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Este documento foi liberado nos autos em 29/08/2017 às 14:42, é cópia do original assinado digitalmente por Tribunal de Justica de Santa Catarina - 50105 e LUIS FRANCISCO DELPIZZO MIRANDA.
ESTADO DE SANTA CATARINA
PODER JUDICIÁRIO
Comarca da Capital
1ª Vara da Fazenda Pública

Autos n° 0307947-27.2017.8.24.0023
Ação: Mandado de Segurança/PROC
Impetrante: Eduardo Henrique Techio
Impetrado: Diretor Geral do Departamento Estadual de Trânsito do Estado de
Santa Catarina ¿ Detran/sc

Vistos etc.

Cuida-se de Mandado de Segurança impetrado por Eduardo

Para conferir o original, acesse o site https://esaj.tjsc.jus.br/esaj, informe o processo 0307947-27.2017.8.24.0023 e código B1A632B.
Henrique Techio contra ato ilegal perpetrado pelo Senhor Diretor Geral do
Departamento Estadual de Trânsito do Estado de Santa Catarina - DETRAN,
objetivando credenciamento para exercer a função de despachante.
Discorre que a autoridade impetrada vem reiteradamente
indeferindo aludida pedido de concessão sob o argumento da necessidade prévia
de procedimento administrativo de provas e títulos consoante determinação do art.
7º da Lei 10.609/1997, como no caso em tela.
A medida liminar foi deferida .
Notificada, a autoridade impetrada prestou as suas
informações.
A Representante do Ministério Público manifestou-se pela
concessão da segurança.
É, no essencial, o relatório.
DECIDO.
Trata-se de mandado de segurança envolvendo a costumeira
negativa por parte do DETRAN do credenciamento de novos despachantes com
base em dispositivos nitidamente inconstitucionais da Lei 10.609/97.
Sem maiores delongas, tenho que a celeuma já foi
adequadamente deslindada quando analisei a medida liminar, litteris:
"Pois bem, consabido que o mandado de segurança deve ser
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manejado para, nos termos do art.1º da Lei 12.016/2009: "proteger direito líquido
e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, sempre que,
ilegalmente ou com abuso de poder, qualquer pessoa física ou jurídica sofrer
violação ou houver justo receio de sofrê-la por parte de autoridade, seja de
que categoria for e sejam quais forem as funções que exerça"
"Hely Lopes Meirelles, sobre o tema, ensina que: "Direito
líquido e certo é o que se apresenta manifesto na sua existência, delimitado na sua
extensão e apto a ser exercitado no momento da impetração. Por outras palavras, o
direito invocado, para ser amparável por mandado de segurança, há que vir

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expresso em norma legal e trazer em si todos os requisitos e condições de sua
aplicação ao impetrante; se sua existência for duvidosa; se sua extensão ainda não
estiver delimitada; se seu exercício depender de situações e fatos ainda
indeterminados, não rende ensejo à segurança, embora possa ser defendido por
outros meios judiciais.
""Quando a lei alude a direito líquido e certo, está exigindo que
esse direito se apresente no momento da impetração. Em última análise, direito
líquido e certo é direito comprovado de plano. Se depender de comprovação
posterior, não é líquido, nem certo, para fins de segurança." (Mandado de
Segurança e ações constitucionais, 33ª ed., São Paulo: Malheiros, 2011, p. 37-38).
"Na hipótese, a celeuma em foco não se trata de novidade
nesta unidade jurisdicional, ao contrário, há muito a pretensão em foco vinha sendo
acertadamente agasalhada pelo então titular e hoje Desembargador Hélio do Valle
Pereira.
"Não vislumbro qualquer razão para tomar posicionamento
diverso e, por corolário, desprezar o artigo 926 do NCPC que estabelece a defesa
da estabilidade, coerência e integralidade das decisões judiciais em casos idênticos.
É de se ter em mente que todo julgador integra um sistema de Justiça, não consiste
um pequeno feudo.
"Acontece que a Lei Estadual n. 10.609/97, no seu art. 1º
prevê que "a atividade de serviço autorizado de despachante de trânsito, de
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natureza privada, será exercida junto ao Departamento Estadual de Trânsito -


DETRAN - , e os demais órgãos estaduais de trânsito, por pessoa física, na
forma da Lei.", todavia, apesar do caráter particular, exige no seu art. 5º
"procedimentos administrativos para credenciamento", ou seja, submete o
interessado a verdadeira licitação nos termos dos arts.6º e 7º, verbis:
"“Art. 6º O número de vagas em cada município depende
do número de despachantes credenciados, ressalvados os direitos e o número
de vagas daqueles que se encontram em pleno e regular exercício da atividade
na data de publicação desta Lei, observando-se os seguintes critérios:

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""I o máximo de duas vagas para o município com até
dez mil veículos registrados; e
""II mais uma vaga para cada grupo de dez mil veículos
adicionais.
""§ 1º O DETRAN promoverá anualmente, o levantamento
da frota de veículos registrados no ano anterior em cada município e o número
de despachantes credenciados, para fixar o número de vagas.
""§ 2º “Na ocorrência de morte ou invalidez permanente
para o exercício da atividade de despachante de trânsito, o Diretor do DETRAN
promoverá no prazo máximo de seis meses, a abertura de procedimentos
administrativo para o preenchimento da vaga.”
"E:
""Art. 7º O procedimento administrativo para o
credenciamento deverá observar as seguintes etapas:
""I - publicação de Edital convocatório no Diário Oficial do
Estado;
"II - inscrição dos interessados, com a apresentação dos
documentos enumerados no art. 4º desta Lei, e do certificado expedido pelo
DETRAN, relativo ao período em que o interessado exerceu a atividade de
despachante ou preposto, devendo neste ser consignado as penalidades
sofridas pelos mesmos, o que servirá de base para cálculo do título;
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"III - realização de prova escrita e de prova oral sobre


normas legais e regulamentares de trânsito, bem como da legislação
pertinente a atividade de despachante de trânsito.
'§1º Os candidatos serão classificados pela soma dos
pontos obtidos com a média aritmética das notas, não inferiores a cinco
vírgula zero pontos, obtida nas provas escrita e oral, e os pontos relativos ao
certificado expedido pelo DETRAN.
"[...];
""§ 3º Em caso de empate entre os interessados, a

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classificação se fará pelo critério de idade, tendo preferência o candidato mais
idoso.
"§ 4º A pontuação do título expedido pelo DETRAN, será
calculada pelo somatório dos pontos a cada ano em que o interessado
exerceu a atividade de despachante ou preposto, diminuída pelo número de
penalidades sofridas pelos mesmos durante este mesmo período, e cujos
valores serão estabelecidos pelo Regulamento desta Lei, não podendo estes
mesmos pontos serem superiores a vinte e cinco por cento dos pontos
previstos nas provas escritas e oral."
""§5º As provas escrita e oral prevista no inciso III deste
artigo será realizada por instituição de ensino superior mediante convênio
com o DETRAN." (o destaque não consta do original).
"Revelado o normativo legal, pela pertinência e astúcia,
entendo por bem transcrever parte da decisão de meu antecessor sobre a questão,
litteris:
""Vê-se, entretanto, o esforço catarinense para manter uma
reserva de mercado.
""Não vejo, em primeiro lugar, nenhum sentido em definir uma
atividade como privada (como evidentemente é) e submetê-la simultaneamente a
uma licitação (que sugestivamente nunca é feita). Com efeito, esse credenciamento
só faria sentido para avaliar se o particular atende a requisitos normativos para o
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desempenho de certa atividade. Essa empreitada não terá cunho estatal, público,
mas meramente haverá um interesse oficial na sua regulamentação, de maneira a
apurar se os particulares que desejarem assumir esse compromisso atendem aos
postulados de lei. É, dito de outro modo, uma maneira de exercer o poder de polícia.
""Sob outro prisma, é muito lamentável a força administrativa
para dificultar essa atividade. Claro que existe interesse público sobre ela. É missão
que envolve aspectos delicados e, em alguma medida, atinge a segurança coletiva.
Mas é despropositado que se criem obstáculos totalmente ociosos para que se
explore aquilo que, antes de mais nada, é uma empreitada econômica. Quer-se um

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capitalismo à brasileira no qual o Estado garanta lucros e impeça concorrência. Para
isso, o bacharelismo é muito útil. Cria fórmulas dogmáticas para encobrir aquilo que
é evidente: trazem-se empecilhos para preservar uma reserva de mercado."
"Fato.
"Lamentavelmente, quando interesses políticos e financeiros
são postos à mesa, como na hipótese, o Estado de Catarina vem costumeiramente
mantendo essa conduta omissiva e, por corolário, tem-se que o particular
empreendedor permanece guardando a possibilidade de trabalhar em detrimento de
uma casta de privilegiados que, com a concorrência impedida, navega em
verdadeira e injustificável reserva de mercado.
"Lembre-se, aliás, que a Constituição Federal, ao disciplinar os
Princípios Gerais da Atividade Econômica, no seu ao art. 170 da CF, prega que: "A
ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre
iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os
ditames da justiça social, observados os seguintes princípios:
""IV a livre concorrência:"
"De igual modo, a livre iniciativa e o valor do trabalho são dois
principios fundamentais do Estado Brasileiro (art.1º, IV, CF).
"Discorrendo sobre o tema, o Ministro Luís Roberto Barroso,
pondera: "O princípio da livre concorrência, corolário direto da liberdade de
iniciativa, expressa a opção pela economia de mercado. Nele se contém a crença
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de que a competição entre os agentes econômicos, de um lado, e a liberdade de


escolha dos consumidores, de outro, produzirão os melhores resultados sociais:
qualidade dos bens e serviços e preço justo. Daí decorre que o Poder Público não
pode pretender substituir a regulamentação natural do mercado por sua ação
cogente, salvo as situações de exceção que serão aqui tratadas. Por outro lado, os
agentes privados têm não apenas o direito subjetivo à livre concorrência, mas
também o dever jurídico de não adotarem comportamentos anticoncorrenciais, sob
pena de sujeitarem-s a ação disciplinadora e punitiva do Estado.
""Em suma: a opção por uma economia capitalista se funda na

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crença de que o método mais eficiente de assegurar a satisfação dos interesses do
consumidor de uma forma geral é através de um mercado em condições de livre
concorrência, especialmente no que diz respeito a preços." (Temas de Direito
Constitucional, Tomo II, 2ª ed, Editora Renovar, 2009, p. 58)
"Assim, ao impedir há anos a livre iniciativa e concorrência em
relação ao credenciamento de despachantes, a norma legal em tela viola
materialmente fundamentos e normas constitucionais.
"Celso Antônio Bandeira de Mello, diante dessa fraude legal,
bem capta: "Um fundamento constitucional que pudesse ser arredado por obra de
legislação ordinária ou um princípio que esta pudesse menoscabar, a toda
evidência, nada valeriam e o constituinte seria um rematado tolo se houvesse
pretendido construí-los com tal fragilidade." (Curso de Direito Administrativo, Ed.
Malheiros, 28º ed, 1999, p. 490 ss)
"Ainda pior, insatisfeito, o Estado de Santa Catarina
formalmente também ofendeu a Constituição Federal arvorando-se em matéria de
competência privativa da União, ou seja, legislar sobre trânsito (art. 22, XI, CF)
"Veja-se:
""Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre:
"[...]
"IX - diretrizes da política nacional de transportes;
"[...]
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""XI - trânsito e transporte;"


"A propósito, o Tribunal de Justiça, sobre o tema, vem
decidindo, mutatis mutandis:
""REEXAME NECESSÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA.
ADMINISTRATIVO. OMISSÃO DO EXAME DE PEDIDO DE CREDENCIAMENTO
DE CENTRO DE FORMAÇÃO DE CONDUTORES PARA O EXERCÍCIO DA
ATIVIDADE. SUSPENSÃO, PELO STF, DA LEI N. 13.721/2006.
IMPOSSIBILIDADE DE REALIZAÇÃO DE LICITAÇÃO PARA TANTO. IMPOSTA
RESTRIÇÃO ACORDADA EM TERMO DE AJUSTAMENTO DE CONDUTA.

Para conferir o original, acesse o site https://esaj.tjsc.jus.br/esaj, informe o processo 0307947-27.2017.8.24.0023 e código B1A632B.
EMPECILHO DESARRAZOADO. VIOLAÇÃO DE DIREITO LÍQUIDO E CERTO
VERIFICADO. SENTENÇA MANTIDA." (Reexame Necessário n.
0307502-77.2015.8.24.0023, da Capital, rel. Des. Ricardo Roesler, j. 11-04-2017).
"O Supremo Tribunal Federal, enfrentando questão bastante
parecida, mas do Estado de São Paulo, já disse:
"" Ação direta de inconstitucionalidade. Lei nº 8.107, de 27
de outubro de 1992, e Decretos nº 37.420 e nº 37.421, todos do Estado de São
Paulo. Regulamentação da atividade de despachante perante os órgãos da
Administração Pública estadual. Competência legislativa privativa da União
(art. 22, I e XVI, da CF/88). Ratificação da cautelar. Ação julgada procedente.
""1. A Lei estadual nº 8.107/92, a pretexto de prescrever
regras de caráter administrativo acerca da atuação dos despachantes junto
aos órgãos públicos estaduais, acabou por regulamentar essa atividade, uma
vez que estabeleceu os próprios requisitos para seu exercício. Violação da
competência legislativa da União, a quem compete privativamente editar leis
sobre direito do trabalho e sobre condições para o exercício de profissões.
Precedentes. A norma de que trata o art. 5º, XIII, da Carta Magna, que assegura
ser "livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as
qualificações profissionais que a lei estabelecer", deve ter caráter nacional,
não se admitindo que haja diferenças entre os entes federados quanto aos
requisitos ou condições para o exercício de atividade profissional.
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""2. O Estado de São Paulo, conforme se verifica nos arts.


7º e 8º da lei impugnada, impôs limites excessivos ao exercício da profissão
de despachante no âmbito do Estado, submetendo esses profissionais liberais
a regime jurídico assemelhado ao de função delegada da administração
pública, afrontando materialmente o disposto no art. 5º, inciso XIII, da Carta
Magna.
""3. Ação direta de inconstitucionalidade julgada
procedente." (ADI 4387, Rel. Min. Dias Toffoli, Tribunal Pleno, j. 04/09/2014 sem
destaque o original)

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"Inconstitucional, pois, material e formalmente a Lei 10.609/97,
afigura-se latente o direito líquido e certo do impetrante."
A autoridade coatora nas suas informações nada trouxe capaz
de demover o entendimento em tela.
É o que basta.
Ex positis, CONCEDO A SEGURANÇA pretendida e, em
consequência, determino que a autoridade coatora analise o pedido administrativo
de credenciamento para o exercício da atividade de despachante de trânsito
exclusivamente sob a ótica da legislação federal.
Incabível na espécie a condenação no pagamento das
despesas processuais e honorários advocatícios, nos termos da Súmula 512 do
Supremo Tribunal Federal e Súmula 105 do Superior Tribunal de Justiça.
Decorrido o prazo recursal, com ou sem irresignação das
partes, remetam-se os autos ao egrégio Tribunal de Justiça de Santa Catarina, nos
termos e para os fins do disposto no artigo 14, § 1º, da Lei n° 12.016/09.
Após o trânsito em julgado, arquivem-se.
Publique-se, registre-se e intimem-se.
Florianópolis (SC), 28 de agosto de 2017

Luis Francisco Delpizzo Miranda


Juiz de Direito
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