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EntrevistadevidaaIlídioPinho

“CHOREIMILHARESDE HORASPELOMEU FILHO”

www.sabado.pt N.º 646 – SEMANAL – 15 A 21 DE SETEMBRO DE 2016 – €3 (CONT.)

k

Aestratégiadoex-primeiro-ministro

COMOSÓCRATESFEZOCERCO

AOJUIZCARLOSALEXANDRE

+

INVESTIGAÇÃO

O PERIGODOS COMPRIMIDOS PARA TRABALHAR

O consumo de psicotrópicos e estimulantes disparou 547% numa década, em Portugal. Advogados, médicos, enfermeiros e consultores medicam-se para aguentarem dias seguidos sem dormir. Muitos acabam nas urgências

D.R.D.R.

Sumário

15 SETEMBRO 2016 www.sabado.pt
15 SETEMBRO 2016
www.sabado.pt
   

Entrevista

Sociedade

64 COMO É O REGRESSO ÀS AULAS DOS FILHOS DOS EMIGRANTES
64
COMO É O REGRESSO ÀS AULAS
DOS FILHOS DOS EMIGRANTES

Nos Estados Unidos aprendem robótica aos 5 anos; na Escócia há pais a tomar conta dos miúdos no recreio; e em Inglaterra ninguém chumba

 

MariaRibeiro Actriz e cronista brasileira publicada em Portugal 28

 

Destaque

 

Comprimidos Há quem não consiga trabalhar sem eles

34

 

Portugal

 

Caso Sócrates O cerco do ex-PM ao juiz Carlos Alexandre

42

Entrevista Luís Montenegro, líder parlamentar do PSD

48

Galpgate Académicos consideram código de conduta inútil 50

LUAR Novo livro conta a história da organização radical 52

 

Mundo

 

Estado Islâmico Os filhos dos terroristas também vão à escola

54

 

Dinheiro

 

Entrevistadevida Ilídio Pinho, a trabalhar desde os 5 anos

56

 

Segurança

 

Polémica Os cursos nos Comandos por quem os viveu

62

Capa GPS 34 O melhor da Madeira FÁRMACOS PARA TRABALHAR Há pessoas que tomam com-
Capa
GPS
34
O melhor da Madeira
FÁRMACOS PARA
TRABALHAR
Há pessoas que tomam com-
primidos para fazer maratonas
no trabalho ou para o aguen-
tar. Casos de quem não parou
Tudo o que precisa de saber
para ir de férias ao arquipélago
madeirense. E mais: filme conta
os bastido-
res da Bea-
tlemania;
seis es-
treias no
Teatro
São João

Emais

 

Sociedade

Escolas O regresso às aulas dos filhos de emigrantes

64

Investigadores Os polícias que nunca esquecem uma cara

69

Meningite Atleta português em campanha de Anne Geddes 70

Açúcar

Eles coleccionam milhares de pacotes

72

Sonhos A empresa que o quer pôr a escolher os seus

74

 

Família

Casais Séries e filmes substituem amigos comuns

76

 

Desporto

Futebol Os 70 clubes que já estiveram na I Divisão

80

 

Artes

Livros Salman Rushdie no Festival FOLIO de Óbidos

83

 

Social

Qatar A xeque que compra marcas de luxo

86

 

Opinião

4

Bastidores

16

Nuno Costa Santos

77

Dulce Garcia

José

Nuno

Alberto

6

Editorial

19

Pedro Marta Santos

81 Rui Miguel Tovar

 

Pacheco

Pereira

8

Rogeiro

Gonçalves

12

Do Leitor

26

Obituários

88

Alexandre Pais

32

90

13

A Abrir

63

Eduardo Dâmaso

 
90 13 A Abrir 63 Eduardo Dâmaso   www.sabado.pt Alimentação O que deve comer para
90 13 A Abrir 63 Eduardo Dâmaso   www.sabado.pt Alimentação O que deve comer para

www.sabado.pt

Alimentação

O que deve comer para potenciar a sua

memória Um copo de vinho, cereais integrais e nozes são alguns exem- plos. Pronto para voltar ao trabalho?

Viagens

As cidades com as maiores festas

Os melhores sítios para os party animals.

VejaaMadeira a360º
VejaaMadeira
a360º
sítios para os party animals . VejaaMadeira a360º + LIDAS 5 A 11 DE SETEMBRO 01.BILHETESDOAVANTE
+ LIDAS 5 A 11 DE SETEMBRO 01.BILHETESDOAVANTE SEMIVAESEMIMPOSTO PartidosnãoestãosujeitosaIRC 02.ACORDARCOM UM
+ LIDAS
5 A 11 DE
SETEMBRO
01.BILHETESDOAVANTE
SEMIVAESEMIMPOSTO
PartidosnãoestãosujeitosaIRC
02.ACORDARCOM
UM ORGASMO
Éoquefazum despertador
03.RITAPEREIRA
TIROU ASTRANÇAS
Resultadoésurpreendente

Do director

15 SETEMBRO 2016

Do director 15 SETEMBRO 2016 www.sabado.pt

www.sabado.pt

Do director 15 SETEMBRO 2016 www.sabado.pt

BASTIDORES

B IlídioPinho,o homematrás doempresário A conversaestámarcadaparaas 9h30, na Fundação Ilídio Pi- nho, no
B
IlídioPinho,o
homematrás
doempresário
A conversaestámarcadaparaas
9h30, na Fundação Ilídio Pi-
nho, no Porto. Não costuma
chegar tão cedo de Vale de Cambra, a
terraqueamaacimadetodasasoutras,
mas sabe que falar dos seus 77 anos
levatempoeàtardetemdeiraobapti-
zado da neta de um amigo. Durante
2h53m, o latoeiro que construiu um
impérioempresarial,equesónãoofez
cresceraindamaisporqueteveainfeli-
cidade maiorde perderumfilho, falou
àSÁBADO. Semaquele que preparara
para lhe suceder, Ilídio Pinho chorou
g
Uma colecção de
quatro policiais,
com novas capas,
já a partir do dia
22, por €0,50
“milhares de horas” antes de escolher
umnovocaminho:criarumafundação
parahomenagearo filho e promovera
ciênciaemPortugalcomofactordeva-
lorização humana e instrumento de
desenvolvimentoeconómico.
Sempre usando muitas máximas,
respondeu atodas as questões da SÁ-
BADO, das mais pessoais às mais in-
cómodas, e faloupelaprimeiravez so-
bre o facto de ter sido envolvido nos
Panama Papers. Só recusou revelar o
empresário que mais admira. Jásobre
o político, e privacommuitos hádéca-
das, não tem dúvidas: Mário Soares.
De Ramalho Eanes, por outro lado,
guardapéssimas recordações.
Ilídio Pinho revela os segredos para
estar casado há quase 54 anos, anun-
cia que nunca lhe passou pela cabeça

Explicaos segredos para estar casado háquase 54 anos, diz que aos 77 nunca lhe passou pela cabeça deixarde trabalhar e revela que almoçapor€5 e conduz um carro com 200.000 km. Falaainda, pelaprimeira vez, de ter sido envolvido nos PanamaPapers

pelaprimeira vez, de ter sido envolvido nos PanamaPapers B Director RuiHortelão deixarde trabalhare confessaque, de-

B

Director

RuiHortelão

ter sido envolvido nos PanamaPapers B Director RuiHortelão deixarde trabalhare confessaque, de- vido à sua aversão

deixarde trabalhare confessaque, de- vido à sua aversão ao estrago, nunca entrou num casino e conduz um carro commais de 200.000 km. Mudar, tal- vez daquiadois anos. Temo telemóvelcomo “extensão do escritório” e usa a Internet. Mas não abdicadapersonalização davida. As- sim, por estes dias, endereçará à mão três centenas de convites para a ceri- móniade entregado 14º Prémio Ciên- cia na Escola, que será entregue em Palmela, na próxima semana. Se o quiserem convidar, façam-no de for- ma personalizada. Porque se assim não for, qualquerque sejao remeten- te, “Serralves ou o Presidente da Re- pública”, a missiva tem o destino tra- çado. E para que não restem dúvidas, no final, Ilídio Pinho faz questão de pediràsecretária, OtíliaOliveira, que o diga: “Lixo.” Mais alto, pede ele. “Lixo, vão todos parao lixo.” Uma entrevista de (uma) vida incrí- vel, paralernas págs. 56 a61.

B

Estudoexclusivoealarmante

O mais complicado foi encontrar ca-

sos clínicos sobre doping no trabalho.

O consumidormais apreensivo emfa-

lar – ainda que sob anonimato – foi um advogado de 30 anos. Através de interposta pessoa (a psicóloga que o acompanha, Filipa Jardim da Silva) aceitoucontarasuahistória, depois de muita insistência da jornalista Raquel Lito, ao longo de vários dias. Além de testemunhos de consumi- dores e especialistas, leiaem primeira mão um estudo elaborado pelo IN- FARMED, em que se registao aumen- to exponencial do comércio destes fármacos. Tudo, nas págs. 34 a40. W

g

Ilídio Pinho: 77 anos de vida em quase três horas de conversa

!
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Madeiraem

360º comoGPS

Além do imperdível roteiro de Madeira e Porto Santo da edi- ção desta semana, não perca a expe- riência 360º para ver no seu telemóvel ou computador os locais – restaurantes, praias, piscinas e jar- dins – que o GPS lhe sugere.

Opinião

15 SETEMBRO 2016

Opinião 15 SETEMBRO 2016 www.sabado.pt

www.sabado.pt

Opinião 15 SETEMBRO 2016 www.sabado.pt

EDITORIAL

Carlos Alexandre não devia ter falado. Mas atenção aos que alimentam a ideia de que ele tem atrasado

a acusação - que é da

competência exclusiva do Ministério Público - ou que tem sido o único magistrado a decidir contra

o ex-primeiro-ministro

E

A politização do processo de Sócrates e o juiz “saloio”

A primeira entrevista do juiz

Carlos Alexandre reacendeu

a politização que José Sócra-

tes sempre quis fazer do processo que o envolve. O facto deste desen-

volvimento ser mais do que previsí- vel, dissesse o que dissesse o magis- trado, só reforça a incompreensão dos motivos que terão Carlos Ale- xandre a expor-se mediaticamente

e a falar em “contas em nome de

amigos” – ainda por cima nesta fase do processo, em que falta pouco para se cumprir mais um prazo para

a dedução da acusação por parte do

Ministério Público (MP). Mas atenção: o juiz não atrasou mais o processo por perder tempo a dar entrevistas – a responsabilida- de do andamento processual (dili- gências, interrogatórios, cumpri- mento de prazos, etc.) é da exclusi- va competência do MP. Aliás, o juiz não só tem sido célere nas suas de- cisões – até demasiado, segundo a queixa já entregue pela defesa do ex-primeiro-ministro ao Tribunal da Relação –, como tem ratificado todas as propostas de investigação que lhe têm sido apresentadas pelo procurador Rosário Teixeira, o úni- co de quem depende a dedução da acusação. Por isso, se tudo está atrasado - e está - a culpa não é de Carlos Alexandre. O seu erro foi falar. Não que a li- berdade para um juiz deva ser mais exígua do que para arguidos, advo- gados e amigos de arguidos – como defendem alguns –, mas porque ao fazê-lo deu trunfos para que alguns atacassem a Justiça e insistissem na politização do processo – como fi- zeram José Sócrates e Francisco Louçã. Ao mesmo tempo que facili- tou a estratégia dos advogados do ex-primeiro-ministro, que há muito vinham trabalhando no pedido de

afastamento de Carlos Alexandre do processo. A politização do caso, no entanto, não pode ser vista como mera divi- são entre Direita e Esquerda. PSD e CDS mantêm um prolongado silên- cio sobre o assunto. E António Costa, quer como líder do PS, quer como primeiro-ministro, tem sido firme em manter distância de um proces- so que Sócrates e Mário Soares, en- tre outros, tudo têm feito para que fosse de todos os socialistas. Outro equívoco que muitos ali- mentam e ao qual a entrevista per- mitiu dar força é o de que Carlos Alexandre é dono e senhor de todas as decisões acerca das suspeitas que recaem sobre José Sócrates, e não só. Quando a verdade é que tudo o que deliberou foi já apreciado e rati-

ficado por tribunais superiores. No total, ao contrário da ideia que os inimigos do juiz se esforçam por ali- mentar em televisões e jornais, fo-

ram já mais de três dezenas os juízes que leram, avaliaram e se pronun- ciaram sobre os indícios recolhidos pela investigação do MP contra o ex-primeiro-ministro. Sem dúvida que, a bem da Justiça e do País, o procurador Rosário Tei- xeira e a sua equipa já deviam, há muito, ter formalizado a acusação. E têm a obrigação e o dever de o fazer tão depressa quanto possível. Até porque, como se vê pela entrevista do juiz, o tempo não é amigo da ver- dade. Pelo contrário. Com Carlos Alexandre, a pronún- cia é mais do que certa, tendo em conta as convicções já manifestadas pelo juiz nos seus despachos. Mas, se a tentativa de José Sócrates para o afastar resultar e o processo mudar de mãos, não só o novo titular terá de recomeçar do zero, como Sócra- tes terá mais uma hipótese de não ir

a julgamento.

Por isso, esta não é uma decisão qualquer, porque ao contrário das já tomadas neste processo - todas pas- síveis de recurso - uma eventual não pronúncia de um arguido em pri- meira instância mata o processo nesse momento. E nem ao País nem

a José Sócrates serve um desfecho

quase administrativo, que perpetua-

rá para sempre as suspeitas. W

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Opinião

ALAGARTIXA EO JACARÉ

O meu cepticismo vem de

que, a uma determinada altura, as vozes europeias vão colocar o governo perante opções que não são comportáveis com o acordo que lhe dámaioria na Assembleia. Quem as impõe sabe disso e isso é um incentivo a propô-las.

O que se passará depois,

não sei

incentivo a propô-las. O que se passará depois, não sei O Professor JoséPachecoPereira O Omeu cepticismo

O

Professor

JoséPachecoPereira

O

Omeu

cepticismo

Num debate recente afirmei a minha convicção de que a “geringonça” não ia durar muito. Só não fiquei no “clu- be da catástrofe” liderado por Passos Coelho porque ele deseja ardente- mente que ela não dure, e eu penso que é positivo que dure, mas não te- nho muita esperança. Um assistente

ao debate perguntou-me: “Porque é que diz isso?”. E eu respondi: “Não é por desavenças interiores, é por cau- sa da Europa.” O que é que significa esse “por cau- sa da Europa”? Aquilo a que hoje se chamam “regras europeias”, que não são nem regras, nem europeias, é uma receita para a estagnação eco- nómica, acompanhada pelo aumen- to das desigualdades e pela destrui- ção da mobilidade social. Ou seja, a conjugação do Tratado Orçamental – que convém dizê-lo não é um Tra- tado “europeu”, mas apenas de uma parte de países europeus – com a condução do Eurogrupo e as posi- ções de vários comissários europeus impedem o governo PS de tomar medidas que permitam, em termos significativos, fazer o País crescer. Não é de agora, já vem de antes porque sabemos hoje que a mani- pulação dos números do governo PSD-CDS era grande, e nenhum dos objectivos principais tinha sido con- seguido. Nem o défice, nem a dívida, nem a resolução do mais grave pro- blema da economia portuguesa, o sector financeiro. Só que agora o go- verno fica entalado por dois lados, nem pode prosseguir a sua política, de reposição de rendimentos e au- mento do consumo interno, não pode fazer investimentos a partir do Estado para “puxar” a economia (sim, não é um crime, é uma opção política e económica), nem pode sa- tisfazer os “falcões” do “ajustamen- to” que estão no Ministério das Fi- nanças alemão, no Eurogrupo, e na Comissão. Sim, é verdade que o governo pa- rece estar a controlar o défice, mas fá-lo com medidas que ajudam a

deprimir a economia, quer por ac- ção quer por omissão. Uma das maiores tretas que diz a oposição é falar num “modelo económico do PS”. Não há nenhum “modelo eco- nómico do PS” e, se houver, não se

percebem as críticas porque é estra- nhamente parecido com o do PSD- CDS. A grande diferença vem de que

o PS e os seus aliados querem mu-

dar o alvo da austeridade, mas com enormes dificuldades. O meu cepticismo vem de que, a uma determinada altura, as vozes europeias vão colocar o Governo perante opções que não são com- portáveis com o acordo que lhe dá maioria na Assembleia. Quem as im-

põe sabe disso e isso é um incentivo

a propô-las. O que se passará depois,

não sei. Mas sei que convinha pensá- -lo e prepará-lo, porque não é sem- pre possível passar pelos pingos da chuva. E vai chover muito. W

O

José Rodrigues, o homem que não parava de desenhar

Fui amigo de José Rodrigues, escrevi sobre ele quando, in illo tempore, fa- zia crítica de arte (imaginem!), viajei com ele, “vivi” quase quotidiana- mente à sua volta durante um par de anos, ele fez-me vários retratos e dele possuo dezenas de pequenos

desenhos e vários quadros de dife- rentes períodos. E correspondência, feita de gatafunhos, porque escrever não era o seu forte. Podia ter uma es- cultura, mas naalturanão sabiaonde a pôr e fiquei sem ela. Tenho pena, mas os tempos eram atribulados. Mas o José Rodrigues é-me ines- quecível porque fazia parte daquele pequeno grupo de pessoas que têm uma arte inscrita na cabeça, na voz, ou nas mãos, que o fazia compulsi- vamente desenhar com tudo o que tinha à mão ou ao dedo. Desenhava nos guardanapos de papel, nas toa- lhas, no verso de envelopes ou pro- gramas, nas margens de um jornal, mas desenhava sempre. Usava a ca- neta, qualquer caneta, e molhava o dedo nos restos do café para som- brear o que desenhava. Sem parar. O outro caso que conheci, esse com as palavras, era o Vasco Graça Moura. O José Rodrigues, o mestre, uma velha palavra cada vez mais em de-

SUSANA VILLAR

15 SETEMBRO 2016 www.sabado.pt
15 SETEMBRO 2016
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suso, também porque não há mes- tres, era intitulado de “escultor”. Es- culpiu muitas peças, fez medalhas, e várias obras suas fazem parte da ico- nografia da cidade do Porto. Mas o desenhador foi sempre, para mim, o que era o José Rodrigues. Bastava es- tar com ele, para ver uma mente que se manifestava sem parar nas mãos e que moldava o material à sua vonta- de com uma imaginação física, essa sim afim da escultura. Tinha uma cultura de autodidacta, sem teorias nem complicações, mui- to menos com “conceitos” e “projec- tos”, e contrastava nos Quatro Vintes com o Ângelo de Sousa que era o mais intelectual de todos. O Arman- do Alves e o Jorge Pinheiro ficavam no meio da escala. Mas, o José Rodri- gues, quando via algo que lhe agra- dava artisticamente, mudava de um dia para o outro de estilo, passava da sua enorme capacidade para dese- nhar em termos figurativos, para ex- periências de abstracção completa- mente distintas. Funcionava por os- mose, também porque não tinha muitos preconceitos em intelectuali- zar o que fazia. Daúltimavez que o encontrei jáes- tava bastante doente, alquebrado, mas mantinha ainda os traços de um velho sátiro, que nunca olhava para ninguém, principalmente paraas mu- lheres, com inocência. Gostava dele, sabiado seu valor, vai fazerfalta. W

Iniciativas SÁBADO

15 SETEMBRO 2016

Iniciativas SÁBADO 15 SETEMBRO 2016 www.sabado.pt

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Iniciativas SÁBADO 15 SETEMBRO 2016 www.sabado.pt
O autor
O autor

Dick Haskins é o pseudónimo de António Andrade de Albu- querque, que pensou ser médi- co antes de se dedicar à escrita

O protagonista
O protagonista

O detective até se devia chamar Hawkins, o apelido de um actor inglês. Mas Albuquerque con- fundiu o nome e ficou assim

A ilustração
A ilustração

Ao ler os livros, Vera Braga re- cordou-se do ambiente de fil- mes de detectives noire e das capas vintage dos policiais

Entregas
Entregas

Inicie a colecção dia 22 com Espaço Vazio e, com as revistas seguintes, leve por ordem: Labirinto, Estado de Choque e A NoiteAntesdoFim

LIVROS. ENTRE 22 DE SETEMBRO E 13 DE OUTUBRO

A ntónio Andrade de Albu- querque, hoje com 86 anos, publicou nos anos 50 a pri-

meira história do investigador Dick Haskins. Foi um sucesso interna-

cional, com mais de um milhão de livros vendidos. Poderá conhecê-lo ou recordá-lo em quatro títulos, a partir de 22 de Setembro, por €0,50 com a SÁBADO.

O que tem o António em comum comDickHaskins? Sou eu. É como eu gostaria de actuar se me metesse nos sarilhos em que o meto a ele. A maneira de pensar, de dialogar, é a minha. Houve situações que o inspiraram, como um assalto emLondres Já depois da meia-noite, com as ruas desertas, começo a ouvir tiros. Tive a sensação daquilo que escrevia. Era um assalto. Chegou a Scotland Yard e eu fugi para uma farmácia de ser-

OSMISTÉRIOS

DEDICK

HASKINS

Quatro policiais portugueses que encantaram gerações no século XXestão de regresso com a SÁBADO. Recorde-os

ACOMPANHE AS AVENTU- RAS DE DICK HASKINS POR €0,50

viço. Assisti, assustado, à porta. Usou o episódio num livro? Não. Mas dá inspiração, porque a vi- ver, sente-se a realidade. Umadas suas brincadeiras favori- tas, em criança, eracriarenredos. Eu fazia o enredo policial. Um dos

eracriarenredos. Eu fazia o enredo policial. Um dos Outras iniciativas A segunda peça T-Rex e o

Outras iniciativas

A segunda peça T-Rex e o último DVD da colecção Vidas Reais

Aprenda como era a vida na Terra,

no tempo do mais temível dos dinossau- ros, enquanto monta uma réplica fiel de 1,20 m do T-Rex. Leve a peça desta semana (que inclui já a pele) por €3,95 (e as seguintes por €6,95).

Na apresentação de Jobs,

lê-se: “Uns vêem o que é possível, outros mudam o que é possível”. Perceba, através da interpreta- ção que Ashton Kutcher faz do fundador da Apple, porque per- tence ele à segunda categoria.

da Apple, porque per- tence ele à segunda categoria. Jobs 22 de Setembro meus amigos morava
da Apple, porque per- tence ele à segunda categoria. Jobs 22 de Setembro meus amigos morava

Jobs

22 de

Setembro

meus amigos morava numa mora- dia de três andares na [Rua] Rosa Araújo, em Lisboa – onde nasci e vivi 50 anos – e tinha bastantes es- paços interiores para as nossas aventuras. Talvez já actuasse a ins- piração para escrever. No liceu, no Passos Manuel, o professor António José Saraiva gostava muito das re- dacções que eu fazia: “Tu hás-de ser escritor!” É verdade que entregou os seus primeiros livros naeditoraÁtica, onde depois trabalharia, e estes quase não foram publicados? Não foi bem assim. Ainda estava para tirar Medicina, fui lá deixar os originais dactilografados. Na loja havia dois empregados. Um deles disse: “Não entregamos nada, mete debaixo do balcão.” O outro é que se opôs e levou à administração, que me chamou com urgência e contratou-me. Comecei a ser tra- duzido para Espanha, América do Sul, Alemanha. EspaçoVazio é o primeiro título da colecção [com a SÁBADO, dia 22] e é o seu preferido. Porquê? É um dos favoritos. Quando o ter- minei, senti que talvez tivesse es- crito uma coisa que não tinha sido explorada naquela altura. Voltará a escrever policiais? Escrevo seja o que for sempre com um fiozinho de mistério. É a própria vida, em que há mistérios, situa- ções de suspense. Agora não tenho uma ideia para nenhum policial. W

12

Do leitor

 
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leitores@sabado.cofina.pt

 
   

Porto ou Lisboa? Afinal, qual é a melhor cidade para viver?

 

Conselho de Administração Paulo Fernandes (Presidente), João Borges de Oliveira, Luís Santana, Alda Delgado e António Simões Silva Directora Geral de Marketing Isabel Rodrigues Director Geral Comercial Hernani Gomes Directora Administrativa e Financeira Alda Delgado Director de Circulação e Assinaturas João Ferreira de Almeida Director de Informática Rui Taveira Director de Produção António Simões Silva Director de Recursos Humanos Nuno Jerónimo Directora de Research Ondina Lourenço

 
 
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Director Rui Hortelão (ruihortelao@sabado.cofina.pt)

Subdirectoras Dulce Garcia (dgarcia@sabado.cofina.pt)

e

Dulce Neto (dulceneto@sabado.cofina.pt)

Editor Executivo João Carlos Silva (joaosilva@sabado.cofina.pt) Directora Criativa e de Operações Joana Pais Vieira (jpaisvieira@sabado.cofina.pt) Redactor Principal Pedro Jorge Castro (pedrocastro@sabado.cofina.pt)

 

Editores Ana Taborda (anataborda@sabado.cofina.pt) Ângela Marques (angelamarques@sabado.cofina.pt) Carlos Torres (cstorres@sabado.cofina.pt) Fernando Esteves (fernandoesteves@sabado.cofina.pt) Guilherme Venâncio (gvenancio@sabado.cofina.pt) Sónia Bento (soniabento@sabado.cofina.pt) Editor Online Filipe Garcia (filipegarcia@sabado.cofina.pt) Editor Multimédia Nuno Paixão Louro (nunolouro@sabado.cofina.pt) Subeditores Alexandre Azevedo (alexandreazevedo@sabado.cofina.pt) Nuno Tiago Pinto (nunopinto@sabado.cofina.pt) Maria Henrique Espada (mespada@sabado.cofina.pt) Vanda Marques (vandamarques@sabado.cofina.pt) Grande Repórter António José Vilela (antoniovilela@sabado.cofina.pt) Redacção Ágata Xavier (agataxavier@sabado.cofina.pt) Ana Catarina André (anaandre@sabado.cofina.pt); André Rito (andrerito@sabado.cofina.pt); Bruno Faria Lopes (brunolopes@sabado.cofina.pt); Cátia Andrea Costa (catiacosta@sabado.cofina.pt); Diogo Lopes (dlopes@sabado.cofina.pt); Joana Carvalho Fernandes (joanafernandes@sabado.cofina.pt); Leonor Riso (lriso@sabado.cofina.pt); Lucília Galha (luciliagalha@sabado.cofina.pt); Marco Alves (marcoalves@sabado.cofina.pt); Myriam Gaspar (myriamgaspar@sabado.cofina.pt); Octávio Lousada Oliveira (octaviooliveira@sabado.cofina.pt); Raquel Lito (raquellito@sabado.cofina.pt); Rita Bertrand (ritabertrand@sabado.cofina.pt); Sara Capelo (saracapelo@sabado.cofina.pt); Susana Lúcio (slucio@sabado.cofina.pt); Tânia Pereirinha (tpereirinha@sabado.cofina.pt) Cronistas Alberto Gonçalves (alberto.goncalves69@gmail.com), Alexandre Pais (alexandrepais2013@gmail.com), Eduardo Dâmaso (eduardodamaso@cmjornal.pt), João Costa (joaocosta@yap.pt), José Pacheco Pereira (jppereira@ gmail.com), Nuno Costa Santos (falarparadentro@sapo.pt), Nuno Rogeiro (nrogeiro@gmail.com) e Pedro Marta Santos (pedromartasantos@sapo.pt) Secretária da Direcção Catarina Gonçalves (catarina@sabado.cofina.pt) Ilustração Luis Grañena, Rui Ricardo, Susana Villar Infografia Filipe Raminhos e Ruben Sarmento Grafismo Nuno Martins da Silva (editor), Ana Soares (gráfico sénior), Daniel Neves, Marta Cristiano, Marta Luz, Tiago Dias, Tiago Martinho (gráfico sénior) Tratamento de Imagem João Cruz e Ricardo Coelho Consultoria Linguística Manuela Gonzaga (manuelagonzaga@sabado.cofina.pt) Documentalista Anabela Meneses (anabelameneses@sabado.cofina.pt)

Estatuto editorial (Leia na íntegra em www.sabado.pt)

MariaCarminda

 

Alcobaça

Quero felicitar a SÁBADO por alguns trabalhos apresentados esta semana. Apesar de achar confuso o grafismo da capa, o texto a que nos remete está bem apresentado e revela-nos dados bem interessantes sobre uma rivalidade histórica e saudável entre as duas maiores cidades. Ainda na temática Norte/Sul, ressalva para o trabalho do jornalista Pedro Castro. Gostei ainda da entrevista com Marcos Valle e do retrato dos talentos de Cuca Roseta e Bruno Vieira.

Os textos da SÁBADO não seguem o novo Acordo Ortográfico

 
 

Assinaturas Telefone 210 494 999 Email assine@cofina.pt

 

L

MarcoCruz

tima SÁBADO, sobre a festa comu- nista, há áreas nebulosas que mere- cem atenção. A questão do paga- mento de IMI pelos partidos é uma delas. Porque não têm estas organi- zações de pagar? Porque é que o CDS se coloca ao nível da Igreja no dis- curso de “só pagamos se eles paga- rem”? E porque não paga a Igreja também? Tratamento igual para todos os cidadãos, é o que se exige.

Correio Remessa Livre 11258 – Loja da 5 de Outubro – 1059-962 LISBOA (não precisa de selo) ou escreva para: Cofina-Serviço de Assinantes – Rua Luciana Stegagno Picchio nº 3 – 2.º Piso – 1549-023 LISBOA Preços de Assinatura PORTUGAL EUROPA RESTO DO MUNDO

Semestral (26 edições) € 59,90 Anual (52 edições) € 119,80

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Carvoeiro

Os vícios dos jotas

2 anos (104 edições) € 200,20 - IVA incluído à taxa de 6% Contactos Margarida Matos (Coordenadora), Sandra Sousa, Ana Pereira

-

e

Sónia Graça (Serviço de atendimento)

A reportagem sobre as universida- des de Verão das juventudes parti- dárias é reveladora: por um lado, temos jovens interessados em polí- tica, por outro esses mesmos jo- vens, e os seus professores, não es- tão nada interessados em mudar a maneira como se faz política. Já sa- bemos como vai ser o futuro.

Venda de edições anteriores Contacte-nos pelo 219 253 248 ou RevistasAnteriores@revistas.cofina.pt

 

Marketing Sónia Santos (gestora)

Publicidade Assistente Comercial Irene Martins Rua Luciana Stegagno Picchio nº 3, São Domingos de Benfica, 1549–023 LISBOA Telefone +351 210 494 102 – Fax + 351 213 540 392 ou + 351 213 153 543 Email publicidade@sabado.cofina.pt

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Produção Avelino Soares (director-adjunto), Carlos Dias (coordenador), Paulo Bernardino, José Carlos Freitas e Fátima Mesquita (assistente)

JoséAntónio Sousa

 

Circulação Madalena Carreira (coordenadora) e Jorge Gonçalves

 

São Pedro do Sul

L

Planear a época dos fogos

Redacção Rua Luciana Stegagno Picchio nº 3, São Domingos de Benfica, 1549–023 LISBOA Telefone +351 213 185 200 – Fax +351 210 493 144

SaraResendes

Bragança

[Agora que o Verão está a acabar]

Sede: Administração e Publicidade Rua Luciana Stegagno Picchio nº 3 São Domingos de Benfica, 1549–023 LISBOA

A Festa do Avante! e o IMI

(

),

se calhar era boa ideia começa-

Nunca fui ao Avante! Não por ne- nhum tipo de afinidade com outro partido político. Na verdade, tam- bém nunca fui ao Pontal ou ao acampamento do Bloco de Esquer- da ou a outro evento partidário. Nunca fui e pronto. Mas, pelo que depreendo do texto publicado na úl-

rem a planear o que fazer para que no próximo ano não voltemos a vi-

Propriedade/Editora Cofina Media SA Capital Social 22.523.420,40 Euros CRC Lx n.º 502 801 034 Contribuinte 502 801 034 Principal Accionista Cofina SGPS, SA (100%) N.º Registo ERC 124436 N.º ISSN 0872-8402 Depósito Legal 210999/04 Tiragem média no mês de Janeiro 100 mil exemplares Impressão LISGRÁFICA Impressão e Artes Gráficas, SA

Estrada Consigliéri Pedroso, 90 Casal de Santa Leopoldina 2745-553 Queluz de Baixo Tel. 214 345 400 Pré-impressão GRAPHEXPERTS Av. Infante Santo, 42 1350-179 Lisboa . Distribuição VASP – Distribuidora de Publicações, Lda. MLP: Media Logistics Park Quinta do Grajal – Venda Seca, 2739-511 Agualva, Cacém

Distribuidora de Publicações, Lda. MLP: Media Logistics Park Quinta do Grajal – Venda Seca, 2739-511 Agualva,

ver o drama do costume. (

)

Sugiro

uma ideia: as câmaras e juntas de freguesia podiam criar uma equipa para limpar os terrenos à volta das

aldeias numa área de 150 metros em redor, já que obrigar os proprietários

é complicado e não resulta(

).

W

 

Eleita pelo sexto ano consecutivo newsmagazine do ano pela Meios & Publicidade

 
   
W   Eleita pelo sexto ano consecutivo newsmagazine do ano pela Meios & Publicidade    
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15 SETEMBRO 2016

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A abrir 15 SETEMBRO 2016 www.sabado.pt SOMOS O QUARTO PAÍS EUROPEU COMMAIS ESPÉCIES EM RISCO A
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SOMOS O QUARTO PAÍS EUROPEU COMMAIS ESPÉCIES EM RISCO A lista da União Internacional para
SOMOS O QUARTO PAÍS EUROPEU
COMMAIS ESPÉCIES EM RISCO
A lista da União Internacional para a Conservação da Natureza é liderada pelas plantas. E o lince-ibérico também está lá
AMBIENTE
Se percorrer o Tejo, só com muita sorte
encontrará uma boga-de-boca-arquea-
da. Esta espécie “rara”, segundo a União
Internacional para a Conservação da
Natureza (IUCN, na sigla em inglês), ocu-
pa apenas 10 km 2 nas áreas dos rios
Trancão e Maior e ribeira de Muge e está
em risco devido à extracção de água
para fins agrícolas, à poluição e a outros
animais exóticos.
E é apenas uma das 273espéciesem
lugar do pódio – há 81 em risco, como o
jasmineiro-branco, endémico da Madeira
e em risco devido à invasão de outras es-
perigoemPortugal,naListaVerme-
lhada IUCN. Na Europa, Portugal será o
quarto país com mais espécies ameaça-
das. Nos primeiros lugares estão Espanha
(593), Grécia (362) e Itália (306).
Por cá, as plantas ocupam o primeiro
pécies, ao desenvolvimento urbano, à
agricultura ou aos incêndios e cheias. Se-
guem-se 76 moluscos – como a lesma
Plutonia angulosa, ameaçada pela seca
no Pico Alto, em Santa Maria, nos Açores
– e 63 espécies de peixes. SARACAPELO

EXPORTAÇÕES PARA OS EUA RENDEM €2,5 MILHÕES

EM 2015, o Estado de Nova Jérsia foi o que recebeu mais mercadorias portuguesas (17%), seguido da Califórnia (11%), lê-se no ma- nual de apoio à internacionalização Portugal Business USA, agora editado pela FLAD. Estes são os bens mais exportados:

agora editado pela FLAD. Estes são os bens mais exportados: Combustíveis Cortiça Produtos Papel Electrónica Borracha

Combustíveis

pela FLAD. Estes são os bens mais exportados: Combustíveis Cortiça Produtos Papel Electrónica Borracha minerais Os

Cortiça

Estes são os bens mais exportados: Combustíveis Cortiça Produtos Papel Electrónica Borracha minerais Os

Produtos

os bens mais exportados: Combustíveis Cortiça Produtos Papel Electrónica Borracha minerais Os produtores de

Papel

bens mais exportados: Combustíveis Cortiça Produtos Papel Electrónica Borracha minerais Os produtores de

Electrónica

Combustíveis Cortiça Produtos Papel Electrónica Borracha minerais Os produtores de farmacêuticos

Borracha

minerais

Os produtores de

farmacêuticos

ecartão

Os equipamentos

€141 mil

As exportações da

€47 mil, em 2011;

Renderam €662 mil e destronaram calça- do, roupa e vinho, no topo nos anos 90

cortiça nacionais fi- zeram €175 mil, diz a lista do Internatio- nal Trade Center

Se em 2011 signifi- cavam €28 mil, quatro anos depois renderam €167 mil

Em cinco anos, nunca renderam tanto como em 2015: €146 mil

eléctricos e de electrónica estão em 5.º lugar:

matéria-prima mais do que duplicaram:

€108 mil, em 2015

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FERNANDO ESTEVES

RAJOY E IGLÉSIAS: UMA LIGAÇÃO IMPROVÁVEL

Sobe

S

Assunção Cristas

Presidente do CDS

Avançou com a candida- tura a Lisboa, ultrapassan- do (uma vez mais) Passos Coelho pela direita. Com Assunção em jogo, será difícil convencer algum nome de primeira linha a avançar pelo PSD. Ou seja: a líder do CDS está condenada a obter um bom resultado em Lisboa – melhor que o de Portas em 2001.

pelo PSD. Ou seja: a líder do CDS está condenada a obter um bom resultado em

Desce

D

CatarinaMartins

Líder do Bloco de Esquerda

Estrategicamente ador- mecida nos últimos tem- pos, a “velha” Catarina acordou esta semana. A propósito da fatalidade ocorrida nos Comandos, exigiu a extinção da cor- poração. Vindo dela, não é surpresa – o que sur- preende é o facto de não ter ministrado a mesma terapia radical aos gover- nantes que foram ao Eu- ro à conta da Galp.

preende é o facto de não ter ministrado a mesma terapia radical aos gover- nantes que
aos gover- nantes que foram ao Eu- ro à conta da Galp. ESPANHA Há uma personalidade

ESPANHA

Há uma personalidade com quem o Presidente do governo espanhol, em exercício, não consegue dialogar. O proble- ma é que é aquele com quem deveria dar-se para tentarem uma solução de Governo que evitasse a terceira ida às urnas

(apenas um em cada quatro espanhóis deseja voltar a vo- tar em Dezembro, diz o El País): Pedro Sánchez, o líder do PSOE. Mas o semáforo está vermelhíssimo: a “pior relação que tive com um político”, confessa Mariano Rajoy aos próximos, segundo este diário.

Até com Albert Rivera há ra- zões para abrandar. Sinal ver- de, só com Pablo Iglesias, o lí- der do Podemos, apesar de Rajoy admitir que jamais po- derão fazer acordos por terem “duas concepções distintas de quase tudo.” Eis o que diz dos adversários:

distintas de quase tudo.” Eis o que diz dos adversários: j i Albert Pedro Rivera Sánchez
distintas de quase tudo.” Eis o que diz dos adversários: j i Albert Pedro Rivera Sánchez
j i Albert Pedro Rivera Sánchez “A relação não é magnífica, mas pode-se falar e
j i Albert Pedro Rivera Sánchez “A relação não é magnífica, mas pode-se falar e

j

i

Albert

Pedro

Rivera

Sánchez

“A relação não é magnífica, mas pode-se falar e propor coisas”

“Vocês já

alguma vez

jantaram com

um marciano?”

g

Pablo

Iglesias

“Nunca poderei acordar nada, mas é agradável e pode- -se conversar.”

A COMISSÃO EUROPEIA CONCLUI QUE 80% DAS TINTAS DAS TATUAGENS (QUE 3 MILHÕES DE EU-
A COMISSÃO EUROPEIA
CONCLUI QUE 80% DAS
TINTAS DAS TATUAGENS
(QUE 3 MILHÕES DE EU-
ROPEUS TÊM) SÃO ORGÂ-
NICAS (VÊM DO CARVÃO
E DO PETRÓLEO). ENTRE
ESTAS, 60% TÊM AZOPIG-
MENTOS, QUE
EM CONTAC-
TO COM
O SOL
PODEM
SER CAN-
CERÍGENAS.

tttt

tttt

tttt

Doze euros

A taxa que a União Eu- ropeia poderá exigir para que um cidadão do Reino Unido entre nas suas fronteiras, anteci- pou este fim-de-sema- na o The Guardian

c

1 ano

Esta regra, que fará parte do Sistema Eu- ropeu de Autorização de Viagem (ETIAS, em inglês) estará a ser ultimada pela União Europeia, diz o mesmo jornal, e po- derá entrar em vigor no próximo ano

bb

Duas dezenas

O ETIAS será comum a todos os cidadãos que venham de fora do es- paço Schengen (com- posto por 26 países). Daí que os cidadãos ingle- ses, que votaram em re- ferendo a saída da co- munidade, também es- tejam incluídos

ggg

gggg

7 dezenas

O sistema deverá ser semelhante ao im- posto cobrado aos norte-americanos, que têm de preencher um formulário online 72 horas antes de via- jarem até à Europa

15 SETEMBRO 2016

15 SETEMBRO 2016 www.sabado.pt

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MARISA CARDOSO

Cara a cara

ANA CATARINA ANDRÉ

SusumuTonegawa “Não faço pesquisa para ganharo Nobel” O cientista japonês, de 77 anos, esteve em
SusumuTonegawa
“Não faço pesquisa para ganharo Nobel”
O cientista japonês, de 77 anos, esteve em Portugal para
a entrega do Prémio Champalimaud da Visão e diz que
há esperança para os doentes com Alzheimer
Desde que ganhou o Prémio Nobel
da Medicina (1987) tem menos
tempo para investigar?
Alguns cientistas relaxam e passam
a trabalhar com menos afinco, de-
Descobriu recentemente que os pacientes
com Alzheimer podem formar memórias, ao
contrário do que se pensava. É uma revolu-
ção no combate à doença?
Diria que é um desenvolvimento importante.
Recorremos a um modelo com ratos, que acre-
ditamos ter muitas semelhanças aos humanos.
Há duas fases associadas à memorização: a for-
mação da memória e a evocação dessa memó-
ria. Muitos cientistas acreditavam que, mesmo
numa fase inicial, os doentes tinham problemas
com a formação de memórias. Mostrámos que
não é assim: esses pacientes formam memó-
rias, mas não se lembram delas na totalidade.
pois de receberem esta distinção.
Para mim não foi assim. Não faço
pesquisa para ganhar o Nobel. Faço
porque quero perceber a natureza.
Foram os trabalhos sobre Imunologia
que lhe deram o Nobel, mas trocou a
área pela Neurobiologia. Porquê?
A Imunologia é uma área tradicional.
Estuda-se há mais de 100 anos. O cére-
bro não. Estudá-lo implica perceber os
problemas da mente, as emoções, a
memória. Queria perceber as bases fí-
sicas destes fenómenos. É um terreno
ainda desconhecido – mais misterioso
para mim. A Neurobiologia foi uma
questão de curiosidade.
De que forma o
seu estudo pode
influenciar futu-
ras terapêuticas?
Uma coisa era
percebermos que
as pessoas com
Alzheimer não
memorizam nada
– aí seria difícil
chegar à cura. Ou-
tra bem diferente
é saber que for-
mam memórias –
assim há mais hi-
póteses de com-
bater a patologia.
Participa na entrega dos Prémios Champalimaud, que dis-
tinguem os melhores trabalhos científicos na área da visão.
Tenho uma longa relação com Portugal. Quando conheci a
Leonor Beleza [presidente da Fundação Champalimaud], ela
disse-me que estava à procura de um bom arquitecto para criar
o edifício. Falei-lhe do Charles Correa e ela apaixonou-se pelo
trabalho dele. Agora, como membro do júri deste prémio, estou
feliz por termos escolhido quatro cientistas que contribuíram
para o avanço de uma área tão importante, como a da visão.
Haverá cura na próxima década?
Posso dizer que estaremos mais
perto disso. A prevenção da doença
levará mais tempo. Estamos a tentar
perceber o que acontece no cére-
bro. Depois procuraremos encon-
trar uma forma de cura e o passo
seguinte será o da prevenção.

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15 SETEMBRO 2016 www.sabado.pt
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A abrir 15 SETEMBRO 2016 www.sabado.pt Omarginal ameno O Nuno Costa Santos Escritor Pobre língua de
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A abrir 15 SETEMBRO 2016 www.sabado.pt Omarginal ameno O Nuno Costa Santos Escritor Pobre língua de

Omarginal ameno

Omarginal ameno O Nuno Costa Santos Escritor Pobre língua de Camões Jásepercebeu,já:grandeparte de nós, nas suas

O

Nuno Costa Santos

Escritor

Pobre língua de Camões

Jásepercebeu,já:grandeparte de nós, nas suas brevíssimas mensagens escritas, deixou de escrevinhar texto. Basta-se com sinaizinhos. Com o smiley, o “fixe” visual, a vitória em dese- nho. Quem defendeu que o vir- tual não é o fim da palavra mas sim a sua promoção ganhou um dado novo para o seu complexo pensamento. Estanovasinalécti- ca privada anda a tomar conta disto e merece ser ensinada nos liceus. Pensemos no assunto na rentrée escolar. A prática começou com rema- tes de frases nas quais até os in- telectuais andam metidos. Quem imagina Eça a mandar a Antero um smiley triste, com uma lagrimita, no fim de uma sentença de vencido da vida? Camilo aenviarumamensagem a Ana Plácido com um amo-te seguido de coraçãozinho? Des- confio que, hoje, até no departa- mento de linguística da Facul- dade de Letras ninguém escapa à epidemia. E que o juiz Carlos Alexandre esteja com vontade de distribuir sorrisinhos numa sentençapróxima. Pessoa séria que sou, formada nos mais exigentes dicionários, considero a generalização desta linguagem, digamos, um tudo nadaridícula. Não podemos dei- xaralínguade Camões sersubs- tituída por bonequinhos. Ou po- demos?Se calharaté podemos. A firmeza intelectual já teve me- lhores dias. Agorainsiram porfa- vor um sorriso com uma pisca- delamarota. W

podemos. A firmeza intelectual já teve me- lhores dias. Agorainsiram porfa- vor um sorriso com uma

A criadamalcriada

FACEBOOK.COM/ACRIADAMALCRIADA E SABADO.PT

Notícias de ontem.

E SABADO.PT Notícias de ontem. Para ti (lha) JOÃO COSTA, activador de negócios h
E SABADO.PT Notícias de ontem. Para ti (lha) JOÃO COSTA, activador de negócios h
E SABADO.PT Notícias de ontem. Para ti (lha) JOÃO COSTA, activador de negócios h

Para ti (lha)

JOÃO COSTA, activador de negócios

h

Programar com o Snapchat e o Instagram

Vidcode ensina aos adolescentes código com tecnologias de vídeo, interagindo directamente com as redes sociais favoritas e partilhando com os seus amigos

as redes sociais favoritas e partilhando com os seus amigos V idcode é uma de oito

V idcode é uma de oito start-

ups tecnológicas educacio-

nais seleccionadas para par-

ticipar no primeiro programa Intel Education Accelerator, uma iniciati- va que utiliza tecnologias digitais para envolver os alunos no desen- volvimento das suas competências. A abordagem é simples: em vez de incentivar os adolescentes a adoptar a cultura dos dispositivos móveis numa perspectiva de consumo, quer pô-los a contribuir de forma activa

de consumo, quer pô-los a contribuir de forma activa Mais em sabado.pt Veja o vídeo no

Mais

em sabado.pt

Veja o vídeo no nosso site

para os seus conteúdos, mudando a forma como os jovens interpretam

a programação. Enquanto os vários

cursos online disponíveis no mer- cado visam só o ensino básico de programação genérica, a Vidcode ensina a criar projectos sobre aqui- lo em que os adolescentes estão

realmente interessados. Estimula-os a contar a sua própria

história com filtros ao estilo do Ins- tagram, memes ou até geofiltros do Snapchat, usando tecnologias rela- cionadas com realidade aumentada

e linguagem de programação JavaS-

cript. A Vidcode não é só para alu-

nos, mas também para professores. Recentemente, adicionou ferra- mentas para uso na sala de aula e, nos Estados Unidos, 5.000 escolas já aderiram à plataforma. Todas as informações em www.vidcode.io.

joaocosta@sardinha.pt

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As frasesda semana

A abrir As frasesda semana F Assunção Cristas, líder do CDS/PP, que anunciou a candidatura à

F

Assunção Cristas, líder do CDS/PP, que anunciou a candidatura à Câmara de Lisboa, Público

“Quero dar o exemplo nesta mobilização do nosso partido [para

as autárquicas].( Tenho o vento de Lisboa colado à minha pele e a água do Tejo colada à minha alma”

)

F F F F Maria Luís Albuquerque Emma Suárez Rita Rato Francisco Seixas da Costa
F
F
F
F
Maria Luís Albuquerque
Emma Suárez
Rita Rato
Francisco Seixas da Costa
“Não me arrependo de todo
[de ter reconduzido Carlos Costa].
Acho que foi um homem muito
corajoso, que tomou decisões
muito difíceis”
intérprete de Julieta,
“Hoje existem milhares de postos
de trabalho permanentes
suprimidos por estágios. O
estágio profissional existe para
reduzir os custos do trabalho e os
salários dos trabalhadores”
“Bin Laden era, há dezanos, uma
VanityFair
“Pedro
Almodóvar
colocou
neste filme
toda a sua
experiência
pessoal, a
sua dor, as
suas
misérias
e a sua
solidão”
espinha atravessada na garganta
que nos enfurecia e nos fazia
duvidardas nossas capacidades.
A
morte dele teve um impacto
Ex-ministra das Finanças, Jornal
de Negócios
simbólico”
Deputada do PCP, Jornal de Negócios
Ex-coordenador nacional para a segurança
e contraterrorismo dos EUA, Expresso
F
F
Marinho e Pinto
António Pragal Colaço
F
“Não sou europeísta por
dinheiro”
“Este processo não demorará
anos, mas sim décadas”
Beppe Grillo
Eurodeputado, Expresso
Advogado, sobre a falência do antigo
Banco Espírito Santo, Diário de Notícias
“Estava à espera de muito pior.
De serposto sob investigação ou
F
que cinco quilos de cocaína
fossem encontrados no meu
Augusto Santos Silva
F
carro”
“Admite-se, porque é corrente,
que possa haver ocasiões em que
a oferta protocolar feita a um
membro do Governo português
exceda previsivelmente o valor
de 150 euros”
JoãoMiguelTavares
“Até parece que Portugal era o
motor da Europa e um país
economicamente pujante até ao
malfadado dia em que se
lembrou de aderir à moeda
única”
Líder do MoVimento 5 Estrelas, acerca
da suspeita de corrupção sobre uma
vereadora do partido, Corriere della Sera
F
IsabelMoreira
Ministro dos Negócios Estrangeiros,
Jornal de Negócios
“Equipararum cigarro electrónico
Colunista, Público
a
um cigarro éo mesmo que
equipararum cigarro a leite”
F
Deputada socialista, Facebook
F
Manuela Ferreira Leite
FernandoMedina
“Não me causam
preocupação as décimas de
um défice orçamental cujo
critério de medição é
teórico e atémesmo
dependente do humor dos
responsáveis pela sua
validação”
“O IMIé geral, por regra
todos os edifícios deviam
pagar”
F
François Hollande Presidente da
Presidente da Câmara de Lisboa,
defendendo que os imóveis do
Estado também deviam pagar
IMI, Expresso
França, Le Monde
F
Ex-líder do PSD, Expresso
Paulo Futre
F
Dulce Neto
“O Fisco está cada vez
mais agressivo,
“Jorge Jesus teria tudo
para ter sucesso como
treinador do Real
Madrid”
atropelando os direitos
dos contribuintes”
Ex-jogador de futebol,
Diário de Notícias
“A laicidade não é uma
religião de Estado
contra as
religiões. É, antes
de mais, um
princípio de
neutralidade
que se
impõe ao
Estado”
Vice-presidente do Supremo Tri-
bunal Administrativo, Diário
de Notícias
GETTY IMAGES
REUTERS

D.R.

F

ShaileneWoodley actriz de Snowden, Clevver News

“As pessoas vão ficar chocadas ao perceberem queEdward Snowden ésó um ser humano, para além do rótulo colado ao nome dele, seja ‘herói’ ou ‘traidor’”

SARA CAPELO

F

Natalie Portman

“Não leio críticas desde os 19 anos”

Actriz, El País

F

Nuno Lopes

“Isto de estar num festival é óptimo, mas no dia a seguir a Berlim estava a limpar o chão para a peça de teatro que ia fazer a seguir”

Actor que ganhou, em Veneza, o prémio de Melhor Actor, i

F

Jorge Nuno Pinto da Costa

“Podem rosnar aqueles que não sabem falar, podem escrever com tinta venenosa e vermelha aqueles que não sabem escrever a azul, que o Futebol Clube do Porto continuará”

Presidente do FC Porto, Jornal de Notícias

F

Luís Filipe Vieira

“[Jorge Jesus] é um excelente profissional, um bom treinador. (…) Não podíamos planear a longo prazo, nem a médio prazo nada. (…) A maneira que ele tem de trabalhar hoje não serve os interesses do Benfica”

Presidente do Benfica, TVI

F

Sofia Ribeiro

“Não precisamos de cabelo, peito grande, curvas e contracurvas, brilhos e lantejoulas, maquilhagens e acessórios, para sermos sexy e lindas”

Actriz, a recuperar de um can- cro, vencedora do prémio Sexy 20, que elege a mulher mais sexy de Portu- gal, Correio da Manhã

15 SETEMBRO 2016 www.sabado.pt
15 SETEMBRO 2016
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Omoralista O PedroMarta Santos Jornalista e argumentista 2018 Imaginem um mundo onde Do- naldTrumpépresidentedosEUA,

Omoralista

Omoralista O PedroMarta Santos Jornalista e argumentista 2018 Imaginem um mundo onde Do- naldTrumpépresidentedosEUA,

O

PedroMarta Santos

Jornalista e argumentista

2018

Imaginem um mundo onde Do- naldTrumpépresidentedosEUA, Marine Le Pen é presidente da França, os extremistas daAfD gover- nam a Alemanha, Viktor Orbán re- força os seus poderes constitucio- nais, o Podemos ajudaafecharaEs-

panha sobre si própria, Putin conti- nuaareduziros direitos e liberdades dos russos enquanto é aclamado (80% de popularidade), Erdogan re- força a purga “democrática” e Ma- duro, a ouvir vozes do Além, reina com mão de ferro sobre um país em

cinzasondepartedapopulaçãomor-

reu à fome entre 2015 e 2017 (é o G20 ouas nações emergentes; o res- to estápior). Em2018, acabamde ser construídos oureforçados muros em Calais, no Texas, no Novo México e nas fronteiras húngara, austríaca, macedónia, polacae búlgara. Não se tratade esquerdaou de direita. Tra- ta-se de isolacionismo, xenofobia e estupidez. Em 2016, há quatro vezes mais desalojados do que em 2005, cres- cem as lojas nos EUA com letreiros “MuslimFree” eoplanetaestátrans- formado num gigantesco Facebook onde as mensagens de ódio são vinculativas e matam. É o mundo potencialmente mais perigoso des- de 1945 (mais do que no pós-11 de Setembro), mistura letal de intole- rância nacionalista e globalização desregulamentada. Em 2018, o pro- blema não estará apenas nos isola- cionismos políticos nacionais, mas nasuacoexistênciacom adesregu- lação económica e financeira glo- bal. Nestes momentos, a frase de Edmund Burke cita-se ad nau- seam: “A única coisa necessária ao triunfo do Mal é que homens bons nada façam”. Mas onde estão os homens bons? No snapchat? W

coisa necessária ao triunfo do Mal é que homens bons nada façam”. Mas onde estão os

Veja

15 SETEMBRO 2016 www.sabado.pt www.sabado.pt c A fome está amatar no Iémen IIIIIIIIIIIIIIIIIIII Talvez nunca
15 SETEMBRO 2016 www.sabado.pt www.sabado.pt
15 SETEMBRO 2016
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c

A fome está amatar no Iémen

IIIIIIIIIIIIIIIIIIII

Talvez nunca se venhaa saber o nome ou o desti- no deste bebé fotografado com amãe, no hospital de Hodeida. Mas a suahistó- ria será semelhante àde outras 370mil crianças que, diz aONU, sofrem de malnutrição agudano Ié- men. Desde que, em 2015, se iniciou o conflito entre os rebeldes xiitas houthi e a coligação árabe coman- dadapelaArábia Saudita, os preços ficaram proibi- tivos e pelomenos 14mi- lhões de iemenitas vivem sem comidaou assistên- ciamédica. Umaoutra mãe de Hodeida, Taqwa Mohammad, confessou à Al Jazeeraque não tem dinheiro parao leite dos filhos e pede osmedica- mentos emprestados aos vizinhos.

FOTO ABDULJABBAR ZEYAD / REUTERS

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A abrir 15 SETEMBRO 2016 www.sabado.pt Insólito SARA CAPELO ! GETTYIMAGES ! Idiotanão é termo

Insólito

SARA CAPELO

!

GETTYIMAGES

GETTYIMAGES
!

!

Idiotanão é termo paraumamatrícula

Foi negado a um sueco

a

alteração da matrí-

cula do seu carro para 3JOH22A por esta ser ofensiva. É que a com- binação das letras e números lida ao con- trário dá origem ao termo idiota em inglês (asshole).

A

estradade ouro

Todos os que circularem na auto-estrada número 316, no Este da China, po- derão estranhar que al- gures perto de Binzhou esteja uma mulher de ca- puz e máscara a remexer em grãos de milho com uma espécie de vassoura. Mas é mesmo isso: os agricultores usam as fai- xas laterais da estrada para secar o milho.

 

!

 

!

Os reis da lavoura

 

Os 500 hectares de uma quinta nos arredores de York (Reino Unido) rece- beram no fim-de-semana

 

Ooom

A

corrente de paz

Vestidas de branco, sentadas em tapetes na posição sukhasana com braços elevados e mãos em oração,

o

63. o Concurso Mundial

estas praticantes chinesas fizeram uma corrente de io- ga, a 11 de Setembro. Podemos imaginar como a ideia germinou com entusiasmo no clube de ioga de Dao- xian, na província de Hunan: se organizássemos uma sessão na caverna de Yueyang? E lá foram elas – mui-

tas, até se perderem de vista na paisagem – meditar.

de Lavoura. Os partici-

pantes de 36 países ten- taram provar com os seus tractores que eram os

 
 

9mil

melhores a lavrar a terra.

houve exposição com

E

máquinas agrícolas anti- gas, como esta a vapor.

Os 800 habitantes de

 

Saint-Romain-en-

  ! -Viennois, na Provença francesa, reuniram 9 mil assinaturas para impedir a abertura de
 

!

-Viennois, na Provença francesa, reuniram 9 mil assinaturas para impedir a abertura de um restaurante do McDonald’s. Motivo: “É comida frita, pelo que vai cheirar e deixar lixo por todo o lado que o vento soprará para as vinhas e casas”, diz um porta-voz.

DEPOIS DAVITÓRIADOECOLOGISTAVANDER BELLENTER SIDO ANULADA POR IRREGULARI- DADES, AS PRESIDENCIAIS NA ÁUSTRIA SERIAM REPETIDAS EM OUTUBRO. MAS NOVOS PROBLE- MAS COM A COLADOS BOLETINS – QUE CHEGARAM DANIFICADOS AOS ELEITORES – ADIARAM A VO- TAÇÃO PARADEZEMBRO.

!

 

!

!

!

Queremos o nosso fantasmade volta

Fortuna com bebés

OsTromp e a sua paranóia colectiva

O

“rio de sangue”

Uns amigos chineses pedi-

As águas do Daldykan, no

O

artista Lu Pingyuan

ram a Beau Jessup, 16 anos, que desse um nome inglês ao seu bebé. Poderia ser impor- tante caso ele fosse estudar ou trabalhar para o Reino

1.

Os Tromp (pais e três filhos adul-

Norte da Sibéria, ficaram vermelhas vivas. Ainda sem nenhuma explicação oficial (apesar de se supor

viajou de Shangai para

tos) livraram-se dos telemóveis e fize-

raptar o fantasma do conde que assombra o

ram 1.600 km na Austrália porque “estavam a ser perseguidos”.

bar inglês Ye Olde Man

2.

Invadiram motéis, roubaram um

que poderá ser uma reac- ção aos locais por onde passa: uma mina e fábri- ca metalúrgica que liber-

num “acto simbólico”

Unido e não queriam come- ter o erro de lhe chamar Ro- lex ou Gandalf, como já suce-

carro e a mãe e uma das filhas foram

contra o colonialismo do Reino Unido. Levou-

internadas com problemas psiquiátri- cos. Porquê?

o

numa lata que expôs

dera. A britânica criou um si- te para fornecer este serviço a outros pais. Já nomeou 200 mil bebés e fez €57 mil euros.

3.

Diz-se que sofrem de um distúr-

tam 2 milhões de tonela- das de dióxido sulfúrico), os russos chamam-lhe agora “rio de sangue”.

numa galeria. Mas os

bio psicológico colectivo, a folie en fa-

donos do pub exigem que o devolva.

mille, ou que foram afectados pelos químicos usados na sua quinta.

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15 SETEMBRO 2016
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A abrir 15 SETEMBRO 2016 www.sabado.pt Indiscretos A.C.A., A.T., R.H., S.C. k O Presidente que discordou
A abrir 15 SETEMBRO 2016 www.sabado.pt Indiscretos A.C.A., A.T., R.H., S.C. k O Presidente que discordou

Indiscretos

A.C.A., A.T., R.H., S.C.

k

k

k

O Presidente que discordou e premiou

Quando condecorou António Champali- maud a título póstumo, Marcelo Rebelo de Sousa disse que esta atribuição coube a um Presidente que “por várias vezes discordou” do empresário. Na plateia, todos ficaram surpreendidos mas convencidos de que a ideia da distinção “só podia ser de Marcelo”.

k

k

k

“QUANDO É QUE ACTUA O ARTISTA?”, PERGUNTAVA UMA IDOSA NAS FES- TAS DE SOBRAL DE MONTE AGRAÇO, NÃO PERCEBEN- DO QUE “O AR- TISTA” ERA RUI UNAS, QUE JÁ ES- TAVA EM PALCO.

O

aniversário

Conta obrigatória?

Na verdade, não é. Uma mãe foi inscrever o filho na Nova School of Business (NSBE) e fi- cou incomodada por ter percebido que teria de abrir conta no Novo Banco (NB) para que ele tivesse um cartão de identificação da universidade. Um dos argumentos dados no balcão do NB: os licenciados desta institui- ção têm facilidade em estagiar no banco. A NSBE diz à SÁBADO que não existe nenhu- ma obrigatoriedade, “é opcional”. Tal como também o é na Católica, explicou fonte ofi- cial do NB, onde quem não queira abrir con- ta fica com um cartão com o logo do NB e os seus dados de identificação. Propostas semelhantes são feitas noutras faculdades pela Caixa Geral ou pelo Santander.

de Sócrates

Os 59 anos do ex-primei- ro-ministro foram cele- brados na nova petiscaria da moda na LX Factory, o Tacho. José Sócrates jun- tou actuais e antigos go- vernantes, como Augusto Santos Silva e Mário Lino. E houve bolo de aniversá- rio no que, diz quem viu, parecia mais um comício do que um aniversário.

k

k

O alfada Justiça

Na quinta-feira, 8 de Setembro, à tar- de, o antigo ministro da Justiça, Alber- to Costa, viajava no alfa da CP para o Porto. Na tarde seguinte, o constitu- cionalista Jorge Miranda tomava o mesmo meio de transporte para Sul.

k Promo com delay

k

Promo com delay

k

k

Os elogios dos primeiros seis meses de Marcelo

A

propaganda

Tomou posse há meio ano, a 9 de Março, como o “Presidente dos afectos” e bem que os distribuiu por António Costa, António Guter- res, José Sócrates, Fernando Santos e Durão Barroso. Identifica-os?

1

“Que liderança tão inteligente, serena,

calma, resistente, persistente!”

4 “Ficamuito bem ter gratidão em re-

lação àqueles que,

pró-Guterres

Leonor Beleza, presidente da Fundação Champali- maud, aproveitou a pro-

jecção internacional do Prémio da Visão para, no seu discurso na entrega da distinção, dia 6, apoiar o candidato a secretário- -geral da ONU (e membro do júri do prémio): que o saibam escolher, desejou.

A

selecção nacional de

 

ao longo do tempo, contribuíram para” [as obras em Trás-os-Montes]

futebol jogou – e perdeu

com a Suíça no dia 6.

Mas na antena da RDP África, na madrugada de dia 8, ainda passava a promoção da emissão desse primeiro embate de apuramento para o Mundial. Serviço público com delay?

2

Atingiu “o topo da vidaempresarial.

E

o topo davida

E o topo davida

empresarial tem

5 "Ele foi, vi-o logo nos seus vinte e poucos anos, o me- lhor de todos nós"

muitomérito”

3

É

“um optimista

GUTERRESANTÓNIO5.SÓCRATES;

militante”

JOSÉ4.COSTA;ANTÓNIO3.BARROSO;

DURÃO2.SANTOS;FERNANDO1.

 
ROMA NÃO FOI DESTRUÍDA NUM SÓ DIA ESTREIA EXCLUSIVA 19 SET, 22h00
ROMA NÃO FOI DESTRUÍDA NUM SÓ DIA
ESTREIA EXCLUSIVA
19 SET, 22h00

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15 SETEMBRO 2016 www.sabado.pt
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A abrir 15 SETEMBRO 2016 www.sabado.pt Obituários DULCE NETO José Rodrigues (1936-2016) Dizia-se possuído pelos deuses
A abrir 15 SETEMBRO 2016 www.sabado.pt Obituários DULCE NETO José Rodrigues (1936-2016) Dizia-se possuído pelos deuses

Obituários

DULCE NETO

José Rodrigues (1936-2016)

Dizia-se possuído pelos deuses e encantado pelasmulheres. Nome

incontornável daescultura, eclético,

fundouaCooperativaÁrvoreeaBie-

nal deCerveira. Foi professor,mas porfavornão lhe chamemmestre

O s anjos não têm sexo? Para

este homem de cabelo longo

e dedos grossos têm. As “an-

jas” eram das suas criaturas mais co- nhecidas, a par dos cristos (os ho- mens que sofrem). Portugal, e sobre- tudo o Porto, sabe-lhe o nome por outras esculturas – o Cubo daRibei- ra (1976) ou o Monumento ao Em- presário (1993) nesta cidade, a Inês Negra (Melgaço) ou OCervo (Vila No- va de Cerveira) – e pela sua acção de agitador cultural e intervenção cívica. José Rodrigues co-fundou e dirigiu a primeira cooperativa privada de ensino artístico superior, a Árvore (1963), a Bienal de Cerveira, recupe- rou o convento San Payo (Cerveira) para servir a arte e a Fábrica Social (Porto), onde nasceu a sua fundação em prol da divulgação artística. Um dos escultores portugueses mais emblemáticos da segunda me- tade do século XX, com obras no es- paço público e outras presentes em várias exposições e colecções priva- das, nacionais e estrangeiras, desco- briu em Angola a sua vocação. Nasceu José Joaquim Rodrigues, em Luanda, a 21 de Outubro de 1936, um dos três filhos de um casal bur- guês de Alfândega da Fé que tinha um próspero negócio de madeiras na ex-colónia. Da infância ele guar- da uma imagem definidora, a da

descoberta das injustiças, aos 7, 8 anos. “Brincava com o barro com os

) e às ve-

zes o meu pai e outros batiam nos empregados negros e causava-me muita revolta”, recordou ao artista plástico Agostinho Santos no livro Na Sombra dosDeuses. Talvez por isso tenha escolhido ser de esquer- da: no altar dos seus heróis, só Tar- zan destoa entre Che Guevara, Álva- ro Cunhal e Mário Soares. Dizia-se comunista, mas não militante, diz à SÁBADO o amigo Agostinho Santos. É em Luanda que descobre o seu futuro. Aos 14 anos a sua pri- meira escultura surgiu no Notíciasde Luanda:

meninos da minha idade (

“ÀS VEZES

O MEU PAI

E

OUTROS

limitava à escultura. Para lá da me-

dalhística, da cerâmica, da cenografia

(trabalhou para grupos de teatro como o Seiva Trupe, o TUP o TEP ou o Teatro Experimental de Cascais) e da ilustração (presente em livros de Eugénio de Andrade ou Jorge de Sena, por exemplo), desenhava sem parar onde quer que fosse, até nos guardanapos de papel dos restauran- tes, misturando a caneta com o café. Alguns empregados reservavam-lhe maços de guardanapos e depois pe- diam-lhe os desenhos. Alguns estão expostos. Desenhava muito o corpo feminino, gostava de mulheres. “Fui sempre um homem de muitas amantes, o que é que se há-de fazer?”, admitiu em Na Sombra dos Deuses. Várias vezes casado, com três fi- lhas, irreverente e generoso, assumia- -se ateu e “possuído pelos deuses”. De vez em quando fazia “chamadas lá para cima”, e atendiam. Mas era interrompido: “Se calhar não pagavam a conta”. Com a morte, que viu perto quando teve o AVC em 2014, não queria conversas. Sabiaapenas que que- riamorrer no Porto. Assim foi, no dia 10: a morte, “um velho sem sexo, magro, com barba” levou-o aos 79 anos. W

BATIAM NOS

EMPREGA-

DOS NEGROS

E CAUSAVA-

-ME MUITA

REVOLTA”

LUIS GRAÑENA
LUIS GRAÑENA

“Nasceu um escultor.” Teve a certeza de que queria ser escultor e insistiu com o pai para ir estudar para a Escola de Belas Artes, no Porto. Concluiu aí – onde viria a ser professor vários anos, até se fartar de lhe chamarem “mestre” e bater com a porta –, o cur- so de Escultura em 1963 com 20 valores. Depois formou em 1968 com Ângelo de Sousa, Armando Alves e Jorge Pinheiro (todos com a nota máxima) o influente grupo Os Quatro Vintes. “Tudo nele era arte”, frisa Agostinho Santos, logo não se

Luiz da Rocha

(1945-2016)

Mário Soares quis apresentá- -lo aMitterrand. “Já o conhe- ço”, disse-lhe o então Presi- dente francês. É que a obra do pintor tevemais reflexo no estrangeiro do que no País

do pintor tevemais reflexo no estrangeiro do que no País Assinava de muitas formas, sendo Darocha

Assinava de muitas formas, sendo Darocha a mais comum. Luiz da Rocha nasceu em 1945 em Olivei- ra de Azeméis, licenciou-se em Belas Artes no Porto em 1967 e doutorou-se em França em Antro- pologia Patológica para entender “pessoas ‘fala-barato-autista’”. Deu aulas em academias francesas

e chamaram-lhe “O pequeno Cha- gall” por causa dos seus quadros coloridos e naïf. A viver em Paris há 50 anos, Darocha era mais co- nhecido no estrangeiro do que em Portugal. Um dia Mário Soares quis apresentá-lo a Mitterrand. “Já o conheço”, respondeu o Presidente francês. Morreu no domingo.

OS FRANGOS ESTÃO DE VOLTA a emoção da nova época está em campo
OS FRANGOS
ESTÃO DE VOLTA
a emoção da nova época está em campo

D.R.

Entrevista

Portugal começou a conhecê-la em ConfissõesdeAdolescente (1994) e gostou tanto dela quanto o Capitão Nascimento gostava em Tropa deElite (2008). Podemos conhecê-lamelhor nas crónicas que escreve no Brasil e que são agora lançadas em livro pela Tinta da China. Por Marco Alves

MARIA RIBEIRO

“Nãoqueromais sertão inteligente”

A pouco e pouco, vão che- gando a Portugal as cró- nicas do Brasil – país onde o género não é me-

nor. E esta rentrée tem sido profícua.

Há clássicos, como Nelson Rodrigues (1912-1980) e Luís Fernando Veríssi- mo (n. 1936), cada um com dois li- vros (na Tinta da China e na Dom Quixote, respectivamente). E há no- vos autores, como António Prata, 39 anos (Meio Intelectual, Meio deEs- querda, Tinta da China), e Maria Ri- beiro, 40 – que, ao lado da jovem poetisa portuguesa Matilde Campi- lho, apresenta Trinta e Oito eMeio esta quinta-feira, 15, em Lisboa. Maria Ribeiro é actriz, é bonita e é inteligente. Vimo-la como actriz, por exemplo, em Tropa de Elite. E vemo-la bonita e inteligente nas fotos e nas crónicas. Mas a beleza e a inteligência não são valores ab- solutos para uma mulher obcecada com a passagem do tempo. Maria atendeu-nos o telefone a partir da sua casa no Rio de Janeiro.

Escreveu no seu Instagram que é para si “uma gratidão” editar em Portugal. Porquê? Porque a gente é pouco próximo da nossa terra mãe. Todo o brasileiro é português de alguma forma. Nem sempre a gente dá valor. Como aí

de alguma forma. Nem sempre a gente dá valor. Como aí Livro Trinta eOito eMeio Autor

Livro

Trinta eOito

eMeio

Autor Maria Ribeiro Editora Tinta da China

eOito eMeio Autor Maria Ribeiro Editora Tinta da China F “A idade sempreme afligiumuito. Desdepeque- na.

F

“A idade

sempreme

afligiumuito.

Desdepeque-

na. Quando

fiz10anos

fizum certo

lutodedeixar

deter9”

também. A gente vive uma cultura um pouco americanizada. Tenho um enorme carinho, desde criança Acho que comecei a gostar de lite- ratura por causa do Fernando Pes- soa. Depois li Eça de Queiroz, e agora tem Gonçalo M. Tavares, Val- ter Hugo Mãe, Matilde Campilho, por quem sou completamente apai- xonada. Acho que é muito impor- tante que a gente o faça. O Gregório Duvivier, que escreveu a contracapa do livro, fala como é absurdo que a gente não conheça no Brasil, por exemplo, o Ricardo Araújo Pereira. É importantíssimo que a gente leia os jovens escritores daí. Gostaria que vocês tivessem uma força aqui que não têm. A gente tem uma lín- gua em comum… Isso é muito. A gente é liquefeito do mesmo mate- rial. Na primeira vez que fui a Lis- boa, meu Deus, é completamente diferente de ir a Paris, a Madrid. Quando olho o chão que eu piso, a pedra portuguesa é a pedra portu- guesa da minha infância.

A pedra de Copacabana. É. Fui a Lisboa a primeira vez em 2013. Por conta disso também fi- quei impressionada: porque é que demorei tanto para ir a Lisboa? Porque é que os meus pais não me levaram a Lisboa? O meu padrasto

é francês, e desde os 9 anos que vou a Paris. Eu quero ir para Lis- boa! Sinto que agora a gente tem uma leva de brasileiros. Não sei se você sabe o Pedro Cardoso, que é um grande actor brasileiro, mora aí. Tem muita gente. Sou muito amiga do [actor português] Ricardo Pereira. Eu falo “você ‘tá fazendo o Pedro Álvares Cabral de novo e eu quero fazer o caminho inverso”. Eu quero morar em Portugal.

Na primeira crónica deste livro faz uma espécie de resumo de

momentos marcantes da sua vida: “Atari, PUC [Pontifícia Uni- versidade Católica], filho, sepa- ração, casamento, despedidas, 7

a 1 [Alemanha x Brasil, Mundial

2014].” O que foi pior para si, o 7

a 1 ou o divórcio?

[risos] Acho que o 7 a 1. Ele serve pra tudo. É legal a gente mudar de papel. Foi uma porrada que, se a gente souber vê-la, é interessante.

Noutras crónicas volta a falar da idade. Racionalizamuito a idade, envelhecer aflige-a? Sempre me afligiu muito. Desde pe- quena. Quando fiz 10 anos fiz um certo luto de deixar de ter 9. Sem- pre foi assim, claro que agora piora um pouco mais porque o teu corpo

j Maria Ribeiro tem 40 anos e dois filhos. Vive no Rio de Janeiro F

j

Maria Ribeiro tem 40 anos e dois filhos. Vive no Rio de Janeiro

F

“Hojedivirto-

-memais, sou

maisleve,

quero tomar

vinho, me

divertir,

e, enfim,

darrisada”

F

“Naprimeira

vezquefuia

Lisboa, meu

Deus,é

completa-

mente

diferentede

iraParis,

aMadrid”

completa- mente diferentede iraParis, aMadrid” Carreira Actriz entrou em mais de 10 teleno- velas e 10

Carreira

Actriz entrou em mais de 10 teleno- velas e 10 filmes. Em 2015, lançou um road-docu- mentário sobre a banda Los Hermanos

15 SETEMBRO 2016 www.sabado.pt
15 SETEMBRO 2016
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não responde igual, dá muito medo

de você perder a beleza. Olho fotos

minhas com 20 anos, nossa

do que esses medos todos, acho que tem uma beleza e tristeza imensa em toda a passagem do tempo, então estou o tempo intei- ro… Tenho esse olhar desde peque- na. Então se agora estou saindo de férias com os meus filhos, estou com eles no presente e ao mesmo tempo lembro da minha infância (porque projecto a minha infância neles), e ao mesmo tempo penso neles adultos. No tempo inteiro eu tenho essa espécie de óculos 3D em relação ao tempo. Isso me inspira. Eu gosto. Se me perguntar qual é a minha peça preferida talvez seja O Tempo e os Conways [J. B. Priestley, 1937]. Esse tema sempre foi o meu. A primeira curta-metragem que di- rigi chama-se Vinte e Cinco, que foi

quando percebi que pela primeira vez podia dizer “há dez anos fiz al- guma coisa”. É um tema que acho bonito e ao mesmo tempo duro.

Mais

Acha que eramais bonita aos 20 anos? Depende… Acho que sim. Acho que agora estou muito mais confortável com a minha pele. Até aos 30 não fui muito feliz. Sempre fui muito séria. Infelizmente. Nunca bebi, sempre fui muito responsável, com 21 casei com o [actor e produtor] Paulo Betti, que tinha 44. Queria provar que eu era inteligente. Acho que hoje em dia me divirto um pouco mais e nesse sentido a idade me fez muito bem. Sou mais leve, não quero mais ser tão inteligente, quero tomar vinho, me divertir, e, enfim, dar risada.

Não quer sermais inteligente? Quero ser bonita e inteligente, mas ao mesmo tempo. Quando era nova, achava que tinha de provar que não era só uma mulher bonita. A gente é machista, ainda mais sendo actriz, que tem muitas vezes uma certa aura de alienação. Então eu tentava ver [Ingmar] Bergman. E hoje em dia eu assumo que não gosto de Bergman. Não gosto. Pos- so dizer que vi um filme que gostei. Sabe, eu só via mostras de [Fede- Q

Entrevista
Entrevista

15 SETEMBRO 2016

Entrevista 15 SETEMBRO 2016 www.sabado.pt

www.sabado.pt

Entrevista 15 SETEMBRO 2016 www.sabado.pt

Q rico] Fellini, de [Yasujiro] Ozu, nesse sentido queria ser uma coisa que não preciso mais. Não preciso ver só filme-cabeça, como se diz no Brasil. É gostoso ver também um filme da Julia Roberts, eu não sou menor por isso.

Também relembramuitas coi- sas do passado e faz listas de coisas para fazer. Está sempre em balanço? Sim. O tempo inteiro estou olhando para trás e para frente pensando que gostaria de ser outra pessoa. Estou há dez anos falando que vou fazer ioga, meditação, vou ler mui- to mais, vou ver todo o Fellini, e ao mesmo tempo é essa angústia de você dar conta de tudo, de você ter um apego por quem você é e que- rer mudar, não entrar numa zona de conforto, ao mesmo tempo ter medo de sair da zona de conforto, eu sou muito neurótica.

Há uma crónica que é uma de-

claração de amor. Porquê? Eu escrevo para fazer declarações de amor e terapia a mim mesma. Sou muito afectiva. Publiquei – es- crevo n’O Globo – uma crónica so- bre a Mallu Magalhães, que é da Banda do Mar, por acaso mora aí, é uma grande amiga minha, e fui jantar com umas amigas e elas fa- laram “nossa, a Mallu é tudo isso que você escreveu?” Eu acho que é.

A melhor coisa da vida são as pes-

soas, nada para mim é melhor do que conhecer gente e com o passar dos anos estou ficando com o olhar cada vez mais afectivo. Não perco nenhuma oportunidade de fazer declaração de amor, nem pro Caio, nem pros meus filhos, nem pro meu ex-marido, porque às vezes a gente tem tendência para não elo- giar quem ‘tá perto, há um pudor. Eu não o tenho, gosto de dizer que amo as pessoas que amo.

Em Portugal é muito raro esse tipo de crónicas.

É, talvez eu me exponha muito. As

crónicas do livro aqui no Brasil fo- ram escritas ao longo de seis anos numa revista [TPM– Trip Para Mulher], quando juntei tudo fiquei

[ TPM– Trip Para Mulher ], quando juntei tudo fiquei g Maria Ribeiro já tem currículo

g

Maria Ribeiro

já tem currículo

como realizadora

de documentários

e curtas-metra-

gens

como realizadora de documentários e curtas-metra- gens Temas As crónicas de Maria Ribeiro têm família, muitas

Temas

As crónicas de Maria Ribeiro têm família, muitas dúvidas, poucas camisas da Zara, muito ócio e al- gum Fluminense

em pânico, porque achei que era muito exposição, era um raio-x as-

sustador de mim, aquilo espalhado pelas revistas nos seis anos não me

doía, quando vi junto… Mas ao mesmo tempo, a partir do momen- to em que publico, deixo de ser aquela pessoa. É engraçado.

Quer deixar de ter este estilo confessional? Quero deixar de ter, é um dos defei- tos da minha literatura. Gostaria muito de escrever sobre alguma coi- sa que não fosse eu. Não sei se con- sigo, mas quero muito. Quero sem- pre fazer uma coisa que acho que não sei fazer. Quero muito conse- guir escrever romance, conseguir escrever na terceira pessoa. Ao mes- mo tempo que a gente só consegue falar sobre o que está perto, é difícil você ter propriedade para falar so- bre uma coisa que não viveu.

Hámuitas referências a futebol. É uma paixão? Tenho dois filhos fanáticos, o meu pai também era. Gosto de olhar os meus filhos olhando. Fico apaixona-

da pelo amor deles, pela sensação de pertença, morro de inveja, não consigo compreender. Acho lindo o que acontece ali, mas é uma festa que estou de fora e eu estou olhan- do as pessoas dançarem. O futebol traz uma força primitiva que é muito interessante e que para mim é muito maior do que bola correndo.

O seu pai aparece muito no livro.

É o homem da sua vida?

Acho que sim, o meu pai foi muito forte, para o mal e para o bem, me deu muita coisa e ao mesmo tempo

sou uma sobrevivente dele. Era um cara controverso, era adorável, e ao mesmo tempo as coisas… Como

todo o pai e mãe

baú que a gente carrega para sem- pre, vai fazendo update com os nossos filhos, as relações amoro- sas… Tinha uma proximidade muito

grande com ele, acho que só virei adulta depois da morte dele.

Acho que há um

De que tem mais saudades dele? Sinto saudade do pai da minha in- fância. Quando ele morreu, tem três anos, foi numa idade boa, muito tranquilo, ele não tinha medo de morrer, não acreditava em Deus, estava tudo certo. A saudade que tenho dele hoje é a mesma que ti- nha quando estava vivo, que é a saudade de achar que nada de ruim me ia acontecer, que com ele esta- va segura, e a gente viajava junto para uma praia em que a gente ti- nha ouvido dez vezes a mesma mú- sica. É uma ilusão da infância, achar que é um amor incondicional, uma coisa que você em adulto não con- segue reproduzir.

É difícil não ficar a gostar de si

depois de ler as crónicas.

[risos] Eu melhoro

tenho uma personalidade um pou- co mais provocativa, eu acho. No programa de televisão que faço [Saia Justa, no GNT] sou considera- da uma pessoa polémica, que questiona tudo, acho que é uma defesa minha. Na crónica não tem como não ser verdadeira, então tem uma delicadeza minha, uma fragilidade, vulnerabilidade, que só coloco no texto. W

Aqui no Brasil

REUTERS

Opinião

RELATÓRIO

MINORITÁRIO

Não se trata de uma escolha entre Rambos e ratos. A consternação com amorte e a doença de jovens instruendos dos Comandos é um dever de decência. E não deveria servir nem para vendermentiras, nem para promover políticos, nem para exprimir frustrações, nem para aprovar planos ilegítimos, nem para castrar o meio castrense

planos ilegítimos, nem para castrar o meio castrense O Politólogo NunoRogeiro nrogeiro@gmail.com O A condição

O

Politólogo

NunoRogeiro

nrogeiro@gmail.com

O

A condição militar

G rande entidade muda, ou le- gião vociferante, o corpo mili- tar sempre capturou a imagi-

nação dos povos. Ali se concentrou todo o ódio, todo o medo, todaaglória e todaanobrezadavidae damorte. As Forças Armadas portuguesas pos- suem forças especiais, e de operações especiais, nos três ramos. Temos CTOE, CPP, RP e Tropas Comandos no Exército, DAE, mergulhadores e Fuzi- leiros na Armada, e o NOTP na Força Aérea. A PSP e a GNR possuem tam- bém unidades especiais exigentes, a começarpelo GOE e pelaGIOE. O conceito de força “especial” impli- caumasérie de noções, acomeçarpela grande prontidão, operacionalidade e

O

Gente séria é outra coisa

ParecejustoqueDurãoBarrosoapare-

çanasreuniõesdaCEcomo“represen-

tante de interesses”. Terá sido assim para os anteriores presidentes Ortoli, Thorn e Santer, todos convertidos em empresários? Falando daGoldman Sachs, importa lembrar que o seu vice-presidente

Mario Draghi foi aterrar, sem cons- trangimentos, ao leme do Banco Cen- tralEuropeu. Será que a multinacional passou a definirapolíticamonetáriadaUnião? Porfim,falandodehomensimpolutos. Jean-Claude Juncker presidiu, até 2013, a um governo luxemburguês olhado como o maior promotor de evasão fiscal das empresas europeias. Isso não o constituiu arguido de nada, nemoimpediudepregarmoralidadee éticapartout. W

capacidade não-convencional. E pela possibilidade de projecção daunidade

ou das suas subformações em cenários rigorosos, exigentes, que às vezes se di- riam intratáveis (daí a lenda real das “missões impossíveis”). Por fim, pela flexibilidade de uso e adaptação às cir- cunstâncias, e pelo “espírito de corpo” peculiar, feito de uma comunhão de princípios, práticas e valores. Em todo o mundo, as “forças espe- ciais” criam laços de sangue (no senti- do figurado e literal), e permanecem como comunidades espirituais para toda a vida, às vezes rebeldes, outras vezes silenciosas, mas sempre guiadas por uma espécie de chama interior, quase secreta, e de um código de con- dutaque mobilizaos iniciados e ostra- cizaos delinquentes. A preparação duríssima destas uni- dades possui razões objectivas, quase “científicas”, e outras que relevammais da“mitologia”. Empenhadas em situações extremas, oucomplexas, ouaexigirsacrifícios in- comuns e impensáveis, estas forças

Q

precisamde suportarador, resistira

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LUSA

D.R.AFP

formaro recruta, fazê-lo ultrapassar-se

formaro recruta, fazê-lo ultrapassar-se

e acreditaremenergias antes insuspei- tas, ensiná-lo a resistir, a endurecer, a sobreviver em qualquer cenário. Cos- tumava dizer-se que a maior intensi- dade dapreparação diminuíaos riscos do conflito real. Não vamos aqui discutir quem, das forças citadas, treinamais, e melhor, e de forma mais dura. Todas possuem

Q

provações de todo o tipo, preparar-

planos aprovados de preparação,

se

parainterrogatórios e tortura, actuar

adequados à missão, ao perfil da uni- dade, às necessidades e ao contingen- te expectável. Claro que afinalidade dos treinos ri- gorosos não é a de matar pessoas, mas de as transformar em seres me- lhores e mais habilitados. Há riscos, desafios e acidentes possíveis em tudo isto. Sempre houve. Daíque os inquéritos sobre tragédias supervenientes, como as que enluta-

ramváriasfamíliasportuguesas,neces-

debaixo de fogo intenso e sob múltiplas ameaças, ser capaz de infiltrações e exfiltrações, de combate decisivo e de acções que alguns chamaram de “cho- que e espanto”, mas tambémde tarefas sofisticadas, discretas, não atribuíveis.

Precisam também muitas vezes de resgatar e salvar vidas, de retirar não- -combatentes, de decidir em casos li- mite, que requerem coragem, sangue- -frio e inteligência. Os treinos exigentes procuram trans-

sitem de serfeitos. E é também preciso não tirarconclusões foradesse inquéri- to, ousemfundamento. Por outro lado, advogar um regime de preparação “macio” para as forças

O

2001 ou 1901?

Os séculos XXe XXI nasceram no ter- ror. A partir de 1900, o movimento anarquista global (incluindo a facção “galleanista”), que procurava “a pro- pagandapelo exemplo”, atentou con- tra ou matou seis reis europeus, um presidente dos EUA, outro de França,

e três primeiros-ministros, de Espa-

nhaàRússia. Como em 2001, não co- meçou do nada. Foi o progredir da deterioração política mundial desde 1880. Levou a convenções interna- cionais, novas leis, instituições, tácti- cas e estratégias. Emborao paralelo niilistacom aAl-

-Qaeda e sucedâneos seja tentador, tratava-se sobretudo de umacampa-

nhamagnicida, não contraas massas.

E a ideia não era a de conquistar o mundo e impor um regime único e absoluto. W

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15 SETEMBRO 2016 www.sabado.pt
15 SETEMBRO 2016
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especiais, ou“facilitar” o treino, é o gol- pe de morte nestas unidades. E uma farsade consequências fatais. Numaalturade grandes riscos multi- facetados, Portugal ganhariaem man- ter unidades deste tipo de altíssima qualidade. E quem não as quiser que não venhamais tarde queixar-se. Escorregando em Freud ou não, o BE quer a extinção do batalhão de Co- mandos, aindaantes de saberas causas do sucedido. Mas desde 2015 que o Centro de Tropas Comandos voltou a ser regimento. Não companhia, não batalhão, não pelotão. E é uma unidade que tem servido paraas maiores contingências: é apon- ta-de-lança do combate ao Daesh, no Afeganistão, protegeu Cabul e esteve portodo o lado, daÁfricaàÁsia, onde a Repúblicaprecisoude umaforçade in- fantariaoperacional que faz adiferen-

çae não verga. W

O

Zero em comportamento

Milagreno RioHudson (na foto) é um grande filme sobre Nova Iorque, mais do que acercade umaquase catástro- fe. E confirma o brilhante realizador ClintEastwood. Claro que este, como é “fascista”, deve serlouco. Copenhaga tem uma utopia, Chris- tiania, fundadaem 1971. Paraalguns é um zoo paraentretero burguês. Mas o filme A Comuna, de Thomas Vinter- berg, regressabemao tema. BirthofaNation, de Nate Parker, es- treou-se em Toronto e viráaíem bre- ve. Inverte o épico “racista” de Griffith, e revisita uma revolta de escravos do século XIX. Curioso que ninguém faça umfilme sobre ainsurreição de negros contra os índios Cherokee, seus se- nhores, em1848. Mas davamuito trabalho e não seria “correcto”. W

Destaque

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O advogado João,

agora com 30 anos,

recorda à SÁBADO

a maior maratona

de trabalho: 30

horas ininterruptas

e seis directas

consecutivas

15 SETEMBRO 2016 www.sabado.pt
15 SETEMBRO 2016
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REPORTAGEM. CONSUMO ABUSIVO DE FÁRMACOS, ACESSO ILÍCITO E EFEITOS ADVERSOS

DOPINGPARA

MARATONAS

NOESCRITÓRIO

Um advogado tomou psicotrópicos para se destacar no trabalho e acabou nas urgências. O mesmo aconteceu com um consultor sedento de sucesso. E uma profissional de saúde aderiu aos calmantes para suportar os turnos. No início, tudo parecia correr-lhes bem. Depois? Vieram os ataques de pânico, as psicoses e as alucinações. Casos-limite de quem não soube parar. Por Raquel Lito

S obrecarga de trabalho, competição e stress para começar. À fórmula tóxica junte-se um advogado de 27 anos, sol- teiro, com aspirações de carreira, obsti- nado pela performance e pouco flexível às críticas. O colapso antevê-se nas pró- ximas linhas.

Os emails não paravam de cair na caixa de correio, as solicitações eram inúmeras e a equipa estava desfalcada devido à baixa de uma colega. Era o momento do vale tudo para dar resposta aos pedidos, com prazos muito apertados, e João valia-se de um trunfo em formato de comprimido que lhe dava superpoderes. Enveredou pela via rápida do doping. A poção mágica, de reforço positivo no início, revelar-se-ia nociva para o recém- maratonista de escritório. Consistia num fármaco, à base do princípio activo de metilfenidato, indicado para o tratamento da hiperactividade com défice de atenção (PHDA) e vendido mediante prescrição médica. João nunca foi hiperactivo, tão-pouco recorreu a um médico da especialidade (neurologia, pediatria ou psi- quiatria) ou obteve a receita por vias menos lícitas. Simplesmente tinha acesso fácil ao medicamento por- que o tinha em casa. Destinava-se à irmã, diagnostica- da com PHDA desde a infância. Durante aqueles dias de Janeiro de 2013, tomou-o para trabalhar em rota- ção máxima: 30 horas ininterruptas e seis directas consecutivas. Num só dia, o advogado de Lisboa con- seguiu despachar vários processos jurídicos, teve uma

con- seguiu despachar vários processos jurídicos, teve uma Terapia Filipa Jardim da Silva, da Oficina de
con- seguiu despachar vários processos jurídicos, teve uma Terapia Filipa Jardim da Silva, da Oficina de

Terapia

Filipa Jardim da Silva, da Oficina de Psicologia, acompanhou o caso do advo- gado João du- rante um ano e nove meses

“ENTRAVA

NUMA BO-

LHA DE

CONCEN-

TRAÇÃO [ ] SEM FOME,

SEM SEDE”,

DIZ JOÃO

presença em tribunal e duas reuniões importantes. Após as duas primeiras noites sem dormir, João não resistiu a fechar os olhos de forma intermitente – mas não mais do que uma hora seguida. O coração começa- va a ressentir-se, com o aumento da frequência cardía-

ca. A visão também fraquejava, por vezes ficava turva. Mas o estado de transe, para concluir tarefas e alcançar resultados extraordinários, sobrepunha-se ao resto. Sentia-se invencível, capaz de mais e mais, no pico das capacidades cognitivas. Nada o fazia abrandar, nem se- quer a privação de sono. O pensamento era claro, a sensação de fadiga praticamente nula, o raciocínio e discurso rápidos, o foco de atenção permanente. “En- trava numa espécie de bolha de concentração, em que

o meu interesse por tudo à volta desaparecia e ficava

100% focado no que me propunha fazer. Sem distrac- ções, sem fome, sem sede, sem ouvir os outros”, recor- da o próprio à SÁBADO.

Farmácias fiscalizadasemultasaté€100mil

A atenção induzida artificialmente tem um lado oculto

no mercado de trabalho – à margem da doença de PHDA –, sobre o qual, tanto médicos como farmacêuti-

cos, psiquiatras e outros especialistas, consultados pela SÁBADO, manifestam alguma relutância em falar. Os números oficiais, analisados num estudo comparativo da Autoridade Nacional do Medicamento (INFARMED) e que a SÁBADO revela em primeira mão, indicam um

Q

aumento exponencial no uso destes fármacos, cujos

Destaque
Destaque

Q princípios activos são o metilfenidato (psicotrópico) e a atomoxetina (estimulante do sistema nervoso central). Em 2003, as vendas destes medicamentos eram resi- duais (2.597 embalagens); em 2006 subiram para 52.481; em 2010 já tinham ganho mais um dígito (133.562) e em

2015 passaram a 287.336 [um aumento de 547,5%]. Os

custos do tratamento – comparticipado pelo sistema

nacional de saúde – também apresentam uma subida significativa, atingindo oito milhões de euros em 2015 (cinco milhões dos quais suportados pelos utentes).

O acréscimo na procura pode ser justificado pelo

maior número de casos diagnosticados de PHDA, mas como explicar a venda indevida em farmácias e detec- tada nas fiscalizações do INFARMED? É que para ace- der a estes fármacos pelas vias legais é preciso uma re- ceita diferenciada, onde não podem constar outros me- dicamentos prescritos. O utente ou o seu representante têm de se identificar (com nome, data de nascimento, número de cartão de cidadão, carta de condução ou passaporte no caso de estrangeiros). As farmácias ficam ainda com o registo da quantidade dispensada e o nú- mero de prescrição da receita. Depois reencaminham os dados para o INFARMED.

A par do escrutínio das receitas, o INFARMED faz fis-

calizações regulares nos pontos de venda. Só no pri-

meiro semestre deste ano realizou 248 acções de ins- pecção e 796 em 2015. “No âmbito dessas inspecções foram identificadas sete situações [entre Janeiro de

2015 e Junho de 2016] em que a farmácia dispensou

medicamentos psicotrópicos sem que o utente tenha apresentado a correspondente receita médica. Entre outros aspectos, são avaliados os registos de entrada e saída destes medicamentos, o cumprimento de requisi- tos de aquisição junto dos distribuidores e a correspon- dência entre as existências em stock e as registadas em

sistema informático”, explica à SÁBADO Maria Fernan- da Ralha, responsável pela direcção de inspecção e li- cenciamento do INFARMED.

A venda indevida é considerada uma contra-ordena-

ção muito grave, punível com coimas que vão dos dois mil aos 100 mil euros. Cinco das sete farmácias em cau- sa (nos distritos de Lisboa, Coimbra e Santarém) foram multadas. Valor: cinco mil euros cada (dois estabeleci- mentos) e quatro mil euros (para outros três), perfazen- do 22 mil euros. As desculpas dos infractores eram di- versas, mas não convenceram: ou diziam que não havia hospitais, centros de saúde e médicos próximos, onde os utentes pudessem pedir receitas; ou que se tratava de situações urgentes e não tinham ficado com cópias das

prescrições. “Numa inspecção, o INFARMED pergunta logo pelos psicotrópicos”, explica uma farmacêutica que pede anonimato e que conhece casos de consumos para uma ascensão rápida na carreira ou conclusão de teses de doutoramento. Pelas suas estimativas, dois em cada dez utentes adultos destes psicotrópicos tomam-nos para fins laborais.

A Ordem dos Farmacêuticos, que desconhece indica-

dores, enviou na terça-feira, 13, uma resposta à SÁBA- DO em que afirma que “o consumo indiscriminado de

SÁBA- DO em que afirma que “o consumo indiscriminado de Análise No final de 2015, o
SÁBA- DO em que afirma que “o consumo indiscriminado de Análise No final de 2015, o
SÁBA- DO em que afirma que “o consumo indiscriminado de Análise No final de 2015, o

Análise

No final de 2015, o SICAD em par- ceria com o IN- FARMED criou um grupo de trabalho com várias entidades para analisar o uso indevido do medicamento, diz a responsá- vel Graça Vilar

indevido do medicamento, diz a responsá- vel Graça Vilar Riscos O psiquiatra Bernardo Bara- hona Corrêa
indevido do medicamento, diz a responsá- vel Graça Vilar Riscos O psiquiatra Bernardo Bara- hona Corrêa

Riscos

O psiquiatra Bernardo Bara- hona Corrêa alerta para o quadro-limite destes consu- mos: agitação psico-motora, in- sónia total, ideias delirantes e alucinações

1.400

Sítios

na Internet que per- mitem aceder clan- destinamente a estes fármacos, de acordo com o FBI e citado pelo ElMundo

António,

consultor de 44 anos De 1997 a 2009, António consumiu estimulantes. Agora está internado na clínica Ran, em Vila Real

25 a45

Anos

Faixa etária dos consu- midores destes fárma- cos para fins laborais

1,3

Milhões

Indivíduos entre os 15 e os 34 anos que tomaram anfetaminas no último ano, a nível europeu

psicotrópicos é um problema de saúde pública que me- rece toda a atenção das autoridades”. “A Ordem – afir- ma a resposta –, no âmbito das suas atribuições estatu- tárias, não pode deixar de atribuir especial atenção às más práticas profissionais que são reportadas, nomea- damente a dispensa de medicamentos sujeitos a receita médica sem a respectiva prescrição.” E “condena toda e qualquer situação que constitua comprovadamente uma irregularidade ou uma conduta que não se coaduna com os valores e princípios desta profissão.” .

Aqueda doadvogadoapós seisdirectas De volta aos consumos do advogado João, que nunca experimentou drogas ilícitas por temer prejudicar as ca- pacidades cognitivas: dois comprimidos por dia basta- vam para trabalhar 20 horas sem interrupções. Come- çava a tomá-los de manhã com um copo de água, um ritual que, pontualmente, já tinha experimentado em épocas de exames no quarto ano do curso de Direito, com efeitos excepcionais. “Depois da primeira toma partilhei com a minha irmã o que tinha acontecido e disse-lhe que se calhar em momentos mais críticos usa- ria a medicação”, lembra. Algo apreensiva de início, a irmã acabou por consentir a partilha do fármaco. À custa dele, o advogado posicio- nou-se na linha da frente da equipa de trabalho e sur-

15 SETEMBRO 2016 www.sabado.pt
15 SETEMBRO 2016
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Tendências, idades epadrõesde consumo

287.336

Embalagens

de fármacos, cujo prin- cípio activo é metilfe- nidato, comerciali- zados em Portu- gal em 2015

1945

Soldados

da Segunda Guerra fo- ram precursores neste tipo de consumos. Toma- ram anfetaminas para redu- zir a fadiga

500

Estudantes

analisados ao longo de 20 anos; os que tomavam estes fármacos apresen- tavam maior propensão para o consumo de outras substâncias esti- mulantes

4%

Consumidores

Entre os 20 e 39 anos, em Portugal, de medicamentos destinados à hiperacti- vidade com défice de atenção

preendeu as chefias. “Quando se é novo no mercado, tem de se correr mais para chegar mais longe.” Recebeu

elogios e um salário bruto de 2.100 euros, o que, em época de crise, era óptimo para início de carreira. Sem mais vida além da profissional, e sedentário, João pas- sou também a eremita. Afastou-se dos amigos, deixou de atender telefonemas e de ir a aniversários. À sua volta, os amigos e familiares próximos notavam alterações de comportamento. João tornara-se mais frio

e bruto. As reacções adversas não tardariam: desgaste,

arritmias, palpitações e hipertensão. Após a sucessão de seis directas, veio a inevitável queda. “Fui parar às ur- gências de ambulância.” A toma do fármaco foi detecta- da e submeteu-se, desde então, a um tratamento rigoro- so. Para superar a exaustão física e emocional, com in- terferência no sistema cardiovascular, teve de estabilizar

um dia e uma noite no hospital privado, e ficou de baixa duas semanas para fazer uma cura de sono e repouso. Mais do que um susto, o episódio das urgências foi um catalisador de mudança. Sob um diagnóstico de problemas cardíacos, o advoga- do regressou ao trabalho e desacelerou. Nove meses de-

pois, procurou o apoio da psicóloga Filipa Jardim da Sil- va, que ao longo de 51 sessões – primeiro com periodici- dade semanal, depois quinzenal e mensal – o incentivou

a mudar de estilo de vida. “Estivemos os últimos quatro

Fontes: Medicamentos para a Hiperactividade com Défice de Atenção – 2003-2015 (estudo comparativo realizado pelo INFARMED); Relatório Europeu sobre Drogas – Tendências e Evoluções 2016; El Mundo; The New York Times; www.drugfreeworld.org/ /drugfacts; www.unifra.br

Times ; www.drugfreeworld.org/ /drugfacts; www.unifra.br Palestras À frente da Au- toridade Antido- pagem de Por-
Times ; www.drugfreeworld.org/ /drugfacts; www.unifra.br Palestras À frente da Au- toridade Antido- pagem de Por-

Palestras

À frente da Au- toridade Antido- pagem de Por- tugal, António Júlio Nunes tem dado acções de formação na área, desde No- vembro de 2013

O INFARMED DETECTOU SETE SITUA- ÇÕES DE VENDA ILÍCI- TA DE PSI- COTRÓPICOS EM FARMÁ- CIAS

meses em follow-up, a garantir a sustentação dos níveis

de bem-estar”, explica a terapeuta. Além da psicoterapia,

o advogado recorreu a um personal trainer para cumprir

um programa de corrida diária (das 8h às 9h e das 17h às 18h), passou a comer convenientemente, a meditar e a dormir. Hoje, trabalha oito a dez horas diárias, com a compreensão das che- fias – afinal, deu à casa dois anos de dedicação exaustiva. E em breve, quan- do for trabalhar para a Holanda, os horários serão ainda melhores:

“Tenho vindo a resignar-me a ter capa- cidades mais normais.” Graça Vilar, directora de planeamento e in- tervenção do SICAD (Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências), expli- ca à SÁBADO que “a pessoa que recorre a estes fárma- cos, numa perspectiva de automedicação, implicita- mente desvaloriza qualquer apoio especializado.” O re- curso a médicos acontece em situações-limite, quando

já pode ser tarde e as alterações neuropsiquiátricas são

evidentes. O mau uso e acesso ilícito “exigem a atenção das autoridades de saúde”, alerta.

Delíriosealucinações

O facto de os psicotrópicos não serem detectáveis por

análises convencionais (ainda que as anfetaminas o se- jam através de exames à urina) dificulta o processo de despistagem. O alerta é de Bernardo Barahona Corrêa, psiquiatra a trabalhar na Fundação Champalimaud, professor auxiliar de psiquiatria na Nova Medical School e director clínico do Cadin. A maior parte destes “utilizadores por conta própria”, classifica, não têm contacto com os serviços de saúde mental. As situações que lhe surgem são de dois tipos. “De indivíduos que desenvolveram efeitos colaterais, ou que, nalguns casos

raros, foram internados com alterações graves do esta- do mental; e dos que começaram por sua iniciativa a tomar doses superiores às prescritas ou a utilizar o fár- maco para fins não terapêuticos.” O acesso ao psicotrópico é feito, geralmente, pela por- ta dos fundos. “Obtêm-no a partir de familiares ou cole- gas a quem ele é legalmente prescrito, ou adquirem-no via Internet”, explica o psiquiatra. Na classe de compra- dores online acresce um risco: não sabem o que estão a comprar, muito menos têm garantias de qualidade. Se tomado em doses muito elevadas, o fármaco pode originar, em poucas horas, sintomas psicóticos, como delírios e alucinações. São quadros clínicos raros e o fim da linha pode passar pelo internamento psiquiátrico. “Pontualmente surgem casos em indivíduos que, sem o saberem, têm uma particular vulnerabilidade – doença bipolar que até ali não se manifestara – e desenvolvem quadros psicóticos agudos. Isto acontece na sequência de uma utilização para fins de potenciação cognitiva.” Quanto ao aumento de criatividade, de que tanto se fala entre os consumidores, arrisca-se a ser um mito.

Q

Destaque
Destaque

Q O psiquiatra explica: “A evidência aponta cada vez mais para uma inibição do pensamento criativo. A ser realmente assim, o uso de psico-estimulantes melhora

o controlo da atenção focada, mas reduz a capacidade

de raciocínio criativo.” Se os consumos são ocultados, mais difícil é identificar os utilizadores de acesso privilegiado – alguns são profissio- nais de saúde, outros da área da comunicação social. Car- los Lopes Pires, docente de Psicologia na Universidade de

Coimbra há 37 anos, admite à SÁBADO que conheceu uns quantos nestas circunstâncias. “Fazem-no para aguenta- rem mais tempo em actividade de trabalho e manterem o estado de alerta. São pessoas na casa dos 30/40 anos.”

Quem tem acessoprivilegiado

A resistência ao cansaço a qualquer preço viria a legiti-

mar-se, em certos meios, com a difusão da ideia de “cosmética psicofarmacológica” – um termo cunhado pelo psiquiatra irlandês David Healy. “Muita gente acha normal. Nuns casos tomam-se estimulantes, noutros in- gerem-se calmantes, pois necessitam de controlar um eventual estado de activação, típico de quando se está ansioso”, prossegue o psicólogo. Nos anos 80 e 90, esta cultura atingiu um pico com a moda dos antidepressivos e os workaholics mergulha- ram numa espiral. O tema, na versão de comprimidos para acelerar, foi retomado recentemente numa repor- tagem do suplemento Papel, do jornal espanhol ElMun- do. Os traços de personalidade perfeccionistas contribuí- ram para um modelo de trabalho, ao qual não ficaram imunes as estruturas de saúde. Uma psicóloga experien- te, de uma das três unidades de desa- bituação do

te, de uma das três unidades de desa- bituação do Calmantes Uma profissio- nal de saúde
te, de uma das três unidades de desa- bituação do Calmantes Uma profissio- nal de saúde

Calmantes

Uma profissio- nal de saúde procurou o apoio do psi- quiatra Luís Pa- trício. Antes, chegou a tomar dez ansiolíticos por dia, durante oito meses, para suportar os tur- nos

UMA PSICÓ-

LOGA RELA-

TA QUATRO

CASOS DE

PROFISSIO-

NAIS DE

SAÚDE COM

ESTA DEPE-

DÊNCIA

País, acompanhou três enfermeiros e um médico que

não conseguiram parar com os psicotrópicos, calmantes

e derivados de opiáceos (muitas vezes roubados nos ser-

viços onde trabalhavam). Tomavam-nos, de início, para melhorar o desempenho. Depois descontrolaram-se, dis- solvendo-os num cocktail de álcool: bebidas brancas, cerveja e vinho. Casos que remetem para a dependência do famoso Dr. House, da série com o mesmo nome. Pelo caminho, desfizeram casamentos e temeram pela tutela

dos filhos. Estes inverteram os papéis e, perante a gravi- dade das situações, tornaram-se seus cuidadores. Os casos ocorreram entre 2010 e 2015, a faixa etária rondava os 40 anos e alguns atingiram a ideação suicida. “Já estavam numa fase avançada de dependência, de três

a quatro anos de consumos, com implicações a nível la-

boral, financeiro e familiar. Os colegas tinham conheci- mento e tentaram ajudar”, conta a psicóloga à SÁBADO. Permaneceram na unidade de desintoxicação durante 15 dias, tentaram fazer o desmame e preencheram o tem- po com terapia ocupacional. Após um ano, dois sofreram recaídas e voltaram àquele serviço. O mais novo do grupo inicial, enfermeiro de 27 anos, “morreu há dois anos.” Isabel, profissional de saúde da zona da Grande Lisboa, está em fase de recuperação. Tem 38 anos e nos últimos sete refugiou-se nos ansiolíticos. “Inicialmente começa- ram por ser tomados para dormir, em doses terapêuticas, uma vez que o trabalho por turnos me provocava um dis- túrbio de sono”, conta a própria à SÁBADO. Alguns médi- cos amigos passavam-lhe receita e, para não levantar suspeitas, frequentava diferentes farmácias. Na fase mais crítica, e mesmo a tomar doses cava- lares destes comprimidos, só conse- guia dormir quatro horas diárias. Luís Patrício, o psiquiatra que a acompanha há cerca de meio ano, refere que a automedicação de Isabel camuflava uma intensa an- gústia e limitações na capacidade de trabalho. “Há quem use substâncias para obter resultados falsos, através do doping. E há quem as utilize num quadro de depressão não reconhe- cida, para aguentar o que é exigido e não perder o lugar, como é o caso”, esclarece o especialista. A “dopagem laboral” tem sido um tema recorrente das palestras, aulas e acções de sensibilização de António Jú- lio Nunes, director executivo da Autoridade Antidopagem

Sedativosou speeds paraoquotidiano?

Doismédicos identificam à SÁBADO os tipos de fármacos paraproblemas

Psicotrópicos

Se usados abusivamente – por profissionais que querem assegurar o lu- gar –, podem provocar problemas cardíacos. A curto prazo aumen- tam a atenção.

Antidepressivos

Quem os toma sofre, com frequência, de depressão reactiva. Provocada, por vezes, por desmotivação no trabalho e problemas com as chefias

Ansiolíticos

Utilizados para con- trolo de ansiedade. Os consumidores queixam-se, sobretu- do, de problemas económicos, laborais e domésticos.

PUB

de Portugal (ADOP), em todo o País. “Julgo que já tive a oportunidade de estar perante milhares de pessoas que se interessam e se preocupam com esta temática transversal à sociedade”, diz à SÁBADO. Escolas, ginásios, forças mi- litares e prisões são alguns dos pontos de passagem de António Júlio Nunes, em tempos federado em futebol e alpinista. Hoje, define-se como “um profissional da luta contra a dopagem” e defensor dos testes de despistagem. “Porque visam garantir a segurança e protecção de todos. Veja-se o caso dos transportes aéreos, onde há tanto stress”, justifica. Em Agosto falou para 50 reclusos na ca- deia de Vale de Judeus. “Fiquei espantado com a atenção que me dedicaram durante mais de duas horas, bem como as perguntas muito pertinentes que me colocaram.”

António,oarrivista em recuperação A saga de António, consultor divorciado de 44 anos, en- volveu cocaína e comprimidos para emagrecer com efeitos estimulantes. A moda deste fármaco para fins

Q

diários. Acelerar ou travar a fundo, nada é inócuo

Indutores de sono

Os trabalhadores por tur- nos padecem deste mal:

insónia. Mas também de outro: alterações dos ritmos de sono. Os me- dicamentos podem con- trolá-los ou minimizá-los.

Antipsicóticos

Prescritos para casos extremos. Os pacientes sentem-se marginaliza- dos, têm fraca auto- -estima e sintomas fre- quentes de persegui- ção e/ou de ruína.

e sintomas fre- quentes de persegui- ção e/ou de ruína. Rodrigo 15 SETEMBRO 2016 www.sabado.pt “

Rodrigo

15 SETEMBRO 2016 www.sabado.pt
15 SETEMBRO 2016
www.sabado.pt

Em

1º lugar está o conforto.

2016 www.sabado.pt “ Em 1º lugar está o conforto. ” Deixe-se levar pelo conforto do Chauffeur

2016 www.sabado.pt “ Em 1º lugar está o conforto. ” Deixe-se levar pelo conforto do Chauffeur

Deixe-se levar pelo conforto do Chauffeur Service da Europcar, de Lisboa para qualquer parte do país e da Europa, com motoristas de primeira classe para lhe dar tempo para aproveitar bem as coisas que vêm em 1º lugar para si.

com motoristas de primeira classe para lhe dar tempo para aproveitar bem as coisas que vêm
com motoristas de primeira classe para lhe dar tempo para aproveitar bem as coisas que vêm
Destaque
Destaque

15 SETEMBRO 2016

Destaque 15 SETEMBRO 2016 www.sabado.pt

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Destaque 15 SETEMBRO 2016 www.sabado.pt
Destaque 15 SETEMBRO 2016 www.sabado.pt Q laborais pegou nos finais dos anos 80. António obte- ve-o

Q laborais pegou nos finais dos anos 80. António obte- ve-o clandestinamente, através de amigos e de um mé- dico de clínica geral que lhe fez a prescrição. “Pergun- tei-lhe se me podia desenrascar, porque estava em stress e tinha medo de não assegurar as necessidades da empresa”, confessa o profissional à SÁBADO. Partiria em breve para o Brasil, numa missão de nove meses e com uma remuneração de 6.500 euros. Teria de implementar um projecto da área de telecomunica- ções, custasse o que custasse, em tempo recorde. Na ba- gagem, levava dez fatos e igual número de caixas de comprimidos. A cocaína encontrou por lá, em favelas. Às 6h30, num quarto de hotel em São Paulo, começava a consumir. O apetite era inexistente, mas forçava-se a comer qualquer coisa – não fossem os colegas detec- tar o emagrecimento e associá-lo à toma de sub- stâncias. “Às 8h já estava no escritório e ao longo do dia ia com frequência à casa-de-banho para dar um cheiro [de cocaína] e tomar comprimidos.” Não foi pelo emagrecimento ligeiro que António levantou suspeitas, mas pelos apagões frequentes. Após sete directas consecutivas, dormia 20 horas e não atendia o telefone. Retomava as directas sema- nas depois até ficar exausto e novamente incontac- tável. “Notava que as pessoas percebiam que não es-

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“NOTAVA QUE AS PES- SOAS PERCE- BIAM QUE NÃO ESTAVA

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DO”, CONTA ANTÓNIO, AGORA EM RECU- PERAÇÃO Droga de rua O professor de Psicologia Car- los

Droga

de rua

O professor de Psicologia Car- los Manuel Lo- pes Pires indica que nos Estados Unidos o metil- fenidato é consi- derado uma droga de rua com vários no- mes de código

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António, consul- tor, chegou a receber 12 caixas destes fármacos, por vias ilícitas. Entretanto, foi dispensado das empresas onde trabalhou

tava equilibrado, era intolerante e impulsivo.” O projecto concluiu-se a tempo, mas António manteve o padrão de consumo em Lisboa e foi dispensado ao fim de sete anos dos quadros. Prosseguiu com trabalhos precários na área, intercalados de períodos curtos de desemprego. Entre 2003 e 2009, vieram os psicotrópicos às caixas (12), por via de um amigo farmacêutico de um hospital. Em con- trapartida, António arranjou-lhe outras substâncias. Os excessos culminaram em ataques de pânico, taquicardias, falta de ar e paranóias com mania da perseguição. Por di- versas vezes acabou nas urgências dos hospitais e foi reencaminhado para a ala de psiquiatria – aí, em deses- pero e temendo um fim trágico, abria o jogo aos médicos. Sentia-se derrotado, apático e sozinho. A família afasta- ra-se e a vontade de ficar preso à cama aumentava.

Quando só sobra ointernamento Há cinco meses que o consultor está internado na clí- nica RAN, em Vila Real, a cumprir um programa de desintoxicação dos 12 passos. “Trata-se de um quadro aditivo, onde a obsessão-compulsão por fármacos e outras substâncias psicoactivas está muito presente. Dada a sua entrega e boa atitude perante o tratamento, está a adquirir as ferramentas essenciais para lidar com os seus sintomas de saúde mental”, explica à SÁ- BADO o terapeuta envolvido na recuperação, Hugo Sousa. Não é um caso inédito, garante. “Recordo-me de, pelo menos, quatro semelhantes, com idades entre os 21 e 45 anos. Um deles era estudante universitário, os restantes exerciam funções nas áreas de informáti- ca, ensino e imobiliário.” Uma parte do rol de problemas de António pode estar associada às directas nos picos de trabalho. O neurolo- gista Manuel Gonçalves é peremptório. “A privação con- tinuada do sono por seis ou sete dias pode levar à mor- te.” Quanto aos psicotrópicos, o médico evita a demoni- zação. “São armas terapêuticas importantes, só que a utilização errada é perigosa. Há adultos que, com doses muito baixas, têm benefícios na concentração.” Pedro, 45 anos, ainda não acertou na medicação. Só em adulto se apercebeu da dificuldade em concentrar-se numa tarefa, sobretudo quando quer estar totalmente foca- do na câmara. É realizador e, não raras as vezes, distrai-se com pormenores irrelevantes. “Estou a filmar, digo ‘acção’ e vejo o tipo do catering a passear. Perco-me”, assume. Ao longo do percurso terapêutico, devidamente acompanhado por um psiquiatra e psicólogo, Pedro já experimentou sete psicofármacos (um deles à base de metilfenitado). “Não tomei nenhum por mais de uma semana. Fico num nível de esticanço pouco orgânico.” Um nível estranho, que o faz sentir-se exausto. O tempo parece triplicar: ao fim de um dia de consumo, tem a sensação de terem passa- do três. “De repente, parece que me puseram duas palas de cavalo e estão a obrigar-me a olhar para alguma coisa. Como se estivesse con- finado a um corredor.” W

coisa. Como se estivesse con- finado a um corredor.” W Os nomes dos consumidores que deram

Os nomes dos consumidores que deram depoimen- tos são fictícios, dada a delicadeza do assunto

Segue-nos e junta-te à comunidade Navigator

Segue-nos e junta-te à comunidade Navigator 0000000000000000000:3333333300000000000 88888888811111 11100::000009999
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Portugal

OPERAÇÃO MARQUÊS. AVANÇA A QUEIXA PARA AFASTAR CARLOS ALEXANDRE

OCERCO

DE

15 SETEMBRO 2016 www.sabado.pt
15 SETEMBRO 2016
www.sabado.pt

O antigo primeiro-ministro suspeito de corrupção preparou durante meses o ataque ao juiz Carlos Alexandre. E até tentou convencer o advogado e filho do actual presidente do Tribunal Constitucional a apresentar uma queixa contra o magistrado. Por AntónioJoséVilela

J á foi sujeito a inspecções judiciais e das finanças ex- traordinárias, ameaçado de morte, alvo de sucessivas denúncias anónimas calu-

niosas e colocou até no telemóvel em 2009 (durante a investigação do caso Freeport) uma mensagem gravada a dizer que tinha deixado de usar o aparelho porque estava sob escuta. Também se incompatibilizou com colegas magistrados, altos quadros da Judiciária e do Ministério Público (MP). Agora, a guerra de Carlos Ale- xandre é em definitivo com José Só- crates, que tem estado há meses a preparar a estratégia para tentar afastar o juiz da Operação Marquês. As entrevistas do magistrado judi- cial à SIC e ao Expresso – esta última será publicada no próximo sábado e, em breve, sairá também uma biogra-

j

O Conselho Supe- rior da Magistratu- ra, o órgão que fis- caliza os juízes, vai analisar as de- clarações de Car- los Alexandre

O ADVOGA-

DO JOÃO

COSTA AN-

DRADE FOI

ABORDADO

POR SÓCRA-

TES PARA

SE QUEIXAR

DO JUIZ

fia do juiz, em livro – foram o pretex- to para a defesa de Sócrates avançar de vez com uma queixa no Conselho Superior da Magistratura (CSM) e um incidente de recusa do juiz. Este últi- mo expediente previsto no Código do Processo Penal português - tem de ser sustentado em “motivos objecti- vos, sérios e graves” que provem a não imparcialidade do juiz - deverá ser invocado num recurso para o Tri- bunal da Relação de Lisboa que está há muito a ser planeado pela defesa de José Sócrates. Nos últimos meses, a estratégia do antigo primeiro-ministro (indiciado por crimes de corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais) tem passado por recolher episódios que possam demonstrar que o juiz não tem sido imparcial a avaliar a argu- mentação do MP e da defesa. Ou

seja, que tem privilegiado quem acu- sa, assinando de cruz vários despa- chos e abusando do poder que tem dentro e fora da Operação Marquês.

Oencontrocomoadvogado A SÁBADO apurou que Sócrates e o defensor Pedro Delille tentaram até que o advogado João Costa Andrade, um dos filhos do penalista Costa An- drade recém escolhido para presidir ao Tribunal Constitucional, apresen- tasse também uma queixa formal contra o juiz Carlos Alexandre. A abordagem ao advogado foi feita, em Maio passado, pelo próprio Sócrates num discreto encontro previamente

marcado por Delille e no qual este úl- timo esteve, também, presente. Na Operação Marquês, João Costa Andrade representa o holandês Je-

roen Van Dooren (dono de um ter-

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LUSA

LUSA g José Sócrates es- teve quase um ano em prisão preventiva no Es- tabelecimento Pri-

g

José Sócrates es- teve quase um ano em prisão preventiva no Es- tabelecimento Pri- sional de Évora

SÓCRATES JÁ ACUSOU O JUIZ DE FAL- SIDADE IDEOLÓGICA PORQUE ACHA QUE ELE ASSINA DE CRUZ OS DESPACHOS

Abril passado e as 17h do dia seguinte. Este período temporal é importante para a defesa porque foi quando o juiz recebeu a proposta do MP e apli- cou novas medidas de coacção a Só- crates (caíram todas a 4 de Setembro passado, por excesso de prazo), uma decisão tomada quando Alexandre estava a fazer os longos interrogató- rios de dois elementos da PJ detidos por suspeitas de corrupção. Neste reexame das medidas de coacção – Sócrates continuou proi- bido de falar com Santos Silva –, Alexandre escreveu o seguinte: “( ) atentei e louvo-me na posição assu- mida pelo MP, à qual me arrimo e aqui dou por reproduzida, para to- dos os legais efeitos, não por falta de avaliação e ponderação própria da questão, mas por simples economia

processual (

acusou o juiz de “falsidade ideológi- ca”, um tipo de crime também co- nhecido por falsidade intelectual e que consiste na desconformidade entre o que diz um documento e aquilo que efectivamente se passou. Na prática, Sócrates suspeita que o juiz assinou de cruz as medidas de coacção propostas pelo MP. A troca de argumentos escritos en-

tre os advogados de Sócrates e o juiz foi extremamente dura e o caso ain- da está em recurso na Relação de Lisboa. Mas um facto parece eviden- te: Sócrates elegeu o juiz como um alvo preferencial, mas em termos es- tratégicos não avançou de imediato para o pedido de escusa do magistra- do porque sempre achou que tinha

poucas hipóteses de ganhar. Afinal, a maior parte das decisões de Carlos Alexandre têm sido sufragadas de forma positiva por dezenas de juízes

)”A

defesa de Sócrates

Portugal
Portugal

Q reno de Vale de Lobo que terá transferido dois milhões de euros para a conta suíça do empresário Joaquim Barroca entre Janeiro e Abril de 2008), mas também defende um dos primos de Sócrates (António Pinto de Sousa) constituído arguido e interro- gado no final do ano passado no caso Monte Branco. E foi precisamente neste último processo que o advoga- do foi colocado durante várias sema- nas sob escuta telefónica (Junho/Julho de 2015) pelo MP e o juiz Carlos Ale- xandre - o conteúdo das intercepções ficou transcrito no inquérito. Segundo consta no processo Monte Branco, inicialmente nem o procura- dor Rosário Teixeira nem o juiz Car- los Alexandre sabiam que se tratava do telemóvel do advogado João Cos- ta Andrade, achando apenas que es- tavam perante conversas e encontros suspeitos entre António Pinto de Sou- sa e um sujeito não identificado (o primo de Sócrates referiu até a fami- liares que ia ter com este persona- gem mistério para ter um “encontro 007 rápido”). Mais tarde, o advogado também se terá queixado a amigos de que alegadamente Alexandre teria pressionado no interrogatório o pri- mo de Sócrates dando-lhe a enten- der - até através de gestos - que o ia mandar prender (isso não se verifi- cou) se não falasse do irmão, José Paulo, amigo e sócio de Hélder Bata- glia e de Carlos Santos Silva. Quando Sócrates soube disto tentou convencer o advogado a avançar de

forma autónoma contra o juiz. Du- rante o encontro, a hesitação de Cos- ta Andrade levou o ex-primeiro-mi-

nistro a ficar visivelmente alterado e

a dar vários murros numa mesa e nas

próprias pernas salientando que os abusos do juiz Alexandre tinham de ser travados. Questionado por telefo- ne pela SÁBADO, João Costa Andra- de confirmou que teve conhecimento de que foi colocado sob escuta tele- fónica – “no interrogatório de Antó- nio Pinto de Sousa, o próprio Rosário Teixeira contou-me por alto o suce- dido” –, mas recusou pronunciar-se sobre o encontro em que Sócrates o procurou e pressionou para apresen- tar queixa contra o juiz Alexandre. No entanto, adiantou que não fez qual- quer queixa: “Eu? Não, não vou por aí.” Já o advogado Pedro Delille não respondeu à tentativa de contacto por telefone e sms da SÁBADO até

ao fecho desta edição.

NinguémafastaAlexandre

O cerco ao juiz Carlos Alexandre tor-

nou-se cada vez mais intenso nos úl- timos meses. Recentemente, os advo- gados do ex-primeiro-ministro re- quereram que o magistrado fosse ou- vido no próprio processo (o que legal- mente poderia levar ao seu afasta- mento) e solicitaram que, tanto a juí- za-presidente da Comarca de Lisboa como o Conselho Superior da Magis- tratura (CSM), verificassem o trabalho de Carlos Alexandre num período muito específico: entre as 10h de 7 de

num período muito específico: entre as 10h de 7 de AntesdaSIC, jáele tinhaditomuita coisa As declarações

AntesdaSIC, jáele tinhaditomuita coisa

As declarações do juiz nos processos das denúncias anónimas de que foi alvo

Dispôs-se a que

Citou a célebre

Porrazõesde op-

O

depoente tem plena cons-

lhe escrutinassem as contas bancá-

lei moral de Kant que usa para si

ção, efectua uma vida frugalcom

ciência de que processos com a natureza daqueles que tra-

rias, as declara-

mesmo: aje de

dificuldadeseco-

mita ( são de molde a conci-

)

ções de impostos

forma tal como

nómicasque não

tar diversos tipos de estraté-

e

todo o tráfego

queiras que os

lhe permitem re-

gias, quer por parte das pes-

telefónico e tudo

outros ajam de

feiçoaroucon-

soas cujos interesses se

o

mais que o MP

igual forma ( )

fraternizarcom

achem postos em causa ( )

quisesse para afe-

é apenas um

pessoasfora do

quer por grupos económicos

rirsobre o seu

simples juiz

seucírculo pro-

e

de Comunicação Social

comportamento”

de província”

fissional”

com eles correlacionados”

desembargadores da Relação de Lis- boa que analisaram os sucessivos re- cursos dos arguidos do

desembargadores da Relação de Lis- boa que analisaram os sucessivos re- cursos dos arguidos do caso Marquês. Além disso, o incidente de recusa de um juiz, segundo garantem fon- tes judiciais à SÁBADO, é uma ini- ciativa legal que só muito raramente tem sucesso em Portugal. O próprio Carlos Alexandre já foi alvo de vá- rias tentativas de afastamento em processos mediáticos e ganhou

sempre. Isso verificou-se durante a investigação de casos judiciais como os que envolveram Isaltino Morais, ex-presidente da Câmara de Oeiras, Abel Pinheiro, vice-presidente do CDS (processo Portucale) e Pinto de Sousa, o principal acusado no pro- cesso sobre as classificações dos ár- bitros, em que o ex-presidente do Conselho de Arbitragem da Federa- ção Portuguesa de Futebol respon- deu por 144 crimes de falsificação de documentos. Mesmo em processos julgados por Carlos Alexandre, como sucedeu em 2009 com Maria das Dores, o magis- trado judicial ganhou na Relação de Lisboa o recurso que pretendia vê-lo afastado e condenou a mulher a 23 anos de prisão pelo homicídio quali- ficado do marido. Só que, agora, Sócrates tem um trunfo de peso: Alexandre terá come- tido, no mínimo, um deslize quando falou da sua vida pessoal à SIC:

mínimo, um deslize quando falou da sua vida pessoal à SIC: 370 decisões judiciais do juiz

370

decisões

judiciais do juiz Carlos Alexan- dre foram man- tidas incólu- mes, nos últi- mos 11 anos, pe- los tribunais su- periores

O JUIZ CAR- LOS ALE- XANDRE GA- NHOU TO- DAS AS TEN- TATIVAS LE- GAIS DE O AFASTAR DE PROCESSOS

15 SETEMBRO 2016 www.sabado.pt
15 SETEMBRO 2016
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“Como eu não tenho amigos, amigos no sentido de pródigos, não tenho fortuna herdada de meus pais ou de meus sogros, eu preciso de dinheiro para pagar os meus encargos. E não tenho forma de o alcançar que não seja através do trabalho honrado e sério.” José Sócrates reagiu de ime- diato no Diário deNotícias, escre- vendo que “tal alusão, que nada vi- nha a propósito, não pode deixar de

ser entendida – como o foi por todos os que a viram – como uma cobarde

e injusta insinuação” baseada na im-

putação que o MP lhe fez na Opera- ção Marquês. E acusou o juiz de “abuso de poder”

e de tomar “partido” quando devia

era mostrar “imparcialidade”. O CSM anunciou esta semana que vai apre- ciar a/s entrevista/s do juiz na reunião

plenária de 27 de Setembro e Sócra- tes está a ultimar um novo ataque nos tribunais. Só falta saber se Ale- xandre resiste ou não. W

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Portugal Entrevista LUÍSMONTENEGRO Parajánempensar. Mas o deputado recusa-se adizerque nemqueCristo desçaà terraserá

Entrevista

LUÍSMONTENEGRO

Parajánempensar. Mas o deputado recusa-se adizerque nemqueCristo desçaà terraserá umdiacandidato ao PSD. Por GustavoSampaio e

OctávioLousadaOliveira(textos)eSérgioAzenha(foto)

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