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REGRAS PARA A ELABORAÇÃO DE FICHAS DE LEITURA

(para uso didático)


[Adaptado por Jalcione Almeida de http://www.fdiogo.uac.pt/pdf/Regras_ficha_leitura.pdf]

O que é uma ficha de leitura

A ficha de leitura é um resumo das ideias de um autor contidas num texto (livro, artigo ou
outro), tendo como objetivo preparar um trabalho de maior fôlego onde pretendemos conciliar a
informação proveniente de várias fichas de leitura com as nossas conclusões de maneira a produzir
um trabalho sistemático e original. É importante distinguir entre dois tipos de ficha de leitura: (i) a
ficha com a qual se pretende resumir as principais ideias do texto, tendo como objetivo evitar a
necessidade de lá voltar, permitindo a sua utilização em vários trabalhos distintos (as fichas de
citação); e (ii) a ficha com a qual apenas pretendemos reter as ideias do autor que são pertinentes
para o trabalho que estamos realizando (de maneira a distinguir da anterior chamamos de notas de
leitura), acrescido de comentários críticos. É em relação a este último caso que se dirige este
documento.
Esta definição obriga a que se leve em consideração os seguintes aspectos: a ficha de leitura
é um momento de um movimento mais amplo, constituído pela leitura sucessiva de conjuntos de
textos, em que cada conjunto ajuda a aperfeiçoar os nossos objetivos e estes determinam o novo
conjunto a ler (QUIVY; CAMPENHOUDT, 1992). A ficha de leitura não é um fim em si mesmo,
mas um meio para se conseguir voltar às principais conclusões de um texto sem ter que tornar a lê-
lo; a ficha de leitura é um instrumento de trabalho do seu autor e se dirige exclusivamente a um
único público, ele próprio ou a uma demanda específica (exercício de aula, por exemplo).

Distinção entre ficha de leitura, resumo e resenha crítica

O tipo de ficha de leitura que é referido não é um resumo de obra ou uma resenha crítica,
embora partilhe com estas formas de trabalhar os textos o propósito de condensar as ideias contidas
no documento em pauta. A grande diferença é que a ficha de leitura procura fazer essa condensação
a partir de uma orientação exterior ao texto: os nossos objetivos. Com efeito, num dado texto não
interessa ler tudo, mas apenas ler e condensar o que é pertinente para os nossos objetivos. Fica
claro, pois, que as fichas de leitura, nesta acepção, não são resumos das obras, mas resumos das
ideias nelas contidas que nos interessam para os nossos propósitos.

Elementos constituintes da ficha de leitura

Uma ficha de leitura deve começar sempre pela referência completa que permite ao autor
voltar a localizar o texto em pauta a partir desses elementos e colocar a referência corretamente na
bibliografia final do seu trabalho. Esta referência deve aparecer de forma separada do texto, no alto
da página, e ser bem visível a um olhar casual pela página. Uma estratégia é a de separar a
referência bibliográfica do corpo da ficha de leitura com uma barra e algumas linhas em branco.
Dada a quantidade de textos lidos para a realização de qualquer trabalho e a possibilidade
forte de se voltar ao mesmo texto por meio da sua ficha de leitura em diferentes trabalhos
realizados, este é um exercício que se recomenda vivamente. Não poder citar uma ideia muito
interessante porque se perdeu a referência completa da obra é uma possibilidade bem real (e
frustante!).
O que se segue é a sinopse, isto é, um resumo, em não mais do que dois ou três parágrafos,
das ideias principais da obra fichada. Note-se que, se este ponto é o segundo a aparecer, deve ser o
último a ser realizado, dado tratar-se de uma espécie de resumo do resumo que a ficha constitui. A
realização da sinopse não deve ser desprezada porque, muitas vezes, é, em particular para as
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pessoas com menos prática, o elemento chave para a compreensão da principal ideia de um dado
texto. Na sinopse deve aparecer, de forma bem explícita e hierarquizada, em primeiro lugar, a
principal ideia do autor e, em segundo lugar, a(s) ideia(s) importante(s) para os nossos objetivos.
A grande maioria do texto que constitui uma ficha de leitura diz respeito à condensação
crítica do trabalho do autor com interesse para os nossos objetivos. Neste sentido, deve-se começar
por procurar a ideia central que o autor defende no seu texto e de que forma esta se relaciona com as
ideias que interessam aos nossos objetivos. Estas últimas podem não coincidir com a ideia central,
mas estão sempre relacionadas a ela.
Note-se que, para o próprio autor, nem todas as ideias têm a mesma importância; estas se
articulam num processo de relacionamento mais ou menos hierarquizado onde ideias menos
importantes dependem, ou são deduzidas, de outras mais importantes. Este processo encontra o seu
limite na ideia central do texto que serve de fio condutor e lhe dá coerência.
A condensação subjacente a este processo implica que muito do que o autor escreveu não
seja tido em conta no produto final, pois condensar é sempre perder informação. É por isso que a
ficha de leitura é uma interpretação do trabalho do autor orientada pelos nossos objetivos: só nos
interessa conservar o que nos afigura relevante. De outra forma, a ficha de leitura seria a simples
interpretação do texto, dizendo respeito ao outro tipo de ficha referenciado.
Note-se que o texto que constitui o corpo da ficha deve ter uma estrutura clara. Em alguns
casos, pode ser seguida a estrutura de capítulos do autor do texto original (o que é o mais fácil), mas
em outros é necessário realizar uma estrutura própria para a ficha.
A estrutura de uma ficha pode ser implícita ou explícita, no entanto, a explicitação tem a
vantagem de tornar mais fácil futuras consultas sobre o tema. Uma estrutura explícita é quando o
texto da ficha se encontra subdividido em partes logicamente articuladas e hierarquizadas,
encimadas por títulos destacados (secções e/ou capítulos), como num texto qualquer.

A importância da referência às páginas da obra original

Em qualquer trabalho que realizemos, quando se referem as ideias de um dado autor, temos
que o referenciar, não apenas na obra como na página (ou páginas) concreta(s) onde se encontra(m)
essa(s) ideia(s). Para o fazermos, temos que ter esta informação na própria ficha de leitura. Assim,
praticamente cada parágrafo e muitas das orações terminam com uma referência ao número da
página do texto original onde está a ideia. Nos casos onde uma ideia se multiplica por várias
páginas, a referência deve ser “pp.”, estando as páginas separadas por um traço (por exemplo, pp.
55-57). Quando a ideia em causa é a tese de fundo da obra, não é necessário colocar a(s) página(s).
Não é necessário citar a obra porque é ela que está sendo fichada, referenciada. Citar apenas aquelas
obras diferentes da fichada.

O estatuto dos comentários do autor da ficha

Numa ficha de leitura, enquanto momento de um trabalho mais vasto, podemos/devemos


colocar os nossos próprios comentários. Por exemplo, para chamar a atenção para uma contradição
com o que diz outro autor, ou para procurar mais informação sobre uma ideia etc. A principal
preocupação a ter é a da distinção entre o que é originalmente nosso e as ideias do autor que
condensamos. É necessário encontrar um sistema uniforme de separação entre estes dois tipos de
texto presentes na ficha. Existem várias possibilidades referenciadas na literatura. Neste documento
só se referenciam duas: escrever os nossos comentários numa cor diferente (e sempre a mesma), em
vermelho, por exemplo, ou colocar os nossos comentários entre parêntesis e em itálico. Recomenda-
se vivamente que o sistema adotado seja uniforme dentro de uma mesma ficha de leitura e no
conjunto das fichas realizadas, no sentido de se minimizar os plágios involuntários.

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As citações e as condensações das ideias do autor

A esmagadora maioria das frases presentes numa ficha de leitura é produzida pela pessoa
que está fichando o texto, com base nas ideias do autor do texto em análise. No entanto, por vezes
existem frases que, pela sua importância no pensamento do autor, são copiadas integralmente do
texto. O estatuto destas frases na ficha de leitura é de relativa exceção, nunca devem ser senão uma
pequena parte do texto total. A sua relevância é a de constituírem um resumo (feito pelo próprio
autor) das ideias em análise e/ou uma ilustração do que se pretende dizer num dado ponto. Muitas
vezes, as citações são recolhidas tendo em atenção a possibilidade de virem a incorporar o texto
final que pretendemos realizar.
Como no caso dos nossos próprios comentários, tem de ser bem clara a separação entre as
declarações literais de um dado autor e a nossa interpretação condensada do que ele quis dizer. É
para o segundo caso que se usa habitualmente o termo citação, muito embora, quando do texto final,
se dê a esse termo um sentido mais abrangente de citação bibliográfica, quer dizer, de apresentação
do autor, obra e página de onde retiramos uma determinada ideia. Na ficha de leitura, como no
trabalho final, as citações integrais do texto original devem vir entre aspas. Além disso, nos casos
em que se encurta ou se manipula a frase do autor, querendo conservar-se o estatuto de citação
literal, essas alterações devem estar devidamente assinaladas, quer tenham lugar no início da frase,
no meio, ou no fim, com a seguinte sinalização: (…). Finalmente, quando se introduz uma palavra
ou expressão nossa na citação, esta deturpação do texto original deve ser assinalada, colocando
todos os termos estranhos ao original entre colchetes [ ].
Os títulos do autor devem ser tratados como citações e, como tal, devem vir entre aspas e
indicada a página onde figuram no texto original.
Finalmente, releve-se a prática da criação de fichas próprias para conservar as citações
retiradas dos textos, as fichas de citação, cujo objetivo passa pela possibilidade de ter disponível um
acervo de citações variadas, e devidamente indexadas, a incluir nos trabalhos realizados. Este tipo
de exercício é, sobretudo, recomendável para investigadores profissionais e/ou para quem utilize
citações de textos e documentos com muita frequência no seu trabalho, de uma forma legítima,
como pode ser o caso da História, por exemplo.

Ficha de leitura e plágio

Utilizar as ideias dos outros para realizar o nosso próprio trabalho não é necessariamente um
plágio. Pelo contrário, muitas vezes é desejável e não há outra forma de fazermos o nosso trabalho
avançar. Como diria Bernardo de Chartres (séc. XII), “somos como anões que vemos longe porque
estamos sobre os ombros dos gigantes que nos antecederam”, os autores dos livros e artigos que
usamos. Habitualmente, as novas ideias surgem sempre com base em ideias anteriores, por
intermédio da sua modificação, da sua recusa, da sua antítese, ou de qualquer outro processo. Os
trabalhos com ideias verdadeiramente originais são muito raros e não estão ao alcance de menos
que gênios.
Plágio é não dar crédito à pessoa ou pessoas de onde retiramos uma dada ideia. Para que a
situação de plágio se verifique, é apenas necessário que uma ideia, retirada de um autor, não
apareça referenciada como sendo desse autor, mesmo que seja apresentada pelas nossas próprias
palavras.
O plágio é uma forma de roubo e uma fraude, mesmo quando é involuntário.

O caso específico da aprendizagem do processo de elaboração de uma ficha de leitura

Por vezes, no processo de aprendizagem das técnicas de elaboração de uma ficha de leitura é
solicitada a realização de um exercício que remete para o primeiro tipo de fichas de leitura
referenciado (fichas de citação), as que respeitam o texto integral. Neste caso, os procedimentos são
os mesmos que os descritos neste documento, com uma única exceção: não existem objetivos

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exteriores que orientem e comandem a leitura. A ficha de leitura assume o papel de resumo do texto
em causa, ganhando expressão a procura das ideias principais do autor, das suas articulações e
hierarquizações.

Bibliografia referenciada

QUIVY, Raymond; CAMPENHOUDT, Luc Van. Manual de investigação em ciências


Sociais. Lisboa, Gradiva, 1992. [disponível em http://pt.scribd.com/doc/37937019/Quivy-e-Campenhoudt-
Manual-de-Investigacao-em-Ciencias-Sociais Acesso em 10 jun. 2013]
REGRAS para elaboração de uma ficha de leitura. Disponível em
http://www.fdiogo.uac.pt/pdf/Regras_ficha_leitura.pdf . Acesso em 10 jun. 2013.

Modelo de ficha de leitura

Bibliografia fichada (citação conforme ABNT):


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Resumo (no máximo 1.000 caracteres com espaços):

Comentários críticos (relacionar conceitos, argumentos com outros autores ou ideias, ou com o
tema pesquisado pelo autor da ficha, contextualizar, etc.):

Nome do estudante:

Data e local do fichamento:

[No total não exceder duas páginas A4: letra TNR 12, margens 2,0, espaçamento 1,0]