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TIPOS DE TEXTOS
As diferenças entre os tipos de textos:
MODO DESCRITIVO NARRATIVO DISSERTATIVO

Agente Observador Narrador Argumentador


Conteúdo Seres, objetos, cenas, processos Ações ou acontecimentos Opiniões, argumentos
Tempo Momento único Sucessão Audiência
Objetivo Identificar, localizar e Relatar Discutir, informar, ou
qualificar expor.
Classes de Substantivos e adjetivos Verbos, advérbios e Conectores
palavras conjunções temporais
Tempos Presente ou imperfeito do Presente ou pret. Presente do indicativo
verbais indicativo perfeito do indicativo

Presente do indicativo: Ex. eu vivo, tu vives etc.; eu falo, tu falas; etc...


Pret. Perfeito do indicativo: Ex. eu pedi, tu pediste, etc.; eu ouvi, tu ouviste; etc...
Imperfeito do indicativo: eu era amado, tu eras etc.; eu lembrava-me, tu lembravas-te, etc...
• Conectivos: Servem para estruturar a sintaxe de uma oração, a saber:
• Preposições - Classe de palavras invariáveis que ligam outras duas
subordinando a segunda à primeira palavra.
• Conjunções - Classe de palavras invariáveis que ligam outras duas
palavras ou duas orações.

• Interjeições - Classe de palavras invariáveis usadas para substituir frases de


significado emotivo.

Deteremos-nos no texto dissertativo.


Dissertar é defender uma idéia, usando para isso argumentos. Dissertamos a todo o
momento: quando queremos convencer alguém a comprar determinado produto, ou quando
o jovem tenta mostrar ao pai que já é adulto o suficiente para chegar mais tarde em casa.
No entanto, na dissertação escolar existem alguns critérios de avaliação que levam em
conta não só opinião do aluno (o que, alias, não é o mais importante), mas a maneira como
o texto é organizado em torno da defesa dessa opinião, se os argumentos selecionados têm
respaldo na realidade, além, é claro, do uso da língua padrão.
Antes de qualquer coisa precisamos ter bem clara a diferença entre TEMA, TESE E
TITULO:
TEMA
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Delimitação do assunto sobre o qual se deseja escrever.


TESE
Aquilo que se quer provar / ponto de vista.
TÍTULO
Resumo das idéias contidas no texto dissertativo / serve para chamar a atenção do
leitor.
O esquema dissertativo.
Já sabemos que, no texto dissertativo, apresentamos uma idéia, uma opinião;
defendemos uma idéia por meio de argumentos para chegarmos a uma conclusão. Mas
como colocar isso no papel? Analisemos agora um esquema para organizar nossos
pensamentos.
1. Introdução: apresenta de maneira clara e objetiva o tema a ser trabalhado ao
longo do texto. Pode servir também para orientar o leitor acerca dos argumentos
que serão desenvolvidos.
2. Desenvolvimento: é à parte do texto em que as idéias apresentadas tomam
consistência. Aqui os argumentos serão desenvolvidos. Cada argumento
representará uma idéia-núcleo do parágrafo.
3. Conclusão. É a parte final. Nela esta presente, de forma suscita e organizada,
tudo o que foi desenvolvido ao longo da dissertação. Na verdade, é uma
avaliação do assunto discutido.
Veja um esqueleto de redação:
Tema.
O homem e a máquina nas grandes cidades.
Introdução.
Nas grandes cidades a máquina tornou-se mais importante do o homem.

Desenvolvimento.
• 1º argumento: a máquina agiliza a produção.
• 2º argumento: as máquinas não sofrem física nem psicologicamente.
• 3º argumento: o custo operacional das máquinas é mais barato do que o homem.
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• Conclusão. Com o crescimento do número de máquinas haverá mais


desemprego.

2. Delimitando o tema.
Muitas vezes, as propostas de redação são muito amplas, torna-se, assim, necessário
fazermos uma delimitação: buscar o objetivo da proposta, encontrar a palavra chave,
interpretar a coletânea de texto. Enfim, todo esse processo serve para organizar o nosso
pensamento.
Tomemos como exemplo a proposta de tema:
1. “É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao
adolescente, com absoluta prioridade, o direito à saúde, à alimentação,
à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e convivência familiar
e comunitária, além de colocá-lo a salvo de toda forma de
negligencia, discriminação, crueldade e opressão”.
2. (...) Esquina da Avenida Desembargador Santos Neves com a Rua
José Teixeira, na Praia do Canto, área nobre de Vitória. A.J., 13 anos,
morador de cariacica, tenta ganhar algum trocado vendendo balas
para os motoristas.(...) “Venho para rua desde os 12 anos. Não gosto
de trabalhar aqui, mas não tem outro jeito. Quero ser mecânico”.
3. Entender a infância marginal é entender porque um menino vai para a
rua e não à escola. Essa é, em essência, a diferença entre o garoto que
esta dentro do carro, de vidros fechados, e aquele que se aproxima do
carro para vender chiclete ou pedir esmola. E essa é a diferença de um
país desenvolvido e um país de Terceiro Mundo.
Com base nestes textos, redija um texto em prosa, do tipo dissertativo-argumentativo,
sobre o tema: Direitos da criança e do adolescente: como enfrentar esse desafio?
Ao desenvolver o tema proposto procure utilizar os conhecimentos adquiridos e as
reflexões feitas ao longo de sua formação. Selecione, organize e relacione argumentos,
fatos e opiniões para defender o seu ponto de vista, elaborando propostas para a solução do
problema discutido em seu texto.
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Antes de começarmos a “rascunhar” algo a cerca deste tema, precisamos interpretá-


lo:
a) Qual a palavra mais importante na proposta? Qual é a expressão que dará
rumo ao meu texto.
b) Qual o papel da coletânea de textos para a elaboração da minha redação?
Primeiramente, a proposta sempre deixa uma “pista” ao aluno. No caso do tema
acima, temos a palavra “desafio”, o que já demonstra existir um problema a ser analisado.
Outra expressão importante é “como enfrentar”. Na verdade toda redação será voltada
para a analise do problema do menor no Brasil e achar possíveis soluções.

O que seria fuga do tema?


O autor foge ao tema quando não consegue atingir o objetivo da proposta. Nesse
caso teríamos como fuga ao tema as seguintes abordagens:
• Falar da violência nas grandes cidades.
• Mostrar que o governo não investe em educação.
• Culpar o governo por tudo de errado que acontece.
A coletânea de texto serve para “cercar” o tema. Ela direciona, encaminha, enfim, serve
de ponto de partida para o escritor. Os textos que compõem a coletânea não devem ser
copiados. Demonstra incapacidade de raciocínio do redator.
Todo texto apresenta em sua estrutura três elementos. Veremos cada uma dessas partes.
3. A Introdução.
É o primeiro parágrafo, e tem por finalidade chamar a atenção do leitor para o
assunto a ser trabalhado ao longo do texto. Sendo assim, devemos anunciar brevemente o
tema da redação. Se isso não for feito, a dissertação começara confusa, sem objetivo.
Exemplos:
1. “É nela que há essência. E exterior não exprime o interior. E ela, ao
contrario, representa verdadeiramente o que somos”.
2. “Diante do atual contexto social brasileiro, não temos dúvida nenhuma
de que convivem dois “Brasis” no mesmo território: o primeiro é o
Brasil das elites; o segundo o Brasil, dos pobres”.
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Evidentemente que o primeiro exemplo não determina o tema a ser trabalhado,


dificultando não só a compreensão por parte do leitor, mas também o raciocínio de quem
escreve. Já o segundo exemplo traz as informações necessárias para que o texto seja
entendido.
Lembre-se:
Antes de iniciarmos nossa redação, devemos pensar no objetivo do texto, é preciso
planejar nossa argumentação.

3.1 Falhas na introdução


• Introdução sem referencial anterior, que depende de outro texto para ser entendida.
a. “Como diz a folha de redação é um negocio muito complicado essa situação
pela qual estamos passando agora.”
b. “Todo mundo sabe o que disse Max a respeito do capitalismo, e é assim mesmo
que a coisa funciona em nosso país.”
• Introdução com muitos questionamentos supérfluos.
a. “O homem foi criado para reinar sobre os outros animais. Mas que
reino é esse? Vale aqui questionar também: como fica a mulher nessa
historia? O homem está preparado para reinar sobre os outros? Deus
está certo? E o direito dos indivíduos desta sociedade? Será que isso
é correto?”.
b. “O país passa por sérios problemas econômicos. Ninguém tenta
melhorar essa condição. De quem é o nosso país? O povo tem seus
direitos? O político o que faz? São as nossas duvidas de todo dia.”
Obs. Procure estabelecer primeiramente qual a tese que será levantada e depois questioná-
la. Parágrafo transformado...
Diante do caos econômico que se instaurou em nosso país é difícil não levantarmos
esse questionamento: Povo e elite possuem a mesma consciência política?

• Introduções com explicações que deveriam estar no desenvolvimento:


a. “Um dos principais problemas da nossa sociedade é o racismo. Os negros quando
foram “decretados” livres, não tiveram para onde ir, assim, ficaram trabalhando para
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seus antigos amos, ou foram para lugares afastado para construírem suas vidas. Daí
outra forma de preconceito: o social. A maioria dos negros são pobres, daí
dificuldade em separar racismo e preconceito social. Quando vemos um negro já
achamos que é ladrão.”
Obs. Parágrafo transformado...
Dentre muitas formas de preconceitos existentes em nossa sociedade, merece
destaque o racismo. Esta forma de preconceito traz à tona outro tipo: o preconceito social.
• Introdução vazia de conteúdo.
a. “Sim. Esse assunto é pouco complexo. Gera polemica e muita
discórdia. É criar discussões seria e controvérsias.”
3.2 Tipos de introdução.
Roteiro: Mostra o leitor o roteiro de discussão que será seguido.
Tema: A questão do menor no Brasil
Introdução: Para se analisar a questão da violência contra o menor no Brasil é necessário
que se discutam suas causas e suas conseqüências.
Tese: Traz o ponto de vista a ser defendido.
Introdução: A questão da violência contra o menor tem origem na miséria - a principal
responsável pela desagregação familiar.

Perguntas: constitui-se de perguntas sobre o tema.


Introdução: É possível imaginar o Brasil como um país desenvolvido e com justiça social
enquanto existe tanta violência contra o menor?
Histórica. Traça um rápido panorama histórico da questão servindo como contraponto ao
presente.
Introdução: Às crianças nunca foi dada a importância devida. Em Canudos e em Palmares
não foram poupadas. Na Candelária ou na praça da Sé continuam não sendo.
Comparação - por semelhança ou oposição: procura-se mostrar como o tema, ou aspectos
dele, se assemelham - ou se opõe - a outros.
Introdução: É comum encontrar crianças de dez anos de idade vendendo balas nas esquinas
brasileiras. Na França, nos EUA ou na Inglaterra - países desenvolvidos - nessa idade as
crianças estão na escola e não submetidas à violência das ruas.
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4. A conclusão.
O último parágrafo do texto dissertativo deve ser sucinto ao retomar as principais
idéias expostas no texto. Assim como a introdução; existem maneiras de se “fechar” um
texto. Vejamos:

“ Diante de tantas injustiças, todo cidadão há de perguntar: quem são os culpados


por esse caos social que se instaurou em nosso país?
Se olharmos bem a nossa volta, é fácil percebermos os culpados. Há alguns anos os
pais vêm dando aos filhos um modelo de educação que não se fundamenta no compromisso
social, e sim na satisfação individual. Cada vez mais incentivam os filhos ao mundo da
competição em que muitas vezes o respeito não é a palavra de ordem.
Assim, se as crianças foram e são educadas por esse padrão, quando se tornam
adultos tendem a praticar a mesma atitude individualista que os pais ensinaram. Muitas
vezes esse ensinamento não é dado por palavras, mas sim pela atitude dos próprios pais. O
ditado popular “faça o que digo e não faça o que eu faço” não funciona na pratica, pois a
observação das ações dos pais ensina muito mais que um “sermão”.
Portanto, a própria família é a responsável pela má formação em nossa sociedade.
Enquanto nosso padrão educacional continuar na base do individualismo, não
acabaremos com o caos tão cedo.”

A conclusão desse texto retoma de forma simples e direta as principais idéias


expostas no texto. Vale destacar que a pergunta feita na introdução foi respondida de
maneira explicita na conclusão.

O PARAGRÁFO - PADRÃO
Distingue-se parágrafo de frase (expressão de uma idéia, que pode ser apenas uma
palavra, ou mais), oração (sujeito + predicado, ou só predicado) e período (oração ou
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conjunto de orações que expressam um sentido completo). O parágrafo, normalmente,


compõe-se de uma seqüência de frases, orações e períodos, pormenorizado e aumentando a
compreensão de uma idéia, mediante a especificação de suas partes.
Tente identificar, no parágrafo abaixo, a idéia-núcleo e as subsidiarias:
“A liberdade, como um principio vital, sempre esteve ligada aos momentos mais
representativos da história do homem. A luta pela liberdade tem sido a própria luta pela
dignidade humana, no plano de individuo e no plano de cada povo ou nação. Assim, toda a
liberdade que ele tem, acaba sendo o poder-dever escolher o compromisso que lhe cabe
assumir, em sua vida social.”
Unidade de composição constituída de um ou mais períodos, que contém em si um
processo de raciocínio completo, isto é, a presença de idéia central (tópico frasal) e o
conseqüente desenvolvimento desta idéia. Esse tipo de parágrafo é conhecido como
“Parágrafo - frasal”.
Da mesma forma que o texto, o parágrafo também tem uma estrutura. Existe nele
uma introdução, um desenvolvimento e, às vezes, escondida ou subentendida uma
conclusão. Na introdução do parágrafo, há o tópico frasal que é a motivação composta por
bloco de palavras, suficiente para desencadear o parágrafo. Pode ser uma declaração, uma
interrogação, umas exclamação, uma referência a determinado episódio histórico ou
ficcional, uma definição, uma divisão. Deve caracterizar-se pela simplicidade, rapidez,
síntese e por ser capaz de realmente levar à construção do parágrafo.
Você pode encontrar parágrafos em que o tópico frasal se encontra deslocado para o
final, ou embutido no desenvolvimento, visto que essa estrutura não é rígida.

Tópico-frasal
Apresentação de idéia a ser desenvolvida ao longo do parágrafo. Normalmente
aparece logo no primeiro período. Esse período orienta ou governa o resto do parágrafo;
dele nascem outros períodos periféricos; ele vai ser o roteiro do escritor na construção do
parágrafo. Ele é o período mestre que contém a frase-chave. Como o enunciado da tese, que
dirige a atenção do leitor diretamente para o tema central, o tópico frasal ajuda o leitor a
agarrar o fio da meada do raciocínio do escritor.
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a. Declaração inicial. “Todo jovem precisa dos pais para se sentir seguro”. Apesar
de negar sua dependência em relação aos pais, o jovem sabe, que através das
idéias apresentadas por eles e da firmeza no modo de agir, ele se guia para tomar
as principais atitudes na vida. Os pais são, querendo ou não, um modelo de
segurança.
5. Elementos essenciais à arte da escrita.

Uma coisa que precisamos ter em mente é que não existem formulas
mágicas para uma boa redação, a uma arte de escrever. O exercício continuo aliado
à pratica de leitura de bons autores, e a reflexão inteligente são indispensáveis na
criação de textos. São qualidades a serem observadas e cultivadas em uma produção
textual adequada: a concisão, a correção, a clareza e elegância.

5.1 Concisão.

Ser conciso significa que não devemos abusar das palavras para exprimir
uma idéia. Deve-se ir direto ao assunto, não ficar “enrolando”, “enchendo lingüiça”.
Significa, enfim, eliminar tudo aquilo que é desnecessário.
A noção de coesão muitas vezes se confunde com a de coerência. Enquanto
esta diz respeito ao sentido da frase, a harmonia, aquela está relacionada aos
elementos que “ligam” as partes do texto.
Um texto não é apenas um agrupamento de frases aleatórias, mas sim uma
ligação que resulta em unidade textual. A coesão é obtida quando se promove a
devida conexão entre as palavras, orações, períodos e parágrafos.
Os recursos responsáveis por essa “ligação” podem ser conjunções,
preposições, pronomes, temos sinônimos, advérbios, e até repetição de palavras.

a. Observaremos agora dois tipos de coesão como exemplos:


1º. Coesão referencial: aquela que remete a algo já existente no texto. A
remissão pode ser feita “para trás” e “para frente”, constituindo, assim, uma
coesão anafórica, respectivamente.
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a. O ministro Marcio Fortes alerta que só dinheiro para


urbanizar favelas não basta. Ele diz que é preciso conter
invasões. (anafórica)
b. Este é o principal problema do país: a miséria. (catafórica)

b. Os principais mecanismos da coesão referencial são:

1. Substituição de um elemento por outro.


a. Formas pronominais (exemplos acima).
b. Formas numerais: cartilhas feitas para clientes de empresas de segurança
ensinam alguns mandamentos de como escapar da violência urbana. O
primeiro é não gritar “socorro”.

2. Reiteração de elementos do texto.


a. Repetição do mesmo termo.
Ex. O ex-presidente Fernando Henrique namorou a modelo Luciana Fragoso,
no carnaval de 1998. Esse namoro causou polemica. (termo cognato).
Ex. Lula não pode mais ser candidato a reeleição, mas Luiz Inácio Lula da
Silva não parece preocupado com isso. (termo ampliado).

b. termos sinônimos ou quase-sinônimos.


Ex. Hipônimo: acontece quando o elemento anterior é retomado por um mais
especifico. Comprou flores e deu as rosas para a namorada.

Ex. Hiperônimo: Ocorre quando um termo anterior é retomado por um mais


genérico. O ex-presidente Fernando Henrique namorou a modelo Luciana
Fragoso, no carnaval de 1998. Esse comportamento causou escândalo na
imprensa internacional.
Ao ler a reportagem a seguir observamos que a coesão referencial feita por meio de
substantivos abstratos (também chamado de coesão lexical) garante alem da “ligação” entre
as partes do texto, um posicionamento crítico do autor.
1

“O carpinteiro ignora a legislação e continua usando o telefone celular ao volante. A imprudência é


facilmente notada nas ruas elegantes de Cabuí e em avenidas movimentadas do centro. Nestas áreas de tráfego

intenso, a irresponsabilidade dos motoristas significa um risco cada vez maior de acidentes”.
Correio popular, Capinas, 15 de maio de 1995.

2º. Coesão seqüencial: é o desenvolvimento textual, garantindo a progressão temática. Os


enunciados do texto mantêm determinado tipo de relação por meio das conjunções tanto
subordinativas como coordenativas.
Alguns dos recursos coesivos:
a. e, além de, além disso, ademais, ainda, bem como, também – acrescentam
idéias, argumentos.
b. Assim, dessa forma, portanto, desse modo, por fim, enfim – complementam e
concluem idéias.
c. Porque, devido a, em virtude de, pois – introduzem explicação.
d. Antes que, depois que, enquanto, quando no momento que – estabelecem
relação de temporalidade.
e. Mas, porém, entretanto, contudo, no entanto – estabelecem oposição entre as
idéias.
f. Conforme, de acordo com – estabelecem relações de conformidade.
g. Antes de mais nada, sobretudo, principalmente, especialmente – dão ênfase
ou destaque a algum fato ou idéia.
h. Embora, não obstante, apesar de, a despeito de – estabelecem relação de
concessão, resignação.
i. De fato, realmente, é verdade que, evidentemente, obviamente, está claro
que – fazem constatação ou admitem um fato.
5.2 Correção.
É a qualidade que trata da linguagem utilizada em uma redação a qual deve estar de
acordo com a norma culta, ou seja, deve obedecer aos princípios estabelecidos pela
gramática normativa.
Conhecer as normas que estabelecem o uso padrão é fundamental para a produção
de texto correto. Evidentemente, a maioria das pessoas não conhece de cor todas as regras
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da gramática normativa. Por isso, em caso de dúvidas, na construção de uma frase não
hesite em consultar um bom livro de gramática.
Tome cuidado com alguns desvios da linguagem padrão que comumente aparecem
em redações:
a. Grafia – é preciso muita atenção com a grafia de palavras desconhecidas. Em
caso de dúvida, consulte um bom dicionário. Se não for possível, substitua a
palavra por outra cuja grafia seja conhecida. É necessário lembrar-se: a língua
portuguesa é muito rica em sinônimos. Também não se pode esquecer de
verificar a acentuação das palavras. Uma rápida olhada no capítulo referente às
regras de acentuação pode ajudar evitar erros.
b. Flexão das palavras – necessita-se de cuidado com a formação do plural de
algumas palavras, sobretudo as compostas (primeiro-ministro, abaixo-assinado,
luso-brasileiro, etc.).
c. Concordância – convém lembrar-se que o verbo sempre concordará com o
sujeito e que os nomes devem concordar entre si.
d. Regência – convém ficar atento a regência de verbos e nomes, sobretudo a
daqueles que exigem a preposição a, a fim de não cometer erro no empregado
acento que indica a crase.
e. Colocação de pronomes – observe a colocação dos pronomes oblíquos átonos
(me, te, se, nos, lhe, o, a, os, as). Na linguagem formal, não é costume iniciar
frases com esses pronomes.

5.3 Clareza

A clareza consiste na manifestação da idéia de forma que possa ser rapidamente


compreendida pelo leitor. Ser claro é ser Coerente, não se contradizer, não confundir o
leitor.
São inimigos da clareza: a desobediência às normas da língua, os períodos longos, o
vocabulário rebuscado ou impreciso.
A clareza como a coerência é aquilo o qual se aceita como lógico o que faz sentido.
Um texto redacional necessita de uma progressão textual capaz de encaminhar, de maneira
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organizada, o raciocínio do leitor. Desse modo, é preciso que as idéias mantenham relações
semânticas entre si. Vejamos:
a. O governo não consegue conter a violência nas grandes cidades, embora exista
um grande número de casamentos.
b. João já tinha jantado quando nos chegamos, no entanto ele ainda estava jantando.
c. A galinha estava grávida.

Todas as passagens acima possuem algum tipo de incoerência. Em 1, a segunda


passagem não se conecta à primeira. Em 2, a mesma seqüência temporal é
apresentada para momentos distintos. E em 3, a realidade não aceita tal frase.
a. Incoerência semântica.
Ex. O governo principalmente não corresponde de uma maneira correta em relação
ao nível de condições para muitos seriam uma decisão obvia. (www.portrasdasletras.com.br)
b. Incoerência sintática.
Ex. Na verdade, essa falta de leitura, de escrever, seja porque tudo já vem pronto,
mastigado para uma boa compreensão, não precisando pensar. (www.portrasdasletras.com.br)

5.4 Fatores de incoerência.

a. Conhecimento de mundo – só se pode construir um bom texto se houver


conhecimento acerca do tema apresentado. Adquiri-se esse conhecimento na
medida em que se vive e se tem contato com o mundo. A partir disso cria-se o
senso crítico.
b. Conhecimento de mundo partilhado – para que aja coerência é necessário um
equilíbrio entre as informações apresentadas. Se um texto só apresentar
informações “novas”, o entendimento será difícil.

É comum o aluno diante de um tema como “o mal da Internet”, apresentar uma


redação muito técnica, isto é, uma redação que será compreendida apenas pelos
que dominam informática. É primordial que o texto tenha uma base comum
1

entre emissor e receptor, para que então as novas informações sejam


compartilhadas.
c. Inferências – aquilo o se pode deduzir a partir do que foi expresso no texto. Por
exemplo, a frase: “As mulheres já podem trabalhar na bolsa de valores”, em que
a palavra “já” atenua a ação que não era realizada antes pelas mulheres.
Essa é uma boa forma para os tetos não se tornarem longos e cansativos e serem
objetivos em suas informações.

5.5 Elegância
A elegância consiste em tornar a leitura do texto agradável ao leitor. É conseguida
quando se observam as qualidades que acabamos de apontar (Correção gramatical,
Clareza e Concisão) e também pelo conteúdo da redação textual, que deve ser original e
criativo.
Lembre-se que a elegância deve começar pela própria apresentação do texto, que
deve ser limpo, sem borrões ou rasuras e com letra legível.

5.6 Os defeitos de um texto


São inúmeras as preocupações na construção de um texto para aqueles que desejam
escrever. Podemos dizer que são tais como às do narrador do texto de Fernando Sabino:
esta palavra se escreve com (s) o com (z)? E esta, é com (x) ou (ch)? Será que esta frase
ficou clara? Será que não estou me estendendo demais com o assunto?
Ao escrevermos devemos evitar defeitos que prejudiquem a compreensão de nosso
texto. Que defeitos empobrecem o texto?
a. Ambigüidade
Ocorre ambigüidade quando a frase apresenta mais de um sentido. Ocorre
geralmente por má pontuação ou mau emprego de palavras ou expressões. É
considerado um defeito da prosa, porque atenta contra a clareza. Observe:
João ficou com Mariana em sua casa.
Alice saiu com sua irmã.
1

Nesses exemplos, a ambigüidade decorre do fato de o possessivo (sua) pode estar se


referindo a mais de um elemento. Portanto, muito cuidado no emprego desse pronome
possessivo. Você pode evitar a ambigüidade substituindo por dele(s) ou dela(s).
Matou o tigre o caçador.
Pela quebra de ordem direta da oração não se sabe qual é o sujeito e qual é o objeto.

Visitamos o teatro do vilarejo, que foi fundado no século XVIII.


Nessa construção, temos dois antecedentes que podem ser retomados pelo pronome
relativo que. O que foi fundado no século XVIII: o teatro e o vilarejo?
b. Obscuridade
Obscuridade é “falta de clareza”. Vários motivos podem determinar a obscuridade
de um texto: períodos excessivamente longos, linguagem rebuscada, má pontuação.

Encontrar a mesma idéia vertida em expressões antigas mais claras, expressiva e elegantemente
tem-me acontecido inúmeras vezes na minha prática longa, aturada e continua de escrever depois
de considerar necessária e insuprível uma locução nova por muito tempo.

Incompreensível, não é? O parágrafo é constituído por um único período; além de


longo, é muito rebuscado e mal pontuado.
c. Pleonasmo
Este consiste na repetição desnecessária de um conceito. Veja:
A brisa matinal da manhã enchia-o de alegria.
Ele teve uma hemorragia de sangue.

Convém notar, no entanto, que alguns autores costumam recorrer ao pleonasmo com
função estilística, a fim de tornar a mensagem mais expressiva. Nesse caso, o pleonasmo
não é um defeito. Vejamos:
“A mim, ensinou-me tudo.” (Fernando Pessoa)
“A ti, trocou-te a máquina mercante.” (Gregório de Matos)
“Lázaro! Sai para fora”. (Jesus de Nazaré)
d. Cacofonia
Consiste no mau som obtido pela união das silabas finais de uma palavra com as
iniciais de uma outra. Exemplos:
1

Nunca gaste dinheiro com bobagens.


Uma herdeira confisca gado em Mato grosso.
Estas idéias, como as concebo, são irrealizáveis.

e. Eco
Consiste pela repetição de palavras terminadas pelo mesmo som. Observe:

A decisão da eleição não causou comoção na população.


O aluno repetente mente alegremente.
f. Prolixidade
Esta consiste em utilizar mais palavras do que o necessário para exprimir uma idéia;
é, portanto, o oposto da concisão. Ser prolixo é ficar “enrolando”, não ir direto ao
assunto.
São o uso de cacoetes, expressões que não acrescentam nada ao texto, servindo
somente para prolongar o discurso, também pode tornar um texto prolixo.
Expressões do tipo: “antes de mais nada”, “pelo contrário”, “por outro lado”, “por
sua vez” são, muitas vezes, utilizadas só para prolongar o discurso. É preciso
cuidado com elas.

6. PONTUAÇAO.
Os sinais de pontuação servem para marcar pausas (a vírgula, o ponto-e-vírgula, o ponto)
ou a melodia da frase (o ponto de exclamação, o ponto de interrogação, etc.). Geralmente,
estão ligados à organização sintática dos termos na frase, eles são regidos por regras.
Vírgula

Ela marca uma pausa de curta duração e serve para separar os termos de uma oração ou
orações de um período. A ordem normal dos termos na frase é: sujeito, verbo,
complemento. Quando temos uma frase nessa ordem, não separamos seus termos
imediatos. Assim, não pode haver vírgula entre o sujeito e o verbo e seu complemento.

Quando, na ordem direta, houver um termo com vários núcleos a vírgula será utilizada para
separá-los.
Na fala de Madonna, a vírgula está separando vários núcleos do predicado na segunda
oração. Ex.:

" A obscenidade existe e está bem diante de nossas caras. É o racismo, a discriminação
sexual, o ódio, a ignorância, a miséria. Tem coisa mais obscena do que a guerra?"

Utilizamos a vírgula quando a ordem direta é rompida. Isso ocorre basicamente em dois
1

casos:
- quando intercalamos alguma palavra ou expressão entre os termos imediatos, quebrando a
seqüência natural da frase. Ex: Os filhos, muitas vezes, mostraram suas razões para seus
pais com muita sabedoria.

"O que o galhofista queria é que eu, coronel de ânimo desenfreado, fosse para o barro
denegrir a farda e deslustrar a patente".

- quando algum termo (sobretudo o complemento) vier deslocado de seu lugar natural na
frase. Ex.:
Para os pais, os filhos mostraram suas razões com muita sabedoria.

Com muita sabedoria, os filhos mostraram suas razões para os pais.

Ponto-E-Vírgula

O ponto-e-vírgula marca uma pausa maior que a vírgula, porém menor que a do ponto. Por
ser intermediário entre a vírgula e o ponto, fica difícil sistematizar seu emprego. Entretanto,
há algumas normas para sua utilização.

- usamos ponto-e-vírgula para separar orações coordenadas que já apresentem vírgula em


seu interior;
- nunca use ponto-e-vírgula dentro de uma oração. Lembre-se ele só pode separar uma
oração de outra.

Com razão, aquelas pessoas reivindicavam seus direitos; os insensíveis burocratas, porém,
em tempo algum, deram atenção a elas.

"Os espelhos são usados para ver o rosto; a arte, para ver a alma." Bernard Shaw

- o ponto-e-vírgula também é utilizado para separar vários incisos de um artigo de lei ou


itens de uma lista. Ex:
[...] Considerando:
A) a alta taxa de juros;
B) a carência de mão-de-obra;
C) o alto valor de matéria-prima; [...]

Dois Pontos

Os dois-pontos marcam uma sensível suspensão da melodia da frase. São utilizados quando
se vai iniciar uma seqüência que explica, identifica, discrimina ou desenvolve uma idéia
anterior, ou quando se quer dar início à fala ou citação de outrem.
Observe: (Percebeu? Vamos iniciar uma seqüência de exemplos, daí os dois pontos)

Descobri a grande razão da minha vida: você


Já dizia o poeta: "Deus dá o frio conforme o cobertor".
"Por descargo de consciência, do que não carecia, chamei os santos de que sou
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devocioneiro:
- "São Jorge, Santo Onofre, São José!"

Aspas

As aspas devem ser utilizadas para isolar citação textual colhida a outrem, falas ou
pensamentos de personagens em textos narrativos, ou palavras ou expressões que não
pertençam à língua culta (gírias, estrangeirismos, neologismos, etc)

O rapaz ficou "grilado" com o resultado da prova.


Morava em um "flat" onde havia "playground".

Travessão

O travessão serve para indicar que alguém fala de viva voz (discurso direto). Seu emprego é
constante em textos narrativos em que personagens dialogam. Leia o texto abaixo:

-Salve!
- Como é que vai?
- Amigo, há quanto tempo...
- Um ano, ou mais.

Podem se usar dois travessões para substituir duas vírgulas que separam termos
intercalados, sobretudo quando se quer dar-lhes ênfase.
Pelé - o maior jogador de futebol de todos os tempos - hoje é um bem-sucedido empresário.

Reticências

As reticências marcam uma interrupção da seqüência lógica do enunciado, com a


conseqüente suspensão da melodia da frase. São utilizadas para permitir que o leitor
complemente o pensamento que ficou suspenso.
Nas dissertações objetivas, evite reticências.
Ex: Eu não vou dizer mais nada. Você já deve ter percebido que...
"Num repente, relembrei estar em noite de lobisomem - era sexta-feira..."

Parênteses

Os parênteses servem para isolar explicações, indicações ou comentários acessórios. No


caso de citações é referências bibliográficas, o nome do autor e as informações referentes à
fonte também aparecem isolados por parênteses.

"Aborrecido, aporrinhado, recorri a um bacharel (trezentos mil-réis, fora despesas miúdas


com automóveis, gorjetas, etc.) e embarquei vinte e quatro horas depois..." Graciliano
Ramos

"Ela (a rainha) é a representação viva da mágoa..." Lima Barreto.


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O ponto

É usado para marcar o término das orações declarativas. O ponto usado para marcar o final
do texto é conhecido como ponto final.
Exemplo: Quando os portugueses chegaram ao Brasil, em 1500, Pero Vaz de Caminha
escreveu uma carta ao rei D. Manuel na qual informava sobre o descobrimento.

Exclamação

É usado no final dos enunciados exclamativos, que denotam espanto, surpresa, admiração.
Exemplo: Atenção!, Alô!, Bom dia!.

Interrogação

É usado ao final dos enunciados interrogativos.


Exemplo:
- Tudo bem com você?
- Tudo. E você?
- Tudo bem!
7. Dicas para Escrever Bem
a) Vc. deve evitar abrev., etc.
b) Desnecessário faz-se empregar estilo de escrita demasiadamente rebuscado, segundo
deve ser do conhecimento inexorável dos copidesques. Tal prática advém de esmero
excessivo que beira o exibicionismo narcisístico.
c) Anule aliterações altamente abusivas.
d) "não esqueça das maiúsculas", como já dizia dona loreta, minha professora lá no
colégio alexandre de gusmão, no ipiranga.
e) Evite lugares-comuns assim como o diabo foge da cruz.
f) O uso de parênteses (mesmo quando for relevante) é desnecessário.
g) Estrangeirismos estão out; palavras de origem portuguesa estão in.
h) Chute o balde no emprego de gíria, mesmo que sejam maneiras, tá ligado?
i) Nunca generalize: generalizar, em todas as situações, sempre é um erro.
j) Evite repetir a mesma palavra, pois essa palavra vai ficar uma palavra repetitiva. A
repetição da palavra vai fazer com que a palavra repetida desqualifique o texto onde
a palavra se encontra repetida.
k) Não abuse das citações. Como costuma dizer meu amigo: "Quem cita os outros não
tem idéias próprias".
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l) Frases incompletas podem causar...


m) Não seja redundante, não é preciso dizer a mesma coisa de formas diferentes; isto é,
basta mencionar cada argumento uma só vez. Em outras palavras, não fique
repetindo a mesma idéia.
n) Seja mais ou menos específico.
o) Frases com apenas uma palavra? Jamais!
p) A voz passiva deve ser evitada.
q) Use a pontuação corretamente o ponto e a virgula especialmente será que ninguém sabe
mais usar o sinal de interrogação.
r) Quem precisa de perguntas retóricas?
s) Conforme recomenda a A.G.O.P, nunca use siglas desconhecidas.
t) Exagerar é cem bilhões de vezes pior do que a moderação.
u) Evite mesóclises. Repita comigo: "mesóclises: evitá-las-ei!"
v) Analogias na escrita são tão úteis quanto chifres numa galinha.
w) Não abuse das exclamações! Nunca! Seu texto fica horrível!
x) Evite frases exageradamente longas, pois estas dificultam a compreensão da idéia
contida nelas, e, concomitantemente, por conterem mais de uma idéia central, o que
nem sempre torna o seu conteúdo acessível, forçando desta forma, o pobre leitor a
separá-la em seus componentes diversos, de forma a torná-las compreensíveis, o
que não deveria ser, afinal de contas, parte do processo da leitura, hábito que
devemos estimular através do uso de frases mais curtas.
y) Cuidado com a hortografia, para não estrupar a língüa portuguêza.
z) Seja incisivo e coerente, ou não.

Sola Gratia!