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caderno do

PROFESSOR

HISTÓRIA
ensino médio
1 SÉRIE
a
volume 4 - 2009
Coordenação do Desenvolvimento dos Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
Conteúdos Programáticos e dos Cadernos dos Arte: Gisa Picosque, Mirian Celeste Martins,
Professores Geraldo de Oliveira Suzigan, Jéssica Mami Makino
Ghisleine Trigo Silveira e Sayonara Pereira

AUTORES Educação Física: Adalberto dos Santos Souza,


Jocimar Daolio, Luciana Venâncio, Luiz Sanches
Ciências Humanas e suas Tecnologias Neto, Mauro Betti e Sérgio Roberto Silveira
Filosofia: Paulo Miceli, Luiza Christov, Adilton LEM – Inglês: Adriana Ranelli Weigel Borges, Alzira
Luís Martins e Renê José Trentin Silveira da Silva Shimoura, Lívia de Araújo Donnini Rodrigues,
Geografia: Angela Corrêa da Silva, Jaime Priscila Mayumi Hayama e Sueli Salles Fidalgo
Tadeu Oliva, Raul Borges Guimarães, Regina Língua Portuguesa: Alice Vieira, Débora Mallet
Araujo, Regina Célia Bega dos Santos e Pezarim de Angelo, Eliane Aparecida de Aguiar,
Sérgio Adas José Luís Marques López Landeira e João Henrique
História: Paulo Miceli, Diego López Silva, Nogueira Mateos
Governador Glaydson José da Silva, Mônica Lungov Bugelli e Matemática
José Serra Raquel dos Santos Funari
Matemática: Nílson José Machado, Carlos
Sociologia: Heloisa Helena Teixeira de Souza Eduardo de Souza Campos Granja, José Luiz Pastore
Martins, Marcelo Santos Masset Lacombe, Mello, Roberto Perides Moisés, Rogério Ferreira da
Vice-Governador
Melissa de Mattos Pimenta e Stella Christina Fonseca, Ruy César Pietropaolo e Walter Spinelli
Alberto Goldman Schrijnemaekers
Caderno do Gestor
Secretário da Educação Ciências da Natureza e suas Tecnologias
Paulo Renato Souza Lino de Macedo, Maria Eliza Fini e Zuleika de Felice
Biologia: Ghisleine Trigo Silveira, Fabíola Bovo Murrie
Secretário-Adjunto Mendonça, Felipe Bandoni de Oliveira, Lucilene
Guilherme Bueno de Camargo Aparecida Esperante Limp, Maria Augusta Equipe de Produção
Querubim Rodrigues Pereira, Olga Aguilar Coordenação Executiva: Beatriz Scavazza
Chefe de Gabinete Santana, Paulo Roberto da Cunha, Rodrigo
Fernando Padula Venturoso Mendes da Silveira e Solange Soares Assessores: Alex Barros, Beatriz Blay, Carla de
de Camargo Meira Leite, Eliane Yambanis, Heloisa Amaral Dias
Coordenadora de Estudos e Normas Ciências: Ghisleine Trigo Silveira, Cristina de Oliveira, José Carlos Augusto, Luiza Christov,
Pedagógicas Leite, João Carlos Miguel Tomaz Micheletti Neto, Maria Eloisa Pires Tavares, Paulo Eduardo Mendes,
Valéria de Souza Julio Cézar Foschini Lisbôa, Lucilene Aparecida Paulo Roberto da Cunha, Pepita Prata, Renata
Esperante Limp, Maíra Batistoni e Silva, Maria Elsa Stark, Ruy César Pietropaolo, Solange Wagner
Coordenador de Ensino da Região Augusta Querubim Rodrigues Pereira, Paulo Locatelli e Vanessa Dias Moretti
Metropolitana da Grande São Paulo Rogério Miranda Correia, Renata Alves Ribeiro, Equipe Editorial
José Benedito de Oliveira Ricardo Rechi Aguiar, Rosana dos Santos Jordão,
Coordenação Executiva: Angela Sprenger
Simone Jaconetti Ydi e Yassuko Hosoume
Coordenador de Ensino do Interior Assessores: Denise Blanes e Luis Márcio Barbosa
Rubens Antonio Mandetta Física: Luis Carlos de Menezes,
Estevam Rouxinol, Guilherme Brockington, Projeto Editorial: Zuleika de Felice Murrie
Presidente da Fundação para o Ivã Gurgel, Luís Paulo de Carvalho Piassi, Marcelo
Edição e Produção Editorial: Conexão Editorial,
Desenvolvimento da Educação – FDE de Carvalho Bonetti, Maurício Pietrocola Pinto
Edições Jogo de Amarelinha, Verba Editorial e Occy
Fábio Bonini Simões de Lima de Oliveira, Maxwell Roger da Purificação Siqueira,
Design (projeto gráfico)
Sonia Salem e Yassuko Hosoume
Química: Maria Eunice Ribeiro Marcondes, APOIO
Denilse Morais Zambom, Fabio Luiz de Souza, FDE – Fundação para o Desenvolvimento da
Hebe Ribeiro da Cruz Peixoto, Isis Valença de Educação
Sousa Santos, Luciane Hiromi Akahoshi, Maria
EXECUÇÃO Fernanda Penteado Lamas e Yvone CTP, Impressão e Acabamento
Mussa Esperidião Imprensa Oficial do Estado de São Paulo
Coordenação Geral
Maria Inês Fini
Concepção
Guiomar Namo de Mello A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo autoriza a reprodução do conteúdo do material de sua titularidade pelas demais
Lino de Macedo secretarias de educação do país, desde que mantida a integridade da obra e dos créditos, ressaltando que direitos autorais protegi-
Luis Carlos de Menezes dos* deverão ser diretamente negociados com seus próprios titulares, sob pena de infração aos artigos da Lei no 9.610/98.
Maria Inês Fini * Constituem “direitos autorais protegidos” todas e quaisquer obras de terceiros reproduzidas no material da SEE-SP que não
Ruy Berger estejam em domínio público nos termos do artigo 41 da Lei de Direitos Autorais.

GESTÃO
Catalogação na Fonte: Centro de Referência em Educação Mario Covas
Fundação Carlos Alberto Vanzolini

Presidente do Conselho Curador: São Paulo (Estado) Secretaria da Educação.


Antonio Rafael Namur Muscat S239c Caderno do professor: história, ensino médio - 1a série, volume 4 / Secre-
taria da Educação; coordenação geral, Maria Inês Fini; equipe, Diego López
Presidente da Diretoria Executiva:
Silva, Glaydson José da Silva, Mônica Lungov Bugelli, Raquel dos Santos Funari,
Mauro Zilbovicius
Paulo Miceli. – São Paulo : SEE, 2009.
Diretor de Gestão de Tecnologias
aplicadas à Educação: ISBN 978-85-7849-419-3
Guilherme Ary Plonski
1. História 2. Ensino Médio 3. Estudo e ensino I. Fini, Maria Inês. II. Silva,
Coordenadoras Executivas de Projetos:
Diego López. III. Silva, Glaydson José da. IV. Bugelli, Mônica Lungov. V. Funari,
Beatriz Scavazza e Angela Sprenger
Raquel dos Santos. VI. Miceli, Paulo. VII. Título.
COORDENAÇÃO TÉCNICA
CDU: 373.5:93/99
CENP – Coordenadoria de Estudos e Normas
Pedagógicas
Caras professoras e caros professores,

Este exemplar do Caderno do Professor completa o trabalho que fizemos de


revisão para o aprimoramento da Proposta Curricular de 5a a 8a séries do Ensino
Fundamental – Ciclo II e do Ensino Médio do Estado de São Paulo.

Graças às análises e sugestões de todos os professores pudemos finalmente com-


pletar um dos muitos recursos criados para apoiar o trabalho em sala de aula.

O conjunto dos Cadernos do Professor constitui a base estrutural das apren-


dizagens fundamentais a serem desenvolvidas pelos alunos.

A riqueza, a complementaridade e a marca de cada um de vocês nessa elabo-


ração foram decisivas para que, a partir desse currículo, seja possível promover
as aprendizagens de todos os alunos.

Bom trabalho!

Paulo Renato Souza


Secretário da Educação do Estado de São Paulo
Sumário
São Paulo faz escola – Uma Proposta Curricular para o Estado 5
Ficha do Caderno 7
Orientação sobre os conteúdos do Caderno 8
Situações de Aprendizagem 10
Situação de Aprendizagem 1 – Renascimento Comercial e Urbano e formação das
Monarquias Nacionais 10
Situação de Aprendizagem 2 – Expansão Europeia nos séculos XV e XVI:
características econômicas, políticas, culturais e religiosas 17
Situação de Aprendizagem 3 – Sociedades africanas da região subsaariana até o
século XV 24
Situação de Aprendizagem 4 – A vida na América antes da conquista europeia: as
sociedades maia, inca e asteca 36
Considerações finais 40
SãO PAUlO FAz ESCOlA – UmA PROPOStA
CURRiCUlAR PARA O EStAdO

Caros(as) professores(as),

Este volume dos Cadernos do Professor completa o conjunto de documentos de apoio


ao trabalho de gestão do currículo em sala de aula enviados aos professores em 2009.

Com esses documentos, a Secretaria espera apoiar seus professores para que a organi-
zação dos trabalhos em sala de aula seja mais eficiente. Mesmo reconhecendo a existência
de classes heterogêneas e numerosas, com alunos em diferentes estágios de aprendizagem,
confiamos na capacidade de nossos professores em lidar com as diferenças e a partir delas
estimular o crescimento coletivo e a cooperação entre eles.

A estruturação deste volume dos Cadernos procurou mais uma vez favorecer a har-
monia entre o que é necessário aprender e a maneira mais adequada, significativa e mo-
tivadora de ensinar aos alunos.

Reiteramos nossa confiança no trabalho dos professores e mais uma vez ressaltamos o
grande significado de sua participação na construção dos conhecimentos dos alunos.

maria inês Fini


Coordenadora Geral
Projeto São Paulo Faz Escola

5
FiChA dO CAdERnO
nome da disciplina: História

área: Ciências Humanas e suas Tecnologias

Etapa da educação básica: Ensino Médio

Série: 1a

Volume: 4

temas e conteúdos: Renascimento Comercial e Urbano e forma-


ção das Monarquias Nacionais

Sociedades africanas da região subsaariana


até o século XV

Expansão Europeia nos séculos XV e XVI:


características econômicas, políticas, cultu-
rais e religiosas

A vida na América antes da conquista euro-


peia: as sociedades maia, inca e asteca

7
ORiEntAçãO SObRE OS COntEúdOS dO CAdERnO

Caro(a) professor(a), e o olhar para a complexidade social e a di-


versidade cultural aparecem no estudo das so-
Este Caderno tem por objetivo auxiliá-lo no ciedades africanas da região subsaariana até
desenvolvimento de quatro temas ligados à His- o século XV. O objetivo é mostrar aos alunos
tória europeia, e também de seu contato com que a África não era um continente uno, ou
outros povos. O conteúdo aqui tratado aborda seja, havia regiões e povos diferentes, com suas
questões relacionadas ao Renascimento Co- especificidades culturais, políticas e sociais.
mercial e Urbano, à formação das Monarquias Isso também contribui para uma reflexão so-
Nacionais, às sociedades africanas da região bre as ideias de desenvolvimento e atraso na
subsaariana até o século XV, à Expansão Euro- análise das culturas. Além disso, colabora para
peia nos séculos XV e XVI e à vida na Améri- a crítica à ideia de que as sociedades africanas
ca antes da conquista europeia, e as sociedades até o século XV eram primitivas e atrasadas.
maia, inca e asteca. Em razão da amplitude dos A Expansão Ultramarina europeia é analisada
temas, propomos o desenvolvimento de algu- do ponto de vista de suas motivações políticas
mas Situações de Aprendizagem que contem- e econômicas, levando-se em conta, também,
plam aspectos a eles relacionados. Ressaltamos discussões sobre o imaginário do europeu mo-
que as proposições deste Caderno devem servir derno. Ao tratar da vida na América antes
como auxílio para suas aulas, e podem ser mo- da conquista europeia, das civilizações Maia,
dificadas ou adequadas de acordo com a sua ex- Inca e Asteca, aborda-se de maneira diferente
periência docente e da realidade escolar na qual um conteúdo comumente negligenciado e só
você trabalha. visto da perspectiva do europeu conquistador.
Dessa forma, discussões sobre a colonização e
Conhecimentos priorizados a civilização visam a oferecer aos alunos uma
perspectiva mais elaborada das dinâmicas e
Os temas são desenvolvidos buscando pro- dos conflitos históricos.
blematizar os conteúdos previstos para essa
fase. Desse modo, em relação ao Renascimen- Competências e habilidades
to Comercial e Urbano e à formação das Mo-
narquias Nacionais, a ênfase é conferida ao Com base nas orientações para a área de
caráter dinâmico das transformações políticas História, estabelecidas pela Lei de Diretrizes
e sociais (o aumento populacional, o desen- e Bases da Educação (Lei no 9.394/96), e nos
volvimento da agricultura e a intensificação Parâmetros Curriculares Nacionais, aspectos
e organização das trocas comerciais) e à crise como a heterogeneidade dos grupos sociais
do poder dos senhores feudais e sua centrali- e a pluralidade dos modos de vida, em seu
zação política nas mãos dos reis, num processo contexto e ao longo do tempo, foram consi-
contínuo e variável geocronologicamente, que derados em relação aos temas aqui tratados.
culminou na formação das entidades que hoje A finalidade é de propiciar uma compreensão
designamos por nações. A crítica à homoge- mais ampla e menos generalizante dos fenô-
neização de práticas e experiências históricas menos históricos que a eles se referem. Assim

8
História - 1a série - Volume 4

como nos Cadernos anteriores, privilegiou-se alunos das problematizações historiográficas


o desenvolvimento das habilidades indicadas em torno dos assuntos estudados.
na matriz do Enem¹ e na do Saresp².
Avaliação
metodologia e estratégias
Para os temas tratados no Caderno, os
As estratégias de ensino-aprendizagem ado- procedimentos e estratégias de avaliação pro-
tadas procuram contemplar o conhecimento postos contemplam pesquisa, participação e
prévio dos alunos em relação às temáticas produção textual, pois são importantes for-
apresentadas. Parte-se do princípio de que, mas de desenvolvimento das competências e
independentemente do saber que tenham, habilidades previstas. As instâncias de ava-
essa pode ser a premissa a partir da qual o liação seguem as orientações anteriormente
professor pode se aproximar dos alunos, traçadas nos demais Cadernos. O desenvolvi-
despertando-lhes o interesse pelas questões mento das competências propostas, apreen-
tratadas. O Caderno propõe um grande nú- são dos conceitos relacionados aos temas
mero de atividades com pesquisas, produção tratados, a análise da produção textual e a
e análise textual, mapas e trabalhos indivi- participação ativa no processo de aprendiza-
duais e em grupo, envolvendo uma varieda- gem continuam sendo objetos primordiais da
de de estratégias que visam a aproximar os avaliação.

¹ Matriz de Competências do Enem. Disponível em: <http://www.enem.inep.gov.br/index.php?option=com_conten


t&task=view&id=39&ltemid=73>. Acesso em: 19 jun. 2009.
² Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo. Disponível em: <http://saresp2009.edunet.
sp.gov.br/>. Acesso em: 19 jun. 2009.

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SitUAçÕES dE APREndizAGEm
SITUAçãO DE APRENDIzAGEM 1
RENASCIMENTO COMERCIAL E URBANO E
FORMAçãO DAS MONARqUIAS NACIONAIS
Entre os séculos XI e XV, a Europa Oci- No âmbito político, paralelamente a essas
dental passou por grandes transformações transformações e, em grande medida, como des-
políticas e sociais que ficaram conhecidas, so- dobramento delas, ocorreu a formação das Mo-
bretudo, pelo que se convencionou designar narquias Nacionais e a centralização do poder
de Renascimento Comercial e Urbano. monárquico. O que propomos nesta Situação de
Aprendizagem é um conjunto de aulas nas quais
O aumento populacional, o desenvolvi- você poderá desenvolver aspectos importantes
mento da agricultura e a intensificação e or- relacionados a esse conteúdo. Para isso, espera-se
ganização das trocas comerciais estavam na que você desperte a curiosidade dos alunos para
base dessas mudanças, que também exerce- o Renascimento Comercial e Urbano do período
ram grande influência nas novas organizações estudado, com a observação de imagens que se
espaciais e no modo de vida das pessoas. encontram reproduzidas no Caderno do Aluno.

tempo previsto: 2 aulas.

Conteúdos e temas: Renascimento Comercial e Urbano e formação das Monarquias Nacionais.

Competências e habilidades: reconhecer características específicas do período, como as transformações


no mundo agrícola e a centralização do poder político nas mãos dos reis.

Estratégias: aula expositiva e dinâmica em grupos.

Recursos: mapas.

Avaliação: pesquisa, participação e produção textual.

Sondagem e sensibilização ser entendido como uma transição do mundo


feudal para o moderno. É possível perguntar,
Um primeiro aspecto que pode ser obser- inicialmente, como se deu essa passagem (se
vado por você antes de iniciar essa sensibi- necessário, retome discussões já realizadas
lização com os alunos é o estabelecimento em outras Situações de Aprendizagem). Ilus-
de relações com o conteúdo tratado na úl- tre, por exemplo, as variações nos modos de
tima Situação de Aprendizagem do volume vida: um grande contingente de pessoas dei-
3, quando eles estudaram características xa as áreas rurais e passa a se concentrar nas
sociais, econômicas, políticas e culturais do cidades. Quais as possíveis motivações? Quais
Feudalismo. Aqui, trabalharão o que pode os desdobramentos disso?

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História - 1a série - Volume 4

Solicite que, em duplas e com base em in- e comerciais, ligadas a diferentes ofícios (sapa-
formações já adquiridas em outros momentos teiros, alfaiates, ourives, marceneiros, constru-
de sua formação, discutam e respondam no tores etc.). Os que não encontravam ocupação
Caderno do Aluno à pergunta: O que é uma tornavam-se mendigos ou continuavam a
nação? busca por um ofício. O próprio aumento po-
pulacional nas cidades pode ser um fator que
Em seguida, introduza a temática a ser de- explique o desenvolvimento dos ofícios e do
senvolvida. comércio, sendo esse desenvolvimento, um
importante fator para a compreensão das fre-
Renascimento Comercial e Urbano quentes inovações agrícolas desde então.

Inicialmente, explicite a relação do ter- Outra questão relevante para o desenvol-


mo Renascimento Comercial e Urbano com vimento comercial e urbano foram as rela-
o período denominado como Baixa Idade ções com o Oriente, sobretudo por meio das
Média. Nesse momento, é importante enfa- Cruzadas. É possível falar aos alunos sobre
tizar as transformações na agricultura, visto cidades comerciais como Gênova e Veneza.
que a elas se ligam outros fatores importan- Você pode apresentar um mapa com as prin-
tes nesse período, como o aumento popula- cipais rotas entre a Europa e o Oriente nesse
cional nos centros urbanos e a produção de período; facilmente encontrado em livros di-
excedentes. dáticos. Lembre-os de que essas rotas podiam
ser marítimas ou terrestres e por elas eram
Você pode acrescentar que à época: transportados produtos como madeiras, ce-
reais, sal, especiarias, seda, produtos de luxo
f desenvolveu-se um grande número de in- etc. Isso contribuiu para a prosperidade e o
venções na agricultura (moinho d’água, moi- desenvolvimento das cidades por onde pas-
nho de vento, arado de ferro etc.), o que savam.
propiciou um aumento considerável em
sua produção, levando à expansão das ter- Um aspecto interessante da época e que
ras cultiváveis e à produção de excedentes. pode chamar a atenção dos alunos são os
Essa dinamização acarretou uma maior mercados e as feiras, que representavam o
circulação das moedas, cujo uso anterior crescimento comercial. Você pode inserir
era praticamente restrito à aristocracia feu- essa temática estabelecendo um paralelo com
dal para a compra de produtos vindos do alguns referenciais contemporâneos. Em que
Oriente; espaços hoje é possível vermos atividades si-
milares? Dê como exemplo as feiras-livres,
f as novas tecnologias agrícolas exigiram um os feirões e os mercados de automóveis, as
número menor de pessoas nas atividades feiras de variedades e os camelôs. Copie os
do campo e, aquelas que não encontravam exemplos na lousa e faça as seguintes pergun-
ocupação, refugiavam-se no entorno dos tas: O que encontramos nesses espaços? Qual
castelos, levando à criação e/ou expansão a procedência do que é encontrado (uma fruta
dos núcleos urbanos, sobretudo nos sécu- ou legume de outra região, um carro feito em
los XII e XIII. outro Estado ou país, um produto cuja maté-
ria-prima vem de um lugar e sua produção é
Em seguida, informe que muitos dos mi- feita em outro, eletroeletrônicos fabricados
grantes e seus descendentes foram se envol- em outros países etc.)? Como chegou até o lo-
vendo nas mais diversas atividades artesanais cal no qual é comercializado? Que relações se

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estabelecem entre aqueles que vendem e aque- realizem a pesquisa individual no Caderno
les que compram? do Aluno. Eles devem buscar materiais sobre
o Renascimento Comercial e Urbano e os
Feito esse paralelo, caracterize as feiras termos listados a seguir:
medievais, observando os seguintes aspectos:
f Guildas: associações formadas segundo o
f tinham duração variada, de alguns dias a ofício exercido (alfaiates, sapateiros, tece-
semanas; lões, vinagreiros, ferreiros), cuja finalidade
f expunham produtos oriundos de diferentes era organizar profissionalmente, controlar
partes da Europa, da África e da Ásia; a produção e evitar a concorrência.
f propiciavam a circulação monetária (com f Hansas: cidades mercantis/associações de
a necessidade de realização de câmbio de mercadores que controlavam trechos e lo-
moedas provenientes de diferentes lugares), calidades de comércio.
criando a busca por crédito (o que fazia f Liga Hanseática: liga que reunia diversas
dos bancos uma necessidade e alimentava hansas do norte da Europa e controlava as
as práticas de usura: empréstimo de dinhei- comunicações e o comércio entre os mares
ro a juros). do Norte e Báltico.

Observe que as feiras surgiam frequente- Para concluir as reflexões propostas na pes-
mente no cruzamento das rotas comerciais, quisa, peça aos alunos que observem as ima-
sendo a de Champanha e a de Flandres duas gens que tratam do Renascimento Comercial
das mais importantes. e Urbano e que descrevam por escrito aquilo
que veem, valorizando os detalhes contidos
É relevante que os alunos associem a esse em cada uma delas e escrevendo um pequeno
período um vocabulário que lhe é caracterís- texto para cada imagem como síntese do que
tico. Para auxiliá-los, você pode pedir que foi estudado até aqui.
© Album/akg/North Wind Picture Archives-Latinstock

Vista de Nuremberg. Michael Wolgemut e Wilhelm Pleydenwurff. Gravura do livro A


crônica de Nuremberg, de Hartmann Schedel – Nuremberg, 1493.

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História - 1a série - Volume 4

A primeira imagem mostra o crescimen- medievais. Inicialmente, foram criadas feiras


to de um burgo nos limites amuralhados do sob tutela do senhor feudal. No entanto, seu
feudo, ocorrência comum no período. A pro- crescimento deu origem a vilas e estas aos
dução de excedente agrícola, agregada a ou- burgos, centros comerciais dinâmicos compa-
tros fatores, como a pacificação possibilitada rados à economia medieval de subsistência.
pelas Cruzadas, estimulou o ressurgimento Aquele que morava no burgo e vivia de ativi-
da atividade comercial. Muitos burgos terão, dades tipicamente urbanas passou a ser cha-
portanto, muralhas remanescentes dos feudos mado de burguês.

© Lessing/Album-Latinstock

Teatro dos Vícios. Encenação teatral sobre a usura dos banqueiros e os vícios capitais cita-
dos na Bíblia. A autoria do livro é atribuída a Pelegrino Cocharelli – Gênova, século XIV.

A segunda imagem mostra a atividade de Formação das monarquias nacionais


banqueiros negociando e manipulando moe-
das, o que caracteriza o Renascimento Comer- No âmbito político, o processo de tran-
cial. A ampliação do comércio e a centralização sição do Feudalismo para o Capitalismo foi
política na forma de Estados Nacionais farão marcado pela crise de poder dos senhores
com que a economia monetária ganhe força, feudais e por sua centralização nas mãos dos
marcando assim o surgimento do capitalismo reis. Contínuo e variável cronologicamen-
e a decadência da economia feudal. Além do te, esse processo culminou na formação das
comércio, surgem atividades financeiras, como entidades que hoje designamos por nações.
o empréstimo a juros, formas de auferir lucro Contudo, países como França, Inglaterra,
identificadas com o capitalismo. Alemanha, Itália, Portugal e Espanha são

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recentes, mas seguramente essa informação didático e sua experiência no trato dessa
não é de domínio comum de nossos alunos. temática para caracterizá-las. Depois, ob-
Você pode iniciar a aula indagando se es- serve alguns aspectos que foram comuns a
ses países existiam na Antiguidade e como todas essas monarquias:
eram. Caso não obtenha nenhuma resposta
que contemple o conteúdo a ser tratado, es- f centralização do poder;
clareça. Diga que essas nações só tiveram a f busca de unificação territorial;
conformação como as conhecemos, muito re- f criação e extensão de leis a todo o territó-
centemente e que, na Antiguidade, não exis- rio;
tiam como são hoje. Explique que, ao longo f criação de impostos e moedas comuns a
dos séculos, as nações ora perderam, ora in- seu território;
corporaram territórios por meio de guerras f criação de exércitos nacionais.
ou acordos e que foi só a partir do século
XIV e, notadamente, do XIX (para países Observe, finalmente, que, apesar de esses
como Itália e Alemanha) que passaram efe- aspectos serem similares a todas as Monar-
tivamente a existir como países. Contudo, a quias Nacionais europeias de então, o pro-
centralização do poder monárquico na Baixa cesso de centralização do poder não ocorreu
Idade Média foi de capital importância para ao mesmo tempo e da mesma maneira em
que isso ocorresse. A esse respeito, você pode todas elas.
observar alguns aspectos:
Após o desenvolvimento dos conteúdos
1. as relações feudais eram um grande impe-
sugeridos, peça aos alunos que retomem as
dimento ao desenvolvimento comercial, de-
definições inicialmente redigidas no mo-
vido às intervenções dos senhores feudais
mento da Sondagem e sensibilização, que
na política comercial, mediante cobranças
confrontem as versões preliminares com no-
de impostos e a vigência de regras varia-
vos entendimentos e que registrem novas de-
das de uma localidade para outra (lembre
finições conceituais no Caderno do Aluno.
a multiplicidade e a diversidade dos feudos
em todo o território europeu e a descentra- Peça-lhes também que comparem o que defi-
lização política própria desse período); nia uma nação no contexto estudado com o
que imaginam que seja uma nação hoje. Ao
2. a centralização do poder atendia aos inte- discutir a produção, você pode observar que
resses dos comerciantes (burgueses) e dos os fatores estudados sobre a constituição
próprios monarcas e limitava a atuação da das Monarquias Nacionais (centralização do
Igreja na maioria dos casos. Vários fatores poder, busca de unificação territorial, leis
sociais e econômicos contribuíram para comuns etc.) ajudam a definir o próprio con-
essa centralização, como os períodos de ceito de nação. Muitos desses fatores ainda,
fome e de epidemias e o próprio desenvol- caracterizam o que entendemos por nação;
vimento comercial; contudo, no mundo contemporâneo, exis-
tem poucas monarquias. Apesar de o con-
3. as principais Monarquias Nacionais foram ceito de nação se assentar em referenciais
Espanha, Portugal, Inglaterra e França (não ligados a valores nacionais comuns (língua,
deixe de observar suas especificidades em cultura, território, povo), há diversidades,
relação à Itália e à Alemanha que, contra- como sotaques, dialetos, hábitos alimenta-
riamente aos outros territórios, só se unifi- res etc., que compõem uma pluralidade na
caram no século XIX). Utilize o material unidade.

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História - 1a série - Volume 4

Avaliação da Situação de para as cidades, libertando-se do jugo se-


Aprendizagem nhorial.

Com esta Situação de Aprendizagem espe- 2. A reconstituição dos poderes monárquicos,


ra-se que os alunos possam identificar carac- a partir do século XI, foi baseada, princi-
terísticas importantes do período de transição palmente, na centralização dos poderes nas
do mundo feudal para o capitalista, como as mãos dos reis e esteve na base da formação
mudanças na organização social e nos modos das Monarquias Nacionais. Como explicar
de vida provenientes dos desenvolvimentos esse processo?
comercial e urbano. Almeja-se, também, que
entendam a formação das Monarquias Na- As relações feudais representavam um
cionais como um processo decorrente de mu- grande empecilho ao desenvolvimento do
danças estruturais do Feudalismo, resultantes comércio, sobretudo pelas frequentes in-
de necessidades ligadas ao desenvolvimento tervenções dos senhores feudais na política
comercial e urbano, sobretudo à centralização comercial em nível local, mediante cobran-
do poder. ças de impostos e imposição de regras que
variavam de uma localidade para outra, em
Proposta de questões para avaliação virtude da grande descentralização do po-
der político. Nesse contexto, a centraliza-
1. (Comvest/Vestibular Unicamp – 2004) Nas ção do poder nas mãos do monarca atendia
entradas de muitas cidades da Liga Hanseá- aos interesses dos comerciantes e dos pró-
tica, estava escrito: “O ar da cidade liberta”. prios monarcas (que limitavam a atuação
da nobreza).
a) O que foi a Liga Hanseática?
3. (Vestibular Unesp – 1998) Sobre as asso-
Foi uma liga que reunia diversas cidades ciações de importantes grupos sociais da
mercantis do norte da Europa e controlava Idade Média, um historiador escreveu:
as comunicações e o comércio entre os ma-
res do Norte e Báltico. “Eram cartéis que tinham por objetivo a eli-
minação da concorrência no interior da ci-
b) quais fatores impulsionaram o Renas- dade e a manutenção do monopólio de uma
cimento Urbano europeu a partir do minoria de mestres no mercado urbano.”
século XI? LE GOFF, Jacques. A civilização do Ocidente
medieval. Bauru: Edusc.
Desenvolvimento de novas técnicas aplica-
das à agricultura, crescimento demográfico, O texto caracteriza de maneira típica:
as Cruzadas e comércio com o Oriente.
a) as universidades medievais.
c) Por que as cidades, naquele momento,
eram concebidas como espaço da liber- b) a atuação das ordens mendicantes.
dade?
c) as corporações de ofício.
Com o desenvolvimento técnico na agri-
cultura, a produção agrícola demandava d) o domínio dos senhores feudais.
um número menor de pessoas, permitindo
que parte da população rural se dirigisse e) as seitas heréticas.

15
As corporações de ofício constituíam uma quisa e inserir eventuais citações, observando
importante forma de se evitar a concorrên- as regras acadêmicas.
cia entre os profissionais de um mesmo ofí-
cio (sapateiros, artesãos, alfaiates etc.). Proposta 2

4. Dos itens a seguir, indique aquele que não se Proponha a seguinte questão: Em que medi-
refere à constituição das Monarquias Na- da a centralização do poder monárquico atendia
cionais na Baixa Idade Média: aos interesses da burguesia? Você pode facilitar
a compreensão desse processo por meio de um
a) centralização do poder nas mãos do exemplo: se no início da Baixa Idade Média
monarca. os comerciantes tinham de lidar com os inte-
resses de diferentes senhores feudais, com a
b) busca de unificação territorial. centralização do poder, eles respondiam, em
princípio, aos desígnios do monarca. A par-
c) criação de impostos e moedas comuns.
tir daí, solicite aos alunos que elaborem um
texto histórico que vise a analisar a questão
d) descentralização do poder monárquico.
proposta.
As Monarquias Nacionais se caracteriza-
ram, dentre outros fatores, pela centraliza- Recursos para ampliar a perspectiva
ção do poder nas mãos dos monarcas. do professor e do aluno para a
compreensão do tema
Propostas de Situações de
Recuperação livros

Proposta 1 BATISTA NETO, Jonatas. História da Baixa


Idade Média. São Paulo: Ática, 1989.
Solicite o desenvolvimento de uma pesqui-
sa que contemple a caracterização, por meio LE GOFF, Jacques. A civilização do Ocidente
de tópicos, do Renascimento Comercial e do Medieval. Lisboa: Estampa, 1983.
Renascimento Urbano na Baixa Idade Média.
Em seguida, peça aos alunos a elaboração de PEDRERO-SÁNCHEz, Maria Guadalupe.
um texto explicativo sobre os temas pesquisa- História da Idade Média: Textos e testemu-
dos, lembrando-os de indicar as fontes de pes- nhas. São Paulo: Edunesp, 2001.

16
História - 1a série - Volume 4

SITUAçãO DE APRENDIzAGEM 2
EXPANSãO EUROPEIA NOS SÉCULOS XV E XVI:
CARACTERíSTICAS ECONôMICAS,
POLíTICAS, CULTURAIS E RELIGIOSAS

Nesta Situação de Aprendizagem, é de fortalecimento do poder real, o crescimen-


fundamental importância relacionar a Ex- to da burguesia, a Reforma protestante e a
pansão Ultramarina europeia ao contexto Contrarreforma católica e o Renascimento
histórico da Europa dos séculos XV-XVI: o Cultural.

tempo previsto: 3 aulas.

Conteúdos e temas: Expansão Europeia nos séculos XV e XVI: características econômicas, políticas,
culturais e religiosas.

Competências e habilidades: reconhecimento e problematização das viagens portuguesas e suas moti-


vações.

Estratégias: aula expositiva, dinâmica em grupos.

Recursos: mapas e textos.

Avaliação: participação e produção textual.

destinado a esse fim. Destaque que os contor-


Sondagem e sensibilização nos dos continentes ainda não eram conheci-
Com a finalidade de realizar a sondagem dos e, por isso, muito do que se representava
inicial acerca dos conhecimentos que os alu- cartograficamente era determinado pelo ima-
nos já possuem sobre o tema, peça que obser- ginário do homem europeu do período. Nesse
vem no Caderno do Aluno um mapa do século momento, faça uma breve discussão a respeito
XV e outro atual. Em seguida, pergunte quais do imaginário do homem europeu moderno.
partes do mundo estão representadas na car- Você pode comentar os medos e as ideias co-
ta geográfica moderna, o que há de diferente muns das pessoas daquela época, tais como o
entre ambos, quais os possíveis motivos des- suposto formato plano da Terra, a existência
sas diferenças e se eles já haviam visto mapas de “quedas” no mar e de monstros marinhos.
semelhantes. Peça que registrem as diferenças Antecipe aos estudantes que esse conteúdo
observadas no Caderno do Aluno em espaço será tratado na sequência.

17
Secunda Etas Mundi
Biblioteca Nacional da Austrália

Mapa de Hartmann Schedel. Secunda Etas Mundi. 1493.

O expansionismo marítimo português Comece analisando os perigos reais e os


imaginários que cercavam as viagens. Com
Retomando as discussões realizadas na relação aos perigos imaginários, informe que
sondagem inicial sobre o imaginário europeu até o início das grandes navegações, muitos
dos séculos XV e XVI, indague os alunos a europeus acreditavam na existência de regiões
respeito dos motivos pelos quais os europeus onde as águas do mar ferviam, sendo impossí-
resolveram se aventurar pelos oceanos, repleto vel a presença de vida, e outras habitadas por
de perigos e tendo pouco conhecimento das monstros marinhos e sereias, que seduziam
rotas. Partindo das respostas, analise os prin- marinheiros. Vale destacar que muitos desses
cipais pontos que impulsionaram o expansio- medos imaginários também eram cartografi-
nismo marítimo português. camente registrados, ou seja, os mapas não

18
História - 1a série - Volume 4

Planisfério Político
165º 150º 135º 120º 105º 90º 75º 60º 45º 30º 15º 0º 15º 30º 45º 60º 75º 90º 105º 120º 135º 150º 165º
O C E A N O G L A C I A L Á R T I C O

75º 75º

GREENWICH
GROENLÂNDIA
(DIN)

ALASCA (EUA)

CÍRCULO POLAR ÁRTICO ISLÂNDIA SUÉCIA CÍRCULO POLAR ÁRTICO


FINLÂNDIA
60º NORUEGA RÚSSIA
60º

C A NA D Á
REINO
UNIDO BIELORÚSSIA
ALEMANHA POLÔNIA
IRLANDA
UCRÂNIA
CASAQUISTÃO
ÁUSTRIA HUNGRIA
45º FRANÇA ROMÊNIA MONGÓLIA 45º
ITÁLIA BULGÁRIA
GEÓRGIA UZBEQUISTÃO QUIRGUISTÃO
ESPANHA CORÉIA
Açores ARMÊNIA AZERBAIJÃO
E S TA D O S U NI D O S (POR) GRÉCIA TURQUIA TURCOMENISTÃO TADJIQUISTÃO
DO NORTE

DA AMÉRICA P ORT U G A L
C H IN A
CORÉIA JAPÃO
CHIPRE SÍRIA
TUNÍSIA DO SUL
LÍBANO AFEGANISTÃO
Is. Madeira
MARROCOS IRAQUE IRÃ
(POR) ISRAEL
30º 30º
JORDÂNIA
Is. Canárias KUWAIT
(ESP) ARGÉLIA PAQUISTÃO NEPAL
BUTÃO
LÍBIA BAREIN
O C E A N O SAARA
OCIDENTAL
EGITO
CATAR
BANGLADESH
MÉXICO ARÁBIA SAUDITA EMIRADOS ÁRABES
TRÓPICO DE CÂNCER BAHAMAS UNIDOS TAIWAN TRÓPICO DE CÂNCER
(FORMOSA)
CUBA ÍNDIA MIANMA
REP. DOMINICANA MAURITÂNIA OMÃ LAOS

Is. Havaí (EUA)


JAMAICA
CABO VERDE
MALI OCEANO
BELIZE HAITI NÍGER CHADE
15º HONDURAS ERITRÉIA IÊMEN TAILÂNDIA VIETNÃ 15º
SENEGAL
GUATEMALA GUAM (EUA)
GÂMBIA SUDÃO FILIPINAS
EL SALVADOR NICARÁGUA BURKINA CAMBOJA
GUINÉ BISSAU FASO DJIBUTI
GUINÉ ILHAS

BENIN
NIGÉRIA MARSHALL
COSTA RICA PANAMÁ SOMÁLIA
COSTA
PA C Í F I C O

TOGO
VENEZUELA ETIÓPIA SRI LANKA PALAU

GANA
SERRA LEOA DO REPÚBLICA (CEILÃO)
GUIANA MARFIM CENTRO-AFRICANA
GUIANA FED. DOS ESTADOS
FRANCESA LIBÉRIA CAMARÕES BRUNEI
DA MICRONÉSIA
Is. Christmas
O C E A N O COLÔMBIA SURINAME
M A L Á S I A
(AU) GUINÉ EQUATORIAL UGANDA
0º EQUADOR Is. Galápagos (EQ)
QUÊNIA MALDIVAS CINGAPURA EQUADOR 0º
KIRIBATI
CONGO
EQUADOR SÃO TOMÉ GABÃO
REP. DEM. RUANDA NAURU
& PRÍNCIPE I N D O N É S I A
DO CONGO
BURUNDI
PAPUA
TANZÂNIA NOVA GUINÉ
Is. Tokelau PERU
Is. Cook SALOMÃO
(NOV. ZEL.) (NOV. ZEL.) SEICHELES
Is. Marquesas TIMOR LESTE

SAMOA
(FRA)
B RA S I L A T L Â N T I C O ANGOLA
COMORES O C E A N O
15º MALAUÍ 15º
ZÂMBIA

Is. Bora Bora VANUATU


FIJI
(FRA) BOLÍVIA
Is. Tahiti MOÇAMBIQUE
ZIMBÁBUE MAURÍCIO
TONGA (FRA) NAMÍBIA
TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO
BOTSUANA
PARAGUAI NOVA CALEDÔNIA
CHILE MADAGASCAR AUSTRÁLIA
Í N D I C O
30º
P A C Í F I C O S UA ZI L Â N D I A
30º
L E S OT O

ÁFRICA
ARGENTINA DO SUL
URUGUAI

NOVA ZELÂNDIA
45º 45º

Is.Falklan (Malvinas) Is. Kerguelas (FRA)


(RUN pret. ARG)
I. Geórgia do Sul (RUN)
GREENWICH

60º 60º

CÍRCULO POLAR ANTÁRTICO CÍRCULO POLAR ANTÁRTICO

NORUEGA
ESTÔNIA

75º RÚSSIA 75º


SUÉCIA LETÔNIA
DINAMARCA
LITUÂNIA
RÚSSIA
ANTÁRTIDA
IRLANDA BIELORÚSSIA
REINO HOLANDA
165º 150º 135º 120º 105º 90º 75º 60º 45º 30º 15º 0º 15º 30º 45º 60º 75º 90º 105º 120º 135º 150º 165º
UNIDO ALEMANHA POLÔNIA
BÉLGICA
LUXEMBURGO REPÚBLICA
UCRÂNIA
TCHECA
ESLOVÁQUIA
LIECHTENSTEIN
ÁUSTRIA MOLDÁVIA
SUÍÇA HUNGRIA
FRANÇA ESLOVÊNIA fronteira
CROÁCIA ROMÊNIA internacional 725 0 1450km 620 0 1240km 360 0 720km
SAN BÓSNIA
MARINO
HERZEGOVINA
MÔNACO SÉRVIA
ANDORRA ITÁLIA
MONTENEGRO BULGÁRIA
rio PROJEÇÃO DE ROBINSON
MACEDÔNIA
ESPANHA VATICANO escala no Equador escala no Paralelo 30oN escala no Paralelo 60oN
ALBÂNIA
PORTUGAL
GRÉCIA
TURQUIA

Mapa-múndi atual.

continham apenas informações sobre o con- sobre o fato de todo o Oriente ser chamado de
torno dos territórios (lembre-se do mapa de “índias” pelos europeus.
concepção ptolomaica anteriormente apre-
sentado). A respeito dos medos reais, descreva Fazendo uso de um mapa atual, mostre o
as condições de vida nas embarcações — pou- caminho terrestre que poderia ser feito para se
ca comida, pouca água, higiene precária — chegar às índias partindo da Europa e pergunte
bem como as tempestades e outros perigos aos alunos se sabem os motivos pelos quais os
que as viagens em alto-mar podiam oferecer, europeus não seguiram esse percurso. Trabalhe
levando os europeus a frequentes naufrágios. o domínio dos árabes sobre esse caminho e a
necessidade de se encontrar uma rota comercial
Pergunte se os alunos sabem o que são alternativa. Indague quem eram os organizado-
especiarias. Defina o que são e por que elas res e financiadores de tais expedições. A partir
eram tão valorizadas no período. Apresente dessas respostas, discorra sobre o forte poder
outros artigos de luxo existentes na índia que das Monarquias Nacionais, suas alianças com
os europeus apreciavam. Lembre-os das rotas a nobreza e com a burguesia e os investimentos
comerciais e da Situação de Aprendizagem an- financeiros deste último grupo. Enfatize as van-
terior. Nesse momento, aprofunde a discussão tagens das viagens para cada grupo.

19
Nesse momento, é necessário marcar o neirismo na Expansão Ultramarina. Após essa
apoio da Igreja católica, que a partir do sé- etapa, faça uma análise documental. Para isso,
culo XVI, envolvida na crise provocada pela peça aos alunos que leiam um trecho de Os
Reforma protestante, objetivava a conquista lusíadas, de Luís Vaz de Camões, reproduzido
de novos fiéis pelo mundo e, com isso, incen- no Caderno do Aluno. Caso julgue convenien-
tivava as expedições. Por fim, contextualize a te, solicite a realização, como tarefa de casa, de
situação de pobreza da população europeia, uma breve biografia do escritor português, que
dando destaque à Guerra dos Cem Anos, à pode ser encontrada facilmente na internet
Peste Negra e às constantes epidemias, acon- ou em livros didáticos. Ao socializarem essa
tecimentos que, certamente, colaboraram para biografia, ajude-os a estabelecer relações com
que muitos se aventurassem pelo mar em bus- o período vivido pelo autor, a partir do que
ca de uma vida melhor. foi explicado na aula anterior, ou seja, com a
situação política, econômica e social daquele
leitura e análise de texto: Os lusíadas momento. A respeito do gênero literário que
será lido, explique aos alunos o significado
Prosseguindo, contextualize a situação de de uma epopeia. Em grupos ou duplas, os alu-
Portugal nesse período, salientando seu pio- nos lerão o seguinte trecho de Os lusíadas:

Canto i E, enquanto eu estes canto — e a vós não posso,


Sublime Rei, que não me atrevo a tanto —,
As armas e os Barões assinalados Tomai as rédeas vós do Reino vosso:
que da Ocidental praia Lusitana Dareis matéria a nunca ouvido canto.
Por mares nunca de antes navegados Comecem a sentir o peso grosso
Passaram ainda além da Taprobana, (que polo mundo todo faça espanto)
Em perigos e guerras esforçados De exércitos e feitos singulares,
Mais do que prometia a força humana, De África as terras e do Oriente os mares.
E entre gente remota edificaram [...]
Novo Reino, que tanto sublimaram;
Canto Vii
E também as memórias gloriosas
Daqueles Reis que foram dilatando [...]
A Fé, o Império, e as terras viciosas
De África e de Ásia andaram devastando, Deus, por certo, vos traz, porque pretende
E aqueles que por obras valerosas Algum serviço seu por vós obrado;
Se vão da lei da Morte libertando Por isso só vos guia e vos defende
Cantando espalharei por toda parte, Dos imigos, do mar, do vento irado.
Se a tanto me ajudar engenho e arte. Sabei que estais na índia, onde se estende
Diverso povo, rico e prosperado
[...] De ouro luzente e fina pedraria
Cheiro suave, ardente especiaria.

CAMÕES, Luís Vaz de. Os lusíadas. Disponível em: <http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/


DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=1870>. Acesso em: 22 jul. 2009.

20
História - 1a série - Volume 4

Para a realização da análise documental, Com base nesse poema, responda às se-
oriente os alunos a utilizar um dicionário guintes questões:
para procurar as palavras desconhecidas
e, também, a observar o estilo literário do a) a qual período da história de Portugal
poeta português. Há espaços especialmente o poeta se refere? Explique-o breve-
reservados para o registro do vocabulário mente.
no Caderno do Aluno. Também há espaços
reservados para que eles reescrevam cada b) como o poeta representa os aconteci-
estrofe com suas palavras. Em seguida, so- mentos da época?
licite aos alunos que redijam um texto no
qual relacionem o trecho analisado com o c) dê uma reposta para a indagação de
período da Expansão Europeia dos séculos Fernando Pessoa: “Valeu a pena?”.
XV e XVI. Esse texto poderá ser registrado
no Caderno do Aluno ou ainda ser produzi- O poeta refere-se à Expansão Marítima dos
do em folha avulsa para ser entregue a você séculos XV-XVI, quando a monarquia portu-
para avaliação. guesa, associda aos mercadores, empreendeu
a conquista de uma rota comercial alterna-
Proposta de questões para avaliação tiva para o Oriente navegando ao longo da
costa africana. O poeta representa os acon-
1. Leia o trecho da obra Mensagem, de Fer- tecimentos como trágicos, porém respon-
nando Pessoa, no qual o poeta fala sobre o sáveis pela grandeza do império português.
mar português. Para Fernando Pessoa, o pioneirismo portu-
guês reflete a bravura daquele povo. Por fim,
o aluno deve emitir sua opinião a respeito.

X. Mar português 2. “O gosto da maravilha e do mistério, quase


inseparável da literatura de viagens na era
Ó mar salgado, quanto do teu sal dos grandes descobrimentos marítimos,
São lágrimas de Portugal! ocupa espaço singularmente reduzido nos
Por te cruzarmos, quantas mães choraram, escritos quinhentistas dos portugueses so-
Quantos filhos em vão rezaram! bre o Novo Mundo. Ou porque a longa
Quantas noivas ficaram por casar prática das navegações do Mar Oceano e o
Para que fosses nosso, ó mar! assíduo trato das terras e gentes estranhas
Valeu a pena? Tudo vale a pena já tivessem amortecido neles a sensibilida-
Se a alma não é pequena. de para o exótico, ou porque o fascínio do
Quem quer passar além do Bojador Oriente ainda absorvesse em demasia seus
Tem que passar além da dor. cuidados [...].” HOLANDA, Sérgio Buarque de.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu, Visão do paraíso: os motivos edênicos no desco-
Mas nele é que espelhou o céu. brimento e colonização do Brasil. São Paulo:
Brasiliense; Publifolha, 2000. p. 1.
PESSOA, Fernando. Mensagem. Segunda parte:
Mar português. p. 11. Disponível em: <http://www. Com base no texto:
dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.
do?select_action=&co_obra=15726>. a) explique os motivos do “fascínio do
Acesso em: 11 ago. 2009. Oriente”.

21
O Oriente fora, desde a Antiguidade, ob- e) um mecanismo de incentivo ao tráfico de
jeto de fascínio por parte dos ocidentais, escravos, destinados ao trabalho nas ati-
que a ele sempre associaram mistérios e vidades agrícolas da América colonial.
exotismos, em grande parte devido ao des-
conhecimento e consequente imaginação a O texto explicita a integração da América
seu respeito. Nesse contexto, o fascínio era no mercado europeu por meio da coloniza-
estimulado pela enorme quantidade de pro- ção a partir do fabrico de produtos para co-
dutos vindos do Oriente e pelo interesse que mercialização.
despertavam nos europeus.
4. (Coordenadoria de Admissão aos Cur-
b) responda por que as viagens marítimas sos Regulares – FGV – 2003) A respeito
diminuíram a “sensibilidade” dos por- de Portugal durante a época Moderna, é
tugueses. correto afirmar:

Com a realização das viagens, os medos a) a montagem do vasto império ultrama-


imaginários deixaram de existir, o que te- rino esteve ligada ao fortalecimento dos
ria diminuído a “sensibilidade” dos portu- setores aristocráticos que dominavam
gueses. os principais postos e funções do Esta-
do lusitano.
3. A partir do século XVI, entre outras conse-
b) a vinculação à monarquia espanhola
quências da chegada dos europeus às terras
durante a União Ibérica (1580-1640)
do Novo Mundo, deu-se a integração de
estimulou o movimento republicano vi-
áreas do território americano ao mercado
torioso na revolta de 1640.
europeu. Com isso, cresceu o comércio ba-
seado na produção colonial de mercadorias c) vantajosos tratados econômicos foram
destinadas ao Velho Mundo. Esse processo estabelecidos com a Inglaterra, desde o
pode ser entendido como: século XVII, o que garantiu a prosperi-
dade da economia portuguesa durante
a) uma intensificação do processo de ex- a crise do antigo sistema colonial.
ploração da mão de obra escrava nas
colônias ibéricas. d) durante a União Ibérica (1580-1640),
estreitou-se ainda mais a parceria entre
b) um afrouxamento do caráter violento os portugueses e os holandeses, que fi-
com que se processou a conquista do nanciavam e distribuíam na Europa os
Novo Mundo. produtos coloniais brasileiros.

c) um benefício aos impérios inca, asteca e) ao contrário das demais sociedades eu-
e maia, que passaram a competir em ropeias, o antigo regime português ca-
situação de igualdade com os antigos racterizou-se pela ausência de conflitos
fornecedores orientais. religiosos e pelo interesse na produção
cultural estrangeira.
d) uma derivação da Expansão Marítima e
Comercial inaugurada na passagem do A expansão portuguesa no período moderno
século XV para o XVI. é decorrente, principalmente, da comunhão

22
História - 1a série - Volume 4

de interesses entre a burguesia e setores Portugal foi o pioneiro no financiamen-


aristocráticos portugueses, o que tornou to das grandes expedições marítimas e a
propício o financiamento das grandes expe- Revolução de Avis foi um marco para a
dições. centralização do poder monárquico, um
aspecto determinante da expansão portu-
5. (Coordenadoria de Admissão aos Cursos guesa.
Regulares – FGV – 2000) Leia atentamente
as afirmações a seguir, sobre a Expansão
Marítima e Comercial moderna, e assinale Propostas de Situações de
a alternativa correta. Recuperação
I. O papel pioneiro na Expansão Maríti- Proposta 1
ma e comercial moderna foi dos países
ibéricos, tendo Portugal iniciado o feito. Peça aos alunos que elaborem um mapa
inspirado em representações do imaginário
II. O papel pioneiro na Expansão Marítima do homem europeu dos séculos XV e XVI.
e Comercial moderna foi dos países ibé- Solicite que redijam um pequeno texto ex-
ricos, tendo a Espanha iniciado o feito. plicativo a respeito do mapa e do tema re-
tratado.
III. As conquistas espanholas na África
(Ilhas Canárias), durante o século XIV, Proposta 2
demonstraram a força da invencível ar-
mada às demais nações europeias. Solicite aos alunos que pesquisem um mapa
da Expansão Marítima portuguesa e oriente-
IV. A Revolução de Avis foi um marco ante- os para que o reproduzam, em uma folha, por
cedente fundamental para essa expansão. meio de desenho. Em seguida, peça que escre-
vam uma carta que narre as condições enfren-
V. Bartolomeu Dias, navegador português, tadas pelos navegantes durante as viagens no
foi o responsável pela passagem pelo sul mar. Lembre-os de que é preciso estabelecer
da África e pela chegada às índias. uma interlocução que, mesmo sendo ficcional,
deve corresponder ao contexto sócio-histórico
a) Apenas as afirmações I, III e V estão
da época. Ao final, eles devem anexar o mapa
corretas.
à carta como forma de ilustrar possíveis descri-
ções nela contidas.
b) Apenas as afirmações I e IV estão cor-
retas.
Recursos para ampliar a perspectiva
c) Apenas as afirmações II e V estão corre-
do professor e do aluno para a
tas. compreensão do tema

d) Apenas as afirmações I, IV e V estão livro


corretas. MICELI, Paulo. O ponto onde estamos: via-
gens e viajantes na história da expansão e da
e) Apenas as afirmações III, IV e V estão conquista (Portugal, séculos XV e XVI). 4. ed.
corretas. Campinas: Unicamp, 2008.

23
Revista Site
História Viva: grandes temas. Mar português: Portugal – Um destino marítimo. Disponível
a epopeia de um pequeno país europeu que em: <http://www.unicamp.br/~aulas/numero2.
iniciou no século XV a globalização. Edição htm>. Acesso em: 11 ago. 2009. Consulte o
especial temática, n. 14. São Paulo: Duetto, vídeo disponível nesse endereço a respeito do
2006. “destino marítimo” português.

SITUAçãO DE APRENDIzAGEM 3
SOCIEDADES AFRICANAS DA REGIãO SUBSAARIANA
ATÉ O SÉCULO XV
O objetivo desta Situação de Aprendiza- até o século XV eram primitivas e atrasadas.
gem é propiciar aos alunos a compreensão As estratégias sugeridas enfatizam a siste-
de que a África não era um continente uno, matização das ideias por meio de esquemas
ou seja, havia regiões e povos diferentes, com gráficos e fichamentos. As habilidades escri-
suas especificidades culturais, políticas e so- toras também são reforçadas por meio da
ciais. Também pretende contribuir para a produção textual que finaliza esta Situação
crítica à ideia de que as sociedades africanas de Aprendizagem.

tempo previsto: 3 aulas.

Conteúdos e temas: sociedades africanas da região subsaariana até o século XV.

Competências e habilidades: pensar historicamente e problematizar, em sua multiplicidade, a ideia de


África dos alunos.

Estratégias: aula expositiva, dinâmica em grupos.

Recursos: mapas e textos.

Avaliação: participação e produção textual.

Sondagem e sensibilização
Para realizar a sondagem inicial, escreva seguintes perguntas: Você acha que o continen-
na lousa “África subsaariana” e, então, per- te africano sempre foi dividido da maneira que
gunte aos alunos o que eles entendem por hoje conhecemos? Se não, por quê? Como teria
isso. Logo abaixo, registre as observações. sido essa divisão anteriormente? Apresente es-
Em seguida, solicite que analisem o mapa sas questões e deixe as respostas em aberto,
que consta do Caderno do Aluno represen- ressaltando que ao término do conteúdo elas
tando os atuais países da África. Proponha as serão retomadas.

24
História - 1a série - Volume 4

África – Político

Mapa político da África.

Análise de texto historiográfico excertos informativos a esse respeito. Sugeri-


mos as seguintes formas de trabalho:
Este roteiro está pautado na análise de
trechos historiográficos que abordam temas Esquema gráfico
variados acerca de algumas sociedades afri-
canas subsaarianas existentes até o século f Leia os textos com os alunos e peça-lhes
XV, mais especificamente as localizadas na que, primeiramente, façam a observação
África Ocidental e Centro-Ocidental. A in- do esquema do Texto 1 disponibilizado
disponibilidade ou a produção reduzida de no Caderno do Aluno. Em seguida, eles
materiais didáticos sobre a história e a cultu- devem fazer, ao final de cada leitura, um
ra africanas para o Ensino Médio levou-nos esquema dos demais textos. O esquema
a centrar esta atividade em torno de alguns gráfico articula as principais ideias com

25
a utilização de flechas e travessões. Você na medida em que focaliza o que é mais im-
pode dividir os alunos em grupos e pedir portante dentro do texto. Nesse caso, as ideias
que cada um fique responsável por elabo- deverão ser elencadas de maneira sequencial,
rar o esquema de um dos textos e, em se- uma após a outra, precedida por uma flecha
guida, por apresentar o cartaz produzido ou travessão. Alerte-os para a possibilidade de
em papel kraft para a classe. Estimule-os colocar subtítulos, organizando as ideias por
a socializar com os colegas os esquemas temas e subtemas.
elaborados, explicando as articulações re-
alizadas. Você pode optar pela ênfase em uma das
estratégias (o esquema gráfico ou o fichamen-
Fichamento
to), ou ainda, estimular o trabalho com am-
Leia os textos com os alunos e, na se- bas as possibilidades. Inicialmente, convide-os
quência, indague-os a respeito dos pontos a observar o mapa da África e a região que
principais e peça que registrem suas conside- será tratada nas discussões: do atual Senegal
rações no Caderno do Aluno, na forma de um até Angola. No decorrer das análises histo-
fichamento. Aproveite a oportunidade para riográficas, sempre localize geograficamente a
lembrar que o fichamento é uma estratégia de região referida. Observamos, ao final de cada
seleção e sistematização de ideias que pode excerto, alguns aspectos que podem ser valo-
colaborar muito na organização dos estudos, rizados por você.

texto 1
“A história desta região, que vai do Senegal a Angola, revela a presença de povos, desde há muito,
conhecedores da agricultura e do ferro. Pertencentes aos milenares troncos linguísticos nigero-congolês
ou banto, sua organização social ficou marcada por uma luta feroz contra a natureza hostil. [...] Des-
de o século X, estas áreas de intensiva produção agrícola e cultural foram se multiplicando por vales
fluviais e terras altas, em qualquer lugar onde a enxada de lâmina estreita ou um bastão para cavar,
instrumentos da sobrevivência cotidiana, pudesse fecundar o solo. Foi assim que no século XI, um
povo, chamado por seus precursores de tellem, se instalou nas falésias do Mali para cultivar as bordas
do extenso planalto de Bandiagara. Nas frestas de pedras, em profundas cavernas, esses agricultores
estocavam grãos, enterravam seus mortos e erguiam oferendas a seus deuses. A partir do século XV, tal
gente vai lentamente sendo absorvida por um povo de diversa origem, os dogons. Criativos a ponto de
aproveitar a menor gota d’água que encontrassem, eles cultivavam o milhete ou painço. Além disso, no
curso interior do Rio Níger, aproveitavam áreas favoráveis para plantar arroz de sequeiro.”
PRIORE, Mary Del; VENANCIO, Renato Pinto. Ancestrais: uma introdução à história da África Atlântica.
Rio de Janeiro: Elsevier, 2004. p. 2-3.

Esse trecho trata do domínio sobre a natu- foram rotuladas muitas vezes. Vale ressaltar o
reza de alguns povos africanos da região que fato de que já conheciam a metalurgia, uma
destacamos. A prática da agricultura deve ser vez que trabalhavam o ferro, indicando mais
discutida com os alunos a fim de mostrar como uma tecnologia que possuíam. Alguns produ-
essas sociedades desenvolveram suas técnicas tos agrícolas são citados, o que pode sugerir
de produção e armazenamento agrícolas, evi- um debate sobre o hábito alimentar dessas
denciando que não eram primitivas, como sociedades.

26
História - 1a série - Volume 4

texto 2
“Entre os cubas, cujo reino se localizava a nordeste da região do Congo, aldeias possuíam quartei-
rões de celibatários agrupados na chamada ‘rua das crianças pequenas’. A situação era mais severa,
ainda, para as mulheres. Um dos primeiros viajantes estrangeiros a chegar ao Benim anotou: ‘A mulher
fértil é muito considerada, a estéril, desprezada’. Ter filhos era fundamental para o status social dos
pais. Filhos garantiam seu bem-estar na velhice, asseguravam sua sobrevivência como ancestrais, de-
terminavam a existência de grupos familiares em sociedades, por vezes, violentas. O risco que se corria,
entre os sem descendência, era o de serem absorvidos por grupos cujas parentelas fossem mais amplas e
mais fortes. Eis por que a captura de prisioneiros quer adultos ou recém-nascidos era um dos principais
objetivos da guerra. A proteção de futuras mães e filhos era uma das preocupações fundamentais da
medicina e dos rituais de feitiçaria. A fecundidade das mulheres também era um dos temas recorrentes
da arte. Na região de Solongo, no reino do Congo, por exemplo, esculturas em madeira lembram o
lugar fundamental das mães de soberanos no terreno da política familiar e local. Estas estatuetas se
caracterizam pelo porte do boné real, insígnia de poder, colares de dentes de leopardos e braceletes —
o número de braceletes indicando o nível social da pessoa. Os ombros cobertos de escarificações com
variados motivos representam os ‘nós da eternidade’, símbolos, portanto, ligados aos temas da vida,
da morte e da renovação.”
PRIORE, Mary Del; VENANCIO, Renato Pinto. Ancestrais: uma introdução à história da África Atlântica.
Rio de Janeiro: Elsevier, 2004. p. 12.

O excerto acima mostra como era a vida fa- Outro ponto fundamental a ser discutido é a
miliar entre alguns povos da região do Congo. importância funcional dos filhos que, além de
Ressalte a importância do casamento e da cuidar dos pais na velhice, podiam garantir
maternidade para a sociedade, que tratava de a coesão do grupo familiar em momentos de
maneira discriminatória os solteiros e os que instabilidade. Por causa da fecundidade, a fi-
não tinham filhos, e o modo como isso era gura feminina tinha um significado simbólico
pior para a mulher, evidenciando a existência que se expressava na arte (aproveite para ana-
de uma diferenciação com relação ao gênero. lisar a estatueta descrita).

texto 3
“As tarefas de sobrevivência eram, em geral, semelhantes, mas o trabalho feminino na terra, por
exemplo, variava de cultura para cultura. Podia ser preponderante, como os anjicos, do lago Malebo,
no atual zaire; ou podia ser mínimo, como ocorria entre os iorubás. De maneira geral, o desmatamen-
to ficava por conta dos homens. A plantação e a retirada de ervas daninhas, com as mulheres. Todos
participavam das colheitas. Os grupos familiares raramente possuíam bens comuns, mas, em alguns
grupos da floresta e da parte sul da savana, as mulheres dominavam o pequeno comércio, possuindo
uma autonomia pouco vista em outras culturas. As atribuições e atividades femininas também não
eram homogêneas, variando de acordo com as categorias. Em Bornu, grande reino da savana sudane-
sa, por exemplo, a posição elevada das mulheres dos monarcas tomando parte nas decisões políticas e
controlando vastos territórios, contrastava com a submissão de jovens lavradoras, bem mais moças do
que seus maridos — para não mencionar as atividades pesadas desempenhadas pelas escravas.”
PRIORE, Mary Del; VENANCIO, Renato Pinto. Ancestrais: uma introdução à história da África Atlântica.
Rio de Janeiro: Elsevier, 2004. p. 16-17.

27
Nesse trecho, há uma discussão sobre os de acordo com a cultura, com o gênero e com
papéis femininos e masculinos no mundo do a posição social. As relações entre homem
trabalho, bem como, dentro de um mesmo e mulher podem ser debatidas, em especial,
gênero, as diferenças ocasionadas pela posi- a submissão das esposas muito mais jovens
ção social diversa. Enfatize essas variações que os maridos.

texto 4
“A maior parte dos autores considera difícil reconstituir as ideias e práticas religiosas, pois essas
eram constantemente renovadas. [...] Os bantos mantiveram certa homogeneidade religiosa da qual
sua língua é testemunha. Certas palavras provam que ideias sobre um espírito criador, espíritos de an-
cestrais e da natureza, filtros e feitiços, rituais e feiticeiros eram comuns. Cada grupo, contudo, chegava
a ideias e práticas específicas. No século XV, por exemplo, o povo congo parece ter partilhado a noção
de que um ‘espírito criador’ estaria acima dos demais, e que as forças da natureza e dos ancestrais eram
muito ativas. [...] Os iorubás e outros povos aparentados veneravam, por sua vez, várias divindades: os
orixás, divindades da natureza (trovão, rios, arco-íris etc.) que, depois de sua deificação foram assimi-
lados a ancestrais fundadores de dinastias. Elas intercediam entre os homens e o deus criador, Olodum.
Entre estes orixás, Xangô, com o rosto sempre coberto pelas franjas de sua coroa de contas, tinha um
lugar especial no panteão dos deuses. Terceiro ou quarto rei de Oió, cidade situada ao norte do reino
iorubá, na Nigéria, ele era ao mesmo tempo temido no que diz respeito à justiça e venerado por suas
manifestações, que trazem chuvas regulares. [...] Os iorubás e outros povos aparentados serviam a um
orixá quer por herança, quer porque a divindade, por intermédio de um adivinho, os teria escolhido.
Alguns orixás eram reconhecidos em certas aldeias ou cidades, outros, em toda uma área cultural. [...]
As coisas mudam quando surge o Islã. Esse se expandiu pela savana, em boa parte, graças ao comércio.
Onde houvesse entrepostos ele se instalava. O Alcorão chegava junto com as barras de sal, os fardos
de tecidos, os cestos, os objetos de cobre e os alimentos. Ia se insinuando, graças ao prestígio de que
gozavam estas comunidades de mercadores.”

PRIORE, Mary Del; VENANCIO, Renato Pinto. Ancestrais: uma introdução à história da África Atlântica.
Rio de Janeiro: Elsevier, 2004. p. 24-27.

Neste ponto, devem ser discutidas as va- no sempre foi dividido desta maneira? Se não,
riadas manifestações religiosas existentes. como teria sido? Com base no que foi discu-
Destaque a mudança ocorrida com a che- tido, peça aos alunos que respondam à ques-
gada dos muçulmanos, retomando alguns tão no Caderno do Aluno. Leia e discuta suas
aspectos anteriormente trabalhados sobre a produções. Espera-se, com essa atividade, que
religião islâmica e a maneira como entraram os alunos possam compreender que a África
em choque com as práticas religiosas em vi- não era um continente uno: havia diferenças
gor nesses locais. entre os habitantes das diferentes regiões. A
divisão atual da África foi concluída no século
Por fim, retome a pergunta feita durante a XX, fato que não levou em conta suas especi-
sondagem inicial: Será que o continente africa- ficidades culturais.

28
História - 1a série - Volume 4

Exemplos de esquemas com base no conteúdo dos excertos:

Esquema do texto 1

áfrica subsaariana

Região abordada Senegal até Angola

Tronco linguístico Nigero-congolês

Século X Intensa produção


agrícola e cultural

Utilização de enxada

Século XI Povo chamado de tellem

Estocou alimentos nas Enterrava seus mortos e oferecia


cavernas oferendas aos seus deuses

Século XV Dogons Povo que absorveu os tellem

Cultivavam painço
e arroz

29
Esquema do texto 2

Cubas Reino localizado a noroeste da região do Congo

Separação geográfica Havia quarteirões de celibatários


nas aldeias

“Rua das crianças pequenas”

Férteis Consideradas
Mulheres
Estéreis Desprezadas

Garantiam o bem-estar na velhice


Filhos

Ajudavam a garantir a existência do grupo familiar

Futuras mães e filhos Protegidos pela medicina e pelos rituais de feitiçaria

Fecundidade Tema artístico

30
História - 1a série - Volume 4

Esquema do texto 3

tarefas de trabalho Variavam de região para região

Em geral

Homens Mulheres

Colheita

Desmatamento Plantação e retirada


de ervas daninhas

Bornu Reino da savana sudanesa

Mulheres dos monarcas Jovens lavradoras

Participavam das decisões políticas Submissas aos maridos

31
Esquema do texto 4

Práticas religiosas Difíceis de reconstituir

Bantos Mantiveram certa homogeneidade religiosa

Certas palavras provam que ideias


sobre um espírito criador, espíritos de
ancestrais e da natureza, filtros e feiti-
ços, rituais e feiticeiros eram comuns

Partilhava a noção de que um “espírito


Povo do Congo criador” estaria acima dos demais, e que
as forças da natureza e dos ancestrais
eram muito ativas

Século XV

Veneravam, por sua vez, várias divindades:


Iorubás os orixás, divindades da natureza
(trovão, rios, arco-íris etc.) que, depois de
sua deificação, foram assimilados a
ancestrais fundadores de dinastias

Mudanças com a chegada do Islã

Expansão pela savana graças ao comércio

32
História - 1a série - Volume 4

Proposta de questões para e os africanos, e como isso fortaleceu o esta-


avaliação belecimento de perspectivas preconceituosas
sobre este continente.
1. “‘Civilizados até o tutano dos ossos!’ A
exclamação entusiasmada veio de Léo 3. Leia o trecho a seguir: “quando Diogo Cão
Frobenius ao estudar a organização, a so- chegou à foz do Rio zaire em 1483 e conta-
lidez e a opulência do — chamado pelos tou pela primeira vez o mani Soyo, chefe da
europeus — reino do Congo, situado ao sul localidade na qual aportara, entre as mais
do golfo da Guiné. E por que o espanto? poderosas e com a mais sólida e respeitada
As razões eram várias. Ao chegar aí, os linhagem de chefes, o Congo era um reino
portugueses encontraram uma estrutura relativamente forte e estruturado. Forma-
estatal organizada. É óbvio que organizada do por grupos bantos, abrangia grande ex-
não nos moldes europeus, mas africanos.” tensão da África Centro-Ocidental e com-
PRIORE, Mary Del; VENANCIO, Renato Pinto. punha-se de diversas províncias. Algumas
Ancestrais: uma introdução à história da África dessas províncias, como as de Soyo, Mba-
Atlântica. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004. p. 138. ta, Wandu e Nkusu, eram administradas
por membros de linhagens enraizadas na
O que pode indicar o espanto dos europeus região que detinham os cargos de chefia há
ao concluírem que o reino do Congo era muitas gerações. Outras províncias eram
civilizado? administradas por chefes escolhidos pelo
rei dentre a nobreza que o cercava na capi-
O fato de tal sociedade africana também
tal. Esses chefes permaneciam nas aldeias
ser civilizada; porém, de um modo diferen-
que governavam por um período de geral-
te do estabelecido pelos padrões europeus,
mente três anos, sendo depois substituídos
evidenciando a relativização desse conceito.
por outros. Havia, dessa forma, duas clas-
O espanto indica que os europeus não es-
ses de chefes: uma mais influente e depen-
peravam encontrar sociedades organizadas
na África, sinal de que partiram do pressu- dente do rei quanto às terras e às rendas
posto de que eram superiores aos povos que auferidas dos cargos que lhes eram atri-
viviam fora da Europa. buídos, e outra com direito à terra e renda
independentemente do rei, gozando de um
2. “A África foi uma ‘invenção’ europeia. No direito herdado. Os chefes da primeira ca-
Velho Mundo elaboraram-se, lentamente, tegoria eram descendentes de invasores que
visões sobre o continente africano. [...] A se estabeleceram na região, conquistando
cor negra, associada à escuridão e ao mal, seu controle político, e os chefes da segun-
remetia no inconsciente europeu, ao infer- da categoria eram membros das linhagens
no e às criaturas das sombras.” PRIORE, locais dominantes, que tiveram seu poder
Mary Del; VENANCIO, Renato Pinto. Ances- reconhecido pelos grupos invasores, com
trais: uma introdução à história da África Atlân- os quais estabeleceram novas relações po-
tica. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004. p. 54-6. líticas. Em ambos os casos os chefes locais
eram encarregados de coletar os impostos
Explique a frase: A África foi uma “inven- devidos ao rei, além de recolherem para si
ção” europeia. parte do excedente da produção.” SOUzA,
Marina de Mello e. Reis negros no Brasil escravis-
Essa frase problematiza a visão preconcei- ta: história da festa de coroação de Rei Congo.
tuosa criada pelos europeus sobre a África Belo Horizonte: Editora UFMG, 2002. p. 45.

33
Com relação à estrutura política dessa re- ral, ou pelo privilégio do mais velho, o
gião, pode-se afirmar que: nkuluntu. Como nelas a produção supria
apenas o básico, não havia um acúmulo
a) não havia centralização administrativa, de bens que permitisse sinais exteriores de
uma vez que o poder era compartilhado status para os chefes.” SOUzA, Marina de
por todos os habitantes. Mello e. Reis negros no Brasil escravista: história
da festa de coroação de Rei Congo. Belo Hori-
b) a administração do governante era vi- zonte: Editora UFMG, 2002. p. 47.
talícia, por se caracterizar como uma
monarquia do tipo hereditária. Segundo o texto, pode-se afirmar que:

c) existiam duas classes de chefes locais a) na sociedade congolesa, os descenden-


que governavam as aldeias por um pe- tes da elite eram colocados à margem da
ríodo estipulado. sociedade.

d) o reino do Congo possuía um poder b) não havia divisão social entre os congo-
centralizado, no qual o rei administrava leses.
todas as localidades sem a necessidade
de chefes regionais. c) nas aldeias, o controle sobre a religião e
sobre os bens agrícolas produzidos era
Politicamente, os chefes dividiam-se em dois feito pela mesma pessoa.
grupos: os de primeira categoria (descenden-
tes de invasores) e os de segunda categoria d) havia diferenças entre as cidades e as al-
(membros de linhagens locais dominantes). deias; as aldeias deviam passar parte de
sua produção às cidades.
4. Após a leitura do trecho responda à ques-
tão: “A divisão fundamental na sociedade O repasse de parte da produção das aldeias
congolesa era entre as cidades — mbanza (lubata) para as cidades (mbanza) define o
— e as aldeias — lubata. A tradição repre- caráter hierárquico na gestão da produção
sentava esta divisão como entre povos que excedente.
vieram de fora e os nativos, submetidos
àqueles. Os descendentes dos estrangeiros 5. Leia o texto e responda à questão: “Nos
seriam os membros da elite que podiam primeiros séculos do segundo milênio de
postular o poder central, que moravam nossa era, desenvolveram-se, no curso in-
na capital e governavam as províncias ferior do Rio zaire, vários tipos de estru-
por indicação do mani Congo. A lubata turas políticas, nas quais já houve quem re-
era dominada pela mbanza, que podia re- conhecesse, isoladas ou a se combinarem,
quisitar parte do excedente das aldeias. três fontes de autoridade ou poder. Uma
Os chefes das aldeias — nkuluntu — fa- delas defluía dos ancestrais e tomava forma
ziam a ligação entre os setores, recebendo nos clãs ou nas linhagens, naquilo que os
o excedente agrícola e repassando parte congos [Bacongo, Kongo, Bakongo] chama-
deste para os representantes das cidades, vam de canda e que estabelecia o vínculo
reconhecidos como superiores políticos. genealógico entre os que a integravam e os
Nas aldeias, a apropriação do excedente que primeiro tinham ocupado determinada
era justificada pelo poder de mediação do área de terra ou a haviam cedido a outros.
kitomi, chefe religioso, com o sobrenatu- Dentro de cada canda contavam-se vários

34
História - 1a série - Volume 4

ramos ligados entre si por um sistema de Propostas de Situações de


parentesco simbólico e perpétuo, cujas hie- Recuperação
rarquias podiam favorecer a ampliação e a
centralização da autoridade no cabeça do Proposta 1
mais antigo segmento do clã. quando a ri-
queza e a força se localizavam noutro ramo, Solicite aos alunos que façam uma pesqui-
mais feliz na sua política de matrimônios sa a respeito da influência de alguns ritos reli-
e de alianças, mais hábil em arregimentar giosos das sociedades africanas estudadas em
clientes e com eles e com escravos aumen- relação à cultura brasileira. Você deve apontar
tar o seu número, as tradições genealógicas
a importância de respeitar as diferentes cren-
eram provavelmente alteradas, para se con-
ças religiosas.
formarem à realidade. A própria mecâni-
ca do casamento facilitava a concentração
da riqueza, do prestígio e do poder: era de
Proposta 2
regra desposar primas em primeiro ou se-
gundo grau por parte do irmão ou da irmã Solicite que confeccionem um mapa da
do pai (que não pertenciam à mesma canda África marcando onde se localizam as socie-
do marido, por ser esta matrilinear) ou por dades estudadas. Peça, ainda, que façam uma
parte do irmão da mãe.” SILVA, Alberto da pesquisa para aprofundar conhecimentos a
Costa e. A enxada e a lança: a África antes dos por- respeito de uma dessas sociedades.
tugueses. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1996. p.
491. Recursos para ampliar a perspectiva
do professor e do aluno para a
A alternativa que melhor exprime o con- compreensão do tema
teúdo do texto é:
livros
a) o casamento tinha um importante papel
na sociedade, pois garantia a concentra- LOPES, Ana Mónica; ARNAUT, Luiz. His-
ção da riqueza. tória da África: uma introdução. Belo Hori-
zonte: Crisálida, 2005.
b) os vínculos genealógicos não eram re-
levantes para as sociedades do Congo PRIORE, Mary Del; VENANCIO, Renato
(Bacongo, Kongo, Bakongo).
Pinto. Ancestrais: uma introdução à história
da África Atlântica. Rio de Janeiro: Elsevier,
c) as fontes de autoridade e poder na re-
2004.
gião do Congo estavam relacionadas ao
processo eleitoral.
Site
d) os casamentos eram realizados exclusi-
vamente por vínculos de afeto. Problemas de identidade nacional na África.
Consulte o vídeo disponível nesse endereço a
Por meio dos casamentos, eram seladas respeito dos problemas da identidade nacional
alianças de caráter econômico que propi- na África. Disponível em: <http://www.uni
ciavam a concentração das riquezas, do camp.br/~aulas/numero2.htm>. Acesso em: 11
prestígio e do poder. ago. 2009.

35
SITUAçãO DE APRENDIzAGEM 4
A VIDA NA AMÉRICA ANTES DA CONqUISTA
EUROPEIA: AS SOCIEDADES MAIA, INCA E ASTECA

Presente em alguns livros didáticos de ma- vidade interativa entre os alunos, com a sua
neira desenvolvida e em outros de maneira intensa participação, de modo a incentivá-los
tópica ou ausente, a temática desta Situação a trabalhar o interesse e a curiosidade que co-
de Aprendizagem nem sempre é tratada em mumente nutrem pelas sociedades maia, inca
sala de aula. O que propomos aqui é uma ati- e asteca.

tempo previsto: 3 aulas.

Conteúdos e temas: a vida na América antes da conquista europeia: as sociedades maia, inca e asteca.

Competências e habilidades: reconhecimento de diferentes aspectos ligados à cultura de maias, incas e


astecas e valorização e reconhecimento da cultura Pré-colombiana.

Estratégias: aula expositiva e dinâmica em grupos.

Recursos: texto e aula expositiva.

Avaliação: pesquisa, participação e produção textual.

Sondagem e sensibilização problematizar o assunto, considerando que


tanto uma prática como outra partem do
Ao apresentar a temática desta Situação de princípio de que os índios eram selvagens e
Aprendizagem, você pode perguntar aos alu- sem cultura e que se beneficiaram com a con-
quais os conhecimentos que possuem sobre o quista espanhola. Essa temática será retoma-
tema. Em geral, eles se recordam de Machu da posteriormente ao longo desta Situação de
Picchu e das grandes construções que são as- Aprendizagem.
sociadas ao local ou, mesmo, de filmes recen-
tes como Apocalypto, de Mel Gibson. Nessa Nas aulas que antecederem o desenvolvi-
oportunidade, coloque para a classe a seguinte mento do tema desta Situação de Aprendiza-
questão: Como vocês imaginam que era a vida gem, sugerimos que você distribua os alunos
nas Américas antes da chegada dos europeus? em seis grupos para a elaboração de ativida-
Observe as respostas, complementando-as ou des de pesquisa sobre os maias, os incas e os
problematizando-as. Você pode destacar que astecas. Para essa atividade, você pode dispo-
os europeus, quando chegaram à América, nibilizar um roteiro comum a todos, indicar
encontraram diferentes populações indígenas algumas temáticas e solicitar-lhes que pen-
com os mais variados graus de organização e sem em uma forma de apresentar aos colegas
complexidade social, política, cultural e reli- os resultados da pesquisa realizada ao longo
giosa. Caso alguém se refira à “colonização” de uma aula (sugerimos, a seguir, um roteiro
dos índios ou de uma suposta “civilização” de pesquisa e um quadro de temas possíveis a
levada a termo pelos espanhóis, não deixe de serem pesquisados). Esses resultados poderão

36
História - 1a série - Volume 4

ser disponibilizados no formato de um jornal temáticas indicadas


com diferentes notícias a respeito dos conhe-
cimentos obtidos, ou ainda por meio de semi- f Organização social;
nário, apresentação teatral ou outra forma que f Organização política;
você julgar mais interessante ou conveniente. f Organização espacial;
Contudo, além da apresentação, solicite aos es- f Meios de sobrevivência;
tudantes que entreguem um trabalho final com f Religião;
as características principais do povo pesquisa- f Tecnologias e invenções;
do. Para que todos tenham no Caderno do Alu- f Práticas culturais;
no as anotações referentes aos três conteúdos, f Encontro com os europeus;
estimule-os a elaborar uma síntese (com base f Mitos de criação.
no material didático de que dispõem, com os
dados das apresentações e com a sua ajuda). Segundo um grande número de evidências,
Com uma aula expositiva, complete as infor- a presença europeia na América do Norte se
mações que eventualmente faltarem. Para essa deu há quase cinco séculos antes da chegada
síntese, sugerimos que não deixe de lado alguns de Colombo (com os vikings).
aspectos importantes, apresentados a seguir.

Orientações de pesquisa “quando da chegada dos espanhóis à


América, estes encontraram uma grande hete-
Solicite aos alunos que, individualmente, rogeneidade etnográfica com os mais diferen-
em duplas ou em grupos, dirijam-se à biblio- ciados graus de organização social, política e
teca da escola ou a alguma outra biblioteca cultural. Em relação aos maias, incas e aste-
pública para fazer a pesquisa a seguir. cas, atualmente está fora de dúvidas o nível de
desenvolvimento alcançado por essas socieda-
Sugira que busquem livros de História des. Os próprios cronistas hispânicos, horrori-
da América que contemplem o período zados com a idolatria, os sacrifícios humanos
Pré-colombiano e façam uma seleção e clas- e a sodomia, elogiaram a ordem, a disciplina,
sificação do conteúdo com base nas questões a religiosidade, a educação dos jovens, a sabe-
sugeridas por você. É desejável que evitem doria dos legisladores, a limpeza das cidades,
reproduções completas de trechos longos, as construções, o comércio, a vida urbana tão
priorizando a síntese das leituras feita com as boa ou melhor que na Espanha. Tenochtitlan
próprias palavras do aluno. Nessa pesquisa, tinha, em 1519, segundo estimativas moder-
peça também que localizem imagens dos po- nas, entre 250 mil e 300 mil habitantes, e Las
vos estudados e que as exponham em cartoli- Casas lhe atribuiu 50 mil casas construídas.
nas para os colegas (elas podem ser xerocadas Nem Paris, Nápoles, Milão ou Veneza tinham
e coladas, desenhadas ou, no caso de pesquisa essa população. Sevilha, a maior cidade da
realizada na internet, impressas) em uma ex- Espanha, só tinha 120 mil habitantes. Isso é
posição em que poderão falar sobre seu con- suficiente para mostrar que se tratava de so-
teúdo e sobre o que pesquisaram. ciedades complexas, para não citar as realiza-
ções arquitetônicas, artísticas e científicas.”
Com os resultados organizados em forma
de texto, a etapa a seguir consistirá na esco- BRUIT, Héctor Hernan. Bartolomé de las Casas e a simu-
lha da apresentação, que poderá contar com lação dos vencidos. Campinas: Editora da Unicamp; São
a criatividade dos alunos e com as suas indi- Paulo: Iluminuras, 1995. p. 43.
cações.

37
É importante que fique claro que, antes da No contexto da colonização espanhola na
chegada dos europeus, as sociedades america- América, é possível afirmar que:
nas experimentaram vários níveis de comple-
xidade, no que se refere à organização política, a) colonizadores e religiosos concordavam
social, econômica e tecnológica. com a necessidade de catequizar os indí-
genas.
Avaliação da Situação de
Aprendizagem b) a colonização da América caracteri-
zou-se, principalmente, pelo respeito
Com esta Situação de Aprendizagem, es- aos valores e aos costumes das popula-
pera-se que os alunos possam compreender, ções nativas.
por meio da pesquisa empreendida e das suas
intervenções, importantes conteúdos relacio- c) os religiosos condenavam as práticas
nados à vida das sociedades Pré-colombianas, dos conquistadores, pois pretendiam
além de ter uma percepção crítica a respeito se apoderar das riquezas materiais do
do contato entre os indígenas e os europeus. Novo Mundo.
Proposta de questões para avaliação d) a atuação de Las Casas caracterizou-se
por condenar o uso da força contra os
1. Escolha um tema comum relacionado às
indígenas, propondo sua conversão re-
civilizações Pré-colombianas (organização
ligiosa.
social, política, econômica, religiosa, cul-
tural etc.) e elabore uma análise sobre as
e) a atuação de Las Casas caracterizou-se
diferenças e semelhanças existentes entre
pela preocupação exclusiva com a con-
as culturas estudadas.
versão dos indígenas, ignorando as prá-
2. Estima-se que nos primeiros anos de conta- ticas de força dos soldados espanhóis.
to entre os espanhóis e os nativos, tenham
morrido milhões de indígenas. A que fato- Las Casas expressou os compromissos as-
res se podem atribuir essas mortes? sumidos por representantes da Igreja,
diante da violência praticada contra os in-
Às doenças transmitidas pelos conquistado- dígenas durante o processo da conquista da
res, aos suicídios, aos abortos e, sobretudo, América, propondo sua catequização para
à violência e aos assassinatos cometidos pe- integrá-los ao projeto de colonização.
los espanhóis.
4. qual dos itens a seguir apresenta as três ci-
3. Em meados do século XVI, frei Bartolo- vilizações indígenas colonizadas pelos es-
meu de Las Casas, em textos bastante co- panhóis?
nhecidos, denunciava que os espanhóis, em
vez de favorecer a conversão dos indígenas a) Tupis, guaranis e astecas.
da América, preferiam dificultar a ação dos
religiosos, visando a abrir caminho para a b) Maias, incas e astecas.
escravização das populações nativas e a
conquista de suas riquezas, especialmente c) Guaranis, maias e incas.
dos metais, sempre desejados pelos euro-
peus. d) Incas, tupis e maias.

38
História - 1a série - Volume 4

Depois de estudar o conteúdo do bimestre, exercício em que as referências de época sejam


os alunos deverão identificar, claramente, os retratadas de forma coerente.
maias, incas e astecas como os povos con-
quistados pelos espanhóis. Recursos para ampliar a perspectiva
do professor e do aluno para a
Propostas de Situações de compreensão do tema
Recuperação
livros
Proposta 1
BRUIT, Héctor Hernan. Bartolomé de las Ca-
Solicite a montagem de um quadro de se- sas e a simulação dos vencidos. Campinas: Edi-
melhanças e diferenças entre os grupos maia, tora da Unicamp/Iluminuras, 1995.
inca e asteca que contemple questões relacio-
nadas a hábitos culturais, políticos, sociais e LEÓN-PORTILLA, Miguel. A conquista
econômicos. da América Latina vista pelos índios: rela-
tos astecas, maias e incas. Petrópolis: Vozes,
Proposta 2 1984.

Solicite a elaboração de um texto que re- Site


presente a percepção dos indígenas em rela-
ção aos espanhóis e destes pelos indígenas no Identidade Nacional das Américas. Vídeo so-
momento em que ocorreu o primeiro conta- bre identidade nacional na América espa-
to. Lembre-os que a situação, mesmo sendo nhola. Disponível em: <http://www.unicamp.
ficcional, deve contemplar as possibilidades br/~aulas/numero2.htm>. Acesso em: 11 ago.
históricas do período, tornando-se assim um 2009.

39
COnSidERAçÕES FinAiS
Caro(a) professor(a), valorizando sua atualidade historiográfica
e, além disso, estratégias que facilitam a
Com este Caderno, chegamos ao final do compreensão por parte dos alunos. Espera-
ano letivo. Buscamos, no processo de elabo- mos que os Cadernos apresentados tenham
ração do material desses quatro bimestres, contribuído para facilitar o seu trabalho e
priorizar aspectos significativos dos con- para a melhoria das condições de aprendi-
teú dos previstos na Proposta Curricular, zagem dos estudantes.

40