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PROJUDI - Processo: 0001406-15.2011.8.16.0175 - Ref. mov. 89.

1 - Assinado digitalmente por Ana Cristina Cremonezi:10201


23/03/2015: JULGADA PROCEDENTE A AÇÃO. Arq: sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO PARANÁ
Seção Judiciária de Cornélio Procópio
COMARCA DE URAÍ
Autos nº. 1406-15.2011

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ5UM CCMJ6 EXNWR 865RA


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Autos nº. 1406-15.2011
Natureza: AÇÃO CIVIL PÚBLICA
Requerente: MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO PARANÁ
Requeridos: SÉRGIO HENRIQUE PITÃO
ESPÓLIO DE SUSUMO ITIMURA

Vistos,

I – RELATÓRIO
Trata-se de Ação Civil Pública proposta pelo
Ministério Público do Estado do Paraná em face de SÉRGIO HENRIQUE
PITÃO e ESPÓLIO DE SUSUMO ITIMURA.

Segundo o representante do Ministério Público


desta Comarca, os requeridos cometeram ato de improbidade
administrativa, pois houve o repasse mensal do valor de R$ 600,00
(seiscentos reais) ao requerido Sérgio Henrique Pitão, sem jamais ter
exercido qualquer trabalho para o município, desde o início do
mandato do requerido Susumo Itimura como prefeito de Uraí, no ano
de 2005.

Asseverou que eram emitidas “notas frias”, haja


vista que o requerido Sérgio Henrique Pitão não pertence ao quadro
de servidores públicos municipais ou sequer prestou qualquer serviço
ao departamento de esportes de Uraí, conforme consignado nas
notas emitidas.

Ressaltou que o requerido Sérgio Henrique Pitão


apoiava e auxiliava a campanha eleitoral do requerido Susumo
Itimura, nas eleições de 2004, no qual este concorreu ao cargo de
prefeito, vindo a ser eleito.

No curso do processo, houve a retificação do polo


passiva da ação, fazendo-se contar o Espólio de Susumo Itimura.

ANA CRISTINA CREMONEZI


Juiz de Direito
PROJUDI - Processo: 0001406-15.2011.8.16.0175 - Ref. mov. 89.1 - Assinado digitalmente por Ana Cristina Cremonezi:10201
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Os requeridos ofereceram manifestações, vindo a
petição inaugural a ser recebida, conforme despacho de folhas 219
(evento 1.10).

Devidamente citados, os requeridos apresentaram


tempestivamente as suas defesas, vindo o requerido Espólio de
Susumo Itimura a debater o mérito da presente ação, sem
apresentar qualquer preliminar.

O requerido Sérgio Henrique Pitão apresentou sua


contestação aventando como preliminar a incompetência deste Juízo
em virtude da prerrogativa de foro e, no mérito, ressaltou a
inexistência de má-fé.

As contestações foram impugnadas.

Intimados acerca da realização de produção de


prova, ambas as partes requerem a realização de audiência de
instrução para a oitiva de testemunhas.

A decisão de evento 18.1 afastou a preliminar


aventada, fixou os pontos controvertidos e designou a audiência de
instrução requerida pelas partes.

A audiência foi realizada com a oitiva de


testemunhas.

As partes apresentaram alegações finais.

É o breve relatório. DECIDO.

II – FUNDAMENTAÇÃO

Trata-se de Ação Civil Pública movida pelo i.


representante do Ministério Público em face de Susumo Itimura e
Sérgio Henrique Pitão, com fundamento na prática de atos de
improbidade administrativa, tendo em vista o desvio de verba

ANA CRISTINA CREMONEZI


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pública para pagamento de serviços nunca desempenhados,
ocasionando desta forma a emissão de “notas frias”.

Inaugura-se a incursão sobre a pretensão


deduzida em Juízo sobrelevando que o contemporâneo Estado
Democrático de Direito e a moderna sociedade brasileira deste
século encontram-se sob a égide da supremacia da Constituição da
República.

Agregue-se que o Estado Democrático de Direito


não pode ser apenas uma figura retórica, devendo a atuação de
todas as funções estatais preservar a integridade do ordenamento
constitucional, extirpando-se qualquer ato que afronte a Magna
Carta.

Kelsen já propalava que o ordenamento era “como


uma pirâmide hierárquica de normas, garantindo-se a hierarquia
normativa pelo controle de conformidade de normas de grau inferior
com os determinantes normativos de grau superior”.

Neste norte, insta salientar que, embora ínsitos à


estrutura da administração pública os princípios destacados na
exordial, houve por bem o constituinte expressá-los como normas de
obediência obrigatória no patamar constitucional.

Celso Antônio Bandeira de Melo define princípio


jurídico, consignando que se trata de “ mandamento nuclear de um
sistema, verdadeiro alicerce dele, disposição fundamental que se
irradia sobre diferentes normas compondo-lhes o espírito e servindo
de critério para sua exata compreensão e inteligência, exatamente
por definir a lógica e a racionalidade do sistema normativo, no que
lhe confere a tônica e lhe dá sentido harmônico” (apud:
ROTHENBURG, Walter Claudius. Princípios Constitucionais. Segunda
Tiragem. Sérgio Antonino Fabris Editor. Porto Alegre. 2003, pg. 14).

Assim sendo, imperioso concluir que os princípios


constitucionais possuem força normativa imanente, sendo
prescindível a edição de lei posterior para que vincule os atos sob
sua incidência.

Adverte, ainda, Walter Claudius Rothenburg que


“desconsiderar que os princípios já carregam um certo e suficiente
significado, e sustentar sua insuperável indeterminação, representa
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desprestigiar sua funcionalidade em termos de vinculação
(obrigatoriedade), continuando-se a emprestar-lhe uma feição
meramente diretiva, de sugestão, o que não se compadece,
absolutamente, com a franca natureza normativa que se lhes deve
reconhecer”. (op. Cit. pg. 22).

Por derradeiro, os ensinamentos de Emerson


Garcia e de Rogério Pacheco Alves corroboram o entendimento
externado supra:

“(...)Os princípios, a exemplo das regras, carregam


consigo acentuado grau de imperatividade, exigindo a
necessária conformação de qualquer conduta aos seus
ditames, o que denota o seu caráter normativo (dever ser).
Sendo cogente a observância dos princípios, qualquer ato que
deles destoe será inválido, consequência esta que representa a
sanção para a inobservância de um padrão normativo cuja
reverência é obrigatória.
Em razão de seu maior grau de generalidade, os
princípios veiculam diretivas comportamentais que devem ser
aplicadas em conjunto com as regras sempre que for identificada
uma hipótese que o exija, o que, a um só tempo, acarreta um
dever positivo para o agente – o qual deve ter seu atuar
direcionado à consecução dos valores que integram o
princípio – e um dever negativo, consistente na interdição
da prática de qualquer ato que se afaste de tais valores.
Constatada a inexistência de regra específica, maior importância
assumirão os princípios, os quais servirão de norte à resolução
do caso apreciado.
Em sua dimensão integrativa, os princípios conferem
maior unidade ao sistema normativo, possibilitando o
estabelecimento de uma conexão entre as múltiplas regras que o
compõem e permitindo que os valores que veiculam incidam de
forma adequada e coerente sobre diferentes situações, afastando
o risco de contradições no sistema.
(...)
Especificamente em relação aos princípios regentes
da atividade estatal, é importante lembrar que estão eles
inseridos, em profusão, no texto constitucional. Este fato,
longe de representar a mera constatação da força
legitimante da Constituição, por ocupar ela o ápice da
pirâmide normativa, torna cogente que aos princípios sejam
conferidas a normatividade e a imperatividade inerentes a
todo e qualquer comando contido na norma fundamental.
Negar essas características como inerentes aos princípios é
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o mesmo que negar a própria dignidade normativa da
Constituição, relegando a plano secundário sua rigidez e
supremacia e fazendo com que a adequação ao texto
constitucional seja vista sob um prisma meramente formal,
mantendo em plano secundário a pauta de valores
contemplada pelo Constituinte(...)”. (Improbidade
Administrativa, 3ª ed., Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2006. p. 39
e 40) [sem grifo no original]

Destaca-se, ainda, que:

Considera-se ato de improbidade administrativa o ilícito


praticado em razão do exercício de funções públicas
(cargos, empregos ou funções públicas). A improbidade
corresponde, assim, ao uso indevido dos poderes ou funções
atribuíveis ao Estado, seja porque importa o enriquecimento
do agente ou de terceiro, seja porque causa dano ao Erário,
ou porque significa desprestígio dos deveres a todos
dirigidos. (CARVALHO, Kildere Gonçalves. Direito
Constitucional. 14 ed. Belo Horizonte: Del Rey, 2008, p.
939).

Assim, o artigo 37 da Constituição Federal


consignou de modo taxativo os princípios que norteiam a
Administração Pública, fazendo-se por bem o fiel cumprimento de
seus preceitos, inexistindo quaisquer escusas para o seu fiel
cumprimento.

Inobstante os princípios consignados, o inciso II do


artigo 37 da Constituição Federal estabelece a necessidade de
realização de concurso público para a investidura em cargo público,
preceituando as demais formas para a contratação, qual seja, cargos
de provimento em comissão, desde que obedecido os preceitos
legais.

Sobre o tema, assevera CELSO ANTÔNIO


BANDEIRA DE MELLO: "O primeiro princípio constitucional atinente a
generalidade dos servidores da Administração direta, indireta ou
fundacional é o da acessibilidade aos cargos, empregos e funções
públicas a todos os brasileiros que preencham os requisitos

ANA CRISTINA CREMONEZI


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estabelecidos em lei (artigo 37, I), mediante concurso público, de
provas ou de provas e títulos, com ressalva das nomeações para
cargo em comissão, declarados em lei, de livre nomeação e
exoneração (artigo 37, II)." (Regime Constitucional dos Servidores da
Administração Direta e Indireta, editora Revista dos Tribunais, 2ª
edição, páginas 52 e 53);

Na mesma vertente, HELY LOPES MEIRELLES: "O


concurso é o meio técnico posto à disposição da Administração
Pública para obter-se moralidade, eficiência e aperfeiçoamento do
serviço público e, ao mesmo tempo, propiciar igual oportunidade a
todos os interessados que atendam aos requisitos da lei, consoante
determina o artigo 37, II, da Constituição da República" (Direito
Administrativo Brasileiro, editora Revista dos Tribunais, 15ª edição,
página 370).

Assim, frisa-se que duas são as espécies de


contratação de pessoal pela Administração Pública que prescindem
de concurso público. A primeira delas, como já dito, são as
nomeações para cargo em comissão (art. 37, II, da CF/88),
destinadas ao exercício temporário por pessoa de confiança da
autoridade competente. A segunda exceção ao princípio da
imprescindibilidade de concurso foi estabelecida no inciso IX do art.
37 da CF/88, in verbis:

Art. 37. (...)


IX - a lei estabelecerá os casos de contratação por tempo
determinado para atender a necessidade temporária de
excepcional interesse público.

Note-se que, mesmo na contratação temporária, o


recrutamento do pessoal a ser contratado será feito mediante
processo seletivo simplificado sujeito a ampla divulgação.

Acrescente-se, portanto, que não existindo lei


anterior que estabeleça os casos em que se torna possível este tipo
de contratação, estas não podem ser realizadas, sob pena de
legitimar o Estado a todo e qualquer tipo de contratação temporária,
o que a Constituição Federal expressamente veda (art. 37, II).

ANA CRISTINA CREMONEZI


Juiz de Direito
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Tecidas referidas considerações e reportando-se
ao presente caso em concreto, verifica-se que o requerido Sérgio
Henrique Pitão recebia quantias mensais sem qualquer vínculo
formal existente com o Município de Uraí.

Para referida conclusão, basta compulsar o


presente caderno processual, onde não se aufere qualquer
documentação que cumpra inescrupulosamente os requisitos
legalmente impostos.

Referida circunstância, isoladamente, bastaria


para o acolhimento da pretensão inaugural.

Todavia, por amor à argumentação, passa-se à


análise da prova oral coligida aos autos.

Corroborando com tal assertiva colaciona-se


abaixo os depoimentos das testemunhas ouvidas em audiência de
instrução:

JOÃO MAURÍCIO COSTA: O senhor exerce ou exerceu alguma


função nesse período? Eu sou motorista de ambulância já
há muitos anos. Em 2005 o senhor estava nessa função?
Sim. O senhor sabe se o Sérgio prestou algum serviço para
o Município a partir de 2005? A... eu não posso dizer com
certeza, eu sempre trabalhei com ambulância e ele sempre
esteve ali no posto de saúde. Acompanhou eu em algumas
transferências que eu fiz, ele teve. Só isso que eu sei. E
quanto tempo ele permaneceu ali auxiliando no posto de
saúde? O senhor tem uma noção? Mais ou menos que eu me
lembre foi uns 3, 4 anos que eu me lembre. Ele trabalhava
com que frequência lá no posto? Eu não sei, porque sempre
ele estava junto com o secretário de saúde. O senhor não
sabe qual era a atribuição dele ali? Não, eu não sei. Sabe se
ele chegou a prestar algum serviço na área de esporte nesse
período? Não, eu não sei. Algumas testemunhas disseram
que o Sergio ficava encarregado de levar algumas pessoas
para Arapongas, isso acontecia mesmo? Acontecia, ele foi
várias vezes comigo até.

ANA CRISTINA CREMONEZI


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JOÃO VITOR MARIANO: O que o senhor sabe sobre esses
fatos? Eu vou repetir o que eu disse da outra vez para o
Promotor, que 2005, 2006, 2007 e 2008, até no prazo que
ele iria ser candidato a prefeito ele pediu baixa... ele
recebeu dessa forma. E na época, eu disse que não tinha
conhecimento se ele trabalhava na área de esportes. Qual a
sua função dentro do Município? Eu estava lá na sede, na
tributação eu acho. E o que eu sabia é que ele ficava no
posto de saúde e que ele ajudava lá na área da saúde. É o
que eu sei até hoje desse fato. Tinha alguma contratação
dele formalizada? Eu não tenho conhecimento. Ele auxiliou
na campanha política do Itimura? Na época, ele estava no
grupo. Como arbitragem no departamento de esportes, o
senhor não conhece os trabalhos dele? Não. Só no
departamento de saúde? Só. Perguntas pelo Ministério
Público: Quando começou esses pagamentos? O senhor se
recorda? Me parece que foi 2005, foi quando o senhor
Itimura assumiu em 2005. Nessa época, ele era assessor
parlamentar? Ele trabalhava com o Kielsen, mas não posso
afirmar com certeza. Esse auxílio que o senhor falou na
saúde, se referia em que? Ele encaminhava os pacientes
para Arapongas, ao João de Freitas.

OMAR MOHAMED ZEBIAN: O que o senhor sabe a respeito


desses fatos? Bem pouco. Eu sei que tinha problemas que
ele ajudava na saúde. Ajudava lá no ginásio de esportes as
vezes, principalmente quando eu ia viajar lá para Curitiba.
Ele que ia dirigindo quando eu tinha compromisso na
secretaria de esportes. Na época, eu era o secretário de
esportes, mas a gente não tinha poder de contratação nem
nada. Essas coisas vinham da prefeitura. Agora como
recebia, de que forma recebia, eu já não sei. Ele chegou a
prestar serviços de arbitragem especificamente? De
arbitragem especificamente não. Com que frequência ele
prestou serviços para o departamento de esportes? Quase
que semanalmente, quinzenalmente eu ia para Curitiba e o
senhor Itimura mandava ele me levar. O senhor sabe como
ele recebia? Valores? Não, isso ai eu nunca soube. Além
desse serviço de motorista que ele exercia, ele prestava
mais algum tipo de serviço para o município em algum
departamento? Ele me ajudava a montar as tabelas dos
jogos dos campeonatos e quando alguém no ginásio se
machucava, tinha que ligar para ele com relação as
questões de ambulância. Ele ia muito para o hospital de
Arapongas, quando era mais grave. Como ele foi contatado
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o senhor sabe? Não sei. Perguntas pelo procurador do
Sussumo Itimura: O senhor trabalhou com o Sussumo
Itimura? Trabalhei. E durante o tempo em que o senhor
trabalhou para ele, o senhor Sussumo Itimura conduzia a
prefeitura de forma desonesta? De maneira alguma, sempre
foi muito correto.

ROBERTO APARECIDO FERREIRA: O senhor exercia alguma


função no município nesse período? Eu sempre trabalhei na
área de esportes como professor de educação física. E o
senhor tem conhecimento se o Sergio prestou serviços de
arbitragem nesse período? Enquanto a minha permanência
lá não. Na secretaria de esportes ele nunca prestou
serviços? Que eu tenha conhecimento não. O senhor sabe se
ele exercia alguma função no município? Se ele prestou
algum serviço para o município? Não dá para afirmar com
exatidão, comentário de que ele atendia na saúde. E esses
serviços na saúde que ele prestava, iniciou com o mandato
do senhor Sussumo Itimura ou ele já prestava esse tipo de
serviço antes? Pelos comentários ele encaminhava alguns
doentes lá para o hospital de Arapongas, só. Não tenho
lembrança de datas. O senhor tem conhecimento se ele
participou da campanha política do Itimura? Não tenho
lembrança. Perguntas pelo Ministério Público: Na secretaria
de esportes lá que o senhor atuava, o senhor Sérgio tinha
alguma outra atividade além da questão da arbitragem?
Não tenho lembrança não. O senhor nunca viu ele lá? Não,
nunca vi. O senhor disse que ele encaminhava pacientes
para Arapongas né? Sim. Isso ele fazia particularmente? Eu
Não sei. Perguntas pelo Espólio de Sussumo Itimura: O
senhor sabe se alguma vez o senhor Sérgio Pitão
acompanhou o senhor Omar até Curitiba? Não tenho
conhecimento. O senhor trabalhou junto com o senhor
Sussumo Itimura junto à Administração? Sim trabalhei. O
senhor Sussumo Itimura na forma de conduzir o município
era uma pessoa honesta? Que eu saiba sim. Ele pediu
alguma vez para o senhor fazer alguma coisa de errado?
Não.

Frisa-se que em nenhum momento as


testemunhas afirmam a existência de uma contratação formal e não
sabem a frequência com que os supostos serviços eram prestados
em favor do município.

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Inobstante, merece destaque a falta de exatidão


quanto a sua função exercida, embora isso não mereça qualquer
aprofundamento.

Embora referido ponto não interfira no julgamento


de mérito, haja vista a inegável atitude ímproba praticada pelas
partes, há de se questionar o pagamento mensal de serviços de
arbitragem em um Município em que se sabe inexistir campeonatos
ou jogos periódicos.

Neste ponto, sobreleva-se o depoimento de


ROBERTO APARECIDO FERREIRA, professor de educação física desde
a época dos fatos, o qual noticiou que o requerido SERGIO HENRIQUE
PITÃO nunca prestou serviços de arbitragem ou junto à Secretária
Municipal de Esportes.

Assim sendo, conclui-se pela ilegalidade na


emissão de documentos tendentes a autorizar o pagamento por
serviços de arbitragem.

Noutra senda, em análise dos documentos


juntados aos autos e prova testemunhal produzida, conclui-se que a
versão de que os valores se destinavam a pagamento de serviços
prestados pelo primeiro requerido na área de saúde mostra-se pouco
crível.

Não se pode olvidar que o ônus da prova recai


sobre quem alega.

Conforme repisado alhures, a realização de


pagamento e inexistência de qualquer trabalho na área de
arbitragem mostra-se inconteste.

Em outro diapasão, a tese de que o requerido


SERGIO HENRIQUE PITÃO prestava serviços na área de saúde e
eventualmente auxiliava na secretaria de esportes mostra-se
desprovida de suporte probatório, restando indelével que ocorreu
contraprestação dos trabalhos eleitoreiros com a utilização de
dinheiro público.

ANA CRISTINA CREMONEZI


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Portanto, a conduta de SERGIO HENRIQUE PITÃO
se amolda com perfeição ao disposto no art. 9º, inciso I da LEI,
devendo ser qualificada como ato de improbidade administrativa.

Agregue-se, por outro lado, que o requerido


SUSUMO ITIMURA autorizou o pagamento de notas frias em favor de
um dos integrantes do grupo que trabalhou em sua campanha
eleitoral.

Desta forma, conclui-se de forma contundente


pela existência de dolo, posto que tinha plena ciência que SERGIO
HENRIQUE PITÃO não prestava serviços ao Município de Uraí que
pudesse justificar sequer uma contratação direta e desta forma,
contribuiu para o enriquecimento indevido do primeiro requerido.

Em tempo, cabe um adendo para se reportar na


possibilidade de infringência da Lei nº 8.429/92, conforme seu artigo
3º, em que consubstancia a aplicação de tal lei àqueles que não são
ocupantes de cargos públicos.

DA SUBSUNÇÃO DA CONDUTA E SANÇÕES


APLICÁVEIS.

A Lei nº. 8.429/92 da ação de improbidade


administrativa, que explicitou o cânone do art. 37, § 4º, da
Constituição Federal, teve como escopo impor sanções aos agentes
públicos incursos em atos de improbidade nos casos em que: a)
importem em enriquecimento ilícito (art. 9º); b) que causem prejuízo
ao erário público (art. 10); c) que atentem contra os princípios da
Administração Pública (art. 11).

In casu , houve dano ao erário pelo pagamento de


verbas sem qualquer lastro e, ainda, inarredável a ofensa ao
princípio da legalidade e princípios constitucionais.

Sobre referido ponto:

Art. 9º Constitui ato de improbidade administrativa


importando enriquecimento ilícito auferir qualquer tipo de

ANA CRISTINA CREMONEZI


Juiz de Direito
PROJUDI - Processo: 0001406-15.2011.8.16.0175 - Ref. mov. 89.1 - Assinado digitalmente por Ana Cristina Cremonezi:10201
23/03/2015: JULGADA PROCEDENTE A AÇÃO. Arq: sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO PARANÁ
Seção Judiciária de Cornélio Procópio
COMARCA DE URAÍ
Autos nº. 1406-15.2011

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ5UM CCMJ6 EXNWR 865RA


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vantagem patrimonial indevida em razão do exercício de
cargo, mandato, função, emprego ou atividade nas
entidades mencionadas no art. 1º desta Lei, e notadamente:
(...)

XI - incorporar, por qualquer forma, ao seu patrimônio


bens, rendas, verbas ou valores integrantes do acervo
patrimonial das entidades mencionadas no art. 1º desta
Lei;

Ainda, nos termos do art. 10 da Lei nº. 8.429/92:


“Constitui ato de improbidade administrativa que causa lesão ao
erário qualquer ação ou omissão, dolosa ou culposa , que enseje
perda patrimonial, desvio, apropriação, malbaratamento ou
dilapidação dos bens ou haveres das entidades referidas no art. 1º
desta Lei, e notadamente:

I - facilitar ou concorrer por qualquer forma para a


incorporação ao patrimônio particular, de pessoa física ou
jurídica, de bens, rendas, verbas ou valores integrantes do
acervo patrimonial das entidades mencionadas no art. 1º
desta Lei;
(...)

Ainda, o art. 11 da Lei nº. 8.429/92: “Art. 11 -


Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os
princípios da administração pública qualquer ação ou omissão que
viole os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade e
lealdade às instituições, e notadamente:

I - praticar ato visando fim proibido em lei ou


regulamento ou diverso daquele previsto na regra de
competência:
(...)

Consoante repisado, a alegação de ausência de


dolo não se mostra suficiente para afastar a conduta do agente
político que deve estar pautada na lei.

ANA CRISTINA CREMONEZI


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Obviamente, ninguém poderá alegar ignorância da
lei para se esquivar de obrigação a todos imposto. Com maior razão,
os requeridos não poderão aduzir ignorância, sendo-lhe inarredável o
conhecimento de que a administração somente poderá realizar
aquilo que a lei lhe permite.

No caso em comento, a vedação decorre da


Constituição da República, tornando mais reprovável a conduta.

Passa-se às considerações acerca das sanções


aplicáveis.

O primeiro requerido, SERGIO HENRIQUE PITÃO,


causou danos ao patrimônio público, tendo se apropriado
indevidamente das verbas descritas na exordial, comprovadas por
documentos e não arrostadas no curso do processo.

Sua conduta, evidentemente, subsume-se ao


disposto no art. 9º, inciso XI, além do art. 11, inciso I, da Lei de
Improbidade Administrativa.

Noutra banda, a conduta imputada ao requerido,


SUSUMO ITIMURA, guarda perfeita correlação ao disposto no art. 10,
inciso I e art. 11, inciso I, da Lei de Improbidade Administrativa.

Houve prejuízo efetivo ao patrimônio público


municipal e, ainda, abalo na credibilidade dos comuns para com a
administração, ante a quebra do dever de lealdade no âmbito
municipal.

ISTO POSTO, os direitos políticos de SERGIO


HENRIQUE PITÃO serão suspensos pelo prazo de 10 (dez) anos, visto
que a conduta irregular e ilegal protraiu-se por grande lapso
temporal.

Deverá o ressarcimento do dano recair sobre a


integralidade dos valores pagos, corrigidos e com juros, sendo a
obrigação comum e solidária.

Deverá incidir, ainda, o pagamento de multa civil


no valor de 03 (três) vezes ao montante do dano ao patrimônio
público em desfavor de SERGIO HENRIQUE PITÃO e 02 (duas) vezes
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em desfavor de ESPÓLIO DE SUSUMO ITUMURA, conforme
disposições contidas no art. 12, incisos I e II da Lei de Improbidade
Administrativa.

A proibição de contratar com o Poder Público ou


receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou
indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual
seja sócio majoritário, pelo prazo de 10 (dez) anos com relação a
SERGIO HENRIQUE PITÃO.

O fato de o requerido, eventualmente, não


exercerem atividades compatíveis com a contratação com o Poder
Público ou o recebimento de benefícios fiscais não impede a fixação
da presente sanção. Possui, portanto, caráter profilático.

Considerando a natureza personalíssima de


algumas penalidades, as sanções correspondentes à suspensão dos
direitos políticos e proibição de contratar com o Poder Público restam
prejudicadas com relação ao Espólio de Susumo Itimura, o qual
somente será alcançado pelos efeitos patrimoniais da condenação.

III. DISPOSITIVO

Diante do exposto, com fundamento no art. 269,


inciso I do Código de Processo Civil, art. 9º. XI, art. 10, inciso I e art.
11, inciso I, todos da LIA, JULGO PROCEDENTE o pedido inaugural,
para CONDENAR os requeridos, ESPÓLIO DE SUSUMO ITIMURA e
SÉRGIO HENRIQUE PITÃO, brasileiro, casado, prefeito do Município
de Uraí, portador do RG nº. 5.143.931/PR, nas sanções previstas no
art. 12, inciso II e III da Lei nº. 8.429/92 e, por conseguinte,
DETERMINAR:

Com relação ao requerido, SÉRGIO HENRIQUE


PITÃO

A) a suspensão dos direitos políticos pelo prazo


máximo de 10 (dez) anos;

ANA CRISTINA CREMONEZI


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B) O ressarcimento integral e solidário do dano,


conforme os documentos anexados juntamente com a exordial.

Sobre o valor identificado, deve incidir correção


monetária a contar da apropriação indevida e juros de mora a contar
da citação.

C) O pagamento de multa civil no mesmo valor de


03 (três) vezes o total do dano patrimonial, devidamente
atualizados, conforme artigo 12, inciso I da LIA;

D) A proibição de contratar com o Poder Público ou


receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou
indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual
seja sócio majoritário, pelo prazo de 10 (dez) anos.

Com relação ao requerido, ESPÓLIO DE SUSUMO


ITIMURA

A) O ressarcimento integral e solidário do dano,


conforme os documentos anexados juntamente com a exordial.

Sobre o valor identificado, deve incidir correção


monetária a contar da apropriação indevida e juros de mora a contar
da citação.

B) O pagamento de multa civil no mesmo valor de


02 (duas) vezes o total do dano patrimonial, devidamente
atualizados, conforme artigo 12, inciso II da LIA;

Disposições Comuns:

Com o trânsito em julgado desta sentença nos


moldes em que se encontra, comunique-se ao Juízo Eleitoral do
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domicílio do requerido SERGIO HENRIQUE PITÃO e à Câmara de
Vereadores se ainda no exercício da função de Prefeito Municipal
(LIA, art. 20).

Por derradeiro, CONDENO solidariamente os


requeridos ao pagamento das custas processuais, sendo devidos os
honorários advocatícios, solidariamente, que arbitro em R$ 3.000,00
(três mil reais), com fundamento no art. 20, § 4º do CPC, os quais
serão revertidos ao Fundo Especial do Ministério Público, na forma da
Lei nº. 12.241/99, posto que evidente a má fé dos requeridos, o que
afasta a incidência do Enunciado 02 das Câmaras de Direito Público
do E. Tribunal de Justiça do Estado do Paraná.

P.R.I.

Uraí, 23 de março de 2015.

ANA CRISTINA CREMONEZI


Juiz de Direito.

ANA CRISTINA CREMONEZI


Juiz de Direito