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História política de Pentecoste durante o coronelismo.

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Trabalho de Conclusão de Curso que conta a História da liderança política dos Gomes da Silva na cidade de Pentecoste durante o Coronelismo.
Trabalho de Conclusão de Curso que conta a História da liderança política dos Gomes da Silva na cidade de Pentecoste durante o Coronelismo.

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UNIVERSIDADE ESTADUAL VALE DO ACARAÚ – UVA

CURSO DE LICENCIATURA ESPECÍFICA EM HISTÓRIA

A HISTÓRIA POLÍTICA DE PENTECOSTE DURANTE O CORONELISMO

MARILAC LOPES ALVES

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PENTECOSTE – CE 2010

MARILAC LOPES ALVES

A HISTÓRIA POLÍTICA DE PENTECOSTE DURANTE O CORONELISMO

Trabalho de Conclusão de Curso – TCC apresentação como requisito parcial para a obtenção do Título de Graduação em Licenciatura Plena do Curso de Licenciatura Específica em História, da Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA, sob a Orientação da Professora Ms. Maria Adélia Silva Marinho.

PENTECOSTE – CEARÁ

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2010 Trabalho de Conclusão de Curso – TCC apresentado como requisito parcial para a obtenção do Título de Graduado em Licenciatura Plena do Curso de Licenciatura Específica em História, da Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA, sob a orientação do(a) Professor(a) Ms. Maria Adélia Silva Marinho.

A HISTÓRIA POLÍTICA DE PENTECOSTE DURANTE O CORONELISMO

_____________________________________

MARILAC LOPES ALVES

Apresentado em: ___/___/______.

Conceito Obtido: ___________ Nota Obtida: ______________

__________________________________ Prof. (a) Ms. Maria Adélia Silva Marinho Orientador (a)

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Há homens que lutam um dia, e são bons; há homens que lutam por um ano, e são melhores; há homens que lutam por vários anos, e são muito bons; há outros que lutam durante toda a vida, esses são imprescindíveis. Bertolt Brecht

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DEDICATÓRIA

Para as pessoas que me fazem acreditar no amor: minha mãe, Orlandina; meu pai, Raimundo; meu esposo, Paulo Sérgio e meus filhos Yuri e Jade. Para todos que me fazem crer na fraternidade: meus irmãos, Maurício, Mariluce, Marluce, Maria, Márcia, Marilena e Marvya. Para aqueles que me fazem confiar na amizade: minha equipe: Antonia Almeida, Antonia Maria, Geisiane, Leonice, Vanessa e Suzana. E a todos os meus colegas que compartilharam esses três anos de conquistas. Para as pessoas que me levam a acreditar no crescimento: minha professora Adélia Marinho, orientadora deste projeto, e todos os mestres que nos presentearam com sua sabedoria. Para todos os que me mostram que existe saudade: meus avós, que já partiram para outro mundo, mas que ajudaram a fazer de mim quem sou e os amigos que, por qualquer razão, não concluirão este curso conosco. Para todos os que me fazem sentir parte de uma família: meus tios, primos, cunhados, sobrinhos, sobrinhos-netos, sogros, enteados. Sua existência torna minha vida mais completa. Para todas as pessoas que passaram por minha vida e deixaram algo de si ou levaram algo de mim, pois tudo isso, de alguma maneira, me trouxe até aqui.

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AGRADECIMENTOS Bastaria um muito obrigado? Para agradecer pelo dom de viver, de ouvir, de falar, a Deus, nosso criador... Para agradecer pelo carinho e atenção que recebi nas residências de todos os que me atenderam e me contaram suas histórias, Dona Aurilêda; Dona Raimunda Alencar - a Pretinha; Dona Raimundinha Paraíba; Ana Lúcia, Dona Eliseuda, Dona Suly, Chicão Nunes, Josias - o Dó, Raimundo Néu e Daniel Gomes. Para agradecer pelo pronto atendimento, sempre amável e sorridente todas as vezes que precisei, a Marli, Maria Tereza e todos os funcionário do setor de Revisão e Anais da Assembléia Legislativa do Estado do Ceará. Para agradecer a todo carinho, apoio, suporte, amor e dedicação que recebi, não só nesses meses, mas durante toda nossa vida a meus pais, filhos, esposo, família e amigos. Para agradecer pelo muito que recebi sei que não bastaria um muito obrigada e, mesmo sabendo que ainda não é o suficiente, a todos vocês que fazem, fizeram e farão parte de minha vida, citados ou não nestes parágrafos: muitíssimo obrigada!

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“A política é a arte do compromisso, mas nenhum compromisso é sólido quando não se parte para ele com convicções e uma clara percepção do rumo que se quer seguir e dos limites que não se podem ultrapassar”. José Manuel Fernandes

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RESUMO

Esse Trabalho de Conclusão de Curso tem como finalidade principal analisar o modo como o sistema político do coronelismo atuou em Pentecoste através da família Gomes da Silva, base dos chefes da política local no período e da oposição liderada por Itamar Nunes. O desejo de pesquisar este tema veio da carência historiográfica a ele referente e da consciência da necessidade de que essa história deve ser contada para que as gerações futuras conheçam as raízes históricas de sua identidade social. Dentro da necessidade de fundamentação teórica alguns autores foram de suma importância. Dentre eles: MACEDO (1990), LEMENHE (1996), LEAL (1975), SILVA (1998) e SOUSA (2007). A pesquisa foi desenvolvida dentro de uma perspectiva qualitativa, tendo como metodologia escolhida o estudo de caso e como instrumento de coleta de dados, a entrevista e uma analise cuidadosa de seus resultados, para que os produto final possa se traduzir em um trabalho que sirva de referência confiável para consultas futuras acerca da recente história política do município de Pentecoste. Palavras–chave: Política. Tradição. Liderança. Coronelismo.

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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO ......................................................................................................... 09 A HISTÓRIA POLÍTICA DE PENTECOSTE DURANTE O CORONELISMO .......... 10 1 O CORONELISMO COMO PRÁTICA POLÍTICA .................................................. 10 1.1 O CORONELISMO NO CEARÁ ......................................................................... 13 2 JOSÉ GOMES DA SILVA: ORIGENS E TRAJETÓRIA – UMA HISTÓRIA .......... 16 2.1 BREVE BIOGRAFIA PESSOAL ......................................................................... 18 2.2 TRAJETÓRIA POLÍTICA .................................................................................... 20 2.3 O DEPUTADO ESTADUAL ................................................................................ 25 2.4 O ADEUS A JOSÉ GOMES ............................................................................... 29 3 ITAMAR NUNES: A OUTRA HISTÓRIA ............................................................... 30 3.1 CONCLUSÕES TARDIAS .................................................................................. 33 CONSIDERAÇÕES FINAIS ..................................................................................... 34 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................... 35 ANEXOS ................................................................................................................... 37 LISTA DE ENTREVISTADOS .................................................................................. 37 GENEALOGIAS ........................................................................................................ 38 LISTA DOS PREFEITOS DE PENTECOSTE .......................................................... 41 APÊNDICE ............................................................................................................... 41 PRONUNCIAMENTOS DOS GOMES DA SILVA EM SETEMBRO DE 1980 .......... 42 GALERIA DE FOTOS: OS PARAÍBAS .................................................................... 44 OS NUNES ............................................................................................................... 48

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INTRODUÇÃO

No decorrer das últimas décadas a História de Pentecoste vem esquecendo quem foram os personagens que a construíram; de onde vem o nome de nossas, ruas, escolas, praças e prédios públicos e o que essas pessoas fizeram para merecer ter seus nomes em nossos pavilhões. Essas foram as razões que inspiraram a escolha do tema, além de contar um pouco dessa História de maneira clara, consciente e desapaixonada. Essa pesquisa parte da explicação do que foi esse sistema político conhecido como coronelismo. Como surgiu, quais suas principais características e como operava dentro do contexto eleitoral dos pais, do nordeste, do Ceará e, finalmente, do município de Pentecoste. No decorrer de seu desenvolvimento, mostra as raízes da mais importante e influente família do período, os Rocha-Motta, matrizes dos Gomes da Silva ou Paraíbas, como ficaram mais conhecidos na região, desde sua chegada ao ceará, as primeiras participações políticas e o crescimento de seu prestígio, contextualizando os principais momentos dessa influência, suas realizações e os resultados de sua passagem pela História da cidade. Finaliza, abordando a participação da família Nunes no movimento de oposição política a essa família e a esse sistema e seu papel na queda do coronelismo na região. Sem deixar de mencionar a enorme comoção causada nos dois principais momentos dessa História e o conseqüente desenrolar dos acontecimentos após o assassinato de Itamar Nunes e o falecimento de José Gomes, dois momentos que mudaram totalmente o rumo da História do município de Pentecoste.

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A HISTÓRIA POLÍTICA DE PENTECOSTE DURANTE O CORONELISMO 1 O CORONELISMO COMO PRÁTICA POLÍTICA O coronelismo surgiu em território brasileiro no período colonial, tornou-se realidade no Império e consolidou-se após a proclamação da república. De acordo com MACEDO (1990) os coronéis eram os homens fortes e de prestígio em suas comunidades, nelas formando suas oligarquias municipais, cuja característica mais marcante era exercer suas práticas de dominação, que tinha na capangagem o principal meio para manter seus domínios, uma vez que, não houve, no nordeste do Brasil, nenhuma lei capaz de extinguir essa prática. O coronelismo é um compromisso, uma troca de favores, e o principal fator que confere grande poder ao coronel é o fato de que ele é possui votos e terras.
Qualquer que seja, entretanto, o chefe municipal, o elemento primário desse tipo de liderança é o coronel, que comanda discricionariamente um lote considerável de votos de cabresto. A força eleitoral empresta-lhe prestigio político, natural coroamento de sua privilegiada situação econômica e social de dono de terras. LEAL. 1975, p. 181.

Além do voto de cabresto, principal fator de dominação no período do coronelismo, deve-se ao coronel outras práticas ilícitas como as eleições a bico de pena, o sufrágio dos defuntos e muitos outros vícios e trapaças que costumavam ocorrer em território nacional. Práticas apoiadas no poder econômico e no sistema latifundiário. De acordo com VILAÇA (1965) o coronel assegurava os votos a outros candidatos sem muitos contatos destes com os eleitores, que votavam simplesmente por serem, eles, “candidatos do coronel”. Dividindo, ele mesmo, a votação. O domínio do coronel sobre o seu "colégio eleitoral", na fase áurea de seu poder político é absoluto. Ele escolhe entre amigos e parentes os candidatos a postos municipais, eletivos ou não: prefeito, vereador, juiz, delegado. Por vezes indica candidatos seus a deputado estadual e federal, ou se candidata ele próprio. Quando ouve os chefes do partido, não deixa de fazer pedidos ou exigências. Porém, o exercício de sucessivas eleições vai valorizando, para o eleitor, o voto. Ele começa a descobrir o poder de barganha que possui. A repetição do processo eleitoral acaba por sujeitar o patriarcalismo político do coronel doador de

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votos e algumas mudanças começam a acontecer. O voto que costumava ser confiado ao coronel como se fosse algo sem grande importância, começa a ter seu valor vagamente percebido. O voto, que começa como favor; de favor se torna objeto de negócios. E o que antes era doado pelo eleitor e trocado pelo coronel com os políticos de seu partido, por prestígio, empregos, até por secretarias de estado, passa a ter seu preço. Se o voto do coronel era antes lhe era gratuito, agora também é mercadoria que lhe é vendida em troca de favores, roupa, sapatos,

empregos. O voto cedido, ao qual se acostumara o coronel, agora passava a ser vendido e trocado, e o chefe vê abrirem-se os seus currais eleitorais. E as eleições,
nos municípios do coronel, começam a ser "dispendiosas".
O voto-de-cabresto passa, então, a voto-mercadoria. Votos são trocados por vestido, palito, chapéu ou sandália ou pelo pirão do dia das eleições. Em fase mais recente, voto vale dinheiro. Origina-se, então, todo um complexo mecanismo de mercado, em torno da mercadoria-voto, de que não se ausenta enorme especulação que lhe determina o preço. VILAÇA; 1965, p. 40.

Entretanto, o voto mercadoria acaba favorecendo o declínio político do coronel que acaba tendo sua figura aliada à do chefe político. Na verdade, todo chefe político do interior, na atualidade, ainda conserva muito dos métodos, atitudes e outras características tipicamente coronelísticas. Porém, engana-se quem pensa que o fenômeno do coronelismo tinha apenas um modelo vigente. De acordo com MOTA (1958, apud MACEDO, 1990) havia vários tipos de coronéis. Uns eram simplesmente patriarcais, enchendo os alpendres e as casas de compadres, comadres, afilhados e filhos. Outros, com domínios quase tirânicos nos municípios, comandando-lhes os destinos através da dependência econômica dos habitantes: os trabalhadores de campo e os empregados públicos na cidade. Dentro desse contexto, VILAÇA (1965) nos mostra que a influência do coronel ultrapassa os limites de suas fazendas e dos seus moradores, indo, mesmo, além das fazendas vizinhas, as vilas e cidades próximas. Assim, o coronel, em decorrência de seus poderes e domínios, torna-se, aos poucos, senhor, inclusive, das vilas, povoados e municípios, numa relação patriarcal, que muito se assemelha aos feudos medievais. Essa relação patriarcal de poder chega a ser natural, em alguns casos, e o apadrinhamento, muitas vezes não é uma ação consciente, é tido como uma espécie de ordem natural das coisas. A área de influência do coronel,

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muitas vezes, é tão vasta que alcança os serviços da justiça, da burocracia estatal, da medicina e até da igreja, que ele usa em seu próprio benefício, conseguindo, assim, criar um verdadeiro império. No período de mando do coronel, ele é chefe, juiz, delegado. E, embora, aos poucos, o Estado atenue esse poder, é o coronel quem decide sobre homens e coisas. Suas vontades são sentenças. Pois ele também detém certa troca de favores com o poder estatal, e continua a exercer seu poder através de juizes e delegados que indica aos governos e que remove, quando lhe desagradam. Nesse cenário, o coronel, como chefe do sistema social deve ser homem macho. Seu machismo e valentia são famosos e suas façanhas crescem em mitos e se espalham por toda a região.
O coronel é, definitivamente, o cabra-macho: macho para com as fêmeas, mulheres suas – muitas vezes mais de uma ao mesmo tempo – que lhe deixam prole de filhos tanto legítima como ilegítima; macho também pela brabeza: brabeza de matar, mandar matar, dar surras; valentia para desafiar cangaceiros, ou mesmo a polícia. Dessa fama de cabra-macho muitos deles se vangloriam. VILAÇA. 1965, p. 36.

Na competição política com as facções rivais, muitas vezes, havia o uso da violência que coexistia com as relações de interesse, lealdade e gratidão na disputa pelo voto e pelo eleitor. Além disso, o coronel, muitas vezes dotado de grande inteligência e sagacidade, com a sensibilidade social desenvolvida e com horizontes mais amplos, resolve questões de terras, disputas de dinheiro, casos de família. Dentro do contexto de sua política o clientelismo é a principal característica, na medida em que o eleitor, o cliente, é submisso ao coronel, numa clara relação de troca. Oferece seu apoio político, em troca de proteção, na maioria das vezes. Muitas vezes, porém, o que recebe em troca desse apoio é o assistencialismo, que faz com que suas ações se repitam de boca em boca e alastrem a fama de sua bondade. Essa fama, juntamente com a de sua valentia, tornam a figura do coronel quase mitológica. Afora o assistencialismo, deve-se destacar o papel do coronel na organização das eleições, que geralmente eram custeadas por ele.

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1.1 O CORONELISMO NO CEARÁ No Ceará, o coronelismo teve dois momentos de maior destaque. O primeiro durante a República Velha, entre os anos de 1896 e 1912. Período conhecido como Oligarquia Accioly. O segundo, por volta dos anos 1970, com os coronéis Virgílio Távora, Adauto Bezerra e César Cals. De acordo com PARENTE (2007; In SOUZA, 2007), entre esse período ocorreu uma fragilidade estrutural e as elites políticas não conseguiam formar oligarquias fortes. A consequencia desse fenômeno é que, a cada eleição, o governo não conseguia eleger seu sucessor. Assim, o clientelismo acaba tornando-se mais forte que o coronelismo. A fidelidade circunstancial está na capacidade de distribuir recursos em momentos específicos. Esse quadro durou até as eleições de 1962, que consolidou duas lideranças estaduais muito representativas: Virgílio Távora e Carlos Jereissati. Assim, tinha inicio a formação do quadro partidário cearense.
O processo de afirmação e fortalecimento das lideranças de Carlos Jereissati e Virgílio Távora é, portanto, articulado nacionalmente como consequencia do projeto de modernização conservadora das elites brasileiras, um desdobramento da ideologia nacional desenvolvimentista. PARENTE. 2007, p.395-6.

Nesse período o Estado do Ceará possuía dois tipos de eleitores: o tradicional, com seu voto de cabresto, e o moderno, que fazia parte de uma nova tendência que começava a tomar corpo no estado e que, contra todas as expectativas votava com independência e consciência, conforme afirma, em editorial publicado no Jornal do Povo, Jáder de Carvalho.
Entre os votantes sertanejos, não existe apenas o homem de cabresto; há também os que apesar da pressão do coronel e do vigário desfrutam certa liberdade de ação e de pensamento. O farmacêutico, os negociantes, os empregados no comércio, os artesãos, todo esse povo escuta as rádios, lê os jornais, conversa com viajantes e motoristas, que lhes dão notícias do País e do mundo. Enquanto o eleitor de cabresto, já negociado pelo chefe local, ignora a chapa que vai sufragar, o da vila, e da pequena cidade troca idéias antes de votar, discute qualidades dos candidatos e dos partidos, tomando posição aberta.

Tais mudanças na mentalidade do eleitor cearense, não passaram despercebidas de Virgilio Távora, que tomava medidas visando fortalecer sua posição no contexto político estadual e consolidar sua posição ante o eleitor consciente. Durante o movimento político militar de 1964 a liderança de Virgílio se

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fortaleceu, quando os três coronéis resolveram dividir forças, buscando adaptar-se à estrutura partidária cearense. Esse movimento extinguiu os partidos e instituiu eleições indiretas para presidente, governador e prefeito das capitais. Entretanto, o que era, aparentemente, um entrave, acabou fortalecendo a liderança de Virgílio Távora. Mesmo assim, por falta de coesão em seu grupo político, Távora não fez seu sucessor. A indicação de César Cals ao cargo de governador levou homogeneidade entre os três coronéis, César Cals, Adauto Bezerra e Virgílio Távora, devido ao fato de todos possuírem patente do exército. Essa homogeneidade foi o que possibilitou a formação do “acordo dos coronéis”.
Virgílio Távora, político hábil, engendrou um acordo com Adauto Bezerra, que já liderava um grupo de deputados e com o candidato do sistema, César Cals, formando a política dos coronéis. [...] Essa política tinha duas táticas; união na cúpula e divisão nas bases. Com isso não sobrava espaço para o surgimento de novas lideranças MOTA. 1985, p. 178.

A sucessão de César Cals foi tranqüila graças ao acordo dos coronéis. Era a vez de Adauto Bezerra, cuja liderança não advinha da propriedade de terras, mas se utilizava do clientelismo.
Nesse sentido, pode-se dizer que o poder se reveste de uma dupla face: uma moderna, no que diz respeito às relações com o capital industrial e financeiro e uma tradicional no que se refere às práticas políticas e às construções simbólicas. LEMENHE. 1986, p. 117.

Porém o que funcionava bem durante a vigência do acordo dos coronéis, começou a entrar em crise devido à falta de fidelidade das bases, sinalizando que o acordo só se manteria em tempos de eleições indiretas, com a força dos militares no poder. A fragilidade do acordo não suportaria o peso da abertura democrática, processo que já havia se iniciado e que se consolidava com o aparecimento da televisão como instrumento de convencimento, abalando o clientelismo. Se essa fragilidade já era visível na sucessão de Adauto Bezerra por Virgílio Távora, tornouse dramática na sucessão de Virgílio, pois as eleições seriam diretas e colocariam o acordo em xeque. Para sobreviver à transição, os coronéis forjaram outro acordo, conhecido como “Acordo de Brasília”, por ter a intervenção do então presidente da república

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João Baptista Figueiredo. Assim, Virgílio Távora indicaria o governador, no caso, um técnico do Banco de Nordeste e professor da Universidade Federal do Ceará, Luiz Gonzaga Mota, Adauto Bezerra indicaria o vice, que acabou sendo ele mesmo, e César Cals indicaria o prefeito de Fortaleza. Esse acordo acabou funcionando e criou uma aura de aparente invencibilidade em torno dos coronéis, pois conseguiram vencer as eleições para o governo do estado com Gonzaga Mota.
A introdução do multipartidarismo e a eleição direta para governador e prefeitos da capital não encontram estrutura na política eminentemente clientelista para sustentar a liderança dos “coronéis” cearenses. O “acordo de Brasília”, que coloca em cena o economista Gonzaga Mota, é sintomático dessa realidade e desta característica das elites cearenses. PARENTE. 2007, p.408.

Pouco tempo após assumir o governo do estado Gonzaga Mota rompeu seu acordo com os coronéis. Esse rompimento representou uma surpresa no meio político, pois não havia quem acreditasse que Mota fosse capaz de tomar uma atitude autônoma, acreditavam que fosse apenas o “totozinho” dos coronéis, como fora apelidado por alguns oposicionistas, devido à suposta obediência cega que teria com seus padrinhos políticos. Na época da sucessão ao governo do estado Gonzaga Mota lançou a candidatura de Tasso Jereissati que foi eleito em 1986, ironicamente, com a plataforma de combater os “coronéis” e superar, definitivamente, a política clientelista no estado. Desta forma finalizou, melancolicamente, mais um ciclo de lideranças no Ceará. Em 1988, faleceu Virgílio Távora, sem deixar um herdeiro político, três anos depois faleceu, também, César Cals. Enfraquecido, o único remanescente, coronel Adauto Bezerra abandonou a política, porém, ainda hoje tem grande prestígio nos bastidores dos movimentos eleitorais.
A passagem do conservadorismo para a modernidade foi um jogo pesado e as elites tradicionais não estavam preparadas para uma política numa sociedade de massa. O contraditório desse processo é que os coronéis prepararam o cenário da modernidade, mas não eram os atores principais da cena política. PARENTE. 2007, p.407.

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2 JOSÉ GOMES DA SILVA: ORIGENS E TRAJETÓRIA – UMA HISTÓRIA José Gomes de Silva é descendente de uma das mais tradicionais famílias políticas da Região: os Rocha Motta. De acordo com SILVA (1998) OS Rocha Motta do Ceará aqui chegaram em meados do século XVIII, vindos de Pernambuco, na época em que este concedeu a autonomia através da criação da Vila do Ceará, em 1799. José da Rocha Motta, o patriarca do ramo cearense, constituiu uma grande descendência distribuída pela região metropolitana de Fortaleza, Vale do Curu, Soure ou Caucaia, Ibiapaba e Inhamuns. A família Rocha Motta já possuía, desde Pernambuco, privilégios materiais, prestígio e poder. Pois, ainda na primeira metade do século XVIII já eram ligados à administração da Capitania. Com o decorrer dos anos foi ocorrendo uma gradativa interiorização dos descendentes da família, que foram se fixando, principalmente, ao longo dos rios Ceará e Cauípe. Através de carta genealógica anexa, podemos estabelecer a ligação familiar Rocha Motta/Gomes da Silva ou Paraíbas (Prahybas), alvos principais deste estudo. Patriarca do clã praíba, José Ferreira da Silva, o Cazuza, era bisneto de José da Rocha Motta e fixou residência no sítio Prahyba, localizado às margens do rio Cauípe, no município de Caucaia, onde desenvolvia várias atividades e tinha grande influência política. O sítio Prahyba, que serviu de nome ao clã dos Gomes da Silva, transformou-se, posteriormente, na língua do povo em Paraíba.
Cazuza estabeleceu-se inicialmente no sítio Prahyba. [...] Serve esta localidade de denominação ou codinome aos herdeiros e descendentes. Assim é que ao referirem-se aos Ferreira da Silva/Rocha Mota, as pessoas identificam-nos, como ainda hoje o fazem, aos praíbas. SILVA, 1998, p. 51.

Cazuza casou-se com Maria Magdalena de Jesus. Dessa união nasceram oito filhos, um deles, Joaquim da Motta e Silva, apelidado Jaca Paraíba, foi um dos políticos de maior destaque no período e seria, mais tarde, o pai de José Gomes da Silva. O coronel Jaca, como também era conhecido, consolidou seu prestígio através de suas características individuais, pois era tido como homem de palavra.

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O Coronel Jaca construiu uma das maiores, senão a maior liderança política distrital que se tem notícia no Ceará. [...] Homem que construiu uma sólida e duradoura liderança, mais pela aplicação de qualidades pessoais e uso de uma personalidade forte, do que por avantajado poder econômico. SILVA, 1998, p. 69-70.

Diversas perseguições políticas movidas por parte do governador Acciolly e seus seguidores constituíram um dos motivos que fizeram com que os praíbas abandonassem a região de Caucaia e viessem se estabelecer no Vale do Curu, mais precisamente na fazenda Bom Futuro, no município de Uruburetama. Porém, o principal estopim dessa mudança foi a disputa política que ocasionou a morte do deputado Antonio José Corrêa, o coronel Corrêa, no qual Jaca Paraíba esteve envolvido. Em conseqüência, a família passou a exercer uma forte influência nos municípios de Uruburetama, Itapajé, Pentecoste e São Gonçalo do Amarante. Aos poucos essa área de influência se estendeu pelos de Paramoti, General Sampaio, Apuiarés, São Luis do Curu, Tejussuoca, Umirim, Paracuru, Paraipaba e Trairi, atingindo um total de 13 bases eleitorais.
De certa forma foi positiva, do ponto de vista político, a debandada daqueles ROCHA MOTTA, de Caucaia para as ribeiras do Curu. Lá, livres de uma maior pressão dos governos adversos puderam, ajudados por outras linhas parentais e munidos de apreciável adesão popular, reabilitarem seu prestígio e promoverem o resgate das posições comumente assumidas, desde os mais recuados tempos. O Vale serviria de mola de propulsão para a conquista do poder em nível mais elevado. SILVA, 1998, p. 108-109.

O primeiro dos filhos do coronel Jaca a ingressar na política, herdeiro de já considerável prestígio político-eleitoral, foi Raimundo Gomes da Silva ou Doutor Oliveira, como ficou conhecido posteriormente. Gomes da Silva candidatou-se a prefeito de Pentecoste contra o jovem e inexperiente José Firmo de Aguiar, em 1947. As eleições foram, notadamente, fraudadas, conforme era costume na época, e Firmo venceu. Em 1950, porém, Gomes da Silva foi eleito deputado estadual e sua influência, juntamente com a de seu irmão José Gomes, alavancou a eleição do prefeito Raimundo Augusto da Silva, em Pentecoste. Essa campanha, segundo diversos depoimentos, foi o que motivou vindas mais amiúdes de José Gomes da Silva a essa cidade, onde se estabeleceu, em definitivo, no ano de 1957, quando assumiu o cargo de coletor federal no município.

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2.1 BREVE BIOGRAFIA PESSOAL José Gomes da Silva nasceu na fazenda Bom Futuro, em Uruburetama, a 26 de dezembro de 1931. Era o segundo filho do casal Joaquim da Mota e Silva e Joana Gomes da Silva. Sua primeira união conjugal foi com Raimunda da Penha Alencar, a Pretinha, como é conhecida da região, com quem teve três filhos, porém, não chegou a contrair matrimônio com ela. Essa relação começou em meados de 1951, quando os dois moravam em fazendas vizinhas, ainda em Uruburetama, e durou até o fim de sua vida. No ano de 1957 assumiu o cargo de coletor federal na recém criada Coletoria Federal de Pentecoste. Nessa época, já era profundamente ligado à política local realizando grandes reuniões em sua residência. De acordo com ALENCAR (2010) todas as semanas havia reuniões políticas em sua residência. A essas reuniões compareciam, sempre, muitas autoridades do cenário político municipal e estadual. Por ocasião da inauguração do Açude Engenheiro Pereira de Miranda José Gomes da Silva teve, juntamente com outras autoridades locais, incluindo seu irmão, então Deputado Estadual, uma reunião com o presidente Juscelino Kubitschek que o nomeou no cargo de coletor federal, cargo atualmente denominado auditor fiscal. Por volta de 1958 começou o relacionamento conjugal com Maria Aurilêda Pessoa Silva com quem teve nove filhos. Contraíram matrimônio civil em 1975. José Gomes da Silva teve, no decorrer de sua vida, 17 filhos em cinco relacionamentos. O nome de todos pode ser encontrado em anexo. De acordo com ALENCAR (2010) o ano de 1958 foi particularmente violento na política local. Muitos pistoleiros e cangaceiros andavam pela cidade. Alguns pistoleiros chegaram, inclusive, a ir à sua residência, tarde da noite, procurar por José Gomes. O medo e nervosismo resultantes desse encontro teriam provocado o aborto daquele que seria o primeiro filho do casal. No dia 17 de fevereiro de 1981, apresentava fortes dores de cabeça desde as cinco horas da tarde. Ao chegar a casa, de uma viagem a erva moura, teria dito: “o miolo da minha cabeça parece que tá solto, de tanta dor de cabeça”. (sic) Ficaram na calçada ouvindo Nélson Gonçalves numa radiola. Mais tarde, queixou-se que nunca antes havia tido uma dor de cabeça tão forte. Ela sugeriu que ele fosse ao

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médico, porém ele recusou-se. Recorda que, mesmo sentido dor, eles dançaram juntos, um bolero de Nélson Gonçalves. Um pouco mais tarde ele teria dito que estava sentindo tontura e gosto de sangue na boca, novamente ela sugeriu chamar o médico, mas ele disse que não, que logo melhoraria.
Ele levantou-se, lavou a cabeça, o rosto. Eu fui dar a toalha, ele disse: “não, vou deixar molhado pra aliviar, pra ver se esfria minha cabeça, que tá uma quentura horrível na minha cabeça”. [...] Ele ficou sentado numa cadeira e eu disse: “Zé, deixa ir chamar o Antonio Carneiro, deixa eu ir”. Ele disse: “Vá, mas vá correndo e volte logo”. (sic)

Quando Antonio Carneiro, que era seu homem de confiança, chegou, o encontrou quase desmaiado. Ele tentou falar, mas não conseguiu se fazer entender. Levaram-no para o hospital, em Pentecoste. Como o médico não estava foram procurá-lo. Ele foi atendido pelo Doutor Ilo Wilson. Sua pressão estava 26x16. O médico colocou um soro e aplicou uma injeção. Mandou que o levassem ao Hospital São Raimundo, em Fortaleza, pois ali nada poderia ser feito. Nesse momento, numa última reação, ele teria dito ao médico: “Doutor, diga ao compadre Oliveira que cuide dos meus filhos”. Ao chegar ao hospital em Fortaleza, já de madrugada, José Gomes deu entrada sem sentidos. Os médicos constataram que ele havia sido vítima de um Acidente Vascular Cerebral, AVC. Não chegou a recobrar a consciência até seu falecimento. Segundo Aurilêda Silva, na manhã seguinte Antonio Carneiro foi a sua casa, em Fortaleza, avisar do acontecido. Imediatamente, ela foi até o hospital. O médico que o havia atendido, Doutor Pontes Neto, amigo da família, veio ao seu encontro e disse: “Aurilêda, seja forte. Eu não vejo onde a medicina vá buscar meios para salvar o Zé Gomes”. Após alguns dias na Unidade de Terapia Intensiva foi constatada a morte cerebral no dia 24 de fevereiro. Seu falecimento causou uma comoção jamais vista na região, até então. Esse assunto será abordado de maneira mais abrangente posteriormente. Para sua família e amigos mais próximos, porém, foi um grande sofrimento, pois, além de ninguém esperar que ele viesse a falecer com apenas 49 anos de idade, alguns de seus filhos eram muito apegados a ele que era, realmente, um pai dedicado e presente, a despeito de sua intensa atividade política.

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2.2 TRAJETÓRIA POLÍTICA Herdeiro de uma incontestável veia política José Gomes começou sua carreira política trabalhando com seu irmão Raimundo Gomes da Silva. Na eleição de 1950, na qual se elegeram: seu irmão para Deputado Estadual e Raimundo Augusto para prefeito de Pentecoste, já tinha um grande prestígio na região. De acordo com BARROSO (2010) em 1959, quando começou a trabalhar para ele na moagem, venda e distribuição de café, seu prestígio já estava plenamente consolidado como chefe político da região, através de seu apoio e trabalho na política estadual.
Quando eu fui trabalhar com ele, ele já trabalhava na política pro irmão, ai, nos negócio da política era ele que resolvia tudo pro irmão, era político mesmo, nesse tempo era nos tempos dos coronel e ele mandava, ele era o chefe aqui da região, tudo que acontecia as pessoa vinha resolver com ele [...]. Aí ele chamava a pessoa e resolvia na conversa, que ele era respeitado mesmo. Ele ajeitava tudo, aí ficou mandando. Ele mandava mesmo na cidade. Qualquer problema era com ele, ele que resolvia tudo. (sic)

Pessoas vindas de todas as regiões o procuravam para resolver os mais diversos problemas desde disputa de terras até casos pessoais, como o caso de um homem que o procurou para saber se sua esposa o estava traindo. De acordo com ALENCAR (2010), Nessa época, por volta do ano de 1959, a política era muito violenta. O principal adversário político dos Gomes da Silva era Aderlou Pinheiro. Certo dia, por ocasião de uma qualificação no distrito de Sebastião de Abreu ou Serrota, houve uma troca de tiros aonde veio a falecer um dos correligionários de Aderlou e saíram feridos dois aliados dos Gomes da Silva. Nessa ocasião, também estava presente Jorge Guimarães, que já tinha uma antiga richa com Aderlou. Após o tiroteio, Jorge jurou-o de morte. Pouco tempo depois Dona Raimunda Alencar, a Pretinha, ouviu de Dona Dalva, esposa de um senhor chamado Irismar, que desconhecia sua ligação com José Gomes, que Aderlou teria dito que pagava 20 mil réis para quem matasse José Gomes e Antonio Carneiro. Ela teria avisado a José Gomes do ocorrido. Passados alguns dias ela foi com José Gomes e Antonio Carneiro até a casa do delegado civil Mansueto Marinho onde ela iria preparar um peixe para o jantar. Nessa época a iluminação elétrica da cidade era precária e só funcionava até as 22 horas. Um

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senhor chamado José Damário teria dito a Aderlou onde seus dois inimigos estariam que mandou alguns homens dizendo: “pode acabar com todos dois”. Os homens ficaram aguardando de tocaia perto da casa. Ao fim do jantar todos vinham saindo, quando José Gomes lembrou de pegar uma lamparina emprestada para quando chegasse à sua casa, pois as luzes já se haviam apagado, voltou com Pretinha para pegá-la, assim Antonio Carneiro saía na frente ao invés de José Gomes e foi quem levou os balaços. Ao ouvir os tiros todos se jogaram no chão. Os atiradores escaparam, posteriormente descobriram que o autor do tiro foi um soldado apelidado de “Galego” que, devido a sua ligação com Aderlou e o governo do estado foi apenas transferido de Pentecoste, não chegando a ser preso nem a perder o emprego. Felizmente, Antonio Carneiro conseguiu sobreviver, embora tenha sido operado com graves perfurações na região do abdome. Após esse incidente os ânimos se acirraram ainda mais. Virgílio Távora, então governador do Estado e do mesmo partido de Aderlou, tinha certa amizade com os Gomes da Silva. Ao saber do acontecido, e levando em conta a ameaça de Jorge Guimarães de matar Aderlou, fez um acordo com ele para que fosse embora de Pentecoste. Ele aceitou, entretanto, pouco tempo depois voltou. Ao saber disso Jorge teria dito: “Ouvi dizer que aquele cabra sem vergonha tá lá no cartório, tá lá na coletoria passando uma escritura, ele não te passando escritura, ele veio me chatear, mas eu tô disposto, ou eu ou ele”. (sic) Ao que tudo indica Aderlou realmente teria vindo com intenções duvidosas porque trouxe consigo um sujeito armado com um rifle. No tiroteio que se seguiu, saíram baleados Moisés Pedro, aliado dos Gomes da Silva e Aderlou, que veio a falecer num hospital em Fortaleza de uma complicação pós-operatória. Outro episódio que, embora não tenha conotações políticas diretas, merece destaque pelo fato de ilustrar o estado de violência da sociedade da época, é o que se refere a um dos homens de confiança e grande amigo de José Gomes, Antonio Braga, que era conhecido na região por sua valentia. Esse senhor tinha uma irmã que, mesmo sendo casada, passou a ter sentimentos em relação a outro rapaz, que era noivo. Ela mandava muitos bilhetes, posteriormente encontrados pela polícia, para o rapaz que não a correspondia. Entre outras coisas ele lhe dizia que não simpatizava com ela e que seu irmão era muito perigoso. Antonio Braga, ao saber do caso, resolveu agir da maneira que sabia, com violência. A pretexto de contratar

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o rapaz para um trabalho foi até sua casa e saiu em sua companhia. Adiante, encontrou seus capangas, rendeu o rapaz, amarrou-o e castrou-o. Esse crime repercutiu em todo o território brasileiro, chegando a ser noticiado em telejornais influentes no cenário nacional. Antonio Braga chegou a ser preso e torturado na prisão, pois a natureza do crime revoltou a todos. Porém, devido ao fato de ser homem de posses ficou pouco tempo preso. José Gomes, embora sendo contra o que ele fizera chegou a ir visitá-lo na prisão. Sobre o crime, teria dito: “tai uma coisa que, para mim, não é homem o homem que faz uma coisa dessas, ele pensa que é coragem, é não, é perversidade!” Antonio Braga, que depois desse acontecimento recebeu o apelido de “capador”, morreu alguns anos depois de câncer nos testículos, muitos acreditam que foi uma “divina justiça poética”. Assim, a política prosseguia violenta em ambos os lados. A família de José Gomes sofria várias ameaças por telefone. Em decorrência disso ele sempre andava armado, como era comum, na época. Praticamente todos os que estavam envolvidos em assuntos políticos, além de andarem armados, contavam com homens para defendê-los no caso de possível ataque. Em relação à política municipal, todos os prefeitos de Pentecoste após Raimundo Augusto foram indicados por ele. De acordo com SOUSA (2010) quando ele indicava um candidato a prefeito todos votavam devido ao grande respeito que tinham por ele. Naquele tempo as pessoas votavam por fidelidade. Votavam em quem ele pedia porque todos o respeitavam. Nos distritos, a figura do líder local, o dono das terras, era muito importante na conquista dos votos.
Eu viajava com ele durante as campanhas políticas dele. No interior ele chegava na casa do cidadão, e conversava, dizia: “esse ano eu quero que vote em tal pessoa” e todo mundo votava. Que naquele tempo, a pessoa tinha um terreno e tinha dez morador, por exemplo, tinha dez morador, chamava os morador e dizia: “esse ano é pra votar em Fulano de Tal”. Todos dez votava, eles e a família toda. (sic) BARROSO, 2010.

Na época, as campanhas políticas eram mais difíceis, haviam poucos comícios, pois eram grandes os problemas com as estradas, a iluminação era precária e a própria locomoção das pessoas era difícil. A campanha política acontecia, em sua grande maioria, na casa das pessoas.

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A campanha era mais de casa em casa, mas tinha comício também, mas não como agora, numa política todinha, tinha um comício lá na Providência, ia todo mundo, passava outra semana, tinha um comício noutro canto. Era assim uns quatro ou cinco comício e pronto, encerrava. Agora não que é todo dia. (sic) BARROSO, 2010.

José Gomes da Silva também foi o responsável pelo ingresso na política de dois de seus irmãos, um deles, Joaquim da Mota Filho, o Quinca Mota, foi prefeito de Pentecoste de 1959 a 1962. No final deste mandato, no ano de 1962, José Gomes resolveu sair dos bastidores e foi candidato a vice-prefeito na chapa de Júlio Dias. Eleição disputada contra Francisco Solon Sales, uma figura extremamente querida na região. De acordo com vários depoimentos, Solon teria ganhado a eleição, porém algumas urnas teriam sido adulteradas mudando os rumos do pleito. Júlio Dias assumiu a prefeitura, porém, após dois anos de mandato, foi cassado, devido a desvios de verba, porém, José Gomes não quis assumir a vaga. Quem assumiu foi Osmar Feijó de Melo, então presidente da câmara dos vereadores. Sobre as realizações do governo de Quinca Mota não foi possível encontrar registro na história do município. O outro, João Gomes da Silva, o João Paraíba, foi prefeito por dois mandatos, o primeiro de 1967 a 1971, onde consolidou seu trabalho sendo considerado um dos prefeitos mais queridos da cidade. Nesse mandato, de acordo com SILVA e MAMEDE (2010), apesar das poucas verbas disponíveis, foram construídos o mercado municipal, a atual cadeia pública, a Escola do distrito Sebastião de Abreu, que recebeu o nome de sua esposa Raimunda Nonata da Silva, asfaltou a avenida central da cidade. Uma de sua principais preocupações era com a educação e a formação de professores. Em seu segundo mandato, iniciado em 1983 construiu a Escola de Vila Nova, saneou o hospital municipal, que se encontrava em vias de fechar as portas e construiu a Escola de segundo Grau Padre Antonio Moreira Filho, onde atualmente funciona o Centro João Gomes da Silva Vocacional Tecnológico, CVT, chegando a fazer empréstimos pessoais para concluir esses dois trabalhos, a educação também foi priorizada neste segundo mandato. Infelizmente, não chegou ao término deste governo, pois em 10 de agosto de 1985, faleceu, vítima de um ataque cardíaco. Sua influência ajudou a eleger seu filho para o mandato de prefeito de 1993 a 1996.

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Em meados de 1971 um jovem chamado Itamar Nunes, sobrinho de Aderlou Pinheiro, iniciou um movimento de oposição aos Gomes da Silva, era um movimento pequeno, mas que causou alguns percalços. Em 1972, José Gomes foi eleito prefeito de Pentecoste. Entre suas realizações neste mandato destacam-se o asfaltamento da estrada de Pentecoste a Croatá; a construção do Centro Comunitário e Social, posteriormente chamado de centro Social Urbano, CSU; a Praça Francisco Senhor Alves; o Fórum Eurico Monteiro, atualmente desativado devido ao fato de ter se tornado pequeno para o tamanho da cidade; a estrada para Pentecoste que corta o açude Itamaraty; a Escola José de Anchieta e Silva, na Ombreira; o sangradouro do açude Pereira de Miranda e, de acordo com Aurilêda Silva, o hospital de Pentecoste, cujo primeiro administrador teria sido o Doutor Aluísio, responsável pela vinda de Acadêmicos de Medicina para estagiar e pela organização de toda a estrutura de funcionamento. Antes da construção do hospital só tinha um posto médico cujo atendimento era apenas uma vez por semana. Qualquer pessoa que ficasse doente nesse intervalo tinha que ser transportado para Caucaia ou Fortaleza no carro da família. Entretanto, nem tudo era perfeito. De acordo com BATISTA (2010), havia muita fraude nas eleições, os defuntos votavam, tinham mais votos do que eleitores inscritos, entre outras irregularidades. Através de denúncias de Itamar Nunes chegou a haver uma revisão eleitoral, através da qual várias irregularidades foram constatadas. Isso aborreceu José Gomes, pois, como também era de seu interesse, e como era o chefe político local foi quem custeou as despesas de viagem e alimentação dos que vieram recadastrar seu título. Da mesma forma, durante as disputas eleitorais, Itamar e seus correligionários faziam uma intensa fiscalização para que José Gomes não transportasse ou alimentasse os eleitores, pois isso caracterizaria compra de votos. Entretanto, de acordo com Aurilêda Silva, os eleitores não tinham condições de custear as próprias despesas para vir à cidade votar e havia sessão eleitoral em apenas dois distritos. Além disso, durante todo o tempo que esteve em Pentecoste, José Gomes nunca deixou de dar bolsas de estudo, principalmente para a formação de professores, material escolar, remédios e, mesmo a despeito das fiscalizações de Itamar, transporte e alimentação, às vezes fora da cidade para não ser descoberto, para os que precisavam, tanto em períodos eleitorais como fora deles. Esse era um dos motivos de seu prestígio na cidade e região.

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De acordo com SOUSA (2010) o prestígio de José Gomes atingia todos os municípios do vale do Curu, onde atuava e era muito querido. 2.3 O DEPUTADO ESTADUAL Eleito em 1978 com 19.200 votos, José Gomes assumiu, em 1979, a cadeira de Deputado Estadual e, nesse mesmo ano, assumiu a Presidência da Comissão de Orçamento e Finanças da Assembléia. Logo em seu primeiro pronunciamento, de acordo com os ANAIS da Assembléia Legislativa do Ceará, a ALEC, demonstrou sua preocupação do êxodo rural que assolava, não só o município de Pentecoste como também seus vizinhos, um problema que, ainda hoje, aflige as famílias sertanejas e não foi resolvido, nem devidamente debatido em busca de soluções.
Nesta oportunidade, queremos oferecer nossa opinião sobre o grave problema do esvaziamento do meio rural e do relacionamento entre proprietários e trabalhadores. [...] Ao nosso ver, o esvaziamento do meio rural é motivado pela carência de maiores recursos dos proprietários atingidos, os que se situam na área média. Este fator implica no deslocamento dos trabalhadores buscando centros urbanos à procura de melhores condições de sobrevivência. SILVA, 1979, p.59.

A seca, que tanto afligia o Ceará e, conseqüentemente, Pentecoste e adjacências na época, também era uma preocupação constante, sendo alvo de vários discursos e solicitações no sentido de que se desse aos agricultores e criadores “uma assistência humana, que evite a intensificação de seu flagelo”. De acordo com as ATAS da ALEC suas solicitações sempre visavam que não se desse “esmolas” ao povo e sim que se mantivesse ou ampliasse o perímetro irrigado pelo Departamento Nacional de Obras Contra as Secas, DNOCS, para que se pudesse produzir “alimentos básicos, como o milho, feijão, arroz e batata”. E que o DNOCS em conjunto com a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste, SUDENE, dessem condições para “fomentar a produção de alimentos básicos, em condições de suprir o mercado consumidor, favorecendo a própria economia doméstica de numerosas famílias”. Durante todo o período de seu mandato como Deputado a seca sempre foi uma de suas maiores preocupações. Apoiar o agricultor e criador nos tempos de estiagem era alvo constante de seus pronunciamentos e solicitações.

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O turismo também era uma das áreas de interesse de José Gomes, pois, já naquela época, via que o potencial turístico do município podia servir como fonte de renda para a carente população. Em agosto de 1980 se realizaria, no município, a segunda feira dos distritos. Um evento que estava sendo “assinalado no calendário turístico do nosso Estado”. Promovida pela administração do prefeito Bacharel Isaac Sombra Rodrigues, indicado ao cargo por José Gomes, a feira era um grandioso evento turístico ao qual compareciam muitos visitantes da capital e de outros municípios, além dos distritos de Pentecoste, que se faziam representar no evento. A feira contava com os desfiles para escolha da Miss e da Mini-miss de Pentecoste, barracas de artesanato e comidas típicas, apresentação de bandas, cantores e manifestações artísticas e diversas outras atrações, que tinham representes de cada um dos distritos de Pentecoste. A feira, realizada no Estádio Municipal, ficava lotada durante seus três dias de duração e tinha o apoio da Promoção Social de Pentecoste; da secretaria de Cultura do Estado; da Empresa Cearense de Turismo, a ENCETUR; DA Comissão Municipal do Movimento Brasileiro de Alfabetização, o MOBRAL; do centro Social Urbano Presidente Médici e do Serviço Social da Indústria, SESI, além do apoio da primeira dama do Estado Dona Luísa Távora. Na ocasião, José Gomes fez um discurso convidando a todos para o evento e classificou Pentecoste como uma cidade que “figura como um dos terminais do roteiro turístico de nosso Estado”. Cabe, aqui, um pequeno parêntese para falar algo sobre o governo de Isaac Sombra. De acordo com alguns depoimentos, foi um dos que mais deu destaque à cultura e ao esporte no município, promovendo a gincana municipal interescolar, que acontecia anualmente e era um evento muito concorrido. Promovia, também, torneios esportivos de futebol, voleibol e handebol, nas modalidades interclasses, interescolar e municipal. Quando deixou a prefeitura ao final de seu mandato, esses eventos, devido ao pouco apoio recebido de seu sucessor foram, aos poucos, deixando de ser promovidos e caíram no esquecimento das novas gerações. Por essa época, reta final do ano de 1980, começaram as articulações políticas para as próximas eleições municipais. De acordo com BATISTA (2010) Pela primeira vez, Itamar Nunes pretendia concorrer ao cargo de prefeito. Principiava a buscar aliados para montar um diretório para formar um partido que lhe

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desse sustentação política. Essa situação acirrou alguns ânimos. Começaram a surgir boatos de que Itamar teria sofrido uma tentativa de atentado. Os boatos que corriam pela cidade diziam que José Gomes mandaria matar Itamar. De acordo com ALVES FILHO (2010) nesse período, José Gomes sentia-se preocupado com os boatos, pressionado, às vezes falava sobre o assunto.
Tão dizendo por aí que eu quero matar o Itamar. Você num tá vendo que eu não ia querer matar o Itamar, que o único jeito do Itamar me ameaçar é se ele tiver morto, que vão querer rebolar pra cima de mim, porque o Itamar num tem voto pra ganhar uma eleição contra mim. (sic)

Itamar Nunes foi assassinado no dia 7 de setembro de 1980, no mercado de Pentecoste, vítima de três tiros disparados pelas costas. Um dos tiros atingiu a cabeça, outro atravessou o coração e o outro o braço. Itamar estava acompanhado de seu funcionário, Antonio Moreno de Sousa, o Bodó, que também saiu baleado, embora sem gravidade. O crime causou uma grande repercussão, Virgílio Távora, então governador do Estado, imediatamente informado, mandou à Pentecoste uma viatura policial e uma ambulância para levar Itamar ao Instituto Médico Legal, em Fortaleza, e garantiu que ia fazer justiça, uma vez que Itamar era aliado de seu partido. A notícia incendiou a cidade e o Estado. Seguiu-se uma intensa investigação cujo epicentro era José Gomes. Alvo de todas as suspeitas e acusações. O clima na cidade, de acordo com o Jornal O POVO, era muito tenso e ninguém queria dar nenhum tipo de declaração, nem à polícia nem ao jornal, diziam que aquele era um “assunto de tubarões”. Menos de uma semana depois já eram conhecidos os pistoleiros que tinham praticado o crime, e alguns já se encontravam na prisão. Através dos depoimentos dos próprios pistoleiros o plano teria sido concebido por João Walderi Lima de Almeida, ou João Almeida, e por Moacir Bezerra Cunha. João Almeida teria ficado num Maverick, estacionado pelas redondezas, para garantir a fuga, enquanto Moacir Cunha ficaria num restaurante próximo para “dar cobertura”. Outro pistoleiro conhecido apenas como Geraldo e Francisco Osterne Sampaio de Almeida, conhecido como Boneco, ficariam encarregado de efetuar os disparos. Após o crime o veículo seguiu para a Fazenda Mocó, em São Gonçalo do Amarante, onde esperaram anoitecer, daí seguiram para Pacajus, onde venderam o Maverick, na tentativa de escapar impunes. Porém, a rapidez das investigações capturou dois

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deles com muita rapidez. Se havia algum mandante, não foi citado na ocasião. Entretanto, familiares de Itamar, principalmente sua viúva, Dona Eliseuda, acusavam constantemente os Gomes da Silva, em especial a José Gomes, de ser os mandantes do crime. De acordo com vários depoimentos, José Gomes estava sob muita pressão e muito angustiado, repetia, freqüentemente, que era “muito ruim ser acusado por algo que não tinha feito”, e também que “mataram o Itamar para me crucificar. Jamais eu mandaria matar ele, pois politicamente o Itamar não me ameaçava”. De acordo com ALENCAR (2010) quem mandou matar Itamar o fez pensando que ia agradar a José Gomes, porém deu totalmente errado. No dia 11 de setembro de 1980, de acordo com ATA da Alec, durante a sessão ordinária daquele dia, José Gomes fez um pronunciamento em nome de seu irmão, o Deputado Federal Gomes da Silva, constante, na íntegra, em anexo, onde declarava não haver, no episódio, “qualquer envolvimento” da família.
O respeito à opinião do povo do meu Estado, que me honra com sua representação parlamentar por oito mandatos consecutivos, impele-me, todavia, a sair do silêncio a que me propus, não para rebater maliciosas declarações prestadas de público ou imaginosas versões difundidas ao sabor de traumas emocionais, senão para a todos assegurar que a paz de minha consciência não sofreu arranhão algum com tão infauto evento. (sic) ATA DA ALEC, 1980, p.30.

Em seguida, leu seu próprio pronunciamento onde declarava, além de não estar envolvido no caso, que as acusações feitas contra sua família teriam o objetivo de obter a simpatia do eleitor em pleitos futuros.
[...] para que nosso silêncio, agora, não seja interpretado noutro sentido, por respeito à opinião pública de modo particular aos meus iminentes colegas desta Casa, aos nossos amigos que sempre nos honraram com sua fidelidade política, ao povo de Pentecoste, onde foi palco o lamentável acontecimento, queremos deixar, aqui, a manifestação expressa de nosso repúdio e esse processo mesquinho de apaixonamento político. (sic) ATA DA ALEC, 1980, p. 31.

Os irmãos deputados chegaram a abrir um processo contra Dona Eliseuda, que atribuía a eles, através de entrevistas em jornais, a autoria intelectual do assassinato de Itamar, com base na lei 6.250 de 9 de fevereiro de 1967, que trata dos crimes de calúnia, difamação e injúria, previstos nos Artigos 138, 139 e 140 do código penal. O processo, não se sabe por que, não foi adiante.

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2.4 O ADEUS À JOSÉ GOMES Pouco mais de cinco meses após a morte de Itamar, em fevereiro de 1981, José Gomes também veio a falecer vítima de um AVC. De acordo com vários depoimentos as pressões impostas pela polícia, imprensa e opinião pública teriam tido influência sobre sua saúde, já abalada pela hipertensão e contribuído para a ocorrência do Acidente Vascular. De acordo com o jornal O POVO às oito horas da manhã do dia 25 de fevereiro o corpo de José Gomes foi levado à Assembléia Legislativa onde foi celebrada uma missa e ficou sendo velado até as 10 horas da manhã, quando foi conduzido à Pentecoste. Desde as nove horas da manhã o trânsito era intenso na região do Croatá. As 13h05min, quando o cortejo fúnebre chegou à cidade a multidão já era incalculável. Após passar por sua residência o cortejo se dirigiu a câmara municipal onde recebeu várias homenagens, incluindo o título póstumo de cidadão pentecostense. Em seu discurso o então prefeito Isaac Sombra declarou a grande tristeza que acometia o povo de Pentecoste pela morte de seu maior líder político, dizia que “uma vida tão necessária ao seu povo e à sua terra não poderia desaparecer assim” e “que pela sua dedicação aos ideais que abraçou pagou por essa luta um tributo muito caro que foi a perda de sua vida”. Entre as várias autoridades que compareceram se encontravam César Cals, então Ministro das Minas e Energia e o governador do Estado Virgílio Távora. Lúcio e Waldemar Alcântara também compareceram. O enterro só pôde se realizar às 17 horas, tantas eram as pessoas que queriam prestar sua última homenagem. Durante o sepultamento vários deputados expressaram seu pesar. Em nome da família, seu irmão Gomes da Silva agradeceu a presença de todos os companheiros e principalmente “ao povo amigo com quem ele conviveu e que veio dar o testemunho aqui de sua gratidão”. Pentecoste jamais havia visto comoção tão grande. Durante muitos dias após o enterro, muitas pessoas lotavam o cemitério da cidade visitando o túmulo de José Gomes prestando, ainda, suas últimas homenagens.

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3 ITAMAR NUNES: A OUTRA HISTÓRIA José Itamar Nunes nasceu no dia 1º de agosto de 1944, no distrito de Cerquinha, em Pentecoste, filho de Pedro Nunes da Silva e Maria Suly Nunes. Era sobrinho do ex-prefeito Aderlou Pinheiro. Casou, em 1971, com Maria Eliseuda Sales. Dessa união nasceram três filhos: José Eliomar, Isabel Karine e Francisca Katiúscia Sales Nunes. Foi logo após seu casamento que seu trabalho de oposição na política do município começou a tomar corpo. Antes, um movimento pequeno, aos poucos foi conseguindo alguma visibilidade no meio. Os principais alvos dessa oposição eram José Gomes da Silva, chefe político da região, e sua família, ato porque, naquela época, por lei, só podia haver dois partidos. A política, nesse período, não somente no Ceará, mas em todo o Brasil, era marcada por muitas irregularidades como o voto de cabresto, voto de defuntos, voto a bico de pena e até mesmo número de votos superior ao número de eleitores da sessão. Em Pentecoste não era diferente. Porém, já há algum tempo, vinham sendo feitas tentativas de mudar essa realidade e Itamar era um dos que faziam isso na região, mesmo que, para tal, batesse de frente com os desejos do coronel Zé Gomes. De acordo com BATISTA (2010) algumas pessoas perguntavam se ele não tinha medo de mexer com os poderosos, ele dizia que não, pois acreditava que estava fazendo o que era certo. Assim, aos poucos seu movimento foi crescendo, pois Itamar era um jovem carismático, popular, trabalhador, de conversa franca, que fazia amizade facilmente. Também, por sua preocupação com as pessoas mais necessitadas a quem fazia de tudo para não decepcionar, arranjava emprego, tanto através de seus aliados no governo do estado como em suas próprias terras e negócios, transporte para o hospital e internações em Fortaleza, entre outras coisas. Acabou fazendo alguns inimigos como Antonio Braga, pois, na ocasião em que este castrou o rapaz, Itamar lutou muito por justiça. Graças a sua intervenção Antonio Braga chegou a passar quatro anos preso. Algo inédito devido ao fato do acusado ser homem poderoso. Também devido à revisão eleitoral que conseguiu trazer para Pentecoste onde foram constatadas várias irregularidades. Itamar chegou, inclusive, a denunciar casos de registros de nascimento adulterados para “envelhecer” os jovens para poderem votar.

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Não demorou muito para que tivesse sua vida ameaçada. Um dia, quando voltava de um terreno que possuía nas proximidades do Posto Agrícola avistaram alguns pistoleiros conhecidos na região. Os homens estavam embaixo de uma moita de mufumbo e aguardavam a passagem de Itamar, porém desistiram de atirar quando viram sua esposa e filhos pequenos junto com ele. De acordo com BATISTA (2010) Itamar já se fazia acompanhar por eles para evitar alguma emboscada, pois apesar dos pistoleiros serem assassinos conhecidos não tinham a intenção de colocar crianças em risco. Segundo NUNES (2010) em certa ocasião um rapaz, aliado de Itamar, chamado Valdemir, amigo de Itamar que, algumas vezes, fazia alguns trabalhos com ele, foi duramente espancado por alguns funcionário de José Gomes, o rapaz só sobreviveu porque conseguiu se jogar dentro da casa de Itamar e foi defendido, mas ficou vários dias doente. Ainda falando de espancamentos, um fotógrafo, que tinha seu estabelecimento nas proximidades da casa de Itamar e era seu amigo, além de ser agredido fisicamente, teve seu negócio quebrado pelos referidos homens. O próprio pai de Itamar, Senhor Pedro, teve um negócio arrombado e esvaziado. Além disso, um dia, estava organizando um carro para levar várias pessoas a um comício dos correligionários de Itamar. O próprio José Gomes teria ameaçado-o de espancamento se ele não desistisse. Na ocasião o Sr Pedro teria dito: “tudo bem seu Zé Gomes”. Virou, subiu no carro cheio e se encaminhou para o comício. No ano de 1980, Itamar via seu movimento crescer. Iniciou o processo de recolher assinaturas para montar seu diretório. Tinha resolvido se candidatar a prefeito. Acreditava que podia obter um bom resultado nas urnas devido à popularidade que vinha obtendo no município. Em setembro desse mesmo ano Itamar negociava a venda de uma novilha com um fazendeiro chamado Chico Cunha. Acertaram a venda e ajustaram que o pagamento deveria ser feito na feira que acontecia aos domingos na cidade. Itamar, acompanhado de seu funcionário Antonio Moreno de Sousa, o Bodó, se encaminhava ao local do encontro quando foi atingido, pelas costas, com três tiros, Bodó foi alvejado cinco vezes, porém não morreu. Itamar atingido, logo no primeiro tiro, na cabeça, já estava morto quando chegou ao solo, nem teve tempo de sacar o próprio revólver, que passara a conduzir consigo para defesa, desde que fora ameaçado. Os outros dois tiros atingiram, um o coração, atravessando-o, e outro o braço.

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A notícia do crime, ocorrido em lugar público, logo se espalhou pela cidade e provocou grande comoção. Os irmãos da vítima, que se encontravam em Fortaleza, avisados, procuraram imediatamente o então governador Virgílio Távora, aliado político de Itamar que, ao saber do ocorrido, enviou logo uma ambulância e uma viatura policial ao município e garantiu que se faria justiça. A partir daí, Pentecoste, que tinha só dois ou três policiais, foi “invadido” por mais de trinta investigadores e vários repórteres. Nesse período, mesmo passando por um grande sofrimento, Dona Eliseuda deu inúmeras entrevistas a jornais e revistas onde afirmava que a autoria intelectual do crime era de José Gomes e seu irmão. Outras viúvas se uniam a ela dizendo que José Gomes seria o responsável, também, pela morte de seus maridos. O jornal O POVO chegou a publicar uma poesia em sua homenagem.
Grita, Dona Eliseuda, o Itamar está de pé no assoalho do céu o eco dos teus gritos o conforta! Autor desconhecido (trecho)

Além da dor pela perda de seu marido, Dona Eliseuda também tinha outra dor que causava tanto ou mais sofrimento.
Eu tinha muita pena da maneira como ele morreu [...] que ele não teve chance de se defender [...] porque eu tenho certeza que se fosse numa briga ele podia até morrer, mas ele não morria só. O Itamar era valente, e é por isso que ele enfrentava esses homens aí. [...] Ele não merecia aquilo. BATISTA, 2010.

Sepultado, primeiramente em Fortaleza, no Parque da Paz, após sete anos de sua morte, Itamar foi trazido para sua terra, onde está sepultado, definitivamente, no cemitério de Pentecoste. A respeito dos autores do crime, a principio foi constatada a participação de João Almeida, Moacir Cunha, Geraldo e Boneco. Posteriormente descobriu-se o envolvimento de lrapuan Carloto Cunha, filho de Moacir, Augusto Carneiro de Oliveira, Francisco Batista Matos, e dos irmãos Sebastião e Isídio Ferreira de Almeida. Os quatro primeiros foram condenados a 22 anos de prisão, porém, efetivamente, não cumpriram nem metade da pena. Itamar Nunes foi assassinado no dia 7 de setembro de 1980. A esse respeito sua mãe, Dona Suly Nunes, tem uma teoria. Afirma que a data foi “escolhida” em

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virtude de um desfile cívico ocorrido alguns anos antes, na cidade, onde Itamar fez o papel de D. Pedro I. Muito compenetrado, o então rapaz, Itamar teria arranjado uma espada de verdade e, montado num cavalo, teria dado o grito de “independência ou morte” em frente ao palanque, no desfile. Como pertencia a uma família de tradicional oposição política algumas pessoas teriam considerado isso uma provocação. 3.1 CONCLUSÕES TARDIAS De acordo com o Jornal O POVO, cinco meses após o falecimento de José Gomes, três dos acusados pelo crime, João de Almeida, Augusto Carneiro de Oliveira e Francisco Batista Matos, de dentro do presídio, tentando obter alguns benefícios, resolveram “confessar” o que realmente teria ocorrido por ocasião da morte de Itamar. Declararam ter sido contratados por Lulu Cardoso, Antonio Carneiro, Antonio Braga, os irmãos Isídio e Sebastião e um homem identificado apenas por Agostinho, para realizar o crime. Disseram também, que os seis citados eram funcionários dos irmãos Gomes da Silva, porém, não acusaram os irmãos diretamente pelo crime. Nesse sentido, alguns depoimentos concordam com a versão dos pistoleiros e também apontam Antonio Carneiro, Antonio Braga e Lulu Cardoso como autores intelectuais do crime e, embora não eximam os Gomes da Silva da culpa, também não os acusam diretamente. Augusto Carneiro declarou ao jornal que auxiliou no crime visando pagamento, porém tal não aconteceu, sua família estava passando fome, por isso resolveu falar.
Quem devia estar no meu lugar eram os políticos ricos e interessados no crime e não eu. Estou disposto a falar a verdade. Enquanto estou preso aqui, os mandantes maiorais estão livres. [...] Estou disposto a dizer a verdade perante o juiz na hora em que for levado a julgamento. JORNAL O POVO, 1981, p. 18.

Augusto declarou também que, diferentemente do que se pensava, quem disparou os tiros contra Itamar e seu funcionário “Bodó” foram os irmãos Isídio e Sebastião. Os demais serviam apenas de apoio e meio de fuga.

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

Esse trabalho é o resultado de vários meses de pesquisa sobre um importante momento da História de Pentecoste, sobre o qual não existem muitas fontes, mas que é de fundamental importância para a formação da sociedade e da identidade do município, o período de influência da família Gomes da Silva. Esse período da recente história de Pentecoste foi cercado de controvérsias, opiniões e paixões exaltadas. Exatamente por isso, não se trata de assunto fácil de ser abordado. Por fazer parte de um período igualmente conturbado da História do Brasil, o coronelismo, é que o assunto aqui tratado foi tão difícil e doloroso, pois foram as ramificações desse sistema político que possibilitaram e, até mesmo, permitiram que tudo o aqui foi exposto, acontecesse. A intenção dessa pesquisa nunca foi fazer qualquer juízo de valor, tampouco absolver ou condenar. O objetivo fundamental foi retratar um período tão importante da História de Pentecoste com a finalidade principal de aprender com ele. Diante disso, acredito que o objetivo tenha sido atingido. Porém, é necessário acrescentar que, mais do que de Histórias, essa pesquisa trata de pessoas que, certas ou erradas, tiveram seus sentimentos, seus sonhos, suas aspirações e suas batalhas travadas em prol desta cidade e por ela deram seu trabalho, seu melhor e sua vida. Não deve ter sido por acaso que a História de Pentecoste teceu a intrincada teia que uniu os Rocha Motta, Paraíba, Gomes da Silva e os Pinheiro e Nunes numa mesma trama. E, se não pudemos descobrir, ainda, qual foi esse motivo, que possamos pelo menos aprender com essa História, nos inspirar com seu exemplo, retirar dela o que tiver de bom e de útil e esquecer o que foi ruim ou inútil, para a construção de uma cidade melhor, mais humana e que possa ser, verdadeiramente, o “lar” de cada um de seus habitantes.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

LEAL, Victor Nunes. Coronelismo, Enxada e Voto. São Paulo: Alfa-Ômega, 1975. LEMENHE, Maria Auxiliadora. Família, tradição e poder: o(caso) dos coronéis. São Paulo: edições UFC, 1996. MACEDO, Joaryvar [Joaquim Lobo de Macedo]. Império do Bacamarte. Fortaleza: UFC – Casa de José de Alencar Programas, 1990. MOTA, Aroldo. História política do Ceará: 1945 – 1985. Fortaleza: Stylus, 1985. SILVA, Cláudio Gonzaga. O clã do Cauípe. Fortaleza: Ed. ABC Fortaleza, 1998. SOUZA, Simone de. (org) Uma nova História do ceará. Fortaleza: Edições Demócrito Rocha, 2007. VILAÇA, Marcus V; ALBUQUERQUE, Roberto C. Coronel, coronéis. Rio de Janeiro: Ed. Tempo Brasileiro, 1965.

ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO CEARÁ. Ata da 103ª Sessão Ordinária realizada no dia 11 de outubro de 1979. Livro 8, p. 13-16. ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO CEARÁ. Ata da 51ª Sessão Ordinária realizada no dia 12 de junho de 1980. Livro 10, p. 05-12. ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO CEARÁ. Ata da 75ª Sessão Ordinária realizada no dia 20 de agosto de 1980. Livro 14, p. 17-19. ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO CEARÁ. Ata da 87ª Sessão Ordinária realizada no dia 11 de setembro de 1980. Livro 16, p. 28-32. ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO CEARÁ. Março, 1979. Anais... Fortaleza: Ed. Jurídica, 1980.

CARVALHO, Jader de. Editorial. Jornal do Povo. Fortaleza, 17/Jul/1954. CASO Pentecoste: já identificados os executores de Itamar. Jornal O Povo, Fortaleza, p. 8, 13/Set/1980. GOMES da Silva na justiça para acionar a viúva de Itamar. Jornal O Povo, Fortaleza, p. 8, 05/Nov/1980.

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PENTECOSTE diz adeus a José Gomes da Silva. Jornal O Povo, Fortaleza, p. 2, 25/Fev/1981. POLÍCIA aperta o cerco aos matadores de Itamar. Jornal O Povo, Fortaleza, p. 8, 14/Set/1980. POLÍTICOS acusados de crime de Pentecoste. Jornal O Povo, Fortaleza, p. 18, 03/jul/1981. VÃO a júri os matadores de Itamar Nunes. Jornal O Povo, Fortaleza, p. 14, 04/Jun/1981.

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ANEXOS LISTA DE ENTREVISTADOS ALENCAR, Raimunda da Penha. (Pretinha) 77 anos. Companheira de José Gomes da Silva. Entrevista concedida a Marilac Lopes Alves para elaboração de TCC do CLE História da Universidade Estadual Vale do Acaraú. Setembro de 2010. ALVES FILHO, Raimundo. (Raimundo Doca) 84 anos. Amigo e motorista ocasional de José Gomes o Dr. Oliveira. Entrevista concedida por telefone a Marilac Lopes Alves para elaboração de TCC do CLE História da Universidade Estadual Vale do Acaraú. Julho de 2010. BARROSO, Raimundo Gomes. (Raimundo Néu) Motorista de José Gomes da Silva. Entrevista concedida a Marilac Lopes Alves para elaboração de TCC do CLE História da Universidade Estadual Vale do Acaraú. Setembro de 2010. BATISTA, Maria Eliseuda Sales. Antes, Maria Eliseuda Sales Nunes. Viúva de José Itamar Nunes. Entrevista concedida a Marilac Lopes Alves para elaboração de TCC do CLE História da Universidade Estadual Vale do Acaraú. Setembro de 2010. MAMEDE, Ana Lúcia e Silva. Sobrinha de José Gomes da Silva, Filha de João Gomes da Silva (João Paraíba). Entrevista concedida a Marilac Lopes Alves para elaboração de TCC do CLE História da Universidade Estadual Vale do Acaraú. Setembro de 2010. NUNES, Francisco de Assis. (Chicão Nunes) 57 anos. Irmão de Itamar Nunes. Entrevista concedida a Marilac Lopes Alves para elaboração de TCC do CLE História da Universidade Estadual Vale do Acaraú. Novembro de 2010. NUNES, Maria Suly. 88 anos. Mãe de Itamar Nunes. Entrevista concedida a Marilac Lopes Alves para elaboração de TCC do CLE História da Universidade Estadual Vale do Acaraú. Novembro de 2010. SILVA, Maria Aurilêda Pessoa. (D. Leuda) 69 anos. Esposa de José Gomes da Silva. Entrevista concedida a Marilac Lopes Alves para elaboração de TCC do CLE História da Universidade Estadual Vale do Acaraú. Agosto de 2010. SILVA, Raimunda Nonata da. (D. Raimundinha Paraíba) 74 anos. Cunhada de José Gomes da Silva, Esposa de João Gomes da Silva (João Paraíba). Entrevista concedida a Marilac Lopes Alves para elaboração de TCC do CLE História da Universidade Estadual Vale do Acaraú. Setembro de 2010. SOUSA, Josias Cavalcante de. (Dó) Motorista da Prefeitura Municipal de Pentecoste desde 1976. Entrevista concedida a Marilac Lopes Alves para elaboração de TCC do CLE História da Universidade Estadual Vale do Acaraú. Agosto de 2010.

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GENEALOGIAS

Fonte: SILVA, Cláudio Gonzaga. O clã do Cauípe. 1998, p. 75.

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Fonte: SILVA, Cláudio Gonzaga. O clã do Cauípe. 1998, p. 83.

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Filhos de Joaquim da Mota e Silva (Jaca Paraíba) Com Joana Gomes da Silva Raimundo Gomes da Silva José Gomes da Silva Maria Zélia Mota Maria Gomes de Brito João Gomes da Silva Roldão Gomes da Silva Rosa Gomes da Silva Emília Gomes da Silva Joaquim Gomes da Silva Filhos de José Gomes da Silva Com Maria Aurilêda Pessoa Silva Raimundo Gomes da Silva Sobrinho Joana Evelyne pessoa e Silva Regina Marjorie Pessoa e Silva Telma Regina Pessoa e Silva Consuelo Pessoa Gomes e Silva José Gomes da Silva Filho Clarissa Pessoa Gomes e Silva Ricardo Pessoa Gomes e Silva Daniel Pessoa Gomes e Silva Com Raimunda da Penha Alencar José Wagner de Alencar Gomes José Gomes da Silva Filho Joaquim da Mota e Silva Neto (Desses filhos só foi possível descobrir o primeiro nome) Maria da Conceição Marcondes Marta Andréa Márcio Mônica Filhos de João Gomes da Silva Com Raimunda Nonata da Silva João Gomes da Silva Filho Antonio Sérgio Martins da Silva Terezinha e Silva Nogueira Rita de Cássia e Silva Kesselring Ana Angélica e Silva Meireles Ana Lúcia e Silva Mamede Francisco Lúcio Martins e Silva Luíza de Marilac e Silva Ana Paula Martins e Silva Italvanes Silva Gomes

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LISTA DOS PREFEITOS DE PENTECOSTE A denominação de Prefeito Municipal passou a ser adotada, em Pentecoste, a partir de 1935.

NOME José Ribeiro Guimarães Aderlou Pinheiro José Ribeiro Guimarães José Firmo de Aguiar Raimundo Augusto da Silva Francisco Senhor Alves Joaquim da Mota Filho Francisco Senhor Alves Júlio de Oliveira Dias Osmar Feijó de Melo João Gomes da Silva Antonio Braga de Azevedo José Gomes da Silva Isaac Sombra Rodrigues Antonio Braga de Azevedo João Gomes da Silva Margarida Gomes de Araújo Antonio Braga de Azevedo João Gomes da Silva Filho Antonio Braga de Azevedo Antonio Braga de Azevedo João Bosco Pessoa Tabosa João Bosco Pessoa Tabosa
APÊNDICE

PERÍODO 1935 a 1935 1935 a 1940 1941 a 1947 1948 a 1951 1951 a 1955 1955 a 1959 1959 a 1962 1962 a 1963 1963 a 1965 1965 a 1967 1967 a 1971 1971 a 1973 1973 a 1977 1977 a 1981 1981 a 1983 1983 a 1985 1985 a 1988 1989 a 1992 1993 a 1996 1997 a 2000 2001 a 2004 2005 a 2008 2008 a 2012

Apenas para efeito de esclarecimento, no decorrer desta pesquisa o senhor Antonio Braga de Azevedo foi sempre chamado de Antonio Carneiro, nome pelo qual é mais conhecido, para evitar ser confundido com Antonio de Oliveira Braga que, no curso do projeto sempre foi chamado apenas de Antonio Braga. PRONUNCIAMENTOS DOS GOMES DA SILVA EM SETEMBRO DE 1980

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GALERIA DE FOTOS: Os Paraíbas.

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Os Nunes

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