O FUTEBOL BRASILEIRO E O CLUBE DOS EXCLUÍDOS

É muito comum ouvirmos críticas referentes ao futebol local, no sentido de que certa federação de futebol é incompetente ou de que os seus clubes filiados são fracos e amadores. Provavelmente, isso deve ser natural em muitos estados, concernente às suas federações e clubes – principalmente, nas regiões norte, nordeste e centro-oeste do Brasil. Mas, significa isso que as federações e os clubes que estão na elite do futebol brasileiro são mais profissionais do que os demais? Provavelmente, não! Inclusive, é comum lermos e ouvirmos críticas da imprensa desportiva quanto aos desmandos e graves erros de gestão nessas federações grandes e seus respectivos clubes. Entretanto, um importante detalhe diferencia quem está fora da elite e quem dentro dela está: a incompetência destes últimos é mascarada pelos milhões de reais que recebem em cotas de televisão e de patrocínio. E, pior ainda, existe outro fator que torna lastimável essa questão: as centenas de milhões que esses ‘filhos ricos’ do futebol brasileiro recebem estão diretamente vinculadas à desgraça do futebol dos estados que estão fora da elite. É isso mesmo que você acabou de ler: o modelo atual de futebol nacional é responsável por reduzir a quase nada o futebol gerido pela maioria das federações vinculadas à CBF. E, o objetivo deste artigo é abordar algumas dessas contradições e injustiças que ocorrem no futebol nacional. No âmbito do que aqui é abordado, podemos afirmar que o futebol brasileiro é atualmente composto por dois segmentos básicos: os ESTADOS-COLÔNIAS* e os CLUBES-COLONIZADORES**. Importante ressaltar, também nesse contexto, que o processo formação desses segmentos passa por dois momentos distintos no futebol nacional, que denominamos aqui de PERÍODO PRÉ-COLONIAL DE MERCADO e ERÍODO COLONIAL DE MERCADO.

* ESTADOS-COLÔNIAS: No contexto deste artigo, refere-se aos estados brasileiros que possuem grande quantidade de torcedores de clubes não-locais, principalmente das agremiações que, durante muitos anos, têm tido a preferência de exposição nas mídias de massa e de participação nos campeonatos mais importantes. ** CLUBES-COLONIZADORES: No contexto aqui abordado, refere-se aos clubes detentores de grandes torcidas, em vários estados, graças à excessiva exposição nas mídias de massa e participação constante nos mais importantes campeonatos.

Período Pré-Colonial de Mercado

O período especificado no título acima se refere à fase em que alguns clubes, principalmente do sudeste brasileiro, conquistaram, de modo gradativo, a simpatia dos torcedores das outras regiões. Tal fenômeno tomou corpo na mesma proporção que as mídias de massa foram promovendo esses clubes, juntamente com seus respectivos ídolos e títulos. Além disso, bem no início desse processo, diferentemente do que ocorre hoje, os grandes ídolos do futebol brasileiro não jogavam no exterior, mas promoviam a imagem dos clubes do sudeste. Porém, por mais que tenha havido a contribuição da imprensa nacional, a entrada desses clubes no imaginário de torcedores de outras regiões ocorreu de modo natural, ou seja, sem uma ação colonizadora pré-planejada ou que visasse conquista de mercado. Nessa fase, as federações e os clubes dos ESTADOS -COLÔNIAS não viam os times do sudeste como concorrentes. Um dos motivos era a existência, nesses estados, dos torcedores denominados MISTOS, os quais torciam por dois times – um local e um de fora. Era comum nessa época observar torcedores no estádio vendo um jogo local e escutando, via rádio, o jogo do seu segundo time. Outro detalhe interessante era que o formato do campeonato brasileiro nesse período (anos 70 e 80, por exemplo), permitia que as federações estaduais tivessem um ou mais representantes, na primeira divisão. Assim sendo, era natural termos estádios cheios nos campeonatos regionais e nacionais, em quase todas as regiões do Brasil.

(Foto: Rio Negro e Nacional decidindo o segundo turno do Campeonato Amazonense, em 1987)

Início do Período Colonial de Mercado

Na segunda parte dos anos oitenta, inicia-se um processo que podemos chamar de EUROPEIZAÇÃO do futebol brasileiro. Denominamos neste artigo esse novo momento do futebol nacional como PERÍODO COLONIAL DE MERCADO. O tipo de colonização efetuada pelos clubes do sudeste, que antes ocorrera de forma natural e romântica, surge agora com um novo formato. Inegável é o fato de que as ações próprias de marketing e mercado dos clubes de massa ocorrem hoje graças ao caminho pavimentado por eles próprios, a partir da criação do CLUBE DOS 13. Em 1987, devido a um momento crítico na gestão financeira da CBF, treze clubes nacionalmente conhecidos decidiram transformar crise em oportunidade. Resolveram, numa visão focada rigorosamente no capital, colher os frutos plantados no PERÍODO PRÉ-COLONIAL DE MERCADO. Perceberam que tinham em suas mãos todos os ingredientes necessários para a criação de um campeonato brasileiro independente, sem os demais clubes filiados a Confederação. Sim, eles realmente tinham tudo torcedores e simpatizantes espalhados por todo o território nacional, bem como dirigentes ambiciosos e uma emissora ávida por poder e lucros exorbitantes.

(Imagem: Globo e Clube dos 13 – os donos do futebol brasileiro)

A partir dali iniciou-se um processo de europeização do futebol brasileiro. Aliás, europeizaram somente o que entendiam valer a pena mudar - por exemplo, promoveram o gradual e progressivo enxugamento no número de participantes do Campeonato Brasileiro. Nesse processo de transformação, desconsideraram a dimensão continental do Brasil, como se o futebol brasileiro e a CBF tivessem a mesma abrangência social e geográfica que possuem uma liga espanhola ou inglesa.

Desconsideraram, também, o fato de que a CBF é composta por 27 federações de futebol, a grande maioria delas sediadas nos ESTADOSCOLÔNIAS. Logicamente, os membros do CLUBE DOS 13 nunca tiveram a audácia de abandonar por completo a CBF. Seria impossível atingirem suas ambições sem continuarem filiados à Confederação. Seria impossível, por exemplo, qualquer clube participar da Libertadores da América sem a devida vinculação a CBF. De qualquer modo, o futebol nacional passa a entrar numa nova era, caracterizada pela concentração de poder nas mãos de poucos e pelo início do fim do futebol local dos ESTADOS-COLÔNIAS.

(Imagem: Europa “dentro” do Brasil. Não somos Espanha, Itália ou Alemanha – a nossa realidade é outra!)

Antes mistos e, depois, nem mistos Obviamente, o primeiro golpe que as federações dos ESTADOSCOLÔNIAS sofreram foi a exclusão de seus clubes da primeira divisão do futebol nacional. Mas, depois, vieram as sequelas dessa primeira pancada – uma delas foi a diminuição da importância dos campeonatos locais, que passaram a não valer vaga para a primeira divisão. A segunda sequela foi o gradativo desinteresse do público pela ida aos estádios e a indiferença da população para com o futebol local.

(Imagem: Os ESTADOS-COLÔNIAS possuem uma população cada vez mais indiferente, quando o assunto é o futebol local.)

Porém, tudo o que fez mal para o futebol dos ESTADOS-COLÔNIAS, fez bem para os CLUBES-COLONIZADORES. Além dos torcedores mistos conquistados no PERÍODO PRÉ-COLONIAL, eles tinham à disposição milhões de jovens e crianças que passaram a crescer sem qualquer identificação com clubes de seus respectivos estados. No Amazonas, por exemplo, a quantidade dos que torcem somente por times de fora é bem maior até mesmo do que os mistos – diferentemente do nordeste brasileiro, onde é comum a figura do torcedor de dois times. Assim, clubes como o Flamengo, São Paulo, Vasco, Corinthians e Santos possuem juntos milhões de torcedores (mistos e não-mistos) espalhados pelo Brasil, graças a exagerada exposição de imagem que tiveram durante as últimas décadas. Tal concentração de poder tem proporcionado a movimentação de centenas de milhões de reais, em troca da miséria do futebol nos ESTADOS-COLONIAS.

O Auge do Período Colonial Chegamos, enfim, ao momento atual, quando vemos os CLUBESCOLONIZADORES lutando por conquistas ainda maiores. Ainda que tardiamente, começam agora a usar os grandes profissionais de marketing e mercado, visando extrair o máximo de riqueza possível d os ESTADOS-COLÔNIAS. Um fato que certamente marca esse novo momento é a virada de mesa, ocorrida em 2011, quando os times de maior torcida decidiram negociar a transmissão de seus jogos diretamente com a Rede Globo. Eles foram orientados acerca dos milhões a mais deixariam de ganhar, caso negociassem os direitos de TV (2012/2014) por meio do Clube dos 13. Enfim, o que o Clube dos 13 fez com a CBF, esses clubes de ponta fizeram com a própria associação que criaram – tudo visando à conquista do Brasil, do mundo e de muito mais milhões.

(Imagem: Membros do Clube dos 13 não resistiram a tentação de negociar seus jogos diretamente com a Rede Globo.)

Também, podemos exemplificar de outras maneiras a importância dos ESTADOS-COLÔNIAS para os CLUBES-COLONIZADORES – não estamos nos referindo à importância social, mas a financeira, mesmo. A primeira exemplificação tem haver com a decadência do campeonato regional desses grandes clubes, principalmente o Campeonato Carioca. Cada vez mais, os torcedores locais desses times têm abandonado os estádios quando a disputa envolve o campeonato regional (obviamente, não cabe aqui neste artigo debatermos essa problemática). Mas, surpreendentemente, esses clubes e a emissora detentora dos direitos de transmissão, continuam dando importância a esses campeonatos regionais. E o motivo é óbvio: a audiência e o interesse dos torcedores dos outros estados.

Outro fato que exemplifica a importância dos outros estados para os CLUBES-COLONIZADORES é a realização, cada vez mais frequente, de seus jogos nos ESTADOS-COLÔNIAS. Se, de um ponto de vista positivo, a realização desses jogos deixará os estádios e arenas d esses estados com menos ociosidade e prejuízo, do ponto de vista negativo, os CLUBES-COLONIZADORES estarão literalmente fincando suas bandeiras e tomando a posse definitiva do futebol desses lugares. Uma coisa é certa: chegamos a um ponto da problemática abordada neste artigo em que podemos levantar os seguintes questionamentos: É a configuração atual dos campeonatos nacionais parte de uma dura realidade que jamais poderá ser mudada, pelo fato de que quem manda no futebol brasileiro é a rede de televisão tal e os clubes fulanos, beltranos e sicranos? Ou seria possível existir alguma possibilidade de termos um futebol profissional brasileiro sem tanta concentração de mídia, preferência e poder? Talvez, exista sim um caminho razoável capaz de mudar esse cenário de tanta desigualdade e injustiça no futebol nacional – um caminho alternativo que transforme o nosso europeizado football em um esporte verdadeiramente popular, com a cara e o tamanho do Brasil.

(Imagem: Figura copiada de um grupo de debates do Facebook denominado Futebol Norte e Nordeste)

Ou independência ou morte!

Não existe um terceiro caminho - ou as federações dos ESTADOSCOLÔNIAS lutam pela INDEPENDÊNCIA diante dos CLUBES COLONIZADORES dos estados do sudeste ou assinam definitivamente o atestado de óbito do seu futebol profissional local. A expressão independência, nesse contexto, não tem haver com a criação de ligas próprias, nem com pedidos de desfiliação em massa na CBF. Ser independente significa deixar de ser mera sub-sede de clubes de fora para figurar novamente no mapa do futebol nacional. Um grito de independência deve estar relacionado com um grande clamor dos estados colonizados e suas respectivas federações e clubes contra o monopólio do futebol brasileiro e contra a concentração de poder. Ou gritamos independência ou a morte será certa. Também, o termo MORTE não tem haver com o abandono do futebol ou com desfiliação em massa de clubes. O que está envolvido aqui é a morte do futebol profissional local, a morte dos nossos clubes (incluindo os centenários), a morte da ida do povo ao estádio, a morte dos empregos diretos e indiretos que um futebol local forte proporciona, a morte das nossas tradições, cultura e identidade, a morte definitiva dos sonhos de nossas crianças, que antigamente almejavam jogar em um time local, a morte dos nossos estádios, que serão usados para tudo, menos para o futebol. Por tudo isso, não existe outra medida a ser tomada pelas federações excluídas do cenário nacional, senão a união de todas elas em prol de um único objetivo: a alteração do mapa do futebol nacional. O mapa do Brasil não cabe na Alemanha e, muito menos, na Espanha ou na Itália. Muito pelo contrário, toda a Europa é que cabe no Brasil. Mais que um país, somos um continente. Não somos obrigados a aceitar que o que é bom para eles é bom para nós. Enfim, o cenário do futebol nacional tem que ser alterado por quem tem o legítimo poder de mudar tudo: as federações e os clubes, por intermédio de instrumentos democráticos. Surpreendentemente, as federações não se deram conta (ou, no mínimo, fingem não saber) do poder que têm nas mãos para mudar o futebol de seus estados.

Mas, existe algo que pode ser feito para que o futebol nacional volte a ser propriedade dos seus legítimos donos, o povo brasileiro? Apresento aqui algumas sugestões: 1. As federações atualmente excluídas da elite do futebol nacional poderiam criar uma associação nos moldes do Clube dos 13. Essa nova associação atingiria, aproximadamente, um total de 21 membros (CLUBE DAS 21 FEDERAÇÕES, CLUBE 21 ou C-21). Chegamos nessa quantidade máxima de 21 membros excluindo dessa hipotética lista as federações que hoje comandam o nosso injusto e desigual futebol brasileiro. Certamente, estariam fora três federações do Sul e três do Sudeste (partindo da hipótese de que o Espirito Santo fizesse parte do C-21). O CLUBE 21 seria composto pelas federações do norte, nordeste, centro-oeste brasileiro e a federação capixaba. 2. O CLUBE 21 surgiria como uma importante força no cenário político da CBF. Unidas, tais federações teriam um papel relevante nas próximas eleições daquela entidade. Poderiam até ter um candidato próprio ou, pelo menos, algum que apoiasse suas demandas. Atualmente, uma eleição na CBF pode contabilizar o máximo de 47 votos – 27 das federações e 20 dos clubes da elite do futebol. Em uma eleição na qual participem todos os eleitores, venceria o candidato que obtivesse, no mínimo, 24 votos. Aparentemente, seria uma missão espinhosa para o C-21 eleger um candidato. Porém, existem pelo menos dois cenários em que isso poderia se tornar realidade. Numa primeira hipótese, seria necessário que o C-21 chegasse à eleição como C-24 – algo improvável de acontecer. Em outro cenário, o candidato apoiado pelo C-21 precisaria conquistar votos de três clubes, no mínimo. O importante é que, ganhando ou não as eleições da entidade máxima do futebol nacional, o CLUBE 21 unido conquistaria um espaço que hoje não possui, principalmente concernente às decisões a serem tomadas nas assembleias daquela instituição.

3. O CLUBE 21 teria que lutar também contra algo tão problemático quanto à questão da ocupação de espaço político na CBF. Refiro-me a uma grande aberração jurídica e social dos clubes da elite e da própria confederação. Por incrível que pareça, a Confederação Brasileira de Futebol e a grande maioria dos clubes são entidades SEM FINS LUCRATIVOS. Mesmo assim, eles tratam o futebol nacional como um produto a ser vendido apenas como produtor de riqueza, no sentido rigorosamente capitalista.

Na realidade, o que deve ser questionado aqui não é a produção de riqueza em si, mas a concentração dessa riqueza nas mãos de poucos. É natural que alguns clubes, por terem mais nome ou serem mais organizados e competentes, produzam mais riquezas do que outros. Porém, o que deve ser considerado inaceitável e injusto é a usura que fazem da CBF, quando obrigam a maioria das federações a ela vinculadas aceitarem o Campeonato Brasileiro nos mesmos moldes das ligas europeias. Portanto, uma alteração efetiva no mapa do futebol nacional deveria começar por uma urgente mudança no formato do Campeonato Brasileiro.

Um Novo Brasileirão Atualmente, nossas competições nacionais são cópias das principais ligas e copas europeias. Podemos usar como exemplo as ligas e as copas da Inglaterra, onde existe a Premier League, que é a primeira divisão, composta por 20 equipes. Na Premier, as equipes competem entre si, no sistema de pontos corridos, como ocorre no Campeonato Brasileiro. Além da liga principal, existem lá as ligas de acesso, basicamente, da mesma maneira que temos aqui as Séries B, C e D. Concernente às copas, o sistema é o de confrontos diretos e eliminatórios, igual a Copa do Brasil – inclusive, como ocorre também aqui, as copas da Inglaterra são mais abrangentes e democráticas, pois têm a participação dos clubes de várias divisões. Mas, conforme está sendo argumentado até agora, a dimensão geográfica, política e social do futebol brasileiro não pode ser comparada com a da Inglaterra, da Itália ou da Espanha. Por exemplo, o impacto ocorrido pela mudança do antigo campeonato inglês para o atual, a Premier League, jamais poderá ser comparado com o golpe sofrido pela maioria das federações do futebol brasileiro, a partir da criação do Clube dos 13.

(Imagem: Arena de Brasília/DF. Estádio que será usada para tudo, inclusive para jogos dos CLUBES COLONIZADORES. Raríssimas vezes, será usado para o futebol local.)

Assim sendo, o modelo vigente antes, em que os campeões e vices campeões estaduais disputavam respectivamente a primeira e a segunda divisão, tem mais haver com a nossa realidade. Naquele formato de campeonato, jamais prosperaria a hoje popular teoria dos ‘elefantesbrancos’, tão propagada pelos que criticam a construção de grandes estádios em Manaus, Cuiabá, Natal e Brasília. Teríamos, novamente, campeonatos regionais mais interessantes, principalmente nas federações que atualmente estão extintas do mapa do futebol profissional brasileiro. Enfim, teríamos um campeonato nacional com a cara do Brasil e os ESTADOS-COLÔNIAS com melhores perspectivas para o seu mercado interno. Portanto, é imperativo que haja uma reestruturação na forma de disputa do campeonato nacional – uma completa alteração que atenda aos interesses de todas as federações sem, contudo, interferir grandemente nas demandas do que hoje estão na elite do futebol. Seguem agora algumas sugestões: 1. Campeonato Brasileiro apenas com SÉRIE A e SÉRIE B, com cada divisão disputada por 48 clubes. A composição e o funcionamento dessas divisões ocorreriam da seguinte forma: SÉRIE A – Composta pelos 16 clubes melhores colocados do atual Brasileirão, pelos 04 clubes que sobem da atual segunda divisão, por mais 01 clube com melhor índice técnico da segunda divisão e, por fim, pelos clubes campeões ou melhores colocados nos regionais das 27 federações (16+4+1+27=48). Devido essa quantidade de clubes, seria inviável uma fórmula de disputa por pontos corridos, assim como não seria interessante a opção pelo sistema eliminatório, com jogos de ida e volta. Teria de haver, portanto, equilíbrio e razoabilidade quanto à quantidade de rodadas, bem como o número de jogos de cada participante. Atualmente, com o sistema de pontos corridos, o campeonato brasileiro tem 38 rodadas de 10 jogos, perfazendo um total de 380 jogos. Assim, cada um dos 20 clubes joga o total de 38 jogos, em todo o campeonato. No novo sistema sugerido, não haveria uma mudança drástica nessas quantidades globais.

TABELA 1 – QUANTIDADE DE JOGOS NO SISTEMA ATUAL DIVISÕ ES Nº DE CLUBES Nº DE JOGOS MÁXI MO DE JOGOS POR CLUBE 38 38 24 16 MÍNIM O DE JOGOS POR CLUBE 38 38 18 08 -

SÉRIE A SÉRIE B SÉRIE C SÉRIE D SÉRIES (A+B+C+D)

20 20 20 40 100

380 380 194 190 1.144

TABELA 2 – QUANTIDADE DE JOGOS NO NOVO SISTEMA DIVISÕ ES Nº DE CLUBES Nº DE JOGOS MÁXIM MÍNIM O DE O DE JOGOS POR JOGOS POR CLUBE CLUBE 40 10

SÉRIE A SÉRIE B SÉRIES (A+B)

48

478

48

446

36

10

96

924

-

-

SÉRIE A
PRIMEIRA FASE: (8 GRUPOS) X (6 CLUBES) = 48 CLUBES DISPUTANDO, NOS RESPECTIVOS GRUPOS, JOGOS DENTRO E FORA DE CASA. TOTAL DE JOGOS NA PRIMEIRA FASE: 240 JOGOS = (3 JOGOS POR RODADA, EM CADA GRUPO) X (10 RODADAS) X (8 GRUPOS). TOTAL DE JOGOS POR CLUBE, NA PRIMEIRA FASE: 10 JOGOS = (5 JOGOS EM CASA) + (5 JOGOS FORA).

SEGUNDA FASE: (8 GRUPOS) X (4 CLUBES) = 32 CLUBES DISPUTANTO, NOS RESPECTIVOS GRUPOS, JOGOS DENTRO E FORA DE CASA. TOTAL DE JOGOS NA SEGUNDA FASE: 96 JOGOS = (2 JOGOS POR RODADA, EM CADA GRUPO) X (06 RODADAS) X (8 GRUPOS). TOTAL DE JOGOS POR CLUBE, NA SEGUNDA FASE: 06 JOGOS = (3 JOGOS EM CASA) + (3 JOGOS FORA).

TERCEIRA FASE: (2 GRUPOS) X (8 CLUBES) = 16 CLUBES DISPUTANTO, NOS RESPECTIVOS GRUPOS, JOGOS DENTRO E FORA DE CASA. TOTAL DE JOGOS DA TERCEIRA FASE: 112 JOGOS = (4 JOGOS POR RODADA, EM CADA GRUPO) X (14 RODADAS) X (2 GRUPOS). TOTAL DE JOGOS POR CLUBE, NA TERCEIRA FASE: 14 JOGOS = (7 JOGOS EM CASA) + (7 JOGOS FORA).

QUARTA FASE: (2 GRUPOS) X (4 CLUBES) = 08 CLUBES DISPUTANTO, NOS RESPECTIVOS GRUPOS, JOGOS DENTRO E FORA DE CASA. TOTAL DE JOGOS DA TERCEIRA FASE: 24 JOGOS = (2 JOGOS POR RODADA, EM CADA GRUPO) X (06 RODADAS) X (2 GRUPOS). TOTAL DE JOGOS POR CLUBE, NA TERCEIRA FASE: 06 JOGOS = (3 JOGOS EM CASA) + (3 JOGOS FORA).

FASE SEMIFINAL: 04 CLUBES DISPUTANDO JOGOS DE IDA E VOLTA, COM O CRUZAMENTO ENTRE OS DOIS MELHORES DE CADA GRUPO DA FASE ANTERIOR. TOTAL DE JOGOS DA SEMI-FINAL: 4 JOGOS. TOTAL DE JOGOS POR CLUBE: 2 JOGOS.

FASE FINAL: 02 CLUBES DISPUTANDO A FINAL, EM JOGOS DE IDA E VOLTA. TOTAL DE JOGOS DA FASE FINAL: 02 JOGOS TOTAL DE JOGOS POR CLUBE: 02 JOGOS No sistema acima especificado, os 16 melhores colocados da Série A, seguirão para as próximas fases e já estarão garantidos na primeira divisão do ano subsequente. Os 04 clubes com melhor índice técnico dentre os que terminaram em terceiro lugar nos grupos da segunda fase, teriam dois benefícios: não ficariam com poucas partidas jogadas, pois entrariam na terceira fase da Série B, onde disputariam oito jogos ou mais, além de tentarem ficar entre os quatro melhores e participarem da Série A, já no próximo ano. Enfim, as duas divisões do campeonato brasileiro contariam sempre com dois segmentos de clubes participantes: os 21 clubes melhores colocados do campeonato anterior e os 27 clubes campeões ou melhores colocados nos campeonatos estaduais.

A SÉRIE B seria basicamente parecida com a primeira divisão, porém com a diferença acima referida: contaria com 20 clubes na terceira fase (os 16 que passaram de fase e os 04 que ficaram na segunda fase da SÉRIE A). A segunda divisão ficaria, portanto, com o seguinte formato:

SÉRIE B
PRIMEIRA FASE: (8 GRUPOS) X (6 CLUBES) = 48 CLUBES DISPUTANDO, NOS RESPECTIVOS GRUPOS, JOGOS DENTRO E FORA DE CASA. TOTAL DE JOGOS NA PRIMEIRA FASE: 240 JOGOS = (3 JOGOS POR RODADA, EM CADA GRUPO) X (10 RODADAS) X (8 GRUPOS). TOTAL DE JOGOS POR CLUBE, NA PRIMEIRA FASE: 10 JOGOS = (5 JOGOS EM CASA) + (5 JOGOS FORA).

SEGUNDA FASE: (8 GRUPOS) X (4 CLUBES) = 32 CLUBES DISPUTANTO, NOS RESPECTIVOS GRUPOS, JOGOS DENTRO E FORA DE CASA. TOTAL DE JOGOS NA SEGUNDA FASE: 96 JOGOS = (2 JOGOS POR RODADA, EM CADA GRUPO) X (06 RODADAS) X (8 GRUPOS). TOTAL DE JOGOS POR CLUBE, NA SEGUNDA FASE: 06 JOGOS = (3 JOGOS EM CASA) + (3 JOGOS FORA).

TERCEIRA FASE: (4 GRUPOS) X (5 CLUBES) = 20 CLUBES DISPUTANTO, NOS RESPECTIVOS GRUPOS, JOGOS DENTRO E FORA DE CASA. TOTAL DE JOGOS DA TERCEIRA FASE: 80 JOGOS = (2 JOGOS POR RODADA, EM CADA GRUPO) X (6 RODADAS) X (4 GRUPOS). TOTAL DE JOGOS POR CLUBE, NA TERCEIRA FASE: 08 JOGOS = (4 JOGOS EM CASA) + (4 JOGOS FORA).

QUARTA FASE: (2 GRUPOS) X (4 CLUBES) = 08 CLUBES DISPUTANTO, NOS RESPECTIVOS GRUPOS, JOGOS DENTRO E FORA DE CASA. TOTAL DE JOGOS DA TERCEIRA FASE: 24 JOGOS = (2 JOGOS POR RODADA, EM CADA GRUPO) X (06 RODADAS) X (2 GRUPOS). TOTAL DE JOGOS POR CLUBE, NA TERCEIRA FASE: 06 JOGOS = (3 JOGOS EM CASA) + (3 JOGOS FORA).

FASE SEMI-FINAL: 04 CLUBES DISPUTANDO JOGOS DE IDA E VOLTA, COM O CRUZAMENTO ENTRE OS DOIS MELHORES DE CADA GRUPO DA FASE ANTERIOR. TOTAL DE JOGOS DA SEMI-FINAL: 4 JOGOS. TOTAL DE JOGOS POR CLUBE: 2 JOGOS.

FASE FINAL: 02 CLUBES DISPUTANDO A FINAL, EM JOGOS DE IDA E VOLTA. TOTAL DE JOGOS DA FASE FINAL: 02 JOGOS TOTAL DE JOGOS POR CLUBE: 02 JOGOS

(Imagens: Anapolina/GO e Rio Negro/AM, participantes do antigo campeonato brasileiro, a Taça de Ouro – 1982)

Europa é Europa – aqui é Brasil!

A quem interessa termos um campeonato nacional nos mesmos moldes das ligas espanhola, italiana ou inglesa? Certamente, tal concentração de poder, mídia e muito dinheiro atende somente aos interesses dos pouquíssimos clubes, dirigentes, empresários e emissoras que tomaram posse do futebol brasileiro. Inclusive, existe a tendência natural dos dois clubes detentores das maiores torcidas do Brasil concentrarem ainda mais poder, no mesmo caminho traçado por Barcelona e Real Madrid. Ou seja, a ganância e a ambição dos que mandam e desmandam no futebol brasileiro são ilimitadas. Tudo isso tem que acabar! O futebol nacional é um patrimônio do povo brasileiro e, no âmbito profissional, deve pertencer somente a CBF e suas federações. Que cada clube use sua própria competência para crescer e conquistar mais, porém que isso não continue ocorrendo à custa da falência do futebol dos outros estados. Inclusive, eles são competentes para desrespeitar até mesmo seus próprios torcedores de outros estados, quando negociam seus JOGOS CLÁSSICOS para a TV PAGA e liberam os piores jogos para o canal aberto. O povão trabalha a semana inteira e, no domingo, acaba sendo obrigado a assistir um ‘Botafogo x Olaria’, pois o FLA-FLU só vai poder ser visto por quem pagou para assistir (e o pior é que tudo isso acontece para atender aos interesses dos donos dos canais pagos, que são os mesmos donos do canal aberto – OS DONOS DO FUTEBOL BRASILEIRO). Portanto, a intenção deste artigo é esta: despertar as federações e os clubes excluídos do mapa do futebol nacional para uma grande mobilização visando à reconquista de seus direitos legítimos - um ‘grito dos excluídos’ vindo de todos os ESTADOSCOLÔNIAS, na direção dos CLUBES-COLONIZADORES e dos que monopolizam o futebol nacional: “O futebol é patrimônio do povo brasileiro e não pertence a meia dúzia de clubes. Europa é Europa – aqui é BRASIL”.
Autor: Adriano Campelo. Servidor público federal, desportista e membro do movimento popular Hora do Futebol Amazonense. www.facebook.com/adriano.acs campelo1000@gmail.com

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