dospeixes, portanto, isto irá provocar uma redução na população dos peixes, causandoprejuízos tanto na pesca artesanal e de larga escala. Embora nos pareça que o aquecimento global seja a consequência inevitável dasatividades humanas passadas e presentes, esforços nacionais e internacionais devemser feitos para desenvolver estratégias

para a agricultura, para o uso de energia e paraa industrialização, que deverão diminuir e talvez ao final reverter o processo. Portanto, além do reflorestamento das áreas desertificadas, o semiárido necessitade uma educação de consciência ecológica na base, isto é, no ensino fundamentale médio, bem como, uma ampliação das políticas públicas de convivênciacom a seca, objetivando a mitigação da seca e adaptação da população, atravésda utilização de energias limpas, como eólica, solar e de biomassa, construções defogões eco- eficientes e solares, de cisternas para a coleta da água das chuvas, barragenssubterrâneas e barreiros, instalação de dessalinizadores, sistemas de captaçãoin situ e irrigação de salvação.

8. CARACTERÍSTICAS E IMPORTÂNCIA DO BIOMA CAATINGA.

A vegetação nativa é responsável pela manutenção do equilíbrio de todos os ecossistemas, pois influencia

no regime de chuvas, na proteção do solo, na sobrevivência da fauna, na reserva de água e nas variações

climáticas. Além disso, as plantas são matérias-primas para diversos produtos, e fontes de uma infinidade

de alimentos, controlando a poluição atmosférica e servindo para o lazer.

A caatinga representa o principal ecossistema da região Nordeste, distribuído pelo semiárido, que ocupa

cerca de 800 mil Km² e recobre aproximadamente 10% do território brasileiro. Estende-se pelos Estados

do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, o sudoeste do Piauí, partes do

interior da Bahia e do norte de Minas Gerais. Mas embora esteja presente em todas as regiões citadas, a vegetação se apresenta de forma bastante heterogênea o que torna difícil o estabelecimento de um único

esquema de classificação capaz de contemplar satisfatoriamente as inúmeras paisagens existentes na região.

A

vegetação de caatinga é única, e apresenta grande variedade de paisagens, considerável biodiversidade

e

várias espécies endêmicas. É também, o único bioma exclusivamente brasileiro, pois a maior parte do

seu patrimônio biológico não existe em nenhum outro lugar do planeta.

O bioma caatinga vem sendo explorado de forma predatória através de atividades como a caça, as

queimadas e o desmatamento para retirada de lenha, o que tem levado a um quadro de degradação ambiental sério, uma vez que estas ações são realizadas historicamente sem nenhum planejamento efetivo

para o uso sustentável dos recursos disponíveis.

Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP]

Ensino Médio Integrado à Educação Profissional

Para agravar ainda mais a situação, o Bioma Caatinga é o menos protegido dos biomas brasileiros, pois menos de 1% de sua área está protegida em Unidades de Conservação (UC) de uso indireto e é o bioma com o menor número de Unidades de Conservação de proteção integral. O termo “caatinga” é de origem Tupi-Guarani e significa “floresta branca”, ou “mata branca”, pois as plantas características desse ecossistema perdem suas folhas durante a estação seca e exibem apenas os troncos brancos e brilhosos das árvores e arbustos durante o período de estiagem, o que determina uma paisagem acinzentada e clara. Mas em compensação quando caem as primeiras chuvas no início do ano as folhas das plantas reaparecem, flores surgem rapidamente atraindo seus polinizadores e a paisagem se modifica completamente, revelando um espetáculo de cores e aromas peculiar da região Nordeste. Apesar de muitos considerarem a vegetação de caatinga como uma floresta espinhenta nem sempre sua fisionomia lembra o porte de uma floresta e nem todas as suas plantas são providas de espinhos. Na verdade, a caatinga é representada por plantas adaptadas ao clima seco e que possuem dentre suas principais características, folhas compostas, capacidade de armazenar água no caule, desenvolvimento de raízes superficiais que absorvem o máximo de água disponível durante o período chuvoso, dentre outras. Existe uma grande discussão entre os estudiosos com relação ao termo “caatinga”, pois isto tem gerado algumas confusões, uma vez que a região das caatingas inclui áreas tais como a chapada do Araripe, cuja vegetação é o Cerrado, ou ainda outras áreas mais úmidas denominadas “brejos”, em Pernambuco, recobertas por florestas úmidas.

Além disso, o conceito exclui áreas que, apesar de possuírem espécies típicas da vegetação de caatinga, não estão contempladas dentro da região geográfica, como é o caso do vale seco do rio Jequitinhonha em Minas Gerais ou certas regiões da bacia Rio Grande no oeste da Bahia. O quadro 2 apresenta algumas das espécies mais típicas da vegetação das caatingas.

Quadro 2: Algumas espécies de vegetação da caatinga

Nome Científico

Nome Popular

Amburana cearensis Anadenanthera colubrina Aspidospermapyrifolium Caesalpiniapyramidalis Cereus jamacaru Cnidoscolusphyllacanthus Crotonsonderianus Combretumleprosum Bauhiniacheilantha Bromélia plumieri Mimosa tenuiflora Mimosa caesalpinifolia Myracrodruonurundeuva Schinopsis brasiliensis Tabebuia impetiginosa Ziziphusjoazeiro

Imburana de cheiro Angico Pau-pereiro ou Pereiro Caatingueira Mandacaru Faveleira Marmeleiro preto Mofumbo Mororó Croatá Jurema preta Sabiá Aroeira Baraúna Pau d’arco roxo Juazeiro

De modo geral, a caatinga tem sido considerada pobre e de pouca importância biológica, mas levantamentos recentes demonstram que este ecossistema possui um considerável número de espécies endêmicas, ou seja, particulares desta região, bastante importantes como patrimônio biológico. Tanto levantamentos florísticos, quanto estudos voltados ao conhecimento da fauna têm sido realizados e, nesse sentido, novas espécies estão sendo registradas, o que demonstra a existência de poucos dados

Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP]

Ensino Médio Integrado à Educação Profissional

relativos a este ecossistema, que é considerado o menos conhecido dos ecossistemas brasileiros.

A caatinga apresenta um potencial econômico ainda pouco valorizado, que pode ser verificado em vários

aspectos como, por exemplo, a utilização de suas plantas como forrageiras, ou ainda como frutíferas, além de espécies medicinais como aroeira, braúna, pinhão, velame, marmeleiro, angico, sabiá, dentre muitas outras.

8.1. Biodiversidade da caatinga

O termo biodiversidade se refere à variedade de espécies existentes na natureza, que incluem plantas,

animais e micro-organismos, e que fornecem alimentos, remédios e boa parte da matéria-prima industrial

consumida pelo ser humano. A biodiversidade engloba todas as formas de vida, os genes contidos em cada indivíduo, e as inter-relações existentes entre as mesmas em seus respectivos ecossistemas. São

muito comuns informações de que a caatinga é pobre em espécies e pouco alterada em relação aos demais ecossistemas brasileiros, mas diversos estudos revelam que a realidade é bastante diferente.

A caatinga é heterogênea e apresenta paisagens únicas e múltiplas, que são representadas por uma riqueza

de espécies considerável, muitas endêmicas. Na verdade esse bioma é ainda mal conhecido e apesar disso está entre os biomas brasileiros mais degradados.

Só para se ter uma noção dos níveis de endemismo existente, das 41 espécies de lagartos e cobras-de- duas-cabeças, 16 são encontradas somente na caatinga, o que equivale a um índice de quase 40% de

endemismo; já para anfíbios e répteis, o índice é de 15%. Entre as aves, o índice de endemismo é menor. Das 348 espécies registradas, apenas 15 são endêmicas, mas em compensação, a caatinga abriga 2 espécies que correm risco de extinção, das quais uma é a ararinha-azul, uma das aves mais ameaçadas do mundo.

A caatinga é bastante desvalorizada devido a ideia de que possui baixa diversidade, e apesar de estar

bastante modificada contém uma vegetação com elevado número de espécies, além de remanescentes de mata preservada, que incluem valiosas informações taxonômicas e ecológicas. Plantas da família das leguminosas, por exemplo, apresentam a maior diversidade de espécies dentre as demais famílias encontradas na caatinga, e também um grande número de endemismos, assim como as cactáceas. Segundo levantamentos realizados por pesquisadores existem 318 espécies vegetais endêmicas na caatinga.

Com relação ao conhecimento sobre a diversidade animal da caatinga, as informações existentes mostram

a necessidade de maiores estudos. As características da caatinga e a singularidade de seus ambientes permitem supor que os invertebrados desse bioma são inúmeros e que podem existir diversas espécies endêmicas, mas os dados sobre esses animais são insuficientes na literatura existente.

A mesma situação se repete com relação aos peixes de água doce existentes no Nordeste brasileiro, que

somente terão sua diversidade melhor conhecida através da realização de programas que busquem a amostragem nas diversas bacias nordestinas, além de revisões sistemáticas do material zoológico existente.

Com relação aos répteis e aos anfíbios, muito embora o conhecimento possa hoje ser considerado adequado, ainda faltam dados mais representativos. Para as aves existem descrições de inúmeras espécies, o que significa uma elevada biodiversidade, mas com relação aos mamíferos, os levantamentos realizados até o momento têm revelado um baixo número de endemismos.

A caatinga apresenta grande riqueza de espécies animais, dentre as quais várias ameaçadas de extinção,

como, por exemplo, o pintassilgo, a onça-pintada, o tamanduá-bandeira, o tatu-bola, dentre outras. A

existência de espécies endêmicas em um ecossistema é um importante critério para determinar áreas com potencial para conservação e deve ser uma preocupação nos estudos de floras regionais.

A extinção de espécies nativas representa grande risco para futuras inovações no setor de biotecnologia,

pois limita a utilização de material genético nativo resistente ou de maior produtividade. Desta forma, o

Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP]

Ensino Médio Integrado à Educação Profissional

investimento em pesquisa sobre a biodiversidade da caatinga é fundamental, tanto para o estudo e a identificação de espécimes já existentes nos herbários, coleções e museus do Nordeste, como para a catalogação de novas espécies endêmicas.

A necessidade de conservação da biodiversidade tem conseguido amparo da sociedade e ganha mais força

à medida que as áreas onde essas espécies ocorrem vêm sendo alteradas e que a ciência descobre novos

usos para plantas e animais até então desconhecidos. O banco de espécies da caatinga representa uma riqueza natural de valor incomensurável que, se bem administrada pode gerar ganhos significativos à região Nordeste. Ao longo do fascículo podemos constatar que o semiárido nordestino possui riquezas naturais que oferecem potencialidades de uso sustentável, no entanto, até os dias atuais pouco tem sido realizado nessa perspectiva.

O

grande desafio das políticas públicas é conceber um modelo de desenvolvimento para que na região não

se

acelere a já avançada degradação que vem passando ao longo dos últimos séculos.

8.2. Potencial turístico

Muito embora o semiárido brasileiro seja comumente associado a uma condição de escassez, muitas são

as oportunidades para o desenvolvimento de atividades sustentáveis, dentre elas o turismo ecológico, que pode ter grande importância para a economia quando estruturado e planejado de maneira adequada. A caatinga apresenta elevado potencial para o ecoturismo pois é um bioma rico em paisagens únicas e possui diversos parques com estrutura para que os visitantes tenham contato com uma paisagem inigualável. A prática do turismo ecológico está voltada à apreciação de ecossistemas e visa, dentre outros

aspectos, contribuir para a preservação dos mesmos e para o desenvolvimento sustentável das populações locais. Nesse sentido, busca o contato direto do visitante com o ambiente nas dimensões ecológica, econômica, social, histórica e cultural, de modo a promover o conhecimento sobre as características do local visitado.

O ecoturismo surgiu no final da década de 1980 e atualmente se apresenta como uma alternativa aos

países em desenvolvimento, pois garante a geração de renda pela exploração sustentável de paisagens naturais, através do desenvolvimento da consciência e da educação do público alvo. O ecoturismo é uma atividade complexa que, apesar de potencialmente promover a conservação dos ambientes naturais, pode também, estimular sua degradação, nesse sentido, é fundamental a existência de ações planejadas para o aproveitamento da caatinga e do seu potencial para esse tipo de turismo.

O

bioma caatinga representa uma paisagem bastante heterogênea com enorme potencial turístico devido

às

suas características traduzidas em particularidades ecológicas que determinam paisagens intrigantes,

únicas no mundo. No entanto, falta investimentos em infraestrutura e na capacitação de pessoal para receber o turista de maneira confortável.

8.3. 10 Princípios do Turismo Sustentável

1. Planejar estrategicamente as atividades.

2. Respeitar a diversidade local - natural e cultural.

3. Apoiar as economias locais.

4. Capacitar a equipe de trabalho.

5. Envolver as comunidades locais.

6. Identificar o público alvo.

7. Buscar investidores.

8. Realizar programas de Educação Ambiental.

Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP]

Ensino Médio Integrado à Educação Profissional

9. Fazer campanhas de divulgação.

10. Realizar o monitoramento das atividades através da coleta sistemática de dados.

Fonte: http://trilhascaatinga.blogspot.com/

Uma das formas de praticar o ecoturismo é a utilização de trilhas interpretativas, que na caatinga podem oferecer ao turista uma vivência do ambiente no seu sentido mais amplo, através de experiências que permitem a compreensão de aspectos relacionados à fauna, à flora, assim como suas relações com os elementos abióticos e aspectos culturais peculiares do ambiente semiárido.

Outra alternativa para a caatinga é o turismo rural, no qual os pequenos produtores recebem em suas

fazendas, grupos de visitantes, que tem a oportunidade de conhecer a rotina local e as particularidades da região. Visando o aproveitamento desse potencial, o Brasil vem trabalhando para criar mecanismos de incentivo ao ecoturismo no país como uma alternativa viável ao desenvolvimento de localidades com potencial natural e cultural. Mas infelizmente essas iniciativas ainda são não são uma realidade no Nordeste, pois o que se observa é a prática de um turismo sem qualquer preocupação com a sustentabilidade dos ecossistemas explorados.

O ecoturismo se enquadra nas estratégias de desenvolvimento econômico alternativo, bastando para isso,

uma melhor compreensão do seu real potencial na geração de renda para as regiões envolvidas. Para que isso seja uma realidade são necessários programas que visem a exploração dessa atividade para o fortalecimento das economias locais, a qualificação de mão de obra, geração crescente de trabalho, emprego e renda e o incentivo aos empreendimentos turísticos.

9. TÉCNICAS DE PRESERVAÇÃO AMBIENTAL.

Tecnologias: preservação, recuperação e aumento da produtividade do solo

Combate à Desertificação: Práticas Conservacionistas

A desertificação pode ser entendida como a degradação do solo, da flora, da fauna, dos recursos hídricos e

a consequente redução da qualidade de vida da população que ocorre no semiárido por ação do ser

humano.

As práticas conservacionistas constituem alternativas para um manejo adequado do solo, principalmente no controle e prevenção à erosão, melhoramento físico, químico e biológico do solo. O solo é um recurso não renovável em curto prazo e disponível somente em quantidades limitadas. O objetivo dessas práticas

é manter o solo em boas condições, de forma a possibilitar uma produção agrícola duradoura e

econômica e uma redução na sobrecarga do meio ambiente. Serão abordadas neste item algumas práticas conservacionistas de combate à desertificação.

Queimada Controlada

A produção da agricultura familiar no semiárido exige, em muitas propriedades, a remoção da vegetação

nativa, o que significa derrubar e queimar. A queimada é uma prática barata para limpeza das pastagens nativas e, portanto, muito utilizada. A queimada visa reduzir custos para desmatamento de novas áreas para plantio. No entanto, vale ressaltar que queimada não significa incêndio. Ela é um dos principais agentes que contribuem para a desertificação e uma das práticas mais obsoletas utilizada pelo sertanejo do semiárido para preparar o solo para o plantio. Em curto prazo, a queimada parece ser uma prática econômica, mas é danosa ao longo dos anos. O calor

Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP]

Ensino Médio Integrado à Educação Profissional

do fogo empobrece e elimina os microorganismos que dão vida e força ao solo. A terra fica sem nutrientes essenciais à produtividade das plantas. Com o solo estéril, o agricultor desmata nova área e adota a mesma prática, em um círculo vicioso. Uma alternativa menos danosa ao solo é a queimada controlada. Por meio dessa técnica, o fogo orientado é utilizado como ferramenta para consumir a macega ou o excesso de material combustível. Ao longo das cercas, é recomendável que se limpe uma faixa de, pelo menos, 2 metros de largura, em ambos os lados, para proteger o arame, evitar a queima de estacas e balancins e reduzir ao mínimo a chance de perder o controle do fogo. Os aceiros são faixas onde a vegetação foi completamente removida da superfície do solo, geralmente localizada ao longo de cercas ou divisas, cujo objetivo é prevenir e impedir a passagem do fogo e a ocorrência de incêndios indesejáveis. Os aceiros devem ser feitos no início do período seco. Para executar uma queimada controlada deve-se procurar o IBAMA.

9.1. Manejo sustentável da caatinga

É um conjunto de técnicas que visa à constante preservação e renovação dos recursos naturais com o

objetivo de preservar o uso sustentável da produção na caatinga. Neste manejo, as formações arbustivas serão aproveitadas de forma gradativa e cada área trabalhada será novamente utilizada após 8 anos. Esse

tempo permitirá a recuperação vegetal e assegurará a manutenção da biodiversidade e das fontes de água. Trata-se de novo modelo de desenvolvimento, exemplo para mudar a ocupação do solo e viabilizar uma reforma agrária sustentável.

No manejo sustentável permanecerá de pé a média de 30 árvores por hectare, pois as espécies manejadas na caatinga rebrotam normalmente por meio do toco (cepa), sementes e raízes e, em menos de dois anos, atingem mais de dois metros de altura. O crescimento natural da vegetação absorve gases do efeito estufa, fazendo com que a iniciativa tenha balanço quase nulo de emissões, o que auxilia o Brasil a cumprir as metas propostas na Conferência de Copenhague (COP 15) e geram créditos de carbono, que poderão ser negociados no mercado global. Além das vantagens ambientais, o uso sustentável é fundamental para regiões que demandam muita biomassa na matriz energética. A lenha e carvão vegetal são a segunda fonte de energia do Nordeste. Mais informações: “Manejo Sustentável da Caatinga para Produção de Biomassa Vegetal”. Prodema / UFC, Fortaleza - CE.

9.2. Plantio Direto

É a tecnologia que consiste em plantar as lavouras sem fazer o revolvimento ou preparo do solo e com a

presença de cobertura morta ou palha. O essencial é ter palha ou cobertura no momento do plantio. Á

palha contribui para diminuir a erosão do solo, aumenta a infiltração de água no solo e controla as plantas invasoras. Somente é aberto um pequeno sulco, de profundidade e largura suficiente para garantir uma boa cobertura

e contato da semente com o solo. O sistema prepara no máximo 25 a 30% da superfície do solo. O

extermínio de ervas daninhas, antes e depois do plantio, é geralmente feito manualmente. O plantio direto leva o produtor a proteger sua área para que não ocorra a queimada.

9.3. Cobertura Morta

Esta pratica consiste na aplicação de uma camada de restos vegetais secos na superfície do solo. Podem

Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP]

Ensino Médio Integrado à Educação Profissional

ser folhas, caules, raízes, cascas de frutas, serragem de madeira ou qualquer outro material orgânico.

Estes restos vegetais devem ter uma distribuição uniforme e cuja espessura poderá ser até 3 a 4 cm. Se for bem aplicada, para além da sua função de proteção, também fornece nutrientes ao solo à medida que se vai decompondo. Ajuda a reduzir a erosão e o crescimento de ervas daninhas, retém a água e contribui para manter a umidade. Todavia, uma camada muito espessa pode servir de abrigo para roedores. É imprescindível ter a certeza de que os materiais destinados a este tipo de proteção não contêm sementes, pois elas podem germinar depois da aplicação. A proteção que for aplicada sobre uma camada de sementes deve ser retirada quando as plantas jovens começarem a crescer. Depois de retirada, é preciso proteger as plantas jovens do sol demasiadamente forte. Para isso, basta fazer um pequeno abrigo de palha

ou de qualquer outro material adequado, e colocá-lo sobre o canteiro.

9.4. Adubação Verde

Consiste na incorporação de plantas não maduras, especialmente cultivadas, para melhorar a

produtividade do solo, podendo ser enterradas ou espalhadas na superfície. Quando a adubação verde é implantada para cobrir o solo e protegê-lo da erosão, também é chamada de cobertura verde.

O solo deve ser mantido o maior tempo possível coberto com plantas em crescimento ou com seus

resíduos para evitar a ação direta das chuvas e enxurradas, prevenindo a erosão. A adubação verde dá uma proteção ao solo do impacto das gotas da chuva, evitando a segregação e transporte pela erosão, alem de aumentar a infiltração da água das chuvas no solo, através do sistema radicular das espécies vegetais. Contribui também para reduzir a velocidade de escoamento da chuva e aumentar a capacidade de retenção

de água no solo.

A adubação verde é fonte de matéria orgânica, tanto pela parte aérea quanto pelas raízes, que atuam

soltando as camadas compactadas, realizando o preparo biológico do solo, alem de evitar a lavagem de nutrientes para camadas mais profundas, reduzindo, dessa forma, os custos com a adubação química. Diminui também a temperatura do solo, mantendo-a estável e favorecendo a vida de diversos microorganismos. O efeito residual da adubação verde aumenta o rendimento das culturas posteriores, pois melhora a fertilidade e a capacidade produtiva do solo e evita o crescimento de plantas daninhas. As plantas utilizadas para adubação verde devem ser resistentes às condições climáticas adversas, apresentando consistência de produção, resistência às pragas e doenças e não exigir controle fito sanitário específico. Também não devem ser hospedeiras de doenças e pragas que prejudiquem a cultura comercial, devem apresentar crescimento inicial rápido para abafar as ervas daninhas e o ciclo vegetativo compatível com as principais culturas. Devem ainda produzir grande quantidade de massa verde, com alto teor de nitrogênio. Preferencialmente,

devem ser plantas leguminosas, ou seja, fixadoras de nitrogênio no solo. Essas plantas para adubação verde devem apresentar fácil e abundante produção de sementes, para que não haja dependência da produção por terceiros, não devem ser trepadeiras agressivas ou invasoras de difícil controle. e também não devem ser concorrentes de culturas produtoras de alimentos ou outra utilização comercial, mas devem ser plantadas em áreas que de outra forma ficariam em pousio. O principal objetivo da adubação verde não é a eliminação do adubo mineral, mas sim, a sua substituição parcial. A adubação verde é um excelente complemento visando rendimentos superiores àqueles que podem ser obtidos mediante o uso exclusivo da adubação química.

9.5. Reflorestamento

Esta técnica conservacionista deve ser usada principalmente em solos com elevado grau de exaustão ou degradação, visando iniciar a sua regeneração. Antes de estabelecer o reflorestamento, deve ser feito um estudo minucioso de onde, como e quando reflorestar.

Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP]

Ensino Médio Integrado à Educação Profissional

Segundo recomendações técnicas, as terras com 0 a 20% de inclinação devem ser exploradas com culturas anuais; as de 20 a 40%, com pastagens; e as com inclinação superior a 40%, devem ser ocupadas com florestas. As árvores podem ser plantadas nos próprios mantos naturais para que se adaptem ao local. Nas terras onde não é possível criar nem plantar, o reflorestamento pode ser feito com diversas espécies. Nas

restingas e margens de riachos, vertentes e açudes, é importante formar uma faixa de 10 a 20 metros de cada lado para proteger os cursos d’água.

O reflorestamento também é recomendado para as áreas de pecuária, por servirem de abrigo aos animais.

Nas culturas anuais, recomenda-se o uso de arvores como quebra ventos, que além de reduzir os danos causados por temporais, ajudam a aumentar o rendimento das lavouras. As espécies mais indicadas para reflorestamento no semiárido são: algaroba (Prosopisjuliflora), leucena (Leucaenaleucocephala), mororó (Bauhiniafortificati), sabiá (Mimosa caesalpiaefolia), juazeiro (Zizyphusjoazeiro), Neem (Azadirachta indica) e Cajueiro (Anacardiumoccidentale).

9.6. Sistema de produção mandala

A palavra mandala em hindu significa fertilidade. A tecnologia da mandala é utilizada na Índia e no

Paquistão como estrutura de produção familiar. Os astecas já cultivavam em círculos, sob regime lunar e solar. No Estado da Paraíba vem sendo desenvolvido o Projeto Mandala que é um sistema integrado de produção permanente, construído em uma área de 2.500 m², compatível com a área agricultável das famílias parceiras.

A base da mandala é um tanque central, com cerca de 35 mil litros de capacidade, medindo 6m de

diâmetro com 1,75 m de profundidade, cujas paredes inclinadas de superfície impermeável formam uma concha. A coleta d’água se dá por fonte natural nas proximidades ou é transportada de local adequado. Em torno da Mandala, são formados círculos concêntricos, onde são plantadas diversas culturas:

hortaliças, plantas medicinais, bananeiras, macaxeira, batata doce. Ela é projetada para que o agricultor consiga alcançar o outro lado sem a necessidade de pisar no que está plantado.

O diâmetro do canteiro é proporcional ao alcance do braço e deve ser confortável para o usuário.

As principais vantagens de canteiros circulares são:

O círculo oferece a maior área interna útil em relação ao menor perímetro.

O círculo é uma forma mais adaptável aos efeitos das forças naturais, além de ser mais estético.

Círculos permitem a combinação entre si para formar um arranjo com o mínimo de espaço não produtivo e distâncias menores para caminhar.

Devido o formato circular do Sistema Mandala consegue-se plantar mais mudas do que no o plantio

retilíneo convencional. Uma horta convencional necessita de grandes extensões de áreas para a produção desejada, pois os canteiros são retos, compridos e sem nenhuma diversidade. A maior vantagem do Sistema Mandala em relação aos canteiros convencionais é a economia de água, pois a irrigação circular reduz o desperdício de água que ocorre nos canteiros retangulares. No sistema da Mandala, a água do tanque é bombeada manualmente por meio de bomba de rosário armada sobre o tanque. Uma estrutura de vigas rústicas suporta a caixa e o volante de acionamento da bomba que pode ser substituída por um pequeno motor elétrico.

A altura de 2,5 m do reservatório elevado fornece a pressão necessária para a irrigação por gotejo em toda

a área de cultivo, sendo a água distribuída aos diversos ciclos de cultura por mangueira perfurada e

deslocada em sentido radial, o que garante a cada giro uma cota de rega em todas as plantas cultivadas.

A implantação da Mandala exige um processo de aprendizagem para a montagem e manuseio adequados

do sistema de irrigação. Um ponto básico da Mandala é o seu reservatório d’água. Ao seu redor as culturas são associadas à criação de peixes, patos e/ou marrecos, num sistema de cadeia alimentar onde

Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP]

Ensino Médio Integrado à Educação Profissional

todos os resíduos são aproveitados. Restos agrícolas alimentam as aves aquáticas, enquanto os dejetos dos animais alimentam os peixes, responsáveis pela oxigenação da água do reservatório, objetivando preservar a qualidade da água a ser utilizada na produção agrícola e animal. Em resumo, o Sistema de Produção Mandala funciona assim: no centro, fica o tanque reservatório de água. A água pode vir de rios, açudes, poços, e até de carro-pipa. No primeiro círculo, as criações. Nos círculos restantes, horta, pomar e cultivo de grãos. Além de irrigar os canteiros, o tanque serve para a criação de peixes e aves aquáticas. As fezes das aves aquáticas, geralmente patos e marrecos, alimentam

os peixes, em uma interação permacultural.

Hoje já existem Sistemas de Produção Mandalas em quase todos os estados do Nordeste, em Mato Grosso

e em Minas Gerais. O mais antigo está na Paraíba, no assentamento Santa Helena, município de Santa Rita.

9.7.

Serrapilheira

A serrapilheira ou serapilheira é o resultado da ação da natureza no processo da preservação ambiental. As

folhas, ramos, frutos que caem das plantas vão formar a camada superficial do solo com diversas funções, entre as quais, a proteção do solo, reposição dos nutrientes para as plantas, reposição das plantas, a

conservação da umidade do solo, dentre outras.

Este material protege o solo contra as elevadas temperaturas, armazena grande quantidade de sementes e abriga uma abundante diversidade de microrganismos que atuam diretamente nos processos de decomposição e incorporação do material fornecendo nutrientes ao solo. A caatinga, característica da região nordeste do território brasileiro, possui baixa biodiversidade decorrente do clima semiárido muito severo com elevado período de seca.

A serrapilheira como prática agrícola no semiárido nordestino consiste na retirada deste material da mata

nativa e a incorporação do mesmo em solos degradados pelo manejo inadequado com a finalidade de

recuperá-los. Ela serve como um adubo natural que renova a fertilidade do solo e o ciclo de vida da fauna

e da flora do bioma caatinga.

A principal vantagem da transferência de serrapilheira é o baixo custo em relação a outras formas de

recuperação de solos degradados por manejo inadequado.

Tecnologias: melhoria da qualidade de vida do sertanejo

Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP]

Ensino Médio Integrado à Educação Profissional

[EEEP] Ensino Médio Integrado à Educação Profissional Purificação de Água com Garrafas PET Tecnologia que

Purificação de Água com Garrafas PET

Tecnologia que possibilita a desinfecção de água para consumo humano usando a radiação solar e garrafas pet transparentes. A água armazenada em cisternas e potes, mesmo quando é da chuva, não está livre de contaminação. Toda água precisa ser tratada.

O método, comprovado cientificamente, foi desenvolvido na Suíça e já chegou ao Ceará. Pesquisadores

da Universidade Federal do Ceará, em parceria com ONGs, explicam como os raios solares são capazes de desinfetar a água. Não é um tratamento físico e químico e sim apenas microbiológico, eliminando bactérias, vírus e microorganismos que fazem mal a nossa saúde. Este método de tratamento não podia ser mais simples. Garrafas pet transparentes são cheias com água e colocadas ao sol por um mínimo de cinco horas. A exposição da água à radiação solar infravermelha e ultravioleta eleva a sua temperatura a mais de 50º C e é capaz de inativar os microorganismos nela presentes.

Depois de resfriada, a água está apropriada para o consumo até 24 h, pois depois deste período há possibilidade de reativação desses vírus e bactérias. Para inativá-los completamente o ideal seria alcançar

os

70 ºC, mas dificilmente se consegue essa temperatura na garrafa pet. A radiação solar não mata todas

as

bactérias, porém torna inativas as bactérias que causam diarréia, cólera e tifo.

Outro segredo da técnica é separar a água em pequenas quantidades, no máximo três litros por garrafa. Os testes em laboratório mostram que, quando a manipulação é feita corretamente, o número de bactérias na água cai para zero.

O sistema pode ser usado mesmo quando a água contém mais microorganismos que normalmente. Se a

temperatura chega a mais de 50 ºC durante uma hora muitos outros parasitas como vermes e amebas também são mortos. Por isto é bom colocar as garrafas numa superfície preta. O método não é tão eficiente quanto ferver ou clorar que mata todas as bactérias. Só deverá ser usado quando os métodos melhores não são possíveis. Mas se a água usada está clara e os passos corretos são seguidos é possível obter água segura para beber.

Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP]

Ensino Médio Integrado à Educação Profissional

O custo do processo é praticamente nulo e ainda apresenta um ganho ecológico, uma vez que se pode

aproveitar as pets, um material que seria descartado e demora a se degradar na natureza.

9.8. Clorador para Poço ou Cacimba

Tecnologia simples e de baixo custo que proporciona a desinfecção da água em um poço raso ou cacimba. Este sistema visa principalmente a prevenção contra infecção que pode ser provocada por coliformes fecais. O poço ou cacimba deve ficar afastado da fossa seca em pelo menos de 15 a 30 m.

O processo de construção consiste no seguinte: em uma garrafa plástica de 1 litro (pode ser usada uma de

água sanitária), faça 2 furos com 0,6 cm de diâmetro, um de cada lado a cerca de 10 cm abaixo do

gargalo. Preencha a garrafa com uma mistura de 340g de hipoclorito de cálcio e 850 g de areia lavada de rio e tape-a em seguida. Amarre um fio de nylon na tampa e coloque a garrafa no poço, um pouco abaixo

da superfície. A garrafa deve ser trocada por outra igual a cada 30 dias.

9.8.1. Bomba Manual com Corda

Tecnologia simples, de fácil construção e baixo custo, usada para bombear água de tanques, poços e cacimbas. O funcionamento dessa bomba é bem simples. O usuário deverá girar a manivela em um único sentido para puxar a água do fundo do poço. Esse movimento fará circular uma corda com alguns pistões (roldanas - passantes) presos em nós, que servirão para sugar e empurrar a água (em gomos) do fundo do poço pelo interior de um tubo até a superfície.

fundo do poço pelo interior de um tubo até a superfície. A figura 4 ilustra o

A figura 4 ilustra o funcionamento desta bomba manual.

Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP]

Ensino Médio Integrado à Educação Profissional

No fundo do poço é colocado um pequeno mecanismo que servirá para fazer a volta e o retorno da corda. Na subida da corda pelo tubo, os pistões presos nos nós da corda arrastarão a água empurrando-a para cima e sugando a água abaixo do pistão. Assim teremos vários gomos de água subindo pelo tubo. Esses gomos serão os espaços entre um pistão e outro. Uma pequena perda pode acontecer pelas laterais dos pistões, mas com o movimento contínuo da manivela essa perda não será percebida.

Quando a água que está sendo empurrada para cima chegar ao tê, encontrará uma saída oferecida por esse

tê que servirá de “ladrão”. Desse “ladrão” a água vai escoar por um tubo até o joelho de 90° que será a

torneira de saída da bomba. Essa bomba é construída com uma corda, tubos de PVC, passantes de plástico e uma roda de bicicleta fixada em um suporte e acoplada a uma manivela. São materiais de fácil aquisição que podem ser encontrados em lojas de materiais para construção. A roda de bicicleta e o suporte da roda podem ser encontrados em ferro velho ou em oficina de bicicletas.

9.8.2. Fogão a Lenha Ecológico

Tecnologia simples, de fácil construção e baixo custo, usada para a cocção de alimentos especialmente em domicílios rurais. Este fogão ecológico substitui com vantagens o modelo tradicionalmente usado na área rural, pois consome muito menos lenha, contribuindo dessa forma para a redução do desmatamento, e evita doenças respiratórias para as famílias usuárias.

O fogão a lenha tradicional é prejudicial ao meio ambiente e aos próprios usuários, pois além do corte de

madeira combustível contribuir para a desertificação, a queima da lenha provoca e danos à saúde e à camada de ozônio. A fumaça, geralmente concentrada em um ambiente (cozinha), chega a ser 100 vezes superior ao nível permitido pela Organização mundial de Saúde (OMS). Essa fumaça está relacionada a várias doenças, como asma, infecções respiratórias, pneumonia e até mesmo câncer. Os mais afetados são mulheres e crianças, que estão em casa, mais expostos, na cozinha em contato com o fogo. Apesar dos ganhos claros na área de saúde, o modelo de fogão que está sendo proposto é chamado de "ecológico" pelos benefícios esperados na preservação da caatinga. É estimada uma redução de pelo menos 40% no uso de lenha nas comunidades beneficiadas. Esta economia será fundamental para a preservação da caatinga. No Ceará, apenas 16% desse bioma ainda esta preservado, que conta com uma grande biodiversidade: são 932 espécies de vegetais, sendo 320 exclusivas, e uma fauna que somente de mamíferos abrange 148 espécies. Reduzir o consumo de lenha, preservando a vegetação natural, tem como principal vantagem evitar o processo de desertificação, que vem se expandindo no nordeste brasileiro. Na prática, evita-se a erosão, preserva-se a fertilidade do solo, o clima e a umidade da terra.

Este fogão é composto de câmara fechada para queima da lenha, chapa aquecedora e bocas para cozimento, chaminé para exaustão da fumaça e caixa para recolhimento das cinzas.

O grande segredo de um fogão ecológico é queimar a lenha de maneira mais eficiente, ou seja, usando

menos lenha para atingir a mesma temperatura. A lenha não queima ao ar livre, pois fica em uma câmara

fechada e, deste modo, queima bem melhor. O calor esquenta as três bocas e a chapa e toda a fumaça é

expelida pela chaminé. As cinzas caem em uma caixa, e podem ser retiradas facilmente. Tudo fica fechado, para que não saia fumaça nem calor. Os tijolos também são especiais: do tipo refratário, não quebram.

A construção deste fogão pode ser facilitada com a orientação de técnicos do IDER - Instituto de

Desenvolvimento Sustentável e Energias Renováveis. As peças de ferro podem ser encomendadas a uma oficina e o próprio morador pode assentar os tijolos e montar a chapa e a chaminé. Esses serviços duram, em média, três horas, e são fáceis de executar. Todo material custa cerca de R$ 180. O Banco Mundial financiou o projeto piloto para cem famílias do Ceará.

Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP]

Ensino Médio Integrado à Educação Profissional

9.8.3. Secador Solar Doméstico

Dispositivo simples e de baixo custo que possibilita a secagem de alimentos (eliminação de água por

evaporação) de modo a conservar o produto por longos períodos. Além disso, possibilita o aproveitamento

da

produção e a comercialização na entressafra, facilita a estocagem e o transporte e promove a utilização

da

mão-de-obra familiar.

A

secagem solar é um dos métodos mais antigos de conservação de alimentos e surgiu quando os povos

primitivos observaram que as sementes das plantas, com que se alimentavam se conservavam por mais tempo depois de expostas ao Sol.

A secagem permite:

Estabilizar a atividade microbiológica e reduzir as reações químicas e enzimáticas devido à diminuição da atividade da água.

Dispor do produto durante todo o ano.

Reduzir o peso dos produtos e conseqüentemente os custos de transporte e de armazenamento.

Este secador solar direto é composto por uma só peça que desempenha simultaneamente a função de coletor solar e de câmara de secagem onde a radiação solar incide diretamente sobre o produto colocado no secador. O ar é aquecido por efeito de estufa, a circulação do ar é feita por convecção natural, a secagem é rápida e os custos são baixos. Os produtos são protegidos das poeiras e insetos, no entanto, verifica-se uma perda de qualidade dos produtos por exposição direta aos raios solares. Diversos tipos de material podem ser utilizados, dando-se preferência aos recicláveis e que não tragam prejuízos à saúde. Sua criatividade vai indicar os que além de serem alternativos e não prejudiciais, ainda tornam a construção mais fácil e diminuem o custo.

9.9. O Ceará e as tecnologias ambientais sustentáveis

O Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC), política dos governos federal e estadual e fruto de

mobilização social, atua nos nove estados nordestinos e norte de Minas Gerais. Este Programa, que conta com o apoio das prefeituras municipais e das associações comunitárias de trabalhadores rurais, visa melhorar o acesso à água potável para a população rural de baixa renda, fortalece a convivência sustentável com o semiárido e garante segurança hídrica no campo. Até o dia 31 de agosto de 2010, um total de 294.949 cisternas haviam sido construídas no semiárido brasileiro pelo P1MC, iniciado em 2000. Considerando uma média de cinco pessoas por família, isso significa dar acesso à água em domicílio para 1.474.745 pessoas. No Ceará, 37.786 cisternas de placa foram construídas até a mesma data, o que resulta em uma capacidade de armazenamento da ordem de 604.576 m³, beneficiando cerca 189 mil cearenses. Até o final de 2.011, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), em parceria como o Governo do Estado, pretende instalar 100 mil cisternas de placa no Estado.

O Governo do Estado do Ceará, em parceria com o Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Energias

Renováveis (IDER) vem desenvolvendo um programa que visa implantar mais de 4 mil unidades de um

fogão à lenha ecoeficiente. Este fogão queima até 60% a menos de lenha que o modelo tradicional, e esta grande economia e reduz drasticamente o impacto sobre o meio ambiente. Atualmente, o IDER atua nos municípios de General Sampaio, Senador Pompeu, Tamboril, Reriutaba, Meruoca, Mauriti, Umari, Lavras

da Mangabeira e Salitre. Há expectativas para a ampliação do número de famílias beneficiadas dentro e

fora do Ceará. No Projeto Mandala, há um bom exemplo nos Inhamuns, uma das regiões mais secas do Ceará. Em Algodão, cerca de 24 km de Quiterianópolis, a comunidade mantém um plantio em mandala. Essa

Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP]

Ensino Médio Integrado à Educação Profissional

tecnologia permite ressaltar o contraste entre a horta, sortida e verde, e a secura da roça perdida de milho, ao lado. Esta mandala atende a 16 famílias e a sua horta dá alecrim, alface, cheiro verde, pimentão, mamão, banana e até eucalipto. A água para a lagoa de tilápia e irrigação vem por uma adutora. As famílias vendem os produtos nas feiras de Parambu, Tauá, Quiterianópolis e Pimenteiras (PI), além de fornecerem gêneros para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).

10. NOÇÕES DE BIOENGENHARIA. DEGRADAÇÃO DE SOLOS.

10.1. Introdução

Uma série de tópicos pode ser abordada, no sentido de que seja compreendido o papel das Geociências na Recuperação de Áreas Degradadas. Dessa forma, esse curso levará em conta conhecimentos relacionados à Geomorfologia, Pedologia, Hidrologia e Geologia, de forma temática, mas também de forma integrada, porque entendemos que é a partir desses conhecimentos, que podemos atuar na recuperação de áreas degradadas. Esses tópicos são importantes também para se compreender o papel da Bioengenharia nos projetos de recuperação de áreas degradadas. Sendo assim, serão vistos também outros tópicos como: degradação do solo; tipologia da degradação; impacto da degradação; causas da degradação, que são importantes no diagnóstico de áreas degradadas. Sendo assim, o curso abordará aspectos relacionados à formação dos solos, as diversas maneiras como o homem tem impactado os solos e os ambientes, como um todo, como diagnosticar esses impactos e, a partir do diagnóstico, o que fazer para recuperar áreas que foram degradadas. Um outro ponto importante a destacar é que a partir desses conhecimentos, serão exploradas formas de atuar preventivamente, para que tais danos não cheguem a ocorrer. Caso seja possível, será feito um trabalho de campo, onde poderão ser observadas diferentes formas de degradação e, dessa forma, será possível levantar possibilidades de intervenção, de maneira a estancar esses danos, bem como recuperar as áreas atingidas. Nesse sentido, esse curso procura fornecer instrumentos aos alunos, em especial relacionados às Geociências, para que a Recuperação de Áreas Degradadas possa ser feita de maneira correta e efetiva o que é de grande importância nessa atividade profissional.

10.2. Degradação do Solo

No conceito da FAO, terra é uma área delineável da superfície terrestre, cujas características incluem todos os atributos da bioesfera, verticalmente acima ou abaixo dessa superfície, incluindo a atmosfera, o

solo e a geologia, a hidrologia (incluindo lagos, rios, pântanos e mangues), a população vegetal e animal,

modelo de assentamento humano e os resultados físicos da atividade humana (terraceamento, armazenamento de água ou estruturas de drenagem, estradas, etc.).

o

A

degradação das terras envolve a redução dos potenciais dos recursos renováveis, por uma combinação

de

processos agindo sobre a terra. Tal redução pode levar ao abandono ou desertificação da terra, pode ser

por processos naturais, tais como o ressecamento do clima atmosférico, erosão, ou uma invasão natural de plantas ou animais nocivos. Pode também ocorrer por ações antrópicas diretamente sobre o terreno ou indiretamente, em razão das mudanças climáticas adversas induzidas pelo homem.

10.3. Tipologia da Degradação

Existem algumas formas de degradação, que segundo a FAO, se refere a perda da capacidade dos solos para uso presente e futuro e pode ser sub-dividida em:

Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP]

Ensino Médio Integrado à Educação Profissional

a. Erosão

A forma mais comum de erosão é a perda da camada superficial do solo pela água e ou vento. O

escoamento superficial da água carrega a camada superior do solo; isso ocorre sob a maioria das

condições físicas e climáticas. O deslocamento de partículas da camada superior pela ação do vento é mais comum nos climas áridos e semi-áridos, do que sob condições mais úmidas.

A perda dessa camada de solo reduz a fertilidade por que: a) conforme o solo se torna mais denso e fino,

fica menos penetrável às raízes e pode se tornar superficial demais a elas; b) reduz-se a capacidade do

solo reter água e torná-la disponível às plantas; c) os nutrientes para as plantas são lavados com partículas

de solo erodidas.

Uma forma de erosão mais extrema são as ravinas, que podem ser ainda recuperadas, por se tratarem de feições que geralmente não passam de 0,50 m de largura x 0,50 m de profundidade. Já as voçorocas, que são feições erosivas mais profundas, são bem mais difíceis de serem reabilitadas. Às vezes as voçorocas

chegam a atingir o lençol freático, podendo ser consideradas um canal de 1ª ordem, pela hierarquia fluvial

de Strahler.

A ação do vento pode criar grandes buracos e dunas. Finalmente, a cobertura da superfície da terra pelas

partículas de areia carregadas pelo vento, também pode ser considerada uma forma especifica de degradação, ainda mais quando recobrem, por exemplo, solos férteis, que estavam sendo usados pela agricultura. O processo erosivo pode ocorrer, tanto sob condições naturais, sem a intervenção humana, como principalmente quando a cobertura vegetal protetora é retirada, para dar lugar a agricultura e pecuária, sem a adoção de práticas de conservação dos solos e da água.

b. Deterioração Química

A deterioração química pode consistir em:

a) perda de nutrientes do solo, principalmente nitrogênio, fósforo e potássio. Em parte, os nutrientes se

perdem através da erosão: em especial nos trópicos úmidos, onde os mesmos são lavados pelo

escoamento superficial. Esses nutrientes podem também ser esgotados pelas próprias culturas, particularmente se estas forem cultivadas na mesma terra, ano após ano, sem a adoção de práticas conservacionistas.

b) Salinização ou a concentração de sais na camada superficial do solo, que pode ocorrer por causa de

manejo mal realizado da irrigação, ou alta concentração de sais na água de irrigação, especialmente em regiões áridas e semi-áridas, onde as altas taxas de evaporação estimulam o processo. Pode também ocorrer devido à invasão de águas salinas subterrâneas em reservas de água doce.

c) Acidificação, que tanto pode ocorrer por causa da aplicação excessiva de fertilizantes ácidos, como por

causa da drenagem em determinados tipos de solos. d) Poluição de diversas origens (acumulação de lixo, uso excessivo de pesticidas ou fertilizantes, derramamento de óleo, etc) pode reduzir drasticamente o potencial agrícola das terras.

c. Deterioração física

São três os tipos de deterioração física conhecidos:

a) Compactação do solo, frequentemente resultante do uso de máquinas pesadas em solos instáveis, ou do

pisoteio do gado, selamento e encrostamento, geralmente causados pelo impacto das gotas de chuva.

b) Elevação do lençol freático até a zona radicular das plantas, causada pela entrada excessiva de água em

relação à capacidade de drenagem do solo. É típica de áreas irrigadas, mas também pode ocorrer devido a enchentes.

c) Subsidência, isto é, o rebaixamento da superfície da terra, de solos orgânicos, que pode ser causada

pela drenagem ou oxidação. Pode também ocorrer em terrenos com rochas calcarias.

Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP]

Ensino Médio Integrado à Educação Profissional

10.4. Impacto da Degradação

O principal efeito da degradação no meio rural é um declínio na produtividade ou uma necessidade

crescente do aporte de nutrientes para manter as mesmas produtividades, uma vez que os subsolos

geralmente contêm menos nutrientes do que as camadas superiores, sendo necessário mais fertilizante para manter a produtividade das culturas. Um quadro completo dos custos da erosão deve incluir os efeitos fora do seu local de origem (offsite effects).

A maior parte das partículas finas do solo é transportada para cursos d’água, lagos e mares. Ao longo do

percurso, elas podem tornar a água imprópria para consumo humano, obstruir represas, sistemas de irrigação, ou canais de transporte dos rios. É difícil estimar as perdas totais de causadas pela degradação ambiental mundialmente. De acordo com a FAO (1992), aproximadamente 25 bilhões de toneladas de solo (17 toneladas por hectare cultivado) são erodidos a cada ano. Alem disso, as terras erodidas se tornam mais vulneráveis a variações climáticas; sua fertilidade pode diminuir vertiginosamente após um ano de seca. Em algumas ocasiões, a degradação ambiental pode forçar o deslocamento da população, ou seja, o êxodo rural. Centenas de milhares de hectares têm de ser abandonados, a cada ano, por estarem degradados demais para o cultivo ou ate mesmo para pastagens. Isso pode significar que a população que dependia dessas terras para sua subsistência terem que procurar outras terras para se fixar, sendo muitas vezes áreas

urbanas.

10.5. Causas da Degradação

Várias são as causas para a degradação ambiental, mas podemos destacar as seguintes:

a) Desmatamento para a agricultura ou pastagens, florestas comerciais de grande escala, construção de

estradas, desenvolvimento urbano etc.

b) Superpastoreio (destrói a cobertura do solo, causa compactação e acelera a invasão de espécies arbustivas indesejáveis).

c) Atividades agrícolas. O manejo inadequado da terra inclui o cultivo de solos frágeis, pousio reduzido,

uso indiscriminado do fogo, práticas que resultam na exportação de nutrientes do solo, transposição de

rios para fins de irrigação ou irrigação inadequada de solos.

d) Superexploração da vegetação para uso doméstico (uso da vegetação como combustível, cercas, etc.,

onde a vegetação remanescente não fornece mais proteção suficiente contra a erosão do solo).

e)

Atividades industriais que causam poluição.

10.6.

O estudo das formas de relevo e dos processos associados

O

estudo das formas de relevo é de importância fundamental para a recuperação de áreas degradadas. Na

realidade, as atividades econômicas que o homem desenvolve, na superfície terrestre, estão situadas sobre alguma forma de relevo e algum tipo de solo. Essas formas de relevo darão uma resposta, que pode ser mais catastrófica, ou de menor impacto, dependendo do tipo de uso e manejo do solo, e também das características do meio físico (Gerrard, 1992; Goudie, 1995; Goudie e Viles, 1997; Guerra, 1999 e 2001; Cunha e Guerra, 2000; Fernandes e Amaral, 2000). Nesse sentido, o estudo das formas de relevo e dos processos associados pode ser útil, não só na recuperação de áreas degradadas, mas também na prevenção da ocorrência de tais processos, que acontecem, em especial, sobre as encostas. Essas formas, que dominam grande parte da superfície terrestre, se caracterizam por possuírem declividades a partir de 2 a 3º apenas, sendo limitadas, nas suas partes mais elevadas, por um interflúvio, e nas partes mais baixas, por um talvegue. Além das encostas, existem áreas mais ou menos planas, entre 0 e 2º de declividade, que podem caracterizar áreas deprimidas, constituindo planícies, por exemplo, ou áreas elevadas, que podem caracterizar o topo das chapadas. Nas planícies, os processos geomorfológicos associados dominantes

Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP]

Ensino Médio Integrado à Educação Profissional

referem-se à deposição de materiais e infiltração e acúmulo de água nos solos, não ocorrendo quase erosão. No topo das chapadas, com superfícies quase planas, predominam os processos de infiltração de água, que podem alimentar mananciais nas suas vertentes. O risco de erosão é muito pequeno no topo das chapadas, mas aumenta muito, à medida que nos aproximamos do bordo das chapadas. Quando o topo das chapadas possui declividade superior a 3º, isso já e suficiente para produzir voçorocas, às vezes, com mais de um quilômetro de comprimento e vários metros de largura, possuindo de 1 a 10 metros de profundidade, desde que haja solo suficiente. O recuo das cabeceiras das voçorocas situadas nas suas vertentes, em direção ao topo das chapadas, pode causar uma série de impactos ambientais, muitas vezes de difícil recuperação. Esses impactos podem ser cicatrizes de movimentos de massa, ou mesmo de voçorocas. No estudo das formas e dos processos associados há que se levar em conta também, os materiais que constituem tais formas de relevo, e que são trabalhados pela ação dos processos geomorfológicos. O especialista que trabalha na recuperação de áreas degradadas deve conseguir reconhecer os diferentes materiais onde as obras serão executadas. Esses materiais podem oferecer maior ou menor resistência à ação dos agentes externos. Por exemplo, solos com maior teor de areia fina e silte possuem maior suscetibilidade aos processos erosivos, do que os solos mais argilosos. Não estamos aqui considerando outras propriedades físicas e químicas dos solos, mas apenas isolando a textura (Luk, 1979; Hadley, et al., 1985; Kerr, 1998; Mafra, 1999; Guerra, 2002; Guerra, et al., 2002; Lima-e-Silva, et al., 2002). No caso da encosta a ser recuperada, por exemplo, após a ocorrência de um movimento de massa, há que

se considerar uma série de variáveis, tais como: textura, contato solo/rocha abrupto, existência de fraturas no material rochoso, presença de matacões na matriz do solo, forma e declividade das encostas, etc. Em resumo, caso todos esses parâmetros, aqui abordados, não sejam levados em conta, em um projeto de recuperação de áreas degradadas, corre-se um grande risco de insucesso, com o conseqüente desperdício de recursos, podendo, em algumas situações, colocar em risco a vida das pessoas, no entorno da obra executada.

10.7. Contribuição da Geomorfologia no diagnóstico de áreas degradadas

Como as várias formas de degradação ambiental ocorrem sobre alguma forma de relevo, a Geomorfologia pode dar uma grande contribuição nesse campo. A Geomorfologia estuda as formas de relevo, que são

esculpidas por processos associados, e constituídas por diferentes materiais. O geomorfólogo precisa, conseqüentemente, ter conhecimentos relacionados à Geologia, Pedologia, Hidrologia, Climatologia, Biogeografia, etc.

O que temos visto, na maioria dos casos, são obras de recuperação, sem levar em conta a dinâmica do

relevo, ou seja, sem considerar como uma determinada forma de relevo evoluiu, bem como o impacto

ambiental associado chegou a acontecer. Dessa forma, tais obras acabam, muitas vezes, durando pouco tempo, ou então, seu custo pode ser superestimado, ou até mesmo subestimado. Com isso, os recursos financeiros, que são escassos no país, acabam não sendo bem utilizados.

A área atingida, quase sempre tem alguma implicação geomorfológica e, nesse sentido, a análise das

formas de relevo, dos processos associados e dos materiais constituintes, quando bem caracterizada, tem tudo para que a obra seja bem sucedida, evitando gastos futuros, bem como podendo também colocar em risco a segurança das pessoas que vivem no seu entorno. Os conhecimentos proporcionados pela Geomorfologia, quando bem utilizados pela empresas que fazem obras de recuperação de áreas degradadas, podem tanto tornar a obra mais segura e efetiva, bem como, em muitos casos até reduzir os gastos envolvidos. Isso porque, através do reconhecimento científico dos processos geomorfológicos pelos quais a área atingida passou, o técnico responsável pela obra, que muitas vezes é um engenheiro, pode dimensionar bem o tipo de obra e de materiais necessários para que esta seja, ao mesmo tempo eficaz, duradoura e que atinja os objetivos propostos. A associação dos conhecimentos proporcionados pela Geomorfologia, Geologia, Hidrologia, Pedologia, Biogeografia e Climatologia, em associação com o

Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP]

Ensino Médio Integrado à Educação Profissional

uso e manejo do solo, na área atingida é de importância fundamental, para que a obra tenha eficiência. Dessa forma, destacamos que o conhecimento sobre a dinâmica do relevo pode auxiliar muito os técnicos envolvidos na recuperação de áreas degradadas, porque as áreas que são alvo de recuperação, estão situadas sobre alguma forma de relevo, que estão em constante evolução no tempo e no espaço, e tal conhecimento científico não pode ser desconsiderado (Morgan, 1986; Oliveira, 1999; Palmieri e Larach, 2000; Marçal e Guerra, 2001).

10.8. A importância do estudo das encostas

As encostas possuem uma grande importância para a recuperação das áreas degradadas, porque, na maioria das vezes a degradação acontece sobre alguma encosta, podendo ocorrer também em áreas planas, mas as áreas que apresentam alguma declividade, sendo limitadas nas suas partes mais elevadas

por interflúvio, e nas suas partes mais baixas por um talvegue são, geralmente, aquelas mais afetadas.

O técnico precisa, conseqüentemente, saber identificar muito bem, que tipo de encosta está sendo

analisada, bem como quais são os materiais existentes e quais os processos geomorfológicos, que estão atuando no presente, bem como quais os principais processos que deram origem àquela encostas. Os processos de degradação estão, na maioria das vezes, relacionados a tais processos. Conseqüentemente, fica muito difícil querer recuperar uma determinada área danificada, sem conhecer a dinâmica daquela área. Melhor dizendo, é possível “recuperar” aquela área, mas a garantia de durabilidade da obra pode

ser comprometida, pela ausência de um diagnóstico, onde a análise dos processos que deram origem ao dano ambiental, não foi considerada. Os custos com as obras podem, dessa forma, ser subestimados, ou até superestimados, quando a recuperação não faz um levantamento detalhado das causas do impacto, mas apenas atua sobre as suas conseqüências. Isso pode levar a um manejo inadequado dos ambientes que estão sendo atingidos por processos de degradação ambiental, não sendo resolvido o problema

anteriormente identificado (Parsons, 1988; Selby, 1990 e 1993; Dickinson e Collins, 1998; Fernandes e Amaral, 2000; Drew, 2002). Dessa maneira, recomendamos aqui, que um estudo detalhado das formas das encostas (côncava, convexa

e retilínea), bem como da sua declividade e do seu comprimento, seja feita. Além disso, é preciso

identificar quais os principais tipos de solos existentes, bem como suas propriedades físicas e químicas, que podem ter um peso importante no processo de degradação e de recuperação. Por fim, a compreensão

da

dinâmica dos processos atuantes, que deram origem à degradação, que pode ser relacionada à presença

de

erosão dos solos, ou então de movimentos gravitacionais de massa, onde grandes quantidades de solo

e/ou rocha podem ser transportados num tempo muito curto, causando, quase sempre, grandes impactos ambientais, com riscos de perdas materiais e de vidas humanas. Sendo assim, insistimos no estudo detalhado das encostas, como uma possibilidade de se conseguir, ao mesmo tempo, entender a sua dinâmica e também poder resolver mais definitivamente o problema ambiental que tenha ocorrido, ou ainda para que possa haver prevenção contra a ocorrência de deslizamentos, por exemplo. Ou seja, muitas das obras que observamos nas cidades, não levam em conta essas variáveis e, conseqüentemente, o que temos assistido é a realização de obra após obra, nas mesmas áreas atingidas, muitas delas, em intervalos de poucos anos apenas.

10.9. A importância do estudo das bacias hidrográficas

As bacias hidrográficas assumem grande importância na recuperação de áreas degradadas, por vários

motivos. Um deles é o fato de grande parte dos danos ambientais que ocorrem na superfície terrestre estarem situados nas bacias hidrográficas. Nesse sentido, é preciso conhecer a sua formação, constituição

e dinâmica, para que as obras de recuperação não sejam apenas temporárias e sem grande eficácia. Na

recuperação ambiental, o estudo das bacias hidrográficas também torna-se de grande importância, porque muitos empreendimentos situam-se às margens de algum rio, podendo causar problemas relacionados à poluição e/ou assoreamento desses corpos líquidos.

Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP]

Ensino Médio Integrado à Educação Profissional

As bacias se caracterizam por serem constituídas por um rio principal e seus afluentes, que transportam água e sedimentos, ao longo dos seus canais. Elas são delimitadas pelos divisores de águas, que separam uma bacia da outra e, internamente, existem elevações, que são denominadas de interflúvios, que dividem sub-bacias hidrográficas. Não podemos pensar numa bacia hidrográfica, levando-se em conta apenas os processos que ocorrem no leito dos rios, porque grande parte dos sedimentos que estes transportam, são oriundos de áreas situadas mais à montante, vindos das encostas, que fazem parte da bacia hidrográfica. Portanto, qualquer dano que aconteça numa bacia hidrográfica vai ter conseqüências diretas, ou indiretas, sobre os canais fluviais. Os processos de erosão de solos, bem como movimentos de massa, vão fazer com que o escoamento superficial transporte os sedimentos oriundos desses danos ambientais para algum rio, que drena a bacia. Conforme a proximidade da área atingida, esses materiais podem chegar imediatamente ao rio, ou podem levar algum tempo para que isso aconteça. Isso tem causado o assoreamento dos rios e também dos reservatórios construídos para produção de energia hidrelétrica, bem como os açudes, para obtenção de água, em especial nos períodos de seca (Botelho, 1999; Cunha e Guerra, 2000; Coelho, 2001; Blum, 2002). Dessa forma, é muito importante que os técnicos envolvidos em obras de recuperação dos canais fluviais, conheçam bem essa dinâmica das bacias hidrográficas, porque qualquer obra que seja feita nos canais vai ter alguma repercussão imediata, ou a médio e longo prazo sobre o próprio canal, como sobre a bacia como um todo. Obras, por exemplo, de retificação de canais, se por um lado aliviam as enchentes que ocorrem num determinado ponto da bacia, geralmente aumentam significativamente a velocidade dos rios, aumentando a carga de sedimentos transportada, podendo causar assoreamento, mais à jusante, no próprio rio, ou então, em alguma baía, lago, ou reservatório. É o que acontece, por exemplo, com a Baía de Guanabara, no estado do Rio de Janeiro. Nesse caso específico isso é acelerado pelo desmatamento que vem ocorrendo, há séculos, na Serra do Mar, bem como no seu entorno. Ou seja, qualquer obra que seja feita num canal fluvial, ou mesmo nas encostas situadas numa bacia hidrográfica, há que se considerar a dinâmica de ambos, bem como as relações existentes entre as encostas e os canais fluviais, que drenam a área atingida. Caso contrário, as obras podem não atender plenamente os objetivos propostos, sendo gasto de dinheiro público, como, aliás, tem ocorrido em várias situações no Brasil.

10.10. O ambiente urbano O ambiente urbano é aquele onde existe atualmente a maior concentração populacional, no mundo todo. Com raras exceções, a maioria dos países possui um percentual bem maior de pessoas morando nas cidades. No Brasil, por exemplo, de acordo com o censo do IBGE de 2001, 81% da população vivem em cidades e apenas 19% em áreas rurais. Como se não bastasse, esse crescimento tem sido acelerado, em especial nos países em desenvolvimento, tendo acarretado toda uma série de danos ambientais, alguns deles praticamente irreversíveis. Os danos podem ser melhor compreendidos, no contexto das bacias hidrográficas urbanas, pois o que acontece nas encostas acaba se repercutindo também nos rios e nas planícies aluviais. Dessa forma, problemas relacionados à erosão das encostas e aos movimentos gravitacionais de massa, acabam causando assoreamento dos rios, bem como enchentes nas cidades, uma vez que os rios não conseguem transportar todos os sedimentos que chegam às calhas fluviais. Os movimentos de massa, quase sempre causam mortes, devido à ocupação inadequada de encostas, às vezes, acima dos 45º permitidos pela lei, ou seja, áreas superiores a essa declividade são APP e não podem ser ocupadas. Mas mesmo assim, áreas com declividades menores devem ser cuidadosamente estudadas, antes da sua ocupação, porque podem causar riscos para a população que constrói suas casas nessas encostas. Outro problema sério se refere aos rios que cortam áreas urbanas, é que os mesmos se encontram, na maioria das vezes, poluídos e com menor volume de água, devido ao assoreamento. A retificação e

Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP]

Ensino Médio Integrado à Educação Profissional

canalização dos rios também podem provocar danos ambientais, como a redução, ou mesmo extinção de alguns tipos de peixes, e enchentes nas cidades.

A poluição sonora e atmosférica dos ambientes urbanos é uma forma de degradação, tão comum nas

cidades, em especial nas médias e grandes cidades, onde o barulho ocorre quase todas as horas do dia, não sendo respeitados os limites impostos pela legislação. A poluição atmosférica também acontece, em função dos grandes engarrafamentos, devido à falta de planejamento urbano, bem como indústrias, muitas vezes, sem filtros especiais, para evitar tal tipo de poluição. Isso causa uma série de doenças crônicas em diversos habitantes das cidades.

10.11. Erosão dos solos e movimentos de massa – diferenças entre ambos

Erosão dos solos e movimentos de massa são dois processos geomorfológicos distintos, mas infelizmente, muitas vezes são dados como sinônimos, inclusive em livros didáticos. Enquanto a erosão dos solos pode ocorrer em encostas com declividades em torno de 2 a 3º apenas, não sendo um fenômeno típico de áreas com fortes declividades, necessàriamente. Os movimentos de massa, por serem gravitacionais, dependem, em grande parte, da declividade das encostas, alem de outros fatores, é claro. A erosão dos solos, consequentemente, é um fenômeno geomorfológico mais típico de áreas rurais, enquanto os movimentos de massa são mais típicos de áreas urbanas e de estradas também, onde são feitos cortes indevidos de taludes, sem a devida proteção dos mesmos. Mas esses cortes podem também ser feitos nas cidades, quando são construídas ruas e casas. Dessa forma, os fatores que provocam a erosão dos solos são principalmente:

propriedades químicas e físicas dos solos (erodibilidade dos solos); erosividade da chuva; forma, comprimento e declividade das encostas; uso e manejo do solo. Enquanto que os fatores que provocam a ocorrência de movimenos de massa são: declividade das encostas; contato solo rocha abrupto; presença de matacões nas encostas; corte do depósito de tálus, para construção de casas e ruas; falta de rede de esgoto e de galerias pluviais (ou falta de manutenção, quando existem); chuvas concentradas. Estão sendo aqui colocados os principais fatores detonadores da erosão dos solos e dos movimentos de massa, mas podem existir outros, com menor importância para que esses processos geomorfológicos ocorram.

10.12. Erosão em área rural e urbana

Esse tema já foi praticamente discutido nos itens anteriores, mas veremos, a seguir, alguns pontos

interessantes sobre esse tipo de processo geomorfológico. Enquanto a erosão do solos é um fenômeno praticamente rural, ela não costuma ocorrer com grande intensidade nas áreas urbanas. O principal

processo geomorfológico, que ocorre com maior intensidade nas áreas urbanas, é o movimento de massa,

discutido, anteriormente.

O

principal motivo da erosão dos solos não ocorrer com grande intensidade nas áreas urbanas é o fato de

essas áreas terem grande parte do seu território impermeabilizado por ruas asfaltadas e com outros tipos de calçamento, estacionamentos de prédios e de shoppings asfaltados ou mesmo cimentados, presença de residências, grandes prédios, shoppings, hospitais, indústrias, enfim, poucas áreas onde os solos estejam descobertos para serem erodidos. Isso ocorre tanto em médias como grandes cidades. Dessa forma, a erosão dos solos, é um processo geomorfológico muito mais comum em áreas rurais, onde a vegetação é cortada, para dar lugar a fazendas, que plantam ou que criam animais, muitas vezes, sem a adoção de práticas conservacionistas, como: plantio em curva de nível, terraceamento, plantio direto, não adoção de queimada, rotação de culturas, irrigação adequada, enfim, tudo que pode levar ao desenvolvimento sustentável de uma determinada área. Nas áreas urbanas, principalmente nas grandes e médias cidades, os processos geomorfológicos mais comuns como visto anteriormente, são os movimentos de massa, pela ocupação desordenada e acelerada desse meio, que fica vulnerável à ocorrência desses fenômenos catastróficos, que causam perdas de vidas humanas e de bens materiais.

Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP]

Ensino Médio Integrado à Educação Profissional

A erosão dos solos também ocorre em cidades, mas principalmente nas pequenas cidades, onde ainda

existe um grande numero de ruas não calçadas, sem rede de esgoto e nem galerias pluviais, o que facilita o escoamento de água pelas ruas, podendo causar erosão mesmo nas cidades. Tanto nas áreas rurais, como nas áreas urbanas, a erosão dos solos pode evoluir da erosão em lençol, para ravinas e chegar a grandes voçorocas, que ficam cada vez mais difíceis e mais caras para serem recuperadas. O investimento em praticas preventivas, tanto no meio rural, como no urbano, sai bem mais barato, do que a adoção de práticas de recuperação, uma vez instalados tais processos.

10.13. Função da vegetação na estabilização das encostas

A vegetação tem um papel importante na estabilização das encostas, mas o processo não é tão simples

assim. Ou seja, para muitas pessoas, sempre que há um dano ambiental, numa encosta, é só plantar qualquer tipo de vegetação, que a encosta estará recuperada. Na realidade, em alguns casos, a vegetação pode inclusive aumentar os riscos de movimentos de massa, em especial, quando o tipo de vegetação plantada for de grande peso, podendo provocar uma sobrecarga na encosta. Alem disso, caso haja muita infiltração de água, causada pela presença das raízes, isso também pode aumentar os riscos de deslizamentos. Mas na maioria das vezes, a cobertura vegetal diminui os riscos de erosão, porque protege os solos contra o impacto direto das gotas de chuva. Ou seja, a energia cinética da chuva pode ser bem diminuída, em função de

perder energia ao ser interceptada pela copa das árvores. Isso, sem contar que em uma floresta tropical, essas copas podem interceptar até 50% do total de chuva caído na floresta. O que quer dizer que esse volume é devolvido à atmosfera, não causando uma grande saturação do solo florestal e, consequentemente, diminuindo os riscos de erosão.

A estabilização da cobertura vegetal nas encostas pode-se dar de diversas maneiras: proteção física, a

partir das copas das árvores; aumento do teor de matéria orgânica no solo florestal, a partir da

decomposição das raízes; aumento do litter (serapilheira), que são as folhas, frutos, dejetos de animais, que se depositam no solo da floresta, aumentando a sua proteção contra as gotas de chuva, bem como formando mais matéria orgânica; aumento da biodiversidade florestal, o que vem a ser mais um fator de proteção contra os processos erosivos.

A presença de cobertura vegetal, nas encostas também tem um papel muito importante, no que se refere à

proteção dos mananciais, uma vez que a água que se infiltra no solo, pode ser retida por mais tempo, sendo dirigida aos rios, durante os períodos de estiagem. Esse é um dos motivos de que os mananciais são APP. O corte de vegetação não é permitido, em torno dos mananciais, para que os mesmos possam ser protegidos e, consequentemente, possam produzir água em quantidade e qualidade, ao longo do ano.

10.14. Bioengenharia

As técnicas de bioengenharia dependem do conhecimento biológico para construir estruturas geotécnicas

e hidráulicas e para fortalecer encostas e margens de rios instáveis. Plantas inteiras, ou suas partes, são utilizadas como materiais de construção para reforçar locais instáveis, em combinação com materiais de construção tradicionais.

A grande variedade de métodos de bioengenharia pode ser classificada de acordo com a finalidade, o

material ou as características da construção. As estruturas biotécnicas para estabilização do solo podem

ser sistemas pontuais (estruturas com uma única raiz), sistemas lineares (estruturas com filas de raízes) ou sistemas de cobertura (mantas e telas vegetais para cobertura do solo).

A bioengenharia é uma excelente ferramenta para estabilização de áreas que apresentam instabilidade no

solo. Esses métodos não devem ser vistos como a única solução para a maioria dos problemas de erosão e

de movimentos de massa. A bioengenharia tem requisitos únicos e não é apropriada a todos os locais e

situações. Em áreas que apresentem sérios problemas de movimentos de massa e de blocos rochosos, pode ser melhor construir muros de arrimo, que darão segurança às construções e às pessoas que vivem nesses locais.

Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP]

Ensino Médio Integrado à Educação Profissional

Passamos a descrever, a seguir, os benefícios dos métodos de Bioengenharia, em quatro grande grupos:

a) Vantagens técnicas: proteção contra a erosão superficial; aumento na estabilidade das encostas,

através do reforço e drenagem do solo pelas raízes; proteção contra a queda de rochas; proteção contra o vento.

b) Vantagens ecológicas: regulação da umidade e temperatura próximas à superfície, criando condições

ideais para o desenvolvimento vegetal; aperfeiçoamento do regime hídrico do solo através da interceptação, evapotranspiração e armazenamento de água; melhoramento da estrutura do solo e formação de um horizonte superior; criação e provisão de habitats para a fauna e flora locais; utilização de materiais biodegradáveis.

c) Vantagens

agricultáveis e de lazer.

econômicas:

redução

dos

custos

de

construção

e

manutenção;

criação

de

áreas

d) Vantagens estéticas: as estruturas se integram à paisagem; redução da poluição visual; a paisagem se

torna mais atraente. Essas vantagens dão às técnicas de bioengenharia uma importância considerável na restauração e conservação de encostas e margens de rios e de outros corpos d’ água.

10.15. Planos de recuperação de áreas degradadas

Os engenheiros podem contar com sistemas inertes para a estabilização de encostas e o controle da erosão. Uma grande gama de produtos e técnicas se enquadra nessa categoria. As razões pelas quais seus usos são tão difundidos incluem a disponibilidade, a facilidade de instalação, a familiaridade, a propaganda e a promoção, a existência de padrões e aceitação pelos projetistas. Assume-se que os materiais inertes têm propriedades previsíveis e invariáveis. De fato, os materiais inertes como o aço, o concreto e os polímeros sintéticos se degradam, se decompõem e/ou se deterioram lentamente, ao longo do tempo. Vários exemplos de tecnologias e produtos que fazem parte dessa categoria podem ser aqui resumidos:

Estruturas de contenção: cortinas atirantadas, muros de gabião, muros de pedra, geogrelhas ou geotêxteis; Sistemas de revestimentos: rip-rap (rochas e cascalhos), gabiões, revestimentos em concreto; Coberturas do solo: mulches artificiais (fibra de vidro, fibra de celulose), telas, mantas e redes (coberturas que protegem a superfície e promovem o desenvolvimento vegetal). É interessante notar que muitos desses sistemas, ou produtos, se prestam a um uso integrado ou combinado com a vegetação. Basicamente, a vegetação pode ser incorporada em qualquer estrutura de contenção, revestimento ou cobertura inerte do solo, que seja porosa ou que tenha aberturas (interstícios) na face frontal. Entretanto, para que a planta sobreviva, é indispensável a presença de umidade e luz solar. As construções vivas usam plantios convencionais, principalmente para o controle da erosão. Uma cobertura do solo densa, feita com vegetação, aumenta bastante a resistência do solo à erosão. Vários tipos de gramíneas e vegetação herbácea são melhores para esse fim. Em muitos casos, as técnicas convencionais de plantio oferecem a proteção com melhor custo versus beneficio, contra a erosão superficial de encostas.

10.16. Conclusões

Pelo que se viu aqui, fica muito difícil, ou quase impossível, se fazer um trabalho adequado de recuperação de áreas degradadas bem feita, sem compreender a dinâmica do relevo terrestre, onde se esteja atuando, no sentido de recuperar a área atingida e se prevenir contra a ocorrência de acidentes.

Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP]

Ensino Médio Integrado à Educação Profissional

Nesse sentido, enfatizamos, mais uma vez, que os conhecimentos teóricos, conceituais e metodológicos,

resultantes do avanço das pesquisas em Geomorfologia estão à disposição dos técnicos, do Poder Público,

e da sociedade em geral, para que tais obras possam realmente ser benéficas para a população e para o meio ambiente atingido, por um longo prazo e, muitas vezes, a um custo que não precisa ser, necessariamente, elevado.

A Geomorfologia preocupada com as formas de relevo existentes na superfície terrestre, bem como os

processos que deram origem a essas formas e os materiais constituintes, procura dar conta de entender não só o quadro atual, em termos de relevo, de uma determinada área, mas também, através de modelos e do emprego de Sistemas de Informação Geográfica (SIGs), procura também prognosticar o futuro de uma área, em termos de poder, com uma grande probabilidade de acerto, definir quais as áreas de maior risco, em termos de erosão, deslizamentos, enchentes, etc. Através desse conhecimento científico, o técnico que está atuando em um determinado ambiente, realizando a sua recuperação ambiental, poderá conseguir uma margem de acerto muito maior, economizando recursos financeiros, bem como poupando vidas humanas e conservando os bens materiais existentes, por exemplo, numa cidade. Fica claro, dessa forma, que a Geomorfologia pode e deve dar sua contribuição na recuperação de áreas degradadas, através, de preferência, da atuação de grupos interdisciplinares, onde o geomorfólogo seja aquele profissional que vai fornecer subsídios, ao restante da equipe, nas questões que dizem respeito ao relevo, solos, hidrologia, enfim, ao terreno onde a obra está sendo feita. Dessa forma, fica claro também

que sem esse conhecimento fica muito difícil que as obras tenham durabilidade e resistência, a menos que

se gastem recursos bem acima daqueles necessários. Afinal de contas, como foi dito no início desse texto, todas as maneiras de ocupação na superfície terrestre são feitas sobre alguma forma de relevo e sobre algum tipo de solo, que darão as suas respostas, conforme o nível de degradação provocado pelo homem,

e

conforme o grau de resistência do meio físico atingido.

11. PRÁTICAS ALTERNATIVAS DE CONTROLE HIDROAMBIENTAL.

O

déficits hídricos impõem severas restrições às atividades agropecuárias convencionais. Este semiárido

ocupa uma área de 912.208 km², que corresponde a cerca de 58% da região Nordeste e compreende os

oito estados desta região e o norte de Minas Gerais. As características climáticas e hidrológicas dessa região são semelhantes às de outros semiáridos quentes

do mundo, merecendo relevância:

semiárido brasileiro é um grande espaço geográfico, quase todo inserido na região Nordeste, onde os

Precipitação média anual de 250 a 800 mm distribuída de 3 a 5meses, com regime de chuvas marcado por irregularidade (espaço /tempo).

Temperaturas médias anuais 23 a 27 °C.

Insolação média de 2.800 h/ano.

Ecossistema dominante: caatinga, apresentando grande diversidade de espécies adaptadas, com alto potencial de exploração, tanto para consumo humano como animal.

Substrato dominante: cristalino.

Solos: rasos, devido ao substrato cristalino, sendo a maioria areno-argilosos.

Evapotranspiração: cerca de 2.000 mm/ano, acarretando déficit de umidade no solo durante a maioria dos meses do ano.

Aquíferos de baixa produtividade, onde os poços são rasos e apresentam vazões inferiores a 3,0 m³/h e elevados teores de sólidos totais dissolvidos, em média, 3,0 g/L, com predominância dos cloretos.

População: 41% do Nordeste brasileiro.

PIB: 22% do Nordeste.

A interação das características da região exerce importante papel na renovação das reservas hídricas e na

Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP]

Ensino Médio Integrado à Educação Profissional

qualidade de suas águas, fazendo com que o sertanejo busque por água para suas necessidades básicas como o consumo animal e agrícola, entre outras. Este quadro de incertezas quanto à disponibilidade e à qualidade das águas exige ações de planejamento e gestão dos recursos hídricos visando atender à demanda da população de forma permanente. No Nordeste brasileiro cerca de 40% dos domicílios não têm acesso à água tratada e mais de 50% não são

beneficiados por esgoto ou fossa séptica. No semiárido a situação da água é ainda pior. Apesar de dispor

de mais de 70 mil açudes, 450 dos quais com capacidade superior a um milhão de metros cúbicos, devido

à alta evaporação e ao mau gerenciamento, apenas 25% da capacidade total desses reservatórios é

aproveitada. Existem, também, mais de 50 mil poços perfurados, porém um terço sem uso, devido à elevada presença de sais na água.

A discussão e o desenvolvimento de tecnologias adequadas para gestão de recursos naturais vêm

ganhando mais atenção da sociedade devido à emergência do avanço da escassez de água, da

desertificação e do aquecimento global. O mau uso da água, do solo, da vegetação e de outros recursos naturais são os principais responsáveis por estes graves problemas.

O desafio permanente consiste em encontrar diferentes caminhos para reduzir as desigualdades e a

pobreza e assim mudar a face do semiárido, mostrando a sua diversidade e viabilidade.

11.1. Tecnologias: captação, armazenamento e uso da água

A captação, armazenamento e o manejo adequados da água no semiárido nordestino são de fundamental

importância para sobrevivência do sertanejo e preservação do meio ambiente. Para suprir a deficiência de

água para diferentes usos no meio rural, como consumo humano, animal e produção agrícola, alternativas tecnológicas têm sido desenvolvidas e adaptadas às condições do semiárido visando o armazenamento e uso das águas de chuva. A seguir serão descritas as tecnologias mais usadas.

11.2. Barragem Subterrânea.

O

que é: alternativa tecnológica para armazenamento das águas de chuva dentro do solo com a finalidade

de

reduzir a evaporação, evitar que escoem na superfície do solo e manter a umidade da terra até quase o

final do período seco do semiárido (setembro-dezembro). As águas são armazenadas de forma a permitir a criação ou a elevação do lençol freático existente, possibilitando a exploração de uma agricultura de vazante ou uma subirrigação. Características: a barragem subterrânea é de construção fácil e de baixo custo que, em uma superfície de captação entre 5 e 10 hectares, pode proporcionar uma área de 2 hectares para cultivo, acumulando um volume aproximado de 2 milhões de litros. Este volume permite ao produtor garantir o seu abastecimento domiciliar de água, cultivar com sucesso plantios tradicionais de milho e feijão, como também produzir frutas como manga, goiaba, acerola e limão, dentre outras, em plena área de caatinga e sem irrigação convencional. A eficiência desse tipo de barragem obedece a alguns requisitos técnicos. È preciso escolher a sua localização com bastante critério, mas não é necessário que sua instalação seja em leito de rio ou riacho. É imprescindível que esteja situada em ponto estratégico do terreno para onde escorre o maior volume de água por ocasião da chuva. A área de captação não precisa ser junto à parede da barragem, podendo estar a mais de 1 km.

Construção: no local onde escorre o maior volume de água durante as chuvas (baixada), cava-se uma valeta, em formato semicircular, até encontrar a camada de rocha impermeável (camada endurecida do solo conhecida, em algumas regiões, como "massapê" ou "cabeça de carneiro"), às vezes numa profundidade de um metro, mas normalmente um pouco mais de dois metros. O comprimento da valeta pode ser 100 metros ou mais, dependendo da largura da baixada. A partir do fundo rochoso, a parede de terra é revestida com lona plástica, com espessura de 200 micra, em toda a extensão da parede. O plástico

Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP]

Ensino Médio Integrado à Educação Profissional

é que vai fazer a água ficar acumulada à montante da barragem. Após o plástico estendido, a vala volta a ser fechada com a terra. Nesta "parede" deve ser feito um sangradouro com 50-70 centímetros de altura.

O coroamento da valeta, uma pequena barragem de terra, serve para reter os resíduos trazidos pela água,

como terra e restos orgânicos, para formar assim uma nova camada de solo. A água querendo se deslocar lateralmente pela gravidade é retida pela folha de plástico e forma assim um lençol freático alto, artificial, do qual as raízes das plantas podem se suprir das suas necessidade de água.

das plantas podem se suprir das suas necessidade de água. A figura 1 mostra como funciona

A

figura 1 mostra como funciona uma barragem subterrânea.

O

mais importante é que a barragem subterrânea é uma tecnologia alternativa que tem um dos custos mais

baratos e, dependendo do tipo de solo, cujo valor de construção pode variar entre 500 e 1.500 reais. É um

custo muito baixo para uma obra permanente.

Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP]

Ensino Médio Integrado à Educação Profissional

11.3. Barreiro de Salvação

O que é: escavação feita na terra para reter e armazenar a água da chuva na superfície do solo, com a finalidade de suprimento de água para consumo humano ou animal e irrigação conhecida como de salvação. O barreiro deve ser feito em uma área alta próxima à lavoura, que também deve estar em terreno inclinado. Quando falta chuva, a água do barreiro vai através de um encanamento até a lavoura, onde desce pelas curvas de nível molhando a terra. Características: o barreiro é um míni açude, porém tem bem menos água, ocupa menor área e não possui estruturas hidráulicas como barragem, comporta e vertedouro. O barreiro de salvação é formado por uma área de captação, um depósito de armazenamento e uma área de plantio. A área de captação é uma micro bacia hidrográfica delimitada por divisores de água, naturais ou artificiais, com a finalidade de coletar as águas de chuva que serão armazenadas. Depósito de armazenamento é o reservatório de terra, de forma semicircular, destinado a armazenar a água escoada na área de captação. Área de plantio é a área destinada à exploração dos cultivos, principalmente alimentares, através do uso de irrigação de salvação. Estas irrigações são aplicadas durante o período crítico das culturas, por ocasião das estiagens prolongadas. Na região semi-árida do Nordeste, após as primeiras chuvas, normalmente ocorrem períodos de 20 a 30 dias sem qualquer precipitação, que comprometem seriamente as culturas. Construção: vários fatores devem ser considerados na construção do barreiro para uso em irrigação de salvação, tais como:

Solos: os solos indicados para implantação da área de captação devem ser preferencialmente inadequados para a agricultura, ou seja, rasos, pedregosos ou rochosos. Ao contrário, os solos ideais para a área de plantio devem ser férteis, com profundidade superior a 0,50 m, e apresentarem características físico-hídricas requeridas pelas culturas a serem exploradas. Para esta área devem ser descartados solos com tendência à salinização. O depósito de armazenamento requer solos com baixa capacidade de infiltração, visando à redução de perdas por percolação e maior estabilidade na parede do barreiro. Não se recomenda a construção do barreiro em solos com teores de argila (barro) inferiores a 15%, tampouco se pode instalá-lo em propriedades com áreas inferiores a 10 hectares, uma vez que todo sistema ocupa em média 6,0 ha.

Clima: recomendam-se regiões de baixas precipitações pluviométricas, em torno de 300 a 800 mm anuais, principalmente em áreas com limitações de água para a exploração agrícola.

Topografia: como a irrigação será realizada por gravidade, o sistema de barreiro exige uma determinada declividade do terreno. Na área de captação deve esta declividade deve ser de no mínimo de 2%. Na área de plantio, uma vez que os sulcos e camalhões são confeccionados com 0,4% de declividade, recomenda-se que esteja entre 0,5 e 15%.

Investimento: o relativamente alto custo de investimento, característico do sistema barreiro, limita a adoção dessa tecnologia pelos pequenos agricultores do semiárido em virtude da falta de capitalização desses produtores. Os custos de investimento necessários para construção de um barreiro para uso em irrigação de salvação, explorando uma área de 1,5 ha com as culturas de milho e feijão, estão em torno de aproximadamente US$ 2.200,00.

O dimensionamento dos componentes de um barreiro em uma região de baixas precipitações anuais, em torno de 400 mm, deve ser baseado nas seguintes premissas:

100 mm de água armazenada por hectare, a disposição do produtor são necessários para reduzir sensivelmente os efeitos das secas prolongadas que ocorrem durante o período chuvoso, denominados veranicos.

1,5 ha cultivadas com culturas alimentares são suficientes para que o produtor tenha a alimentação básica da família e algum excedente que pode ser comercializado.

Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP]

Ensino Médio Integrado à Educação Profissional

As perdas totais de água por infiltração e evaporação correspondem a aproximadamente 50% do volume útil. Por outro lado, para irrigar uma área de 1,5 ha, com culturas de milho e feijão são necessários 3.000 m³, e uma área de captação de água de 3,8 ha, com uma eficiência de escoamento de 0,20.

A área de plantio é dimensionada em função das necessidades básicas de alimentação da família, podendo ser planejada, também, para a produção de culturas de maior expressão econômica para fins de comercialização. Esta área deve ser preparada no sistema de sulcos e camalhões para possibilitar as irrigações e também facilitar as práticas agrícolas de manejo, utilizando tração animal.

Definidas a área de plantio e as culturas a serem exploradas, parte-se para o dimensionamento das necessidades de água dessas culturas, processo semelhante ao da agricultura irrigada. Devem ser consideradas as perdas totais de água, por evaporação e por infiltração ocorridas no período em que a água fica armazenada no reservatório. Esse período pode ser considerado como o do maior ciclo da cultura a ser explorada, com uma margem de segurança de 30 dias, aproximadamente.

O dimensionamento da área de captação varia em função do volume total de água a ser

armazenado, da eficiência de escoamento superficial desta área, e da precipitação média da região

Esta área é delimitada

a uma dada probabilidade de ocorrência, normalmente em torno de por diques naturais ou artificiais que funcionam como divisores de água.

11.4. Cisterna de Placas

O que é: a cisterna de placas é um tipo de reservatório para água, cilíndrico, coberto e semi-enterrado, que

permite a captação e o armazenamento de águas das chuvas, aproveitadas a partir do seu escoamento nos telhados das casas por calhas de zinco ou PVC. A cisterna de placas permite o armazenamento de água para consumo humano em reservatório protegido da evaporação e das contaminações causadas por animais e dejetos trazidos pelas enxurradas. Características: o tamanho da cisterna varia de acordo com o número de pessoas da casa e do tamanho do telhado. Uma cisterna de 16 mil litros permite que uma família de cinco pessoas tenha água para beber, cozinhar e escovar os dentes durante o período de seca, que chega a durar até oito meses no ano. A

estrutura da cisterna é construída com a utilização de placas de cimento, que são feitas no próprio local da obra. Com baixo custo de instalação, as cisternas são construídas com a utilização de mão-de-obra local e com materiais adquiridos na própria região de construção. É fácil capacitar os pedreiros, capazes de chefiar o mutirão que constrói uma cisterna, e é perfeitamente possível que todas as casas a possuam. As famílias beneficiárias participam de capacitação em Gerenciamento de Recursos Hídricos Nas capacitações são repassadas as técnicas de utilização e manutenção da cisterna e metodologias visando o uso racional da água, além de noções básicas de cidadania. A cisterna muda para melhor a vida das mulheres e das crianças, que não mais precisarão buscar água longe de casa; muda para melhor a saúde de todos, especialmente a das crianças e dos idosos. Construção: a cisterna fica enterrada no chão até mais ou menos dois terços da sua altura. Consiste em placas de concreto com tamanho de 50 por 60 cm e com 3 cm de espessura, que estão curvadas de acordo com o raio projetado da parede da cisterna, dependendo da capacidade prevista. Estas placas são fabricadas no local de construção em moldes de madeira. A parede da cisterna é levantada com essas placas finas, a partir do chão já cimentado. Para evitar que a parede venha a cair durante a construção, ela

é sustentada com varas até que a argamassa esteja seca. Depois disso, um arame de aço galvanizado é

enrolado no lado externo da parede e essa é rebocada. Num segundo momento, constrói-se a cobertura

com outras placas pré-moldadas em formato triangular, colocadas em cima de vigas de concreto armado, e rebocadas por fora.

O processo de construção da cisterna ocorre a partir de 7 etapas principais. A seguir, são apresentadas as

etapas, com informações e recomendações técnicas relativas ao processo de construção:

Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP]

Ensino Médio Integrado à Educação Profissional

Escavação do buraco: a construção deve ser próxima a casa. O tipo de terreno influi a profundidade da escavação e na estabilidade da cisterna. Não construir próximo a árvores, currais e fossa (distância de 10 a 15 metros).

Fabricação das placas: é feita com areia média (nem grossa nem fina) lavada e peneirada, na proporção de 4 latas de areia para 1 lata de cimento.

Fabricação dos caibros: é feita com massa de concreto com vergalhão retorcido. Materiais: 2 latas de areia grossa, 2 de brita e 1 de cimento; 4 tábuas com 1,30 m comprimento, 6 cm de largura, 2 a 3 cm de espessura; 17 varas de vergalhão de ferro ¼ de polegadas. Fazer um gancho na extremidade de cada vara de vergalhão nos 10 cm finais.

Levantamento das paredes:

a) Fabricação da laje do fundo. Traço do concreto: 4 latas de areia grossa, 3 de brita e 1 de cimento.

Espessura de 3 a 4 cm. Riscar 1,73m do centro até as bordas (raio).

b) Assentamento das placas. Materiais: 2 latas de areia por 1 lata de cimento; 102 varas finas de madeira

para escorar as placas. A distancia de uma placa para a outra é de 2 cm.

c) Amarração das paredes - Arame galvanizado Nº 12. A amarração pode ser feita 1 hora após o

levantamento das placas; Iniciar pela base, todas as voltas de arame deverão ser bem distribuídas na parede da cisterna.

d) Reboco das paredes. Areia fina: traço 3 latas de areia para 1 de cimento. (interno); Areia fina: traço 5

latas de areia para 1 lata de cimento (externo); Obs.: Iniciar primeiro o reboco de fora, depois o reboco de

dentro;

e) Reboco do fundo da cisterna. A mesma massa do reboco da parede de dentro.

f) Aplicação do impermeabilizante deve ser feita 1 ou 2 dias, após a construção da cisterna na parte de dentro. Misturar o impermeabilizante com cimento, passar até três demãos. Observação: colocar água na

cisterna depois de pronta para não ressecar;

5. Cobertura: a) Colocação do pilar central; b) Posicionamento dos caibros; c) Colocação das placas do

teto; d) Reboco do teto - 5 latas de areia para 1 de cimento; e) Acabamento: pintura com cal.

6. Colocação do sistema de captação: é feita por meio de calhas de bica, que são presas aos caibros do

telhado da casa e canos que ficam entre as calhas e a cisterna. Na entrada da cisterna deve-se colocar um coador para não passar sujeira para dentro da cisterna.

7. Retoques e acabamentos: esta fase consiste em fazer uma cinta de argamassa para juntar os caibros com

a parede da cisterna; Materiais: Areia fina e cimento: traço 5 latas de areia para 1 lata de cimento; Fixação de Placa de Identificação (conforme modelo padrão). Após a construção da cisterna são instaladas calhas nos telhados e a partir de canos de PVC a água da chuva é direcionada ao reservatório, onde fica armazenada. Mais informações sobre a cisterna de placas podem ser obtidas na publicação Mãos à Obra. Recife: ASA, 2003 Convivência com o Semiárido: um Milhão de Cisternas Rurais, que explica, de maneira fácil, como construir uma cisterna de placas em 10 "passos" e em poucos dias. Orienta desde a escolha do local até o acabamento da cisterna, e que cuidados devem ser tomados para manter a água sempre limpa.

11.5. Irrigação com Potes

O que é: é uma tecnologia de pequeno volume de água que usa potes de barro para implantar irrigação simples e prática em áreas de escassez hídrica, melhorando a distribuição de água na terra. Não é um sistema novo e foi usado pelos romanos durante muitos séculos. Características: esta tecnologia de irrigação está baseada em armazenar e distribuir água no solo usando potes de barro interconectados por tubos de plástico. Um reservatório de nível constante é usado para manter uma pressão de hidrostática fixa. Os potes de barro são normalmente queimados em fornos

Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP]

Ensino Médio Integrado à Educação Profissional

caseiros, sendo fabricados de barro localmente obtido. Os potes, geralmente em forma cônica e de 10 a 12 litros de capacidade, são enterrados parcialmente no solo com somente o topo sobressaindo do chão. A distribuição é realizada através de tubos de PVC para assegurar permeabilidade e porosidade bastante uniformes. A pressão hidrostática é regulada mantendo um nível constante no reservatório de armazenamento, como mostrado na figura 2.

Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP]

Ensino Médio Integrado à Educação Profissional

[EEEP] Ensino Médio Integrado à Educação Profissional O número de potes é função da área de

O número de potes é função da área de cultivo, condições do solo, clima, e tamanho do pote. Sistemas com até 800 potes por hectare já foram instalados no Brasil.

Instalação, Operação e Manutenção: é aconselhável realizar uma análise do solo antes da instalação. A

Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP]

Ensino Médio Integrado à Educação Profissional

instalação do sistema requer cuidados, pois os potes de barro podem ser quebrados facilmente. As curvas de níveis devem estar corretas para que o fluxo de água se processe normalmente por gravidade. É importante também manter a pressão hidrostática. Se esta pressão não puder ser mantida, as conexões entre potes devem ser conferidas para evitar uma possível interrupção no escoamento. A operação do sistema é muito simples, exigindo somente a abertura de válvulas e a reposição da água nos potes. A substituição dos potes é necessária a cada período de 3 a 5 anos.

Custos: o custo médio de implantação deste sistema fica em cerca de US$1.300 por hectare cultivado. Algumas vantagens desta tecnologia: baixo custo; produção agrícola mais alta do que com outros processos de irrigação; reduzidas perdas por infiltração; melhor controle das ervas daninhas; não causa impactos ambientais; apropriada para a horticultura; vandalismo minimizado, pois maioria dos equipamentos está debaixo da superfície do solo; fácil de operar e manter; permite reduzir o uso de fertilizante pela limitação das áreas definidas para as culturas; minimiza a erosão do solo. Algumas desvantagens: difícil de usar em terras rochosas; interrupção da irrigação por quebra de potes; algumas plantas com sistemas de raízes profundas são difíceis de cultivar usando esta tecnologia; dificuldade de comprar ou fabricar potes de barro em algumas regiões; aplicável somente a agricultura em pequena escala.

12. CULTIVO EM NÍVEL. TERRACEAMENTO.

Terraceamento

Conceitualmente dá-se o nome de Terraço a um conjunto formado pela combinação de um canal com um camalhão ou dique de terra, construído a intervalos apropriados no sentido transversal ao declive do terreno, que permite a contenção das enxurradas, forçando a absorção da água pelo solo ou drenagem lenta e segura do excesso de água.

O terraço é uma prática eficiente para controle da erosão, desde que seja criteriosamente planejado, executado e mantido. Um sistema de terraços, se mal planejado ou executado, poderá ocasionar muito danos que benefícios.

É indicado para declives de até 20 % ou pouco mais, dependendo de vários fatores e condições que deverão ser estudados para cada caso particular. Nem todos os solos e declives podem se feitos terraços com êxito. Nos pedregosos ou muito rasos, com subsolo adensado, são muito dispendiosos e difíceis manter um sistema de terraço. As dificuldades de construção e manutenção aumentam à medida que cresce a declividade.

Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP]

Ensino Médio Integrado à Educação Profissional

[EEEP] Ensino Médio Integrado à Educação Profissional UFV – MG e CNPT/EMBRAPA bacias Hidrográficas Foto –

UFV – MG e CNPT/EMBRAPA bacias Hidrográficas