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Destreza e Assimetria Motora Funcional Estudo em Idosos de Diferentes Contextos Priscilla Pinheiro Oliveira 2010

Destreza e Assimetria Motora Funcional

Estudo em Idosos de Diferentes Contextos

Priscilla Pinheiro Oliveira

2010

Destreza e Assimetria Motora Funcional Estudo em Idosos de Diferentes Contextos Dissertação apresentada com vista

Destreza e Assimetria Motora Funcional

Estudo em Idosos de Diferentes Contextos

Dissertação apresentada com vista à obtenção do grau de Mestre em Ciências do Desporto, na área de Especialização em Actividade Física para a Terceira Idade, nos termos do Decreto-Lei nº 216/92, 13 de outubro.

Orientadora: Professora Doutora Maria Olga Fernandes Vasconcelos

Priscilla Pinheiro Oliveira

Porto, Novembro 2010.

Ficha de Catalogação

FICHA DE CATALOGAÇÃO

OLIVEIRA, P. P (2010). Destreza e Assimetria Motora Funcional: Estudo em Idosos de Diferentes Contextos. Porto: Dissertação de Mestrado apresentada à Faculdade de Desporto da Universidade do Porto.

Palavras-Chave: IDOSOS; DESTREZA (MANUAL E PEDAL); ASSIMETRIA MOTORA FUNCIONAL; IDADE; SEXO.

Dedicatória

A

Deus

o

Universo.

Grande

Criador

do

Aos meus queridos pais, César e Socorro que me permitiram a vida e me mostraram o caminho da justiça e do amor.

Aos

Raphael, que, apesar da distância sempre me encorajam nas

dificuldades.

meus irmãos, Rafaelly e

À

porque ela é a responsável por

minha paixão e dedicação aos idosos.

minha

amada

avó,

Gilza,

Agradecimentos

AGRADECIMENTOS

A concretização deste trabalho, apesar do carácter individual, só foi

possível devido ao conhecimento, apoio e incentivo de várias pessoas. Apenas

com a força das palavras, quero agradecer a quem esteve presente neste empreendimento, por pouco que lhe parecesse o contributo, foi para mim de extrema importância, pois com um ponto de apoio é possível levantar um mundo.

A Deus, por me dar força interior para superar as dificuldades, me

amparar, me dar esperanças nas horas difíceis e manter meu coração e minha

mente sempre com o objectivo que aqui vim buscar.

À Professora Doutora Maria Olga Fernandes Vasconcelos, orientadora

desta dissertação, por ter me acompanhado com sua sabedoria, pela compreensão, confiança, incentivo, sugestões, orientação, e por ter despertado

uma vontade cada vez maior de aprofundar meus conhecimentos.

À Professora Doutora Joana Carvalho, coordenadora do mestrado, pelo

aconselhamento do tema a ser escolhido. Ao Mestre João Silva, pela simpatia, incentivo, conhecimentos

transmitidos e por toda paciência que tiveste comigo, obrigada! À Mestre Cidália de Freitas, pela disponibilidade, apoio e carinho durante a fase final de escrita da tese.

À Professora Doutora Paula Cristina dos Santos Rodrigues, por toda a

ajuda que me foi oferecida, pela paciência e simpatia. Aos professores e funcionários da Faculdade de Desporto. Aos idosos que foram fundamentais no desenvolvimento desse estudo e que realmente contribuíram para o meu desenvolvimento profissional e pessoal. À Mabel e ao Marco, por terem sido meu “porto seguro” logo quando cheguei, obrigada por tudo. Aos meus colegas de mestrado que tornaram-se grandes amigos ao longo destes 2 anos e com quem partilhei “as dores e felicidades” deste processo. Torço pelo sucesso de cada um de vocês.

Agradecimentos

Aos meus amigos brasileiros e portugueses com os quais aqui convivo Thiago, Fernanda, Bárbara, Adriana, Claúdia, Marcelo, Eliamara, Rafael, Isabel, Ricardo, Polly, Jorge, Paulo, Mauro, Silvia, Raphael. Ao Pedro Andrade, por nunca ter me deixado desistir e por todo o apoio que me deste desde que decidi vir fazer mestrado em Portugal. Às queridas Joana e Priscila, por me terem proporcionado um lar

enquanto vivia essa experiência. Obrigada por todos os jantares, pelo convivio,

por todos os conselhos, risadas

dois anos, tenho plena convicção que a amizade vai permanecer. Ao meu amigo Cristiano, obrigada por esses 10 anos de amizade,

conversas, risos, alegrias, choros, não podia deixar de agradecer-te.

À Wladya, minha cunhada, por todo o apoio e incentivo, ainda presente

mesmo que do outro lado do Atlântico. Ao Pedro Nogueira, pela amizade, constante preocupação, cuidado, incentivo, paciência, obrigada por fazer com que me sentisse em casa, sem dúvidas trouxe alegria em minha vida e tornou minha estadia mais fácil. À minha querida amiga Geise, obrigada por todo o apoio, carinho, e incentivo em todos os momentos e principalmente nos momentos finais. “Amore” você me mostrou que as amizades não precisam de anos para se solidificarem. Adoro-te! Às minhas amigas de infância Glícia e Sacha, obrigada por toda a ajuda,

juntas com o passar desses

amadurecemos

carinho, companhia e pela torcida positiva ao longo de todos estes anos. Nós somos a prova viva de que algumas amizades resistem ao tempo e a distância. Amo vocês!

A toda a minha família, em especial meus Pais, Irmãos, minha Avó por

serem o pilar onde assenta tudo o que me proponho a fazer e por toda a credibilidade e confiança que sempre demonstraram durante estes anos,

ajudando-me a ultrapassar todas as dificuldades que foram surgindo durante minha estadia em Portugal.

A todos aqueles que, de alguma forma, contribuíram para a elaboração

deste trabalho, e que a memória me atraiçoa, o meu muito obrigado!

“Há homens que lutam um dia e são bons, Há homens que lutam um ano e são muito bons, Há outros que lutam muitos anos e são melhores ainda, Mas há os que lutam toda uma vida; esses são imprescindíveis”.

BERTOLD BRECHT

Índice Geral

ÍNDICE GERAL

Dedicatória

 

I

Agradecimentos

III

Índice Geral

VII

Índice de Tabelas

XI

Índice de Figuras

XIII

Resumo

XV

Abstract

XVII

Lista de Abreviaturas e Símbolos

XIX

CAPÍTULO I

 

1.

Introdução Geral

… …………………………

23

1.1. Propósitos e Finalidades do Estudo

23

1.2. Estrutura do Estudo

 

25

1.3. Referências Bibliográficas

 

27

CAPÍTULO II

 

2.

Fundamentação Teórica

…………………

 

31

2.1. Envelhecimento …………………………………

 

……

31

 

Delimitação Conceptual

31

Alterações ocorridas no processo de envelhecimento

32

2.2. Coordenação Motora.….………………………

 

34

 

Destreza Manual

35

Destreza Pedal

36

2.3. Assimetria Motora Funcional

 

37

2.4. Referências Bibliográficas

41

Índice Geral

CAPÍTULO III

3. Estudo Empírico

Resumo

XV

Abstract

XVII

3.1. Introdução ………………

…………

……

55

3.2. Metodologia …

56

Amostra

56

Instrumentos e Procedimentos

58

Avaliação da Direcção da Preferência Manual e Pedal

58

Avaliação da Destreza Manual

59

Avaliação da Destreza Pedal

61

Índice de Assimetria Manual

62

Análise Estatística

62

RESULTADOS Destreza Manual

67

Índice de Assimetria Funcional

69

Destreza Pedal

70

DISCUSSÃO Factor Idade

71

Factor Sexo

72

Factor Mão de Execução Índice de Assimetria Manual

74

Factor Pé de Execução

76

CONCLUSÃO .…

77

SUGESTÕES

78

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

78

CAPÍTULO IV

Anexos Anexo 1 - Declaração de Helsínquia

89

Anexo 2 - Dutch Handedness Questionnaire (Van Strien, 2002)

99

Índice Geral

Anexo 3 - Lateral Preference Questionnaire (Porac & Coren, 1981) …….….101

Anexo 4 - Purdue Pegboard Test…………… Anexo 5 - Minnesota Manual Dexterity Test

…… ………… …

103

105

Anexo 6 - Tapping Manual Test

107

Anexo 7 - Tapping Pedal Test.………………… ………….………

109

Índice de Tabelas

ÍNDICE DE TABELAS

Capítulo III

Tabela 1 - Amostra total (Centro de Dia e Lar). Resultados da direcção da preferência manual e pedal, relativamente ao Dutch Handedness Questionnaire e ao Lateral Preference Questionnaire

57

Tabela 2 - Centro de Dia. Média e desvio padrão dos Testes de DM e do Teste de DP em função da idade, do sexo, da mão e do pé preferido

64

Tabela 3 - Lar. Média e desvio padrão dos Testes de DM e do Teste de DP em função da idade, do sexo, da mão e do pé preferido

65

Tabela 4 - Centro de Dia e Lar. Média e desvio padrão dos IAM para os Testes de DM

66

Tabela 5 - Resultados significativos relativos aos Testes de DM em função da idade, do sexo, da mão de execução e das interacções no Centro de Dia e no Lar

67

Tabela 6 - Resultados significativos dos IAM em função da idade, do sexo e das interacções no Centro de Dia e no Lar

69

Tabela 7 - Resultados significativos relativos ao Teste de DP em função da idade, do sexo, do pé de execução e das interacções no Centro de Dia e no Lar

70

Índice de Figuras

ÍNDICE DE FIGURAS

Capítulo III Figura 1 - Médias dos IAM em função da idade e do sexo

70

Resumo

RESUMO

Este estudo pretendeu contribuir para a investigação acerca da destreza (manual e pedal) e assimetria motora funcional em idosos de diferentes contextos, pertencentes a diferentes grupos etários de ambos os sexos. A amostra foi constituída por 82 idosos (47 do sexo feminino e 35 do sexo masculino) com idades compreendidas entre os 64-94 anos, provenientes de Centros de Dia e Lares do grande Porto. Os instrumentos para avaliar a preferência manual e pedal foram o Dutch Handedness Questionnaire e o Lateral Preference Questionnaire e para a destreza manual (DM) e a destreza pedal (DP) foram utilizados os testes: Purdue Pegboard, Minnesota Manual Dexterity Test, Tapping Manual Test e Tapping Pedal Test. Para o tratamento e análise da informação recorreu-se à estatística descritiva e inferencial. Os resultados do nosso estudo revelaram, para a DM: (i) uma diminuição em relação à idade, ou seja, o escalão etário dos idosos mais velhos apresentou uma performance manual inferior em relação aos escalões de idosos mais novos; (ii) um desempenho mais elevado do sexo feminino em relação ao sexo masculino tanto para a mão preferida (Mp) como para a mão não preferida (Mnp); (iii) uma performance mais elevada da Mp em relação à Mnp em todos os testes realizados para a DM; (iv) que o Índice de Assimetria Manual (IAM) varia em função dos testes executados e que o escalão etário mais velho revelou uma variação da assimetria entre os testes. Para a DP, os nossos resultados revelaram um melhor desempenho para o pé preferido comparativamente ao pé não preferido comprovando que o pé por si só influencia no resultado do teste. Como conclusão geral, a DM e a DP são influenciadas pelos factores idade, sexo, mão de execução e pé de execução e que o IAM varia de acordo com os testes aplicados.

Palavras-chave: IDOSOS; DESTREZA (MANUAL E PEDAL); ASSIMETRIA MOTORA FUNCIONAL; IDADE; SEXO.

Abstract

ABSTRACT

This study sought to contribute to the research on dexterity (manual and pedal) and functional motor asymmetry in the elderly from different contexts, from different age groups of both sexes. The sample included 82 elderly of both sexes, aged between 64 and 94 years old, from Days Centers and Residential Homes of the great Porto. The instruments to assess the manual and pedal preference were the Dutch Handedness Questionnaire and the Lateral Preference Questionnaire and to assess the manual dexterity (MD) and pedal dexterity (PD) the following tests were used: Purdue Pegboard, Minnesota Manual Dexterity Test, Tapping Manual Test and Tapping Pedal Test. For the

treatment and analysis of the information descriptive and inferential statistics were used. The results of our study, for MD, revealed: (i) a reduction in relation to the age, in the other words, the older age group of elderly had a lower manual performance in relation to the younger ranks; (ii) the females presented

a better performance compared to the males for the preferred hand (Ph) and

the non-preferred hand (Nph); (iii) better performance in relation to Ph and Nph

in all tests for the MD; (iv) the manual asymmetry index (MAI) varies according

the tests and the older age group showed higher variation in the asymmetry across the tests. For DP, our results showed a better performance for the preferred foot compared to the effect of the non-preferred foot proving that the foot itself influences the test result. As a general conclusion, the MD and PD are influenced by the factors age, gender, hand and foot of execution and the MI varies according to the tests.

Key-Words: ELDERLY PEOPLE; DEXTERITY (MANUAL AND PEDAL); FUNTICTIONAL MOTOR ASYMMETRY; AGE; GENDER.

Lista de Abreviaturas e Símbolos

LISTA DE ABREVIATURAS E SÍMBOLOS

INE

Instituto Nacional de Estatística

OMS

Organização Mundial de Saúde

AVD´s

Actividades de Vida Diária

et al.

et alteri = e outros

DM

Destreza Manual

DP

Destreza Pedal

Mp

Mão preferida

Mnp

Mão não preferida

Pp

Pé preferido

Pnp

Pé não preferido

Qlat

Coeficiente de lateralidade

PP

Purdue Pegboard

MMDT

Minnesota Manual Dexterity Test

TC

Teste de Colocação

TV

Teste de Volta

TM

Tapping Manual

TP

Tapping Pedal

IAM

Índice de Assimetria Manual

m

Metro

cm

Centímetro

mm

Milímetros

p

Valor de Prova

SPSS

Statistical Package for the Social Sciences

Sexo masculino

Sexo feminino

%

Percentagem

CAPÍTULO I

CAPÍTULO I Introdução Geral e Estrutura da Dissertação
CAPÍTULO I Introdução Geral e Estrutura da Dissertação

Introdução Geral e Estrutura da Dissertação

CAPÍTULO I Introdução Geral e Estrutura da Dissertação
CAPÍTULO I Introdução Geral e Estrutura da Dissertação

Introdução Geral

1. INTRODUÇÃO GERAL

1.1. Propósitos e Finalidades do Estudo

O presente estudo foi elaborado no âmbito do 2º Ciclo em Actividade

Física para a Terceira Idade, a apresentar na Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, elaborada sob a orientação da Professora Doutora Maria Olga Fernandes Vasconcelos. Este ensaio pretende contribuir para a investigação acerca da destreza

(manual e pedal) e da assimetria motora funcional em idosos de diferentes contextos, pertencentes a vários grupos etários de ambos os sexos.

O crescente aumento da população idosa é um fenómeno de amplitude

mundial. A Organização Mundial de Saúde (OMS) prevê que em 2025 existirão um total de aproximadamente 1,2 biliões de pessoas (com mais de 65 anos) e em 2050 este número deverá chegar aos 2 biliões, sendo que os muito idosos (com 80 ou mais anos) constituem o segmento da população em maior crescimento (OMS, 2002). Este reflecte-se, não só na esperança média de vida, mas também na proporção do número de sujeitos idosos. Diante deste facto, a população idosa é actualmente uma realidade demográfica cada vez mais significativa na população mundial. Em Portugal segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE, 2009) revelam que o índice de envelhecimento atingiu o número de 115 idosos para cada 100 jovens e que este continuará em crescente aumento podendo chegar a um total de 243 idosos por cada 100 jovens. Entre os anos de 1960 e 2001, o fenómeno do envelhecimento demográfico, que é definido pelo aumento da proporção de pessoas idosas na população total, em detrimento da população jovem, e ou da população em idade activa, traduziu-se por um aumento de 140% da população idosa com uma diminuição de cerca de 36% na população jovem (INE, 2002). Segudo Farinatti (cit. por Rosa, 2010, p.3) afirma que “esse envelhecimento demográfico, desperta o interesse de vários estudiosos e pesquisadores, que tentam compreender este processo, além de possibilitar a integração equilibrada dos idosos na sociedade e ainda criar iniciativas e

Introdução Geral

intervenções que preservem ao máximo a qualidade de vida nas idades avançadas. Factores como, o aumento gradual da longevidade, em conjunto com a redução da mortalidade, a diminuição das taxas de natalidade, e a melhora das condições de vida (higiênico-sanitárias) refletem no crescente aumento da população idosa, por essa razão este grupo populacional não deve ser ignorado (Carvalho, 2006; INE, 2002; Maia & Lopes, 2002; Matsudo, 2002; Mota, 2001). Caromano e Jung (cit. por Fiedler e Peres, 2008, p. 409) afirmam que “o envelhecimento é um processo que provoca alterações e desgastes em vários sistemas funcionais, que ocorre de forma progressiva e irreversível. O momento em que essas transformações ocorrem, quando passam a ser percebidas e como evoluem, diferencia-se de um indivíduo para o outro (Naranjo, Estrada, Ferra, Jimenéz, & Rivero, cit. por Nunes, Ribeiro, Rosado, & Franceschini, 2009). Esse processo modifica o comportamento global do indivíduo idoso, afectando de forma negativa a sua capacidade funcional, que é caracterizada vulgarmente como a capacidade de realizar actividades da vida diária (AVD´s) e o esforço associado a essa realização (Silva, 2006). Poston & Fareyt (1999), referem também, que as alterações fisiológicas na perda da capacidade funcional ocorrem durante o envelhecimento, comprometendo a saúde e a qualidade de vida do idoso. A qualidade de vida está profundamente associada a uma capacidade de realizar as AVD´s sem dor, durante o máximo de tempo. Sendo assim um nível adequado de aptidão física passa a ser um dos requisitos para que o idoso mantenha sua independência (Rikli & Jones, 2001). Dentre os vários parâmetros da coordenação motora, a destreza (manual e pedal) é particularmente importante na vida dos idosos, pois permitem-lhes realizar, com eficiência, suas AVD´s (Carmeli, Patish, & Coleman, 2003). O desempenho dos vários parâmetros da destreza (destreza fina mais global, quer ao nível dos membros superiores, quer inferiores, de um modo unilateral, implicando apenas um dos membros, ou combinada, envolvendo a coordenação entre cada par de membros) é afectado por outras

Introdução Geral

transformações decorrentes do processo de envelhecimento, nomeadamente, ao nível da visão, da sensibilidade e do tacto. Estas alterações ocorrem em conjunto com as diversas modificações dos sistemas músculo-esquelético e nervoso conduzindo a um declínio progressivo da função manual e pedal (Hackel, Wolfe, Bang, & Canfield, 1992; Rebelatto & Morelli, 2007). Segundo Marques (cit. por Carneiro, 2009, p.4), entender o processo de envelhecimento é, não apenas, importante para determinar a etiologia associada aos processos degenerativos que lhes estão associados, mas fundamentalmente para conhecer e desenvolver estratégias que atenuem os efeitos da senescência, de forma a garantir a vivência do final do ciclo de vida de uma forma autónoma e qualitativamente positiva. Também Mazo, Lopes e Benedetti (2008), afirmam que é necessário dar vida aos anos e não apenas anos à vida, ou seja, envelhecer com melhores padrões e uma melhor qualidade de vida, e não somente deixar o tempo passar e esperar pelo fim.

1.2. Estrutura do Estudo

No sentido de respondermos aos objectivos previamente formulados este estudo obedeceu à seguinte estrutura:

No primeiro capítulo descrevemos o propósito e objectivo do estudo, bem como, a descrição sintética da estrutura do trabalho.formulados este estudo obedeceu à seguinte estrutura: No segundo capítulo apresentamos uma revisão da literatura

No segundo capítulo apresentamos uma revisão da literatura sobre o tema em estudo, com o enquadramento teórico conceptual da temática, com a definição dos principais conceitos abordados na dissertação, bem como de algumas matérias relacionadas que visam melhorar a elucidação do tema em estudo. A bibliografia referente à fundamentação teórica está incluída neste capítulo.bem como, a descrição sintética da estrutura do trabalho. No terceiro capítulo, apresentado em forma de

No terceiro capítulo, apresentado em forma de artigo, contém uma breve introdução referente à revisão da literatura, à metodologia utilizada para a realização do estudo, os resultados obtidos e suaA bibliografia referente à fundamentação teórica está incluída neste capítulo. 25 Priscilla Pinheiro Oliveira

Introdução Geral

Introdução Geral discussão. Finalmente, são apresentadas as conclusões e sugestões para futuros estudos bem como a

discussão. Finalmente, são apresentadas as conclusões e sugestões para futuros estudos bem como a bibliografia correspondente. No quarto e último capítulo apresentamos os anexos.

Introdução Geral

1.3 Referências Bibliográficas

Carneiro, I. J. R. S. (2009). Destreza motora (manual e pedal) e assimetria funcional em idosos praticantes e não praticantes de exercício físico. Porto. Dissertação de Mestrado em Ciências do Desporto, área de Especialização de Actividade Física para a Terceira Idade apresentada à Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. Carmeli, E., Patish, H., & Coleman, R. (2003). The anging hand. Journal of Gerontology, 58A(2), 146-152. Carvalho, M. J. (2006). A actividade física na terceira idade e relações intergeracionais. Revista Brasileira de Educação Física e Esporte, 20(5),

71-72.

Fiedler, M. M., & Peres, K. G. (2008). Capacidade funcional e fatores associados em idosos do Sul do Brasil: um estudo de base populacional. Cad. Saúde Pública, 24(2), 409-415. Hackel, M., Wolfe, G., Bang, S., & Canfield, J. (1992). Chances in hand function in the aging adult as determined by the Jebsen Test of Hand Function. Physical Therapy, 72(5), 373-377. INE, Instituto Nacional de Estatística. (2002). O envelhecimento em Portugal Situação demográfica e sócio-económica recente das pessoas idosas. [Versão electrónica] disponível em www.ine.pt. INE, Instituto Nacional de Estatística. (2009). Estatísticas demográficas de 2008 [Versão electrónica] disponível em www.ine.pt. Maia, J., & Lopes, V. (2002). Estudo do crescimento somático, aptidão física, actividade física e capacidade de coordenação corporal de crianças do 1º ciclo do ensino básico na região Autónoma dos Açores. Porto:

DREFD, DRTC e FCDEF-UP. Matsudo, S. M. (2002). Envelhecimento, atividade física e saúde. Revista Mineira de Educação Física, 10(1), 195-209. Mazo, G. Z., Lopes, M. A., & Benedetti, T. (2009). Atividade física e o idoso (3ª ed.). Porto Alegre: Sulina.

Introdução Geral

Mota, J. (2001). Promoção da actividade física nos idosos: uma perspectiva global. In J. Mota & J. Carvalho (Eds.), Actas do Seminário - A qualidade de vida no idoso: o papel da actividade física (pp. 65-69). Porto: FCDEF - UP. Nunes, M. C. R., Ribeiro, R. C. L., Rosado, L. E. F. P. L., & Franceschini, S. C. (2009). Influência das características sociodemográficas e epidemiológicas na capacidade funcional de idosos residentes em Ubá, Minas Gerais. Revista Brasileira de Fisioterapia, 13(5), 376-382. OMS, Organização Mundial de Saúde. (2002). The world health report. Geneva. Poston, W. S., & Foreyt, J. P. (1999). Obesity is an environmental issue. Atherosclerosis, 146(2), 201-209. Rebelatto, J. R., & Morelli, J. G. S. (2007). Fisioterapia Geriátrica: a prática da assistência ao idoso (2ª ed.). São Paulo: Manole. Rikli, R. E., & Jones, C. J. (2001). Senior fitness test manual. Champaign:

Human Kinetics Publisher. Rosa, B. P. S. (2010). Composição corporal, tecido ósseo e aptidão física e funcional em idosos: estudo comparativo realizado entre género, nível de actividade física e faixa etária. Porto. Dissertação de Mestrado em Ciências do Desporto, na área de especialização de Actividade Física para a 3ª Idade apresentada à Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. Silva, P. A. (2006). Envelhecimento e decréscimo da potência aeróbia máxima. In J. Barreiros, M. Espanha & P. P. Correia (Eds.), Actividade física e envelhecimento. Lisboa: Faculdade de Motricidade Humana, Serviços de Edições.

CAPÍTULO II

CAPÍTULO II Fundamentação Teórica
CAPÍTULO II Fundamentação Teórica

Fundamentação Teórica

CAPÍTULO II Fundamentação Teórica
CAPÍTULO II Fundamentação Teórica

Fundamentação Teórica

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1. Envelhecimento

Delimitação Conceptual O envelhecimento da população é um fenómeno comum às sociedades pós-industrializadas, contudo, a forma como ele é encarado, bem como, a própria condição de idoso varia consideravelmente de sociedade para sociedade. Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) reportam que em Portugal desde o ano de 1993 a população idosa excede a população jovem. Em 2008 os números apontam para uma população de 17,6% de idosos (com idade igual ou superior a 65 anos), contra 15,3% de jovens (com menos de 15 anos de idade), estes dados demonstram que se está perante um aumento demográfico cada vez mais acentuado (INE, 2009). Segundo Barbanti (cit. por Nakagava e Rabelo, 2007, pág.2), o envelhecimento é universal, progressivo e intrínseco. Perdas estruturais e funcionais estão envolvidas nesse processo que relutantemente progride com o passar do tempo. Todavia, o processo normal de envelhecimento não ocorre de forma uniforme em todos os indivíduos (American College of Sports Medicine, 2006; Rauchbach, 2001; Rodrigues, 2007). Diversos factores, tais como a genética, os estilos de vida, a alimentação, exposição a tóxicos, doenças crónicas e a actividade física, vão vir a influenciar nas diferenças inter-individuais do envelhecimento (Farinatti, 2008; Lima, Osella, & Oliveira, 2003; Maia & Lopes, 2002; Mazzeo et al., 1998; Tribess & Virtuoso, 2005). Para Spidurso (cit. por Costa, 2007, p.1) o envelhecimento é descrito como um processo ou um conjunto de processos, inerente a todos os seres vivos e que se expressa pela perda da capacidade de adaptação e pela diminuição da capacidade funcional estando associada a alterações físicas e fisiológicas e por fim à morte.

Fundamentação Teórica

Assim, dito de modo breve, o envelhecimento é um processo complexo que envolve inúmeros factores que interagem entre si e influenciam a forma cada indivíduo envelhece. Estando ainda relacionado com inúmeras modificações com repercussões na funcionalidade, na mobilidade, na autonomia, na saúde e consequentemente na qualidade de vida da população idosa (Carvalho, Pinto, & Mota, 2007; Mazzeo et al., 1998).

Alterações ocorridas com o processo de envelhecimento O processo de envelhecimento biológico é comum a todos os seres vivos. Este está geneticamente programado e é inevitável, tornando-se mais acelerado a partir dos 70 anos (Clemente, 2008). Sendo assim, é fundamental conhecer as alterações advindas do processo normal de envelhecimento, tanto em seus aspectos anatômicos quanto em sua fisiologia. Dada a importância e as repercussões dessas alterações, abordaremos de uma forma resumida algumas delas. Ao nível do sistema nervoso, verifica-se a diminuição da liberação de neurotransmissores. Daí que também se note que o tempo de reacção é mais lento, a velocidade de condução nervosa fica de 10 a 15% mais lenta aos 70 anos (Barreiros, 2006; Fontaine, 2000; Hollman & Struder, 2004; Mazo, Lopes, & Azher, 2006). McArdle (2008) afirma que pelo avanço da idade o indivíduo apresenta um declínio funcional do sistema nervoso (baixa de 37% do número de axónios medulares e de 10% na velocidade de condução nervosa). Em consequencia de todas as alterações advindas com o envelhecimento, o idoso poderá apresentar pequenas perdas de memória, raciocínio mais lento e em sua grande maioria apresentam também problemas no andar, no equilíbrio, tremores nas mãos, insônia, entre outras (Dickstein et al., 2007; Lent, 2001; Tremblay & Ross, 2007). Ao nível do sistema muscular verificamos uma diminuição de 40 a 50% da massa muscular entre os 25 e os 80 anos de idade, ocasionada pela perda de unidades motoras e atrofia das fibras musculares. Este aspecto será, provavelmente, também responsável pela diminuição da sensibilidade proprioceptiva e do controlo motor (Daley & Spinks, 2000; Zumerchik, 1997).

Fundamentação Teórica

Com o transcorrer da idade, ocorre uma perda da elasticidade dos músculos ocasionada pela hipotrofia muscular. Os músculos passam a ser parcialmente preenchido por tecido adiposo e tecido conjuntivo fibroso (colagéneo) o que ocasiona toda sua mudança (Okuma, 2002). A perda gradual da massa muscular e da força, conhecida como sarcopenia, provoca limitações funcionais importantes, incluindo déficit na locomoção e na prática das AVD´s (Carvalho & Soares, 2004; Matsudo, Matsudo, & Barros Neto,

2000).

No que respeita ao sistema osteoarticular, encontramos no idoso modificações em toda a sua coluna vertebral, sendo estas causadoras na redução da estatura. A absorção de cálcio pelo osso encontra-se diminuída e daí a perda da massa óssea (30% nas mulheres aos 50 anos e nos homens cerca de 17%), o que pode levar ao aparecimento da osteoporose, principal responsável pela grande incidência de fracturas na população idosa. A nível articular há um desgaste progressivo da cartilagem tornando-se menos resistente e estável, diminuindo com isso a capacidade de amortecer os impactos entre os ossos. Estas modificações, no seu conjunto, proporcionam uma diminuição da amplitude do movimento e o aumento da dor artrítica (Freitas, PY, Cançado, & Gorzoni, 2006; Leite, 1996; Queiróz, 1998; Zumerchik, 1997). Relativamente ao sistema cardiocirculatório, tal como acontece com os músculos esqueléticos, as fibras miocárdicas também atrofiam. Dá-se uma redução na ejecção do volume sanguíneo e o aumento da resistência periférica (verifica-se uma diminuição do número de fibras cardíacas). As artérias do corpo tornam-se menos elásticas e o diâmetro diminui aumentando com isso a resistência à passagem de sangue (Krause et al., 2007; Clemente, 2008; Savioli Neto, 1999; Zumerchik, 1997). Ao nível do sistema respiratório, a capacidade ventilatória máxima decresce após os 25 anos (5 a 15% por década) promovida por alterações na mecânica ventilatória, resultantes da redução da força dos músculos, ocasionando um impacto negativo na autonomia e na longevidade dos

Fundamentação Teórica

indivíduos, sendo associado principalmente à incapacidade funcional e à mortalidade (Savioli Neto, 1999; Silva, 2006; Zumerchik, 1997). Verificam-se ainda alterações aos restantes sistemas, tal como o sistema tegumentar, onde verificamos uma redução na elasticidade da pele bem como uma circulação ineficiente, ocasionando o aparecimento de manchas e rugas. A pele torna-se mais fina e, como tal, mais sensível ao frio, calor e outros factores. Com relação ao sistema endócrino, ocorre uma redução da capacidade de recuperação de feridas, da capacidade de respostas ao estresse do calor e do frio, bem como uma redução da capacidade de manter a concentração normal de glicose no sangue (Gonçalves, 2005). Ao nível do sistema sensorial, ocorrem alterações degenerativas na estrutura do olho, levando a uma diminuição visual, aumento da sensibilidade a luz e perda da capacidade de adaptação nocturna. Ocorre uma diminuição da audição com uma perda da discriminação dos sons mais baixos, tornando-se comuns os estados vertiginosos e zumbidos. Considerando, por fim, o sistema imunitário, de acordo com Mazo, Lopes e Azher (2006), o mesmo tem como objectivo detectar e eliminar microogranismos e outros corpos estranhos do organismo. Ocorrem mudanças fisiológicas e metabólicas que predispõem o idoso a infecções, a doenças e desordens auto-imunes (Daley & Spinks, 2000; Freitas, PY, Cançado, & Gorzoni, 2006; Zumerchik, 1997). Todas estas alterações interferem nas tarefas do dia-a-dia (Carvalho, 2006) ocasionando um declínio progressivo das capacidades fisiológicas e funcionais da população idosa (American College of Sports Medicine, 1998; Barros Neto, 2007; Carvalho & Mota, 2002; Okuma, 2002; Rikli & Jones, 1999).

2.2. Coordenação Motora Na literatura especializada verificamos que é difícil definir o conceito de coordenação motora, gerando diversas controvésias sobre sua definição. Maia e Lopes (citados por Freitas, 2008, p.109) afirmam que “termos como agilidade, destreza, controlo motor, são usados frequentemente como sinónimos. Segundo os mesmos autores, a coordenação motora deve ser analisada no contexto das acções motoras e não nos movimentos, referindo que os

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movimentos podem ser caracterizados como sendo operações parciais que fazem sentido apenas no âmbito da acção motora. Por coordenação, entende-se como sendo a capacidade do indivíduo de organizar e ordenar os movimentos em função de um objectivo, utilizando para este fim uma sequência apropriada bem como a activação de pequenos e grandes grupos musculares com uma adequada quantidade de energia (Martinho, 2003; Spidurso, Francis, & MacRae, 2005; Texeira, 2006). O indivíduo é considerado coordenado ou tem bastante coordenação, quando possui a capacidade de integrar a visão, as mãos e os pés, para realizar determinadas acções motoras (Spirduso, cit. in Pinto, 2003, p.32). Sendo que quanto mais complexas forem essas tarefas motoras, maior o nível de coordenação necessária para um desempenho eficiente (Gallahue & Ozmun, 2001; Texeira, 2006). O desenvolvimento da coordenação motora depende da união de diversos factores, não só dos processos de maturação biológica, como também da quantidade e qualidade das diversas experiências motoras realizadas pelo indíviduo (Schimidt & Wrisberg, 2008). De seguida, iremos abordar de forma breve as capacidades coordenativas consideradas no nosso estudo, nomeadamente a destreza manual e a destreza pedal.

Destreza Manual A destreza manual (DM) é definida como sendo uma capacidade complexa das mãos para realizar diversas tarefas, assim manipular objectos, permitindo executar facilmente as AVD´s (Turgeon, MacDermid, & Roth, 1999). Desrosiers, Rochette, Hébert e Bravo (1997) dividem a DM em: destreza fina e destreza global. A destreza fina é definida como à habilidade de manipular pequenos objectos utilizando as porções distais dos dedos, envolvendo movimentos rápidos e coordenados. Na destreza global ou destreza motora grossa os objectos manuseados são habitualmente maiores e por isso a sua manipulação demanda movimentos mais globais (mãos e dedos) em detrimento de movimentos interdigitais.

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A actividade dos membros superiores assume um importante papel nas tarefas motoras (Duarte, 1995), ou seja, a mão é um dos elementos essenciais para a independência funcional dos indivíduos e para a realização com sucessp das AVD´s. Com o envelhecimento ocorre uma diminuição gradual do sistema músculo-esquelético, ocasionando diversas alterações na mão. Factores intrínsecos (genéticos, metabólicos, endócrinos, alterações patológicas e doenças) e extrínsecos (factores ambientais, nutrição, actividades físicas e lesões traumáticas) poderão estar envolvidos no declínio progressivo da função manual (Carmeli, Patish, & Coleman, 2003). Importa-se referir que a destreza é uma junção de experiências de vida no campo dos movimentos e das acções, sendo esta melhorável através da prática (Schimidt & Wrisberg, 2000). Por esta razão, aumenta frequentemente com a idade e é preservada até idades mais avançadas (Latash & Turvey, 1996). Mas, estando à DM estreitamente relacionada com o funcionamento do córtex cerebral (sistema nervoso central), acredita-se que, se este sofre alterações com o processo normal de envelhecimento, concluímos que a DM poderá diminuir com a idade (Heuvelen, Steves, & Kempen, 2002; Desrosiers, Rochette, Hébert, & Bravo, 1997). Diversos estudos corroboram que a idade e o sexo vão influenciar na DM (e.g. Carmeli, Patish, & Coleman, 2003; Demura, Minami, Nagasawa, Matsuzawa, & Sato, 2003; Desrosiers, Rochette, Hébert, & Bravo, 1997; Haward, & Grifin, 2002; Heuvelen, Steves, & Kempen, 2002; Pennathur, Contreas, Arcaute, & Dowling 2003; Pinto, 2003; Ranganathan, Siemionow, Sahgal, Lui, & Yue, 2001).

Destreza Pedal Os músculos dos membros inferiores quando comparado aos membros superiores são os mais afectados em termos de perda de força e de massa muscular promovidas pelo processo normal de envelhecimento (American College of Sports Medicine, 2003; Carmeli, Reznick, Coleman, & Carmeli, 2000; Hunter, McCarthy, & Bamman, 2004). A estrutura muscular dos membros

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inferiores apresenta uma forte relação com a mobilidade e a funcionalidade do idoso (Carmeli, Reznick, Coleman, & Carmeli, 2000). A destreza pedal (DP) é importante para enfrentar situações inesperadas. Como um exemplo para estas situações esta o deslocamento do idoso numa rua movimentada, o mesmo vai necessitar de um bom equilíbrio, uma adequada coordenação entre os membros inferiores e certa velocidade para evitar eventuais desequilíbrios. Deste modo, é importante que o idoso seja capaz de reagir rápida e eficientemente quando deparado com estas situações sendo isto fundamental para evitar quedas e imobilizações (Kauranen, 1999). O autor supracitado realizou um estudo com 200 sujeitos de ambos os sexos entre os 21 e os 70 anos, em que um dos objectivos era avaliar a destreza manual e pedal, concluiu-se que os valores da coordenação motora entram em declínio a partir dos 50 anos, verificando também a existência de diferenças estatisticamente significativas entre os dois sexos.

2.3. Assimetria Motora Funcional As assimetrias laterais decorrem de um melhor desempenho dos membros preferidos em relação aos membros não preferidos para a execução das mais diversas tarefas motoras (Texeira, Chaves, Silva, & Carvalho, 1998). Vasconcelos (2004) afirma que a lateralidade manual é demonstrada pelo uso preferencial de uma das mãos, assim como na relação entre os desempenhos da mão direita e da mão esquerda, em diferentes tarefas motoras. Sendo esta caracteristicamente assimétrica, com uma forte incidência para o uso da mão direita. Ainda afirmar que, para uma melhor definição da assimetria lateral deveremos unir a preferência e a performance dos membros superiores e inferiores. Diferentes estudos sugerem que a componente genética já não é mais considerada como um factor determinante para o desenvolvimento da lateralidade (Texeira & Paroli, 2000). Por outro lado, encontramos também que alguns autores, tais como Porac, Peters e Ivanoff (cit. por Carneiro, 2009, p.46) “referem que tanto a preferência manual como a assimetria de desempenho motor são modificáveis por experiências motoras sistemáticas. Assim,

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observamos que existem fortes evidências de que o ambiente influencia nas assimetrias laterais (Provins, 1997). O termo assimetria lateral decorre do uso diferencial ou preferencial de um membro em situações em que apenas um deles pode ser usado. Assim, a preferência manual ou a preferência pedal surgem da tendência que temos para utilizar mais uma mão ou um pé relativamente ao membro contralateral (Provins, 1997; Vasconcelos, 2004). Portanto, a mão utilizada frequentemente para realização de tarefas que requeiram coordenação motora fina é designada com sendo a mão preferida. Quanto à mão não preferida esta será responsável, essencialmente, por realizar acções de suporte e será aquela que segura, agarra e sustenta, tornando-se preferida neste tipo de tarefas (Vasconcelos, 2007). Segundo Sun e Walsh (cit. por Azevedo, 2008, p.38) “aproximadamente cerca de 90% da população humana utiliza mais a mão direita para realizar as diversas tarefas do dia-a-dia do que a mão esquerda e é naturalmente mais hábil com a primeira do que com a segunda. Para a realização de determinadas actividades a preferência por utilizar mais uma mão em relação à outra nem sempre é sinónimo de uma maior proficiência por parte dessa mão (Vasconcelos, 2004). Rodrigues (2010) afirma que existem tarefas onde, em termos de desempenho, a mão não preferida iguala ou até supera a mão preferida. Assim, parece existir uma variabilidade na relação de desempenho entre as mãos quando são executados diferentes tipos de movimentos, ou seja, especificidade da tarefa parece ditar o grau de assimetria funcional. Para além disso, as assimetrias manuais podem ser alteradas por inúmeros factores, como por exemplo, a fadiga, a direcção do movimento, as caracterísiticas temporais, entre outros (Hicks & Kinsbourne, cit. por Rodrigues, 2010, p.24). O desempenho dos membros inferiores possui dois papéis distintos, mas ainda sim complementares, enquanto o pé preferido é sempre o utilizado para o desenvolvimento da acção motora, o pé não preferido será o responsável por fornecer a coordenação e o suporte necessário para uma melhor estabilização do corpo (Hart & Gabbard, 1996; Olex-Zarychta & Raczek, 2008; Zverev &

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Mipando, 2007). Assim, os membros inferiores são usados predominantemente para manter a postura bípede e para originar a locomoção (Kapreli et al., 2006). Mais de 80% da população possui uma forte incidência para uma maior preferência pedal direita em relação à preferência pedal esquerda (Carey et al., 2008; Olex-Zarychta & Raczek, 2008). Francis e Spirduso (2000) afirmam que ocorre uma diminuição da assimetria manual com o avançar da idade e que esta vai depender dos tipos de tarefas executadas, não chegando à conclusão se o grau de declínio é simétrico em ambas as mãos. Ainda estes autores ponderam que um melhor conhecimento sobre a performance da mão do idoso irá permitir um diagnóstico bem como um tratamento mais preciso dos indivíduos que apresentam alterações no funcionamento deste órgão efector

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CAPÍTULO III

CAPÍTULO III Estudo Empírico Destreza e Assimetria Motora Funcional: Estudo em Idosos de Diferentes Contextos. Dexterity
CAPÍTULO III Estudo Empírico Destreza e Assimetria Motora Funcional: Estudo em Idosos de Diferentes Contextos. Dexterity

Estudo Empírico

Destreza e Assimetria Motora Funcional:

Estudo em Idosos de Diferentes Contextos.

Dexterity and Functional Motor Asymmetry:

Study in elderly people from different contexts.

Idosos de Diferentes Contextos. Dexterity and Functional Motor Asymmetry: Study in elderly people from different contexts.
Idosos de Diferentes Contextos. Dexterity and Functional Motor Asymmetry: Study in elderly people from different contexts.

Resumo

RESUMO

Este estudo pretendeu contribuir para a investigação acerca da destreza (manual e pedal) e assimetria motora funcional em idosos de diferentes contextos, pertencentes a diferentes grupos etários de ambos os sexos. A amostra foi constituída por 82 idosos (47 do sexo feminino e 35 do sexo masculino) com idades compreendidas entre os 64-94 anos, provenientes de Centro de Dias e Lares do grande Porto. Os instrumentos para avaliar a preferência manual e pedal foram o Dutch Handedness Questionnaire e o Lateral Preference Questionnaire e para a destreza manual (DM) e destreza pedal (DP) foram utilizados os testes: Purdue Pegboard, Minnesota Manual Dexterity Test, Tapping Manual Test e Tapping Pedal Test. Para o tratamento e análise da informação recorreu-se à estatística descritiva e inferencial. Os resultados do nosso estudo revelaram, para a DM: (i) uma diminuição em relação à idade, ou seja, o escalão etário dos idosos mais velhos apresentou uma performance manual inferior em relação aos escalões de idosos mais novos; (ii) um desempenho mais elevado do sexo feminino em relação ao sexo masculino tanto para a mão preferida (Mp) como para a mão não preferida (Mnp); (iii) uma performance mais elevada da Mp em relação à Mnp em todos os testes realizados para a DM; (iv) que o Índice de Assimetria Manual (IAM) varia em função dos testes executados e que o escalão etário mais velho revelou uma variação da assimetria entre os testes. Para a DP, os nossos resultados revelaram um melhor desempenho para o pé preferido comparativamente ao pé não preferido comprovando que o pé por si só influencia no resultado do teste. No geral concluímos que a DM e a DP são influenciadas pelos factores idade, sexo, mão ou pé de execução e que o IAM varia de acordo com os testes aplicados.

Palavras-Chave: IDOSOS; DESTREZA (MANUAL E PEDAL); ASSIMETRIA MOTORA FUNCIONAL; IDADE; SEXO.

Abstract

ABSTRACT

This study sought to contribute to the research on dexterity (manual and pedal) and functional motor asymmetry in the elderly from different contexts, from different age groups of both sexes. The sample included 82 elderly of both sexes, aged between 64 and 94 years old, from Days Centers and Residential Homes of the great Porto. The instruments to asses the manual and pedal preference were the Dutch Handedness Questionnaire and the Lateral Preference Questionnaire and to asses the manual dexterity (MD) and pedal dexterity (PD) the following tests were used: Purdue Pegboard, Minnesota Manual Dexterity Test, Tapping Manual Test e Tapping Pedal Test. For the treatment and analysis of the information descriptive and inferential statistics were used The results of our study revealed for MD were: (i) a reduction in relation to the age, in the other words, the older age group of elderly had a lower manual performance in relation to the younger ranks; (ii) the females presented a better performance compared to the males for the preferred hand (Ph) and the non-preferred hand (Nph); (iii) better performance in relation to Ph and Nph in all tests for the MD; (iv) the manual asymmetry index (MAI) varies depending on the tests run and the older age group showed a variation of the asymmetry between the tests. For DP, our results showed a better performance for the preferred foot compared to the effect of the non-preferred foot proving that the foot itself influences the test result. As a general conclusions, the MD and PD are influenced by the factors age, gender, hand and foot execution and the MI varies according to the tests.

Key-Words: ELDERLY PEOPLE, DEXTERITY (MANUAL AND PEDAL); FUNCTIONAL MOTOR ASYMMETRY; AGE; GENDER.

Destreza e Assimetria Motora Funcional:

Estudo em Idosos de Diferentes Contextos.

INTRODUÇÃO

O ser humano expressa o seu comportamento através dos movimentos, começando desde o nascimento até a maturidade plena devendo contribuir para o desenvolvimento das faculdades humanas, para o aumento da longevidade e para a manutenção da qualidade de vida, assim, o mesmo é uma necessidade vital do ser humano (Spidurso, Francis, & MacRae, 2005). Para Haywood e Getchell (2004), o desenvolvimento motor é um processo que ocorre de forma sequencial e contínuo, onde existe uma progressão dos movimentos do indivíduo passando de movimentos simples e sem habilidades, para movimentos complexos e organizados que o acompanham até a velhice. Com o decorrer do processo de envelhecimento os sistemas relacionados com à execução das habilidades motoras sofrem diversas alterações em termos funcionais (Shephard, 2003; Spidurso, Francis, & MacRae, 2005). Assim, o desempenho motor dos idosos tende a diminuir progressivamente, tornando os movimentos mais lentos, difíceis e contidos (Kretchmar, 2000; Santos, Dantas, & Oliveira, 2004). As capacidades motoras são qualidades fundamentais para um bom desempenho das habilidades e para a execução das actividades da vida diária (AVD´s), como por exemplo, deslocar-se de um local a outro, alcançar e apreender objectos, escrever e alimentar-se, ou seja, as habilidades repercutem na realização de diversas tarefas, podendo vir a influenciar na qualidade de vida do indivíduo (Matsudo, 2002; Ostwald, Snowdon, Rysavy, Keenan, & Kane, 1989; Santos, 2005; Williams & Hornberger, 1984). Sendo assim, as tarefas mais comuns que são praticadas diariamente envolvem a coordenação, nomeadamente a destreza manual e a destreza pedal (Katzer & Corazza, 2007; Magill, 2000; Spidurso, Francis, & MacRae, 2005). Muitas pesquisas foram conduzidas com o intuito de avaliar a detreza manual (Bryden, Pryde, & Roy, 2000; Francis & Spidurso, 2000) chegando a conclusão que esta capacidade sofre uma diminuição progressiva com o avançar da idade (Gallahue & Ozmun, 2001; Kalisch, Wilimzing, Kleibel, Tegenthoff, & Dinse, 2006; Poston, Van Gemmert, Barduson, & Stelmach,

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2009; Puh, 2010). Contudo, verificamos uma escassez de estudos no que respeita a avaliação da destreza pedal (Carvalho & Mota, 2002; Kauranen, 1999; Okuma, Texeira, Marchetti, & Rinaldi, 1994). Neste sentido, a avaliação da coordenação motora assume um papel preponderante na tentativa de elucidar possíveis alterações do envelhecimento na destreza motora manual e pedal, sendo também igualmente importante o conhecimento sobre o comportamento motor pois estes exercem uma vasta influencia na autonomia, na funcionalidade e na qualidade de vida da população idosa (Mota, 2008). Sendo assim, pretendemos com este estudo contribuir com a investigação à cerca da destreza manual e pedal, bem como da assimetria motora funcional, em idosos de ambos os sexos e de diferentes contextos.

METODOLOGIA

Amostra

Participaram neste estudo 82 idosos (n=82), de ambos os sexos (47 do sexo feminino e 35 do sexo masculino), provenientes de Centros de Dia e Lares do grande Porto. Esta amostra foi dividida e avaliada em dois diferente contextos (Centros de Dia e Lares) sendo ainda subdividida em três escalões etários: dos 64 aos 74 anos, dos 75 aos 84 e dos 85 aos 94 anos (Spidurso, Francis, & MacRae, 2005). Na faixa etária dos 64-74 anos foram incluídas para a amostra total 16 mulheres e 13 homens, dos 75-84 anos 21 mulheres e 16 homens e dos 85-94 anos 10 mulheres e 6 homens.

Relatamos que para um melhor controle da nossa amostra recorremos à aplicação de tarefas motoras manuais e pedais baseadas no Dutch Handedness Questionnaire de Van Strien (2002) e no Lateral Preference Questionnaire de Porac e Coren (1981). Deste modo, a amostra total (Centros de Dia e Lares) ficou controlada relativamente à sua preferência lateral, como podemos observar na Tabela 1.

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Tabela 1 - Amostra total (Centros de Dia e Lar). Resultados da direcção da preferência manual

e pedal, relativamente ao Dutch Handedness Questionnaire e ao Lateral Preference

Questionnaire.

Preferência Lateral

 

Masculino

 

Feminino

 

Total

 

n

(%)

n

(%)

n

(%)

Sinistrómanos

 

0

(0)

 

0

(0)

 

0

 

(0)

Destrímanos

35

(100)

47

(100)

 

82

 

(100)

Total

35

(100)

47

(100)

 

82

 

(100)

Preferência Pedal

 

Masculino

 

Feminino

 

Total

 

n

(%)

n

(%)

 

n

(%)

Preferência Pedal Esquerda

 

0

(0)

 

0

(0)

 

0

 

(0)

Preferência Pedal Direita

35

(100)

47

(100)

82

   

(100)

Total

35

(100)

47

(100)

82

   

(100)

Para à preferência manual a totalidade da amostra (100%) apresentou- se como destrímana fortemente lateralizada, ou seja, com preferência manual direita. Relativamente à preferência pedal, podemos também verificar que 100% da nossa amostra demonstrou preferência para o membro direito. Assim, consideramos a mão direita e o pé direito como sendo os membros preferidos e a mão esquerda e o pé esquerdo como os membros não preferidos.

No que respeita à amostra, foram estabelecidos os seguintes critérios de exclusão: apresentação de perturbações mentais e cognitivas clinicamente diagnosticadas e apresentação de alterações motoras impeditivas para a realização dos testes aplicados. Todos os procedimentos científicos do presente estudo seguiram as Normas do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, nomeadamente, a Declaração de Helsínquia modificada em Edimburgo (Archer & Osswald, 2000), (Anexo 1).

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Instrumentos e Procedimentos

Avaliação da Direcção da Preferêcia Manual e Pedal

Dutch Handedness Questionnaire (Anexo 2) Com o intuito de avaliar a preferência manual aplicamos o questionário Dutch Handedness Questionnaire (Van Strien, 2002), que também já foi utilizado noutros estudos com idosos (e.g. Carneiro, 2005; Coelho, 2006; Carneiro, 2009). Este questionário é composto por 16 itens relativos a actividades simples, unimanuais e da vida diária, para cada item os indivíduos podem indicar se utilizam a mão direita, esquerda ou ambas. De referir que das 16 perguntas que constituem o questionário, eliminamos a pergunta número 6 (Qual das mãos usa para segurar um saca-rolhas?) porque consideramos que esta não era perceptível para os avaliados. Cada item tem um código que varia de 0 a 2, sendo atribuído à utilização da mão esquerda a pontuação 0, à direita o valor de 2, e a ambas as mãos a pontuação 1. Assim, o valor total reporta-se à soma de todos os itens, podendo variar de 0 (sinistrómano fortemente lateralizado) a 30 (destrímano fortemente lateralizado).

Lateral Preference Questionnaire (Anexo 3) Para avaliarmos a preferência pedal utilizamos o questionário de preferência pedal, Lateral Preference Questionnaire adotado pelos autores Porac e Coren (1981). A partir das cinco questões sobre o uso preferencial de um dos pés em diferentes situações, foi solicitado aos idosos que efectuassem as cinco tarefas motoras relativas às cinco questões referidas. A razão deste procedimento fundamenta-se na iliteracia de alguns idosos. Relativamente à classificação da preferência pedal, após o registo do pé com que os indivíduos realizaram as actividades, procedeu-se ao cálculo de um quociente denominado Quociente de Lateralidade (Qlat), através da seguinte fórmula:

Qlat = (n.º tarefas com o pé direito n.º de tarefas com o pé esquerdo)

x 100

N.º total de tarefas

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O valor do quociente resulta numa escala contínua que varia desde -100 (consistente na preferência à esquerda) a +100 (consistente na preferência à direita).

Avaliação da Destreza Manual (DM) Para os testes de DM a amostra foi contrabalançada em relação à mão

de início, sendo dividida em dois grupos. O primeiro grupo iniciou os testes com

a mão preferida (Mp), enquanto que o segundo grupo iniciou com a mão não preferida (Mnp), seguindo-se o desempenho com a mão contralateral.

Purdue Pegboard Test (PP) (Anexo 4) Este teste avalia a destreza digital e a habilidade para integrar a velocidade e precisão em movimentos finos e controlados dos dedos. É constituído por um tabuleiro com quatro concavidades para pinos, anéis e anilhas que se situam na parte superior, e duas colunas na vertical com 25 pequenos orifícios cada uma junto ao centro do tabuleiro. No nosso estudo

abordamos dois dos quatro testes possíveis com este equipamento o teste com

a mão direita e o teste com a mão esquerda. Na execução deste teste o

participante estava sentado confortavelmente à frente da mesa (com aproximadamente 30 cm de altura) onde se encontrava o Purdue Pegboard Test (Lafayette Instruments n.º 32020). No início do procedimento, para uma familiarização com o teste, cada participante realizou algumas colocações de pinos nos orifícios do Purdue Pegboard. Para o teste com a mão direita, o participante pegou da concavidade direita um pino de cada vez e colocou o mesmo na fila direita, começando sempre pelo orifício superior, este mesmo procedimento foi realizado para a mão esquerda. Todos os participantes tiveram três oportunidades de execução do teste. Entre as tentativas principais foi dado um intervalo de descanso de 30 segundos e entre os testes um intervalo de 60 segundos. Para o teste com a mão direita e com a mão esquerda, foram registados os resultados das três tentativas tendo sido seleccionado o valor mais elevado entre as mesmas. Os participantes foram instruídos para colocarem os pinos o mais rapidamente possível. Caso o

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participante deixasse cair um pino sem o ter inserido no orifício o teste continuaria até atingir o tempo adotado para a finalização. O mesmo procedimento foi realizado para o teste com a mão esquerda.

Minnesota Manual Dexterity Test (MMDT) (Anexo 5) O Minnesota Manual Dexterity Test (Lafayette Instruments n.º 32023) avalia a destreza manual, a capacidade de integrar a precisão e a velocidade dos movimentos bem coordenados do braço, mão e dedos. O MMDT é constituído por um tabuleiro com orifícios (matriz) e por um conjunto de 60 discos (pretos/vermelhos) que se encaixam perfeitamente. Com este instrumento é possível realizar dois testes: o Teste de Colocação (TC), que avalia a destreza da mão preferida e da mão não preferida separadamente e o Teste de Volta (TV), que avalia a destreza de ambas as mãos em interacção. Optámos por somente realizar o TC visto que o objectivo do nosso estudo foi avaliar a destreza das mãos separadamente. O teste avalia a velocidade com que se consegue colocar com apenas uma das mãos os discos nos orifícios de maneira padronizada. Para tal os discos foram dispostos sobre uma mesa, à frente do participante, em quatro fileiras correspondentes aos orifícios do tabuleiro colocados atrás dos discos. Após uma tentativa de experiência, o participante foi orientado e estimulado a colocar o mais rápido que possível os discos nos orifícios, da coluna da direita para a esquerda (caso iniciasse a tarefa com a mão direita) ou da coluna da esquerda para a direita (caso iniciasse a tarefa com a mão esquerda). Sempre que uma coluna estava completa, repetia-se a sequência anterior até o preenchimento de todo o tabuleiro. Após a colocação do último disco no orifício registou-se o tempo para execução do teste. Optámos pela realização de apenas uma tentativa, de acordo com o procedimento validado por Desrosiers, Rochette, Hébert e Bravo (1997) visto que quatro tentativas não seriam realistas para a população idosa, pois requeriam muito tempo e energia.

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Tapping Manual Test (TM) (Anexo 6) O teste Tapping Manual (Lafayette Instruments n.º 32012) é constituído por duas placas metálicas assentes numa base de fibra sintética e por um estilete metálico. Tem como objectivo avaliar a coordenação visuomanual e a velocidade de movimento do membro superior. Cada participante foi instruído para segurar o estilete com a mão de início do teste, utilizando o mesmo para tocar alternadamente nas duas placas metálicas o mais rápido possível durante um período de 10 segundos. Todos os participantes tiveram uma tentativa de familiarização e duas oportunidades de execução do teste com um intervalo de descanso de 60 segundos. Foram registados os resultados das duas tentativas tendo sido seleccionado aquele que apresentava o melhor desempenho.

Avaliação da Destreza Pedal (DP) Para os testes de DP a amostra foi contrabalançada em relação ao pé de início, sendo dividida em dois grupos. O primeiro grupo iniciou os testes com o pé preferido (Pp), enquanto o segundo grupo iniciou com o pé não preferido (Pnp), seguindo-se o desempenho com o pé contralateral.

Tapping Pedal Test (TP) (Anexo 7) Para avaliação da velocidade e coordenação dos membros inferiores foi seleccionado o Tapping Pedal Test (Sapateado), descrito na bateria de testes da FACDEX (1990). Para aplicação do mesmo foi utilizado uma cadeira, uma régua de madeira (1m de comprimento, 1cm de largura e 2mm de altura), dois autocolantes sinalizadores (10cm de largura e comprimento) e um cronómetro. O participante sentou-se numa cadeira, com os membros inferiores em ângulo recto e ligeiramente afastados, para que cada calcanhar ficasse próximo de cada uma das pernas anteriores da cadeira. A régua foi posicionada a meia distância entre os dois pés no sentido longitudinal, sendo fixada ao chão com fita adesiva. O avaliador colocou o cronómetro nos 10 segundos e em contagem decrescente. Ao comando do avaliador, o participante, com o Pp, executou, o mais rapidamente possível, um sapateado, batendo alternadamente com o pé no solo sobre as sinalizações afixadas sobre um dos

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lados da régua. Todos os participantes tiveram uma tentativa de familiarização e duas oportunidades de execução do teste com um intervalo de descanso de 120 segundos. O registo dos resultados diz respeito ao maior número de batimentos efectuados para cada pé em cada uma das duas tentativas.

Índice de Assimetria Manual (IAM)

Foi utilizado o índice de assimetria manual para verificarmos as diferenças entre as mãos, para os testes PP, MMDT (TC) e TM. No cálculo do IAM foi utilizada a seguinte fórmula:

IAM = (Mp Mnp)

(Mp + Mnp)

x 100

Para cada um dos testes Mp representa o resultado da média entre os sujeitos com a mão direita e Mnp representa o resultado da média entre os sujeitos com a mão esquerda. Desta forma, valores próximos de zero indicam uma menor assimetria entre os membros, os valores positivos indicam um desempenho mais elevado com a Mp e os valores negativos indicam um desempenho mais elevado com a Mnp (Coelho, 2006; Lage, Gallo, Miranda, Vieira, & Schickler, 2008).

Análise Estatística

Para o tratamento estatístico dos resultados do nosso estudo recorremos ao programa estatístico Statistical Package for the Social Sciences (SPSS Statistics 18). Foi efectuada a análise exploratória dos dados de forma a avaliar a normalidade da distribuição correspondente a cada uma das variáveis em estudo e a eventual presença de outliers, utilizando o teste Kolmogorov- Smirnov (K-S). Na estatística descritiva para todas as variáveis foram

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calculados a média e o desvio padrão. Na estatística inferencial verificou-se o comportamento das variáveis dependentes (destreza manual e pedal) em relação às variáveis independentes (idade, sexo, mão ou pé de execução), utilizando uma ANOVA multifactorial 3x2x2 (idade, sexo, mão ou pé de execução), com medidas repetidas do último factor. Para análise do IAM também foi realizado uma ANOVA multifactorial 3x2 (idade, sexo). O teste post hoc utilizado para as análises das ANOVAS foi o de Bonferroni. O nível de significância foi fixado em p ≤ 0,05. Nas tabelas 2 e 3 apresentam-se, para o Centro de Dia e para o Lar, a estatística descritiva (média e o desvio padrão) para cada teste relativamente a cada mão e a cada pé, assim como também o IAM (Tabela 4), considerando os três escalões etários e o sexo.

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Tabela 2 - Centro de Dia. Média e desvio padrão dos Testes de DM e do teste de DP em função da idade, do sexo, da mão

e do pé preferido.

Testes

Mão preferida/Pé preferido

Mão não preferida/Pé não preferido

   

64-74

75-84

85-94

TOTAL¹

64-74

75-84

85-94

TOTAL¹

 

10.80±2.70

9.50±2.07

6.00±0.00

10.00±2.58

9.60±2.11

8.75±1.83

5.00±0.00

9.00±2.60

PP

11.00±1.92

11.14±1.67

9.00±0.00

10.87±1.82

10.13±2.13

10.29±1.11

9.50±2.12

10.13±1.82

TOTAL²

10.92±2.21

10.27±2.01

8.00±1.73

10.49±2.20

9.92±2.10

9.47±1.68

8.00±3.00

9.63±2.03

   

81.23±8,61

90.97±10.74

113.00±0.00

87.32±12.13

90.09±13.62

101.10±13.51

120,00±0.00

96.64±15.05

MMDT

 

83.66±12.49

85.18±9.06

102.00±3.53

85.76±11.98

86.78±8.61

91.86±8.88

109,00±20.32

90.31±11.25

TOTAL²

82.71±10.98

88.27±10.09

106.00±6.55

88.07±11.92

90.00±0.00

88.07±12.16

113,00±15.57

93.09±13.27

 

24.00±1.73

22.38±3.81

26.00±3.39

23.81±3.60

21.00±2.64

19.75±3.88

22.00±3.39

20.69±3.47

TM

22.00±0.00

22.93±3.05

21.50±4.37

22.39±3.47

19.00±0.00

19.86±2.74

20.75±3.45

20.13±2.91

TOTAL²

23.50±1.73

22.73±3.26

23.00±4.49

22.97±3.55

20.50±2.38

19.82±3.11

21.23±3.34

20.36±3.12

 

21.11±3.14

21.16±3.12

15.00±0.00

20.75±3.29

20.77±3.63

20.50±3.14

15.00±0.00

20.31±3.51

TP

20.15±2.23

18.42±3.59

17.00±0.00

20.00±2.78

19.23±2.24

17.85±3.45

18.00±0.00

19.85±2.61

TOTAL²

20.54±2.61

19.69±3.54

16.33±1.15

19.92±3.05

19.86±2.91

19.00±3.48

17.00±1.73

19.34±3.09

¹Amostra total combinada, grupos de idade, para cada sexo ²Amostra total combinada, masculino e feminino, para cada grupo de idade

Destreza e Assimetria Motora Funcional:

Estudo em Idosos de Diferentes Contextos.

Tabela 3 - Lar. Média e desvio padrão dos Testes de DM e do teste de DP em função da idade, do sexo, da mão e do pé

preferido.

Testes

Mão preferida/Pé preferido

Mão não preferida/Pé não preferido

   

64-74

75-84

85-94

TOTAL¹

64-74

75-84

85-94

TOTAL¹

 

7.67±1.15

9.25±1.48

8.60±2.70

8.75±1.88

9.33±0.57

8.00±1.60

8.40±2.40

8.38±1.76

PP

9.00±0.00

10.14±2.07

10.14±2.07

9.43±2.15

9.00±0.00

8.93±1.81

8.50±2.26

8.78±1.90

TOTAL²

8.00±1.15

9.82±1.89

9.82±1.89

9.15±2.04

9.25±0.50

8.59±1.76

8.46±2.22

8.62±1.83

   

81.23±8,61

90.97±10.74

113.00±0.00

87.32±12.13

90.09±13.62

101.10±13.51

120,00±0.00

96.64±15.05

MMDT

 

83.66±12.49

85.18±9.06

102.00±3.53

85.76±11.98

86.78±8.61

91.86±8.88

109,00±20.32

90.31±11.25

TOTAL²

82.71±10.98

88.27±10.09

106.00±6.55

88.07±11.92

120.00±0.00

88.07±12.16

113,00±15.57

93.09±13.27

 

24.30±3.43

22.63±3.11

22.00±0.00

23.47±3.23

21.80±3.67

21.00±2.87

22.00±0.00

21.47±3.18

TM

24.27±3.67

22.57±2.76

21.00±1.41

23.50±3.38

22.13±3.75

21.71±3.20

20.50±0.70

21.87±3.39

TOTAL²

24.28±3.50

22.60±2.84

21.33±1.15

21.33±3.28

22.00±3.65

21.33±2.94

21.00±1.00

21.70±3.27

 

21.00±2.82

19.00±3.85

21.00±3.64

19.80±3.64

19.50±4.94

18.12±3.22

19.00±2.73

18.60±3.06

TP

21.00±0.00

18.66±2.18

20.71±2.37

19.50±2.37

17.00±0.00

17.91±1.78

19.28±3.09

18.35±2.32

TOTAL²

20.33±2.08

18.80±2.87

20.83±2.94

19.62±2.94

18.00±3.78

18.00±2.38

19.16±2.82

18.45±2.62

¹Amostra total combinada, grupos de idade, para cada sexo ²Amostra total combinada, masculino e feminino, para cada grupo de idade

Destreza e Assimetria Motora Funcional:

Estudo em Idosos de Diferentes Contextos.

Tabela 4 - Centro de Dia e Lar. Média e desvio padrão dos IAM para osTestes de DM.

IAM

Centro de Dia

 

Lar

   

64-74

75-84

85-94

TOTAL¹

64-74

75-84

85-94

TOTAL¹

 

9.82±7.30

4.07±5.86

9.09±0.00

7.23±6.90

10.04±9.07

7.50±5.17

6.80±7.60

7.76±6.34

PP

4.90±4.34

5.24±4.01

7.94±2.91

5.27±4.08

0.00±0.00

6.90±5.56

2.53±2.74

5.08±5.13

TOTAL²

6.83±6.05

4.62±4.94

8.32±2.16

6.13±5.51

7.53±8.95

7.12±5.31

4.17±5.32

6.18±5.73

   

5.10±2.76

5.55±2.92

3.00±0.00

5.19±2.73

4.03±0.90

6.79±4.99

7.32±5.84

6.44±4.72

MMDT

 

3.70±2.42

6.86±3.53

7.79±4.13

5.01±2.24

8.89±0.00

5.46±3.73

5.16±4.51

5.50±3.91

TOTAL²

4.25±2.59

6.16±3.17

6.19±4.02

5.09±2.99

5.25±2.53

5.94±4.16

5.99±4.94

5.89±4.23

 

5.24±2.20

3.69±3.71

0.00±0.00

4.26±3.11

6.83±2.76

6.38±3.01

8.43±5.61

7.11±3.81

TM

4.63±3.95

2.09±1.87

1.16±1.64

3.55±3.50

7.31±0.00

7.19±4.12

4.17±3.59

6.15±4.04

TOTAL²

4.87±3.33

2.94±3.01

0.77±1.34

3.86±3.31

6.95±2.27

6.90±3.70

5.81±4.76

6.54±4.76

¹Amostra total combinada, grupos de idade, para cada sexo ²Amostra total combinada, masculino e feminino, para cada grupo de idade

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Estudo em Idosos de Diferentes Contextos.

RESULTADOS

As tabelas expostas a seguir referem-se apenas aos resultados estatisticamente significativos para os testes de Destreza Manual, Índice de Assimetria Manual e Destreza Pedal nos dois diferentes contextos avaliados no nosso estudo, Centro de Dia e Lar, visando com isso promover uma melhor compreensão e interpretação dos nossos resultados.

Destreza Manual Na Tabela 5 estão apresentados os resultados significativos dos testes para a DM em função da idade, do sexo e da mão de execução, assim como da interacção entre esses factores.

Tabela 5 - Resultados significativos relativos aos Testes de DM em função da idade, do sexo, da mão de

execução e das interacções no Centro de Dia e no Lar.

 

Centro de Dia

Lar

Testes

Factor

F

p

Factor

F

p

     

PP

Mão

5.191

.029

Idade * Mão

7.026

.003

Sexo

4.580

.039

     
 

Mão

11.588

.002

Mão

6.296

.017

MMDT (TC)

Idade

8.541

.001

     
 

Mão

14.699

.001

Mão

39.349

<.001

TM

     

Idade * Sexo *

   

Idade * Mão

4.285

.021

Mão

3.618

.038

No Centro de Dia, os factores principais mão [F (1,37)= 5.191, p =.029] e sexo [F (1,37)= 4.580, p=.039] revelaram um efeito significativo para o PP. A Mp obteve melhores desempenhos quando comparada com a Mnp. O sexo

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feminino obteve melhores desempenhos manuais do que o sexo masculino. No Lar, o teste demonstrou uma interacção significativa entre os factores principais idade e mão [F(2,33)= 7.026, p=.003]. O grupo de idosos dos 64-74 anos obteve melhores desempenhos manuais com a Mp relativamente à Mnp quando comparado com os outros dois grupos (75-84 anos; 85-94 anos). Por outro lado, o grupo de idosos dos 85-94 anos apresentou desempenhos manuais inferiores quando comparado com os outros dois grupos (64-74 anos; 75-84 anos). Em relação ao MMDT (TC) para o Centro de Dia, os factores principais mão [F (1,35)= 11.588, p=.002] e idade [F (2,35)= 8.541, p <.001] foram estatisticamente significativo. A Mp obteve melhores desempenhos manuais quando comparada com a Mnp. O teste de Bonferroni identificou para o factor idade diferenças significativas apenas entre o grupo 64-74 anos e o grupo 85- 94 anos (p=.001), apresentando o primeiro grupo melhores desempenhos. Constatamos assim que ocorre uma diminuição da DM entre os escalões etários, ou seja, o grupo 85-94 anos obteve desempenhos manuais inferiores quando comparado ao grupo dos 64-74 anos. No Lar, somente o factor principal mão [F(1,33)= 6.296, p=.017] revelou um efeito significativo. A Mp evidenciou desempenhos manuais mais elevados comparativamente à Mnp. Considerando o teste TM, no Centro de Dia observamos que o factor principal mão [F(1,37)= 14.699, p=.001] e a interacção entre a idade e mão [F(2,35)= 4.285, p=.021] tiveram valores significativos. A Mp demonstrou níveis significativamente superiores de desempenho manual relativamente à Mnp. Na interacção idade e mão o grupo dos 64-74 anos apresentou um desempenho superior quando comparado com os outros dois grupos (75-84 anos ; 85-94 anos). Por outro lado, o grupo dos 85-94 anos obteve desempenhos manuais inferiores. No Lar, o factor principal mão [F(1,33)=39.349, <.001] revelou um resultado significativo. A Mp obteve melhores resultados quando comparada a Mnp. No que concerne à interacção entre os três factores principais idade, sexo e mão [F(2,33)=3.618, p=.038], verificamos um efeito significativo. Assim, no sexo masculino o grupo dos 85-94 anos envidenciou desempenhos manuais inferiores, tanto com a Mp como a Mnp em relação aos outros dois grupos (64-

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74 anos; 75-84 anos). Como tal, no que respeita a este teste, as três variáveis independentes consideradas demonstraram ter um efeito significativo na DM.

Índice de Assimetria Manual

Na Tabela 6 encontram-se expostos os resultados significativos do IAM em função da idade e do sexo, assim como a interacção que possa existir entre esses factores.

Tabela 6 - Resultados significativos dos IAM em função da idade, do sexo e das interacções, no Centro de Dia e no Lar.

 

Centro de Dia

Lar

Factor

F

p

Factor

F

p

IAM

4.076

.026

     

IAM * Idade

2.690

.038

     

No Centro de Dia os resultados revelaram que o IAM variou de acordo com os testes [F (2,34)= 4.076; p=.026]. A Mp obteve melhores desempenhos quando comparada com a Mnp. O teste de Bonferroni identificou para o IAM diferenças significativas entre os testes, mas apenas entre o TM e o PP (p=.032). Sendo que o PP proporcionou um IAM mais elevado do que o TM. Porém, este efeito não foi semelhante para cada grupo de idade, visto ter ocorrido uma interacção significativa dos testes com a idade [F (4,70)= 2.690; p=.038]. No grupo 85-94 anos a diferença assimétrica entre os testes foi mais elevada do que nos outros grupos (64-74 anos; 75-84 anos), facto este que pode ser observado na Figura 1.

Destreza e Assimetria Motora Funcional:

Estudo em Idosos de Diferentes Contextos.

9.00 8.00 7.00 6.00 5.00 4.00 3.00 2.00 1.00 0.00 PP MMDT TM PP MMDT
9.00
8.00
7.00
6.00
5.00
4.00
3.00
2.00
1.00
0.00
PP
MMDT
TM
PP
MMDT
TM
PP
MMDT
TM
64-74 anos
75-84 anos
85-94 anos

Figura 1 - Médias dos IAM em função da idade e do sexo no Centro de Dia.

Destreza Pedal

Apresentamos na Tabela 7 os resultados significativos para o teste de DP considerando a idade, o sexo e o pé de execução e a interacção entre esses factores.

Tabela 7 - Resultados significativos relativos ao Teste de DP em função da idade, do sexo, do pé de execução e das interacções, no Centro de Dia e no Lar.

   

Centro de Dia

 

Lar

Testes

Factor

F

p

Factor

F

p

TP

     

15.121

<.001

No TP, considerando o Centro de Dia, não foram encontrados resultados significativos, quer nos factores principais, quer nas interacções entre esses factores. Contudo, verificamos que o sexo masculino apresentou

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Estudo em Idosos de Diferentes Contextos.

uma tendência para níveis superiores de desempenho pedal em relação ao sexo oposto, quer com o Pp como com o Pnp (Ver Tabela 2). Relativamente ao Lar, apenas o factor principal pé de execução [F(1,29)=15.121, p<.001] apresentou significado estatistco, demonstrando o Pp um melhor desempenho pedal quando comparado com o Pnp.

DISCUSSÃO

O objectivo principal deste estudo consistiu em investigar a destreza manual e pedal, bem como a assimetria motora funcional, analisando o efeito da idade, do sexo, da mão e do pé de execução, em idosos de diferentes contextos, de várias idades e ambos os sexos.

Factor Idade Os resultados gerais do nosso estudo demonstraram que quer no Centro de Dia, quer no Lar os idosos mais velhos (85-94 anos) obtiveram um nível de DM inferior quando comparado com os grupos de idosos mais novos, enquanto o grupo de idosos mais novos (64-74 anos) apresentou desempenhos manuais superiores, apesar dos resultados serem significativos apenas para o Centro de Dia. Estes resultados corroboram os de outros estudos (Demura, Minami, Nagasawa, Matsuzawa, & Sato, 2003; Desrosiers, Bravo, Hébert, Dutil, & Mércier, 1994; Hackel, Wolfe, Bang, & Canfield, 1992; Shiffman, 1992). Bryden, Pryde e Roy (2000) afirmam que a DM diminui com o avançar da idade. No nosso estudo foi observado que o efeito da idade está relacionado com a mão de execução para os Testes Purdue Pegboard e Tapping Manual revelando um melhor desempenho da Mp quando comparada com a Mnp em todos os escalões etários, tanto para o Centro de Dia quanto para o Lar. Estes resultados suportam outros estudos onde estas variáveis foram analisadas (Desrosiers, Hébert, Bravo, & Rochette, 1999; Hackel, Wolfe, Bang, & Canfield, 1992; Smith et al., 1999). Pennathur, Contreas, Arcaute e Dowling (2003) realizaram um estudo piloto experimental para quantificar a DM

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em um grupo de idosos mexicanos. Os mesmos autores concluíram que a mesma declina com a idade. Um dos instrumentos utilizados foi o Purdue Pegboard Test e os resultados para este teste revelaram diferenças de desempenho entre a Mp e a Mnp, com a Mp obtendo melhores resultados em relação a Mnp. Estes resultados contrariam os de outros estudos nos quais não foram observados diferenças entre as mãos, sendo apenas encontradas diferenças significativas entre o desempenho manual e a idade, ou seja, ocorre um declínio desta capacidade através dos grupos etários (e.g. Michimata, Kondo, Suzukamo, Chiba, & Izumi, 2008). Este facto pode ser explicado por uma diminuição do trabalho do sistema nervoso central, bem como por uma resposta tardia e pouco eficiente do músculo. Assim, estamos diante uma combinação dos efeitos do envelhecimento de natureza muscular e nervosa, justificando um aumento progressivo da lentidão motora dos idosos a medida que a idade avança (Barreiros, 2006). Diante dos nossos resultados, bem como através da análise dos estudos supracitados, torna-se claro que os idosos mais velhos apresentam uma maior lentidão da performance, deixando claro a influência da idade no desempenho motor, podendo ser atribuído ao próprio envelhecimento, as doenças degenerativas, ao estilo de vida ou a combinação desses factores (Gallahue & Ozmun, 2001).

Factor Sexo No Centro de Dia o efeito do sexo foi observado no Purdue Pegboard Test, revelando que o sexo feminino evidenciou uma melhor performance quer com a Mp quer com a Mnp comparativamente ao sexo masculino. Estes resultados corroboram os de outros estudos onde esta variável foi analisada (e.g. Desrosiers, Bravo, Hébert, Dutil, & Mércier, 1994; Desrosiers, Rochette, Hébert, & Bravo, 1997; Hackel, Wolfe, Bang, & Canfield, 1992; Heuvelen, Kempen, Ormel, & Rispens, 1998; Jebson, Taylor, Trieschamnn, Trotter, & Howard, 1969). Os nossos resultados são suportados por alguns estudos, tais como o estudo de Heuvelen, Kempen, Ormel e Rispens (1998) que teve como o

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objectivo avaliar a DM em 624 indivíduos, dos quais 274 eram do sexo masculino e 350 do sexo feminino, entre os 57 e os 91 anos de idade, sendo verificado em seus resultados que o sexo feminino evidenciou níveis superiores de desempenho manual relativamente ao sexo masculino. Também Desrosiers, Rochette e Hébert (1997), numa pesquisa com idosos com 60 anos de idade ou mais, verificaram que o sexo feminino obteve desempenhos manuais superiores comparativamente ao sexo masculino. Assim, a literatura especializada sustenta que esta preponderância de melhores desempenhos manuais das mulheres poderá dever-se ao facto de estas serem mais activas no seu dia-a-dia e nas actividades manuais. Contrariamente aos nossos resultados, estudos revelaram desempenhos superiores na DM no sexo masculino comparativamente ao sexo feminino (Chan, 2000; Haward & Grifin, 2002; Mesquita, 2002; Nalçaci, Kalaycioğlu, Ciçek, & Genç, 2001; Ruiz-Ruiz, Mesa, Gutierres, & Catillo, 2002; Vasconcelos, 1993). Camiña, Arce, Real, Cancela e Romo (2001) realizaram um estudo que teve como objectivo quantificar as capacidades físicas em idosos. A bateria de testes utilizada, para além de avaliar a força, flexibilidade, a resistência e o equilíbrio, incluiu um teste de destreza manual. Os autores constataram um desempenho manual superior no sexo masculino. Acreditamos que o sexo feminino está mais vocacionado para a destreza manual fina, pois por questões culturais as mulheres são mais estimuladas a aprender diferentes tipos de actividades manuais. Talvez possa ser esse um dos motivos pelo qual o sexo masculino apresenta, em alguns estudos, superioridade na destreza manual global em relação ao sexo feminino. Outros autores, por sua vez, verificaram que o sexo não apresenta nenhuma influência na DM (Desrosiers, Bravo, Hébert, Dutil, & Mércier, 1994; Francis & Spidurso, 2000; Haward & Grifin, 2002; Kauranen, 1999; Lundgren- Lindqvist & Sperling, 1983; Mesquita, 2002; Nalçaci, Kalaycioğlu, Ciçek, & Genç, 2001; Pinto, 2003; Smith et al., 1999; Stein & Yerxa, 1990). Esta ocorrência foi observada nos nossos resultados relativamente ao Lar onde não foram encontradas diferenças significativas da DM em relação ao sexo.

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Pensamos que esta ausência pode dever-se ao facto de que a prática das actividades realizadas são semelhantes para ambos os sexos. Perante os nossos resultados e pelos estudos apresentados anteriormente, parece não haver um consenso acerca do efeito do sexo na DM.

Factor Mão de Execução e Índice de Assimetria Manual No nosso estudo o factor mão, obteve um significado estatístico em todos os testes realizados para avaliar a DM, tanto no Centro de Dia como no Lar. A Mp obteve melhores desempenhos manuais em todos os testes realizados, em ambos os sexos e nos três escalões etários. Os nossos resultados vão ao encontro de outros estudos (Elalmis et al., 2003; Elalmis & Tan, 2008; Francis & Spidurso, 2000; Gazzaniga, 2000; Hopkins, Dunham,

Cantalupo, & Taglialatela, 2007; Vallortigara, 2006). Na pesquisa de Francis e Spidurso (2000) envolvendo a DM, a precisão, a velocidade e a coordenação manual, em um grupo de 81 indivíduos destrímanos (40 jovens e 41 idosos), os autores verificaram que todo o grupo foi melhor no desempenho com a mão direita, ou seja, com a Mp. Por esse motivo, concluíram que as pessoas usam

a Mp (mão direita) na maioria das tarefas diárias e que esta parece ser mais rápida e mais eficaz quando comparada com a Mnp (mão esquerda). Outro

estudo que concorda com os nossos resultados foi realizado por Hackel, Wolfe, Bang e Canfield (1992), a amostra foi constituída por 121 idosos dos 60 aos 89 anos. Este estudo pretendeu avaliar as alterações da função manual com o avançar da idade. A conclusão do mesmo revelou que a Mp (direita) obteve um desempenho superior ao da Mnp (esquerda). Resultados estes que foram confirmados em nosso estudo, acreditamos que isto se deva ao facto da nossa amostra total ter sido constituída por idosos destrímanos, e como tal, estes usam a Mp como mão principal no desempenho das actividades da vida diária

e a Mnp tem somente funções de ajuda e suporte. Logo, a qualidade do

desempenho da Mp promove um diferencial elevado entre as duas mãos (Magill, 2001; Vasconcelos, 1993). Os nossos resultados referem que o IAM varia com os testes, sendo que esta variância foi significativa apenas para os testes PP e TM, onde o PP

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apresentou uma maior assimetria enquanto o TM obteve uma maior simetria. Contudo, este efeito não foi semelhante para todos os grupos de idades, facto este constatado pela interacção do IAM com a idade, onde o grupo de idosos mais velhos apresentou uma maior variação da assimetria manual entre os testes quando comparado aos grupos de idosos mais novos. Sugerimos que isto se deva ao facto da assimetria manual variar com a tarefa, ou seja, que algumas tarefas originam assimetrias manuais mais elevadas do que outras. Os nossos resultados seguem a mesma linha de estudos previamente realizados (e.g. Francis & Spidurso, 2000; Texeira, 2008), que mencionam que

a assimetria funcional ao longo da idade depende do tipo de tarefas usadas

bem como da sua complexidade, ou seja, a natureza da tarefa parece exercer um papel determinante no grau de assimetria manual. Porém, existe um outro conjunto de variáveis que pode promover alterações nas assimetrias manuais (a complexidade da tarefa, a fadiga, o transfer bimanual assimétrico, as características temporais e de direcção do movimento) (Hicks & Kinsbourne, 1978; Mandell, Nelson e Cermak, 1984). Um estudo realizado por Mitrushina, Fogel, D´Elia, Uchiyama e Satz (1995) em uma amostra de 64 indivíduos destrímanos, com idades compreendidas entre os 60 e os 64 anos. Os autores utilizaram tarefas de diferentes complexidades como a Finger Tapping Test, a Grooved Pegboard Test e o Pin Test. Verificaram que houve um declínio da função assimétrica com o avançar da idade e uma maior lentidão nos movimentos realizados com a mão esquerda, ou seja, a mão direita apresentou uma superioridade maior. Estes autores discutem estes resultados baseados na hipótese do declínio ocorrido com a idade na função interhemisférica e também a hipótese da grande vulnerabilidade do hemisfério direito com o envelhecimento. Como podemos constatar pelos estudos anteriores a especificidade da tarefa motora e a idade são variáveis que influenciam a

performance manual e podem descrever a discrepância observada de comportamento motor deste órgão efector, durante a execução de tarefas entre

a Mp e Mnp. Outros ainda, por sua vez, referem uma diminuição da assimetria com o avançar da idade (e.g. Herver et al., 2009). Kalish, Wilimzing, Kleibel,

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Tegenthoff e Dinse (2006) propõe que isso se deve a plasticidade comportamental, ou seja, a vantagem da mão dominante é determinada no início da vida, e é intensificada pelas práticas através de actividades cotidianas. Quando essas actividades diminuem após a reforma, ou pelas limitações da idade ou pelo sedentarismo é concebível que os estímulos dado a performance da mão direita já não vão ser mantidos promovendo assim uma aproximação com o desempenho da mão esquerda. No entanto, noutros estudos, os autores verificaram que a assimetria manual permanece inalterada com a idade (e.g. Beaton, Hugdahl, & Ray, 2000; Doyen, Dufour, Caroff, & Carlier, 2008). Pensamos que à ausência de efeitos significativos para o Lar tenha sido promovida pela diminuição das ADV´s. No Lar, apesar de alguns indivíduos idosos ainda manterem um nível de autonomia bastante elevado, existe uma habitual desobrigação da realização de várias dessas actividades, contribuindo com isso para uma diminuição das capacidades motoras (Hangeman, Leibowitz, & Blanke, 1995).

Factor Pé de Execução No nosso estudo, relativamente ao Lar os resultados demonstraram que o factor pé obteve um efeito significativo para o TP. No que respeita à DP, o pé por si só influência o resultado do teste, sendo que o Pp obteve um melhor desempenho pedal comparativamente ao Pnp. Carneiro (2009) e Freitas (2008) realizaram estudos análogos ao nosso em que tiveram como objectivo principal avaliar a destreza motora (manual e pedal). As mesmas autoras concluíram que os praticantes de exercício físico evidenciaram melhores desempenhos pedais com o pé preferido em comparação com o pé não preferido, tendo sido as diferenças estatisticamente significativas. A suportar os nossos resultados temos a investigação de Kauranen e Vanharanta (1996) que realizou um estudo que teve como objectivo encontrar valores de referência para determinados aspectos da performance, incluindo variados testes, entre eles testes de destreza manual e pedal. A amostra englobou 200 sujeitos (100 do sexo masculino e 100 do sexo feminino) entre os 21 e os 70 anos. O autor concluiu que, em todos os testes e em ambos os sexos, a DM e a DP

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diminuíram significativamente com a idade e que os valores do lado preferido (direito) foram sempre superiores aos do lado não preferido (esquerdo). Apesar da ausência de resultados significativos para o Centro de Dia, constatamos que o Pp obteve desempenhos ligeiramente superiores aos do Pnp. Sugerimos que estes achados podem ter sido ocasionados por possíveis restrições relativas à amostra, ou seja, alguns idosos não conseguiram executar o TP com ambos os pés, alguns idosos realizaram apenas com o Pp e outros com o Pnp, podendo esta ser a causa da proximidade dos resultados entre o Pp e o Pnp.

CONCLUSÃO

Os resultados do nosso estudo revelaram para a destreza manual: (i) uma diminuição em relação a idade, ou seja, o escalão etário de idosos mais velhos apresentou uma performance manual inferior em relação aos escalões de idosos mais novos; (ii) um desempenho mais elevado do sexo feminino em relação ao sexo masculino tanto para a Mp como para a Mnp; (iii) uma performance mais elevada da Mp em relação à Mnp em todos os testes realizados para a DM; (iv) que o IAM variou com os testes executados e que o escalão etário mais velho revelou uma maior variação relativamente à assimetria manual na comparação entre os vários testes, quando comparado com os outros dois escalões mais novos. Para a DP, os nossos resultados revelaram um melhor desempenho para o pé preferido comparativamente ao pé não preferido comprovando que o pé por si só influencia no resultado do teste. Não foram encontrados resultados estatisticamente significativos para o sexo nem para a tanto a idade. Como conclusão geral, verificámos que a DM e a DP são influenciadas pelos factores idade, sexo, mão de execução e pé de execução e que o IAM varia de acordo com os testes aplicados.

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SUGESTÕES Com base no trabalho elaborado deixamos algumas sugestões para investigações futuras de modo a contribuir para o conhecimento mais aprofundado sobre esta temática. Assim, sugerimos:

No sentido de aprofundar os resultados desta pesquisa, seria interessante conceber um programa de treino com estes idosos e no sentido de verificar as alterações na DM e na DP.mais aprofundado sobre esta temática. Assim, sugerimos: Realizar um estudo com idosos de centros de dias,

Realizar um estudo com idosos de centros de dias, lares e praticantes de exercício físico, incluindo o efeito da preferência manual e pedal, no sentido de verificar a influência destas variáveis no desempenho da DM e da DP.e no sentido de verificar as alterações na DM e na DP. Efectuar um estudo experimental

Efectuar um estudo experimental de natureza longitudinal na população idosa portuguesa, numa perspectiva de identificar a partir de que idade existe um visível declínio da DM e DP, tanto nas mulheres como nos homens.a influência destas variáveis no desempenho da DM e da DP. Referências Bibliográficas Archer, L., &

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Destreza e Assimetria Motora Funcional:

Estudo em Idosos de Diferentes Contextos.

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Estudo em Idosos de Diferentes Contextos.

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Destreza e Assimetria Motora Funcional:

Estudo em Idosos de Diferentes Contextos.

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Destreza e Assimetria Motora Funcional:

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CAPÍTULO IV

CAPÍTULO IV Anexos
CAPÍTULO IV Anexos

Anexos

CAPÍTULO IV Anexos
CAPÍTULO IV Anexos

Anexos

ANEXO 1: Declaração de Helsínquia modificada em Edimburgo (Outubro

2000).

de Helsínquia modificada em Edimburgo (Outubro 2000). CONSELHO NACIONAL DE ÉTICA PARA AS CIÊNCIAS DA VIDA

CONSELHO NACIONAL DE ÉTICA PARA AS CIÊNCIAS DA VIDA

RELATÓRIO E PARECER

34/CNECV/2001

sobre a

DECLARAÇÃO DE HELSÍNQUIA

Modificada em Edimburgo (Outubro 2000)

A Declaração de Helsínquia, adoptada em 1964 pela Associação Médica

Mundial e sucessivamente alterada em Tóquio (1975), Veneza (1983), Hong-

Kong (1989) e Sommerset West (1996), é um documento oficial da organização

internacional representativa dos médicos e constitui, desde a sua adopção, a

magna carta da experimentação levada a cabo em seres humanos. Embora

não tenha estatuto legal, é tratada e reconhecida como código de conduta à

escala global da investigação médica, tendo sido nomeadamente aceite pela

CIOMS (organização de pesquisa médica estreitamente ligada à OMS) e sendo

referida praticamente em todos os protocolos de pesquisa ou de ensaios

clínicos apresentados a comissões de ética institucionais.

Recentemente, a Associação Médica Mundial, na sua assembléia geral,

realizada em Outubro de 2000 em Edimburgo, procedeu à revisão da

Declaração e introduziram-lhe substanciais modificações, algumas causadoras

de polémica, mas todas tendentes a garantir e aumentar a protecção dos seres

humanos, sujeitos de investigação. Esta quinta emenda resultou da análise

realizada durante o últimos anos, de estudos conduzidos dentro e fora da

Anexos

Associação e da consulta a peritos, associações profissionais, cientistas, associações de doentes e participantes em reuniões científicas. O Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, que desta importantíssima matéria se ocupou várias vezes (pareceres 4/CNECV/93, 9/CNECV/94 e 13/CNECV/95, comentário ao decreto-lei 97/94 (1994), não podia ficar indiferente a esta inovadora redacção da Declaração de Helsínquia. Regista com satisfação o cuidado posto na clarificação de objectivos da investigação, a reafirmação da superioridade do bem estar do sujeito e relação aos interesses da ciência e da sociedade, a imposição de transparência no que concerne aos incentivos económicos dos projectos de investigação e a exigência de que, uma vez terminada a investigação, os sujeitos nela participantes não sejam privados do tratamento (ou dos meios de profilaxia ou diagnóstico) que o estudo tenha identificado como sendo os melhores. São do maior alcance as medidas recomendadas: na prática vêm limitar

o uso de placebos apenas às situações em que não existam meios eficazes e exigem a continuação do uso ("compassivo") do tratamento que se tenha revelado mais eficaz e mais seguro em todos os sujeitos do ensaio. Na sua forma actual, a Declaração propõe a publicação de todos os resultados de uma investigação ou ensaio (ou pelo menos que sejam postos à disposição do público), independentemente da sua natureza "positiva" ou "negativa". Embora se reconheça de algumas destas disposições levantarão problemas consideráveis e trarão adicionais dificuldades à execução de investigações em seres humanos, nomeadamente quando revestem a forma de

ensaios clínicos, parece justo realçar os indiscutíveis benefícios que resultarão da adopção dos princípios enunciados, sobretudo para a preservação da dignidade, saúde e bem-estar dos sujeitos da investigação, mas também para

a qualidade e significado dos resultados obtidos pelos investigadores. O Relator, Prof. Doutor Walter Osswald

Anexos

Anexos CONSELHO NACIONAL DE ÉTICA PARA AS CIÊNCIAS DA VIDA PARECER Tendo em conta o relatório

CONSELHO NACIONAL DE ÉTICA PARA AS CIÊNCIAS DA VIDA PARECER

Tendo em conta o relatório anexo, os seus anteriores pareceres sobre ensaios clínicos e sua avaliação (4/CNECV/93, 9/CNECV/94, 13/CNECV/95) e os princípios orientadores das disposições normativas introduzidas na Declaração de Helsínquia pela Associação Médica Mundial, o Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida:

- regozija-se com a recente revisão da Declaração de Helsínquia (Edimburgo

2000), por ver nela consignados e reforçados o respeito pela dignidade e pelos

direitos do ser humano sujeito de investigação, com o consequente aumento da protecção que lhe é garantida; - recomenda às comissões de ética em saúde que tenham presentes as recomendações desta versão revista da Declaração de Helsínquia, ao procederem à avaliação dos protocolos de investigação que lhes sejam apresentados;

- recomenda que os estabelecimentos de saúde tenham na devida conta, nos

seus programas curriculares, esta revisão da Declaração de Helsínquia;

- espera que a presente versão da Declaração de Helsínquia seja tomada em

consideração, aquando da revisão dos decretos-leis 97/94 e 97/95, que se

espera seja brevemente efectuada.

Lisboa 13 de Fevereiro de 2001

Prof. Doutor Luís Archer Presidente do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida

Anexos

Anexos CONSELHO NACIONAL DE ÉTICA PARA AS CIÊNCIAS DA VIDA (tradução de O Papel do Médico,

CONSELHO NACIONAL DE ÉTICA PARA AS CIÊNCIAS DA VIDA (tradução de O Papel do Médico, corrigida por H. Carmona da Mota)

DECLARAÇÃO DE HELSÍNQUIA modificada em Edimburgo (Outubro 2000)

Associação Médica Mundial

Adoptada pela 18ª Assembleia Médica Mundial - Helsinki, Finlândia, Junho 1964 e emendada pela 29ª Assembleia Médica Mundial - Tokio, Japão, Outubro 1975,

35ª

Assembleia Médica Mundial - Veneza, Itália, Outubro 1983, 41ª Assembleia Médica Mundial - Hong Kong, Setembro 1989, 48ª Assembleia Geral - Somerset West, África do Sul, Outubro 1996 e a 52ª Assembleia Geral - Edimburgo, Escócia, Outubro 2000.

A. INTRODUÇÃO 1. A Associação Médica Mundial promulgou a Declaração de Helsínquia como uma proposta de princípios éticos que servem para orientar os médicos e outras pessoas que realizam investigação médica em seres humanos. A investigação médica em seres humanos inclui a investigação sobre material humano ou sobre dados identificáveis.

Anexos

2. O dever do médico é promover e velar pela saúde das pessoas. Os

conhecimentos e a consciência do médico têm de se subordinar ao

cumprimento desse dever.

3. A Declaração de Genebra da Associação Médica Mundial vincula o médico

com a fórmula "velar solicitamente e antes de tudo pela saúde do meu paciente", e o Código Internacional de Ética Médica afirma que: "O médico deve actuar somente no interesse do paciente ao proporcionar cuidados médicos que possam debilitar a condição mental ou física do paciente".

4. O progresso da medicina baseia-se na investigação, a qual em última

análise tem que recorrer muitas vezes à experimentação em seres humanos.

5. Em investigação médica em seres humanos, a preocupação pelo bem-estar

destes deve ter sempre primazia sobre os interesses da ciência e da

sociedade.

6. O propósito principal da investigação médica em seres humanos é melhorar

os procedimentos preventivos, diagnósticos e terapêuticos, e também compreender a etiologia e a patogenia das doenças. Mesmo os melhores

métodos preventivos, diagnósticos e terapêuticos disponíveis devem ser continuamente reavaliados pela investigação para que se prove que são eficazes, efectivos, acessíveis e de qualidade.

7. Na actual prática da medicina e da investigação médica, a maioria dos

procedimentos preventivos, diagnósticos e terapêuticos implicam alguns riscos

e

custos.

8.

A investigação médica está sujeita a normas éticas que servem para

promover o respeito por todos os seres humanos e para proteger a sua saúde

e os seus direitos individuais. Algumas populações submetidas a investigação

são vulneráveis e necessitam protecção especial. Devem reconhecer-se as necessidades particulares dos que têm desvantagens económicas e médicas. Também se deve prestar atenção especial aos que não podem dar ou recusar o consentimento por si mesmos, aos que podem dar consentimento sob pressão, aos que não beneficiarão pessoalmente com a investigação e aos que têm a investigação combinada com a assistência médica.

Anexos

9. Os investigadores devem conhecer os requisitos éticos, legais e jurídicos para a investigação em seres humanos nos seus próprios países, assim como os requisitos internacionais vigentes. Não se deve permitir que um requisito ético, legal ou jurídico diminua ou elimine qualquer medida de protecção para os seres humanos estabelecida nesta Declaração.

B. PRINCÍPIOS BÁSICOS PARA TODA A INVESTIGAÇÃO MÉDICA

10. Na investigação médica, é dever do médico proteger a vida, a saúde, a

intimidade e a dignidade do ser humano.

11. A investigação médica em seres humanos deve conformar-se com os

princípios científicos geralmente aceites, e deve apoiar-se num profundo conhecimento da bibliografia científica, noutras fontes de informação

pertinentes, assim como em experiências de laboratório correctamente realizadas e, quando apropriado, em animais.

12. Ao investigar, há que prestar atenção adequada aos factores que possam

prejudicar o meio ambiente. Deve-se cuidar também do bem-estar dos animais

utilizados nas experiências.

13. O projecto e o método de todo o procedimento experimental em seres

humanos deve formular-se claramente num protocolo experimental. Este deve enviar-se, para consideração, comentário, conselho e, quando seja oportuno, aprovação, a um comissão de avaliação ética especialmente designada, a qual deve ser independente do investigador, do patrocinador ou de qualquer outro tipo de influência indevida. Subentende-se que essa comissão independente deve actuar em conformidade com as leis e regulamentos vigentes no país onde se realiza a investigação experimental. A comissão tem o direito de controlar os ensaios em curso. O investigador tem obrigação de proporcionar informação à comissão, em especial sobre qualquer incidente adverso grave. O investigador também deve apresentar à comissão, para que a reveja, informação sobre financiamento, patrocinadores, afiliações institucionais, outros possíveis conflitos de interesse e incentivos para as pessoas do estudo. 14. O protocolo da investigação deve fazer sempre referência às considerações éticas atinentes e deve indicar que se observam os princípios enunciados nesta

Anexos

Declaração.

15. A investigação médica em seres humanos só deve ser levada a cabo por

pessoas cientificamente qualificadas e sob a supervisão de um médico competente. A responsabilidade pelos participantes deve ser sempre atribuída

a uma pessoa com competência médica e nunca aos participantes na

investigação, ainda que tenham dado o seu consentimento. 16. Todo projecto de investigação médica em seres humanos deve ser precedido de uma cuidadosa comparação dos riscos calculados com os

benefícios previsíveis, para o indivíduo ou para os outros. Isto não impede a participação de voluntários sãos na investigação médica. O desenho de todos

os

estudos deve estar acessível ao público.

17.

Os médicos devem abster-se de participar em projectos de investigação em

seres humanos quando não estiverem seguros de que os riscos inerentes foram adequadamente avaliados e de que é possível fazer-lhes frente de

maneira satisfatória. Devem suspender a experiência em curso se observarem que os riscos que implicam são mais importantes que os benefícios esperados

ou

se existirem provas concludentes de resultados positivos ou benéficos.

18.

A investigação médica em seres humanos só deve realizar-se quando a

importância do seu objectivo for maior que os inerentes riscos e incômodos

para o indivíduo. Isto é especialmente importante quando os seres humanos são voluntários sãos.

19. A investigação médica só se justifica se existirem probabilidades razoáveis

de que a população, sobre a qual a investigação se realiza, poderá beneficiar

dos seus resultados.

20. Para tomar parte num projecto de investigação, os participantes devem ser

voluntários e informados. 21. Deve respeitar-se sempre o direito dos participantes na investigação

protegerem sua integridade. Devem tomar-se toda a espécie de precauções para resguardar a intimidade dos indivíduos, a confidencialidade da informação

do paciente e para reduzir ao mínimo as consequências da investigação sobre

a sua integridade física e mental e a sua personalidade.

Anexos

22. Em toda investigação em seres humanos, cada potencial sujeito deve

receber informação adequada acerca dos objectivos, métodos, fontes de

financiamento, possíveis conflitos de interesses, afiliações institucionais do investigador, benefícios calculados, riscos previsíveis e incomodidades inerentes à experiência. A pessoa deve ser informada do direito de participar ou não na investigação e de retirar o seu consentimento em qualquer momento, sem se expor a represálias. Depois de se assegurar de que o indivíduo compreendeu a informação, o médico deve obter, de preferência por escrito, o consentimento informado e voluntário da pessoa. Se o consentimento não puder ser obtido por escrito, o processo para obtê-lo deve ser documentado formalmente ante testemunhas.

23. Ao obter o consentimento informado para o projecto de investigação, o

médico deve ter especial cuidado quando o indivíduo estiver vinculado a ele por uma relação de dependência ou se consentir sob pressão. Em tal caso, o consentimento informado deve ser obtido por um médico bem informado que não participe na investigação e que nada tenha que ver com aquela relação.

24. Quando a pessoa for menor ou incapaz, legal, física ou mentalmente de dar

consentimento, o investigador deve obter o consentimento informado do representante legal, de acordo com a lei vigente. Estes grupos não devem ser

incluídos na investigação a menos que esta seja necessária para promover a saúde da população representada e esta investigação não puder realizar-se em pessoas com capacidade legal.

25. Se uma pessoa considerada legalmente incapaz, como é o caso de um

menor, for capaz de dar o seu assentimento a participar ou não na investigação, o investigador deverá obtê-lo, além do consentimento do representante legal.

26. A investigação em indivíduos dos quais se não puder obter consentimento,

nomeadamente por representante ou antecipadamente, só deve realizar-se se a condição física/mental que impede obter o consentimento informado for uma característica necessária da população investigada. As razões específicas pelas quais se utilizarão participantes na investigação que não possam dar o

Anexos

seu consentimento informado devem ser estipuladas no protocolo experimental que se apresentar para consideração e aprovação da comissão de avaliação. O protocolo deve estabelecer que o consentimento para se manter na investigação deverá obter-se com a brevidade possível do indivíduo ou de um representante legal.

27. Tanto os autores como os editores têm obrigações éticas. Ao publicar os

resultados da sua investigação, o médico está obrigado a manter a exactidão dos dados e resultados. Devem publicar-se tanto os resultados negativos como os positivos ou em alternativa estar disponíveis publicamente. Na publicação deve citar-se a fonte de financiamento, as afiliações institucionais e qualquer possível conflito de interesses. Os informes sobre investigações que não se cinjam aos princípios descritos nesta Declaração não devem ser aceites para

publicação.

C. PRINCÍPIOS APLICÁVEIS QUANDO A INVESTIGAÇÃO MÉDICA COINCIDE COM A ASSISTÊNCIA MÉDICA

28. O médico pode combinar a investigação médica com os cuidados médicos,

apenas quando tal investigação estiver justificada pelo seu potencial valor preventivo, diagnóstico ou terapêutico. Quando a investigação médica se

combinar com a assistência médica, as normas adicionais aplicam-se para proteger os pacientes que participam na investigação.

29. Os possíveis benefícios, riscos, custos e eficácia de todo procedimento

novo devem ser avaliados por comparação com os melhores métodos preventivos, diagnósticos e terapêuticos disponíveis. Isso não exclui que possa usar-se um placebo, ou nenhum tratamento, em estudos para os quais se não dispõem de procedimentos preventivos, diagnósticos ou terapêuticos provados. 30. No final da investigação, todos os pacientes que participam no estudo

devem ter a certeza de que contaram com os melhores métodos preventivos, diagnósticos e terapêuticos disponíveis, identificados pelo estudo.

31. O médico deve informar cabalmente o paciente qual a parte dos cuidados

exigida pela investigação. A recusa do paciente em participar numa

investigação nunca deve perturbar a relação médico-paciente.

Anexos

32. Quando os métodos preventivos, diagnósticos ou terapêuticos disponíveis, se revelaram ineficazes no tratamento do doente, o médico, com o consentimento informado do paciente, pode permitir-se usar procedimentos preventivos, diagnósticos e terapêuticos novos ou não provados se, em sua opinião, houver alguma esperança de salvar a vida, restituir a saúde ou aliviar o sofrimento. Sempre que seja possível, tais medidas devem ser investigadas a fim de avaliar sua segurança e eficácia. Em todos os casos, essa informação nova deve ser registada e, quando for oportuno, publicada. Devem seguir-se todas as outras normas pertinentes desta Declaraç

Morada R. Prof. Gomes Teixeira, Edifício da PCM, 8º andar, sala 814 1399-022 LISBOA Contactos tel. 351.213927688, novo fax 351.213900032, E.mail: cnecv.etica@mail.telepac.pt www.cnecv.gov.pt

Anexos

ANEXO 2: Dutch Handedness Questionnaire

Anexos ANEXO 2: Dutch Handedness Questionnaire DUTCH HANDEDNESS QUESTIONNAIRE (Van Strien, 2002) Nome: Idade:

DUTCH HANDEDNESS QUESTIONNAIRE (Van Strien, 2002)

Nome:

Idade:

Sexo:

Local:

Data do Teste:

/ /

Em baixo está especificada uma lista de actividades, nas quais poderá usar a mão direita ou a mão esquerda. Indique a mão que normalmente usa em cada uma dessas actividades. Se não tiver a certeza em alguma das respostas, tente visualizar a actividade em questão. Se não tiver uma preferência clara, indique que usa qualquer uma das mãos. Coloque uma cruz no quadrado que lhe parecer mais exacto. Obrigado pela sua colaboração.

Actividades

Esquerda

Direita

Qualquer

delas

Mão

     

1 - Qual das mãos usa para segurar uma tesoura quando recorta papel?

     

2 - Qual das mãos usa para pegar no lápis quando desenha?

     

3 - Qual das mãos usa para desenroscar a rolha de uma garrafa?

     

4 - Qual das mãos usa para dar as cartas de um baralho?

     

5 - Qual das mãos usa para segurar a escova quando lava os dentes?

     

6 - Qual das mãos usa para lançar uma bola?

     

7 - Qual das mãos usa para segurar no martelo quando crava um prego?

     

8 -