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Na mão de Deus

(A Exma. Sra. D. Victoria de O. M.)

NA mão de Deus, na sua mão direita,


Descansou afinal meu coração.
Do palácio encantado da Olusão
Desci a passo e passo a escada estreita.

Como as flores mortais, com que se enfeita


A ignorância infantil, despojo vão,
Depus do Ideal e da Paixão
A forma transitória e imperfeita.

Como criança, em lôbrega jornada,


Que a mãe leva no colo agasalhada
E atravessa, sorrindo vagamente,

Selvas, mares, areias do deserto...


Dorme o teu sono, coração liberto,
Dorme na mão de Deus eternamente!

Antero de Quental

1. Compara o sentido dos versos l -2 com o dos versos 13-14.

2. Que outros dois versos sintetizam o mesmo sentido de renúncia?

3. Relativamente à ideia de renúncia, de resignação, selecciona:


- os verbos que melhor a traduzem;
- as comparações que a reforçam;

4. Relaciona sono e morte.