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CLIQUEAQUIPARA

VIRARAPÁGINA

CADERNO DE ATIVIDADES

Serviço S o c i a l m p o r â n e o
e r v iço Soc ia l Co n te
D is c ip li n a : S l
d o S e r v iç o S o c ia
0 2 : A e s p e c if ic id ade
Tema
Caderno de Atividades
Serviço Social

Disciplina
Serviço Social Contemporâneo

Coordenação do Curso
Adriana Luiza da Silva
Elisa Cleia Pinheiro Rodrigues Nobre

Autoria
Prof.ª Edilene Xavier Rocha
Prof.ª Elisa Cléia Pinheiro Rodrigues Nobre

FICHA TÉCNICA Revisão Textual


Alexia Galvão Alves
Equipe de Gestão Editorial Giovana Valente Ferreira
Regina Cláudia Fiorin Ingrid Favoretto
João Henrique Canella Fiório Julio Camillo
Priscilla Ramos Capello Luana Mercúrio
Análise de Processos Diagramação
Juliana Cristina e Silva Célula de Inovação e Produção de Conteúdos
Flávia Lopes
Chanceler Pró-Reitor de Graduação
Ana Maria Costa de Sousa Eduardo de Oliveira Elias

Reitora Pró-Reitor de Extensão


Leocádia Aglaé Petry Leme Ivo Arcangêlo Vedrúsculo Busato

Pró-Reitor Administrativo Pró-Reitora de Pesquisa e PósGraduação


Antonio Fonseca de Carvalho Luciana Paes de Andrade

Realização:

Diretoria de Planejamento de EAD


José Manuel Moran
Barbara Campos

Diretoria de Desenvolvimento de EAD


Thais Costa de Sousa

Gerência de Design Educacional


Rodolfo Pinelli
Gabriel Araújo

Como citar esse documento:


GARCIA, Edilene Xavier Rocha; NOBRE, Elisa
Cléia Pinheiro Rodrigues. Serviço Social Con-
temporâneo. Valinhos: Anhanguera Educacio-
nal, 2014. p. 1-22.
Disponível em: <http://www.anhanguera.com>.
Acesso em: 03 fev. 2014.

© 2014 Anhanguera Educacional


Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua
portuguesa ou qualquer outro idioma.
Tema 02
A especificidade do Serviço Social

seções
S e ç õ e s
Tema 02
A especificidade do Serviço Social
Introdução ao Estudo da Disciplina

Caro(a) aluno(a).

Este Caderno de Atividades foi elaborado com base no livro A Natureza do Serviço Social,
do autor Carlos Montaño, Editora Cortez, 2009, 2ª Edição PLT 354.

Roteiro de Estudo:
Prof.ª Edilene Xavier Costa
Serviço Social
Processos Administrativos Prof.ª
Prof.Elisa
Ricardo
Cléia
Almeida
Pinheiro
Contemporâneo
Rodrigues Nobre

CONTEÚDOSEHABILIDADES
Conteúdo
Nessa aula você estudará:

• O assistente social como um trabalhador contratado para responder às demandas


populacionais, do Estado e da classe dominante.

• A legitimidade do Serviço Social enquanto profissão, sua utilidade pública, e a tensão


em que vive o assistente social situado entre a lógica da perspectiva endogenista e os
fundamentos da perspectiva histórico-crítica.

• A questão social sob a óptica das duas vertentes expostas.

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CONTEÚDOSEHABILIDADES
Habilidades
Ao final, você deverá ser capaz de responder as seguintes questões:

• Por que a prática profissional é permeada de tensão?

• O que legitima a prática profissional sob a perspectiva Evolucionista?

• Quais os elementos que legitimam o Serviço Social sob a perspectiva Histórico-crítica?

LEITURAOBRIGATÓRIA
A especificidade do Serviço Social
Sob as duas teses, Endogenista ou Evolucionista e Histórico-crítica, reconhecida-
mente opostas, Carlos Montaño apresenta a tensão vivida pelos assistentes sociais em
consequência dos alicerces que determinaram o Serviço Social como profissão. Inicial-
mente, é necessário saber o significado de tensão. Houaiss (2001) conceitua por tensão

estado do que ameaça romper-se […] diferença de potencial entre dois de


seus pontos […] força ou sistema de forças que age sobre um corpo sólido, por
unidade de área, e é capaz de provocar compressão, cisalhamento ou tração
[…] estado de sobrecarga física ou mental.

O mesmo autor entende por cisalhamento “fraturação das rochas sob a ação de esforços
tectônicos, ou seja, dois esforços paralelos em sentidos opostos”.

Montaño demonstra um campo de forças antagônicas em sentidos opostos que


certamente aspira provocar uma fratura na sociedade, e que não necessariamente deve
ser interpretada como negativa, podendo até significar o resultado da luta de classes. A
perspectiva Endogenista também é conhecida por Evolucionista, pois, como o próprio
nome já diz, segundo seus autores, a origem do Serviço Social deu-se como evolução das
formas de ajuda que já existiam, porém de forma não sistematizada. Para os defensores
desta tese, a legitimidade da profissão ocorre apenas por meio da “especificidade da sua

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LEITURAOBRIGATÓRIA
prática profissional” (Livro-Texto, p. 54). Torná-la verdadeira, jurídica e socialmente aceita
é estabelecer limites às demais profissões, de maneira que caiba ao Serviço Social uma
única e exclusiva especificidade.

Dessa forma, para os Evolucionistas ou Endogenistas, a prestação de serviços à população


vulnerável é trabalho específico do assistente social. Também compreendem por exclusivo,
como condutora de sua prática, a pesquisa social, a metodologia, os objetivos, os objetos
de intervenção e as políticas sociais. Há autores que consideram essa especificidade uma
“grande ilusão”, como é o caso de Maria Lúcia Martinelli (apud Montaño, 2009, p. 55) uma
vez que todas as profissões são construídas com o propósito social definido e, nas palavras
de Martinelli, com uma identidade atribuída. Assim, como conferir problemas da área da
saúde, habitação, saneamento básico, educação, entre outros a profissionais exclusivos
do Serviço Social? Aos críticos desta concepção, trata-se de uma “ilusão fetichizada”,
conferindo ao assistente social o poder sobrenatural e/ou mágico de solucionar problemas
estruturais, sem discuti-los com as instâncias provocadoras dos mesmos. Montaño advoga
que os defensores desses princípios o fazem por ansiedade, pois a mudança levaria o
profissional do Serviço Social à perda da estabilidade.

Parece difícil aceitar a tese de que a legitimidade do Serviço Social recaia na


“especificidade” de sua prática, em especial em momentos nos quais espaços
tradicionalmente ocupados por assistentes sociais estão sendo disputados com
sociólogos, psicólogos sociais, terapeutas familiares e até profissionais não
ligados diretamente ao “social”: agrônomos, médicos, arquitetos, entre outros […]
sem perceber o lugar que ocupa a profissão na ordem socioeconômica, aparece
como inteiramente “funcional” ao sistema e ao capital. (Livro-Texto, p.56)

Assim, na concepção de Montaño, a especificidade é alimentada no intuito da categoria


profissional manter seu campo de trabalho, seu emprego. Contrariamente à proposição
demonstrada, os autores representantes da perspectiva Histórico-crítica esteiam que o Serviço
Social ocupa um lugar na divisão sociotécnica do trabalho. Isso significa que, com o objetivo
de cumprir o projeto hegemônico a favor do capital, a profissão desempenha “funções de
controle e apaziguamento da população em geral e das classes trabalhadoras em particular”;
além disso, corrobora com a acumulação do capital por meio da “socialização dos custos
de reprodução da força de trabalho e do crescimento da demanda efetiva”, estimulando a
produtividade e o trabalho (Livro-Texto, p. 57). Nesta perspectiva, a legitimidade da profissão
está relacionada à ordem burguesa; assim, sua função social não se refere ao “seu caráter
técnico” […] mas à “função política, de cunho educativo, moralizador e disciplinador” (ibid).
José Paulo Netto, um dos representantes dessa tese, pondera que é apenas na ordem

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LEITURAOBRIGATÓRIA
monopólica que a atividade dos assistentes sociais pode ser percebida como legítima, pois o
desempenho de suas funções se consolida “por meio da divisão social e técnica do trabalho
na sociedade burguesa” (Livro-Texto, p.58). Sob essa ótica, a profissão legitima-se sob duas
dimensões: “dimensão hegemônica e a dimensão subalterna” (ibid). De um lado, encontra-
se o assistente social x classe demandante-empregador; e do outro, o assistente social
x classe subalterna-usuário. Na dimensão hegemônica na qual o profissional relaciona-
se com o demandante-empregador, a funcionalidade do Serviço Social é satisfazer aos
interesses do sistema capitalista. Enquanto que, na relação subalterna, o usuário assume o
papel de demandante ao transformar suas necessidades em reivindicações, “obrigando” o
Estado (instrumento da classe hegemônica) a contratar o assistente social para diminuir sua
vulnerabilidade. Assim, o assistente social só poderá atuar após ser aceito e legitimado pela
população assistida. A questão social torna-se necessária, uma vez que transforma-se
em estratégia de controle social por meio das políticas sociais executadas pelo assistente
social, contratado pela classe dominante e legitimado pela população atendida. Todavia,
Montaño (2009) adverte que o:

Compromisso ético-profissional, portanto, deve estar voltado para atender os


problemas que afetam essas classes sociais (que vivem do trabalho) […] é por
isso que a opção político-profissional deve, além das orientações ideopolíticas
de cada assistente social individualmente (o que pode reforçar ou não aquela
opção), se voltar fundamentalmente para a defesa dos interesses e direitos das
classes trabalhadoras e para a defesa dos princípios de democracia e justiça
social, pois, mesmo que diretamente a demanda do profissional parta dos
organismos ligados às classes dominantes, a verdadeira fonte […] e portanto
o fundamento último da legitimação profissional, está na demanda e luta que a
população trabalhadora faz por serviços sociais e assistenciais, e da conquista
de direitos universais […] (Livro-Texto, p.64).

Obviamente se pode desprezar o sentido primeiro do vocábulo “tensão”, entendido por


Houaiss (2001) como “estado de sobrecarga física ou mental”, a que têm se submetido
os profissionais do Serviço Social ante a contraditória relação usuário x empregadores
dos serviços prestados. Daí a importância deste tema na sua formação profissional, para
subsidiá-lo não só no enfrentamento da questão social, mas também no inevitável conflito
decorrente das duas teses que fundamentam a gênese, a natureza, a funcionalidade e
legitimidade da profissão.

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LINKSIMPORTANTES
Quer saber mais sobre o assunto?
Então:
Sites
Leia o artigo de Evaristo Colmán: O que é Serviço Social? Vigência de um “velho” problema
e desafio para a formação profissional.
Disponível em: <http://www.ssrevista.uel.br/> Volume 1 - Número 1 Jul/Dez de 1998. Acesso
em: 03 fev. 2014.
Colmán levanta neste trabalho algumas preocupações que o aparecimento súbito deste
tema impõe para a formação profissional. Discute a importância da Academia se preocupar
em definir o que é o Serviço Social, bem como a relevância em oferecer uma resposta para
esta questão no momento da formação profissional.

Leia também o trabalho de Ednéia Machado: Questão Social: objeto do Serviço Social?.
Disponível em: <http://www.ssrevista.uel.br/> Volume 2- Número 1 Jul/Dez 1999. Acesso
em: 03 fev. 2014.
Aborda a questão social como objeto do Serviço Social na nova proposta de reformulação
curricular. Resgata a concepção de questão social como forma de refletir sobre a possibilidade
da questão social, ou, suas expressões, constituírem-se como nosso objeto profissional do
Serviço Social.

Vídeos
Assista ao vídeo Uma questão para se pensar.
Disponível em <http://www.youtube.com/watch?v=_4Xg1ZPwlxo&feature=related> Acesso
em: 03 fev. 2014.
Com o vídeo, você poderá fazer uma reflexão sobre se a especificidade do Serviço Social
delimita-se somente à pobreza.

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AGORAÉASUAVEZ
Instruções:
Chegou a hora de você exercitar seu aprendizado por meio das resoluções
das questões deste Caderno de Atividades. Essas atividades auxiliarão
você no preparo para a avaliação desta disciplina. Leia cuidadosamente
os enunciados e atente-se para o que está sendo pedido e para o modo de
resolução de cada questão. Lembre-se: você pode consultar o Livro-Texto
e fazer outras pesquisas relacionadas ao tema.

Questão 1: Assinale a alternativa correta:

O Serviço Social é legitimado oficialmente a) As três afirmações são verdadeiras; a


pelo papel que cumpre na ordem burguesa, segunda justifica a primeira e a terceira.
mediante sua participação no Estado como
executor final das políticas sociais. b) As três afirmações são verdadeiras;
a segunda justifica a terceira, mas não
ASSIM:
justifica a primeira.
As fontes de legitimação do fazer profissio-
c) A primeira afirmação é verdadeira; a
nal passam a emanar do próprio Estado e
segunda e a terceira são falsas.
do conjunto dominante.

A ESSE RESPEITO, É POSSÍVEL CON- d) As três afirmações são verdadeiras,


CLUIR QUE: porém a segunda justifica a primeira e
não justifica a terceira.
As afirmações acima confirmam a Tese
Evolucionista, de que o Serviço Social ori- e) As três afirmações são falsas, pois
ginou-se como a evolução das formas an- não tratam da “especificidade” do Serviço
teriores de ajuda, caridade e filantropia. Social.

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AGORAÉASUAVEZ
Questão 2: de cunho “educativo”, “moralizador” e “dis-
ciplinador” que desempenha, nas análises
Considere o texto extraído de seu Livro-
de Iamamoto e Carvalho (1991), refere-se
Texto:
ao pensamento:
Numa perspectiva histórico-sistemática,
vê-se o Serviço Social ocupando um lu- a) Evolucionista.
gar na divisão _________________ do
b) Subalterno.
trabalho, dentro de um projeto político-
-econômico _______________, desem- c) Endogenista.
penhando funções de ______________ e
_____________ da população em geral e d) Populista.
das classes trabalhadoras em particular, e e) Histórico-crítico.
contribuindo com a ______________ capi-
talista.
Questão 4:
Assinale a alternativa que completa as la-
cunas: Na Perspectiva Endognenista, a legitimida-
de do Serviço Social radica na especificida-
a) Sociotécnica; hegemônico; controle; de da sua prática profissional (MONTAÑO,
apaziguamento; acumulação. 2009, p. 54). Enquanto que, para os auto-
res da Perspectiva Histórico-crítica:
b) Cultural; hegemônico; controle; apazi-
guamento; acumulação. a) A legitimidade do Serviço Social
radica na especificidade da sua prática
c) Sociotécnica; minimizado; estímulo;
profissional.
controle; estruturação.
b) A legitimação profissional consiste em
d) Sociotécnica; inferiorizado; controle;
estabelecer limites no campo interprofis-
estímulo; acumulação.
sional, sem interferir ou invadir o espaço
e) Sociofinanceira; hegemônico; controle; específico do outro.
apaziguamento; estruturação.
c) Entende-se por “específico” do
Serviço Social a prestação de serviços à
Questão 3: população vulnerável, a pesquisa social,
a metodologia, os objetivos profissionais
Acreditar que a legitimidade do assistente
e o objeto de intervenção
social surge, não tanto pelo seu caráter téc-
nico específico, mas pela função política,
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AGORAÉASUAVEZ
d) Entende-se por sujeito do Serviço IV. A legitimidade do Serviço Social dá-
Social, os pobres, carentes, ou, na se por meio da pesquisa social, da
melhor das hipóteses, os assistidos pelas metodologia, dos objetivos e dos
políticas sociais. objetos de intervenção.

e) Serviço Social é legitimado oficial- V. O Serviço Social ocupa um lugar na


mente pelo papel que cumpre na ordem divisão sociotécnica do trabalho.
burguesa. Assinale a única alternativa correta:

a) Todas as alternativas estão corretas


Questão 5:
Analise a afirmativa a seguir. b) Apenas I, II, e III estão corretas.

O Serviço Social se institucionaliza e legiti- c) Apenas III, IV, e V estão corretas.


ma como profissão quando o Estado cen-
d) Apenas II, IV e V estão corretas.
traliza a política assistencial, efetivando
através da prestação de serviços sociais e) Apenas I, III e V estão corretas.
implementados pelas grandes instituições;
com isso, as fontes de legitimação do fazer
profissional passam a emanar do próprio Questão 6:
Estado e do conjunto dominante. No aporte de Carlos Montaño (2009), a es-
A esse respeito é possível concluir que: pecificidade é o elemento que dá sentido
à profissão, e por essa razão tem sido o
I. O Serviço Social legitima-se enquanto centro de inúmeros debates e análises por
profissão mediante sua prestação de parte da categoria profissional. Descreva
serviços ao Estado, na qualidade de de que maneira a prática profissional do
executor terminal de políticas sociais. Assistente Social é legitimada, segundo
a percepção dos autores da perspectiva
II. A legitimidade do Serviço Social radica Histórico-crítica.
na especificidade da sua prática
profissional.
Questão 7:
III. A legitimidade do Serviço Social dá-se
pela função prestada à ordem burguesa. Conforme temos mencionado, as teorias
que fundamentam o Serviço Social como
profissão são opostas entre si. Os autores
de cada uma dessas teorias acreditam em

14
AGORAÉASUAVEZ
um elemento que consolida a “especifici- que contempla as reformas dentro do siste-
dade” da prática profissional. Por que os ma capitalista.
autores da tese Histórico-crítica criticam a
PORQUE:
chamada “especificidade” do Serviço So-
cial defendida na tese Endogenista? O capitalismo monopolista, pelas suas di-
nâmicas e contradições, cria condições tais
que o Estado por ele capturado, as buscar
Questão 8: legitimação política através do jogo demo-
As dimensões hegemônica e social da le- crático, é permeável, a demandas das clas-
gitimidade profissional são, por sua vez, ses subalternas.
elementos por vezes contraditórios, em ASSIM VERIFICA-SE QUE:
constante tensão. Como já observou Ia-
mamoto (1992a, pp. 40-53), o assistente Os textos acima legitimam as ações do assis-
social é um profissional que se debate en- tente social sob qual perspectiva? Justifique.
tre “servir a dois senhores”: o empregador
e o usuário. Descreva o nome que Iama-
moto (1992) atribui ao assistente social ví-
tima deste fenômeno.

Questão 9:
O Serviço Social vincula-se subalterna-
mente às “ciências”, as quais lhe dotam do
conhecimento (segmentado) da realidade
sobre a qual o assistente social deve inter-
vir. Nesta perspectiva, Maria Lucia Marti-
nelli acredita que o profissional do Serviço
Social é submetido ao “fetichismo da prá-
tica”. Justifique.

Questão 10:
José Paulo Netto (1992) afirma que en-
quanto profissão o Serviço Social é dinami-
zado e estipulado pelo projeto conservador

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FINALIZANDO
As demandas contemporâneas impõem novos desafios à profissão, e, para tanto,
criativos e originais rumos hão de ser tomados em seu enfrentamento, uma vez que a
relação tencionada aos profissionais consolida-se entre a profissionalização das formas de
ajuda e a prestação dos serviços ao capital.

Nas relações assistente social x empregador e assistente social x usuário é impar encontrar
um canal de comunicação fundamentado na democracia. A sociedade brasileira está mais
madura que em décadas anteriores e, por esse motivo, não aceita ser ludibriada com
programas paliativos para manter-se sob domínio das classes hegemônicas; por outro lado,
o profissional de Serviço Social também não se submete mais ao caráter benemérito de ajuda
aos necessitados, pois entende seu papel intelectual, técnico e político na transformação da
estrutura social.

Caro aluno, agora que o conteúdo dessa aula foi concluído, não se esqueça de acessar
seu Desafio Profissional e verificar a etapa que deverá ser realizada. Bons estudos!

REFERÊNCIAS
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Serviço Social. Disponível em: <http://www.fnepas.org.br/pdf/servico_social_saude/tex-
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fome num Estado rico? Só não morri, porque aqui e acolá, tem alguém prá ajudar. Liber-
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files/2010/01/artigo08_5.pdf>. Acesso em: 03 fev. 2014.

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siteantigo/download/revistapv_12.pdf>. Acesso em: 03 fev. 2014.

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Disponível em: www.cbciss.org. Acesso em: 03 fev. 2014.

COLMAN, Evaristo. O que é Serviço Social? Disponível em: <http://www.ssrevista.uel.


br/c_v1n1_desafio.htm>. Acesso em: 03 fev. 2014.

ESTEVÃO, Ana Maria R. O que é serviço social. São Paulo: Brasiliense, v. 111. 1992.

FALCÃO, Frederico José. Resgate De Uma Década: a conjuntura político-social brasileira


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ufjf.br/revistalibertas/files/2010/01/artigo02_5.pdf>. Acesso em: 03 fev. 2014.

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Disponível em <http://www.ssrevista.uel.br/> Volume 6 - Número 2 - Jan/Jun 2004. Aces-
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VELOSO, Renato. Serviço social, tecnologia da informação e trabalho. São Paulo: Cortez,
2011.

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GLOSSÁRIO
Questão social: conjunto de expressões, de fatos sociais decorrentes da relação
contraditória estabelecida entre o capital e o trabalho.

Usuário: população atendida pelas políticas sociais. Aqueles a quem os serviços sociais
são prestados.

Subalterno: que ou aquele que está sob as ordens de outro, que é subordinado ou inferior a
outro em graduação ou autoridade. No contexto trabalhado por Carlos Montaño, subalterno
refere-se ao sentimento de inferioridade diante do outro.

Antagônico: oposto, contrário. No tema apresentado, pretende-se esclarecer que as teses


oferecidas para justificar a origem do Serviço Social não se completam e nem são evolução
uma da outra; ao contrário, são inversas no seu significado.

Fetiche: objeto inanimado ou parte do corpo considerada como possuidora de qualidades


mágicas. No contexto do tema abordado, define-se por “prática fetichizada” a qualidade
atribuída aos assistentes sociais para resolver os problemas sociais. É considerada
uma ilusão, pois os problemas sociais estão profundamente enraizados na estrutura da
sociedade, não podendo um único profissional solucioná-las.

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GABARITO
Questão 1

Resposta: Alternativa D.

Questão 2

Resposta: Alternativa A.

Questão 3

Resposta: Alternativa E.

Questão 4

Resposta: Alternativa E.

Questão 5

Resposta: Alternativa E.

Questão 6

Resposta: Sua legitimidade recai na função prestada à ordem burguesa, mediante sua
participação fundamentalmente no Estado, como executor terminal de políticas sociais, e
não na sua eventual “especificidade”. Caro(a) tutor(a) para esclarecer melhor a resposta
seguem as palavras de Iamamoto e Carvalho: a legitimidade do assistente social surge, não
tanto pelo seu caráter técnico específico, mas pela função política, de cunho “educativo”,
“moralizador” e “disciplinador”. (PLT, p. 57)

Questão 7

Resposta: Porque na perspectiva Evolucionista ou Endogenista apenas o Serviço Social


poderá trabalhar com os setores carentes da população enquanto que na Histórico–

20
GABARITO
crítica percebe-se que esse é um setor que requer uma ação conjunta por se tratar de
um problema estrutural provocado pela contraditória relação capital x trabalho. Por esse
motivo na concepção dos autores da Tese Histórico–crítica a “especificidade” Endogenista
ou Evolucionista do Serviço Social é considerada ilusória, uma vez que acreditam que a
identidade do assistente social é uma “identidade atribuída” pelo capitalismo monopólico
para manter a ordem burguesa.

Questão 8

Resposta: Profissional da “coerção e do consenso”. (PLT, p.65)

Questão 9

Resposta: Porque os assistentes sociais encontram-se extremamente especializados


quanto ao seu conhecimento e por essa razão não conseguem apreender globalmente,
na totalidade, o verdadeiro sentido de sua prática. São envolvidos na ilusão de servir e os
destinatários desta prática iludem-se de que estão sendo servidos. (PLT, p. 68)

Questão 10

Resposta: Perspectiva Histórico-crítica, porque se fundamenta na contraditória relação


capital x trabalho. Porque apenas nessa dimensão acredita-se que as ações do assistente
social legitimam a ordem burguesa, a lógica do capitalismo monopolista. Caro tutor para
que seja bem esclarecido seguem as palavras de Iamamoto e Carvalho: “é nesse contexto,
em que se afirma a hegemonia do capital industrial e financeiro, que emerge sob novas
formas a chamada ‘questão social’, a qual se torna a base de justificação desse tipo de
profissional especializado” (PLT, p. 61)

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