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Relatório da Prática de Física 4 Experimento 13 Professor: Sérgio Simon Delabie Turma P15 3 de outubro de 2007

Universidade Federal da Bahia Instituto de Física Departamento de Física do Estado Sólido FIS 124 - Física Geral e Experimental IV - Laboratório Curso: Engenharia Elétrica Turma: T05P15 Data do experimento: 26/09/2007 Nome: Simon Rebouças Delabie Experiência 13 Polarização e Atividade Ótica de Microondas

Resumo Este experimento tem por objetivo verificar o caráter transversal de uma onda eletromagnética através da observação e modificação do estudo de polarização de microondas. Assim, com o estudo destes fenômenos, podereremos melhor compreender a propagação das ondas eletromagnéticas. Estudaremos ainda substâncias ativas opticamente e determinaremos o valor desta atividade em certos meios.

Introdução

Diversos tipos de polarização Uma onda eletromagnética é uma onda transversal. Isso significa que os dois campos, o elétrico, E, e o magnético B, oscilam em um plano perpendicular à direção de propagação. Esta é sempre dada pelo produto vetorial E x B. Qualquer onda linearmente polarizada pode ser considerada como a superposição de duas ondas cujas direções de polarização são perpendiculares. Como pode ser verificado pelas seguintes equações:

E(z,t) = E 1 + E 2 = E o cos( kz – ωt ) (i + j), onde E 1 = E o cos( kz – ωt ) i E 2 = E o cos( kz – ωt ) j

Considere, agora, a superposição de ondas cujos campos são dados por:

E 1 ’ = E o cos( kz – ωt ) i E 2 ’ = E o sen( kz – ωt ) j Neste caso, embora as duas ondas iniciais sejam linearmente

polarizadas, a onda resultante não o é. O campo elétrico resultante E’ = E 1 ’ + E 2 ’ tem amplitude constante igual a E o . A sua direção, entretanto, varia quando z e t variam, como pode ser verificado na expressão abaixo:

E’ = E 1 ’ + E 2 ’ = E o [ cos( kz – ωt ) i + sen( kz – ωt ) j] . Essa é a expressão do campo elétrico de uma onda que tem polarização circular. De uma maneira mais geral podemos escrever E 1 e E 2 como:

E 1 = E o cos( kz – ωt ) i E 2 = E o cos( kz – ωt + φ ) j

A diferença de fase φ entre elas não depende do tempo. A

depender do valor dessa diferença de fase, a polarização pode ser linear (φ = nπ, n inteiro), circular (φ = (2n + 1) π/2), ou elíptica (para todos os outros valores de φ).

Atividade ótica

O termo atividade ótica refere-se à rotação da direção t de

polarização de luz linearmente polarizada quando esta atravessa certas substâncias ou soluções ditas opticamente ativas. O efeito ocorre também para ondas eletromagnéticas de outras faixas de freqüências fora da região visível, permanecendo a mesma denominação. No caso das microondas, pequenas espirais de arame causam uma rotação do plano de polarização de uma microonda, o que é análogo à atividade ótica de uma solução de açúcar ou de um cristal de quartzo.

Emissão e recepção de microondas

O mecanismo de produção de ondas eletromagnéticas de mais

simples visualização é o de dipolo elétrico oscilante – duas cargas, uma

positiva e outra negativa, vibrando ao longo de uma linha reta, criando

campos elétrico, E, e magnético B que se propagam no espaço. A

radiação de dipolo é importante na produção de ondas de rádio e de

microondas.

O equipamento que utilizamos, no experimento, para a

transmissão e recepção de microondas consiste de duas cornetas: uma

emissora e outra receptora. A corneta emissora contém uma válvula

(Klystron) que emite uma única freqüência na faixa de microondas. A

onda emitida é linearmente polarizada.

A corneta receptora contém uma antena (um fio condutor

metálico de comprimento igual à metade do comprimento de onda da

microonda) na qual o campo elétrico da onda gera uma corrente

senoidal que pode ser medida por um amperímetro de escala

apropriada. Ao medirmos a corrente estamos também medindo a

componente do campo elétrico da onda na direção da antena

receptora.

Procedimento Experimental

Material Utilizado

Utilizei de uma corneta emissora, outra receptora, uma grade polarizadora, um cristal opticamente ativo de molas e isopor, uma placa semi-refletora e outra refletora.

Procedimento

É armado um dispositivo de modo que as cornetas fiquem frente

a frente e com suas antenas na vertical. Ao girarmos a corneta

receptora em torno do seu eixo foi observado um decréscimo da

corrente, até chegar em zero quando o giro é de 90º. Tal fato se deve

porque a corneta emissora irradia sinais linearmente polarizados na

vertical e quando posicionamos a corneta receptora na horizontal ela

não consegue captar os sinais que estão na vertical.

Colocando a grade polarizadora entre as cornetas e fazendo-a

girar, no sentido de deixá-la na posição vertical, a corrente tende a

diminuir até adquirir um valor nulo quando sua posição é a vertical. Isso porque os elétrons da grade, que é de material condutor, absorvem a energia transportada pelas microondas. Os elétrons da

grade são induzidos, então, a oscilar, refletindo as ondas de volta para

o emissor, impedindo assim que as ondas cheguem ao receptor.

Por outro lado, quando a grade tende a ficar na posição horizontal, a corrente vai adquirindo valores cada vez maiores até atingir o seu máximo na própria posição horizontal. Isso porque os elétrons não conseguem oscilar na mesma direção do campo elétrico (vertical). Substituindo a placa pela grade na posição vertical, a corrente medida no amperímetro tendeu para um máximo, o que evidencia a reflexão. Já com a grade na posição horizontal, as microondas passam por ela sem serem refletidas, o que é evidenciado pela corrente nula medida. Ao girarmos a placa percebemos que a corrente diminuiu.

Rotação do Plano de Polarização Colocadas as cornetas frente a frente e ajustados os potenciômetros para uma corrente de (0,8±0,01) mA. Giramos a corneta receptora até que nenhuma corrente fosse detectada (posição horizontal da antena). Posicionamos a grade num ângulo de 45º em relação às cornetas e a corrente medida foi aproximadamente metade da corrente máxima, isso porque quando o campo elétrico das ondas chega à barra, já que ele é vertical, ele se decomporá, e apenas uma

componente passa pela grade (E’) que é igual a E(cos45 o ). Quando E’ atinge a antena do receptor, acontece a mesma coisa (apenas uma componente será absorvida) e agora essa componente (E’’) será igual

a E(cos45 o )(cos45 o ).

Polarização Circular e Polarização Elíptica Armamos o dispositivo de forma que a corneta emissora transmita o campo elétrico à 45° com a bancada ( horizontal ) e reflita com um ângulo de 45° numa placa refletora e numa grade

polarizadora. Esses raios refletidos foram captados pela corneta receptora a 45° com a placa. A distância entre a placa e a grade foi de 11mm e os resultados obtidos, quando giramos a corneta receptora em torno do seu eixo, foram obtidas correntes que variavam de valor ou ficavam aproximadamente constantes. Isto acontece porque o raio ao incidir primeiro na grade é decomposto em duas componentes ortogonais, sendo, neste caso, a componente vertical refletida pela grade e a horizontal, refletida pela placa. A distância entre a grade e a placa é o que define o tipo da polarização resultante. Quando a corrente variava bastante era porque a diferença de fase entre as duas componentes refletidas era um valor diferente de 90 o (ou múltiplos ímpares). Quanto mais próximo esse valor de defasagem se aproximava de 90 o (ou múltiplos ímpares), mais próxima a polarização era do tipo circular e a corrente, nesse caso, se mantinha aproximadamente constante. Sabemos também que se a defasagem for igual a 180 o , a polarização será linear. Isto quer dizer que o vetor campo elétrico tem mesma intensidade pra qualquer direção na polarização circular e varia para a polarização elíptica. Já no caso da polarização linear o vetor terá diferentes valores de intensidade, mas sempre na mesma direção.

Tabela com os valores de corrente para cada 45º

Θ (graus)

Medida (mA)

0

(0,00±0,01)

45

(0,46±0,01)

90

(0,92±0,01)

135

(0,50±0,01)

180

(0,00±0,01)

225

(0,28±0,01)

270

(0,52±0,01)

315

(0,26±0,01)

Conclusão

No experimento observamos fenômenos, como a polarização e a reflexão. Apesar de a microonda ser apenas um exemplo de uma onda eletromagnética, as características observadas no experimento podem ser estendidas para todas as ondas eletromagnéticas. Foram observados ainda as suas formas de polarização (linear, circular ou elíptica), seu caráter transversal e a atividade ótica do meio utilizado, em relação às microondas. É importante sempre levar em consideração que existem erros nos valores encontrados por conta das condições de obtenções das medidas que não são muito precisas. Também devemos considerar o fato de que podem ter existido interferências no experimento graças a campos eletromagnéticos que nos cercavam.