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TÉCNICAS DE LIBERAÇÃO MIOFACIAL NA OSTEOARTROSE DE JOELHO – ESTUDO DE CASO

INTRODULÇÃO

Marcos Maciel Soares e Silva – NOVAFAPI Marcelo Sousa Maia – NOVAFAPI Náyra de Macedo Batista - FACID Ana Vanisse de Melo Gomes - NOVAFAPI

A população brasileira passa por um processo de envelhecimento que vem ocorrendo de forma rápida desde a década de 60. Inúmeros fatores têm sido determinantes para este processo, dentre eles, podemos destacar as condições de maior sobrevida e as mudanças sociais, tais como, as migrações para os grandes centros urbanos, a aposentadoria e as alterações na estrutura familiar (PAPALÉO, 1997).

O crescimento populacional é resultante natural do somatório de numerosos fatores

que associadamente confluem para exercer efeito decisivo sobre o aumento da expectativa de vida, que está intimamente vinculada à melhora das condições de vida, de educação e de atenção à saúde. Desta forma, o cuidado com essa população tem se tornado um assunto de grande interesse para todos os profissionais de saúde e para a sociedade em geral (PAPALÉO, 1997; CALKINS, 1997).

A osteoartrose é a doença articular mais comum em todo mundo. Por ser uma

patologia degenerativa, tende ao aumento de sua prevalência em função da maior longevidade da população observada desde o final do século passado (LIMA, 2003). É definida como uma doença articular degenerativa, caracterizada pela destruição da cartilagem articular. O dano à cartilagem é acompanhado por uma menor capacidade de transmitir e absorver os choques por parte dos ossos subcondral e trabecular, o que reduz a capacidade da articulação em suportar as forças de sobrecarga. Essa condição representa um insulto adicional para a cartilagem articular, resultando em falha da cartilagem e morte

dos condrócitos. O dano tecidual acarreta a liberação de enzimas proteolíticas e uma inflamação sinovial de baixo grau. Se for crônica a inflamação pode evoluir para fibrose da cápsula articular, o que limita o movimento e agrava a patologia articular. A formação do osso hipertrófico, nas margens articulares resulta em deformidade articular e dor (HALL,

2001).

A osteoartrose pode ser dividida em duas grandes classes: primária e secundária. A

osteoartrose primária ou idiopática apresenta manifestações clínicas em idade mais avançada e não tem causa aparente. A osteoartrose secundária tem início relativamente precoce e se associa a uma causa identificável como lesão traumática, anormalidades de desenvolvimento e outros (SILVA, 2002). Clinicamente os sintomas da osteoartrose são: dor, rigidez articular, derrame, sinovite, deformidades e crepitação. Como a cartilagem é um tecido sem inervação, a dor pode ocorrer por distensão da cápsula por hipertensão intra-articular, distensão periosteal por hipertensão intra-óssea, micro-fraturas subcondrais, entesites e bursites associadas. A dor pode ser noturna, protocinética e associada a movimentos, quando houver entesopatias

associadas. O diagnóstico é essencialmente clínico, sendo que a melhor forma de se avaliar

a gravidade da lesão articular é através da radiografia (LIMA, 2003). A fáscia tem sido descrita como o tecido mais penetrante no corpo, representando uma rede tridimensional da cabeça aos pés (MANHEIM, 2001). O Tecido fascial liga e percorre todo o corpo, as áreas mais espessas transmitem tensão em muitas direções, e sua influência é sentida em pontos distantes, sendo que, qualquer parte da estrutura fascial deformada ou distorcida, pode haver a imposição de tensões negativas em aspectos distantes, e nas estruturas que ela divide, envolve, enreda e suporta, e com a qual se conecta, assim, a congestão ou mau funcionamento de um órgão interno serão sentidos como uma dor localizada, às vezes bastante forte sob pressão da superfície, mesmo num ponto distante da sua origem (ROLF, 1999). Manheim divide a fáscia em superficial e profunda. A fáscia superficial é um emaranhado solto de tecido fibroelástico conectado à face interna da pele, provendo constante feedback consciente e inconsciente ao sistema nervoso central. A fáscia profunda varia em densidade e é responsável pela compartimentalização do corpo separando e envolvendo órgãos viscerais. Epimísio, perimísio e endomísio representam folhas fasciais contribuindo para a eficiência no desenvolvimento de tensão muscular. Músculos e fáscia são funcionalmente ligados combinando as propriedades de tecidos contráteis e não-contráteis. Mecanismos reflexos também contribuem com a função e desenvolvimento neural via receptores na fáscia subcutânea, pele e tecidos conectivos (MANHEIM, 2001). Pelas suas expansões a aponeurose superficial envolve profundamente todo o sistema contrátil muscular, é um envoltório funcional. A massa visceral contida na cavidade abdominal encontra-se em perpétuo movimento

e há uma membrana que interliga todos os órgãos, o peritônio, que é formado pela fáscia

superficial. (BIENFAIT, 1999). O SNC é cercado pelo tecido fascial (dura-máter) que conecta-se ao osso do crânio, de forma que a disfunção desses tecidos pode ter efeitos profundos e disseminados. O Sistema Nervoso está ligado a tecidos e estruturas circundantes e são essenciais para amplitude de movimento normal do sistema nervoso (BUTLER, 2003). Este estudo de caso visa verificar a eficácia da liberação miofacial em paciente com osteoartrose de joelho em sua faze crônica, e despertar na comunidade de fisioterapia novas tendências de tratamento.

OBJETIVOS:

Geral:

Demonstrar a eficácia da liberação miofascial na osteoartrose de joelho

Específicos:

Evidenciar a melhora da sintomatologia dolorosa; Comprovar a melhora da função osteomioarticular; Promover a auto-estima do paciente.

METODOLÓGIA

Trata-se de uma pesquisa exploratória, do tipo estudo de caso, baseada na observação direta. A presente pesquisa foi realizada na clínica escola da faculdade NOVAFAPI, Teresina, Piauí. Para a comprovação dos resultados, foram utilizados para análise, dados goniométricos e a escala visual da dor. O processo de intervenção fisioterapêutica deste paciente fundamentou-se na utilização de técnicas de liberação miofascial nas regiões anterior, posterior, lateral e medial do complexo osteomioarticular do joelho direito, subdivididas em 10 atendimentos de 45 minutos cada. Ao fim de cada atendimento o paciente realizava alongamento da musculatura do membro inferior acometido. As técnicas de liberação miofacial fundamentam-se em que músculos e fáscias são funcionalmente ligados, combinando as propriedades de tecidos contráteis e não contráteis. Mecanismos reflexos também contribuem com a função e desenvolvimento neural via receptores na fáscia subcutânea, pele e tecidos conectivos. A liberação miofacial é aplicada pelas mãos do fisioterapeuta, utilizando a polpa digital, sempre seguindo o trajeto das fibras musculares envolvidas.

RESULTADOS

Após a realização das técnicas de liberação miofascial nas regiões lateral, medial, anterior e posterior do complexo mioarticular do joelho pode se observar, a diminuição da sintomatologia dolorosa ao nível da articulação do joelho, onde o paciente nos primeiros atendimentos referia grau 9 nas escala analógica da dor e após o último atendimento, não relatava mais dor. Com relação a amplitude de movimento articular pode se observar ganho de 10º tanto para a flexão, quanto para a extensão de joelho.

CONCLUSÃO

A osteoartrose é a doença mais comum nos ambulatórios fisioterapêuticos da especialidade, sendo responsável pela incapacidade laborativa de aproximadamente 15% da população adulta mundial. No Brasil ocupa o 3º lugar na lista dos segurados da Previdência Social, sendo apenas superada pelas doenças mentais e cardiovasculares, representando 65% das causas de incapacidade física (LIMA, 2003). Diante destes dados, surge a necessidade de divulgar novas tendências de tratamento fisioterapêutico, baseado nos princípios biomecânicos do corpo humano. As técnicas de liberação miofacial vêm a demonstrar mas um método fisioterapeutico utilizado para tratar o paciente em sua patologia crônica. Sendo assim, acredita-se que através de um tratamento fisioterapêutico orientado e bem elaborado pode-se promover a melhora da coordenação, da postura e desempenho muscular, que são os fatores que levam ao paciente a uma hipofuncionalidade e conseqüentemente ao sentimento de incapacidade e, sendo que esses são alguns dos fatores

responsáveis pelo alto índice de estado depressivo que os pacientes apresentam

As

técnicas de liberação miofascial apresentam suas evidências no contexto de que a osteoartrose é uma patologia que desestabiliza todo o complexo músculo-artricular da

articulação do joelho.

Com base nessa comprovação cientifica, pode se concluir que seus resultados benéficos sobre músculos e fáscias podem reduzir possíveis quadros álgicos, proporcionado bem estar físico ao paciente e melhorando sua qualidade de vida, além de despertar no campo da Fisioterapia novas tendências atuais de tratamento.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente estudo de caso, ira trazer uma serie de benefícios para a sociedade em primeiro lugar, alem de despertar na comunidade cientifica de fisioterapia, novas tendências de tratamento, utilizando técnicas não invasiva, utilizando apenas as mãos. Partindo do pressuposto que a osteoartrose é uma doença que, quando não tratada adequadamente, pode ser extremamente incapacitante, principalmente pelo quadro clínico que a patologia sugere, como: dor, edema, dificuldade de movimentação da região acometida, dificuldade progressiva de caminhar, subir e descer escadas, levando assim a uma limitação funcional. Surge assim a necessidade de divulgar novos métodos que possam ser úteis no tratamento desta patologia, e melhorando a qualidade de vida da população.

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICA

HALL, C. M. ;BRODY, L. T.; Exercício terapêutico na busca da função; Rio de Janeiro; Guanabara koogan; capítulo 11 , 186 – 200; 2001. KISNER, C.; Exercícios Terapêuticos – Fundamento e Técnicas ; Manole; 1ª ed.; São Paulo; 1998. LIMA, F.; Osteoartrose e Atividade Física; Saúde em Movimento; 2003. PAPALÉO, M; Gerontologia; São Paulo; Atheneu; 1996. PAPALÉO, M; CARVALHO, E. T; Geriatria: Fundamentos, clínicos e terapêuticos. São Paulo: Atheneu, 1994. MANHEIN, C. The Miofascial Release Manual. Thorofare, NJ: Editora Slack Incorporated; 2001. ROLF, I. P. Rolfing, a Integração das Estruturas Humanas. 2ª. Edição. São Paulo, SP: Ed. Martins Fontes, 1999. BIENFAIT, M. Estudo e tratamento do esqueleto fibroso. Fáscias e Pompagens. São Paulo, SP: Ed. Summus Editorial, 1999. BUTLER, D. Mobilização do Sistema Nervoso. Barueri, SP: Ed. Manole, 2003. Pág. 3 a 31.

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