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Energia nuclear 1

Energia nuclear
Energia nuclear é a energia liberada numa reação
nuclear, ou seja, em processos de transformação de
núcleos atômicos. Alguns isótopos de certos elementos
apresentam a capacidade de se transformar em outros
isótopos ou elementos através de reações nucleares,
emitindo energia durante esse processo. Baseia-se no
princípio da equivalência de energia e massa
(observado por Albert Einstein), segundo a qual
durante reações nucleares ocorre transformação de
massa em energia. Foi descoberta por Hahn, Straßmann
e Meitner com a observação de uma fissão nuclear
depois da irradiação de urânio com nêutrons.
Uma usina de energia nuclear. Vapor não-radioativo sai das torres de
A tecnologia nuclear tem a finalidade de aproveitar a resfriamento.
energia nuclear, convertendo o calor emitido na reação
em energia elétrica. Isso pode acontecer controladamente em reator nuclear ou descontroladamente em bomba
atômica. Em outras aplicações aproveita-se da radiação ionizante emitida.

Tipos de reações nucleares


A reação nuclear é a modificação da composição do núcleo atômico de um elemento, podendo transformar-se em
outro ou outros elementos. Esse processo ocorre espontaneamente em alguns elementos. O caso mais interessante é a
possibilidade de provocar a reação mediante técnicas de bombardeamento de nêutrons ou outras particulas.
Existem duas formas de reações nucleares: a fissão nuclear, onde o núcleo atômico subdivide-se em duas ou mais
partículas; e a fusão nuclear, na qual ao menos dois núcleos atômicos se unem para formar um novo núcleo.

Exemplo
Apenas um exemplo das mais de 100 possíveis fissões de urânio-235: Urânio captura um nêutron, torna-se instável e
fraciona em bário e criptônio com emissão de dois nêutrons.

Com esta reação Hahn e Straßmann demonstraram a fissão em 1938 através da presença de bário na amostra, usando
espectroscopia de massa.

História
Ernest Rutherford, ao descobridor do núcleo atômico, já sabia que esses poderiam
ser modificados através de bombardeamento com partículas rápidas. Com a descoberta do nêutron ficou claro que
deveriam existir muitas possibilidades dessas modificações. Enrico Fermi suspeitava que o núcleo ficaria cada vez
maior acrescentando neutrons. Ida Noddack foi a primeira a suspeitar que "durante o bombardeamento de núcleos
pesados com nêutrons, esses poderiam quebrar em pedaços grandes, que são isótopos de elementos conhecidos, mas
não vizinhos dos originais na tabela periódica"
A fissão nuclear foi descoberta por Otto Hahn e Fritz Straßmann em Berlim-1938 e explicada por Lise Meitner e
Otto Frisch (ambos em exílio na Suécia) logo depois, com a observação de uma fissão nuclear depois da irradiação
de urânio com nêutrons.
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A primeira reação em cadeia foi realizada em dezembro de 1942 em


um reator de grafite de nome Chicago Pile 1 (CP-1), no contexto do
projeto "Manhattan" com a finalidade de construir a primeira bomba
atômica, sob a supervisão de Enrico Fermi na Universidade de
Chicago.

Tipos de reatores

Reatores de fissão
Existem vários tipos de reatores, reatores de água leve (ingl. Light
Water reactor ou LWR), reatores de água pesada (ingl. Heavy Water
Reactor ou HWR), reator de rápido enriquecimento ou "reatores
incubadores" (ingl. Breeder reactor) e outros, dependendo da
substância moderador usada. Um reator de rápido enriquecimento gera
Otto Hahn e Lise Meitner no laboratório
mais material físsil (combustível) do que consome. A primeira reação
em cadeia foi realizada num reator de grafite. O reator que levou o
acidente nuclear de Chernobyl também era de grafite. A maioria dos reatores em uso para geração de energia elétrica
no mundo são do tipo água leve. A nova geração de usinas nucleares, denominada G3+, incorpora conceitos de
segurança passiva, pelos quais todos os sistemas de segurança da usina são passivos, o que as tornam
intrínsecamente seguras. Como reatores da próxima geração (G4) são considerados reatores de sal fundido ou MSR
(ingl. molten salt reactor). Ainda em projeto conceitual, será baseada no conceito de um reator de rápido
enriquecimento.

Reatores de fusão
O emprego pacífico ou civil da energia de fusão está em fase experimental, existindo incertezas quanto a sua
viabilidade técnica e econômica.
O processo baseia-se em aquecer suficientemente núcleos de deutério até obter-se o estado plasmático. Nesse estado,
os átomos de hidrogênio se desagregam permitindo que ao se chocarem ocorra entre eles uma fusão produzindo
átomos de hélio. A diferença energética entre dois núcleos de deutério e um de hélio será emitida na forma de
energia que manterá o estado plasmático com sobra de grande quantidade de energia útil.
A principal dificuldade do processo consiste em confinar uma massa do material no estado plasmático já que não
existem reservatórios capazes de suportar as elevadas temperaturas a ele associadas. Um meio é a utilização do
confinamento magnético.
Os cientistas do projeto Iter, do qual participam o Japão e a União Européia, pretendem construir uma central
experimental de fusão para comprovar a viabilidade econômica do processo como meio de obtenção de energia.

Bomba atômica
As bombas nucleares fundamentam-se na reação nuclear (i.e. fissão ou fusão nuclear) descontrolada e por tanto
explosiva.
A eficácia da bomba atômica baseia-se na grande quantidade de energia liberada e em sua toxicidade, que apresenta
duas formas: radiação e substâncias emitidas (produtos finais da reação e materiais que foram expostos à radiação),
ambas radioativas. A força da explosão é de 5 mil até 20 milhões de vezes maior, se comparada a explosivos
químicos. A temperatura gerada em uma explosão termonuclear atinge de 10 até 15 milhões de graus Celsius no
centro da explosão.
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Na madrugada do dia 16 de julho de 1945, ocorreu o primeiro teste nuclear da história, realizado no deserto de
Alamogordo, Novo México, o chamado Trinity test.
O segundo, empregado pela primeira vez para fins
militares durante a Segunda Guerra Mundial, foi na
cidade japonesa de Hiroshima e o terceiro, na cidade de
Nagasaki. Essas explosões mataram ao todo cerca de
155.000 pessoas imediatamente, além de 110.000
pessoas morrerem durante as semanas seguintes, em
consequência dos efeitos da radioatividade. Além disso,
suspeita-se que até hoje mais 400.000 morreram devido
as efeitos de longo prazo da radioatividade [1]

As bombas termonucleares são ainda mais potentes e


fundamentam-se em reações de fusão de hidrogênio
ativadas por uma reação de fissão prévia. A bomba de
fissão é o ignitor da bomba de fusão devido à elevada
temperatura para iniciar o processo da fusão.

Toxicidade de radioativos
A toxicidade baseia-se na radiação emitida pelas
substâncias envolvidas na reação nuclear. Assim, tanto
o material utilizado, quanto todo entorno serão fonte de A explosão de Trinity

radioatividade e, portanto, tóxicos.


Curiosidade
A descobridora da radiação ionizante, Marie Curie, sofreu envenenamento radioativo, em 1898, por manipular
materiais radioativos levando a inflamação nas pontas dos dedos e no final da vida ela sofreu e morreu de leucemia.

Aplicação civil
A fissão nuclear do urânio é a principal aplicação civil da energia nuclear. É usada em centenas de centrais nucleares
em todo o mundo, principalmente em países como a França, Japão, Estados Unidos, Alemanha, Brasil, Suécia,
Espanha, China, Rússia, Coreia do Norte, Paquistão e Índia, entre outros.
A percentagem da energia nuclear na geração de energia mundial é de 6,5 % (1998,UNDP) e de 16 % na geração de
energia elétrica. No mês de janeiro 2009 estavam em funcionamento 210 usinas nucleares em 31 países com ao todo
438 reatores produzindo a potência elétrica total de 372 GW.
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País Em funcionamento Desligado Em construção Geração de


energia elétrica

Nú- Potência Potência Nú- Potência Potência Nú- potência Potência 2006 Percen-
mero líquida brutta mero líquida brutta mero líquida brutta em TWh tagem
em em em em em em em %
MW MW MW MW MW MW

Argentina 2 935 1.005 – – – 1 692 745 6,9 7

Armênia 1 376 408 1 376 408 – – – 2,4 42

Bélgica 7 6.092 5.801 1 11 12 – – – 44,3 54

Brasil 2 1.901 2.007 – – – 1 1.405 1.500 13,8 3

Bulgária 2 1.906 2.000 4 1.632 1.760 2 1.906 2.000 18,1 44

China 11 8.587 9.078 – – – 5 4.220 4.534 54,8 2

Alemanha 17 20.425 21.452 19 5.944 6.337 – – – 158,7 26

Finlândia 4 2.676 2.780 – – – 1 1.600 1.720 22,0 20

França 59 63.363 66.130 11 3.951 4.098 1 1.600 1.650 428,0 78

Índia 17 3.732 3.900 – – – 6 2.910 3.160 15,6 3

Irã – – – – – – 1 915 1.000 – –

Itália – – – 4 1.423 1.472 – – – – –

Japão 56 47.593 49.580 4 566 624 1 866 912 291,5 30

Canadá 18 12.584 13.360 – – – 7 3.046 3.243 92,4 16

Cazaquistão – – – 1 52 90 – – – – –

Lituânia 1 1.185 1.300 1 1.185 1.300 – – – 8,7 70

México 2 1.360 1.364 – – – – – – 10,4 5

Holanda 1 482 515 1 55 58 – – – 3,3 4

Paquistão 2 425 462 – – – 1 300 325 2,5 3

Romênia 2 1.310 1.412 – – – – – – 5,2 9

Rússia 31 21.743 23.242 5 786 849 7 4.585 4.876 144,3 16

Suécia 10 8.916 9.275 3 1.210 1.242 – – – 65,0 48

Suiça 5 3.220 3.372 – – – – – – 26,3 37

Eslováquia 5 2.034 2.200 2 518 584 – – – 16,6 57

Eslovênia 1 666 730 – – – – – – 5,3 40

Espanha 8 7.450 7.728 2 621 650 – – – 57,4 20

África do Sul 2 1.800 1.888 – – – – – – 10,1 4

Coreia do Sul 20 16.810 17.716 – – – 4 3.800 4.000 141,2 39

Taiwan 6 4.884 5.144 – – – 2 2.600 2.700 37,0 22

Rep. Tcheca 6 3.538 3.742 – – – – – – 24,5 32

Ucrania 15 13.107 13.835 4 3.500 3.800 2 1.900 2.000 84,8 48

Hungria 4 1.755 1.866 – – – – – – 12,5 38

E.U.A. 104 99.210 105.664 28 9.764 10.296 1 1.165 1.218 787,2 19

Reino Unido 19 10.982 11.902 26 3.324 3.810 – – – 69,2 19


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Mundo 440 371.047 390.858 117 34.918 37.390 42 32.105 34.083 2.660 17

Vantagens da energia nuclear


A principal vantagem da energia nuclear obtida por fissão é a não utilização de combustíveis fósseis. Considerada
como vilã no passado, a Energia Nuclear passou gradativamente a ser defendida por ecologistas de renome como
James E. Lovelock por não gerarem gases de efeito estufa. Estes ecologistas defendem uma virada radical em
direção à energia nuclear como forma de combater o aquecimento global.

Desvantagens da energia nuclear


Residuos radioativos (pop.: Lixo atômico)
Considere-se que apenas uma quantidade de 300 gramas de Plutônio 239 finamente espalhada pelo globo terrestre
levaria a extinção da população humana ao longo prazo. Em um ano, um reator nuclear de 1200 MW produz 265 kg
desse material, que tem 24.000 anos de meia-vida.

Acidentes
O acidente no reator de Chernobyl (ex-URSS) contaminou radioativamente uma área de aproximadamente 150.000
km² (corresponde mais de três vezes o tamanho do estado do Rio de Janeiro), sendo que 4.300 km² possuem accesso
interditado indefinidamente. Até 180 quilômetros distantes do reator situam-se áreas com uma contaminação de mais
de 1,5 milhões de Becquerel por km², o que as deixa inabitáveis por milhares de anos.

Segurança
A Organização Mundial de Energia Nuclear alertou que terroristas podiam comprar resíduos radioativos, por
exemplo de países da ex-URSS ou de países com ditaturas que usam tecnologias nucleares, tais como Irã ou
Coreia-Norte, e construir uma chamada "bomba suja".
O quão fácil é desviar materiais altamente radioativos é demonstrado pelo exemplo do acidente radiológico de
Goiânia, no Brasil em 1987, onde foi furtada uma pedra de sal de cloreto de Césio-137, um isótopo radioativo, de um
hospital abandonado.

Gases de estufa
A produção de gases de estufa de uma usina núclear comum está de 3 a 6 vezes maior comparada com a energia
hídrica e éolica, considerando o processo todo necessário para operá-la. (A produção de gases de estufa de uma usina
de carvão tem um fator de 80.)

Literatura
• Gaynor Sekimori: Hibakusha: Survivors of Hiroshima and Nagasaki. Kosei Publishing Company, Japan 1986,
ISBN 4-333-01204-X
• Takeshi Ohkita: Akute medizinische Auswirkungen in Hiroshima und Nagasaki, in: Eric und Susanna Chivian u.a.
(Hrsg.): Last aid. Die medizinischen Auswirkungen eines Atomkrieges. Heidelberg 1985
• Robert P. Newman: Truman and the Hiroshima Cult. Michigan State University Press, 1995
• Tania Malheiros: Brasil: a bomba ocultua - O programa nuclear brasileiro, Editora: Gryphus, 1993, 164 páginas
• Antônio D. Machado e Ennio Candoti (coord.): Energia Nuclear e Sociedade - Um debate,Editora: Paz e Terra,
1980, 322 páginas,
• Gláucia Oliveira da Silva: Angra I e a melancolia de uma era - Um estudo sobre a construção social do risco,
Editora: EdUFF, 1999, 284 páginas
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Ver também
• Acidente nuclear de Chernobyl
• Centrais nucleares
• Reatores nucleares
• Fissão nuclear
• Bomba atômica
• Bomba H
• Radioatividade
• Reações nucleares
• Fusão nuclear
• Tokamak
• International Thermonuclear Experimental Reactor
• Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto

Ligações externas
• Energia Nuclear [2]
• Conselho de Segurança Nuclear da Espanha [3]
• Projeto Iter [4]

Referências
[1] Tabela da Nagasaki University School of Medicine (http:/ / www-sdc. med. nagasaki-u. ac. jp/ n50/ disaster/ Deathnum. gif).
[2] http:/ / www. biodieselbr. com/ energia/ nuclear/ index. htm
[3] http:/ / www. csn. es
[4] http:/ / www-fusion. ciemat. es/ fusion/ iter/ ITER. html
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