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Os pressupostos de elegibilidade são aqueles necessários para que alguém possa concorrer em um pleito eleitoral como candidato, ou seja, para que possa concorrer a cargos eletivos. Já as inelegibilidades são impedimentos à elegibilidade, ou seja, impedem que uma pessoa possa concorrer a eleições, ou, caso sejam supervenientes, servem de fundamento à impugnação de sua diplomação (caso tenha sido eleito).

De acordo com o artigo 14, §3º da Constituição Federal de 1988, são condições de elegibilidade a nacionalidade brasileira, o pleno exercício dos direitos políticos, o alistamento eleitoral, o domicílio eleitoral na circunscrição, a filiação partidária e a idade mínima (35 anos para presidente, vice-presidente e senador, 30 anos para governador e vice-governador, 21 anos para deputado federal, estadual ou distrital, prefeito, vice- prefeito e juiz de paz e 18 anos para vereador. Estas condições se dividem entre aquelas que são necessárias no momento do registro, as que são necessárias um ano antes da data da eleição e as que são necessárias no momento da posse.

As condições necessárias no momento do registro se referem à cidadania brasileira, ao alistamento eleitoral e ao pleno exercício dos direitos políticos. Um ano antes do pleito eleitoral no qual pretende se candidatar a cargo eletivo o cidadão deve estar apto a preencher duas condições: domicílio eleitoral na circunscrição e filiação partidária. Já os requisitos exigidos na posse são aqueles que estão diretamente ligados à idade do candidato.

As inelegibilidades são as circunstâncias impeditivas ao exercício do sufrágio passivo, ou seja, aquelas que impedem que uma pessoa possa concorrer como candidato em uma eleição. A finalidade da inelegibilidade é a proteção da normalidade e da legitimidade das eleições contra a influência do poder econômico ou do abuso de exercício de função, cargo ou emprego na administração direta ou indireta, conforme expressa previsão constitucional. No entanto, o art. 14, § 9° da própria Carta Magna prevê a possibilidade de lei complementar dispor à respeito. Logo, além do estabelecido na Constituição acerca das inelegibilidades, também temos o texto da Lei Complementar 64/90, além de Resoluções do TRE e do TSE.

As inelegibilidades absolutas são aquelas que consistem no impedimento eleitoral para qualquer cargo eletivo e independem de qualquer condição para que se verifiquem. De acordo com a CF/88, encaixam-se nessa categoria os inalistáveis (os estrangeiros, os conscritos durante o serviço militar obrigatório, os menores de 16 anos e os presos condenados) e os analfabetos. Já as inelegibilidades relativas podem ser determinadas tanto pela Constituição Federal quanto por lei complementar e não se relacionam com características pessoais do pretenso candidato, sendo restrições específicas a determinados pleitos e mandatos em razão de situações especiais existentes no momento da eleição. Outra característica das inelegibilidades relativas é que elas são válidas apenas para candidatos a cargos eletivos do Poder Executivo. Entre elas estão a reeleição para um terceiro mandato (permitido apenas casa haja um lapso temporal de pelo menos um período eletivo), a desincompatibilização, a inelegibilidade reflexa (pela qual ficam inelegíveis na mesma circunscrição o cônjuge, ficando aí compreendidos os companheiros de união estável, assim como os parentes consanguíneos até o 2º grau ou parentes oriundos do casamento, como irmãos da esposa ou sogros).