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ANALISTA JUDICIÁRIO DE TRIBUNAIS Direito Civil Cristiano Sobral DIREITOS DAS OBRIGAÇÕES 1. INTRODUÇÃO quem compra

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DIREITOS DAS OBRIGAÇÕES

1. INTRODUÇÃO

quem compra um apartamento assume as obrigações de pagar condomínio, até mesmo aquelas que estejam em atraso.

O direito das obrigações é o ramo do Direito

Civil que se ocupa em estudar a relação jurídica que existe entre devedor e credor, onde este pode exigir daquele o cumprimento

de uma prestação, que pode consistir em um

dar, um fazer ou um não fazer.

A

devedor, credor e vínculo jurídico. O vínculo jurídico é a ligação que existe entre o devedor e o credor, que é composta por dois elementos:

obrigação tem, portanto, três elementos:

débito e responsabilidade. Significa que há duas questões ligando devedor e credor: a existência de uma dívida (débito) e a possibilidade de cobrança judicial em caso de inadimplemento (responsabilidade).

Tema importante diz respeito à obrigação natural. É a obrigação em que o vínculo jurídico é formado apenas pelo débito, não existindo responsabilidade. Existe uma dívida, mas, se não for cumprida a prestação, o credor não tem o poder de exigi-la judicialmente. No entanto, se adimplida espontaneamente ou até mesmo por engano, não se pode exigir devolução, pois o débito existe (art. 882 do CC). É o que chamamos de soluti retentio (retenção de pagamento). Exemplo de obrigação natural: dívida de jogo ou aposta.

A

coisa), como o nome sinaliza, é direito obrigacional (confrontando devedor e credor) e não direito real. Todavia, tem uma especificidade: é a obrigação que surge em razão da aquisição de um direito real. Ao se adquirir um direito real, seu titular adquire algumas obrigações de devedor perante credor. Exemplos: obrigação de pagar condomínio quando se adquire o direito de propriedade de um apartamento ou o dever que o proprietário tem de indenizar o possuidor que realiza benfeitorias em seu imóvel, nos termos destacados em direitos reais neste livro.

obrigação propter rem (em razão da

Como a obrigação propter rem surge por força

da titularidade de um direito real, acompanha o

bem se houver transferência dele, ou seja, o novo titular do direito real a assume. Exemplo:

Cuidado: a obrigação propter rem não se consubstancia apenas no pagamento de valor pecuniário. Deve ser uma obrigação devedor/credor, mas esta pode ser consubstanciada em um dar (dinheiro ou qualquer bem), um fazer ou um não fazer. Assim sendo, o respeito às limitações dos direitos de vizinhança são obrigações propter rem, pois consistem em obrigações de não fazer do proprietário para respeito a direito de vizinhos.

2. MODALIDADE DAS OBRIGAÇÕES

As modalidades de obrigações decorrem de dois tipos de classificações: básica e especial. Em uma classificação básica, a depender da natureza da prestação, a obrigação pode ser

três tipos: obrigação de dar, obrigação de

fazer e obrigação de não fazer. Em uma classificação especial, o CC trata de mais três

tipos de modalidades: obrigação alternativa, obrigação divisível ou indivisível e obrigação solidária.

de 2.1. Obrigação de dar A
de
2.1. Obrigação de dar
A

2.1.1. Obrigação de dar coisa certa

obrigação de dar é aquela em que a

prestação do devedor consiste na entrega de um bem. A obrigação de dar pode ser de dois tipos: dar coisa certa ou dar coisa incerta. Na obrigação de dar coisa certa, o devedor tem a prestação de entregar um bem específico. Por

exemplo, quando alguém vende o cavalo campeão de sua fazenda. Já a obrigação de dar coisa incerta é aquela em que o devedor assume a obrigação de dar um gênero em certa quantidade - por exemplo, quando alguém vende três cavalos de sua fazenda.

É a obrigação de dar um bem específico, não servindo outro de mesma espécie, como quando uma pessoa vende o cavalo campeão

de sua fazenda. Na verdade, há dois tipos de

obrigação de dar coisa certa: dar e restituir. A razão é que quando tenho a obrigação de devolver um bem que recebi, não posso impor

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ANALISTA JUDICIÁRIO DE TRIBUNAIS Direito Civil Cristiano Sobral entrega de outro de mesma espécie. Portanto,

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entrega de outro de mesma espécie.

Portanto, tenho obrigação de dar coisa certa tanto quando tenho que entregar um cavalo que vendi quanto quando tenho que devolver

a

antes da entrega, quem dela se beneficiará será o dono.

Vamos analisar, com base no macete

um

cavalo que me foi emprestado.

apresentado, as regras dos arts. 234 a 242 do CC. Qual a consequência da perda,

O

tema vem previsto entre os arts. 233 e 242

deterioração ou melhora do bem antes da

do

CC, onde um único tema é tratado: perda

tradição, no caso da prestação de dar e no

ou

deterioração do bem depois que assumo a

caso da prestação de restituir?

obrigação de dar, mas antes da efetiva entrega. Como é obrigação de dar coisa certa, não sendo possível a entrega de outro bem equivalente, qual é a consequência? Quem

a) b) c) d)
a)
b)
c)
d)

Prestação de dar, perda do bem, com

culpa do devedor (art. 234): Devedor de um carro por tê-lo vendido ao credor, mas antes da entrega o destrói porque provoca um acidente com perda total do carro por dirigir embriagado. Será devedor no equivalente (devolve o valor recebido ou não o recebe) acrescido de perdas e danos.

suporta o prejuízo? É isso que a prova exigirá

de

pois pode ser com culpa ou sem culpa do devedor, pode ser um dar ou um restituir, pode ser perda ou deterioração ou até mesmo uma melhora no bem.

você saber e as possibilidades são muitas,

Prestação de dar, perda do bem, sem

Questão recorrente em certames, apresento um macete para que você, caro leitor, conheça todos os casos previstos nos citados artigos. Basta conhecer uma regra básica, à qual somamos duas regras acessórias lógicas:

culpa do devedor (art. 234): Devedor de um carro por tê-lo vendido ao credor, mas antes da entrega o carro cai em uma ribanceira por ser levado pela correnteza da inundação provocada por violenta tempestade.

Consequência: resolve-se a obrigação, o que significa desfazer o negócio. Veja que o dono (devedor do carro) sofreu a perda, pois ficou sem o carro e sem o dinheiro.

REGRA BÁSICA: Se o devedor teve culpa na perda do bem, a regra sempre será a mesma:

deverá pagar ao credor o equivalente acrescido

de

culpa na perda do bem, a regra será sempre a mesma: res perit domino (a coisa perece para

o

dono? Depende se a obrigação é de dar ou de restituir. Na obrigação de dar, antes da entrega

o

propriedade só se dá com a entrega do bem. Na obrigação de restituir, o dono é o credor, pois ele sempre foi o dono, uma vez só ter emprestado para o devedor.

dono é o devedor, pois a aquisição da

dono), será dele o prejuízo. E quem é o

perdas e danos. Se o devedor não teve

Prestação de dar, deterioração do bem,

com culpa do devedor (art. 236): Devedor de um carro por tê-lo vendido ao credor, mas antes da entrega o amassa ao bater por dirigir embriagado. O credor poderá escolher entre receber o equivalente mais perdas e danos ou aceitar o bem no estado em que se acha acrescido de perdas e danos, incluindo o abatimento do valor em razão da deterioração.

Prestação de dar, deterioração do bem,

REGRA ACESSÓRIA 1: Se ao invés de perda,

sem culpa do devedor (art. 235): Devedor de um carro por tê-lo vendido ao credor, mas antes da entrega o carro é amassado por bater em um poste ao ser levado pela correnteza da inundação provocada por violenta tempestade. Consequência: credor poderá optar em resolver a obrigação (desfazer o negócio) ou aceitar o carro amassado, abatendo do seu preço o valor perdido pela deterioração. Note que é o dono (devedor do carro) que sofre a perda, pois ficou sem dinheiro e com o carro

houver apenas deterioração do bem, a solução

é a mesma, mas com uma diferença: ele

poderá optar entre a solução da perda

supramencionada ou receber o bem deteriorado, abatendo-se o valor da deterioração.

REGRA ACESSÓRIA 2: Se a coisa perece para o dono, a coisa também melhora para o dono, ou seja, se, ao invés da perda ou deterioração, houver uma melhora no bem

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ANALISTA JUDICIÁRIO DE TRIBUNAIS Direito Civil Cristiano Sobral amassado deterioração. ou sem o carro pagando

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amassado

deterioração.

ou

sem

o

carro

pagando

pela

perdas e danos, incluindo o abatimento do valor em razão da deterioração.

e) Prestação de dar, melhora do bem (art.

237): Devedor de uma fazenda por tê-la vendido ao credor, mas antes da entrega o bem se valoriza em razão do acréscimo de terra trazido pela correnteza das águas

(fenômeno chamado de avulsão). O vendedor poderá pedir aumento de preço, pois é o dono

ele se beneficia com a vantagem. Se o

e

comprador não aceitar pagar o acréscimo, poderá o vendedor resolver a obrigação, ou seja, desfazer a venda. E se, ao invés de melhoramento ou acrescido, o bem deu frutos?

i) Prestação de restituir, deterioração do

bem, sem culpa do devedor (art. 240):

Devedor de um carro por tê-lo recebido emprestado do credor, mas antes da entrega o carro é amassado por bater em um poste ao ser levado pela correnteza da inundação provocada por violenta tempestade. O dono é o credor, que sofrerá a perda, pois a lei diz que ele receberá o bem deteriorado sem direito de indenização.

j)
j)

Prestação de restituir, melhora do bem

Os frutos percebidos ou colhidos antes da tradição são do devedor, pois ele ainda é dono do bem, mas se pendente quando da tradição, será do credor, pois o bem acessório segue a sorte do bem principal. Assim, se o devedor vende uma cadela para entregar tempo depois

e

entrega o filhote já nasceu será do vendedor,

antes da entrega fica prenha, se na época da

(art. 241 e 242): Devedor de uma fazenda por tê-la recebida emprestada do credor, mas antes da entrega o bem se valoriza em razão do acréscimo de terra trazido pela correnteza das águas (fenômeno chamado de avulsão). Por evidente, será do credor o ganho, pois ele é o dono do bem, recebendo-o de volta valorizado, desobrigado de indenizar. Se para o melhoramento ou acréscimo houve trabalho do devedor, é benfeitoria, razão pela qual o art. 242 do CC determina aplicar as regras do direito de indenização que o possuidor de boa- fé e de má-fé tem em razão das benfeitorias que faz no bem (sobre isso, ver o capítulo próprio na parte de direitos reais neste livro, quando da abordagem dos efeitos da posse).

mas se estiver na barriga da cadela na época

da

entrega, será do comprador.

f) Prestação de restituir, perda do bem, com culpa do devedor (art. 239): Devedor de um carro por tê-lo recebido emprestado do credor, mas antes da entrega o destrói porque provoca um acidente de perda total do carro por dirigir embriagado. Será devedor no equivalente

(indeniza o valor do carro) acrescido de perdas

e danos.

2.1.2. Obrigação de dar coisa incerta

É a obrigação de dar um gênero em certa quantidade, como na venda de três cavalos de uma fazenda. Em dado momento, os bens a serem entregues deverão ser escolhidos, o que chamamos de concentração da prestação. A quem cabe a escolha? A quem definido no contrato. Se nada for dito, a escolha caberá ao devedor, que não poderá escolher o pior nem ser obrigado a escolher o melhor.

g)

culpa do devedor (art. 238): Devedor de um carro por tê-lo em empréstimo do credor, mas antes da entrega o carro cai em ribanceira levado pela correnteza da inundação provocada por tempestade. O dono é o credor

Prestação de restituir, perda do bem, sem

ele sofre a perda, ou seja, o devedor não terá que indenizá-lo da perda do carro.

e

h) Prestação de restituir, deterioração do

bem, com culpa do devedor (art. 240):

Devedor de um carro por tê-lo recebido emprestado do credor, mas antes da entrega o amassa ao bater por dirigir embriagado. O credor poderá escolher entre receber o

equivalente mais perdas e danos ou aceitar o bem no estado em que se acha acrescido de

Feita a escolha, a obrigação de dar coisa incerta se transforma em obrigação de dar coisa certa, aplicando-se as regras que lhe são próprias. No entanto, se antes da escolha o bem se perder ou se deteriorar, mesmo que por caso fortuito ou motivo de força maior, o devedor não se exime de cumprir a prestação, pois o gênero não perece, podendo o bem ser

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ANALISTA JUDICIÁRIO DE TRIBUNAIS Direito Civil Cristiano Sobral substituído por outro da mesma espécie para

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substituído por outro da mesma espécie para ser entregue ao credor.

2.3. Obrigação de não fazer

A obrigação de não fazer é uma obrigação a

uma abstenção, por exemplo, não levantar um muro divisório. Se o devedor descumprir a obrigação, fazendo o que se obrigou a não fazer, deverá indenizar o credor em perdas e danos? Nem sempre, pois às vezes se tornou impossível, sem culpa do devedor, abster-se do ato. Nesse caso, apenas se resolve a obrigação (volta ao estado anterior do negócio), não tendo que indenizar perdas e danos. Exemplo: a pessoa se viu obrigada a levantar o muro para impedir que a água invadisse sua casa. Se, porém, simplesmente decidiu fazer o que se obrigara a não fazer, será condenado a indenizar perdas e danos e, se o fizer, consistir em uma obra, poderá o credor pedir judicialmente para desfazê-la. Se for urgente, poderá mandar desfazer independente de autorização judicial, buscando em juízo o ressarcimento.

2.2. Obrigação de fazer

A obrigação de fazer é aquela em que a

prestação do devedor consiste na realização de uma atividade, como na contratação da prestação de um serviço. A obrigação de fazer pode ser de dois tipos: personalíssima (infungível) ou não personalíssima (fungível). Será personalíssima quando só o devedor puder cumprir a prestação, como na

2.4. Obrigações alternativas a
2.4. Obrigações alternativas
a

contratação de um pintor famoso para pintura do retrato do credor em um quadro. Será não personalíssima quando não só o devedor, mas outra pessoa também puder cumprir a prestação, como a contratação de um pintor para pintura das paredes de uma casa.

Por que diferenciar? Se for obrigação personalíssima e o devedor se recusa a cumpri-la ou por sua culpa se tornou impossível, responde por perdas e danos. Se for obrigação não personalíssima, poderá o

credor optar em reclamar indenização por perdas e danos ou mandar executar às custas

do

ação com orçamento do serviço, pedindo condenação do devedor do fazer a pagar. Todavia, se for urgente, poderá o credor mandar executar o fato independente de prévia autorização judicial, buscando em juízo depois o ressarcimento do que foi gasto.

devedor. Como isso é feito? Ajuizamento de

A obrigação alternativa é aquela que compreende duas ou mais prestações, mas se extingue com a realização de apenas uma

delas. Exemplo: obrigação de dar um carro ou uma moto. A quem cabe a escolha de que prestação cumprir? Em regra ao devedor, pois

obrigação se extingue com ele cumprindo

uma ou outra prestação. Todavia, o contrato pode prever que a escolha cabe ao credor. É o que diz o art. 252 do CC, que completa: não pode o devedor obrigar o credor a receber parte em uma prestação e parte em outra.

As

em obrigação de meio e de resultado ou de fim. Nas obrigações de resultado, o devedor se vincula a atingir determinado resultado, sob pena de inadimplemento e, consequentemente, dever de indenizar perdas e danos. Já na obrigação de meio, o devedor não se vincula a atingir determinado resultado, mas sim a corresponder no meio para atingi-lo, ou seja, a empregar a diligência na busca do resultado. Não responde se o resultado não for atingido, apenas se não empregou a diligência necessária. Um advogado ou um médico tem obrigação de meio, enquanto que, segundo a jurisprudência do STJ, o cirurgião plástico, embora seja um médico, tem obrigação de resultado, quando se tratar de intervenção meramente estética ou embelezadora.

obrigações de fazer podem ser classificadas

Importante: o que ocorre quando uma ou todas as prestações não puderem ser cumpridas? A resposta irá variar se a escolha cabia ao devedor ou ao credor.

a) Impossibilidade de uma das prestações:

Se a escolha couber ao devedor, subsiste a obrigação com a outra prestação (art. 253 do CC). Mesma solução, se a escolha couber ao credor e a impossibilidade se deu sem culpa do devedor. Todavia, se por culpa dele, o credor poderá exigir a prestação subsistente ou o valor em dinheiro da prestação impossibilitada, acrescido de perdas e danos (art. 255 do CC). Exemplo: devedor de um carro ou uma moto

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ANALISTA JUDICIÁRIO DE TRIBUNAIS Direito Civil Cristiano Sobral destrói a moto ao dirigir embriagado. Consequência:

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destrói a moto ao dirigir embriagado. Consequência: se a escolha cabe ao devedor, obrigação simples de dar o carro; se cabe ao credor, pode cobrar o carro ou o valor em dinheiro da moto mais perdas e danos. Se a moto foi destruída acidentalmente, mesmo cabendo a escolha ao credor, obrigação simples de dar o carro.

Havendo mais de um credor em obrigação indivisível, qualquer um deles poderá cobrar a dívida por inteiro, tornando-se devedor perante os demais credores nas suas respectivas partes em dinheiro (art. 261 do CC).

2.6. Obrigações solidárias

Na pluralidade de credores ou devedores em obrigação indivisível, todos são obrigados ou têm direito a toda dívida por ser fisicamente impossível dividir o objeto da prestação. Todavia, é possível haver obrigação divisível em que todos são obrigados ou têm direito a toda a dívida por determinação da lei ou da vontade das partes: é a obrigação solidária.

b) Impossibilidade de ambas as prestações:

Se a escolha couber ao devedor e este tiver culpa, ficará obrigado a pagar o valor da prestação que se impossibilitou por último, acrescido de perdas e danos (art. 254 do CC). Se a escolha couber ao credor e o devedor culpado, poderá reclamar o valor de qualquer uma delas acrescido de perdas e danos (art. 255 do CC, in fine). No entanto, se ambas as prestações tornaram-se impossível sem culpa do devedor, independe de quem cabe a escolha: extinta estará a obrigação, ou seja, desfeito o negócio jurídico (art. 256 do CC).

os demais credores). A passivo da obrigação. 2.6.1. Solidariedade ativa É
os demais credores).
A
passivo da obrigação.
2.6.1. Solidariedade ativa
É

Imagine dois amigos devendo vinte mil reais a um credor. Em tese, cada um deve dez mil reais, mas, se for obrigação solidária, o credor pode cobrar toda a dívida de qualquer deles (quem paga se sub-roga nos direitos do credor perante os demais devedores). Por outro lado, se um devedor deve vinte mil reais a dois amigos, em tese, deve dez mil reais para cada um deles, mas, se for obrigação solidária, qualquer dos credores pode cobrar toda a dívida (quem recebe se torna devedor perante

2.5. Obrigações divisíveis e indivisíveis

Obrigação divisível é aquela em que pode ser fracionado o objeto da prestação, o que não é possível na obrigação indivisível. Como exemplo, a obrigação de dar dinheiro é obrigação divisível e a obrigação de dar um cavalo é obrigação indivisível.

Portanto, haverá solidariedade quando houver mais de um devedor ou mais de um credor

Só há importância em determinar o tipo de obrigação quando houver pluralidade de devedores e/ou credores. Sendo obrigação divisível, não há problema, pois cada um cobra ou é cobrado em sua parte (se não for determinada a parte que cabe a cada um, presume-se dividida em partes iguais). Entretanto, sendo obrigação indivisível, como cada um cobrará ou será cobrado em sua parte, já que o objeto não pode ser dividido?

obrigados ou com direito à totalidade da dívida.

solidariedade não se presume, resultando

apenas da lei ou da vontade das partes. A solidariedade pode ser ativa ou passiva, a depender se a pluralidade está no pólo ativo ou

a obrigação em que há mais de um credor,

cada um deles com direito a toda a dívida. No vencimento, qualquer credor pode se antecipar e cobrar toda a dívida ou, enquanto nenhum deles a cobrar, o devedor se libera pagando a qualquer deles. Quem receber, responde perante os demais credores, tornando-se devedor nas partes que lhes cabe.

O mesmo ocorre se um dos credores remitir

(perdoar) a dívida. Devedor deve trinta mil reais a três credores solidários e um deles

Havendo mais de um devedor em obrigação indivisível, cada um responde por toda a dívida, pois não há como fracionar a cobrança. Agora, aquele que pagar a dívida, sub-roga-se nos direitos do credor perante os demais coobrigados (art. 259 do CC). Exemplo: se duas pessoas devem um cavalo, qualquer um deles pode ser cobrado, mas quem pagar poderá cobrar do outro, em dinheiro, metade do valor do animal.

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ANALISTA JUDICIÁRIO DE TRIBUNAIS Direito Civil Cristiano Sobral perdoa toda a dívida. Este se tornará

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perdoa toda a dívida. Este se tornará devedor de dez mil reais a cada um dos demais credores, como se ele tivesse se antecipado e cobrado o devedor (art. 272 do CC). Cuidado: é diferente quando credor solidário perdoa sua parte. Nesse caso, subsiste a solidariedade para os demais credores depois de sua parte ser descontada. No exemplo citado, o devedor continua a dever vinte mil reais a dois credores solidários.

(internamente não há solidariedade). Se o credor optar cobrar apenas parcialmente de um dos devedores solidários, os demais continuam obrigados solidariamente pelo resto.

Se um dos devedores solidários falecer, a solidariedade é transferida aos seus herdeiros? Não, pois, como visto, a solidariedade é personalíssima. Significa que os herdeiros só podem ser cobrados na quota que corresponde ao seu quinhão hereditário. Todavia, há duas exceções: se a obrigação for indivisível (ex: devedores solidários devem um cavalo) ou se os herdeiros forem cobrados juntos através do espólio, pois o direito das sucessões preceitua que o espólio se sub-roga nos deveres do de cujos.

que o espólio se sub-roga nos deveres do de cujos . A solidariedade é personalíssima, ou

A solidariedade é personalíssima, ou seja, se um dos credores falecer e deixar herdeiros, estes não se tornarão credores solidários. Significa que cada um de seus herdeiros só poderá exigir e receber a quota que corresponder ao seu quinhão hereditário. Imagine um devedor devendo trinta mil reais a três credores solidários, sendo que um deles morre deixando dois filhos. Os filhos não poderão cobrar os trinta mil, pois não se tornam credores solidários. Cada um só poderá cobrar a parte que lhe cabe na herança, ou seja, cada um só pode cobrar cinco mil reais.

Atenção: a lei dá tratamento diferente quanto à manutenção da solidariedade no que se refere ao pagamento de perdas e danos e de juros que podem ser irradiados da obrigação, pois nas perdas e danos não subsiste a solidariedade. Mas nos juros, sim.

Todavia, em dois casos, os herdeiros poderão cobrar a dívida toda: se a obrigação for indivisível (exemplo: o devedor deve um cavalo aos três credores solidários) ou, segundo jurisprudência do STJ, se os herdeiros cobrarem juntos através do espólio, pois no direito das sucessões aprendemos que o espólio se sub-roga nos direitos do de cujos.

Se devedores solidários têm obrigação de dar um carro e, por culpa de um deles, este é destruído, a obrigação se converte no pagamento do valor equivalente acrescido de perdas e danos. No valor equivalente, todos continuam devedores solidários, mas pelas perdas e danos só responde o culpado (art. 279 do CC). Todavia, se um dos devedores solidários dá causa a acréscimo de juros ao valor devido, todos respondem solidariamente pelo valor dos juros, pois o pagamento de juros é uma obrigação acessória e o acessório segue a sorte do principal (art. 280 do CC).

Nos termos do art. 271 do CC, convertendo-se

a

subsistem a solidariedade. Imagine um

prestação em perdas e danos, nelas

devedor de um carro a três credores solidários, mas o destrói ao dirigir embriagado. Trata-se

de

bem por culpa do devedor. Conforme visto, torna-se devedor no equivalente acrescido em perdas e danos, no que permanecerá havendo a solidariedade.

obrigação de dar coisa certa com perda do

2.6.2. Solidariedade passiva

É a obrigação em que há mais de um devedor, cada um deles obrigados a toda a dívida. Significa que o credor tem direito de exigir de qualquer deles o valor total da dívida, mas quem pagar se tornará credor dos demais devedores nas suas respectivas partes

Importante (art. 285 do CC): Conforme vimos, o devedor solidário que paga a dívida pode cobrar dos demais devedores a parte que lhes cabe (se nada for dito, presume-se dividida em partes iguais). Todavia, se a dívida solidária interessar exclusivamente a um dos devedores solidários, responderá este por toda a dívida quando da ação regressiva aos demais credores. O exemplo típico é o contrato de fiança. Quando há renúncia ao benefício de ordem, devedor principal e fiador são devedores solidários. Se o fiador for cobrado, poderá cobrar em regresso do devedor principal não só a metade da dívida, mas sim

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ANALISTA JUDICIÁRIO DE TRIBUNAIS Direito Civil Cristiano Sobral sua totalidade, pois é uma dívida contraída

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sua totalidade, pois é uma dívida contraída no seu exclusivo interesse. Da mesma forma, sendo caso de mais de um fiador e um deles sendo cobrado pela dívida, só terá ação regressiva contra o devedor principal na totalidade da dívida, não tendo ação contra os demais co-fiadores.

3. TRANSMISSÃO DAS OBRIGAÇÕES

Haverá transmissão da obrigação quando houver uma substituição subjetiva em seus polos, ou seja, uma troca de devedor ou de credor. São dois os tipos de transmissão das obrigações: cessão de crédito e assunção de dívida. Na cessão de crédito há uma substituição no polo ativo, ou seja, há uma troca de credores, pois o credor cede a um terceiro o seu crédito. Na assunção de dívida há uma substituição no polo passivo, ou seja, uma troca de devedores, pois um terceiro assume a obrigação do devedor.

cessão de crédito pro soluto; quando o cedente responde pela solvência do devedor, é chamada de cessão de crédito pro solvendo.

Embora o cedente, em regra, não responda pela solvência do devedor, ele responde pela existência do crédito, ou seja, se ceder um crédito que não existe, aí sim poderá ser cobrado pelo cessionário. O cedente responderá pela existência do crédito tendo o cedido gratuita ou onerosamente. Se ceder de forma onerosa, responderá tendo agido de má- fé ou até mesmo de boa-fé, pois recebeu pela cessão, devolvendo o valor auferido. No entanto, na cessão gratuita, como nada recebeu em troca, só responderá se tiver procedido de má-fé, ou seja, se sabia da inexistência do credito que cedeu.

o do 3.2. Assunção de dívida A
o
do
3.2. Assunção de dívida
A

Por fim, na cessão de crédito vigora o princípio da oponibilidade das exceções pessoais contra terceiros. O que significa isso? Quando

cessionário cobrar a dívida do devedor, este

3.1. Cessão de crédito

poderá se defender alegando as defesas pessoais que cabiam contra o cedente (art. 294

A cessão de crédito se caracteriza pela substituição no polo ativo da obrigação, havendo uma troca de credores em razão da alienação, gratuita ou onerosa, de um crédito a um terceiro, que se tornará o novo credor da obrigação. A lei permite a cessão do crédito quando a isso não se opuser a natureza da obrigação, a lei ou o acordo das partes. Quem cede o crédito é chamado de cedente e quem o recebe é chamado de cessionário.

CC). Exemplo: o devedor comprou um carro

usado do credor, mas não vai pagar porque apresentou vício redibitório. Só que o credor

cedeu o crédito a um terceiro, que é quem cobra a dívida. O devedor poderá se defender contra o cessionário alegando o vício redibitório, mesmo sendo uma defesa pessoal contra o cedente.

A cessão do crédito independe da concordância do devedor. A lei exige apenas a notificação da cessão, para que ele não pague à pessoa errada. Caso o devedor não seja notificado e pague de boa-fé ao antigo credor, ele estará desobrigado, só restando ao verdadeiro credor cobrar do cedente, que indevidamente recebeu o pagamento.

Em regra, o cedente não responde pela solvência do devedor, ou seja, caso o cessionário não consiga receber o crédito em razão da insolvência do devedor, não poderá cobrar a dívida do cedente. No entanto, ele responderá se vier expresso no contrato. Quando o cedente não responde pela solvência do devedor, a cessão é chamada de

assunção de dívida se caracteriza pela

substituição no polo passivo da obrigação, havendo uma troca de devedores. A lei permite que terceiro assuma a dívida do devedor, mas exige a concordância expressa do credor. No entanto, independe de consentimento do devedor, podendo a assunção de dívida ser por delegação (com consentimento do devedor) ou por expromissão (sem consentimento do devedor).

O

terceiro que assume a obrigação é chamado

de

assuntor. Quando ele assume a obrigação,

o

devedor primitivo está exonerado, pois

deixou de ser o devedor. Todavia, há um caso em que o devedor primitivo não estará exonerado, podendo ser cobrado pelo credor:

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ANALISTA JUDICIÁRIO DE TRIBUNAIS Direito Civil Cristiano Sobral se a cessão foi feita a quem

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se a cessão foi feita a quem insolvente e o credor a aceitou por não saber do fato.

4.1. Pagamento

Pagamento é o meio normal de extinção da

obrigação, ou seja, o cumprimento da prestação (dar, fazer ou não fazer). O CC inicia

o tema abordando quem deve pagar (chamado

de

solvens) e a quem se deve pagar (chamado

de

accipiens).

O

CC trata de quem deve pagar, mas, na

verdade, o que se estabelece são regras sobre quem pode pagar. A obrigação pode ser paga por qualquer pessoa que tenha algum tipo de

Com a assunção de dívida, salvo consentimento expresso do devedor primitivo, estarão extintas as garantias dadas por ele, afinal ele não é mais o devedor. Se a substituição vier a ser anulada, restaura-se o débito do devedor primitivo, com todas as garantias que existiam. Exceção: não retornarão as garantias dadas por terceiros, por exemplo, hipoteca de um bem de terceiro. Exceção da exceção: a garantia dada por terceiro poderá retornar, caso ele soubesse da causa que gerou anulação da substituição.

se E EXTINÇÃO DAS do
se
E
EXTINÇÃO
DAS
do

interesse, ou seja, pelo devedor ou por um terceiro. A lei, no entanto, estabelece consequências diferentes para o pagamento sendo feito pelo devedor, por terceiro interessado ou por terceiro não interessado.

O

que tipo de defesa ao ser cobrado pelo credor? Com efeito, a defesa pode ser de dois tipos: comum ou pessoal. Será comum quando for defesa de qualquer pessoa que venha a ser cobrado pelo credor (ex. prescrição da dívida). Por outro lado, será defesa pessoal quando for

assuntor, como novo devedor, poderá alegar

Quando se fala em terceiro interessado ou não interessado, fala-se em interesse jurídico, pois,

o terceiro paga, algum tipo de interesse ele

tem. O terceiro será interessado quando puder ser cobrado pela dívida. Assim, um fiador que

exclusiva de uma pessoa (ex. compensação de dívida). O assuntor, ao ser cobrado, poderá se valer das defesas comuns ou das suas pessoais, não podendo se valer das defesas pessoais que cabiam ao devedor primitivo (art. 302 do CC).

paga a dívida do afiançado é um terceiro interessado, mas o pai que paga a dívida de um filho maior de idade, embora tenha um interesse sentimental, é considerado um terceiro não interessado.

Se o devedor efetuar o pagamento, extinta estará a obrigação e ele estará exonerado. Se um terceiro pagar, também estará extinta, mas

4.

OBRIGAÇÕES

ADIMPLEMENTO

ele poderá reaver o valor pago, embora de forma diferente a depender de quem pagou: se terceiro interessado, sub-roga-se nos direitos

O

devedor cumprir a prestação, o que chamamos de pagamento. Note que o sentido técnico de pagamento difere do seu sentido leigo, pois pagamento é coloquialmente usado no sentido de dar dinheiro. Pagamento em sentido técnico é cumprir a prestação, seja um dar (dinheiro ou qualquer outro bem), um fazer ou até um não fazer.

meio normal de extinção da obrigação é o

credor; se terceiro não interessado, apenas

tem direito de reembolso, não se sub-rogando nos direitos do credor. Em ambos os casos, o terceiro cobra do devedor o que pagou por ele, mas diferem porque, ao se sub-rogar nos direitos do credor, terá as garantias especiais dadas a ele, o que não ocorre no mero direito de reembolso. Detalhe: isso ocorrerá se o terceiro pagar em seu nome, pois se pagar em nome do devedor, é considerado uma mera ajuda, não tendo direito de reaver o que pagou.

A quem se deve pagar? O pagamento deve ser

feito ao credor ou a quem de direito o represente. Se o pagamento foi feito à pessoa

errada, pagou-se mal e quem paga mal, paga duas vezes, pois o verdadeiro credor poderá cobrá-lo. No entanto, em dois casos, o

No entanto, a obrigação pode ser extinta por meios anormais, havendo extinção da obrigação de uma forma alternativa, de uma forma diferente do que o cumprimento da prestação. São as formas anormais de extinção da obrigação: pagamento em consignação, pagamento com sub-rogação, imputação de pagamento, dação em pagamento, novação, compensação, confusão e remissão.

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ANALISTA JUDICIÁRIO DE TRIBUNAIS Direito Civil Cristiano Sobral pagamento feito a um terceiro libera o

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pagamento feito a um terceiro libera o devedor:

se o credor confirmar o pagamento ou tanto quanto provar ter se revertido ao credor.

pagou, mas o credor pode provar que o devedor não pagou.

São

pagamento:

os

três

casos

de

presunção

de

Há um caso em que o pagamento é feito a um terceiro e o devedor está liberado, mesmo que o credor não confirme nem se prove a reversão em seu benefício. É o caso do pagamento feito ao chamado credor putativo. Putativo vem de putare, que significa crer, acreditar. Haverá credor putativo quando se paga de boa-fé a quem não é o credor, ou seja, se pagou à pessoa errada, mas havia motivos para acreditar ser ele o credor. Um exemplo já foi visto quando da abordagem do tema cessão de crédito. Vimos que o devedor não precisa concordar, mas deve ser notificado da cessão de crédito para saber que o credor mudou. Vimos que se não for notificado e de boa-fé pagar ao cedente, ele está exonerado e a razão é simples: pagou a credor putativo.

No que se refere ao objeto do pagamento, este será o cumprimento da prestação. O credor não é obrigado a aceitar prestação diversa da que lhe é devida, ainda que mais valiosa, afirma o art. 313 do CC. Ainda que a obrigação seja divisível, como dever dinheiro, não pode o credor ser obrigado a receber nem o devedor ser obrigado a pagar por partes, se assim não se ajustou.

Quem paga tem direito de receber uma prova de que pagou. É o que chamamos de quitação. O instrumento da quitação é o recibo, que sempre pode ser por instrumento particular. Se o credor se recusar a dar quitação, o devedor pode legitimamente reter o pagamento enquanto não lhe for dada.

Assim sendo, em regra, quem prova o pagamento é o devedor, apresentando o recibo recebido como instrumento da quitação. No entanto, em três casos haverá presunção de pagamento, dispensando o devedor de provar que pagou. Ocorre que é uma presunção relativa, ou seja, aquela que admite prova em contrário. Desta forma, sendo um dos casos de presunção de pagamento, não se fixa uma verdade absoluta de que existiu pagamento, mas sim uma inversão do ônus da prova, pois o devedor não precisa provar que

a) Art. 322 do CC: quando o pagamento for

em quotas periódicas, a quitação da última estabelece, até em prova em contrário, a presunção de estarem solvidas as anteriores;

b) c)
b)
c)

pagos, estes se presumem pagos; e

Art. 323 do CC: sendo a quitação do capital

sem fazer reserva que os juros não foram

Art. 324 do CC: a entrega do título firma

presunção do pagamento, presunção que pode ser elidida no prazo de sessenta dias.

Para se efetuar o pagamento, importa saber o lugar do cumprimento da obrigação. É nesse lugar que se devem reunir credor e devedor na data marcada, não podendo o devedor oferecer nem o credor exigir o cumprimento em lugar diverso.

No direito comparado, há dois tipos de obrigação: quérable ou portable. A obrigação quérable (chamada no Brasil de quesível) é aquela que deve ser cumprida no domicílio do devedor e obrigação portable (chamada no Brasil de portável) é aquela que deve ser cumprida no domicílio do credor. No Brasil, conforme previsão do art. 327 do CC, em regra as obrigações devem ser cumpridas no domicílio do devedor, ou seja, são quesíveis ou quérable. Poderá ser portável ou até em outro local a depender da vontade das partes, da lei, da natureza da obrigação ou das circunstâncias. Como exemplo, o art. 328 do CC determina que se o pagamento consistir na entrega de um imóvel ou de prestações relativas a ele deverá ser cumprido onde situado o bem.

4.2. Pagamento em consignação

Consignação de pagamento significa o depósito judicial ou em estabelecimento bancário da coisa devida, o que a lei equipara a pagamento, extinguindo a obrigação. O devedor tem não só o dever de pagar, mas também o direito de fazê-lo para evitar as

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ANALISTA JUDICIÁRIO DE TRIBUNAIS Direito Civil Cristiano Sobral consequências de sua mora. A consignação em

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consequências de sua mora. A consignação em pagamento é, portanto, um valioso instrumento para o devedor não suportar os encargos moratórios.

Poderá o devedor consignar pagamento basicamente quando houver mora do credor ou algum risco para o devedor na realização do pagamento direto. Nesse sentido, o art. 335 do

arrola casos de cabimento da consignação

CC

pagamento: se o credor se recusar sem

em

justa causa a receber o pagamento ou não puder recebê-lo, se o devedor tiver dúvida

A sub-rogação pode ser de dois tipos: legal ou

convencional, a depender se decorre de lei ou

da vontade das partes. O CC prevê, em art.

346, os casos em que a sub-rogação se opera

de pleno direito, ou seja, se um terceiro paga a

dívida, ele se sub-roga automaticamente nos direitos do credor primitivo, independente da vontade das partes. Se a lei não prevê como caso de sub-rogação, teria o terceiro mero direito de reembolso, mas as partes poderão

prever a sub-rogação, passando o terceiro a ter

os do de do e 4.4. Novação ou A
os
do
de
do
e
4.4. Novação
ou
A

privilégios e garantias do credor primitivo, o

que não existiria no mero direito de reembolso.

sobre quem é o verdadeiro credor ou se o credor for desconhecido, entre outros.

Como exemplo, trago um caso visto no estudo

pagamento. Se terceiro interessado paga a

Feito o depósito, a princípio, suspende a incidência dos encargos moratórios, mas o devedor deverá propor ação judicial para discussão da matéria, podendo o credor impugnar o pagamento, pois só exonera o devedor se observados os mesmos requisitos exigidos para validade do pagamento. Se julgado improcedente, o depósito não terá efeito. O processo tem procedimento especial previsto no CPC.

dívida do devedor, sub-roga-se automaticamente nos direitos do credor,

mantendo-se os privilégios e as garantias (art. 346, III, do CC). Se terceiro não interessado paga a dívida do devedor, apenas terá direito

reembolso, não se sub-rogando nos direitos credor (sem os privilégios e garantias do

credor originário). No entanto, se o terceiro não interessado pagar a dívida do devedor

condicionado a sub-rogar-se nos direitos do credor, haverá pagamento com sub-rogação convencional e terá o novo credor os privilégios

4.3. Pagamento com sub-rogação

garantias do credor primitivo (art.347, II, do CC).

Pagamento com sub-rogação é a operação pela qual o crédito se transfere com todos os seus acessórios a um terceiro que paga dívida alheia. Sub-rogar é substituir, o que significa que haverá aqui uma substituição de credor, extinguindo a obrigação com relação ao credor originário. A ideia é: A deve a B e um terceiro C paga essa dívida e agora A deve a C, pois este se sub-rogou nos direitos de B.

Novação é o meio de extinção da obrigação pelo surgimento de uma nova obrigação. A novação pode ser de dois tipos: objetiva ou subjetiva. A novação é objetiva quando a nova

obrigação difere da obrigação anterior pela substituição da prestação (ex. obrigação de dar dinheiro transformada em obrigação de fazer

Como é uma simples substituição no polo ativo,

o

todos os privilégios e garantias que tinha o

vínculo se mantém e o novo credor tem

obrigação veiculada em cheque substituída

por obrigação veiculada em nota promissória).

credor originário (art. 349 do CC). No entanto,

novação será subjetiva quando a nova

é possível que um terceiro pague dívida alheia

e não se sub-rogue nos direitos do credor, caso

em que terá mero direito de reembolso contra o

devedor, por não ser um dos casos de pagamento com sub-rogação. A diferença é que poderá cobrar dele o que pagou, mas sem ter os privilégios e garantias do credor originário, pois surge um novo vínculo, uma nova obrigação (de reembolso), extinguindo a obrigação primitiva.

obrigação difere da obrigação anterior pela substituição do credor (novação subjetiva ativa)

ou do devedor (novação subjetiva passiva).

Importante: qual a diferença entre pagamento com sub-rogação e novação subjetiva ativa? Em ambos os casos, há troca do credor, mas diferem porque no pagamento com sub- rogação o vínculo se mantém, havendo apenas

a troca de credor, enquanto que na novação,

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ANALISTA JUDICIÁRIO DE TRIBUNAIS Direito Civil Cristiano Sobral extingue-se o vínculo anterior, surgindo uma nova

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extingue-se o vínculo anterior, surgindo uma nova obrigação com um novo vínculo. Consequência: no pagamento com sub- rogação se mantém para o novo credor os privilégios e garantias do credor primitivo, enquanto que na novação, extinguem-se os privilégios e garantias do credor primitivo, não as tendo o novo credor.

dívidas vencidas há mais tempo; (iii) se todas vencidas no mesmo tempo, a imputação será na mais onerosa (maiores juros ou multas); (iv) se todas no mesmo tempo e mesmos ônus, a lei não dá solução, mas jurisprudência diz ser de forma proporcional em cada uma das obrigações.

4.6. Dação em pagamento

Do exposto acerca da sub-rogação e novação, podemos chegar a uma conclusão: quando o pagamento é efetuado por um terceiro, seja interessado ou não interessado, ele poderá reaver do devedor primitivo o que por ele pagou. A diferença é que quando o pagamento é feito por terceiro interessado, há pagamento com sub-rogação, enquanto que no pagamento feito por terceiro não interessado, há novação, pois se extingue o vínculo anterior, surgindo uma nova obrigação com um novo vínculo (a obrigação de reembolso). Por isso, o terceiro interessado terá os privilégios e garantias do credor primitivo, mas o terceiro não interessado não, a não ser que se valha do pagamento com sub-rogação convencional, ou seja, condicionando o pagamento a sub-rogar-se nos direitos do credor.

o 4.7. Compensação é
o
4.7. Compensação
é

Dação em pagamento é a forma de extinção da obrigação através da qual o credor aceita receber prestação diversa da que lhe é devida. Conforme visto, nos termos do art. 313 do CC,

credor não é obrigado a aceitar prestação

diversa da contratada, ainda que mais valiosa. Porém, nada impede que o credor aceite prestação diversa, caso em que haverá extinção da obrigação de uma forma anormal, que não pelo pagamento, chamada de dação em pagamento.

Conforme será visto em contratos neste livro, evicção é a perda judicial ou até administrativa de um bem em razão de vício jurídico anterior à alienação. Quem vende não poderia ter vendido e quem compra perde para um terceiro, buscando do alienante uma indenização. Se o devedor dá coisa diversa em pagamento e o credor a perde pela evicção, restabelece-se a obrigação primitiva, ficando sem efeito a quitação dada, ressalvados os direitos de terceiro (art. 359 do CC).

4.5. Imputação ao pagamento

Se um devedor tem várias dívidas diferentes com um credor, mas não lhe entrega valor suficiente para pagamento de todas, é preciso identificar quais as dívidas foram extintas.

Imputação ao pagamento é a indicação da dívida a ser paga quando uma pessoa se encontra obrigada por dois ou mais débitos com o mesmo credor, sem poder pagar todos eles. Note que imputação ao pagamento não é bem um meio de extinção da obrigação, mas sim a determinação de que obrigação está extinta quando nem todas forem pagas.

Compensação é a forma de extinção das

obrigações entre duas pessoas que são, ao mesmo tempo, credora e devedora uma da outra. O meio normal de extinção da obrigação

o pagamento, ou seja, o cumprimento da

prestação. Todavia, quando duas pessoas são devedoras e credoras uma da outra, não há sentido que os pagamentos sejam feitos para extinção das obrigações. Compensam-se as dívidas e extintas estão as obrigações até onde se compensarem.

A compensação pode ser de dois tipos: legal

ou convencional, a depender se decorre da lei

ou da vontade das partes. A compensação legal se dará automaticamente, bastando presentes os requisitos legais, quais sejam:

Antes de a lei definir quais obrigações estão extintas (imputação legal), as partes têm o direto de definir (imputação convencional). Assim, em primeiro lugar, quem define é o devedor. No seu silêncio, o credor define em quais dá quitação. Se nenhum deles definir, a lei definirá, estabelecendo a seguinte ordem: (i) primeiro se pagam os juros vencidos e só depois o capital; (ii) pagamento imputado às

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ANALISTA JUDICIÁRIO DE TRIBUNAIS Direito Civil Cristiano Sobral reciprocidade das obrigações (um deve ao outro

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reciprocidade das obrigações (um deve ao outro e vice versa), liquidez e vencimento das prestações e envolverem bens fungíveis entre si (não basta serem bens fungíveis, devem ser substituíveis entre si, ou seja, homogêneos, por exemplo, dinheiro por dinheiro ou saca de café por saca de café, não podendo ser dinheiro por saca de café). Mesmo ausentes tais requisitos, ainda sim poderá haver compensação, mas será convencional, por depender da vontade das partes. Nada impede, portanto, haver compensação de uma dívida vencida com outra a termo, com bens infungíveis ou de natureza diferente (dinheiro por saca de café), mas será compensação convencional, onde o que importa é a vontade das partes.

extinção da obrigação, pois significa resgate, resgatar.

Tanto na confusão quanto na remissão há um aspecto importante para você saber sobre obrigações solidárias. Confusão ou remissão entre credor e um dos devedores solidários ou entre o devedor e um dos credores solidários:

mantém-se a solidariedade entre os demais, descontada a parte remitida ou da confusão parcial.

o é
o
é

Exemplo: Imagine três devedores solidários em trinta mil reais ao pai de um deles (solidariedade passiva). Com a morte do pai ou do filho ou se o pai perdoar só a dívida do filho, os outros dois devedores serão solidários em vinte mil reais. Da mesma forma, imagine que um devedor deve trinta mil reais a três credores solidários, sendo um deles o pai do devedor (solidariedade ativa). Com a morte do pai ou do filho ou se o pai perdoar só a dívida do filho, os outros dois credores serão solidários em vinte mil reais.

A reciprocidade é um requisito para a compensação legal, ou seja, devedor deve ao credor e vice-versa, mas há uma exceção:

quando envolver o fiador. O devedor somente compensa sua dívida para o credor com a dívida do credor contra ele, mas o fiador pode compensar sua dívida para o credor (é dele devedor porque é fiador) com a dívida que o credor tem com o afiançado, ou seja, não com ele, pois o fiador não é devedor em causa própria, mas mero garantidor de uma dívida do afiançado (art. 371 do CC).

5. INADIMPLEMENTO DAS OBRIGAÇÕES

5.1. Diferença entre inadimplemento e mora

Quando o devedor não cumpre a prestação, estamos diante do inadimplemento, que pode ser de dois os tipos: absoluto ou relativo. O inadimplemento é absoluto quando a prestação

4.8. Confusão e Remissão

Confusão é a forma de extinção das obrigações por reunirem na mesma pessoa a qualidade de credor e devedor. Imagine um pai que deve uma quantia em dinheiro a seu filho, que é seu único herdeiro. Com a morte do pai, o filho assume o débito, mas ele próprio é o credor, gerando extinção da obrigação pela confusão. A confusão pode se verificar a respeito de toda a dívida (total) ou só de parte dela (parcial). No exemplo citado, se são dois filhos, tendo o credor um irmão, só haverá extinção da obrigação relativa à metade da dívida (espólio é devedor de metade do valor para o filho credor).

Remissão é a forma de extinção da obrigação com o perdão da dívida pelo credor. Cuidado:

não confunda remissão com remição. A causa de extinção da obrigação é a remissão, é o ato de remitir, que significa perdão, perdoar. Remição ou ato de remir não é causa de

não é cumprida e não é mais útil ao credor que

devedor a cumpra - por exemplo, contratação

de cantor para cantar em um casamento que não comparece à cerimônia. O inadimplemento

relativo quando a prestação não é cumprida, mas ainda é útil ao credor que o devedor a cumpra, por exemplo, não pagamento de uma dívida em dinheiro no dia do vencimento. O inadimplemento absoluto é chamado simplesmente de inadimplemento e o inadimplemento relativo é chamado de mora.

Note que a diferença entre inadimplemento e mora reside no critério de utilidade para o credor. Em ambos os casos, a prestação não é cumprida, sendo inadimplemento se a prestação não é mais útil ao credor e mora se a prestação ainda é útil ao credor.

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ANALISTA JUDICIÁRIO DE TRIBUNAIS Direito Civil Cristiano Sobral Por que diferenciar mora e inadimplemento? Se

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Por que diferenciar mora e inadimplemento? Se o caso é de inadimplemento, como a prestação não é mais útil ao credor, a única

solução é o pagamento de indenização por perdas e danos (ar. 389 do CC). Por outro lado,

se o caso é de mora, cabe o que chamamos de

purgação ou emenda da mora. O que é isso? É cumprir a obrigação, porque ainda útil para o

credor, acrescido dos encargos moratórios. Purga-se a mora pagando-se com retardo, acrescido de: correção monetária, juros de mora, perdas e danos decorrentes da mora e eventual honorários de advogado (art. 395 do CC).

Completa a ideia de mora o art. 396 do CC, que preceitua não incorrer em mora o devedor quando não haja fato ou omissão imposta a

ele. Significa que a mora é o não cumprimento culposo da obrigação. Se não há culpa, não há mora. Se uma conta do devedor só pode ser paga no banco e o vencimento cai em um domingo, ao se pagar no dia seguinte, não há

de se falar em mora, tanto que se paga sem

encargos moratórios.

O Há mora é ex persona. O de
O
mora é ex persona.
O
de

art. 397 do CC nos faz perceber haver dois

tipos de mora: ex re e ex persona. A mora ex re é automática, ou seja, é aquela que independe de ato do credor para o devedor ser constituído em mora (interpelação judicial ou extrajudicial, notificação, protesto ou citação do devedor). Por sua vez, a mora ex persona é aquela que precisa de um dos citados atos do credor para o devedor ser constituído em mora. Quando a mora é ex re e quando é ex persona?

5.2. Mora

O

mora o devedor que não efetuar o pagamento e o credor que não quiser recebê-lo no tempo, lugar e forma que a lei ou a convenção estabelecer. Note haver mora não apenas quando não se paga no tempo devido, mas também se não se paga no lugar e na forma devida. Note ainda não haver mora só do devedor, mas também do credor, que ocorre quando este não quiser injustificadamente receber o pagamento, sendo o pagamento em consignação a solução para o devedor se livrar dos encargos da mora.

art. 394 do CC diz que se considera em

dois tipos de obrigações: com dia certo de

vencimento e sem dia certo de vencimento. Quando a obrigação tem um dia certo de vencimento, o devedor não precisa ser constituído em mora por ato do credor, pois o simples não pagamento no vencimento o constitui em mora (dies interpellat pro homine, ou seja, o próprio dia interpela o devedor). Por outro lado, quando a obrigação não tem dia certo de vencimento, o devedor só estará em mora se for constituído por ato do credor. Assim, quando a obrigação é com dia certo de vencimento, a mora é ex re e quando a obrigação é sem dia certo de vencimento, a

Segundo art. 395 do CC, configurada a mora, o devedor pode purgá-la, cumprindo a prestação acrescida dos encargos moratórios. Todavia,

se

a prestação tornar-se inútil ao credor, este

poderá enjeitá-la e pedir perdas e danos. A razão é simples: se inútil ao credor, deixou de

ser mora e se transformou em inadimplemento absoluto.

art. 398 do CC demonstra que a mora é ex

Como exemplo, imagine uma costureira que deixa de entregar o vestido de noiva no prazo estipulado. É caso de mora ou inadimplemento? Depende. Se ainda não houve a cerimônia, em razão de a data marcada lhe ser bastante anterior, o caso é de mora; se já houve a cerimônia, em razão da data marcada ter sido na véspera do casamento, o caso é de inadimplemento, caso em que o credor poderá rejeitar a coisa e pedir perdas e danos, pois ao se tornar inútil a ela, a mora se transformou em inadimplemento absoluto.

re quando a obrigação não cumprida decorre

ato ilícito. Com efeito, ato ilícito civil é

causar dano a alguém, gerando ao causador o dever de indenizá-lo. Poderíamos pensar ser caso de mora ex persona, pois o devedor deve

ser constituído em mora por um ato do credor,

propondo ação judicial (citação válida constitui

o devedor em mora). No entanto, tal

entendimento é equivocado, pois a lei diz que

essa mora é automática, independendo de qualquer ato do credor. O art. neste momento em análise diz que nas obrigações provenientes de ato ilícito, considera-se o

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ANALISTA JUDICIÁRIO DE TRIBUNAIS Direito Civil Cristiano Sobral devedor em mora desde que o praticou

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devedor em mora desde que o praticou (a responsabilidade de reparar o dano fixada na sentença judicial retroage à data do ato para aplicar os efeitos da mora).

Os arts. 399 e 400 do CC trazem dois efeitos da mora, um para mora do devedor e outro para a mora do credor:

a) Efeito da mora do devedor (art. 399 do

CC): O devedor em mora responde pela impossibilidade da prestação, ainda que esta se dê por caso fortuito ou força maior. Se a prestação do devedor se torna impossível sem culpa do devedor, simplesmente se resolve a obrigação sem qualquer ônus a lhe ser imposto. Todavia, se a impossibilidade ocorrer durante seu atraso, o devedor ficará obrigado a indenizar o credor pela impossibilidade da prestação, mesmo que esta tenha se dado por caso fortuito ou por força maior. Apenas em dois casos, estará desobrigado de indenização:

quando provar isenção de culpa no seu atraso (evidente, pois nesse caso não há mora, pois a mora é o não cumprimento culposo da obrigação) e se provar que o dano ocorreria mesmo se a prestação tivesse sido cumprida no tempo, lugar ou forma devida, ou seja, mesmo se não houvesse mora.

b)

A mora do credor, ou seja, se o credor se recusar injustificadamente a receber o pagamento, gera três efeitos: (i) retira do devedor isento de dolo a responsabilidade pela conservação da coisa (só indeniza perda ou deterioração do bem se teve dolo, não respondendo se teve culpa stricto sensu, ou seja, imprudência, negligência ou imperícia); (ii) obriga o credor a ressarcir o devedor das despesas que teve para conservar o bem; e (iii) sujeita o credor a receber o bem pela estimação mais favorável ao devedor se o seu valor oscilar entre o dia estabelecido para o pagamento e o da sua efetivação.

Efeito da mora do credor (art. 400 do CC):

5.3. Responsabilidade Civil Contratual

Responsabilidade civil é o dever de indenizar um prejuízo causado. Há dois tipos de responsabilidade civil: contratual e extracontratual. A responsabilidade civil contratual é aquela em que há um contrato

entre as partes, ou seja, um contratante não cumpre o contrato, causando prejuízo ao outro contratante, gerando dever de indenização. A

responsabilidade civil extracontratual, também chamada de aquiliana, é aquela em que não existe um contrato entre quem causa e quem sofre o dano, como no caso de alguém bater no carro de outrem, tendo que indenizá-lo. Responsabilidade civil extracontratual é tema do capítulo responsabilidade civil. Responsabilidade civil contratual é estudada aqui em obrigações, pois ocorre diante de mora

e inadimplemento. O contratante que não cumpre o contrato será civilmente responsabilizado, mas apenas se
e
inadimplemento.
O
contratante que não cumpre o contrato será
civilmente responsabilizado, mas apenas se
isso gerar um dano ao outro contratante, pois
responsabilidade civil é o dever de indenizar
um dano causado. Conforme o art. 402 do CC,
o
inadimplente deverá indenizar não só o dano
emergente, mas também os lucros cessantes,
que são os dois tipos de dano material. Dano
emergente: prejuízo efetivamente
experimentado; lucro cessante: o que se
legitimamente se deixou de ganhar. A eles se
acrescenta dano moral.
Diante de inadimplemento, seja absoluto ou
relativo, quem não cumpre o contrato
causando dano ao outro contratante deverá
indenizá-lo. A questão é: a responsabilidade
civil contratual é subjetiva (depende de culpa)
ou objetiva (independe de culpa)?
A
responsabilidade civil contratual é subjetiva,

pois só há mora se o não cumprimento da prestação for culposo. Significa que não há mora e, portanto, não há responsabilidade civil contratual, se não houver culpa do contratante em não cumprir a prestação. O mesmo ocorre com o inadimplemento absoluto, que pode ser culposo (com culpa do devedor) ou fortuito (sem culpa do devedor), mas, em regra, só haverá obrigação de indenizar se o devedor teve culpa no inadimplemento. Se um cantor é contratado para cantar no casamento e propositalmente não aparece na cerimônia, será responsabilizado em perdas e danos, mas se não cumpriu o contrato porque foi sequestrado na véspera, não há de se falar em dever indenizatório.

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ANALISTA JUDICIÁRIO DE TRIBUNAIS Direito Civil Cristiano Sobral Importante: O art. 393 do CC dispõe

ANALISTA JUDICIÁRIO DE TRIBUNAIS Direito Civil Cristiano Sobral

Importante: O art. 393 do CC dispõe que “o devedor não responde pelos prejuízos resultantes do caso fortuito ou de força maior, se expressamente não se houver por eles responsabilizadoNote que, conforme visto, a responsabilidade civil contratual é subjetiva, mas as partes podem expressamente prever no contrato que o inadimplente responderá mesmo que não tenha cumprido o contrato por caso fortuito ou motivo de força maior, ou seja, sem ter tido culpa, pois caso fortuito ou motivo de força maior são situações inevitáveis, que o inadimplente não podia impedir, como no caso do cantor contratado para cantar em um casamento que não cumpre a obrigação por ter sido sequestrado na véspera.

por não ter cumprido o contrato por dolo ou por culpa, mas, se for um contrato benéfico ou gratuito, a parte que não é favorecida (aquela que não recebe nada em troca) só responde pelo inadimplemento se agiu com dolo, ou seja, não será responsabilizado civilmente pelo não cumprimento do contrato por culpa em sentido estrito.

Assim sendo, ao doar um bem, o doador só responde pela impossibilidade de entregar a coisa doada, caso tenha agido dolosamente, por exemplo, se destruiu intencionalmente esse bem. Não responderá o doador, se o bem se quebrou porque foi negligente ao usá-lo, caso em que simplesmente se resolverá a obrigação, desfazendo a doação sem qualquer dever indenizatório ao doador. Se o contrato for de compra e venda e a coisa se perde com culpa do devedor, vimos que a solução é dar o equivalente acrescido de perdas e danos, que será devido tanto no caso de dolo quanto de culpa, ou seja, se quebrou propositalmente ou se por negligência, pois compra e venda é contrato oneroso.

5.4. Cláusula Penal de mora e honorários advocatícios. O
5.4. Cláusula Penal
de
mora e honorários advocatícios.
O

Qual a diferença, então, entre responsabilidade civil contratual e responsabilidade civil extracontratual subjetiva? Em ambos os casos só há responsabilidade civil diante da existência de culpa do devedor, mas na responsabilidade civil contratual, a culpa é presumida. Todavia, é uma presunção relativa, ou seja, aquela que admite prova em contrário, representando, assim, a inversão do ônus da prova. Na responsabilidade civil contratual, basta ao contratante provar que o outro não cumpriu o contrato. Se este não teve culpa no inadimplemento, ele que prove. Por outro lado, se é responsabilidade civil extracontratual subjetiva, a vítima do dano, ao cobrar perdas e danos, deverá provar que o agressor teve culpa ao causar o dano, pois esta não é presumida.

Conforme vimos, tanto o inadimplemento quanto a mora podem gerar responsabilidade civil contratual. Em caso de inadimplemento, o contratante deverá indenizar o outro em perdas e danos causados pelo não cumprimento do contrato e, em caso de mora, o devedor poderá purgá-la, cumprindo a prestação com retardado, acrescida de perdas e danos causados pela mora, correção monetária, juros

Quando se diz que a responsabilidade subjetiva exige a culpa, usa-se o termo culpa em sentido amplo, ou seja, é o dolo ou a culpa em sentido restrito (imprudência, negligência ou imperícia). A princípio, não há diferença na responsabilidade civil contratual se o inadimplemento foi por dolo ou por culpa. O art. 404 do CC diz que não interfere no valor da indenização se por dolo ou culpa, pois o valor da indenização será o valor do dano sofrido. No entanto, a lei consagrou uma diferença entre inadimplemento doloso ou culposo no negócio jurídico benéfico, ou seja, no contrato gratuito.

Nos termos do art. 392 do CC, se o contrato é

inadimplente responde

oneroso, o contratante

grande problema na responsabilidade civil

contratual é provar o valor da indenização, ou seja, a extensão do prejuízo causado pelo não cumprimento do contrato. Para resolver esse problema, a lei traz como solução a cláusula penal, que é uma multa prefixando o valor das perdas e danos em razão da mora ou do inadimplemento.

Cláusula penal, portanto, é um pacto inserido no contrato, impondo multa ao devedor que não cumpre ou que retarda o cumprimento da prestação.

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ANALISTA JUDICIÁRIO DE TRIBUNAIS Direito Civil Cristiano Sobral Note que há multa tanto para o

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Note que há multa tanto para o caso de mora quanto de inadimplemento. Assim, há dois tipos de cláusula penal: moratória e compensatória. A cláusula penal moratória é para prefixar perdas e danos em razão da mora, ou seja, pelo retardamento no cumprimento da obrigação, e a cláusula penal compensatória é para prefixar perdas e danos em caso de inadimplemento absoluto, ou seja, pelo não cumprimento da prestação.

multa, poderá ele cobrar a diferença? A

princípio não, pois o parágrafo único do art.

416 do CC diz que só poderá cobrar eventual

valor a mais, se esta possibilidade estiver expressa no contrato. Se assim for, o valor da multa já é objeto de execução e o valor a mais deverá ser provado em ação de conhecimento para seguir a execução por título executivo judicial. Se não houver permissivo contratual, limita-se a executar a multa.

413 do CC:
413 do CC:

Como exemplo, imaginemos um contrato de locação, cuja prestação do locatário é pagar, durante três anos, mil reais por mês ao locador. Se no contrato houver uma multa no valor de três meses de aluguel para o caso do locatário devolver as chaves antes do fim do contrato, será uma cláusula penal compensatória, pois o locatário pagará uma multa por não ter cumprido sua prestação, pelo menos em parte. Por outro lado, se houver no contrato uma multa em razão do locatário atrasar o pagamento do aluguel por não pagar no dia do vencimento, será uma cláusula penal moratória, pois o pagamento da multa é para o retardamento no cumprimento da prestação.

Há importante diferença na cobrança da cláusula penal a depender se compensatória ou se moratória (arts. 410 e 411 do CC): no inadimplemento o credor cobra cláusula penal compensatória ou o cumprimento da prestação enquanto que na mora o credor cobra cumprimento da prestação e cláusula penal moratória.

No caso da cláusula penal compensatória, havendo inadimplemento, esta se converterá em alternativa a benefício do credor, ou seja, este poderá escolher entre cobrar do contratante inadimplente a multa ou o cumprimento da prestação. No exemplo do cantor contratado para cantar no casamento, diante do não comparecimento à cerimônia, o contratante poderá cobrar a multa ou pedir para cantar depois, por exemplo, no aniversário dele que será na semana seguinte. Sendo cláusula penal moratória, sobrevindo mora, o credor pode exigir o cumprimento da prestação acrescido da multa, pois, se não pagou a dívida no dia, o credor a cobrará acrescido da multa com os demais encargos moratórios.

Note que há dois tipos de cláusula penal, cada uma com uma finalidade específica. A cláusula penal compensatória tem a função de compensar o contratante por não ter o outro contratante cumprido sua prestação. Já a cláusula penal moratória tem a função de intimidar, pois o contratante pagará uma multa

se

retardar o cumprimento da prestação.

O

penal é uma prefixação de perdas e danos e que a responsabilidade civil contratual é subjetiva, pois diz que incorre de pleno direito

na

deixe de cumprir a obrigação ou que se constitua em mora. Significa que, em caso de inadimplemento, o outro contratante pode executar a multa, independente de provar a extensão do dano em ação de conhecimento. E a lei vai mais longe ainda com o art. 416 do CC, prevendo que sequer é necessário provar que houve dano, se este foi prefixado no contrato.

cláusula penal o devedor que culposamente

art. 408 do CC demonstra que a cláusula

Para fechar o tema, é preciso saber que o juiz pode reduzir o valor da cláusula penal compensatória em dois casos previsto no art.

a) Se o valor é manifestamente excessivo: O art. 412 do CC estipula um valor máximo da cláusula penal compensatória ao afirmar que ela não pode exceder o valor da obrigação principal. No entanto, mesmo dentro desse limite, o juiz poderá reduzi-la a pedido da parte se manifestamente excessivo segundo as circunstâncias do caso.

Uma questão pode ser levantada: se o prejuízo do contratante for maior do que o valor da

b) Se a prestação tiver sido cumprida em

parte:

penal

a

função

da

cláusula

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ANALISTA JUDICIÁRIO DE TRIBUNAIS Direito Civil Cristiano Sobral compensatória é compensar o contratante pelo fato

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compensatória é compensar o contratante pelo fato do outro não ter cumprido a prestação. Assim, se este cumpre parte da prestação, a compensação deve ser apenas da parte não cumprida. Exemplo: se o contrato de locação diz que o locatário deve pagar multa de três meses de aluguel se devolver as chaves antes do fim do contrato, caso ele devolva tendo cumprido metade do contrato, não deverá arcar com toda a multa, mas apenas metade dela.

Ora, tanto nas arras confirmatórias como penitenciais, a consequência é a mesma: se quem desiste deu arras, perderá o sinal dado, mas se quem desiste foi quem recebeu o sinal, devolverá o dobro do valor. Então, pergunto:

para que diferenciar uma da outra?

Para o caso do prejuízo com a desistência ser maior que o valor fixado a título de arras. Se forem arras confirmatórias, não há previsão de direito de arrependimento e posso cobrar o prejuízo que a desistência me acarretar. Como já me beneficiei do valor das arras, cobro apenas o prejuízo que tive a mais. No entanto, se forem arras penitenciais, há no contrato previsão de direito de arrependimento, sendo fixado um preço para isso, ou seja, o valor de arras, não podendo o prejudicado cobrar eventual valor a mais que tenha tido de prejuízo com a desistência do outro contratante.

5.5. Arras Arras significam sinal, ou seja, é aquilo que é entregue por um dos
5.5. Arras
Arras significam sinal, ou seja, é aquilo que é
entregue por um dos contratantes ao outro
como princípio de pagamento quando da
celebração do contrato para confirmação do
acordo. A vantagem do adiantamento de um
sinal é confirmar o negócio, pois se houver
desistência, aquele que desistiu perderá o valor
das arras para compensar os prejuízos. Se
quem deu o sinal desistir, não poderá cobrá-lo
de volta; se quem o recebeu desistir, devolverá
o valor em dobro (como recebeu arras, a perda
efetiva será no valor das arras)
São dois os tipos de arras: confirmatória e
penitenciais.
A
diferença
decorre
se
no
contrato
existe
ou
não
cláusula
de
Diferença: nas arras confirmatórias (quando
não há direito de arrependimento), o
contratante pode cobrar indenização
suplementar, enquanto que não poderá fazê-lo
nas arras penitenciais (quando há direito de
arrependimento), pois se fixou um preço para
isso.
arrependimento.
QUESTÕES DE CONCURSOS
a) Arras confirmatórias: As arras serão
confirmatórias quando não houver previsão no
contrato de direito de arrependimento. É o
normal, pois as partes celebram um contrato
não esperando que a outra parte desista.
Assim, estipulam um valor de sinal a ser pago
imediatamente para confirmar o negócio. Se
quem deu arras desistir, perderá o sinal dado,
mas se quem desistir foi quem recebeu o sinal,
devolverá o dobro do valor.
1.
(CESPE
-
2014
-
TJ-CE
-
Analista
Judiciário
-
Área
Judiciária)
Rebeca,
obrigada por três débitos da mesma
natureza a Joana, pretende indicar a qual
deles oferecerá pagamento, já que todos os
débitos são líquidos e vencidos.
Nessa situação hipotética, Rebeca deverá
valer-se da
a) imputação do pagamento.
b) dação em pagamento.

b) Arras penitenciais: As arras serão penitenciais quando houver previsão no contrato de direito de arrependimento. Qualquer das partes terá direito de se arrepender, mas tem um preço para isso, ou seja, o valor das arras. Se quem desiste deu arras, perderá o sinal dado, mas se quem desistir foi quem recebeu o sinal, devolverá o dobro do valor.

c) compensação.

d) sub-rogação legal.

e) sub-rogação convencional.

O gabarito da questão é a letra A , de acordo com o art. 352, CC: "A pessoa obrigada, por dois ou mais débitos da mesma natureza, a um só credor, tem o direito de indicar a qual deles oferece pagamento, se todos forem líquidos e vencidos. A letra B está errada, conforme teor

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ANALISTA JUDICIÁRIO DE TRIBUNAIS Direito Civil Cristiano Sobral do art. 356, CC " O credor

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do art. 356, CC " O credor pode consentir em

receber prestação diversa da que lhe é devida".

A alternativa de letra C está errada, baseada

no art. 368 "Se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma de outra, as duas obrigações extinguem-se, até onde se compensarem". A letra D está incorreta, conforme o teor do artigo 346, CC: "a sub- rogação opera-se, de pleno direito, em favor: I- do credor que paga a dívida do devedor comum; II - do adquirente do imóvel hipotecado, que paga a credor hipotecário, bem como do terceiro que efetiva o pagamento

b) Ao credor assistirá o direito de cobrar a

dívida antes de vencido o prazo estipulado no contrato ou estipulado em lei se os bens hipotecados forem penhorados em execução por outro credor.

c) No pagamento em consignação julgado

procedente o depósito, o devedor já não poderá levantá-lo, embora o credor consinta,

senão de acordo com os outros devedores e

fiadores.

d) A pessoa obrigada por dois ou mais débitos da mesma natureza, a um só
d)
A pessoa obrigada por dois ou mais débitos
da mesma natureza, a um só credor, tem o
direito de indicar a qual deles oferece
para não ser privado de direito sobre imóvel; III
pagamento, se todos forem líquidos e
-
Do terceiro interessado, que paga a dívida
vencidos.
pela qual era ou podia ser obrigado, no todo ou
em parte”. A letra E está incorreta, de acordo
com previsão do art. 347, CC.
e)
No pagamento em consignação se a dívida
se vencer, pendendo litígio entre credores que
se pretendem mutuamente excluir, poderá
qualquer deles requerer a consignação.
2.
(IBFC
-
2014
-
TRE-AM
-
Analista
Judiciário
-
Área
Judiciária)
Segundo
o
Comentários
Código Civil, os prazos de favor, embora
consagrados pelo uso geral, não obstam a:
A
letra A está errada e é o gabarito já que traz
a
previsão do art. 346, CC que trata da sub-
a) Novação.
rogação legal e não da sub-rogação
convencional. A letra B está correta de acordo
b) Dação em pagamento.
c) Remissão das dívidas.
d) Compensação.
Comentários
Prazo de favor é aquele concedido por mera
tolerância, mesmo a dívida estando vencida;
geralmente são concedidos verbalmente pelo
credor. Assim, sempre que uma obrigação só
não estiver vencida por conta de um prazo de
favor, ou seja, um prazo que foi concedido sem
que houvesse obrigação de o ser, isso não
elimina a possibilidade de haver compensação.
De acordo com o art. 372, do CC, os prazos de
favor, embora consagrados pelo uso geral, não
obstam a compensação. Correta a letra D.
com o art. art. 333,inc. II, CC. A letra C está
correta de acordo com disposição do art. 339,
CC. A letra D está correta, conforme previsão
do art. 352, CC. Finalmente a letra E está
certa, de acordo com a redação do art. 345,
CC.
4. (CESPE - 2013 - TRT - 8ª Região (PA e AP)
-
Analista
Judiciário
-
Área
Judiciária)
Considere que determinada pessoa tenha
reunido as qualidades opostas de credor e
devedor da obrigação, tendo, com isso,
desaparecido a pluralidade de situações
jurídicas referentes à dívida. Essa situação
configura a modalidade de pagamento
denominada

3. (FCC - 2013 - TRE-RO - Analista Judiciário - Área Judiciária) Sobre o adimplemento e extinção das obrigações, de acordo com o Código Civil, é INCORRETO afirmar:

a) remissão.

b) assunção de dívida.

c) sub-rogação.

d) compensação.

e) confusão.

a) A sub-rogação será convencional na hipótese do adquirente do imóvel hipotecado, que paga a credor hipotecário, bem como do terceiro que efetiva o pagamento para não ser privado de direito sobre imóvel.

Comentários De acordo com o caso em tela, a questão descreve o instituto da confusão, previsto no art. 381, CC, “Extingue-se a obrigação, desde

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que na mesma pessoa se confundam as qualidades de credor e devedor.” Correta a alternativa

que na mesma pessoa se confundam as qualidades de credor e devedor.” Correta a alternativa de letra E. Código Civil de 2002

5.

( FCC

-

-

-

Na

obrigação de dar coisa certa,

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equivalente, mais perdas e danos”, todavia só responderá até antes da tradição.

TO) - Analista Judiciário - Área Judiciária) No que concerne a obrigações e à responsabilidade civil, julgue os

a) se, antes da tradição, a coisa se perder sem culpa do devedor, este responderá
a) se, antes da tradição, a coisa se perder sem
culpa do devedor, este responderá pelo
equivalente mais perdas e danos.
b) até a ocorrência da tradição, a coisa
próximos itens.
Subsistindo apenas uma das prestações, a
obrigação alternativa transforma-se em
simples, já que o credor terá perdido o
direito de escolha.
pertence ao devedor, com seus
melhoramentos, pelos quais poderá exigir
aumento no preço.
( ) Certo
(
) Errado
c)
os acessórios não estão abrangidos por ela,
Comentários
salvo se o contrário resultar do título ou das
circunstâncias do caso.
d)
se esta se deteriorar, ao credor não é dado
recebê-la no estado em que se encontra, com
abatimento do preço.
e) se, depois da tradição, a coisa se perder
sem culpa do devedor, este responderá pelo
equivalente mais perdas e danos.
Está correta a primeira parte da afirmativa
"subsistindo apenas uma das prestações, a
obrigação alternativa transforma-se em
simples", conforme disposto no art. 253, CC.
Todavia, háum equívoco quanto a hipótese de
o credor ter perdido o direito de escolha, já que
nas obrigações alternativas a escolha pode ser
do
credor ou devedorNo silêncio do contrato a
Comentários
A letra A está incorreta de acordo com o art.
234, CC, “se, no caso do artigo anterior, a
coisa se perder, sem culpa do devedor, antes
da tradição, ou pendente a condição
suspensiva, fica resolvida a obrigação para
ambas as partes; se a perda resultar de culpa
do devedor, responderá este pelo equivalente e
mais perdas e danos.” Correta a letra B,
conforme art. 237 CC, “até a tradição pertence
ao devedor a coisa, com os seus
melhoramentos e acrescidos, pelos quais
poderá exigir aumento no preço; se o credor
não anuir, poderá o devedor resolver a
obrigação.”. A letra C está errada de acordo
com o disposto no art. 233 CC, “a obrigação de
dar coisa certa abrange os acessórios dela
embora não mencionados, salvo se o contrário
resultar do título ou das circunstâncias do
caso.” A letra D está incorreta de, conforme
previsão do art. 235, CC, “deteriorada a coisa,
não sendo o devedor culpado, poderá o credor
resolver a obrigação, ou aceitar a coisa,
abatido de seu preço o valor que perdeu.” E
por fim, a letra E está errada, tendo por base
legal o art. 239, CC, “se a coisa se perder por
culpa do devedor, responderá este pelo
escolha pertence ao devedor (art. 252, CC), no
entanto, a questão não menciona que o direito
caberia ao credor, ERRADA por isso a
assertiva.
7.
(CESPE - 2013 - CNJ - Analista Judiciário
-
Área
Judiciária)
Paulo
e
Marcelo
celebraram contrato por meio do qual
Marcelo, notório artista, contraiu obrigação
intuitu personae de restaurar um quadro de
grande valor artístico, devendo receber,
para tanto, vultosa contraprestação
pecuniária.
Com referência à situação hipotética acima
apresentada, julgue os itens subsequentes.
Caso Marcelo se recuse a realizar a
restauração contratada, Paulo poderá
requerer a conversão da obrigação em
indenização por perdas e danos, sem
prejuízo de eventuais astreintes.
(
) Certo
(
) Errado
Comentários
A afirmativa está CERTA. A recusa ao
cumprimento da obrigação resolve-se, em
geral, em perdas e danos, conforme disposto
no art. 247, CC. Admite-se ainda, a execução

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específica da obrigação que pode ser imposta pelo juiz e uma multa periódica, a astreinte,

específica da obrigação que pode ser imposta pelo juiz e uma multa periódica, a astreinte, prevista no art. 461 e seu §4°, CPC.

(

) Certo

(

) Errado

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DIREITO DOS CONTRATOS

I. TEORIA GERAL DOS CONTRATOS

1. CONCEITO

Área Judiciária) Julgue os itens que se seguem, relativos às obrigações. Nas obrigações alternativas,
Área
Judiciária)
Julgue
os
itens
que
se
seguem, relativos às obrigações.
Nas obrigações alternativas, quando a
escolha couber ao credor e recair sobre
prestação inexigível por culpa do devedor, o
credor terá direito de exigir a prestação
subsistente ou optar pelo recebimento do
valor da inexigível acrescentado de perdas e
danos.
Contrato é o negócio jurídico bilateral formado
pela convergência de duas ou mais vontades,
que cria, modifica ou extingue relações
jurídicas de natureza patrimonial.
( ) Certo
(
) Errado
Comentários
A assertiva está CERTA, conforme o que
dispõe o art. 255, 1ª parte, do CC: "Quando a
escolha couber ao credor e uma das
prestações tornar-se impossível por culpa do
devedor, o credor terá direito de exigir a
prestação subsistente ou o valor da outra, com
perdas e danos ( )"
É um negócio jurídico, pois é uma atuação
humana em que as partes escolhem os efeitos
que serão produzidos ao praticarem o ato. É
bilateral, pois é formado pelo acordo de
vontades, ou seja, são necessárias pelo menos
duas vontades. O testamento é um negócio
jurídico, pois é atuação humana em que se
escolhem os efeitos que dele serão produzidos,
mas não é um contrato, pois é um negócio
jurídico unilateral.
2.
CLASSIFICAÇÕES DOS CONTRATOS
2.1.
Contrato
unilateral,
bilateral
e
plurilateral
Não se fala aqui no número de vontades
envolvidas, pois vimos que não existe contrato
com uma vontade apenas. Fala-se aqui em
número de prestações.
a)
Contrato unilateral: é aquele em que há
prestação apenas para uma das partes.
Doação é contrato, pois há duas vontades, em
razão da necessidade do donatário aceitá-la.
Todavia, é contrato unilateral, pois só tem
prestação para o doador (entregar o bem).
b)
Contrato bilateral: é aquele que, além de
duas vontades, tem prestação para ambas as
partes, por exemplo, contrato de compra e
venda, pois o vendedor tem a prestação de
entregar o bem e o comprador tem a prestação
de dar o preço.

c) Contrato plurilateral: é aquele em que há

pelo menos três vontades envolvidas. Exemplo:

contrato de sociedade, em que são partes os sócios e a própria sociedade, como parte

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ANALISTA JUDICIÁRIO DE TRIBUNAIS Direito Civil Cristiano Sobral credora (contribuição para o capital social). das

ANALISTA JUDICIÁRIO DE TRIBUNAIS Direito Civil Cristiano Sobral

credora

(contribuição para o capital social).

das

prestações

dos

sócios

2.2. Contrato oneroso e gratuito

Os arts. 458 a 461 do CC trazem dois tipos de

contratos de compra e venda atipicamente aleatórios: compra e venda de coisa futura e de coisa exposta a risco.

a) Contrato oneroso: é aquele em que as

partes ganham algo equivalente à sua prestação, ou seja, há equilíbrio econômico entre as partes porque ambos perdem e ganham na mesma proporção econômica, por exemplo, contrato de compra e venda.

a) Compra e venda de coisa futura: O contrato de compra e venda de coisa futura é aleatório, pois não se sabe se a coisa virá a existir e em que quantidade. Pode o contratante assumir o risco da coisa não vir a existir, pagando mesmo assim o preço (chamado de contrato de compra e venda emptio spei) ou assumir o risco de vir a existir em qualquer quantidade, pagando o preço se vier a existir em quantidade inferior à esperada, mas não pagando se nada do avençado vier a existir (chamado contrato de compra e venda emptio rei speratae). Em ambos os casos, não pagará o preço se menos do esperado vier a existir por culpa ou dolo do contratante. Como exemplo, pense na compra de peixes que ainda serão pescados, em que se paga o preço mesmo que nenhum peixe seja pescado (emptio spei) ou se vier em qualquer quantidade, só não pagando se nenhum vier (emptio rei speratae). Em nenhum dos dois casos pagará, se o insucesso total ou parcial decorreu de dolo ou culpa do pescador.

O 2.4. Contrato consensual e real
O
2.4. Contrato consensual e real

b)

não ganha algo equivalente à sua prestação,

ou

das partes só ganha e uma das partes só perde, por exemplo, contrato de doação.

seja, há desequilíbrio econômico, pois uma

Contrato gratuito: é aquele em que a parte

2.3. Contrato comutativo e aleatório

a)

partes podem antever os seus efeitos, ou seja,

ao

serão produzidos. Exemplo: contrato de compra e venda, pois já se sabe que um entrega o bem e que outro entrega o preço.

Contrato comutativo: é aquele em que as

celebrar o contrato, já sabem os efeitos que

b)

partes não podem antever os seus efeitos, ou seja, ao celebrar o contrato não há como saber

os

efeitos que serão produzidos. A razão é

Contrato aleatório: é aquele em que as

b) Compra e venda de coisa exposta a risco:

contrato de compra e venda de coisa

simples: contrato aleatório é o contrato de risco

exposta a risco é de coisa que já existe, mas é

(álea significa risco). Exemplo: contrato de seguro, pois o segurado pode ou não receber a indenização, a depender se ocorre ou não o sinistro, o que não se sabe quando o contrato é celebrado.

atipicamente aleatório, pois o comprador assume o risco exposto. Exemplo: compra de cerâmica a ser transportada em navio, cujo risco de vir a se quebrar o comprador assuma. Deverá pagar todo o preço, mesmo que alguns venham quebrados, a menos que dolosamente o vendedor se aproveite, colocando alguns já quebrados.

O

aleatório (aleatório típico) ou acidentalmente

contrato aleatório pode ser naturalmente

aleatório (aleatório atípico). O contrato é naturalmente aleatório quando for da sua essência ser aleatório, por exemplo, contrato de seguro. O contrato é acidentalmente aleatório quando for da sua essência ser comutativo, mas é aleatório em razão de uma circunstância que lhe é específica. Exemplo:

contrato de compra e venda é comutativo, mas o contrato de compra e venda de uma safra que está sendo plantada é aleatório, pois não

se sabe qual será a quantidade da produção.

O contrato se forma, em regra, quando a uma proposta se seguir uma aceitação, ou seja, com o acordo de vontade das partes. Essa regra é quebrada em alguns casos, quando o acordo de vontades não é suficiente para a formação do contrato, o que só ocorre com a prática de um ato posterior: a entrega do bem objeto da prestação.

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a) Contrato consensual: é aquele que se forma com o acordo de vontades das partes.

a) Contrato consensual: é aquele que se

forma com o acordo de vontades das partes. É

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3. PRINCÍPIOS CONTRATUAIS

a

regra em matéria de contratos, por exemplo,

3.1.

Princípio da autonomia da vontade

o

contrato de compra e venda.

 

As

partes são livres para contratar, ou seja,

b) Contrato real: é aquele que se forma com a tradição, ou seja, com a
b) Contrato real: é aquele que se forma com a
tradição, ou seja, com a entrega do bem, que
se segue ao acordo de vontade das partes.
São três os contratos reais: mútuo, comodato e
depósito.
contratam se quiserem, com quem quiserem e
sobre o que quiserem. Isso decorre de simples
razão: contrato é um acordo de vontades. O
limite para suas atuações é a lei e, como
veremos mais à frente, o interesse social e a
boa-fé.
2.5.
Contrato
de
execução
instantânea,
continuada e diferida
3.2.
Princípio da obrigatoriedade e a teoria
a)
Contrato de execução instantânea: é
da imprevisão (pacta sunt servanda x
cláusula rebus sic stantibus)
aquele que é cumprido em uma só vez, no
momento da celebração do contrato (exemplo:
As
partes contratam se quiserem, mas, se
compra e venda com pagamento à vista).
b) Contrato de execução continuada: é
aquele em que a prestação é cumprida em
cotas periódicas (exemplo: compra e venda
com pagamento parcelado).
contratarem, são obrigadas a cumprir o
contrato. O contrato faz lei entre as partes, o
que traduz o conhecido pacta sunt servanda,
ou seja, os pactos devem ser cumpridos.
Essa é a noção básica do princípio, mas o seu
estudo pode e deve ser aprofundado. O atual
c)
Contrato de execução diferida: é aquele
CC
adotou o princípio do pacta sunt servanda,
em que a prestação é cumprida em uma só
vez, mas no futuro (exemplo: compra e venda
com pagamento a prazo).
mas não de forma absoluta, pois foi mitigado
pela previsão da chamada cláusula rebus sic
stantibus.
2.6.
Contrato
entre
presentes
e
entre
ausentes
É
uma classificação que se refere à formação
do contrato. Pelos nomes, parece que
depende se as partes estão ou não na
presença física um do outro. Não é bem assim,
pois há tecnologias que fazem com que uma
conversa entre pessoas distantes seja como se
estivessem fisicamente presentes, pois
proposta e aceitação se dão em tempo real.
a)
Contrato entre presentes: é aquele em que
proposta e aceitação se dão em tempo real,
sendo firmado não só entre pessoas
fisicamente presentes, mas também por
telefone ou meio de comunicação semelhante
(vídeo conferência, chats, entre outros).
Para entender essa cláusula, é necessária uma
breve análise histórica. Desde a origem dos
contratos, vigora o princípio do pacta sunt
servanda, ou seja, o contrato sempre fez lei
entre as partes. No entanto, a Idade Média foi
uma época que ameaçou a sobrevivência
desse princípio, pois foi um período marcado
por constantes guerras e conflitos feudais, o
que inviabilizava o cumprimento de um
contrato. Por isso, naquela época, tornou-se
comum vir nos contratos com prestação que se
prolongava no tempo uma cláusula liberando o
contratante em caso de ocorrer uma guerra ou
conflito feudal, permitindo-lhe pedir o fim do
contrato. Rebus sic stantibus significa “coisa
assim ficar”, ou seja, o contratante é obrigado a
cumprir o contrato, mas apenas se a coisa
assim ficar.

b) Contrato entre ausentes: é aquele em que

proposta e aceitação não se dão em tempo real, cujos principais exemplos são aqueles formados por carta ou por e-mail.

A inovação do atual CC foi tornar a cláusula rebus sic stantibus implícita aos contratos, quando passou a prever a teoria da imprevisão ou da onerosidade excessiva. Se um contrato for assinado e sobrevier fato imprevisível que o

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ANALISTA JUDICIÁRIO DE TRIBUNAIS Direito Civil Cristiano Sobral desequilibre, tornando-o excessivamente oneroso para uma

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desequilibre, tornando-o excessivamente oneroso para uma das partes e com extrema vantagem para a outra, poderá aquela pedir a resolução do contrato (art. 478 do CC). O exemplo típico é o contrato de leasing de um carro, com valor atrelado ao dólar (locação com opção de compra ao fim do contrato mediante pagamento de valor residual). O dólar vale um real e passa do dia para noite para dois reais, dobrando o valor a ser pago. Poderá ser pedida a resolução do contrato com base na teoria da imprevisão ou da onerosidade excessiva.

Atenção: não confunda teoria da onerosidade excessiva com lesão e estado de perigo. Nesses defeitos do negócio jurídico, o ato já nasce viciado, enquanto que na aplicação da teoria ora em estudo, o contrato nasce

conforme a lei, mas se vicia por fato superveniente. A consequência disso é que na lesão e no estado de perigo o contrato é anulado, enquanto que na teoria da imprevisão ele é objeto de resolução. Nos citados vícios da vontade, como o ato é invalidado, a sentença anulatória retroage à data da prática do ato, desfazendo todos os efeitos produzidos, inclusive os anteriores à anulação. Na resolução do contrato pela onerosidade excessiva, a sentença não deveria retroagir, só aniquilando os efeitos a partir da resolução. Todavia, por expressa previsão legal, efeitos anteriores à resolução serão desfeitos, pois a

lei 3.3. contratos O do contrato que celebraram.
lei
3.3.
contratos
O
do contrato que celebraram.

São os elementos necessários para incidência da teoria da imprevisão ou da onerosidade excessiva:

a)

diferida: A teoria da imprevisão se aplica a contratos cuja execução se prolongue no tempo, ou seja, quando a execução é continuada ou diferida no tempo. Como o contrato de execução instantânea tem prestações cumpridas quando da celebração do contrato, estas não serão atingidas pelo fato imprevisível superveniente.

Contrato de execução continuada ou

determina que a sentença retroaja à data da

citação, ou seja, só são preservados os efeitos anteriores à citação.

Importante lembrar que o contrato atingido pela teoria da imprevisão ou onerosidade excessiva pode se manter, sem ser objeto de resolução, o que ocorrerá se o contratante beneficiado concordar com a redução do seu ganho, reequilibrando as prestações.

b) Prestação excessivamente onerosa para uma das partes: É a ideia da teoria, a excessiva onerosidade para uma das partes, desequilibrando o contrato.

Princípio da relatividade dos efeitos dos

c)

Para a resolução dos contratos, não basta este ter ficado muito oneroso para uma das partes. É preciso que, concomitantemente, tenha

Extrema vantagem para a outra parte:

contrato só produz efeitos em relação às

partes. É por isso que dizemos que o direito contratual é inter parte (entre as partes), diferente dos direitos reais, que são direitos oponíveis erga omnes (contra todos). Significa que o contratante só pode opor seu direito contratual ao outro contratante e não a

havido extrema vantagem para a outra parte. Assim sendo, se o contratante perde seu emprego e consegue outro recebendo metade do salário anterior, o contrato fica excessivamente oneroso para ele, mas não poderá pedir a resolução pela onerosidade excessiva porque não houve extrema vantagem para a outra parte.

pessoas estranhas à relação contratual, pois só as partes podem ter direitos e deveres frutos

3.4. Princípio da função social do contrato

c) Fato superveniente e imprevisível: A

resolução do contrato só terá lugar se o desequilíbrio das prestações decorrerem de um fato superveniente que as partes não podiam prever quando da celebração do contrato.

O contrato não interessa apenas às partes

contratantes, mas sim a toda sociedade, porque ele repercute no meio social. Essa é a ideia do princípio da função social do contrato,

que reflete a atual tendência de sociabilidade do direito, ou seja, de subordinação da liberdade individual em função do interesse

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ANALISTA JUDICIÁRIO DE TRIBUNAIS Direito Civil Cristiano Sobral social. Assim sendo, se o contrato repercute

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social. Assim sendo, se o contrato repercute negativamente para a sociedade, o juiz pode nele intervir para preservação do interesse coletivo.

Como exemplo, podemos pensar em um contrato com juros excessivamente elevados. Não é ruim apenas para a parte devedora, mas para toda a sociedade, pois aumenta o risco de inadimplemento, o que aumenta ainda mais os juros, o que dificulta a circulação do crédito, diminuindo os investimentos produtivos e fazendo com que o Estado não se desenvolva. O juiz, sob o fundamento da função social do contrato, poderá intervir nessa relação entre particulares, trazendo os juros para valor de mercado.

O

que refletem essa tendência da sociabilidade

do

imprevisão, podendo o juiz pôr fim ao contrato em razão do seu desequilíbrio econômico pela

direito. É o caso, por exemplo, da teoria da

CC, em várias oportunidades, tem regras

superveniência de um fato imprevisível. O mesmo ocorre no caso de lesão e estado de

perigo, podendo o juiz invalidar o contrato, por uma das partes ter assumido obrigação excessivamente onerosa em razão de determinadas circunstâncias que forçam a contratação. Isso demonstra a preocupação socializante do atual CC, pois, mesmo preenchidos os requisitos formais de validade

do

dos contratantes da esperteza ou ganância do outro ou do prejuízo econômico imprevisível com extrema vantagem para o outro contratante. Qual a razão disso? O Poder Judiciário só pode chancelar contratos que respeitem não só regras formais de validade jurídica, mas, sobretudo, normas superiores de cunho moral e social.

negócio jurídico, a lei pretende amparar um

Essa concepção social do contrato chega ao seu ápice quando o CC, já em seu primeiro artigo sobre contratos, diz que a função social do contrato representa uma limitação na liberdade de contratar (art. 421 do CC). As partes são livres para, dentro dos limites legais, colocarem no contrato as cláusulas que quiserem, mas a limitação à autonomia da vontade não se dá apenas pela lei, mas também pelo interesse social.

Imagine um contrato para a construção de uma obra de vulto ou de uma indústria. Não obstante estejam observados os requisitos legais de validade (agente capaz, objeto possível, determinado ou determinado e forma

prescrita ou não defesa em lei), alguns questionamentos podem ser feitos: e os reflexos ambientais? E os reflexos trabalhistas?

E os reflexos sociais? E os reflexos morais, ou

seja, no âmbito dos direitos da personalidade?

Por melhor que seja o contrato do ponto de vista econômico para os contratantes, não
Por melhor que seja o contrato do ponto de
vista econômico para os contratantes, não se
pode chancelar como válido um negócio
negativo para a sociedade em razão do
desrespeito de leis ambientais, que pretenda
fraudar leis trabalhistas ou que viole a livre
concorrência, as leis do mercado ou postulados
de
defesa do consumidor, mesmo sob o
pretexto da livre iniciativa.
Analisando os exemplos supramencionados,
podemos verificar que um contrato que não
cumpre a sua função social pode ser bom
apenas para uma das partes, como ocorre com
o
contrato com juros excessivos. Neste caso,
caberá ao contratante prejudicado pedir a
tutela jurisdicional com base na função social
do
contrato. No entanto, até mesmo quando o
contrato for bom do ponto de vista econômico
para ambas as partes, poderá ser alvo de
intervenção do juiz, caso contrarie o interesse
social, como é o caso de um contrato muito
lucrativo, mas que gera danos ambientais ou
que
fraude leis trabalhistas. A questão é: nesse
caso de mútuo benefício, a quem caberá pedir
a
intervenção judicial?
O
papel de guardião do princípio da função
social do contrato deve recair sobre os ombros
do
Ministério Público. A princípio, o parquet
não teria legitimidade ativa para pedir a
intervenção do juiz no contrato, por tratar-se de
interesse privado. Todavia, como o contrato

tem uma função social, não podendo prejudicar

a sociedade como um todo, o interesse passa

a ser coletivo, legitimando a atuação ministerial.

Com efeito, o princípio da função social do contrato possibilita uma nova tendência de controle dos contratos inaugurada pelo atual CC: o dirigismo judicial dos contratos. O que significa isso? O contrato sempre sofreu

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ANALISTA JUDICIÁRIO DE TRIBUNAIS Direito Civil Cristiano Sobral controle externo, limitando a atuação dos contratantes.

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controle externo, limitando a atuação dos contratantes. Até então, prevalecia o controle feito pela lei, razão pela qual esse controle é chamado de dirigismo legal dos contratos. Pense, como exemplo, no contrato de locação, onde a lei do inquilinato limita a atuação do locador. Hoje, com o CC vigente, prevalece o dirigismo judicial dos contratos, ou seja, não é a lei que controla o contrato, mas sim o juiz, na análise do caso concreto.

O que torna isso possível é a utilização das chamadas cláusulas gerais ou conceitos jurídicos indeterminados, que tem como exemplo a função social dos contratos. São expressões vagas em seu conteúdo, exigindo do aplicador do direito uma análise do caso concreto para suprir a vacância. A lei diz que o contrato deve atender a função social, ou seja, não pode ir contra o interesse social. O que é atender ou ir contra o interesse social? A lei não enumera casos, preferindo usar uma expressão vaga, permitindo ao juiz dizer, analisando o contrato, se ele atende ou não o interesse social.

Em conclusão, não se pretende aniquilar o princípio da autonomia da vontade ou o pacta sunt servanda, mas temperá-lo, tornando-os mais vocacionados ao bem-estar comum, sem prejuízo do interesse econômico pretendido pelas partes contratantes. A lei relativiza o princípio do pacta sunt servanda com regras específicas, como a cláusula rebus sic stantibus ou com a previsão da lesão ou do estado de perigo, mas também relativiza permitindo intervenção judicial em uma relação que deveria interessar unicamente às partes do contrato, mas que interessa a toda a sociedade, pois a lei diz que o contrato tem uma função social.

3.5. Princípio da boa-fé objetiva

Este princípio vem consagrado no art. 422 do CC, que obriga as partes contratantes a agirem de boa-fé quando da celebração de um contrato. A palavra chave do princípio é confiança, que significa parceria contratual. A ideia é que os contratantes não são lutadores, um querendo prejudicar o seu adversário, mas sim parceiros, porque um confia no outro, uma

vez que são obrigados a agir conforme os ditames da boa-fé.

Imagine um casal de noivos que compra suas alianças em uma joalheria, optando por um

modelo que é feito com ouro amarelo e ouro branco. Satisfeitos com a bela aliança, no dia da festa do noivado, um casal de amigos informa que toda aliança com ouro branco fica amarelada com o decorrer do tempo. Revoltados, reclamam junto à joalheria, que diz nada poder fazer. Os noivos poderão pedir a resolução do contrato de compra e venda, devolvendo as alianças e recebendo seu dinheiro de volta, em função da quebra da boa-

do vendedor, que não informou um relevante

aspecto do contrato, que interferiria na escolha

modelo da aliança ou na própria realização negócio.

princípio que rege os contratos é o princípio boa-fé objetiva, mas, em realidade, existem

dois tipos: a objetiva ou a subjetiva. A subjetiva, como o nome sinaliza, é a boa-fé interior, psicológica, ou seja, o que o

contratante acredita ser correto. Já a objetiva lhe é exterior, ou seja, é agir de forma correta, segundo um padrão normal de conduta. A boa-

que rege os contratos é a objetiva, pois é

mais segura, uma vez que não depende do que pensa o outro contratante, mas sim em verificar se o contratante agiu seguindo um

que é um comportamento normal? Como

saber se o contratante agiu seguindo um padrão normal de conduta? É o juiz que dirá na análise do caso concreto. Com efeito, vimos que a tendência atual em matéria de controle contratual é o chamado dirigismo judicial dos contratos, em substituição da antiga prevalência do dirigismo legal. Cabe ao juiz controlar os contratos, o que lhe é permitido a partir do uso de cláusulas gerais ou de conceitos jurídicos indeterminados, que são expressões vagas, reclamando suprimento da vacância pelo aplicador do direito na análise do caso concreto. É o caso não só da função social dos contratos, mas também da boa-fé objetiva. A lei obriga as partes a agirem de boa-fé, sem, no entanto, enumerar as condutas permitidas e proibidas sob esse aspecto. Esse papel caberá ao juiz, que poderá intervir em um

fé do do O da fé O
do
do
O
da
O

comportamento normal das pessoas.

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ANALISTA JUDICIÁRIO DE TRIBUNAIS Direito Civil Cristiano Sobral contrato, podendo até resolvê-lo, mesmo tendo sido

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contrato, podendo até resolvê-lo, mesmo tendo sido observados os requisitos formais de validade em uma livre negociação entre particulares.

Atenção: Conforme o art. 422 do CC, a boa-fé

deve nortear o comportamento dos contratantes não só no momento da conclusão do contrato, mas também durante a sua execução. É o fundamento da chamada responsabilidade civil pós-contratual. Às vezes, um contrato produz efeitos após a sua celebração, devendo a boa-fé perdurar enquanto durarem esses efeitos. Imagine que uma pessoa compre um carro junto a uma concessionária. O carro quebra, mas não existe peça para reposição e o comprador não poderá mais utilizá-lo. Ele poderá pedir a resolução do contrato alegando quebra da boa-

objetiva em razão de não ter informado fato

contratantes, opondo-se ao contrato paritário,

em que elas elaboram conjuntamente as

cláusulas do contrato. Não é um negócio jurídico unilateral, pois o aderente, embora não tenha o poder de negociar as cláusulas do contrato, tem que aceitar a proposta, não perdendo, portanto, sua natureza contratual de bilateralidade.

O aderente é parte mais fraca nessa relação

material

contratual. Para garantir a isonomia

ou a) b) bem 4.2. Contratos atípicos O
ou
a)
b)
bem
4.2. Contratos atípicos
O

real, o CC lhe confere duas proteções:

Art. 423: quando houver no contrato de

adesão cláusulas ambíguas ou contraditórias, deve ser adotada uma interpretação mais favorável ao aderente.

Art. 424: são nulas as cláusulas em um

contrato de adesão que estipulem a renúncia do aderente de um direito seu resultante da própria natureza do negócio. Exemplo: contrato de depósito é aquele em que o depositante entrega temporariamente ao depositário a guarda e conservação de um bem, que tem o

que poderia ocorrer após a execução do contrato.

Importante: embora não mencionado expressamente no art. 422 do CC, a boa- fé deve nortear o comportamento dos contratantes até mesmo antes da proposta. É o fundamento da chamada responsabilidade civil pré-contratual, que será analisada a seguir nas considerações sobre a formação dos contratos. Exemplo típico é a proibição da propaganda enganosa. O contrato celebrado a partir de uma propaganda enganosa poderá ser resolvido a requerimento da parte prejudicada, pois a boa-fé já deve fazer-se presente mesmo durante as negociações preliminares para uma futura contratação.

dever de devolver o bem tal como recebido. Note que é um direito do depositário receber o

tal como entregou ao depositário. Sendo o

estacionamento em estabelecimentos comerciais um contrato de depósito e de adesão, é nula a cláusula que diz não haver responsabilidade pelos objetos deixados no interior do veículo.

CC, nos arts. 481/853, trata da

regulamentação das várias espécies de contrato. Não há como a lei prever todo tipo de contrato, pois este resulta do acordo de vontade das partes, que são livres para negociar de acordo com suas necessidades. Ademais, as alterações da lei não conseguem acompanhar o surgimento de novos contratos em razão da dinâmica social.

Contratos típicos são aqueles previstos e regulamentados em lei, enquanto que os contratos atípicos não os são. São lícitos os contratos atípicos em razão do princípio da autonomia da vontade. Que normas são aplicadas a eles, já que não há regulamentação específica em lei? Nos termos

4. PRELIMINARES

O

do seu art. 421, iniciando com questões preliminares. De todos os princípios vistos, trata do princípio da função social dos contratos e da boa-fé objetiva. A seguir, trata de três temas: contrato de adesão, contratos atípicos e pacto sucessório, o que passamos a abordar.

CC trata da teoria geral dos contratos a partir

4.1. Contratos de adesão

Contrato de adesão é o contrato elaborado

unilateralmente por uma

das partes

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ANALISTA JUDICIÁRIO DE TRIBUNAIS Direito Civil Cristiano Sobral do seu art. 425, as normas gerais

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do seu art. 425, as normas gerais do CC, tanto da sua parte geral quanto da teoria geral dos contratos, ora em estudo.

4.3. Pacto Sucessório

obriga as partes ao seu cumprimento, sob pena de responsabilidade civil contratual, ou seja, indenização de perdas e danos em razão da mora ou do inadimplemento (tema tratado em obrigações, para onde remetemos sua leitura).

Pacto sucessório é o contrato que tem por objeto herança de pessoa viva, sendo também chamado de pacta corvina ou pacto de abutres. Nos termos do art. 426 do CC, é um contrato proibido por lei, sendo inválido se praticado. A questão é: será nulo ou anulável? A lei proíbe a prática sem dizer, no entanto, se nulo ou anulável, razão pela qual é considerado nulo pela lei, conforme prevê o art. 166, VII, do CC.

O CC trata do tema formação dos contratos nos arts. 427/435, mencionando a proposta e a aceitação. Todavia, a formação do contrato não é composta apenas por esses dois atos. Normalmente existe uma fase prévia, de negociações preliminares, chamada de fase de puntuação, que poderá culminar na formulação de uma proposta, que, se aceita, formará o contrato. São as fases que passamos a estudar.

formará o contrato. São as fases que passamos a estudar. Note não poder ser objeto de

Note não poder ser objeto de contrato herança de pessoa viva, ou seja, após morte do de cujos, após a abertura da sucessão, os herdeiros podem negociar seus quinhões hereditários, mesmo antes da individualização obtida ao fim do inventário com o formal de partilha, sendo considerado por lei um contrato de bem imóvel (art. 80, II, do CC).

5.1. Fase de puntuação e a responsabilidade pré-contratual

Fase de puntuação é a fase de negociações preliminares que antecedem a proposta, marcada por conversações prévias, ponderações, reflexões, sondagens, cálculos e estudos de viabilidade de negociação futura. Pode resultar, inclusive, em uma minuta contratual se alguns pontos acordados forem reduzidos a termo, ou seja, a escrito (difere da proposta, pois esta é completa, uma vez bastar um sim para o contrato se formar).

5. FORMAÇÃO DOS CONTRATOS

O contrato se forma, em regra, quando a uma proposta se seguir uma aceitação, seja com o acordo de vontades das partes. Como exceção, temos os contratos reais, em que este acordo não é suficiente para a formação do contrato, o que só ocorre com um ato posterior: a tradição, ou seja, a entrega do bem. É o caso de três tipos contratuais: mútuo, comodato e depósito.

Sobrevindo uma proposta à fase de puntuação, esta vincula o proponente, pois, se a outra parte a aceitar, o contrato estará formado e ambos estarão obrigados em seus termos. A questão é: podemos falar em responsabilidade civil nesta fase de negociações preliminares pela não conclusão do contrato? Em regra não, pois não há qualquer problema em se iniciarem negociações e se perceber a inviabilidade ou inconveniência da contratação. Todavia, em alguns casos, pode haver responsabilidade civil extracontratual ou aquiliana, pois não há ainda um contrato, sendo chamada de responsabilidade civil pré-contratual.

Quando isso ocorre? Quando, nas negociações preliminares, uma das partes cria na outra a justa expectativa de contratação e, sem qualquer justificativa, por mero capricho, não formaliza a proposta. O fundamento é a quebra da boa-fé objetiva na fase das negociações preliminares. Há um abuso de direito, que é

Não confunda a formação do contrato com a sua validade. O contrato se formar significa passar a existir no mundo jurídico, obrigando as partes ao seu cumprimento, enquanto que ser válido é estar de acordo com a lei e, portanto, apto a produzir seus regulares efeitos. O art. 107 do CC prevê que a validade dos contratos não exige forma especial, senão quando a lei exigir, ou seja, o contrato se forma com o simples acordo de vontades, mas, em alguns casos, sua validade reclama uma forma especial para produzir efeitos. Assim, destacando que em alguns casos deve haver uma forma especial do contrato, o que tratamos aqui é do momento da sua formação, pois passando a existir no mundo jurídico,

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ANALISTA JUDICIÁRIO DE TRIBUNAIS Direito Civil Cristiano Sobral considerado pela lei ato ilícito a ensejar

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considerado pela lei ato ilícito a ensejar

responsabilidade civil (art. 187 c/c art. 927, ambos do CC). Ora, ao criar a justa expectativa

de contratação, legitima a outra parte a contrair

gastos e até a recusar outras propostas, e não concluir o contrato sem qualquer justificativa é causar o que chamamos de “dano de confiança”, em razão da quebra da boa fé objetiva, que deve nortear o comportamento dos contratantes até mesmo antes da proposta.

Caso o jogador negocie seu passe com outro clube ou este não queira mais contratá-lo, haverá descumprimento do contrato, devendo arcar com perdas e danos, que provavelmente virá pré-fixada em uma cláusula penal.

Importante: O pré-contrato deve ter os mesmos elementos do contrato definitivo, à exceção de um deles: a forma. As partes e o objeto são os mesmos, mas a forma não precisa ser a mesma. Se o contrato definitivo tem que ser por escritura pública, nada impede que o pré-contrato seja por instrumento particular.

impede que o pré-contrato seja por instrumento particular. Como exemplo, cito um caso cobrado em prova.

Como exemplo, cito um caso cobrado em prova. Imagine que durante anos um fabricante de extrato de tomate distribui gratuitamente sementes de tomate entre

agricultores de uma região, procurando-os na época da colheita para celebrar com eles contrato de compra e venda de toda a produção de tomate. No décimo ano distribuiu as sementes, mas não apareceu para compra da safra. Procurada pelos agricultores, recusou-se, sem qualquer justificativa, a celebrar o contrato. Nesse caso, há responsabilidade civil pré-contratual aquiliana do fabricante de extrato de tomate, tendo que indenizar os agricultores em razão dos prejuízos que resultaram da não contratação, como os custos da produção e eventual recusa de venda para outros compradores. O fundamento da responsabilidade pré-contratual

é

a violação do princípio da boa-fé objetiva

Qual a importância do pré-contrato? Em princípio, a responsabilidade civil na fase de negociações preliminares é extracontratual, pois ainda não há um contrato. No entanto, se celebrarem um pré-contrato, as partes transformarão essa responsabilidade pré- contratual em contratual antes mesmo da celebração do contrato definitivo, pois o pré- contrato é um contrato. Qual a vantagem? A parte prejudicada não precisará provar a culpa do inadimplente no descumprimento do contrato nem tampouco o dano, seja sua própria existência, seja a sua extensão. Você lembra o que vimos a respeito do tema?

Lembrando: tanto a responsabilidade civil extracontratual (em regra) como a contratual são subjetivas, mas esta tem culpa presumida. Assim, se o caso é de responsabilidade contratual, basta ao contratante prejudicado provar o inadimplemento, sem precisar provar que o outro teve culpa no descumprimento do contrato (este poderá elidir sua responsabilidade provando não ter tido culpa, pois a presunção de culpa é relativa, admitindo prova em contrário, o que representa inversão do ônus da prova). Por outro lado, se é caso de responsabilidade civil extracontratual subjetiva, a vítima do dano, ao cobrar perdas e danos, deverá provar que o agressor teve culpa em causá-lo. Assim sendo, a responsabilidade civil contratual é mais vantajosa para quem sofre o dano, pois não precisará provar o difícil elemento subjetivo da culpa. Além disso, como há um contrato, podemos pré-fixar as perdas e danos em uma cláusula penal, dispensando a parte prejudicada de provar não só o dano, mas, sobretudo, a sua extensão.

nessa fase de negociações preliminares anterior à proposta, pois o fabricante criou nos agricultores a justa expectativa de contratação e, sem qualquer justificativa, por mero capricho, não formalizou a proposta de compra e venda.

5.2. Pré-contrato ou contrato preliminar

O

preliminar ou pacto de contrahendo, é um contrato em que as partes assumem a obrigação de celebrar um contrato definitivo no futuro, por não ser possível a contratação agora ou por não ser o melhor momento.

pré-contrato, também chamado de contrato

Exemplo: Um time de futebol quer contratar um jogador. Não pode celebrar um contrato definitivo agora, pois ele tem contrato em vigor com outro clube. No entanto, poderão celebrar um pré-contrato, em que se obrigam a contratar ao término do contrato em vigor.

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ANALISTA JUDICIÁRIO DE TRIBUNAIS Direito Civil Cristiano Sobral No supramencionado exemplo da compra dos tomates,

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No supramencionado exemplo da compra dos

tomates, o fabricante, por ser fase anterior à proposta, tem responsabilidade civil

extracontratual, somente sendo responsabilizado civilmente se os agricultores provarem a justa expectativa de contratação e

a recusa sem qualquer justificativa, mas

também a sua culpa na não celebração do

contrato. No entanto, se na fase de negociações preliminares, as partes reduzirem

as

contrato, bastarão provar que o fabricante assinou um pré-contrato e que houve inadimplemento, além de sequer precisar provar o dano e a sua extensão, pois poderão executar direto a cláusula penal.

bases do contrato a escrito em um pré-

fase de policitação se dá após a proposta, sucedendo-se sucessivas contrapropostas. A pergunta se mantém: como saber se uma conversa entre as partes já configura uma proposta ou apenas negociações preliminares, que até pode resultar em uma minuta, se reduzido a termo? É a seriedade da proposta. Significa que a proposta é pronta e acabada,

abordando todos os elementos do contrato, pois basta um sim para a formação do contrato.

Se puntuação. O e é o A do três casos: a) a b)
Se
puntuação.
O
e
é
o
A
do
três casos:
a)
a
b)

isso já existe, é fase de policitação; se

ainda não existe, sendo conversados apenas alguns pontos do contrato, a fase é de

aspecto mais importante da proposta é o seu

aspecto vinculatório, ou seja, a proposta obriga o proponente. Se eu faço uma proposta,

O

jogador de futebol. Se o clube apenas conversa em negociações preliminares, acertando as bases de um futuro contrato, pode ser que, ao final do contrato em vigor, o atleta quebre a confiança e resolva permanecer

no

clube que está ou contratar com outro. Para

mesmo ocorre no exemplo da contratação do

crio na outra parte a justa expectativa de contratação, que pode levá-la a contrair gastos

até a recusar outras propostas. Feita a

proposta, o proponente a ela se obriga, ou seja, se houver aceitação, não poderá alegar desistência ou arrependimento, podendo o aceitante pedir em juízo a execução forçada do

responsabilizá-lo civilmente, deverá provar que

o

assinar um pré-contrato, bastará comprovar o inadimplemento, sem sequer precisar provar o

atleta não contratou culposamente, mas, se

contrato ou indenização por perdas e danos. Já

responsabilidade civil contratual, pois com a aceitação o contrato se formou, passando a

dano e a sua extensão.

existir no mundo jurídico. A proposta só obriga

proponente e a aceitação passa a obrigar ambas as partes.

5.3. A proposta

O

seguir uma aceitação. É raro uma pessoa fazer uma proposta e a outra simplesmente a aceitar, pois é normal se sucederem sucessivas contrapropostas até culminar em uma aceitação final. Essa fase de sucessivas contrapropostas a partir de uma proposta é chamada de fase de policitação ou fase de

contrato se forma quando a uma proposta se

questão é: a proposta sempre obriga o

proponente? Não, pois nos termos do art. 427

CC a proposta não obriga o proponente em

Se isso resultar dos termos da proposta:

se no próprio corpo da proposta vier expressa

não obrigatoriedade, não cria justa

oblação. Isso dá nome aos atores envolvidos:

expectativa de contratação na outra parte.

quem faz a proposta é chamado de proponente

ou

de policitante e quem a aceita é chamado

de

A depender da natureza do negócio:

aceitante ou de oblato.

certos negócios jurídicos que, por sua natureza, não obrigam o proponente, como proposta de venda de produto com quantidade limitada em estoque, a partir do fim do estoque.

c) A depender de determinadas circunstâncias: existem certas circunstâncias que fazem com que a proposta deixe de ser obrigatória, estando elas elencadas no art. 428 do CC - a primeira delas para contrato entre

fase de policitação, não deixa de haver uma

negociação entre as partes, o que já acontece

na fase de puntuação. Ora, qual a diferença

entre a fase de puntuação e a fase de policitação na formação dos contratos? É a existência de uma proposta. A fase de puntuação é a fase de negociações preliminares, ou seja, anterior à proposta. Já a

Na

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ANALISTA JUDICIÁRIO DE TRIBUNAIS Direito Civil Cristiano Sobral presentes e as três restantes para contrato

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presentes e as três restantes para contrato entre ausentes, a saber:

(i) se feita proposta sem prazo à pessoa presente e esta não foi imediatamente aceita;

obrigado a concordar, mas se quiser poderá aceitá-la. Por isso, dizemos que a aceitação fora do prazo ou com modificações tem natureza de nova proposta.

O contrato se forma quando a uma proposta se seguir uma aceitação. Se o contrato é entre presentes, fácil será determinar o momento, pois proposta e aceitação se dão em tempo real. E se o contrato for entre ausentes, quando se dá sua formação? Em regra, quando a aceitação é expedida, pois é quando o aceitante perde o controle de sua vontade. Como exceção, o contrato entre ausentes se forma quando a resposta chegar ao proponente, se assim convencionado entre as partes.

(ii) se feita proposta sem prazo a pessoa

ausente e tiver decorrido tempo suficiente para

chegar a resposta ao conhecimento do

proponente;

a resposta no
a resposta no

(iii)

ausente e esta não expedir

prazo;

se feita proposta com prazo à pessoa

(iv)

antes dela ou simultaneamente chegar ao conhecimento da outra parte a sua retratação.

se feita uma proposta entre ausentes e

6. CONTRATOS QUE PRODUZEM EFEITOS A TERCEIROS

A

(art. 435 do CC). A importância em saber o local de sua formação é determinar qual lei será aplicada ao contrato.

proposta fixa o local de formação do contrato

Em razão do princípio da relatividade de seus efeitos, o contrato só atinge as partes, ou seja, só quem é parte pode ter direito e deveres que dele decorrem. Todavia, há três contratos em que um terceiro é por ele atingido, pois terão direitos e deveres decorrentes de um contrato em que não celebraram originariamente:

5.4. A aceitação

Se a proposta obriga apenas o proponente, a aceitação vincula também o aceitante, pois ela faz o contrato se formar, passando a existir no mundo jurídico, estando ambas as partes obrigadas ao seu cumprimento nos termos da responsabilidade civil contratual.

6.1. Estipulação em favor de terceiro: É o contrato em que um dos contratantes estipula um terceiro para quem o outro contratante deverá cumprir a prestação. É um terceiro ao contrato tendo um direito dele decorrente. Exemplo: contrato de compra e venda em que o estipulante determina a entrega do bem para um beneficiário. Se a prestação não for cumprida, o estipulante poderá exigi-la em juízo. O beneficiário também tem esse poder, desde que não haja essa restrição no contrato. Caso tenha sido retirado do beneficiário esse poder, poderá o estipulante exonerar o devedor de cumprir a prestação. E a substituição do beneficiário é possível? Sim, independente da anuência dele e do outro contratante, se reservar esta faculdade no contrato.

6.2. Promessa de fato de terceiro: É o contrato em que um dos contratantes promete que um terceiro cumprirá a prestação para o outro contratante. É terceiro ao contrato com um dever dele decorrente. Exemplo: contrato por meio do qual uma das partes promete que

A aceitação pode ser expressa ou tácita. Expressa é a aceitação inequívoca, podendo ser escrita, verbal ou até gestual (ex. leilão). Tácita é a aceitação presumida pela prática de um ato incompatível com a não aceitação. Exemplo: doação de vaso não aceita de forma expressa, mas o donatário manda buscá-lo na casa do doador e o coloca exposto em sua sala. É por isso que o art. 111 do CC prevê que

o

silêncio, embora não seja a regra, até pode

valer como aceitação, mas apenas quando as circunstâncias indicarem que a pessoa aceitou

tacitamente e, evidente, a lei não exija aceitação expressa.

Conforme visto, a proposta obriga o proponente. No entanto, essa obrigatoriedade não é eterna, mas sim pelo prazo dado. Se houver aceitação fora do prazo ou até mesmo com modificações, o proponente não é

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ANALISTA JUDICIÁRIO DE TRIBUNAIS Direito Civil Cristiano Sobral seu irmão, um cantor famoso, concederá uma

ANALISTA JUDICIÁRIO DE TRIBUNAIS Direito Civil Cristiano Sobral

seu irmão, um cantor famoso, concederá uma entrevista exclusiva a um programa de rádio. Se o terceiro não cumprir a prestação, o

promitente responde por perdas e danos, mesmo que tenha feito todos os esforços para

o cumprimento da prestação. O promitente não

responderá, mas sim o terceiro, se este aceitar

prestação e depois não cumpri-la. Ademais, o promitente não responde pelo descumprimento da prestação do terceiro se, pendendo sua aceitação, forem casados e, a depender do regime de bens do casamento, a cobrança sobre o promitente recair de alguma forma sobre o terceiro.

a

seu uso ou que lhe diminui o valor. Por sua vez, responder por defeito jurídico é responder pela evicção, ou seja, quem alienou o bem não poderia tê-lo feito e o adquirente o perdeu para um terceiro, podendo buscar uma indenização do alienante.

Procederemos aqui ao estudo em separado do vício redibitório e da evicção. No entanto, de plano, merecem destaque três observações comuns a ambos os institutos, pois são questões muito recorrentes em prova e que merecem sua especial atenção:

a) b) c) 7.1. Vícios Redibitórios
a)
b)
c)
7.1. Vícios Redibitórios

O alienante responde por eles mesmo que

6.3. Contrato com pessoa a declarar: É o

não haja previsão expressa em contrato, pois são garantias implícitas, que decorrem de lei e não da vontade das partes.

contrato em que um dos contratantes pode indicar uma pessoa que irá assumir a sua posição no contrato. É um terceiro ao contrato tendo direitos e deveres que dele decorrem. Exemplo: uma pessoa quer comprar uma casa, cujo dono jamais lhe venderá por problemas pessoais, podendo se valer de uma pessoa para contratar com o proprietário, inserindo no contrato cláusula que lhe permite indicá-lo a assumir sua posição no contrato. Essa indicação deve ser feita em quinze dias, se outro prazo não for estipulado, mas tem efeito retroativo à data da celebração do contrato, pois o indicado assume os direitos e deveres do contrato desde a sua celebração e não apenas a partir da sua nomeação. Esse contrato exige muita confiança entre quem indicará e quem será indicado, pois se não houver nomeação ou se esta não for aceita pelo indicado, o contrato produz efeitos entre

os

O alienante responde por eles apenas diante

de alienações onerosas. Atenção: a doação é uma alienação gratuita, mas o alienante responderá por eles quando a doação for com encargo, o que a lei chama de doação onerosa.

O alienante responde por eles mesmo que a

aquisição do bem tenha se dado em hasta pública, ou seja, através da venda pública de

bem penhorado em processo de execução.

Aqui a responsabilidade é diante da existência de defeitos materiais, ou seja, o bem está quebrado. Importante você não confundir a disciplina civil dos vícios redibitórios com a disciplina consumerista. Sendo o CDC uma lei especial em relação ao CC, só aplicamos suas regras quando inaplicáveis as regras do CDC. Quando, então, aplicamos as regras dos vícios redibitórios previstas no CC? Quando não houver relação de consumo, o que ocorre em dois casos: (i) quando o alienante não é fornecedor, como ocorre na venda ocasional de um bem usado, pois ser fornecedor exige habitualidade da negociação; e (ii) quando o adquirente não for consumidor, como ocorre no caso de alguém adquirir um bem para renegociação, pois o CDC afirma que só é consumidor quem adquire um bem como destinatário final. Aqui nos concentraremos na disciplina civil do tema, deixando as regras da

contratantes originários.

7. GARANTIAS IMPLÍCITAS IMPOSTAS AO ALIENANTE

Quando uma pessoa aliena um bem, deve

garantir ao adquirente, em nome da boa-fé objetiva, o seu normal uso e fruição, bem como

a garantia de que não o perderá para terceiros

por razões de direito. Assim sendo, o alienante responde perante o adquirente do bem tanto por defeitos materiais como por defeitos jurídicos.

O alienante, responder por defeito material é

responder por vício redibitório, ou seja, o bem apresenta um defeito físico que o torna inútil ao

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ANALISTA JUDICIÁRIO DE TRIBUNAIS Direito Civil Cristiano Sobral relação de consumo para um estudo específico

ANALISTA JUDICIÁRIO DE TRIBUNAIS Direito Civil Cristiano Sobral

relação de consumo para um estudo específico do tema.

Por definição, vícios redibitórios são defeitos ocultos que tornam o bem impróprio para o uso a que se destina ou que lhe diminuem o valor. Note que na disciplina civil, diferente da relação de consumo, o alienante só responde por defeitos ocultos, ou seja, que não poderia ter sido facilmente detectado pelos órgãos dos sentidos, pois se o vício era aparente, presume-se que o adquirente o admitiu, pois dele ciente.

em si, ou seja, devolução do valor recebido e

ressarcimento das despesas do contrato. Se o alienante procedeu de má-fé, não só devolverá

o valor recebido, mas também indenizará o adquirente de todas as perdas e danos decorrentes do vício redibitório.

Qual o prazo que tem o adquirente para reclamar vício redibitório em juízo? Depende do bem adquirido: trinta dias para bem móvel e um ano para bem imóvel. A princípio, o prazo se inicia quando da entrega efetiva do bem e não quando da alienação, pois só com o seu uso é que ele consegue perceber o defeito oculto. No entanto, se o adquirente já tinha a posse do bem, o prazo se iniciará quando da prática do ato, pois é quando adquire legitimidade para reclamação em juízo, mas os prazos serão reduzidos à metade, por já ter tido contato com o bem. Além disso, se for um defeito oculto que por sua natureza seja de difícil percepção, o prazo só se inicia quando o adquirente dele tiver ciência. Todavia, a lei confere um prazo máximo para ciência do defeito a se somar ao prazo de reclamação:

7.2. Evicção lo
7.2. Evicção
lo

Note que o vício redibitório é um defeito

material que pode tornar o bem impróprio para

o

valor. Portanto, haverá vício redibitório tanto no

seu uso ou que pode apenas lhe diminuir o

defeito oculto em um motor de um carro que o faz não mais funcionar, como também no defeito oculto de uma máquina que produz determinado produto, diminuindo a sua produção, embora ela ainda funcione. Assim sendo, o adquirente pode reclamar do vício redibitório em juízo optando por uma de duas ações judiciais:

cento e oitenta dias para bem móvel e um ano para bem imóvel. Por fim, não se esqueça que eventual prazo de garantia convencional oferecida pelo alienante não substitui o prazo de garantia legal, mas sim a ele se soma, pois, se houver garantia convencional, o prazo de garantia legal só se inicia quando este for encerrado.

a) Ação Redibitória: ação judicial em que se

pede para redibir o contrato, ou seja, desfazer

negócio jurídico. Trata-se de anulação e não de declaração de nulidade, pois a lei impõe prazo para reclamá-lo, sob pena de convalescimento.

o

b) Ação Quanti Minoris ou Ação Estimatória: ação judicial em que se pede abatimento do preço, ou seja, o adquirente quer permanecer com o bem, mas quer devolução do valor da desvalorização em razão do defeito oculto ou, se ainda não pagou, descontá-lo quando do pagamento. Nessa ação se apura o valor a ser abatido do preço, o que justifica o seu nomem iuris: “estimar” “quanto menos” vale o bem.

Evicção é a perda ou desapossamento judicial,

ou excepcionalmente administrativo, de um bem, em razão de um defeito jurídico anterior à alienação. Quem alienou o bem não poderia tê-

feito, e o adquirente o perdeu, tendo ação de

indenização contra o alienante. O adquirente

que perde o bem é o evicto, e o terceiro que dele o toma é o evictor.

Detalhe importante: o alienante responde por vícios redibitórios estando ele de má-fé ou até mesmo de boa-fé, ou seja, sabendo ou não do defeito oculto. A diferença é que apenas diante da má-fé será obrigado a indenizar perdas e danos. Nos termos do art. 443 do CC, se o alienante agiu de boa-fé, apenas ressarcirá o adquirente dos gastos que teve com o negócio

Exemplo: estelionatário invade terreno e, falsificando a escritura pública, vende-o. O verdadeiro dono ajuíza ação reivindicatória reclamando seu terreno. Ao se constatar a falsidade da escritura pública, o comprador perderá judicialmente o imóvel, o que chamamos de evicção, tendo apenas direito indenizatório contra o alienante.

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ANALISTA JUDICIÁRIO DE TRIBUNAIS Direito Civil Cristiano Sobral Note que a evicção pode se dar

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Note que a evicção pode se dar

excepcionalmente através de uma perda administrativa do bem, pois, em alguns casos,

jurisprudência do STJ tem admitido a evicção independente de decisão judicial. Destaque para o caso em que há apreensão policial da coisa em razão de furto ou roubo anterior à alienação, podendo o caso ser resolvido no próprio âmbito da delegacia. Exemplo: ladrão que vende carro roubado, sendo o evicto parado em uma blitz e o carro levado à delegacia e devolvido ao seu real dono.

a

Conforme será visto no estudo da posse no

capítulo de direitos reais deste livro, para onde remetemos a sua leitura, o possuidor que realiza benfeitorias no bem e vem a perdê-lo, tem direito de ser indenizado quando as benfeitorias forem necessárias e úteis. É o caso que ocorre aqui, pois o evicto tem a posse

do bem e a perde para o evictor.

Assim, se ele realizou benfeitorias necessárias

úteis no bem antes da perda, poderá

ou CC do alienante. da a de Por
ou
CC
do alienante.
da
a
de
Por

reclamar indenização do evictor. O art. 453 do

diz que o evicto pode cobrar do alienante o

Informação importante: Nos termos do art. 448 do CC, as partes podem por cláusula

que gastou com benfeitorias necessárias e úteis, se não foram abonadas, ou seja, se não

expressa reforçar, diminuir ou até excluir a responsabilidade do alienante pela evicção. Cuidado, pois a exclusão só valerá se o evicto

foi

informado do risco da evicção e o tenha

foram pagas pelo evictor. No entanto, completa o art. 454 do CC, se as benfeitorias foram feitas pelo alienante e abonadas, ou seja, pagas ao evicto pelo evictor, o valor será deduzido quando o evicto cobrar a indenização

assumido (art. 449 do CC).

Ao perder o bem, o evicto poderá cobrar indenização do alienante. A regra é o ressarcimento da integralidade do dano do evicto, o que lhe permite cobrar do alienante não só a devolução do que pagou pelo bem, como também as perdas e danos em razão da evicção, os frutos que eventualmente tenha sido obrigado a restituir ao evictor e o que gastou com custas judiciais e honorários advocatícios (art. 450 do CC).

Para cobrar o direito que da evicção lhe

resulta, o evicto poderá denunciar ao alienante

lide, para, em caso de sentença decretando

perda do bem, já determine o juiz na

sentença a indenização por ele devida ao evicto. Em havendo sucessivas vendas antes

o dono reclamar o bem, poderá o evicto

cobrar indenização não só do alienante imediato, mas também qualquer dos anteriores (art. 456 do CC).

Ainda dentro da regra da indenização da integralidade do dano, o alienante responderá perante o evicto por eventual valorização do bem entre a época da alienação e da evicção.

Se

o bem se desvalorizou, o evicto cobrará do

fim, fechando o tema evicção, precisamos

entender o que é evicção parcial, tema que é tratado no art. 455 do CC. Haverá evicção parcial quando o evicto perder apenas parte do que adquiriu na alienação, por exemplo, quando compra cem cabeças de gado e perde vinte ou trinta delas pela evicção. Qual a consequência? Depende se a evicção é considerável ou irrisória, pois uma coisa é perder uma ou duas cabeças de gado, outra é perder noventa delas. Se a perda for considerável, o evicto pode pedir a rescisão do contrato ou restituição da parte do preço correspondente ao desfalque sofrido, ou seja, devolver o que sobrou e cobrar devolução do que pagou ou ficar com o que sobrou e cobrar apenas o equivalente à sua perda. Se, no entanto, a perda for irrisória, só poderá o evicto cobrar a indenização pela perda sofrida, permanecendo com o que sobrou.

alienante o preço que lhe pagou, mas se houver valorização, cobrará o valor do bem da época em que se evenceu, ou seja, da época

em

que perdeu o bem pela evicção.

Mais uma vez, ainda dentro da regra da indenização da integralidade do dano, ainda que o bem esteja deteriorado, o evicto poderá cobrar do alienante o valor total do bem, a menos que tenha sido causado dolosamente

por ele, quando só poderá cobrar do alienante

o valor que passou a valer o bem. Note que, se

a título de culpa em sentido estrito a

deterioração, ainda assim o evicto cobrará do alienante o valor integral do bem.

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ANALISTA JUDICIÁRIO DE TRIBUNAIS Direito Civil Cristiano Sobral 8. EXTINÇÃO DO CONTRATO Extinção do contrato

ANALISTA JUDICIÁRIO DE TRIBUNAIS Direito Civil Cristiano Sobral

8. EXTINÇÃO DO CONTRATO

Extinção do contrato é o fim de sua existência, é a sua morte, é o seu desaparecimento do mundo jurídico. Extinção é o gênero, que contempla várias espécies, pois é a expressão mais ampla para o fim do contrato, seja pela causa que for.

Quando falamos em extinção do contrato, esta pode se dar, em princípio, por duas formas diferentes: por causa anterior ou superveniente à formação do contrato.

A inexecução pode causar três tipos de

extinção do contrato: resilição, resolução e rescisão. Vamos definir cada um dos institutos, para em seguida aprofundar o estudo.

a)

Resilição: extinção do contrato por vontade

de

um ou de ambos os contratantes, ou seja, é

quando eu termino o contrato porque quero ou quando terminamos porque queremos, sem ter qualquer razão jurídica para isso. Exemplo:

celebrei contrato de aluguel pelo prazo de três anos e decido resili-lo com dois anos por questão pessoal.

b) do de do
b)
do
de
do

Se

até concomitante à sua formação, temos

um

nasceu viciado. Nesse caso, o contrato é inválido, podendo ele ser nulo ou anulável, a depender do vício. Não é tema para aqui ser visto, pois é assunto da parte geral do direito civil, para onde remetemos sua leitura.

a causa de extinção do contrato é anterior

ou

caso de imperfeição do contrato, pois ele já

Resolução: extinção do contrato em razão inadimplemento da outra parte, ou seja, um

dos contratantes não cumpre o contrato, legitimando a outra parte pedir sua resolução.

Exemplo: mesmo contrato de aluguel de três anos, resolvido pelo locador em razão do inquilino não pagar o aluguel.

c) Rescisão: não há consenso na doutrina

Se a causa de extinção do contrato é superveniente à sua formação, estamos tratando de um contrato perfeito, ou seja, que se formou de forma válida, não sendo caso de nulidade nem de anulabilidade. O contrato perfeito pode ser extinto de duas formas diferentes: por execução ou por inexecução do contrato.

sobre o significado de rescisão do contrato. Muitos usam o termo rescisão como sinônimo

extinção do contrato, até mesmo por causa

antecedente, sendo, inclusive, o sentido que caiu no gosto popular, que só fala em rescisão

contrato quando este chega ao fim. Autores

clássicos, como Orlando Gomes e Caio Mário, no entanto, com base na doutrina italiana, ensinam que rescisão em sentido técnico só ocorre quando um contrato é extinto em caso de lesão ou de estado de perigo. Modernamente, esse não é o entendimento, até porque são defeitos do negócio jurídico, portanto, causas antecedentes ou concomitantes à formação do contrato, caso de invalidade e não de inexecução, quando pressupomos um contrato perfeito. Outros autores mencionam rescisão como uma espécie de resolução do contrato, significando a resolução culposa ou voluntária, ou seja, quando o contrato é extinto por inadimplemento culposo do outro contratante. O conselho é

evitar o uso do termo rescisão, pois, como não

há consenso, é um risco desnecessário em

prova.

Execução do contrato é quando ele é

cumprido, o que pode ocorrer pelo pagamento

ou

obrigações, quais sejam: pagamento em consignação, pagamento com sub-rogação, novação, imputação ao pagamento, dação em pagamento, compensação, confusão ou remissão. Também não é tema para aqui ser tratado, pois é assunto de obrigações, para onde remetemos a sua leitura.

até pelas formas anormais de extinção das

O caso é de inexecução quando não há

cumprimento de um contrato perfeito, que é o tema que aqui estudamos. Perceba a impropriedade do CC ao tratar do tema sob o título “da extinção dos contratos”, quando, na verdade, deveria tê-lo intitulado de “inexecução dos contratos” ou até mesmo “da extinção dos

contratos pela inexecução”.

8.1. Resilição do contrato

Conforme visto, resilição do contrato ocorre quando há extinção do contrato unicamente

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ANALISTA JUDICIÁRIO DE TRIBUNAIS Direito Civil Cristiano Sobral em razão da vontade das partes. A

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em razão da vontade das partes. A resilição pode ser unilateral ou bilateral, a depender se a vontade é de apenas um dos contratantes ou de ambos. Não se discute aqui culpa da parte fazendo surgir uma causa de extinção do contrato, pois não há causa jurídica que motive o seu fim, simplesmente não quero ou não queremos mais.

8.2. Resolução do contrato

Resolução do contrato é a sua extinção em razão do inadimplemento ou da mora da outra parte. Aqui o contrato não termina apenas em razão da vontade das partes, pois há uma causa que autoriza uma delas a pedir sua extinção: o não cumprimento do contrato.

a) Resilição unilateral: ocorre quando apenas uma das partes não quer mais manter o contrato, sem precisar externar qualquer razão para isso. O art. 473 do CC diz que se opera mediante denúncia notificada à outra parte, ou seja, o contratante deve notificá-la formalmente. A resilição unilateral do contrato pode se dar quando a lei permitir ou quando houver expressa previsão no contrato. Há casos em que a lei permite a resilição unilateral do contrato, razão pela qual não será devedor em perdas e danos à outra parte. Por exemplo: o direito de revogação de contrato de mandato. Pode a lei não permiti-la, mas a vontade das partes sim, quando inserem no contrato cláusula permissiva, podendo ou não ser fixada uma multa a ser paga ao outro contratante se esta ocorrer. Se não houver previsão legal nem contratual, a parte não poderá unilateralmente resilir o contrato, podendo ser o caso de reclamação judicial para sua execução forçada. Exemplo: contrato de locação em que há previsão apenas para o locatário o resilir, tendo o locador que esperar o fim do contrato pela total execução.

Esse descumprimento pode ser com culpa ou sem culpa do contratante inadimplente, o que faz com que existam dois tipos de resolução do contrato: com culpa (voluntária) ou sem culpa (involuntária). A grande diferença é que no caso de resolução culposa, o inadimplente será devedor de perdas e danos junto com a resolução, o que não será devido quando a resolução não for culposa. Perceba que aqui falamos de mora e de inadimplemento, tema que abordamos no estudo das obrigações neste livro, valendo lembrar que só há mora e inadimplemento indenizáveis em perdas e danos quando com culpa do devedor, pois, se sem culpa, apenas haverá resolução do contrato.

pois, se sem culpa, apenas haverá resolução do contrato. Cláusula resolutória é a cláusula que permite

Cláusula resolutória é a cláusula que permite ao contratante resolver o contrato diante do inadimplemento da outra parte. O contrato pode trazer uma cláusula resolutória expressa, mas esta também pode ser implícita aos contratos. Quando isso ocorre?

Todo contrato bilateral tem implícita a cláusula resolutória. A razão é que todo contrato bilateral é sinalagmático, o que significa que a prestação de uma das partes é causa da prestação da outra parte. Como uma das partes só cumpre a sua prestação porque a outra cumpre a sua, o descumprimento autoriza a outra parte pedir a resolução do contrato, mesmo que não tenha nele cláusula permissiva expressa. Sendo contrato unilateral ou plurilateral, necessária a cláusula resolutiva expressa no contrato, para que uma das partes possa pedir a resolução em razão do inadimplemento ou mora da outra parte.

Há vantagem da cláusula resolutória expressa em relação à implícita, o que justifica sua inserção inclusive no contrato bilateral. Vindo expressa no contrato, haverá extinção automática do contrato em caso de

b) Resilição bilateral: ocorre quando a extinção do contrato se dá unicamente por vontade, mas de ambas as partes, sendo chamado de distrato. É um acordo das partes, pondo vim à avença contratual, sem se externar qualquer causa para isso, razão pela qual, em princípio, nenhuma das partes deve qualquer indenização ao outro contratante. Importante sobre o tema é o art. 472 do CC, que diz que o distrato deverá ser feito na mesma forma exigida para ser feito o contrato. Como exemplo, se o contrato de compra e venda de um imóvel de valor superior a trinta salários mínimos deve ser por escritura pública, o distrato assim também deve ser.

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ANALISTA JUDICIÁRIO DE TRIBUNAIS Direito Civil Cristiano Sobral inadimplemento, enquanto que, se implícita, depende de

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inadimplemento, enquanto que, se implícita, depende de interpelação judicial (art. 474 do CC). Além disso, vindo expressa no contrato, já se insere cláusula penal prefixando o valor da indenização por perdas e danos.

inadimplente, por decorrer de caso fortuito ou motivo de força maior, mas que haverá dever indenizar o outro contratante em perdas e danos, o que já foi visto neste livro, em obrigações, para onde remetemos sua leitura:

8.2.1. Exceção de contrato não cumprido (exceptio non adimplenti contractus)

Se uma das partes é inadimplente, legitima a outra a pedir a resolução do contrato. Agora, imagine que antes disso o inadimplente ajuíze uma ação cobrando o cumprimento da prestação da outra parte. O que ela poderá fazer? Sendo um contrato bilateral, poderá alegar a exceção de contrato não cumprido, ou seja, que não cumprirá sua prestação em razão do autor da ação não ter cumprido a sua. A

(i) quando houver previsão expressa no contrato impondo o dever de indenizar perdas e danos pelo seu descumprimento, mesmo em razão de caso fortuito ou motivo de força maior (art. 393 do CC); e

dá por caso fortuito ou motivo de que 399 do CC). não exigir mais o
dá por caso fortuito ou motivo de
que
399 do CC).
não exigir mais o seu cumprimento.
A
no
quis
a

(ii) quando a impossibilidade da prestação se

força maior

ocorre durante a mora do contratante (art.

b) Teoria da imprevisão ou da onerosidade

razão já foi exposta: como o contrato bilateral é sinalagmático, a prestação de uma das partes é causa da prestação da outra parte, razão pela qual quem não cumpre a sua prestação

não

outra parte (art. 476 do CC).

excessiva: o tema já foi visto neste livro, neste capítulo dos contratos, quando do estudo do princípio da obrigatoriedade mitigado pela cláusula rebus sic stantibus, para onde remetemos a sua leitura. É resolução do contrato sem culpa, pois acontece fato superveniente e imprevisível que desequilibra economicamente o contrato, legitimando o pedido de resolução do contrato pelo fato da lei

pode exigir o cumprimento da prestação da

8.2.2. Resolução sem culpa ou involuntária

A

inadimplemento da outra parte, sem ela ter

extinção do contrato se dá pelo

culpa no descumprimento contratual. Aqui

não

apenas resolução do contrato, pois o contratante quer cumprir o contrato, mas não consegue. Isso ocorre em dois casos: caso fortuito ou motivo de força maior e no caso de aplicação da teoria da imprevisão ou da onerosidade excessiva.

tido

há indenização por perdas e danos, mas

8.2.3. Resolução com culpa ou voluntária (que, para alguns autores, é a rescisão)

extinção do contrato se dá pelo

inadimplemento da outra parte, tendo ela culpa

descumprimento do contrato. Exemplo:

contrato de aluguel resolvido em razão do inquilino não ter pago o aluguel porque não

ou porque foi negligente. A diferença para

a) Caso fortuito ou motivo de força maior:

resolução não culposa é que aqui o

são situações inevitáveis, insuperáveis, que impedem o contratante de cumprir sua prestação. Imagine contrato de compra e

inadimplente, além de suportar a resolução do

contrato, deve pagar indenização por perdas e danos ao outro contratante (embora isso possa ocorrer na resolução sem culpa, mas por exceção nos casos supramencionados).

A resolução com culpa não pode ser bilateral, apenas podendo ser unilateral. Se ambas as partes tiverem culpa no inadimplemento, a culpa será daquele que primeiro tinha a obrigação de cumprir sua prestação. A razão disso é o princípio da exceção de contrato não cumprido, pois, se houver prestações simultâneas e um dos contratantes não cumpre

venda de produto agrícola, que não pôde ser entregue em razão de violenta tempestade que destruiu toda a plantação. Não há culpa no inadimplemento, havendo simples resolução do contrato, retornando as partes ao estado em

que se encontravam antes de sua celebração,

sem direito de indenização da parte

prejudicada.

Cuidado:

resolução sem

dois

casos

culpa

em

haverá

do contratante

que

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sua prestação, o outro está legitimado a não cumprir a sua prestação. 8.3. Efeitos no

sua prestação, o outro está legitimado a não cumprir a sua prestação.

8.3. Efeitos no tempo da resolução e da resilição dos contratos

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da imprevisão ou da onerosidade excessiva, para cuja abordagem remetemos sua leitura, seja contrato de execução continuada ou diferida, o efeito será, por expressa previsão legal, retroativa, mas até à data da citação do

Havendo resolução do contrato, essa decisão

processo em que o contratante pede a sua resolução (a teoria não se aplica aos contratos

tem efeito retroativo ou não retroativo? Depende se o contrato for de execução

de

execução instantânea).

instantânea, diferida ou continuada.

E

se o caso for de resilição do contrato, a

QUESTÕES DE CONCURSOS 1. (FGV - 2014 - DPE-DF - Assistência Judiciária) a) resilição. b)
QUESTÕES DE CONCURSOS
1.
(FGV
-
2014
-
DPE-DF
-
Assistência Judiciária)
a) resilição.
b) rescisão.
c) revogação.
d) denúncia.
e) distrato.

decisão tem efeito retroativo ou não retroativo? Quando falamos em resilição, estamos falando de contrato de execução continuada, pois na

Se o contrato é de execução única, ou seja, de execução instantânea ou até diferida, a decisão produz efeitos retroativos ou ex tunc, desfazendo-se o que foi feito até então, pois resolver o contrato é fazer retornar ao estado em que as partes se encontravam antes da sua celebração. Assim, se estamos diante da resolução de um contrato de compra e venda,

o

comprador devolve o bem e o vendedor

resilição o contratante quer interromper o cumprimento da sua prestação prolongada no tempo. Por isso, a resilição do contrato tem efeito não retroativo ou ex nunc, não se desfazendo os efeitos produzidos até então, mas apenas afastando a produção de efeitos daí para frente, até porque não há qualquer causa jurídica a gerar o seu término, apenas o acordo de vontades em acabar com um contrato que produziu efeitos normalmente até então.

devolve o dinheiro recebido, buscando-se eventual indenização diante da perda ou deterioração do bem ou até em razão de algum

melhoramento por que passou.

Se, no entanto, o contrato for de execução prolongada no tempo, ou seja, de execução continuada, os efeitos serão não retroativos ou ex nunc, mantendo-se os efeitos até então produzidos. A razão disso é evitar um enriquecimento sem causa de um dos contratantes. Imagine um contrato de locação:

-

Arlindo locou uma

máquina de cortar grama para seu vizinho

por seis meses. Acontece que desde o primeiro mês, seu vizinho se recusou a pagar o valor do aluguel, o que motivou Arlindo a extinguir o contrato. Essa modalidade de extinção contratual se denomina:

se a resolução tivesse efeito retroativo, faria com que o locador devolvesse o valor recebido durante o contrato, não tendo como o inquilino devolver o tempo que usou o bem, o que lhe geraria um enriquecimento sem causa por ter alugado o imóvel por um tempo sem por isso pagar.

O

contratos de execução instantânea ou diferida

efeito retroativo (ex tunc) da resolução dos

o efeito não retroativo (ex nunc) da resolução dos contratos de execução continuada valem tanto para a resolução com culpa quanto para

a resolução sem culpa. A única diferença entre

eles é que na resolução culposa o inadimplente

e

será devedor de indenização por perdas e danos, o que não ocorre, em regra, na resolução sem culpa.

Cuidado com um detalhe: no caso da resolução sem culpa decorrente da aplicação da teoria

Comentários Analisando os institutos, a resilição pode ser bilateral ou unilateral.Na primeira, existe a vontade das duas partes de encerrar o contrato, também chamada de distrato. Na segunda, há a vontade apenas de uma parte de encerrar o contrato, também chamada

de denúncia, que põe fim à relação

obrigacional. Já a revogação é o desfazimento de determinado negócio jurídico por iniciativa

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ANALISTA JUDICIÁRIO DE TRIBUNAIS Direito Civil Cristiano Sobral de uma das partes isoladamente. Extingue o

ANALISTA JUDICIÁRIO DE TRIBUNAIS Direito Civil Cristiano Sobral

de uma das partes isoladamente. Extingue o

contrato. A renúncia por usa vez é a resilição contratual por iniciativa unilateral do sujeito passivo da relação obrigacional. A resolução é modalidade de extinção do contrato com fundamento no descumprimento ou na inexecução do pactuado. E a rescisão ora se entende como forma de extinção do contrato celebrado em estado de perigo ou lesão, ora se entende como sinônimo de resolução. Em conformidade com as observações supramencionadas, o gabarito consta da alternativa de letra B.

a aceitação expressa, ou o proponente a tiver dispensado, reputar-se-á concluído o contrato, não chegando a tempo a recusa”. Dispõe ainda o art. 434, inc. III, do CC que “os contratos entre ausentes tornam-se perfeitos desde que a aceitação é expedida, exceto: III - se ela não chegar no prazo convencionado.” De acordo com análise dos dispositivos citados, não há como ter sido celebrado o contrato pelo aceite tácito, tendo em vista que entre ausentes, o contrato torna-se perfeito se expedida a aceitação no prazo estipulado. Não havendo o aceitação expressa, não há que se falar em formação do contrato. Correta a alternativa de letra A.

- 2014 - DPE-DF - Analista - Judiciária) Cícero enviou presumida da vontade de (
-
2014
-
DPE-DF
-
Analista
-
Judiciária)
Cícero
enviou
presumida
da
vontade
de
( ) Certo
(
) Errado
Comentários
A
seu
teor

2.

proposta de celebração de contrato de prestação de serviços para Célio, estabelecendo um prazo de cinco dias para a resposta. Fez constar da proposta que o contrato estará celebrado na hipótese de Célio deixar de emitir resposta no prazo assinalado. Caso Célio realmente não responda à proposta, pode- se afirmar que:

3. (CESPE - 2013 - STF - Analista Judiciário - Área Judiciária) A respeito dos contratos, julgue o item seguinte. A teoria do substancial adimplemento visa impedir o uso desequilibrado, pelo credor, do direito de resolução, preterindo desfazimentos desnecessários em prol da preservação do acordado, com vistas à realização de princípios como o da boa-fé objetiva e o da função social dos contratos.

a) não houve formação do contrato.

b) houve formação do contrato em decorrência

da manifestação Célio.

c)

da

d)

da

e)

da

relativamente ineficaz perante Célio.

houve formação do contrato em decorrência

manifestação tácita da vontade de Célio.

teoria do adimplemento substancial

houve formação do contrato em decorrência

estabelece que não se deve considerar extinta uma obrigação quando a atividade do devedor, embora não tenha atingido plenamente o fim proposto, aproximou-se consideravelmente do

manifestação expressa da vontade de Célio.

apesar da formação do contrato em virtude

manifestação tácita da vontade, o negócio é

resultado final. Preservando-se o contrato

em nome dos princípios da boa-fé objetiva e da função social do contrato. Insta mencionar o

Comentários

O

vontade: a proposta e a aceitação. A manifestação de vontade pode ser feita de

contrato resulta de duas manifestações de

do Enunciado 361 da IV Jornada de Direito

Civil “art. 421, 422 3 475 - o adimplemento substancial decorre dos princípios gerais contratuais, de modo a fazer preponderar a função social do contrato e o princípio da boa fé objetiva, balizando a aplicação do art. 475, CC”.

-

-

duas formas: expressa, que é aquela exteriorizada verbalmente, por escrito, gesto,

de forma inequívoca; ou tácita, que é válida

para a formação contratual e ocorre quando a

lei não exige que seja expresso. Conforme o

disposto no art. 111, do CC: “O silêncio importa anuência, quando as circunstâncias ou os usos

o autorizarem, e não for necessária a

declaração de vontade expressa”. O art. 432, traz em sua redação que “se o negócio for daqueles em que não seja costume

Acerca

dos

contratos,

assinale

a

opção

correta.

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ANALISTA JUDICIÁRIO DE TRIBUNAIS Direito Civil Cristiano Sobral a) Será nulo o contrato de prestação

ANALISTA JUDICIÁRIO DE TRIBUNAIS Direito Civil Cristiano Sobral

a) Será nulo o contrato de prestação de serviços com prazo de dez anos de
a)
Será nulo o contrato de prestação de
serviços com prazo de dez anos de duração,
por ofender norma de ordem pública.
b)
Dada a impessoalidade do contrato de
prestação de serviços, o prestador pode,
mesmo sem autorização da outra parte, fazer
com que terceiro execute o serviço.
c)
Se no contrato de adesão houver cláusulas
ambíguas, o aderente terá direito à decretação
de
sua nulidade.
d)
Em se tratando de contrato de empreitada,
não há responsabilidade solidária do
empreitante pela indenização de acidente
sofrido por trabalhador contratado e dirigido
pelo empreiteiro
e) Ainda que para o contrato definitivo seja
exigida a celebração por escritura pública, o
preliminar pode ser lavrado em instrumento
particular.
Comentários
A
letra A está errada, de acordo com o art. 598,
CC. A letra B está incorreta nos termos do art.
605, CC: “Nem aquele a quem os serviços são
prestados, poderá transferir a outrem o direito
aos serviços ajustados, nem o prestador de
serviços, sem aprazimento da outra parte, dar
substituto que os preste.” A letra C está errada,
conforme disposto no art. 423, CC: “Quando
houver no contrato de adesão cláusulas
ambíguas ou contraditórias, dever-se-á adotar
a interpretação mais favorável ao aderente.”
A letra D está incorreta, de acordo com o
seguinte entendimento jurisprudencial:
AGRAVOS REGIMENTAIS EM AGRAVO DE
INSTRUMENTO. AÇÃO INDENIZATÓRIA.
ACIDENTE DE TRABALHO. MORTE DO PAI
E MARIDO. RESPONSABILIDADE
SOLIDÁRIA. EMPRESA CONTRATANTE DE
EMPREITEIRA. CULPA CONCORRENTE
RECONHECIDA PELO TRIBUNAL
ESTADUAL. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE.
ÓBICE SÚMULA 7/STJ. DANOS MORAIS.
VALOR EXCESSIVO. REVISÃO.
POSSIBILIDADE. ADEQUAÇÃO A
CRITÉRIOS DE RAZOABILIDADE.
1. "No contrato de empreitada, o empreitante
somente responde solidariamente, com base
no
direito comum, pela indenização de acidente
sofrido por trabalhador a soldo do empreiteiro,
nos casos em que seja também responsável
pela segurança da obra, ou se contratou
empreiteiro inidôneo ou insolvente". (REsp
4.954/MG, Rel. Ministro Athos Carneiro, Quarta
Turma, julgado em 13/11/1990, DJ 10/12/1990,
p. 14810) 2. Na espécie, o Tribunal a quo, na
análise soberana das provas, entendeu ter a
recorrente a responsabilidade solidária para a
reparação do dano, ante a conduta
desenvolvida na hipótese sob exame. Dessa
forma, têm-se que a lide foi resolvida em
decorrência do exame das circunstâncias
fático-probatórias, e assim, um eventual
acolhimento da pretensão da recorrente, de
modo a afastar a sua responsabilidade e
reconhecer a culpa exclusiva da empreiteira,
pressupõe, necessariamente, o reexame dos
fatos e provas da lide, atividade vedada nesta
instância especial em virtude do óbice contido
na Súmula 7/STJ. 3. O arbitramento do valor
da reparação tiver sido realizado com a
necessária moderação e razoabilidade,
observando-se a proporcionalidade ao grau de
culpa, ao nível sócio-econômico do autor e,
ainda, ao porte econômico dos réus, bem como
a realidade da vida e às peculiaridades de cada
caso, este STJ tem por coerente a prestação
jurisdicional fornecida (RESP 259.816/RJ, 4ª
Turma, Rel. Min. Sálvio de Figueiredo Teixeira,
DJ de 27/11/2000). Entretanto, naqueles casos
em que o valor fixado como reparação a título
de danos morais revela-se irrisório ou
excessivo, de forma a não atender os critérios
que balizam o seu arbitramento, a saber,
assegurar ao lesado a justa reparação pelos
danos sofridos, sem, no entanto, incorrer em
seu enriquecimento sem causa, esta Corte
Superior de Justiça tem revisado o
arbitramento daquele quantum. 4. Na hipótese
dos autos, o Tribunal a quo, acolhendo a
pretensão dos autores, fixou, a título de danos
morais, o valor correspondente à quantidade
de meses até que a vítima completasse 65
anos de idade multiplicado pelo seu último
salário mensal, o que resultou, ao final, em
quantia que se revela excessiva à luz da
jurisprudência deste Tribunal Superior.
Ademais, observa-se que o parâmetro adotado
na origem mais ostenta contornos de
reparação material (pensionamento), do que o
de indenizar a dor e o sofrimento dos familiares
pela perda do ente falecido. Redução do valor
para R$ 255.000,00 (duzentos e cinquenta e
cinco mil reais). Juros de mora e correção

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monetária, sobre este valor, nos termos da Súmula 54/STJ e Súmula 362/STJ. 5. Agravos regimentais

monetária, sobre este valor, nos termos da Súmula 54/STJ e Súmula 362/STJ. 5. Agravos regimentais não providos. (AgRg no Ag 1157895/SP, Rel. MIN. LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 19/03/2013, DJe 22/03/2013).

A assertiva de letra E está correta, em

462, CC onde

o contrato preliminar, exceto quanto à forma,

conformidade com o teor do art

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deve conter todos os requisitos essenciais ao contrato a ser celebrado.” 5.(CESPE - 2012 -
deve conter todos os requisitos essenciais ao
contrato a ser celebrado.”
5.(CESPE - 2012 - STJ - Analista Judiciário -
Área
Judiciária)
No
que
se
refere
aos
contratos, julgue os seguintes itens.
É inválido o contrato celebrado entre duas
pessoas capazes e aptas a criar direitos e
obrigações quando o objeto desse
contrato for a prestação de um fato por
terceiro.
( ) Certo
(
) Errado
Comentários
A afirmativa está ERRADA, de acordo com o
art. 439, CC, “aquele que tiver prometido fato
de
terceiro responderá por perdas e danos,
quando este o não executar. parágrafo único.
Tal responsabilidade não existirá se o terceiro
for
o cônjuge do promitente, dependendo da
sua anuência o ato a ser praticado, e desde
que, pelo regime do casamento, a indenização,
de
algum modo, venha a recair sobre os seus
bens.”

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GABARITO 1. A 2. D 3. A 4. E 5. B 6. ERRADO 7. CERTO

GABARITO

1. A

2. D

3. A

4. E

5. B

6. ERRADO

7. CERTO

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8. CERTO ------------------ 1. B 2. A 3. CERTO 4. E 5. ERRADO
8. CERTO
------------------
1. B
2. A
3. CERTO
4. E
5. ERRADO

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