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MATEMÁTICA I

MATEMÁTICA I

Índice

INTRODUÇÃO

1

CAPÍTULO 1 COMPLEMENTOS DE CÁLCULO DIFERENCIAL EM

3

1. UMA ABORDAGEM DO PROBLEMA DA INVERSÃO DE UMA FUNÇÃO

3

1.1 CONSTRUÇÃO DA INVERSA

3

1.2 FUNÇÃO DERIVADA DE 1.ª ORDEM DA INVERSA

6

2. FUNÇÕES CIRCULARES INVERSAS

11

2.1 A FUNÇÃO ARCO SENO

11

2.2 A FUNÇÃO ARCO CO-SENO

15

2.3 A FUNÇÃO ARCO TANGENTE

19

2.4 A FUNÇÃO ARCO CO-TANGENTE

21

2.5 A FUNÇÃO ARCO SECANTE

24

2.6 A FUNÇÃO ARCO CO-SECANTE

27

2.7 PROBLEMAS PROPOSTOS

29

3. FUNÇÕES IMPLÍCITAS

32

3.1 DEFINIÇÃO

32

3.2 DERIVADAS DE FUNÇÕES IMPLÍCITAS

35

3.3 PROBLEMAS PROPOSTOS

39

4. FUNÇÕES REPRESENTADAS PARAMETRICAMENTE

40

4.1 DEFINIÇÃO

40

4.2 PROBLEMAS PROPOSTOS

44

CAPÍTULO 2 PRIMITIVAÇÃO

45

1. TÉCNICAS E MÉTODOS DE PRIMITIVAÇÃO

45

1.1 PROPRIEDADES DAS FUNÇÕES PRIMITIVAS

1.2 PRIMITIVAÇÃO PELA DEFINIÇÃO

1.3 O MÉTODO DE PRIMITIVAÇÃO POR SUBSTITUIÇÃO

1.4 PRIMITIVAS DO TIPO

dx

2

ax

+

bx

+

c

1.5 O MÉTODO DE PRIMITIVAÇÃO POR PARTES

1.6 PRIMITIVAÇÃO DE FUNÇÕES RACIONAIS

1.7 PRIMITIVAÇÃO POR DECOMPOSIÇÃO TRIGONOMÉTRICA

1.8 PRIMITIVAÇÃO POR SUBSTITUIÇÃO TRIGONOMÉTRICA

2. PROBLEMAS PROPOSTOS

46

47

51

52

55

57

59

60

60

Pág. 1

INTRODUÇÃO

Ao ingressar no Instituto Superior de Engenharia o leitor prossegue e aprofunda o contacto com a Matemática no sentido da aquisição e consolidação de conhecimentos que lhe permitam uma aprendizagem coerente e consistente no âmbito da área de engenharia a que se candidatou e que enformará a sua futura actividade profissional. Muito rapidamente se aperceberá da capital importância que detém a Matemática no ensino e aprendizagem de engenharia, e, mais particularmente, do papel que a sua aprendizagem em torno da Matemática, desenvolvida a montante do subsistema de ensino em que está inserido, vai desempenhar no prosseguimento do seu processo formativo, desde logo no presente semestre.

As insuficiências e graves lacunas detectadas nas aprendizagens dos alunos na disciplina de Matemática, no último biénio, e, por outro lado, as dificuldades inerentes ao complexo processo de integração numa Escola com a dimensão do ISEP, aconselharam a não adiar por mais tempo a consecução de um velho objectivo da equipa docente, isto é, a elaboração de Apontamentos de índole teórica para a disciplina de Análise Matemática I no sentido de configurarem uma referência científico-pedagógica para a aprendizagem dos alunos e que, de modo algum, no espírito do leitor, deverá dispensar outras referências, nomeadamente as contidas na ficha da disciplina e que oportunamente lhe foram divulgadas.

O primeiro capítulo dos apontamentos de Análise Matemática I, Complementos de Cálculo

Diferencial em , versam matérias que se ligam directamente com conhecimentos já

adquiridos durante a aprendizagem realizada no âmbito do ensino secundário, designadamente o

estudo e a manipulação de funções reais de uma variável real (definidas na forma explícita), e

o conceito de derivada de uma função num dado ponto e respectivas consequências. Neste

sentido, recorda-se-lhe o processo de inversão de uma função, abrindo caminho para o estudo das funções circulares, prosseguindo-se com a representação e derivação de funções reais de

uma variável real definidas na forma implícita, bem como de funções definidas na forma paramétrica.

Concluído o estudo do cálculo diferencial em , na perspectiva do programa da disciplina, segue- -se o segundo capítulo dedicado à primitivação de funções reais.

Ao terminar estas notas introdutórias, lançamos um apelo ao leitor no sentido de nos fazer chegar o resultado da sua apreciação crítica sobre os apontamentos elaborados no âmbito da disciplina, na perspectiva de podermos melhorar o nosso contributo para a consecução da plena integração dos novos alunos no ISEP e obviamente para o sucesso das suas aprendizagens.

CAPÍTULO 1 - COMPLEMENTOS DE CÁLCULO DIFERENCIAL EM

g. 3

CAPÍTULO 1 COMPLEMENTOS DE CÁLCULO DIFERENCIAL EM

1.

UMA ABORDAGEM DO PROBLEMA DA INVERSÃO DE UMA FUNÇÃO

1.1

CONSTRUÇÃO DA INVERSA

É de presumir que o leitor, pela aprendizagem efectuada em torno do problema da invertibilidade de uma função real de uma variável real, se sinta à vontade nesta matéria. Todavia, considerando as nossas suspeitas de que a abordagem do problema não terá sido de todo conseguida, entendemos por bem ilustrar o problema, na perspectiva de estarmos a contribuir para uma posterior melhor compreensão do caso das funções circulares.

DEFINIÇÃO: A função

pontos

distintos

do

seu

f ( x) designa-se por injectiva se não admitir o mesmo valor em

domínio

∀≠∈x

x

12

D

f

(

fx

1

)

(

fx

2

)

,

ou

ainda,

numa

perspectiva geométrica, se o gráfico da função não for intersectável em mais de um ponto por uma recta horizontal.

Nestes termos, se uma determinada função

y = fx( ) for injectiva, para todo o número

y

pertencente ao contradomínio existirá um único número x do domínio de

f

tal que

y = fx( ) .

Sendo x unicamente determinável por y , nesse sentido é uma função de y . Assim, é possível

escrever-se

x

=

f

1

(

y

)

, designando-se por

f

1

a função inversa de

papéis das variáveis x e y , de modo a associar a variável x ao domínio de

f . Permutando os

f

1

, resulta que:

y= f

-1

( )

x

x= f

ou seja, o valor de

f

()

y

1

(

x

)

é o único número

y do domínio de

f

(1.1)

para o qual se verifica a

equação f ( y) = x . Introduzida esta nota prévia, considerem-se agora os seguintes exemplos.

Exemplo 1.1:

Seja a função f (x) = 2 x +1 e discuta-se o problema da inversão de f .

Tomando-se

yf

=

1

(

x

)

, da proposição (1.1) resulta que x = 2 y +1 e resolvendo a equação em

ordem á variável y , obtém-se a solução

y

x 1

=

2

, ou seja,

f

1

(

x

)

x 1

=

2

Os gráficos das funções

f

e f

1

são simétricos em relação à recta

.

y = x ,

como se pode

comprovar pela Fig. 1.1. De facto, se considerarmos o ponto Ax( , y) pertencente ao gráfico f

e

procedermos à permutação das suas coordenadas, obtém-se o ponto B( y , x) , sendo cada um

g. 4

CAPÍTULO 1 - COMPLEMENTOS DE CÁLCULO DIFERENCIAL EM

deles a reflexão do outro relativamente ao “espelho” y = x . As coordenadas do ponto Ax( , y)

verificam

a

equação

y = fx( )

e,

concomitantemente,

verifica-se

a

igualdade

− 1 − 1 ( − 1 f () y = f fx ()) ,
1
1
(
− 1
f
() y
= f
fx
())
, isto é,
f
(
y
)
= x
, prova cabal que
B( y , x)
é um ponto do gráfico da
1
função
f −
.
5
(x, y)
y = x
f (x) = 2x + 1
4
f
-1
f (x) = (x-1)/2
i
(1, 3)
3
2
(y, x)
y
1
(0, 1)
(3, 1)
0
(1, 0)
-1
-2
-3
-3
-2
-1
0
1
2
3
4
5
x

Fig. 1.1 - Representação das funções f (x) e

f

i

(

)

x , alusivas ao Exemplo 1.1.

O leitor deverá ainda notar que o declive da recta definida pelos pontos Ax( , y) e B( y , x) é

igual a 1, sendo obviamente aquela perpendicular à recta

y = x ,

e

segmento AB de coordenadas

x + y

yx+

2

,

2

pertence à recta

y = x .

que o ponto médio do

Problema 1.1:

Seja a função quadrática

f

(

x = x representada na Fig. 1.2. Pretende-se que

)

2

averigúe se f (x) é uma função invertível.

Na mesma figura submete-se o gráfico da função f ao teste geométrico da injectividade,

verificando-se claramente que a referida função não cumpre os requisitos de uma função injectiva - logo, não é invertível. Mas, por outro lado, ainda na mesma figura encontram-se representados

em simultâneo os gráficos de f (x) e da curva (parábola horizontal) definida pela igualdade

CAPÍTULO 1 - COMPLEMENTOS DE CÁLCULO DIFERENCIAL EM

g. 5

2

x = y , podendo-se concluir que os gráficos são simétricos relativamente à recta definida por

y = x .

y

8

6

4

2

0

y = x 2
y = x 2
3 2 x = y 2 1 y 0 -1 -2 -3
3
2
x
= y 2
1
y
0
-1
-2
-3

-3

-2

-1 0 1 2 3 0 2 4 x x 4 y = x 3
-1
0
1
2
3
0
2
4
x
x
4
y = x
3
y
= x 2
2
y
1
0
-1
x
= y 2
-2
-2
-1
0
1
2
3
4
x
Fig. 1.2 - Representação do caso contemplado no Problema 1.

6

8

Mas será que o gráfico da parábola horizontal pode representar uma função ? E, no caso

afirmativo, qual ? Por outras palavras, a igualdade

x = y

2 representa uma função ?

Confiamos que o leitor deter-se-á na resolução da contradição latente e que, de um problema, que à partida parecia insolúvel, construirá uma solução matematicamente coerente, desde logo com as condições exigíveis para que uma função seja invertível.

g. 6

CAPÍTULO 1 - COMPLEMENTOS DE CÁLCULO DIFERENCIAL EM

1.2 FUNÇÃO DERIVADA DE 1.ª ORDEM DA INVERSA

Abordada a questão de como se constrói a inversa de uma função real de uma variável real, interessa-nos agora, sendo possível, estabelecer a função derivada de 1.ª ordem da inversa,

(

f

-1

)(

x

) , não tanto como um normal exercício de derivação daquela, mas antes como uma

operação centrada na função obtida por derivação da função original, ou seja, a função

f

(

x

)

.

TEOREMA1: Seja f ( x) uma função invertível e diferenciável em I = ]ab, [ . Sendo

um ponto de I

no qual f ()y

0 , então (

f

1

)() existe e é determinável por:

x

f

1

(

x

)

( )()

f

1

x

=

1

1

=

f

()

y

f

(

f

1

())

x

(1.2)

Muito embora não se proceda à demonstração do teorema enunciado, propomo-nos atingir o respectivo resultado, numa abordagem puramente geométrica e escolhendo para pretexto o exemplo apresentado a seguir.

2 Exemplo 1.2: Considere-se pois a função f ( x ) = , representada na
2
Exemplo 1.2:
Considere-se pois a função
f
(
x
)
=
, representada na Fig. 1.3, e determine-
2 − x
− 1
− 1
-se a função inversa
f
(
x
)
e a respectiva função derivada (
f
( ))
x
.
6
y =x
4
2
f = 2/(2-x)
y
0
f
f = 2-2/x
-1
i
-2
-4
-6
-6
-4
-2
0
2
4
6
x
− 1
Fig. 1.3 - Ilustração das funções f (x) e
f
(
x
)
suscitadas pelo Exemplo 1.2.

CAPÍTULO 1 - COMPLEMENTOS DE CÁLCULO DIFERENCIAL EM

g. 7

Procedendo ao estudo do domínio de f , imediatamente se conclui que aquele é constituído pelos

valores de x ∈ℜ \ {0} , enquanto que o contradomínio da função é constituído pelo mesmo

conjunto de valores, por inspecção da imagem geométrica (gráfico) de

Fig.1.3.

f , representada na

Por outro lado, facilmente se identifica a função como sendo injectiva, isto é, a função

f (x) não

admite o mesmo valor em pontos distintos do seu domínio, ou se preferir uma abordagem puramente geométrica da definição anteriormente enunciada, o gráfico da função não é intersectável em mais de um ponto por uma recta horizontal.

Tomando-se

yf

=

1

(

x

)

, da proposição (1.1) resulta que

x =

2

2 y

ordem à variável y , obtém-se a solução

y

=

2

2

, ou seja,

f

1

 

x

(

x

)

e resolvendo a equação em

=

2

2

x

.

O cálculo da função derivada de 1ª ordem da inversa é imediato, ou seja, (

f

1

)()

x

=

2

2

x

.

Podemos ainda aproveitar o ensejo para proceder ao cálculo indirecto da mesma função, usando para o efeito a expressão (1.2):

( )()

f

1

x

=

1 2 = 2 x 2 ( 2 2 2 − y ) y =
1
2
=
2
x
2
(
2 2
2 − y
)
y = −
2
x

.

Problema 1.2:

Determine a derivada de 1ª ordem da função inversa (

f

1

)() , correspondente

x

à função considerada no Exemplo 1.1. Interprete o resultado encontrado, na perspectiva geométrica.

Vejamos agora um caminho possível no sentido de compreender melhor a contextualização da expressão (1.2) que permite o cálculo indirecto da derivada da inversa. Para o efeito, na Fig. 1.4

restringe-se a representação do gráfico da função f (x) e consequentemente do gráfico da

função inversa, em relação à Fig. 1.3, no sentido de privilegiar a representação das rectas

tangentes t e

t i aos gráficos das duas funções, nos pontos P e

P , respectivamente.

i

No sentido da função

f

1

(

x

)

ser derivável no ponto

P de abcissa x , a tangente ao gráfico da

i

função terá que ser uma recta não vertical (declive finito),

t

i .

g. 8

CAPÍTULO 1 - COMPLEMENTOS DE CÁLCULO DIFERENCIAL EM

Tal facto ocorrerá se o gráfico da função

f (x) admitir no ponto reflectido Pyx(

,

) uma recta

tangente não horizontal (cf. Fig. 1.3, perpendicularidade das assimptotas) t , ou seja,

Como

yf

=

1

(

x

)

e

()

fy

=

(

ff

1

())

x

0

, conclui-se pois que o gráfico de

f

i

(

x

f ( y) 0 .

)

terá uma

recta tangente não vertical no ponto de abcissa x e, como tal, aí a função será derivável.

y

4 f (x) = 2/(2-x) y = x t 3 P(y, x) 2 B t
4
f (x) = 2/(2-x)
y = x
t
3
P(y, x)
2
B
t i
M
1
P(x, i y)
0
O
A
f -1
f (x) = 2-2/x
i
-1
-1
0
1
2
3
4

x

Fig.1.4 - Ilustração da simetria dos gráficos das funções

f (x) e

f

1

()

x

correspondentes ao Exemplo 1.2.

Finalmente, consideremos a relação entre as funções f e (

f

1 ) . O declive m da recta tangente

t ao gráfico de f no ponto P , bem como o declive

m i da recta tangente

t

i

ao gráfico de

f

1 no

ponto P podem determinar-se por: i OB AP i m = , m = i
ponto
P
podem determinar-se por:
i
OB
AP
i
m
=
,
m
=
i
BP
OA
Sendo os triângulos
⎡OAP ⎣ ⎤ ⎦
e
i

(1.3)

[OBP] geometricamente iguais (cf. Fig. 1.4), ressaltam as

igualdades

AP = BP e OA = OB . Conjugando este facto com as igualdades (1.3) resulta que:

i

CAPÍTULO 1 - COMPLEMENTOS DE CÁLCULO DIFERENCIAL EM

g. 9

m

i

=

1

m

, ou seja:

( )()

f

1

x

=

1

1

=

f

()

y

f

(

f

1

())

x

ou ainda, segundo a notação de Leibniz (1646-1716),

dy dx
dy
dx

x

=

1 dx dy − 1 yf = () x
1
dx
dy
− 1
yf
=
() x

(1.4)

(1.5)

As expressões (1.4) e (1.5) usam-se preferencialmente nos casos em que a resolução da equação

x = f ( y) , tendente à explicitação da função

yf

=

1

(

x

)

, é demasiado complexa, quiçá mesmo

impossível. Ilustremos tais casos com o seguinte exemplo.

Exemplo 1.3: Seja a função definida por,

fx = 2 x + x + 1.

(

)

3

a) Convida-se o leitor a provar que a função é injectiva;

b) Pretende-se calcular (

f

Resolução de b)

Sendo

y

=

dx

dy

=

()

fy

f

1

()

x

=+

y

6

2

1

x

=

()

fy

1

)( , sabendo-se que f (1) = −2 .

2

)

x

=

2 y

3

++

y

1

, ou seja:

− 1 ( Por outro lado, x = f (−1) =−2 o que implica y
− 1 (
Por outro lado, x = f (−1) =−2 o que implica
y
= f
− =− .
2
)
1
Por conseguinte, resulta que:
dy
1
1
=
( )()
1
f
x
==
.
dx
2
x =− 2
x =− 2
6
y
+ 1
7
y =− 1

g. 10

CAPÍTULO 1 - COMPLEMENTOS DE CÁLCULO DIFERENCIAL EM

Como síntese do que ficou dito, podemos enunciar um conjunto de propriedades das funções inversas, que poderão servir de teste para o leitor ajuizar do nível de compreensão do problema que temos vindo a tratar.

Propriedades das funções inversas

a)

b)

c)

d)

e)

f)

g)

1

()

f

y

D

C

=

f

1

1

f

f

ff

(

1

(

=

=

x

C

D

f

f

())

())

fx

1

x

⇔=

x

()

fy

=

=

x

x

,

,

∀∈

∀∈

D

xD

x

f

f

1

Os gráficos de

relativamente ao gráfico de y

f

1

e de

f

são simétricos

= x

( )()

f

1

x

11 dy == ⇔ f ′ () y ff ( − 1 ′ ()) x
11
dy
==
f
() y
ff
(
− 1
())
x
dx

x

=

1 dx dy − 1 yf = () x
1
dx
dy
− 1
yf
=
() x

(1.6)

simbolizando C o contradomínio das funções referenciadas.

CAPÍTULO 1 - COMPLEMENTOS DE CÁLCULO DIFERENCIAL EM

g. 11

2. FUNÇÕES CIRCULARES INVERSAS

Presume-se que o leitor aprendeu a lidar com as funções circulares (trigonométricas) e, neste sentido, é nosso propósito o tratamento das funções inversas correspondentes às funções referenciadas, de modo a complementar os seus conhecimentos neste domínio, indispensáveis a uma formação em engenharia que entendeu por bem escolher para cimentar a sua futura actividade profissional.

2.1 A FUNÇÃO ARCO SENO

A função seno,

f (x) = sen x , é uma função periódica de período 2π

e assume valores no

intervalo [1,1] , como poderá recordar consultando a Fig. 2.1.

sen (x)

1 0.8 0.6 0.4 0.2 y 0 -0.2 -0.4 -0.6 -0.8 -1 -6 -4 -2
1
0.8
0.6
0.4
0.2
y
0
-0.2
-0.4
-0.6
-0.8
-1
-6
-4
-2
0
2
4
6
x

Fig. 2.1 - Representação da função circular f (x) = sen x .

Como se pode ver, a função não preenche os requisitos de uma função injectiva (cf. Definição, pág.3) e como tal não é invertível. A solução preconizada consiste em restringir o domínio da função de modo a esta ser injectiva, escolhendo-se de entre as possíveis restrições a que

corresponde ao intervalo

função seno.

⎢ ⎣

π π

2

,

2

⎥ ⎦

que passamos a designar por restrição principal da

g. 12

CAPÍTULO 1 - COMPLEMENTOS DE CÁLCULO DIFERENCIAL EM

Nestes termos, a função inversa de f (x) = sen x constrói-se do seguinte modo:

π π ⎤ − 1 y = f () x ⇔ x = f ()
π π
− 1
y
= f
()
x
⇔ x =
f
()
y
=
sen y
,
y
∈− ⎢ ⎡
,
2
2
⎥ ⎦
em que ,
π π
f -1
(
x
)
= arc sen x
, D
=−
[
1,1
]
,
C
= ⎢ ⎡ −
,
− 1
-1
f
f
2
2
⎥ ⎦
π π
arc
sen sen y
(
)
=
y
,
y
∈− ⎢ ⎡
,
2
2
⎥ ⎦
sen arc sen
(
x
)
=
x
,
x
∈−
[
1,1
]

(2.1)

Na Fig. 2.2 podem-se analisar as relações entre as funções ora definidas, nomeadamente a sua simetria relativamente à recta y = x .

1.5 y = x 1 0.5 y 0 -0.5 f = sen (x) -1 f
1.5
y = x
1
0.5
y
0
-0.5
f = sen (x)
-1
f
f = arcsen (x)
-1
i
-1.5
-1.5
-1
-0.5
0
0.5
1
1.5
x
− 1
Fig. 2.2 - Representação das funções inversas f (x) = sen x e
f
(
x
)
=
arc sen x
.
− 1
Uma vez definida a função inversa
f
(
x
)
= arc sen x
da função
f (x) = sen x , importa agora
f -1
encontrar a expressão analítica da função derivada de 1ª ordem (
)( ′
x
) .

CAPÍTULO 1 - COMPLEMENTOS DE CÁLCULO DIFERENCIAL EM

g. 13

De (2.1) e de (1.6) - g) (regra da derivada da função inversa), pode-se retirar que:

′ 1 ′ 1 ( )() − 1 − 1 f x = , ou
1
1
( )()
1
1
f
x
=
,
ou seja,
(
f
)()
x
=
f
() y
cos y
π π⎡
Dado que, cos
y
>
0 ,
∀ y
∈− ⎥
,
⎣ , a expressão da derivada (
2
2
como:
1
1
(
-1
f
)( ′
x=
)
=
2
2
1
− sen y
1-x

(2.2)

f

1

)()

x

Generalizando, para casos do tipo

y = arc sen u , sendo

u uma função de

pode-se definir

x e derivável, a

regra da derivada da função composta permitirá induzir o seguinte:

=

y

′ =

y

(

f

1

(

f

o g

)()

x

,

f

1

()

x

g

()

x

==

arcsen x e

1 )(

()) ()

gx

i

g

x

, ou seja:

yf

′=

( )()

1

x

=

u ′ () x . 2 1 − (()) u x
u
() x
.
2
1 −
(())
u
x

u

(2.3)

Terminamos o estudo da função circular arco seno abordando o seguinte exemplo:

Exemplo 2.1: Seja a função

f

(

x

)

=

⎛ ⎞ 1 − x arc sen ⎜ ⎜ ⎝ ⎟− ⎟ 3 ⎠
1 − x
arc sen ⎜ ⎜
⎟− ⎟
3

π e determine-se:

a) O domínio e o contradomínio de

f (x) .

b) A expressão analítica da função inversa de

f (x) .

c) Uma equação da recta tangente ao gráfico de f (x) no ponto de abcissa

5

2 .

a) Como se viu anteriormente, o domínio da função

f (x) = arc sen x é [1,1] ,

o caso do nosso exemplo: 1 − x − ≤ 1 ≤ 1 ⇔ −
o caso do nosso exemplo:
1 − x
− ≤
1
1
⇔ −
≤ 1 −
3
isto é:
D
=− ⎡ +
3
1,
+
1
f
⎦ ⎤ .

x

3
3

é: D =− ⎡ + 3 1, + 1 f ⎣ ⎦ ⎤ . x ≤

31 + ≥ ≥−

x

é: D =− ⎡ + 3 1, + 1 f ⎣ ⎦ ⎤ . x ≤

31 +

resultando para

g. 14

CAPÍTULO 1 - COMPLEMENTOS DE CÁLCULO DIFERENCIAL EM

Em relação ao contradomínio da função, um caminho possível (*) é o seguinte:

π ⎛⎞ 1 − x ππ 31 ⎛⎞ − x π − ≤ arcsen ⎜⎟≤
π
⎛⎞ 1 − x
ππ
31 ⎛⎞ − x
π
≤ arcsen
⎜⎟≤
⇔ −
arcsen ⎜⎟−
π
≤−
⎜⎟
⎜⎟
2
3
22
3
2
⎝⎠
⎝⎠
3 π
π⎤
isto é:
C
=− ⎢
f
2
,
2
⎦ ⎥ .
x ⎛ x = arcsen ⎜ ⎜ ⎝ ⎞ 1 − y − 1 (
x
x = arcsen ⎜ ⎜
1 − y
− 1 (
b) Sendo
y
=
f
x
)
⇔=
fy
(
)
, pode-se concluir que
⎟− ⎟
π
.
3
Resolvendo a última igualdade em ordem à variável y resulta:
1
y
1
y
x +
π = arcsen
=
sen x
(
+
π )
y =− 1
3
sen x
(
+
π )
, isto é:
3
3
⎝ ⎜
⎟ ⎟ ⎠ ⇔
− 1
f
() x
=−
1
3 sen
(
x
+
π
)
.
c)
O valor da função no ponto de abcissa 5 2 , é :
5
1 −
⎛ ⎞
5
3
4
π
2
f
= arcsen
π
=
arcsen ⎜− ⎜
⎟−
π
=−
,
⎝ ⎠
2
3
23
⎠ ⎟
⎛ 5
4
π⎞
sendo as coordenadas do ponto de tangência
⎠ . O declive
da recta tangente t ao
2
,
3
m
t
⎜ ⎝

gráfico de f (x) , no ponto P , é determinável por:

1

− 3 2 fx ′ () = ⎯⎯⎯→ m =− 5 t 2 x =
3
2
fx
()
=
⎯⎯⎯→
m
=−
5
t
2
x
=
3
1 − x
2
1
−⎜ ⎜
3
⎠ ⎟
2
54
π
Logo, a equação da recta t é
y
=−
x
+
.
3
3
3

Problema 2.1:

Simplifique a expressão cos(arcsen x) .

(*) O outro caminho teria consistido na prévia determinação de

f

i

()

x

e do respectivo contradomínio.

CAPÍTULO 1 - COMPLEMENTOS DE CÁLCULO DIFERENCIAL EM

g. 15

2.2 A FUNÇÃO ARCO CO-SENO

A função co-seno,

f (x) = cos x , é uma função periódica de período 2π e assume valores no

intervalo [1,1] , de acordo com a Fig. 2.3.

cos (x)

1 0.8 0.6 0.4 0.2 y 0 -0.2 -0.4 -0.6 -0.8 -1 -6 -4 -2
1
0.8
0.6
0.4
0.2
y
0
-0.2
-0.4
-0.6
-0.8
-1
-6
-4
-2
0
2
4
6
x

Fig. 2.3 - Representação da função circular f (x) = cos x .

Tal como tinha sucedido com a função

f (x) = sen x , também a função

f

(x) = cos x não é

injectiva e, por conseguinte, não é invertível. A solução preconizada consiste em restringir o domínio da função de modo a esta ser injectiva, escolhendo-se de entre as possíveis restrições a

que corresponde ao intervalo [0, π ] que passamos a designar por restrição principal da

função co-seno.

Nestes termos, a função inversa de f (x) = cos x constrói-se do seguinte modo:

− 1 y = f () x ⇔= x f () y = cos y
1
y
=
f
()
x
⇔=
x
f
()
y
=
cos y
,
y
[
0,
π
]
em
que ,
-1
f
(
x
)
= arc cos x
,
D
=−
[
1,1
]
,
C
=
[]
0,
π
-1
-1
f
f
arccos cos y
(
)
=
y
,
y
[
0,
π
]
cos arccos x
(
)
=
x
,
x
∈−
[
1,1
]

(2.4)

g. 16

CAPÍTULO 1 - COMPLEMENTOS DE CÁLCULO DIFERENCIAL EM

Na Fig. 2.4 podem-se analisar as relações entre as funções ora definidas, nomeadamente a sua simetria relativamente à recta y = x .

3 y = x 2.5 2 f -1 f = arccos (x) 1.5 i y
3
y = x
2.5
2
f
-1
f = arccos (x)
1.5
i
y
1
f = cos (x)
0.5
0
-0.5
-1
-1
-0.5
0
0.5
1
1.5
2
2.5
3
x
− 1 (
Fig. 2.4 - Representação das funções inversas f (x) = cos x e
f
x
)
= arc cos x

.

Uma vez definida a função inversa

f

1

(

x

)

=

arc cos x

da função f (x) = cos x , importa agora

encontrar a expressão geral da função derivada de 1ª ordem (

f

-1

( ))

x

.

De (2.4) e de (1.6) - g) (regra da derivada da função inversa), pode-se concluir:

( )()

f

1

x

=

1

f

()

y

, ou seja,

(

f

1

)()

x

=−

1

sen y

Dado que, sen y > 0,

∀∈y ] 0, π [ , a expressão da derivada (

(

f

-1

)(

)

x=

1 1 = − 2 2 1 − cos y 1-x
1 1
= −
2
2
1
− cos
y
1-x

f

1

)() pode-se definir como:

x

(2.5)

Generalizando, para casos do tipo y = arc cos u , sendo u uma função de x e derivável, a regra

da derivada da função composta permite induzir o seguinte:

CAPÍTULO 1 - COMPLEMENTOS DE CÁLCULO DIFERENCIAL EM

g. 17

− y = ( 1 − 1 f o g )() x , f ()
y
=
(
1
1
f
o g
)()
x
,
f
()
x
==
arc cos x
e
g
()
x
u
y
′ =
(
1 )(
f −
gx
()) ()
i
g
x
, ou seja:
() x
u
( )()
1
y
′=
f
x
=−
.
2
1 −
(())
u
x

(2.6)

Terminamos o estudo da função circular arco co-seno abordando o seguinte exemplo:

Exemplo 2.2: Seja a função

f

(

x

)

=

1

2 x

π

2

arc cos

⎜ ⎝

22 ⎠ ⎟

a) O domínio e o contradomínio de

f (x) .

b) A expressão analítica da função inversa de

f (x) .

e determine:

c) Uma equação da recta tangente ao gráfico de f (x) no ponto de abcissa nula.

a) Como se viu anteriormente, o domínio da função arco co-seno é [1,1] , resultando para o

caso do nosso exemplo o seguinte:

1

−≤

isto é:

2 x

2

D

f

=

1

[0,

⇔ −

4]

.

22

x

2

4

x

0

Em relação ao contradomínio da função temos:

0

arc cos

 

π

⇔− ≤

12

⎛⎞−

x

π

2

π

22

arc cos

⎜⎟

⎝⎠ 2

 

2

⎛⎞− 2 x

⎜⎟

⎝⎠

isto é:

C

f

= ⎢ −

π

2

,

0

⎦ ⎥ .

b)

Sendo

y

=

f

1

(

x

)

⇔=

x

(

fy

)

, pode-se concluir que

x

=

0

1

2 y

⎜ ⎝

2

arc cos

22 ⎠ ⎟

π

.

Resolvendo a última igualdade em ordem à variável y resulta:

2

x +=

π

isto é:

f

2

⎜ ⎝

⎟ ⎠

22 cos 2 x

y

2

y

arc cos

1

(

x

)

2

+

2

π

)

.

(

=−

=

cos

()

2

x

+

π

y

22

=−

cos

()

2

x

+

π

g. 18

CAPÍTULO 1 - COMPLEMENTOS DE CÁLCULO DIFERENCIAL EM

c) O valor da função no ponto de abcissa nula, é:

f

()

0

=

1

2

arc cos

()

0

π

π

=−

24

sendo as coordenadas do ponto de tangencia

0 ,

ordem de f (x) é definida por: 1 f ′ () x = 2 ⎛
ordem de f (x) é definida por:
1
f ′
() x
=
2
2 −
x ⎞
4
1
− ⎜ ⎝
2
⎟ ⎠

π

. A expressão da função derivada de 1ª

4

concluindo-se que a função f (x) não tem derivada para x = 0 , já que

lim

x

0

+

f

(

x

)

= (note que

D

f

=

[0,

4]

).

Por conseguinte, a tangente ao gráfico da função em estudo, no ponto P , é uma recta vertical – de equação x = 0 .

Problema 2.2:

Simplifique a expressão sen (arc cos x) .

CAPÍTULO 1 - COMPLEMENTOS DE CÁLCULO DIFERENCIAL EM

g. 19

2.3 A FUNÇÃO ARCO TANGENTE

A função tangente, f (x) = tg x , é uma função periódica de período π e assume valores no

intervalo ] , [ , como pode constatar consultando a Fig. 2.5. Atendendo ao facto da função

não ser injectiva, também não é invertível. A solução preconizada consiste em restringir o domínio da função, escolhendo-se de entre as possíveis restrições a que corresponde ao intervalo

π π

⎥ ⎦

2

, 2

que passamos a designar por restrição principal da função tangente.

Nestes termos, a função inversa de f (x) = tg x constrói-se do seguinte modo (cf. Fig. 2.6):

π π ⎡ − 1 y = f () x ⇔ x = f ()
π π
− 1
y
= f
()
x
⇔ x =
f
()
y
=
tg y
,
y
∈− ⎥ ⎤
,
2
2
⎢ ⎣
em que ,
π π
f -1
(
x
)
= arc tg
x
,
D
= −∞ ,, ∞
]
[
C
= ⎥ ⎤ −
,
-1
-1
f
f
2
2
⎣ ⎢
π π
arc
tg
(
tg y
)
= y
y
,
∈− ⎤ ⎥
,
2
2
⎢ ⎣
tg arc tg
(
x
)
= x
x
,
∈ −∞ , ∞
]
[

tg (x)

(2.7)

6 4 2 y 0 -2 -4 -6 -6 -4 -2 0 2 4 6
6
4
2
y
0
-2
-4
-6
-6
-4
-2
0
2
4
6
x

Fig. 2.5 - Representação da função circular f (x) = tg x .

g. 20

CAPÍTULO 1 - COMPLEMENTOS DE CÁLCULO DIFERENCIAL EM

6 y = x 4 f = tg (x) 2 f -1 f = arctg
6
y = x
4
f = tg (x)
2
f
-1
f = arctg (x)
i
y
0
-2
-4
-6
-6
-4
-2
0
2
4
6
x
− 1
Fig. 2.6 - Representação das funções inversas f (x) = tg x e
f
(
x
)
=
arc tg x
.
− 1
Uma
vez
definida
a
função
inversa
f
(
x
)
= arc tg x
da função
f (x) = tg x , importa agora
f -1
encontrar a expressão analítica da função derivada de 1ª ordem (
)( ′
x )
.

De (2.7) e de (1.6) - g) (regra da derivação da função inversa), pode-se retirar que:

( )()

f

1

x

Dado que,

=

1

f

()

y

,

ou seja,

(

f

1

)()

x

=

1

sec

2

y

sec

2

y = 1 + tg

2

y , a expressão da derivada (

(

f

-1

)(

x

)

=

1

1

+ tg

2

y

=

1

1+ x

2

f

1

)() pode-se definir como:

x

(2.8)

Generalizando, para casos do tipo y = arc tg u , sendo u uma função de x e derivável, a regra

da derivada da função composta permite induzir o seguinte:

y =

(

f

1

o g

)()

x

,

f

1

()

x

e

g

()

x

==

arc tg x

u

CAPÍTULO 1 - COMPLEMENTOS DE CÁLCULO DIFERENCIAL EM

g. 21

y

y

′ =

′=

(

f

1

)(

()) ()

gx

i

g

x

, ou seja:

( )()

f

1

x

=

u

()

x

1

+

(())

u

x

2

.

(2.9)

Terminamos o estudo da função circular arco tangente propondo-lhe o seguinte problema:

Problema 2.3: Seja a função

f

(

x

)

=

1

2

arc tg

(

1

x

)

π

4

e determine:

a) O domínio e o contradomínio de f (x) .

b) A expressão analítica da função inversa de f (x) .

c) Uma equação da recta tangente ao gráfico de f (x) no ponto de abcissa 2.

2.4 A FUNÇÃO ARCO CO-TANGENTE

A função co-tangente,

f (x) = cotg x , é uma função periódica de período

π

e assume

valores no intervalo ] , [ , em conformidade com a Fig. 2.7. A função não é invertível devido

ao facto de não ser injectiva. A solução que permite inverter a referida função consiste em restringir o domínio da função de modo a esta ser injectiva, escolhendo-se de entre as possíveis

restrições a que corresponde ao intervalo ] 0 , π [ que passamos a designar por restrição

principal da função tangente.

Nestes termos, a função inversa de f (x) = cotg x formula-se do seguinte modo (cf. Fig. 2.8):

− 1 y = f () x ⇔= x f () y = cotg y
− 1
y =
f
()
x
⇔=
x
f
()
y
=
cotg y
,
y
]
0,
π
[
em que
,
f -1
= arc cotg x
D
= −∞ ∞
]
,
[
,
C
=
][
0,
π
, -1
-1
f
f
arc
cotg cotg y
(
)
= ∈
y
,
y
]
0,
π [
cotg arc cotg
(
x
)
= ∈ −∞ ∞
x
,
x
]
,
[

(2.10)

g. 22

CAPÍTULO 1 - COMPLEMENTOS DE CÁLCULO DIFERENCIAL EM

y

6

4

2

0

-2

-4

-6

cotg (x)

DE CÁLCULO DIFERENCIAL EM ℜ y 6 4 2 0 -2 -4 -6 cotg (x) -6
-6 -4 -2 0 2 4 6 x Fig. 2.7 - Representação da função circular
-6
-4
-2
0
2
4
6
x
Fig. 2.7 - Representação da função circular f (x) = cotg x .
6
y = x
4
2
f = arccotg (x)
f -1
i
y
0
f =
cotg (x)
-2
-4
-6
-6
-4
-2
0
2
4
6
x
− 1
Fig. 2.8 - Representação das funções inversas f (x) = cotg x e
f
(
x
)
= arc cotg x
.

CAPÍTULO 1 - COMPLEMENTOS DE CÁLCULO DIFERENCIAL EM

g. 23

Uma vez definida a função inversa

f

1

(

x

)

=

arc cotg x

da função

consiste na definição da função derivada de 1ª ordem (

f

1

)(

x

)

f (x) = cotg x , o passo seguinte

.

De (2.10) e de (1.6) - g) (regra da derivada da função inversa), resulta o seguinte:

( )()

f

1

x

Dado que,

(

f

-1

)(

x

)

=

1

f

()

y

,

ou seja,

(

f

1

)()

x

=−

1

2

cosec y

cosec y = 1 + cotg y , a expressão da derivada (

2

2

=

1

1

+ cotg

2

y

=

1

1+ x

2

f

1

)()

x

pode-se definir por:

(2.11)

Generalizando, para casos do tipo y = arc cotg u , sendo u uma função de x e derivável, a

regra da derivada da função composta permite concluir que:

y =

y

′ =

(

f

1

(

f

1

o g

)(

yfx

′=

1

()

)