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Antonio Castro do Amaral

MANUAL
DE
METODOLOGIA
CIENTÍFICA
PROJETOS DE PESQUISA
E
MONOGRAFIAS

Alagoas
2010
Antonio Castro do Amaral
Bacharel em Filosofia (UFPB), Licenciado em Filosofia (UFPB), Licenciado em Ciência-
Matemática (UFPB), Especialista em Filosofia (UFPB), Especialista em Ensino (CETEB-
UNB), Especialista em Previdência (UFAL), Mestre em Letras e Linguística (UFAL),
Professor das disciplinas Metodologia da Pesquisa Científica e Prática de Trabalho de
Conclusão de Curso no Curso de Graduação em Direito no Centro Universitário CESMAC;
Professor de Ética e Filosofia da União das Faculdades de Alagoas (UNIFAL); Ex-Professor
de Metodologia Científica do Programa de Pós-Graduação da Academia de Polícia Militar de
Alagoas, Ex-Professor de Metodologia Científica de Curso de Especialização em
Administração da UNIFAL; Ex-Professor de Curso de Especialização em Direito
Previdenciário da Faculdade Tiradentes (FITS); Ex-Professor da FAA-IESA. Autor de
artigos; palestrante, conferencista; ministra cursos de Metodologia Científica, Projeto de
Pesquisa e Defesa de Trabalho de Conclusão de Curso, Ética Geral e Profissional, Filosofia
Geral e Jurídica; É membro de Grupo de Pesquisa do CNPq.

MANUAL DE METODOLOGIA CIENTÍFICA

PROJETOS DE PESQUISA
E
MONOGRAFIAS

Maceió - Alagoas
2010
AGRADECIMENTOS

Agradecemos a todos aqueles que, de forma direta ou indireta, contribuíram com idéias,
sugestões, retificações e acréscimos para a construção desse Manual.
Agradecemos, particularmente, alunos, colegas Professores e Corpo Diretor das Instituições
de Ensino Superior que, com suas palavras de incentivo e apoio, contribuíram decisivamente
para a construção deste Manual.
Dedico esse trabalho às minhas queridas filhas
Andréa e Patrícia e aos meus admirados pais
Arnaldo e Doralice (in memoriam).
“[...] o ensino, para ter eficácia e qualidade,
requer sempre uma pedagogia fundada numa
postura investigativa... O ensino superior [...]
deve ser realizado sob uma postura investigativa,
ou seja, sob uma postura de produção de
conhecimento.”

(SEVERINO, 2009, p. 30-31)


RESUMO

Este Manual é devotado a subsidiar estudantes e professores dos cursos de graduação e pós-
graduação na construção de projetos de pesquisa e monografias. Seu objetivo maior é se
tornar uma fonte de rápida consulta dos elementos essenciais para a produção de trabalhos
acadêmicos, principalmente aqueles voltados para edição de projetos e monografias,
direcionadas para a conclusão de curso de graduação e pós-graduação. Para cumprir tal
intento, o trabalho foi dividido em quatro partes. Na primeira parte, tratou-se dos fundamentos
teóricos-epistemológicos do trabalho científico e acadêmico. A segunda parte está voltada
para os elementos essenciais para a produção do Projeto de Pesquisa. A terceira parte foi
reservada para abordar a composição da monografia, com seus elementos mais importantes e
obrigatórios. A quarta e última parte foi dirigida para resumir as principais regras
convencionadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas. Além dessas quatro partes,
inserimos Apêndices que contemplam exemplo de Projeto de Pesquisa e elementos pré-
textuais e pós-textuais da Monografia.

Palavras-chave: Trabalhos científicos. Projeto de Pesquisa. Monografia. Regras da ABNT.


SUMÁRIO

INTRODUÇÃO.......................................................................................................................................8

Capítulo 1
CONHECIMENTO E FORMAÇÃO SUPERIOR
1.1 Algumas Considerações sobre a Formação Universitária..........................................................10
1.2 O Conhecimento e seus Modos......................................................................................................11
1.2.1 Conhecendo o Mundo....................................................................................................................13
1.2.2 Métodos em Ciência......................................................................................................................15
1.2.3 Referenciais Teóricos....................................................................................................................16

Capítulo 2
CONSTRUINDO O PROJETO DE PESQUISA
2.1 Composição do Projeto..................................................................................................................18
2.1.1 O Tema..........................................................................................................................................19
2.1.2 O Problema....................................................................................................................................21
2.1.3 A(s) Hipótese(s).............................................................................................................................22
2.1.4 Os Objetivos..................................................................................................................................22
2.1.5 Justificativa....................................................................................................................................22
2.1.6 Metodologia...................................................................................................................................23
2.1.7 Fundamentos Teóricos...................................................................................................................23
2.1.8 Cronograma...................................................................................................................................23
2.1.9 As Referências...............................................................................................................................24
2.1.10 Anexos e Apêndices....................................................................................................................24

Capítulo 3
CONSTRUINDO A MONOGRAFIA
3.1 A Monografia Completa................................................................................................................25
3.1.1 A Introduçao no TCC....................................................................................................................25
3.1.2 Os Capítulos ou Seções do TCC...................................................................................................27
3.1.3 A Conclusão no TCC....................................................................................................................29

Capítulo 4
REGRAS DA ABNT PARA TRABALHOS ACADÊMICOS
4.1 Panorama das Normas para Trabalhos Acadêmicos, Citações e Referências..........................31
4.1.1 Informação e Documentação – Trabalhos Acadêmicos – NBR 14.724........................................31
4.1.2 Informação e Documentação – Citações em Documentos – NBR 10.520....................................31
4.1.3 Informação e Documentação – Referências em Documentos – NBR 6.023.................................31
4.2 Detalhamento das Normas Técnicas.............................................................................................32
4.2.1 Trabalhos Acadêmicos – Resumo da NBR 14.724.......................................................................32
4.2.1.1 Resumo das Regras Gerais de Apresentação..............................................................................33
4.2.2 Citações em Documentos – Resumo da NBR 10.520...................................................................34
4.2.2.1 Resumo das Regras Gerais de Apresentação..............................................................................34

REFERÊNCIAS.....................................................................................................................................40

APÊNDICE A – EXEMPLO DE PROJETO DE PESQUISA

APÊNDICE B – EXEMPLO DE ELEMENTOS PRÉ-TEXTUAIS DE MONOGRAFIA


INTRODUÇÃO

O objetivo deste trabalho é constituir-se em guia prático para a produção de trabalhos


acadêmicos, particularmente aqueles voltados para a elaboração do Projeto de Pesquisa e da
Monografia, direcionados para a conclusão de curso. Surgiu da experiência do autor e da
necessidade de compilar, no formato de manual, o conjunto mínimo, sem perder de vista o
rigor científico, de regras, métodos, dicas e convenções que envolvem a produção científica
em nível de graduação e pós-graduação lato sensu. Para tanto, dividimos o trabalho em quatro
partes consideradas essenciais: na primeira parte, tratamos das questões teórico-
epistemológicas que envolvem o conhecimento para a produção de novos saberes, dentro da
Ciência; na segunda parte, discutimos a composição do Projeto de Pesquisa, descrevendo, em
detalhes, os requisitos que o constituem; na terceira, abordamos a elaboração da monografia,
em seus elementos pré-textuais, textuais e pós-textuais; a última parte foi reservada para
apresentar o resumo das convenções, em forma de regras Associação Brasileira de Normas
Técnicas, associadas ao Projeto de Pesquisa e à Monografia.

Ao lado de Severino (2007), assumimos a posição de que a pesquisa, no âmbito


universitário, constitui um poderoso elemento para aprimorar a formação no ensino superior.
Lidar com o conhecimento é, principalmente, construí-lo. Nesse sentido, também defendemos
que a pesquisa é não apenas necessária, mas indispensável para a competência técnico-
científica que se pretende obter com a formação em cursos de graduação e pós-graduação em
qualquer área:

[...] o ensino, para ter eficácia e qualidade, requer sempre uma pedagogia
fundada numa postura investigativa. O ensino superior, mesmo quando
ministrado numa simples faculdade isolada, deve ser realizado sob uma
atitude investigativa, sou seja, sob uma postura de produção de
conhecimento. (SEVERINO, 2007, p. 1-v)

Ao longo dos cursos de Metodologia Científica e Prática de Trabalho de Conclusão de


Curso que ministramos nos últimos cinco anos, sempre destacamos o fato de que a elaboração
de uma monografia, precedida de um competente projeto de pesquisa, antes de ser uma
exigência dos órgãos superiores de educação em nosso país, é uma poderosa opção didática na
medida em que possibilita, de um lado, uma boa avaliação por parte dos professores e, por
outro lado, permite, aos formandos, aprofundarem estudos na área escolhida.
É dentro desse espírito de valorização da produção acadêmica, voltada para a
elaboração de projetos de pesquisa e monografias, que inscrevemos este Manual com a
esperança de que ele se torne uma fonte útil, prática e rápida, daquilo que se considera
primordial para a construção de um bom Projeto de Pesquisa e uma Monografia de qualidade.
Capítulo 1
CONHECIMENTO E FORMAÇÃO SUPERIOR

1.1 Algumas Considerações sobre a Formação Universitária

O principal objetivo da formação de nível superior, entende-se, inscreve-se no


ensino/aprendizagem de habilidades e competências. No entanto, não se pode esquecer que
esse nível de formação, numa sociedade que pretende ser democrática, está também voltado
para o aprimoramento do cidadão, no aspecto individual e social. A Universidade, nesse
sentido, contribui de forma decisiva para a consciência do papel que se deve desempenhar na
sociedade, com suas contradições e desigualdades reais.

Existe uma exigência ético-política que une os homens num corpo social: a dignidade
humana. Ela exige que se compartilhe os bens que a própria sociedade produz. Em instância
última, espera-se, e deseja-se, que todos sejam respeitados no exercício das atividades de
labor, propiciados por essa formação, que inexista opressão nas relações sociais e que
ninguém deixe de usufruir dos bens, materiais e culturais, produzidos por essa mesma
sociedade.

Tradicionalmente, a Universidade tem sido o lugar em que se pratica o


ensino/aprendizagem dos produtos do conhecimento, porém, o que não pode ser esquecido é
que o ambiente universitário deve também ser o lugar da produção desse conhecimento. Essa
produção enriquece sobremaneira todo processo de ensino e aprendizagem e possibilita maior
alcance social desse conhecimento.

Nesse prisma, o objeto do conhecimento deve ser buscado, construído. O processo


dessa busca deve ser viabilizado principalmente pela pesquisa e é nesse caminho que a
Universidade desempenha seu importante papel: possibilitar aos formandos, mas também aos
professores, a oportunidade de rever a tradição, modificando o perfil da Universidade de
reprodutora do conhecimento, para aquele que efetivamente o constrói. O estudante deve ter
participação ativa nesse processo de educação e é daí que nasce a indiscutível relevância dos
programas de iniciação científica, dos projetos de pesquisa e dos trabalhos de conclusão de
curso, tanto na graduação quanto na pós-graduação lato sensu.
Destacando a importância da pesquisa, Severino nos ensina que

Com efeito, a pesquisa é fundamental, uma vez que é através dela que
podemos gerar o conhecimento, a ser necessariamente entendido como
construção dos objetos de que se precisa apropriar humanamente. Construir
o objeto que se necessita conhecer é processo condicionante para que se
possa exercer a função de ensino [...] a pesquisa é fundamental no processo
de extensão dos produtos do conhecimento à sociedade [...]. (SEVERINO,
2009, p. 34)

1.2 O Conhecimento e seus Modos

A capacidade de produzir conhecimento é indiscutivelmente inerente ao ser humano.


Descobertas e invenções só puderam existir em razão dessa extraordinária capacidade e é
dentro dessa produção que o conhecimento se mostra não apenas como objetivo a ser
alcançado mas como um processo, construído passo a passo.

Podemos confiar em nossas percepções? A forma mais primária de conhecimento é


aquela que advém de nossas percepções, recebida por meio de nossos sentidos. Essa forma de
conhecer, contudo, pode nos conduzir, e frequentemente o faz, a erros. São fontes de ilusões.
Uma forma de conhecer, a científica, tem demonstrado como são errôneas as impressões que
recebemos do mundo. A partir dessa constatação, surgiram a Filosofia e a Ciência como
modos diferentes de tratar o conhecimento.

A Filosofia, e mais particularmente a Teoria do Conhecimento e a Epistemologia


como áreas de estudo, devotou-se a estudar os mecanismos e os tipos de conhecimento. É a
Filosofia que se volta para a análise dos pressupostos da Ciência. Portanto, a cientificidade
não é estabelecida pela Ciência, mas sim pela Filosofia.

Conhecimento é uma relação entre sujeito e objeto. Há o sujeito cognoscente e o um


objeto cognoscível. Objeto, lembremos, é qualquer elemento: o homem, conceitos abstratos,
fenômenos físicos, químicos, biológicos, sociais, políticos, mas também uma lei, um
regulamento etc.

Há diferentes formas de tratar o conhecimento. Hoje, podemos afirmar, temos


notadamente duas maneiras de tratar o conhecimento: de um lado, estão os objetivistas que
defendem que a essência é dada e os objetos devem ser apenas descritos; todo o conhecimento
deve ser verificado; valoriza-se a experimentação e, por isso mesmo, os objetivistas são
conhecidos como empiristas; suas bases filosóficas estão principalmente assentadas nos
trabalhos de John Locke e David Hume; noutro lado, estão os subjetivistas que defendem que
ato de conhecer é próprio do agente cognoscente, mediante o uso da razão; os subjetivistas
também são conhecidos como racionalistas e entre estes podemos destacar a figura ímpar de
Renée Descartes.

Essas rápidas considerações sobre os processos de conhecer o mundo são importantes


porque nos colocam diante do fato de que não existe uma única forma de compreender o
mundo, tampouco um único fundamento filosófico desse conhecimento. Na verdade, ainda
hoje não existe unanimidade nem uniformidade na forma de tratar o conhecimento e nossa
opção teórica de ciência nos conduz necessariamente por caminhos filosóficos distintos.

É nessa trilha que destacamos as palavras de Mezzaroba e Monteiro (2003, p. 10)


sobre a questão do conhecimento: “O importante é você entender que o conhecimento não é
estático, não é algo que se adquire como mercadoria em uma vitrine. O conhecimento é
dinâmico. Entenda o conhecimento como processo.” (Grifos no original)

Para os fins propostos neste Manual, adotaremos a seguinte noção de verdade para a
produção de trabalhos acadêmicos, lembrando, porém, que a verdade não é absoluta e pode
ser transitória e aceita por consenso:

Verdade é um atributo de uma proposição de caráter lógico cujo oposto seria


a falsidade. [...] a verdade também nos leva a considerar como tal tudo o que
guardar conformidade com a realidade, algo que se apresente como um dado
inquestionável, e seu oposto seria a ilusão, o irreal [...]. (MEZZAROBA;
MONTEIRO, op. cit., p. 11)

Tratando da questão da verdade, não se pode esquecer de abordar uma outra questão
também importante: o dogma, entendido como uma verdade a priori, aquela que não
discutimos ou questionamos. A atitude dogmática é, portanto, aquela que faz crer que o
mundo é exatamente como o percebemos. A melhor maneira de se contrapor a tal atitude é
assumir uma posição filosófica, uma atitude filosófica, indagando, questionando fatos, objetos
e comportamentos que nos pareciam indiscutíveis.

Além da atitude dogmática, muitos outros fatores interferem na produção do


conhecimento e nesse sentido não podemos desprezar o peso do paradigma, definido como
“[...] a constelação de crenças, valores e técnicas compartilhados por membros de um dado
agrupamento em determinado momento histórico.” (Op. cit., p. 16).
Existem primordialmente dois paradigmas: o social – o modo como a sociedade se
organiza, seu modo de produção – e o epistemológico, o modo como a ciência enfrenta seus
problemas e busca soluções. As limitações encontradas no processo de construção do
conhecimento esbarram em nossas concepções paradigmáticas. Hoje, o paradigma da
modernidade vive uma crise porque seus pressupostos já não são capazes de fornecer
respostas aos problemas da atualidade.

1.2.1 Conhecendo o Mundo

Conhecemos o mundo principalmente por meio do Mito, da Religião, da Filosofia, do


senso comum e da Ciência. Lembremos que a Filosofia, segundo Chauí (2003), nasceu da
ruptura com os mitos, no momento em que um grupo de pensadores já não mais se contentava
com as explicações dadas pelos mitos.

Essas diversas formas de conhecer o mundo não se excluem. Elas se complementam e


se sobrepõem, ao contrário do que pensava Augusto Comte que, ainda segundo Chauí (2003),
em sua época, defendia uma espécie de processo evolutivo da humanidade e, por decorrência,
do próprio conhecimento, com a Ciência ocupando o patamar superior desse processo e a
Religião a sua forma mais primitiva.

O conhecimento mítico, embora possa não estabelecer uma relação com os fatos da
história, pode servir, à sua maneira, para descrever fatos através, por exemplo, de uma fábula
ou lenda. Os gregos da Antiguidade foram particularmente talentosos ao descreverem o
mundo e os seus fenômenos por meio desses mitos. Até o aparecimento da Filosofia, esses
relatos míticos cumpriram o papel de compreender o universo. Por dispensar a apresentação
de provas, esse tipo de conhecimento constitui uma verdade instituída e, portanto, não-crítica,
bem anterior às tentativas de obter explicações para os fenômenos desconhecidos do homem.
(MEZZAROBA; MONTEIRO, op. cit.)

A Religião pressupõe fé e o conhecimento religioso veicula-se por meio de doutrinas,


preceitos éticos e rituais. Suas fontes são os livros considerados sagrados e, via de regra, estão
vinculadas a dogmas, aquele tipo de conhecimento que não se discute, apresentando-se como
verdades absolutas. Na Religião o homem encontra refúgio para uma existência incerta e,
muitas vezes, penosa. É nela que ele encontra explicações para o além-morte e alento para as
agruras e incertezas da vida. Em razão de sua natureza, ao longo da história, foi também
utilizada como meio de dominação e controle sobre os indivíduos.

Filosofia não é ciência, arte, política, religião etc., mas uma reflexão crítica sobre os
pressupostos de cada uma desses saberes; a definição mais completa de Filosofia, de acordo
com Chauí (Op. cit.), é aquela que a circunscreve como crítica de todos os conhecimentos e
práticas humanas. Conhecimento crítico não no sentido comum do termo, mas como aquele
que discute os fundamentos e pressupostos desses saberes. Por isso mesmo é que ela pode ser
empregada em qualquer área do conhecimento, inclusive o próprio ato de conhecer. Vincula-
se às verdades possíveis e é uma forma radical de conhecer o mundo porque procura a raiz de
tudo. Filosofar é obter senso crítico que pressupõe: acuidade intelectual, habilidade de pensar
logicamente e perspicácia.

Senso comum é aquele conhecimento que advém das experiências diuturnas da


existência, próprias daqueles que não detém aquele conhecimento do filósofo, cientista ou
teólogo. É destituído de reflexão crítica; é subjetivo, qualitativo, heterogêneo e generalizador
na medida em que pode exprimir opiniões individuais e de grupos, estabelece avaliações
qualitativas entre objetos e coisas, julga fatos e objetos de formas diferentes por parecerem
distintos entre si, e estabelece relações de causa e efeito entre fatos e coisas de forma acrítica.

O conhecimento científico é aquele que vai nos interessar para a produção de trabalhos
acadêmicos e, entre estes, os projetos de pesquisa e monografias. Esse tipo de conhecimento,
que se distingue sobremaneira do senso comum e do religioso, possui características bem
próprias que podem ser resumidas, conforme Chauí (Op. cit.), assim:

 É objetivo – procura estruturas universais das coisas investigadas;

 É busca de medidas, padrões, critérios de comparação e avaliação;

 É homogêneo – busca leis gerais de funcionamento dos fenômenos;

 É generalizador – reúne individualidade sob as mesmas leis;

 É diferenciador – nem reúne nem generaliza por semelhanças aparentes;

 Só estabelece relações causais depois de investigar a estrutura do fato investigado;

 Surpreende-se com a regularidade e procura mostrar o que é maravilhoso;

 Distingue-se da magia – opera um desencantamento;


 Afirma que o homem pode se libertar do medo e das superstições;

 Procura renovar-se continuamente.

A natureza do trabalho científico é de sistema e método. Por quê? Porque ele separa os
elementos subjetivos e objetivos de um fenômeno, sendo este estudado como objeto de
conhecimento; além disso, demonstra e prova os resultados obtidos, relacionando-os com
outros fatos um fato isolado; por fim, formula uma teoria geral sobre o conjunto dos
fenômenos estudados (CHAUÍ, 2003).

Já dissemos que o trabalho científico exige sistema e método. O que se entende por
método e como ele é aplicado na obtenção desse tipo de trabalho? Nas linhas que se seguem
apresentaremos um panorama sobre os principais métodos adotados na produção de trabalhos
científicos e, em particular, na construção de projetos de pesquisa e monografias.

1.2.2 Métodos em Ciência

“O método é o caminho a ser percorrido, demarcado,


do começo ao fim, por fases ou etapas. E como a
pesquisa tem por objetivo um problema a ser
resolvido, o método serve de guia para o estudo
sistemático do enunciado, compreensão e busca de
solução do referido problema.”
(RUDIO, 1986, p. 17, grifo no original)

Método vincula-se etimologicamente à metodologia que pode ser entendida como o


estudo dos métodos que são utilizados para a obtenção de conhecimento, no caso, o científico.
Esse tipo de conhecimento possui técnicas próprias e o método empregado em Ciência é
aquele, em poucas palavras, que permite adotar um caminho para alcançar determinado fim.

O método exige etapas que podem ser resumidas nos seguintes passos:

1º - Descobrimento do problema ou lacuna num conjunto de conhecimentos;

2º - Colocação precisa do problema;

3º - Procura de conhecimentos ou instrumentos relevantes ao problema;

4º - Tentativa de solução do problema com o auxílio dos meios identificados;

5º - Invenção de novas idéias ou produção de novos dados empíricos;


6º - Obtenção de uma solução próxima ou exata para o problema;

7º - Investigação das conseqüências da solução obtida;

8º - Prova da solução;

9º - Correção das hipóteses, teorias e procedimentos empregados na solução incorreta.

(BUNGE, 1987 apud MEZZAROBA; MONTEIRO, op. cit. p. 51-52).

Ressalte-se que método em Ciência não pode ser entendido como um conjunto fixo de
regras que devem ser necessariamente seguidas para resolver qualquer problema. Hoje, não
existe “o método” em Ciência, mas múltiplos métodos que são adotados em razão do objeto
de estudo. O uso do método, acrescente-se, exige transparência e objetividade na investigação
para assegurar verificações ulteriores.

Podemos classificar, em estreita síntese, os métodos científicos em indutivo, dedutivo,


hipotético-dedutivo, dialético e sistêmico. O primeiro método, o indutivo, permite analisar o
objeto para obter conclusões gerais ou universais; o segundo, o dedutivo, parte de argumentos
gerais para particulares, porém, cabe lembrar que deve haver uma relação lógica entre as
proposições tratadas de modo a não comprometer a conclusão; o método hipotético-dedutivo,
proposto por Karl Popper, combina o procedimento do método dedutivo com o indutivo,
tendo como fundamento a experimentação; o método dialético, por sua vez, de base hegeliana
(e por que não dizer platônica?), propõe uma tese com pretensão de verdade, uma antítese que
nega a tese e uma síntese como resultado do confronto, que se transforma numa nova tese,
dando início a novo processo; por fim, temos o método sistêmico que faz uso da definição de
sistema como um conjunto de elementos que se relacionam de forma ordenada, não caótica,
pressupondo a exigência de que a pesquisa não poderá se afastar do próprio embasamento
teórico (MEZZAROBA; MONTEIRO, 2003).

Além desses métodos, a Ciência também faz uso de métodos auxiliares que têm
caráter instrumental e servem para operacionalizar a execução do trabalho.

Os métodos auxiliares, a seguir apresentados, são os mais utilizados nas Ciências


Humanas e Sociais. Vejamos um resumo de cada um deles:

- Método experimental: fundado na experiência; trata o objeto de pesquisa num quadro


controlado e sujeito à verificação;
- Método estatístico: empregado nas pesquisas que utilizam com freqüência dados
quantitativos, proporcionando representações numéricas sobre o fenômeno investigado;

- Método histórico: os dados da pesquisa são colocados numa perspectiva histórica,


valorizando-se os contextos históricos do objeto investigado;

- Método comparativo: promove o exame simultâneo de objetos de tal sorte que seja
possível detectar eventuais diferenças e semelhanças (MEZZAROBA; MONTEIRO, op. cit.).

1.2.3 Referenciais Teóricos

Além dos métodos científicos e métodos auxiliares, o trabalho científico também exige
referenciais teóricos, que podem ser entendidos como a teoria de base para a pesquisa. Esses
referenciais também são múltiplos e a escolha de um destes vai significar a opção que o
pesquisador adotou para tratar o objeto.
Em Ciências Humanas e Sociais esses supracitados referenciais teóricos podem ser
apresentados, também em estreita síntese, da seguinte forma:
- Teorias sistêmicas: adota a definição, para fins de tratamento do objeto, como um
complexo de elementos em interação ordenada;
- Funcionalismo: a lógica de ações e reações dos indivíduos se submete à lógica de
ações e reações institucionais, sendo a sociedade entendida como uma engrenagem;
- Estruturalismo: pressupõe conhecer a sociedade e sua racionalidade para poder
explicar os setores sociais e os indivíduos;
- Fenomenologia: trata as idéias de forma rigorosa buscando as essências dos
fenômenos que constituem seus objetos;
- Comportamentalismo: privilegia o fator comportamental nos estudos; o que interessa
no objeto são as atitudes dos indivíduos no ambiente social;
- Empirismo: enfoca o estudo experimental; o objeto será testado, experimentado em
suas diversas dimensões concretas;
- Positivismo e neopositivismo: valoriza a Ciência como único conhecimento viável e
único método aplicável para a obtenção de conhecimento; propõe uma linguagem própria para
analisar todos os fenômenos humanos possíveis;
- Marxismo: materialismo dialético ou materialismo histórico; tenta explicar a
realidade fática dos homens através dos condicionantes sociais estabelecidos a partir do
capitalismo. (Idem)
Com a apresentação desses possíveis referenciais teóricos encerramos esta parte do
trabalho, devotado que foi às questões teórico-epistemológicas. O próximo capítulo será
direcionado à construção do Projeto de Pesquisa, momento em que teremos a oportunidade de
detalhar suas partes componentes, destacando sua importância para a elaboração da
monografia como trabalho para a conclusão de curso, tanto de cursos de graduação como dos
cursos de especialização lato sensu.
Capítulo 2
CONSTRUINDO O PROJETO DE PESQUISA

2.1 A Composição do Projeto

O Projeto de Pesquisa possui uma estrutura composta por três partes: elementos pré-
textuais, elementos de texto e os elementos pós-textuais.

Os elementos pré-textuais são formados por informações que identificam a instituição,


o autor da proposta, o tema escolhido, o objeto da pesquisa, o orientador escolhido, o local e o
ano do depósito, além da descrição detalhada, em forma de sumário, do teor do projeto.
Essencialmente, esses elementos são compostos pela capa, folha de rosto, folha de aprovação
e sumário.

Exemplos de cada um desses elementos podem ser encontrados no Apêndice A –


Exemplo de Projeto de Pesquisa, deste Manual. Ressalte-se que esses elementos são
convencionados e não há necessidade de que o autor do Projeto dedique tempo além do
mínimo necessário para a sua confecção.

Os elementos pós-textuais, à semelhança dos pré-textuais, também não exigirão maior


dispêndio de tempo e energia do autor tendo em vista que eles são compostos, em geral, por
duas partes: Referências, como lista preliminar das fontes consultadas, nas regras
convencionadas pela ABNT, e Apêndices e Anexos, quando necessários, compostos por
elementos que o autor considere importantes para a compreensão do texto, do objeto de sua
pesquisa.

Merecem especial atenção as partes que compõem os elementos textuais do projeto. É


nessa parte que o autor irá descrever, em detalhes, o tema escolhido e delimitado, o problema
levantado, a(s) hipótese(s) proposta(s), a justificativa adotada, os objetivos escolhidos para o
trabalho, tanto o geral quanto os específicos, a metodologia que será empregada para executar
a pesquisa, o referencial teórico escolhido e o cronograma de realização.

Postas essas considerações gerais sobre o teor do Projeto de Pesquisa, passaremos a


detalhar cada uma das partes descritas.
2.1.1 O Tema

O tema é o próprio objeto da pesquisa que se pretende realizar. Ele nos informa o
assunto definido para a investigação.

Que critérios devem ser observados para definir o tema da pesquisa?

Em geral, sugere-se a adoção dos seguintes critérios:

1º - Tempo:

Escolha um tema que possa ser trabalhado na razão direta de sua


disponibilidade de tempo, nos prazos estabelecidos pela faculdade e programas de
pós-graduação. Não adianta escolher um tema que exigirá muito mais do que você
pode dispor em matéria de disponibilidade de tempo. Como Professor, já tivemos a
oportunidade de ver alunos arriscando a aprovação no semestre letivo em razão de ter
escolhido um tema que exigia trabalhar grandes somas de dados, com análises e
interpretações.

2º - Conhecimento:

Preferencialmente, defina um tema sobre o qual você detenha algum


conhecimento. Pode ser aquele trabalho que você já realizou e foi elogiado; aquele
outro que exigiu muitas leituras e que, na sua opinião, deixou marcas importantes na
sua formação acadêmica. Afaste-se de temas genéricos e complexos, principalmente
aqueles de fontes escassas.

3º - Interesse:

Nada mais determinante no sucesso de um trabalho de conclusão de curso do


que aquela pesquisa desenvolvida com grande interesse, motivada pelas emoções,
aptidões e desejos pessoais. Envolva-se no trabalho que pretende desenvolver e os
resultados serão sempre primorosos e reconhecidos.

O que fazer quando não se tem idéia alguma para o tema?

Em geral, sugere-se a adoção das seguintes orientações:


1º - Procure revistas e sites especializados nas áreas de seu interesse. A partir desses
debates acadêmicos, podemos definir um tema interessante, envolvendo questões
doutrinárias relevantes para a área de conhecimento que se pretende trabalhar;

2º - Troque idéias com amigos, colegas, professores, pesquisadores. Muitas vezes,


uma conversa de alguns minutos pode ser decisiva para definir um tema que trará
grandes resultados;

3º - Recupere trabalhos que você já desenvolveu, principalmente aqueles em que você


obteve boa nota e foi elogiado por colegas e professores. Esses trabalhos podem ser
revistos e aprofundados e certamente podem servir para definir seu tema com
segurança.

E se houver vários temas?

Comece eliminando aqueles em que você não detém muito conhecimento. Use o
critério das fontes: o tema com maiores fontes será aquele que poderá ser melhor trabalhado.
Converse com o Professor-orientador e não esqueça os artigos em sites e revistas
especializadas.

Ainda sobre a escolha e definição do tema, Nunes (2002, p. 13) nos lembra que “Uma
monografia tem forte chance de dar certo se o tema escolhido estiver de acordo com as
características intelectuais do aluno, sua atração pelo assunto, o interesse despertado tendo em
vista sua posição ideológica, sua atitude diante das circunstâncias que o assunto revela etc.”

Postas essas considerações iniciais, temos que avançar tratando da questão da


delimitação do tema, lembrando que delimitar um tema significa tomar uma parte do objeto
escolhido, um aspecto. É um recorte feito no objeto de tal forma a deixá-lo mais específico.
Um recorte bem feito implica também bons resultados.

No Apêndice A – Exemplo de Projeto de Pesquisa, neste Manual, você vai encontrar


exemplo de tema que passou com sucesso pelo crivo da delimitação.
2.1.2 O Problema

Não é possível desenvolver uma pesquisa sem que se formule devidamente o


problema. Delimitado o tema, o passo importante seguinte é formular o problema que, em
geral, deve ser uma pergunta, lembrando que ela é a motivação para a pesquisa, a dúvida que
você pretende ver esclarecida ao fim da pesquisa. A investigação inicia-se com o problema do
tema e, preferencialmente, deve ser levantada a partir de enunciados interrogativos.

Sobre a relevância do problema para a pesquisa, destacamos, abaixo, as palavras de


Salomon (2004, p. 219):

A formulação do problema, [...] é considerado o ponto de partida de toda a


pesquisa ou o motor do processo investigatório, [...]. Hoje é unânime entre
os pesquisadores e cientistas considerá-la condição necessária para se fazer a
pesquisa, em oposição ao ponto de vista clássico [...] que estabelecia a
observação como atividade que dá início ao processo de produção de
conhecimento científico.(Grifo autor)

No Apêndice A, já referido, você encontrará exemplo de problema levantado com o


fim de desenvolver a pesquisa. Reitera-se a necessidade de conversar com o Professor-
orientador sobre o problema escolhido, sua correta formulação e cabimento. Lembre-se: o
problema levantado deverá ser resolvido, ou parcialmente resolvido, com o desenvolvimento
da pesquisa.

2.1.3 A(s) Hipótese(s)

Após a correta formulação do problema, como dissemos, uma pergunta, precisamos


encontrar uma resposta ou respostas possíveis à pergunta levantada. Noutras palavras, é nesse
momento que você deverá dar uma resposta ou respostas possíveis ao problema formulado.
Isso não significa dizer que a resposta precisa ser definitiva, final, até porque isso poderia
significar que não haveria mais necessidade da pesquisa. Significa dizer que, com os estudos
preliminares já realizados, é possível levantar uma tese, ou mais, que podem dar resposta ao
problema que deu base à pesquisa. Lembremos, por oportuno, que “Hipótese e Problema
formam um todo indivisível, pense-se no projeto quer metodologicamente, quer
teoricamente.” (SALOMON, op. cit., p. 219)
2.1.4 Os Objetivos

Quando se desenvolve uma pesquisa, o pesquisador deve ter clareza do fim que
pretende alcançar. É a sua meta para o trabalho. Os objetivos são múltiplos, porém, cabe
ressaltar que eles devem ser divididos em um geral e vários específicos. O primeiro é a meta
maior a ser perseguida e deve ser única; os segundos devem ser formulados para servirem de
meio para atingirem o objetivo geral. São os passos dados nos objetivos específicos que
servem de meio para atingir a meta principal do trabalho. Ressalte-se, contudo, que a
definição dos objetivos específicos não está atrelada à quantidade capítulos da monografia.
Um ou mais objetivos dessa natureza podem ser atingidos num mesmo capítulo do trabalho
final.

No Apêndice A – Exemplo de Projeto, você também encontrará exemplo de objetivos


geral e específicos.

2.1.5 Justificativa

Nenhuma pesquisa deve ser desenvolvida sem que se declare a razão ou razões que a
motivaram. Deve-se justificar a escolha do tema e o motivo para realizar a pesquisa. É a
defesa de sua relevância para a área de estudos em questão. Essa justificativa pode ser de
ordem pessoal, profissional, acadêmica ou, até mesmo, o conjunto dessas ordens. Evidencie a
importância do tema, a originalidade da abordagem etc. Seja criativo!

2.1.6 Metodologia

Metodologia remete a métodos e procedimentos. Nessa parte do trabalho, o


pesquisador indicará como irá produzir o seu trabalho. Tratará da natureza da pesquisa,
indicando se ela será de ordem bibliográfica ou se incluirá pesquisa de campo. Qualquer que
seja a natureza do trabalho, é nesse lugar que se indica as fontes da pesquisa.
2.1.7 Fundamentos Teóricos

Essa parte do Projeto de Pesquisa reveste-se de uma importância crucial. Também


chamado de Referencial Teórico, Revisão Bibliográfica ou Revisão Teórica, é nos
Fundamentos Teóricos que você descreve a teoria que dá base à pesquisa, promovendo uma
discussão, ainda que rápida, do que já foi dito acerca do tema, tanto de forma direta quanto
indireta. Nesse momento são revistas posições de um ou mais doutrinadores que tratam do
tema. É necessário promover um rápido debate, convergente ou não, entre as posições já
assumidas sobre o tema, sendo possível, desde já, também assumir uma posição, traduzida em
forma de tese que será verificada no decorrer da pesquisa.

Os Fundamentos Teóricos devem ser apresentados em forma de texto e deve conter


citações, diretas ou indiretas, nos formatos convencionados (assunto da 4ª. Parte deste
Manual) dos autores tratados, deixando claro, desde já, sua opção em incluir aqueles autores
no rol de fontes pesquisadas, não querendo isso significar que você não possa incluir/excluir
outros no desenvolvimento do trabalho.

2.1.8 Cronograma

Toda pesquisa, além de tudo o que já abordamos, deve também definir o seu início,
meio e fim. A descrição detalhada desse caminho deve estar associada aos prazos
estabelecidos pela faculdade ou programa de pós-graduação. O Cronograma de execução da
pesquisa deve, por exemplo, definir as várias etapas de execução em função do tempo, como,
por exemplo, escolha do tema, separação do material de pesquisa preliminar, discussão com o
Orientador, elaboração do Projeto, leitura e fichamento, redação dos capítulos, revisão do
Orientador, revisão ortográfica-gramatical, formatação do trabalho, feitura final, depósito e
defesa. O Cronograma se reveste de importância porque organiza, no tempo, o
desenvolvimento da pesquisa. Contribui para que o pesquisador tenha uma visão do todo, de
tal sorte que possa se programar para cada uma de suas etapas.
2.1.9 As Referências

As Referências constituem, no Projeto de Pesquisa, um levantamento bibliográfico


inicial e não podem ser confundidas com o Referencial Teórico. É lista inicial de obras
consultadas e que servirão de fonte de consulta. É oportuno lembrar que as Referências
precisam ser construídas com o rigor técnico prescrito nas normas, sob pena de revelar o
despreparo do autor com as convenções estabelecidas pela Associação Brasileira de Normas
Técnicas para a produção de trabalhos acadêmicos.

No mesmo Apêndice A, já mencionado, você encontrará exemplos de referências


bibliográficas que podem ser incorporadas, na forma, no seu Projeto.

2.1.10 Apêndices e Anexos

Nessa parte do Projeto, você poderá incluir, apenas se necessário, material que será
utilizado na pesquisa, cabendo lembrar que nos Apêndices você incluirá material produzido
por você; nos Anexos, o que foi produzido por terceiros. Mas, lembre-se: só se necessário.

Com essa última parte, encerramos nossas orientações sobre a elaboração do Projeto
de Pesquisa. Maiores detalhes podem ser obtidos na bibliografia que listamos nas Referências
deste Manual. Lembramos que o nosso objetivo neste trabalho foi o de possibilitar uma visão
rápida, embora sem perda do rigor científico, da construção de um Projeto de Pesquisa.
Consulte o seu Professor-orientador e MÃOS À OBRA!
Capítulo 3
CONSTRUINDO A MONOGRAFIA

3.1 A Monografia Completa

Construído o Projeto – com definição do tema, do problema, da hipótese ou hipóteses,


dos objetivos, da justificativa, da metodologia, do referencial teórico, do cronograma e
referências – e concluída a pesquisa, chegou o momento de produzir o relatório final do
trabalho: a monografia ou o trabalho de conclusão de curso (TCC).

A versão final do TCC contempla vários elementos obrigatórios e não obrigatórios.


Optamos por descrever uma monografia que consideramos completa, com os elementos mais
comuns, tendo em vista que, a nosso ver, ele poderá servir de base para trabalhos mais
profundos de pesquisa, em mestrado e doutorado. Nessa instância, um trabalho completo não
é apenas uma exigência, mas uma necessidade.

Logo abaixo, descrevemos, em forma de lista, os elementos que compõem a versão


final da monografia, com seus elementos obrigatórios e alguns não obrigatórios. Essa
estrutura, a nosso ver, poderá servir para a maioria dos trabalhos de conclusão, tanto da
graduação quanto da pós-graduação lato sensu:

- Capa (obrigatório);

- Folha de rosto (obrigatório);

- Folha de aprovação (obrigatório);

- Agradecimentos (opcional);

- Dedicatória (opcional);

- Epígrafe (opcional);

- Resumo em língua vernácula (obrigatório);

- Resumo em língua estrangeira (obrigatório);

- Sumário (obrigatório);

- Introdução (obrigatório);

- Capítulos (obrigatório);
- Conclusão (obrigatório);

- Referências (obrigatório);

- Anexos (opcional);

- Apêndice (opcional).

Assim como no Projeto de Pesquisa, toda monografia pode ser dividida em três partes:
os elementos pré-textuais, os textuais e os elementos pós-textuais. Os primeiros são iniciados
pela Capa e terminam com o Sumário. Os textuais começam com a Introdução, passam pelos
Capítulos ou Seções e findam com a Conclusão. Os elementos pós-textuais iniciam-se com as
Referências e podem terminar com os Apêndices, tendo em vista o seu caráter opcional.

No Apêndice B deste Manual, o leitor encontrará exemplos de cada um dos elementos


pré-textuais da Monografia. Neste mesmo Manual, o leitor poderá encontrar exemplos de
elementos pós-textuais, começando com Referências, passando por Anexos e terminando com
os Apêndices.

Optamos, em razão de sua importância, tratar mais detalhadamente dos elementos que
constituem o texto, iniciando com a Introdução, seguindo com os Capítulos ou Seções e
encerrando com a Conclusão. As regras para os trabalhos acadêmicos serão tratadas no
Capítulo 4 deste Manual, momento em que serão abordadas as convenções adotadas pela
ABNT.

3.1.1 A Introdução no TCC

“O principal objetivo da introdução é situar o leitor no


contexto da pesquisa. O leitor deverá perceber
claramente o que foi analisado, como e por que, as
limitações encontradas, o alcance da investigação e
suas bases teóricas gerais. Ele tem, acima de tudo, um
caráter didático de apresentar o que foi investigado,
levando-se em conta o leitor a que se destina e a
finalidade do trabalho.” (KÖCHE, 2003, p. 144)

No Capítulo 2 deste Manual descrevemos, em detalhes, as partes que compõem o


Projeto de Pesquisa. Defendemos sua relevância para organização e execução da pesquisa.
Mas, além de cumprir esse papel, o de possibilitar uma visão geral do caminho que será
trilhado para a Pesquisa, terá o Projeto alguma outra utilidade?

Ao construir o Projeto, nós também já estamos construindo o texto da monografia. Em


que lugar? Exatamente na parte chamada “Introdução”. Nesta parte inicial da monografia,
deve-se recuperar vários elementos do Projeto de Pesquisa. Na Introdução devem aparecer o
tema tratado, o problema levantado, a(s) hipótese(s), a justificativa, objetivos – geral e
específicos, a metodologia e os fundamentos teóricos utilizados para a realização da pesquisa,
mas, lembre-se, tudo deve ser reescrito em forma de texto argumentativo, mudando-se,
naturalmente, os tempos verbais.

A Introdução deve, em linhas bastantes gerais, apresentar o que vem em seguida, nos
capítulos ou seções, porém sem antecipar os resultados obtidos. Utilize os verbos no futuro e
não faça uso de quaisquer citações, em nenhuma de suas formas – diretas ou indiretas. Nela,
não se admite tratar, de forma exaustiva e analítica, de nenhum dos assuntos abordados no
teor dos capítulos ou seções. É justamente isso que justifica o número de folhas que lhe são
dedicadas. Sugere-se que o texto da Introdução não ultrapasse 6% do total de folhas da
monografia.

3.1.2 Os Capítulos ou Seções do TCC

Construir o corpo do texto é dissertar sobre os resultados da pesquisa que você


realizou. A exposição das idéias, resultantes da pesquisa, deve obedecer ao rigor gramatical e
ortográfico, devendo-se coadunar com tudo aquilo que foi exposto na Introdução em razão da
proposta constante do Projeto de Pesquisa. Essa, lembremos, é a parte mais importante do
trabalho e como tal deve conter o detalhamento dos resultados obtidos de forma clara,
coerente e consistente. Nunca apresente resultados que, no conjunto do texto final, se
mostrem inconsistentes, incoerentes.

O número de capítulos ou seções é determinado em razão de vários fatores: o tema


abordado, o método utilizado, a fundamentação teórica etc. Em geral, três capítulos ou seções,
adequadamente subdivididos, são suficientes para dar conta da maioria dos trabalhos de
conclusão de curso. Sugerimos a adoção de um capítulo inicial mais geral, apresentando, por
exemplo, um histórico do tema; um segundo capítulo, devotado a assuntos imbricados com o
tema escolhido e que lhe sejam complementares, e, por fim, um terceiro capítulo, final, lugar
serão expostos os resultados da pesquisa, tratando mais especificamente do tema.

Em virtude da amplitude da pesquisa, e dos caminhos que ela pode tomar, não é
possível estabelecer uma fórmula fechada para a apresentação de seus resultados – o número
de capítulos ou seções, por exemplo. A estrutura proposta é tão somente uma sugestão e
decorre de nossas experiências no acompanhamento de centenas de trabalhos de mesma
natureza, tanto na graduação quanto na pós-graduação.

Na produção do texto final do TCC, a figura do Professor-orientador de conteúdo é


fundamental. É ele que, com sua experiência e maturidade acadêmica, poderá opinar, com
propriedade, sobre a consistência, coerência e completude do texto. Nos demais aspectos
metodológicos, o Professor da disciplina e um Manual (inclusive, como este) serão
indispensáveis para adaptar o conteúdo do TCC às normas técnicas convencionada pela
ABNT.

Postas essas considerações gerais sobre a produção do texto da monografia,


passaremos, a seguir, a tecer algumas observações, mais detalhadas, na forma de questões,
que consideramos relevantes para a redação do trabalho acadêmico.

Primeiramente, cabem as perguntas: Para quem escrevo? Quem é o público alvo desse
trabalho? Quem, afinal, avaliará o inteiro teor da monografia? Lembremos que esse público
alvo é composto pelos membros da banca examinadora. São, pelo menos, professores
especialistas na área abordada e, por isso mesmo, o autor do trabalho deve estar atento à
pertinência do tema, sua relevância e profundidade.

Em segundo lugar, também é cabível perguntar: O que escrevo? Que tipo de texto está
sendo produzido? O TCC é redigido principalmente em forma de trabalho expositivo e deve
conter todas as informações necessárias para situar o leitor, razão pela qual é imprescindível
que o texto produzido seja claro, objetivo, sem rebuscamentos linguísticos que, ao invés de
traduzir erudição, tornam o texto “pesado”, obscuro.

Por fim, precisamos ressaltar: Como escrevo? Nesse aspecto, é primordial elencar
algumas regras que consideramos essenciais para a boa redação do trabalho:

- Inicie seu trabalho com aquilo que já está à mão, documentado;

- Dê formato a todas as idéias, mas apenas no rascunho; depois, elimine excessos;


- Evite períodos longos ou muito curtos;

- Não escreva como futurista;

- Utilize parágrafos frequentemente;

- Evite a utilização de reticências ou exclamações; evite ironias;

- Defina o termo antes de usá-lo; faça uso do rodapé para esse fim;

- Quando se escreve sobre um autor, dê alguns dados biográficos (use nota de rodapé);

- Mostre seu trabalho para outra pessoa: colega, amigo, professor.

Além dessas regras gerais para a boa redação do trabalho de conclusão, lembramos a
necessidade de fazer uso da primeira pessoa do plural no texto. O uso do impessoal também é
admitido, porém nunca faça uso do “eu”. Também evite utilizar artigo antes do nome próprio:
“o Antonio”, “a Maria”, “o José”.

Existem algumas expressões já consagradas para a argumentação e elas podem ser


utilizadas para dar maior beleza à redação, evitando-se repetições desnecessárias e “pobres”
linguisticamente.

Essas expressões são muito úteis e dão “beleza” estilística ao texto, demonstrando
riqueza de vocabulário e têm, conforme Vigner (1988), caráter:

- Introdutório – comecemos por..., a primeira observação recai sobre..., inicialmente


é preciso lembrar que..., a primeira observação importante a fazer é...;

- De transição – passemos então a..., voltemos a..., mais tarde voltaremos a..., antes de
passar a... é preciso observar que..., sublinhado isto...;

- Conclusivas – logo, consequentemente, é por isso que..., afinal, em suma, pode-se


concluir afirmando que...;

- De enumeração – em primeiro lugar (segundo...terceiro lugar etc.), e por último, e


em último lugar, inicialmente, e em seguida, além do mais, além disso, além do que, aliás,
enfim, se acrescentarmos por fim...

Afora essas expressões, existem outras que podem ser igualmente utilizadas na
redação. São aquelas de natureza:
- Concessiva – é certo que..., é verdade que..., evidentemente, seguramente,
naturalmente, sem dúvida alguma, pode ser que...;

- De reserva – todavia, no entanto, mas, porém, contudo;

- De insistência – não apenas..., mas, mesmo, com muito mais razão, tanto mais que...;

- De inserção de exemplo – consideremos o caso de..., tal é o caso de..., este caso
apenas ilustra..., o exemplo de... confirma... (VIGNER, op. cit.).

No conjunto, essas expressões dão conta da maioria das alternativas possíveis para
compor o texto da monografia.

3.1.3 A Conclusão no TCC

Evite o uso da expressão “Considerações Finais” na parte final do seu trabalho de


conclusão de curso. As normas da ABNT convencionaram o termo “Conclusão” para essa
parte do trabalho.

A Conclusão no TCC tem uma estrutura bem conhecida: ela deve recuperar o que foi
dito antes, nos capítulos ou seções. Também deve recuperar os objetivos e a(s) hipótese(s)
levantada(s) e, neste aspecto em particular, o mais importante: a pesquisa confirmou a(s)
hipótese(s) formulada(s)? Essa recuperação das partes deve ser apresentada como um todo
coerente e, é claro, de uma forma bastante resumida. Depois de promover um breve resumo
de cada uma das partes que constituem a monografia, destaque a contribuição dada com a
realização da pesquisa, valorizando os resultados e os seus possíveis alcances.

Convém lembrar que a Conclusão, assim como a Introdução, como vimos, não deve
conter citações, nem diretas nem indiretas, exceto quando forem meramente ilustrativas e
guardarem relação com o tema abordado. Lembre-se também que é nesta parte final do
trabalho que você tem a oportunidade de dar a sua opinião sobre o tema; é o momento de
resumir o seu entendimento, decorrente da pesquisa realizada. É o lugar de mostrar o grau de
conhecimento ou amadurecimento acadêmico no trato de um tema.

Em suma, a Conclusão também pode consistir numa “[...] síntese interpretativa da


pesquisa. Procede-se à revisão dos principais fatos e retomam-se as hipóteses a fim de
verificar-se a confirmação ou rejeição. [...] Na Conclusão cabem, ainda, sugestões para outros
trabalhos, com novo enfoque, mais amplo, [...]”(ANDRADE, 2003, p. 165).

Por fim, também concordamos com Köche (2003, p. 146) na idéia de que

A conclusão apresenta o resultado final, global da investigação, avaliando


seus pontos fracos ou positivos através da reunião sintética das principais
idéias desenvolvidas ou conclusões parciais obtidas. [...] a conclusão não
entra em detalhes operacionais dos conceitos utilizados, mas apenas aborda
as conclusões parciais do desenvolvimento inter-relacionando-as num todo
unitário, tendo em vista o problema inicial. O cuidado que se deve ter é o de
a conclusão não extrapolar os resultados do desenvolvimento. O resultado
final deve ser decorrência natural do que já foi demonstrado.

Abordados os detalhes da produção do Projeto de Pesquisa e da Monografia,


passaremos, no próximo capítulo, às questões de forma convencionadas nas normas
brasileiras (NBR) da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
Capítulo 4
REGRAS DA ABNT PARA TRABALHOS ACADÊMICOS

4.1 Panorama das Normas para Trabalhos Acadêmicos, Citações e Referências

Embora existam outras normas técnicas que também tratam da produção de trabalhos
acadêmicos (Projeto de Pesquisa, Sumário, Resumo etc.), reservamos este espaço àquelas que,
pela sua natureza e extensão, são consideradas essenciais para a produção de textos
acadêmicos. São elas: NBR 14.724 (trabalhos acadêmicos), NBR 10.520 (citações), NBR
6.023 (referências).

4.1.1 Informação e Documentação – Trabalhos Acadêmicos – NBR 14.724

Essas regras da Associação Brasileira de Normas Técnicas especificam os princípios


gerais para a elaboração de trabalhos acadêmicos (teses, dissertações e outros), visando sua
apresentação à Instituição (banca, comissão examinadora de professores, especialistas
designados e/ou outros); aplicam-se também, no que couber, aos trabalhos intra e extraclasse
da graduação.

4.1.2 Informação e Documentação – Citações em Documentos – NBR 10.520

Essa Norma especifica as características exigíveis para apresentação de citações em


documentos, detalhando as formas e as alternativas possíveis – diretas e indiretas.

4.1.3 Informação e Documentação – Referências – Elaboração – NBR 6.023

Estabelece os elementos a serem incluídos em referências; fixa a ordem dos elementos


das referências e normatiza convenções para transcrição e apresentação da informação
originada do documento e/ou outras fontes.

Destina-se a orientar a preparação e compilação de referências de material utilizado


para a produção de documentos e para inclusão em bibliografias, resumos, resenhas,
recensões e outros.
4.2 Detalhamento das Normas Técnicas

Nas páginas que se seguem, abordaremos os detalhes de cada uma das NBR
apresentadas acima. Iniciaremos com as linhas gerais da produção dos trabalhos acadêmicos,
tratando da NBR 14.724. Em seguida, veremos como são construídas as citações nesses
trabalhos e, por último, trataremos das referências, seus formatos e regras gerais, passando
sempre por exemplos ilustrativos.

4.2.1 Trabalhos Acadêmicos – Resumo da NBR 14.724

Para a correta compreensão das partes que constituem os trabalhos acadêmicos é


essencial que tenhamos em mente o que significa cada uma dessas partes. A seguir,
apresentamos em ordem alfabética, com base nessa Norma Brasileira, um resumo contendo as
definições dos principais termos utilizados na produção desses trabalhos.
- Abreviatura: representação de uma palavra por meio de alguma(s) de suas sílabas ou
trás;
- Agradecimentos: folha onde o autor do trabalho agradece aos que contribuíram para
a elaboração do trabalho;
- Anexo: texto ou documento, não elaborado pelo autor, juntado ao trabalho;
- Apêndice: texto ou documento, elaborado pelo autor, juntado ao trabalho;
- Capa: proteção externa do trabalho contendo informações essenciais à sua
identificação;
- Citação: menção, no texto, de informação retirada de outra fonte;
- Dedicatória: folha onde o autor presta homenagem ou dedica o seu trabalho;
- Elementos pós-textuais: elementos que complementam o trabalho;
- Elementos pré-textuais: elementos que antecedem o texto e contêm informações que
identificam a natureza do trabalho;
- Elementos textuais: parte do trabalho onde é exposto o objeto da pesquisa;
- Epígrafe: folha onde o autor apresenta uma citação, com autoria, relacionada com o
assunto tratado no corpo do trabalho;
- Errata: lista das folhas e linhas em que se detectou erros, seguida das correções; é
acrescido ao trabalho depois de impresso;
- Folha de aprovação: folha que contém os elementos essenciais à aprovação do
trabalho;
- Folha de rosto: folha que contém os elementos essenciais à identificação do trabalho;
- Glossário: relação de palavras incomuns e seus significados utilizados no texto;
- Índice: lista ordenada de palavras ou frases que localiza e remete para informações
contidas no corpo do texto;
- Lombada: parte da capa que reúne as margens internas das folhas;
- Referências: conjunto de elementos descritivos retirados de documentos que
permitem sua identificação individual;
- Resumo em língua estrangeira: versão do resumo do trabalho para divulgação
internacional;
- Resumo em língua vernácula: apresentação concisa dos mais importantes pontos do
texto que fornece uma visão rápida do conteúdo e conclusões do trabalho;
- Sigla: reunião das letras iniciais dos vocábulos fundamentais de uma denominação
ou título;
- Sumário: Enumeração das divisões, seções e outras partes do trabalho, na mesma
ordem e grafia em que são apresentados no corpo do texto;
- Trabalhos acadêmicos: documento que representa o resultado de estudo, pesquisa,
devendo expressar conhecimento do assunto escolhido; deve ser executado sob orientação de
um professor ou pesquisador.

4.2.1.1 Resumo das Regras Gerais de Apresentação

- Formato: papel branco, A4, digitado (preta); o projeto gráfico é da responsabilidade


do autor; a fonte a ser utilizada é a 12, preferencialmente a Times New Roman; se for usar a
Arial, use o tamanho 11; faça uso de fonte menor para citações com mais de três linhas,
rodapé, paginação.
- Margens: esquerda e superior: 3 cm; direita e inferior: 2 cm.;
- Espacejamento: texto com espaço 1,5;
- Citações com mais de três linhas, notas, referências, legendas, ilustrações, tabela,
natureza do trabalho, objetivo, nome da instituição: espaço simples;
- Títulos das subseções/texto/títulos das subseções: dois espaços de 1,5;
- Na folha de rosto e folha de aprovação, o objetivo e nome da instituição devem ser
alinhados do meio da mancha para a margem direita.
- Notas de rodapé: filete de 3 cm., dentro das margens, espaço simples a partir da
margem esquerda;
- Indicativo de seção: o indicativo numérico precede seu título, alinhado à esquerda,
separado por um espaço de caracteres;
- Títulos sem indicativo numérico: Errata, Agradecimentos, Lista de Ilustrações,
Abreviaturas, Siglas, Símbolos, Resumo, Sumário, Referências, Glossário, Apêndice, Anexo
– todos devem ser centralizados;
- Elementos sem título e sem indicativo numérico: Folha de Aprovação, Dedicatória e
Epígrafe;
- Paginação: contadas a partir da Folha de Rosto, mas não numeradas; dever conter
elementos arábicos e no canto superior à direita (2 cm.);
- Numeração progressiva: os títulos das seções principais devem iniciar em folha
distinta; destaca-se em negrito, itálico, grifo ou caixa alta, tanto no sumário quanto no texto;
- Siglas: a forma completa precede a sigla, colocada entre parênteses;
- Ilustrações: identificação na parte inferior, precedida de palavra designativa.

4.2.2 Citações em Documentos – Resumo da NBR 10.520

Toda e qualquer citação utilizada na composição do TCC dever figurar no interior do


próprio texto ou notas de rodapé.

4.2.2.1 Resumo da Regras Gerais de Apresentação

Citações diretas: deve conter o sobrenome do autor ou instituição com letras


maiúsculas e minúsculas; se for entre parênteses, as letras devem ser maiúsculas. As citações
com até três linhas devem permanecer no texto, entre aspas, com mesma fonte e tamanho.

Exemplos:

“A produção do lítio começa em Searle Lake, em 1928.” (MUNFORD, 1949, p. 513)

Oliveiras e Leonardo (1943, p. 146) dizem que a “[...] relação da série São Roque é
muita cara.”
Para citações diretas com mais de 3 linhas as mudanças na forma são radicais: a
citação sai do texto; é preciso recuar 4 cm. da margem esquerda, a letra é menor (sugere-se
tamanho 11), as aspas somem e o espaço é simples.

Exemplo, retirado deste Manual:

A conclusão apresenta o resultado final, global da investigação, avaliando


seus pontos fracos ou positivos através da reunião sintética das principais
idéias desenvolvidas ou conclusões parciais obtidas. [...] a conclusão não
entra em detalhes operacionais dos conceitos utilizados, mas apenas aborda
as conclusões parciais do desenvolvimento inter-relacionando-as num todo
unitário, tendo em vista o problema inicial. (KÖCHE, 2003, p. 146).

Também cabe usar a chamada do autor e obra antes da citação:


Exemplo:
De acordo com Köche (2003, p. 146),
A conclusão apresenta o resultado final, global da investigação, avaliando
seus pontos fracos ou positivos através da reunião sintética das principais
idéias desenvolvidas ou conclusões parciais obtidas. [...] a conclusão não
entra em detalhes operacionais dos conceitos utilizados, mas apenas aborda
as conclusões parciais do desenvolvimento inter-relacionando-as num todo
unitário, tendo em vista o problema inicial.

Citações indiretas: neste tipo de citação, também chamada de paráfrase, o autor do


TCC redige com suas próprias palavras aquilo que o texto consultado contém. Só é
necessário mencionar o sobrenome do autor seguido do ano da obra; o número da página é
opcional. Nossa sugestão, embasada na orientação de trabalhos acadêmicos, é a de que os
alunos façam uso do sobrenome do autor e do ano da obra, para evitar confundir com a
citação direta, onde o sobrenome, o ano da obra e o número da página são elementos
imprescindíveis.

Exemplo, parafraseando o teor da citação direta acima:

De acordo com Köche (2003), é na conclusão que se avalia os pontos negativos e


positivos da pesquisa, possibilitando reunir, de forma resumida, as principais idéias
desenvolvidas ao longo do trabalho.

É igualmente possível informar o sobrenome e ano da obra no fim do texto. Veja o


exemplo:

É na conclusão que se avalia os pontos negativos e positivos da pesquisa,


possibilitando reunir, de forma resumida as principais idéias desenvolvidas ao longo do
trabalho (KÖCHE, 2003).
Além dessas regras gerais para citações, também é possível fazer uso, no texto, dos
seguintes e importantes recursos:

- Supressões: [...].

- Interpolações, acréscimos ou comentários: [...].

- Ênfase ou destaque: grifo ou negrito ou itálico.

- Para enfatizar trechos da citação: destacar e usar a expressão “(grifo nosso)”.

Apresentados esses recursos para a produção do texto, passaremos aos sistemas de


chamada, indispensáveis para as citações. São dois os sistemas adotados pela ABNT:
AUTOR-DATA e NUMÉRICO.

O Sistema Autor-data é o mais simples e, como o próprio nome sugere, incorpora


dados sobre o autor (sempre o sobrenome) e da obra (ano e página da obra), no caso de
citações diretas. Nas indiretas, a página é opcional.

Exemplo, com citação indireta e chamada no início:

Em Teatro Aberto (1963) relata-se a emergência do teatro do absurdo.

Exemplo, com citação indireta e chamada no final:

Relata-se a emergência do teatro do absurdo. (TEATRO DO ABSURDO, 1963)

Exemplos, com citação direta e chamada no início:

Morais (1955, p. 32) assinala “[...] a presença da bauxita no Rio Cricon.”

Exemplos, com citação direta e chamada no final:

“Ela polariza e encaminha as necessidades de todos” (FONSECA, 1977, p. 12).

Dados os exemplos fazendo uso do Sistema Autor-data, passemos ao Numérico,


lembrando que a sua utilização só é possível quando não há o uso simultâneo de notas de
rodapé. A numeração, para esse Sistema, é única e consecutiva (o Word traz a numeração de
forma automática), remetendo à lista de referências.

Exemplo:

Diz Rui Barbosa: “Tudo é viver, previvendo.”¹

Nesse caso, o número inserido ao fim da frase é remetido para o rodapé e neste, após a
inserção automática de filete de 3 cm., são colocados os dados do autor e da obra, além do
número da página onde a citação será encontrada.
Veja o formato:

______________ (filete de 3 cm.)

¹ BARBOSA, Rui. Discurso à juventude. São Paulo: USP, 1993, p. 20. (dados do autor, obra e pág.)

As regras utilizadas para as citações diretas com mais de três linhas no sistema autor-
data – relativas ao recuo de 4 cm., espaço simples e letra menor, sem aspas –, também são
válidas quando se faz uso do sistema numérico. Mas, lembre-se: as informações sobre o autor,
a obra e o número da página são inseridas no rodapé, no formato apresentado acima, de forma
completa.

Vejamos exemplo para citações diretas com mais de três linhas:

Severino² nos ensina que


Com efeito, a pesquisa é fundamental, uma vez que é através dela que
podemos gerar o conhecimento, a ser necessariamente entendido como
construção dos objetos de que se precisa apropriar humanamente. Construir
o objeto que se necessita conhecer é processo condicionante para que se
possa exercer a função de ensino [...] a pesquisa é fundamental no processo
de extensão dos produtos do conhecimento à sociedade [...].
.
.
.
_______________ (filete de 3 cm.)
² SEVERINO, Antonio Joaquim. Metodologia do Trabalho Científico. São Paulo: Cortez, 2009, p. 34. (Dados
da obra e do autor)

Ressaltamos que mesmo nas citações indiretas (paráfrases) é obrigatório, no caso do


uso do Sistema Numérico, remeter as informações sobre o autor e a obra, de forma completa,
no sentido de conter todos os dados, para o rodapé.

Veja o exemplo de citação indireta:

Sobre a importância da pesquisa, Severino³ nos ensina que ela é fundamental porque
produz um conhecimento que deve apropriado humanamente por meio da construção de
objetos, de grande relevância para a função do ensino.
Agora, analise o formato no rodapé:

_______________ (filete de 3 cm.)


³ SEVERINO, Antonio Joaquim. Metodologia do Trabalho Científico. São Paulo: Cortez, 2009. (Dados da
obra e do autor)
Insistimos em defender a supressão da página no rol de informações sobre o autor e a
obra, como no exemplo acima, nas citações indiretas (paráfrases), fazendo uso do Sistema
Numérico, para que não se confunda com as citações diretas nesse mesmo Sistema.
Antes de finalizar essas orientações gerais sobre o uso dos sistemas de chamada,
precisamos tratar das notas de rodapé, lembrando que elas só devem ser utilizadas quando se
faz uso do Sistema Autor-data. Em outras palavras, o uso de notas de rodapé é incompatível
com o Sistema Numérico.
As notas de rodapé servem para inserir um comentário complementar ou suplementar
daquilo que se encontra no texto. Também podem ser usadas para acrescentar um conceito,
uma definição, dados biográficos. Com numeração única e consecutiva, suas possibilidades
são múltiplas e os seus limites estão somente na capacidade criativa do autor.
Para a produção do texto do TCC, também podemos fazer uso de recursos muito úteis
quando se faz citações subsequentes da mesma obra. São elas:
- Idem – mesmo autor; abrevia-se id.;
- Ibidem – mesma obra; abrevia-se ibd.;
- Opus citatum – obra citada; abrevia-se op. cit.;
- Passim – aqui e ali.;
- Loco citato – no lugar citado; abrevia-se loc. cit.;
- Confira, confronte; abrevia-se Cf.;
- Sequentia – seguinte ou que se segue; abrevia-se et seq.;
- Apud – citado por, conforme, segundo.;

4.2.3 Elaboração das Referências – Resumo da NBR 6023

4.2.3.1 Resumo da Regras Gerais de Apresentação

Como já apontamos, as Referências servem para listar as obras consultadas para a


realização da pesquisa. Elas podem aparecer no rodapé, no fim do texto ou capítulo e em lista
de referências. No caso de TCC, adota-se esta última – lista de referências.

A lista de referências é alinhada à margem esquerda com espaço simples; entre as


referências, o espaço é de 1,5. O recurso tipográfico para destacar o título deve ser uniforme e
sua ordem é a alfabética rigorosa. O recurso tipográfico para destacar o título deve ser
uniforme.

Os elementos essenciais são: Autor, título, edição, local, editora e data de publicação.
Exemplos:

LIVRO:

GOMES, L. G. Novela e sociedade no Brasil. Niterói: EduFF, 1998.

PERIÓDICO:

REVISTA BRASILEIRA DE GEOGRAFIA. Rio de Janeiro: IBGE, 1939.

ARTIGO:

VIEIRA, Cássio Leite; LOPES, Machado. A queda do cometa. Neo interativa, Rio de
Janeiro, n. 2, inverno 1994. 1 CD-ROM.

EVENTO:

REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE DE QUÍMICA, 1997, Poços de Caldas. Química:


academia, indústria, sociedade; livro de resumos. São Paulo: Sociedade Brasileira de
Química, 1997.

Outros formatos

PARTES DE REVISTA:

DINHEIRO. São Paulo: Ed. Três, n. 148, 28 jun. 2000.

MATÉRIA DE JORNAL:

COSTURA x P.U.R. Aldus, São Paulo, ano 1, n. 1, nov. 1997. Encarte técnico, p. 8.

TRABALHO EM EVENTO:

BRAYNER, A. R. A; MEDEIROS, C. B. Incorporação do tempo em SGBD orientado a


objetos. In: SIMPÓSIO BRASILEIRO DE BANCOS DE DADOS, 9., 1994, São Paulo.
Anais... São Paulo: USP, 1994, p. 16-29

DOCUMENTO JURÍDICO:

SÃO PAULO (Estado). Decreto n. 42.822, de 20 de janeiro de 1998. Lex: coletânea de


legislação e jurisprudência, São Paulo, v. 62, n. 3, p. 217-220, 1998

JURISPRUDÊNCIA:

BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Súmula n. 14. In: Sumulas. São Paulo: Associação dos
Advogados do Brasil, 1994, p. 16.
DOUTRINA:

BARROS, Raimundo Gomes de. Ministério Público: sua legitimação frente ao Código do
Consumidor. Revista Trimestral de Jurisprudência dos Estados. São Paulo, v. 19, n. 139,
p. 53-72, ago. 1995.

Com esses exemplos, encerramos a exposição das regras e convenções adotadas pela
ABNT, ao mesmo tempo em que também concluímos o panorama dos elementos que
consideramos essenciais para a produção de projetos de pesquisa e monografias. Esperamos
ter contribuído para amenizar essas árduas tarefas e nos colocamos à disposição para
quaisquer outras orientações.

Lembramos que as sugestões, acréscimos, comentários e críticas para o


aprimoramento deste Manual serão bem-vindos e poderão ser encaminhados por e-mail para
antonio.amaral@hotmail.com.

MÃOS À OBRA!

BOA SORTE!
REFERÊNCIAS

ANDRADE, Maria Margarida de. Introdução à Metodologia do Trabalho Científico. São


Paulo: Atlas, 2003.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Informação e documentação –


Projeto de Pesquisa – Apresentação. NBR 15.287. Rio de Janeiro: ABNT, 2006.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Informação e documentação –


Sumário – Apresentação. NBR 6.027. Rio de Janeiro: ABNT, 2003.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Informação e documentação –


Resumo – Apresentação. NBR 6.028. Rio de Janeiro: ABNT, 2003.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Informação e documentação –


Trabalhos Acadêmicos – Apresentação. NBR 14.724. Rio de Janeiro: ABNT, 2006.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Informação e documentação –


Citações – Apresentação. NBR 10.520. Rio de Janeiro: ABNT, 2002.

HENRIQUES, Antonio; MEDEIROS, João Bosco. Monografia no curso de Direito: Trabalho


de Conclusão de Curso. São Paulo: Atlas, 2003.

KÖCHE, José Carlos. Fundamentos de Metodologia Científica: Teoria da ciência e iniciação


à pesquisa. Petrópolis: Vozes, 2003.

NUNES, Rizzatto. Manual da Monografia Jurídica: Como se faz uma monografia, uma
dissertação, uma tese. São Paulo: Saraiva, 2002.

MEZZAROBA, Orides; MONTEIRO, Cláudia Servilha. Manual de Metodologia da Pesquisa


no Direito. São Paulo: Saraiva, 2004.

SALOMON, Délcio Vieira. Como fazer uma monografia. São Paulo: Martins Fontes, 2004.

SEVERINO, Antonio Joaquim. Metodologia do Trabalho Científico. São Paulo: Cortez,


2007.

RUDIO, Franz Victor. Introdução ao Projeto de Pesquisa Científica. Petrópolis: Vozes, 1986.
APÊNDICE A

EXEMPLO DE PROJETO
CENTRO UNIVERSITÁRIO CESMAC
Faculdade de Direito de Maceió - FADIMA
Núcleo de Ensino, Pesquisa e Extensão - NEPE

Aluísio Felix Almeida Costa

O PERFIL ÉTICO DO PROFISSIONAL DO DIREITO

Maceió – AL
2010
Aluísio Felix Almeida Costa

O PERFIL ÉTICO DO PROFISSIONAL DO DIREITO

Projeto de Pesquisa apresentado como exigência


parcial à aprovação na disciplina Prática de
Trabalho de Conclusão de Curso (PTCC),
ministrada pelo a Profº. Ms. Antonio Castro do
Amaral, sob a orientação do Prof.º Ms. Antônio
Castro do Amaral, no Curso de Graduação em
Ciências Jurídicas na Faculdade de Direito de
Maceió (FADIMA) do Centro Universitário
CESMAC.

Maceió – AL
2010
Aluísio Felix Almeida Costa

O PERFIL ÉTICO DO PROFISSIONAL DO DIREITO

Projeto de Pesquisa apresentado como exigência


parcial à aprovação na disciplina Prática de Trabalho
de Conclusão de Curso (PTCC), ministrada pelo a
Profº. Ms. Antonio Castro do Amaral, sob a
orientação do Prof.º Ms. Antônio Castro do Amaral,
no Curso de Graduação em Ciências Jurídicas na
Faculdade de Direito de Maceió (FADIMA) do
Centro Universitário CESMAC.

Maceió/AL, _____ de _____________ de 2010

Aprovação:__________________

__________________________________________
Profº Ms. Antonio Castro do Amaral
Professor de PTCC

__________________________________________
Prof.º Ms. Antônio Castro do Amaral
Orientador
SUMÁRIO

APRESENTAÇÃO.....................................................................................................................4

TEMA........................................................................................................................................5

PROBLEMA...............................................................................................................................5

HIPÓTESES................................................................................................................................5

JUSTIFICATIVA.................................................................................................................6

OBJETIVOS........................................................................................................................7

GERAL...........................................................................................................................7

ESPECÍFICOS.................................................................................................................7

METODOLOGIA................................................................................................................7

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA.............................................................................................8

CRONOGRAMA........................................................................................................................9

REFERÊNCIAS.................................................................................................................10
APRESENTAÇÃO

Viver em sociedade é inerente à condição humana pois, todos os dias, as pessoas


travam entre si relações fortemente influenciadas por aspectos ligados ao comportamento
humano, decorrentes do poder das crenças e valores que cada um carrega.

O comportamento das pessoas é fortemente influenciado pelas condições que cada um


tem ao seu redor e pelas informações que recebem no decorrer da vida, no seio familiar, na
escola, no trabalho. Os estudos da Ética contribuem para fundamentar ou justificar certas
formas de comportamento.

Quando se observa uma pessoa individualmente, é possível encontrar sempre


diferenças no seu modo de vida, pois, no curso de sua história pessoal, baseada em crenças e
valores, foram absorvidas múltiplas maneiras de agir que justificam os seus atos, até mesmo,
pode-se dizer, inconscientemente.

Exige-se do operador do Direito, em face de sua formação e importância na sociedade


brasileira atual, que tenha comportamento de acordo com princípios éticos. Nas relações que
estabelece com os outros, não só profissionais como também pessoais, se deparará com
situações conflitantes onde a ética deverá servir de esteio na tomada de decisões e realização
de seus atos.

A conscientização da necessidade de um comportamento ético deveria ser implantada


em todas as instituições formadoras de profissionais, principalmente entre aquelas que
possibilitam a formação dos operadores do Direito. Certamente, uma tal formação dará uma
maior credibilidade ao profissional.

Nesse sentido, conhecer, analisar, buscar e discutir os preceitos éticos, que devem
integrar a formação do operador do Direito, representaram a motivação maior para a pesquisa
que já iniciamos e que pretendemos levar a termo como trabalho de conclusão no Curso de
Ciências Jurídicas deste Centro Universitário.

Estudar a Ética, e particularmente a Profissional, e sua relação com a Moral, dentro


dos misteres do operador de Direito, é o caminho que pretendemos empreender nesse trabalho
de pesquisa.
TEMA

O Perfil Ético do Profissional do Direito.

PROBLEMA

Qual o perfil ideal para o operador do Direito em face de sua relevante atuação na
sociedade atual?

HIPÓTESES

A credibilidade no profissional do Direito é resultante da soma de sua competência


profissional com o seu comportamento ético. A conscientização da necessidade de superação
constante através da atualização de seus conhecimentos em face das crescentes exigências da
sua atividade, aliado a um comportamento ético que sirva de inabalável esteio ao exercício da
profissão resultará em um operador do Direito essencialmente competente.

JUSTIFICATIVA

Em face da relevante atuação do profissional do direito na sociedade brasileira atual


verifica-se, ao se fazer uma retrospectiva histórica, que sempre se questionou o
comportamento ético desses profissionais, mercê dos vários escândalos fraudulentos em que
foram envolvidos.
Um estudo aprofundado dos aspectos referentes ao profissional que opera no Direito
se faz necessário. Toda profissão digna é regida por um código de ética, onde suas normas
visam o bem estar não só do profissional, mas, principalmente, de toda a sociedade. Contudo,
o Estatuto do Advogado não só serve de orientador para ações morais éticas mas, também,
como declaração da profissão de sua intenção em assumir um comportamento com lealdade
para com a sociedade e de respeitar-se a si mesmo.

Observa-se que o estudo da Ética de uma forma geral precisa receber maior atenção na
educação e na formação de todo estudante, aplicando-se, especialmente, à formação do
profissional operador do Direito por estar constantemente inserido no meio de interesses
conflitantes. É imprescindível a necessidade de um comportamento ético a servir de
inabalável esteio ao exercício dessa profissão.

A confiança da sociedade na idoneidade do profissional do Direito é primordial para o


sucesso não só para o operador da profissão em si, mas, também, para toda a classe. A
credibilidade da profissão se dá na razão direta de dois fatores: a competência profissional e o
comportamento ético.

O tema escolhido tem como enfoque não apenas a parte informal das relações
humanas no seu sentido profissional, mas, também, a importância da integração do indivíduo
dentro da sociedade, bem como a sua conduta ética e moral perante o meio em que vive e a
profissão que exerce.

O objetivo do trabalho será o de ressaltar a necessidade de uma formação ética cada


vez mais consistente do profissional operador do Direito, mostrando a importância do
cumprimento do Estatuto do Advogado, seu Código de Ética, aliado à constante atualização
de seus conhecimentos. O trabalho tentará mostrar os caminhos e as posturas que as pessoas
que atuam no ramo do direito devem seguir e adotar como referencial na sua formação ética.

OBJETIVOS

GERAL

Estudar que atributos éticos o profissional operador do Direito deve ter para uma
atuação significante na sociedade brasileira atual.

ESPECÍFICOS

- Analisar Ética de modo geral;

- Conceituar comportamento ético;


- Descrever as condições dos seguimentos sociais, morais e éticos;

- Relacionar Ética e Direito;

- Analisar o perfil profissional do operador do Direito;

- Mostrar os caminhos e as posturas éticas que os profissionais operadores do Direito


devem adotar para uma melhor prestação de serviço a sociedade.

METODOLOGIA

A pesquisa resumir-se-á essencialmente a dois pontos: primeiramente, compilação de


obras publicadas acerca do assunto proposto, doutrina e legislação vigente. Num segundo
momento, faremos exposição didática e análise das informações então colacionadas.

Realizaremos pesquisas em sites e revistas jurídicas especializadas, onde já colhemos


vasto material sobre o tema em questão.

Essencialmente, em suma, o trabalho monográfico que pretendemos levar a termo será


resultado de pesquisa de natureza bibliográfica.

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

De acordo com o Estatuto da Advocacia e da Ordem dos Advogados do Brasil – OAB,


Lei nº 8.906 de 04 de julho de 1994, em seu capítulo VIII que trata exclusivamente da Ética
do Advogado, este deve sempre proceder de forma que o torne merecedor de respeito e que
contribua para o prestígio da classe e da advocacia.

O Código de Ética e Disciplina regula os deveres do advogado para com a


comunidade, o dever geral de urbanidade e todos procedimentos disciplinares.

Neste sentido, todo advogado deve obrigar-se a cumprir rigorosamente os deveres


consignados no Código de Ética e Disciplina. Citamos, a seguir, o conteúdo do referido
Capítulo VIII do mesmo:
[...] Art. 31. O advogado deve proceder de forma que o torne merecedor de
respeito e que contribua para o prestígio da classe e da advocacia.
[...] Art. 33. O advogado obriga-se a cumprir rigorosamente os deveres
consignados no Código de Ética e Disciplina.
Parágrafo único. O Código de Ética e Disciplina regula os deveres do
advogado para com a comunidade, o cliente, o outro profissional e, ainda, a
publicidade, a recusa do patrocínio, o dever de assistência jurídica, o dever
geral de urbanidade e os respectivos procedimentos disciplinares. [...]
Além dos preceitos que lastreiam o retrocitado diploma, convém lembrar que os
Operadores do Direito também precisam seguir os preceitos estatuídos na ética geral no
sentido de assumir um comportamento com lealdade e moralidade para com a sociedade.

É importante ressaltar que o modelo exigido pelo MEC – Ministério da Educação e


Cultura, através do Exame Nacional de Cursos - Provão, é o que visa a formação de um
operador do Direito que tenha como característica peculiar uma formação humanística e de
forte profissionalismo com condições de atuar em todas as áreas, seja ela penal, civil,
processual, etc.. Neste sentido, citamos um trecho da matéria de José Sebastião de Oliveira,
Mestre em Direito pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), publicada no site
www.jusnavigandi.com.br, onde discorre acerca do que se exige no perfil buscado pelo MEC:

1- formação humanística, técnico-jurídica e prática, indispensável à


adequada compreensão interdisciplinar do fenômeno jurídico e das
transformações sociais;
2- senso ético-profissional, associado à responsabilidade social, com a
compreensão da causalidade e finalidade das normas jurídicas e busca
constante da libertação do homem e do aprimoramento da sociedade;
3- capacidade de apreensão, transmissão crítica e criativa do Direito, aliada
ao raciocínio lógico e à consciência da necessidade de permanente
atualização;
4- capacidade para equacionar problemas e buscar soluções harmônicas
com as exigências sociais;
5- capacidade de desenvolver formas extrajudiciais de prevenção e solução
de conflitos individuais e coletivos;
6- visão atualizada de mundo, em particular, consciência dos problemas de
seu tempo e de seu espaço.
Os fundamentos apresentados, além de outros que pretendemos analisar, servirão de
lastro para a nossa pesquisa.
CRONOGRAMA

2010-2011

Atividades Jul Ago Set Out Nov Dez Fev Mar Abr

Escolha do X
Tema

Elaboração do X X
Projeto

Leitura e X X X X
Fichamento

Digitação dos X X
Capítulos

Revisão do X
Orientador

Revisão X
Gramatical

Revisão X
Regras ABNT

Depósito do X
TCC

Defesa da X
Tese
REFERÊNCIAS

ADEODATO, João Maurício. Ética e Retórica: Para uma Teoria da Dogmática Jurídica. São
Paulo: Saraiva, 2006.

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Temas de Filosofia. São
Paulo: Moderna, 2005.

___________. Filosofando. Introdução à Filosofia. São Paulo: Moderna, 2003.

ARISTÓTELES. Ética à Nicômaco. In: Coleção Os Pensadores. São Paulo: Nova Cultural,
1987.

CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Ática, 2003.

GONÇALVES, Anderson et. al. Questões de Filosofia Contemporânea. São Paulo: UFPR,
2006.
APÊNDICE B

EXEMPLOS DE ELEMENTOS PRÉ-TEXTUAIS


CENTRO UNIVERSITÁRIO CESMAC
Faculdade de Direito de Maceió - FADIMA
Núcleo de Ensino, Pesquisa e Extensão - NEPE

Aluísio Felix Almeida Costa

O PERFIL ÉTICO DO PROFISSIONAL DO DIREITO

Maceió – AL
2010
Aluísio Felix Almeida Costa

O PERFIL ÉTICO DO PROFISSIONAL DO DIREITO

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como


exigência parcial à obtenção do título de Bacharel
em Ciências Jurídicas, sob a orientação do Prof.º
Ms. Antônio Castro do Amaral, no Curso de
Graduação em Ciências Jurídicas na Faculdade de
Direito de Maceió (FADIMA), do Centro
Universitário CESMAC.

Maceió – AL
2010
Aluísio Felix Almeida Costa

O PERFIL ÉTICO DO PROFISSIONAL DO DIREITO

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como


exigência parcial à obtenção do título de Bacharel
em Ciências Jurídicas, sob a orientação do Prof.º
Ms. Antônio Castro do Amaral, no Curso de
Graduação em Ciências Jurídicas na Faculdade de
Direito de Maceió (FADIMA), do Centro
Universitário CESMAC.

Maceió/AL, _____ de _____________ de 2010

Aprovação:__________________

__________________________________________
Prof.º Ms. Antônio Castro do Amaral
Orientador

BANCA EXAMINADORA

__________________________________

Examinador 1

__________________________________

Examinador 2
AGRADECIMENTOS

Agradecemos a todos aqueles que, de forma direta ou indireta, contribuíram com idéias,
sugestões, retificações e acréscimos para a construção desse Manual.
Agradecemos, particularmente, alunos, colegas Professores e Corpo Diretor das Instituições
de Ensino Superior que, com suas palavras de incentivo e apoio, contribuíram decisivamente
para a construção deste Manual.
Dedico esse trabalho às minhas queridas filhas
Andréa e Patrícia e aos meus admirados pais
Arnaldo e Doralice (in memoriam).
“[...] o ensino, para ter eficácia e qualidade,
requer sempre uma pedagogia fundada numa
postura investigativa... O ensino superior [...]
deve ser realizado sob uma postura investigativa,
ou seja, sob uma postura de produção de
conhecimento.”

(SEVERINO, 2009, p. 30-31)


RESUMO

Este Manual é devotado a subsidiar estudantes e professores dos cursos de graduação e pós-
graduação na construção de projetos de pesquisa e monografias. Seu objetivo maior é se
tornar uma fonte de rápida consulta dos elementos essenciais para a produção de trabalhos
acadêmicos, principalmente aqueles voltados para edição de projetos e monografias,
direcionadas para a conclusão de curso de graduação e pós-graduação. Para cumprir tal
intento, o trabalho foi dividido em quatro partes. Na primeira parte, tratou-se dos fundamentos
teóricos-epistemológicos do trabalho científico e acadêmico. A segunda parte está voltada
para os elementos essenciais para a produção do Projeto de Pesquisa. A terceira parte foi
reservada para abordar a composição da monografia, com seus elementos mais importantes e
obrigatórios. A quarta e última parte foi dirigida para resumir as principais regras
convencionadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas. Além dessas quatro partes,
inserimos Apêndices que contemplam exemplo de Projeto de Pesquisa e elementos pré-
textuais e pós-textuais da Monografia.

Palavras-chave: Trabalhos científicos. Projeto de Pesquisa. Monografia. Regras da ABNT.


SUMÁRIO

INTRODUÇÃO.......................................................................................................................................8

Capítulo 1
CONHECIMENTO E FORMAÇÃO SUPERIOR
1.1 Algumas Considerações sobre a Formação Universitária..........................................................10
1.2 O Conhecimento e seus Modos......................................................................................................11
1.2.1 Conhecendo o Mundo....................................................................................................................13
1.2.2 Métodos em Ciência......................................................................................................................15
1.2.3 Referenciais Teóricos....................................................................................................................16

Capítulo 2
CONSTRUINDO O PROJETO DE PESQUISA
2.1 Composição do Projeto..................................................................................................................18
2.1.1 O Tema..........................................................................................................................................19
2.1.2 O Problema....................................................................................................................................21
2.1.3 A(s) Hipótese(s).............................................................................................................................22
2.1.4 Os Objetivos..................................................................................................................................22
2.1.5 Justificativa....................................................................................................................................22
2.1.6 Metodologia...................................................................................................................................23
2.1.7 Fundamentos Teóricos...................................................................................................................23
2.1.8 Cronograma...................................................................................................................................23
2.1.9 As Referências...............................................................................................................................24
2.1.10 Anexos e Apêndices....................................................................................................................24

Capítulo 3
CONSTRUINDO A MONOGRAFIA
3.1 A Monografia Completa................................................................................................................25
3.1.1 A Introduçao no TCC....................................................................................................................25
3.1.2 Os Capítulos ou Seções do TCC...................................................................................................27
3.1.3 A Conclusão no TCC....................................................................................................................29

Capítulo 4
REGRAS DA ABNT PARA TRABALHOS ACADÊMICOS
4.1 Panorama das Normas para Trabalhos Acadêmicos, Citações e Referências..........................31
4.1.1 Informação e Documentação – Trabalhos Acadêmicos – NBR 14.724........................................31
4.1.2 Informação e Documentação – Citações em Documentos – NBR 10.520....................................31
4.1.3 Informação e Documentação – Referências em Documentos – NBR 6.023.................................31
4.2 Detalhamento das Normas Técnicas.............................................................................................32
4.2.1 Trabalhos Acadêmicos – Resumo da NBR 14.724.......................................................................32
4.2.1.1 Resumo das Regras Gerais de Apresentação..............................................................................33
4.2.2 Citações em Documentos – Resumo da NBR 10.520...................................................................34
4.2.2.1 Resumo das Regras Gerais de Apresentação..............................................................................34

CONCLUSÃO........................................................................................................................................35

REFERÊNCIAS......................................................................................................................................36