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Acção de Formação: Auto-avaliação das Bibliotecas Escolares

Tarefa 1 – Parte 2
João Carlos Costa
DRLVT, Turma 9

Muitos dos factores na análise feita durante a realização da primeira parte da tarefa são
recorrentes à maior parte dos documentos que tive a oportunidade de ler, e os pontos assinalados
nesta tabela são, como o não podiam deixar de ser, idênticos aos aspectos assinalados por muitos
outros Professores Bibliotecários (PB) que partilham esta formação.

Em primeiro lugar, muito do dinamismo das Bibliotecas Escolares (BE) passa pelas capacidades
e competências do PB, bem como pela colaboração com o restante corpo docente da escola. Um
dos textos facultativos (CREIGHTON, 2008) referia-se ao Library Media Specialist como um «sales-
man», alguém com capacidades acima da média para «vender» a ideia de biblioteca e dos seus
recursos à comunidade educativa (e não apenas à comunidade escolar), muito embora a figura invo-
cada exista há já alguns anos nos países anglo-saxónicos e em Portugal estejamos apenas a dar os
primeiros passos nesta mudança que se afigurava necessária face aos muitos constrangimentos de
que o funcionamento das BE sofria, bastando para isso recordar que muitas escolas portuguesas não
possuíam um docente responsável por estas instalações e, quando o havia, durante muitos anos
tinha apenas uma redução de 2 horas lectivas no seu horário para organizar, dinamizar e construir
aquilo que tantas vezes era visto como um espaço complementar, mas não essencial, na aprendiza-
gem dos alunos.

Um outro aspecto levantado pelo documento prende-se com o enfoque nos suportes digitais,
hoje em dia um dos vectores essenciais das bibliotecas, sejam elas públicas ou escolares, que con-
tribuem para que estas constituam um espaço de ligações e não de colecções. Para isso contribuem
certamente a integração numa Rede de Bibliotecas Escolares (RBE), em projectos de colaboração
como o SER Online, e outras plataformas, como o Moodle.

Mas existem alguns constrangimentos, desde logo a inexistência de uma dotação orçamental
fixa, que o documento identifica claramente como um dos obstáculos a uma política de gestão de
colecções eficaz e a uma «planificação atempada das necessidades» que permita uma mais correcta
adequação da política de aquisições, em que as sugestões dos alunos e as orientações dos professo-
res são um dos factores, o que revela claramente uma recolha de evidências sustentada na opinião
dos utentes da BE. Muito embora haja uma atitude colaborante, sobretudo dos docentes de Língua
Portuguesa e Português no âmbito da promoção da leitura, o documento revela que a «resistência
de alguns colegas, que continuam a não colaborar com a biblioteca escolar» é um dos obstáculos a
ultrapassar, sendo ainda de realçar a inexistência de uma «referência explícita no Projecto Educativo
de Escola à missão da biblioteca e ao seu papel na promoção da literacia […]». Este é um aspecto
que vale a pena realçar, já que o Projecto Educativo de Escola (PEE) é o documento base em que se

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Acção de Formação: Auto-avaliação das Bibliotecas Escolares
Tarefa 1 – Parte 2
João Carlos Costa
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alicerça a política educativa da escola e onde se projectam os objectivos a atingir, e esta é uma luta
de muitos PB que, enquanto elementos dos Conselhos Pedagógicos, terão de envolver-se directa-
mente na revisão dos PEE para que os mesmos reflictam a importância que deve ser conferida às BE.
Como afirma o autor do segundo texto de leitura obrigatória (ROSS, 2001), uma das queixas de
vários dos PB australianos referidas no seu estudo foi a pouca relevância dada pelos restantes
docentes à existência de um colega bibliotecário, muitas vezes encarado como uma figura irrelevan-
te no percurso escolar dos alunos e na melhoria das suas aprendizagens e na construção dos seus
saberes, sendo essencial (e considerado prioritário no documento) «sensibilizar e Conselho Pedagó-
gico e a direcção da escola para o papel da biblioteca escolar».

Um outro factor apontado enquanto uma das «fraquezas» tem sido frequentemente referido
nas reuniões com a coordenadora inter-concelhia da RBE: o número insuficiente de Assistentes Ope-
racionais (AO) afectos às BE, bem como a sua insuficiente ou inexistente formação nesta área. Este
problema tem sido claramente apontado há algum tempo por muitos coordenadores das bibliotecas
e actualmente reforçado pelos PB, já que é frequente uma sobrecarga de trabalho a nível do aten-
dimento por parte dos bibliotecários para suprir o não cumprimento integral do horário de funcio-
namento das bibliotecas pelos AO. É algo que obsta a que o PB e a sua equipa focalizem a sua aten-
ção, o seu tempo e o seu esforço nas áreas que são tidas como essenciais para que as BE melhorem
o seu desempenho, sendo agora prioritária a criação de uma carreira de AO específica para as BE.

Esta formação incide em particular na auto-avaliação das BE, e o documento aponta já como
factor de sucesso uma «auto-avaliação regular, de forma a ajustar/reformular os objectivos defini-
dos», tal como vem referido na síntese final, questionando contudo, enquanto uma das «oportuni-
dades», a aplicação do modelo de auto-avaliação das bibliotecas, sentindo como uma das «amea-
ças» a possibilidade de uma «excessiva burocratização do processo de avaliação, [que] pode induzir
o professor bibliotecário a “trabalhar” somente para a estatística». Esta preocupação revela algo
que igualmente me inquieta, ou seja, que um modelo de auto-avaliação possa funcionar como
objectivo final e não como instrumento de melhoria, útil para a alteração de práticas. Certamente
que a recolha de evidências é fundamental para se poder analisar o muito que há a fazer para
melhorarmos o funcionamento das BE e para sabermos como poderemos ajudar mais os alunos a
adquirirem competências que são fundamentais na sua formação enquanto cidadãos autónomos,
desenvolvendo as suas capacidades de recolha, selecção e tratamento da informação e na sua refle-
xão pessoal e na formação das suas opiniões, possibilitando-lhes também um espaço para as divul-
garem, mas teremos de ter o cuidado de não transformamos um conjunto de instrumentos que nos
podem ser de grande utilidade no único propósito do nosso esforço e do nosso trabalho.
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