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Em jeito de conclusão

No final desta formação é importante uma breve reflexão sobre os seus


pressupostos teóricos em que se baseia a auto avaliação das Bibliotecas Escolares.

Todos sabemos que são novos os desafios que se colocam à escola pois
assistimos a uma reforma tecnológica do ensino com a introdução das TIC, quadros
interactivos, computadores Magalhães… No entanto as Bibliotecas Escolares continuam
a ser o local onde se concentra a informação, nos seus mais variados suportes. A BE
deixou de ser só o espaço, a colecção e o equipamento. Hoje, a BE disponibiliza
informação que deve ser transformada em conhecimento, um local onde se aprenda a
aprender. A transformação da BE em espaço de conhecimento tem vindo a constituir a
nova palavra de ordem de autores como Todd Ross, Eisenberg e Doug Johnson entre
outros.

Esta reconceptualização da BE implica alterações ao nível da gestão. As BE são,


cada vez mais, chamadas a colaborar efectiva e colaborativamente com os alunos e os
professores na implementação do currículo. Se, enquanto espaço de informação, a BE
se caracterizava pela gestão de colecções e de recursos humanos e por facultar o acesso
ao fundo documental e equipamentos agora, enquanto espaço de conhecimento,
necessita de gerir a construção do conhecimento através da promoção de competências
na literacia da informação. O planeamento partilhado entre o coordenador da biblioteca
e os restantes professores é essencial no ensino aprendizagem centrado no aluno.

Doug Johnson refere um ambiente escolar baseado no diálogo permanente e na


necessidade de relacionar os serviços prestados pela biblioteca com o currículo e as
actividades da Projecto Curricular de Escola. Eisenberg centraliza esta questão na figura
do professor bibliotecário que deverá assumir uma posição de liderança junto de todos
os profissionais e dos órgãos de gestão da escola, para implementação de novas práticas
de ensino e de aprendizagem.
A IFLA, em 2000, refere-se ao Funcionamento e Gestão das Biblioteca,
considerando muito importante o clima organizacional e colaborativo existente na
escola assim como a avaliação da qualidade dos serviços da BE. É através dela, da
avaliação, que se recolhem evidências e se tem o feedback do sucesso / insucesso dos
objectivos e planos previamente traçados
Um pouco por todo o mundo têm surgido artigos e estudos diversos sobre a auto-
avaliação das bibliotecas escolares defendendo a premência da concretização da
avaliação, como metodologia de controlo, numa gestão dirigida para o sucesso e
liderada pelo professor bibliotecário.
Pelo exposto percebemos que, no meio académico onde se reflecte sobre as
questões das Bibliotecas, a avaliação da BE encontra-se directamente relacionada com o
processo de planeamento e que a estratégia e as decisões a tomar devem basear-se nas
evidências e informação recolhidas. Neste contexto é fundamental o papel do Professor
Bibliotecário a quem compete analisar o ‘impacto das actividades’ desenvolvidas pela e
através da BE, assim como identificar os Pontos Fortes e Fracos de forma a poder
definir um ‘Plano de Acção’ com vista à recuperação dos aspectos menos positivos
detectados nos diversos domínios de gestão da BE.
A avaliação é fundamental para um planeamento da acção prática que ajude a
construir uma Biblioteca e Escola de qualidade.

Posto isto, necessito de reflectir sobre o que aprendi com esta acção. O que
aprendi foi precisamente como aplicar, numa vertente muito prática, o modelo de
autoavaliação da biblioteca. Se a reflexão teórica proporcionada pelos textos
disponibilizados foi importante, os exercícios mais pragmáticos resolvidos nas diversas
sessões não o foram menos. Todos eles, e aqui incluo a sessão presencial com a Dr.ª
Glória Bastos (sobre a qual ainda não me tinha referido), mostrou ser de extrema
relevância pois tratou-se de uma chamada de atenção para determinados erros que se
comentem na prática e que urge corrigir. Realmente ‘descrever’ não é ‘avaliar’ e se
precisamos de primeiro descrever a realidade das bibliotecas (baseando-nos sempre nas
evidências) temos de em seguida Avaliar. Não podemos ter medo de avaliar, pois só
avaliando, só encontrando pontos fortes e fracos nas nossas acções, é que poderemos
planear estratégias de melhoria que nos conduzam progressivamente a um trabalho com
qualidade. É o que todos pretendemos.