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João Jose Gremmelmaier

Fim de Expediente

Primeira Edição Edição do Autor Curitiba

2011

J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente

CIP Brasil Catalogado na Fonte

Gremmelmaier, João Jose

Fim de Expediente, Romance de Ficção, 180 pg./ João Jose Gremmelmaier / Curitiba, Pr. / Edição do Autor / 2011

1. Literatura Brasileira Romance I - Titulo

85 0000

CDD 978.000

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Fim de Expediente

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O que uma garota aparentemente normal, com um ganha pão que não declara aos amigos e parentes, um Parque municipal, onde uma fonte de agua, e a natureza preservam a paz, uma catedral Basílica, e um clube antigo, tem em comum. Nada até este instante, mas eventos vão jogar uma garota em uma busca, que vai lhe apresentar a origem de sua família, vai mostrar onde se esconde o perigo, ela vai enfrentar perigos, para no fim conquistar o maior dos tesouros, a paz.

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1 Madalena era estudante de Biologia da Pontifícia Universidade Católica (PUC), fazia pela manha,

se dedicava ao terceiro ano, normal de quem parecia sonhar em ser algo a mais, estava acabando a aula de botânica 3, quando foi para a lanchonete a frente da faculdade, quinta feira.

O que vamos fazer neste fim de semana?

Madalena olha as amigas e fala:

Desculpa, sei que vou furar hoje, mas não tem jeito!

Esquece, o que vamos fazer na sexta?

Mas queria ir com vocês, mas meus pais chegaram

com mil afirmações de que eu teria de ir hoje!

Madalena, na sexta, vamos compensar, mas vai perder

o evento que você mesmo projetou!

A festa do Pirata do ano, e vou perder, realmente devo

estar doente! As moças sorriram, e começam a falar dos planos de festa e diversão para o fim de semana, Madalena depois de dois goles de cerveja, atravessa para o estacionamento da faculdade, pega o carro e sai.

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2 Madalena tinha toda a tarde, de segunda a sexta uma ocupação, ela não falava disto as amigas da

faculdade, não falava disto fora do grupo que trabalhava com ela. Dirige seu carro no sentido de um bairro de Curitiba chamado Botiatuvinha, pega o controle no console e quando chega a frente do portão, o aciona o abrindo, sobre pela rua lateral interna, naquele terreno de mais de 6 mil metros quadrados, se via a casa com mais de 600 metros a frente. Sorri saindo do carro e olhando para Robert, ele se chamava João, mas ali ninguém usava seus nomes, e ali atendia por Robert, passa ao lado da casa e vê as moças a piscina, ninguém entrava na agua, mas usavam aquele local para aprimorarem os seus bronzeados de forma barata, longe dos olhos, pois os muros eram altos a toda volta, podiam tomar sol sem roupas, não deixando as marcas dos biquínis.

Entra pela sala, olha para o rapaz que tocava aquilo, todos os chamavam de Paulo, mas não sabia se era este o nome e este a fala; Raisca, tem um cliente as duas e meia, é daqueles que não fala muito! O senhor acessava um site de onde se via as moças, e através do site, senhores da região faziam a reserva, pagavam via cartão de credito, e somente após isto, as meninas iam as casas dos clientes. Ao fundo se via algumas senhoras, pessoas que se quem estivesse do outro lado do telefone ou da internet vissem pessoalmente, provavelmente não gastariam seu dinheiro com

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J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente aqueles corpos, mas era um local onde a voz era muito mais importante que o corpo em si.

corpos,

convivendo harmoniosamente. Ali Madalena era Raisca, a 6 meses fazia isto, conseguia tirar em meses ruins, mais de 8 mil reais, no inicio, chegou a ganhar mais, mas viu que o risco era maior, traduzindo para outras línguas, ela tirava por mês, mais de 5 mil dólares, com isto que era um passatempo para ela.

Dois mundos paralelos, o das vozes,

o

dos

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3 Madalena após se produzir, trocar de roupa, retorna ao carro com um endereço ao bolso,

centro, odiava ter de ir ao centro de carro, mas pior seria de taxi, pois eles sempre demoravam demais, e para sair de lá, sempre era complicado, o endereço era em um prédio novo na Avenida 7 de setembro, esquina com a Rua João Negrão, na altura da Ponte Velha, uma ponte que hoje funcionava como passagem de pedestres, mas já fora a passagem do trem para a antiga Ferroviária, a não mais de 800 metros dali. A moça estaciona no estacionamento a meia quadra e entra como alguém normal, se apresenta na portaria e o rapaz a mede a autorizando subir, esta era uma das únicas coisas que a incomodavam nisto, a forma de discriminação a ela, e não aos homens incapazes de conseguir uma mulher, mas com dinheiro suficiente para manter os negócios ainda em alta. Toca a campainha, sempre a mesma espera, o rapaz a mede, a convida para entrar, ela mede o pequeno apartamento, tipo tudo na mesma peça, quarto, sala e cozinha, a única coisa a parte era o banheiro. Sexo sem muitas palavras, sem aquecimento, se tesão, apenas sexo, Madalena poderia ser chamada de uma Puta, por estes momentos, mas ela sempre respondia com uma indagação, posso ser chamada disto, mas quem esta usando o cérebro neste momento sou eu, enquanto os homens que pagam, são apenas como os cachorros correndo atrás da cadelas no cio. Assim como entrou, recebeu e saiu, obvio que o atendente da porta mexeu com ela, estava com três rapazes ao

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lado,

―Homens‖, que só se manifestavam quando em grupo, gente sem personalidade, incapazes de não gaguejar sozinhos ou sem duas ou três cervejas na cabeça. A garota começa a retornar, tudo predeterminado como sempre, este fora até rápido, ela lembra de um cliente que tivera por mais de 2 meses, no começo do ano, que a chamava, não ficava nunca mais que uns 15 minutos, ele gozava, pagava e a colocava para fora, mas este foi como todo programa, sexo sem palavras, sem muitos adendos de conquista, sexo animal, pagou tem, não pagou, não tem.

estes

mas

Madalena

também

tinha

uma

visão

para

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4 A moça retorna mais uma vez para a sua casa, as vezes chegava a fazer mais de um programa por

dia, principalmente nas sexta feiras, quando os chefes de família ligavam para suas esposas e falavam que teriam de fazer hora extra, e contratavam garotas como ela. Madalena conversa com as demais, ali não existia amizade, cada uma na sua, não eram pessoas para se levar em uma festa em família, não eram a parte apresentável de sua vida, Paulo sempre dizia que o sigilo pode garantir a elas, quando quiserem sair, uma vida normal do lado de fora. Madalena se troca novamente, tinha uma festa para ir, seus pais insistiram, eles sempre insistiam, muitas vezes ela não os acompanhava, mas não queria em parte parecer sozinha na 10ª festa do Pirata, que os amigos sempre faziam no Bar do Alemão, mas o motivo era um rapaz que ela brigara, e sabia que estaria lá com a namorada. Com calma sai como entrou, sem olhar em volta, sem se preocupar com os adendos morais, pois para ela, isto não servia nem como controle, apenas para torturar a sociedade com morais machistas que não ajudavam nada. A festa a noite seria no Clube Concordia, Madalena tentava lembrar se havia ido com os pais lá, mas não conseguiu lembrar.

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5 Clube concórdia, clube tradicional na cidade de Curitiba, mais de 150 anos, clube de fundação

alemã que reuniu por muitos anos os descendentes de alemães, mas em meio a eles, outros estrangeiros eram aceitos.

Mas antes Madalena chega em casa, toma um banho, sempre que chegava tomava um banho, se perfumava, como se querendo se limpar, tira de si qualquer cheiro ou lembrança do que fizera a tarde. Seus pais a esperam a sala e ela fala.

Querem ir a frente?

Vamos junto filha! Mauricio o pai.

Melhor não pai, se tiver muito chato, eu pelo menos

não acabo com a diversão de vocês! Os dois saíram, Madalena terminou de se arrumar, e minutos depois estava saindo. A moça chega para um evento social, regado a vinho, a porções de petiscos e a apresentação de um candidato que o grupo apoiaria as próximas eleições. Ela ignorava isto, mas repara que haviam reformado o clube. Assim que visualizou os pais, se direcionou a mesa e os dois sorriram, apresentando os amigos, Madalena sorriu, os cumprimentou, o candidato chegou a mesa, e entre sorrisos, a moça reparava nos detalhes do clube, reparando em cada canto daquele local que estava bonito aos olhos, bem conservado. Reparou no capricho nas mesas, nos petiscos, estava até gostoso.

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6 Um pequeno baile se inicia, seus pais gostavam de dançar, era das musicas mais a antiga, então a

moça ficou a olhar os demais dançarem. Madalena olhou o relógio do clube ao fundo, era cedo, 23 horas, os amigos deveriam estar chegando no bar do Alemão, ela tentava dizer para si que não queria ir, mas estar a rua a aquela hora, era um sinal de que passaria lá, nem que por volta da hora de fechar.

A festa estava monótona, começando a pensar em falar

que iria embora aos pais, quando ela viu aquele rapaz, ruivo, entrar pela porta do clube e a olhar.

Os olhares cruzaram-se e a moça sentiu como se o conhecesse, embora nunca o tivesse visto, teve medo de ser algum cliente que não lembrava, ele veio direto a ela.

Madalena?

A moça estranhou, o rapaz sabia seu nome, se por um

lado era estranho por algum estranho saber seu nome, ficou feliz por não a ter chamado por Raisca.

Sim, nos conhecemos?

Ainda

Dario!

evidentemente de um estrangeiro.

não!

A

pronuncia

correta

mas

Me conhece de onde? Não lembro de você!

O

rapaz não responde, sorri e pede um Uísque para o

garçom.

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O rapaz bebia a cowboy, e apenas a olhava, ela

tentava descobrir quem ele era, mas as respostas monossilábicas davam a impressão de que ele

poderia não estar entendendo.

Você entendeu as perguntas que fiz?

O rapaz olha para Madalena e fala;

Desculpe, não sou tão bom em sua língua, mas

entendo as palavras, mas as vezes não sei como responder!

Parece falar muito bem para um estrangeiro, vem de

onde?

Inglaterra, uma pequena cidade, Cromer!

Fala bem o português!

Estudo desde os 16 sua língua, mas me atrapalho como os verbos e com o sexo dos objetos!

Sexo dos objetos!

A arvores, O poste, A carroça, O lustre! Fala o rapaz sorrindo, Madalena sorriu.

Mas me conhece?

Não, não a conheço!

Mas sabia meu nome!

Saber que seu nome é Madalena, que estuda Biologia,

que usa o pseudônimo de Raisca a tarde, não é lhe conhecer!

O rosto de Madalena se fechou, quem era o rapaz, bonitos olhos, mas estava tocando em um assunto que ela não falava.

Não sei do que esta falando!

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J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente Madalena olha serio, se levanta, passa pelos pais e fez sinal que estava indo, se retirando do local, o rapaz a seguia, ela não queria mais ficar ali.

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8 O rapaz a acompanha, a segurando pelo braço na porta da saída do Clube Concordia. Me larga! Grita a moça.

Calma, do que foge Madalena?

Não gosto de pessoas que me investigam!

O rapaz segurava o braço dela forte e ela falou gritado;

Esta me machucando! Me deixa em paz!

O rapaz solta o braço e fala;

Não tenho como fugir do meu destino, nem você!

O

rapaz vê ela se afastar, olhar para o carro e para ele a

porta do clube, a olhando, olha para o rapaz que cuidava dos carros e falou;

Poderia tirar este carro dali para poder sair?

O rapaz olhou para ela e falou;

Aquele senhor na porta não deixou a chave, mas posso

pedir para tirar o carro! Madalena viu que o rapaz não a queria deixar fugir, mas quem seria, que sabia de sua vida mais que seus pais.

O rapaz entrou novamente, e Madalena ficou ali pensando em o que fazer, olhando o carro fechando o seu, apenas o seu, voltou ao clube e gritou com o rapaz que estava sentado ao restaurante, não mais na pista de dança;

Não vai tirar o carro para que eu me vá?

A discussão se fazia em meio ao restaurante do Clube, alguns olhavam os dois, a moça de pé, e o rapaz sentado com um copo a mão, mas a maioria os ignorava.

Senta ai, se quiser depois lhe deixo ir!

Mas o que quer comigo?

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Contigo? O rapaz a mediu Não tinha pensado nisto, mas se pudéssemos conversar!

Mas como sabe o que faço?

Sabe onde esta moça?

Clube Concordia, tá de brincadeira?

O rapaz sorriu e falou;

Melhor tentar recomeçar do zero, sou Dario Willian,

inglês de Cromer, mas estamos em um clube que estava aqui a mais de 150 anos, as perguntas, qual o tamanho da cidade há 150 anos? Quem fundou este clube? Quantas sociedades secretas haviam nesta cidade a 150 anos? E a principal, o que eu e você temos haver com isto?

perto,

invertendo a cadeira e sentando-se.

Não

entendi!

Fala

Madalena

chegando

Deve ser da família Gutiérrez!

Sim, por quê?

A família que por regra deveria ter escondido o grande segredo, ou o mudado de lugar!

Madalena não estava entendendo nada, será que estava sóbria demais para entender este inglês estranho.

O rapaz estranhou e falou;

Deve estar me achando um maluco!

Sim, um maluco! Aqueles olhos azuis a faziam

desviar os olhos, pois tinha medo de se apaixonar, sempre teve, isto afastara o antigo namorado, mas estava cada momento mais difícil de desviar os olhos dos dele.

Estou na cidade para encontrar algo, mas não sei se é a hora certa!

Por quê?

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Por que existem coisas que tenho de remontar, o que

me informaram era que o que procuro estaria num local, mas parece que não vai estar lá!

Por que não?

Alguém tirou de lá!

Você não é nada especifico! Fala a moça apoiando

as mãos a mesa, ameaçando se levantar.

Moça, esta estória é comprida, não dá para se contar assim, em 30 segundos!

Madalena faz cerveja;

O que eu tenho haver com esta divagação em verbos imprecisos!

Madalena viu que o rapaz pensou para responder, pensou na pergunta e riu, imaginava alguém perguntar algo assim em outra língua para ela e qual seria sua cara. O rapaz pareceu pensar muito e ela perguntou:

um sinal para o garçom e pede uma

O que procura, já que parece mais perdido que eu?

Confuso, não perdido!

Não respondeu!

Dario sorriu e tomou um gole enquanto ela tomava uma cerveja.

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9 Madalena olhava para o rapaz, um silencio se fez, mas algo estava a atrair para ele, talvez a

cerveja, talvez aqueles olhos, talvez ele saber de sua vida e não estar olhando seu corpo, e sim seus olhos,

sempre estranhou como os homens desviavam facilmente os olhos para seus seios ou suas pernas.

Estou em algo que parece meio confuso moça, estou

na caça de uma estória de família, que provavelmente me jogara em um destino incerto!

E qual o seu destino?

Descobrir a felicidade, correndo os caminhos de meu

bisavô!

A moça não entendeu, as vezes o assunto era no passado, as vezes no futuro.

Falou como se este local tivesse tido algo realmente perigoso, tem certeza?

Sociedades, onde os demais não tem acesso, em si é

uma sociedade que gera segredos, então vira uma sociedade secreta, este local teve a 150 anos 3 grupos separados, os religiosos, os alemães, e dos parentes e pessoas próximas a meu ancestral!

Três grupos, mas então aqui não estaria entre aliados? Dario sorriu e falou;

O mundo é estranho, pois segredos deixam de ser

segredos em mesas de bar, em momentos onde não se presta atenção nas palavras!

Por isto que não fala nada com nada, para não falar de

mais?

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J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente Dario sorri. Madalena sorri e termina aquela cerveja.

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10 Madalena ia pedir outra cerveja e o rapaz a convida a tomar um refrigerante, em outro local.

Mas onde?

Tenho de conhecer um local, mas se quiser pode ir para casa!

Sabe que não deveria me deixar levar!

 

Madalena,

as

vezes

é

fácil

esconder

algo

para

comodidade,

mas

não

sou

assim,

falo

e

encaro

as

consequências! Os dois saem dali, ela o seguiu, e reparou quando pararam, que iriam a algum lugar no Largo da Ordem, uma região de Bares e Restaurantes no centro Histórico da cidade, do clube não foi mais que 6 quadras de carro, deu mais trabalho tirar o carro e estacionar de novo do que se tivesse ido a pé.

Ela vê ele a olhar e pergunta;

Não fugiu?

Estou curiosa, viria aqui de qualquer forma!

Foram descendo a rua fechada, e ela viu quando estavam quase no Bar do Alemão, as pessoas fantasiadas de Piratas, para a festa que ela se recusou a ir, vendo João a porta com os amigos, algumas amigas a olharam, mas ela não chegaria ali, não assim, passou com o rapaz, e obvio os olhos foram para ela, entrando com aquele rapaz alto, claro, olhos azuis, bem vestido.

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J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente Estavam entrando quando Dario parou em uma mesa antes da parte interna do Bar, nas mesas no corredor de entrada, e Madalena viu que a conversa foi toda em inglês, o rapaz a apresentou, mas os rapazes pareceram não entender muito o que ela falou. Estranhou, mas foram todos juntos a parte interna do bar.

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11 Sentam-se no biso térreo do Bar, nas mesas internas, ela viu algumas amigas da

faculdade chegarem e virem conversar, obvio, uma mesa com 6 rapazes, ingleses, com uma única moça a mesa, gerou cobiça, as conversas avançaram, algumas moças atacaram logo, outras se fizeram de desentendidas.

Dario parecia observar a moça, como se quisesse ainda perguntar algo, e Madalena olhava para ele como se soubesse que tinha alguma coisa ali que não estava combinando, se via alguns vestidos de piratas e Dario sorriu e falou;

Muito engraçado!

O que é engraçado? Marta, uma das amigas da

faculdade.

Meu bisavô era um pirata, menina!

Sério?

Sério, Capitão Willian, como muitos o conheciam!

Outro rapaz a mesa, fez um comentário em inglês, e Madalena tentava pensar o que estava fazendo ali, reparara que o rapaz parou de beber, sinal que queria estar sóbrio, ela o acompanhou.

Onde achou este gato? Marta;

Madalena viu que o rapaz seria agarrado antes de sair, pelo menos ela pensou assim.

É casado? Pergunta Marta olhando as mãos do

rapaz.

Não! O sorriso de Dario fez Madalena começar a

olhar para João na entrada do bar, com Carla, um casal bonito, realmente não era mais parte da vida de João, estava tão longe

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J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente que quando Marta a toca no braço, olha como se voltando ao local;

Não vai responder?

Desculpa, estava longe!

As moças riram, mas Madalena viu que Dario não riu, nem os rapazes, algo lhe apontava que os rapazes entendiam o que estava acontecendo, se duvidasse, eles entendiam cada palavra, mas se fazendo de ingleses, mantinham isto longe do conhecimento das moças, algumas já aos braços de uns, outra no ataque, descarado.

Eu perguntei para ele se tinham algo? Dario olhou para ela e falou;

Não falei nada!

Madalena sorriu e este sorriso tirou as demais do sorriso, uma coisa era estarem invadindo a mesa de Madalena, outra era ela já estar com o rapaz.

Se ele não contou não sou eu que vou falar!

Marta olha para Dario como se querendo algo, ele estica a mão por cima da mesa e pergunta para Madalena;

Quer ir lá espero!

Madalena olha para João ao longe, teve a sensação de que Carla piscou para ela, depois para o rapaz, que pareceu piscar para ela, pensa em quanto aquele rapaz, que não deveria ter mais do que 24 anos, queria dizer com isto.

Não vou lá, sabe que não vou!

Acho que esqueceu quando nos conhecemos! Dario.

E não sabe de tudo?

Dario sorriu e as moças e rapazes foram se retirando, obvio, muitos beberam de mais, a especialidade do Bar do

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J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente Alemão é Cerveja com Conhaque, não é qualquer um que reage bem a esta mistura de álcool destilado com fermentado, mas os dois ficaram a observar os demais se retirando.

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12 A moça reparou quando o bar fechou e os garçons começaram a se retirar, chegou ao rapaz e perguntou;

Senhor Willian?

O rapaz acenou com a cabeça e o garçom olhando para a moça perguntou;

Podemos falar?

Onde seria a entrada?

Pensamos que viria semana que vem!

Antecipei!

Algum problema?

Minha duvida é se aqueles rapazes a frente são apenas clientes bêbados, ou quantos nos observam! Dario. O garçom olhou para o portão ao longe e falou;

Pode ter alguém lhe observando!

Então vamos logo!

Madalena viu os dois se levantarem e os acompanha, parte da conversa era em inglês, parte em português, o que fazia ela perder parte dos detalhes. Foram a cozinha e o senhor indicou uma porta, parecia uma dispensa, mas quando abriu a porta, se viu uma escada de pedras, bem íngreme para baixo, as paredes pareciam de tijolos, começam a descer e a aventura começa.

A moça olha as paredes rusticas, paredes de tijolo, daqueles bem antigos, os fios foram presos pendurados nas paredes e a cada 10 metros tinha uma pequena lâmpada fosforescente.

Onde estamos?

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J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente Dario olha para a moça e fala:

A algum tempo, tinha um caminho que ligava o Clube

Concordia até aqui, para os imigrantes terem uma rota de fuga, mas a 12 anos, uma parte do caminho desmoronou, então vim por cima!

Esta dizendo que teria como ter entrado por lá?

Sim, mas estaríamos em um caminho sem saída!

Esta falando daqueles tuneis que foram assunto de

reportagem a alguns anos? Willian sorri e fala;

Não, aquilo foi para desviar o verdadeiro caminho,

aquele era um corredor que dava no antigo deposito que foi desativado, usavam para guardar bebidas alcoólicas. Começaram a caminhar, o caminho iluminado, era meio baixo em certos trechos, principalmente quando mudavam de altura, parecia sempre que era uma espécie de janela baixa, como se dali em diante se fizesse um novo trecho.

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13 Depois de rastejar, e se depararem com o fim da iluminação, o senhor olha para Willian e pergunta;

Sabe que daqui não passamos!

O vigia ainda esta no caminho? Pergunta o rapaz. O senhor olhou para a moça, e perguntou;

Sim, mas acha prudente levar a moça? Willian não respondeu;

Colocaram capacetes com iluminação, o escuro era imenso, que depois de alguns metros, não se via nada, era um caminho estreito, caminhando no sentido oeste, Willian pega um comunicador, e quando a moça pergunta novamente;

Onde vai dar isto?

Apenas mantem a calma, estou tentando descobrir!

Mas parecia esperado!

Apenas mantem a calma!

Estavam se arrastando e se deparam com grandes colunas, o caminho ficou mais largo, se ouvia um som ao longe, ela olhou um buraco ao teto, parecia subir uns 30 metros, era estranho olhar o quanto estavam ao fundo, veio no coração da moça um medo, entrara em um buraco com um estranho, e ela perguntou;

Onde estamos?

Clube Garibaldi!

Os olhos dela pareciam entre a duvida de continuar ou recuar de vez, não parara para pensar, e agora estava em um caminho que não sabia onde acabaria.

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J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente Caminham mais um pouco, e um salão se abriu e a moça sentiu ele pegar em sua mão, e se viu o imenso ser, clareado pelas luzes, parecia uma cobra, mas não se via os olhos, a boca, que surgiu em um dos pequenos buracos, pequeno para ela, deveria ter mais de 2 metros de raio.

A moça pensou em sair correndo e Willian segurou sua

mão e falou;

Maeté, permissão de passar!

O

grande não emitiu o som de uma cobra, não viram sua

boca para saber se era venenosa, o que poderia indicar que ela engolia suas presas após lhe apertar e desacordar, mas eles eram pequenos até para um aperitivo para ela.

Um som estranho entre ruidos, pareceu ser;

Siiisss o quess fassszem em minsssnha cassssa!

Apenas de passagem! Willian.

Quemm ssssi atrevvvviii a virrr asssqui!

Dario Willian!

A moça viu a cobra recuar, olhar para a moça e pergunta;

Sisssss e ela!

Madalena de Gutiérrez!

A moça estranha, pois o grande ser recua e fala;

Desssculpa lhessss atrapalhassssr!

Os dois viram o ser lhes dar as costas, naquele momento pareceu ser uma cobra, e viram ela sumir pelo buraco que havia saído, Willian faz sinal para ela andar e pontou uma entrada estreita, por ali a grande serpente, ou o que fosse não conseguiria lhe seguir.

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14 Rastejam pouco mais de 50 metros e se vê um salão apertado, mas com pequenas entranhas, pelos dois lados e Madalena

perguntou;

O que é este lugar!

Estas entradas eram como se fossem prateleiras, onde

os Jesuítas guardavam o que lhes era importante, mas a mais de 300 anos que foi esvaziado!

Esta a me dizer que aqui houve um tesouro jesuíta!

Tesouro, uma boa palavra para definir o que tinham

aqui, mas em parte tinham também ouro, pedras preciosas, mas

o principal, era onde guardavam os vinhos para envelhecimento! Madalena riu, e continuaram pelo caminho.

Seguiam calmamente por aquele caminho, que dava para ver poucos metros para traz, poucos para frente, Madalena vê quando o rapaz em meio ao que parecia uma reta, para e olha as paredes, pareciam úmidas, o chão por um momento ficou bem escorregadio, a mistura de um piso de tijolos com uma camada de lama fina e úmida, fez a moça escorregar, teria caído se Dario não a tivesse segurado.

Obrigada!

Os dois se olham, aquele olhar de Madalena pela primeira vez foi reparado por Dario, que viu medo em seus olhos.

Calma, não vou lhe fazer mal!

Madalena não respondeu, ele a arrastara ate ali, quer dizer, ela o seguira até ali, ele nem tentara tocar nela, sentiu-se meio confusa com seus sentimentos, agradeceu de novo e

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continuaram

tinham a frente. Estavam em meio a escuridão quando ouvem uma serie de tiros e dois gritos masculinos, olham para o fim do corredor, de onde teriam vindo, e Madalena passa a frente, perguntando; Tem alguém realmente lhe seguindo? Dario não responde, teria de ter a chance de tentar desvendar o mistério, mas parecia que já chamara atenção demais, mesmo tentando ser discreto em sua estada de não mais de dois dias na cidade, pensa se teria feito algo errado, olha para o caminho a frente e indica para ela andar, ele apagou sua luz, então era o capacete dela que neste momento dava o caminho, somente uma luz em meio a uma total escuridão.

que

a

caminhar,

por

aquele

caminho

úmido

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J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente

15 O caminho pareceu ser uma linha meio reta, meio, mas ainda estreita, a moça não

conseguia ir ao lado do rapaz, sempre um pouco mais atrás, a umidade das paredes as vezes parecia ser um desafio, estavam caminhando a tanto tempo, que Madalena nem se deu conta de que hora era lá fora, mas depois de 2 horas naquele buraco, viram o ramificar do caminho, Willian encostou na parede e falou;

Estranho, não faz sentido!

E algo faz, esta me mostrando que existem tuneis antigos embaixo da cidade!

È que na parede a esquerda, a denominação é 2, e na direita, 5 subdivisões!

Como sabe o que esta escrito ai?

Isto é dialeto Asteca.

Nunca soube bem que dialeto é este. Madalena

andando, ainda esta confusa, sabia que alguém viria por aqueles corredores, então parecia tensa em ter de decidir um caminho.

Quando se fala em conspiração, menina, as pessoas

pensam em um grupo de pessoas fazendo e segurando toda a informação, mas pense, existem muitas sociedades, e todas elas tem seus segredos, a soma delas é a conspiração, mas elas não agem juntas, elas desencadeiam acontecimentos, mas não o

exato que elas queriam!

Fala sempre por enigmas, desviando a pergunta?

Dario sorri;

Não, mas todo linguista diz, que a língua escrita

Asteca foi a língua escrita que mais conseguiu interpretar o

33

J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente dialeto falado, mas ai entra um problema, quem tem escritos Astecas para afirmar isto?

Madalena viu que a estória ia ser longa, olha para o corredor que vieram e depois para Dario, que sem a luz a cabeça, era apenas um rosto iluminado pela sua luz, o resto um breu total.

E quer ir por onde?

Pela direita!

Por que?

Os Jesuítas sempre iam pelo caminho a direita, os a

esquerda eram os tortos, os canhotos eram tortos, tudo a esquerda era algo para locais sem valor para deus!

Os tesouros ficariam a Esquerda?

Willian olha para Madalena serio e fala:

Muitos já saquearam estes locais, mas para os

religiosos, a esquerda seria deus, um cemitério quase com certeza, dizem que muitos morreram por terem feito estes tuneis, escravos e índios, até mesmo os mais jovens na doutrina, sei que um destes caminhos deve ser um cemitério, outro deve levar a igreja das Mercês, outro para um bosque, com seu sobrenome, e um quarto para o coração da existência!

Não entendi?

Se tivesse algo

dizendo

4,

teria

certeza

que

é

o

caminho, mas dois, pode ser que tenha outras subdivisões.

Desculpa, mas o que quis dizer com coração da

existência?

O objeto que trouxe meu antepassado a estas terras!

34

J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente

a

caminhar no túnel a direita, era bem apertado, ele parou um momento, e apagou a luz do capacete dela, e falou;

Primeiro fecha os olhos, este caminho vai ser sempre

encostado na parede, de tão estreito, então até a próxima saída podemos ir sem chamar atenção!

Madalena olha para o rapaz, depois de um tempo de olhos fechados, não via nada, sentia a parede áspera as costas, sua roupa de festas deveria estar um lixo naquele momento, mas quem olharia para alguém em um buraco daqueles. Volta a andar, queria ir rápido, mas realmente era um lugar que alguns amigos de faculdade nem passariam. Voltou pensar no que estavam conversando;

Madalena

as

vezes

queria

ouvir,

mas

começaram

Do que estava falando?

Já ouviu algo sobre a lenda do Pirata Zumiro?

Algumas, mas pura lenda.

Eu seria por si, bisneto do irmão dele, então é como se

meu bisavô fosse irmão do Capitão Willian, o Pirata Zumiro, como ele mesmo se definiu!

Mas o que é este coração da existência?

Uma espécie de chapéu, mas em metal, usada por

Montezuma, líder dos Astecas, o instrumento sumira por séculos, mas quando meu antepassado, que pirateava navios negreiros, se deparou com um Galeão Espanhol na costa da ilha de Marin Vaz no litoral do Brasil, encalhado, obvio que teve de verificar, principalmente com a recepção a tiros que teve, foi esta recepção a tiros que danificou seu navio, neste navio dizem que ele achou um tesouro e muitas peças de valor histórico, entre elas achou o coração da existência, por algum

35

J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente motivo, ele o escondeu nestas terras, não sei ao certo do que se trata, mas tudo que tenho são suposições!

Suposições?

A lenda diz que era uma comunicação com deus, ou

com seres superiores, a ideia de religião veio da Europa, não existia antes deles, mas como explicar para um padre a diferença de educação com metas a alcançar, e de religião, quando estas etapas passam pelo conhecer do corpo, do cosmos e dos pesos que se carrega na vida! Iam se arrastando pela parede, quando Dario ouviu um ruído, se calou. Estavam a caminhar naquele corredor apertado e não mais do que 300 metros afrente se deparam com uma peça pequena, Madalena quase caiu, quando a parede as costas sumiram. Dario pega um pincel fosforescente e marca a parede que haviam saído, para saber por onde voltarem se fosse o caso. Dario sai da pequena entrada, não fala nada, ela sabia que ele estava agora em silencio, não sabiam se alguém viria atrás deles, mas era obvio que alguém os seguia. A peça pequena, sem luz, ele foi apalpando o local, sabia que os seus feitores, fizeram aqueles tuneis para passarem silenciosamente e na escuridão, uma marca a parede, ele pensa, Templo, outro Floresta, outro água, outro tesouro, e o que haviam vindo, cidade dos vivos e dos mortos.

36

J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente

16 Madalena sentia o movimento quase silencioso de Dario, a escuridão era muito

grande, ela estava assustada, ouvia barulho vindo pelo corredor que vieram, Dario não falava nada, mas era

obvio, quem vinha estava armado, estavam a iluminar tudo, mas será que seriam perigosos? Se assusta quando sente ele a tocar no braço, e ouve ele;

Vamos!

Ela não sabia por onde iriam, mas obvio, pelo menos para ela, que estavam se escondendo. Caminharam não mais de 100 metros e a moça vê o salão se ampliar, o sorriso de Madalena contrastava com a cara de preocupado de Dario.

Ouviram alguém vindo de uma escada a frente, e firam as luzes se ascenderem, viram a grande grade a frente, Madalena ia falar algo vendo os frades a frente, mas sentiu a mão de Dario em sua boca, e a puxou para um canto. Ela olhou assustado, viu os religiosos abrirem a grande grade e um senhor ao lado dos Frades falar;

Têm certeza que eles não teriam como sair por aqui?

Sim Arcebispo, esta saída é proibida, nem os novos sabem de sua existência!

E qual outra saída esta aberta?

Eles teriam de acertar o caminho, pois para o Gutierres desabou a 70 anos, para o tesouro, entra naquela sala, que não nos leva a nada, acho que alguém esvaziou, mas tenho certeza que quemnunca chegaria a meu conhecimento arcebispo!

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J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente

E a saída?

caminho, podem até sair, mas vão

demorar uns 3 dias naquele caminho!

Manda alguém verificar na saída do cemitério, não queremos surpresa!

Este

é

o pior

Sim arcebispo, mas qual o perigo?

São domínios de nosso passado Frei, eles reencarnam, mas eles tentaram levar todos ao inferno!

Então são perigosos!

Tanto para o corpo como para a alma!

Madalena ouvia aquilo, não estava entendendo, mas era obvio, que os seres estavam indo no sentido que eles vieram, um dos freis ficou a poucos metros deles, vigiando, Dario faz sinal para ela ir saindo aos poucos, no escuro, não sabiam o que havia a cima, mas quando viram as luzes a frente, mantiveram- se sempre nas sombras, e na primeira entrada a esquerda saíram para um gramado, por uma aparente saída de agua, foi apertado passar ali, mas agora era só o muro de divisão, estavam tentando não serem vistos, Madalena olha sua roupa, suja, rasgada, meio sem jeito não sabia o que falar.

Dario a olha aos olhos e indica o caminho, eles pulam o muro quase na esquina da Avenida Manoel Ribas, se encostam no muro, ele olha nos olhos de Madalena e fala;

As vezes queria que fosse apenas impressão, este alerta que me diz estarmos em perigo. Madalena vê ele a olhar e falar;

Desculpa! Madalena sentiu que eles estavam

encrencados, ele pega o celular, pensa se deveria ligar, acessa o GPS do celular, e se localiza, olha a igreja e fala para a moça. Se quiser sair, acho que ainda é tempo!

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J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente

Sair do que? Precisamos conversar!

Dario olhou nos olhos da moça, lindos olhos negros;

Talvez, mas dai não terá como sair!

A frase pareceu pior que a primeira, o que aquele rapaz sabia que parecia conhecer as entranhas de sua cidade, e ao mesmo tempo, sozinho, não fora lá com um exercito, e sim, com ela;

Gostaria de saber!

Ele a esticou a mão e desceram por uma rua lateral a igreja, desceram 3 quadras e viraram a esquerda e subiram 2 quadras, estavam na Avenida Jacarezinho, e sentaram-se em um bar de esquina, estavam imundos, o garçom olhou desconfiado então o rapaz pagou a vista duas cervejas, e o garçom serviu os medindo como indigentes. Sentados a rua, a moça perguntou;

Não estamos muito visíveis?

Sim, mas ainda é melhor em um local visível, a um

lugar escondido e que morreríamos sem ninguém ver!

Por que o Arcebispo estava lá, e nos chamou de

demônios?

Para a igreja, tudo que a ameaça são demônios, e o

que sei, ameaça a atual igreja, não a do passado, pois esta igreja no passado tinha escravos, tinha pedófilos declarados, tinham um exercito de ação e um de conquista, mas na época tudo era defendido pela fé, hoje não se aceita mais estas coisas!

Não esta sendo claro!

Dario sorri e experimenta a cerveja e fala;

Quando me falavam que vocês tomavam cerveja

gelada, estranhei, mas sentindo o clima local entendo por que.

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J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente Fala tomando um gole longo. Toda a estória começou para mim quando há 10 anos, ainda um adolescente, meu pai no leito de morte me entregou uma carta e disse que este era um segredo de família, eu olhei a carta, demorei a entender o que era, uma grafia estranha em um inglês quase sem uso nos dias de hoje, com termos que não entendia o sentido.

Então esta nisto a 10 anos?

Me preparando para isto a 10 anos.

E que carta era esta?

Uma carta de meu bisavô, uma carta longa, datada de

1887, onde ele fala que estava escondendo um patrimônio para

os seus, que se ele não conseguisse retornar, que um dia, os seus deveriam vir a Curitiba e pegar parte do que sobrou!

Esta falando serio?

A carta fala do Coração da Existência, nome dado pelos espanhóis, pois na tradução do Asteca, se chamava Fim de Expediente, ou do Trabalho, algo assim!

Mas por que acha que o tesouro ou este coração ainda esta neste local!

Quem deveria me responder isto era um descendente

da família Gutierrez, mas pelo jeito a estória se perdeu!

Quer dizer que deveria saber de algo que não sei?

Não sei, sua cultura é diferente da nossa, mas como

você parecia esconder algo, poderia ser a escolhida a esconder o segredo, mas hoje sei que não era quem deveria ser, mas a coloquei nisto!

Como sabe que não sou quem deveria?

Você teve medo de Maeté!

Madalena lembra da cobra e olha assuntado;

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J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente

E não deveria temer um ser daquele tamanho?

O portador da informação, não temeria, mas me

enganou direito, a olhei, de tênis numa festa que todas as moças estavam com no mínimo uma sandalinha de salto, mas quando tentou sair, pensei que escondia algo a mais, mas eu que me enganei.

E o que esta pessoa deveria saber?

Quando se fala em mais de 150 anos, quando meu

parente chegou a estas terras, muito antes de ter escrito aquela

carta, ele mandou uma carta para os parentes, mandou um mapa, ele havia comprado um terreno afastado da cidade, onde antes havia um manicômio de Frades Jesuítas, neste mapa tem alguns pontos que ainda existem, entre eles, a Cruz do Pilarzinho, algumas nascentes, ontem fui ver um parque municipal que chamam de Universidade Livre do meio Ambiente, em um trecho do paredão da escavação da pedreira, tem uma entrada do antigo caminho, mas ali não tenho acesso, e acho que não vai levar a lugar nenhum, quer dizer, pelo mapa acabava na saída da Cruz do Pilarzinho, que em linha reta para cima, não dá mais de 50 metros dali. Dario toma mais um gole:

Quer dizer que parte do tesouro pode ter sido achado por acaso por outras pessoas?

Se olhar os acontecimentos, a ordem, a preservação dos pontos pela prefeitura local, existe um grupo a procura disto, ou de algo, pois hoje a pedreira é um parque, o Bosque Gutierrez é um parque, na direção, o próximo passo, onde tem uma saída, é o Bosque Alemão.

Esta dizendo que os pontos foram sendo preservados?

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J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente

Não, que somente agora está vindo ao poder publico,

mas que por anos esteve nas mãos de descendentes ou de Alemães ou de sua Família!

O seu parente não deixou descendente?

 

Não,

vida

de

pirata

geralmente

gerava doenças

venéreas

graves,

ele

era

estéreo,

então não deixou

descendentes!

Mas quem nos seguia na caverna?

Representantes da Igreja!

Por quê?

Por que para os demais, o tesouro roubado dos

jesuítas, tem de continuar sendo um mito, a igreja não declara sua riqueza real!

Mas ouvi tiros?

Pelos gritos, pelo menos duas pessoas morreram lá, Maeté não os deixaria passar!

Mas eles mataram então a serpente?

Ninguém mata Maeté, ou existe mais de uma serpente

como aquela nos subsolos de Curitiba!

Esta dizendo que ela é tão antiga quanto a estória?

Esta nos registros dos Jesuítas nestas terras, eles não

abriram os tuneis, eles de alguma forma, foram colocando tijolos nos tuneis que lhes interessavam, muitos escravos morreram para que isto acontecesse.

Mas como ninguém nunca viu um ser assim?

Dario não teria como responder isto com certeza;

Não tenho todas as respostas moça, mas talvez ainda de para sair sem se ferir

Quer que me afaste?

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J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente Dario a olha sério; Estou dizendo que resolvi fazer algo que há anos minha família passa a frente, mas não veio ver, talvez tenha mais o espirito de meu descendente, de aventura, do que meus pais e avós, mas que vai ficar perigoso. Tomavam umas cervejas e Dario estava tentando pensar.

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J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente

17 Quando Dario viu 3 carros fecharem a rua, Madalena sentiu medo, se viu pessoas armadas

saindo dos carros, o garçom se recolhe, as pessoas ficaram tensas no bar, e um senhor, num terno alinhado corte Italiano, chega a mesa e olha para Dario;

Senhor Willian, - Olha para Madalena e senhorita Gutierrez, melhor nos acompanharem por bem!

Madalena teve medo, mas sabia que a partir deste momento, não teria mais como sair, olha para o senhor, depois de olhar nos olhos de Willian;

Me deem um bom motivo para isto? Madalena olhando para o senhor.

Podem não ir por bem se quiserem?

Dario aperta um único botão no telefone e o deixa sobre a mesa, enquanto os demais estavam olhando para a moça;

Ou mortos, e você morreria no segundo seguinte,

valentão! Fala Madalena pulando para dentro da encrenca.

Acha que sabe o que esta acontecendo menina?

Mais que você, com certeza, e melhor estes senhores atrás ser da policia, pois eles já estão a caminho!

Acha que alguém vem a defender?

Madalena tira o celular do bolso e fala;

Não! Madalena sorri alto, o senhor não entendeu,

ele tinha um ponto no ouvido e olha para Willian e pergunta;

O que ela quer com isto? Dario sorri e fala;

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J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente

Se seu soubesse não estava tentando conseguir ajuda,

mas você, Roberto, pode até nos matar, mas como ela falou, estaria morto no segundo seguinte, e sabe disto!

Roberto olhou para a moça que falou;

Senta ai,

ou se retira antes de gerar problemas

maiores!

O que sabe moça?

Se me responder uma pergunta lhe respondo!

Faça?

Como saímos de sua arapuca?

Dario olha para Madalena e passa em sua mente toda a noite, agora ela sabia o nome do senhor, mas o vira no clube, o vira na mesa ao lado no Bar do Alemão, lembra dele falando com o garçom um tempo, as vezes rostos bonitos se traem por si, por chamarem a atenção das mulheres. Dario começa a pensar em o que fizeram e se a moça não era parte da lenda, pois quando todos recuariam, que ela começa a atacar.

Não tem como ter saído por caminhos conhecidos!

Ou saímos antes de vocês verem!

Ou tem outra saída

O rapaz olhando para Willian.

Dario entendeu que a moça estava jogando, quando ele deixou a marca na parede, fosforescente, pensou em uma saída, mas agora servia apenas para dizer que estiveram lá. Madalena olha para Dario e uma coisa se passa em sua mente e não fala, mas sorri, e o senhor soube que ela descobriu algo.

Por toda volta, olhando para as ruas laterais se viu carros da policia chegarem, os rapazes esconderam as armas, alguns carros pararam ao lado dos da policia, pareciam policia

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J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente municipal, era estranho tantos a rua, em uma esquina calma do Pilarzinho. Roberto estranhou e olhou para Madalena;

Acha que a policia vai se meter?

Acho que nem sabe do que se trata!

E você sabe?

Fim de Expediente! Fala Madalena jogando, o senhor olha serio para ela, os demais a olharam e Dario não entendeu, mas se a moça estava jogando, o senhor de Roma estava entrando na conversa.

A polícia chega querendo identificações, Roberto olha para o senhor, se identifica, o rapaz também, dois estrangeiros, europeus em uma rua com pessoas armadas.

O que temos aqui, um mendigo Inglês?

Diria que entrei na esquina errada!

E a moça ai?

Estudante de Biologia da PUC Fala Madalena sobre

os olhares dos demais, tem gente que mesmo suja era bonita, ela era assim, não chegara a ponto de perder o charme.

Um senhor da guarda municipal chega ao policial e fala;

Quem nos chamou?

O militar não entendeu, mas fez sinal para eles liberarem a rua, toda fechada, mas olhando mais atentamente, viu que os carros da policia eram os que mais fechavam a rua neste instante.

Não fomos nós!

Madalena vê que o senhor a olhar aos olhos, como se querendo saber quem era, vê alguém fotografando mais ao

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J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente

longe,

acompanha os olhos dela e a vê levantar e falar;

não

tinha

motivo

para

ter

repórteres

ali,

Dario

Podemos ir senhor? Se direcionando ao policial.

Sim, mas melhor irem para casa!

Dario vê ela esticar a mão para ele e os dois saem dali. Atravessam a rua sobre os olhares, alguns querendo se mexer mas sem saber o que estava acontecendo, até o garçom se visse aqueles dois, não mais os trataria mal a partir daquele dia.

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J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente

18 Dario vê a moça fazer sinal para um taxi, o senhor estranhou, mas como a moça

esticou uma nota para ele e deu o endereço, não reclamou, pararam a porta de um motel na rodovia do café,

e Dario estranhou, mas se uma coisa que Madalena não levava para casa eram seus problemas, então precisava de um banho. Dario estranha, pois ela chegou no quarto, depois de uma caminhada da portaria ao quarto, a maioria entrava de carro, mas naquele momento, seu carro e o do rapaz estavam lá no Largo da Ordem, em um estacionamento que já deveria ter fechado. Ela se despe e vai ao banho, se uma coisa que a anos a moça perdera era a vergonha referente a seu nudismo, era daquelas pessoas que não encaravam seu corpo como um pecado, e sim como um instrumento de uso, que a cada ano estaria em pior estado, e não em melhor, pois como aprendia diariamente em biologia, começamos a morrer a partir do dia que nascemos. Ela sai se secando e o olha aos olhos e fala;

Toma um banho e depois me explica o que não

entendi!

Dario pela primeira vez a mede vendo seu corpo, a primeira vez, foi para reparar no tênis, na roupa bem confortável para uma caminhada. Sabe a encrenca que escapamos a pouco?

Sei que preciso saber, mas toma um banho, depois

comemos algo enquanto conversamos! Dario toma um banho enquanto Madalena liga para os pais que ainda estavam na festa;

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J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente

Pai, tudo bem ai?

Sim, algum problema filha?

Comigo não, mas vou dormir na casa da Marta, qualquer coisa nos falamos amanha!

Tem certeza que esta tudo bem?

Madalena parou na frase vendo o rapaz, com músculos definidos tomar banho por traz do vidro que dava ao chuveiro.

Por que não estaria pai? A mudança de tom foi clara O que sabe que não sei?

Tem um senhor a minha frente perguntando de você?

Quem?

Roberto!

Me passa ele no telefone!

Mas filha, sabe quem são?

O senhor sabe pai?

Vem ao clube, dai falamos!

Põem ele no telefone pai!

Madalena não via a arma apontada ao pai, mas sabia que algo assim poderia acontecer, pois algo seu pai não lhe falara, e agora estava em perigo por este segredo.

Ouviu seu pai senhorita!

Quer morrer mesmo, pelo jeito, Roberto, vou ligar

para Roma e pedir alguém competente, e não um animal irracional!

Eles não lhe ouvirão!

Se entendi seus métodos, nem o arcebispo sabe quem

somos e o que procuramos, mas você sabe, então se quer encrenca, meche com eles!

49

J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente Madalena não falou mais, se ouviu um agito no telefone, e ficou a ouvir até seu pai falar novamente;

Onde esta filha?

Isto não ajuda em nada saber, mas pela manha estarei em casa pai! Mas esta bem? Agora sim filha, ainda bem que deixou o celular ligado a mesa, assim pude saber que viriam!

Mas quem são eles, pai?

Não posso dizer ainda filha. Mas o que vai fazer filha? Eles são perigosos!

Então o que tenho de saber pai?

Não tenho como falar disto por telefone filha!

Madalena entendeu que o problema era maior do que pensava, e enquanto olha para o rapaz saindo do banho e fala;

Então se não aparecer amanha cedo pai, não estranhe!

Mas filha!

Pai, amanha cedo, este pessoal vai estar na porta de

nossa casa, pelo que disse, por que eu apareceria, se não pode falar, é por que eles saberiam, e se saberiam, sabem onde estou, onde vou, mas eu não sei, então, se não aparecer, apenas entenda como quiser!

Mas não esta pronta para saber!

Madalena olha para o rapaz o medindo, sua cabeça precisava relaxar, mas nada estava ajudando;

Então até qualquer dia pai!

Madalena desliga o celular, e olha para o rapaz;

Ainda não sei o que você precisa saber!

Seu pai sabe?

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J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente

Disse que não poderia falar por telefone e que eu não estava pronta para saber!

Esta tentando lhe proteger, por que estranha?

Não estranhei, e amanha cedo vou falar com ele!

O rapaz se veste e a moça pede algo para comer pelo telefone do motel, esperam um pouco e após comer ela volta a falar, estava introspectiva, pensando em o que poderia fazer em sua cidade, o que faria ela se tivesse em perigo. Paulo não era para estes momentos, os amigos da faculdade não eram para estas coisas, e seu pai não poderia ajudar, olhou para o rapaz a frente e falou;

Pelo jeito agora não tenho mais como sair!

Dario

que

aconteceu e perguntou;

Não entendi o acontecido, mas parece que acham que você é mesmo a chave, mas pareceu entender algo?

olhou

para

a

moça,

estava

pensando

no

Lembra da escada no bar, da saída de ar no clube?

O que teria de lembrar?

Arredondados,

escavado

milimetricamente por algo de dois metros de diâmetro!

como

um

túnel

E dai?

Como era o túnel que ligava os pontos entre o que

parecia o subterrâneo do mosteiro que ficava lá no Largo e aquela divisão de tuneis?

Na mesma forma!

Mas depois mudou de forma?

Sim!

Pode ser suposição, mas ou estamos no túnel errado, ou não vimos algo!

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J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente

Por que?

Lembra da feição do ser que chamou de Serpente, ou de Maeté?

Sim?

Era uma minhoca gigante!

Tem certeza disto?

Obvio que nunca soube de uma que viveu tanto, e nem que tivesse tal tamanho, mas ela se portou como uma, obvio que não é uma simples minhoca, mas com certeza, tem mais para uma minhoca que para uma serpente!

O que quer dizer?

Minhocas abrem caminhos que ligam locais ricos em

matéria orgânica, pontos onde existem nascentes são preferenciais, e todo ser sabe que elas odeiam sol, então se saem para fora é por engano, mas o ser ali tinha a composição do corpo de uma minhoca, mas a boca, de um anfíbio que chamamos de Siphonops, ou cobra-cega, um exemplar único, uma ligação entre os anfíbios e os vermes, mas em teoria, teríamos um ser que ligaria, agua, terra e regiões de nascentes, Largo da ordem, nascente, 4 ou 5 sequenciais, o caminho se estende entre o Largo da Ordem e o Pilarzinho! A moça lembra que o rapaz não era da cidade e pergunta Esta acompanhando o assunto?

Sim, mas não entendi o que achou entender?

Qual sua missão aqui?

O rapaz a olha, algo a mais havia passado em sua mente, mas ainda não sabia nem se era ela, e nem se confiaria um segredo de família assim, poderia morrer por algo assim;

Acha que viria aqui pelo que?

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J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente

Dinheiro, sucesso, riqueza!

Aquele ser me daria isto! Fala o rapaz;

Talvez, mas o que o trouxe aqui, aquilo deveria ver como mito!

Sim, um ser como aquilo me parecia mito, mas temi

quando vi a serpente, que não sei se acredito se era uma minhoca!

Um misto, um ser que pode comer carne, e pode comer restos em decomposição na terra, algo mais evoluído a ponto de falar, então não é qualquer ser!

E fala português!

A moça sorriu, pois todos os grandes seres falam inglês, não português, olhou para ele e falou;

Não sei, não tentei falar inglês com ele!

O rapaz viu que a moça não dividiu com ele o que achou, não o seduziu, então não sabia a posição dela, viu ela após comerem, ligar para a recepção de pedir um taxi. Saíram de taxi, enquanto se dirigiam ao local dois grupos com ideias totalmente diferente, mas que lá chegando não tinham mais nada a seguir.

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J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente

19 Descem a frente do Bosque Gutierrez, bosque Chico Mendes para os mais

acostumados a Curitiba, um bosque que foi homenagem de Curitiba a toda a briga dos seringueiros por direitos.

Madalena olha o relógio, 4 e 32 da manha, olha a sacola onde estava o capacete, olha para o rapaz e fala;

Onde poderia ter uma saída no bosque?

Como saberia?

Ela olha serio para ele, que abre a carteira, tira um papel envolto em um plástico, o abre com calma, era um pequeno mapa, ela olha os pontos, e começa a caminhar, todos olhavam para um lado, o mais clássico, mas ela olhou onde no mapa havia a casa, e começou a subir pela rua mesmo, sem entrar no bosque, passou pelo lado das torneiras que durante o dia, algumas pessoas enchiam galões de agua, subida em curva, depois de uma parte, via os campos de esportes, na parte mais alta, e por uma trilha, estranho como para quem estava a tanto tempo na noite, não sentia-se cansada, parou no meio do campo de futebol e olhou no sentido do fim da rua Jacarezinho, esteve no início da mesma rua, olhou para as casas do outro lado da rua, bem mais alto que ali, olhou em volta e viu um buraco tampado por uma cobertura de cimento, e uma tampa da Sanepar (Saneamento do Paraná), abre ela com ajuda do rapaz e começam a entrar em um buraco, parecia um de captação de agua, mas quando chegam na parte baixa, se via os canos da Sanepar enfiados no chão, olhou em volta, pega uma pedra no chão, e começa a bater em todas as paredes, era obvio que poderia não ser ali, mas quando uma das paredes pareceu ser

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J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente oca, ela bateu com força na parede, Dario não sabia se era um caminho seguro, mas ela não parou antes de abrir um pequeno buraco, ela pega o capacete, ascende a luz e coloca no sentido do pequeno buraco, e com dificuldade vê que havia algo em tijolo por traz. Começa a bater com mais força, Dario pega outra pedra e começa a bater também, depois que o primeiro tijolo da construção nova cedeu, ele empurrou com o ombro apoiando na outra parede o pé, e a mesma cedeu, ele se apoiou para não ir ao chão, enquanto Madalena viu um pequeno buraco, olhou os tijolos, parecia um chute, mas ali tivera uma construção, entrou e viu ficar mais amplo depois da primeira curva, deu para ficarem de pé, a largura não superava um metro, olhou a frente e viu que a frente o caminho fora fechado, olha para os tipos de tijolos e fala; Ali! O rapaz concorda com a cabeça, mas se tinha algo que motivava a menina era um desafio, as vezes olhava o rosto do rapaz, quando um rato, uma aranha ou uma barata passava por eles, era um menino de família, não um de rua, até fresco demais para ela, isto não combinava com o que o rapaz falou. Bem no centro da parede, começou a bater novamente, depois do primeiro tijolo foi fácil, mas olhou o relógio e perdera quase uma hora para chegar ali, entra no corredor colocando o capacete, seco demais até para ter aranha, o local estava bem isolado, estavam caminhando a pouco mais de 4 minutos, quando um grande salão se abre, deveriam estar bem embaixo da Rua, mas o caminho foi descendo, o que queria dizer que estavam bem mais ao fundo, uns 40 metros de profundidade.

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J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente Madalena olhou em volta e perguntou para o rapaz, olhando outras 3 saídas:

Para onde?

O rapaz reparou que todas as saídas eram circulares e perto de 2 metros de raio, passou nas paredes, a moça estranhou um símbolo que lhe lembrava duma placa de sinalização e um relógio de aproximadamente com dois ponteiros marcando 10h30min. O rapaz aponta bem para aquela saída e ela pergunta;

O que significa este símbolo? Fala ela olhando em

volta, viu que o ponteiro maior apontava para onde entraram, mas a parede que tinha o símbolo era a logo em frente, haviam duas saídas lateralmente e uma a frente, o local parecia um quadrado protegido por uma imensa pedra. Ela foi no sentido do rapaz, e deu um tropeção antes de chegar a ele que já se direcionava ao caminho que eles iriam, olha para o chão, pensou em algo, por isto não olhou para cima, evitou com tudo olhar, mas segurando a curiosidade foi a frente, o rapaz entrou a frente, o caminho começa a descer, estavam pelo que Madalena entendera, descendo no sentido da Jacarezinho, mas poderia ser algo paralelo a isto, depois de uns 600 metros, os dois viram que o túnel acabou, acabou simplesmente, fechado em todos os sentidos;

Para onde, já que esta me conduzindo hoje? Dario;

Madalena não sabia se deveria continuar, mas as vezes se vive para algo assim, quantos devem ter morrido antes de chegar ali. Madalena tira a carteira do bolso, pegas um cartão antigo e olha para o chão, começa a passar por ele, vê que tem um circulo central, ela acha o fim dele, e começa a passar o cartão

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J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente

demais, tirando a areia que ali se

encontrava, o rapaz vendo que ela achava que era por ali, Madalena chega numa ponta e vê que uma das pedras ao chão, não existia, era apenas um espaço inteiro cheio de areia, foram tirando e colocando ao lado, viu ao tirar a areia do local onde deveria ter um tijolo, acabou mostrando um local de apoio por baixo da grande pedra, chamou o rapaz, os dois fizeram força e aquela pedra ficou de pé, era maior que o buraco, então rolaram ela lateralmente, ela olhava para o buraco,

na junção dele com os

visivelmente tinha apoios naquela parede, buraco de não mais de 1 metro de raio, estava olhando para baixo quando sentiu o empurrão, sentiu o corpo tender no buraco, não teve em que se segurar, sentiu o corpo caindo, por segundos pensou que iria morrer quando chegasse ao chão, o escuro a toda volta, viu o chão chegar, não sabia se era próximo, a luz lhe permitia ver para onde ia de cabeça, fecha os olhos.

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J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente

20 Dario olha para o buraco, puxa um celular no bolso, liga e fala em inglês;

Achamos! Roberto do outro lado fala;

Ela caiu na arapuca?

Deve estar morta agora!

Onde?

Deixei sinalizadores, no Bosque dos Gutierrez!

O rapaz deixa um sinalizador e começa a descer;

Depois de descer uns 20 metros, viu surgir um vão a direita, e o buraco continuava a descer, como se fosse uma arapuca, viu o corredor circulando o buraco com escadas esculpidas e nela imensas caixas, tocou a primeira e viu que estava podre, viu os vermes virem ao chão, e moedas se espalharem pelo chão, parecia ouro, prata, tinham pedras preciosas, olhou em volta, nada além das caixas, estavam em degraus juntos a parede, fazendo uma meia circunferência, interrompida pela parede que ele descera, ao centro de tudo o buraco. Dario vê o senhor Roberto chegar e olhar em volta;

Onde esta o corpo?

Ainda não fui ate o fundo do buraco para verificar! Roberto olha para baixo, não via o fundo, jogou uma pedra e depois de um tempo ouviu o barulho de água;

Temos de verificar, ela viu isto?

Não Sorri Dario A joguei lá de cima mesmo!

Irresponsável, e se não fosse este buraco?

Acha que esta falando com quem Roberto?

58

J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente

Um defunto! Fala Roberto puxando a arma e dando

um tiro a cabeça do rapaz, que cai para traz, pega o rapaz e joga no buraco.

Outros rapazes começaram a chegar com caixas plásticas, e Roberto começou a fazer a retirada do material. Roberto depois da ultima caixa pega o celular e disca;

Arcebispo, achamos parte do tesouro, mas nada do

tesouro Asteca, apenas ouro, prata e diamantes dos Jesuítas!

Espero que não tenham matado a moça ainda, é o que

nos vale mais!

Dario a matou senhor!

Então o mata por mim!

Pode deixar senhor, será feito, mas ainda temos um

buraco a analisar. Roberto olha para um dos rapazes e fala;

Consegue equipamento de escalada, e de mergulho,

quero ver até onde vai este buraco! O rapaz sobe para providenciar o que iriam precisar.

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J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente

21 Madalena nos segundos que caia, viu que teria de encarar, pensou nos amigos, em

João, mas não sabia se o veria novamente, pensou em outro fim para a aventura, mas enfim achou que não adiantava reclamar, respirou fundo, e vendo que o reflexo da lux se aproximava fechou os olhos. Demorou para perceber que caíra na água, mas em meio ao breu, olhou em volta, não via nada mesmo, a dor na cabeça foi de uma imensa pancada, sentiu como se fosse desacordar, não poderia se entregar, mas para onde ir, sentia que o corpo ainda descia, e depois de um tempo, sentiu a água a levar lateralmente, estranhou pois viu uma luz para cima. Começou a nadar para cima, estava fazendo força, sentia o pulmão ardendo por segurar a respiração, vê que era uma luz bem distante, quando sai em meio a um bueiro, bem abaixo de uma rua, a luz que via, era o reflexo de entrada naquele buraco da luz do dia que começava a clarear, viu os ratos saírem como se tivessem fugindo dela, era esgoto mesmo, saiu dali e olhou para o tampo do bueiro, com dificuldade, os braços estavam doendo, a cabeça latejava, jogou o capacete no buraco de que havia saído, e viu-o afundar. Saiu e se deparou com o pátio de um colégio, fechado no inicio de um sábado, olhou em volta, tentou saber por onde era a saída, não tinha como voltar para casa, olhou a carteira, toda molhada, estava novamente em frangalhos, e naquele estado, fedendo, ninguém lhe daria proteção. Onde ir era a pergunta, teria de parecer que morrera, pois quem a empurrara, sabia onde ela morava, o que fazia, e até quem eram seus amigos.

60

J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente Saiu pela rua dos fundos do colégio, começou a caminhar numa manha de sábado, sem saber para onde ir, por instinto foi até a casa de João, não sabia mais para onde ir, mas vendo dois carros estranhos a esquina, recuou, não poderia meter mais alguém nisto.

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J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente

22 Roberto vê os mergulhadores voltarem e pergunta;

Acharam o corpo? Não, mas não achamos o de Dario, é uma caverna calcaria inundada, tem duas saídas para o esgoto, mas se ela desacordou, vai boiar junto ao teto da mesma, e quando for apenas ossos, vai ao fundo! Me verifica se alguém viu algo em uma das duas saídas, não temos ainda o que queremos, seria uma sorte se ela não tivesse morrido! O rapaz confirmou com a cabeça e um caminhão chega ao local, carregam todas as caixas, Roberto verifica os demais caminhos, um deles vinha do sentido das Mercês, sabia que aquele estava mesmo desmoronado, e o outro, dava em uma nascente de água. Roberto comunica o achado, documenta o local, e lacram na saída, deixando uma sinalizador na galeria principal.

62

J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente

23 Ela caminhou no sentido do cemitério Municipal, parou primeiro na porta de uma

loja na Praça lateral ao cemitério, conhecia como praça do Gaúcho, mas com certeza não tinha este nome, estica para a moça na frente, pede uma calça, uma blusa, e as roupas intimas, não provou, pagou na rua mesmo, agora ela precisava dar um jeito em seu cheiro, em meio a um enterro, ela foi ao banheiro feminino do cemitério, trancou a porta, lavou a cabeça que doía, na pia, olhou o espelho quebrado do banheiro, sorriu por estar viva, mas estava um caco. Se lavou na pia, e colocou a roupa seca, seu tênis estava um caco, mas olhou para a sacola de roupas, pensou se poderia deixar aquilo ali, amarrou e deixou no lixo do banheiro.

Alguém bateu a porta, ela estava cansada, lavou o rosto mais um pouco e foi para a Praça do Gaúcho novamente, tomar um café, agora parecia outra pessoa, ao passar na loja que passara antes, não entrou, mas pediu um boné e uma toalha, secou os cabelos descendo no sentido do shopping Mueller, pôs o boné antes de entrar no local, já era 10 da manha, sentou-se na praça de alimentação, tentou ligar para João, mas o celular pifou com a agua, pensou, tirou a bateria, o chip, e o deixou no lixo do mesmo, e voltou a sentar. Estava sentada ali a mais de 2 horas quando olhou seu pai chegar para almoçar, olhou atrás dele, vendo dois rapazes foi a um telefone publico e ligou para ele.

Boa Tarde, senhor Sergio?

Sim!

Só informando que sua filha morreu ontem a noite! Sergio reconhece a voz e olha em volta;

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J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente

Quem é, que brincadeira é esta?

Marta, ela disse que se não aparecesse aqui hoje cedo, era para lhe ligar! Sergio olha em volta e vê os dois rapazes o vigiando;

E aquele rapaz que estava com ela?

Ele a empurrou para a morte, mas não sei onde está!

Filho a puta, se não morreu eu o mato!

Sergio viu Roberto sentar-se a sua frente, e falar;

Ela esta no telefone?

Roberto pôs no viva voz;

Belo trabalho menina, decifrou um código de 400 anos, me deixou impressionada!

O quer com ela Roberto?

A pergunta fez Madalena tremer por dentro;

Ela nos levou a um tesouro escondido por mais de 400

anos, mas parece que aquele retardado do Dario a quis morta!

Eu mato aquele desgraçado!

Ele já esta morto senhor!

Madalena, ao ouvir isto, olha eles de longe, deixa o telefone pendurado e sai para o estacionamento, em quem confiar, queria falar com o pai, mas teve a impressão deles se conhecerem.

Onde ela esta Sergio?

Se não tivesse surgido, saberia, agora ela vai se

esconder!

Sergio, ela não tem como escapar! O segurança aponta para o telefone publico e vê ele pendurado, a moça não estava mais lá, teria de sumir, mas

64

frequenta

Conhecemos

todos

os

lugares

que

ela

J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente olhou para a carteira, passou em caixa eletrônico e sacou 600 reais, não queria ser rastreada a partir deste ponto, entrou em uma loja na frente da praça do homem nu, estava subindo e algo lhe chamou atenção no grande painel de Poty Lazaroto na praça, ficou ali a olhar, olhou para o outro lado da praça, subiu no sentido do centro pela Rua Riachuelo, e na altura da Praça Generoso Marques, atravessou a galeria, comprou um celular usado na galeria, era vantajoso pois não teria de o registrar em um novo CPF, põem créditos enquanto chegava nos fundos da Faculdade, atravessou a rua e entrou na faculdade de Direito da Federal do Paraná pela entrada dos fundos. Vai a cantina de Odontologia, era perto das duas da tarde,

e vê um professor entrar na cantina, a olhar, estranha Madalena ali e vai até ela;

Que aparência é esta menina?

Estou encrencada!

Pelo jeito muito, pois não vem aqui!

Pensei em um local onde ninguém me procurasse!

Quem lhe procura, o que aprontou?

De meu pai a pessoas que não sei quem são, mas nem

sei por onde começar a contar!

Seu pai vai ficar preocupado!

Avisei ele que estava viva, agora não posso aparecer!

E vem aqui?

Professor, um rapaz me induziu a uma aventura ontem

a noite, mas este rapaz foi morto, e as pessoas que o mataram, por algum motivo, querem me pegar!

E o que a policia acha disto?

65

J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente

Sabe que se tiverem alguém infiltrado me matam antes de alguém chegar a me ouvir!

Tá vendo conspiração em tudo menina!

Madalena sorriu;

Falei algo engraçado?

Se alguém me falasse ontem, que tinha uma ligação

subterrânea entre o largo da ordem e a igreja das Mercês, diria que eram malucos, se alguém me dissesse que ela se estenderia até o bosque Gutierrez, riria novamente, mas quando chegamos lá, tentaram me matar, então não tenho como explicar o que vivi ontem!

Esta a me dizer que aquela minha maluquice tem

fundo de verdade?

Mais do que fundo de verdade, se não tivesse visto um

misto de um verme anelídeo oligoqueto e um siphonops diria que era invenção!

Esta me dizendo que a lenda da cobra das galerias se trata de um misto de cobra-cega e uma minhoca?

Sim de perto de dois metros de raio!

A viu?

Sim a vi!

Agora você é alvo para não dizer nada sobre isto?

Não, algo sobre um assunto que não conheço!

Qual?

Algo

que

os

Astecas

chamavam

de

Fim

Expediente!

de

Não tenho ideia sobre o que esta falando?

Teria como me ajudar nisto professor?

66

J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente

Mas por que não foi procurar o João, ele é maluco por

estas estórias?

Iria, se dois carros estranhos não tivessem vigiando a casa dele.

O professor olhou em volta, ninguém anormal, somente

os mesmos de sempre, olha para ela e fala;

Vamos a minha sala, acessamos a rede por lá!

Entram na sala e a moça olha as condecorações do professor, alguém que era um dentista renomado, mas que adorava ver conspiração em tudo, a única pessoa que lhe veio a mente quando o assunto era lendas urbanas em Curitiba.

O professor acessou o sistema e falou;

Não tem nada que ligue isto aos Astecas!

Apenas uma lenda Mexicana!

Qual?

O

senhor lê um artigo na internet;

―Conta a lenda, que havia uma moça apelidada de Sara. Certo dia, ela foi convidada para uma festa à fantasia num clube. Na metade do baile, entrou um rapaz vestido de pirata que chamou a atenção de todas as mulheres. Mas, no meio do salão, surgiu o boato de que o rapaz era um pirata de verdade e que seu nome era Orimuz. No meio da festa o moço misterioso dançou com Safira, que se apaixonou por ele. Ele a convidou a olhar o lago, ela o viu tirar uma espécie de chapéu e um brilho se fazer, perguntou o que era este brilho e ele afirmou ser O Fim de Expediente, os dois viveram um romance proibido naquela noite. A jovem engravidou e o pirata desapareceu numa embarcação no lago. A moça quando a criança nasceu, não a conseguiu olhar, de tão brilhante que era, a criança a sorriu, e foi a ultima vez que Sara foi vista assim como a

67

J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente criança. Segundo a tradição, quando um estranho lhe traz qualquer coisa com luz, como presente, seus dias estão chegando ao fim.‖

Maluquice! Madalena;

O senhor, acostumado a corrigir trabalhos universitários, cola as primeiras 6 palavras e faz uma busca e se depara com o texto a sua frente e sorri.

Alguém quer nos dizer algo menina?

Por quê?

Dois motivos, alguém acaba de verificar quem na cidade estava verificando este conteúdo, devem vir para cá rapidamente, mas olha isto! Madalena chega ao computador e lê. Lenda do Pirata Barba Vermelha de Curitiba Conta à lenda, que havia uma moça apelidada de Safira. Certo dia, ela foi convidada para uma festa à fantasia num clube. Na metade do baile, entrou um rapaz vestido de pirata que chamou a atenção de todas as mulheres. Mas, no meio do salão, surgiu o boato de que o rapaz era um pirata de verdade e que seu nome era Zulmiro. No meio da festa o moço misterioso dançou com Safira, que se apaixonou por ele. Então os dois passaram a viver um romance proibido. Até que um dia a jovem engravidou e o pirata desapareceu numa embarcação no porto de Paranaguá. Como naquela época ser mãe solteira era uma vergonha, os pais levaram a jovem para passar a gravidez na casa de sua tia , que ficava num sítio perto do Lago Azul , localizado atualmente no parque do bairro Umbará.

68

J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente Quando Safira teve o filho, ela decidiu afoga-lo nas águas do Lago Azul. Porém, após esta moça assassinar o bebe, surgiu uma iara que pegou o menino e exclamou:

Sua mãe desnaturada!

Saía daqui!

Agora esta criança é minha!

E com a magia desta noite de Lua Cheia este neném

renascerá! Então a mãe-da-água colocou suas mãos no peito da criança e ela reviveu.

Diz à lenda que este menino tem uma maldição: de dia ele é um bebê, mas de noite ele vira um homem vestido de pirata com cabelos e barbas vermelhas. Porém, se alguém retirar o chapéu da cabeça deste rapaz poderá ver um buraco com uma intensa luz azul.Madalena vê o senhor imprimir aquilo e os dois saem da sala, saem pelos fundos, pegam o carro do professor num estacionamento do outro lado da rua. O professor pega o telefone e liga para João;

João, professor Mueller!

Fala professor, há quanto tempo?

Muito, o que tem feito menino?

Estudando, o que aconteceu professor?

Precisava falar com você João?

Problemas?

Se puder tudo bem, se não, nos vemos outro dia!

Tem problema de levar minha namorada?

Não, mas onde?

Na Macumba em uma hora!

69

J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente

Nos encontramos lá!

O professor olha para Madalena e pergunta;

Acabaram?

Ele achou alguém melhor que eu, que aceita mais fácil a inercia!

Acho que se estão nos monitorando, não sei se alguém pode tanto assim, mas melhor ficar longe!

Fico na lanchonete do outro lado do lago!

Então melhor passarmos em casa antes!

O

senhor subiu rápido e desceu com um tênis, uma meia,

um pente e um binóculos;

desapercebido com este cheiro?

Madalena sorriu, abriu a porta, deixou os tênis, do lado de fora, secou os pés, trocou de tênis. Logo após, enquanto ela se penteava, o professor tocava o carro no sentido do parque Barigui, deixou ela em frente da lanchonete e deu a volta, parando na altura das barras para abdominal.

O apelido vinha de um tempo muito antigo, o professor

sempre contava que um dia, influenciado por uma aluna que falava que despacho para ela sempre deram um retorno incrível, ele resolveu fazer numa sexta feira 13 despacho da esquina que tinha em frente, quando ele chegou em casa, sua casa tinha sido arrombada e tinham levado tudo, quando ele falou do acontecimento para a menina ela falou que se ele não acreditava no que estava fazendo isto poderia vir a acontecer, eles riam desta estória.

Madalena vê João chegando com Carla, olha em volta, e manda uma mensagem para o celular do professor.

passar

Troca

este

tênis,

como

alguém

pode

70

J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente

O mesmo pega o celular, lê a mensagem e olha em volta,

os rapazes evidentemente viram que ele os vira, olham para o carro, não parecia ter ninguém, olham em volta, mas Madalena estava a mais de 800 metros dali.

Professor, quanto tempo?

Desculpa, pensei que poderíamos falar, mas não tem

jeito!

Problemas?

Sim, Manu quase morreu ontem a noite, e ninguém sabe onde ela esta?

Esta falando serio?

Sim, mas assim como me seguem, lhe seguem, então melhor não lhe colocar nisto!

Madalena lembra de quando estavam saindo no sentido do fundo do Bar do Alemão, a impressão de que os olhares de Dario e Carla se cruzaram, na hora pensou que ela a piscara, como um insulto, mas estava pensando neste instante se era para ela, já que seu próprio pai sabia mais das coisas que ela. Madalena passa outra mensagem e o professor Mueller olha para Carla e pergunta:

Carla, não?

Sim?

De onde conhecia Dario?

A moça olha sem entender a pergunta, o olhar dela para

um dos seguranças ao longe, deu certeza ao professor, e ele falou;

morreu! João olha para o professor;

Dario

Quando

tentaram

matar

Madalena

ontem,

71

J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente

O rapaz que estava com ela ontem esta morto?

Sim!

Acha que ela esta morta? João.

Não, senão não estariam me vigiando, lhe vigiando, vigiando o pai dela!

Madalena enquanto eles olhavam para os 3, ligou para sua mãe e falou;

Mãe, podemos falar?

A senhora atende o telefone e fala olhando em volta;

Um segundo!

Madalena ouve a mãe falar com alguém;

Me daria um momento, é do banco, coisa chata! Esperou mais um pouco e falou;

Fala filha?

O que não entendi mãe?

Madalena sempre estranhara o fato de seu pai ter pego o sobrenome de sua mãe, as famílias faziam o inverso, então a Gutierrez da família era sua mãe.

Tem de manter-se longe, e sabe qual o caminho que tem de seguir!

O das flores? Pergunta Madalena querendo confirmar, Flores era um tapete que sua mãe dizia ser de família, que seu pai odiava, mas que estava na casa de praia, depois de anos de reclamação do senhor, mas era um desenho de tuneis, flores diante de uma estilização de Curitiba, isto foi o que ela sempre pensou, mas começava a pensar se não era outra coisa.

Sim, ouvi dizer que você o desvendou ontem?

Brincadeira de criança!

72

J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente

Mas se cuida filha!

Não entendi a posição do pai!

Ele não é seu pai, acho que deve ter mais coisas ai, ele me disse que você estava morta!

Mãe esta ligação deve estar sendo monitorada.

Sei disto, mas se cuida!

Para que lado corro além das flores?

Para os amigos, cuidado com infiltrações!

Se cuida mãe, nos falamos amanha!

Madalena desliga e vê olharem no sentido de onde ela estava, devem ter triangulado o sinal, olha para a floresta do outro lado do asfalto que dava ali, levanta-se, faz que vai sair, vai ao balcão, paga a conta, solta o cabelo, e atravessa a rua, com o boné a frente do corpo, assim que entra na área das churrasqueiras, vazias no sábado, prende o cabelo novamente e entra na floresta conservada que tinha na região, põem o boné com a aba para traz, e atravessa a rua novamente, no sentido que estava antes. Caminha visivelmente na beira do lago, do Parque Barigui, vendo grupos entrarem na lanchonete atrás, o movimento era tão grande que muitos olhavam, então o normal era olhar, parou olhando, como todos os demais. Depois que as pessoas voltaram a andar, caminhou no sentido norte do parque, atravessou a ponte e continuou pelo outro lado a norte, chegou ao lado do lago, e largou o celular, que afundou no lago.

O professor Mueller viu um senhor parar a sua frente e

falar;

Quem me atrapalha?

Alguém que pode morrer, mas não trai amigos!

73

J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente

O que ela pretende fazer?

Trocar de amigo, a cada 3 horas, e fazer o que precisa, o que você faria, desculpa, sem estes capangas, nada!

Acha que sabe quem sou?

Se eu morrer, Roberto Monteiro Donus, todos saberão

que você me matou, mesmo que não encontrem meu corpo!

O senhor olhou para Carla e falou:

Tira esta criança daqui!

Joao olhou para Carla e perguntou;

Tem haver com isto? Fala puxando o braço.

Vamos sair enquanto podemos João!

João ficou parado, pegou o celular e discou:

Pai, estou sendo ameaçado por um senhor, Roberto Monteiro Donus, sabe quem é?

O senhor não ouviu a resposta, mas se era para envolver

pessoas, nunca mexesse com a família de João; Os rapazes foram chegando e João olha para o senhor e alcança o celular para Roberto que ouve;

O que o Vaticano quer na minha cidade!

Manda seu filho para casa, senhor, seja quem for, que ele não morre!

problema

diplomático com o Vaticano, senhor! Roberto não sabia quem era o pai de João, Consul do Brasil por mais de 25 anos, membro de quase tudo que se conhecia naquela cidade, mas era alguém que tinha valores familiares acima de tudo, o senhor nem sabe quem era, mas viu que carros da policia especial começaram a parar na rua, estava ainda com o celular mudo na mão.

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Toca

nele,

e

teremos

de

decretar

um

J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente

Onde esta Madalena, senhor? João.

Se soubesse não os estava seguindo pirralho!

Os carros da RONE estacionam, 3 deles, de cada um saem 4 rapazes com arma calibre doze na mão, os rapazes que davam apoio a Roberto viram que agora o negocio era mais violento;

Algum problema sobrinho? Fala um senhor olhando

para João.

Este senhor tentou matar minha ex-namorada, e esta

com todo este grupo, ameaçando um professor, e ouvi dizer que mataram alguém ontem!

Melhor não resistir senhor! Fala o senhor olhando para Roberto.

Não tem provas!

Para isto que detemos para verificação, se ninguém

tiver vestígio de pólvora nas mãos, estarão em 48 horas soltos!

Não pode fazer isto!

O senhor olha para o senhor, armado, passaporte de Italiano, e fala;

Porte de arma, sem autorização já me dá razão a lhe

prender senhor! Joao viu os policiais renderem os rapazes, outros policiais que iriam se meter, quando viram a RONE ali, se afastaram, João reparou, até o professor Mueller reparou;

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J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente

24 Madalena atravessa o parque e surge na parte já no bairro da Avenida Manoel

Ribas novamente, era por volta das 18 horas e ela não sabia mais para onde correr, cada pessoa que ela envolvera acabara ficando em perigo. Uma estrada que virara avenida, cheia de curvas, de subidas e descidas, olha para o portal de Santa Felicidade, pensa em que sentido iria, incrível como ainda estava próxima da região que teria de ir, mas estava cansada, olha a carteira, pega um taxi que passava e vai no sentido de Santa Felicidade, se afastando da região que todos achariam que ela estaria, como já fizera isto tantas vezes, para em um motel na saída da cidade, paga em dinheiro e adormece, precisava dormir. Os sonhos foram agitados, era por volta das 4 da manha, acorda assustada, sonhara que eles a achavam, sai da cama, veste as roupas, liga para a portaria e pede um taxi.

O atendente confirmou que assim que chegasse a avisava, ela sai pela porta e olha para o local, tudo calmo, entra novamente, vê a câmera a acompanhando, sorriu e soube que já estavam no motel, e provavelmente viriam pelos dois lados, olhou para o muro do fundo, uma vez pulara aquele muro, uma vez um rapaz chamou o serviço dela, ela estranhou quando pegou no sono, e acordou com o escrito com seu batom no espelho, dizendo que ela que pagasse a conta, pois ele nem a pagaria e nem a conta, ela naquele dia não tinha como pagar, e não poderia ser pega ali. Correu até o muro, nesta hora viu varias pessoas saírem das sombras e começarem a correr, ela apoiou os braços e pulou longe, lembra que da primeira vez foi mais difícil, não

76

J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente sabia o que tinha do outro lado do muro, mas atravessou o terreno baldio e antes de sair a rua, mas agora sentia-se melhor, tinha dormido. Esperou nas sombras de um beco o movimento cessar-se, e quando amanheceu, pegou um taxi e se mandou para a cidade novamente. Madalena senta-se em um banco, pensa em qual saída teria, não era de fugir, não era de sair no braço, mas isto não deixava muitas saídas, enfrentar era o que ela queria, mas como. O taxi a deixou de frente ao parque Tingui, ela caminhou olhando a formação, a construção a frente, numa pequena loja de lembranças, conseguiu comprar uma agenda e uma caneta, sentou-se a olhar a queda d’água que caia no lago lá em baixo, ficou repassando o que Dario havia falado, não sabia se algo era confiável, talvez eles soubessem de parte da estória e inventaram a parte do Pirata para que ela ajudasse, admite para si que cairá direitinho, até achava o rapaz bonitinho, nem tivera chance de tirar uma casquinha. Sentada começa a numerar o que sabia, quase nada, por algum motivo eles achavam que ela era a resposta, nem seu pai, que se duvidar nem sabia a resposta, nem sua mãe. O que a fazia diferente de sua mãe?‖ ―Conhecimentos específicos, mas quais seriam? Madalena olha para o caderno e fala; ―Biologia‖ Parou a ver a queda de agua e lembra de sua mãe falando que um dia ela teria uma filha, e que quando fosse a hora, teria de falar com ela sobre o nome da filha, pensou por que, e lembra que quem disse a sua mãe qual seria seu nome foi sua

77

J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente avó, sua avó, uma mulher forte, mãe solteira que criou a filha com toda a garra numa época que mãe solteira era algo que muitos estranhavam. As lembranças da avó eram poucas, mas tenta lembrar o pouco que lembrava de sua avó, que morrera quando era uma criança, lembra dela, uma linda mulher de olhos negros, seus olhos, o que ela fizera na vida? A doação do Bosque fora seu tio que fizera com a assinatura dela, para não haver problemas legais, lembra que na época, seu pai, recém casado com sua mãe protestou muito.

Obvio, uma entrada diferenciada deveria ficar fora do bosque, pensa rápido, mas todos os imóveis na região não eram mais da família, estava tentando achar a pergunta que lhe daria a resposta, mas parecia ainda não a ter. Levanta-se e sai caminhando no sentido do ponto de ônibus, olha para o banco da frente, vê o senhor guardar uma imagem.

Centro!

Algo especifico?

Carlos Gomes!

O taxista saiu no sentido do centro, ela estava distraída, mas bem atenta, quando o Taxista pega o comunicador e falar;

Central, estou indo ao centro, Carlos Gomes! Se tiver encomenda para mim, estarei lá em 15 minutos!

Encomenda? Madalena ouve pelo comunicador.

A que entregaram a todos os meninos!

Ok, em 15 minutos lhe passo a encomenda!

Estavam quase no Parque São Lourenço e Madalena

falou;

78

J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente

Me deixa na frente do Mercado, tenho de comprar

algo!

Quer que espere?

Seria bom! Fala Madalena pensando rápido Não

devo demorar mais do que dez minutos! O taxi estacionou no estacionamento do Mercado, e ela

falou;

Posso deixar estas coisas aqui? Fala arrancando uma folha vou levar só a lista do que quero comprar!

Sem problemas senhorita!

Obvio que um taxi em Curitiba, encerraria a corrida, e cobraria um parcial, sempre tinha o risco do cliente não volta. Madalena sobe pela escada rolante, para o piso superior, calmamente, quando sumiu de vista, perguntou para o segurança onde era o banheiro, ele apontou, ela verificou onde era, entrou no mercado, comprou uma tinta, uma tesoura, uma camiseta e um boné, pagou e foi ao banheiro, se olhou no espelho, Madalena tinha cabelos volumosos, levantou parte do cabelo, o prendendo acima da cabeça, cortou um dedo de cabelo na altura da nuca, fez um volume e colocou na pia do banheiro, preparou a tintura e aplicou no cabelo que havia cortado. Esperou um tempo, e lavou os cabelos, colocou na sacola do supermercado, e jogou ao lixo. Soltou o cabelo, trocou de camisa, pôs o boné, olhou o relógio e saiu pela porta, olha em volta, sabia que teria de perder um tempo naquele mercado, olhou para um café que dava bem para ver as escadas, pelo espelho, e ficou esperando. Ficou ali a tomar café, viu quando alguns senhores muito bem vestidos entraram no mercado, foram ao segurança, viu

79

J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente um grupo de duas mulheres entrarem no banheiro das moças e irem ao senhor, e viu que talvez não desse certo, mas estava tentando.

Viu o taxista vir com outro senhor, olhou para a imagem ao longe, na mão do senhor, era a dela, viu uma das moças vir com outra imagem e viu os cabelos claros na imagem, e um corte bagunçado. Não conseguia ver o que estava acontecendo, estava distraída e nem viu o rapaz se aproximar da mesa;

Quase que não lhe acho!

Madalena distraída se assustou, somente quando viu João a mesa acalmou-se;

Como me achou?

Se

não

tivesse

fugido

conversando a algumas horas!

no

Motel,

estaríamos

Era você?

Acha fácil conseguir uma autorização para invadir um

quarto?

E estes aí?

Não

conheço,

mas

sinal

que

tem

mais

deles

espalhados pela cidade! Madalena olha para a mesa e fala baixo;

Não queria lhe meter nisto, mas para quem iria correr?

Pelo jeito desta vez se meteu realmente com gente poderosa!

Por quê?

Nem meu pai e meu tio os conseguirão segurar 48

horas!

Nem sei quem são?

80

J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente

Sabe que meu pai nunca gostou de sua família!

Sei, mas o que posso fazer, somos encrenqueiros! João sorriu, ele olhava para o salão:

Vamos sair, eles levaram o

taxista para olhar o

mercado!

Acha que conseguimos sair por onde?

Meu carro esta no estacionamento!

Mas vão nos seguir!

Tá na hora de mudar estas coisas!

Madalena viu a policia entrando e foram ao segurança, e este acionou os demais, uma coisa eram pessoas procurando uma moça, outra, era assassinos procurando uma moça, enquanto outros rapazes eram desarmados, os dois descem com calma pela escada rolante, entram no carro de João e se mandam no sentido de sua casa. A moça viu que os rapazes que vigiavam a casa não estavam mais lá, entra no estacionamento, sabia que ou sua mãe ou seu pai estavam ali, o carro a garagem ela conhecia, mas não eram mais vistos da rua. João abre a porta para ela e sobem pela escada, Madalena sorriu apenas quando viu que era sua mãe;

Como esta filha, fiquei preocupada, parece que algo não esta no lugar!

O pai esta dando o serviço para eles mãe!

Não pode ser filha!

Quase certeza!

O pai de João olha para a menina e pergunta;

Por que estão lhe perseguindo?

81

J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente

Eles tiraram ontem algo de um buraco que não existe, sobre a rua Jacarezinho, ouro, prata e algo mais!

Mas de quem era?

Não sei, mas alguém esta com isto, tem mais valor

histórico do que pelo valor econômico, ou é do Pirata Zumiro, mas pelo padrão, dos Jesuítas, deveria estar lá a mais de 400 anos senhor!

E os ajudou a achar?

Sobrevivi por sorte senhor, cai num buraco de agua,

fui jogada quase sem consciência em um buraco de esgoto, e por sorte, não desacordei, senão estaria morta!

Mas o que querem ainda?

Não sei, não acho que tudo que me contaram seja

verdade!

O que acha que é filha?

Algo que me disseram se chamar Fim de Expediente!

Madalena fala olhando para a mãe, não sabia se era real, mas precisava saber.

Você os levou até ele? Sua mãe.

Não, mas achava que o professor poderia me ajudar a ligar as estórias!

Alguém deu um tiro esta manha nele na faculdade,

esta bem, mas vai ter de ficar quieto uns 15 dias! João.

O pai de João o olha e fala;

Filho, temos de descobrir quem são, pois eles tem muita influencia!

Sei que tem de Arcebispo de Curitiba a chefia da

policia militar da cidade, de Dirigentes do Clube Concordia, a Freis envolvidos! Madalena.

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J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente O pai de João olha serio para ela e pergunta;

Esta me dizendo que acha isto?

Vi o arcebispo senhor, numa das saídas deste buraco, com dois rapazes armados!

E acha que eles querem o que?

Se soubesse teria como negociar minha vida, sem

saber, somos apenas vitimas do acaso! Madalena;

Ela tem razão senhora, se não acharmos o motivo, não achamos nada!

— Senhor, pelo que se fala, o ―Fim de Expediente‖ era

um adorno Asteca, nunca tive certeza de sua existência, mas se ele existir, junto com ele, teria a pilhagem de um Galeão inteiro de ouro, de peças históricas, de artefatos de origem Asteca, tirados da capital deles no ano de 1495! A senhora;

Mas no que isto meteria a igreja? O senhor olhando

para Madalena, ela parecia saber algo, estava com aquele brilho de quem achara um ponto para puxar.

Senhor, não deixa nada sair de Curitiba, que venha

destes, deve sair com escolta da policia!

O que acha que eles escondem?

Uma pergunta de Dario, me veio a mente, e não tenho

a resposta!

Qual?

Todos dizem que a escrita dos Astecas era a que mais

se aproximou da fala do povo, mas o que temos de relatos Astecas escritos?

O que quer dizer?

Os espanhóis mataram mais de 200 mil Astecas para

invadir a cidade deles, os tacharam de seres que faziam

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J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente sacrifícios humanos, que por isto eram uma cultura inferior, mas uma pergunta, eles não resistiram, foram aniquilados, tudo que se tem sobre a participação da igreja nisto, apenas estorinhas, mas que descoberta faria alguém matar toda uma cidade?

Algo poderoso, que não pudesse ser relatado! A mãe de Madalena falou a olhando.

o

escondeu, pois o poder corrompe! O pai de João falou;

Algo

que provavelmente, mesmo

quem

pegou

Mas eles já tem poder!

Senhor, preciso de 2 dias e terei todas as respostas,

mas o que roubaram naquele buraco é patrimônio histórico da cidade, do país, não de uma igreja em Roma, mas acho que tem de ter algo a mais neste estória! Madalena.

E quer fazer o que?

Preciso olhar duas coisas, alguém deixou pistas na

cidade, tenho de as ver, estas pistas não falam onde esta, mas onde esteve o que procuramos, e com certeza, uma dica de onde o achar!

Madalena olha para João e fala;

Mas preciso de algumas coisas!

O que?

Um computador, um caderno, as imagens eu consigo

na internet do que quero!

Acha que consegue a resposta na internet? O pai de

João.

Senhor, sei que não começamos direito a primeira vez

que nos conhecemos, mas o que temos aqui, é uma estória, que

84

J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente foi adulterada, por uma única pessoa, alguém que não dividiu seus planos com os demais, isto gerou um buraco na informação! Madalena olha para João, olha para a mãe;

Se a igreja soubesse onde estava, já teriam tirado de lá

antes, sinal que o túnel que achamos, não dá em nada do que eles acharam, e sinal que nem eles tinham os planos iniciais!

E? João.

Segundo, fui induzida a achar que o rapaz que me

conduzia era um parente distante do Pirata Willian, mas neste instante duvido disto, mas me parece obvio que a morte dele, decreta que não deveria ser alguém importante ao grupo, então tudo que me falou, não tinha muito importância, ou o outro lado não considerava importante!

mãe e

Madalena pega o papel no bolso olha para a pergunta;

Por que Biologia mãe?

Maetá precisava ser entendido!

João e o Pai não entenderam a frase;

Por que mãe?

Pela lenda, ele só respeitaria a família Gutierrez?

Por quê?

Algo haver com um Frade Jesuíta, de sobrenome Gutierrez que lhe mandava comida!

Escravos? Pergunta Madalena;

Sua mãe apenas sacode a cabeça;

Algo haver com nossa família?

Nem ideia filha!

João olhou para Madalena e perguntou:

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J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente E começamos por onde? Madalena pareceu pensar e sorriu, pegou o telefone sem fio da casa e saiu pela porta, ligando para alguém, entrou e ficou por alguns momentos ficou sem falar nada.

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J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente

25

Madalena surge na Praça Tiradentes, entra pela

porta frontal da Catedral Basílica de Curitiba, olha a ordem dos bancos, uma igreja maior, não

mais que isto pensou a moça.

O que viemos fazer aqui? João.

Apenas verificando algo!

O que?

Por que todo mundo sempre disse que o fim do

caminho era aqui?

Algum motivo para não acabar?

Deve ter uma entrada nesta grande construção, que

nunca teríamos acesso, mas estou pensando, gosto de imaginar

a cidade em volta, uma cidade que teve seus pontos básicos neste local, depois ela cresceu no sentido do que hoje é o Estação Shopping, mas por que era por lá que começou a chegar as novidades, mas a estória é anterior a ferrovia, anterior a isto, e por onde o caminho ia nesta época?

O que quer dizer?

Que fui induzida a caminhar neste sentido, mas o que era o Bar do Alemão a 150 anos?

Nem ideia?

O fundo de uma casa que por mais de século foi

conhecida como a Casa Vermelha! Madalena olha serio para João Posso estar enganada, mas era como os Padres, freis, depois dos demais clientes, chegavam as prostitutas, sem que o povo os vissem!

E por que estamos aqui?

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J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente

Por que parece que aqui ninguém nos observa, quer

dizer que estamos mais seguros na casa de deus, que em nossas casas!

João olha em volta e fala;

Mas não era isto que queria fazer aqui?

João viu um senhor chegar da parte do fundo e falar;

Senhorita Madalena?

Ela concorda com a cabeça;

Me acompanhem! O Arcebispo a espera!

João viu que Madalena não estava pensando em continuar em guerra, mas o que achava poder fazer, segurou seu braço e ela falou;

conversando! João não estava gostando disto, mas iria até o fim com a moça que já não era sua namorada, mas que ainda o fazia suar frio.

é

Calma,

a

melhor

forma

de

encarar

isto,

Sobem uma escada e entram em uma sala, a imagem do Papa a parede, cadeiras e mesas feitas de cerejeira, um senhor olha para os dois entrando e faz sinal para o rapaz que os conduziu sair.

Boa tarde moça, o que quer falar?

Saber o que fiz para merecer a morte?

Sabe bem o que fez!

Sei?

Madalena senta-se olhando o senhor, João ficou de pé olhando o senhor;

Moça, sabe na encrenca que se meteu?

Que seu pessoal me induziu a entrar?

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J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente

Ponto de vista moça!

Não quer conversar, é o que estou entendendo? Fala Madalena levantando;

Porque deveria conversar?

Vamos embora João, alguém que fala em deus, mas não acredita!

Não fale besteira!

Senhor, você com seus atos, rasgou o documento que prega, como se chama gente assim, de crentes ou de aproveitadores!

Esta me ofendendo!

Se ofende com algo, e o dar a outra face, é apenas para o rebanho, senhor? Madalena estava olhando nos olhos do Arcebispo;

Não é alguém com moral para falar disto!

Senhor, entrei no seu mundo por um buraco aos

fundos de um puteiro antigo, e quer dizer que eu não tenho moral, Maeté, com certeza, comeu os seus crentes, mas eu, ele deixou passar, devo ser algo que o senhor não entende, mas se

continua se fazendo de todo poderoso, não leu o documento que tem sobre a mesa, matou, não entra, roubou, não entra, mentiu, não entra, é um cão na forma de gente, não entra! Madalena chega a porta e vê que esta fechada, o senhor levanta-se e fala;

Senta-se, ainda não pode sair!

Madalena sorriu e perguntou:

Tem ideia do que esta fazendo?

Senta ai, não gosto de falar com impuros!

Então não deveria falar senhor! João;

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J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente

Acha que conhece esta ai?

Mais do que sabe e conhece senhor, mas se não queria conversar, sinal que a queria pegar, é burro mesmo!

O arcebispo olha para o rapaz e fala;

Acha que pode algo aqui?

Eu não! Fala João olhando para Madalena que pega

um apito no bolso, e assopra, não se ouviu nada, mas nas profundezas da praça, um grande ser começa a se mexer lentamente;

Apito de cão? Fala o Arcebispo rindo.

Tem dois minutos para ser compreensivo senhor! Madalena.

E vai fazer o que?

Sabe onde acabava o corredor que corre pelo fundo do largo da ordem senhor?

Vai me contar?

Vou, num salão a mais de 20 metros da rua, sobre a

antiga prisão local, onde se jogava os mais podres da sociedade.

Não entendi?

Um senhor a muito tempo, tocava este apito, quando

eram deixados lá os trastes da sociedade, ou escravos que sabiam demais, como os que puseram tijolos nestes caminhos.

O Arcebispo olha serio para a moça e pergunta;

Mas vocês esta aqui!

Ele não vai subir senhor, mas não sei o que será dos

alicerces de sua igreja, não sei o que será da região abaixo da igreja, não sei se esta me entendendo!

Tudo isto para que a ouça?

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J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente

Tentei, vim aqui, e o senhor se fazendo de puritano, vi que me chamou de demônio, então não espero nada de bom vindo de você!

Mas

O arcebispo sentiu o primeiro tremor e segurou-se a mesa, pessoas a igreja, sentindo a igreja tremer, começaram a sair, o alicerce da parte do fundo da catedral afunda dois metros e o fundar de duas paredes fez o telhado tender para a parte do fundo, o telhado começou a tender no sentido da viela aos fundos da igreja, telhas caindo, pessoas correndo a rua, e um rapaz vem a porta e fala;

Temos de o tirar daqui Arcebispo!

Madalena empurra o rapaz e começa a sair, João atrás, se era para se complicar, agora estava se complicando ao máximo, a igreja vazia, as portas fechadas, Madalena chega a igreja, vendo o teto cair, João a puxa para a cobertura, ele vê o senhor Roberto entrando pela igreja, vendo o teto cair.

João estava querendo se esconder quando Madalena apita novamente e os demais veem surgir na nave da igreja, uma cabeça que apenas olha para a moça, olha em volta, sente os primeiros raios de sol, com o teto caindo e começa a recuar, Madalena foi a seguindo, em um buraco inclinado, ouvindo o ranger do teto da igreja. João achou uma maluquice, mas era o caminho que Madalena havia aberto, os demais viram isto, mas ficaram presos longe do buraco com parte do teto vindo a baixo. Caminham atrás do ser, que andava lentamente comparado ao tamanho, mas rápido comparado as pernas humanas. João segura a mão de Manuela e pergunta.

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J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente

Tem certeza disto?

Madalena pega uma lanterna na mochila que estava as costas e olha para ele;

Não, mas como você disse, nada vai segurar este

pessoal preso, então temos de ter algum aliado, conhece alguém que seja respeitado em qualquer circunstancia?

Meu pai falou em nos dar proteção, mas ainda não

entendi como!

Vamos precisar, mas tem de ser alguém que se possa confiar, se dar as costas!

Estavam caminhando e João sente o arrepio, chegam a um buraco imenso, o ser de duas cabeças, olha para Madalena e pergunta;

Quissss a connntssssseu!

Desculpa o transtorno!

Esss lugaaarrrr nummm é bsssoomm!

Por onde sairíamos Maeté!

Ass Queeellle allli! Fala olhando um buraco.

Obrigado Maeté, nos vemos ainda!

Madalena faz sinal para João começar a andar e foram por mais de duas horas no sentido do buraco, viram quando um piso de tijolos surgiu ao pé, foram andando e de repente surge um buraco no chão, uma fenda, o buraco sobre a cabeça continua, mas Madalena ilumina o buraco e pulam para dentro de uma galeria, gora toda a volta era de tijolo, andaram mais um pouco e se deparam com uma grade; João forçou e falou;

Dizem que o exercito fechou todas as pontas deste túnel durante os anos 60!

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J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente Andaram mais um pouco e viram uma luz a frente, viram que estavam dentro de algum prédio, viram as paredes, via-se quadros, estatuas, sobem a escada com calma e João fala; Museu Paranaense! Madalena não falou nada e subiram com calma, saíram sem olhar muito para traz e quando saem a rua, de frente da Praça Generoso Marques, Madalena sorriu e esticou a mão para João;

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J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente

26 As reportagens chegavam para narrar o acontecido na catedral, agora interditada, Madalena e João sentam-se ao calçadão da Rua

XV de Novembro, e olham em volta, tomam um café e o rapaz

pergunta;

Por que disto?

Pensei que iria ser diferente!

Mas me explique melhor como funciona este apito!

O que não entendeu ainda João?

Você tinha me falado que chamava os seres para onde você estava, mas ouvi ele falar!

Se disser que algo assim fala, quem acreditaria?

João sorriu vendo a moça sentada na cadeira da cafeteria no calçadão, lembrou de uma vez, a mais de ano, que a viu em uma casa noturna, num show de strip-tease, foi no dia que acabara com seu namoro, até este dia, pensava que ela nunca mais atravessaria sua vida, mas estava ali, de pernas cruzadas, numa cadeira similar, mas desta vez vestida.

O que esta olhando João? Madalena;

João é trazido a atualidade, e fala;

Nada, lembranças não muito boas!

Madalena olhava para João como se querendo saber o

que ele pensava, mas ele parecia meio triste ainda;

Brigou com Carla pelo jeito?

Não levo sorte, não achei ninguém sincera ainda!

Já falei João, sinceridade em atos, nem sempre equiparem a sinceridade na alma, mas como explicar, como falar disto?

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J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente

Você continua linda! A frase saiu sem sentir.

Obrigada!

Não pense que estou lhe cantando, ainda quero reconquistar Carla, mas ela tem de me explicar por que chorava por aquele Dario!

Madalena olha para João e olha em volta, na pequena TV entra o noticiário local falando do incidente estrutural na igreja Matriz, que técnicos viriam de Roma para ajudar.

Vem mais gente ai! Madalena.

Não era de esperar algo diferente.

Quer passear comigo esta noite João? Ele olha desconfiado e ela fala;

Galerias subterrâneas!

Perigo?

Sim, de quem seu pai falava?

João vê um rapaz chegar perto, e fala;

Tudo bem João?

Sim, como está primo?

Seu pai me ligou, esta é a moça?

Ele concorda com a cabeça;

Madalena, este é meu primo Paulo!

Como nos achou?

O tio mandou rastrear o celular de João, mas Olha

para João Se pudermos não usar este tipo de coisa, ficamos visíveis aos demais!

Acha que eles teriam acesso?

Assim como os controlamos, eles nos controlam! Paulo;

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J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente

Mas o que pode fazer para nos proteger?

Vamos começar apenas observar, aquela ideia na

igreja pareceu maluquice, ir a cova do leão não nos facilita agir!

Certo, mas achava poder conversar, mas isto me

mostrou uma coisa!

O que? Falam João e Paulo quase juntos;

Ele acha que sabe onde esta!

E o que você acha? Paulo.

Que ele deve achar que esta onde estava a 100 anos

atrás!

Como assim? João.

Diríamos que a estória foi contada, de uma forma

diferente, cada ser escreveu um pedaço, mas quando se doou o

bosque, se deixou um chamariz, mas ali já fora um lugar, não vi o local, mas não acredito que fosse algo tão grande!

Não estou entendendo nada! João;

João, pensa em algo no sentido de proteger algo, dois

segredos, um ser incrível, branco e com mais de 30 metros, mas com 2 metros de raio, o segundo, dois segredos, um de 400 anos, e um de 180 anos, dois que poderiam não ter ligação, mas acabaram ligados!

Não esta sendo clara! Fala rindo Paulo;

Ele fez sinal para uma moça que atravessa a rua e olha para eles;

Estão vindo, devem estar seguindo o sinal! Fala

apontando o celular. Os três levantam-se deixando o celular ali, não tinham se afastado 5 metros, um rapaz na mesa ao lado, olha o celular o

96

J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente esconde e sai pela rua, pensava estar roubando algo, tira o chip e continua no sentido da Santos Andrade, enquanto os três sentavam-se em outra cafeteria.

Voltando ao que falava, um galeão de ouro não estaria

encalhado nas terras do Brasil se já não fosse um desvio de riqueza, segundo, um galeão de ouro ou coisas, é mais ou menos, - olha para João a sala de sua casa, do chão ao teto, cheia de coisas!

Tanto assim?

Sim, um navio pirata Inglês não conseguiria trazer tudo isto para cá!

O que quer dizer, esta me deixando perdida? Paulo; Madalena estava enrolando, trocando ideia.

Estou tentando adivinhar, eu não tenho fatos

suficientes, tenho de achar o motivo que fez ele esconder aqui o tesouro!

Esta dizendo que o tesouro do pirata era bem maior que o dos Jesuítas.

João, eu vi o primeiro local onde os Jesuítas

guardaram o que tinham, seria o espaço do quarto da Marilia,

somente as paredes com prateleiras, não dá para comparar as duas coisas! Marilia era a empregada da casa de João, Madalena estava colocando em dados que ele pudesse entender.

Mas deu a entender que não estaria onde eles acham!

Minha

bisavó

documentou

que

os

Padres

desobstruíram o caminho e que mudaram o local do tesouro!

Sabia disto? João;

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J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente

Não antes de ver o local onde eles acharam parte do tesouro Jesuíta.

Provavelmente apenas moedas, a maioria de prata,

valor histórico, não material!

Apenas uma isca?

Existem mais duas iscas plantadas, mas apenas iscas!

E onde estaria o tesouro?

Tenho de descobrir para ou o trazer a tona, ou, o

esconder de novo! Madalena Provavelmente esconder de novo.

Mas e a riqueza? Paulo;

Riqueza se conquista, nada dado se mantem muito

tempo, alguns investem o recebido e chegam a viver bem, mas trabalharam o dinheiro para ser algo!

Mas de quanto seria? Paulo;

Madalena olha para João e fala;

Consegue o que pedi?

Para que quer equipamento de mergulho?

Descobrir o obvio!

Virou caçadora de tesouros, fala como se tivesse experiência! João. Madalena sorriu, comprou um cartão telefônico, acompanhada dos dois rapazes chega a uma cabine telefônica e ligou para a agencia de acompanhante, o outro Paulo atendeu;

O que aprontou Raisca? Tem um pessoal perguntando por você!

Pela Raisca? Fala Madalena, João soube com quem

a moça falava, não estava acostumado com isto ainda.

Sabe que não, por que esta ligando?

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J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente

Quem esta ai Paulo?

Um

senhor

chamado

Roberto!

estranho e quer falar com você! Madalena ouviu depois de um tempo, o senhor;

Tem

um

sotaque

Senhorita Madalena, ou Raisca, previsível!

Madalena sorriu e falou;

Pensei que ainda estaria limpando a bunda daquele

cagão!

Olha a forma de falar do senhor arcebispo menina!

O que quer Roberto?

Sabe o que quero!

Não, não sei, pior, sabe que não sei, mas no lugar de fazerem um acordo, ficam de picuinhas.

Madalena olha em volta, estava começando a duvidar de todos;

Previsível, eu queria ter conversado com o senhor na

igreja, mas aquele arcebispo parecia mais interessado em manter a pose de bonzinho!

Acha que pode se esconder?

Senhor, os seus homens continuam me seguindo, mas

a pergunta, eles sabem por quê? Acho que não, descobri que o Arcebispo não sabia por que, mas vi em seus olhos que sabe o que estou procurando!

Acha que vou acreditar que neste fim de mundo esta a

peça que muitos cientistas procuram para o vaticano há anos?

Se não acreditou, por que me persegue ainda?

O senhor pareceu pensar um momento, e falou;

Por uma fortuna inestimável!

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J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente

Trocados comparado ao que eles tem escondido em

Roma, por que se preocupar? Por que lendas geralmente são completadas com interpretações erradas dos escritos, não com um ser de 30 metros que fala português!

Talvez explique para seu papa, que não existe língua,

que aquele ser não fale, mas não teve tempo, sei disto de praticar o italiano com ele!

Vou me repetir, o que quer fugindo?

Sobreviver, soube que quando você termina um caso

mata todos os envolvidos, então melhor proteger os meus!

Roberto estica a arma para Paulo, iria atirar, os seus estavam com as meninas a sala, todas na mira de armas quando um senhor entra pela porta e aponta para Roberto;

Armado novamente, melhor baixar a arma!

O que quer agora?

Li que mata todos no caminho, então estou poupando

estes seus homens também! Fala olhando os rapazes, com uma leva de policiais entrando por todas as portas.

Acha que acabou policialzinho?

Não, sabe que duvidei que viria para cá, mas como Madalena falou, vocês são muito previsíveis! Os demais foram prendendo os rapazes e o Capitão Guedes olha para os rapazes, e fala;

Amarem eles, todos na garagem, quero eles bem

amarrados, amordaçados e inconscientes de preferencia!

Se resistirem, um tiro em cada perna deve os proibir

de andar! Roberto olha para o policial e grita;

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J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente

Não pode nos deter aqui!

Eu não estou detendo ninguém, nossos homens estão

no outro extremo da cidade, prendendo um grupo de marginais, então não fala besteira senhor, pois você não esta preso, então se gritar, ofender, tentar fazer algo que achar desagradável, lhe informando, dei ordem para matar, se resistirem!

Paulo olha para o policial que fala; Vamos pegar a casa emprestada por 2 dias, algum problema? O rapaz concordou com a cabeça, dispensou as meninas e ficou a olhar para todos a volta;

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J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente

27 Madalena chega a praça do Homem Nu, ou praça 19 de Dezembro, olha para a estatua e caminha para o mural em relevo, e

olha para João.

Você que e bom nisto, qual o item da praça que nunca

deveria estar aqui? João olha a praça e fala;

A estatua da mulher, fora projetada para o palácio da

Justiça, mas quando pronta recusaram a obra e acharam melhor a colocar aqui!

Madalena anda até a mulher, olha sua posição e foi inevitável do lugar olhar para o passeio público, a primeira área verde de Curitiba, criada em 1886. Olhou em volta, Shopping Mueller, Praça, colégio ao lado, e bem ao fundo o Colégio Estadual, estava pensando e Paulo falou;

Outro grupo acaba de desembarcar no Aeroporto!

Fica de olho, precisamos pensar! Madalena;

Madalena

estava

pensando,

tentando

entender

estava e o que precisava fazer.

onde

João, da onde vem o termo Lobo do Mar?

Nem ideia?

Piratas são lobos do mar, ou não?

Sim, saqueiam e comem tudo que veem pela frente!

Madalena olhava para o Passeio Publico e falou; Alguém na vida já explicou por que escolheram a fachada de um Cemitério de Cães para o Passeio Publico? João olha para o Passeio, e fala;

102

J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente

Acha que é o caminho?

Acho que tenho de seguir as pistas, não consegui

entender o que Erbo Stenzel quis dizer com o mural, então tenho de ir a frente!

Paulo olha para Madalena e pergunta;

— Quem foi este ―Erbo‖? – Como se estranhasse o

nome;

Quem projetou esta praça! Fala Madalena; Paulo,

escultores executam pedidos, sei que este é o ponto que deveria ter sido transferido o que deveria estar no ponto 3, foi o ponto 4 antes da ultima transferência!

Quer dizer que foi aqui em teoria que esconderam?

Usaram a necessidade de comemorar os 50 anos da

emancipação politica do Paraná, mas ainda não sei o que eles queriam escondendo aqui!

João olha para Madalena e pergunta;

Por onde?

Madalena lembra que quando criança gostava de ir ali no passeio publico com sua mãe, ela sempre atravessava uma ponte pênsil e depois ficavam olhando um barco atracado no lago artificial, sorri e fala;

Não sei, mas vamos lá!

Madalena pega na mão de João e olha em seus olhos;

Desculpa, nunca lhe pedi desculpas, lhe magoei!

Não tem de se desculpar, mas vejo que ainda faz isto!

que você quer, eu atraio

confusão como você sempre disse! Madalena estava segurando o passo e olha para Paulo a frente e fala;

103

Tento

fugir de mim,

o

J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente

Ilha do Pirata!

João estranhou e falou;

Mas por que estamos indo, se não é ai?

João, seu primo esta muito agitado, deixa ele se

acalmar! João sorriu e falou;

Mas acha que

Acho que é um jovem como nós que gosta de sonhar com a riqueza sem trabalho!

Sabe onde?

Não João, mas tive uma conversa com minha avó,

quando muito pequena, naquela ilha, lembro pois minha mãe sempre repetia a mesma coisa!

Conversa?

Ela contava que um rico inglês chegou a cidade, ele

comprou terras afastadas, onde criava vacas, tinha seus escravos, e era alguém estranho, que este senhor, escondeu um grande tesouro, mas o tesouro era enterrado e desenterrado a cada 25 anos, cada geração que se fazia, um novo lugar se fez, estamos falando de 150 anos no mínimo, ou no mínimo 6 locais de enterro!

Elas falavam onde?

Não, meu pai insiste em dizer que não estou pronta, mas e se alguém tiver desviando esta fortuna?

Ou tentando descobrir onde para desviar? João.

Ou isto!

Paulo foi a frente e assim que entraram no Passeio, Madalena olha para traz e vê a leva de carros parando na praça, João se assusta e fala;

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J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente

Como nos seguiram?

Nos ouviram!

Acha que Paulo esta com eles?

João, meu pai

esta com

eles, então não sei

pensar, desconfio até de ti!

o que

Nunca lhe trairia!

Mas poderia se vingar de uma traição! João solta a mão dela e a olha serio;

Pensa mesmo isto?

Madalena olha em volta e fala;

João, estou precisando de ajuda, mas sinceramente,

não sou alguém que julga, que se porta como a sociedade quer, não sou alguém para você, seu pai esta certo!

Esta me pondo para fora de sua vida de novo?

Sabe que lhe amo, João, mas amar não significa ter,

significa querer bem, amor que impõe prisão, não é amor, amor que não sabe ouvir o que se precisa falar, não é amor, sabe bem que penso assim, então vai lá, Paulo o espera!

Mas e você?

Quando encontrarem o corpo, se encontrarem, apenas

uma reza simples, ―Viveu, morreu, apenas isto‖! Madalena se afasta voltando a praça, João ficou a olhar para ela assustado, ela não parecia agir pela razão, mas algo estava longe de sua vista, não estava entendendo.

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J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente

28 João foi andar no sentido que Madalena andava e sentiu alguém segurar seu ombro,

olhou assustado e viu Paulo;

Não adianta tentar interferir João!

Você faz parte?

Seu pai faz parte, o que esta estranhando?

O que querem?

Manter um segredo, manter o controle, manter tudo

fora do alcance da Igreja! João olhou para alguns senhores cercando Madalena, um senhor olhou para ela e olhou para João ao fundo e perguntou;

Pelo jeito o deixou de fora!

Crianças tem de ficar de fora! Madalena;

Sabe quem somos?

Madalena sorriu e olhou em volta;

Acha que não entendi a encrenca que me colocaram

senhor?

Entendeu o que?

Madalena dá o apito para o senhor e fala;

Melhor segurar isto, estou tão enojada que seria capaz de cometer suicídio!

Não entendeu, você abriu um caminho perdido, um

caminho que não deveria ter se perdido!

Mas não se perdeu, apenas não se conta a gente que não sabe o que achar do outro lado!

Sabemos que perdemos o tesouro por pouco outras

vezes, quando tudo parecia nos mostrar o caminho, nos dávamos mal!

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J.J.Gremmelmaier Fim de Expediente

Finalmente uma boa noticia! Madalena;

Não entendeu que nos vai indicar o caminho?

Senhor, se me matar, mata o segredo, pois minha avó

não passou para minha mãe, apenas para mim, e se eu morrer, só vai ter um jeito de achar, vai ser abrindo buraco atrás de buraco na cidade!