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02/03/2010 - Dúvidas sobre o concurso do TCU

Olá pessoal!
Bom dia!
Voltei para continuar meu texto sobre o TCU após receber
vários e-mails com dúvidas sobre esse concurso. Aliás, esse
número superou minhas expectativas. Sorte que as
perguntas concentram-se mais ou menos nos mesmos
assuntos... Aproveito para comentar que não respondi os e-
mails diretamente, já que estarei comentando os principais
aspectos nesse texto.
Qualquer dúvida pontual não abordada, fique à vontade
para remeter novo e-mail.
Antes de começar gostaria de fazer o seguinte comentário.
Percebi que um grande grupo de interessados é formado de
concurseiros do último concurso de Fiscal da Receita
Federal. Portanto, é aquele pessoal que ainda não tem o
costume de estudar para a área de controle e gestão
pública.
Para esses quero dizer que eu também fui assim: estudava
para a receita federal e optei posteriormente a mudar de
foco e me concentrar no concurso do TCU. Sinceramente,
essa foi uma das decisões mais acertada que fiz como
concurseiro (até porque, o concurso da receita demorou
demais a sair, não é?).
Primeiro (e isso é muito pessoal) que a atividade do TCU
me cativou bastante, por ser realmente muito nobre, já que
representa a chamada fiscalização da despesa pública. O
recém desenvolvimento dessa atividade pública é sintoma
da própria maturidade da nossa república e da grande
evolução que têm sofrido nossas instituições.
Além disso, em termos de remuneração, a carreira no TCU
assemelha-se à da receita, apesar da diferença de que os
servidores do TCU não recebem por subsídio.
Por fim, antes de passar às perguntar propriamente ditas
quero comentar também sobre a atividade desempenhada
pelos servidores, questão recorrente em muitos e-mails que
recebi nas últimas semanas. E, para dizer a verdade, esse é
um aspecto interessantíssimo no TCU.
Aqui são desenvolvidos vários tipos de atividades
diferentes, aliás, alternando de uma secretaria para outra,
a sensação é que se trata de duas entidades
completamente diferentes.
Há fiscalização de obras, de concessões de serviços
públicos, de atos de pessoal, de contratos na área de TI, de
instituições financeiras estatais, de meio ambiente etc. Há
quem realize auditorias de desempenho em programas
governamentais, quem cuide das contas do governo, da
contabilidade governamental, da economia do setor
público, das renúncias de receitas. Sem falar ainda das
tomadas e prestações de contas, tomadas de contas
especiais etc. etc. etc.
Ou seja, não tem como o sujeito não encontrar algo que lhe
agrade. Portanto, pode vir que a Corte de Contas te
aguarda...

Perguntas e respostas:
1 – Só haverá vagas para Brasília? Tem TCU em
outros estados? Haverá vagas para a região Norte?
Haverá vagas para o Rio de Janeiro? E São Paulo?
Depois de quanto tempo você consegue
transferência para sua cidade natal (no meu caso,
sou de Salvador)?
Pois é. Infelizmente não tenho informações privilegiadas,
mas quem quer trabalhar no TCU tem de estar disposto a
vir para Brasília. Aliás, eu estabeleceria como exceção os
estados da região norte, para os quais geralmente se
abrem vagas (foi assim em 2007 e 2008).
Como palpite, eu acredito que no próximo concurso haverá
vagas apenas para Brasília e para a região norte.
Entretanto, há sim TCU em todas as capitais. Nesse caso,
há regionais maiores e menores. E para se conseguir
remoção para essas capitais tem de haver uma combinação
entre dois fatores: (i) a abertura de vagas no local de
interesse (geralmente decorrente de aposentadoria); e (ii)
que não haja ninguém na sua frente na lista de remoção.
Assim, é difícil dizer quanto tempo demora para que se
consiga retornar para determinada cidade natal. Por
exemplo, antigamente era muito difícil voltar ao Rio de
Janeiro. Entretanto, o TCU abriu mais uma secretaria
naquele estado. Assim, nos últimos concursos de remoção
sobraram vagas na cidade maravilhosa. Assim, acho que
não deve ser mais tão difícil conseguir remoção para lá, por
exemplo.
Já os concurseiros de outras capitais (como Salvador, Belo
Horizonte, São Paulo, Curitiba, Recife etc.) devem vir
preparados para passar alguns anos aqui em Brasília.
2 – Haverá vagas para Auditoria de Obras públicas?
Haverá vagas para Auditoria Governamental? Haverá
vagas para técnicos?
Bem, eu duvido muito que se repita o concurso de 2009 tão
cedo. Não me parece que o Tribunal irá selecionar mais
pessoal para trabalhar em fiscalização de obras públicas
depois desse último certame. Sendo assim, como
concurseiro, apostaria minhas fichas no edital de auditoria
governamental. Para o pessoal de obras, o concurso que
me parece mais provável no momento é o da CGU.
Quanto às vagas para técnico, infelizmente ainda não
temos informações sobre isso. Houve vagas em 2004, 2007
e 2009. Por outro lado, em 2008, por exemplo, não houve
vagas.
3 – Quando será o concurso? Haverá quantas vagas?
A banca será Esaf ou Cespe?
Quanto aos aspectos relacionados ao próximo concurso,
sugiro que os candidatos leiam a entrevista realizada pelo
prof. Vicente Paulo com os dirigentes do TCU:
http://www.andacon.org.br/interna.asp?
codigo=29&PN=1&codOpt=5&FctIntervalo=10
Segundo a entrevista (realizada no final de 2009),
permanece a intenção do Tribunal de continuar a
realizando concursos anuais. E o melhor: com edital em
abril.
Aliás, há uma resolução do Tribunal que determina essa
periodicidade anual:
“Art. 8º. A realização de concurso público, observada a
dotação orçamentária e a existência de vagas no quadro de
pessoal, bem como o interesse da Administração, é anual,
com a publicação do edital de abertura de inscrições
no mês de abril, salvo quando o Comitê de Gestão de
Pessoas, em caráter excepcional e mediante decisão
motivada, deliberar de forma diversa.” (Resolução nº 202,
de 6 de junho de 2007).
Quanto ao número de vagas, segundo a entrevista, já
existem 40 cargos vagos.
No que tange à banca, ainda é cedo para termos certeza.
Mas, sinceramente, eu estudaria para a prova do Cespe.
Parece que os últimos concursos agradaram, além do que,
estudando para o Cespe, você se prepara para qualquer
outra banca.
Ou seja, eu, como concurseiro, até novas notícias, me
prepararia para um concurso realizado pelo Cespe, com
edital em abril e número de vagas menor que o do último
concurso.
4 – Em outro texto, você disse que o MPOG e a CGU
podem ser estudadas em conjunto, pois as matérias
são muito parecidas. Isso serve também para o TCU?
Por que você saiu da CGU para ir para o TCU? Em
qual lugar – status – na Administração Pública estão
os órgãos acima?
Bem, eu considero que nesse momento, você pode estudar
para a área de controle e gestão, que envolve as
matérias comuns entre esses concursos: MPOG, CGU e TCU.
De qualquer forma, é bom observar que o concurso do
MPOG passou. Então, restaria CGU e TCU.
As matérias são bem semelhantes, mas as bancas distintas.
Enquanto a CGU faz concurso pela Esaf, o TCU tem feito
pelo Cespe.
Quanto à escolha de qual órgão é melhor, isso vai depender
de cada pessoa. Eu preferi vir para o TCU e não me
arrependo, mas no concurso de 2009, por exemplo, tem
gente que preferiu não deixar a CGU para vir para o
tribunal.
O importante é que, sem dúvidas, esses órgãos estão no
topo da Administração Pública (estão entre os melhores
concursos, excluídos os da área jurídica). Trabalhando em
um desses cargos você estará: (i) num órgão de extrema
importância para o país; (ii) dispondo de boa estrutura para
trabalhar; e (iii) recebendo uma ótima remuneração para
desempenhar suas obrigações.
5 – Há possibilidade de se lecionar no Instituto de
treinamento do TCU?
Sim. No TCU há essa e várias outras oportunidades.
6 – É permitido à CGU e ao TCU nomear servidores a
qualquer tempo durante o ano eleitoral?
Sim. Esses órgãos, pela relevância da natureza das
atividades que desempenham, estão fora da restrição de
nomeação a que a pergunta se refere. Veja
(http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9504.htm):
“Art. 73. São proibidas aos agentes públicos, servidores ou
não, as seguintes condutas tendentes a afetar a igualdade
de oportunidades entre candidatos nos pleitos eleitorais:
(...)
V - nomear, contratar ou de qualquer forma admitir, demitir
sem justa causa, suprimir ou readaptar vantagens ou por
outros meios dificultar ou impedir o exercício funcional e,
ainda, ex officio, remover, transferir ou exonerar servidor
público, na circunscrição do pleito, nos três meses que o
antecedem e até a posse dos eleitos, sob pena de nulidade
de pleno direito, ressalvados:
a) a nomeação ou exoneração de cargos em comissão e
designação ou dispensa de funções de confiança;
b) a nomeação para cargos do Poder Judiciário, do
Ministério Público, dos Tribunais ou Conselhos de
Contas e dos órgãos da Presidência da República;”
7 – Queria saber se uma pessoa como eu tem
condições passar.
Poxa, que pergunta é essa? Com certeza, em qualquer
concurso público tem aprovado de todas as formas: a
grande maioria trabalha, muitos são casados, muitos têm
filhos, problemas diversos etc. etc. etc. Ou seja, por
dificuldades todos passam. O que não pode é achar que
isso vai te atrapalhar. Do contrário, atrapalha mesmo...
É como um amigo disse à noiva quando estudava para o
TCU: “Se você acha que ninguém passa trabalhando 8-10
h/dia na iniciativa privada, anote aí que eu vou ser o
primeiro caso...” E ele passou mesmo.
8 – Há previsão para o lançamento dos cursos
voltados para o TCU no site do Ponto?
Sim, há. Alguns já estão anunciados no site. Em direito
constitucional, peço que aguardem mais uns dias para
fazerem um teste na aula zero que disponibilizaremos.
Ademais, com a proximidade do concurso, outros cursos
ainda serão lançados.
Pessoal, decidam com calma se querem ou não estudar
para esse concurso. Sei que a batalha não será fácil, mas a
recompensa é gratificante. Isso eu posso garantir!
Aguardo você na Corte de Contas Federal!
Um grande abraço – e bons estudos!
Frederico Dias