COTUCA / UNICAMP

SOCIEDADE E SISTEMAS PRODUTIVOS
Prof. Michel Sadalla Filho
SOC 16
OS NOVOS PARADIGMAS ECONÔMICOS E PRODUTIVOS:
UMA DISCUSSÃO TEÓRICA
Texto de: Rubia A. C. Quintão - rubia@ige.unicamp.br
Campinas, Janeiro de 2001.

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS
FACULDADE DE EDUCAÇÃO
UNICAMP

OS NOVOS PARADIGMAS ECONÔMICOS E PRODUTIVOS:
UMA DISCUSSÃO TEÓRICA

PROFESSORA: MARCIA DE PAULA LEITE
Texto de: Rubia A. C. Quintão - rubia@ige.unicamp.br

Campinas, Janeiro de 2001.

2

Introdução
1.

É dentro questionamento se a globalização e reconversão produtiva de fato representam um novo
modo de acumulação que se insere o presente trabalho. Para um melhor construção do quadro sobre
o assunto, pretendemos em uma primeira parte, discutir a crise dos anos 70 a partir de uma visão neoschumpeteriana de como ela se relaciona com a emergência da tecnologia microeletrônica. Logo a
seguir, iremos entrar na discussão sobre a globalização como uma fase distinta da internacionalização
do capital e discutiremos suas implicações financeiras e produtivas. Ainda dentro desse debate,
enfatizaremos as práticas organizacionais adotadas por certas empresas japonesas e sua contribuição
para o sucesso competitivo das mesmas que causaram um profundo impacto no Ocidente, suas
principais características no que diz respeito à organização da produção e do trabalho e no que elas se
diferenciam dos princípios preconizados pela Administração Científica. Iremos discutir também, a
questão da reestruturação produtiva das empresas resultante do processo de mudança de um padrão
econômico e produtivo predominante no fordismo para um padrão flexível. Finalmente, faremos uma
reflexão teórica sobre a reestruturação produtiva, emprego, qualificação e padrões de gestão da forçade-trabalho na indústria brasileira
2.

Enfatizamos que tal revisão teórica será utilizada como parte da literatura escolhida para a
elaboração da dissertação. Desta forma, ainda não existem muitas conclusões pessoais sobre o
tema em questão e sim uma busca de respostas à questões pontuais acerca da teoria.

3.

Neste sentido, iniciaremos nosso debate a partir da forma pela qual o atual movimento de
reestruturação econômica e industrial desencadeado em escala mundial a partir de meados da década
de 70, tem provocado transformações intensas na esfera das economias nacionais, bem como
induzido a um processo de mudanças significativas no mundo do trabalho.

4.

Através de pesquisas levadas a cabo nas mais diversas cadeias produtivas com o objetivo de avaliar as
implicações do processo de reestruturação em curso no conjunto do mundo do trabalho, a literatura
especializada tem identificado o surgimento de novos modelos produtivos (ou novos paradigmas de
organização industrial) que, ora se nos apresentam com traços de continuidade, ora evidenciam uma
espécie de ruptura com o padrão anterior de acumulação, qual seja, o paradigma taylorista/fordista1.

5.

Entretanto, conquanto ainda não se tenha esgotado a discussão sobre o conjunto das características
no “novo modo de acumulação”2, é possível apontar alguns eixos de convergência elucidados pela
literatura especializada, entre os quais: a) a supremacia da produção flexível sobre a produção em
massa; b) a tendência ao processo de externalização das atividades fora do core; e, c) a substituição do
princípio taylorista do on the best way pela busca constante da melhoria do processo produtivo,
1

Tomo emprestado de Kuhn (1989) a definição do conceito de paradigma. Para o autor a noção de
paradigma está associada a um determinado status da teoria científica que tendo alcançado uma credibilidade tal – em
função da força explicativa/eficiência/racionalidade de seus princípios e conceitos histórica e socialmente construídos e
negociados entre os pares de uma determinada comunidade científica – é então tomada como base teórica e/ou empírica
e/ou metodológica para estudos diversos no campo de sua aplicação. Analogamente ao funcionamento da ciência, é
possível pensar em paradigma de organização industrial como conjuntos de idéias, de práticas sociais, de princípios e de
conceitos que também são histórica, social e economicamente construídos; e que estão na disputa com outros
paradigmas por sua emergência, difusão e legitimidade. Ver também Gitahy (1992) que define “paradigma de
organização industrial” a partir de uma noção neo-schumpeteriana de paradigma técnico-econômico.
2
O conceito de Modo de Acumulação foi sistematizado pela Escola da Regulação e, segundo Malaguti
(1994:93), pode ser entendido como “a principal força dinâmica das sociedades capitalistas ou toda forma de articulação
entre a dinâmica do sistema produtivo e a demanda social, entre a repartição salário-lucro, por um lado, e o consumoinvestimento, por outro”.

para estes autores. Neste sentido. Castro e Dedeca. se por um lado. sustentado na polivalência dos trabalhadores. 1992. pós-fordismo. bem como o resgate de sua subjetividade (Leite. intensificada no início da década de 70 e estendida até 1983). emprego.. redução de custos. a reintegração do trabalho de execução com o de concepção. Coriat. 1989. 1997). Alguns estudos apontam para o conjunto de efeitos heterogêneos que são verificados segundo as características dos países. (Mattoso. 3 (1998) Para a versão brasileira deste processo ver também Mattoso (1994). etc. enfatizando suas possibilidades virtuosas e suas implicações positivas sobre o trabalho (Piore e Sabel. Além disso. 1988)3. De uma maneira geral. Hirata. etc. etc. Schmitz. 1984. toyotismo. 1992. o novo modelo produtivo também estaria associado à utilização crescente da qualificação e das habilidades profissionais do indivíduo e ao enriquecimento do conteúdo do trabalho. e pela necessidade de responder às novas bases da competitividade e de reordenamento do mercado internacional associada à abertura da economia. Neste sentido. 7. obtenção de maior produtividade e qualidade na produção. paradigma tecno-econômico. condições de trabalho. Leite e Rizek. 1994. Kern e Schumann. o novo paradigma produtivo estaria associado com a supressão do emprego. 1994). este processo estaria provocando uma transformação radical na utilização da mão-de-obra que permaneceria empregada. 1994.3 implicando uma nova lógica associada à incorporação do conhecimento do trabalhador sobre a produção. é possível identificar brevemente na literatura internacional do processo de reestruturação (ou da emergência do novo paradigma produtivo) tanto um conjunto de autores que apresentam uma visão otimista em relação ao novo paradigma produtivo. Mattoso. 1994.(Capecchi. entre os quais: neofordismo.. Druck de Faria. 1999) – e que também aparece sob a designação na literatura internacional de várias nomenclaturas. Pochmann. combinando por vezes em uma mesma cadeia produtiva formas e políticas diferenciadas de qualificação. 6. produção enxuta. especialização flexível. portanto. no que se refere ao padrão de uso do trabalho. quais sejam. Antunes (1995). Este fenômeno de reorganização industrial – denominado por muitos de III Revolução Industrial e Tecnológica (Mattoso. por outro lado. trazendo conseqüências nefastas para as sociedades ainda baseadas no trabalho (Braverman. 1977. 1999). de acordo com Mattoso (1994) foi desencadeado pela busca de respostas à crise capitalista (iniciada na segunda metade dos anos 60. setores econômicos. 1997. como um outro grupo de autores que sustentam que o processo de reestruturação produtiva estaria associado à fragmentação e a desestruturação do trabalho. 9. regiões. segmentos dentro de uma mesma empresa e/ou plantas dentro de uma mesma corporação. 1989. o primeiro grupo de autores aponta para o fato de que o novo modelo poderia estar significando um rompimento com o taylorismo e o fordismo e. systemofacture. acumulação flexível. Womack et alli. pela adoção de políticas de conteúdo neoliberal baseadas no ajuste estrutural das economias dos países periféricos às novas exigências dos países centrais e na flexibilização do trabalho. 1984. aceleração do processo de flexibilidade do trabalho com eliminação da rigidez oriunda da atividade sindical e das regulações trabalhistas. Gitahy. . 1998) 8. Wood.

ao lado de uma força-detrabalho instável. os processos de reestruturação reforçariam a divisão sexual do trabalho. 1984)5. pelo aumento dos custos reais dos insumos da produção. reforçando a sua exclusão. criariam novos espaços de segregação da mulher. conforme observaram Araújo e Ferreira (2000) e Araújo. A crise dos anos 70 e a emergência de um novo paradigma técno-científico 17. por outro lado. 1997.). A seguir veremos com a crise dos anos 70 resultou no surgimento da microeletrônica como um novo paradigma técno-científico e econômico a partir de uma visão neo-schumpeteriana da inovação. Carrion. caracterizou-se. nas empresas terceiras e no trabalho a domicílio. Hirata (1997). Essa crise também é considerada como uma crise do modelo keynesiano de crescimento capitalista. tendo duração de praticamente um década. Isto quer dizer que apesar do aumento importante da presença feminina no mercado de trabalho. pela estagflação. 12. mas apenas estariam ganhando uma nova dimensão e sendo inseridos em novas lógicas. de uma forma geral. teve seus desdobramentos a partir de 1973. . Castro (1998). etc. Ademais. Esta literatura alerta para a possibilidade da convivência de parcelas estáveis e qualificadas da mão-deobra gozando de determinados direitos e prerrogativas (“ganhadores”). subcontratada. 1997.longe de um possível rompimento com as práticas tayloristas/fordistas – o processo estaria representando um aprofundamento/intensificação dessas práticas4. 1998. 11. 15. até então reinava um período de intensa prosperidade pós-guerra. em condições de trabalho precarizadas e desprovida da maioria dos direitos trabalhistas (“perdedores”) dos quais desfrutariam a mão-de-obra do núcleo produtivo central. Além disso. Alguns estudos mais recentes mostram que. Abramo (1998). pela queda de produtividade. conquanto a precarização e a exclusão atinja também aos homens. rotinização de tarefas. Ferreira e Amorim (1999). 13. por exemplo. Castro. é bem verdade que há um número maior de mulheres alocadas em postos precarizados. observa que embora os princípios orientadores do taylorismo/fordismo estejam na berlinda dos novos conceitos de produção. pelo choque de preços do petróleo. Garay. Também Zarifian (1998) conclui em favor da permanência do olhar taylorista sob o processo de trabalho associado à prescrição e repetição de tarefas. ao reconhecer que a emergência de um novo paradigma é uma realidade constatada do setor industrial ao setor terciário de todo o mundo.4 10. “desqualificação” e aumento do controle (Wood. isto não significaria dizer que os mesmos estivessem sendo atenuados/esquecidos. também conhecido como “anos dourados”. 14. Neste sentido. pelo choque da taxa de juros e conseqüente 4 Leite (1997). a degradação do trabalho feminino associada a intensificação do ritmo de trabalho. há no caso das mulheres uma superposição das antigas formas de exclusão e precarização com as modalidades mais recentes. Os autores cujo posicionamento a respeito do novo paradigma produtivo é marcado por uma visão crítica consideram que . estes autores também têm apontado para a possibilidade de o processo de reestruturação implicar um trabalho intelectualmente mais rico e qualificado para os homens e. 1996. Posthuma (1998) e Leite e Rizek (1998). 5 Sobre a precarização do trabalho feminino na América Latina e no Brasil ver Gitahy (1992). 16. De maneira sucinta podemos inferir que a crise dos anos 70. boa parte da bibliografia parece convergir para o fato de a tendência à requalificação e à polivalência tão demandadas pelo novo método de trabalho estar significando um processo inédito de intensificação do trabalho tanto para homens quanto para mulheres (Carvalho e Bernardes.

A microeletrônica está intimamente relacionada a crise. já que. a dificuldade de encontrar novos mercados para a produção em massa. Eles encaram os períodos de aceleração do crescimento econômico. a difusão da microeletrônica. como um fato “baseado na difusão de novos paradigmas tecno-econômicos na economia mundial e depressões mais profundas como períodos de ajuste estrutural. Para os neoschumpeterianos. 1988). ao longo das trajetórias velhas. 18. ao modificar a estrutura de custos relativos dos insumos. 19. 20. normalmente é acompanhada por uma crise de ajustamento estrutural com grandes dimensões sociais e institucionais. onde há períodos de rápida expansão seguidos de crises e depressões. centrada na inovação como principal elemento dinamizador da atividade econômica capitalista. estabelece um novo paradigma para o subsistema tecno-econômico. a crise estrutural dos anos 70 é conseqüência de fatores como o esgotamento do modelo fordista de produção em massa. somente quando a produtividade. Neste sentido. A microeletrônica foi um fator essencial para a implementação do processo de reestruturação do sistema capitalista e teve o microprocessador como o principal dispositivo de difusão.5 instabilidade financeira. ele define no sistema produtivo as . pois o próprio capitalismo cria novos mercados. os neo-schumpeterianos consideram o esgotamento de um paradigma e o surgimento da microeletrônica como um novo paradigma tecno-econômico. Seria insuficiente explicar o esgotamento tecnológico simplesmente no limite de mercado. em que o arcabouço social e institucional está se adaptando ao surgimento das importantes novas tecnologias”. A difusão dessa mudança. Esse paradigma é muito mais do que simplesmente um conjunto de inovações ou de sistemas tecnológicos. Para estes autores. Segundo Freeman a crise se apresenta como um limite de crescimento do paradigma tecnológico do Quarto Kondratieff. organizacionais e gerenciais que modificam profundamente a estrutura de custos relativos dos insumos produtivos. 22. a introdução de um conjunto inter-relacionado de inovações técnicas. essencialmente. já que. Segundo Freeman e Perez. Dentro deste contexto a visão neo-schumpeteriana. que tinha como base a grande disponibilidade de petróleo barato. 21. estando associada a teoria de ondas longas de Schumpeter representada por uma sucessão de “paradigmas tecno-econômicos” associados com um arcabouço institucional característico. Apesar de ser anterior a crise. o esgotamento das tecnologias sobre as quais se assentou esses modo de crescimento. sua emergência e difusão se deve ao surgimento de condições propícias à seu desenvolvimento. como fazem Piore e Sabel. já que. considera que a crise da nos anos 70 se deve muito mais a um ajuste estrutural do que aos fatores conjunturais citados como as causas da crise nesse período. consideram como fator causal a introdução e difusão de um grupo de inovações concentradas no tempo. as inovações tem papel central na explicação dos ciclos. a formação de uma nova onda longa requer. a introdução concentrada no tempo de um conjunto de inovações básicas que cumpram certos requisitos (Motta. Para os neo-schumpeterianos. Para os neo-schumpeterianos de uma forma geral. é considerada com o principal elemento novo paradigma tecno-econômico. a estagnação da inovações básicas e o esgotamento das inovações de aperfeiçoamento. mostra limites persistentes ao crescimento e os lucros futuros são seriamente ameaçados é que os altos riscos e custos de se tentar as novas tecnologias aparecem como claramente justificados. pois haviam naquela época fatores econômicos e sociais fortes que funcionam como forças desencadeadoras desse novo paradigma.

temos: inovação incremental. possuem uma ampla pervasividade e potencial para criar novos produtos e mercados. 25. potencial claro para o uso ou incorporação do novo fator chave (ou fatores) em muitos produtos e processos ao longo do sistema econômico.10) 24. Um paradigma econômico e tecnológico é um agrupamento de inovações técnicas. sistemas e indústrias. um insumo específico ou conjunto de insumos pode ser descrito como o “fatorchave” desse paradigma caracterizado pela queda dos custos relativos e pela disponibilidade universal. Segundo os neo-schumpeterianos. Dentro da taxonomia da inovação definida por uma facção dos neo-schumpeterianos. As mudanças no paradigma tecno-econômico. já que. a microeletrônica se constitui como a base do novo paradigma tecno-econômico. “Prefácio da parte II” in Dosi et al. A formação desse poderoso cluster de inovações capazes de penetrar amplamente (uso generalizado). como também afeta diretamente ou indiretamente quase todos os ramos da economia (Freeman e Perez. se caracterizam por mudanças nos sistemas de tecnologia com efeitos de tão amplo alcance que causam impactos no comportamento de toda a economia. todos os setores da economia configura a formação de um novo paradigma tecnológico no mais puro sentido neo-schumpeteriano. 1996:95) 6 C. (Freeman. Em cada novo paradigma. 1988)6 27. Uma característica vital deste tipo de mudança tecnológica é que seus efeitos se difundem amplamente (efeitos pervasivos) isto é. e podem incorporar vários novos sistemas de tecnologia. a crise dos anos 70 levou as empresas e economias nacionais a intensificarem a busca de novos caminhos para a elevação da produtividade e para o desenvolvimento de novos produtos e mercados. (1988b:10) . carregam consigo muitos agrupamentos (clusters) de inovações radicais e incrementais. (Quadros. ele não só leva à emergência de uma nova gama de produtos.6 decisões tecnológicas e as condições de produção e distribuição mais lucrativas e de maior produtividade. organizacionais e administrativas inter-relacionadas cujas vantagens devem ser descobertas não apenas em uma nova gama de produtos e sistemas. mas também e sobretudo na dinâmica da estrutura dos custos relativos de todos os possíveis insumos para a produção. p. claramente percebido e decrescente. As tecnologias da informação baseadas na microeletrônica. serviços. densamente intra-articulado pela convergência intrínseca da tecnologia da informação. Mudanças dessa natureza. 23. Freeman. em seu próprio ramo.” (Coutinho. influir na transformação de quase todos os produtos e serviços existentes ou pelo menos na maneira de produzi-los e vendê-los. Tal procura realizou-se sobretudo pela exploração das oportunidades oferecidas com o progresso realizado no campo das novas tecnologias. direta ou indiretamente. Visto como um novo paradigma tecno-econômico. “sua aplicação em uma constelação de produtos e serviços agrupou um conjunto de indústrias. 26.). A mudança contemporânea de paradigma pode ser vista como uma transferência de uma tecnologia baseada principalmente em insumos baratos de energia para uma outra que se baseia predominantemente em insumos baratos de informação derivados do avanço da tecnologia em microeletrônica e telecomunicações. disponibilidade aparentemente ilimitada de oferta/provisão durante longos períodos. a microeletrônica é considerado como um insumo ou um fator-chave que identifica o paradigma atual e que possui as seguintes características: baixo custo relativo. setores e segmentos na forma de um “complexo eletrônico”. novos sistemas tecnológicos e mudanças de paradigmas tecnoeconômico. Em suma. inovação radical.

32. Destacamos a necessidade neste tópico de uma revisão de questões que influenciam diretamente a forma como as empresas hoje se relacionam no mercado global. permitindo que as empresas desenvolvam. por extensão a transnacionalização das empresas multinacionais portadoras do saber tecnológico. Muitas outras questões sobre a globalização e suas implicações podem ainda ser exploradas. a partir da década de 80 houve uma 7 Se bem que apenas 10% a 30% da atividade tecnológica dessas empresas acontece em subsidiárias estrangeiras já que. Neste sentido. Implicações da Globalização 29. consideramos que a globalização pode ser definida como um aprofundamento dos processos de internacionalização da economia mundial. A globalização implica um grau maior de integração entre o sistema de produção e de comércio. hierarquia ou redes de organizações públicas e/ou privadas. contudo no momento iremos nos deter apenas a esses aspectos. configurando portanto um quadro de desregulamentação dos sistemas financeiros viabilizando o afluxo do Investimento Externo Estrangeiro e. 10/10/96). 33. cada vez mais. As questões que buscaremos responder são relativas a idéia de como a globalização se apresenta como uma fase distinta da internacionalização do capital. sustenta-se no desenvolvimento do setor de comunicação e tecnologia da informação. é um assunto amplamente debatido pela literatura especializada. processos produtivos. mas global em sua organização. de acordo com dados levantados por uma pesquisa efetuada por Pari PATEL e Keith PAVITT da Universidade de Sussex. Tais processos são desencadeados atualmente num ambiente que não distingue fronteiras nacionais e que. quais sejam.7 28. discutiremos suas implicações financeiras e produtivas. uma interligação das atividades econômicas das empresas em redes tecnológicas e organizacionais. A atividade econômica não é somente de amplitude internacional. principalmente. institucionais e de política econômica. 30. A diferenciação entre globalização e internacionalização. A globalização também implica um grau maior de integração funcional entre as atividades dispersas internacionalmente. as grandes empresas concentram suas atividades de pesquisa e desenvolvimento nas suas bases nacionais (Folha de São Paulo. Existem visões que consideram a globalização como uma ruptura com o processo de internacionalização e outras que a consideram como uma seqüência mais aprofundada. trata-se de uma nova fase nos processos de internacionalização e expansão da produção internacional instrumentalizada por novos elementos criadores de interdependências. Dessa forma se coloca a necessidade de uma forma de governança. uma gama de significados atribuídos ao processo de globalização tem-se constituído a partir dos múltiplos impactos que este fenômeno tem acarretado em diversos aspectos das relações sociais. comerciais. produzam e distribuam produtos específicos. as implicações da abertura comercial e finalmente a mudança na estrutura regulatória dos países. . Neste sentido. produtos e. um modo de coordenação dessas atividades que podem se apresentar de três formas: mercado. no qual torna-se evidente um amplo espectro de compra e venda de insumos. 31. financeiros. de serviços. De acordo com a OCDE. este cada vez mais afasta-se da configuração industrial e transforma-se em capital fictício ou financeiro. Além disso. da P&D e da capacidade inovativa7. Em conformidade com a definição dada pela OCDE (1992). a competitividade advinda da abertura comercial exige que as políticas de regulação dos países referentes à questões como propriedade intelectual e investimento estrangeiro. sejam integradas num todo coerente e homogêneo com as políticas de comércio internacional. Com a Globalização da economia e os conseqüentes processos de territorialização e desterritorialização do capital. ou seja.

as empresas têm centrado seus esforços no empreendimento de novos tipos de associações. Neste sentido. e comparado com as 3500 empresas estabelecidas no período compreendido entre 1946 e 1961. seja pela alta concentração industrial que provoca uma ruptura nas estruturas dando lugar aos oligopólios globais. Desta forma. através de processos de concentração global. etc. US$ 2 trilhões. as relações entre as distintas unidades nacionais já não são mais limitadas pelos mercados na esfera das fronteiras nacionais. as principais economias industrializadas promoveram a redução das taxas de câmbio e dos custos de transação baseados nos intercâmbios comerciais da etapa anterior de internacionalização. Desta forma. facilitando. 35. tais como: alianças estratégicas. Assim.reforçando a tendência à complementaridade no comércio e na estrutura produtiva. pode-se observar uma tendência de elevação no volume de recursos e uma maior velocidade de circulação e interação dos mesmos. a interação entre os diferentes setores que intervinham no processo produtivo .8 crescente desregulamentação financeira – que caraterizou um processo de globalização nas finanças aliada à introdução das novas tecnologias foram responsáveis pela catalização de tal fenômeno. cada vez mais. Já na globalização. em decorrência da necessidade de controlar a inflação foram tomadas medidas com a finalidade de desregulamentar e elevar as taxas de interesse nos mercados financeiros. No que diz respeito aos aspectos financeiros. acordos de redes. de produtos e fatores de produção num dado mercado. a expansão do setor financeiro provocou uma ruptura no setor bancário e a emergência de novos produtos financeiros responsáveis em realimentar a liquidez do sistema. o estoque total de investimento direto externo atingiu. A desregulamentação tem seus antecedentes na redução do dinamismo da economia norteamericana a partir dos anos 60. a interação entre os agentes de diversos países obedece às estruturas decisórias de uma determinada . Convém ressaltar que essas relações já não se desenvolvem entre os estados. entre os diferentes agentes econômicos. Segundo Baumann os dados relativos aos fluxos de investimento direto externo estimados pela UNCTAD (1994). 37. associado à existência de 38 mil empresas transnacionais com suas 207 mil subsidiárias. avanços tecnológicos nas áreas de comunicação e da informação. em busca de uma maior competitividade e com base no processo de abertura dos mercados. restritas ao âmbito nacional no qual efetivava-se as transações comerciais. entretanto. bem como no aquecimento do dinamismo das exportações asiáticas e na redução do ritmo da produtividade nas economias norte-americanas e européias. principalmente. na etapa da internacionalização tais eram baseadas em uma política econômica voltada basicamente para uma articulação entre as políticas dos estados e as ações dos agentes econômicos. No que diz respeito às relações econômicas. as quais constituíram-se em eixos norteadores do processo de globalização. entretanto. seja pelos processos de transnacionalização das empresas multinacionais. Isso representa um salto.provocando. 36. seja pela elevação dos investimentos estrangeiros na indústria e no setor de serviços. Por outro lado. de transportes e telecomunicações . joint-venture. É neste sentido que tal desregulamentação do setor financeiro sustentada pelas novas tecnologias tem aumentado. desta forma. mas no âmbito das fronteiras mundiais tendendo a uma crescente homogeneização produtiva passando a fazer parte de uma mesma estrutura integrada de geração de valor. então. Tal interação é resultado da desregulamentação e redução do grau de intervencionismo peculiar às economias fechadas de outrora. 34. É assim que a passagem dos processos de internacionalização aos processos de globalização da economia mundial tem-se efetivado. as disponibilidades das finanças em áreas fora da esfera de controle das autoridades monetárias e fiscais nacionais.

mas diretamente no fórum do mercado mundial. No que diz respeito as implicações globais no aspecto produtivo. Seu principal propósito é assegurar que as correntes comerciais circulem com a máxima facilidade. aspectos estes conhecidos como “propriedade intelectual”. os processos de negociação. esquemas de traçado dos circuitos integrados e informação não divulgada. não mais localmente. 42. visando a ampliação da capacidade competitiva das economias regionais dentro de um cenário internacional globalizado. A globalização da indústria conduz a um afrontamento na concorrência. Estas mudanças modificam drasticamente a dinâmica espaço-organizacional das empresas.9 empresa e. por sua vez. barreiras tarifárias. etc. a industrialização global é o resultado de um sistema integrado de produção e comércio. tais decisões estão atreladas às estratégias de cada empresa e cada vez menos sujeitas a políticas nacionais. as novas formas de interação e associações tecnológicas têm-se constituído num elemento de relevância a fim de incrementar as vantagens competitivas. como por exemplo os segredos comerciais. As relações entre a globalização. a abertura comercial e as mudanças na estrutura regulatória dos países. sejam integradas num todo coerente com as políticas de comércio exterior. A performance virtuosa da empresa “piramidal”. os principais atores que formam a base do novo sistema produtivo são as empresas transnacionais e transcontinentais. marcas de fábricas. 39. 40. 1994). favorecendo assim. já que. Para Gereffi (1994). O desenvolvimento das tecnologias de comunicações e de transporte permitiu aos produtores e varejistas estabelecer uma produção internacional em rede de comércio global. A OMC é o único órgão internacional responsável pelas normas que regem o comércio entre os países. . Este processo alimentado pela explosão de novos produtos e novas tecnologias tem levado a emergência de um sistema industrial global. Em 1995 foi criada a OMC (Organização Mundial do Comércio). Essas normas estabelecem como se devem proteger nos intercâmbios comerciais o direito de autor. previsibilidade e liberdade possíveis. O acordo da OMC sobre propriedade intelectual consiste basicamente de uma série de normas que regem o comércio e os investimentos na esfera das idéias e da criatividade. mundiais. que têm suas escalas operacionais ampliadas por um conjunto de redes industriais intercomunicantes e especializadas no âmbito mundial. (Bernardes. acordo geral para controle do comércio internacional referente a preços de commodities. 41. órgão responsável pelo controle do comércio internacional. unificada e verticalizada do padrão fordiano de produção revela-se obsoleta para suprir as variações de mercado não previstas. As tendências à globalização da competição e à concentração nos mercados mais promissores exigem que as políticas de regulação relativas ao ambiente competitivo doméstico. desenhos e modelos industriais. a abertura do comércio internacional estimulou nações a especializarem-se em ramos industriais diferentes e até em fases diferentes de produção dentro de um indústria específica. são estabelecidas num contexto de reformulação da propriedade intelectual e do investimento estrangeiro. 38. nomes geográficos utilizados para identificar os produtos. bem como atrair maiores volumes de investimentos estrangeiros. Na Reunião de Bretton-Woods foi criado o GATT. sendo que. isto é.

45. O novo modelo. sustentadas na flexibilidade e diversificação da atividade produtiva. p. designam o mesmo fenômeno de reordenamento da organização industrial. a empresa adquire maior flexibilidade e uma melhor adaptação aos processos de mudanças no que se refere a inovações tecnológicas.” (Bernardes. cada vez mais. representa o incremento das inovações organizacionais e tecnológicas. especialização flexível para Piore & Sabel. e . tem provocado grande impacto no que se refere à revolução técnica operada na indústria japonesa. a partir dos anos 50. o JIT e o TQC (que tem como objetivo o Zero Defeito) constituem uma disciplina essencial no interior da fábrica com a finalidade de trazer à tona os problemas da produção. O novo modelo de organização da produção. tendo como princípios a desespecialização e polivalência operária rompendo com a relação um homem/uma máquina que fundamenta o fordismo e a implantação do sistema just-intime. A atual fase por que passa a organização dos modos de produção é denominada como modelo de reestruturação produtiva ou toyotismo. são expressões que marcam não só o mundo japonês.37). com uma verdadeira revolução logística dos processos da produção orientados pelas políticas de controle de qualidade de defeito zero e princípios de estoque zero (just-in-time/kanban). 46. Novas Técnicas de Gestão e Produção Flexível 44. em direção a uma busca pelas modalidades de desconcentração industrial e pelos novos padrões de gerenciamento da força de trabalho baseados em iniciativas como os CCQ (Círculo de Controle de Qualidade). O novo modelo de organização da produção e do trabalho.10 43. Com a adoção desse novo processo. estratégia PIW. Transformações que se norteiam. quais sejam: neo-fordismo ou pós-fordismo para a Escola da Regulação francesa. a gestão participativa e a qualidade total que. É na década de 80. bem como nos aspectos ligados à sua competitividade. trazendo desdobramentos diretos sobre o nível de emprego. lean production ou produção enxuta para o grupo do Massachussets Intitute of Technology (Gitahy. necessita de uma maior agilidade na adaptação do maquinário e dos instrumentos para que novos produtos sejam elaborados. na literatura escandinava. mas que estão presentes em vários países de capitalismo avançado e do Terceiro Mundo industrializado. a robótica e as tecnologias intensivas em informação baseadas na microeletrônica se inserem no ambiente fabril. como nas palavras de Antunes (1995). Tal modelo é conceituada por Coriat como um conjunto de inovações organizacionais. bem como no que diz respeito à rápida disseminação de seus princípios básicos em escala mundial8. O principal aspecto do sistema just-in-time é a redução de custos e o 8 Além de outros 'paradigmas' que se apresentam sob os mais variados nomes na literatura internacional mas que. na realidade. 47. surgidas no Japão. . pedidos de clientes e principalmente à concorrência com outras empresas. alterações na organização social e espacial (layout). A questão da implementação das novas técnicas de gestão baseadas na experiência japonesa tem-se tornado central no âmbito das organizações contemporâneas constituindo-se num instrumento importante para aquelas empresas preocupadas em reestruturar seu parque industrial produtivo. 9 Engenheiro mentor do sistema Toyota. que mudanças profundas como a automação. 1994. Dentre os principais pontos que estão na essência do “modelo”. 1992). consolidando novas relações de trabalho e de produção do capital. novo paradigma técnico-econômico para os neoshumpeterianos. e que são responsáveis pela ruptura com o modo de produção vigente enraizado nos princípios da Administração Científica (taylorismo/fordismo) e pela emergência de um novo padrão de organização capitalista da produção e do trabalho alicerçado nos princípios de Ohno9 ou nos métodos de gestão (toyotismo/ohnismo). sistemofacture para a literatura da reorganização da indústria automobilística.

Entre as mudanças que se percebem na empresa através de sua aplicabilidade têm-se a redução do nível de estoque. repunham os produtos nas prateleiras. rastreando-os até a sua origem com o intuito de assegurar que os mesmos não sejam repetidos. Além disso. qualidade total. como na integração com o departamento de métodos e processos. Sua evolução lógica. Substituindo o arranjo funcional (no qual as máquinas são agrupadas segundo os tipos). Uma das características preponderantes deste sistema tem-se colocado no sentido de demandar grandes investimentos e elevados desembolsos de capital injetados no treinamento da mão-de-obra. 51.principalmente via intensificação do trabalho despendido pelos trabalhadores durante a jornada (esforço físico e carga mental) e aumento do controle da produção pela empresa conjugado a existência de um sistema de informação compreensível de forma a que todos possam responder rapidamente a quaisquer problemas como também entender a situação geral da fábrica no que diz respeito à produção. vínculos empregatícios estáveis e maiores benefícios (Humphrey. aumento da produtividade . just-in-time. é a venda que gera uma ordem de produção alavancando. já que. habilitação múltipla. dos níveis de perdas na produção. gerência participativa. CCQ. temos o kanban10 que desempenha um papel primordial uma vez que a lógica do processo produtivo inverteu-se. ou seja. Desta forma. o que permite que sejam monitoradas à distância através de terminais de computação (CAM). o que acaba por provocar uma intensa difusão de seus princípios12. subcontratação. 48. por outro lado. 50.operação inspirada segundo Coriat (1992) no modelo de funcionamento dos supermercados que. aplicação e expansão de seus métodos e procedimentos de gestão para toda a rede de empresas subcontratadas. (Leite. integração do controle da produção e qualidade proporcionando maior variação no trabalho. o sistema pressupõe mudanças na natureza das relações entre trabalhadores e gerência que passam a ser concebidas como necessárias para a boa performance dos novos padrões de trabalho. Por outro lado. a existência deste sistema está atrelada a necessidade de maior “qualificação” e polivalência da 10 Sistema de cartões que é utilizado para sinalizar a necessidade de reposição de insumos/produtos para a produção. Dentre as características desse novo modelo. bem como um esforço conjugado no sentido de redefinir as relações clientes-fornecedores. eliminação do desperdício. conseqüentemente. após a venda. aumento da utilização dos equipamentos e. o modelo tem sinalizado através de contrapartidas tais como. flexibilização. treinamento para diversas tarefas de um mesmo setor. 1996 p. Temos também a organização da produção em células ou ilhas de fabricação em que as máquinas são dispostas em grupos de forma a acompanhar o fluxo das peças. a sustentação do modelo é assegurada na medida em que é capaz de oferecer vantagens também para a mão-de-obra responsável pela operacionalização de suas técnicas. Um ponto a ser observado no “modelo” que o torna realmente inovador é aquele que se refere11 à horizontalização. sindicalismo de empresa. do espaço físico necessário às atividades. A produção de pequenos lotes preconizada pelo “modelo” pressupõe a existência de um sistema efetivo para detectar imediatamente defeitos e problemas. a reposição de estoques . participação em círculos de qualidade. entretanto. pressupõe a introdução dos equipamentos computadorizados e a constituição dos sistemas flexíveis de manufatura (FMS) que consistem na formação não só de células baseadas em máquinas-ferramenta a comando numérico computadorizadas. 11 .11 aumento da flexibilidade da empresa a fim de atender às variações da demanda dos mercados. 40) 49. terceirização. 1992). Ao contrário da verticalização fordista das fábricas norte-americanas que ampliaram sua cadeia produtiva integrando verticalmente 12 Kanban.

a produção em massa e uma força de trabalho a ser domesticada facilitaram uma intensificação da divisão do trabalho e do modelo taylorista. na cooptação e no engajamento psíquico do trabalhador. O novo conceito de produção advindo dessa necessidade. representaria uma ruptura com o taylorismo e o fordismo  assunto apontado como bastante controverso pela literatura especializada . O JIT/TQC envolve uma busca contínua de aperfeiçoamento. pode-se dizer.o que. o taylorismo/fordismo representa . A idéia de como produzir para um mercado estreito. denominada kaizen.12 classe trabalhadora. ao melhoramento seletivo do equipamento. nas relações com a gerência e nas relações entre os seus pares onde o grupo passa a desempenhar um papel central na execução dos serviços de área. M. 54. . enquanto no fordismo a produção (em série) de produtos homogêneos comanda o mercado. e SCHUMANN. da produção variada/diversificada/pronta para suprir o consumo. já que nela o principal requisito é a especialização. com uma nova lógica de utilização da força de trabalho. requer uma soma elevada de inversões . 53.elementos que se apresentavam de forma tímida no “modelo” anterior . Por outro lado. superam em grande medida aqueles obtidos somente dando ênfase na incorporação de novas tecnologias de base microeletrônica . o toyotismo/ohnismo vêm marcar um processo de flexibilização desta divisão do trabalho em decorrência da emergência de mercados de consumo exigentes. ao contrário do modelo taylorista-fordista. é um sistema que pressupõe um amplo espectro de mudanças no que dizem respeito ao reenfoque da produção da companhia em produtos e processos-chave. e. por outro lado. fato peculiar às empresas dos países de Terceiro Mundo. Além disso. à reestruturação da administração (redução do número de níveis hierárquicos e mudanças nas relações departamentais). Tal sistema. é necessário pontuar que a microeletrônica é um elemento-chave que atravessa em grande medida a operacionalização das técnicas de JIT/TQC. Podemos destacar pontos básicos na diferenciação entre o modelo emergente e o “paradigma” taylorista/fordista. Da mesma forma. fica evidenciado que as novas técnicas de gestão baseadas no JIT/TQC exigem uma mudança na mentalidade operária no que diz respeito às modificações no processo de trabalho. à modificação dos procedimentos bem como mudanças nas relações com fornecedores e clientes. H. 52. Desta forma. pois a organização em células de produção. citado por Bernardes. portanto. principalmente. Assim. visando um grande mercado. segundo Kern e Schumann13. É importante ressaltar que os resultados que se consegue obter com a introdução dos métodos japoneses. 55. de uma força de trabalho disciplinada .do ponto de vista de sua estrutura um aprofundamento da divisão do trabalho na empresa. mostrou que o modelo de administração científica não atende mais as necessidades de produção. bem como na resolução dos seus próprios problemas e na melhoria da qualidade. por outro lado. requer funções múltiplas e o desdobramento flexível da mão-de-obra.já que a existência de mercados não-exigentes. Roberto. Atualmente as empresas caracterizam-se por uma grande mutabilidade e flexibilização o que torna inviável a sobrevivência de empresas que ainda adotam o modelo da administração científica. O novo modelo necessita. pois ele se baseia em uma economia de escala. de funcionários qualificados. auxiliando e amplificando a sua performance e a flexibilização da produção. se por um lado.já que o fator de sua eficácia está baseado. esbarra na falta de recursos gerenciais. polivalência e rotatividade de funções. capazes de realizar trabalho em equipe. no toyotismo é o consumo (mercado) quem dirige a produção já que os bens são 13 Segundo KERN.

Neste sentido. tem a ver menos com qualificação do que. Um ponto importante a ser ressaltado. No que diz respeito ao gerenciamento do trabalho. uma maior flexibilidade justamente porque trabalha-se em função da demanda não havendo. ou seja. o processo de trabalho estaria atravessando. desta maneira. da 'uniformidade' dos processos. o paradigma taylorista/fordista vende o que produz. propriamente.preconizando a constituição de times ou equipes de trabalho recuperando. Entretanto. 57. a preocupação central deve constituir-se na sua adoção de modo crítico. Emprego. o toyotismo tem-se firmado novamente como um “paradigma” de ruptura com o taylorismo/fordismo.já que pressupõe um escopo de trabalho maior e uma maior demanda pelas habilidades cognitivas bem como de maior escolarização em decorrência da necessidade de comunicação e de utilização de ferramentas que requerem um raciocínio lógico. a tornar-se polivalente . 58. a adoção de novas técnicas de gestão japonesa nos países de Terceiro Mundo deve ser cautelosa já que é preciso ter o cuidado para não adotar somente partes do modelo que são convenientes às empresas.13 diversificados com a finalidade de atender a mercados mais exigentes. através do just-in-time a otimização do tempo de produção. abstrato e intelectualizante . Coréia e Formosa com a implementação de tais técnicas de gestão (da produção e do trabalho) tem tornado o modelo japonês atraente nos países de Terceiro Mundo e.e pela transformação dos operários profissionais e qualificados em trabalhadores multifuncionais. já que. neste modelo. Entretanto. não abandonando contudo os seus princípios básicos. no Brasil com a conseqüente ampla difusão das técnicas do JIT/TQC no mundo ocidental. na visão otimista de Coriat (1992). Reestruturação Produtiva. controle de qualidade. em contrapartida. desta forma. Em conformidade com Humphrey (1993). no toyotismo/ohnismo esse viés está centrado na produção da qualidade. com aprimoramento e adaptação às condições locais desses países em detrimento da mera importação de pacotes receituários. 59. Isto é. se por um lado. do transporte. dando portanto vazão a um perfil potencializado para a execução de multi-tarefas baseadas na integração de funções. O trabalhador é designado. em conformidade com a literatura especializada. portanto. o toyotismo produz o que vende já que a produção é conduzida diretamente pela demanda gerando. em especial. Qualificação e Padrões de Gestão da Força-de-Trabalho na Indústria Brasileira .o que.enquanto processo ágil e lucrativo de produção de mercadorias “o trabalho em equipe é maior que a soma dos trabalhos de todos os indivíduos”. o sucesso obtido por países como Japão. Em situações de crise. Ademais. 60. do controle de qualidade e do estoque. uma etapa marcada notadamente pela desespecialização . torna-se necessário romper com o caráter rígido de tarefas específicas ao trabalhador coletivo fabril. é que se no taylorismo/fordismo a preocupação norteava-se no sentido de controlar a qualidade dos produtos. com a capacidade de operar várias máquinas e combinar tarefas simples. se o modelo toyota está fundamentado num processo produtivo flexível em detrimento de um processo de produção fordizado. manutenção e administração de fluxos. é interessante observar o quanto se torna emblemática ao modelo japonês . acúmulo de estoques pois a produção sustenta-se na existência do estoque mínimo. pressupõe um deslocamento do foco no posto de trabalho ou postos individuais para um foco no processo . a interdependência entre os trabalhos ao romper com o seu caráter parcelar típico do fordismo. buscando assim. 56.

1994c. 1994 a e b. e nos anos seguintes. As transformações associadas ao movimento de reestruturação produtiva provocaram mudanças na relação entre empresas. 63. as empresas brasileiras – inclusive as que já relacionavam-se com a atividade exportadora – tiveram que modificar e melhorar suas estratégias de qualidade e produtividade para fazer frente à concorrência e às exigências internacionais (Leite. na organização dos processos produtivos e de serviços. . em geral. 64. O modelo de substituição de importações. assumindo um ritmo acelerado de reestruturação. 67.o que Ruas (1994) denominou de estratégia de adaptação global. debelar a crescente inflação. os quais conseguirão até a crise asiática controlar a inflação. Estratégia caracterizada pela busca de novos padrões de competitividade através da adequação dos recursos internos às condições impostas pela crise. especialmente. 1994c). (Leite. 66. na qual como ferramenta de sobrevivência à crise na primeira fase da reestruturação as empresas utilizariam métodos tradicionais de redução de custos. na organização dos processos de trabalho. Durante os anos 80. vigorou até o final dos anos 70. Ruas. Gitahy. Ruas. sucessivos planos econômicos vão tentar. Embora a difusão de um conjunto de inovações tecnológicas e organizacionais na indústria brasileira tenha se iniciado a partir do final dos anos 70. 1994a.14 61. 1994. Gitahy. segundo Ruas (1994). A partir da política de abertura da economia às importações adotada pelo Estado. 1991. É importante considerar que em sua fase inicial. Gitahy. pela utilização de novos conceitos de produção e pela consideração da cooperação dos trabalhadores como elemento estratégico (Amsden. 1994). No que se refere ao processo de reestruturação na indústria brasileira. no qual o padrão de concorrência estabelecido voltava-se basicamente para um mercado interno significativo e protegido por uma forte política de controle de importações. 1994). 65. que será mantida pelos governos posteriores. 1989.ao menos nos setores que direta ou indiretamente já se relacionavam com o mercado externo . 1994a). É somente no início dos anos 90. Carvalho. 62. o primeiro aspecto a ser ressaltado foi a mudança no modelo de desenvolvimento até então existente. O autor também observa numa segunda etapa deste processo a adoção da estratégia de adaptação limitada pelas empresas. inicia-se o lento abandono deste modelo: a forte retração do mercado interno no início da década (associada à chamada a crise da dívida) e medidas para estimular o aumento das exportações (para equilibrar a balança comercial) vão induzir o aumento das exportações. Esta estratégia seria caracterizada pela utilização parcial de inovações tecnológicas e organizacionais e pela implantação de alguns programas isolados. Leite. no Governo Collor que vamos assistir a um brusco movimento de abertura comercial (redução das tarifas de importação). sem êxito. 1992. Parece predominar em uma terceira fase da reestruturação . o processo de reestruturação das indústrias brasileiras seguiu uma tendência semelhante àquela denominada de estratégia adaptação restritiva. adotados por gerências ou setores específicos com pouca ou nenhuma conexão com o resto da empresa (Ruas. na gestão do trabalho e na gestão empresarial (Coutinho. custos de mão-de-obra. 1998). 1994. foi nos anos 80 e mais fortemente na década de 90 que este movimento intensificou-se ao longo das mais diversas cadeias produtivas. Meireles Filho.

KANBAN: sistema de cartões utilizado para sinalizar a necessidade de reposição de insumos/produtos na produção.15 68. 71. kanban. isto é. visando o estabelecimento de formas mais consensuais de gestão do trabalho. 1994a). Neste sentido. 70. Araújo e Gitahy. Para os autores. CEP: Controle Estatístico do Processo. 1994 a e b. por exemplo. CAM: Computer Aided Manufacturing. democratização de restaurantes e estacionamentos. Conquanto Leite (1994a) tenha observado nos anos 80 o caráter conservador do processo de modernização. Neste sentido. JIT ou just in time: sistema de planejamento e controle da produção. padrões tecnológicos e de processos de produção considerados. Carrion. foram sendo introduzidas na tentativa de melhorar o padrão de competitividade das empresas e de propiciar a emergência de novas formas de relacionamento entre empresas e sindicatos (Coutinho. 1998). Mattoso (1994) 14 CCQ: Círculos de Controle da Qualidade. Gitahy. desde os 80 inovações tais como técnicas japonesas de gestão (como os CCQ's). elevar sua eficiência e estabelecer modelos de gestão menos autoritários e políticas da mão-de-obra menos conflituosas. just-in-time. e a obtenção do esforço coletivo na inovação (Gitahy. ferramentas com CEP)14. que a difusão de inovações tais como os CCQ’s associadas a gestão participativa. regionais. na contratação do trabalho. bem como as políticas de gerenciamento para remuneração. nos anos 90 as pesquisas têm mostrado que as empresas têm adotado inovações tecnológicas e organizacionais com a finalidade flexibilizar sua produção. As implicações do processo de reestruturação produtiva tiveram repercussões diferenciadas segundo as características de segmentos industriais. robôs. 1997. elevando a autonomia dos trabalhadores . 1997. que as permitam contar com a colaboração dos trabalhadores na busca da qualidade e produtividade e da inovação (Leite.o que estaria colocando as empresas na dependência da motivação e da adesão dos trabalhadores no que diz respeito ao seu desempenho. no emprego. rotatividade e relações industriais (Carvalho. esteve combinada com práticas autoritárias de gestão e de controle da mão-de-obra na indústria automotiva. redução de níveis hierárquicos. De forma geral. o volume de emprego. 1992. ao analisar as transformações no mundo do trabalho associadas aos processos de instabilização produzidos no mercado de trabalho. 1991:99 e 1993. Bresciani. Lombardi. Castro. 1998). qualidade total. 1991 e 1994a). Carrion e Garay. . de maior autonomia e de valorização das atitudes dos trabalhadores na esfera da atividade produtiva. a organização dos requisitos de trabalho e especialização. 1992. No entanto. Leite. eficiência e competitividade. estas inovações em geral vieram acompanhadas por expedientes tais como: mudanças nas relações entre chefias e empregados. 1997. Abramo. máquinas-ferramentas de controle numérico). 69. 1988. um extenso número de pesquisas realizado pela literatura especializada tem apontado para o fato de que as transformações na esfera produtiva estariam afetando a composição da força-de-trabalho. CAE: Computer Aided Enginnering. É elucidativa a conclusão de Gitahy e Bresciani (1998) a respeito dos efeitos deste processo sobre a mãode-obra na análise do setor automotivo. no que se refere ao padrão de uso do trabalho. os estudos em geral estariam apontando para um processo de requalificação. aliados às inovações de produto e de processo (sistemas CAD/CAM/CAE. Gitahy e Rabelo. a dinâmica da organização da produção e do trabalho estaria caminhando no sentido de incorporar ao processo mecanismos de controle capazes de viabilizar a redução do número de chefes. CLP: Controle Lógico Programável. e na representação do trabalho. 72. 1994. novos equipamentos de base microeletrônica (CLP's. CAD: Computer Aided Design. 1988. 1997. na renda. introdução de esquemas participativos. celularização da produção. Leite. equipes de trabalho. Nas indústrias de produção em série de bens discretos.

postos de trabalho flexíveis. limitações dos direitos historicamente adquiridos por meio da ação coletiva (Singer. 75. muitas vezes com o mesmo (ou superior) grau de escolaridade e qualificação. ocultaria a perda dos direitos sociais historicamente conquistados pela classe trabalhadora (Castro e Dedeca. Posthuma. 1998. visualizar-se-ia uma crescente massa de trabalhadores e trabalhadoras desprovidos de benefícios sociais. 76. postos dotados de conteúdos qualificantes e de melhor remuneração. atividades taylorizantes e repetitivas dotadas de baixo (ou nenhum) conteúdo intelectual e técnico. alterando normas anteriormente estabelecidas reguladoras da 15 Um quadro semelhante foi encontrado por Tremblay (1997) em empresas québecoises: quatro empresas do setor industrial (papel e celulose e produção alimentícia) e seis empresas do setor de serviços (comunicações. associadas a salários mais baixos percebidos por seus correspondentes masculinos em postos e/ou funções similares. a classe trabalhadora estaria sendo induzida a pressionar suas entidades de representação no sentido da manutenção do emprego. representação sindical escassa e sob formas de trabalho precárias de trabalho e qualificação. Neste sentido. De um lado. 1999). garantias sociais. distribuição desigual de treinamentos de conteúdo técnico em favor da mão-de-obra masculina vinculada a postos de trabalho dotados de conteúdo tecnológico. Neste senso. 73. salários mais eqüitativos e negociação com as entidades sindicais a despeito das inovações introduzidas no processo de trabalho. Castro. valendo-se do significado desta ameaça para a classe trabalhadora. a questão do (des)emprego estaria fortalecendo o poder de barganha das empresas que. Castro e Dedeca (1998) e Singer (1999) observam que. provocando uma desregulação social das relações de trabalho e a perda de direitos sociais anteriormente conquistados. na verdade. no que se refere à divisão sexual do trabalho. parte importante da literatura tem insistido no fato de o trabalho feminino estar significando formas de trabalho precário e subcontratado. a flexibilização do trabalho que apareceria como uma política para a superação do emprego e da renda. ao mesmo tempo em que novas políticas de desenvolvimento orientadas para a inserção externa passaram a ser implementadas nos países latinos. o argumento central dos autores é que o processo de reorganização industrial estaria desorganizando e fragilizando o seu núcleo assalariado. 1998. nas negociações coletivas ou por meio de posturas arbitrárias estariam avançando em seu processo de reestruturação. 1998. mesmo que esta “manutenção” muitas vezes caminhe no sentido de significar maior flexibilidade das relações de trabalho e. significando “tempos mais duros” para a ocupação no continente. ainda segundo Castro e Dedeca (1998). Com o espectro do desemprego a rondar o mercado de trabalho. Por outro lado. 74. poucas chances de ascenção a postos tradicionalmente ocupados por homens. . isto é. seria possível encontrar trabalhadores dotados de alto nível de qualificação. empregos part-time e em setores de baixo status. 1998). ainda. Outros efeitos seriam produzidos a partir deste processo de reorganização industrial. Abramo. Apesar da heterogeneidade de situações existentes associadas a este processo tanto no que se refere ao caso latino quanto no que diz respeito ao caso brasileiro. 1998)15.16 sugere que a difusão do paradigma produtivo e tecnológico associado ao processo de reestruturação apresentaria duas faces antagônicas. além de presença marcante no mercado informal (Leite e Rizek. Além disso. Outros estudos críticos recentes também apontam para um quadro pouco favorável que estaria sendo configurado a partir dos efeitos sociais produzidos pelo processo de reestruturação industrial. assistiu-se – entre outros fenômenos – a produção de um movimento comum de desarticulação de uma base de trabalho assalariado. finanças e restaurantes). Num extremo oposto.

1981. Importa à análise teórica. “o que na verdade é social aparece como natural. 1998:13). alguns autores também alertam para o fato de que o processo de reorganização produtiva ao desmobilizar o coletivo de trabalhadores. dando-lhes uma conotação natural. Conforme Bottomore (1988:15). 77. e sob a bandeira da competitividade internacional. c) finalmente. desprotegido. dada a contratação de serviços/produtos a baixos preços também ser conseguida por meio de práticas que estimulariam a baixa remuneração de empregados e/ou a sonegação de obrigações legais que permeiam a atividade produtiva (Gitahy e Cunha. a máscara atribuída aos objetos do processo econômico uma ilusão. Entretanto. essas propriedades não são naturais. estaria provocando um processo 16 Grosso modo. Leite e Rizek. bem como da estruturação dos salários. b) a suposta liberdade no exercício do trabalho gozada por aqueles que o realizam ocultaria uma relação de trabalho assimétrica. uma espécie de máscara revestiria e deturparia o entendimento espontâneo das propriedades sociais inerentes aos objetos do processo econômico das relações capitalistas de produção. Assim. 1997. a capacidade de obtenção de emprego. Castro e Dedeca. “formas de ocupação bastante diferenciadas estariam ganhando espaço em detrimento do trabalho assalariado” (Castro e Dedeca. Desta maneira. 1998). o fetichismo é entendido como um processo de obscurecimento e/ou inversão do real. 1989). formas sociais objetivas. de acordo com Castro e Dedeca (1998). Também Mattoso (1994) aponta nesta mesma direção quando afirma que. Desregulação marcada por um movimento comum de desarticulação de uma base de trabalho assalariada. muitas vezes estimulando um processo de exacerbação da concorrência entre os diversos segmentos de trabalhadores. ocultando aspectos sócio-econômicos e contradições responsáveis por esta desregulação das relações de trabalho. 1997. uma relação que é de exploração aparece como justa”. um triplo efeito do fetichismo16 poderia ser observado neste processo de reorganização do trabalho: a) as formas de trabalho cooperativo. de trabalho a domicílio e de trabalho autônomo que aparecem como formas alternativas de inserção de uma parcela da mão-de-obra no mercado de trabalho. portanto. na realidade esconderiam relações contratuais de assalariamento disfarçado mas. apareceria como uma alternativa para superar o problema do (des)emprego garantindo maiores chances de inserção no mercado de trabalho. Pochmann. Löwy. 1988. 1999). 1998. segundo Hirata (1997). Desta forma. Neste sentido. mas. “abrir a caixa-preta” do conteúdo social que essas formas de aparência objetivas estão a ocultar (Marx. sobretudo. na qual aquele que contrata valendo-se da frágil situação do emprego – em que pese a dificuldade individual em assegurar a continuidade de suas chances de inserção ocupacional – impõe condições de trabalho às vezes degradantes. 79. a “empregabilidade”17 associada à formação profissional que. ou. na tentativa de reestruturar-se.17 jornada e do contrato de trabalho. b) estímulo dado por estas mesmas empresas ao crescimento da precariedade verificado nas menores. ocultaria a transferência do ônus do emprego e da responsabilidade pela não-contratação (ou da demissão. quando for o caso) ao trabalhador (Hirata. 78. Bottomore. a probabilidade de saída do desemprego e ingresso no contingente de empregados. Napoleoni. 1969. pulverizando deste modo a ação coletiva. 17 Termo utilizado para designar. o acesso ou não ao mercado de trabalho e/ou a capacidade de obtenção de um emprego apareceria como uma situação na qual a vontade de trabalhador é que seria determinante. tampouco. no que diz respeito à qualificação. Outro efeito apontado pela literatura como decorrência dos processos de reestruturação seria a proliferação de novas formas de trabalho precário alimentada por um duplo movimento: a) aumento do desemprego promovido pelos processos sistemáticos de “enxugamento” da mão-de-obra nas grandes empresas. fragmentando ao mesmo tempo e comprometendo as instituições de representação dos interesses dos trabalhadores. Neste sentido. . o capital mover-se-ia contra o trabalho organizado.

o processo de reestruturação produtiva (enquanto desregulação social) estaria provocando um movimento de exacerbação da concorrência entre os diversos segmentos da força-de-trabalho.18 de atomização da ação coletiva (Mattoso. desencadeando um processo de desregulação social tanto para mulheres. Dentre o conjunto de questões associadas ao processo de reestruturação produtiva e que vem sendo sistematicamente debatidas pela literatura. com esta parcela de “desfiliados” as variáveis étnicas e de nacionalidade. v) pela exacerbação da concorrência entre segmentos de trabalhadores. mas. Isto porque além da fragmentação do coletivo de trabalhadores estimulada i) pelas práticas de subcontratação e precarização do trabalho. pela proliferação das favelas que vão reconfigurando o espaço . têm afetado significativamente as bases estruturais da forma de organização social. Combinando-se. por outro lado. criando novas e restritas relações de trabalho e reconfigurando os papéis das entidades de representação. iii) pela flexibilização das relações de trabalho. por vezes. Neste sentido. o individualismo do trabalho e/ou entre os trabalhadores. 1999). etc. 82. 86. 85. jornada de trabalho. as mudanças no mundo do trabalho estariam induzindo a transformações no interior da sociedade. por outro lado. 81. face às formas de desproteção social experimentadas pelos demais segmentos de trabalhadores. Castro e Dedeca. 80. bem como o trabalho direto e indireto relacionado com a produção. estimulando. Desta forma. 1994. assiste-se à precarização dos mercados nacionais/regionais/internos de trabalho (condições de trabalho. ii) pela diferenciação de interesses da classe trabalhadora. a introdução de esquemas participativos. Se. tem afetado as entidades de representação do trabalho. Singer. No plano institucional. jovens e idosos. as novas iniciativas gerenciais estariam “reservando” um espaço cada vez menor para a atuação sindical ao promoverem a emergência de novas institucionalidades na regulação do conflito entre as quais a cooptação dos empregados com a finalidade de reduzir as demandas sindicais. iv) pelo enxugamento da mão-de-obra. portanto. 1998. os efeitos macrossociais revelam-se pela falta das condições básicas para a sobrevivência. Castro e Dedeca (1998) e Singer (1999). em que pese a proposição de um modo de (des)regulação social no qual os direitos da classe trabalhadora – muitos dos quais relativamente suprimidos depois de historicamente conquistados – são apontados como “prerrogativas”. 83. 84. portanto. Leite (1997) revela a importância de refletir sobre as relações sociais e políticas que estão sendo sistematicamente construídas e/ou reconstruídas por esse processo de transformações e a que tipo de sociedade os processos de reorganização econômica e industrial em curso estão nos encaminhando. remuneração e ocupação) como efeito micro e mesossocial deste processo. este movimento de flexibilização das relações de trabalho segundo Mattoso (1994). Druck de Faria. estariam acentuando as características de exclusão econômica e social do sistema capitalista. por um lado. 1999. Também é nesta direção que Castro e Dedeca (1998) argumentam que o conjunto de efeitos produzidos pelo processo de reorganização econômica (políticas e medidas de conteúdo neoliberal) e industrial (flexibilização das relações de trabalho). negros. Para Mattoso (1994) as transformações no mundo do trabalho estariam alterando não apenas o interior do processo produtivo.

19 urbano. Carvalho. ao envolvimento da mão-de-obra na articulação de inovações e à maneira como as empresas buscam sua capacitação tecnológica é estratégico não só no sentido de compreender o processo de recomposição dos vários segmentos de trabalhadores. com repercussões no grupo familiar. pela multiplicação das formas de violência e do desemprego. Estendendo-se este último para além do indivíduo. pelo ressurgimento do trabalho infantil e do trabalho escravo. Trata-se. afetando a vida doméstica (Castro e Dedeca. do aprofundamento de uma sociedade segmentada e dividida. bem como para o desenho da política científica e tecnológica (Gitahy. O entendimento de como as empresas têm-se comportado face à forma de organização do trabalho. 88. educacional. na qual os benefícios advindos do desenvolvimento econômico e tecnológico continuam sendo desigualmente distribuídos. às questões sindicais. 87. 1993). Pochmann. 1999). 1992. mas também por suas implicações em termos de requerimentos para a estruturação da política industrial. ao emprego formal e informal. Singer. portanto. 1998. nem sempre significando melhoria das condições de vida e do trabalho (Leite. . 1999. 1997).

Angela M. BORGES. RJ. Ed. Heloísa e RAMALHO. AMSDEN. e ABREU. Jorge Zahar Editor: Rio de Janeiro. L. In: AMIN. (1977). José R. In: ABRAMO.). Dicionário do Pensamento Marxista. fantasies and phantoms of transition. Trabalho e Capital Monopolista: a degradação do trabalho no século XX. ARAÚJO. Angela M. Rio de Janeiro: Paz e Terra. e JUSTO. São Paulo: Cortez. DPCT/IG/UNICAMP. Rio de Janeiro: Zahar. “Um Olhar de Gênero: Visibilizando Precarizações ao longo das Cadeias Produtivas”. R. dezembro. BAUMANN NEVES. As Novas Modalidades do Trabalho Feminino em Tempos de Flexibilização e Reestruturação Produtiva. Gênero e Trabalho na Sociologia Latino-Americana. (Org. (1994). D.e AMORIM. Caxambu. C. Ricardo (org. “Novas Estratégias do Capitalismo e o Movimento Sindical” In: MARTINS. A. Flexibilization of Labour and Health. A. ARAÚJO. (1983). São Paulo: Hucitec: CEDI/NETS. ARAÚJO. Trabalho apresentado no XXIII Encontro Anual da ANPOCS. UNESP. de 24 a 26 de setembro. CAMPOS. “Sindicato e processo de contratação coletiva entre os químicos do ABCD”. Editora Hucitec: São Paulo. AMIN. M. (1994). ARRIGHI. Alienation and Freedom: the factory worker and his industry. (1994). Dissertação apresentada ao Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). (1988). Relatório Final do Subprojeto 7: Qualificação. Work and Helth. Reestruturação Produtiva e Negociações Coletivas entre os Metalúrgicos Paulistas. Angela M. Capacitação & Aprendizado: será que também dá samba? Instituto de Geociências/UNICAMP. 63-82p. Oxford: Blakwell. (1994). “Post-Fordism: models. 8(1):33-41. C e FERREIRA. Verônica C. A. como parte integrante do Projeto II: Reestruturação Produtiva e Qualificação.Illinois . Daniela M. ANTUNES. In: CASTRO. Elaine A (1999). O Sindicalismo Brasileiro nos Anos 80. 296p. BOITO JÚNIOR. “A Subjetividade do Trabalhador frente à Automação”. Mercados e Processos de Trabalho: estudo comparativo no complexo químico brasileiro. artigos selecionados. Chicago . A. (1964). Digitado. São Paulo. R. C e Gitahy. Rio de Janeiro. ARAÚJO. (1989). (1997). R. CARTONI. BLAUNER. H. Verônica Clemente (2000). de 19 a 22 de setembro. C. University Press. (1995). (Orgs. R. (1994). Relações de Gênero e Sindicatos no Contexto da Reestruturação Produtiva. R. São Paulo em Perspectiva.). 1996. Trabalho apresentado no XXI Congresso Internacional da Latin American Studies Association. Químicos e Bancários de Campinas. (mímeo). A. Adeus ao Trabalho?: ensaio sobre as metamorfoses e a centralidade do mundo do trabalho. São Paulo. (1988). PostFordism: A Reader. L. Campus. Chicago and London: University of Chicago Press. Leda (1998). Nova York e Oxford. janeiro/março 1994. BRESCIANI. (1995). NEPO/Unicamp. Trabalho aceito para publicação em coletânea organizada por Maria Isabel Baltar.). Trabalho apresentado no II International Congress Women.. na Seção de Comunicação Coordenada: Restructuring Production. Educação como elemento estratégico para o desenvolvimento econômico. Asia’s Next Giant: South Korea and late industrialization. GT18 Sindicalismo e Política. MG.. (1999). FERREIRA. Rio de Janeiro. M. BOTTOMORE.. BRAVERMAN. ALMEIDA. (1998). 18p. T. . BARGAS. O. BERNARDES.(1999). São Paulo/Rio de Janeiro: ALAST. Tecnologia & Trabalho. Organização do Processo de Trabalho na Indústria Siderúrgica: um estudo de caso. O Longo Século XX.EUA . G. L. In: NEDER.20 Referências Bibliográficas ABRAMO. Terceirização: diversidade e negociação no mundo do trabalho. Automação e Movimento Sindical no Brasil. Trabalho: a centralidade de uma categoria analítica. A. Reestruturação Produtiva e Negociação Coletiva: Metalúrgicos. Angela M. L. Carolina R. de 19 a 23 de outubro. Nadya.F. O Brasil e a Economia Global. Campinas-SP. (1998). ABRAMO.

In: CASTRO. “On the Microfoundations of Macrosociology”. N. CORIAT. São Paulo/Rio de Janeiro: ALAST. R. Londres: Routledge. (1994). (1998). march. vol.Q. R. 69-87. (1993). Campinas. Petrópolis: Vozes. Qualificação. Roque Aparecido da. . L. (1989). In: São Paulo em Perspectiva.S. In: Educação e Sociedade. Mercados e Processos de Trabalho: estudo comparativo no complexo químico brasileiro.Q. (1997). COUTINHO. 09-18p. p. São Paulo: IPEA. CASTRO. e DEDECA. The Informal Economy: studies in advanced and less developed countries. (1990). Pensar pelo Avesso: o modelo japonês de organização do trabalho. “Competitividade Tecnológica e Gestão do Trabalho: a petroquímica brasileira nos anos 90”. C. CASTRO. COOK. 53-62. (1981). R. In: FERRETI. São Paulo: Vozes. J. London: Unwin Hyman. (1994).). no. São Paulo:IA/FEA/USP.). et alli (eds. N. COMISSÃO GULBENKIAN (1996). Hi-tech for industrial development lessons from the Brazilian experience with eletronics and automation. CAVESTRO. In: Economia e Sociedade. Trabalho e Educação: um debate multidisciplinar. 93-127. (editor). CARVALHO.). “Capacitação Tecnológica. pp 36-63. São Paulo: Cortez Editora. Competitividade e Trabalho na Indústria Petroquímica Brasileira”. 415611. 296p.21 CAPECCHI.). 10(1). N. (Orgs. N. S. (1996). Sessão: Automação nas Indústrias de Fluxo Contínuo. “Capacitação Tecnológica Limitada e Uso do Trabalho na Indústria Brasileira”. July. No. (1992). p. R. CASTRO. H. B. R. Rio de Janeiro: Revan:UFRJ. In: São Paulo em Perspectiva. (1997) “Qualificação e Reestruturação das Relações Industriais: uma nova moeda-de-troca?”.Q. Márcia. p. “Trabalho e Informática em Países recentemente Industrializados: o caso da indústria brasileira”. Labour and information technology in newly industrialised countries: the case of brasilian industry. new technology and work content”. (1994b). no. p. “Trabalho e Organização Industrial num Contexto de Crise e Reestruturação Produtiva”. CARVALHO. J. (Eds. R. COLLINS. N. São Paulo. As Metamorfoses da Questão Social: uma crônica do salário. Apresentada no Seminário Organizacional e Estratégias de Mudança. p. R. R. dezembro. R. C. A Ocupação na América Latina: tempos mais duros. Novas Tecnologias. V. CARVALHO. Iglu: Ildes: Labor. CARVALHO. DALCOMUNI.. “Automation. “The Macrofoudations of Social Structure: An Exchange Perspective”. R. CASTRO. jan/março. “Reestruturação Industrial. (1991). Brasília: IPEA CARVALHO. jan/mar. N. In: Planejamento e Políticas Públicas. e BERNARDES. A. (1994a). The Informal Economy and The Development of Flexible Specialization In EmiliaRomagna. (1992). 125-158. Flexibility and the Labour Process. R. et allii (orgs.. CASTRO. (1991). CARVALHO. (Série Seminários.Q. Relatório Final do Subprojeto 7. (1991). (1988a) “Microeletrônica. Programmable Automation and Employment Practices in Brazilian Industry. (1998). Campinas. In: WOOD. CARVALHO.Q.322p. In: American Journal of Sociology (AJS). “Why the market reserve is not enough: lessons from the diffusion of industrial automation technology in Brasilian process industries”. e DEDECA. CASTEL.Q. Modernização Tecnológica. Science Policy Research Unit. London: Sage Publications. no. Para abrir as Ciências Sociais. 01. Revalorização do Trabalho e Educação”. 28p. 16/94). W. University of Sussex (Thesis submitted for the degree of DPhil – development studies). Capacitação Tecnológica. 06. maio/dezembro de 1988. (1998). São Paulo. CARVALHO.UNICAMP/USP. University Sussex. Macro-Micro Linkages in Sociology. CARVALHO. In: SCHMITZ.Q. The Transformation of Work? Skill. Dynamic Capabilities for Cleaner Production Innovation: the case of the market pulp industry in Brazil. et alli. In: SILVA.). 1996. The Johns Hopkins University Press: Baltimore e London. p. R. 8(1):133-143. “Flexibilidade e Precarização: tempos mais duros”. In: HUBER. 8(1):116-132. S. 86. 138-188. IE/UNICAMP. (1994c). 41 a 65. p. In: São Paulo em Perspectiva. K. e LEITE.Q. e GUIMARÃES. In: PORTES.Q. 61. (Ed. In: Anais do Seminário Interdisciplinar Padrões Tecnológicos e Políticas de Gestão: processos de trabalho na indústria brasileira. Relações de Trabalho e Práticas de Resistência.5. Programmable automation and employment practices in Brazilian industry. C. “A Terceira Revolução Industrial e Tecnológica: as grandes tendências de mudança”. Produtividade e Desemprego”. (1989). CEDES. 40p. CASSIOLATO.

Trabalho e Educação”. L. Praeger. Depto de Sociologia/FFLC/USP. Redes e Flexibilidade: da mudança das práticas quotidianas a uma nova trama produtiva. n. (orgs. In: SOARES. mímeo). Na Direção de um Novo Paradigma de Organização Industrial? Trabalho apresentado no GT Processo de Trabalho e Reivindicações Sociais no XVI Encontro Anual da ANPOCS. The Organization of Buyer-driven Global Commodity Chains: how US retailers Shape Overseas production networks. 123-133. In Search of New Working Class: automation and social integration within the Capitalist Enterprise. (1994c).sociologiausp. José R. Reestructuración Productiva. (1998). novos padrões de organização e de relações do trabalho. e CARVALHO. (1994b) “Reestruturação Produtiva. 28/05. pp 109-122. e RABELO. e BRESCIANI. Technical Change and Economic Theory. (1988). (1988). FREEMAN. In: Anais do Seminário Padrões Tecnológicos e Políticas de Gestão: Processos de Trabalho na Indústria Brasileira. Leda (organizadora). Cambridge: Cambridge University Press. “Automação e Qualificação da Força-de-Trabalho”. CIID-CENEP. São Paulo: Hucitec: CEDI/NETS. SP: IG/UNICAMP. F. (1994). (1994). in Dosi et alii (eds. Technical innovation and long waves in world economic development. Gestão da Empresa: automação e competitividade. GEREFFI. FREEMAN. São Paulo. A. “Análise a nível de empresa dos impactos da automação sobre a organização da produção e do trabalho”. Trabajo y Educación en America Latina.). Disponível na internet: http://www. et alli (1997). In: Cadernos de Discussão. Buenos Aires: RED. L. nº 4. D. GITAHY. . novos padrões de organização e de relações do trabalho. GITAHY. GITAHY. L. Campinas. In: MARTINS. p. Heloísa e RAMALHO. A sociologia do trabalho frente à qualificação e à competência. L. Trabalho e Educação: Relatório da Equipe de Campinas (Autopeças e Linha Branca). FREEMAN. In: São Paulo em Perspectiva. L. In: GITAHY.13.htm. “Reestruturação Produtiva e Trabalho na Indústria Automobilística Brasileira”. L. CEBRAP/USP/UNICAMP. jan/mar. In: Educação e Sociedade. (1992). SP: IG/UNICAMP. GITAHY. A. Belo Horizonte: Instituto de Relações do Trabalho da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais.C. (1994). outubro. ano XIX. 1982. Brasília: IPEA/IPLAN. (1990). et alii (1982). “Inovação Tecnológica. In: CARVALHO NETO. L. GITAHY. 64. C. Projeto de Pesquisa Reestruturação. ago/1981. trabalho e educação na Indústria de Linha Branca. In Gary Gereffi e Miguel Korzeniewicz (eds). (1978). futures. Caxambu. (1998). Buenos Aires: RED. subcontratação e mercado de trabalho”. C E PEREZ. C. Unemployment and technucal innovation – a study on long waves end economic development. Structural crises of adjustment: business cycles and investment behaviour. (1999). 1998. “Terceirização – um desafio para o Movimento Sindical. FREYSSENET. Relações Interfirmas e Mercado de Trabalho”. R. 87-103. L. "Os Efeitos Sociais da Microeletrônica na Indústria Metal Mecânica Brasileira: o caso da Indústria de Informática". 1ª sessão do Ciclo de Seminários Temáticos Interdisciplinares “Os Estudos do Trabalho: novas Problemáticas. GITAHY. e CUNHA. GITAHY. Seminário “Reestruturação Produtiva e Trabalho em Diferentes Cadeias Produtivas no Brasil: discussão teórico-metodológica”. (1998). Reestructuración Productiva. GONÇALVES. Terceirização: diversidade e negociação no mundo do trabalho. Trabajo y Educación en America Latina. (1994a) “Inovação tecnológica. L. CIID-CENEP. (1997). no. Londres. J. Pinter Publishers. Reconfigurando as Redes Institucionais: relações interfirmas.br/seminari. Campinas.22 DUBAR. M. Brasília: IPEA/IPLAN. Westport. “Reestruturação Produtiva e a Crise do Emprego: novos temas na negociação coletiva em São Paulo e em Minas Gerais. São Paulo. DPCT/IG/UNICAMP.). In: GITAHY. 8(1):144-153. C. Londres. novas metodologias e novas áreas de pesquisa”. Leda (organizadora). Gestão da Empresa: automação e competitividade. DPCT/IG/UNICAMP (julho. In: SOARES. G.). GALLIE. Commodity Chains and Global Capitalism. (1990). Frances Pinter. A. Claude. Sindicalismo e Negociação Coletiva nos anos 90. FARIA. L. R (org. R (org. vol.). GITAHY. A. GITAHY. Campinas. et alii (1981). FEA/USP. pp. FLEURY. (mímeo).

Iglu: Ildes: Labor. São Paulo: Cortez Editora.). Trabajo y Educación en America Latina. A. São Paulo: MTb: CESIT: Scritta.htm. M. "O Processo de Trabalho na Indústria Siderúrgica: uma tentativa de caracterização geral". 18-20 setembro. LEITE. e SCHUMANN. HIRATA.UNICAMP/USP. J. Trabalho. Novas Tecnologias e Novas Formas de Gestão da Mão-deObra”. Márcia. KERN. H. A Estrutura das Revoluções Científicas. dez. LOMBARDI. Leda (org. 28/05. “Os mundos do trabalho: convergência e diversidade num contexto de mudanças de paradigmas produtivos”. In: MENDONÇA. World Development. In: Technology and The Future of Work. R. (1997). Trabalho e Competências. Roque Aparecido da. (1991). LEITE. University of Goettingen. In: CASALI et alli (Orgs. Paulo. edição. no. edição. Seminário “Reestruturação Produtiva e Trabalho em Diferentes Cadeias Produtivas no Brasil: discussão teórico-metodológica”. Tempo e Espaço: Antigos desafios que se atualizam em novas abordagens. vol. In: Seminário Interdisciplinar Padrões Tecnológicos e Políticas de Gestão: processos de trabalho na indústria brasileira. (1994). Continuidade ou Mudança de Rumo? O Modelo Alemão de Produção na Encruzilhada.sociologiausp. (1978). J. UNICAMP. 1993.). (mímeo). São Paulo. Estudos Avançados. Ideologias e Ciência Social: elementos para uma análise marxista. 53-62. (1988). In: LEITE. Jorge et alli (1994). M. nº 21. Universidade de S. Qualificação e Formação Profissional. LEITE. e NEVES. Condição Pós-moderna. LEITE. São Paulo. In: SILVA. Relações de Trabalho e Práticas de Resistência. M. Sessão: Automação nas Indústrias de Fluxo Contínuo. 112p. CIID-CENEP. M. pp. 5a. p. (Orgs. (1995). (1994). (1994b). KERN. Sobre o Modelo Japonês: automatização. “Tecnologia Moderna e Relações de Trabalho Conservadoras: a contradição brasileira?”. novas formas de organização e de relações de trabalho: São Paulo. novas metodologias e novas áreas de pesquisa”. Mundo do Trabalho: crise e mudança no final do século. “Reestruturação Produtiva. São Paulo: Editora Perspectiva. p. 1ª sessão do Ciclo de Seminários Temáticos Interdisciplinares “Os Estudos do Trabalho: novas Problemáticas. (1989). Disponível na internet: http://www. Modernização Tecnológica. CEBRAP/USP/UNICAMP. Reestructuración Productiva. In: LEITE. “Modernização Tecnológica e Relações Industriais no Brasil: o quadro atual”. e LEITE. D. Edições Loyola. EDUSP. LÖWY. (1994a). M. Paris : MSH.br/seminari. 04. (1999). La fin de la division du travail? : la rationalisation dans la production industrielle. 189-217. Goettingen. H. M. 45-76p. . São Paulo. “ Cadeias.8. H. LEITE. et alli (Orgs. (1989). Empregabilidade e Educação. Rio de Janeiro. e SCHUMANN.23 GRAMSCI. C.). KUHN. O Trabalho em Movimento: reestruturação produtiva e sindicatos no Brasil. 151-161p. M. SP: IG/UNICAMP. M. São Paulo/Rio de Janeiro: ALAST. Buenos Aires: RED. GUIMARÃES. São Paulo: EDUC/RHODIA. M. HUMPHREY. (1993). Ano III. H. (1997). 417p. São Paulo. São Paulo: Papirus Editora. (1998). Helena. Texto apresentado no Seminário “Produção Flexível e Novas Institucionalidades na América Latina”. KERN. maio/dezembro. HIRATA. complexos e qualificações”.. (199?).). In: Anais do Seminário Internacional Educação Profissional. N. e SCHUMANN. In: MATTOSO. In: Contemporaneidade e Educação. “Competências e Divisão Social do Trabalho no Contexto de Novos Paradigmas Produtivos”. M. 1/95. (1989). Reestruturação Produtiva e Condições de Trabalho: percepções dos trabalhadores. M. e SILVA. J. 3a. “Reestruturação Produtiva e Sindicatos: o paradoxo da modernidade. HUMPHREY. MALAGUTI. GUERRA FERREIRA. (1998). 109-122. T. H. maio de 1994. HARVEY. Campinas. (1997). e RIZEK. M. 420p. M. Industrial Reorganization in Developing Countries: Grom Models to Trajectories.). “New Concepts of Production and the Emergence of the Systems Controller”. M. A gestão de mão-de-obra e os sistemas de produção no Terceiro Mundo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. M. (1994). “Teoria da Regulação: dialogando com Karl Marx”. (1990). special issue on industrial reestructuring. Competitividade e Trabalho na Cadeia Automotiva Brasileira. Instituto de Estudos Avançados. Cartas do Cárcere. HIRATA. C. (Org. LEITE. Rio de Janeiro: CIET/SENAI. In: GITAHY.

). Editora Moraes: São Paulo. M. ano 03. MARX. MATTOSO. Campinas. pp. (1991) “Trabalho e Inovação Tecnológica: os trabalhadores petroquímicos paulistas nos anos 80”. deskilling and the labour process. In: SCHMITZ. A. dissertação de mestrado. H. (1994). e CARVALHO NETO. Paris: L. Sindicalismo e Negociação Coletiva nos anos 90. (1969). Jorge et alli (1994).). “Os dilemas do Movimento Sindical em face da Terceirização”. São Paulo. (1994). Phillipe (1999). eficiência coletiva e emprego em dois clusters da indústria brasileira”. TANGUY. Reestructuración Productiva. M. (1987). Montevideo: Cinterfor.J. e CARVALHO.D. (1981). P. Vitória: Editora FCAA. A. 67-93.). “A Crise das Relações de Trabalho”. Automação. R. A. SCHMITZ. (1994). Elaine.24 Crise ou Regulação: ensaios sobre a Teoria da Regulação. (Orgs. In: Anais do Seminário Internacional Educação Profissional. Maio/junho. M. nº 269. 216p. Iglu/Ildes/Labor. e LEITE. A (sous la direction de). In: GITAHY. edited by Stephen . (1984). “Eventos. 15-24 ZILBOVICIUS. e CARVALHO. RACHID. M. e VARGAS. “Reestruturação Sócio-econômica. RUAS. C. In: SILVA. “Mercado de Trabalho e Exclusão Social da Força-de-Trabalho Feminina”. São Paulo: Hucitec: CEDI/NETS. H. (1998).).). Flávio e Antunes. Ruy (orgs.). C. MARTINS. “Autonomia e Organização do Trabalho: o caso da indústria siderúrgica”. P. (1988). Rabelo. (1998). R. In: ABRAMO. Adaptação das Empresas e Gestão do Trabalho”. POSTHUMA. MEIRELES FILHO. p. Relações de Trabalho e Práticas de Resistência. In: In: NABUCO. J. (1994). ZARIFIAN. R. (1994). A. In: Tempo e Presença. Définitions et usages de la notion des compétences. Sindicalismo e Negociação Coletiva nos anos 90. Le travail en perspectives. DPCT/IG/UNICAMP. 21-30p. M. ZARIFIAN. A. (1998).C. e CARVALHO NETO. A gestão da e pela competência. Campinas. Leda. Capítulo VI Inédito de O Capital: Resultados do Processo de Produção Imediata. El modelo de competencia y los sistemas productivos. (1999). Competitividade e Trabalho: a experiência internacional. José R. (1998). J.). PIORE. Márcia. Editora Ciências Humanas: São Paulo. Terceirização: diversidade e negociação no mundo do trabalho. In: CARVALHO NETO. In: NABUCO. Relações de Trabalho Contemporâneas. O Brasil Imita o Japão? A qualidade em empresas de autopeças. A. (1993). 2ª edição. “O Mundo do Trabalho em Mudança”. In: CARVALHO NETO. e NEVES. (1997). 06. S. (1998). Trabalho e Competências. no. (1994). (1994). Hubert e CARVALHO. Roque Aparecido da. “Reestruturação Produtiva”. e SABEL. RUAS. POCHMANN. (orgs. Belo Horizonte: Instituto de Relações do Trabalho da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. SINGER. R. Rio de Janeiro: CIET/SENAI. Lições sobre o Capítulo VI (Inédito) de Marx. SECOLI. New York: Basic Books. pp. “O Novo e o Inseguro Mundo do Trabalho nos Países Avançados”. In: Revista Latinoamericana de Estudios del Trabajo. In: In: MARTINS.G. Organização do Trabalho: uma abordagem interdisciplinar. 63-82p. SP: IG/UNICAMP. H. pp. L. RIZEK. ZARIFIAN. São Paulo: MTb: CESIT: Scritta. (CEDI). A. 05-45. C. São Paulo/Rio de Janeiro: ALAST. T.. A. e RAMALHO. São Paulo/Rio de Janeiro: ALAST.). Trabajo y Educación en America Latina. (orgs. CIID-CENEP. In: FLEURY. Modernização Tecnológica. J. 545-562. Ano 15. De l´évaluation des postes de travail à celle des qualités des travailleurs. (Orgs. Buenos Aires: RED. Lucie. Belo Horizonte: IRT/PUCMINAS. In: Supiot. (Orgs. P. Trabalho. (orgs. e ABREU. Belo Horizonte: IRT/PUCMINAS. São Paulo: Atlas. e MARX. (Orgs. N. The Second Industrial Divide: possibilities for prosperity. Editora Hucitec: São Paulo. Belo Horizonte: Instituto de Relações do Trabalho da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. “Automação Microeletrônica e Trabalho: a experiência internacional”. The Degradation of Work? Skill. In: LEITE. R. RAMALHO. In: MATTOSO. “Terceirização e Prática Social”. autonomia e ‘enjeux’ na organização industrial”. Mundo do Trabalho: crise e mudança no final do século. M. NAPOLEONI. Leda (organizadora). (1982). Gênero e Trabalho na Sociologia Latino-Americana. (1999). pp. Relações de Trabalho Contemporâneas. Gitahy. WOOD. “Reestruturação Produtiva e Crise do Emprego: nos temas para negociações coletivas”. “Relações Interfimas. M. Qualificação e Formação Profissional. K.131-174. 169p. 173p.

S. London: Unwin Hyman. In: WOOD. 4a. The Transformation of Work? Skill. (1989). reedição. 89. S. London : Hutchinson. WOMACK. . J. WOOD. A máquina que mudou o mundo. “The Transformation of Work?”. et alli (1992). (Ed.25 Wood. Rio de Janeiro: Editora Campus. Flexibility and the Labour Process.).

Master your semester with Scribd & The New York Times

Special offer for students: Only $4.99/month.

Master your semester with Scribd & The New York Times

Cancel anytime.