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UDESC – UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA

CCT – CENTRO DE CIÊNCIAS TECNOLÓGICAS

DEC – DEPTO. DE ENG. CIVIL

APOSTILA DE CONCRETO ARMADO II 2 o semestre de 2011

DIMENSIONAMENTO E DETALHAMENTO DE LAJES DE CONCRETO ARMADO

PROFa SANDRA D. KRUGER ALVES e-mail: sandra_kruger@joinville.udesc.br fone: (47) 4009-7936/7992

1. INTRODUÇÃO

1.1 DENOMINAÇÃO

Lajes são elementos de superfície plana (espessura relativamente menor que as demais dimensões), que estão sujeitos principalmente a ações normais ao seu plano, tendo como

função principal transmitir as cargas de utilização, aplicadas diretamente nos pisos, para as vigas, paredes ou pilares que as suportam. Servem também como contraventamento das estruturas (diafragmas) e como mesa de compressão em seção T de vigas. Além de serem utilizadas em edificações residenciais e comercias, tem utilidade também em galpões industriais, pontes, reservatórios, estruturas de contenção de terras, pistas de rodovias e aeroportos, etc. Quanto ao material constituinte, as lajes podem ser de concreto armado ou protendido.

O dimensionamento e o detalhamento das lajes são feitos de forma simplificada como

se elas fossem isoladas das vigas, com apoios (charneiras) livres à rotação e impedidas ao movimento de translação, levando-se em conta a continuidade entre lajes adjacentes. Os esforços que devem ser considerados são momento fletor e esforço cortante, e eventualmente esforço normal.

A NBR 6118/2003 estabelece que uma peça pode ser tratada como laje se a altura da

seção for inferior a cinco vezes a sua largura.

1.2.

CLASSIFICAÇÃO DAS LAJES

As lajes podem ser classificadas de diversas maneiras:

1.2.1

Classificação quanto à forma: as lajes podem assumir formas poligonais (retangulares,

quadradas, triangulares, etc), elípticas (circulares, anelares), etc;

1.2.2 Classificação quanto à natureza: quanto à natureza, os tipos mais comuns de lajes são:

a) lajes maciças - são constituídas por uma placa maciça de concreto armado ou de concreto protendido, sendo as mais utilizadas nas edificações e pontes. São recomendadas para vãos de até 5m ou 6m, sendo que para vãos maiores elas se tornam antieconômicas devido ao aumento da espessura e conseqüentemente aumento do peso próprio.

da espessura e conseqüentemente aumento do peso próprio. h b) lajes nervuradas moldadas no local –

h

b) lajes nervuradas moldadas no local – são formadas por nervuras que concentram as armaduras para resistir à tração, e por um material inerte colocado entre as nervuras, possuindo também uma mesa de concreto na região comprimida. É utilizada para vencer vãos relativamente grandes.

h c) lajes com nervuras pré-fabricadas – nesta alternativa, as nervuras são compostas de vigotas

h

c) lajes com nervuras pré-fabricadas – nesta alternativa, as nervuras são compostas de

vigotas pré-moldadas, que dispensam o uso do tabuleiro da fôrma tradicional. Essas vigotas são

capazes de suportar seu peso próprio e as ações de construção, necessitando apenas de cimbramentos intermediários. Além das vigotas, essas lajes são constituídas de elementos de enchimento, que são colocados sobre os elementos pré-moldados, e também de concreto moldado no local. Há três tipos de vigotas, a saber:

concreto armado concreto protendido laje tre
concreto armado
concreto protendido
laje tre
a saber: concreto armado concreto protendido laje tre Dentre as lajes citadas, pode-se afirmar que as

Dentre as lajes citadas, pode-se afirmar que as lajes treliçadas estão sendo bastante utilizadas atualmente. Pelo fato das armaduras em treliça não possuírem barras transversais, como no caso de telas soldadas, suas extremidades podem ser facilmente encaixadas dentro da armadura das vigas de suporte das lajes, obtendo-se assim condições eficientes de ancoragem. As normas brasileiras que fazem referência às lajes treliçadas são NBR 14859-1, NBR 14859-2, NBR 14860-1, NBR 14860-2, NBR 14861-1 e NBR 14862-2. Programas de dimensionamento e especificação de lajes treliçadas podem ser encontrados nos sites de empresas como Gerdau, Belgo Mineira, Puma, etc.

d) lajes nervuradas com capitéis e vigas-faixa - nas regiões de apoio tem-se normalmente

uma concentração de tensões transversais bastante significativa, podendo então ocorrer ruína por punção ou por cisalhamento, e que por serem ruínas bastante frágeis devem ser evitadas, garantindo-se que a ruína, caso ocorra, seja por flexão. Além disso, de acordo com o esquema estático adotado, pode ser que apareçam esforços solicitantes elevados, que necessitem de uma estrutura mais robusta. Nesses casos, entre as alternativas possíveis, pode-se adotar uma região maciça em volta do pilar, formando um capitel ou usar faixas maciças em uma ou em duas direções, constituindo vigas-faixa.

e) lajes mistas – as lajes mistas são semelhantes às lajes nervuradas, sem a necessidade

e) lajes mistas – as lajes mistas são semelhantes às lajes nervuradas, sem a necessidade de

mesa de concreto de compressão, mas com a obrigatoriedade de material de enchimento cerâmico capaz de resistir aos esforços de flexão. Pelas exigências quanto ao material de enchimento (resistência à compressão adequada), este tipo de laje acaba não sendo muito utilizado.

f) lajes em grelha – estas lajes também são semelhantes às lajes nervuradas moldadas no local,

mas com espaçamento entre nervuras superior a 1,10m. Este vigamento formado pelas nervuras é calculado como grelha, e a parte superior calculada como laje maciça contínua;

g) lajes em painéis – muito utilizadas em obras industriais, sendo as mais conhecidas as lajes

planas alveolares e as lajes tipo .

– muito utilizadas em obras industriais, sendo as mais conhecidas as lajes planas alveolares e as
– muito utilizadas em obras industriais, sendo as mais conhecidas as lajes planas alveolares e as
Exemplos de lajes alveolares – fonte: CASSOL Placa tipo “PI” – fonte Premold 1.2.3 Classificação

Exemplos de lajes alveolares – fonte: CASSOL

Exemplos de lajes alveolares – fonte: CASSOL Placa tipo “PI” – fonte Premold 1.2.3 Classificação quanto

Placa tipo “PI” – fonte Premold

1.2.3 Classificação quanto ao tipo de apoio:

Quanto ao tipo de apoio, as lajes podem ter:

- apoio contínuo sobre uma linha (alvenaria, viga, parede de concreto);

- apoio discreto (lajes cogumelo ou planas, diretamente apoiadas nos pilares);

- apoio no solo (radier).

1.2.4 Classificação quanto ao comportamento à flexão ou tipo de armação: em relação ao

tipo de armação, as lajes podem ser de dois tipos:

a) lajes armadas em uma só direção: as solicitações são predominantes segundo o menor vão,

e esta situação acontece quando a relação entre o maior e o menor vão é superior a 2 (dois).

Estas lajes são então calculadas como vigas, para uma largura de contribuição unitária (1m). Excepcionalmente, nos casos em que não houver apoios na direção menor, podem também ser armadas na direção maior.

b) lajes armadas em duas direções ou armadas em cruz: neste caso, as solicitações acontecem em ambas as direções, e a relação entre o maior vão e o menor vão é menor ou igual a 2 (dois).

Resumidamente:

maior vão

= menor vão Se > 2 laje armada em uma única direção; Se 2 laje
=
menor vão
Se
> 2
laje armada em uma única direção;
Se
2
laje armada em cruz ou em duas direções.

1.3 CONDIÇÕES DE APOIO EM LAJES

Segundo hipóteses simplificadoras, uma determinada laje pode ser perfeitamente ou elasticamente engastada, ou pode ser simplesmente apoiada ao longo de um determinado bordo. Em estruturas usuais (edifícios residenciais ou comerciais) estas condições de apoio são de engastamento perfeito (quando existir continuidade entre lajes adjacentes) ou de apoio simples (se não existir continuidade com outra laje). Pode também acontecer de haver um bordo livre, e isto acontece quando não há ligação física com outro elemento estrutural, e os esforços (flexão, torção e cisalhamento) são nulos, existindo entretanto deslocamentos verticais. Para as lajes de contorno, com vigas de pequena largura (pouca inércia à torção), pode-se considerar a concepção de apoio simples, mas deve-se cuidar quando a viga de bordo tem grande rigidez à torção, pois podem surgir fissuras significativas nas lajes na região de ligação com as vigas, em virtude da ausência de armadura negativa. Quando um bordo de uma laje tiver parte considerada engastada e parte considerada simplesmente apoiada, caso por exemplo de existirem rebaixos ou vazios, deve-se considerar uma dessas duas situações para o bordo como um todo: o bordo será engastado se o trecho com

engaste (

contrário, o bordo será considerado simplesmente apoiado.

l

y1

)

for maior ou igual a 2/3 do comprimento total do bordo em questão (

l

y

)

, ou, caso

comprimento total do bordo em questão ( l y ) , ou, caso No caso de

No caso de existirem rebaixos entre lajes adjacentes, pode-se fazer as seguintes considerações:

a) se a laje estiver rebaixada (para qualquer rebaixo) e apoiada sobre alvenaria, o apoio será considerado simples;

b) se a laje estiver rebaixada e apoiada sobre viga: se o rebaixo for menor ou igual à espessura da laje, o apoio poderá ser considerado engaste, caso contrário, considera-se como apoio simples.

A notação utilizada para os diversos tipos de apoio é:

A notação utilizada para os diversos tipos de apoio é: 1.4 VÃOS EFETIVOS DAS LAJES Vãos

1.4 VÃOS EFETIVOS DAS LAJES

Vãos efetivos, também conhecidos como vãos teóricos ou de cálculo, são aqueles que efetivamente vão ser considerados para a análise da laje, e são obtidos através dos vãos livres

( l ). Quando os apoios puderem ser considerados suficientemente rígidos quanto à translação

0

vertical, o vão efetivo (aquele que vai ser usado nos cálculos) deve ser calculado pela expressão:

sendo:

l

ef

a

1

=

l

o

+

a

/ 2

0,3 h

t

1

1

+

a

2

e

a

2

t

2

/ 2

0,3 h

Observação: na disciplina de CAR-II, em função das diferenças serem relativamente pequenas, será sempre adotado

Observação: na disciplina de CAR-II, em função das diferenças serem relativamente pequenas, será sempre adotado como vão efetivo, a distância entre eixos de apoios.

1.5 ESPESSURA MÍNIMA DAS LAJES

As espessuras finais das lajes devem respeitar os valores mínimos de espessura, e serem suficientemente rígidas para garantir um dimensionamento adequado e respeitar os estados limites de serviço (fissuração e deformação), procurando-se não utilizar armadura dupla.

Pelo critério de utilização, as lajes maciças devem obedecer às espessuras mínimas dadas pela NBR 6118/2003:

a) 5 cm para lajes de cobertura não em balanço;

b) 7 cm para lajes de piso ou de cobertura em balanço;

c) 10 cm para lajes que suportem veículos de peso total menor ou igual a 30 kN;

d) 12 cm para lajes que suportem veículos de peso total maior que 30 kN;

e) 15 cm para lajes com protensão apoiadas em vigas, considerando ainda vão/42 para lajes de piso bi-apoiadas e vão/50 para lajes de piso contínuas;

f) 16 cm para lajes lisas;

g) 14 cm para lajes cogumelo.

Obs.: apesar de serem estes os valores estipulados pela norma, deve-se tomar cuidados principalmente com relação aos itens “a” e “b” fornecidos anteriormente, basicamente por não se levar em conta a grandeza do carregamento aplicado e a classe de agressividade ambiental a ser considerada, o que poderia levar a grandes recobrimentos da armadura. Outro fator que deve ser levado em conta é o fato de se não ser desejável que se tenha armadura dupla numa laje, preferindo-se então aumentar a espessura da mesma.

1.5.1 ALTURA UTIL

Define-se altura útil (d) como sendo a distância do centro de gravidade da armadura tracionada até o bordo comprimido:

d Assim: d = h c / 2
d
Assim:
d = h
c
/ 2

h

Na estimativa da altura de uma laje considerando valores práticos para lajes de edifícios de nível 1 sem carregamento direto de alvenaria, pode-se usar as seguintes fórmulas:

onde:

d

=

L .(0,028

0,006.

L

eng

u

)

L – menor valor entre o menor vão e 0,67 do maior vão;

L

eng

- somatória dos comprimentos dos lados engastados;

u – perímetro da laje.

Ou ainda, segundo apostila do prof. Libânio (USP – São Carlos):

d =

(2,5

0,1n).L *

100

onde n é o número de bordos engastados e .L * é o menor valor entre o menor maior vão.

No caso de lajes em balanço, pode-se usar:

d =

(2

L

bal

).0,028

vão e 0,7 do

e no caso de lajes nervuradas, pode-se usar as mesmas fórmulas anteriores, mas multiplicadas por 1,5.

Um outro critério prático considera tomar a espessura da laje como aproximadamente 2,5% do menor vão.

Obs.: o critério considerado pela NBR 6118/80 considerava

d =

l

x

2

.

3

3 dependem da vinculação da laje e do tipo de aço, conforme pode

ser visto no anexo no final da apostila. Como esta expressão não leva em conta o carregamento

encontram-

atuante nas lajes, deve-se tomar cuidado com sua aplicação. Os valores de

onde os coeficientes

e

2

2

e

3

se no anexo II.

2. CARREGAMENTO DAS LAJES

2.1 PESO PRÓPRIO (pp) – é a carga proveniente do peso próprio da estrutura:

onde

da laje.

conc

pp

=

conc

.

h

representa o peso específico do concreto (25 kN/

m

3

), e h representa a espessura

2.2 PESO DE REVESTIMENTO (rev) – composto pelo revestimento superior (contra-piso +

acabamento) e pelo revestimento inferior. Quando não se sabe a priori esta informação, pode- se adotar o valor de

rev = 0,5 a 1,0 KN/

2

m

Para

lajes

de

forro

(sem

impermeabilização)

revestimento como sendo de 0,3 KN/

2

m .

pode-se

considerar

a

carga

de

2.3 PESO DE ENCHIMENTO ( pp

em rebaixo ou com pisos elevados. O seu peso é calculado como

) – a utilização de enchimento é comum no caso de lajes

enc

pp

enc

=

enc

.h

enc

onde:

enc

h enc

- peso próprio do enchimento;

- espessura do enchimento.

- peso próprio do enchimento; - espessura do enchimento. O peso específico de diversos materiais de
- peso próprio do enchimento; - espessura do enchimento. O peso específico de diversos materiais de

O peso específico de diversos materiais de construção que podem ser utilizados como revestimento ou enchimento de uma laje pode ser obtido pela tabela do anexo I.

2.4 CARREGAMENTO DEVIDO ÀS PAREDES (q par ) – como permite-se dispor paredes

diretamente sobre as lajes (isto não é válido para lajes pré-moldadas com vigotas), deve-se calcular seu efeito, distinguindo-se várias situações. Como este item não consta da norma 6118/2003, o mesmo será aqui abordado segundo critérios da NBR 6118/1980.

a) parede isolada em laje armada em cruz – a carga pode ser disposta uniformemente

distribuída, e calculada como

q par

=

V a

a

l

x

l

y

x1,2

onde:

V - volume da alvenaria;

a

- peso específico da alvenaria;

a

l

x

, l

y

- vãos teóricos da laje nas direções x e y;

1,2 - coeficiente majorador para efeitos desfavoráveis de concentração de esforços na região da parede.

b) várias paredes dispostas em lajes armadas em cruz – a carga será considerada

uniformemente distribuída, e calculada como

q par

=

V a

a

l

x

l

y

c) paredes segundo a menor dimensão em laje armada em uma só direção – considera-se que as cargas concentradas ou parcialmente distribuídas se distribuem a 45 graus até o plano médio de uma laje, segundo a figura abaixo:

até o plano médio de uma laje, segundo a figura abaixo: A largura útil ( b
até o plano médio de uma laje, segundo a figura abaixo: A largura útil ( b
até o plano médio de uma laje, segundo a figura abaixo: A largura útil ( b

A largura útil ( b ) onde a parede “exerce influência” pode ser considerada como

w

sendo igual à largura b da carga se b não for menor que o vão teórico L ou que o comprimento teórico (balanço) e, em caso contrário, igual a b acrescido de b :

- para momentos fletores positivos:

b

=

2

a

1

(

L

a

1

)

L

(1

b

L

)

- para momentos fletores positivos, no caso particular de paredes em toda a extensão do vão:

-

-

-

-

-

-

b =

1

2

(1

b

L

)

para momentos fletores negativos:

b

=

a

1

(2

L

a

1

)

L

(1

b

L

)

para momentos fletores negativos, no caso particular de paredes em toda a extensão do vão:

 

b =

3 L

(1

 

b

)

 

4

L

 

para forças cortantes:

 

b = a

1

(1

b

L

)

para momentos fletores em lajes em balanço:

 
 

b =

1,5

a

1

(1

 

b

L

)

para forças cortantes em lajes em balanço:

 
 

b =

0,5

a

1

(1

 

b

L

)

Nas fórmulas anteriores,

a representa a distância do centro da carga ao apoio para
1

cujo lado está a seção que se estuda.

d) paredes segundo a maior dimensão em lajes armadas em uma só direção – neste caso a carga é suposta concentrada, no trecho sob influência da parede. Resumidamente:

só direção – neste caso a carga é suposta concentrada, no trecho sob influência da parede.
só direção – neste caso a carga é suposta concentrada, no trecho sob influência da parede.
só direção – neste caso a carga é suposta concentrada, no trecho sob influência da parede.
só direção – neste caso a carga é suposta concentrada, no trecho sob influência da parede.
só direção – neste caso a carga é suposta concentrada, no trecho sob influência da parede.
só direção – neste caso a carga é suposta concentrada, no trecho sob influência da parede.
só direção – neste caso a carga é suposta concentrada, no trecho sob influência da parede.
só direção – neste caso a carga é suposta concentrada, no trecho sob influência da parede.
w
w

b

só direção – neste caso a carga é suposta concentrada, no trecho sob influência da parede.

Pela figura anterior, tem-se:

P

par

= q

onde:

par

= e

par

.

par

.h

par

e par

par

h par

- espessura da parede;

- peso específico do material da parede;

- altura da parede (descontada a espessura da laje).

Obs.: deve-se tomar cuidado com a compatibilização das unidades, uma vez que a carga q é dada

para uma faixa unitária, e a carga devido às paredes é dada para uma faixa qualquer ( b ) a ser

calculada.

w

2.4 CARGA ACIDENTAL (sc)

As cargas acidentais, também chamadas de cargas de utilização ou sobrecarga, são definidas pela NBR 6120 de acordo com a utilização da edificação (móveis, pessoas, materiais diversos, etc), conforme anexo no final da apostila. Assim, uma sala de um edifício residencial

deve ser calculada para uma carga de utilização de 1,5 kN/m 2 , e uma laje destinada a um palco

de teatro, deve ser calculada para uma carga de utilização de 5 kN/m 2 . Como cargas verticais especiais, tem-se como sugestão:

-

casa de máquinas e poço dos elevadores, a depender da velocidade dos mesmos (consultar sempre as especificações dos fabricantes quanto ao peso e velocidade do elevador):

-

 

laje sobre a caixa dos elevadores: v 1m/s: sc = 30 kN/m 2

v

>

1m/s: sc = 50 kN/m 2

laje adjacente à caixa dos elevadores: v 1m/s: sc = 5kN/m 2

 

v

> 1m/s:

sc = 7kN/m 2

 

forro da casa de máquinas: sc = 10 kN/m 2

poço de molas dos elevadores (laje inferior): sc = 20 kN/m 2

-

heliponto: como sugestão,deverá ser considerada uma carga vertical de 12 kN, concentrada

na posição mais desfavorável, e uma carga uniformemente distribuída de 5 kN/m 2 . Segundo

a norma alemã DIN 1055, no caso de helipontos deve-se considerar uma carga

uniformemente variável, em toda a área de pouso de pelo menos 5 kN/m 2 . Também, na posição mais desfavorável, deve-se considerar uma carga concentrada com intensidade entre 20 kN e 60 kN, distribuída em uma área quadrada de 0,2 a 0,3 m de lado, respectivamente. Esta carga deve ser aplicada com um coeficiente de impacto igual a 1,4, lembrando que os dois carregamentos não são superpostos, devendo-se considerar o caso mais desfavorável.

- cargas móveis em pontes rodoviárias: vide NBR 7188/84;

- cargas móveis em pontes ferroviárias : vide NBR 7189/85.

2.5 CARGA TOTAL

A carga total atuante nas lajes de uma edificação, é a soma das cargas permanentes e da sobrecarga, podendo-se escrever

q = pp + rev + sc

Quando da existência de paredes ou equipamentos especiais, também estes efeitos.

deve-se considerar

3. DETERMINAÇÃO DOS ESFORÇOS EM LAJES

Existem vários métodos para se determinar os esforços em lajes (reações de apoio, momento fletor, esforço cortante, etc), sendo que os mais usuais são:

- teoria das placas (teoria da elasticidade);

- processos aproximados, obtidos da teoria das placas, que fornecem tabelas e gráficos práticos;

- método das linhas de ruptura (método das charneiras plásticas);

- métodos numéricos em geral (método dos elementos finitos, método das diferenças finitas, etc).

3.1 LAJES RETANGULARES ARMADAS EM UMA SÓ DIREÇÃO

As lajes armadas em uma só direção são aquelas em que a relação entre o maior e o menor vão é maior que 2, ou quando se tem uma laje em balanço (o apoio é um engaste). Para as diversas situações de apoio, as lajes armadas em uma só direção são calculadas para uma faixa de largura unitária, como sendo uma viga. Assim, tem-se como calcular as reações de apoio (kN/m) ou os momentos fletores (kNm/m) para cada faixa:

(kN/m) ou os momentos fletores (kNm/m) para cada faixa: ² ² ² ² ² ² Observação:
(kN/m) ou os momentos fletores (kNm/m) para cada faixa: ² ² ² ² ² ² Observação:
² ²
²
²
² ² ² ²
²
²
²
²

Observação: na realidade, as lajes armadas em uma só direção possuem armaduras nas duas direções. A armadura principal, na direção do menor vão, é calculada para resistir o momento fletor através de vigas-faixa, sendo que na outra direção (maior vão) utiliza-se somente uma armadura construtiva (ou de distribuição), com o objetivo de solidarizar as faixas de laje da direção principal, prevendo-se uma eventual concentração de esforços. O dimensionamento e o detalhamento destas armaduras serão visto nos próximos capítulos.

3.2 LAJES RETANGULARES ARMADAS EM CRUZ (OU EM DUAS DIREÇÕES)

Como já foi visto no item anterior, uma laje é armada em cruz quando:

maior vão

2

menor vão

Nestes casos as armaduras das duas direções são calculadas para resistir aos momentos fletores atuantes nestas direções.

3.2.1 TIPOS DE LAJES RETANGULARES ARMADAS EM CRUZ - antes de se calcular os esforços atuantes nas lajes armadas em cruz, é necessário definir os tipos mais comuns de lajes retangulares armadas em cruz, em função de suas condições de apoio. Tem-se então:

Laje tipo 1 - todas as bordas simplesmente apoiadas:

Laje tipo 1 - todas as bordas simplesmente apoiadas: Laje tipo 2 - um único bordo
Laje tipo 1 - todas as bordas simplesmente apoiadas: Laje tipo 2 - um único bordo

Laje tipo 2 - um único bordo engastado:

apoiadas: Laje tipo 2 - um único bordo engastado: Laje tipo 3 - dois bordos “consecutivos”

Laje tipo 3 - dois bordos “consecutivos” engastados:

Laje tipo 3 - dois bordos “consecutivos” engastados: Laje tipo 4 - dois bordos “opostos” engastados:

Laje tipo 4 - dois bordos “opostos” engastados:

Laje tipo 3 - dois bordos “consecutivos” engastados: Laje tipo 4 - dois bordos “opostos” engastados:

Laje tipo 5 - cinco bordos engastados:

Laje tipo 5 - cinco bordos engastados: Laje tipo 6 - todos os bordos engastados: Nas

Laje tipo 6 - todos os bordos engastados:

engastados: Laje tipo 6 - todos os bordos engastados: Nas figuras anteriores, é importante definir o

Nas figuras anteriores, é importante definir o que vem a ser o lado

l

x

. Inicialmente

l

x

é definido como sendo

o lado que contém o maior número de engastes. Caso o número de

engastes seja igual nas duas direções,

l

x

é definido como sendo o lado de menor dimensão.

3.2.2 PROCESSO DAS GRELHAS – é o processo mais antigo, simples e que serve de base para o processo de Marcus. Este método considera que se pode isolar duas faixas, na direção x e na direção y, e calcular a flecha no seu centro geométrico. Cada faixa “recebe” um quinhão de

carga ( q ou

q ), em função da flecha, e que depende basicamente de sua condição de apoio

x

y

nos bordos. Como o ponto médio das duas faixas, x e y, é único, indivisível, deve-se ter, no cruzamento da faixa x com o cruzamento da faixa y a igualdade das flechas:

f

x

= f

y

Definindo-se também para os diversos tipos de lajes armadas em cruz, os termos:

M

M

X

X

x

y

x

y

- momento fletor positivo (inferior) na direção x

- momento fletor positivo (inferior) na direção y

- momento fletor negativo (superior) na direção x

- momento fletor negativo (superior) na direção y

tem-se a seguinte tabela:

TIPO f f q M M X X X y x x y x y
TIPO
f
f
q
M
M
X
X
X
y
x
x
y
x
y
4
4
2
5
q l
q
l
4
2
5
x
y
l
q
l
q
l
x
y
y
x
x
y
y
q
1
384
EI
384
EI
0
0
4
4
8
l
+
l
8
x
y
4
4
2
2
2
q l
4
2
5
q
l
x
y
5 l
q
l
q
l
q
l
x
y
y
x
x
y
y
x
x
q
2
384
EI
384
EI
0
4
4
14,22
8
2
l
+
5
l
8
x
y
4 4 2 q l 2 2 l q 4 2 2 2 x y
4
4
2
q
l
2
2
l
q
4
2
2
2
x
y
l
q
l
q
l
q
l
q
l
x
y
y
x
x
y
y
x
x
y
y
q
3
384
EI
384
EI
4
4
14,22
l
+
l
14,22
8
8
x
y
4
4
2
2
1
q
l
q
4
2
5
l
x
y
5
l
q
l
q
l
q
l
x
y
y
x
x
y
y
x
x
q
4
384
EI
384
EI
0
4
4
24
12
l
+
5
l
8
x
y
4
4
2
2
1
q
l
l
2
2
2
q
4
x
y
2
l
q
l
q
l
q
l
q
l
x
y
y
x
x
y
y
x
x
y
y
q
5
384
EI
384
EI
4
4
24
l
+
l
14,22
12
2
8
x
y
4
4
4
2
2
2
1
q
l
1
q
l
2
x
y
l
q
l
q
l
q
l
q
l
x
y
y
x
x
y
y
x
x
y
y
q
6
384
EI
384
EI
4
4
24
l
+
l
24
12
12
x
y
Tem-se também:
=
k
.
q
q
= k
.
q
k
+
k
= 1
q
+
q
=
q
q x
x
y
y
x
y
x
y

3.2.3 PROCESSO DE MARCUS – as fórmulas conhecidas pelo processo de Marcus são baseadas nas equações do método das grelhas, e mesmo fornecendo valores aproximados, são largamente aplicadas. Este processo é válido para lajes maciças de espessura constante (ou nervuradas), com formato retangular, e que possuem apoios contínuos ao longo dos quatro bordos e estão submetidas à carga uniformemente distribuídas por unidade de área. A

diferença deste método e o método das grelhas é a introdução de um fator de correção

y , fator este que é função das condições de apoio e da

relação entre os vãos. Assim:

V

x

e

V

y

para os momentos positivos

M

x

e

M

V

x

=

1

20.

k

x

3.

x

2

M

x

=

M

x grelha

,

.V

x

onde

V

y

=

1

20.

k

y

3

y

2

M

y

=

M

y grelha

,

.V

y

l q q y x y = k k y = x = l q
l
q
q
y
x
y
=
k
k y =
x =
l
q
x q
Os
fatores
e
dependem
da
x
y
respectivamente e valem:
= 14,22
= 8

condição

de

apoio

nas

fatores e dependem da x y respectivamente e valem: = 14,22 = 8 condição de apoio

= 24

direções

x

e

y

A partir da formulação de Marcus e de manipulações matemáticas, é possível obter as tabelas encontradas no anexo desta apostila, que dependem somente da relação entre os vãos

(

momento positivo como para momento negativo, possuem o mesmo termo ( q l ). Assim:

= l

y

/ l

x

) e do tipo de laje. Observe que o numerador de todas as fórmulas, tanto para

.

2

x

M

x

=

ql

2

x

m

x

M

y

=

ql

2

x

m

y

X

x

=

ql

2

x

n

x

X

y

=

ql

2

x

n

y

Deve-se lembrar que na determinação destes esforços, a unidade obtida é de momento por metro linear (tf.m/m, kN.m/m, etc). Obs.: as fórmulas vistas anteriormente atendem somente às lajes retangulares apoiadas ou engastadas no seu contorno e submetidas a uma carga uniforme. Para situações especiais, deve-se consultar outras tabelas como as tabelas de Czerny, Stiglat/Wippel,Barès, Szilard, Kalmanoch, Timoshencko, Bruckner, e outras, que deverão ser vistas em literatura apropriada. Particularmente, as tabelas de Czerny são úteis em edificações onde a carga predominante é uniformemente distribuída, podendo ser usadas para lajes com um bordo livre e para carregamento triangular, sendo também bastante utilizadas para caixas d’água.

3.3 REAÇÕES DE APOIO

As ações atuantes nas lajes são transferidas para as vigas de apoio, sendo que o procedimento de cálculo proposto pela NBR 6118/2003 baseia-se no comportamento em regime plástico, a partir da posição aproximada das linhas de plastificação, também denominadas de charneiras plásticas. Este procedimento é conhecido como processo das áreas. Como já foi visto anteriormente, para se calcular as reações de apoio de lajes apoiadas numa única direção basta considerá-las como sendo vigas com uma faixa unitária, e com a devida condição de apoio. Para lajes armadas em cruz sujeitas a cargas uniformemente

distribuídas, pode-se criar simplificadamente “linhas” ou retas inclinadas, a partir dos vértices, com os seguintes ângulos:

- 45 graus entre dois apoios do mesmo tipo;

- 60 graus a partir do apoio considerado engastado, se o outro for considerado simplesmente

apoiado;

- 90 graus a partir do apoio, quando a borda vizinha for livre. As reações obtidas podem ser consideradas uniformemente distribuídas sobre os elementos estruturais que servem de apoio para as lajes, que normalmente são as vigas, na unidade de força por unidade de comprimento. Na verdade, as reações têm uma distribuição não uniforme, em geral com valores máximos na parte central das bordas, diminuindo nas extremidades. Para os diversos tipos de lajes, teremos então as seguintes classificações:

Laje tipo 1:

Laje tipo 1: R R ya xa = = ql x 4 l 2 y l

R

R

ya

xa

=

=

ql

x

4

l

2

y

l

x

l

y

R ya

Laje tipo 2:

1: R R ya xa = = ql x 4 l 2 y l x l

l

x

R

R

R

xe

xa

ya

1,366

l

l

y

y

:

l

0,366

x

= 0,634 ql

=

=

l

0,577

0,183

y

R

ql

xe

x

x

l

x

> 1,366

l

y

R xe

R

xa

= 0,433

=

0,577

:

ql

R

y

xe

R

ya

l

x

0,683

y

l

= ql

2

l

x

y

Laje tipo 3:

2 l l y x R = 0,634 ql xe x 2 l y R
2 l
l
y
x
R
=
0,634 ql
xe
x
2
l
y
R
= 0,577
R
xa
xe
R
= ql
0,317
ye
x
R
= R
0,575
ya
ye

Laje tipo 4:

l > 1,732 l : x y l 1,732 l x y R = 0,433
l
> 1,732
l
:
x
y
l
1,732
l
x
y
R
= 0,433
ql
xe
y
l
0,289
l
y
x
R
=
ql
l
0,866
l
xe
x
x
y
2 l
R
=
ql
y
ya
y
2 l
x
R
= 0,144
ql
ya
x

Laje tipo 5:

l > 1,268 l : l 1,268 l : x y x y = 0,317
l
> 1,268
l
:
l
1,268
l
:
x
y
x
y
= 0,317
ql
2
l
0,789
l
R xe
y
y
x
=
ql
R xe
x
4
l
l
0,634
l
x
y
y
= 0,634 ql
R ye
l
ql
x
x
R
=
ye
4
= 0,577
R
R ya
ye
R
= 0,577
R
ya
ye

Laje tipo 6:

y

ql x R = ye 4 2 l l y x R = xe R
ql
x
R
=
ye
4
2 l
l
y
x
R
=
xe
R ye
l
y

3.4 LAJES POLIGONAIS

Para se calcular as reações de apoio para uma laje poligonal, pode-se usar os conceitos de linhas de ruptura ou dividi-la em trechos retangulares. Assim, para o exemplo abaixo, tem-se para o cálculo das reações de apoio:

abaixo, tem-se para o cálculo das reações de apoio: Ainda, dividindo esta laje em trechos retangulares

Ainda, dividindo esta laje em trechos retangulares tem-se:

abaixo, tem-se para o cálculo das reações de apoio: Ainda, dividindo esta laje em trechos retangulares

Ou:

abaixo, tem-se para o cálculo das reações de apoio: Ainda, dividindo esta laje em trechos retangulares
abaixo, tem-se para o cálculo das reações de apoio: Ainda, dividindo esta laje em trechos retangulares

Nos dois casos anteriores, a intersecção dos dois trechos de lajes retangulares funciona como se fosse uma viga imaginária “embutida”, de dimensões b (da experiência do projetista)x h (altura da laje), que deve ser convenientemente armada. Comparativamente, na hipótese de se dividir em trechos retangulares, a primeira solução é melhor porque conduz a uma viga “embutida” com menor vão.

4. DIMENSIONAMENTO E DETALHAMENTO DA ARMADURA DAS LAJES MACIÇAS

4.1 DIMENSIONAMENTO DA ARMADURA DE FLEXÃO

O dimensionamento da armadura de flexão (superior e inferior) é feito de acordo com os
O dimensionamento da armadura de flexão (superior e inferior) é feito de acordo com
os critérios da NBR 6118/2003 vistos na disciplina de CAR-I, considerando-se flexão normal
simples para armadura positiva (inferior) e para armadura negativa (superior), e levando-se em
conta as combinações de carregamento do ELU.
Armadura negativa
Armadura positiva

Uma vez que os momentos fletores são calculados por unidade de comprimento, a seção para dimensionamento terá altura útil (d) e largura unitária, sendo que não é usual considerar-se armadura dupla, aumentando-se a altura da laje para evitar esta situação. A altura útil d pode ser tomada como

d

d

=

=

h

h

c

c

princ

princ

/ 2

para momento principal

sec

/ 2

para momento secundário

onde

para combater o momento secundário. Por questões práticas, recomenda-se adotar

é a bitola escolhida para combater o momento principal, e

é a bitola escolhida

princ

sec

.

princ

sec

principal, e é a bitola escolhida princ ≥ sec . princ sec Como não se conhece

Como não se conhece a priori a bitola da armadura a ser dimensionada, para lajes maciças revestidas, usuais em edifícios (comerciais e residenciais), pode-se adotar simplificadamente:

Agressividade

Ambiental

Recobrimento (c) -

cm

Altura útil principal

(

d

princ

)

Altura útil secundária

(

d

sec

)

CAA-I

2,0

h

– 2,5

h

– 3,5

CAA-II

2,5

h

– 3,0

h

– 4,0

CAA-III

3,5

h

– 4,0

h

– 5,0

CAA-IV

4,5

h

– 5,0

h

– 6,0

Para a elaboração da tabela anterior, considerou-se um diâmetro de 10,0 mm tanto para a armadura principal como para a armadura secundária, o que é bastante a favor da segurança. Então, nos casos em que se tem previsão de diâmetros menores (5,0 ou 6,3 mm), pode-se descontar ainda um valor aproximado de 0,5 mm. Já no caso de dimensionamento da armadura negativa, e conforme prescrições da norma que recomenda recobrimento de 1,5 cm para lajes convenientemente revestidas, pode-se utilizar:

d = h

2

Então, para

b

w

= 100 cm, e utilizando-se as unidades de KN e cm, pode-se determinar

os termos de dimensionamento à flexão simples, através das tabelas apropriadas:

k m =

b

w

d

2

M

d

tabela

k

a

A

s

=

k

a

M

d

d

(

2

cm

/

m

)

Obtida a seção de aço necessária (em cm 2 /m), pode-se usar as tabelas que fornecem bitolas e espaçamentos a serem usados, como a tabela encontrada no anexo. Quando da determinação do diâmetro da armadura de flexão, torna-se necessário levar em conta a necessidade de se evitar fissuração excessiva da peça, sendo conveniente usar barras de pequeno diâmetro pouco espaçadas entre si. Também não se deve usar armadura dupla para lajes, aumentando-se a sua espessura quando for necessário. No cálculo dos momentos fletores negativos, consideram-se os apoios internos de lajes contínuas como perfeitamente engastados. Na realidade, isto pode não ocorrer. Em um pavimento, em geral, as lajes adjacentes diferem nas condições de apoio, nos vãos teóricos ou nos carregamentos, resultando, no apoio comum, dois valores diferentes para o momento negativo. Daí a necessidade de promover a compatibilização desses momentos. Na compatibilização dos momentos negativos, o critério usual consiste em adotar o maior valor entre a média dos dois momentos e 80% do maior. Esse critério apresenta razoável aproximação quando os dois momentos são da mesma ordem de grandeza. Assim, para o dimensionamento da armadura negativa entre as lajes 1 e 2 da figura a seguir, tem-se:

X ≥      X 1 + X 2 2 80% do
X ≥      X 1 + X 2 2 80% do
X ≥      X 1 + X 2 2 80% do
X ≥      X 1 + X 2 2 80% do
X ≥      X 1 + X 2 2 80% do
X ≥      X 1 + X 2 2 80% do
X ≥      X 1 + X 2 2 80% do

X

X

1

+

X

2

2

80% do maior X

sendo X a nomenclatura utilizada para denominar o momento negativo, e cujo dimensionamento segue os mesmos procedimentos vistos anteriormente.

Obs.: quando, na seção crítica adotada para dimensionamento, a direção das armaduras diferir das direções das tensões principais em mais de 15 graus, esse fato deve ser considerado no cálculo estrutural.

4.1.1

GARANTIA DE DUCTILIDADE

Nas regiões de apoio das lajes devem ser garantidas boas condições de ductilidade, e no caso de análise elástica linear deve-se verificar a posição da linha neutra:

x / d

x

d

/

0,5 para concretos com f

ck

0,4

para concretos com f

ck

35

MPa

> 35

MPa

Mesmo que a norma não exija que x/d 0,5, no dimensionamento das seções nos vãos das lajes, recomenda-se que esta restrição seja adotada também nesses casos para garantir qualquer necessidade de pequena redistribuição de esforços que possa aparecer nesses locais, devido por exemplo à flexibilidade nos apoios que muitas vezes não é considerada nas análises. Grandes flexibilidades de apoio geram grandes redistribuições que devem ser analisadas adequadamente.

4.2 VERIFICAÇÃO DA ARMADURA DE CISALHAMENTO

Dificilmente há a necessidade de se utilizar armadura transversal nas lajes usuais de edifícios, apoiadas ao longo do seu contorno, para resistir aos esforços de tração que surgem em função da força cortante. No estado limite último, é feita a comparação entre o esforço cortante máximo de cálculo e a resistência de cálculo das seções transversais, sem a adição de armadura transversal. Se a resistência é superior à solicitação, está garantida a segurança no ELU. Esta verificação é feita conforme equação abaixo:

V

sd

V

Rd1

não há necessidade de armadura de cisalhamento

onde:

- esforço cortante solicitante de cálculo, que normalmente é a máxima reação de apoio da

laje por largura de referência (geralmente 1 metro), e que é determinada com a combinação de Estado Limite Último crítica.

V sd

V Rd1

- esforço cortante resistente de cálculo (para lajes sem protensão):

onde:

V

Rd

1

=

Rd

.

k

.(1,2

+

40

1

).

b

w

d

Rd

- tensão resistente de calculo do concreto ao cisalhamento que vale:

Rd

= 0,25 f

ctd

e

f

ctd

=

f

ctk

,inf

/

c

k – coeficiente que tem os seguintes valores:

- para elementos onde 50% da armadura inferior não chega até o apoio:

- para os demais casos:

k =

k

= 1,6

d

, não menor que

1

, com d em metros.

1

;

é a armadura de tração que se estende até

não menos que (

A distribuição desta armadura ao longo da laje deve respeitar o prescrito na NBR 6118/2003 no

item 18.3.2.3.1, considerando para

definido na disciplina de CAR-I.

1

=

A

s

1

/ b

w

d

, não maior que 0,02, sendo que

d

+

l

b nec

,

)

A s1

além da seção considerada, com

a

l

o valor 1,5d;

l

b nec

,

b

w

- largura mínima da seção ao longo da altura útil d.

b w - largura mínima da seção ao longo da altura útil d. Caso se verifique

Caso se verifique a necessidade de se usar armadura para força cortante, usam-se os modelos já estudados na disciplina de CAR-I (modelo I ou II), tomando-se o cuidado de se limitar a resistência dos estribos para lajes com espessura até 15 cm em 250 Mpa. Somente para lajes com espessura superior a 35 cm pode ser usada a resistência dos estribos

ywd 435 , interpolando-se linearmente este valor para lajes com espessura entre 15 e

35 cm.

f

Mpa

4.3 DETALHAMENTO DA ARMADURA DE FLEXÃO E PRESCRIÇÕES REGULAMENTARES

Para uma determinada laje existem dois tipos básicos de armadura: as armaduras positivas (principal e secundária), que são colocadas na face inferior, e as armaduras negativas, que são colocadas na face superior da laje. Para estes dois tipos de armadura devem ser verificados alguns itens com vista a um bom detalhamento:

4.3.1 Recobrimento – o recobrimento da armadura de uma laje deve atender as especificações da nova NB1, conforme visto em CAR I, dependendo da agressividade do meio ambiente (CAA), e usando-se no mínimo um valor igual ao diâmetro das barras.

Valor do cobrimento nominal (mm) para diversas classes de agressividade ambiental
Valor do cobrimento nominal (mm) para diversas classes de agressividade ambiental
Valor do cobrimento nominal (mm) para diversas classes de agressividade ambiental

Valor do cobrimento nominal (mm) para diversas classes de agressividade ambiental

Classe I

20

Classe II

25

Classe III

35

Classe IV

45

Para a face superior das lajes que serão revestidas com argamassa de contrapiso, com revestimentos finais secos tipo carpete e madeira, com argamassa de revestimento e acabamento tais como pisos de elevado desempenho, pisos cerâmicos, pisos asfálticos, e outros tantos, as exigências desta tabela podem ser simplificadas para cobrimento maior ou igual ao diâmetro da barra, com cobrimento mínimo de 1,5cm. Para garantir o cobrimento previsto em norma, utilizam-se dispositivos especiais (espaçadores de forma) que devem ser fixados às barras de armadura, os quais podem ser plásticos, de argamassa, ou outros materiais, conforme figurado a seguir.

4.3.2 Bitola – a NBR 6118/2003 estipula que no detalhamento da armadura de lajes não
4.3.2 Bitola – a NBR 6118/2003 estipula que no detalhamento da armadura de lajes não

4.3.2 Bitola – a NBR 6118/2003 estipula que no detalhamento da armadura de lajes não se deve

utilizar diâmetros maiores que h/8, onde h é a espessura da laje, sendo que nada é citado com relação ao diâmetro mínimo. Por razões construtivas, mesmo que se possam utilizar bitolas de 4,2 mm (CA 60), recomenda-se utilizar para armadura positiva um diâmetro mínimo de 5,0 mm. Para o caso de momentos negativos, a experiência mostra que se deve usar pelo menos uma bitola de 6,3 mm, uma vez que esta armadura é colocada na face superior e está sujeita a ficar em posição inferior devido ao intenso movimento dos trabalhadores durante a colocação da armadura e durante a concretagem.

4.3.3 Taxa de armadura mínima – como as lajes armadas nas duas direções têm outros

mecanismos resistentes possíveis, os valores mínimos das armaduras positivas são reduzidos em relação aos dados para peças lineares, devendo a armadura ser constituída preferencialmente por barras com alta aderência ou por telas soldadas:

- armadura negativa:

s

min

- armadura positiva de lajes armadas nas duas direções:

s

0,67

min

- armadura positiva (principal) de lajes armadas em uma direção:

s

min

- armadura positiva (secundária ou construtiva) de lajes armadas em uma direção:

s

20% A

princ

s

0,5

0,9

cm

min

2

/

m

Nas situações citadas anteriormente tem-se:

A

s

=

s b

w h

com b w =100 cm, h = espessura da laje (cm) e A s a armadura de tração dada em cm

2 / m .

lajes:

Os valores de

min

dependem do

f

ck

adotado e da forma da seção, tendo-se então para

f (Mpa)

ck

20

25

30

35

40

45

50

min

0,15

0,15

0,173

0,201

0,23

0,259

0,288

Como exemplo,

para uma laje armada em uma direção com espessura 15cm, com

concreto classe C25, a armadura mínima positiva a ser adotada seria:

A

min

s

=

0,15.

h

=

2,25

2

cm

/

m

No caso de uma laje armada em cruz, o valor seria:

A

min

s

=

0,1.

h

=

1,5

cm

2

/

m

4.3.4

Taxa de armadura máxima – o valor máximo de armadura de flexão deve respeitar o

valor de

max

s

4%A

cr

4.3.5 Espaçamento entre as barras: o espaçamento máximo entre as barras da armadura,

visando garantir a uniformidade de comportamento admitida nos cálculos, deve obedecer:

- para armadura principal positiva (maior momento positivo):

e

2 h

20 cm

- para armadura secundária positiva (menor momento positivo) deve-se verificar:

e 33cm , sendo aconselhável não se adotar espaçamentos superiores a 25 cm.

- para armadura negativa:

e

25cm .

Como critério prático de espaçamento mínimo entre as barras da armadura pode-se considerar o valor de 8 cm, valor este que facilita a execução (concretagem) da laje.

4.3.6 Ancoragem nos apoios – considera-se que as barras inferiores estejam adequadamente

ancoradas, desde que se estendam, pelo menos, de um valor igual a 10

a partir da face dos

apoios. Nas extremidades do edifício, elas costumam ser estendidas até junto dessas

extremidades, respeitando-se o cobrimento especificado, ou ainda, um procedimento bastante comum tem sido o uso de um comprimento de eixo a eixo dos apoios.

4.3.7 Representação – o detalhamento da armadura de uma laje deve ser feito isoladamente para a armadura positiva (inferior) e negativa (superior), a menos que a quantidade de lajes a serem detalhadas seja pequena. Estas armaduras devem obedecer a planta de forma já fornecida, e conter tabela de armadura e resumo do aço (peso) envolvido para o detalhamento em questão. As armaduras são representadas esquematicamente, de modo a facilitar a compreensão do desenho na obra. A representação da barra deve conter a quantidade, a identificação do ferro, a bitola utilizada, o comprimento das barras e o espaçamento entre as mesmas, e são usualmente estendidas, a favor da segurança, de apoio a apoio da laje.

- detalhamento usual da armadura positiva:

Inicialmente, com o objetivo de se ter detalhamentos que não gerem dúvidas, costuma-se fazer um desenho para a armadura positiva e outro para armadura negativa, não se esquecendo dos diversos detalhes envolvidos. A quantidade de ferros numa determinada direção pode ser obtida dividindo-se o vão livre correspondente pelo espaçamento e arredondando-se para um valor inferior. Como foi dito anteriormente, o comprimento do ferro pode ser obtido simplificadamente utilizando-se a distância de eixo a eixo, respeitando-se o cobrimento da armadura, a ancoragem mínima e a força a ancorar. Para numeração das barras, começa-se pelas barras horizontais, da esquerda para a direita e de cima para baixo. Numeradas todas as barras horizontais, numeram-se as barras verticais, girando-se o desenho de 90 graus no sentido horário, o que equivale a posicionar o observador à direita do desenho. Continua-se a numeração seguindo o mesmo critério adotado para as barras horizontais.

o mesmo critério adotado para as barras horizontais. Para lajes apoiadas em vigas, consideradas suficientemente

Para lajes apoiadas em vigas, consideradas suficientemente rígidas, pode-se também dispor as armaduras de acordo com os seguintes arranjos, lembrando que a NBR 6118/1980 só permitia alternar a amadura positiva para espaçamentos menores ou iguais a 16 cm.

-

(

-

(

l

l

x

x

1ª opção de detalhamento da armadura positiva: armadura alternada pelo centro

l

y

)

da armadura positiva: armadura alternada pelo centro l y ) 2ª opção de detalhamento da armadura
da armadura positiva: armadura alternada pelo centro l y ) 2ª opção de detalhamento da armadura
da armadura positiva: armadura alternada pelo centro l y ) 2ª opção de detalhamento da armadura
da armadura positiva: armadura alternada pelo centro l y ) 2ª opção de detalhamento da armadura
da armadura positiva: armadura alternada pelo centro l y ) 2ª opção de detalhamento da armadura

2ª opção de detalhamento da armadura positiva: armadura alternada pelas faces

l

y

)

da armadura positiva: armadura alternada pelas faces l y ) - armadura de tela soldada: a
da armadura positiva: armadura alternada pelas faces l y ) - armadura de tela soldada: a
da armadura positiva: armadura alternada pelas faces l y ) - armadura de tela soldada: a
da armadura positiva: armadura alternada pelas faces l y ) - armadura de tela soldada: a

- armadura de tela soldada: a NBR 6118/2003 permite o uso de telas soldadas que podem proporcionar maior facilidade na execução. As malhas a serem utilizadas podem quadradas (Q), longitudinais (L) ou transversais (T), sendo que as bitolas podem variar de 3 a 12,5 mm. Os espaçamentos são normalmente padrões, variando a 10, 15 ou 30 cm. As telas podem ser fornecidas em rolos ou painéis, com largura padronizada de 2,45m, e as emendas são feitas pela superposição das malhas. Detalhamentos fora do padronizado, podem também serem

executados mediante consulta às empresas. Maiores informações podem ser obtidas junto ao Instituto Brasileiro de Telas Soldadas (www.ibts.org.br).

Instituto Brasileiro de Telas Soldadas ( www.ibts.org.br ). - detalhamento usual da armadura negativa nos apoios
Instituto Brasileiro de Telas Soldadas ( www.ibts.org.br ). - detalhamento usual da armadura negativa nos apoios

- detalhamento usual da armadura negativa nos apoios internos: as armaduras resistentes calculadas junto aos apoios internos da laje, chamada também de armadura negativa, são estendidas de modo a “cobrir” o diagrama de momento fletor, numa extensão para cada lado de 0,25 do maior dos menores vãos adjacentes considerados.

de 0,25 do maior dos menores vãos adjacentes considerados. Obs.: segundo recomendações do IBRACON, pode-se também
de 0,25 do maior dos menores vãos adjacentes considerados. Obs.: segundo recomendações do IBRACON, pode-se também
de 0,25 do maior dos menores vãos adjacentes considerados. Obs.: segundo recomendações do IBRACON, pode-se também
de 0,25 do maior dos menores vãos adjacentes considerados. Obs.: segundo recomendações do IBRACON, pode-se também
de 0,25 do maior dos menores vãos adjacentes considerados. Obs.: segundo recomendações do IBRACON, pode-se também
de 0,25 do maior dos menores vãos adjacentes considerados. Obs.: segundo recomendações do IBRACON, pode-se também

Obs.: segundo recomendações do IBRACON, pode-se também fazer uso de armadura negativa intercalada.

Para a numeração, segue-se o mesmo procedimento feito para a armadura positiva. Também é necessária

Para a numeração, segue-se o mesmo procedimento feito para a armadura positiva. Também é necessária a utilização de uma armadura de montagem, para que se mantenha a posição correta da armadura negativa, que é costumeiramente colocada antes da concretagem. Um detalhe típico deste tipo de armadura (caranguejo) é mostrado na figura a seguir:

de armadura (caranguejo) é mostrado na figura a seguir: - detalhamento da armadura de canto :

- detalhamento da armadura de canto: nos cantos de lajes retangulares, formados por duas bordas simplesmente apoiadas, há uma tendência ao levantamento provocado pela atuação de momentos volventes (momentos torçores). Quando não for calculada armadura específica para resistir a esses momentos, deve ser disposta uma armadura especial, denominada armadura de canto. Esta armadura de canto deve ser composta por barras superiores paralelas à bissetriz do ângulo do canto e barras inferiores a ela perpendiculares. Tanto a armadura superior quanto a inferior deve ter área de seção transversal, pelo menos, igual à metade da área da armadura

no centro da laje, na direção mais armada. As barras deverão se estender até a distância igual a 1/5 do menor vão da laje, sendo que deverão ser medidas a partir das faces dos apoios. A armadura inferior pode ser substituída por uma malha composta por duas armaduras perpendiculares, conforme indicado na figura abaixo. Como em geral as barras da armadura inferior são adotadas constantes em toda a laje, não é necessária armadura adicional inferior de canto. Já a armadura superior se faz necessária e, para facilitar a execução, recomenda-se adotar malha ortogonal superior com seção transversal, em cada direção, não inferior à metade da outra armadura.

cada direção, não inferior à metade da outra armadura. - detalhamento usual da armadura de bordo

- detalhamento usual da armadura de bordo – nas bordas da laje, junto às vigas de apoio,

) com extensão de 1/5 do vão

considerado, visando atenuar uma eventual fissuração proveniente do engastamento parcial da laje nestas vigas. Esta armadura torna-se importante quando existe uma grande rigidez à torção das vigas de bordo, lembrando-se que muitos calculistas, em situações “normais” não a consideram.

costuma-se posicionar uma armadura (

A

s borda

,

0,25A

sx

ou A

sy

posicionar uma armadura ( A s borda , ≥ 0,25 A sx ou A sy -
posicionar uma armadura ( A s borda , ≥ 0,25 A sx ou A sy -
posicionar uma armadura ( A s borda , ≥ 0,25 A sx ou A sy -
posicionar uma armadura ( A s borda , ≥ 0,25 A sx ou A sy -

- armadura em balanços: as lajes em balanço são bastante utilizadas em sacadas de edifícios ou residências, devendo ser convenientemente dimensionada e detalhada.

Uma laje em balanço será sempre considerada engastada na laje adjacente, independente da laje (em balanço) estar rebaixada ou não. Deve-se cuidar para que a laje adjacente tenha espessura maior ou igual à laje que está em balanço. A armadura de flexão superior para balanços deve ser calculada para o momento total do balanço considerando-se para uma faixa unitária uma carga distribuída “g” (peso próprio + revestimento) e uma sobrecarga devido à utilização “q”. Na ponta do balanço, considera-se uma carga concentrada devido ao peso próprio da extremidade “g1” (que pode ser uma mureta ou uma grade metálica) e devido a uma carga vertical linear mínima de utilização de 2 kN/m. Também é necessário considerar uma carga de 0,8 kN/m atuando na altura do corrimão (vide NBR 6120).

de 0,8 kN/m atuando na altura do corrimão (vide NBR 6120). No caso de existir uma
de 0,8 kN/m atuando na altura do corrimão (vide NBR 6120). No caso de existir uma

No caso de existir uma parede ou gradil em torno da laje, deve-se considerar sua influência através das fórmulas vistas no item 2.4.

q = pp + rev + sc + par(?)

P

M

=

P

perm

=

ql

2

2

+

+

P

sc

Pl

R = ql + P

2

kN

+

0,8

h

/

m

O detalhamento desta armadura pode ser de acordo com a figura abaixo, podendo-se utilizar somente os ferros N1 ou intercalar a armadura encontrada para comprimentos totais (N1) e metade do comprimento do balanço (N2):

Obs.: a) no caso de uma laje em balanço, deve-se lembrar que quando de sua

Obs.:

a) no caso de uma laje em balanço, deve-se lembrar que quando de sua construção ela possui um escoramento provisório que faz com que também a face inferior esteja tracionada exigindo uma armadura devidamente calculada e posicionada;

b) quando existir uma laje em balanço adjacente a uma laje pré-moldada ou nervurada, para que não haja esforço de torção na viga de apoio, é conveniente que se coloque uma faixa maciça nestas lajes com comprimento suficiente para se posicionar a armadura;

c) na disciplina de CAR-II será utilizado o detalhamento de armadura inteira (não intercalada com armadura menor);

d) toda armadura negativa (superior) deve possuir uma armadura de distribuição por questões construtivas. Esta armadura pode ser especificada através de um detalhe genérico na folha de armação, podendo-se utilizar uma bitola pequena (4,2 mm, 5 mm) num espaçamento de 20 a 30 cm. O peso desta armadura deve constar no resumo geral da folha.

- armadura em bordos livres e aberturas: quando da existência de lajes com bordas livres ou com aberturas, deve-se utilizar um “reforço” na armadura, respeitando-se os valores mínimos dados na figura a seguir:

40

5. LAJES NERVURADAS

5.1 DEFINIÇÃO E VANTAGENS

Quando se tem vãos relativamente grandes, as lajes maciças podem atingir espessuras tão grandes que a maior parte de sua capacidade resistente seria utilizada no combate às solicitações devidas ao peso próprio, tornando a estrutura antieconômica. Surge então a necessidade de se reduzir o peso próprio, o que pode ser feito suprimindo-se uma parte do concreto que “não trabalha”, na zona tracionada da laje, e agrupando-se as armaduras de tração em faixas, chamadas de nervuras, entre as quais pode ser colocado material inerte como tijolos de argila, blocos de concreto poroso, placa de gesso, isopor, etc.

blocos de concreto poroso, placa de gesso, isopor, etc. Detalhe geral. Laje nervurada bidirecional. Laje nervurada

Detalhe geral.

concreto poroso, placa de gesso, isopor, etc. Detalhe geral. Laje nervurada bidirecional. Laje nervurada unidirecional. 41

Laje nervurada bidirecional.

concreto poroso, placa de gesso, isopor, etc. Detalhe geral. Laje nervurada bidirecional. Laje nervurada unidirecional. 41

Laje nervurada unidirecional.

Laje nervurada treliçada. Entre as vantagens das lajes nervuradas, pode-se relacionar: - obtenção de estruturas

Laje nervurada treliçada.

Entre as vantagens das lajes nervuradas, pode-se relacionar:

- obtenção de estruturas mais leves no caso de lajes que vencem grandes vãos;

- o material de enchimento pode servir como isolante térmico e acústico, com qualidades superiores ao do concreto utilizado; A utilização de lajes nervuradas também apresenta algumas desvantagens, tais como:

- absorção da água do concreto, quando se utilizam tijolos não suficientemente molhados como material de enchimento, o que, por falta de orientação adequada, faz com que muitas vezes se acrescente água ao concreto, e consequentemente se reduz a resistência do mesmo;

- a distribuição de cargas concentradas não é feita de forma tão eficiente quanto nas lajes maciças;

- quando da utilização de dutos embutidos, estes devem ser sempre colocados na região da nervura (caso “a”) para que não se diminua a pequena espessura da mesa de concreto, evitando-se passar o duto na capa de concreto (caso “b”), para que não haja comprometimento de sua resistência à compressão.

haja comprometimento de sua resistência à compressão. Para as lajes nervuradas moldadas no local, todas as
haja comprometimento de sua resistência à compressão. Para as lajes nervuradas moldadas no local, todas as
haja comprometimento de sua resistência à compressão. Para as lajes nervuradas moldadas no local, todas as

Para as lajes nervuradas moldadas no local, todas as etapas de execução são realizadas "in loco". Portanto, é necessário o uso de fôrmas e de escoramentos, além do material de enchimento. Pode-se utilizar fôrmas apropriadas para substituir os materiais inertes, feitas normalmente em polipropileno ou em metal, com dimensões moduladas, sendo necessário utilizar desmoldantes iguais aos empregados nas lajes maciças.

5.2 DIMENSÕES MÍNIMAS – as dimensões mínimas de uma laje nervurada devem atender:

as dimensões mínimas de uma laje nervurada devem atender: - a espessura da mesa ( 3

-

a espessura da mesa (

3 cm (aconselha-se utilizar pelo menos um valor de embutidas;

h

f

)

deve ser maior ou igual a 1/15 da distância “a” entre nervuras ou

4 cm, quando não houver tubulações

- a largura das nervuras ( )

b

w

deve ser maior ou igual a 5 cm;

- se houver armadura de compressão, as nervuras não podem ter largura inferior a 8 cm.

No caso de existirem tubulações embutidas de diâmetro máximo de 12,5 mm, a espessura da mesa deve ser de no mínimo 4 cm.

5.3 MATERIAL DE ENCHIMENTO

Para material de enchimento são utilizados diversos materiais, com a condição de que sejam “leves”, mas com resistência suficiente para suportar as operações de execução, lembrando-se que a resistência do material de enchimento não é considerada no cálculo das lajes. Os materiais de enchimento mais utilizados são blocos cerâmicos, blocos vazados de concreto e blocos de EPS (poliestireno expandido), também conhecido como isopor. Esses blocos podem ser substituídos por vazios, obtidos com fôrmas constituídas por caixotes reaproveitáveis. Os blocos cerâmicos ou de concreto são mais usados nas lajes com vigotas pré- moldadas, devido à facilidade de execução, sendo bons isolantes térmicos, porém apresentam peso específico relativamente elevado.

porém apresentam peso específico relativamente elevado. Por sua vez, os blocos de EPS são bastante utilizados,

Por sua vez, os blocos de EPS são bastante utilizados, tanto em lajes nervuradas concretadas no local, como em lajes treliçadas pré-moldadas. A utilização de EPS garante um bom isolamento térmico e acústico, permite a execução de teto plano, apresenta facilidade de corte, é resistente às operações de montagem das armaduras e de concretagem, permite uma adequada distribuição de cargas devido ao seu baixo módulo de elasticidade, e finalmente, favorece a cura do concreto por ter um coeficiente de absorção bastante baixo.

Uma outra opção é a utilização de caixotes reaproveitáveis, que em sua maioria são de

Uma outra opção é a utilização de caixotes reaproveitáveis, que em sua maioria são de polipropileno ou de metal, propiciando uma redução significativa do peso próprio da laje em função dos vazios que resultam na sua utilização. Estas fôrmas podem ser utilizadas dezenas de vezes, sendo que para a sua retirada pode-se injetar ar comprimido ou utilizar desmoldantes, dispensando também o uso de tabuleiro tradicional, necessitando-se somente de pranchas colocadas na região das nervuras.

também o uso de tabuleiro tradicional, necessitando-se somente de pranchas colocadas na região das nervuras. 44
Independentemente do material de enchimento a ser utilizado, aconselha-se sempre verificar os catálogos próprios dos

Independentemente do material de enchimento a ser utilizado, aconselha-se sempre verificar os catálogos próprios dos fabricantes, para correta utilização do peso específico e dimensões dos blocos. Como sugestão de peso próprio pode-se utilizar:

Blocos Sikal: = 4 KN/m 3

Blocos de argamassa: = 8 KN/m 3

Blocos de EPS: = 0 KN/m 3

5.4 CRITÉRIOS DE PROJETOS

Para critérios de projetos, deve-se verificar:

a) para lajes com espaçamento entre eixos de nervuras menor ou igual a 65 cm, pode ser dispensada a verificação da flexão da mesa, ou seja, pode-se calcular a laje nervurada como se fosse uma laje maciça, com as devidas adaptações. Para a verificação do cisalhamento da região das nervuras permite-se usar os critérios de laje maciça;

b) para lajes com espaçamento entre eixos de nervuras entre 65 e 110 cm, exige-se a verificação da flexão da mesa e as nervuras serão verificadas ao cisalhamento como sendo vigas. Permite-se essa verificação como laje se o espaçamento entre eixos de nervuras for até 90 cm e a largura média das nervuras for maior que 12 cm.

c) para lajes nervuradas com espaçamento entre eixos de nervuras maior que 110 cm, a mesa

deve ser projetada como laje maciça, apoiada na grelha de vigas, respeitando-se os seus valores mínimos de espessura. Obs.: Nas lajes nervuradas, atuando numa só direção, é importante que existam nervuras transversais convenientemente distribuídas quando existirem cargas concentradas ou necessidade de suavização da variação das flechas ao longo da direção transversal às nervuras principais. Como valor prático, sugere-se o uso de uma nervura transversal para vãos maiores que 4m, e duas nervuras transversais para vãos maiores que 6m. Também é conveniente que o apoio das lajes seja feito ao longo de uma nervura. Caso seja necessária a utilização de estribos nas lajes nervuradas, o espaçamento entre eles não deve ser maior que 20 cm.

5.5 MÉTODO DE CÁLCULO

Na disciplina de CAR-II será somente estudado o caso em que as nervuras distem no máximo 65 cm. No dimensionamento de uma laje nervurada, a resistência à tração é concentrada na armadura das nervuras, e os materiais de enchimento têm como função única substituir o concreto, sem colaborar na resistência. Por isto, para as lajes nervuradas, procura-se evitar engastes e balanços, visto que, nesses casos aparecem esforços de compressão na face inferior, região em que a área de concreto é reduzida. Então, considera-se que as lajes estão simplesmente apoiadas (tipo 1). O método de cálculo para as lajes nervuradas pode ser então resumido em:

a) determinação da geometria que define a estrutura, lembrando-se que para os limites impostos pela NBR 6118/2003 a laje nervurada pode ser calculada como uma laje maciça, com uma espessura equivalente, por qualquer procedimento clássico simplificado e

plenamente justificado. Considera-se a laje como sendo do tipo 1, com vãos

l

x

l

y

.

b) cálculo do carregamento: o carregamento em uma laje nervurada consiste de peso próprio, sobrecarga devido à utilização, revestimento e eventuais paredes, sendo estes últimos idênticos ao já visto para lajes maciças. Assim:

q = pp + rev + sc + par

- determinação do peso próprio para laje nervurada em duas direções (maior vão/menor vão

2):

pp

=

h

.

em duas direções (maior vão/menor vão 2): pp = h . 100 100 . . t
100 100 . . t . t .( h h ).( ) ' ' x
100 100
.
.
t
.
t
.(
h
h
).(
)
'
'
x
y
f
conc
enc
(
t
+
b
)
(
t
+
b
)
x
y

conc

-

determinação do peso próprio para lajes nervuradas em uma só direção (vão maior/vão menor > 2):

´ ´ ´ ´
´
´
´
´

c)

d)

e)

(vão maior/vão menor > 2): ´ ´ ´ ´ c) d) e) pp = h .

pp

=

h

.

conc

´ 100 t .( h h ).( ) ' x f conc enc ( t
´
100
t
.(
h
h
).(
)
'
x
f
conc
enc
(
t
+ b
)
x

determinação dos momentos fletores e reações de apoio por metro de laje, considerando as fórmulas para laje tipo 1 ou laje apoiada em uma só direção;

determinação da armadura (cm2/m), tomando-se o cuidado de se verificar a armadura mínima de flexão, e posterior transformação desta para armadura por nervura:

A

s (

cm

2

/

m

)

x

dist entre eixos de nervuras

.

cm

2

/

nerv

detalhamento da armadura (feito por nervura).

Obs.: quando existir uma laje maciça em balanço adjacente a uma laje nervurada, deve-se utilizar uma faixa maciça (mostrada na planta de forma) ao longo do balanço com largura equivalente ao vão do balanço, para que a armadura negativa deste último possa ser considerada engastada. Caso isto não seja feito, deve-se prever o efeito de torção na viga entre a laje nervurada e a laje em balanço.

5.6 VERIFICAÇÕES

Para as lajes nervuradas, pode é necessário fazer as seguintes verificações: flexão nas nervuras, cisalhamento nas nervuras, flexão na mesa, cisalhamento na mesa e flecha da laje. Estes itens não serão abordados na disciplina de CAR-II, devendo-se procurar bibliografia apropriada.

6. LAJES MISTAS

As lajes mistas são semelhantes às lajes nervuradas, tendo como diferenças básicas a não obrigatoriedade da existência de capa superior de concreto e o fato de os tijolos, colocados entre as nervuras, trabalharem à compressão, contribuindo para a resistência total da laje. Como estes tijolos devem possuir elevada resistência, devem também passar por rigoroso controle de qualidade elevando os custos de produção. No Brasil, onde praticamente só se encontram os tijolos comuns, para os quais não há garantia de valor mínimo e nem de uniformidade na resistência à compressão, a utilização de lajes mistas caiu em desuso, sendo então somente citadas nesta apostila.

7. VERIFICAÇÕES DE ESTADOS LIMITES DE SERVIÇO

Tanto para lajes moldadas no local, como para lajes pré-fabricadas, a verificação dos estados limites de serviço consiste da verificação da abertura de fissuras e das deformações excessivas, incluindo-se deslocamentos e vibrações indesejadas.

7.1 VERIFICAÇAO DA DEFORMAÇAO EXCESSIVA EM LAJES

Na verificação das deformações, deve-se utilizar sempre as ações em serviço, e comparar o deslocamento máximo obtido com o deslocamento limite. Essa verificação só pode ser feita adequadamente para as lajes fissuradas e com o conhecimento da armadura. Para lajes armadas em uma única direção, pode-se determinar as flechas da mesma maneira que vigas, considerando-se a laje como uma viga de largura igual a um metro. Para lajes armadas em duas direções, a NBR 6118/2003 sugere que se façam adaptações no procedimento utilizado para vigas. Desde que os momentos fletores das lajes sejam menores que o momento de fissuração, podem ser utilizados os valores de rigidez Estádio I, considerando o módulo de elasticidade secante do concreto, devendo-se também considerar a possibilidade de fissuração (Estádio II).

7.1.1 ROTEIRO PARA A VERIFICAÇAO DE DEFORMAÇAO EM LAJES ARMADAS EM UMA ÚNICA DIREÇÃO:

Como roteiro, pode-se utilizar os seguintes passos:

1)

2)

onde:

obtenção das cargas e momentos em serviço ( M

permanentes ( g ) e acidentais ( q ), e um fator de ponderação das ações

ser

),

separando-se

k

k

visto em CAR I (tabela 11.2 da NBR 6118/2003):

p

ser

M

ser

=

g

k

=

M

+

gk

2

+

.q

k

2

.M

qk

2

as

cargas

conforme

determinação do momento de fissuração, para definir o estádio que deve ser considerado para representar o comportamento da laje

M fis

=

.

f

ct m

,

.

I

c

y

t

-

-

-

-

= 1,2 para lajes nervuradas; = 1,5 para lajes maciças.

f

I

é a resistência à tração do concreto.

ct m

,

c

é o momento de inércia da seção bruta de concreto:

-

y t

I

c

=

b

w

.

h

3

12

, com

b

w = 100 cm.;

é a distância do centro de gravidade à fibra mais tracionada:

y

d

=

t

h / 2

3)

Se

a

M

ser

o

=

.

M

fis

, a flecha imediata pode ser obtida no Estádio I (sem fissuração):

p

ser

.

4

L

E cs

. I

I

onde:

- L é o vão de cálculo da laje;

-

E

cs

é o módulo de elasticidade secante do concreto;

-

-

I

I

é a inércia no estádio I

depende da vinculação e do tipo de carga, valendo para os casos mais simples:

 

apoio-apoio

apoio-

engaste-

engaste

engaste

Carga uniformemente distribuída

5/384

2/384

1/384

e

4)

onde

Se

equivalente, ou seja, a seção encontra-se fissurada:

M

fis

< M

ser

< M

y

determina-se

a

flecha

imediata,

(

EI

)

eq

=

E

cs

M

fis

M

a

3

.

I

c

+

1

  M

fis

M

a

3

I

II

E

cs

a

o

=

p

ser

.

4

L

.

(

EI

)

eq

que

I

c

considera

a

rigidez

M a é o momento fletor na seção crítica do vão considerado (momento máximo no vão

para lajes biapoiadas ou contínuas e momento no apoio para balanços), para a

combinação de ações considerada nesta avaliação, ou seja, é o

na seção critica do

vão considerado;

é o momento de fissuração da peça, visto anteriormente, devendo ser reduzido à

metade no caso de utilização de barras lisas;

M ser

M

fis

é o momento de inércia da seção bruta de concreto;

I

c

E cs

E cs

I

II

é o módulo de elasticidade secante do concreto:

E

cs

= 0,85

xE

ci

= 0,85 5600.

x

f ck
f
ck

é o momento de inércia da seção fissurada no Estádio II , calculado com

e

=

E

s

,

E cs

podendo-se adotar também o valor de 15 para o resultado desta última equação. Para se

calcular o valor de

II é necessário calcular primeiramente a linha neutra. Tem-se então,

para seção retangular com armadura simples:

I

. A 2. b . d s w x E = ( 1 + 1
. A
2.
b
.
d
s
w
x E
=
(
1
+
1
+
)
II
b
. A
w
E
s
3
b
.
x
w
II
2
I +
=
.
A
.(
d
x
)
E
s
II
II
3

5) obtido o valor da flecha imediata ( a ), é necessário considerar o efeito do tempo no

oeq

concreto, e conseqüentemente o valor da flecha final a ser comparado com o valor limite especificado em norma:

sendo

a

total

= (1+ a

f

).a

o

onde:

= f 1 + 50 ' ' (1 + 50 ) é o fator que
=
f
1
+
50 '
'
(1
+
50
)
é o fator que considera a redução da deformação pela presença de
armadura de
compressão;
'
A
' s
=
é a taxa geométrica da armadura de compressão, sendo
A
'
a área da
s
b
. d
w
armadura de compressão no trecho considerado;
=
( )
t
(
t
)
0

onde é o coeficiente que leva em conta o aumento da deformação e é função da duração da

carga dado pela expressão aproximada:

(t)

=

t

0,68.0,996 .t

0,32

para t 70 meses e

(t) = 2 para t>70 meses.

O quadro a seguir indica a correspondência entre t, dado em meses e (t) :

(t)

0

0,5

1

2

3

4

5

10

20

40

70

(t)

0

0,54

0,68

0,84

0,95

1,04

1,12

1,36

1,64

1,89

2

onde:

- t é o tempo, em meses, para o qual se deseja calcular o valor da flecha diferida no tempo;

- t

0

é a idade, em meses, quando se aplicou a carga de longa duração.

No caso de lajes, com ausência de armadura comprimida, tem-se:

=

f

Assim, considerando por exemplo um tempo de desforma de 15 dias (0,5 mês), tem-se

que

f

=1,46, e o fator (1

+

f

)

=2,46.

Caso a flecha final não atenda ao ELS, é necessário alterar as características da peça

(altura, armadura,

f ck

), ou então prever uma contra-flecha na execução da laje.

7.1.2 ROTEIRO PARA A VERIFICAÇAO DE DEFORMAÇAO EM LAJES ARMADAS EM DUAS DIREÇÕES:

Para lajes armadas em duas direções, a NBR 6118/2003 não apresenta nenhuma indicação precisa sobre o procedimento a ser utilizado, devendo-se considerar a possibilidade de fissuração. Portanto, se o momento de serviço é menor que o momento de fissuração, a verificação da flecha pode ser feita no estádio I. Da mesma forma, no caso de ser necessário considerar a fissuração, deve-se calcular uma rigidez equivalente, conforme visto anteriormente:

(

EI

)

eq

=

E

cs

M

fis

M

a

3

.

I

c

+

1

M

fis

M

a

3

I

II

E

cs

I

c

devendo ser considerado o momento crítico na menor direção da laje. Determinada a rigidez equivalente, calcula-se o valor da flecha, sendo que nos casos mais simples, pode-se utilizar tabelas que representem bem as condições de vinculação da laje. Para estudos mais precisos, aconselha-se utilizar métodos numéricos mais elaborados.

7.2 VERIFICAÇAO DA ABERTURA DE FISSURAS EM LAJES

A verificação da abertura de fissuras em lajes de concreto armado, se faz de maneira análoga à das vigas, conforme visto na disciplina de CAR I. A abertura máxima característica das fissuras, considerando-se combinações freqüentes de carregamento, deve ser da ordem de 0,2mm (CAA IV) a 0,4mm (CAA I) para que não haja preocupação com a corrosão das armaduras passivas. Porém, deve-se lembrar da importância da aceitabilidade sensorial, uma vez que as fissuras podem causar desconforto psicológico nos usuários, apesar de não representarem perda de segurança da estrutura em si. Como roteiro para a avaliação da abertura de fissuras em lajes, podemos utilizar:

1)

2)

onde:

determinação do momento em serviço com combinação freqüente de ações:

M

k ser

,

=

M

gk

+

1

.M

qk

cálculo da posição da linha neutra no estádio II:

x

II

=

E

. A

s

b

(

1

+

2. b d w . 1 + } . A E s
2.
b
d
w .
1
+
}
. A
E