Sementes do Jardim do Crepúsculo

A primeira vez que provei o fruto das Árvores senti as sementes da Vida e Conhecimento queimar dentro de mim Jurei nesse dia que não voltaria atrás. - Do Juramento de Lilith

Compilado por Rachel Dolium

Mensagem aos Leitores
Este livro foi feito por diagramadores, tradutores, revisores, divulgadores (vocês são indispensáveis!) e críticos (que nos fazem melhorar!) que mesmo não sendo especialistas nas atividades que exercem dentro do projeto, doaram um pouco do seu tempo para tornar seu cenário favorito de RPG mais rico. Provavelmente você tem um computador para estar lendo isso, talvez com internet para te baixado e quem sabe até uma impressora para telo impresso, porem lembre-se que há pessoas no NOSSO Mundo Real que nada tem e apenas precisa do mais simples. No capitalismo, trabalho é dinheiro, mas nós não queremos a grana de vocês, então o que custa ajudar a quem realmente precisa? Ajude sempre que puder, pois esse será o nosso maior pagamento e, ver que podemos mudar o mundo a nossa volta, será a nossa maior recompensa. Somos a favor do direito autoral, por isso SEMPRE PUBLICAMOS OS CRÉDITOS ORIGINAIS nas nossas traduções. Somos contra o papo besta de "se tivesse um preço justo todos poderiam ter", o autor não tem culpa da nossa extorsiva carga tributária e de nossa má remuneração pelo nosso suor. Então, NÃO VENDA este documento, seja virtual ou impresso. TRADUÇÃO GRATUITA SIM, PIRATARIA NÃO! Mudaremos o mundo pouco a pouco. Então por que não se une a nós para fazermos à diferença?

Equipe Movimento Anarquista

Créditos Originais
Título Original: Revelations of the Dark Mother Autores: Phil brucato, Rachelle Udell Desenvolvimento: Robert Hatch Editora: Janice Sellers Diretor de Arte: Aileen E. Miles Layout e Tipagem: Aileen E. Miles Arte Interior: Rebecca Guay, Eric Hotz, Vince Locke Design de Capa e Contracapa: Aileen E. Miles

Créditos da Tradução
Tradutores: Gothmate, (Ark)Mahasian, Tarsila, Renata Marques e Ideos Revisores: Tarsila, (Ark)Mahasian, Folha do Outono e Ideos Diagramação: Ideos

www.movanarquista.multiply.com

© 1998 White Wolf, Inc. Todos os direitos reservados. Todos os personagens, nomes, lugares e textos mencionados neste livro são propriedade intelectual da White Wolf, Inc. A reprodução sem permissão escrita do editor é expressamente proibida, exceto para o propósito de resenhas, e das planilhas de personagens, que podem ser reproduzidas para uso pessoal apenas. White Wolf, Vampiro: A Mascara, Vampire: Dark Ages, Mago A Ascensão e o Mundo das Trevas são marcas registradas da White Wolf Publishing, Inc. Todos os direitos reservados. Trinity, Lobisomem o Apocalipse, Wraith the Oblivion, Changeling o Sonhar, Werewolf the Wild West, Hierarchy, Livro do Clã Lasombra, Livro do Clã Capadócio, Livro do Clã Baali, Black Dog Game Factory, Dark Ages Companion, Dark Ages Storyteller Secrets e Constantinopla by Night são marcas registradas da White Wolf Publishing, Inc. A menção de qualquer referencia a qualquer companhia ou produto nessas paginas não são uma afronta à marca registrada ou direitos autorais dos mesmos. Este livro usa o sobrenatural como mecânica, personagens e temas. Todos os elementos místicos são fictícios e direcionados apenas para diversão. Recomenda-se cautela ao leitor. Dê uma olhada na White Wolf on-line: www.white-wolf.com; alt.games.whitewolf e rec.frp.storyteller IMPRESSO EM SUA CASA ;P

Agradecimentos
(Música cívica, tocada em uma vitrola, tipo A Voz do Brasil) Senhoras, Senhores e... bem... e........(gesto abragente) Aqui vos apresento o fruto do trabalho árduo de muitas pessoas. Mais uma tradução se finda e temos aqui, em nossa língua, mais um livro que nos auxiliará no caminho do jogador de RPG... (Disco arranha. Barulho de vitrola quebrada). Bem, pessoal. Deixa pra lá o discurso de movimento das massas de 1950. O Ideos pediu que escrevesse qualquer coisa pra colocar nos agradecimentos do livro, já que eu estava coordenando e talz... Meu primeiro impulso foi mandar uma folha do Word escrita "QUALQUER COISA" em letra 72. Mas sabendo que o Ideos era muito capaz de colocar isso no livro, e como deu muito trabalho o bichim, resolvi tentar fazer algo decente. Eu e esse livro meio que nos encontramos. Estava eu querendo entrar nesse negócio de tradução, tinha achado a página no multiply. Mandei um recado e todo mundo me esnobou legal. Na segunda tentativa (não, eu não tenho vergonha na cara XD), o Folha disse: "Vá pra comu do orkut, vá ver que tem coisa pra fazer lá". Lá, achei um tópico legal: "Revelation of the Dark Mother", posto e o que aconteceu? Nada. Aí fiquei maluca: "Puta merda, quando acho um projeto, ninguém responde". Postei perguntando como é que era, se já era ou se já tinha ido... e descobri que o projeto tava moribundo. Foi quando o Ideos perguntou se eu não queria coordenar. Eu disse "Claro!" Mas por dentro tava: "Maluuuuucaaaa!!! olha onde tu vai amarrar teu bode!". Estava certa. Meu bode ficou amarrado no sol, o coitado. No entanto, contudo, todavia, não obstante, depois de muita pestana queimada ele está aqui. Traduzido. Mas preciso dizer que nunca teria saído sem o pessoal da comu: desde o primo Ideos (que é malkav - eu sou filha da cacofonia, e considero mentor) que diagramou e traduziu um ciclo e revisou outro... até o Adrian que não deixou o tópico cair... toda vida postava alguma coisa periodicamente, algum comentário, ou outra coisa engraçada que fazia que eu não me sentisse tão na merda (já que todo mundo sumia quando ia cobrar). Muito obrigada também (Ark)Mahasian que era um poço de paciência e presteza quando eu chegava e pedia "ei, revisa meio livro pra mim até o fim da semana?", mesmo estando ocupado com o livro Tremere. Valeu Gothmate por guardar seus arquivos (a intro foi a única parte recuperada da primeira tentativa de tradução). Valeu Renata pelo terceiro ciclo. Valeu também o pessoal que não conseguiu/pôde ajudar pelo motivo que seja... Então... tá bom de discurso de miss universo! Vão ler o livro que tá muito massa! Paz e Vida Próspera.

Conteúdo
Prefácio: Retirado das Raízes - 06
Notas sobre este Livro - 16 Os Três Ciclos de Lilith - 17 Os Bahari 19

Primeiro Ciclo: O Livro da Serpente - 34
O Juramento de Lilith - 35 O Fragmento do Gênesis - 39 Notas - 64

Segundo Ciclo: O Livro da Coruja - 70
O Jardim da Meia Noite - 71 A Cerimônia de Caim - 95 O Lamento por Lúcifer - 102 Notas - 104

Terceiro Ciclo: O Livro do Dragão - 108
Maldição: Rainha dos Infernos - 109 Lamias: Notas da Inquisição - 114 Coruja, Gato e Serpente - 117 As Marés Crescentes - 122 Notas - 125

Prefácio: Retirado Das Raízes
Por Rachel Dolium
De novo e de novo, ouço dois sons. Quase sussurros, silenciosos e sibilantes, como o silvo da língua de uma serpente. Lilith. Uma voz grasnada como de uma coruja tremendo à luz da aurora, esmagada no limite da sanidade, roubando o ar de crianças e surrupiando a semente dos que sonham. O toque de toda vergonha, os dentes brilhantes de um amante nada admitirá além de desejo. A Rainha Sombria se levantará para anunciar o fim do mundo. Eu a vi. Você a viu. Um culto de devotos celebram seu exemplo, e um sem número de livros, panfletos, canções, escrituras e tratados foram criados para amaldiçoar, divinizar ou defini-la. Até mesmo os mortais gostam da Justiça de Lilith, na qual as mulheres supostamente deixam de servir e definem sua feminilidade em canções. (Um conceito interessante, quando você presta atenção: um playground cheio de hippies cantando canções em nome de Lilith). De acordo com a lenda dos rabinos e o testamento esquecido de Ur e Babilônia, Lilith foi a primeira mulher, à esquerda de Adão, que cresceu como ele, carne de sua carne. A seu lado, Eva, a “mãe de todos”, torna-se um pálido espectro. Como parte da Criação original, Lilith possuía magia por direito e aprendeu grandes Artes. Obviamente, ela se considerava igual a Adão; que como a maioria dos homens, via de maneira diferente. Quando ele a estuprou, Lilith apelou Àquele nas alturas, que a retirou do Éden e a lançou em um mundo ainda em formação. Nesse ponto, é dito, ela se tornou um demônio vingativo, matando crianças, roubando sementes e emboscando homens virtuosos. Sua história não é, digamos, uma história desconhecida. Na cultura de Caim, nosso tão amado senhor, Lilith tornou-se a mãe que o ensinou as artes da noite.
06 Revelações da Mãe Sombria

Impiedosa, ela o abrigou quando Deus e o homem o baniu. Sua recompensa foi ser demonizada como “Mãe Sombria”; por 13 gerações, as crias de Caim conspiraram contra ela, da mesma forma que os mortais. Encantos foram criados, caçadas de sangue iniciadas e linhagens inteiras foram destruídas em nome de uma campanha genocida. Algumas pessoas, que reverenciam as habilidades lendárias dessa mulher, sentemse compelidas a saber, “será que ela é real?” como se esse conhecimento os garantisse uma súbita visita. Outros querem saber, “O que ela é? Uma vampira? Uma Magus? Alguma deusa ou criatura abençoada pela lua?” só posso afirmar que Lilith É Lilith ... e ela não será forçada a nenhuma classificação arbitrária. Lilith é real? Alguns perguntariam a mesma coisa sobre Jesus de Nazaré, ou Moisés, ou Gautama Buddha ou milhares de outras figuras históricas as quais suas imagens causam tanta devoção e terror.
Retirado das Raízes 07

Se você está perguntando “Você pode provar que Lilith caminhou sobre a Terra?” minha resposta é não. Não posso lhe mostrar um esqueleto ou pegadas ou uma lista de estatísticas dizendo, “Isto é Lilith”. Devo notar, contudo, que tudo é possível nesse mundo estranho ao qual pertencemos, e essa mitologia tem um meio esquisito de te enganar quando você menos espera e enterrar seus dentes no seu pescoço. Nas palavras de nossos anciões, Lilith representa um grande perigo. Seus cultos, quando foram encontrados entre nossa espécie, foram extintos com a sensibilidade que atribuímos à nossa raça fratricida. Nossas “escrituras sagradas” (tão ardorosamente codificadas pelo estimado Aristotle de Laurent) a veste com dois mantos diferentes: a mentora caridosa do nosso senhor, e a “rainha sombria” que ele enfrentará no fim dos tempos. Quão apropriado uma mãe que sustenta e uma prostituta demoníaca. Crédito demais para os poderes transformadores do Abraço. A lenda de Lilith é a lenda de todos nós; falo não somente de minhas irmãs da escuridão, mas de todos os Membros. Como ela, nós recebemos uma herança proibida, a consumimos e nos tornamos como deuses, superiores a tudo aquilo que um dia fomos. Como ela, sofremos com a transformação, tornando-nos párias mesmo entre nossas crias. Como ela, estabelecemos domínios apenas para vê-los tomados por aqueles que ensinamos. E como ela, tivemos que nos esconder na escuridão, nos unindo e gritando desafios contra os olhos noturnos antes de podermos provar da fruta que comemos. Irônico, então, que ela seja tão odiada. Isso tem haver, eu suspeito, com o legado do aprendiz de Lilith: Caim, senhor de toda a nossa espécie. Ele que Abraçou a Noite, ainda assim nos passou uma litania de proibições que cada um de nós enfrenta todas as noites de nossa existência uma coleção de regras antiquadas baseadas na superioridade dos anciões e na santidade de sua eterna sabedoria. Essas leis, assim nos foi contado, são essenciais para nossa sobrevivência; ao nos defrontar com uma variedade de inimigos mortais ou outra coisa, nós necessitamos de um código de conduta para nos sustentar. E quem melhor para falar dessas coisas do que nosso Grande Pai Sombrio? Que melhor inimigo que sua contraparte, a sedutora, mãe incestuosa que incontáveis gerações aprenderam a temer? Quão boas são as proibições sem uma punição? Melhor ainda, como nossa espécie continua reverenciando as leis de Caim se esse senhor existe na sombra Daquela Que o Tirou da Poeira?
08 Revelações da Mãe Sombria

O que teria acontecido, eu me pergunto, se tivéssemos jogado as leis de Caim no mar e seguido nossos instintos, como nossa Mãe nos ordenou? Haveria caos, dizem nossos anciões, e eles devem estar certos. Mas há sabedoria no caos. O Sabá sabe muito bem disso, e sucumbem aos prazeres da desordem ao invés de aprender com ela. Os magi também o conhecem; pelo que vi ao longo dos anos, suas constantes brigas internas por discordância sobre o nível de caos necessário para se conseguir iluminação. Nós Membros somos seres emocionalmente caóticos. Apesar de admitir minha falta de experiência no estado dos mortos-vivos, tenho de confessar que parecemos estáticos e intelectualmente obtusos, opacos como um ankh prateado e sem cor, que já foi usado por vários donos, onde cada um acha que sabe o que é melhor para nossa espécie. Sobrecarregados com o peso dos clãs e Caim, nós perambulamos sob a sombra de alguma Gehenna mítica. Numa noite próxima, assim nos foi dito, fantasmas ancestrais virão, chutarão alguns traseiros e se alimentarão com um longo banquete de almas. Essa é nossa lei. E nos consideramos senhores da noite? Melhor usar aquele tratamento absurdo muito usado, crianças da noite. Deus sabe como de vez em quando agimos dessa forma. Enquanto nos curvamos ao trono de algum ancestral egocêntrico (que pode ou não ser pura mitologia) e seu falso principado permanece, a Mãe Sombria nos invoca a renunciar as regras que nossos pais criaram. Caim criou leis que nem mesmo ele toleraria; ele próprio reconhece, sua anciã Lilith lhe disse para tomar a Fruta-deTântalo que possuía poder sem igual. Ele não o fez, e conseguiu grandes coisas. Não deveríamos fazer o mesmo? Claro! Estou falando heresias? Bom! A verdade sempre soa herege, e os que mentem sempre tentam manter a mentira enterrada. Perdida. Proibida. Punida com a morte. Mas sem a brilhante verdade herege, sem a marretada nos pilares da ordem, estamos acorrentados como pit-bulls ou poodles nos pés de nossas mesas. Sim, mesmo nós “senhores da escuridão”: Nós, talvez mais que todos, estamos aprisionados pela nossa própria imortalidade. Somente um imortal pode ser escravo por tantas vidas mortais. Lilith é a antítese da escravidão. Seja livre, ela diz, e sofra. Oh, sim. A Mãe Sombria está relacionada ao sofrimento. Ela sofreu, suas crianças sofreram, seus devotos sofreram, e eu sem dúvida sofrerei por me atrever a expressar isso em palavras.
Retirado das Raízes 09

Posso ver os pergaminhos com meu nome escrito com vitae, jogado nas chamas para representar uma dezena merda, milhares de caçadas de sangue. Já desisti da esperança de ser imortal. Alguma manhã, não muito distante, o sol me levará para sempre. Meus algozes, se vangloriando por um serviço bem feito, voltarão às mesas de seus senhores, se gabando com algumas notas e continuarão seus caminhos, convencidos de que aquela noite durará para sempre ou ao menos até a Gehenna. E estarei rindo de vocês por todo o caminho para o Inferno. Pois no meu sofrimento, terei chegado à compreensão que meus assassinos jamais conhecerão. E essa compreensão me libertará. Somente através da dor podemos abrir nossos olhos. Entrei no jardim de Lilith numa busca pelo meu senhor. Determinada a expor os seguidores de Lilith (hoje conhecidos como Bahari) frente ao altar de nossa estimada Camarilla, eu mergulhei em um oceano de conhecimentos perdidos. Meu prêmio: o cobiçado “Ciclo de Lilith” descrito por M. de Laurent e, claro, uma gorda recompensa do meu criador.

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Revelações da Mãe Sombria

Entenda, eu vi o que muitos dos nossos anciões não viram: essa é a maneira de Lilith se esconder em plena vista. Em canções, em livros, nas caçadas políticas e em arruinadas catedrais da sociedade humana. Nossos anciões são muito estáticos, muito antigos, para verem os sinais. Não compreendem a imensidão da cultura moderna, e assim as canções de Lilith esvaem-se por entre suas mãos inaptas. Esta inabilidade permite que as canções cresçam a volumes cada vez mais altos, até que estas árias, então imensas, afoguem o empoeirado coro da tradição. Um ancião não pode ouvir as canções que eu ouço. Não pode ter as visões que eu tive. Lilith está entre nós. Seus devotos são uma legião; a maioria não entende ao que servem, eles a adoram em seus altares de dor por puro abandono este é o ponto!!! não por algumas escrituras arcaicas. Os verdadeiros cultos a Lilith, chamados coletivamente de Bahari, são minúsculos, sociedades infinitesimais entre os Amaldiçoados e os vivos; mas os verdadeiros seguidores de Lilith estão por toda parte; sempre que alguém abandona todos os medos e cruza uma selva de foras da lei, Lilith sorri das sombras. Nessas selvas, ela sabe, eles aprenderão ou perecerão. Normalmente ambos. Esse conhecimento se tornou meu quando observava a festa de horrores noturnos na TV. Seduzida, me despi das roupas civilizadas e mergulhei no Oceano sem Fim. Na canção dos segredos das musas Bahari (como a poetisa punk Patrícia de la Forge, a qual seu trabalho eu re-imprimi aqui com suas bênçãos), senti a enxurrada de fé aumentando como um ferimento em pele maltratada. Em suas unhas pontudas de loucuras adolescentes, no vômito bulímico de uma pretensa bonequinha, nas agulhas de heroína daqueles dos quais orações são o esquecimento, comecei a ouvir sua suave privação. Viva. Aprenda. Sofra. E Transcenda. Como eu. E assim obedeci. Fui às pedras erguidas no limiar da lua cheia; dancei ao lado das bruxas e bebi suas amargas poções; urinei nas raízes das árvores ao redor dos nossos inimigos Lupinos e bebi o sangue de antiquários humanos. Quando possível, verifiquei o abismo do excesso humano tortura na Bósnia, rituais Satânicos em Berkeley, orgias de crianças na Tailândia e drogados furiosos em Berlin tudo mentalmente anotado nas canções que nasciam em minha cabeça sempre que eu excedia meus limites admitidamente inumanos.
Retirado das Raízes 11

Cada experiência deixava as palavras mais claras, até que pude ouvilas em todo lugar. Ahi hay Lilitu “Todos Saúdem Lilith”. Agora que reconheço a privação, a vejo por todo canto nos grafites, em canções populares, em mensagens subliminares em comerciais e encobertas nos graciosos corpos de lindas “top-models”. Através da dor, eu me iniciei numa sociedade surreal que pode ou não saber a devoção que professa. Desde que descobri, não consigo ter sensações suficientes. Fui chicoteada com tiras flamejantes, marcada com ferro (uma dor estranha para um Membro, devo dizer!), arrastada nua por cacos de vidro e submersa em pedras de gelo. As sensações apenas aumentaram o coro na minha cabeça um coro tão alto que invadia meu sono diurno. Aquele coro espantava o medo que antes havia sido minha herança Cainita; o inferno não tinha mais horrores a me oferecer. Apesar de morta, aprendi a viver mais livremente do que jamais vivi. Através de amigos conhecidos, peões comandados e sacrifícios de carne e espírito, abriram meus ouvidos às canções religiosas de Lilith. Como desejei transformar um documento dos nossos inimigos em uma marca de ferro quente, me queimando de dentro pra fora mesmo quando procurei transformar essas canções-de-fogo em palavras. Lilith quer que nós queimemos nas chamas. Para enegrecer a pele de nossos espíritos como a dela foi queimada no deserto entre-mundos. Cair e marcar nossos joelhos e nos confortar no nosso próprio sangue, chorando nossas chagas. Afogando-nos nas lágrimas da danação. Pois na dor aprendemos. No sofrimento nos tornamos mais fortes. No desafio prosperamos, como uma planta podada pelas mãos de um jardineiro. Lilith é a jardineira, a mãe cruel, o espinho na rosa da nossa sobrevivência. Sem a dor, ela nos ensina, nada mais importa. Sem um grito na noite, nossas vozes se chocam contra a tranqüilidade da eternidade. Minha busca pela Mãe Sombria arrancou as sombras dos meus olhos e me forçou a enfrentar aquela verdade que deixa incontáveis anciões loucos: Nossas leis são uma mentira. Nossa existência uma piada. Nosso senhor era um peão num jogo perdido com Deus, e o próprio Deus é um pálido reflexo entre um breve momento de existência e um nada interminável. Lilith compreende isso. Seus devotos (que levam o nome Bahari como tributo à Ba'hara, o terceiro jardim construído pela Mãe Negra) compreenderam, também. Seus descendentes, amaldiçoados como demônios e mortos há milhares de anos, viram isso dos botões plantados em sua honra no terceiro jardim da Rainha Negra.
12 Revelações da Mãe Sombria

Sem dor, sem mudança, a existência nada significa. Conforto é apodrecimento. Poder é uma gota de chuva secando no calor do deserto. Agonia é a porta de saída para o êxtase. Lilith é nossa mãe no sentido real da palavra. Através do desafio, ela se tornou uma deusa. Através do amor, devastou o Éden. Ela é a grande serpente enroscada nas raízes da árvore da Vida e do Conhecimento, e seu veneno é a amaldiçoada sabedoria através da palavra e da oratória colocada na fruta. Apesar de sua esfera ser a lua, o toque do seu beijo é o fogo de um napalm. Eu confesso que esse fogo me queimou, e sou agradecida por isso. Eu desperdicei uma pequena mas razoável quantia que consegui na minha pósvida, gastei-a por vaidade imprimindo 20.000 cópias desse diariozinho tribal, e os enviando para livrarias através do mundo. Fodam-se, foda-se sua “Máscara” patética, e foda-se a política depreciativa que guia sua existência. Sou livre de tudo isso. Minhas noites finais serão gastas nas névoas mais claras que já conheci. Talvez alguns sigam minha liderança. Sei que minha existência desse ponto em diante será medida em dias ou semanas, então escolho gastar meus pertences num presente à Mãe Sombria. Chamem isso de lição de esclarecimento uma labareda de chamas de um navio afundando ao alcance de seus conquistadores. É a maneira de Lilith, que aprendi, a ensinar com dor. Deixar de lado as conseqüências decididamente mortais de liberdade em razão de abraçar as lições que aprendeu a caminho do esquecimento. A própria Lilith sobreviveu assumindo-se, claro, que ela tenha sobrevivido! apenas por obra do destino, a imortalidade de suas artes, e o abrasivo exemplo que ela deixou para aqueles com a coragem de segui-lo. Não posso esperar fazer o mesmo, então dou boas-vindas ao sol de coração, espírito e braços abertos. Transforme-me em cinzas se quiser. Posso agüentar. Ahi hay lilitu

Retirado das Raízes

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Notas Sobre Este Livro
A lei de Lilith é uma anti-lei. Ao contrário das escrituras cuspidas às quais estamos tão acostumados, suas palavras fluem através de impressões divinas um cântico de sombras que pode ser decifrado apenas através da experiência. Nenhum leitor absorverá esses ensinamentos da mesma forma, e duvido que qualquer leitor veja os mesmos significados em uma mesma passagem ao ler novamente. O estimado M. de Laurent (a quem estou em débito por sua maravilhosamente inspiradora litania “secreta” das leis do Grande Pai Sombrio) passou anos procurando pelas palavras “definitivas” de Caim e seus seguidores, obviamente pela impossibilidade de uma verdade absoluta. Eu fiz o contrário; minha pesquisa, apesar de exaustiva (e como foi!) se concentrou em diversas impressões no lugar de conhecimento erudito. A maioria de minhas fontes era oral ao invés de escrita, e teve provavelmente um milênio de reinterpretações. M. de Laurent, sem dúvida, chamaria minha metodologia de precária e imprecisa, mas eu segui meramente o caminho de Lilith. Seu jardim é uma coisa crescente e mutável não um pedaço de pedra, mas um ramo de frutas selvagens. Sempre que possível, eu transcrevi o conhecimento oral que me foi passado em palavras escritas. Em alguns lugares, acontece ao contrário. A própria diversidade e antiguidade do culto Bahari (ou mais adequadamente, cultos) tornaram uma compilação “definitiva” do evangelho de Lilith uma tarefa impossível, mesmo para um imortal. Mesmo assim, essa própria diversidade dá à seita força e flexibilidade; enquanto outras sociedades, mais rígidas erguem-se, fragmentam-se e caem pelas palavras de seus fundadores, a Mãe Sombria pede apenas uma coisa de seus devotos: Abram seus olhos, estendam seus braços, e cultivem um jardim (dentro e fora) com sementes de suas experiências. O Juramento de Lilith, com o qual eu comecei minha coleção, é o mais próximo de um código que essa sociedade respeita.
14 Revelações da Mãe Sombria

Os Três Ciclos de Lilith
De Laurent refere-se ao elusivo “Ciclo de Lilith”, o qual ele foi incapaz de captar algo maior que um pequeno, cintilar. Há um motivo para isso: Aquele documento não existe. O que ele viu se sua história for mesmo algo além de uma visão romântica foi provavelmente ou um fragmento Bahari, um embuste ou um Cainita recontando um encontro do ponto de vista do seu senhor. Pelas minhas observações, o chamado “Ciclo” tem, de fato, ao menos nove versões diferentes; muitas delas envolvem quatro partes um ritual de inverno, uma invocação de primavera, uma observação de verão e um ritual outonal que leva ao inverno, que recomeça o Ciclo. Como a Crônica de Caim, essa história pode ser contada de duas maneiras: como uma história literal recontada por semideuses ancestrais e seus conflitos domésticos; ou como um testamento simbólico da cultura matriarcal atravessando o mar, o útero e a plantação até que homens ciumentos as destruíram, mataram suas famílias e acabaram com suas tribos. De qualquer forma, a figura de Lilith permanece intimidadora e inspiradora. Ela transcende seu papel, aprende com seus tormentos e reergue, mais forte que antes mas encoberta em sombras e jura vingança eterna. Esse Ciclo é, de certa forma, minha própria conclusão; a Mãe prefere imaginação ao dogma. Guardado com alguns Guardiões do Conhecimento Bahari, eu dividi essas “escrituras”, em três livros, correspondendo à antiga e universal trindade da Dama, Mãe e Anciã, mas em ordem contrária. As lendas mais antigas são contadas primeiro, então o ciclo central, depois o mais jovem e mais contemporâneo. Sua ordem reflete a progressão de Lilith. • O Livro da Serpente reconta o idealismo juvenil da Mãe, sua criação, tentativas e ascensão de mero brinquedinho valioso à divindade. • O Livro da Coruja reflete sua busca pessoal e a fundação de Elona, o Primeiro Jardim da Esperança, e D'hainu, o Segundo Jardim da Renovação. Esse último dá a Lilith um lar, seu consorte Lúcifer e seus filhos. Quando Caim descobriu (ou foi levado) àquele lugar, mudou o caminho da humanidade e toda a sua raça. • O Livro do Dragão fecha o círculo descrevendo a criação de Ba'hara, o terceiro Jardim das Lamentações.
Introdução 17

Desse lugar-que-não-é-lugar, Lilith invoca os espíritos da Tempestade e do tormento e declara uma longa noite de sofrimentos especialmente às crias de Caim. Esta noite, de acordo com a profecia, chegará ao seu clímax com o Surgimento de Marés, durante as quais o mundo atual será destruído por ondas e ventos, para renascer quando o próximo mundo começar. Nesse intervalo, vemos lampejos dos ajudantes de Lilith: os Bahari e as três bestas sagradas. Os dois primeiros Ciclos giram em torno da Mãe e suas tribulações; o terceiro começa com ela, mas desse ponto em diante, Lilith torna-se um enigma. Nós espalhamos lendas sobre sua voracidade noturna, mas essas vieram de fontes posteriores. Os próprios Bahari evitam compor “escrituras” sobre as ações de Lilith após o semear de Ba'hara. Canções ocasionais e histórias regionais falam do que deve ter acontecido, mas o “sagrado” oficial é o silêncio nas noites entre a Maldição e as Marés Crescentes. Nesse silêncio, um Ba'ham deve tirar suas próprias conclusões. Lilith não fez promessas, nem foi até uma colina para proclamar suas intenções ou sua mera existência. Assim que as sementes dos Ba'hara foram plantadas, Lilith desapareceu na noite profunda possivelmente para esperar as ondas, escondida entre os mortais, assumindo formas enganadoras até que o jogo chegasse ao fim e desse frutos. Pois o plano de Lilith leva ao fim do jogo um arranca-rabo com o deus que a criou, o amante que a abandonou e o patife ingrato que ganhou a imortalidade através dela mas esfolou seus filhos sem piedade. As sementes de Lilith os Bahari e seus mantras de dor e conhecimento seguiram adiante nos mundos mortal e espiritual, os levando frutos de tentação, auxílio e revelação. O mundo que vemos ao nosso redor é o resultado do fim de jogo e a jogadora Lilith saiu vencedora. Jeová se tornou uma estatua quebrada; Lúcifer tem seus devotos, mas suas previsões são obscuras, assim como seu amor perdido, por trás de uma barreira de remorso; Caim foi banido e seus filhos se devoram uns aos outros numa procura por ouro-de-tolo. Você ouve a onda por trás da sua porta? Posso te garantir, eu ouço.

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Revelações da Mãe Sombria

Os Bahari
Os arautos destas ondas - se não as próprias ondas - são chamados de "Bahari"; cada Ba'ham se considera o fruto do terceiro e último jardim da Mãe. Como tais, essas proles cultivam pomares de dor e bosques de sabedoria, nutrindo crises em volta deles, e então acompanhando os sobreviventes e os instruindo, para que possam aprender através do sofrimento. As ferramentas de cada jardineiro são tão individuais quanto pecados. Alguns empregam o rude arado da tortura física, e prosperam no terreno preparado de grandes cidades, plantando intrigas e boatos, e então os fertilizando com insinuações; alguns podam os galhos de árvores quebradas, trabalhando como confidentes e curandeiros entre os feridos, aparando-os com pequenos cortes e então remodelando os talos com palavras gentis. Independentemente de sua metodologia, os verdadeiros Ba'ham conduzem seus "projetos" com bondade e encorajamento; dor é inútil a menos que aquele que sofre aprenda alguma coisa com as conseqüências. Destruição não é nem intento, nem prerrogativa dos Ba'ham's. A Mãe Sombria irá cuidar de tais coisas no seu próprio tempo. Até lá, cada Ba'ham planta a semente da sabedoria e a ajuda a crescer. Alguns poderiam assumir, dado o sexo da Mãe Sombria, que todos os Bahari são mulheres. Estariam muito enganados em pensar assim. Homens muitas vezes cuidam dos santuários de Maria ou dos altares embebidos em sangue de Kali (que podem representar facetas da Mãe Sombria), portanto eles podam árvores no jardim de Lilith também. Apresentado às ligações de Lilith com Caim e as misteriosas Lamia (veja abaixo), um forasteiro poderia também assumir que os Bahari são vampiros. Não necessariamente. Embora seja verdade que os adotados da Mãe Sombria se alimentam de sangue e se consideram renascidos através disso, eles não são Membros no sentido mais restrito. Muitos são simples mortais sem poderes dos quais se gabar; alguns são mortais exaltados - magi com os talentos místicos da própria Mãe; uma porção são verdadeiros vampiros, mas estes "Membros" abandonaram seus elos com a descendência de Caim. Bebendo o sangue de Lilith, eles simbolicamente rompem suas ligações com o traidor dela e ascendem como descendentes de Eva.
Introdução 19

A julgar pelo nome de "seita", alguém poderia pensar que todos os Bahari trabalham unidos como um todo. Novamente, errado. Apesar das flores e frutos de Lilith crescerem de sementes similares, eles crescem como querem. Muitos congregam em pequenos lugares - cultos de três a sete membros - ou operam raízes que transportam correspondência através das mensagens, mídia e Internet, mas mantém seus "galhos" bem distantes. Boa parte cresce como árvores em seus próprios canteiros, alimentando-se de pequenas mas potentes misérias. Outros imitam as ervas daninhas, espalhando pequenas informações e angústias maiores em rápidas e amplas explosões. Algumas seitas são profundamente formais, possuindo hierarquias adornadas e protocolos; outras são coros de uma só voz. O jardim da Mãe tem lugar para todos eles, enquanto continuarem a ampliá-lo. Apresentado ao paradigma bíblico que eu escolhi, um observador poderia ligar os modos de Lilith com as tradições religiosas ocidentais. Mais uma vez, não é necessariamente isso. Embora nós Membros permaneçamos atolados em nossa adoração de mito bíblico, os caminhos de Lilith são universais.

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Revelações da Mãe Sombria

Verdadeiramente, muitas vezes eu os descrevo em termos de patriarcado familiar de Jeová/Adão/Lúcifer; todavia muitos dos próprios seguidores da Mãe Sombria se apegam a esses mitos, que podem simplesmente ser o resultado da ampla influência do Ocidente. Eu preferi ver a saga de Lilith como uma fatia de uma tradição maior - da Grade Mãe Sombria que cria com amor e então pune com a morte. Essa tradição é universal: eu vejo a face de Lilith na espada reluzente de Ishtar, nos fossos de Kali, nas teias da Mulher Aranha, e mesmo nos suaves, porém remotos, abraços de Maria. E enquanto eu vejo estas faces, os Bahari os reverenciam em ritual. Eu dancei nos jardins Africanos, bebi sangue misturado com manteiga indiana, e fiz preces na noite Tibetana. A Mãe está em todos os lugares... Assim como suas crianças. Apesar de sua aliança com Lilith poder fazer os Bahari parecerem feministas naturais, a verdade é muito mais complexa. As mulheres não são exaltadas necessariamente da mesma forma. Pelo contrário - muitas mulheres, na visão dos Bahari, são descendentes de Eva, a terceira e mais inferior mulher. Criada de um solitário Adão, sem os dons originais de Lilith e sua divina gestação, estas mulheres realmente são o rebanho barato que os misóginos desdenham. E, a menos que uma mulher consuma o sangue da Mãe e tome seu Juramento, aquela mulher é um animal - que está, certamente, muito abaixo dos Bahari.
Introdução 21

Iniciação
“Tornar-se" um Ba'ham é muitas vezes um processo simples, porém excruciante. Como a própria Lilith, um Ba'ham prospectivo começa como uma pessoa favorecida - abastada, talvez, ou bonita, ou popular, ou abençoada de alguma outra forma. Subitamente, um evento cataclísmico devasta tudo e a deixa vagando por um deserto de dor. Lá ela obtém algum discernimento da vasta e finita natureza do mundo: Alguns vêem uma visão literal da Mãe Sombria, ou sonham estar viajando em um lugar arruinado, sem água e vazio. Outros vêem os infindáveis olhos d'O Antigo (citado no Fragmento de Gênesis) contemplando um gigantesco vazio; outras ainda caem em coma ou literalmente vagam em um estado de semi-morte (muitas vezes grávidas, como Lilith estava) até que uma segunda catástrofe as arranca desse torpor. Até que este ordálio e visão ocorram, um candidato à Ba'ham permanece fora do jardim; somente rasgando-se com os espinhos do portão ela pode atingir o doce néctar que há lá dentro. Até esse momento, ela pode falar o nome da Mãe, fazer suas cerimônias e até cuidar do jardim, mas ainda continuará fora, assim como Lilith ficou exilada do Éden.

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Revelações da Mãe Sombria

A dor é a iniciação, agonia e discernimento são os degraus. Se ela tiver sorte, essa desafortunada pode descobrir - ou ser descoberta - pelos seguidores de Lilith. Os rituais que eles costumam ensinar e iniciá-la dependem dos costumes e cultura dos Bahari. As chamadas "bruxas" empregam os dogmas da Wicca, Santeria e outros passatempos; cultos aborígines tagarelam sobres deidades de pesadelos e dançam com brinquedos de ossos e vísceras; devotos leigos preferem falar em símbolos de matriarcas e mães cruéis, embora renunciem às tradições Cristã, Muçulmana e especialmente Judia usam os nomes mais familiares de todos. Nos distantes monastérios de Budistas renegados e esquerdistas Tantrika, velas iluminam discípulos copulando e seus servos mutilados. Quais são os verdadeiros Bahari? Todos eles é claro! A dor, a visão, o Juramento e a jardinagem são as únicas associações reais. O sangue de Lilith consagra uma iniciação. Como a Cristão Eucaristia, seu sangue forma uma ponte simbólica entre a deusa e o jardineiro; diferentemente da Hóstia, esse sangue é real, muitas vezes colhido do iniciado, do iniciador, uma planta e um sacrifício vivo, então misturados em um preparado não muito agradável. Depois de bebê-lo, o novo Ba'ham recita alguma variação do Juramento de Lilith, então recebe quaisquer votos, estudos ou sofrimentos que o iniciador sentir que são apropriados. Muitos Bahari aprendem as runas chamadas Ba'hara, a língua simbólica da seita; muitos outros não. Não vale de nada que milhares, talvez milhões, de devotos venerem o altar de Lilith sem ao menos saber o que estão fazendo. Por não serem Bahari oficiais, estes "acólitos" reverenciam a dor, alegram-se nas ciências ocultas e fazem questão de defender os dois. Apesar de nunca ter sido formalmente iniciada na irmandade Bahari, eu fui privilegiada a conhecer muitos membros da seita em uma livraria secreta no Soho, cidade de Nova York. Dois deles eram Membros (ou, como eu deveria enfatizar, Lhaka, já que os de Sangue Bahari não se consideram Membros); três outros eram mortais. Estes fascinantes e carismáticos personagens me levaram a um redemoinho de sofrimento e remissão; em sua companhia eu me deparei com outros Bahari, encontrei incontáveis seguidores da Mãe que não sabiam porque eles o faziam, viajei a lugares isolados e li atentamente os pictogramas Ba'hara que dão conteúdo às escrituras. Eu sabia, conforme me enchi do conhecimento da Mãe, que minhas alegrias levariam outros membros aos meus tutores.
Introdução 23

Como um ato de compaixão, eu matei quase todos eles; melhor que a morte venha das minhas carinhosas mãos do que dos brutais ministérios de arcontes ou o estupro mental dos Feiticeiros. Por respeito aos meus professores, não profanarei seus nomes com pseudônimos. Deixemos aqueles que estudam tirar suas próprias conclusões. Eu permaneço em silêncio. Meus excelentes mentores me deram igualmente excelentes lições. Um deles, um mago, me levou tão longe dentro de mim mesma que eu pensei que minha mente havia se despedaçado. Suas mãos seguravam a promessa de amor eterno, mas ele se provou mais inconstante em suas afeições do que qualquer membro egoísta. Eu o estripei enquanto ele copulava com uma conquista - um garoto de 12 anos, que eu deixei vivo para que aprendesse com sua experiência. Uma antiga Toreadora tocou para mim uma canção de uma freira Bahari enclausurada num convento em Milão, no século 12. A seus hinos eram considerados uma devoção a Maria, até que um erudito descobriu sua verdadeira lealdade. Como podem presumir, a freira foi queimada numa pilha de seus próprios hinos.
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Infelizmente, todas as transcrições foram destruídas também; minha musa as tocou de cabeça. Quando ela mesma esfarelou-se no Sol da manhã, as últimas recordações das composições da freira sumiram junto com ela. Uma Caitiff errante fez minha pele coçar. Grosseira, ela parecia orgulhar-se dos insultos que lhe fazíamos. Sua boca - incrivelmente grande, metafórica e literalmente - nunca se calava. Quando eu a enfiei no picador de papéis, foi o único assassinato que eu apreciei em anos. Eu esfolei vivo um velho. Ele me pediu e eu obedeci, arrancando gotas de sangue enquanto eu o fazia. Que desperdício. Seu latim era tão impecável quanto um estudante romano, e sua coleção de livros - de romances a altos manuscritos clássicos - eram memoráveis, mesmo que apenas em sua variedade. O velho não tinha boas maneiras, eu confesso, e isso o tornou vítima de nossas brincadeiras. Ele levou tudo na esportiva, mas pareceu manter um rancor que nunca se satisfazia. Seca, sua pele formou o pergaminho para a edição original deste livro. Ele iria querer que fosse dessa forma. Eu deixei que uma garota vivesse. Até hoje, eu não posso explicar o impulso que me levou a esse ato de crueldade. Também mortal, a garota me pareceu vagamente familiar. Eu descobri mais tarde, a origem dessa semelhança em uma crônica de doutrina mágica. Pode ter sido coincidência, mas ela lembrava muito uma pupila de Cagliostro e uma consorte de Aleister Crowley. Submissa por natureza, ela tinha a mais incrível tolerância à dor que eu jamais vi em um mortal. O líder do grupo, uma mulher de Bali de idade desconhecida, era mortal. Seu carisma, porém, era como uma coisa viva. Apesar de não ter poderes místicos que eu pudesse ter notado, ela encantava com cada palavra que proferia. Eu a deixei viver também. Há muitos poucos como ela. Apesar de jurar vingança contra mim por ter matado seus companheiros, ela me agradeceu por tê-lo feito. A Mãe Sombria age de modos estranhos, certamente!

Mágika do Breve Amanhecer
Como qualquer um que tenha sentido o açoite dos raios do Sol, o impacto de um tiro de calibre doze ou o corte de uma ferramenta de vivisseção pode confirmar, todos nós atingimos uma explosão de percepção, um satori, quando feridos.
Introdução 25

Por um breve momento, o mundo congela e somos transportados para um lugar desconhecido ou terra-deninguém onde a pulsação do próprio Deus corre em nossas veias. Como beber da jugular celeste, este obsceno prazer atordoante pode derrubar alguém. O momento é apenas isso um momento - mas quando passa, vemos algo memorável emergir do nevoeiro de dor. Muitos Bahari chamam esse momento de sa, o "Breve Amanhecer". Os místicos entre eles comparam isso ao momento de lucidez que os magos chamam de “Despertar”; de fato, muitos deles clamam ser Despertos cujo sa guiou ao estudo de artes mágicas. Lilith sentiu o sa quando vagou pelas terras destruídas, assim como guiou Caim a ele quando ele desceu ao Inferno. Se corretamente experimentado, o sa leva à elevada consciência, visão celeste e poderes místicos. Humanos buscam por isso em rituais sadomasoquistas, mas isso raramente vem de forma organizada. Para alguém encontrar um verdadeiro sa, deve atirar-se de cabeça em um abismo físico e emocional - e sair pelo outro lado.
26 Revelações da Mãe Sombria

Os Bahari cultivam o sa, neles mesmos e nos outros. Para eles, é a doce fruta do Conhecimento e a amarga polpa da Vida em um só. Talvez os sons místicos do sa proporcionaram a Lilith seu ar de feitiçaria; apesar dela claramente transcender a mágika mortal, feiticeiros tem sido ligados a Lilith desde o começo do tempo. Não é menos verdadeiro nos dias de hoje; seitas de magos abrigam grandes números de Bahari, cujas artes místicas avançam o sonho da Mãe Sombria das Ondas Finais. Embora eu não seja aluna de doutrina mágica, conheci muitos desses chamados "magi" em seus terrenos de rituais. O mais predominante, ao que parece, vem de um clã místico que tem o nome de um tipo de planta medicinal, ou verbena; considerando seus papéis como frutos do jardim de Lilith, seu nome botânico é inapropriado. Outros pertencem à sociedade reencarnatista, cuja imagem de uma grande roda corresponde aos olhos eternos d'O Antigo, abrindo e fechando em seus infindáveis ciclos de criação e destruição. Outros ainda passeiam no êxtase de dor e flashes de sabedoria posterior a isso, ou lideram cultos de origem duvidosa. Enquanto muitos desses místicos progridam nos planos de sua rainha numa base local, eu admito que alguns deles detém rebanhos que seriam a inveja de qualquer Príncipe. Cultivando estes rebanhos com credos de renovação através de sacrifício, bruxos Bahari aumentam uma fome por sabedoria - e por mais e maiores agonias.

Sangue Bahari: os Dissidentes de Caim
Como Caim, os Membros são atraídos e inspirados pelo sofrimento; esta tendência explica certos passatempos suicidas, como andar sobre fogo, políticas da Gehenna e os Tzimisce em geral. Quando você considera esse fato, os membros dissidentes - chamados de Lhaka ou Sangue Bahari - entre as hostes de Lilith parece natural. Como eu mesma, muitos desses vampiros começam como ovelhas cegas; atingidos pelo sa, alguns poucos entendem a verdadeira ordem das coisas e logo se juntam aos Bahari. A cerimônia de sangue quebra o laço de vitae que nos liga aos nossos princípios; como Lilith comendo o fruto do Éden, esse momento apaga nossa prévia cegueira. A partir desse ponto, nós somos indivíduos cuidando do jardim da dor. (Me faz sorrir pensar nos nossos ó-tão-sagazes anciões jogados nas mãos de Lilith com tanto prazer.
Introdução 27

Seus conflitos incessantes por supremacia geram anarquistas e candidatos a Bahari assim como água suja gera desinteria. A maldição de Lilith permanece ainda hoje. As crianças de Caim "se alimentam dos corações uns dos outros", figurativamente e de outra forma, como delicadezas palpitantes). As Lamia, uma extinta linhagem dos Giovanni, presenteiam os alunos com um enigma. Os apócrifos dos Giovanni (obtidos a um grande preço, eu lhe asseguro!) dizem que a linhagem começou quando um deles raptou uma sacerdotisa de Lilith. Supostamente, esta sacerdotisa era a única filha de Adão e Lilith, nascida de um infindável ciclo de estupro e concepção desenrolando-se de volta à brutalidade do próprio Adão. A lenda Bahari, por outro lado, claramente diz que Lilith teve três filhas e três filhos, que nenhum deles era de Adão e que todos eles foram assassinados. Embora não seja a primeira vez que lendas discordam umas das outras, esse ponto vale à pena ser registrado. Supostamente, estas Lamia se tornaram Membros raros, porém iluminadas, mantendo os "verdadeiros ritos da Mãe Sombria" mas servindo o clã que os Giovanni destruíram. Eu guardo essas besteiras; apesar de ser inteiramente possível que um "Capadócio" abrace uma sacerdotisa Bahari, ela seria uma pobre Ba'ham que gastaria todo seu tempo transando com cadáveres a serviço da prole de Caim. Embora provar minha teoria seja difícil - todas as Lamia foram dadas como exterminadas por volta de 1800 - eu especulo que os progenitores Giovanni também o tenham sido. Talvez nossa sacerdotisa mítica realmente acreditava descender de Adão e da Mãe; talvez ela fosse - dizem que Lilith estava grávida durante sua jornada pelo deserto, e é possível que ela tenha carregado uma criança humana assim como a descendência sobrenatural de Jeová. Sabendo o que sei do Breve Amanhecer e as formidáveis conseqüências desse choque, eu não acredito que uma tribo de necrófilos pervertidos poderia ter escravizado os seguidores de Lilith. Acredito que uma porção de Bahari deram continuidade à piada e então colocaram seus "mestres" em um série de armadilhas fatais. De qualquer forma, dizem que as Lamia comandaram temíveis flagelos e necromancias; a descrição de uma capturada por Inquisidores pode ser encontrada no Livro III.
28 Revelações da Mãe Sombria

Talvez as Lamia ainda existam sob outro nome¹; tendo projetado a destruição dos Capadócios, elas quebraram seus laços de sangue e se juntaram aos crescentes postos dos Lhaka - uma sociedade à qual eu mesmo pertenço. E eu estou longe de estar sozinha. Chega de fatos irrelevantes. Deixemos os frutos serem colhidos e as Ondas Finais ascenderem! Banqueteiem-se nestas Revelações enquanto eu me banqueteio do sangue e corações dos meus antigos amantes e parentes. Eu fiz minha parte e espero o curto porém brilhante amanhecer.
1: Eu sei de fato que algumas das chamadas "Filhas da Cacofonia" adoram a Lilith. Seus dons para a música e loucura fazem muito sentido. Seriam elas talvez as remanescentes das Lamia, ou uma linhagem delas? Talvez nós nunca saibamos.

Exemplos de Pictogramas de Ba'hara
Uma sociedade secreta requer comunicações secretas. Ba'hara, uma coleção de símbolos mnemônicos, garante uma base escrita para a tradição oral. Embora não seja uma língua formal num sentido estrito, ela oferece a um iniciado Ba'ham um sentido de unidade. A partir de minhas pesquisas, eu deduzi que Ba'hara deriva de pictogramas medievais da antiga linhagem Lamia, a qual é proveniente de uma fonte ainda mais antiga. Aquelas "formas primitivas" da língua foram, que eu saiba, há muito esquecidas, embora os exemplos, provavelmente, ainda existam em alguma gruta remota irreconhecíveis como já foram um dia. A forma moderna de Ba'hara utiliza plantas e animais como bases abstratas para as letras. Assim como a seita, é dito que a língua cresceu a partir de sementes do Terceiro Jardim, e suas plantas são um eco daquelas idéias.

Sangue Lilith Caim
Introdução 29

Membros

Lua

Sol

Lúcifer

Serpente
30 Revelações da Mãe Sombria

Coruja

Dragão

Humano

Gato

Aliado

Mágica
Introdução 31

Local Sagrado

Nos Encontremos Aqui

Perigo

Este Local Deve Ser Destruído
32 Revelações da Mãe Sombria

All Hail Lilith!

Ilustração para o livro de Marc André Rivest Lê Jardin interdit: Ces Choses qui ne son pas dites (O Jardim Proibido: ou as Coisas que não se comentam), 1547.

Primeiro Ciclo: O Livro da Serpente

Fodida Por um raio que veio do céu Mãe, poderia eu Sim Bom Me comportarei Como se estivesse Voando Sobre uma semente amarga Minha boca é um tambor Meu ventre uma multidão de moscas - Patrícia de la Forge, “Outside the Garden”

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Revelações da Mãe Sombria

O Juramento de Lilith
Nota da Editora
Formulado por um Ba'ham durante a sua iniciação, diz-se que o juramento é uma preservação das palavras que Lilith disse a si mesma quando vestiu-se com o Manto da Lua. Acredito que não é mais que pura fantasia, mas estas palavras, quando pronunciadas, ressoam com um poder que não posso negar. Ainda que nunca tenha me considerado uma Ba'ham formal, pronuncio este juramento ao cair de cada noite. Esta devoção pode me explicar algumas coisas...

A primeira vez que provei o fruto das Árvores senti as sementes da Vida e do Conhecimento queimar dentro de mim Jurei nesse dia que não voltaria atrás. A primeira vez que provei a carne da morte senti o sabor do sangue e o ranger dos ossos Jurei nesse dia que não morreria. A primeira vez que provei o meu próprio sangue Senti a necessidade e a agitação de minha própria vida em meus lábios Jurei nesse dia amar a mim mesma sobre todas as coisas

O Livro da Serpente

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A primeira vez que provei a luz da lua Senti seu brilho em meu ventre E sua selvagem ternura Jurei nesse dia que caminharia de noite. A primeira vez que provei o amor de um deus Senti o cortante alçar de canção e fogo Jurei nesse dia que acariciaria a carne. A primeira vez que provei o sal do mar Senti meu sangue transformar-se em água Enquanto o céu caía sobre mim Jurei nesse dia que descenderia e retornaria com maravilhas. A primeira vez que provei o amor de um jovem Gritei com a alegria de uma nova vida E chorei pelo que havia perdido E ganhado Jurei nesse dia nutrir a vida Como antes abraçara a morte. Juro por três vezes três vezes três Que estes sete momentos serão meus E que nada que transpire, Nem deus, nem homem e nem besta, os quitará O juro por mim mesma. E pela minha imortalidade.
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O Fragmento do Gênesis
Notas da Editora
Este, a origem de todo o Ciclo de Lilith, é o que falta nas escrituras tradicionais. Mesmo que supostamente descreva os Primeiros Dias, o Gênesis judaico-cristão não faz referência a Lilith em momento algum. A vemos mencionada nos Midrashim rabínicos dos judeus e em alguns textos hebreus obscuros (e não tão obscuros). Mas a primeira mulher esta ausente de versões consolidadas tanto da Bíblia cristã como o da Tanakh judaica. Tal como vimos neste “Gênesis perdido” podemos ver o porque. Apesar do seu nome, este mal chamado “Fragmentos do Gênesis” não pode ser considerado parte dos livros canônicos cristãos e judaicos. Mesmo que a versão mais antiga do mesmo esta escrita em hebreu, o uso informal, e inclusive às vezes burlesco, do nome de Jeová (tradicionalmente escrito como YHVH, “O Senhor”, seguido por “bendito seja Ele”) esta tão distante do paradigma judeu que o Fragmento deve ser considerado, como muitos, o trabalho de algum israelense profundamente herético. Não há nada fora do habitual a respeito disso: o Gênesis, o Êxodo e outros dos primeiros livros declaram a existência de uma miríade de seitas pagãs ou heréticas entre os filhos de Abraão; um autor com um, digamos, ponto de vista pouco convencional do Todo Poderoso não é muito difícil de imaginar; Ainda sim, muitos textos heréticos foram purificados junto de seus autores. O Fragmento do Gênesis chegou de algum modo ao grupo de textos que se perderam durante o cerco de Roma a cidade de Jerusalém (64 d.C.), salvando-se da destruição. Dada a natureza blasfema do Fragmento, duvido que jamais fora considerado parte do Pentatéuco, ou os cinco livros de Moisés. É mais provável que fora conservado como parte de algum ritual ou encantamento de proteção (para “conhecer o seu inimigo”, com dito antes) ou como matérial de estudo de algum intrépido erudito. Seja como for, o Fragmento foi preservado das chamas de Roma, mas foi deixado de lado quando confeccionaram a Torá a partir dos textos conservados, e de novo mais a frente, quando o Concílio de Nicéia estabeleceu os livros da Bíblia cristã. Tratando de ser fiel ao texto original, comparei este Fragmento com dois similares, um em grego e outro preservado na tradição oral dos ritos Bahari. Tive acesso a uma versão pictográfica Ba'hara, mas devido a que tais documentos são usados mnemotecnicamente, e não são palavras literais, dificilmente poderiam ser uma versão Bahari definitiva.
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Em parte para conservar o ambiente intrínseco ao texto, e em parte para capturar o ritmo original do hebreu, usei a versão israelense como base de minha tradução. Uma série de notas de rodapé mostra as minhas próprias observações. Seria fútil tentar começar dizendo qual destas três versões é a “definitiva”. Cada uma delas tem a sua própria autoridade. A tradição Ba'hara parece adotar o papel do Evangelho segundo Lilith; as fontes gregas servem de “ponte” entre os rolos antigos e a tradução atual, e inclui algumas ambigüidades panteísticas; o documento herético israelense é mais adequado ao nosso conceito das Escrituras. Surpreendentemente, todas elas se confirmam de um modo quase perturbador. Apesar de que o Fragmento conter numerosos elementos cabalísticos, estes se encontram difusos e desorganizados. Seria de autoria de uma mulher? Se for, isso justificaria as correspondências incompletas e o uso improvisado do hebreu em algumas passagens. A erudição feminina estava de certo ponto mal vista, e muitas vezes proibida, especialmente quando dita erudição incluía as Escrituras. Inclusive jovens homens eram (e, todavia são) mantidos afastados das mais sagradas escrituras. Eu creio que a verdadeira origem do Fragmento prove da “sabedoria feminina”, a tradição oral transmitida de geração a geração, de mãe para filha, e que raramente se punha por escrito. Este é sem duvida alguma minha afirmação. Ainda levando em conta a sua origem e usa importância para a doutrina Baharim o fragmento é mais a historia dos Primeiros Dias do que uma relação das aventuras de Lilith. Lilith não é sequer a protagonista principal: esta distinção corresponde a Jeová, o deus com problemas, orgulhoso e definitivamente trágico cujos erros esmiúçam o equilíbrio da Criação Imortal. Do mesmo modo, seus atos rompem a situação estática de então, criando a primeira criatura com vontade própria: Lilith. E quando ela tomou parte neste drama universal, O Que Era passa a ser O Que Será. Seu desafio (primeiro Jeová, depois os elementos, Lúcifer e depois os outros deuses) agita o pequeno mundo feliz que havia encoberto profundas injustiças. Ela trai consigo amor, alegria, rebeldia e finalmente desastre, mas emerge como a verdadeira arquiteta do nosso mundo, para o bem e para o mal. Quando parte para o Mar Eterno para estabelecer seu próprio jardim, a vemos transformada em igual de Jeová: a mulher que o obrigou a ver a ilusão sob a qual estava se escondendo. Não deveria surpreender, pois, que os Bahari a consideram a Verdadeira Deusa do nosso mundo.
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O Fragmento do Gênesis
I: A Criação
Uma vez, houve silêncio e quietude. Esse foi o Tempo do Nada, quando o Ser Ancestral descansava Seus olhos e não se movia. A cada 55.555 anos, o Ser Ancestral rompe o Seu sono e abre Seus olhos, para ver que não estava antes ali. A cada 55.555 anos, fecha novamente Seus olhos, e tudo retorna ao silêncio e quietude novamente¹. Então foi quando o Ser Ancestral abriu os Seus olhos pela 333ª vez, e um relâmpago de Luz rompeu a escuridão². Dali proveio [Jeová]³ e os outros Seres Luminosos4. Para agradar os olhos do Ser Ancestral, Falaram grandes Palavras, e cantaram grandes Canções, e assim foi como teceram o mundo na existência. Até as conchas dos 332 Velhos Mundos se dirigiram, e as criaturas destes mundos gritaram e se dirigiram para as terras selvagens 5 . Cada um deles cultivou um jardim, criando plantas e bestas no seu interior. Dentro de cada jardim, a terra proveu sustento para os entes que cresciam; e o fogo queimava nos céus de dia e de noite; e o ar fluía como palavras de divindade; e as águas nutriam as flores e plantas e todos os seres vivos 6. E Jeová, o Primogênito, cultivou o maior Jardim de todos eles na terra entre os rios. E Ele cultivou duas Árvores dentro deste Jardim, a Árvore da Vida e a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal. E cada Árvore produziu frutos de sete sementes cada uma e cada semente continha as grandes verdades dos Seres Luminosos. O tempo passou, e as bestas do jardim de Jeová se alimentaram das sementes das árvores e souberam as grandes verdades, mas isso não os importava. As bestas se alimentaram das sementes, das ervas e deles mesmos; pois assim é Como São Todas as Coisas. E isso estava bem. Mas Jeová tinha ansiedade. Alimentou-se dos frutos de ambas as Árvores, mas eles não o saciaram. Bebeu dos dois rios e do sal dos grandes mares, mas não O saciaram. Alimentou-se nos jardins de [Lúcifer] e [Gabriel] e [Astarte] e [Bel], mas ainda assim ainda não estava satisfeito. Seu ventre rugia e as bestas se escondiam temerosas, tão grande era a ânsia do Primogênito.
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Mas não tinha fome de carne, nem frutas, nem da companhia de Seus primos. Jeová ansiava companhia. Jeová se lamentava e Seus gemidos eram como tormentas. Chorou, e Suas lagrimas tornou úmida a Verdadeira Terra7 no centro de Seu Jardim. E caíram sobre as sementes das Árvores da Vida e do Conhecimento, e produziram um estranho e maravilhoso fruto. Macho e fêmea surgiram do lodo da Verdadeira Terra, unidos pelas costas; e lutaram para poremse de pé. Mas não puderam. Até que Jeová passou a Sua mão entre eles e os transformou em Dois; iguais e fortes Ele os Fez. E o Ser Ancestral não viu estas coisas. Porém Ele parecia sorrir.

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Revelações da Mãe Sombria

II: O Jardim
Jeová chamou as Suas criaturas de “Ish”, ou “Adão”, e “Lilitu” ou “Lilith” 8, e Ele os deu grandes Dons. Ao homem, Ele deu-lhe os poderes de Modelar e Nomear; à mulher, Ele deu os poderes da Fertilidade e a Intuição. Como tinham se originado da Verdadeira Terra e das sementes das Árvores, o homem e a mulher podiam ver e adorar os trabalhos de Jeová, Ele estava muito contente. E Ele ordenou que Seus servos, estes serafins e querubins e demônios que mostravam para Adão e a Lilith as maravilhas do Jardim, e lhes ensinaram a usar seus Dons. Ele ordenou a Adão que nomeasse cada uma das plantas e criaturas que ali moravam, e ordenou a Lilith que os alimentasse; e ordenou a ambos que tomassem o que necessitassem do Jardim. Lilith passou o tempo entre as plantas e as árvores frutíferas; Adão passou o tempo nomeando os animais, os machos e as fêmeas que habitavam o Jardim. Adão aprendeu a caçar as criaturas tal com caçavam umas as outras; e Lilith aprendeu a alimentar-se de árvores e plantas, tal como estes fertilizavam uns aos outros. Enquanto cuidava do Jardim, Jeová os proibiu de alimentarem-se das Árvores da Vida e do Conhecimento, dizendo-lhes: “Estes são os frutos da divindade. Imortais, como sois, estes frutos os devorariam se vós os devorarem antes. Como o relâmpago dos Céus, lhes cegariam, despedaçariam a pele e as entranhas, e os partiriam com a árvore que por ele teriam os alcançado”. Mas Lilith não acreditou em Jeová; mas tão pouco o pôs a prova. Mas desejou estes frutos, pois era uma criação de grande vontade. Quando o fruto caiu das Árvores, ela os comeu, e assim seus olhos se abriram. Estava nua, mas não se envergonhou disso 9. E se transformou em um Ser Luminoso, como Jeová; mas não entendeu como ser igual a Ele, e assim esperou e observou. Lilith tentou explicar para Adão os segredos das plantas, mas a ele isso não importava; o observou enquanto caçava, e criou ferramentas que o ajudariam; e ordenou que o lobo, o leão e a coruja o seguisse. Assim foi como Lilith sobressaiu nas tarefas da caça e da colheita dos alimentos10 Mas adão . enfureceu-se, e foi para longe de onde ela estava.
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Em sua solidão, Adão várias das muitas bestas fêmeas, pois desejava uma parceira para si. E Jeová pediu para que se visse a mulher, Lilith, a que fora sua parceira, dizendo-lhe: “Tu estas acima das bestas, e é detestável que deiteis com elas”. E assim foi como Adão foi em busca de Lilith para que deitasse consigo. Mas Lilith sentia repulsa por ele, pois havia copulado com as bestas. Ele tentou inclinar-se sobre suas costas para poder penetrá-la, mas ela o rechaçou, dizendo-lhe: “Porque eu deveria deitar-me embaixo de ti? Eu também fui criada da Verdadeira Terra, e sou sua igual”. E Adão se enfureceu; em sua raiva, forçou Lilith a deitar-se sob ele. Enquanto lutava, ele a infligiu vários golpes, até que o sangue de Lilith caiu na terra junto com o de Adão. E adão era impetuoso como um touro xucro e sua semente caiu sobre a terra; e arbustos e heras cresceram ali, agarrando-se aos tornozelos de Lilith e Adão. Adão enfiou-lhe o chifre de sua virilidade; mas Lilith uivou o Nome Verdadeiro de Jeová e Ele apareceu acima do Jardim vindo dos Céus. E Adão caiu no solo, e abrandou sua fúria e sua luxúria nas bestas e nas flores. Mas ele não havia comido do fruto das Árvores e não sabia o que fazia.

III: Lilith como Consorte de Jeová
Uma vez que Lilith foi levada para longe de Adão, Jeová a inquiriu: “Como soubestes o Nome Oculto Daquele que te criou?” Sua voz era ensurdecedora. A luz crepitou no céu. Os ventos esvoaçavam os cabelos de Lilith e cobriram sua pele de gelo. Tinha medo, mas não o disse em voz alta. Ao invés disso, O disse, ao trovão, relâmpago e vento. E seu medo foi como a sabedoria e o consolo contra a tormenta. Lilith disse: “Eu fiz o que Tu me pediste. Cultivei os frutos do Jardim, e as bestas do bosque. Quando prosperaram, me nutri deles. Quando caíram, os recostei para repousarem. Os frutos que eu comi são os que caíram por Tuas próprias mãos. Os aceitei como um dom de amor de Tua abundância, para que pudesse unir-me a Ti nos Céus”. Após dizer isso, fez crescer suas próprias flores; flores que não foram criadas pelas mãos de Jeová, nem cultivadas pelas mãos de Lilith. Eram novas, e ela as criou a partir do Firmamento dos Céus, e as ofereceu a Ele. E no final a tormenta cessou. E Jeová permaneceu calmo. Ele a levou aos Céus, e a tomou como esposa. Durante sete dias e sete noites, ela se sentou sobre Seu colo e Ele dentro dela 11 . E sua copula foi como a tormenta; e ambos ficaram satisfeitos. E o amor cresceu entre Jeová e Lilith, com os frutos da Árvore da Vida. Mas Ele não suportava compartilhar Seu poder e conhecimento com Lilith. Lilith disse: “Agora somos como deveríamos ser, iguais sobre todos os demais”. Ao ouvir isso, Jeová enciumou-se, como fizera Sua criação, Adão. E assim ocorreu que Jeová expulsou Lilith de Sua vista, com antes já expulsara a Dama 12 que viera antes dela. Após sete dias e sete noites, Lilith foi exilada dos Céus. Sobre o pó que havia entre os Jardins foi exilada. Então Jeová proclamou: “Vagarás por entre as terras sem criar para sempre”. Após dizer isso, desapareceu, deixando Lilith só.

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Revelações da Mãe Sombria

IV: Lilith Sozinha ¹³
Então Lilith rumou ao deserto e vagou durante sete vezes sete dias e noites. E os dias eram cálidos e selvagens, como as chamas; e a escura pele de Lilith enrijeceu, e se secou e rachou como o lodo; e sua língua inchou; e seus ossos marcavam a sua pele, e seus pés se queimaram como se tivessem provado brasas ardentes. Mas ainda sim não se arrependeu; nem buscou perdão do Senhor, nem negou que era com Ele. O fruto que havia comido se alojou em seu ventre, e dele se alimentou. Mas seu coração e seu ventre estavam dilacerados por Aquele a havia traído; e Sua semente cresceu em seu ventre até que ficou inchada e pesada. Quando estava sedenta, Lilith bebeu de seu próprio sangue, e este a alimentou . Os dias se tornaram um tormento, e assim aprendeu a enterrar-se na terra e aguardar a caída da noite. Sob o solo, Lilith aprendeu a enviar seus sentidos ao longe15 e assim descobriu os rios e Jardins dos outros Seres Luminosos. E quando o sol havia se posto, emergiu da terra e seguiu até o Mar Eterno. E Lilith caminhou por rochas e areia; e cruzou montanhas e tremeu com ventos frios, e foi fustigada pelo pó; e caiu muitas vezes, mas não se deteve, e se levantava outra vez. Pois a dor era como sabedoria para ela. Longe das terras de Jeová, encontrou a grande extensão que era o Mar Eterno16. quando o alcançou, Lilith se atirou nas águas, e nadou até as profundezas; e se transformou em uma de suas próprias criaturas; e se deitou com elas, como Adão fizera com as bestas do jardim; e os caçou, como fizera no Jardim, até que estivesse saciada. Quando viu os grandes jardins no fundo do Mar, Lilith se surpreendeu. Para sua surpresa, viu que as plantas floresciam e que as bestas do Mar se reproduziram; e assim se transformou na Mãe do Mar17 . Debaixo do Mar Eterno, Lilith aprendeu a ser como Jeová e a dominar seus poderes. Expulsou de seu interior Sua semente e a plantou entre os filhos de seu ventre e entre a semente das criaturas do Mar. Quando saiu do Mar, sua escura pele havia tornado-se âmbar, e seus cabelos havia se tornado negros como o alcatrão.
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Seus olhos eram como a superfície do Mar e dançavam como a lua sobre suas águas18 . Mas não pode criar um Jardim como o de Jeová, então ela rangeu os dentes de ciúmes. Pois ainda que pudesse realizar muitas maravilhas e dar vida a muitas bestas estranhas, Lilith não estava satisfeita. E assim foi como deixou o Mar Eterno e retornou ao deserto. Ela almejava o fruto do Jardim de Jeová; pois era o mais saboroso que jamais havia provado19 .

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V: Os Jardins dos Elohim
Lilith vagou durante sete vezes sete anos; e então foi quando encontrou os jardins de [Bes]; e os vinhedos de [Dionísio]; e os campos de [Baal], e todas as maravilhas que estes continham. Essas maravilhas a mostraram aos seus proprietários, pois se surpreenderam ao ver alguém tão graciosa e bonita como aquela Que Saiu do Mar Eterno. E houve grandes celebrações nos jardins de [Bel[; e nos vinhedos de [Dionísio]; e nos campos de [Baal]; e todos os Seres Luminosos proclamaram: “Lilith não tem igual, pois é Luminosa como a luz do Ser Ancestral mas foi criada com a Verdadeira Terra de nossos jardins”. Mas as celebrações e as libações eram como prazeres vazios. Lilith ansiava pelo fruto do grande Jardim de Jeová; os frutos das Árvores da Vida e do Conhecimento. Não havia outros que se assemelhariam, por mais ricos que fossem. E assim partiu destes jardins, agradecendo os seus anfitriões e presenteando-os com preciosos frutos ²².

VI: Jeová Encarrega Lúcifer a Proteção do Éden ²³
E aconteceu que Jeová soube das viagens de Lilith pelos Seres Luminosos; e Ele temia que pudesse regressar ao Éden e destruir sua Criação. Assim sendo, Jeová encarregou Lúcifer a guardar o Éden, caso Lilith regressasse. E o Portador da Luz, que guardava Jeová em seu coração como a um irmão, aceitou o cargo e postou-se frente às portas do Éden com uma temível espada. E a espada foi criada a partir da Verdadeira Terra do Éden; e deste modo a espada poderia ferir Lilith, pois ela foi criada da mesma Terra. Pois era terrível para ela, e também para Adão. Com sua grande visão, Lúcifer viu Lilith a uma grande distância; a espiou desde as nuvens diurnas e o brilhante disco do sol. Mas sua beleza o feriu com se fosse um raio; e quando ela se aproximou dele com a espada ainda em suas mãos. Mas não a feriu. E Lilith lhe disse: “Quem és tu, que guardas o Jardim do Primogênito?”. “Eu sou a Luz e a Escuridão”, respondeu Lúcifer. “És formoso aos meus olhos”, falou Lilith, e disse a verdade; pois és um ser belo, uma árvore modelada com contornos que satisfazem a vista; e sua pele é ouro polido, e seus olhos são da cor da lua.
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Seu alento é o aroma da loto; e suas caricias como um suspiro24 . E Lúcifer disse: “És a intempestuosa criação de meu irmão, que saiu do Jardim com ódio em seu coração?”. “Não o sou”, respondeu Lilith. “Sou como tu, e como nosso irmão; e nunca danificaria nada em Seu Jardim, nem sequer às bestas inferiores ao seu cuidado 25.Somente desejo aprender sobre as maravilhosas Árvores que cultiva”. E olhou no interior de seu coração e viu que dizia a verdade. E seu próprio coração se encheu de amor e desejo, como um jardim florescendo com água fresca e boas sementes. Foi assim como Lúcifer a deixou passar. Mas antes de Lilith entrar, o Portador da Luz a ofereceu um presente. Lúcifer disse: “Assim como sou o Senhor da Luz, tenho também o domínio sobre essas esferas que iluminam o céu. E deste modo te presenteio com estas vestimentas da Noite, querida irmã, onde estão bordadas a lua e as estrelas e tudo o que se pode ver no céu noturno.

Use-o e governe a Noite assim como eu governo o Dia”. E Lilith colheu a vestimenta; e sua tez ficou da cor azul escuro da noite; e seus cabelos do pratéado das estrelas; e seus olhos brilharam com a suave luz da lua26 . Sobressaltada e surpresa, Lilith se deteve. “Amo estes presentes, como amo agora a quem o me entregou”, disse. “Não perturbarei o nosso irmão, mas sim cultivarei o meu próprio Jardim; e tu poderás vir me visitar ali; e eu te mostrarei todos os seus esplendores”. Após dizer isso, ela deixou o Éden. Então se cobriu com seu manto de noite e subiu até o céu, ao longe.

VII: O Primeiro Jardim de Lilith
Lilith escolheu uma terra rica e fértil, com três rios delimitando suas fronteiras. E cobriu esta terra com seu manto de Noite; se suas vestimentas, colhendo um punhado de estrelas; e espalhou estas estrelas sobre a terra. E essas sementes celestiais geraram maravilhosas plantas e árvores frutíferas e todo tipo de vegetação. Mas esta vegetação não era como a do Éden de Jeová; pois cresciam somente sob o amparo da lua de Lilith. E Lilith caminhou muitas vezes por seu Jardim; e alimentou as plantas com seu próprio sangue; e floresceram e deram grandes frutos. Em seu ventre, Lilith conservava as sementes da Árvore da Vida e do Conhecimento. E a estas também alimentou com a água de seu corpo e o sangue de sua vida; mas elas não cresceram. E Lilith foi ao ar com lamentos de frustração e tristeza; pois ansiava pelos frutos destas Árvores; e o amor de Jeová, aquele que a expulsou. Então Lilith escureceu; e a sua raiva subiu com a areia em um vento forte; e purificou o local onde não cresceram as sementes das Árvores; onde as sementes jaziam na terra; e amaldiçoou Jeová por seu orgulho. Então amaldiçoou a si mesma por sua dor, e pelo amor que sentia por Aquele Que A Traiu. E seu primeiro jardim foi arrasado em sua fúria, até que deixou de existir. Então Lilith deixou seu Jardim da Noite e partiu ao Éden.

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VIII: A Criação de Eva, e a Queda.
Quando Jeová livrou de Lilith, Adão se encheu de raiva e ciúmes, pois havia tomado a sua parceira. E em silêncio amaldiçoou o nome de seu criador. Mas Jeová o olhou e disse: “Não sejas leviano. Aquela a teu lado estava repleta de espíritos malignos 27 e o teria ferido. Não tema, pois lhe darei outra companheira”. Jeová dirigiu-se a Verdadeira Terra, e tomou um punhado de areia e lançou sobre o seu alento. E a argila formou os ossos da mulher; e sua pele; e os fluidos e órgãos se deram interior. Mas Adão estava consternado, e se sentia doente no Jardim; pois havia visto as entranhas de sua companheira, e não lhe daria um nome 28 . E assim, Jeová destruiu Sua própria Criação; com um poderoso vento, devastou sua pele, e suas entranhas, e seus ossos, e deixou que seus fluídos encharcassem o solo da Verdadeira Terra. E pequenas criaturas vieram e devoraram a fêmea, até que não restaram mais rastros dela. Quanto ela fora aniquilada, Adão ficou satisfeito. E Jeová fez com que Adão entrasse em um profundo sono e o privou de uma costela; e desta costela criou Eva. E Adão ficou satisfeito; e lhe deu o Nome de “Ishah”, ou “Eva”; e conheceu Eva; e ela deitou-se com ele, pois era um ser inferior, não criada da Verdadeira Terra com Lilith; não das costas de Adão, e sim de seus ossos 29 . Quando Lilith surgiu do Céu, Jeová chorou novamente; e Suas lagrimas foram com um dilúvio sobre o Éden. Chorou durante sete dias e sete noites, até que todas as criaturas do Jardim gritaram pedindo clemência. A partir deste momento Jeová não chorou mais; exceto uma vez mais em todos os dias e noites deste mundo30 . Quando Ele ouviu sobre os atos de Lilith, e de suas visitas aos jardins e vinhedos de Seus irmãos e irmãs, Jeová sentiu-se muito preocupado. Pois ainda pensava nela como na Sua criação e Seu amor. E por isso pediu que seu mais amado irmão guardasse o Éden. Mas não disse nada a Lúcifer sobre Lilith, nem do amor que sentia por ela; nem dos poderes que possuía; nem dos frutos que havia comido. Porque o Primogênito tinha medo.
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E aconteceu que Lilith retornou ao Éden, vestida em suas vestes da Noite; e ali novamente se encontrou com Lúcifer, que estava parado frente às portas do Éden com uma flamejante espada nas mãos. “Querido, por que estás aqui parado frente às portas do jardim de Jeová?”, disse Lilith. “Tu se transformastes em seu servo e lacaio?”. “Não”, contestou o Portador da Luz. “Espero Aquela Que Foi Expulsa; pois o Primogênito me disse que sua alma és pequena e escura e esta cheia de espíritos malignos; e que não seria capaz de contemplar a minha luz. E por isso estou aqui como um favor Aquele a quem amo como a um irmão”. E suas palavras feriram Lilith; pois sabia que Jeová tinha falado dela. Mas também se sentia orgulhosa por saber que seu Criador sucumbira à falsidade. Pois com ela originava-se da Verdadeira Terra do Éden, não poderia passar enquanto Lúcifer empunhasse sua espada contra ela ³¹.
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Por isso disse a Lúcifer: “Abaixa tua espada, meu amado, e deixa-me passar. Pois não sou esta pessoa. Permaneço parada frente a sua luz e a reflito como se fosse minha”. E o Portador da Luz lembrou-se que Lilith outrora havia prometido não causar dano nenhum e foi sincera naquela vez. E por isso acreditou nela. E ainda assim estava surpreendido com ela, resplandecente com suas vestes e Noite. “Por que viestes até aqui, minha amada?”, disse Lúcifer. E Lilith respondeu: “Também tenho cultivado um Jardim, e desejo aprender como Jeová faz com que suas Árvores da Vida e do Conhecimento cresçam tão fortes e dêem frutos”. E ela mostrou-lhe as sementes que havia salvado e Lúcifer viu o que eram. Então Lúcifer baixou a sua espada para que Lilith pudesse passar pelas portas. E assim Lilith entrou no Éden. Cobrindo-se com suas vestes por trás das Árvores, ela se transformou na Grande Serpente, com escamas pontiagudas da cor das plantas ao seu redor; e com grandes asas que surgiram do seu corpo sinuoso, para que pudesse ocultar-se de Jeová. A Serpente era sagaz e silenciosa, e se movia invisível através das profundas plantas do Éden ³². E finalmente chegou a Árvore da Vida, e encostando seu ouvido em suas raízes a perguntou: “Como fazeis para crescer?”. E a madeira viva desta árvore lhe disse: “Graças às sementes que nascem em número de sete vezes sete”. E agradeceu a Árvore; e dela colheu sete frutos, pois cada um continha sete sementes ³³. Então ele chegou à Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal e a perguntou: “Como fazeis para crescer?”. E a Árvore lhe disse: “Graças às sementes que nascem sete vezes sete”. E novamente agradeceu a Árvore, e dela também colheu sete de seus frutos. Mas Lilith não estava só.
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Eva havia chegado quando Lilith encontrava-se junto a Árvore do Conhecimento. A terceira mulher chegou e se sentou embaixo da Árvore. E Lilith viu que era um ser inferior, e se apiedou dela. Em sua compaixão, dirigiu-se a Eva: “Toma o fruto e come dele para que teus olhos possam se abrir”. E Eva fez o que ela havia lhe dito; e tomou o fruto; e comeu dele. E assim os olhos de Eva se abriram como se fossem cegados por uma explosão de fogo; e caiu como se a tivessem golpeado; e chorou pelas coisas que agora podia entender. E Lilith envolveu Eva para consolá-la; e Eva abraçou a Serpente como a um amante; e conheceram uma a outra sob a sombra da Árvore do Conhecimento34. E os sons das lágrimas conduziram Adão a este lugar. E a coruja o viu, e advertiu Lilith de sua chegada. E assim a Serpente deixou a mulher com seu homem; e ele se surpreendeu quando a encontrou sorrindo, mas cheia de lagrimas; e ele a perguntou: “Porque choras, minha esposa?”.
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E sendo a amante de Adão compartilhou o fruto com ele. E assim foram amaldiçoados o homem, a mulher, o Portador da Luz e a Serpente.

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IX: A Ira do Senhor do Jardim e suas Sete Maldições
Adão e Eva estavam nus, e sentiram-se envergonhados por está-lo; e Adão recordou-se de seus pecados, e se remoeu de arrependimentos. Caiu de joelhos frente à mulher e chorou e arrancou a barba; e não disse palavra alguma, mas sim uivou como um animal. Eva o consolou, e acariciou seus cabelos, pois não compreendia a profundidade de sua tristeza nem do que se arrependia 35. Mas o Senhor do Jardim ouviu o seu choro, e estava irado e surpreso. A ira de Jeová foi como um leão sobre uma criança. Seu rugido tombou as Árvores; Seus passos sacudiram a Verdadeira Terra, fazendo-a em pedaços; o ranger de Seus dentes fez com que um terço das rochas se quebrassem; Sua saliva era como fogo e consumiu as flores do Éden. E a Árvore da Vida murchou com a fúria de Jeová; enquanto o homem, a mulher e Lilith observavam, transformou-se em cinzas e o vento as espalhou com a fúria do Senhor do Jardim. Pois assim o Ciclo começaria novamente. O Vinho da Imortalidade havia se derramado e a taça quebrado nas raízes do Éden. E o mundo começou de novo; o sono caiu dos céus e foi consumido pela fúria do Senhor do Jardim. E Ele era prisioneiro deste Vinho, e não pode desfazer aquilo q tinha feito quando o Ser Ancestral fechasse os olhos Ele também morreria. Inclusive Ele, o Senhor do Jardim36 . O Portador da Luz chegou correndo. Com um rugido, Jeová fez com que a terra se partisse e que tragasse Lúcifer; e que o lançou ao ar. Quando caiu, Lilith correu até ele, e o socorreu; não a Serpente, mas sim a primeira mulher. E a espada de Lúcifer se partiu em dois; uma metade caiu aos pés do Portador da Luz e o outro nos pés de Lilith. A voz de Jeová ressoou nos Céus: “Esta é a sentença do Primogênito”.

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À Adão e a Eva, Ele disse: “Por terem comido da Árvore que vos disse para evitar, sereis amaldiçoados”. À mulher Ele disse: “Tu se erguestes para tomar o fruto do Altíssimo; por isso te inclinarás pelo resto de teus dias. Por isso, amaldiçôo-te com dores; assim como tomaste o fruto, teu ventre assim o levará como se fossem pedras; como derramastes as sementes; assim deverás recolher as sementes do homem pelo resto de teus dias; como derramastes o sumo do fruto; assim teu próprio sumo fluirá com cada mudança da lua; como desejastes o fruto do Altíssimo, assim desejarás o do homem. O conhecimento do Bem e do Mal descansará em teu interior, mas não o recordarás”. Ao homem Ele disse: “Tu abdicastes da graça em que fostes gerado. Por isso, amaldiçôo-te com o trabalho; como tu subjugastes a primeira companheira que te dei, assim serás subjugado perante Minha graça; como tu acasalastes com as bestas do campo, assim serás como eles em sua luxúria; como destes Nomes e Formas com teus Dons de nascimento, assim terão estes Nomes e Formas pela eternidade; como ajoelhastes ante a mulher, assim se inclinara sempre frente a ela, por mais fortes que sejas. Te amaldiçôo com a morte, e que volte ao pó do qual o criei”. À Lúcifer Ele disse: “Por não ter cumprido com tua tarefa e não ter querido ver o que acontecia, amaldiçôo-te com a cegueira. Por teres um coração aberto, amaldiçôo-te com a cautela. Por ter mostrado compaixão, te transformo em um escravo da fúria. A espada estará sempre em tuas mãos, e teu consolo será como o beijo dos vermes”. A Lilith Ele disse: “Tu provastes o Vinho da Imortalidade, e por isso não morrerás nunca até que os olhos do Ser Ancestral se fechem, assim como Eu; e neste instante morrerás. E por ter desdenhado do Meu amor, não amarás a mais nada, por mais que tenteis.

E teu ventre transbordará de filhos, mas não te amarão, nem serão parte de ti; e teus olhos verão de noite, mas cegarão de dia; e tua pele se partirá sob o sol de teu falso amor Lúcifer, e se curará somente a luz da lua. Tu te transformastes em um Ser Luminoso, mas tua luz brilhará somente a noite”. E a ambos Ele disse: “Sereis os Ceifeiros dos Campos. E vossas espadas da Verdadeira Terra cortarão as vidas de Adão e Eva, e de todos os seus”. E a todos finalmente Disse: “Por ter-me permitido que isso acontecesse, amaldiçôo a mim mesmo com os céus e o exílio. De agora em diante, não caminharei mais entre vós a não ser secretamente; não terei amor se não somente por esta obrigação; não confiarei em nada, assim como manterei minhas portas sempre protegidas. Pois meu coração esteve aberto uma vez, e por isso terei que morrer”. E o homem e a mulher choraram, pois não tinham lar nem consolo. E Lúcifer disse: “Quem és Tu para amaldiçoarmos assim, irmão? Somos iguais a Ti!”. A Palavra do Senhor foi como o trovão e o vento; “Não os amaldiçôo. A maldição não é se não vossas ações, pelas quais estamos todos atados”. “Mas isto lhes dou: que o homem e a mulher serão Um juntos; e o Rainha da Noite e o Senhor do Dia serão Um juntos; mas o Senhor do Jardim será Um Só; e Ele se isolara de sua companhia”. “E Ele será grande, mas estará sempre só”. Lilith chorou ao ouvir isso e Lúcifer também. E Lhe pediram para reconsiderar, mas Ele não o faria.

X: Sentença, Amor e Afirmação
E ao invés disso, invocou as hostes dos ELOHIM, para que fossem testemunhas de Sua maldição. E se reuniram nas ruínas do Éden. [Dionísio] e [Baal] e [Astarte] e [Bel] e [Rá] e [Ptah] e todos os outros Seres Luminosos 37 se aproximaram dali para julgar se era legitima a proclamação de Jeová. “O que fizestes, Primogênito?”, perguntaram em uníssono. “Como corrompestes tanto o Teu Jardim, como se tornou tão devastado?” “O que aconteceu aqui?”. E quando ele se explicou, houve uma grande luta no Céu; e as hostes dos Seres Luminosos discutiram; e suas palavras foram como pedras caindo do céu. Alguns achavam que Jeová deveria ser castigado por permitir que Seu Jardim se enfraquecesse tanto; e alguns exigiram que Lilith pagasse por ele, pois esta mulher provara o que era proibido; e alguns zombaram de Lúcifer por nublar a sua luz e dar a escuridão a uma estranha; e outros quiseram a morte do homem e da mulher, que todos deveriam sofrer pela mortalidade dos mundos.

Mas Adão se manteve firme para proteger a sua companheira da violência da tormenta; e pôs o seu corpo entre Eva e a terra, o fogo, o ar e a água. Assim Eva foi salva. As bestas se lançaram contra Adão, como se fossem despedaçá-lo; mas Eva se interpôs entre as bestas e Adão, e o protegeu com o corpo. Assim Adão foi salvo 38 . Os ELOHIM ficaram surpresos: “Que não caia nenhum castigo sobre eles”, disseram em uníssono os Seres Luminosos, “pois se salvaram um ao outro”. E chamaram esta salvação de Amor, e nomearam alguns dos seus para que cuidassem deste tesouro por toda a eternidade. Após isso, disseram: “Que as maldições caiam sobre nossos irmãos e irmã, pois sabem o que fizeram”. O Portador da Luz disse: “Eu fiz o que o meu irmão me pediu para fazer; se eu me equivoquei não foi meu erro e sim uma sombra do Seu. Pois a mulher Lilith é Sua criação, e mesmo assim foi feita a si mesma segundo Sua própria vontade. Sendo assim, a amo, e não posso negar seus desejos”. E Lilith disse: “Eu vim reclamar o legado de meu amante e Criador; mas ele me expulsou e faz de mim uma estranha. Mas seu irmão me deu a dádiva da Noite e Amor, e eu não o nego”. E o Primogênito calou-se. E no final disse: “SOU O QUE SOU”. “E não direi mais nada”. Com estas palavras, tão poderosas em sua Verdade, o mundo se dividiu em Norte, Sul, Leste e Oeste. E todos viram que isso estava bem.39

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XI: O Exílio
Os Seres Luminosos partiram das ruínas do Éden, dizendo: “A justiça foi feita”. E foram viver em seus próprios jardins, e cuidaram deles e cultivaram suas próprias criações, cada um de acordo com seus próprios desejos 40 . E fizeram com que três dos seus prestassem um serviço, que montassem guarda contra o poder de Lilith e Lúcifer, e protegerem Adão e Eva do poder de seus ceifeiros. Adão e Eva partiram para a Terra de Nod, apoiando-se um no outro como se fossem uma só carne. Lilith tomou a mão de Lúcifer. O levou para longe deste lugar e foi com ele até as terras sem criar. Juntos foram as margens do Mar Eterno; e cultivaram ali um novo Jardim. E ali tiveram três filhos e três filhas, mas não morreram, pois eram com um só espírito. E Jeová Se declarou Senhor das Ruínas. Pôs um anjo nas portas, para que nada tomasse os frutos do Éden, e se transformou-se em um deus vagabundo. Deste dia em diante, viveu como um somente entre os ELOHIM 41 . Mas só voltaria a chorar uma vez.

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O Livro da Serpente: Notas
1. Este começo esta ausente na versão hebréia, mas aparece tanto na edição grega como na Ba'hara. 2. Isso concorda com a explicação cabalística da Criação, segundo a qual a Divindade contempla a Si e rompe o Nada com um clarão de luz. 3. Entre parênteses está anotado os nomes modernos destas deidades, servos e filhos; os nomes mais antigos, e mais esotéricos, que aparecem no texto original seriam ininteligíveis para o leitor mediano. Visto que as fontes originais da tradução estão perdidas no tempo, tomei a liberdade de interpretar certas entidades segundo os símbolos que elas representam. Eu usei o nome “Jeová” para referir-me ao deus dos hebreus, o qual o autor sem duvida se refere; O manuscrito grego simplesmente diz Theos Kanova, uma distinção pouco clara se levarmos em consideração o panteísmo dos gregos (mas possivelmente originada a partir de uma perífrase para referir-se a “Jeová”). Jeová em si não é mais que uma corrupção de YHVH ou “Yahweh”, mas YHVH implica a entidade superior que se manifesta mediante os distintos ELOHIM (os quais muitas vezes chamamos de anjos). Mas ainda assim, o texto hebreu mescla ELOHIM com YHVH, isso é, “Os Deuses” com “O Senhor Deus”. Confusão? Erro de tradução? Ou um comentário áspero de algum israelita sobre a religião de seu povo? Tais sentimentos não eram desconhecidos em épocas passadas... Para distinguir as palavras e ações de Jeová do resto dos personagens foi mantido a tradição cristã de por em maiúsculo os pronomes que se referem a Ele. (Nota de Tradução: “Jeová” é “Yahweh” com as vogais de “Adonai”. Este vocábulo é o que os judeus usavam para referirem a Deus de forma indireta, inclusive nas Escrituras). 4. “ELOHIM” no texto hebreu, implicando as distintas manifestações de YHVH. 5. Esta passagem aparece somente na versão hebraica, e parece referir-se ao “mundo das conchas”, a origem dos espíritos maléficos e as criaturas invejosas que rodeiam e tentam as criações dos ELOHIM. 6. Na cabala, os quatro elementos simbolizam a presença dos quatro Mundos Superiores no nosso. A terra proporciona uma Base para as outras manifestações; o fogo é luz, ou o Mundo da emanação Divina; o ar simboliza os princípios espirituais e cósmicos da Criação; a água transforma-se no fluxo sempre mutante da Formação, criando, nutrindo e destruindo em sua passagem. Em cada jardim, então, os Mundos Superiores se manifestam no mundo mortal, criando a ordem a partir do caos. 7. Os símbolos para a “Verdadeira Terra” remetem aos usados para o Tiferet, o centro do Yezirah Sefirot, ou o Mundo Primordial descrito na teoria cabalística. Falei “remetem”, entretanto; os personagens não são copias exatas de nenhum personagem hebreu ou descrição enoquiana, e devem ser considerados na luz de sua tradução grega: “Verdadeira Terra” como oposto de “Terra Inferior”, como, por exemplo, o pó. 8. Em hebreu, “Adão” corresponde a Adam Kadmon, o estado superior da humanidade e a primeira das quatro manifestações de Deus; “Ish” é simplesmente “homem”. “Lili”, entretanto, refere-se muitas vezes a demônios, mas podemos assumir que esta correspondência provém de mitos posteriores; “Lilitu” tem origens obscuras, mas este termo vem das invocações dos Bahari e das “memórias” de Lilith.
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9. Ao contrario de Adão, Eva e seus filhos, que, de acordo com o que diz no Gênesis, “se envergonharam” quando descobriram a nudez. “Nudez” pode descrever em parte os casos um estado “aberto”, quando uma pessoa permanece sem cobrir-se, e em parte preparado para o que possa proceder. A roupa é um escudo; talvez Adão e sua família temessem este estado, enquanto Lilith não o temesse. 10. O que nos mostra, talvez, a imagem de Diana a Caçadora, e implica a Disciplina vampírica Animalismo. Muitas fontes sustentam que Lilith, e não Jeová, criou estes três animais; ver a canção “Coruja, Cobra e Serpente” no Livro III. 11. Uma postura tântrica desta que os budistas tibetanos chamam de “Yab-Yum”, ou “Pai-Mãe”. 12. Muitos eruditos religiosos postulam que Jeová teve uma Matriarca antes de tomar Lilith como consorte. Existem referencias a tais relações nos Midrashim, ainda que sejam escassas e pouco claras. Estranhamente, esta referencia aparece intacta na versão judaica do Fragmento. Pessoalmente, me pergunto se trata de uma referência a Bruxa do Livro de Nod. 13. Os eruditos Bahari chamam esta busca de Viagem a Transformação, que é quando um místico ou peregrino deixa a sua casa (ou é expulso dela), supera obstáculos e finalmente chega a um Declínio (muitas vezes a terra ou a água, ambos os símbolos do subconsciente), se ergue, e conhece um mestre (normalmente do sexo oposto). Diz-se que esta busca purifica o iniciado, queimando o seu eu interior e preparando-o para os estranhos novos talentos e visões que logo descobrirá. 14. Uma alusão ao vampirismo? Ou simplesmente pragmatismo, devido à carência de água? Os Bahari afirmam que este sangue era a origem de seu poder e imortalidade, o condutor para o sumo do Fruto da Vida. 15. Os primeiros exemplos dos talentos vampíricos de fusão com a terra e clarividência? Ou se trata de símbolos da crescente consciência que a mulher/deusa Lilith tinha começado a adquirir? 16. Novamente, estamos frente a uma metáfora do subconsciente, especialmente do subconsciente feminino. A qual oceano o mito se refere? Quem sabe. Visto que o Éden esta localizado tradicionalmente na crescente fértil (e a travessia do Mar Vermelho em outras fontes hebraicas), este “Mar Eterno” é provavelmente o Mediterrâneo. Não obstante, se a teoria de Pangéia de um continente único for correta, este “Mar” poderia ter sido realmente imenso. 17. De acordo com o mito comum, Lilith manteve relações sexuais com os monstros do mar e gerou uma raça de demônios. Este fragmento nos da uma perspectiva um tanto diferente, supostamente, e explica sua posterior conexão com o elemento da Água. 18. O âmbar é associado muitas vezes às lagrimas (especialmente as da deusa Freya e Afrodite), e o sol ao ouro. Os últimos dois são normalmente símbolos masculinos, mas também estão relacionados com a transformação. Na alquimia, o ouro é o Maximo estado material, e o âmbar muitas vezes corresponde ao ouro fundido ou a luz do sol. O negro está relacionado com a noite, supostamente, e talvez com o azeviche, que protege o portador do veneno. O simbolismo da água é obvio; nota-se que a passagem cita “lua”, e não “sol”. 19. O fruto da Vida e o Conhecimento, o amor de Jeová? Pessoalmente eu diria ambos.
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20. Em muitos lugares é utilizado “Seres Luminosos” de acordo com as versões gregas e Ba'ham; aqui, porém, prefiro usar as palavras ELOHIM, denotando a divindade dos outros “hóspedes”. 21. Uma importante distinção: os outros ELOHIM, incluindo Jeová, são criaturas de puro Espírito; Lilith seria a primeira a encarnar este Espírito e a matéria em um só corpo, o que seria uma coisa maravilhosa, inclusive entre os deuses. 22. O fruto das plantas (que podiam criar a vontade), ou o de seu ventre? O mito hebreu sugere este último, e esta crônica deixa bem claro o apetite carnal de Lilith. 23. Em todas as copias, as personificações de Lúcifer são idênticas as usadas no sentido tradicional, o de Lúcifer como Portador da Luz (Nota de Tradução: “Lúcifer” significa, etimologicamente, “Portador da Luz”), amado de Deus, do qual se rebelou, caiu sobre a terra e passou a ser o Satã (“Adversário”). 24. O elo narrativo hebreu aqui passa para o presente. Talvez o escritor tenha algo mais que um conhecimento acadêmico de Lúcifer... 25. Em outras palavras, seu violador, Adão. Esta Lilith é mais clemente do que sua lenda poderia sugerir. 26. Devemos nos perguntar sobre esta referência a roupas, e sobre as intenções de Lúcifer. O fragmento diz que “não se sentia envergonhada” de estar nua. Ou estava, aos olhos de Lúcifer? Os outros ELOHIM usam roupas, ou Lúcifer esta querendo proteger sua amada dos olhos dos demais... e os seus próprios? Esta tentando evitar que seja demasiadamente “aberta”, ou esta lhe dando um manto como os que os outros ELOHIM vestem? Visto que esta é a única referencia que temos das roupas divinas, prefiro pensar que é um manto iniciático e uma metáfora da Noite que Lúcifer generosamente entrega a sua amada. De um ponto de vista literal, devemos questionar o domínio destes “Seres Luminosos”: se Lúcifer tem os poderes da Noite e do Dia, o que cedem os outros ELOHIM a ele? Há outros deuses e deusas da Noite e do Dia e, se for assim, o que pensam da generosidade de Lúcifer? E como pôde dar a Noite com tanta facilidade? Visto que estamos falando de mitologia, acredito que é melhor se interpretarmos este fragmento de um ponto de vista metafórico: o de um governante dando a metade de seus domínios à mulher que lhe roubou o coração; e de um coração egoísta entregando seus mistérios; e o de uma recém nascida deusa tomando posse de seus domínios. 27. As “criaturas do mundo das conchas” mencionadas na primeira parte. Talvez Adão já tivesse se familiarizado com elas. 28. Sem um Nome, esta segunda fêmea não seria reconhecida, nem existiria aos olhos dos povos antigos. Ao recusar dar-lhe um Nome, Adão a nega a existência, e seu direito a uma alma. 29. Segundo todos os patrões, Adão passa a ser um pouco mais que um bastardo aqui. “Ishah” é “mulher”; “Eva”, segundo a maioria das teorias, deriva de “chavvah”, que por sua vez sai de “chai”, “vida”. O nome familiar, Eva, significa então “Mãe de Todos os Vivos”. Claramente, ela não é uma mãe nem a mãe neste ponto, mas como a maioria de nós estamos acostumados a “Adão e Eva” eu usei os nomes habituais. Algumas Bahari preferem diluir a referencia ao “ser inferior”, vendo-o como um reforço do estereotipo de “mulher inferior”.
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Outras o enfatizam, identificando-se com Lilith ao invés de Eva. De acordo com estas sectárias de Lilith, as filhas de Eva são inferiores, e merecem compreensão e piedade, mas não parentesco. Pelo sangue de Lilith, suas irmãs estão conectadas a ela, acima do estado anterior de “filhas e Eva”. E sim, acredito que as conotações sexuais de “criada... de seu osso” são intencionais. 30. Sendo esta segunda vez o Dilúvio Bíblico (coisa que situaria este sucesso sob uma perspectiva totalmente nova). 31. As conotações sexuais desta imagem são obvias. Simbolicamente, podemos assumir que Lilith deve conseguir com que o homem “baixe a guarda (virilidade)” para deixá-la passar. Isto pode ser interpretado como uma referência a vigilância (que se encaixa com a idéia judaica de Lilith como depravada sexual), ou uma petição de deixar as armas (sexuais) de lado para evitar a violação implícita em uma “espada de fogo”. 32. Está claro que esta “serpente” não era uma simples cobra. Muitas ilustrações (incluindo o pictograma Ba'hara para esta versão da “serpente”) mostram um enorme dragão alado com nove patas. Para enfatizar esta distinção, eu escrevi com maiúsculas “Serpente” quando se referir ao alter ego de Lilith. Em quase todas as culturas antigas, as serpentes estão vinculadas à mulher e aos princípios femininos, ou mais diretamente, ao conhecimento e a sabedoria femininas. A imagem de Lilith como tentadora e ladra de conhecimentos evoca esta antiga conexão. (Os eruditos em vampirismo podem refletir sobre a expulsão dos Seguidores de Set, aqueles que estão “associados com a Serpente”. Muitos especialistas interpretam isso como um símbolo de Satã. Poderia Set ter se associado no seu lugar com Lilith? Se for assim, os notoriamente falocêntricos Setitas foram enganados... e por uma mulher, nada menos. Pergunto-me o que fariam com tal revelação...). 33. Um número de importância Bíblica, o sete às vezes representa os princípios femininos, ou a unidade da base masculina (3) com a feminina (4) para formar uma unidade perfeita, mesmo que desequilibrada. E as disciplinas numerológicas de todo tipo, o sete tem conotações tanto positivas (sete maravilhas, sete céus) como negativas (sete demônios do apocalipse). 34. Mais adiante, rabinos e sacerdotes pregaram contra as mulheres não somente por seus vínculos com a queda da Humanidade, mas sim também por seus apetites carnais. A imagem de Eva enrolando-se com a serpente proporcionaram motivos esculturais comuns na Babilônia, Grécia e Índia, e nas esculturas medievais; podemos encontrar vários exemplos nos museus de arte, e nas paredes isoladas de velhas igrejas. A maioria dos mitos identifica a Serpente com o macho Satã, mas algumas fontes rabinas descrevem a serpente como feminina. 35. Esta passagem aparece somente na versão grega, talvez como uma tentativa de humanizar Adão. A variante Bahari o exclui completamente, e a versão hebréia menciona o familiar versículo do Gênesis “Quem dissestes que estavas nu?”. 36. Eis aqui a origem do aborrecimento de Jeová, e o verdadeiro ganho de Lilith: a morte para todos, inclusive os deuses. As ações de Lilith (e também as de Adão e Eva) desencadearam o fim de um engano. Ao estabelecer um Jardim e ancorá-lo com as Árvores da Vida e do Conhecimento, o Primogênito tinha esperado retardar a clausura dos olhos do Ser Ancestral, e assim fazer deste mundo imortal.
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A “corrupção” destas Árvores por criações inferiores arruinou esse plano e instaurou a mortalidade. Lilith se transforma então na destruidora deste mundo e em inimiga jurada de Jeová, seu criador; e, opostamente, uma parte necessária na ordem cósmica que Jeová tinha tentado manipular. Nota para os Membros: A Imortalidade é uma mentira. Todas as coisas (incluindo nós mesmos) perecerão. Eis aqui as vangloriosas promessas de nossos anciões! 37. De fato, esta lista continua durante uma dezena de linhas. A versão hebraica nomeia vários anjos e demônios maiores; a grega enumera (não deveria nos surpreender) uma serie de deidades mesopotâmicas e helênicas; a versão Ba'hara lista alguns dos nomes que aqui invoquei, além de duas ou três dezenas a mais, nenhum dos quais são inteligíveis para o leitor moderno (inclusive a mim). 38. A primeira vez que vemos Adão fazer um ato nobre. Talvez o fruto tenha feito algum bem. Simbolicamente, poderíamos interpretar isto como a luta do homem contra os elementos e a divindade. Eva era muito audaz, mesmo que não fosse brilhante. Em um nível simbólico, podemos ver isso como a intervenção do amor como a salvação da carne do ataque das “bestas” da luxuria e da fúria. 39. Cosmicamente, o equilíbrio foi restabelecido e os Quatro Mundos se restauraram e receberam uma nova forma. “EHYEH ASHER EHYEH” (“SOU O QUE SOU”) culmina o Keter, ou a Coroa, da Árvore Cabalística, e representa a vontade divina. Em um sentido bíblico, a afirmação de Jeová é toda a definição que Ele precisa: isto é o que faz com que o mundo comece a existir, e a partir dali cria-se o equilíbrio. 40. ... e dando lugar as distintas tribos, nações e criaturas encontradas em diferentes partes do mundo. 41. Coisa que explica o carinho que Jeová sente pelos nômades, e a resistência de Seus seguidores e suas constantes exigências de supremacia.

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Pinturas Rupestres, Roda de Istar, Turquia; datada de aproximadamente 15.000 a.C.

Segundo Ciclo: O Livro da Coruja

Eu perdi minha fé em silêncio - Patricia de la Forge, "Grin”

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Revelações da Mãe Sombria

O Jardim da Meia Noite
Notas da Editora
Esta "declaração de primeira mão" vem de duas fontes diretas: as recitações de uma sacerdotisa Bahari e o pergaminhos grego que eu descobri em uma coleção de um antiquário. Esse aluno, um particularmente refinado hindu chamado Jureem, implorou a mim por muitos segredos de clã como uma bênção por sua ajuda. (Eu suspeito que o arconte gostaria de ter uma palavra comigo sobre isso!) Em troca, ele me deu o pergaminho, um assistente e um lugar para estudos. Por dezessete noites à fio, eu me aprofundei nas notas; meu ajudante parecia incansável, e trabalhava durante o dia também. As traduções que nós deciframos lembram de leve o cântico que eu testemunhei na cerimônia Bahari; como sempre, eu juntei os dois em um só. Eu acredito que esse testamento incompleto é uma versão do infame "Ciclo de Lilith". Ele toca em muitos dos pontos importantes do mito de Caim/Lilith, mas os aproxima da perspectiva da Rainha Sombria. Da mesma forma, ele oferece uma sugestão para a disputa entre muitos Membros e os Bahari; se levado simbolicamente (como um conto de culturas patriarcas guerreiras que ultrapassou as místicas matriarcas que os criou) ou literalmente (como a traição de um semideus por outro), a conclusão genocida do "Jardim da Meia noite" certamente criou o caminho para milênios de inimizade.

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I: A Primeira Paz
Nas Terras Sem Forma eu criei um jardim para mim mesma, Unindo mundos e palavras e sangue para formarem arbustos. Com o carinho de uma mãe eu dei a luz uma à um mar de raízes emaranhadas e frescas, De flores com botões-de-sangue e caules de carvão. E ele brilhou como eu brilhei Sob a Lua. Ahi hay Lilitu Eu construí um jardim à partir do nada E frutas do solo estéril. No meu manto da noite Eu o varri e o agüei com sangue. Ahi hay Lilitu Eu construí um jardim à partir do nada E frutas do solo estéril.

II: Os Dias Anteriores
Pelas Terras Sem Forma eu vaguei Nos dias anteriores ao jardim, Exilada das terras do Único Acima E jogada nas ruínas hostis. Meu sangue chegou doce aos meu lábios Nos dias anteriores ao jardim, E eu chorei pelo lar que eu tinha deixado para trás Com olhos secos como areia. E o Sol me queimou. E o vento me rasgou. E as pedras cortaram minha carne. E a água me negou, Salvo aquela que eu extraí de mim mesma. Tão amaldiçoada, vazia e desolada estava essa Terra Nos dias anteriores ao jardim, Que nenhum animal poderia estar comigo, Nem Coruja, nem Gato, nem Serpente.¹ Minha voz estava perdida em meio ao vazio. Ahi hay Lilitu Minha voz estava perdida em meio ao nada. Ainda assim o jardim cresceu dentro de mim Uma barriga inchada Com sementes do fruto roubado E seu prolongado gosto amargo.
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Pois não há frutas tão doces Quanto aquelas que queimam. Ahi hay Lilitu Minha dor fez de mim uma montanha. Queimou-me até que virasse cinzas. E das cinzas eu ascendi. Ahi hay Lilitu Minha dor fez de mim uma montanha, Mas como um verme eu me escondi na areia E andei durante a noite, Pois os dias eram claros demais para agüentá-los Sem gritar profanações ao Único Acima² Que me jogou à disformidade. Nas terras devastadas, eu tomei forma. Ahi hay Lilitu Eu me encontrei nas terras devastadas, Onde minha visão se expandiu, E minha mente se estendeu, E minha carne se tornou água, E meus ossos se tornaram pedra, E meus pés aceleraram seus passos, E minha sombra se tornou débil e se escondeu do Sol³ Até que a noite fresca viesse Quando minhas dores sumiriam Deixando-me mais sábia com suas lições. Minha excruciação me fez livre.

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III: O Oceano e suas criaturas4
Quando eu alcancei a praia do Oceano Infinito Eu me joguei nas profundezas e afundei para sempre. Eu esqueci de respirar, e logo não precisei mais. Minha pele, uma vez morena, então negra, voltou Sobre si mesma e fugiu silenciosamente

Quando eu vomitei a cria do Único Acima5 No redemoinho do abismo Onde eles se tornaram a miríade de criaturas do mar.

Eu uivei de dor nas águas Pois minha fome era uma besta dentro de mim E minha barriga estava cheia com a cria Do Resplandecente cuja semente Gerou o Jardim onde eu nasci. Eu não pude conter Sua prole, Então eu os mandei ao Mar Infinito para encontrarem um lar. Ahi hay Lilitu Eu os mandei às profundezas sozinhos. Logo minha descendência acalmou minha fome Por comida, por beleza, por companhia de muitos tipos. Minha fome era eterna. Minha fome é eterna, E eu devorei a mim mesma Para me manter. Na minha estada eterna, eu dei a luz à novas raças Que em troca devoraram as velhas. E então o Mar Infinito estava cheio. Ahi hay Lilitu Eu enchi o Mar Infinito, Gritando minhas dores de parto ao vazio.

IV: Retorno ao Éden
Na hora certa, eu me cansei do mar E retornei às Terras Sem Forma. Eu desejei criar um jardim como aquele que havia sido Meu lar, Mas o mar estava cheio do jardim do outro,6 E quando eu pude aguardar lá por um instante, Aquele domínio não era meu para reclamá-lo. Então eu voltei através das Terras Sem Forma, Andando pelo Éden. Ahi hay Lilitu Eu andei através das areias do Éden. Observando de longe os olhos da coruja7 Eu espiei o Grande Lúcifer, Resplandecente portador do Sol e das Estrelas, Permanecendo ao limiar com uma lâmina. Ahi hay Lilitu Ele permaneceu com uma lâmina em suas mãos.

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V: Lilith e Lúcifer
Ó cavaleiro com asas de serafim Vestido em preto como o céu que você me deu Coração como a estrela pela qual você é nomeado Olhos como ondas de pôr do Sol Chama-me através das trevas Derrame seu sangue para alimentar minha sede e tome a minha Como oferta à sua fome. Ahi hay Lucifii Persiga-me pelas terras não formadas e deixenos cair Rindo no abismo dos deuses Onde nós podemos fazer nosso próprio jardim E populá-lo com deidades, Espinhos e videiras e palmeiras guardiãs. Ó Anjo do Amanhecer, Agüemo-los com prata e bebamos Do seu prêmio, enquanto os frutos do Meu amor por você desabrocham Em estranhas e selvagens flores. Ó Lúcifer, tão quieto, deixe sua lâmina Cair na areia e ser enterrada Como um osso atirado à vaidade Do Único Acima. Deixe suas asas me envolverem. Esteja em paz. Ahi hay Lucifii Esteja em paz.

VI: A Vinda de Caim8
Enquanto meu amor carregava o Sol Eu conheci um homem arruinado Um lavrador sem plantações para cuidar Um pai sem filhos, uma criança sem senhores, E eu estava maravilhada, pois ele não carregava sinais de divindade Porém vagava no pó como um animal sem valor. Ele carregava as marcas de Adão Ele carregava a palidez de Eva Ele carregava as cicatrizes do Único Acima9 E ele chorava, pois tudo isso ele havia perdido. Ahi hay Lilitu Tudo isso ele havia perdido. Eu o chamei e ele respondeu Em uma voz de galho quebrado. "Eu sou Lilith," eu disse "Eu sou Caim," disse ele,

E eu tive pena dele Porém eu o odiei Pois ele tinha o cheiro de Adão, O toque de Eva E os olhos assombrados do Único Acima. Como Ele, Caim carregava uma mancha em forma de redemoinho No ar em volta dele, uma marca De um poder desconhecido e sombrio. Assassinato, ele possuía, O poder de matar seres superiores Não de caçar como Adão tinha, Mas de matar como Jeová.10 Ahi hay Lilitu Caim possuía a marca da morte. Então eu o trouxe ao meu jardim e o ensinei. Ahi hay Lilitu Eu o ensinei lições de dor. Sozinho ele estava, na escuridão. Embora banhado em luz, ele andava nas sombras11 E escondia seus braços do frio. Eu o tomei Com palavras de auxílio. Com palavras de cessar. Meu olhos perfuraram as trevas de seu sofrimento Minha voz acalmou o frio dentro dos seus ossos E eu o segurei como a uma criança Como se ele fosse filho do meu companheiro de nascimento e meu.
80 Revelações da Mãe Sombria

Eu chorei com ele, pois ele era meu próprio filho Ahi hay Lilitu Como meu filho com alguém "Eu conheço você, Caim de Nod," eu disse a ele, "Venha! Dispa-se de suas vestes tão esfarrapadas e manchadas de sangue "Entre no meu jardim como uma criança, pois uma criança você é "Filho do meu companheiro de nascimento, abatido pelo meu primeiro amante. "Você não tem segredos aqui, "Você não tem pecados aqui, "Então entre nu em meu lar.12 "Como você está agora, uma vez eu estive." E ele me seguiu, nu Dentro do jardim de Lilith e Lúcifer Aos meu pés Caim de Nod se ajoelhou, Como se ajoelhou à fúria do Único Acima. Seus olhos não podiam olhar para mim, Sua voz estava arruinada e vazia,

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E eu fiquei enraivecida desse vergonhoso estado, Como ele se acovardou diante do seu julgamento como uma coisa sem valor. Por ele eu fiz meu jardim um lugar de horror, Traindo-o como ele traiu sua carne.13 Eu dei meu sangue e o untei com ele, Que ele possa se tornar uma abominação em minha residência. E os céus olharam com desdém para meu jardim, E o ar estava pesado com assobio da Serpente, grito da Coruja, rugido do Gato. "Vá, Caim de Nod, pois este é o jardim que você semeou, "E seus frutos você deve colher." Ele tropeçou nas profundezas do jardim E eu o segui, Rindo, chicoteando-o com galhos em chamas. Por todo um dia e noite eu o ensinei, Ensinei-o os segredos do jardim. Meus espinhos o rasgaram, Então sua carne se tornou uma rede de cicatrizes. Conforme minhas videiras procuravam capturá-lo Seus membros se tornavam mais rápidos.

Caim de Nod aprendeu a se esconder das dores do jardim, Para conhecer a minha vinda como um animal selvagem conhece seu caçador. Sobre a Serpente, a Coruja e o Gato ele aprendeu a dominação. E ele cresceu forte em angústia, Orgulho brilhava nos seus olhos E as chamas dos meus galhos queimavam no seu coração.14 Um dia, ele não fugiu mais, Mas ficou e deixou seu sangue fluir, Cultivando meu jardim. E ungindo a si mesmo com seu sangue Assim como eu o ungi com o meu, Ele caiu em um transe Do qual eu não o acordaria. Eu o deixei lá, retornando para minha Casa,15 Pois eu não tinha negócios com as Hostes que estavam por vir. Então veio à ele Miguel,16 Guardião flamejante da Chama, Trazendo notícias de piedade do Único Acima. E Caim, orgulhoso Caim, Filho de Adão, Fortalecido pelo meu jardim,

Declarou que ele sozinho poderia conceder piedade à si mesmo. Então Miguel pôs a Maldição de Fogo sobre Caim de Nod. E eu sorri, pois isso me agradou. Então veio a ele Rafael, Guardião tremeluzente do Amanhecer, Trazendo notícias de perdão do Único Acima. E Caim, orgulhoso Caim, Filho de Adão, Fortalecido pelo meu jardim, Declarou que ele sozinho julgaria suas ações. Então Rafael pôs sobre ele a Maldição do Amanhecer sobre Caim de Nod, E eu sorri, pois isso me agradou. Então veio à ele Uriel, Guardião encoberto da Profundidade, Trazendo notícias de cessar do Único Acima. E Caim, orgulhoso Caim, Filho de Adão, Fortalecido pelo meu jardim, Declarou que ele e todas as suas crianças que viriam Só descansariam quando ele achasse adequado.17 Então Uriel pôs a Maldição das Cinzas sobre Caim de Nod. Mais uma vez, enquanto Caim se escondeu nas trevas, Eu vim à ele.

"Certamente," eu disse, "Você cuidou bem do meu jardim, como um lavrador deveria.” E, entendendo, ele me amaldiçoou Com cinzas, com amargura e com esterilidade, Ahi hay Lilitu Com estas coisas ele me amaldiçoou Enquanto ele desaparecia no noite.

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VII: As Crianças
Nos dias seguintes, nós cuidamos da nossa terra E agüamos com amor. No tempo certo, os frutos de D'hainu Elevaram-se como pequenas montanhas no ventre do mundo. O trabalho foi árduo, mas meu amor estava ao meu lado. A Coruja observou dos céus, O Gato rondou como uma sombra, A serpente se aninhou sob meus seios, Lúcifer segurou minhas mãos com as dele E eu cedi o néctar de alegria e tristeza. Três garotos são eles, e eles são como hissopo. Três garotas são elas, e elas são como romã.18 Abençoados sejam eles, os frutos do meu ventre! Pois eles brilham como a lua alta e como o Sol ao meio dia. E os filhos eu os nomeio Kessep e Shotheq e Nesher E as filhas eu nomeio Mem e Oreb e Laylah.19 Abençoados são meus filhos! Abençoadas são minhas filhas! Pois eles deram estímulo ao Sol E eles deram conforto À lua. Ahi hay Lilitu Ahi hay Lucifii Pois eles deram luz a D'hainu, O Jardim da Renovação, E o popularam com estrelas.

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VIII: A violação de D'hainu
Em alegria e tristeza, nosso jardim cresceu Até que atingiu os limites do Mar Infinito. A Coruja estava fértil O gato estava fértil A serpente estava fértil E nossas crianças eram como luzes no céu. Apesar de ser uma sombra do Éden, D'hainu rivalizou o Éden Cujas árvores altas e águas correntes eram por muito tempo desde o pó. Até o retorno de Caim E suas crianças amaldiçoadas, Nosso jardim cresceu

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E nós estávamos todos apaixonados. Num dia negro como cinzas, o assassino voltou Quando Lúcifer carregou o céu com tempestades.20 A mão de Caim carregava as pedras do ódio e a lâmina da vingança. Suas crianças seguiram numa nuvem de gafanhotos após ele. Como chacais, eles caíram sobre as crianças de D'hainu. Como lobos, eles se alimentaram da carne. Como besouros, eles levaram embora os frutos do jardim E queimaram D'hainu até que só restassem brasas. Di halla Lilitu21 D'hainu não existe mais.

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Revelações da Mãe Sombria

IX: A Maldição sobre Caim e sua Prole²²
Ahi hay Lilitu Todos amaldiçoem a Casa de Caim! Ahi hay Lilitu Que eles sejam consumidos! Sal seja sobre as língua dos Brujah, Tzimisce e Setitas23 Que massacraram as crianças de Lilith e Lúcifer! Lamentações sejam sobre as línguas do Ventrue, Lasombra e Malkavianos Que queimaram as árvores e envenenaram os rios! Brasas sejam sobre as línguas dos Ravnos e Capadócios, Salubri24 e Gangrel Que como animais devoraram a carne de nossas crianças! Larvas sejam sobre as línguas dos Assamitas, Os mais amaldiçoados de todos, Que levaram embora os segredos de D'hainu E os esconderam fundo na terra.25 E amaldiçoado seja o pai deles, Seu três-vezes amaldiçoado pai, Todo o sofrimento seja sobre o Pai da Noite Pois ele é a chama nos campos de D'hainu! Que a podridão devore o lombo de Caim, Cujas mãos brutas sobrepujaram a Mãe de D'hainu, Profanando-a com sua respiração e seu toque e sua semente. Que a imundície cubra os olhos de Caim, Cuja semente queima como fogo dentro da Mãe de D'hainu, Poluindo seu ventre e rasgando seu coração. Que os dentes caiam da boca de Caim, Cujas crianças destruíram as flores de D'hainu, Até que toda a Criação chore ao som e à vista!
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Somente Nosferatu e Toreador devem ser poupados Pois eles cobriram as faces Dos mortos. Com pena, eles molharam os lábios das crianças e Deram estímulo à mãe dos mortos. Todos os outros devem ser consumidos pelo fogo E entortados como árvores na tempestade E quebrados como argila E atropelados como estrume E levados pelas águas como pó! Ahi hay Lilitu Como pó eles devem ser varridos!

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Revelações da Mãe Sombria

X: Cinzas
Caim riu quando ele deixou meu jardim naquele dia Sua descendência maldita sorriu para o que haviam feito. Para sua cidade de muros e escravidão, eles fugiram,26 Nos deixando a chorar nas ruínas que eles deixaram. E eu os amaldiçoei a todos Com cinzas, com amargura e com esterilidade, Ahi hay Lilitu Com estas coisas, eu os amaldiçoei. Meu amor, meu Resplandecente, Golpeou-lhes com a lâmina do dia Ahi hay Lucifii Com a luz do Sol ele os amaldiçoou. Minhas mãos golpearam os cainitas Com a agonia da noite. Juntos, nós golpeamos os cainitas Com o ódio de suas crianças Que ele possa fazer inimigos entre ele mesmo.

E ele fez. E nós fizemos. Meu amor me deixou Sob asas da meia noite. Nossa ligação está quebrada E tudo é cinzas agora. Ahi hay Lilitu Tudo é cinzas agora.

O Livro da Coruja

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A Cerimônia de Caim
Notas da Editora
Meus companheiros (citados na seção de "notas" anteriormente neste livro) executaram essa cerimônia comigo sob a lua cheia há alguns anos. O velho me deu sua transcrição, a qual eu tentei manter intacta. De toda a minha pesquisa, este é o único ritual Bahari escrito com o qual cruzei. A Cerimônia envolveu meus amigos, um de seus úteis serviçais, e treze prisioneiros, cada um drogado, hipnotizado e conduzido telepaticamente através de seus próprios pés por um vampiro cujo nome eu nunca ouvi. Os prisioneiros representavam as crias de Caim e interpretaram seu papel com gosto; não obstante, eles pareciam perturbados quando as crianças "mortas" de Lilith - interpretadas pelos Bahari vampíricos - retornaram à vida, os rasgaram, esquartejaram e consagraram a cerimônia com seus fluidos vitais. Como o costume manda, a Cerimônia de Caim que eu participei foi realizada sem vestimentas em pleno inverno, num jardim sagrado de rosas, videiras, hera e pedras. Algumas das plantas que eu vi eram mistérios para mim, mas eu ainda não era uma botânica naquela época. Um vento frio lançou os participantes (inclusive a mim) em um entorpecimento dentro do qual a Cerimônia foi realizada. Eu acredito que o vento congelante supostamente representa o terror espiritual do genocídio de Caim, a sombra de Lilith e Lúcifer, e a aridez que seguiu a separação. O frio despedaçante ajudou a enfatizar a lição de dor, também; até o que há de não-morto entre nós sentiu isso arder. Os efeitos daquele frio nos participantes mortais podem apenas ser imaginados.

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Revelações da Mãe Sombria

A Cerimônia de Caim
Parte Um: A Cerimônia da Morte
Esta cerimônia originou-se com os primeiros do Sangue Bahari, e é o único que é interpretado e testemunhado quase que exclusivamente por seus pares. No entanto, existem algumas almas mortais que por várias razões (na maioria das vezes, curiosidade) escolhem participar desta cerimônia anual. Ela não é para suscetíveis nem para corações fracos. No ponto alto, a cerimônia é sobre sacrifício, dor e retribuição - um reflexo apropriado de nossa Mãe. A primeira parte da cerimônia é melhor descrita que transcrita. Os participantes reúnem-se no ponto de encontro, nus em pleno inverno. Normalmente, o caminho é repleto de espinhos, sarças e espinheiros. Muitos participantes lançam-se nos mais terríveis rosnados, doando euforicamente sua carne como se pudessem arrancá-la. Assim, cada um é coberto com seu próprio sangue, sua carne cantando com a dor enquanto alcançam a clareira. No fim dela, espera-os uma enorme fogueira, queimando. Bem em frente há uma piscina d'água, freqüentemente congelada em um brilho delgado ou balançando-se com fragmentos. Uma vez que os observadores estão em seus lugares, os celebrantes - a sacerdotisa e o sacerdote, se você preferir - chegam, cada um trazendo um flagelo. Após uma rápida troca de abraços e beijos, os dois começam, lentamente, a excitar um ao outro com beijos e carícias dos tipos mais íntimos. Quando a paixão começa a crescer, ambos celebrantes começam a utilizar arbustos e flores espinhosas em sua dança do acasalamento. Logo depois disso, os flagelos também são utilizados. Quando os celebrantes estão banhados de suor e sangue, trocam um beijo. A sacerdotisa mergulha nas águas congelantes da piscina (significando a descida da nossa Mãe ao Mar Infinito) e o sacerdote passa pelas chamas da fogueira (representando a luz de Lúcifer e o fogo da iniciação). Dizem que quando os dois celebrantes se submetem a essas torturas, a dor transporta suas almas pelo éter, permitindo que o Portador da luz e Lilith se manifestem em seus ansiosos corpos. Tendo presenciado essa Cerimônia pelos cinco anos passados, eu posso atestar o fato de que ambas as partes foram, de alguma forma, transformadas.
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Através de encantos que eu posso dizer apenas de modo vago, os ensangüentados celebrantes invocam, logo após, fantasmas e espíritos, verdadeiramente: Sacerdotisa: Nachash el marhim arik no kofelo. Shelack no komair neshia aparm! Bahari latwaa - Bahari latwaa. Baruk hamaat, baruk hamaat! Artri Lilhitu! Sacerdote: Lammanas! Lammanas! Kol fetu hattabus! Nachash no goash aral to ari. Yin soquaa ahni anaka. Lakhil alhil kataab. Yin soquaa ali. Artri Lilhitu! Em meio a um grande clamor e um clima hostil, os espíritos se manifestam. Enquanto a Cerimônia acontece, esses fantasmas assistem com uma sombria decisão, então entram na celebração depois de um sinal de consentimento. Agora que tudo está preparado, o ritual pode começar de verdade. A sacerdotisa invoca as Crianças. Na clareira aproximamse os seis do Sangue Bahari (os assim chamados, Lhaka), cada um deles belos, reluzentes e inocentes à luz da lua. Depois os prisioneiros são trazidos - treze ao todo, cada um representando um clã dos Cainitas e trajando máscaras estilizadas as quais envolviam os respectivos os papéis designados dele ou dela. Esses infelizes geralmente são abandonados, os vampiros prisioneiros ou os outros inimigos dos do Sangue. Admitidos e controlados por um mestre invisível, esses substitutos encaminham-se para a arena e permanecem à distância, aguardando suas próximas instruções.

Há uma breve troca de diálogo que flui naturalmente : Uma voz sem rosto, aparentemente uma manifestação simbólica de Caim, diz: Quem são vocês que permanecem aqui no Jardim de Lilith? As Crianças respondem: Nós somos as Crianças de Lilith, as quais provaram do sangue do seu coração e comeram as frutas sagradas. Caim: Vejam as Crianças daquela que nos privou o alimento! Crianças: Você mente! Ela passou fome, você não! Caim: Vejam as Crianças daquela que nos negou! Crianças: Você mente! Ela recusou, e você nada! Caim: Vejam as crianças daquela que nos amaldiçoou! Crianças: Você mente! A maldição é culpa sua! Caim: Venham a mim, minhas crias! Destruamos este jardim e corrompamos a descendência da Mãe Sombria! Nesse momento, onze dos prisioneiros entraram em um violento frenesi se lançam sobre as belas Crianças à frente deles. Os outros dois, representando Toreador e Nosferatu, dão as costas para a violência e não tomam parte. O massacre que se sucedeu é poético e horrível ao mesmo tempo. Comandados pelo do mestre invisível, os substitutos dos Cainitas saltaram sobres as presas como cães rasgando as partes macias, usando para isso dentes e unhas. As sarças do jardim geralmente são utilizadas, assim como as várias pedras e galhos deixados por lá para esse fim. Os fantasmas na borda do círculo assistiam famintos enquanto o sangue espirrava. A força deles aumentava a do ventríloquo que os controlava, os substitutos rasgam membro por membro das Crianças, saciando-se com o sangue e as entranhas, suspendendo as tochas de fogo e incendiando os arbustos ao redor. Enquanto isso, Toreador e Nosferatu vão solenemente ao círculo três vezes, mergulham seus dedos na piscina, então molham os lábios mortos das Crianças como para lhes dar um gole final. Depois disso, os dois tiram os corpos dos inocentes ocultos de detrás de suas máscaras e jogam-nos diante da face dos matadores. Feito isso, os assassinos - pois foi isso o que os outros substitutos se tornaram - levam os corpos despedaçados em direção às chamas.
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Nesse momento, a sacerdotisa ergue a mão. Todo o movimento cessa. O sacerdote também ergue sua mão. Juntos eles entoam o seguinte canto: Sacerdotisa: O sangue de minhas Crianças, em dor, clama por mim na dor! O sangue de minhas Crianças clama por mim, na morte! O sangue de minhas Crianças clama por mim, pela vingança! Desapareça Geração de Caim! Eu declaro sua condenação! Sacerdote: Repugnante Geração de Caim! Montes de fezes e poeira! Vocês se atrevem a se levantar contra as minhas belas crianças? Vocês se atrevem a violar o meu Jardim de Renovação? Vocês se atrevem a ferir o coração de minha amada? Então banqueteiem-se com minha ira, e banqueteiem-se bem! Como você possuiu o coração delas, então eu devo possuir o seu! Sacerdotisa: Levantem-se minhas Crianças! Deixem seu sangue vivo fluir nesses espinhos e espinheiros! Deixem seu sangue despertar essas videiras sufocadas! Levantem-se minhas crianças e vinguem-se! Dispersem a carne deles até os confins da Terra.
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Parte Dois: A Cerimônia da Vingança
Uma vez que as palavras são ditas pela sacerdotisa, percursionistas à borda do circulo começam a tocar. As Crianças desmembradas levantam-se. Conforme elas fazem isso, suas feridas se curam e as Crianças tornamse inteiras novamente. Então, em um instante, todo o controle sobre os cativos é retirado. Eles logo percebem sua situação e tentam escapar. É então que os espíritos ao redor do círculo são liberados. Toreador e Nosferatu têm permissão para escapar. Indubitavelmente, esses cativos levarão consigo histórias selvagens se sobreviverem ao caminho rumo à civilização. Os onze assassinos são agarrados pelas videiras, pelos arbustos e pelas árvores que cercam o círculo, ou são carregados pelas próprias Crianças. Seus destinos desse ponto em diante são totalmente apavorantes. Os pormenores da Cerimônia variam. Em todos os casos, os hospedeiros encontram mortes dolorosas e horríveis. Seus corpos são rasgados em pedaços. Seu sangue é usado para fertilizar as plantas. Seus lamentos se tornam um coro, muitas vezes aumentando e diminuindo com o ritmo das batidas. De suas posições privilegiadas, a sacerdotisa e o sacerdote se certificam de que o hospedeiro pereça bem devagar. Conforme o sangue jorra, os percursionistas alcançam um frenesi. Os fantasmas e espíritos possuem os participantes da Cerimônia. Quaisquer grupos que haviam permanecido afastados até este ponto, se juntam aos outros. Muitos copulam loucamente dentro do círculo, aquecendo seus membros gélidos com sangue fresco e calor corporal. Os líderes da cerimônia comandam o desvario, tomando quantos parceiros eles puderem alcançar. Conforme os percursionistas se cansam e os cativos morrem, o frenesi diminui de intensidade e então desaparece em silêncio. Quando o último hospedeiro expira, a música pára. Um a um, as sacerdotisas e os sacerdotes vão à cada hospedeiro. Conforme eles alcançam cada um, arrancam o coração e o baço, comem e depositam a máscara no fogo. Quando todos os clãs tiveram o mesmo destino, eles recitam em uníssono: Sacerdotisa e Sacerdote: Esta é a justiça de Lilith e Lúcifer! Este é o destino das crianças de Caim!
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Sacerdotisa: Caim, Filho de Eva e cria de Adão, o Profanador, tu hás de colher sete vezes as ervas amargas da minha vingança! Sacerdote: Caim, Filho de Eva e cria do Primeiro Homem, tu há de queimar na satisfação do Sol! Ambos: Para sempre estaremos contra tu e os teus! Tuas Crianças hão de se levantar umas contra as outras, e hão de fazer contigo muito pior do que fizeste conosco. Para sempre serás privado do fruto dos jardins, e tu terás de vagar pela terra em desgraça. Esta é a Maldição da Mãe. Todos respondem: Assim foi dito! Assim está feito! Bahari leitee Lilitu! Bahari leitee Lilitu! Bahari leitee Lilitu! Assim está feito! A sacerdotisa rompe o círculo e dispensa os espíritos da seguinte maneira: Sacerdotisa: Sigam adiante com o vento para atormentar as crianças de Caim. Eu os liberto de sua convocação, desejo-lhes boa caça e adeus. Eu os agradeço. Vão em paz. Artri Lilhitu. Artri Lilhitu. O sacerdote toca a face da sacerdotisa, então se volta, afasta-se dela, passa pelo fogo novamente e desaparece nas sombras. As Crianças saem do círculo e recuam para as árvores. Os espíritos desaparecem. As fogueiras são apagadas e clareira escurece. A sacerdotisa cai de joelhos, verte lágrimas, recolhe as cinzas das máscaras, e então as espalha por entre os arbustos. Quando essa tarefa está acabada, ela anda lentamente até a piscina, ajoelhase na borda e submerge nela. Quando ela afunda sob o gelo, a Cerimônia está terminada. Todos os grupos partem.
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O Lamento por Lúcifer
Nota da Editora
Eu ouvi este canto assombrado executado por uma sacerdotisa Bahari do grupo mortal. Eu não tenho idéia de quão antigo é, nem qual possa ser sua fonte. Ela disse as palavras como a oração de uma amante, acariciando cada sílaba com gélida paixão. Sem querer perder uma palavra, eu fechei meus olhos e deixei o canto gravar figuras em minha mente. Quando a oração acabou e o círculo foi rompido, eu poupei meus anfitriões dos ultrajes das investigações Tzimisce, e então enterrei seus corpos no jardim que eles consideravam tão sagrados. Por apoio, eu contei com minhas lágrimas. O jardim, eu agüei com sua vitae. Pareceu-me sacrilégio fazer de outro jeito.

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O Lamento por Lúcifer
Fecho meus olhos para a luz do Sol, Minha Estrela da Manhã, minha tempestade. Dobre suas asas com graça e afaste-se de mim. Saboreie minhas bênçãos enquanto você se vai. Nós não nos deitaremos como um novamente. Pois meu ventre é um jardim de podridão. Meu coração é cinzas. Minhas lágrimas são sangue. Boa caçada, meu alento, e leve com você Os ossos de nossas crianças, envoltos em folhas de palmeiras. Espalhe-os pelo horizonte e tranqüilize seu choro. Hei de administrar um túmulo de água profunda Hei de varrer nossos inimigos. Fique bem, meu vento do deserto, Empunhe alto sua lâmina unte-a com lágrimas. Hei de ser a coruja no vento noturno, O gato com patas silenciosas

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Revelações da Mãe Sombria

E a serpente nos calcanhares de Caim. Hei de ser a origem de lágrimas, mas meus olhos hão de ser areia e silêncio, Meu coração há de ser o deserto e o mar, E meu pranto há de ser a coruja que foi caçar Enquanto o Sol deixa meu céu. Não chore, meu amado, Mas mantenha-me próxima em sua perseguição distante. Nós havemos de ser os espinhos do Éden arruinado Não me esqueça Sol para minha Lua Pranto para meu silêncio.

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Livro da Coruja:
Notas Finais
1: aparentemente Lilith abandonou suas criações no Éden 2: "profano" origina-se de "fora do templo", e indica uma provocação contra o exaltado - uma marca dos seguidores de Lilith nos dias de hoje. 3: isto pode ser uma referência aos poderes originais de Auspícios, Dominação, Metamorfose/Vicissitude, Potência/Fortitude, Rapidez, Ofuscação e Tenebrosidade poderes mais tarde oferecidos por Lilith aos grandes mágicos. 4: o simbolismo do oceano como uma iniciação feminina é óbvia. Em quase todas as culturas, água é considerada como um elemento feminino e é fortemente sugerido em ambos a mente subconsciente como a fecundação ilimitada do ventre da mulher. 5: incluí essa tradução de Jehovah como uma ordem de M. de Laurent. A versão escrita diz simplesmente “Deus”, enquanto que a sacerdotisa diz “Divino”. Ainda que tenha um certo impacto poético em “Vomitar a prole de Deus”, optei por conectar a minha transcrição com o Livro de Nod. 6: uma insana omissão; não importa onde eu procurava, não encontrei nenhuma referencia ao “outro” que tinha reclamado o domínio do mar. Baseando-me nos Fragmentos do Gênesis, poderia considerar que se trata de um dos outros ELOHIM; este nome, porem, nunca foi dado, nem essa regra se refere a ela novamente. Poderíamos considerar a possibilidade de que esse “outro” foi a consorte de Jehovah, e provavelmente como a “Bruxa” de Laurent; porém, a relativa fraqueza da Bruxa com respeito a Caim refuta esta interpretação. Poderia ser que houvesse uma deidade intemporal habitando os mares ate os dias de hoje? Conseqüentemente, os jardins dos outros ELOHIM a que se refere o Fragmento são completamente ausentes da versão de Lilith. Existiram, e, se for assim, porque Lilith não os julgou dignos de ser mencionados? Acredito que a informação que pude estudar deste antigo mito seja escassa, ou que o próprio mito tenha se condensado a partir de sua forma original. Se for assim, eu gostaria de saber o que ocorreu após as sessões que se perderam. Me pergunto se ainda existem. 7: acredito que isso se refira a Disciplina Auspícios. Como na referência “esquecendo de respirar”, sugere o aumento dos poderes mágicos de Lilith. 8: esta sessão mostra o mais próximo do assim chamado “Ciclo de Lilith”, ainda que a perspectiva seja, é claro, diferente. A versão escrita por M. de Laurent é sem duvida fruto da criação de algum erudito Cainita, dificilmente é um produto da “visita oficial de Lilith” que descreve. 9: uma intrigante coleção de imagens. Seria Caim uma criança maltratada? 10: aqui optei por usar o nome “próprio” de Deus por razões poéticas e para concordar com a tradução. Note que neste momento a morte como tal ainda não existia entre os seres superiores. Caim, tendo assassinado o seu irmão, é o portador de um poder desconhecido para muitos ELOHIM, e é o precursor tanto da mortalidade quanto da imortalidade.
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11: acredito que isso se refira a escuridão do espírito mais do que a noite física. Afinal, o testamento relata como Lúcifer “portador do sol”. Esta referência a escuridão coincide com os “salmos” sobre Caim, ainda que estes últimos infiram que ele conheceu Lilith à noite, não de dia, como ela sugere. 12: uma contradição direta com a versão de Laurent; no Livro de Nod, Lilith oferece vestimentas a um Caim desnudo. Aqui, isso é o contrário. Simbolicamente, acho esta versão muito mais apropriada. 13: Abel, supostamente. 14: o orgulho de Caim aumenta com o poder de suas Disciplinas, sob os carinhosos ensinamentos de Lilith. 15: uma morada fora do jardim propriamente dito. Sem duvida, Lilith não desejava fazer parte do que os três anjos de Jehovah fizeram, mas acho que trata-se mais de um desejo de que Caim tome suas decisões por si próprio e não por medo. 16: novamente uso os nomes de M. de Laurent para as três Hostes. 17: “... e todos os seus filhos...” um arauto da Jihad? 18: o número sagrado de Lilith, sete, reflete a mãe e sua progênie. Seu símbolo representa a Lilith ao centro, Lúcifer no círculo intermediário, e seus seis filhos ao longo das bordas. A mudança do passado para o presente reflete a importância que esses filhos têm para Lilith; até mesmo após sua morte, eles não estão verdadeiramente mortos para ela. A planta de hisopo representa purgação, pureza e inocência recobrada. A romã é um símbolo ancestral do sol, da fertilidade e do potencial. Lilith teve os seis filhos ao mesmo tempo ou os concebeu separadamente? Isso é realmente importante? Podemos assumir, porém, que drogas para aumentar a fertilidade não tiveram papel algum na concepção. 19: os nomes tradicionais dos filhos correspondem as designações hebraicas posteriores. Os garotos são “Prata” (o metal da lua), “Silêncio” (um atributo da noite), e Águia. As garotas são “Água”, “Corvo” e “Noite”. 20: Uma referência pouco nítida. Porém, graças a outras fontes podemos assumir que Lúcifer encontrava-se distante realizando o seu papel como Portador da Luz quando Caim e seus descendentes atacaram o jardim. 21: uma frase incerta. Provavelmente um lamento. 22: geralmente recitado a parte do Jardim da Meia Noite, esta maldição é recitada por um grupo Bahari na íntegra. Em três cerimônias distintas, vi imagens dos Membros queimados, humanos cativos despedaçados e esculturas de barro dos profanadores varridos por tempestades repentinas. O registro Bahari apresenta uma grande contradição: de acordo com o Livro de Nod, os filhos originais de Caim eram três: Enoshm Zillah e Irad. Os Altos clãs, mencionados aqui, vieram a existir séculos depois, após a Primeira Cidade e o Dilúvio Universal. Mas ainda sim, tanto no Jardim da Meia Noite como no Rito de Caim falam de treze profanadores, liderados por um vingativo Caim. Tenho três teorias: a primeira aceita a história como verdadeira e deixa confusa qualquer uma das crônicas. A segunda estipula uma guerra entre vampiros e magos shamanistas, ocorrendo após a formação da Primeira Cidade e que resultaria na destruição dos magos.
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A terceira interpreta a totalidade do registro em um nível simbólico e descreve a destruição de uma sociedade matriarcal por uma sociedade patriarcal governada por Membros. De qualquer forma, o resultado é o mesmo: um bando numeroso queima, viola e mata indo através de um assentamento pastoril, despertando a ira da Mãe Sombria e destruindo seus seres amados. 23: os nomes dos clãs de Membros (mas não de seus fundadores, os quais supostamente cometeram os crimes) aparecem tanto nas fontes Gregas como Ba'hara. 24: um contraste interessante à imagem habitual deste “beatífico” clã! 25: nenhum Membro pode evitar perguntar a que isso se refere... 26: provavelmente uma referência a Enoch.

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Revelações da Mãe Sombria

A Era do Ferro, de uma pintura em um muro em Calcutá, 1894.

Terceiro Ciclo: O Livro do Dragão

Sob sua pele brilhante Uma borboleta Grita Esperando para libertar-se - Patrícia de La Forge, Tick Tick

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Revelações da Mãe Sombria

Maldição: Rainha dos Infernos
Notas da Editora
Como no “O Jardim da meia noite” as citações a seguir são, supostamente, palavras da própria Lilith. Apesar dos dois contos serem distintos, há, definitivamente, sentimentos de conexão entre eles. Nós podemos ver a decadência da continuação do “Jardim da meia noite”; traída por sua cria e amante, Lilith promete a vingança eterna, e convoca os “espíritos uivantes” da ira e tentação para fica ao seu lado. Descendendo com eles, ela invoca três versões dela mesma (ou seis, dependendo de como você deseja ler) e transforma suas lamentações numa furiosa tempestade. Mesmo assim, há divergências. Enquanto eu via cada evocação em suas performances como parte dos ritos de Bahari (enquanto espíritos demoníacos e furiosas tempestades são convocadas), as duas falaram em diferentes ocasiões o Jardim como um rito de verão, a Maldição como um rito de inverno. Através de intermináveis mudanças, performances e translações, as duas peças são tomadas em ritos e características similares; ainda assim o Jardim da Meia Noite original é, até onde sei, apenas oral; a Rainha dos Infernos foi transcrito por um sábio Sumério por volta de 4000 a.C. Obrigada meu velho (veja “Notas”), Eu vi a transcrição daquela peça, e construí a seguinte Maldição enquanto eu interligo as duas histórias. Mesmo que a Rainha dos Infernos seja obviamente um pouco mais moderna que sua inspiração pré-história (carregado com anacronismos como prensa de vinho e cinto de castidade), dá ao Bahari a voz da ira de sua Mãe Sombria e forja laços entre a desejosa e a voluntariosa Lilith, dos contos anteriores e a Mãe Sombria tão temida pelos Membros e seus similares.

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Venham, descendentes, espíritos das conchas, Amigos da luz decadente!¹ Venham e abracem o dom de Caim, Eu clamo pela morte Eu desejo a morte Venham, descendentes, fragmentos de arrependimentos, Esfarrapados e imperfeitos mestres passados Venham e abracem o lamento de Lilith, Eu clamo pela morte Eu desejo a morte. Pois meu coração esteve atormentado E meu amor esteve atormentado Eu me dispo do meu casaco da noite E me atiro ao mar Onde nenhuma luz pode me confortar E nenhuma palavra pode me socorrer E nenhuma mentira pode me curvar E eu morarei na mão esquerda da morte Pois eu sou a mãe cujos filhos foram assassinados E eu sou a amante cujo coração estava atormentado E eu sou a irmã cujo corpo foi vendido Meu coração e meu jardim são cinzas agora Deixe que meu pranto os carregue para longe.² Venham, ergam-se, espíritos dos esfomeados Amigos das chamas! Venham e abracem o inverno do amor Eu clamo pela morte Eu desejo a morte

Venha desenhar meu manto sobre a lua cheia E deixe todos os ventres estéreis essa noite Um novo jardim surgirá sobre a terra, Ba´hara, o Jardim das Lamentações. Venham, ergam-se, sementes do desespero, Caídos, deixados às pedras para apodrecerem. Venham e abracem o lamento da coruja.³ Eu clamo a raiva Eu desejo a raiva Pois eu sou a tempestade com dez mil gritos Pois eu sou a tempestade com dez mil lagrimas Pois eu sou a fruta que foi seca no quente suspiro do ódio Até que ela caia da vinha e torne-se pó Venham, ergam-se, espíritos da terra Aranhas famintas com dedos de sombra! Levem-me para as cavernas do renascimento Onde dançaremos até as mares crescerem Pois eu me tornei a prensa das lamentações Pois eu me tornei a ladra das sementes Pois eu me tornei a quebradora de lâminas E o grampo acima das frutas dos homens4 O Ancião Cujos olhos manifestam o dia 5 Veja meu desafio, Veja-me sujar tua terra Com meus pés enquanto eu afasto para longe de sua luz Eu serei a coruja com lamentos mortais Eu me tornarei o gato com olhos famintos Eu sempre serei o Dragão6 E as frutas em minhas garras serão as gerações dos homens. Venham, ergam-se, espíritos da tempestade e luxúria,
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Vozes das noites passadas! Levem-me pelo ar e as marés Onde poderemos elevar as tormentas Pois eu sou a donzela cujos frutos foram destruídos Pois eu sou a mãe cujos jardins foram salgados Pois eu cujos lábios têm gosto de sangue7 Deixe que estas três faces me recebam enquanto eu desço Pelo do mar desconhecido Deixe que teu alento queime o amor Que tem estado em minhas lágrimas. Deixe que nossas sementes cresçam em sebes Com espinhos envenenados e doces flores Venha cear comigo agora E surjam de suas conchas.8 Que formas prazerosas nos guiem Às cabeças e corações dos amaldiçoados. Eles surgirão em tempestades Para levar a areia9 E deixar as conchas nuas Venham, descendentes, filhos de Caim, Venham e abracem o lamento de Lilith Ignorem o chamado de seu Pai E alimente-se dos corações uns dos outros Venham todos, serpentes do ódio As nuvens da decepção e As marés do silencio eterno Eu clamo pela morte Eu desejo a morte Eu clamo pela morte Que assim seja!
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Lamia: Notas da Inquisição
Notas da Editora
O seguinte trecho é tirado das anotações de um mísero escriba anônimo, a serviço de Igreja Inglesa. Os caçadores locais aparentemente pegaram uma Lamia Ba´ham. Mesmo ignorantes sobre a natureza de sua prisioneira, esses senhores aprenderam rapidamente (através de três guardas desmembrados) que essa “Bruxa” em particular deveria ser contida em poderosas correntes. Uma vez feito isso, três padres, um torturador, vários guardas e nosso escriba começaram interrogar a poderosa convidada.

[Após muito esforço, a Acusada está segura em uma mesa de tortura e é sujeita às mais leves e simples torturas. Durante estas, cantava como uma criança no colo de sua mãe. Ao final, ela fala em palavras mais apropriadas para essa crônica.] Padre: Quem sois servente dos Poderes Negros? Renega a ele e refugia-se no Senhor nosso Deus? Acusada: Eu sou o Gato, filha da Coruja, e pratico o que temes, e rio de vós e cuspo em vós, e em vosso Deus também. Eu não renego de nada. [Aqui ferros quentes são aplicados em várias partes do corpo da Acusada. Muitos gritos e risadas vieram em seguida. Esse escriba confessa um profundo e insuportável medo ao som de tais celebrações.] Padre: Renuncias os Poderes Negros? E nomeará vossos companheiros? Prometo-te dor se não responderes. Acusada: Mais fogo. Mais ferros. Oh! Carcereiro desejo-os dez mil vezes mais. Cada excruciação me traz mil revelações, e eu as beberei como grandes tragos de vinho.

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Revelações da Mãe Sombria

[Mais torturas lhe são aplicadas, levando a Acusada a proferir grandes gritos de dor a retorcer-se de modo lascivo; dois dos santos padres saíram do lugar antes que tudo estivesse terminado e a Bruxa voltou a falar, com litanias profanas que este escriba se recusa a colocar nesta crônica. Depois de tais atos ela voltou a falar de forma mais gentil aos ouvidos do Senhor, de forma a se passar por uma louca] Acusada: As preces continuam, bons senhores. Meu gosto para sonhos está terminado. Padre: Onde nasceste? Em que província? Quem sois tua mãe e teu pai; compartilha com eles vossas artes? Acusada: O que me perguntas? Meus parentescos? Sou filha da coruja e irmã do dragão. Meu pai é o Leão Negro e o portador do sol.¹¹ Meus irmãos são as rosas que florescem a meia noite; minhas irmãs são as lágrimas que caem nos lençóis das virgens perdidas. Não sou como você. Se o duvidas, atormenta-me novamente para que eu possa me exaltar.

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[Então aplicaram ferros em suas partes pubianas, aos seus olhos e suas partas brandas atrás dos joelhos e cotovelos. A Acusada falou novamente em línguas bárbaras e desconhecidas por este escriba; mesmo assim tentarei transcreve-las para o futuro de nossa Grande Investigação] Ai-ai-ai. Ai hamma gee tabool eer hamma quanta mas. Hattabas. Akhool. Hattabas. Yin soquaa ahni anaka. Bahari latwaa-Bahari latwaa; Sin solo extro vina contolo mas. Lakhil-alhil-kataab-Lilitu ah mas. Ahi Hay Lilitu-Ahi hay Lilitu.¹² [Este último a acusada repetia como se fosse uma prece pagã. Após ouvi repetidamente os carcereiros e eu mesmo sentimos um particular mal estar; dores na cabeça, baço e estomago. Após vomitar uma bílis negra pedimos ao torturador que queimasse a língua da Bruxa para que ela não nos amaldiçoasse mais. Assim o fez; e então um cuspe caiu sobre o braço do torturador. Ele gritou como a mulher que estava presa à roda, e sua carne caiu como a de um leproso. Nos o tiramos daquele lugar e o selamos com todas as preces e benção de um verdadeiro homem de Deus. E assim acaba esta Crônica.¹³]

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Revelações da Mãe Sombria

Coruja, Gato e Serpente
Notas da Editora
Enquanto vários animais são tidos como sagrados para a Mãe Sombria, a coruja, o gato e a serpente são geralmente considerados como suas bestas “símbolo”. Um conto medieval (muito longo e sem nexo para ser contado aqui) conta como Lilith e Adão (antes de sua épica separação) brincavam de criar no Jardim do Éden. Adão, sendo o moldador, poderia transformar lama em muros, árvores em lanças e gravetos em jaulas. Lilith, sendo fértil, poderia criar coisas vivas a partir de sua urina, sangue e suspiro. As três primeiras coisas que ela criou foram ditas como a coruja (que voou sobre o muro de Adão), o gato (que capturou o veado que escapou das lanças de Adão.) e a serpente (que escorregou pelas barras da jaula de Adão). A combinação de inveja e medo dessas criações provavelmente contribuiu para as desavenças conjugais que os separaram para sempre. Quando Lilith deixou o Jardim, dizem que Adão violentou cada besta que existia no Jardim, menos a coruja, o gato e a serpente; esses o perseguiram até ele clamar por socorro para seu deus. Quando Jeová amaldiçoou Lilith, a maldição também caiu sobres seus animais. Por meio de sabedoria superior eles seguiram Lilith e Lúcifer até o segundo jardim e espalharam-se por lá. Quando aquele casal jurou vingança contra a humanidade e Caim, os companheiros de Lilith, dizem, foram os primeiros agentes de sua vontade. Esta música inglesa, outra composição medieval, foi cantada por uma moça em tolas roupas. Ela diz ser uma “recriacionista” (uma apelação que eu posso chamar absurda) cuja paixão foi queimada em uma idealizada terra do nunca, baseada em surreais escritos de autores de fantasia. Mesmo assim, ela tinha uma grande aptidão para pesquisas essa música é aparentemente autentica, e de mais de 600 anos. Eu a ofereço como um exemplo da influência da Mãe Sombria no mundo mortal. No espírito de suas musicas e de seus interesses por coisas medievais, dei a minha musa uma amostra das leis antigas: uma viagem no rio James, amarrada a um saco com uma coruja, um gato e uma serpente. De acordo com os jornais, ela sobreviveu. Espero que ela tenha aprendido alguma coisa.
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Vinde a mim Mostre-me tuas artimanhas* Minha coruja, cruel ave da noite Com bico, garras e penas, Oh! Vinde a mim Mostre-me tuas artimanhas* Meu gato, cruel caçador Com garras, seriedade e olhar austero, Oh! Vinde a mim Mostre-me tuas artimanhas* Minha serpente, cruel trapaceira Com um bote, suavidade e vislumbre, Oh! Vinde a mim E conceda-me venenos Conceda-me visão noturna Conceda-me furtividade e artifícios Oh!

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Revelações da Mãe Sombria

Nome da Mãe Minha doce e amada mãe Lilith minha Mãe Minha benção, minha tortura Oh! Verta meu sangue e talvez eu imagine O Dia no Jardim quando tu criaste A coruja, o gato noturno e a serpente E me entregaste-os Verta meu sangue, e talvez eu lhe Abrace E envenena o mundo Que renegou a nós dois Envenena o mundo Que renegou a nós dois Ahi hay Lilitu! Ahi hay Lilitu! Envenena o mundo Que renegou a nós dois Vinde a mim Coruja, gato e serpente, guia-me Na escuridão Com os mais charmosos e raros beijos Eu lhe entrego Minha vida, minha fé e meus medos. Vinde a mim E guia-me após a morte.

* NT. No texto original, “O say diddle-dally” é uma frase a qual não existe tradução para o português, portanto, optamos por adaptar a frase da melhor maneira possível.
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As Marés Crescentes
Notas da Editora
Escutei pela primeira vez essa perturbadora profecia como parte da mesclada indústria de dança “Time for Breakfast”, de Shaken Baby Syndrome. Prendeu minha atenção das primeiras linhas até o final. Nenhum mortal, pensei, poderia saber tanto sobre coisas obscuras. Como sabemos, nossa grandiosa Mascara é muito eficiente para deixar que tal informação vazasse para o público em geral. Enquanto eu escutava, não podia evitar ficar perturbada. Quando a música acabou, fui pegar o DJ que havia tocado a música. A voz fria e desapaixonada que havia pronunciado acabou sendo de Patrícia de La Forge. Quando eu a perguntei da fonte de profecia, ela admitiu ser muito mais antiga que ela. Com ajuda do velho, eu achei a versão latina das Marés Crescentes que é anterior à conquista de Bretanha. Assim começou minha busca pelas origens e natureza dos cultos modernos de Lilith. Parece-me apropriado acabar esse Ciclo com as mesmas palavras que começaram a minha jornada. Como qualquer um com grande conhecimento sabe, muito dos sinais descritos a seguir tornaram-se reais últimos anos. Até mesmo os mortais sabem que sinais de um fim próximo têm mais a ver com antigas proclamações do que com calendários tolos e números preocupantes. Enquanto as palavras de Caim dizem que o mundo se acabará com fogo, a versão de Lilith assegura que o fogo será extinto pela água. Talvez a colisão dos dois transforme essa terra condenada em uma pilha de “novos mundos de conchas”. Quando os olhos do Ser Ancestral fecharem-se novamente, o esquecimento cairá novamente e o silêncio reinará. Talvez, após um tempo, outra terra surgirá e outro ciclo começará. Eu estou apenas feliz por ter a oportunidade de voltar a descansar. Creio que à noite que virá será muito desagradável. Durmam bem, Filhos de Caim. Algumas velhas dívidas estão sobre a mesa, e seus créditos expiraram. Tique Taque, certamente.

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Revelações da Mãe Sombria

As Marés Crescentes
Tremei, Filhos de Caim Tremei, Filhos de Seth A Mãe está chegando A Mãe está aqui Com suas lições de loucura E suas mãos cheias de sangue Ela vem para fazer um mundo novo Sua carruagem é a dor e o horror O cristal está quebrado, os demônios estão livres O cristal está quebrado, os demônios estão livres As águas surgirão As águas surgirão Chorem, filhos dos imortais Pois vossa existência será como as conchas quebradas Pelo brilho de cada novo mundo Tudo isso passará. Chorem, fariseus e sacerdotes, Pois vosso Deus é uma mentira e as promessas são sacos vazios. Tudo isso passará Chorem, larvas do grão Retorcendo-se na cesta de pão, Pois suas barrigas partem-se com o banquete E a tempestade de moscas está vindo Tudo isso passará Chorem, pesadelos tenebrosos Pois os deuses dançantes os conduzirão ao esquecimento Mãe está chegando
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Mãe está aqui Tudo isso passará O cristal está quebrado, os demônios estão livres O cristal está quebrado, os demônios estão livres As águas surgirão As águas surgirão Veja o colosso de aço sobre o mundo Observa os vermes aos seus pés Quando o gigante de aço tropeçar, os vermes se regojizarão, Pois haverá comida em abundância quando o gigante cair. Veja a câmara quebrada de 500 anos E o cristal quebrado sobre o solo Veja as pedras chorando e os dragões livres Lilith está aqui. Lilith está livre. Ouvindo os uivos da noite Entre os lobos de Adão Lançando-os nos anéis do Dragão Cheira ao sangue do irmão desde o começo dos tempos Agora morno e fino como a água Na água a luz morrerá Na água o fogo morrerá Do Leste, do mar a vingança surgirá

O Livro do Dragão

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E daqueles cujo sangue é água! As cidades do Oeste queimarão com sangue, E uma grande roda do Leste, Desde as terras informes, As destruirá! No último dia Quando a lua for um pedaço de escuridão Virá o último abraço! Brilha negro o sol! Brilha a negra lua! As águas surgirão! Ahi hay Lilitu!

O Livro do Dragão
Notas Finais
1: Esta parece ser uma referencia ao “mundo das conchas” descrito nos escrito cabalísticos uma estanha correspondência, dada a diferença entra a cosmologia Hebraica e Suméria. (Veja os fragmentos de Gênesis). 2: Note as repetições do três , recorrente a essa invocação. Em muitas filosofias místicas, o três é o numero fortalecedor, o numero da unidade. E também corresponde a água, o elemento mais associado a Lilith e a mulher em geral. 3: Muitos textos antigos mencionam Lilith como a coruja. Veja o texto “Coruja, Gato e Serpente.” 4: Tal e como eu interpretei, esse verso dizia “... e a lâmina da espada do homem.” A versão suméria, entretanto, oferece uma dupla metáfora a fabulosa vagina dentata, e a armadilha da castração utilizados por anciões para castrar fazendeiros, escravos e criminosos. 5: Uma referência a Jeová? Ou ao Ancião mencionado nos fragmentos de Gênesis? 6: Na versão suméria, o criptograma Ba´hara da Grande Serpente é claramente visível. Eu uso a tradução “Dragão” para enfatizar a diferença entre uma mera cobra e a encarnação de Lilith. 7: Nós podemos pegar essa misteriosa referencia em três modos: como uma lembrança dos banquetes de Lilith com seu próprio sangue no deserto; como referência ao vampirismo; ou como um plano para tomar o sangue de Caim. Lembra-se da Bruxa no ciclo de Nod deLaurent? Poderia ter sido Lilith tomando outra forma, escravizando Caim mesmo fingindo ser mais fraca que ele? A idéia é inconcebível. 8: A versão moderna usa “inferno”, mas a versão cuneiforme suméria sugere “mundos quebrados” mais que infernos na versão tradicional. Afinal de contas, nessa época, havia poucos mortos. Seria necessário um inferno? Seriam outros submundos ou fragmentos deste? Creio que esta última teoria é a mais certa. 9: Normalmente considerado como símbolo do infinito, a areia representa os inconstantes aspectos da terra (a fundação e o ventre) que podem ser barrados, ou que não pode suportar grande peso ou força, como um castelo de areia derrubado pela maré. 10: Interpreto isso como um chamado os novos vampiros que escolherão Lilith a Caim, mas também pode ser interpretado como uma invocação à “mancha negra do assassinato” que convenceu Lilith a ajudar Caim (veja O Jardim da Meia Noite). A mãe obscura pode estar invocando não só os filhos do Amaldiçoado, mas seus talentos para matar também. 11: Uma imagem incerta. Os leões são tipicamente associados com a realeza e ocasionalmente com Jesus Cristo; a veracidade e a natureza indomável, entretanto eles também são considerados bestas de fúria e encarnações dos desejos de Satã. Essa (combinada com o referencial de “portador do sol”) fala da Lamia como filha de Lilith e não de Adão.
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12: Transcrito textualmente. Note a repetição de varias frases do “Rito de Caim” no Livro II 13: De acordo com as notas posteriores na crônica, a cela onde esse pequeno e civilizado intercâmbio tomou lugar foi lacrado. As vítimas, ainda acorrentadas, foram deixadas nas mesas de torturas. O homem tão habilidoso com os ferros perdeu sua habilidade; ele também perdeu seu braço inteiro, do ombro para baixo. O cronista afirma que os gritos e gemidos da “acusada” continuaram por três meses, e poderiam ser claramente ouvidos através das paredes de 30 cm. Eventualmente, a masmorra foi abandonada; os torturadores não conseguiam descer as escadas. Os ocupantes restantes foram trancados com a “Bruxa-Espectro”; tão furiosos estavam seus fantasmas que aquele castelo foi abandonado e queimado em 1473. Podemos presumir que, de uma vez por todas, a vítima torturada se vingou de seus torturadores mesmo que por um breve período.

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