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Autos n° 023.07.

127351-7

Ação: Ação Com Valor Inferior A 40 Salários-mínimos/Juizado Especial Cível


Autor: Luiz Gustavo Corrêa
Réu: Diarinho

Vistos etc.

LUIZ GUSTAVO CORRÊA, devidamente qualificado nos autos, intenta a presente AÇÃO DE
INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL, em face de SOCIEDADE EDITORA BALNEENSE LTDA - EPP -
DIARINHO, já qualificados, requerendo a condenação do réu no montante de R$ 15.200,00 (quinze mil
e duzentos reais).
Este é o breve relatório, conforme artigo 38 da Lei 9.099/95.
FUNDAMENTO E D E C I D O:
Trata-se de ação de indenização por danos morais, onde a parte autora alega que teve sua
imagem veiculada indevidamente pela empresa ré como destaque policial.
Alega o autor que a foto publicada na edição de 20/07/2006, pa#gina 06, como sendo do
infrator Bruno Lima na realidade era do autor. Segundo o autor essa veiculação indevida lhe acarretou
vários danos profissionais, tendo em vista o fato de o autor ser estudante de direito.
Realizada audiência de conciliação (fls.19), a empresa ré apresentou sua contestação (fls.
20/36) rebatendo as acusações e requerendo a extinção do processo.
O autor apresentou réplica rebatendo os fatos narrado na contestação e requerendo a
procedência do pedido indenizatório (fls. 55/73).
Realizada a audiência de instrução e julgamento, o autor prestou seu depoimento (fls. 80).
Ocorre que em seu depoimento o autor não logrou êxito em comprovar a origem da foto,
vejamos: -que não se recorda quando nem onde foi tirada a foto que gerou a lide- (fls. 81).
O autor pleiteia uma indenização por ter sua imagem exposta de forma errônea, entretanto da
realização de instrução e julgamento esta julgadora ficou com muitas duvidas, pois a foto juntada pela
empresa ré na contestação as fls. 26, em sua opinião não é do autor, motivo pelo qual determinei que
autor juntasse uma foto da época dos fatos, e também a empresa ré que juntasse a foto que deu
origem a matéria daquela edição (fls. 84).
Decorrido o prazo apenas o autor se manifestou, o que não foi o suficiente para sanar a
du#vida.
Embora a empresa ré não tenha juntado a foto original da materia às provas juntadas pelo
autor aos autos não são suficientemente hábeis em comprovar os fatos narrados na inicial e nem o
suposto dano moral sofrido.
Segundo o artigo 333 do Código de Processo Civil o ônus da prova incumbe neste caso ao
autor, devendo ser julgado improcedente o pedido quando não se desincumbir desse ônus:
Art.333. O ônus da prova incumbe:
I - ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito
[...]
Destarte, as alegações do autor permaneceram isoladas nos autos.
José Frederico Marques ensina:
As normas produtoras de efeitos jurídicos constituem, em última análise, verdadeiras configurações
abstratas de fatos e acontecimentos, a cuja existência se prendem as conseqüências de ordem jurídica que os
preceitos legais prevêem e disciplinam. Necessário é, por isso, que a pessoa que pretenda obter esses efeitos
jurídicos previstos nas normas e regras da lei, prove e demonstre a existência dos fatos de onde tais efeitos se
originam. Corolário desse fenômeno é a regra de que 'cada parte suporta o ônus da prova sobre a existência de
todos os pressupostos (inclusive negativos) das normas sem cuja aplicação não pode ter êxito sua pretensão
processual'.
No mesmo sentido são os ensinamentos de Moacyr Amaral Santos:
"O autor, na inicial, alega o fato, ou fatos, em que se fundamenta o pedido, e o réu, por sua vez, na
contestação, o fato, ou fatos, em que se fundamenta a defesa (Cód. Proc. Civil, arts. nº III, e 300). Tais fatos, se
juridicamente relevantes, serão levados em conta pelo juiz ao proferir sentença, uma vez convencido quanto à
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verdade dos mesmos.
Florianópolis-SC Mas como a simples alegação não é suficiente para formar a convicção do juiz (allegatio et
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non probatio quasi non allegatio), surge a imprescindibilidade da prova da existência do fato [...].
[...]
A conseqüência é que, não provado pelo autor o fato constitutivo, o réu será absolvido: - actore non
probante, reus est absolvendus." (Primeiras linhas de direito processual civil, 17ª ed., São Paulo: Saraiva, 1999.
vol. 2. pp. 343-347).
Este Tribunal de Justiça, por diversas vezes, já entendeu que o ditame plasmado no art. 333,
inc. I, do Código de Processo Civil, indica que compete ao autor fazer a prova dos fatos constitutivos
de seu direito. Consoante a doutrina processual, fato constitutivo é aquele que é apto a dar nascimento
à relação jurídica que o autor afirma existir ou ao direito que dá sustentação à pretensão deduzida pelo
autor em juízo. A conseqüência do não-desincumbimento do ônus da prova pelo autor é o julgamento
de improcedência do pedido (actore non probante absolvitur reus) (Apelação Cível n. 98.014925-8, de
Porto União, rel. Des. Pedro Manoel Abreu).
Outro ponto importante a se ressaltar e# que o autor não juntou aos autos nenhuma prova
consistente e capaz de comprovar a veracidade dos fatos alegados, sequer juntou a inicial copia de
seus documentos pessoais, os quais não podem ter sua autenticidade contestada diferentemente dos
poucos documentos juntados aos autos.
Assim, tenho por não provados os fatos alegados na inicial.
Diante do exposto, JULGO IMPROCEDENTE o pedido formulado por LUIZ GUSTAVO
CORRÊA, em face de SOCIEDADE EDITORA BALNEENSE LTDA - EPP - DIARINHO, extinguido o
processo com resolução do mérito nos termos do art. 269, I do Código de Processo Civil Brasileiro.
Sem custas e honorários (art.55, da Lei 9.099/95).
Publique-se.
Registre-se.
Intime-se
Florianópolis/SC, 11 de novembro de 2009.

Daniela Carmo do Amaral


Juíza Leiga
Portaria 013/2009

Vistos, etc...

Nos termos do artigo 40 da Lei 9.099/95, homologo a presente


decisão dos autos 023.07.127351-7, para que a mesma surta seus jurídicos e
legais efeitos. Procedam as anotações de praxe.
P. R. I.
Florianópolis (SC), 11 de novembro de 2009.

Gerson Cherem II
Juiz de Direito

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