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Direito do Trabalho II

Direito de Greve - (Autor: Professor Paulo Celso Sanvito)

Introdução
Historicamente, a greve se configura como uma manifestação da organização coletiva dos
trabalhadores que surgiu com a Revolução Industrial e o nascimento do Estado Liberal Burguês. O
exercício do direito de greve já foi tido como um delito e ato atentatório aos interesses nacionais, ao
capital e ao próprio trabalho.
Porém, o instituto da greve, além de um direito constitucional fundamental da autonomia privada
coletiva, deve ser considerado como um importante instrumento de defesa dos direitos do cidadão
trabalhador, além de mecanismo de aprimoramento das relações de trabalho, indispensável aos
regimes de Estados Democráticos de Direito.
Além da visão da própria CLT, para entendimento do tema, é imprescindível a análise dos arts. 9° e
37 da CF/88, da Lei n. 7.783/89 (Lei de Greve) e da decisão do STF do Mandado de Injunção n.
712-8 (Greve no Serviço Público).

Breve evolução histórica no Brasil


O 1º Congresso Operário Brasileiro (RJ, 1906) definiu a luta por uma jornada de 8hs, com a
paralisação de diversos setores produtivos, manifestações estas fortemente reprimidas mas, apesar
disso, algumas categorias conquistaram tal direito, através de acordos com os patrões. Em meados
de 1917, existia carência de acesso, à classe trabalhadora, a produtos e serviços em patamares
mínimos de dignidade, além da ampla exploração do trabalho da mulher (por seu custo reduzido e
se tratar de uma classe trabalhadora mais facilmente maleável) e do trabalho infantil, que
representava a metade da mão de obra no país. Além disso os empregadores, nos conflitos,
utilizavam a polícia, como o braço armado na defesa da propriedade.
O desfecho das paralisações dessa época foi a obtenção parcial das medidas sugeridas mas, o maior
beneficio, foi o fortalecimento moral da classe trabalhadora, que abandonou a inércia e a alienação
diante da exploração, apesar da força repressora estatal. Ademais, até a década de 1930, o cenário
dos movimentos operários era composto, basicamente, por anarquistas, comunistas e um "novo
sindicalismo oficial".
Com o advento do Estado Novo, em 1937, surge uma nova composição de estrutura e organização
sindicais no país, completamente controlada pelo Ministério do Trabalho, principalmente sua
administração e funcionamento, passando o sindicato a ter caráter assistencialista e comunitário.
Nessa época foi criado o Imposto Sindical (Contribuição Sindical Compulsória existente até hoje) e
o exercício do direito de greve era proibido.
No período compreendido entre 1946 e a Ditadura Militar de 1964, os sindicatos mais combativos
eram orientados pela doutrina comunista e, dois meses após o golpe militar de março de 1964, o
presidente Castelo Branco sancionou a nova “Lei do Direito de Greve” que, apesar de não proibir
seu exercício, o “regulamentou” de maneira tão detalhada e burocratizada, que acabou cerceando-o.
A 1ª Conferência Nacional das Classes Trabalhadoras (1º/08/1981) levaria à criação das primeiras
centrais sindicais do Brasil (CUT e CGT), desencadeando um processo de "separação sindical" em
dois grandes blocos: o da independência sindical com luta revolucionária (CUT) e os que
sustentavam a manutenção do sistema legislativo, através de um sindicalismo de resultados (CGT e
Força Sindical).
Com a constituinte de 1988, a greve passou a ser tratada como um movimento preferencialmente de
trabalhadores, de índole coletiva e temporária, que exige referendo e anúncio prévio, pode ser
deflagrada à revelia do sindicato etc. Em termos jurídicos, a combinação da CF/88, com a CLT e a
Lei 7.783/89, segue a diretriz da OIT, garantindo liberdades sindicais e coibindo atos lesivos a elas,
devendo registrar-se, como fatores contrários a essas orientações, a manutenção do princípio da
unicidade sindical e da contribuição sindical compulsória.
Natureza Jurídica, Conceito e Características
Sua natureza jurídica, atualmente, é de um direito fundamental social coletivo, decorrente da
autonomia privada coletiva e de vários princípios (liberdade de trabalho, associativa e sindical;
autonomia sindical; etc).
A greve é conceituada pelo art. 2º, Lei 7.783/89, como a “suspensão coletiva, temporária, total ou
parcial, de prestação pessoal de serviços a empregador”. Uma definição mais completa pode
conceituar a greve como sendo a paralisação coletiva provisória (temporária), parcial ou total,
das atividades dos trabalhadores, em face de seus empregadores ou tomadores de serviços, como
mecanismo de pressão, para defesa de interesses coletivos, objetivos sociais ou quaisquer
assuntos decididos pelos próprios trabalhadores.
 Ação Coletiva: trata-se de movimento, necessariamente, coletivo (não apenas individual),
ultrapassando o caráter de mera dominação da vontade de um sujeito sobre outro;
 Paralisação Parcial ou Total, das atividades dos trabalhadores: pode englobar todo o
conjunto da empresa, apenas um ou alguns de seus estabelecimentos (até mesmo setor ou
setores integrantes de determinado estabelecimento empresarial) --- Como o núcleo da greve
situa-se na sustação provisória de atividades laborativas pelos trabalhadores, com a
generalização da terceirização, as greves não poderiam limitar-se à equação “empregado x
empregador” (arts. 2º e 3º CLT): é perfeitamente realizável o movimento paredista de
trabalhadores contra seus respectivos tomadores de serviços;
 Mecanismo de Pressão: A greve é exercida de forma coercitiva; um mecanismo lícito de
pressão, para o alcance de reivindicações dos trabalhadores que, coletivamente
considerados, ficam em “pé de igualdade” com o empregador ---- apesar de sua natureza de
direito fundamental, a greve ainda é considerada como meio de autotutela, aproximando-se
do exercício direto das próprias razões, efetivado por um grupo social;
 Assuntos, Interesses e Objetivos diversos, determinados pelos próprios trabalhadores: O
reconhecimento constitucional do direito de greve assegura ao trabalhador “decidir sobre a
oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses que levam por meio dele defender” (art. 9º).

NOTAS:
- Apesar do caráter coercitivo, não são admitidos atos de violência contra o empregador, seu
patrimônio ou colegas empregados (art. 9º, §2º, CF/88) - art. 15, Lei nº 7.783/99: dispõe sobre a
responsabilidade pelos atos praticados (lícitos ou ilícitos) no curso da greve, com apuração nas
esferas trabalhista, civil ou penal ---- Importante: Súm. 316 STF: a simples adesão a movimento
paredista, mesmo que considerado inválido, não tipifica ato ilícito, de nenhuma natureza.
- No tocante à paralisação das atividades contratuais e efeitos nos contratos individuais de trabalho,
a regra geral é que, durante o decurso da greve, considera-se a suspensão do contrato de trabalho
(art. 7º, Lei nº 7.783/89), ou seja, os dias parados, a rigor, não são pagos nem computados para fins
contratuais e o empregador não pode dispensar o trabalhador neste prazo ---- Uma corrente
doutrinária entende que, caso a greve decorra do descumprimento de cláusulas contratuais,
negociais ou regras legais da empresa, pode-se falar na aplicação da exceção do contrato não
cumprido, enquadrando-se o período de duração do movimento paredista como mera interrupção.

Outras Condutas de Pressão Social


Ao lado da greve (conjuntamente ou não) existem outras condutas coletivas que podem ser seguidas
pelos trabalhadores, como modalidades de exercício de coerção, algumas lícitas e outras ilícitas.
Piquetes
O piquete é, a grosso modo, a tentativa de persuasão dos trabalhadores, a se agregarem ao
movimento (paredista ou não), através de mensagens orais, concentrações, cartazes, abordagem ou
outros meios lícitos (é assegurado aos grevistas “o emprego de meios pacíficos tendentes a
persuadir ou aliciar os trabalhadores a aderirem à greve” - Lei 7783/89, art. 6º, I) ----- Apesar de
válidos, não tem poderes ilimitados (proibido o uso de violência, agressão física ou ofensa moral -
art. 6º, §s 1º e 3º, Lei nº 7.783/89) ---- deve ser resguardada a liberdade de acesso àqueles que não
se identifiquem com a ação, vedados quaisquer atos que representem ameaça ou dano aos
trabalhadores, seus pertences ou à propriedade empresarial.
Operação Tartaruga, Operação Padrão e Excesso de Zelo
Tais condutas configuram-se como modalidades coletivas de redução regular da produção ou da
prestação dos serviços, muitas vezes não se identificando com o movimento paredista, em razão da
não paralisação efetiva dos serviços ---- As "operações" dos trabalhadores são realizadas em ritmo
desacelerado (lento) ou de forma mais minuciosa do que o necessário, para que demandem mais
tempo do que o normal, atrasando a produção.
Ocupação do Estabelecimento
É um método de realização da greve, no qual os trabalhadores comparecem ao local de trabalho,
mas não realizam seus serviços e se recusam a sair, "ocupando o local" (lock-in)--- Apesar de não
vedada pela lei de greve, pode abrir espaço para atos abusivos, como depredações e sabotagens.
Boicote
Pode ser considerado como a conduta de convencimento da comunidade, para restringir ou eliminar
a aquisição de bens ou empresas - no contexto trabalhista, na falta de cooperação dos trabalhadores
com a produção ---- Para a sua execução, pode-se levar o consumidor a não adquirir os produtos da
empresa, o bloqueio da celebração dos contratos de trabalho, a rescisão dos respectivos contratos de
trabalho ou ainda, a negativa dos trabalhadores de dar continuidade na linha de produção.
Sabotagem
É a conduta intencionalmente predatória do patrimônio empresarial: forma agressiva de ação e, por
si só, carece de proteção legal (considerada ato ilícito - os meios empregados e os ataques aos bens
da empresa são desproporcionais e abusivos, pela sua violência) --- esses ataques podem ser diretos
(quando causam danos em suas instalações físicas, subsídios produtivos ou maquinaria) ou indiretos
(confecção propositada de produtos com defeito, desperdício de materiais e outros meios).

Direitos e Deveres dos Grevistas


São direitos dos trabalhadores paredistas (arts. 6º e 7º Lei nº 7.783/89), entre outros: utilização de
meios pacíficos de persuasão; arrecadação de fundos por meios lícitos; livre divulgação do
movimento; proteção contra a dispensa (suspensão do contrato de trabalho); e proteção contra a
contratação de substitutos pelo empregador --- Quanto à contratação de substitutos, duas exceções:
não formação de equipes de manutenção de serviços, cuja paralisação possa causar prejuízo
irreparável, ou que sejam essenciais à futura retomada das atividades empresariais (art. 9º); e nos
casos dos movimentos considerados abusivos por desrespeitarem a ordem jurídica, mantendo-se
após celebração de acordo, convenção ou decisão judicial (cláusula da paz social - art. 14).
Os deveres são representados pelas próprias limitações legais fixadas: assegurar a prestação de
serviços indispensáveis (serviços ou atividades essenciais); organizar equipes para manutenção de
serviços; não fazer greve após celebração de convenção ou acordo coletivos ou decisão judicial;
respeitar direitos fundamentais de outrem; não produzir atos de violência.

Requisitos para a Realização da Greve


- necessidade de uma ocorrência de real tentativa de negociação anterior (art. 3º) - a
jurisprudência atual é no sentido de se exigir demonstrações satisfatórias de real desenvolvimento
ou efetivo intento do estabelecimento da negociação prévia (OJ 11, SDC/TST: é abusiva a greve levada a
efeito sem que as partes hajam tentado, direta e pacificamente, solucionar o conflito ).
- aprovação por assembleia de trabalhadores (art. 4º) - cumprimento de quórum mínimo para a
sua deliberação, previsto no estatuto da entidade sindical.
- aviso prévio à parte adversa - regra geral (art. 3º) de 48hs de antecedência mínima da paralisação:
nas paralisações em serviços ou atividades essenciais, será de 72hs (art. 13) e a comunicação deverá
contemplar, também, o público interessado.
- devem respeitar o atendimento às necessidades inadiáveis da comunidade - nos casos de greve
em serviços ou atividades essenciais, são consideradas necessidades inadiáveis da comunidade
aquelas que, não atendidas, coloquem em perigo iminente a sobrevivência, saúde ou segurança da
população (art. 9º CF/88 e arts. 10, 11 e 12 da Lei de Greve).

Greve nos Serviços Essenciais


Apesar da CF/88 assegurar o direito de greve, também, nas atividades essenciais, menciona que a
lei definirá tais atividades e disporá sobre o atendimento das necessidades inadiáveis da população
(respeito às garantias constitucionais do direito à vida, saúde e segurança da pessoa, inclusive do
próprio grevista) -- O art. 10 da Lei 7783/89 enumera os serviços e atividades essenciais e remete ao
sindicato, trabalhadores e órgãos patronais, em uma ação conjunta, a obrigação de assegurar a
prestação dos serviços indispensáveis durante o movimento (art. 11)
Caso não sejam tomadas providências, caberá ao Poder Público assegurar a prestação desses
serviços indispensáveis (art. 12) ---- Além do mais, a Lei 7783/89 prevê que o aviso prévio deve ser
dado aos empregadores e aos usuários, com antecedência mínima de 72hs da paralisação (art. 13).

Greve no Serviço Público


A CF/88 assegurou aos servidores públicos os direitos de sindicalização e de greve (art. 37, VI e
VII), mas seu exercício estaria condicionado à regulamentação por lei específica. Igual
determinação prevê o art. 16 da lei de greve.
A CF/88 estabelece no art. 5º, inciso LXXI, que “conceder-se-á mandado de injunção sempre que a
falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais
...” ---- O mandado de injunção é uma ação constitucional garantidora dos direitos, prerrogativas,
liberdades e garantias fundamentais, instituídos pela CF/88, criado para suprir a inércia do
Congresso Nacional ou outros órgãos públicos em regulamentar os vários direitos fundamentais
nela previstos.
Necessário lembrar que, com relação à eficácia das normas constitucionais garantidoras de direitos
fundamentais, como disposto no §1º do art. 5º CF/88, estas terão aplicação imediata. Dessa forma, é
o entendimento atual do STF que o conteúdo da decisão judicial, no mandado de injunção deve,
além de declarar a inexistência de norma regulamentadora (inércia do Poder Legislativo), implicar a
outorga direta e efetiva do direito reclamado, mediante regulamentação provisória, enquanto não
houver a regulamentação legal.
Em casos recentes (MI 670 e 712-8), apreciando a questão do exercício do direito de greve dos
servidores públicos civis, o STF decidiu que os dispositivos da Lei de Greve (Lei 7.783/89) também
se aplicariam, por analogia, às greves no serviço público, desde que feitas adaptações (serviços
públicos, voltados ao atendimento de necessidades inadiáveis da coletividade, é atividade própria do
Estado).
Para o STF, a greve é um direito fundamental como meio para obtenção da melhoria das condições
de vida dos trabalhadores, devendo receber concreção imediata, ou seja, o direito de greve, tanto
dos empregados públicos (celetistas) como dos funcionários públicos (estatutários), tem
aplicabilidade plena, integral e imediata, enquanto não houver lei específica que o regulamente ----
No tocante ao alcance da normatização emitida pelo STF, ela abrange, não apenas o caso concreto
submetido ao Tribunal, mas a totalidade dos casos semelhantes, mesmo que entre sujeitos
diferentes, pelo princípio da isonomia.
Aspectos da regulamentação do direito de greve do servidor público
A lei de greve, embora trate da atividade privada, contém especificações sobre greve em atividades
essenciais, que possui certa compatibilidade com os serviços públicos, respaldada pelo art. 4º LICC,
art. 126 CPC e art. 8° CLT (as autoridades, na lacuna, obscuridade ou falta de disposições legais ou
contratuais, decidirão pela jurisprudência, analogia, equidade, princípios e normas gerais de direito,
usos e costumes e direito comparado), restando abaixo os principais pontos:
** Restou estabelecido no art. 3º, alterado pelo STF, que somente após “frustrada a negociação ou
verificada a impossibilidade de recursos via arbitral, é facultada a cessação parcial do trabalho” -
---- O STF assegurou a negociação coletiva e a arbitragem entre os servidores públicos e a entidade
a qual estejam vinculados, mesmo que, no serviço público, se trate apenas de uma espécie de
protocolo de intenções, para o compromisso de apresentação de projeto de lei (princípio da reserva
legal) ---- além do mais, em hipótese alguma, pode ocorrer uma paralisação total do serviço público
(continuidade no atendimento à população).
** O parágrafo único do art. 3º estabelece a comunicação prévia da greve no funcionalismo
público, com no mínimo, 72hs de antecedência, devendo tal comunicação ser feita, tanto ao órgão
público, quanto à comunidade afetada pela paralisação.
** A greve será deliberada em assembleia, convocada pelo sindicato, na forma de seu estatuto
(art. 4º, §1º Lei 7783/89).
** O art. 7º Lei 7783/89 não sofreu alteração e prescreve que a participação em greve suspende o
contrato de trabalho e que as relações, durante o período, serão regidas pelo acordo, convenção,
laudo arbitral ou decisão da JT (os servidores públicos terão que assumir os ônus e bônus
decorrentes da paralisação.
** O art. 8º foi alterado para conferir à JT competência para resolver os conflitos de greve no
serviço público - apesar do STF já ter decidido que a JT não tem competência para decidir conflitos
individuais dos servidores públicos estatutários, a resolução dos conflitos coletivos, especialmente
de greve, dos servidores públicos estatutários e celetistas, compete à Justiça do Trabalho (art. 114,
II CF/88).
** O art. 14 foi alterado para prever constituir abuso de direito a inobservância das normas contidas
na regulamentação, especialmente o comprometimento da regular continuidade na prestação dos
serviços públicos e a manutenção da paralisação após a celebração de acordo, convenção ou decisão
da JT (Cláusula da Paz Social).

Greve no Serviço Militar


O Brasil optou pela proibição do direito de greve para os militares, conforme estabelece o art.
142, IV CF/88 (“ao militar são proibidas a sindicalização e a greve”) ---- Também são
inexistentes quaisquer mecanismos eficazes de solução dos conflitos esses "trabalhadores" (não é
reconhecido o direito de negociação coletiva, arbitragem pública ou privada, nem a atuação do
Poder Normativo da Justiça do Trabalho - princípio da reserva legal).

Extensão do Direito de Greve


Diz a CCF/88 (art. 9º), que compete aos trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercer o
direito de greve e sobre os interesses que devam por meio dele defender. Assim, sob o ponto de
vista constitucional, as greves não necessitam circunscrever-se a interesses estritamente contratuais
trabalhistas, ou seja, a princípio, não são inválidos movimentos paredistas que defendam interesses
"não contratuais" (greves ambientais, de solidariedade, de protesto e políticas).
O problema não está centralizado na polaridade entre greve ambiental, política, de solidariedade ou
protesto e a eminentemente trabalhista, mas na caracterização de cada greve, ou seja, se esta é
exclusivamente política, de solidariedade ou protesto (podendo ser declarada irregular), ou se
promove, também, a defesa de interesses trabalhista-profissionais, mesmo que lato sensu
(plenamente admitidas).
No mais, o próprio Direito Coletivo de Trabalho apresenta princípio que atenua a amplitude da
regra constitucional, o da lealdade e transparência nas negociações coletivas, ou seja, deixa de ser
válida a deflagração ou manutenção de movimento paredista em período de cumprimento de
instrumento negocial coletivo concluído (Clausula da Paz Social) --- A ocorrência de modificações
substantivas e inesperadas na situação de fato, ou nos casos de descumprimento, podem ensejar o
recurso à regra implícita rebus sic stantibus, viabilizando a greve (art. 14, parágrafo único, I).
A OIT entende não estar a greve política abrangida pelos princípios da liberdade sindical
(Convenção 87, art. 10), apesar de reconhecer que os interesses defendidos pelos trabalhadores
paredistas englobam também a busca de soluções para as questões de política econômica e social ---
Já a de solidariedade, apesar de concluir que uma proibição geral pode ser considerada abusiva,
menciona que os trabalhadores devem poder se juntar a tais ações, desde que seja considerada legal
e regular a greve inicial que apoiam (OIT, 1983 b, §217 e OIT, 1987, §s 417 e 418)

O Locaute (lock out)


Consiste na deliberação do empregador, para a exclusiva defesa de seus interesses econômicos,
de cerrar seu estabelecimento, para impedir a continuidade dos serviços, ou não aceitar o
trabalho prestado --- Trata-se da supressão do trabalho por ato exclusivo da entidade patronal,
com o objetivo de frustrar uma greve (quando se prenuncie ou instale) ou como retaliação à greve
encerrada, sempre com o objetivo de exercer pressão sobre os trabalhadores, para preservar ou
melhorar o nível de comprometimento na execução do trabalho.
Segundo Maurício Godinho Delgado, “Locaute é a paralisação provisória das atividades da
empresa, estabelecimento ou seu setor, realizada por determinação empresarial, com o objetivo de
exercer pressões sobre os trabalhadores, frustrando negociação coletiva ou dificultando o
atendimento a reivindicações coletivas obreiras”.
É, em sua essência, uma manifestação autoritária e abusiva, diferindo da greve em razão da natureza
do interesse defendido: enquanto no locaute se busca defender, exclusivamente, interesses
econômicos, a greve deposita sua motivação no valor da dignidade humana, pela busca da melhoria
da qualidade de vida de uma coletividade.
A Lei de Greve brasileira proíbe, expressamente, o locaute (art. 17, Lei 7.783/89) --- Mesmo que
não o fizesse, tal proibição derivaria do conjunto de regras e princípios constitucionais, pois a
prática do locaute é contrária ao exercício dos direitos sociais fundamentais, como: segurança,
bem-estar, desenvolvimento, igualdade e justiça (art. 5º, caput); dignidade da pessoa humana e valor
social do trabalho (art. 1º, III e IV); objetivos fundamentais da República (art. 3º, I II, III, IV);
valorização do trabalho humano (art. 170), ordem social (art. 193), finalidade das ordens econômica
e social (art. 170 c/c art. 193).
A realização ilegal de Locaute faz com que, durante o lapso temporal de seu desenvolvimento, o
período de afastamento seja considerado como mera interrupção da prestação de serviços e todas
as parcelas contratuais laborativas serão devidas ao empregado (art. 17, Parágrafo único, Lei nº
7.783/89) ---- Ademais, a realização de locaute constitui falta empresarial (descumprimento do
contrato de trabalho e da ordem jurídica) o que, por si só, enseja a ruptura contratual, por justa
causa do empregador (rescisão indireta - art. 483, d, CLT).
O locaute não se confunde com outros tipos de paralisações empresariais lícitas, ex: fechamento de
estabelecimento ou empresa por falência (art. 449 CLT), em virtude de factum principis (art. 486
CLT), ou por decisão de seus controladores; paralisação empresarial temporária, resultante de
causas acidentais ou força maior (art. 61, §3º CLT); paralisações por férias ou licenças remuneradas
coletivas (art. 133, II CLT) etc --- Todas estas situações são, em princípio, legais, fazendo parte do
jus variandi do empregador.
LEI Nº 7.783, DE 28 DE JUNHO DE 1989.
Art. 1º - É assegurado o direito de greve, competindo aos trabalhadores decidir sobre a oportunidade de
exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio dele defender. Parágrafo único. O direito de greve será
exercido na forma estabelecida nesta Lei.
Art. 2º - Para os fins desta Lei, considera-se legítimo exercício do direito de greve a suspensão coletiva,
temporária e pacífica, total ou parcial, de prestação pessoal de serviços a empregador.
Art. 3º - Frustrada a negociação ou verificada a impossibilidade de recursos via arbitral, é facultada a
cessação coletiva do trabalho. Parágrafo único - A entidade patronal correspondente ou os empregadores
diretamente interessados serão notificados, com antecedência mínima de 48 (quarenta e oito) horas, da
paralisação.
Art. 4º - Caberá à entidade sindical correspondente convocar, na forma do seu estatuto, assembléia geral que
definirá as reivindicações da categoria e deliberará sobre a paralisação coletiva da prestação de serviços.
§1º - O estatuto da entidade sindical deverá prever as formalidades de convocação e o quorum para a
deliberação, tanto da deflagração quanto da cessação da greve. §2º - Na falta de entidade sindical, a
assembléia geral dos trabalhadores interessados deliberará para os fins previstos no "caput", constituindo
comissão de negociação.
Art. 5º - A entidade sindical ou comissão especialmente eleita representará os interesses dos trabalhadores
nas negociações ou na Justiça do Trabalho.
Art. 6º - São assegurados aos grevistas, dentre outros direitos:
I - o emprego de meios pacíficos tendentes a persuadir ou aliciar os trabalhadores a aderirem à greve;
II - a arrecadação de fundos e a livre divulgação do movimento.
§1º - Em nenhuma hipótese, os meios adotados por empregados e empregadores poderão violar ou
constranger os direitos e garantias fundamentais de outrem. §2º - É vedado às empresas adotar
meios para constranger o empregado ao comparecimento ao trabalho, bem como capazes de
frustrar a divulgação do movimento. §3º - As manifestações e atos de persuasão utilizados pelos
grevistas não poderão impedir o acesso ao trabalho nem causar ameaça ou dano à propriedade ou
pessoa.
Art. 7º - Observadas as condições previstas nesta Lei, a participação em greve suspende o contrato de
trabalho, devendo as relações obrigacionais, durante o período, ser regidas pelo acordo, convenção, laudo
arbitral ou decisão da Justiça do Trabalho. Parágrafo único - É vedada a rescisão de contrato de trabalho
durante a greve, bem como a contratação de trabalhadores substitutos, exceto na ocorrência das hipóteses
previstas nos arts. 9º e 14.
Art. 8º - A Justiça do Trabalho, por iniciativa de qualquer das partes ou do Ministério Público do Trabalho,
decidirá sobre a procedência, total ou parcial, ou improcedência das reivindicações, cumprindo ao Tribunal
publicar, de imediato, o competente acórdão.
Art. 9º - Durante a greve, o sindicato ou a comissão de negociação, mediante acordo com a entidade patronal
ou diretamente com o empregador, manterá em atividade equipes de empregados com o propósito de
assegurar os serviços cuja paralisação resultem em prejuízo irreparável, pela deterioração irreversível de
bens, máquinas e equipamentos, bem como a manutenção daqueles essenciais à retomada das atividades da
empresa quando da cessação do movimento. Parágrafo único - Não havendo acordo, é assegurado ao
empregador, enquanto perdurar a greve, o direito de contratar diretamente os serviços necessários a que se
refere este artigo.
Art. 10 - São considerados serviços ou atividades essenciais: I - tratamento e abastecimento de água;
produção e distribuição de energia elétrica, gás e combustíveis; II - assistência médica e hospitalar; III -
distribuição e comercialização de medicamentos e alimentos; IV - funerários; V - transporte coletivo; VI -
captação e tratamento de esgoto e lixo; VII - telecomunicações; VIII - guarda, uso e controle de substâncias
radioativas, equipamentos e materiais nucleares; IX - processamento de dados ligados a serviços essenciais;
X - controle de tráfego aéreo; XI compensação bancária.
Art. 11 - Nos serviços ou atividades essenciais, os sindicatos, os empregadores e os trabalhadores ficam
obrigados, de comum acordo, a garantir, durante a greve, a prestação dos serviços indispensáveis ao
atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade. Parágrafo único - São necessidades inadiáveis,
da comunidade aquelas que, não atendidas, coloquem em perigo iminente a sobrevivência, a saúde ou a
segurança da população.
Art. 12 - No caso de inobservância do disposto no artigo anterior, o Poder Público assegurará a prestação
dos serviços indispensáveis.
Art. 13 - Na greve, em serviços ou atividades essenciais, ficam as entidades sindicais ou os trabalhadores,
conforme o caso, obrigados a comunicar a decisão aos empregadores e aos usuários com antecedência
mínima de 72 (setenta e duas) horas da paralisação.
Art. 14 - Constitui abuso do direito de greve a inobservância das normas contidas na presente Lei, bem como
a manutenção da paralisação após a celebração de acordo, convenção ou decisão da Justiça do Trabalho.
Parágrafo único - Na vigência de acordo, convenção ou sentença normativa não constitui abuso do exercício
do direito de greve a paralisação que: I - tenha por objetivo exigir o cumprimento de cláusula ou condição;
II - seja motivada pela superveniência de fatos novo ou acontecimento imprevisto que modifique
substancialmente a relação de trabalho.
Art. 15 - A responsabilidade pelos atos praticados, ilícitos ou crimes cometidos, no curso da greve, será
apurada, conforme o caso, segundo a legislação trabalhista, civil ou penal. Parágrafo único - Deverá o
Ministério Público, de ofício, requisitar a abertura do competente inquérito e oferecer denúncia quando
houver indício da prática de delito.
Art. 16 - Para os fins previstos no art. 37, inciso VII, da Constituição, lei complementar definirá os termos e
os limites em que o direito de greve poderá ser exercido.
Art. 17 - Fica vedada a paralisação das atividades, por iniciativa do empregador, com o objetivo de frustrar
negociação ou dificultar o atendimento de reivindicações dos respectivos empregados (lockout). Parágrafo
único - A prática referida no caput assegura aos trabalhadores o direito à percepção dos salários durante o
período de paralisação.

ANEXO II
MI 712 / PA - PARÁ - MANDADO DE INJUNÇÃO
Relator(a): Min. EROS GRAU Julgamento: 25/10/2007 Órgão Julgador: Tribunal Pleno
Publicação DJe-206 DIVULG 30-10-2008 PUBLIC 31-10-2008 -- EMENT VOL-02339-03 PP-00384

Parte(s)
IMPTE.(S): SINDICATO DOS TRABALHADORES DO PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO PARÁ - SINJEP
IMPDO.(A/S): CONGRESSO NACIONAL

Ementa
MANDADO DE INJUNÇÃO. ART. 5º, LXXI DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONCESSÃO DE
EFETIVIDADE À NORMA VEICULADA PELO ARTIGO 37, INCISO VII, DA CONSTITUIÇÃO DO
BRASIL. LEGITIMIDADE ATIVA DE ENTIDADE SINDICAL. GREVE DOS TRABALHADORES EM
GERAL [ART. 9º DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL]. APLICAÇÃO DA LEI FEDERAL N. 7.783/89 À
GREVE NO SERVIÇO PÚBLICO ATÉ QUE SOBREVENHA LEI REGULAMENTADORA. PARÂMETROS
CONCERNENTES AO EXERCÍCIO DO DIREITO DE GREVE PELOS SERVIDORES PÚBLICOS
DEFINIDOS POR ESTA CORTE. CONTINUIDADE DO SERVIÇO PÚBLICO. GREVE NO SERVIÇO
PÚBLICO. ALTERAÇÃO DE ENTENDIMENTO ANTERIOR QUANTO À SUBSTÂNCIA DO MANDADO
DE INJUNÇÃO. PREVALÊNCIA DO INTERESSE SOCIAL. INSUBSSISTÊNCIA DO ARGUMENTO
SEGUNDO O QUAL DAR-SE-IA OFENSA À INDEPENDÊNCIA E HARMONIA ENTRE OS PODERES
[ART. 2O DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL] E À SEPARAÇÃO DOS PODERES [art. 60, § 4o, III, DA
CONSTITUIÇÃO DO BRASIL]. INCUMBE AO PODER JUDICIÁRIO PRODUZIR A NORMA SUFICIENTE
PARA TORNAR VIÁVEL O EXERCÍCIO DO DIREITO DE GREVE DOS SERVIDORES PÚBLICOS,
CONSAGRADO NO ARTIGO 37, VII, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. 1. O acesso de entidades de classe à
via do mandado de injunção coletivo é processualmente admissível, desde que legalmente constituídas e em
funcionamento há pelo menos um ano. 2. A Constituição do Brasil reconhece expressamente possam os servidores
públicos civis exercer o direito de greve --- artigo 37, inciso VII. A Lei n. 7.783/89 dispõe sobre o exercício do direito
de greve dos trabalhadores em geral, afirmado pelo artigo 9º da Constituição do Brasil. Ato normativo de início
inaplicável aos servidores públicos civis. 3. O preceito veiculado pelo artigo 37, inciso VII, da CB/88 exige a edição de
ato normativo que integre sua eficácia. Reclama-se, para fins de plena incidência do preceito, atuação legislativa que dê
concreção ao comando positivado no texto da Constituição. 4. Reconhecimento, por esta Corte, em diversas
oportunidades, de omissão do Congresso Nacional no que respeita ao dever, que lhe incumbe, de dar concreção ao
preceito constitucional. Precedentes. 5. Diante de mora legislativa, cumpre ao Supremo Tribunal Federal decidir no
sentido de suprir omissão dessa ordem. Esta Corte não se presta, quando se trate da apreciação de mandados de
injunção, a emitir decisões desnutridas de eficácia. 6. A greve, poder de fato, é a arma mais eficaz de que dispõem os
trabalhadores visando à conquista de melhores condições de vida. Sua auto-aplicabilidade é inquestionável; trata-se de
direito fundamental de caráter instrumental. 7. A Constituição, ao dispor sobre os trabalhadores em geral, não prevê
limitação do direito de greve: a eles compete decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses que devam
por meio dela defender. Por isso a lei não pode restringi-lo, senão protegê-lo, sendo constitucionalmente admissíveis
todos os tipos de greve. 8. Na relação estatutária do emprego público não se manifesta tensão entre trabalho e capital, tal
como se realiza no campo da exploração da atividade econômica pelos particulares. Neste, o exercício do poder de fato,
a greve, coloca em risco os interesses egoísticos do sujeito detentor de capital --- indivíduo ou empresa --- que, em face
dela, suporta, em tese, potencial ou efetivamente redução de sua capacidade de acumulação de capital. Verifica-se,
então, oposição direta entre os interesses dos trabalhadores e os interesses dos capitalistas. Como a greve pode conduzir
à diminuição de ganhos do titular de capital, os trabalhadores podem em tese vir a obter, efetiva ou potencialmente,
algumas vantagens mercê do seu exercício. O mesmo não se dá na relação estatutária, no âmbito da qual, em tese, aos
interesses dos trabalhadores não correspondem, antagonicamente, interesses individuais, senão o interesse social. A
greve no serviço público não compromete, diretamente, interesses egoísticos do detentor de capital, mas sim os
interesses dos cidadãos que necessitam da prestação do serviço público. 9. A norma veiculada pelo artigo 37, VII, da
Constituição do Brasil reclama regulamentação, a fim de que seja adequadamente assegurada a coesão social. 10. A
regulamentação do exercício do direito de greve pelos servidores públicos há de ser peculiar, mesmo porque "serviços
ou atividades essenciais" e "necessidades inadiáveis da coletividade" não se superpõem a "serviços públicos"; e vice-
versa. 11. Daí porque não deve ser aplicado ao exercício do direito de greve no âmbito da Administração tão-somente o
disposto na Lei n. 7.783/89. A esta Corte impõe-se traçar os parâmetros atinentes a esse exercício. 12. O que deve ser
regulado, na hipótese dos autos, é a coerência entre o exercício do direito de greve pelo servidor público e as condições
necessárias à coesão e interdependência social, que a prestação continuada dos serviços públicos assegura. 13. O
argumento de que a Corte estaria então a legislar --- o que se afiguraria inconcebível, por ferir a independência e
harmonia entre os poderes [art. 2o da Constituição do Brasil] e a separação dos poderes [art. 60, § 4o, III] --- é
insubsistente. 14. O Poder Judiciário está vinculado pelo dever-poder de, no mandado de injunção, formular
supletivamente a norma regulamentadora de que carece o ordenamento jurídico. 15. No mandado de injunção o Poder
Judiciário não define norma de decisão, mas enuncia o texto normativo que faltava para, no caso, tornar viável o
exercício do direito de greve dos servidores públicos. 16. Mandado de injunção julgado procedente, para remover o
obstáculo decorrente da omissão legislativa e, supletivamente, tornar viável o exercício do direito consagrado no artigo
37, VII, da Constituição do Brasil.

Decisão
O Tribunal, por maioria, nos termos do voto do Relator, conheceu do mandado de injunção e
propôs a solução para a omissão legislativa com a aplicação da Lei nº 7.783, de 28 de junho de
1989, no que couber, vencidos, parcialmente, os Senhores Ministros Ricardo Lewandowski,
Joaquim Barbosa e Marco Aurélio, que limitavam a decisão à categoria representada pelo
sindicato e estabeleciam condições específicas para o exercício das paralisações. Votou a
Presidente, Ministra Ellen Gracie. Não votou o Senhor Ministro Menezes Direito por suceder ao
Senhor Ministro Sepúlveda Pertence, que proferiu voto anteriormente. Ausente,
justificadamente, a Senhora Ministra Cármen Lúcia, com voto proferido em assentada anterior.
Plenário, 25.10.2007.