7ª Jornadas Técnicas Internacionais de Resíduos

UTILIZAÇÃO DA BIOMASSA RESIDUAL NA PRODUÇÃO DE
BIOCOMBUSTÍVEIS
Nídia S. CAETANO (1); Teresa M. MATA (2)

RESUMO
A biomassa residual tem sido tradicionalmente depositada em aterros ou queimada em
caldeiras mas, cada vez mais é vista como uma fonte de matérias-primas para a produção
de biocombustíveis. Na verdade, entre outros constituintes, a biomassa residual contém
hidratos de carbono e/ou gorduras que podem ser usados na produção de bioetanol e
biodiesel, respectivamente. Neste trabalho será demonstrado o potencial de alguns resíduos
comuns, provenientes das actividades industrial e doméstica, chamando a atenção para as
principais questões tecnológicas que podem contribuir para o sucesso ou insucesso da
valorização da biomassa residual através da produção de biocombustíveis. Assim, neste
trabalho foram testados diversos materiais lenho-celulósicos, tendo em vista a produção de
bioetanol: 1) Uma mistura de resíduos de madeira pré-tratada com H2SO4; e 2) outros
materiais residuais (um resíduo orgânico proveniente de uma central de compostagem,
borras de café e drêche cervejeira) submetidos a um pré-tratamento alcalino. O produto do
pré-tratamento foi hidrolisado por acção de enzimas a açúcares simples (principalmente
glucose, xilose e arabinose), uma parte dos quais foi fermentado a bioetanol por acção da
levedura Saccharomices cerevisiae. Por outro lado, das borras de café foi extraído e
recuperado o óleo, assim como também foi recuperado o óleo dos resíduos de peixe. Estes
óleos, bem como sebo bovino, banha de porco e gordura de frango recolhidos em
matadouros foram processados a biodiesel. Para além disso, foi também possível recuperar
a gordura das operações de descarna de curtumes e posteriormente processá-la a
biodiesel, com um potencial económico interessante, comparativamente aos óleos vegetais.

Palavras-chave: biocombustível; biodiesel,
gorduroso; resíduo lenho-celulósico.

(1)

bioetanol;

biomassa

residual;

resíduo

Doutor Engª Química, Prof. Coordenador, DEQ/ISEP/IPP, Rua Dr. António Bernardino de Almeida,
4200-072 Porto, Portugal, nsc@isep.ipp.pt, tel: +351228340500, fax: +351228321159 e LEPAE/FEUP
(2)
Doutor Engª Química, Investigador Auxiliar, LEPAE/FEUP, Rua Dr. Roberto Frias, 4200-465 Porto,
Portugal, tmata@fe.up.pt, tel: +351225081467, fax: +351225081449

embora as emissões de NOx possam ser superiores.. e ao desenvolvimento de condições para a produção de bioprodutos com maior valor acrescentado. a drêche cervejeira. A produção de bioetanol a partir da cana-de-açúcar... 2010. aproveitando o potencial económico das biorrefinarias (Kamm et al. o que tem tornado a sua utilização insustentável (Mata et al. o bagaço de azeitona... os quais são óleos vegetais alimentares e também o seu preço tem sido objecto de especulação. dependendo do tipo de motor (US EPA. Silva et al. libertando-o novamente durante a queima do combustível (Mata et al. No que diz respeito ao bioetanol. 2011). 2011b). as emissões directas de SO2 e CO2 que resultam da queima de biodiesel são menores do que as produzidas a partir do gasóleo de origem fóssil (Demirbas. a Directiva Europeia 2009/28/EC. Mata et al. 2011). O biodiesel e o bioetanol são dos biocombustíveis líquidos mais usados e. 2009). A este respeito. as matérias-primas de baixo custo para a produção de biocombustíveis têm atraído cada vez mais interesse e atenção. para a mesma quantidade de energia debitada. tais como as aparas de madeira ou serrim.. bem como pelo compromisso da comunidade internacional em reduzir drasticamente as emissões de gases com efeito de estufa (GEE). 2009. a necessidade de outras fontes de açúcares que sejam económicas e sustentáveis tem direccionado a atenção para os materiais lenho-celulósicos. tal como afirmado em Dezembro de 1997. Araújo et al. as gorduras de origem animal (subprodutos ou resíduos das indústrias de transformação da carne.. entre outros impactos potenciais (Fritsche et al. nos EUA.. 2010. No que diz respeito ao biodiesel. durante o crescimento das plantas estas removem o CO2 da atmosfera através da fotossíntese. 2006.. Guru et al. 2010). 2011a. Além disso. as . 2011a). relativa à promoção da energia a partir de fontes renováveis determina que estes cumpram determinados critérios de sustentabilidade. 2011a). curtumes e peixe que não podem ser utilizados para fins de alimentação humana). Mata et al. 2002. na perda da biodiversidade e das reservas de carbono do solo.. 2011a). Guru et al. soja. com pequenas ou nenhumas modificações dos motores automóveis (Mata et al. de modo a evitar o seu impacto na cadeia alimentar. O crescente número de estudos realizados e os investimentos em I&D em biocombustíveis são testemunhos da elevada prioridade que está a ser dada ao desenvolvimento de tecnologias de conversão mais sustentáveis a partir de matérias-primas não alimentares (incluindo biomassa residual). De um modo geral. O biodiesel tem sido produzido sobretudo a partir de óleos de girassol. Nebel e Mittelbach.7ª Jornadas Técnicas Internacionais de Resíduos 1 INTRODUÇÃO A procura de combustíveis mais sustentáveis tem sido impulsionada pelo esgotamento dos combustíveis fósseis e pelo aumento no consumo de combustível. Tal deve-se ao relativamente baixo teor de enxofre existente na biomassa. como substitutos ou aditivos do gasóleo e da gasolina... actualmente mais importantes no sector dos transportes. No que diz respeito aos biocombustíveis.. no Protocolo de Quioto (Caetano et al. ou do milho. 2010). coloca problemas éticos. 2010. os biocombustíveis são geralmente considerados como CO2-neutros.. uma vez que.. uma vez que estas matérias-primas são também utilizadas na alimentação humana (Caetano et al. colza ou palma. Crispim et al. 2002). têm sido objecto de numerosos estudos (Lee et al. respectivamente. gorduras da restauração ou outras gorduras residuais. no Brasil. 2009.

trigo e palha de arroz).1 Drêche cervejeira A indústria cervejeira produz resíduos biológicos (drêche cervejeira) que tem um valor interessante como matéria-prima para produção de bioetanol. O objectivo deste trabalho é apresentar soluções sustentáveis para a gestão de biomassa/resíduos biológicos. foram testados dois tipos de pré-tratamento: um alcalino (com NaOH a 10% (m/v)) e um ácido (com H2SO4 a 1% (v/v)). Uma vez determinado que o melhor pré-tratamento era o ácido e que. 2002. Os açúcares simples podem depois ser fermentados a etanol que deve ser recuperado a partir do mosto de fermentação (Vieira et al.4. químicos (alcalinos.. físicoquímicos (pré-tratamento com vapor/auto-hidrólise. este subproduto é utilizado para fins de alimentação animal. 2009). os quais podem incluir os resíduos florestais (ex.. rico em celulose e hemicelulose que pode proporcionar uma fonte de açúcares para a produção de bioetanol por fermentação. 2009). restos de madeira). Presentemente.7ª Jornadas Técnicas Internacionais de Resíduos borras de café. Foram também testadas diversas enzimas para realizar a hidrólise enzimática. 2 BIORRESÍDUOS A BIOETANOL Os resíduos biológicos ou biorresíduos compreendem os lenho-celulósicos. as tecnologias convencionais de produção de biodiesel ou de bioetanol precisam de novas adaptações para que os processos se possam tornar economicamente interessantes e rentáveis. os resíduos agrícolas (ex. 2. 2008. os resíduos industriais (ex. o bagaço de cana.. com agentes oxidantes e solventes orgânicos). celulose). o processo completo compreendeu as seguintes etapas e condições: 1) pré-tratamento da drêche (Figura 1) com ácido sulfúrico a 1% (500 mL / 50 gSBG peso seco) a 85 ºC e 50 rpm. eléctricos ou uma combinação destes processos (Kumar et al. embora estes estudos possam parecer promissores. pH de 5. na segunda etapa deste processo. Dependendo da origem dos biorresíduos.1 e com agitação constante . Mas. durante 24 h. 2) hidrólise enzimática dos polissacarídeos (Figura 1) com Viscozyme L na razão de 834 µL/50 mL de produto pré-tratado. que consiste em processos mecânicos (trituração e moagem). o composto orgânico. Caetano et al. entre outros (Galbe e Zacchi. O efeito do prétratamento é o de libertar as moléculas de polissacarídeos (celulose e hemicelulose) da lenhina que os envolve. ácidos. e os resíduos sólidos urbanos.1 Preparação dos materiais e produção de bioetanol a partir de drêche Na primeira etapa do processo de produção de bioetanol a partir de drêche cervejeira. oxidação húmida e hidrotermólise). biológicos. acrescentando-lhes valor através da sua utilização como fontes potenciais de matéria-prima para a produção de biocombustíveis (biodiesel e bioetanol).. a enzima mais adequada para realizar a hidrólise enzimática era a Viscozyme L (da Novozymes). 2008. White et al. 2. papel de jornal e papel de escritório). os resíduos de papel processado (ex. pois é um material lenhocelulósico. a 50 ºC.. o processo completo pode incluir uma etapa de pré-tratamento. com um valor relativamente baixo. 2010). Cara et al. Estas moléculas podem então ser hidrolisadas (com a acção de ácidos ou enzimas) a açúcares simples (hexoses e pentoses).

a uma temperatura de 124 °C. Após o pré-tratamento e a etapa de hidrólise enzimática.0. aplicou-se o pré-tratamento de hidrólise alcalina a este material moído (20 g de amostra composto inacabado foram misturados com 200 mL de uma solução a 10% de hidróxido de sódio e submetido a uma pressão de 2 bar. 2. Este procedimento permitiu a destruição de lenhina e a libertação de .4. durante 48 h (Caetano et al. atingiu-se um rendimento de 328 g de açúcar / kg de drêche seca.7ª Jornadas Técnicas Internacionais de Resíduos a 50 rpm. durante 6 min de tempo de contacto). lípidos e celulose determinado foi de 4.. entidade gestora de resíduos do grande Porto. devem-se realizar mais estudos sobre a fermentação de pentoses.1 Preparação de materiais e produção de bioetanol a partir de composto inacabado Tendo sido testados diversos processos de pré-tratamento. 11. talvez usando a engenharia genética de leveduras. em Portugal) que processa a fracção orgânica de resíduos sólidos urbanos provenientes de recolha selectiva..2 Composto inacabado A amostra de composto inacabado utilizado neste trabalho foi obtida a partir da terceira etapa de uma instalação de compostagem (existente na LIPOR. respectivamente. 2011a). 2011a). A fermentação do mosto resultante a bioetanol com a levedura Saccharomyces cerevisiae só permitiu a conversão de 32. até obter um tamanho médio de partícula de 1 mm a 63 μm. verificou-se que o mais adequado para o composto inacabado seria a hidrólise alcalina (Vieira et al. produzindo um total de 42 g de etanol / kg de drêche seca.0 e 12. 2010). em vez do máximo total de 168 g de etanol / kg de drêche seca. 2. O seu teor em cinzas.4. Para que o processo possa ser mais interessante do ponto de vista económico. a 30 ºC e com agitação a 80 rpm. A produção máxima de etanol é bastante interessante quando comparada com a que pode ser obtida a partir do milho (cerca de 300 g / kg) ou a partir de resíduos florestais (cerca de 240 g / kg) (US DOE). Assim.5% dos açúcares.2 Discussão sobre o rendimento em bioetanol a partir de drêche cervejeira A drêche cervejeira contém cerca de 70% de água (m/m)..4% (massa seca). A amostra foi triturada usando um moinho de lâminas e o material resultante foi peneirado num sistema de vibração de peneiros. Figura 1. Tal deve-se ao facto de que apenas a glucose pode ser fermentada pela Saccharomyces cerevisiae (Caetano et al. 3) fermentação do mosto a bioetanol com a levedura Saccharomyces cerevisiae na razão 4 g/L. Drêche cervejeira e licor obtido após o pré-tratamento ácido 2.

constituído por uma mistura de partículas de pinho e mogno. da Danisco.4%. fixou-se o pH do produto de hidrólise enzimática resultante na gama de 5-6. em frascos em banho termostático com agitação. uma solução tampão (preparada com cerca de 25 g de acetato de sódio anidro em 800 mL de . a fermentação foi realizada durante 48 h em condições aeróbias.5 ºC (Vieira et al. o que torna um produto. temperatura de 80 °C e catalisador ácido (H2SO4) até 5% (m/m) (Figure 2). Finalmente. pressão atmosférica. O hidrolisado e o inóculo de levedura foram misturadas em frascos de 500 mL. a 30 rpm de velocidade de agitação e à temperatura de 65 ºC).3. que por vezes dificilmente consegue ser colocado no mercado.7ª Jornadas Técnicas Internacionais de Resíduos celulose e hemicelulose. sem nenhum controlo ambiental das emissões libertadas.3 Resíduos de madeira Usou-se neste processo serrim de uma carpintaria.2%. O rendimento médio da fermentação foi de 59.2 g de fermento de padeiro (Saccharomyces cerevisiae) em 200 mL de água.2 Discussão sobre o rendimento em bioetanol a partir de composto inacabado O pré-tratamento de hidrólise alcalina resultou num rendimento em glucose de 89. 2.. 2010). a 27. 2. Tal deve-se à incapacidade da Saccharomices cerevisiae fermentar a xilose e a arabinose a etanol. 2. Seguiu-se a aplicação de uma hidrólise enzimática (usando a enzima AcelleraseTM1000. A eficiência de hidrólise enzimática média de 84. A biomassa foi pré-tratada em condições moderadas: relação água/biomassa de 4:1. Adicionou-se ao material pré-tratado. enquanto a massa média de etanol obtida foi de 190 g de etanol / kg de biomassa (Vieira et al.1 Preparação de materiais e produção de bioetanol a partir de resíduos de madeira O diâmetro das partículas utilizadas neste trabalho variou entre 0. cada um com uma barra de agitador magnético e tapados na abertura com folha de alumínio. na proporção de 5 mL de enzima / 100 g de biomassa.5% obtida neste trabalho está dentro do valor teórico de 88% para outros materiais lenho-celulósicos. O rendimento em bioetanol a partir do composto inacabado pode ser substancialmente aumentado pela melhoria do processo de fermentação..4. Actualmente este tipo de resíduos é queimado em caldeiras ou aquecedores. preparou-se uma solução de inóculo dissolvendo 0. num biocombustível valioso.001-2 mm. 2010). Depois. antes da realização da hidrólise enzimática. Figure 2. Aspecto das partículas de madeira antes e após o pré-tratamento ácido. a um pH de 4-5. De seguida.

5-5. têm sido estudadas medidas de intervenção para a gestão de resíduos de café. 2. Velocidades de reacção superiores podem ser obtidas a 63 ºC usando uma menor relação biomassa / enzima de 2. este tipo de resíduos parece ter um elevado potencial para a produção de bioetanol. usando Saccharomices cerevisiae (Silva et al. o pH desta solução foi ajustado para a gama de 4. durante 10 min. consistiu na implementação de um pré-tratamento alcalino com uma solução de hidróxido de cálcio na concentração de 10% (300 mL: 20 g borra de café seca). seguido de enzimática hidrólise com Viscozyme L (da Novozymes) para a produção de açúcares simples. que pode ser extraído e recuperado para posterior utilização. 2. a 110 °C. na produção dos seus resíduos.5. enquadradas com a realidade e com viabilidade de aplicação. 2009). pois pode ter um maior retorno económico. a fermentação foi realizada a um pH de 5.0 e 1. Neste estudo realizaram-se diversos ensaios de hidrólise com a duração de cerca de 6 horas de tempo de reacção. outra via possível é a produção de açúcares que podem ser fermentados.. 2011). Diferentes quantidades de enzimas (AcceleraseTM1000) foram também testadas (2-6 ml). durante 6 h. ..2 Discussão sobre o rendimento em bioetanol a partir de resíduos de madeira Os resultados obtidos mostram que usando uma relação biomassa / enzima de 2. a 30 °C. a 190 rpm. a fim de optimizar os parâmetros seleccionados. Este resíduo pode ser usado em várias aplicações: 1) a presença de azoto na borra de café permite que esta possa ser usada directamente como fertilizante ou na produção de um correctivo de solos (composto). durante 48 h. 2009).4. Nestas condições podem-se obter 282 a 316 g de açúcares / kg de amostra.3. Depois disso.7ª Jornadas Técnicas Internacionais de Resíduos água.5. sendo o valor máximo esperado de 430 g de açúcares / kg de amostra (Caetano et al. Esta via é bastante interessante.. as temperaturas de hidrólise foram variadas entre 40 °C e 70 °C e a agitação foi ajustada entre 36 e 210 rpm. a fim de encontrar uma relação óptima biomassa / enzimas (Caetano et al. por outro lado. Não foi realizada a fermentação destes açúcares mas.1 Preparação de materiais e produção de bioetanol a partir de borra de café O estudo realizado sobre a produção de bioetanol a partir da borra de café seca (Figura 3).4 Borra de café Ao longo dos anos tem sido observado um aumento significativo na produção e consumo de café e. resultando em bioetanol. 2009).. Assim. na promoção cada vez mais exigente de valores ecológicos e do cumprimento da legislação ambiental. que deve ser purificado antes da sua utilização como combustível ou como matéria-prima para qualquer outra finalidade. Assim.5.7 (Caetano et al. consequentemente. a borra de café ainda tem um teor de óleo na ordem dos 1020%. 3). a maior eficiência de hidrólise é obtida a 63 °C e ao pH de 5. utilizando-se ácido acético a 50% e hidróxido de sódio a 40%). 2) devido ao seu elevado conteúdo em material lenho-celulósico. devido ao elevado teor em açúcares libertados no processo. 2. mas há alguma dificuldade em vender esse material com um retorno económico interessante.

Assim. se a etapa de fermentação for optimizada para a conversão em etanol da xilose e da arabinose não convertidas. Ésteres metílicos de sebo bovino (TME). Secagem da borra de café 2. óleos e sebos são eliminados com elevados custos económicos e ambientais. glucose e arabinose) a partir de resíduos de café. 150 mL de metanol (a relação molar metanol / óleo foi de 6:1) com 4 g de catalisador dissolvido (KOH) e a mistura foi agitada vigorosamente. banha de porco (LME) e gordura de frango (PME) foram preparados seguindo um procedimento convencional. Seguiu-se a etapa de lavagem com 50% (v/v) de água quente. para remover o catalisador em excesso e . seguida de lavagem com água desionizada até pH neutro. os resíduos biológicos começam a tornar-se uma fonte potencial de matéria-prima para a produção de biodiesel. foi possível produzir 110 g bioetanol / kg de borra de café sem optimização do processo de fermentação (Silva et al. 3. e que por vezes os resíduos biológicos que contêm gorduras. A reacção prosseguiu durante 2 h em frascos fechados a 60 ºC.2 Discussão sobre a produção de bioetanol a partir de borra de café Este procedimento permitiu a obtenção de cerca de 26% (m/m) de açúcares fermentáveis (xilose. Isso significa que. O biodiesel resultante foi separado do glicerol e depois lavado (Figura 4).1 Sebo bovino. para 500 g de gordura animal adicionaram-se cerca de.7ª Jornadas Técnicas Internacionais de Resíduos Figura 3. sebo bovino e gordura de galinha Resíduos de gorduras animais de sebo bovino. Assim.35%. sob agitação constante a 60 rpm.1. 3 BIORRESÍDUOS A BIODIESEL Considerando que o biodiesel é um biocombustível com uma procura crescente por parte do mercado. 2011).4. resíduos de proteínas e partículas em suspensão.1 Preparação de materiais e produção de biodiesel a partir de banha de porco. A produção de álcool correspondeu apenas à conversão parcial de açúcar (só a glucose pode ser convertida pela levedura) com uma eficiência de 53. banha de porco e gordura de galinha 3. acidificada com ácido fosfórico.. o rendimento global pode passar a ser da ordem de 200 g bioetanol / kg de borra de café. banha de porco e gorduras de aves colhidos em matadouros e empresas de processamento de carne foram derretidos (Figura 4) e filtrados para obter a gordura e remover gomas.

4% (para LME).22..38.08. 2011a) e estão de acordo com os reportados para os mesmos tipos de gordura por Hsu et al.74. um ponto de inflamação de 147. Separação do glicerol do biodiesel a purificar (direita). No entanto. agitando lentamente durante 15 minutos e. partículas e impurezas (esquerda).2 e 46. também se encontrava dentro do limite especificado de 500 ppm.6. Preparação das gorduras animais para remoção de gomas. 3. O teor em metais do grupo I (Na + K) de 17. O CFPP (cold .8% para TME (Mata et al. mas para TME um teor total de 2. determinou-se uma densidade de 873. LME and PME e a sua qualidade como biodiesel Os rendimentos obtidos neste trabalho variaram entre os 76. 877 e 870 kg/m3. (2001). 2006). 171 e 172 ºC. O objectivo da mistura foi o de comparar os valores dos parâmetros de qualidade do biodiesel puro (B100). PME e TME.8 e 44.20 mgKOH / g e um teor de éster metílico de ácido linolénico de 3. respectivamente. os vários parâmetros estavam dentro dos valores especificados na norma EN 14214:2003. No que diz respeito à qualidade do biodiesel obtido a partir de banha de porco.5%. (2004) e Lu et al.1.00 mm2/s.86 e 5. filtrado para remover o adsorvente do biodiesel final purificado (Mata et al. Tashtoush et al. obtido a partir dos três tipos de gordura animal. um índice de iodo de 75.0 mg/kg.2 Discussão sobre o rendimento em TME. longe do valor limite de 96.8% (para PME) e os 91.35 mm2/s. O biodiesel foi então desidratado por adição de 2. encontrava-se próximo do limite superior de 5. e das correspondentes misturas B20 de acordo com a norma EN 14214. 2011a). 0. 73.0 mg/kg encontrava-se dentro dos limites. gordura de frango e sebo bovino. O biodiesel obtido a partir dos três tipos de resíduos de gorduras de origem animal foi misturado com gasóleo para produzir misturas de B20 (20% de biodiesel misturado com 80% de diesel).40%.5 g de MgO ao biodiesel lavado. o teor de ésteres metílicos de 80. com um rendimento intermédio de 90. (2007). outros parâmetros importantes não estavam em conformidade com os valores limite desta norma: a viscosidade cinemática de 5. PME e TME.8 mg/kg para LME e PME estavam acima do valor limite de 5. (2002). O teor de água de 184 e 374 ppm determinado para LME e TME. Também o teste de corrosão da lâmina de cobre indicou classe 1B para todas as amostras de biodiesel. um índice de acidez de 0. Assim.4 giodo/100 g.55 e 0. Figura 4.63% (m/m) para LME. 78.7ª Jornadas Técnicas Internacionais de Resíduos as impurezas. 1. respectivamente. finalmente..80 e 0. Lee et al. respectivamente para LME. 6. Isto significa que os processos de produção e purificação de biodiesel a partir de gorduras animais necessitam de melhoria (Nebel e Mittelbach. a fim de avaliar a sua adequação para o uso sem a necessidade de mais aditivos.80 e 84.

de 31 de Dezembro. A fase de glicerol foi removida e a fase rica em ésteres foi misturada novamente com a restante solução metanol/KOH.02 . monoglicerídeos (0. acidez (0. 2010).4 mg/kg determinado num diesel comercial e que a mistura B20 com PME ainda tem um teor em metais do grupo I muito mais elevado que o permitido para o biodiesel puro (este parâmetro não é um requisito para o gasóleo) (Mata et al. O teor de água de 1201 ppm para o PME também se encontrava muito acima do limite de 500 ppm (Mata et al.18 mgKOH/g). glicerol livre e total (0.8 mm2/s). e TME.. O FME cumpre os valores limite para a densidade (871 kg/m3).50 mm2/s. separada da mistura obtida.15. Este valor está dentro dos limites da norma EN 590 de 2. o que significa que estas misturas podem ser utilizadas entre 01/03 e 30/11 e que a mistura com TME pode até mesmo ser utilizada entre 01/12 a 28-29/02.01 m/m). recolhidos numa empresa de curtumes Portuguesa (Curtumes Aveneda. para LME. a fase de gordura foi transesterificada num processo em dois estágios com metanol e KOH como catalisador (nas proporções gordura:metanol:KOH de 1. para extracção de gordura. enquanto o TME teve um CFPP de +10 ºC. sendo classificados como classe A. Após a separação de fases. viscosidade (4.. durante um período de tempo determinado (6 h). A camada de gordura foi.10 mm2/s.24:0. 2010a). índice de iodo (54 giodo/100 g). 3. PME e TME. foram utilizados resíduos das operações de descarna de curtumes de peles bovinas. A gordura refinada foi então submetida a um pré-tratamento consistindo de uma etapa de esterificação com metanol e ácido sulfúrico a 70 ºC. Foram digeridos resíduos das operações de descarna (800 g) com água quente (400 g). 3. PME. 3. FME) foi finalmente lavada com água acidificada e seca com óxido de magnésio anidro (Crispim et al. Na primeira etapa. PME ou TME. o que significa que as misturas B20 de LME e TME estão dentro do valor limite da norma EN 14214 e bem abaixo do valor de 2.7ª Jornadas Técnicas Internacionais de Resíduos filter plugging point) para o biodiesel obtido a partir de banha de porco e de gordura de frango foi de +5 e +3 ºC permite a sua utilização em climas temperados. Em relação à mistura B20 preparada com o biodiesel produzido a partir de gorduras animais.00-4. respectivamente.6.9 e 0. O CFPP da mistura B20 variou de -6. até -8 ou -10 ºC. Após a separação da fase de glicerol..22%).0:0. A camada de gordura foi refinada por extracção com n-hexano (uma hora de tempo de contacto. obteve-se uma viscosidade de 3.28 e 3.2 Discussão sobre a qualidade do FME como biodiesel A qualidade do biodiesel produzido a partir da gordura das operações de descarna de curtumes (FME) foi avaliada de acordo com as especificações da norma EN 14214. por adição lenta de água e separação de nível superior. então. O teor de metais do grupo I (Na + K) na mistura B20 diminuiu para 1. adicionou-se à gordura pré-tratada 80% do volume total da solução de metanol/KOH e a reacção prosseguiu a 65 ºC.2 Resíduos da operação de descarna de curtumes 3. SA). seguindo-se uma etapa de destilação para recuperar o solvente (Crispim et al.1 Preparação de materiais e produção de biodiesel a partir de resíduos da operação de descarna de curtumes Nesta parte do trabalho.6 mg/kg. 23.2. a temperatura constante (90 ºC) e com agitação (100 rpm). a fase rica em éster (éster metílico de gordura da descarna.. respectivamente para as misturas com LME. que não permite a sua utilização mesmo em climas temperados.2. de acordo com Decreto-lei nº 142/2010. 2010a). à temperatura ambiente). respectivamente para as misturas com LME. 2010).

foi separado do bolo de resíduos de peixe.25 g de metanol e 0.7ª Jornadas Técnicas Internacionais de Resíduos e 0. A reacção de transesterificação foi então realizada em frascos fechados. A camada de éster metílico foi então desidratada com óxido de magnésio (1 gMgO/200 mLbiodiesel. 2010). comparativamente aos óleos vegetais (Crispim et al.. em seguida purificado por lavagem com água quente em diversas etapas (a primeira água de lavagem foi acidificada com ácido fosfórico) até pH neutro. 2010). com agitação constante de 60 rpm (Vilela et al. Figura 5. 2010).3 Óleo de peixe 3. Separação dos resíduos do óleo.2%. Em seguida. contendo algumas impurezas sólidas. No entanto. a 75 ºC. Por vezes é necessário um segundo passo de esterificação para reduzir o teor de AGL a <3% (Vilela et al. Filtração do óleo. deve-se realizar uma etapa de pré-tratamento consistindo numa esterificação catalisada por ácido.5 g/Lóleo) e metanol como reagente (usando uma relação molar metanol / óleo de 6:1). mostrando que o processo deve ser melhorado para que o FME posa cumprir todos os valores limite da norma EN 14214. 3. utilizando KOH como catalisador (na proporção de 7. O custo de extracção e refinação da gordura também foi avaliado e os resultados mostram que esta tem um potencial muito bom para utilização como matéria-prima para a produção de biodiesel. durante 2h tempo de reacção. O óleo sobrenadante foi recolhido do topo do recipiente e colocado numa ampola de decantação.3. Lavagem do óleo.26 e 0. o óleo foi filtrado sob vácuo para remover eventuais impurezas restantes.5%). onde o óleo foi lavado com água quente e separado da água e resíduos sólidos (Figura 5)..34% estava acima do valor limite de 0.15%. o óleo foi centrifugado e colocado numa ampola de decantação onde foi lavado. o teor em água era de 2200 ppm (valor limite de 500 ppm) e o teor em di e triglicerídeos de 0. A camada de biodiesel foi recuperada numa ampola de decantação e. Finalmente.. usando 2. A pasta de peixe foi espremida e o óleo de peixe bruto resultante. no que diz respeito ao teor em ésteres. agitando suavemente durante . apenas se encontrou um teor de 94.1% (valor limite de 96. 2010). Se o teor de ácidos gordos livres (AGL) do óleo de peixe for superior a 3% (o que pode acontecer se o óleo estiver armazenado durante longos períodos de tempo).05 g de ácido sulfúrico por cada grama de ácidos gordos livres presentes no óleo.1 Recuperação do óleo de resíduos de peixe e produção de biodiesel As vísceras e cabeças de peixe foram cozidas em água a ferver. a 60 ºC.. durante 1 h de tempo de reacção. Cozedura dos resíduos de peixe. respectivamente) (Crispim et al.

. um índice de iodo de 163 e 125 giodo/100 g. tendo sido concluído que não precisava de uma etapa de esterificação prévia à transesterificação (Vilela et al.33 mm2/s) estava dentro dos limites. . apesar de o biodiesel dever cumprir os limites estabelecidos na norma antes da mistura. 2010). respectivamente para a sardinha (SME) e para a mistura de ésteres metílicos de óleo de peixe (MME) (Vilela et al. O óleo foi caracterizado e o índice de acidez determinado foi de 102 gKOH/g (Silva. estavam todos dentro dos limites da norma EN 14214. No entanto. alterando as condições de funcionamento do processo. 3. densidade (923 kg/m3) e índice de iodo (174 e 158 giodo/g).5 e 68.1 mgKOH/g). mas para a viscosidade do MME (8. um teor de metais do grupo I de 13 e 30 mg/kg.. ponto de inflamação (160 e 165 ºC). 2010). O rendimento em biodiesel foi de 89. É possível obter resultados mais satisfatórios melhorando os métodos de produção e purificação. alguns parâmetros importantes não estavam dentro dos limites recomendados na norma EN 14214. potenciais problemas no escoamento a frio do biodiesel podem ser remediados pelo aquecimento do combustível no inverno ou por mistura com outros combustíveis (por exemplo. Também a viscosidade do SME (4. 2010).2% para o SME e MME estavam muito abaixo do valor limite de 96. sendo classificado como classe B (Vilela et al. teor de água (200 e 270 ppm) e corrosão da lâmina de cobre (Classe 1-A).2 Discussão sobre o rendimento e a qualidade do biodiesel de óleo de peixe O teor de óleo determinado para a sardinha e para a mistura de outros peixes foi de cerca de 6% e 3% (m/m).4. 2010).59 mm2/s). No que diz respeito à caracterização do biodiesel SME e MME. O CFPP de -1 e 0 ºC. Assim.1 Recuperação do óleo de borra de café e produção de biodiesel Extraiu-se o óleo de borra de café seca ao ar.6% e 56. O teor de ésteres de 78. 2011).. verificou-se que a densidade (886 e 898 kg/m3).4 Óleo de borra de café 3.98 mm2/s) era muito maior do que o limite superior da norma.. com uma mistura de hexano:isopropanol a quente (1:1 v/v) num extractor sólido/líquido (Figura 6). por exemplo. viscosidade (26. O MgO foi finalmente removido do biodiesel por filtração em funil Buchner usando um sistema de vácuo (Vilela et al.98 ou 2.3. 2010).42 mgKOH/g). O óleo foi caracterizado para avaliação dos parâmetros acidez (1.7ª Jornadas Técnicas Internacionais de Resíduos cerca de 20 min). índice de acidez (0.5% (Vilela et al.18 ou 29. respectivamente para SME e MME estavam longe dos valores limite. Como o CFFP do biodiesel de óleo de peixe foi de cerca de 0 °C. 3. permite o seu uso em climas temperados. respectivamente. o gasóleo)..3%. para o SME e para o MME.2 e 0.

3. provavelmente essa utilização será não economicamente viável.7ª Jornadas Técnicas Internacionais de Resíduos Figura 6. podem ser produzidos 280 g de açúcares / kg de resíduos de madeira. o que parece promissor.2 Discussão sobre utilização de óleo de café para produzir biodiesel O procedimento de extracção permitiu uma recuperação de óleo de café de 21. considerando o procedimento de extracção. 4 CONCLUSÕES Neste trabalho foram produzidos biocombustíveis (bioetanol e biodiesel) a partir de diversos tipos de biorresíduos. 2011b).2 mm2/s. Estes resultados desencorajam a utilização do óleo de café para a produção de biodiesel. Na verdade. a 110 g bioetanol / kg de borra de café ou até mesmo 190 g de etanol / kg de composto inacabado. o óleo recuperado tinha uma cor castanho-escuro com uma aparência espessa.5% (m/m) e uma recuperação de solventes (por destilação) de 61.18% e o valor do poder calorífico superior era 8710 kcal/kg (Silva et al. . Embora a recuperação do óleo seja muito interessante. após três etapas. nomeadamente os de tipo lenhocelulósico. Extracção do óleo de borras de café e aspecto do óleo extraído Foi necessário aplicar uma etapa de pré-tratamento que consistiu num esterificação com metanol e ácido sulfúrico mas. O teor em ácidos gordos era 62. com tendência a solidificar. parece ser bastante interessante. Embora o processo ainda não tenha sido concluído para os resíduos de madeira. A produção de bioetanol a partir de resíduos biológicos..5%.4. com rendimentos que variam de 42 g de etanol / kg de drêche cervejeira. o índice de acidez ainda era superior a 20 gKOH/g evidenciando que este procedimento não seria economicamente viável para a produção de biodiesel (Caetano et al. mas o trabalho ainda deve prosseguir de modo a avaliar o perfil do óleo em ácidos gordos. Outro tipo de utilização para o óleo de café seria a queima directa em caldeiras mas. 2011). bem como a avaliar se os procedimentos de extracção ou a utilização de outros solventes que possam permitir obter óleo de melhor qualidade (com menos acidez e água). A densidade do óleo era 917 kg/m3 e a viscosidade era 22. o que poderia introduzir algumas dificuldades no seu manuseamento. a sua qualidade não parece adequada para a produção de biodiesel.

. uma vez que pode ser necessária uma etapa de pré-tratamento consistindo da esterificação com ácido em uma ou várias etapas.Cervejas. Por outro lado. Também agradecem à LIPOR . Silva. Moura. Caetano. C.Q. se houver uma optimização do processo de conversão de xilose e arabinose em etanol. A.. parece evidente que. Guimarães. Santos Júnior. Moura. respectivamente composto inacabado.M.7ª Jornadas Técnicas Internacionais de Resíduos Considerando que do açúcar produzido a partir destes resíduos.. T. se não for usado nenhum aditivo para corrigir essa propriedade. AGRADECIMENTOS Os autores agradecem à Danisco e à Novozymes a gentil oferta das enzimas utilizadas nos estudos. 44764480..M... In Proceedings of WASTES: Solutions.M.. o biodiesel B100 (100% biodiesel) produzido a partir destas matérias-primas não pode ser usado em motores automóveis sem mistura ou sem a introdução de aditivos. In Proceedings of ISWA/APESB World Congress 2009. o processo pode ser mais caro comparativamente ao usado para os óleos vegetais convencionais. A.A. Sept. Sousa. Nunes.S. (Poster session 1: Bioresources and bioenergy. 12th-14th.. Sept. Marques. Lisboa. (2009). N. 144-145). Ainda é necessário desenvolver muito trabalho sobre a produção de biocombustíveis a partir de resíduos biodegradáveis.. uma vez que não cumpre integralmente as exigências da norma EN 14214:2003. Caetano.L. Treatments and Opportunities. J. Lisbon.G. tornando assim o processo de produção de bioetanol a partir de resíduos lenho-celulósicos uma via bastante interessante para a gestão de resíduos biológicos. A. REFERÊNCIAS Araújo. Unicer . o biodiesel também pode ser produzido a partir de diferentes óleos e gorduras extraídas de resíduos biológicos. Session 4: Recycling of Materials: paper 45. Mendes. Mata. T. N.S.J.C. . Citó.. Nunes. (2011b).R.Serviço Intermunicipalizado de Gestão de Resíduos do Grande Porto. Production of bioethanol from brewery spent grains. B.M. Caetano.M. (2011a). drêche cervejeira e gordura das operações de descarna de curtumes.. provavelmente seria aconselhável fazer misturas de diferentes matérias-primas (como é prática comum com o biodiesel de óleos vegetais). A maior parte do biodiesel produzido a partir de resíduos animais tem um CFPP elevado.. M. SA por permitirem usar os seus resíduos/subprodutos. In: Chempor 2011.L. 5th-7th. Para se produzir biodiesel que cumpra os requisitos desta norma. Na maioria das situações. Synthesis and characterization of beef tallow biodiesel.V.R. RDF:paper 1-213. como forma de aumentar o ciclo de vida dos materiais biológicos e adoptar práticas de gestão mais sustentáveis de resíduos. Mata. N. Oct. apenas a glucose pode ser fermentada a etanol pela Saccharomyces cerevisiae e que a glucose representa 30 a 60% dos açúcares totais produzidos. R. V. (2010). Meireles. M. 12-15.P. Energy & Fuels. SA e Curtumes Aveneda. No entanto.C. E. 24(8). o que pode impedir a sua utilização em países de clima frio ou em parte do ano em países de clima temperado. Bio-ethanol from lignocellulosic material via enzymatic hydrolysis.M.A.R. será possível atingir um rendimento muito mais elevado em etanol..S. Coffee grounds valorization for biofuel production. A.

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