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NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS MATERIAIS

TÉCNICO DO MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO


PROFESSOR RENATO FENILI

Prezado(a) amigo(a) concursando (a),

É chegada a hora de nos dedicarmos ao tão esperado concurso para


Técnico do Ministério Público da União.
Meu nome é Renato Ribeiro Fenili, sou natural de São Paulo e tenho 34
anos. Atualmente sou Analista Legislativo – atribuição técnico em material e
patrimônio, na Câmara dos Deputados. Antes disso, fui Oficial da Marinha do
Brasil, servia embarcado em navio, tendo exercido o cargo de Chefe de
Máquinas por cerca de dois anos. Fazia cerca de 120 dias de mar por ano, o
que não me deixava alternativa a não ser estudar sozinho... não era fácil!
Fui aprovado em 6º lugar no concurso para a Câmara dos Deputados
de 2007, e tomei posse em 2008. Na época, a banca escolhida para a
condução do certame foi a Fundação Carlos Chagas, e o conteúdo
programático do edital foi extremamente semelhante ao atual.
Bom, feitas as apresentações, creio que seja hora de começarmos o
estudo. A Administração de Materiais, apesar de não ser uma das disciplinas
mais “densas” que encontramos em concursos públicos, tem suas
particularidades, capazes de pegarem os desavisados de “calças curtas”.
Pessoalmente, creio que a necessidade de se aliar um conceito bem definido
com o raciocínio lógico (e matemático!) seja um dos desafios que a Gestão
de Materiais apresenta aos concursandos. Mas que vamos, a partir de agora,
enfrentar juntos.
Nosso curso será construído com base em exercícios comentados.
Apesar de o foco ser em exercícios, garanto que será apresentado, de forma
didática, todo o conteúdo teórico necessário a prover um sólido
conhecimento em Administração de Materiais.
Vejamos como será a estrutura do curso:

AULA CONTEÚDO
Introdução à Administração de Material e Patrimônio.
Conceituação de Material e Patrimônio. Atividades
1 básicas da Administração de Material e Patrimônio.
Etapas da classificação de materiais (classificação,
padronização, codificação)
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AULA CONTEÚDO
Gestão de Estoques - Parte I (Previsão e Controle de
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Estoque)
Gestão de Estoques - Parte II (Estoques: planejamento,
processos e políticas de administração de estoques;
3 determinação de níveis de estoque, tempo de
ressuprimento e estoques de segurança; avaliação de
estoques – métodos; inventário de material)
As compras nas Organizações: Aquisição dos materiais e
4
do patrimônio
Almoxarifado: funções, princípios e objetivos; controle,
registro, conservação e recuperação de material;
5
técnicas de armazenamento; utilização de espaço;
segurança. Recebimento e distribuição
Gestão Patrimonial (O Patrimônio das empresas e
órgãos públicos. O Patrimônio Imobiliário. O Patrimônio
6
Mobiliário. A movimentação do patrimônio. Sistema
Patrimonial.)
7 Revisão em exercícios

Ao final de cada aula, serão apresentados ainda algumas questões


extras, a fim de sedimentar e/ou complementar o conteúdo visto. Nesta
primeira aula, dado que ainda estaremos em uma etapa introdutória de
nosso curso, há apenas 3 questões extras. Nas próximas aulas, a lista irá ser
mais extensa.
Sendo esta a aula introdutória de nosso curso, alguns conceitos iniciais
serão abordados em um primeiro momento. Em seguida, veremos as etapas
da classificação de materiais, bem como os diversos critérios empregados na
classificação de materiais (conteúdo intimanente associado às etapas de
classificação), um conteúdo que considero ideal para a familiarização com a
Administração de Recursos Materiais.
Espero uma participação intensa no fórum, servindo como uma
ferramenta adicional para sedimentarmos a aprendizagem.
Tudo pronto? Vamos então dar mais um passo rumo a seus
objetivos.

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I. CONCEITOS INICIAIS

Em uma organização, podemos identificar cinco tipos de recursos


disponíveis, conforme disposto abaixo:

O foco de nossa disciplina é apenas o estudo dos recursos materiais,


em sentido amplo.
Nosso primeiro passo é entender a distinção entre recursos materiais e
patrimoniais.
Podemos dizer que o termo “recurso material” pode assumir dois
sentidos.
Em um sentido amplo, recurso material engloba todos os meios físicos
de que dispõe uma organização, indo desde aqueles relacionados à sua
infraestrutura (um prédio, por exemplo) até mesmo aos materiais auxiliares
(papel A4, por exemplo).
Em sentido estrito, é possível separar as definições de recurso
material de recurso patrimonial:

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Recurso material = refere-se aos elementos físicos empregados por


uma organização que concorrem para a constituição de seu produto final,
podendo este “produto final” ser um material processado ou um serviço. A
natureza do recurso material não é permanente. Além disso, é geralmente
possível armazená-lo em estoques.
Na Contabilidade, recursos materiais podem ser aproximados do
conceito de bens de venda (mercadorias, matérias-primas, produtos em
fabricação e produtos prontos), carecendo apenas dos materiais auxiliares
(por exemplo, material de expediente).

Recurso patrimonial = refere-se aos elementos físicos empregados


por uma organização que são destinados à manutenção das atividades de
uma organização. A natureza do recurso patrimonial é permanente. Além
disso, nem sempre é possível armazená-lo em estoques.
Na Contabilidade, os recursos patrimoniais referem-se ao conceito de
bens de uso, ou ativo imobilizado de uma organização (imóveis, terrenos,
móveis e utensílios, veículos, máquinas e equipamentos, computadores e
terminais, instalações etc), tomados em conjunto com seus ativos
intangíveis.

Uma vez esclarecido o que se entende por Recurso Material, estamos


aptos a partir para a definição de Administração de Materiais:

O conjunto de atividades conduzidas em uma organização, visando a


maximizar a utilização dos recursos da empresa.

Veja que o principal objetivo da Administração de Materiais é


maximizar a utilização dos recursos da empresa. Em outras palavras:
evitar o desperdício, que pode se manifestar das mais diversas maneiras:
excesso de estoque, aquisição de materiais desnecessários ou de baixa
qualidade etc.
Inúmeras são as variáveis envolvidas na Administração de Materiais.
Um bom exemplo de organização na qual a Administração de Materiais tem
de ser muito bem executada é um restaurante, dada a perecibilidade dos
alimentos. Há de se considerar não só a quantidade de insumos a ser
adquirida, mas também sua qualidade, o momento de entrega, o
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armazenamento, a minimização de estoques (já que, como veremos,


estoques geram custos) e a busca por preços econômicos.
Nesse enfoque, a fim de atingir o objetivo principal da Administração
de Materiais (maximizar a utilização dos recursos da empresa),podemos
estabelecer os objetivos secundários da Administração de Materiais:

Suprir a organização dos materiais nas quantidades corretas, na


qualidade requerida, no momento certo, armazenando-os da maneira e no
local apropriados, praticando preços econômicos e minimizando estoques.

Para cumprir estes objetivos, a Administração de Materiais divide-se


em atividades específicas e complementares entre si, assim agrupadas por
Gonçalves (2007):

Gestão de estoques – objetiva adequar os níveis de estoque às


necessidades e à política de gestão de materiais da organização.
Para tanto, utiliza técnicas de previsão de consumo, gerando
sinais para a área de compras a fim de iniciar processos de
aquisição.

Gestão de compras – objetiva efetuar as aquisições /


contratações demandadas pelos diversos órgãos componentes da
empresa, bem como atender às solicitações da área gestora de
estoques.

Gestão dos centros de distribuição – responsável pelo


controle físico dos materiais, bem como pelo seu recebimento na
organização, movimentação, armazenagem e distribuição
interna.

Podemos, ainda, olhar estas atividades “mais de perto”, fazendo a


seguinte menção às principais tarefas inerentes à Gestão de Recursos
Materiais em uma organização:

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Identificação de fornecedores

Compra

Recebimento de materiais

Armazenagem e
Movimentação

Distribuição interna

Controle de estoques

Ao longo de nosso curso, veremos todas essas atividades com


profundidade.
Vejamos como o este conteúdo é cobrado em concursos:

1. (CESPE / SEAD FUNESA / 2008) É objetivo da administração de


materiais maximizar a utilização dos recursos da empresa.

Uma administração de materiais eficiente implica a minimização de


desperdícios pela organização. Em outras palavras, maximiza-se o uso dos
recursos disponíveis, através de uma gestão de materiais eficiente.
O enunciado está certo.

2. (CESPE / CNPQ / 2011) Uma das funções precípuas do


administrador de materiais é minimizar o uso dos recursos
envolvidos na área logística da empresa, visando economia e
eficiência.

Esta questão apresenta uma “pegadinha” da banca. Ao


minimizarmos o uso dos recursos, estamos dando um passo rumo ao

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desperdício. O administrador de materiais deve buscar a maximização do uso


dos recursos, sempre.
Assim, a questão está errada.

3. (CESPE / STM / 2008 - adaptada) A administração de materiais


visa a colocar os materiais necessários na quantidade certa, no
local certo e no tempo certo à disposição dos órgãos que
compõem o processo produtivo da empresa.
A afirmativa apresenta alguns dos objetivos secundários da
Administração de Recursos Materiais.
Logicamente, a assertiva está voltada à Gestão de Materiais aplicada
no processo produtivo de uma empresa. Não podemos esquecer que a
Gestão de Materiais também contempla os materiais auxiliares,
especialmente em órgãos públicos.
De qualquer forma, a questão está certa.

4. (CESPE / PETROBRAS / 2007 - adaptada) Além do controle de


estoques, a área de gestão de materiais engloba as atividades
de compra, almoxarifado, movimentação e distribuição de
materiais.

Todas as atividades listadas na afirmativa são efetivamente inerentes à


área de Gestão de Materiais. (cabe apenas a menção de que “almoxarifado”,
no enunciado, refere-se à atividade de armazenagem dos itens de material)
A questão está certa.

5. (CESPE / FUB / 2008) A conservação dos estoques em perfeito


estado, que tem por objetivo reduzir as perdas da organização,
é uma atividade típica da administração financeira.

A conservação de estoques em perfeito estado é uma atividade típica da


Administração de Recursos Materiais.
A questão está errada.

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Após esta familiarização inicial com a definição de Recursos Materiais e


Patrimoniais e com os objetivos da Administração de Materiais, estamos
prontos a dar um passo adiante na disciplina. Em se tratando dos recursos
materiais, eles podem ser classificados de diversas maneiras, seja com
relação à sua aplicação dentro da organização, à sua importância em termos
financeiros, ao seu tempo de duração ou a outro critério desejado. É o que
veremos a seguir.

II. CLASSIFICAÇÃO DE MATERIAIS

A classificação dos itens de material é um procedimento necessário a fim


de racionalizar o controle de materiais em estoque.
Trata-se de um procedimento de aglutinação de materiais por
características semelhantes, servindo de informação gerencial ao
administrador de materiais, que se torna capaz de voltar sua atenção a
determinada(s) categoria(s) de material(is), ao invés de tentar, em vão, lidar
com uma infinidade de itens de materiais.
Sem uma classificação de materiais bem definida, seria quase impossível
ao gestor de materiais administrar seus estoques.

 Atributos e Etapas da Classificação de Materiais

Um sistema de classificação deve possuir determinadas qualidades (ou


atributos) que o torne satisfatório. Para Viana (2000), são três os
atributos de um bom sistema de classificação:
 Abrangência = a classificação deve abordar uma série de
características dos materiais, caracterizando-os de forma
abrangente. Aspectos físicos, financeiros, contábeis...são todos
fundamentais em um sistema de classificação abrangente.
 Flexibilidade = Segundo Viana (2000), um sistema de classificação
flexível é aquele que permite interfaces entre os diversos tipos de
classificação, de modo a obter uma visão ampla da gestão de
estoques. Enquanto a abrangência tem a ver com as características
do material, a flexibilidade refere-se à “comunicação” entre os tipos
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de classificação, bem como à possibilidade de adaptar e melhorar o


sistema de classificação sempre que desejável.
 Praticidade = a classificação deve ser simples e direta, sem
demandar do gestor procedimentos complexos.

6. (IFC / UFSC / 2009) Em relação aos atributos para a


classificação de materiais, assinale a alternativa CORRETA.
a) Criatividade, inovação e flexibilidade.
b) Mudança, adaptação e estratégia.
c) Abrangência, criatividade e inovação.
d) Abrangência, flexibilidade e praticidade.
e) Praticidade, estratégia e reorganização.

Esta questão foi apresentada apenas para fixarmos o conteúdo exposto


anteriormente.
Apesar de algumas das alternativas apresentarem algumas iniciativas que
são comuns a quase todas as atividades administrativas (busca pela
inovação e criatividade, por exemplo), os atributos inerentes à classificação
de materiais são os 3 mencionados anteriormente: abrangência, flexibilidade
e praticidade.
Assim, a alternativa D está correta.
Além dos atributos de um sistema de classificação, há de se abordar os
etapas(ou princípios) que regem a classificação de materiais, conforme
listados a seguir:

Catalogação Simplificação Especificação Normalização Padronização Codificação

 Catalogação = arrolamento de todos os itens de material


existentes em estoque, permitindo uma ideia geral do conjunto;
 Simplificação = redução da diversidade de itens de material em
estoque que se destinam a um mesmo fim. Caso existam dois itens
de material que são empregados para a mesma finalidade, com o
mesmo resultado – indiferentemente, opta-se pela inclusão no

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catálogo de materiais de apenas um deles. A simplificação é uma


etapa que antecede a padronização;
 Identificação (Especificação) = descrição minuciosa do material,
possibilitando sua individualização em uma linguagem familiar ao
mercado;
 Normalização = estabelecimento de normas técnicas para os itens
de material em si, ou para seu emprego com segurança. Pode-se
dizer, da mesma forma, que a normalização de itens de material é
necessária para a consecução da padronização em sua completude.
A entidade oficial de normalização no Brasil é a Associação Brasileira
de Normas Técnicas (ABNT);
 Padronização = uniformização do emprego e do tipo do material.
Facilita o diálogo com o mercado, facilita o controle, permite a
intercambialidade de sobressalentes ou demais materiais de
consumo (peças, cartuchos de impressoras padronizadas, bobinas
de fax etc.);
 Codificação = atribuição de uma série de números e/ou letras a
cada item de material, de forma que essa informação, compilada
em um único código, represente as características do item. Cada
item terá, assim, um único código.
Dessa maneira, é através da classificação que os itens em estoque são
agrupados segundo determinados critérios, sejam eles peso, forma,
dimensões, tipo, uso etc. O resultado é a otimização dos controles de
estoque, dos procedimentos de armazenagem e da operacionalização dos
almoxarifados (= locais de armazenagem dos itens de material, na
organização).

7. (CESPE / SESA ES / 2011) Simplificação, especificação e


normalização são etapas da classificação de materiais.
A assertiva acima está de acordo com o que vimos, no que diz respeito às
etapas da classificação de materiais. Faltou apenas a menção à
padronização, o que não compromete o enunciado.
A questão, portanto, está certa.

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8. (CESPE / ABIN / 2010) Considere que, no estoque de uma


oficina mecânica, haja vários parafusos de diferentes tipos.
Nessa situação, no controle de estoque, todos os parafusos
devem ser considerados um mesmo item de consumo,
atribuindo-se a esse item uma única codificação.
Parafusos de diferentes tipos usualmente têm aplicações distintas.
Assim, não há de se falar de simplificação, mas sim de uma especificação
apropriada para cada parafuso.
A assertiva está errada.

 Tipos (ou Critérios) de Classificação de Materiais

Vários são os tipos de classificação de materiais, determinados em função


das informações gerenciais desejadas pelo Gestor de Materiais.
Veremos, a seguir os principais tipos de classificação:

a) Possibilidade de fazer ou comprar

Esta classificação tem por objetivo prover a informação de quais


materiais poderão ser produzidos internamente pela organização, e quais
deverão ser adquiridos no mercado. As categorias de classificação podem ser
assim listadas:
 materiais a serem produzidos internamente;
 materiais a serem adquiridos;
 materiais a serem recondicionados (recuperados) internamente;
 materiais a serem produzidos ou adquiridos (depende de análise caso-a-
caso pela organização).

A decisão sobre produzir ou adquirir um item de material no mercado é


tomada pela cúpula da organização, considerando os custos e a estrutura
envolvida. Nesse contexto, há duas estratégias possíveis: a verticalização e
a horizontalização:
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 Verticalização→ Produz-se (ou tenta-se produzir) internamente tudo


o que puder. Essa estratégia foi dominante nas grandes empresas, até
o final do século passado, no intuito de assegurar a independência de
terceiros (ex: General Motors). Mais raramente, há empresas que
ainda se esforçam na verticalização de seus negócios (um exemplo
seria a Faber-Castell que, na última década, esforçou-se na conquista
da autossuficiência no plantio de madeira, matéria-prima na confecção
de lápis). No entanto, verticalizar mostrou-se um negócio arriscado, já
que se corre o risco da empresa ficar “engessada”, ou seja, a
imobilização de recursos pode tornar o negócio pouco flexível.

 Horizontalização → Compra-se de terceiros o máximo de itens que


irão compor o produto final. Esta estratégia é a grande tendência das
empresas modernas. De modo geral, apenas os processos
fundamentais (chamados core processes) não são terceirizados, por
razões de segredos tecnológicos. A estrutura horizontalizada é típica do
Sistema Toyota de Produção, que remete a terceiros cerca de 75% do
processo produtivo1.
O quadro abaixo sumariza as vantagens e desvantagens dessas
estratégias:
VANTAGENS DESVANTAGENS
 Independência de  Perda de flexibilidade (a
terceiros; empresa fica
Verticalização  Maiores lucros; “engessada”);
 Manutenção de segredo  Maior investimento
sobre tecnologias (maiores custos).
próprias.
 Garantia de flexibilidade  Perda de controle
à empresa; tecnológico;
Horizontalização  Menores custos (não há  Dependência de
despesa na criação de terceiros;
estruturas internas).  Lucros menores.

1
Segundo ANTUNES, R. O Toyotismo, as novas formas de acumulação de capital e as formas de (alienação).
Cadernos CRH, 2002.
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b) Por demanda:

Materiais de Estoque
•São os materiais que, dada a previsibilidade da demanda pela
organização, devem ser mantidos em estoque.

Materiais Não-de-Estoque
•São os materiais que, dada a imprevisibilidade da demanda pela
organização, não tem necessidade de estarem em estoque.
(lembre-se: estoque gera custos à organização!!)

No caso de materiais não-de-estoque, quando verificada sua necessidade,


inicia-se um processo de aquisição.

9. (CESPE / TJ PA / 2006 - adaptada) Quanto ao tipo de demanda,


os materiais são classificados em materiais de estoque e não de
estoque.

Esta questão foi inserida na aula apenas para reforçar a assimilação do


conteúdo anterior.
O enunciado, como vimos, está certo.
Em órgãos públicos, a aquisição dos materiais não-de-estoque, nos
quais a demanda é imprevisível, é feita, preferencialmente, mediante o
chamado Sistema de Registro de Preços, que será abordado em nossa
aula sobre compras governamentais.

Observação: As demais classificações (apresentadas a seguir) são


atinentes exclusivamente aos materiais de estoque, que são mantidos nos
almoxarifados das organizações.

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c) Por aplicação na organização:


TIPO DEFINIÇÃO EXEMPLO

Substância que toma parte


MATÉRIA-PRIMA no processo de produção,
incorporando fisicamente o
produto final. Madeira, na
indústria de
móveis

É o produto que tomará


PRODUTO parte no produto final, sem
INTERMEDIÁRIO que haja alteração em suas
OU EM propriedades químicas ou
PROCESSO2 físicas. Podem ser adquiridas
de outra organização, ou Bancos de carro,
fabricadas internamente. na indústria
automotiva

É aquele que representa o


PRODUTO FINAL objetivo final da organização,
OU ACABADO estando pronto para
comercialização.

É utilizado no processo de
produção/fabricação, sem
que se incorpore ao produto
MATERIAL final.
AUXILIAR Vai desde o material de
expediente utilizado (papel,
caneta), até ferramentas,
além dos materiais por
ventura consumidos como
combustíveis (óleo diesel,
2
Estes materiais são também conhecidos como “materiais acabados”. Não confunda com “produto acabado”.
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TIPO DEFINIÇÃO EXEMPLO


gasolina, carvão etc).

Obs: O autor Chiavenato apresenta uma classificação complementar a


essa, que veremos em nossas questões extras.

10. (CESPE / ANATEL / 2009) Se determinado órgão público


adquirir 50 cartuchos de toner para as suas impressoras a
laser, tais produtos deverão ser considerados como produtos
acabados para o referido órgão.

Conforme visto na tabela acima, produto acabado ou final é aquele


referente à atividade fim da organização.
Em se tratando de órgãos públicos, o mais comum é que a atividade fim
seja um serviço, como a fiscalização de tributos ou da aplicação de leis, por
exemplo. Dessa forma, o uso de material de expediente, de informática,
gráfico, ferramentas, entre outros, não só não se constitui no produto final,
como também não são incorporados no produto final. São os chamados
materiais auxiliares, como o mencionado toner do enunciado da questão.
A questão está, assim, errada.

d) Por periculosidade

Materiais perigosos são aqueles que oferecem


risco, em especial durante as atividades de manuseio e
transporte.
Nesta categoria, estão inseridos os explosivos,
líquidos e sólidos inflamáveis, materiais radioativos,
corrosivos, oxidantes etc.

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e) Por perecibilidade

Trata-se de uma classificação que leva em conta o desaparecimento


das propriedades físico-químicas do material.
Gêneros alimentícios, vacinas, materiais para testes laboratoriais,
entre outros, são considerados perecíveis, já que estão sujeitos à
deterioração e à decomposição.

f) Por importância operacional (Classificação XYZ)

A Classificação XYZ avalia o grau de criticidade ou de


imprescindibilidade do item de material nas atividades desempenhadas pela
organização. As classes são assim definidas, conforme Mendes e Castilho
(2009):

Classificação por importância operacional


Classe Definição
Materiais de baixa criticidade, cuja falta não implica
paralisações da produção, nem riscos à segurança
Classe X
pessoal, ambiental e patrimonial. Ainda, há facilidade de
sua obtenção no mercado.
Materiais que apresentam grau de criticidade
Classe Y intermediário, podendo, ainda, ser substituídos por outros
com relativa facilidade.
Materiais de máxima criticidade, não podendo ser
substituídos por outros equivalentes em tempo hábil sem
Classe Z acarretar prejuízos significativos. A falta desses materiais
provoca a paralisação da produção, ou coloca em risco as
pessoas, o ambiente ou o patrimônio da empresa.

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11. (CESPE / CNPQ / 2011) Uma desvantagem de se utilizar a


classificação de materiais do tipo importância operacional é que
ela não fornece análise econômica dos estoques.
A vantagem da utilização da classificação do tipo importância
operacional é a obtenção da informação dos itens de material em estoque
considerados vitais para a organização, seja em termos de continuidade
da produção ou de segurança às pessoas, ao ambiente e ao patrimônio.
Contudo, com base apenas nesse tipo de classificação, o Gestor de
Materiais não conseguirá saber quais os itens em estoque responsáveis
pelo maior valor financeiro, por exemplo. Este tipo de informação é dada
pela Classificação ABC (ou de Pareto), que veremos mais adiante nesta
aula.
A questão está certa.

12. (CESPE / IPOJUCA / 2009) A classificação XYZ é um método


de análise qualitativa que determina a criticidade dos materiais
e dos medicamentos no hospital. Os itens X são aqueles
considerados vitais ou críticos para a produção, sem similar no
hospital.

Na classificação XYZ, são os itens Z os


detentores de alta criticidade para a organização.
A afirmativa está, assim, errada.

13. (CESPE / CNPQ / 2011) O profissional que atua na


administração de materiais deve dedicar atenção ao controle
dos materiais críticos, os quais devem ser submetidos ao
controle de obsolescência de forma contínua e periódica.

Em Administração de Materiais, há o conceito de materiais críticos,


entendidos como aqueles que são merecedores de atenção especial do
gestor, por diversos motivos – sejam eles financeiros, operacionais, de
segurança, entre outros.
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Em concordância com Viana (2000), as razões para a consideração de


materiais como críticos podem ser assim listadas:

 razões econômicas = materiais de alto valor, ou de custos significativos


de transporte e armazenagem;
 razões de armazenagem, manuseio e transporte = materiais de alta
periculosidade, ou perecíveis, ou, ainda, de elevados peso e dimensão.
 razões de planejamento = materiais de difícil previsão de consumo,
pela organização.

Com relação ao enunciado da questão, devemos, preliminarmente o


que é a obsolescência.
Obsolescência é o fenômeno que acarreta a inutilidade de determinado
item de material (ele se torna obsoleto), seja devido a inovações
tecnológicas (lembra dos disquetes?) ou por razões econômicas (quando o
uso sobressalentes, seguido da manutenção tornam-se mais caro do que a
aquisição de um novo produto).
Como vimos, materiais críticos podem assumir diferentes aspectos, a
depender da razão em pauta pelo Gestor de Materiais. Se a razão for
econômica, realmente há a necessidade de um controle de obsolescência (já
imaginou uma turbina de avião – material de alto custo – tornar-se
obsoleta?). No entanto, um material de alta periculosidade, ou de elevado
peso, não tem a necessidade diferenciada de controle de obsolescência.
Uma forma de corrigirmos a assertiva seria a exposta abaixo:

O profissional que atua na administração de materiais deve dedicar


atenção ao controle dos materiais de alto valor financeiro, os quais devem
ser submetidos ao controle de obsolescência de forma contínua e periódica.

Com esse entendimento, o enunciado está errado.

14. (CESPE / CNPq / 2011) O profissional que atua na


administração de materiais deve classificar como materiais
críticos aqueles que possuem demanda previsível, os quais
devem ser estocados com base no risco.

Um material é considerado crítico, por razões de planejamento, caso


sua demanda seja imprevisível (ou, pelo menos, difícil de prever).
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A assertiva está errada.

g) Por valor econômico (Curva ABC)

O Método da Curva ABC ou Princípio de Pareto (ou, ainda, Curva


80-20), é uma ferramenta segundo a qual os itens de material em estoque
são classificados de acordo com sua importância, geralmente financeira.
Para Gonçalves (2007), o principal objetivo da análise ABC é identificar
os itens de maior valor de demanda e sobre eles exercer uma gestão mais
refinada, especialmente por representarem altos valores de investimentos e,
muitas vezes, com impactos estratégicos para a sobrevivência da
organização.
Devemos frisar que, na sistemática da Curva ABC, os itens de material
em estoque são usualmente classificados de acordo com seu valor
financeiro, mas existe a possibilidade de adoção de outros critérios, como,
por exemplo, impacto na linha de produção, ou, itens mais requisitados pelos
setores da organização.
No método da Curva ABC, os itens em estoque são classificados em
três classes:
Classe A: itens de maior relevância
Classe B: itens de importância intermediária
Classe C: itens de menor relevância em estoque
Os percentuais aproximados (e não fixos) são os relacionados abaixo:

CLASSE % do critério selecionado % Quantidade


(geralmente é o valor (R$) aproximada em estoque
em estoque)
A 80 % 20 %
B 15 % 30 %
C 5% 50 %

A representação gráfica da curva ABC é apresentada a seguir,


adotando-se, como critério, o valor dos itens em estoque:
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Curva ABC
Valor financeiro em estoque (%) 120

100 100; 100


50; 95
80 20; 80
60

40

20

0 0; 0
0 20 40 60 80 100 120
Itens em estoque (%)

Este tópico é muito cobrado em concursos – inclusive no que diz


respeito ao conhecimento acerca dos procedimentos de cálculo. Dessa forma,
iremos nos aprofundar nesse assunto, por meio de uma série de exercícios.

15. (FCC / METRÔ SP / 2008) No processo de gestão de


materiais, a classificação ABC é uma ordenação dos itens
consumidos em função de um valor financeiro. São
considerados itens A os itens de estoque com as características
de:

a) muitos itens em estoque e baixo valor de consumo acumulado.


b) poucos itens em estoque e baixo valor de consumo acumulado.
c) muitos itens em estoque e alto valor de consumo acumulado.
d) poucos itens em estoque e alto valor de consumo acumulado.
e) número médio de itens em estoque e alto valor acumulado.

Como vimos, de forma geral, os itens A correpondem a apenas 20% do


quantitativo de materiais em estoque. No entanto, apesar dos poucos itens
em estoque, esses itens somam aproximadamente 80% do valor acumulado
nos almoxarifados.
Assim, concluímos que os itens A possuem as características de
“poucos itens em estoque e alto valor de consumo acumulado”.
A alternativa D, portanto, está correta.
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16. (FCC / MPE – SE / 2009) Na administração de materiais e


patrimônio, o princípio que se baseia no fundamento de que a
maior parte do investimento está concentrada em um pequeno
número de itens denomina-se:

a) estoque máximo.
b) estoque mínimo.
c) supply chain.
d) reposição periódica.
e) classificação ABC.

O enunciado aborda o chamado Princípio de Pareto, fundamento da


classificação ABC. Sua aplicação é, na realidade, mais ampla,
sendo inicialmente concebido pelo pesquisador Vilfredo Pareto
(foto ao lado) ao estudar a concentração de renda nas
populações – quando foi percebido que cerca de 80% da renda
estava concentrada em apenas 20% da sociedade.
Aplicando-se este conceito à gestão de estoques, obtemos
uma uma ferramenta de gestão de estoques, através da
qual é possível a identificação dos itens de maior valor
financeiro em estoque (ou maior valor de demanda), e sobre eles exercer
uma gestão mais refinada.
Resposta: E.
Obs: (os conceitos apresentados pelas demais alternativas serão vistos ao
longo de nosso curso, ok?)

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**a seguinte figura é válida para as questões 17 a 20**

(CESPE / ABIN / 2010) Com base na figura acima, representativa de


uma curva ABC de estoque, julgue os itens subsequentes.

17. Para a classificação dos itens de estoque nas seções I, II


ou III da figura, considera-se o valor unitário de cada um
desses itens.

Esta questão gerou dúvidas em vários fóruns de concursos após a prova


da ABIN. Creio que o melhor modo de abordá-la é através de um exemplo
prático. Tomemos o consumo de determinado almoxarifado, no mês de
outubro de 2011:

Item Descrição Consumo Valor unitário Valor do % do %


(R$) consumo consumo acumulado
(R$)
1 Impressora 1 1.300,00 1.300,00 65% 65%
2 Borracha 300 1,00 300,00 15% 80%
3 Lapiseira 20 10,00 200,00 10% 90%
4 Lápis 1.000 0,20 200,00 10% 100%

Imagine que você é o gestor do almoxarifado acima, e deseja saber


quais os itens que podem ser classificados como A, no mês de outubro de
2011. O critério é o valor total consumido. Por meio da coluna mais a direita

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da tabela, vemos que os itens 1 (impressora) e 2 (borracha) foram


responsáveis por 80% do consumo no mês considerado.
Note que o que nos interessa é o total consumido, e não o valor
unitário do item. No exemplo acima, uma lapiseira (item 3) é mais cara que
uma borracha (item 2), mas não podemos considerar a lapiseira como item
A, já que o valor de seu consumo total foi menor que o da borracha, e, como
vimos, os itens 1 e 2 já respondem por 80% do valor de consumo no mês.

Observação: o exemplo acima, por ser extremamente simplificado, não traz


consigo a distinção entre itens B e C.

Em síntese, o que vale para fins de classificação de um item dentre as


categorias A, B ou C é o valor total do consumo.
O enunciado está errado.

18. Os itens pertencentes à seção III da figura exigem controle


mais apurado de movimentação e menor tolerância a erros de
inventário.

À seção III da figura acima correspondem os itens classificados na


categoria C. São itens mais numerosos, com menor valor de demanda,
dispensando, assim, menor controle por parte dos gestores de estoque.
Os itens que exigem controle mais apurado são os pertencentes à
seção I – os chamados itens A, geralmente menos numerosos, mas com alto
valor relativo de demanda.
A questão está errada.

19. Um gerente de suprimentos que tenha como objetivo a


redução dos custos dos estoques deve priorizar a redução dos
lotes de compra dos itens alocados na seção I da figura.

Esta é a típica questão que exige a compreensão do conceito por parte


do candidato.
Devemos entender que os itens A – inseridos na seção I da figura –
respondem por grande parte do comportamento do estoque. Assim, caso o
gestor queira minimizar os gastos em itens em estoque, não haverá

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resultados significativos ao focar-se nos itens C, por exemplo. Estes itens,


apesar de geralmente numerosos, são pouco onerosos à organização.
Fazendo uma analogia com nosso dia-a-dia: ao tentarmos reduzir
nossos gastos nas compras semanais de supermercado, surtirá mais efeito
deixarmos de comprar um azeite importado de R$ 30,00 do que
economizarmos em sabonetes de R$ 0,60. O azeite é o típico item A, ao
passo que o sabonete, o C.
A questão, portanto, está certa.

20. Os itens alocados na seção identificada por I, na figura, são


chamados itens A da curva ABC.

É exatamente isso. Veja que a um pequeno percentual dos itens (eixo


X) corresponde um valor significativo da demanda (eixo Y). As seções II e III
são atinentes aos itens B e C, respectivamente.
A questão está certa.

**a seguinte tabela é válida para as questões 21 a 23**

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(CESPE / SESA ES / 2011) A tabela acima refere-se ao consumo


médio mensal e ao custo unitário de dez itens farmacêuticos no
hospital Boa Saúde, que utiliza o sistema ABC para gestão de seu
estoque de medicamentos e trabalha com os seguintes parâmetros:

 classe A – equivale a 10% dos itens em estoque, o que


corresponde a 70% do valor financeiro do consumo;
 classe C – equivale a 70% dos itens em estoque, o que
corresponde a 10% do valor financeiro do consumo.

Considerando a tabela e as informações acima, julgue os itens que


se seguem.

21. Os itens III e IX são de classe B na curva ABC desse hospital.

Para análise da situação dada, o primeiro passo é verificarmos qual o


valor total de consumo relativo a cada um dos itens. Isso é feito
multiplicando-se o consumo pelo valor unitário, conforme tabela abaixo:

Item Consumo Valor unitário Valor do


(R$) consumo (R$)
I 25 52,09 1.302,25
II 108.110 1,30 140.543,00
III 93.000 0,12 11.160,00
IV 9 613,00 5.517,00
V 110 15,07 1.657,70
VI 90 23,30 2.097,00
VII 45 96,00 4.320,00
VIII 240 5,20 1.248,00
IX 18.200 1,59 28.938,00
X 80 45,23 3.618,40

De posse dos valores totais de consumo, podemos dispor os itens de


maneira decrescente, com relação a esse valor:

Item Consumo Valor unitário Valor do


(R$) consumo (R$)
II 108.110 1,30 140.543,00
IX 18.200 1,59 28.938,00
III 93.000 0,12 11.160,00
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IV 9 613,00 5.517,00
VII 45 96,00 4.320,00
X 80 45,23 3.618,40
VI 90 23,30 2.097,00
V 110 15,07 1.657,70
I 25 52,09 1.302,25
VIII 240 5,20 1.248,00
Valor Total 200.401,35

Finalmente, podemos verificar o percentual do valor de consumo que é


relativo a cada um dos itens. Este valor é obtido dividindo-se cada um dos
valores de consumo (por item) pelo valor total (R$ 200.401,35),
multiplicando-se, em seguida, por 100%. É o representado na tabela abaixo:

Item Consumo Valor unitário Valor do % do consumo % acumulado


(R$) consumo (R$) (=Valor do
consumo/200.401,35 *
100%)
II 108.110 1,30 140.543,00 70,13 70,13
IX 18.200 1,59 28.938,00 14,44 84,57
III 93.000 0,12 11.160,00 5,57 90,14
IV 9 613,00 5.517,00 2,75 92,89
VII 45 96,00 4.320,00 2,16 95,05
X 80 45,23 3.618,40 1,81 96,86
VI 90 23,30 2.097,00 1,05 97,91
V 110 15,07 1.657,70 0,83 98,74
I 25 52,09 1.302,25 0,65 99,39
VIII 240 5,20 1.248,00 0,61 100,00

Este é o procedimento de cálculo que devemos fazer todas as vezes


que a questão exigir que façamos uma classificação ABC.
De acordo com os parâmetros adotados pelo Hospital Boa Saúde,
constantes do enunciado da questão, podemos concluir que:

 classe A –70% do valor financeiro do consumo,


correspondente, conforme tabela acima, ao item II
 classe C – 10% do valor financeiro do consumo, representados pelos
itens de menor valor de consumo. Para determinar quais são os itens
“classe C”, basta somarmos, de baixo para cima, na penúltima coluna,
os percentuais de consumo, até obtermos um índice próximo a 10%:

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( )

Assim, os itens VIII, I, V, VI, X, VII e IV pertencem à classe C.

Por exclusão, concluímos que os itens III e IX pertencem à classe B.


Dessa maneira, a questão está certa.

22. Segundo o sistema ABC, o item IV é aquele que merece


controle mais acirrado por apresentar custo unitário mais
elevado, R$ 613,00.

O critério para a classificação de um item nas classes A, B ou C é o


valor total de consumo – e não o seu custo unitário. Há de se considerar,
pois, a demanda efetiva (números de unidades consumidas) do item de
material.
A questão está errada.

23. No sistema ABC, o estoque de segurança projetado para os


itens de classe A deve ser inferior, em meses de consumo, ao
estoque de segurança dos itens de classe B.

Estoque de segurança é um conceito que abordaremos com maior


profundidade na próxima aula. Por ora, é suficiente entendermos o estoque
de segurança como um estoque “adicional”, capaz de cobrir eventuais
situações que fujam do alcance do Gestor de Materiais.
Na classificação ABC, como os itens de classe A são mais onerosos
(mais caros), e como estoque significa, grosso modo, desperdício de
dinheiro, o ideal é mantermos o mínimo de estoque de segurança dos itens
da classe A.
Imagine o tamanho do capital imobilizado de um hospital que
mantém níveis elevados de estoque de segurança para tomógrafos ou
aparelhos de raio X, por exemplo – os custos para tanto podem se tornar
insuportáveis.
Assim, a questão está certa.

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** o seguinte enunciado é válido para as questões 24 e 25**

(CESPE / MCT / 2008) Em obras de grande porte, ou indústrias de


pré-moldados, é recomendável controlar o estoque do almoxarifado
mediante a aplicação da curva ABC, representada com os seguintes
valores estimativos. Na curva ABC, os itens de baixo custo
representam 5% do valor e 50% do estoque (C) e os itens de alto
valor representam 80% do valor e 20% do estoque (A) e os itens
médios (B) representam 15% do valor e 30% da quantidade.

Tendo em vista essas informações, julgue os itens que se seguem.

24. O gestor do almoxarifado acertou ao classificar uma partida


de pregos como sendo parte dos itens A.

O valor financeiro relativo a pregos não é significativo em um estoque.


Além disso, geralmente seu quantitativo (em número de itens) não é pouco
significativo. Logicamente, uma análise mais acurada demandaria a análise
do número de itens, mas muito dificilmente isso “elevaria” a classe de pregos
para “A”.

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Itens dessa natureza (pregos, parafusos, porcas) são típicos itens


classificados como C. São itens numerosos e baratos.
A questão está, assim, errada.

25. O cimento, a areia e o ferro não devem ser considerados na


curva ABC, pois são de alto consumo em qualquer obra,
exigindo constante reposição.

Todos os itens em estoque podem (e devem) ser considerados na curva


ABC, independentemente de seu consumo ou da periodicidade de sua
reposição. Como vimos, o objetivo da classificação ABC é identificar os itens
em estoque de maior valor de demanda e exercer uma gestão mais acurada
sobre eles.
A assertiva está errada.

26. (CESPE / IFB / 2011) Certa empresa classificou seu estoque


com base no sistema ABC. Assim, decidiu que os itens do grupo
A deveriam ser contados duas vezes por ano; os itens B, quatro
vezes por ano, e os itens C, uma vez por mês. Há, em estoque,
250 itens do grupo A, 80 do grupo B e 15 do grupo C.

A empresa aplicou de forma correta o sistema ABC quando definiu


um controle mais rigoroso para os itens C do estoque.

Os itens C são os mais numerosos e menos importantes, do ponto de


vista financeiro. Assim, carecem de menor controle.
Já os itens A, por serem os que mais oneram a organização, dado o
montante de capital imobilizado, necessitam de maior controle. Imagine uma
empresa “perdendo” uma turbina de avião...haja prejuízo.
Dessa maneira, vemos que a afirmativa acima está errada.

27. (CESGRANRIO / FINEP / 2011) A classificação de materiais é


de fundamental importância para uma boa gestão dos estoques
de qualquer empresa. Como exemplos de critérios de
classificação, tem-se o valor anual de consumo, a importância
operacional, a perecibilidade, entre outros.
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Dentre os métodos abaixo, o único que representa um tipo de


classificação de estoques é:

a) Lead Time
b) LEC – Lote Econômico de Compras
c) SWOT
d) Curva ABC
e) Ponto de Ressuprimento

A questão pede que identifiquemos um método que representa um


tipo (ou critério) de classificação de estoques (ou, em outras palavras, de um
conjunto de itens de material). Vejamos os comentários a cada uma das
alternativas:

a) Lead Time –também conhecido como Tempo de Reposição, é o interstício


(= intervalo de tempo) entre o pedido do material e sua efetiva entrega no
almoxarifado. Não é um método de classificação de material.
b) LEC – o Lote Econômico de Compra é a quantidade de material que
devemos adquirir a fim de minimizarmos os custos de estoque. Veremos
esse conteúdo com maior detalhe em nosso curso. De qualquer maneira, não
diz respeito a um método de classificação de material.
c) SWOT – A análise SWOT é uma ferramenta de análise estratégica da
organização. Visa a identificar os pontos fortes (Strengths) e fracos
(Weaknesses) internos, bem como as oportunidades (Opportunities) e
ameaças (Threats) do ambiente. Não é um método de classificação de
material.
d) A Curva ABC, como vimos, é um método segundo o qual os itens de
material em estoque são classificados de acordo com sua importância,
geralmente financeira. A alternativa está correta.
e) Ponto de ressuprimento – também conhecido como Ponto de Pedido (PP),
refere-se à quantidade de um determinado produto em estoque que, sempre
que atingida, deve provocar um novo pedido de compra. Também veremos
esse conteúdo com maior detalhe nas próximas aulas.
Resposta: D.

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 Atributos para a Classificação de Materiais Permanentes e de


Consumo

A classificação de um bem como permanente ou de consumo é,


predominantemente, uma classificação contábil, pois é referente à Natureza
de Despesa, no âmbito do Sistema Integrado de Administração Financeira do
Governo Federal (SIAFI). De modo geral, podemos traçar as seguintes
definições:

Material de Consumo
É aquele que, em razão de seu uso corrente, perde
normalmente sua identidade física e/ou tem sua
utilização limitada a dois anos.

Material Permanente
É aquele que, em razão de seu uso corrente, não perde
sua identidade física, mesmo quando incorporado a
outro bem, e/ou apresenta uma durabilidade superior
a dois anos.

28. (CESPE / TJ ES / 2011) Pertencem ao inventário de material


permanente os itens patrimoniais de durabilidade superior a
um ano e(ou) os que não percam a sua identidade física.

Inventário é uma rotina de controle, durante a qual são


contabilizados os itens de material (veremos este tópico durante o nosso
curso).
Na questão proposta, devemos nos ater ao prazo normativo previsto
para a durabilidade de um material permanente. Como vimos, o prazo é de 2
(dois) anos, o que compromete a questão.
A assertiva está errada.

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A Secretaria do Tesouro Nacional do Ministério da Fazenda, através do


artigo 3º de sua Portaria nº 448/2002, apresenta 5(cinco) condições
excludentes para a classificação de um bem como permanente. De acordo
com essa norma, é material de consumo aquele que se enquadrar em um ou
mais dos seguintes quesitos:

“Art. 3º - Na classificação da despesa serão adotados os seguintes


parâmetros excludentes, tomados em conjunto, para a identificação do
material permanente:
I - Durabilidade, quando o material em uso normal perde ou tem reduzidas
as suas condições de funcionamento, no prazo máximo de dois anos;
II - Fragilidade, cuja estrutura esteja sujeita a modificação, por ser
quebradiço ou deformável, caracterizando-se pela irrecuperabilidade e/ou
perda de sua identidade;
III - Perecibilidade, quando sujeito a modificações (químicas ou físicas) ou
que se deteriora ou perde sua característica normal de uso;
IV - Incorporabilidade, quando destinado à incorporação a outro bem, não
podendo ser retirado sem prejuízo das características do principal; e
V - Transformabilidade, quando adquirido para fim de transformação.”

Redação mais atual destes critérios é apresentada pelo Manual de


Contabilidade Aplicada ao Setor Público (Portaria Conjunta STN/SOF nº
01/11):

“Um material é considerado de consumo caso atenda um, e pelo menos


um, dos critérios a seguir:
 Critério da Durabilidade (...);
 Critério da Fragilidade (...);
 Critério da Perecibilidade (...);
 Critério da Incorporabilidade (...);
 Critério da Transformabilidade (...)”

Usualmente, este conteúdo é cobrado de forma simples em


concursos. De qualquer modo, vale a pena decorar os (cinco) critérios acima.

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29. (CESPE / MPU / 2010) A durabilidade, a incorporabilidade e a


tangibilidade são parâmetros para identificação de material
permanente.

Dos critérios apresentados, não consta a tangibilidade.


A questão está errada.

30. (CESPE / EBC / 2011) O critério de durabilidade deve ser o


único parâmetro para a classificação orçamentária de um
material em consumo ou permanente.

São cinco os critérios:

Durabilidade Fragilidade Perecibilidade

Incorporabildade Transformabilidade

A questão está errada.

Bom, ficaremos por aqui nesta primeira aula. Na próxima semana,


ingressaremos no tópico Gestão de Estoques. Espero uma
participação ativa no fórum.
Forte abraço e bons estudos!

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QUESTÕES APRESENTADAS NESTA AULA

1. (CESPE / SEAD FUNESA / 2008) É objetivo da administração de


materiais maximizar a utilização dos recursos da empresa.

2. (CESPE / CNPQ / 2011) Uma das funções precípuas do


administrador de materiais é minimizar o uso dos recursos
envolvidos na área logística da empresa, visando economia e
eficiência.

3. (CESPE / STM / 2008 - adaptada) A administração de materiais


visa a colocar os materiais necessários na quantidade certa,
nolocal certo e no tempo certo à disposição dos órgãos que
compõem o processo produtivo da empresa.

4. (CESPE / PETROBRAS / 2007 - adaptada) Além do controle de


estoques, a área de gestão de materiais engloba as atividades
de compra, almoxarifado, movimentação e distribuição de
materiais.

5. (CESPE / FUB / 2008) A conservação dos estoques em perfeito


estado, que tem por objetivo reduzir as perdas da organização,
é uma atividade típica da administração financeira.

6. (IFC / UFSC / 2009) Em relação aos atributos para a


classificação de materiais, assinale a alternativa CORRETA.
a) Criatividade, inovação e flexibilidade.
b) Mudança, adaptação e estratégia.
c) Abrangência, criatividade e inovação.
d) Abrangência, flexibilidade e praticidade.
e) Praticidade, estratégia e reorganização.

7. (CESPE / SESA ES / 2011) Simplificação, especificação e


normalização são etapas da classificação de materiais.

8. (CESPE / ABIN / 2010) Considere que, no estoque de uma


oficina mecânica, haja vários parafusos de diferentes tipos.
Nessa situação, no controle de estoque, todos os parafusos
devem ser considerados um mesmo item de consumo,
atribuindo-se a esse item uma única codificação.

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9. (CESPE / TJ PA / 2006 - adaptada) Quanto ao tipo de demanda,


os materiais são classificados em materiais de estoque e não de
estoque.

10. (CESPE / ANATEL / 2009) Se determinado órgão público


adquirir 50 cartuchos de toner para as suas impressoras a
laser, tais produtos deverão ser considerados como produtos
acabados para o referido órgão.

11. (CESPE / CNPQ / 2011) Uma desvantagem de se utilizar a


classificação de materiais do tipo importância operacional é que
ela não fornece análise econômica dos estoques.

12. (CESPE / IPOJUCA / 2009) A classificação XYZ é um método


de análise qualitativa que determina a criticidade dos materiais
e dos medicamentos no hospital. Os itens X são aqueles
considerados vitais ou críticos para a produção, sem similar no
hospital.

13. (CESPE / CNPQ / 2011) O profissional que atua na


administração de materiais deve dedicar atenção ao controle
dos materiais críticos, os quais devem ser submetidos ao
controle de obsolescência de forma contínua e periódica.

14. (CESPE / CNPq / 2011) O profissional que atua na


administração de materiais deve classificar como materiais
críticos aqueles que possuem demanda previsível, os quais
devem ser estocados com base no risco.

15. (FCC / METRÔ SP / 2008) No processo de gestão de materiais,


a classificação ABC é uma ordenação dos itens consumidos em
função de um valor financeiro. São considerados itens A os
itens de estoque com as características de:

a) muitos itens em estoque e baixo valor de consumo acumulado.


b) poucos itens em estoque e baixo valor de consumo acumulado.
c) muitos itens em estoque e alto valor de consumo acumulado.
d) poucos itens em estoque e alto valor de consumo acumulado.
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e) número médio de itens em estoque e alto valor acumulado.

16. (FCC / MPE – SE / 2009) Na administração de materiais e


patrimônio, o princípio que se baseia no fundamento de que a
maior parte do investimento está concentrada em um pequeno
número de itens denomina-se:

a) estoque máximo.
b) estoque mínimo.
c) supply chain.
d) reposição periódica.
e) classificação ABC.

**a seguinte figura é válida para as questões 17 a 20**

(CESPE / ABIN / 2010) Com base na figura acima, representativa de


uma curva ABC de estoque, julgue os itens subsequentes.

17. Para a classificação dos itens de estoque nas seções I, II ou


III da figura, considera-se o valor unitário de cada um desses
itens.

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18. Os itens pertencentes à seção III da figura exigem controle


mais apurado de movimentação e menor tolerância a erros de
inventário.

19. Um gerente de suprimentos que tenha como objetivo a


redução dos custos dos estoques deve priorizar a redução dos
lotes de compra dos itens alocados na seção I da figura.

20. Os itens alocados na seção identificada por I, na figura, são


chamados itens A da curva ABC.

**a seguinte tabela é válida para as questões 21 a 23**

(CESPE / SESA ES / 2011) A tabela acima refere-se ao consumo


médio mensal e ao custo unitário de dez itens farmacêuticos no
hospital Boa Saúde, que utiliza o sistema ABC para gestão de seu
estoque de medicamentos e trabalha com os seguintes parâmetros:

 classe A – equivale a 10% dos itens em estoque, o que


corresponde a 70% do valor financeiro do consumo;
 classe C – equivale a 70% dos itens em estoque, o que
corresponde a 10% do valor financeiro do consumo.
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Considerando a tabela e as informações acima, julgue os itens que


se seguem.

21. Os itens III e IX são de classe B na curva ABC desse


hospital.

22. Segundo o sistema ABC, o item IV é aquele que merece


controle mais acirrado por apresentar custo unitário mais
elevado, R$ 613,00.

23. No sistema ABC, o estoque de segurança projetado para os


itens de classe A deve ser inferior, em meses de consumo, ao
estoque de segurança dos itens de classe B.

** o seguinte enunciado é válido para as questões 24 e 25*

(CESPE / MCT / 2008) Em obras de grande porte, ou indústrias de


pré-moldados, é recomendável controlar o estoque do almoxarifado
mediante a aplicação da curva ABC, representada com os seguintes
valores estimativos. Na curva ABC, os itens de baixo custo
representam 5% do valor e 50% do estoque (C) e os itens de alto
valor representam 80% do valor e 20% do estoque (A) e os itens
médios (B) representam 15% do valor e 30% da quantidade.

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Tendo em vista essas informações, julgue os itens que se seguem.

24. O gestor do almoxarifado acertou ao classificar uma


partida de pregos como sendo parte dos itens A.

25. O cimento, a areia e o ferro não devem ser considerados na


curva ABC, pois são de alto consumo em qualquer obra,
exigindo constante reposição.

26. (CESPE / IFB / 2011) Certa empresa classificou seu estoque


com base no sistema ABC. Assim, decidiu que os itens do grupo
A deveriam ser contados duas vezes por ano; os itens B, quatro
vezes por ano, e os itens C, uma vez por mês. Há, em estoque,
250 itens do grupo A, 80 do grupo B e 15 do grupo C.

A empresa aplicou de forma correta o sistema ABC quando definiu


um controle mais rigoroso para os itens C do estoque.

27. (CESGRANRIO / FINEP / 2011) A classificação de materiais é


de fundamental importância para uma boa gestão dos estoques
de qualquer empresa. Como exemplos de critérios de

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classificação, tem-se o valor anual de consumo, a importância


operacional, a perecibilidade, entre outros.

Dentre os métodos abaixo, o único que representa um tipo de


classificação de estoques é:

a) Lead Time
b) LEC – Lote Econômico de Compras
c) SWOT
d) Curva ABC
e) Ponto de Ressuprimento

28. (CESPE / TJ ES / 2011) Pertencem ao inventário de material


permanente os itens patrimoniais de durabilidade superior a
um ano e(ou) os que não percam a sua identidade física.

29. (CESPE / MPU / 2010) A durabilidade, a incorporabilidade e a


tangibilidade são parâmetros para identificação de material
permanente.

30. (CESPE / EBC / 2011) O critério de durabilidade deve ser o


único parâmetro para a classificação orçamentária de um
material em consumo ou permanente.

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GABARITO

1- C 2- E
3- C 4- C
5- E 6- D
7- C 8- E
9- C 10- E
11- C 12- E
13- E 14- E
15- D 16- E
17- E 18- E
19- C 20- C
21- C 22- E
23- C 24- E
25- E 26- E
27- D 28- E
29- E 30- E

Sucesso!

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QUESTÕES EXTRAS

1. (CESPE / TJ – AL / 2012 – adaptada) Um gestor de tribunal


classificou os materiais de seu grande e complexo almoxarifado
em três grupos: 1.º – classificador: designa as grandes classes
ou agrupamentos de materiais em estoque; 2.º –
individualizador: identifica cada um dos materiais do 1.º grupo;
e 3.º – caracterizador: descreve os materiais pertencentes ao
2.º grupo, de forma definitiva, com todas as suas
características, a fim de torná-los inconfundíveis.

Com base nessas informações, é correto afirmar que o tribunal está


adotando o método de codificação de materiais denominado:
a) número sequencial.
b) método alfabético.
c) método alfanumérico.
d) método misto.
e) método decimal.

2. (CESPE / MPE – PI / 2012) No processo aplicado à indústria de


tintas, as latas vazias para embalagem das tintas preparadas
são consideradas materiais acabados.

3. (Inédita) Um sistema de classificação de materiais deve ser


abrangente, ou seja, deve permitir interfaces entre os diversos
tipos de classificação.

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QUEST COMENTÁRIO
ÃO

Trata-se do sistema de classificação decimal, conforme


esclarecido no esquema abaixo.

1–E

Chiavenato propõe a seguinte classificação de matérias, de


acordo com sua aplicação na organização:

2–C

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QUEST COMENTÁRIO
ÃO

“Materiais acabados”, para aquele autor, seriam o equivalente


ao que vimos para “produto intermediário”. Materiais em
processamento e semiacabados são categorias não vistas na
classificação apresentada nesta aula.
Latas vazias preparadas, como podemos ver, são materiais
acabados.

Um sistema de classificação abrangente é aquele que trata de


uma gama de características ao invés de reunir apenas
3–E
materiais para serem classificados. A questão trata, na
realidade, do atributo da flexibilidade. (VIANA, 2000, p. 53)

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Referências

GONÇALVES, P. S. Administração de Materiais, 3ª ed. Rio de Janeiro:


Elsevier, 2007.

FENILI, R. R. Administração de Recursos Materiais e Patrimoniais:


Abordagem Completa. São Paulo: Ed. Método, 2011.

MENDES, K. G. L.; CASTILHO, V. Determinação da importância operacional


dos materiais de enfermagem segundo a Classificação XYZ. Rev. Inst.
Ciênc. Saúde, v. 27, n. 4, p. 324-329, 2009.

VIANA, J. J. Administração de Materiais: um enfoque prático. São


Paulo: Atlas, 2000.

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