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UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS

CAMPUS CATALÃO

DEPARTAMENTO DE FÍSICA

LABORATÓRIO DE FÍSICA ІV

SEGUNDO – EXPERIMENTO

CAPACITOR EM REGIME AC

ALUNOS: JUNIOR CESAR DELFINO PEIXOTO, 080792.


CURSO: FÍSICA-LICENCIATURA
PROFESSOR: JALLES FRANCO

CATALÃO
2009
1. OBJETIVOS

Verificar o comportamento de um capacitor quando submetido à tensão elétrica


alternada senoidal;
Verificar o comportamento de sua reatância capacitiva relação à freqüência do
sinal aplicado.

2. TEORIA BÁSICA

Um capacitor, quando percorrido por uma corrente elétrica alternada oferece uma
oposição à passagem da mesma, imposto por campo elétrico denominado reatância capacitiva.
Essa reatância capacitiva é inversamente proporcional à freqüência da corrente, ao
valor do capacitor e é dada por:

Sendo a reatância capacitiva uma oposição à passagem de corrente, a sua unidade


é ohms (Ω).

Da relação podemos traçar o gráfico da reatância capacitiva em


função da freqüência indicada na figura 1.

Figura 1.
Da figura 1 concluímos que à medida que a freqüência aumenta, a reatância
capacitiva decresce até atingir um valor praticamente nulo.
Aplicando uma tensão alternada aos terminais de um capacitor, surgirá uma
corrente alternada, pois o capacitor irá carregar-se e descarregar-se continuamente em função
da característica desta tensão. Medindo-se os valores da tensão e da corrente podemos obter o

valor da reatância capacitiva pela relação: .


Lembrando que quando o capacitor está descarregado (Vc =0), a corrente é
máxima e quando carregado (Vc=Vmax), a corrente é nula, podemos em função disso
representar graficamente essa situação como ilustrado na figura 2.

Figura 2.

Observando a figura 2 notamos que a corrente está adiantada de , em


relação à tensão, portanto temos que, a corrente obedece à equação:

.
Em um circuito RC serie, em corrente alternada, tem-se, I = V / Z. Sendo V a
tensão da fonte (eficaz, pico ou pica a pica); I a corrente do circuito (eficaz, pico ou pico a
pico) e Z a impedância do circuito (soma fasorial da resistência com a reatância do circuito).
A unidade de impedância, no Sistema Internacional de medidas (SI), e o ohm (
Ω).
Num circuito RC em serie, Fig. (4), a impedância e dada pela relação:

Ζ = R + Xc
2 2 2
. A medida do angulo de defasamento entre a tensão e a corrente no

circuito RC serie, e dada pela relação: cos φ = V R ÷ V f . Of1de, Vr e a tensão no resistor e


Vf, a tensão na fonte.
3. RELAÇÃO DO MATERIAL
• 01 Fonte de Tensão PHYWE (Gerador de sinais);
• Osciloscópio duplo traço (com duas pontas de prova);
• 01 Capacitor de 0,33 μF;
• 01 Resistor de 2200 kΩ ;
• Fios e cabos de conexão elétrica.

4. PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL
Diagrama esquemático:

1ª Parte: Realizamos a montagem do circuito AC, conforme mostrado no arranjo


experimental. Conecte o osciloscópio, conforme indicado no esquema (a). Ajuste a tensão V f
(pico) do gerador (fonte AC), para 2V. Fixe a freqüência em 500 Hz. Agora conecte o
osciloscópio conforme o esquema (b), utilizando os dois canais.
Faça as medições de VC (pico) e VR (pico), anotando os valores na Tabela 01 e calcule os
valores das grandezas indicadas. Terminadas as medições, ajuste a tensão Vf (pico) do gerador
(fonte AC), para 4V e realize novas medições, tomando notas das mesmas.

2ª Parte: Mantenha o valor de Vf (pico) em 4 v, paras a tensão no gerador de sinais, e


varie a freqüência conforme indicado na Tabela 02. Meça e anote os valores de pico no
resistor, VR (pico) , e no capacitor, VC . Em seguida, calcule os valores eficazes destas
(pico)

medidas e também, da corrente, anotando seus valores.

3ª Parte: Agora conecte o osciloscópio conforme o esquema (c), utilizando os dois


canais. Transcreva em um mesmo diagrama, as formas de ondas V(t) e V R(t), apresentadas no
monitor do osciloscópio e obtenha o ângulo de defasagem entre as mesmas.
5. Dados obtidos
Tabela 1. Medidas das tensões de pico no resistor e no capacitor para os dois
valores de tensão na fonte.
Valores Ajustados Vf (pico) 1V 2V
VC (pico) (V) 0,40 V 0,80 V
Valores Medidos
VR (pico) (V) 0,9 V 1,90 V
VC (eficaz) (V) 0,28 V 0,56 V
Valores VR (eficaz) (V) 0,63 V 1,34 V
Calculados XC (Ω) 9,6Ω Ω
9,6
I (eficaz) (mA) 73 mA 82 mA

Calculos:
1. Calculo de VC (eficaz) (V) anotando seus valores na tabela 1.
VC pico 0, 40 VC pico 0,80
VC = = = 0, 28v VC = = =, 0,56v
2 2 2 2 .

2. Calculo de VR (eficaz) (V), anotando seus valores na tabela 1.


VR pico 0,9 VR pico 1,90
VR = = = 0, 63v VR = = = 1,34v
2 2 2 2 .

3. Calculo de XC (Ω), anotando seus valores na tabela 1.

1 1 1
X= = = = 9, 6Ω.
ω 2π fc 2 × π × 500 × 0,33 ×10−6
4. Calculo de I (eficaz) (mA), anotando seus valores na tabela 1.
VC 1 V 1, 6
I pico = = =
0,104 A I pico = C = = 0,117A
X C 9, 6 X C 9, 6

I pico 0,104 I pico 0,117


I eficaz = = =73 mA I eficaz = = =82 mA
2 2 2 2 .

Tabela 2. Medidas das tensões de pico no resistor e no capacitor, com a tensão


do gerador fixa em 4V e a freqüência do sinal variando.

Valores medidos Valores calculados

F (kHz) VR (pico) (V) VC (pico) (V) VR ef (V) VC ef (V) XC (Ω) Z (Ω) Ief (mA)

4,8*103 5,3*103 0,14*103


100 0,80 0,95 0,56 0,67

2, 4*103 3,3*103 0,50*103


200 1,20 1,70 0,85 1,21

1, 6*103 2, 7 *103 0,56*103


300 1.60 1,30 1,13 0,92

1, 2*103 2,5*103 0,59*103


400 1,80 1,00 1,27 0,71

0,9*103 2, 4*103 0, 70*103


500 1,90 0,90 1,34 0,63

0, 6*103 2,3*103 0, 71*103


800 2,00 0,60 1,42 0,43

Calculos:

1. Calculo de V Re f , anotando seus valores na tabela 2.

VRpico 0,80 VRpico 1,2


VR ef = = = v0,56 VR ef = = = v0,85
2 2 2 2

VRpico 1,6 VRpico 1,8


VR ef = = = v1,13 VR ef = = = v1,27
2 2 2 2
VRpico 1,9 VRpico 2,0
VR ef = = = v1,34 VR ef = = = v1,42
2 2 2 2

2. Calculo de V Cef , anotando seus valores na tabela 2.

VCpico 0,95 VCpico 1,7


VC ef = = = v0,67 VC ef = = = v1,21
2 2 2 2

VCpico 1,3 VCpico 1,0


VC ef = = = v0,92 VC ef = = = v0,71
2 2 2 2

VCpico 0,9, VCpico 0,6,


VC ef = = = v0,63 VC ef = = = v0,43
2 2 2 2

3. Calculo de I ef =
ν cef
, anotando seus valores na tabela 2.
XC

Vcef 0,67
I ef = = = 3
mA 3
0,14*10
XC 4,8*10
Vcef 1,21
I ef = = = 3
mA 3
0,50*10
XC 2,4*10
Vcef 0,92
I ef = = = 3
mA 3
0,56*10
X C 1,6*10
Vcef 0,71
I ef = = = 3
mA 3
0,59*10
X C 1,2*10
Vcef 0,63
I ef = = = 3
mA 3
0,70*10
XC 0,9*10
Vcef 0,43
I ef = = = 3
mA 3
0,71*10
XC 0,6*10

1
4. Calculo de X C
=
2πfC
, anotando seus valores na tabela 2.

1 1
X C
=
2π fC
→ X C=
2π ∗ 100*0,33

=
∗10 −6

4,8*10 3

1 1
XC= 2π fC
→ X C
=
2 ∗π ∗ 200*0,33 ∗ 10 −6
= 2, 4*103Ω

1 1
XC= 2π fC
→ X C= 2 ∗π ∗300*0,33 ∗10
= 1, 6*10Ω3
−6

1 1
XC= 2π fC
→ X C
=
2 ∗π ∗ 400*0,33 ∗ 10 −6
= 1, 2*103Ω

1 1
XC= 2π fC
→ X C
=
2 ∗π ∗ 500*0,33 ∗10 −6
= 0,9*103Ω

1 1
XC= 2π fC
→ X C
=
2 ∗π ∗ 800*0,33 ∗ 10 −6
= 0, 6*103Ω

2 2 2
5. Calculo de Z =R + X C
, anotando seus valores na tabela 2.
2 2 2

Z 2= R + X Z 2= R + X Z 2= R + X
2 2 2
C C C
2 2 2
Z = (2200) + (4,8*10 ) Z = (2200) + (2, 4,*10 ) Z = (2200) + (1, 6*10 )
2 3 2 2 3 2 2 3 2

2 2 2
Z = 5,3*10 Ω Z = 3,3*10 Ω Z = 2, 7,*10 Ω
3 3 3

2 2 2

Z =R + X Z =R + X Z =R + X
2 2
2 2
2 2
C C C
2 2 2
Z = (2200) + (1, 2*10 ) Z = (2200) + (0,9 *10 ) Z = (2200) + (0, 6*10 )
2 3 2 2 3 2 2 3 2

2 2 2
Z = 2,5*10 Ω Z = 2, 4,*10 Ω Z = 2,3,*10 Ω
3 3 3

6. Diagrama 1. Forma de onda V(t) x VR(t).

7. Questões
1. Para o circuito do arranjo experimental, calcule o ângulo de defasagem entre a tensão e
corrente para 1V e 2V e compare com os valores medidos no item 2.
Sabemos que o ângulo de defasagem entre a tensão e a corrente é dado por:

VR
cos φ =
Vf

Logo temos que:


 0,9 
cos φ =   = 0,9
 1 
Vf (pico) = 1V temos:
φ = cos −1 (0,9)

 1,9 
cos φ =   = 0,95
 2 
Vf (pico) = 2V temos:
φ = cos −1 (0,95)
φ = 18, 2o

2. Faça um diagrama fasorial para os circuitos do arranjo experimental.

O objetivo é aumentar o FP de cosφ 1 para cosφ 2. Para isso


deveremos colocar um capacitor de valor C em paralelo com a carga de valor
dado por (ver a dedução no livro):

Fig. 02: Diagrama fasorial. Livro Circuitos em Corrente Alternada -6ª Edição -
Editora Érica pg208

3. Analisando os dados relativos à reatância capacitiva, Tabela 02. O que pode ser
afirmado de sua dependência quanto à freqüência? Este fato está de acordo com a teoria
exposta?
Temos que a Reatância Capacitiva (Xc) é inversamente proporcional a
freqüência, ou seja, aumentando a freqüência, Xc diminui. O que confirma a teoria.

4. Com o aumento da freqüência do sinal do gerador, Tabela 02, o que ocorre com a
tensão medida no capacitor? Por quê?
Também diminui, uma vez que aumentando a freqüência a Reatância
Capacitiva diminui e como V é proporcional à resistência ( V = I R → V = I Xc ),
logo a tensão no capacitor diminui.

5. Quanto às características do capacitor e do resistor em corrente alternada, quais foram


às principais diferenças observadas no experimento?
Notamos que a resistência do resistor é constante, enquanto que a resistência
do capacitor varia de acordo com a freqüência aplicada pela fonte no circuito.
Também podemos notar nitidamente a defasagem de 90º entre a tensão do
capacitor e a tensão do resistor.

8. CONCLUSÃO

Este experimento foi de grande importância para melhor compreensão na prática


de características já estudadas de carga.
Em um primeiro instante do experimento o destaque foi o projeto do circuito
para as necessidades da carga, isto é, em projetos é muito comum à necessidade de uma
tensão contínua e próxima do constante na carga.
Temos que a Reatância Capacitiva (Xc) é inversamente proporcional a
freqüência, ou seja, aumentando a freqüência, Xc diminui. O que confirma a teoria.
Também diminui, uma vez que aumentando a freqüência a Reatância Capacitiva
diminui e como V é proporcional à resistência ( V = I R → V = I Xc ), logo a tensão no
capacitor diminui.
Notamos que a resistência do resistor é constante, enquanto que a resistência do
capacitor varia de acordo com a freqüência aplicada pela fonte no circuito.
Também podemos notar nitidamente a defasagem de 90º entre a tensão do
capacitor e a tensão do resistor.
Para o circuito do arranjo experimental, foi calculado o ângulo de defasagem

entre a tensão e corrente para 1V e 2V, que obtemos valores entre φ = 25,84o e φ = 18, 2o
9. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

[1] Boylestad, R., Nashelsky, L., Dispositivos Eletr6nicos e Teoria de circuitos; Ed.
Prentice-Hall do Brasil- PHB, Rio de Janeiro, 1994.
[2] Albuquerque, Rômulo, Analise de Circuitos em Corrente Alternada, Ed. Erica São
Paulo, 1989.
[3] O'Malley, John, Analise de Circuitos, Editora Mc Graw Hill, São Paulo, 1993.