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Acalasia Esofágica: Causas, Sintomas, Diagnóstico e Tratamento

Autor: Alan Niemies - Última atualização em: 12/10/2016


A Acalasia, também chamada de acalásia ou aperistalse esofagiana, é o distúrbio motor do
esôfago mais conhecido. Ela é causada pela destruição da inervação dos músculos que fazem
a peristalse (movimentos para descer a comida pelo tubo digestório). Com isso, o paciente
não consegue “descer” a comida corretamente, tendo portanto dificuldades para se alimentar.
Além disso, há alteração da cárdia, um esfíncter que fica entre o final de nosso esôfago e o
início do estômago. Ele se torna menos relaxado e mais tonificado, fechando o tubo nessa
região e impedindo a passagem do alimento do esôfago para o estômago.
A Acalasia costuma aparecer em pacientes entre os 20 e 40 anos, e tem uma incidência de 1
a 2 por 200.000 habitantes.

Esôfago Normal

Acalasia
Causas da Acalasia
São várias as situações que podem levar à Acalasia. Como citei logo acima, ela é causada
pela destruição dos nervos que fazer os músculos do esôfago funcionarem. O esôfago é
inervado por vários nervos diferentes. Como causa da doença, pode haver degeneração do
Nervo Vago (que inerva parte do esôfago), redução das células neuronais do plexo
mioentérico ou alterações do núcleo motor dorsal do Nervo Vago.
As causas desses problemas nervosos são várias. A mais comum delas é a idiopática (ou seja,
que os cientistas e médicos não conseguiram identificar a causa exata ainda). A segunda
causa mais frequente é a infecciosa, tendo como principal exemplo a Doença de Chagas,
bastante comum em nosso país. Ela causa destruição do plexo mioentérico, gerando
Acalasia.

Outras causas incluem auto-imunidade (nossas células de defesa acabam atacando os nervos
do esôfago), causa genética (por herância autossômica recessiva) e causa idiopática (ou seja,
que os cientistas não conseguiram identificar ainda).

Sintomas
O sintoma mais frequente na Acalasia é a chamada disfagia, que é a dificuldade para deglutir
(engolir). Normalmente no início da doença o paciente tem problemas para engolir apenas
sólidos. À medida que a doença progride, começa também a dificuldade para engolir
líquidos. Esse sintoma está presente em 90% dos portadores de Acalasia.
Além disso, há dificuldade de esvaziamento do esôfago (saída do alimento do esôfago para o
estômago), por conta do esfíncter da cárdia estar muito contraído.

É também comum a presença de regurgitação e vômitos (45% dos portadores apresentam


esses sintomas). Outros sintomas que podem existir na Acalasia incluem a aspiração de
alimento (que passa para o trato respiratório, podendo até mesmo causar bronquites), tosse,
perda de peso e sialorréia (salivação excessiva).

A pirose ou azia (sensação de queimação no esôfago) pode acometer até 75% dos pacientes e
20% apresentam dor torácica. A dor torácica é chamada de cardioespasmo (porque o
esfíncter esofagiano tem o nome de cárdia), ou também dor torácica não-cardíaca, porque
pode ser confundida com um ataque cardíaco. Pode ser bastante forte em pacientes com
Acalasia avançada.
Outros sintomas incluem: dor epigástrica (na região do estômago), tosse ou asma, inflamação
da garganta, perda de peso.

Diagnóstico
Para detectar a Acalasia em um paciente e excluir outras doenças, temos vários exames que
podem nos auxiliar. Os exames ideais para encontrar e avaliar a Acalasia atualmente são
a Manometria Esofágica e a Radiografia com Coluna de Bário (ou Raio-X com contraste).
Radiografia com contraste
A radiografia contrastada é feita com o paciente engolindo uma quantidade de Bário líquido
e, à medida que este desce pelo esôfago, são tiradas várias radiografias. Esse exame irá
mostrar um esôfago dilatado e o esôfago distal no que chamamos de “bico de pássaro”, por
conta da hipertonicidade da cárdia. Vai haver ainda retardo do esvaziamento da coluna de
bário, ficando o material mais tempo no esôfago. À medida que a doença evolui, também
podemos encontrar o esôfago tortuoso por conta da dilatação. Confira a evolução da doença
nesse tipo de exame:
Já a Manometria é o exame padrão-ouro para o diagnóstico da Acalasia. Nele, é introduzido
um fino tubo no esôfago do paciente, que é instruído a engolir várias vezes. Esse tubo mede
a intensidade das contrações musculares do esôfago em várias alturas durante o ato de
engolir. Como resultado, a Manometria na Acalasia vai mostrar um aumento da contração da
cárdia e uma diminuição das contrações musculares ao longo do esôfago.

Manometria Normal

Manometria na Acalasia

Na avaliação da Acalasia, podemos usar ainda outros exames. A endoscopia digestiva alta
pode ser útil para excluir alguma obstrução (corpo estranho, tumores) que possa estar
impedindo o alimento de passar pelo esôfago. Porém, a endoscopia não é um exame muito
ideal para detectar o megaesôfago.
Complicações
A Acalasia não tratada pode trazer vários problemas para o paciente. É comum haver
aspiração do alimento, que vai parar no trato respiratório, podendo causar inflamação e
várias doenças. Pode haver ainda a formação de divertículos esofágicos e fístulas.

Ainda mais importante, estudos mostram que pacientes com Acalasia têm 33x mais chances
de desenvolverem carcinoma de esôfago, se comparados com a população normal.

Tratamento
O Tratamento da Acalasia pode ser feito de várias formas, em conjunto ou não.

Orientação alimentar
Os pacientes são instruídos a mudarem os hábitos alimentares, procurando sempre comer
devagar, mastigar bastante, tomar bastante líquido com a alimentação e evitar comer antes de
dormir. É ainda importante elevar a cabeceira da cama na hora de dormir, para a gravidade
ajudar a descer a comida pelo esôfago.

Evitar comer alimentos que aumentem o refluxo gastroesofágico, tais como frutas cítricas,
álcool, cafeína, chocolate e outros também é importante.

Farmacoterapia
Vários medicamentos são úteis no tratamento da Acalasia, principalmente quando a doença é
detectada em estágios mais precoces.

São utilizados relaxantes da musculatura lisa, para diminuir a pressão da cárdia.


Medicamentos como Nitratos (Dinitrato de Isossorbida) e Bloqueadores de Canal de Cálcio
(Nifedipina, Diltiazem) entram nessa classe.

Toxina Botulínica
O popular Botox pode ser usado para o tratamento da Acalasia, também para diminuir a
pressão da cárdia. Porém, traz algumas desvantagens: é um procedimento de difícil execução
e traz apenas uma melhora transitória nos sintomas do paciente, devendo ser aplicado várias
vezes sempre que os sintomas voltarem.
Melhora da Acalasia após Injeção de Botox
Dilatação com Balão Pneumático
Esse é o atual tratamento de escolha para a Acalasia. Ele causa melhora dos sintomas em
80% dos casos. São feitas várias sessões de dilatação com um balão posicionado no esfíncter
esofágico inferior (cárdia). Assim, isso diminui o tônus dos músculos da região, o que auxilia
a passagem do alimento para o estômago.

Dilatação com Balão Pneumático


Por mais que seja o tratamento de escolha, todo procedimento tem suas desvantagens. O
balão pneumático é útil apenas nos estágios menos avançados da doença e pode não trazer
resultados satisfatórios em pacientes jovens. Ainda, alguns pacientes se queixam de Refluxo
Gastroesofágico após o início do tratamento.

Tratamento Cirúrgico
A cirurgia para tratamento da Acalasia é chamada de Miotomia de Heller. É feita uma
retirada dos músculos da cárdia, juntamente com o que chamamos de Fundoplicatura, onde
parte do estômago é “amarrada” em torno do final do esôfago para evitar excesso de refluxo.
FONTE: http://medsimples.com/acalasia/

05/12/2017 AS 20:26HS
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