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Petição inicial

 Do INDEFERIMENTO da petição inicial


O indeferimento ocorre quando o juiz verifica, durante o PERÍODO DE
ADMISSIBILIDADE, a presença de vícios FORMAIS resultantes da MÁ ELABORAÇÃO da
petição inicial, sejam eles insanáveis ou que não foram sanados no momento oportuno
– por isso, podem levar à EXTINÇÃO DO PROCESSO caso não sejam corrigidos.

Obs1.: indeferir a petição inicial não significa que o autor não possua o direito na
relação material, mas sim que a petição foi malfeita, mal elaborada. Dessa forma, o
indeferimento diz respeito a questões formais e funciona como uma PUNIÇÃO pela má
elaboração por parte do autor.

Obs2.: o que extingue o processo não é a mera PRESENÇA DO VÍCIO, mas sim a
omissão ou inercia do autor em corrigir a tempo, de acordo com o prazo fixado em lei.

Obs3.: sendo SANÁVEL o vicio encontrado, é dever do juiz dar PRÉVEIA


OPORTUNIDADE para que o autor corrija em 15 dias uteis, sob pena de indeferimento
da petição e extinção do processo sem julgamento de mérito.

O indeferimento é um ato que interrompe PRELIMINARMENTE o prosseguindo da


demanda. Ela não foi admitida, portanto sequer será realizada a CITAÇÃO do réu. Após
a citação do réu, não há mais que falar em indeferimento, pois já HOUVE A
ADMISSIBILIDADE, fala-se apenas em extinção do processo sem julgamento do mérito.

O que enseja o indeferimento é a falta de um pressuposto processual que não torna a


peticao valida. É algo que não pode ser feito de maneira arbitraria. Isso é, pode se da
rapenas quando vício for INSANÁVEL ou nos casos que é dada a OPORTUNIDADE DE
CORREÇÃO e o autor permanece omisso, não emendando ou aditando a inicial. Por
isso, torna-se impossível a apreciação e o prosseguimento da demanda, até então não
houve qualquer tipo de apreciação no que diz respeito ao mérito no âmbito do direito
material. Por isso, diz-se que o indeferimento configura-se como uma espécie de
SANÇÃO PELA MÁ ELABORAÇÃO da peticao.

Tanto um juiz singular quanto o tribunal por meio do relator ou de uma turma podem
proceder com o indeferimento. Este, or sua vez, pode ser total ou parcial, quando
apenas parte da demanda for indeferida. Contra esta decisão, cabe o chamado
AGRAVO DE INSTRUMENTO. Esse indeferimento parcial NÃO EXTINGUE o processo,
devendo o jjuiz DETERMINAR A CORREÇÃO por parte do autor. ele pode, por sua vez,
abrir mao do pedido que foi indeferido ou corrigir utilizando os meios adequados para
cada uma de suas demandas

Art. 330.

A petição inicial será indeferida quando:

I - for inepta  a inépcia diz respeito à presença de VÍCIOS na elaboração do pedido e/ou da
causa de pedi. Esse referido erro na elaboração requer correção. Lembrar que o pedido certo e
determinado é um requisito obrigatório da petição inicial, bem como a fundamentação da
causa de pedir.
II - a parte for manifestamente ilegítima; esse é um vício relativo à QUALIFICAÇÃO. O juiz,
através da leitura da petição, é capaz de identificar que a pessoa indicada como parte não
participou da relação de direito material que deu origem ao conflito. Ocorre, por exemplo,
quando se cobra uma dívida de alguém que não é o devedor e nem tem qualquer relação de
solidariedade ou garantia relativo à dívida. Essa falta de legitimidade seria sanável apenas
quando no PÓLO PASSIVO. Caso o autor da demanda, isso é, aquele que está no POLO ATIVO
careça de legitimidade, estamos falando de um VÍCIO INSANÁVEL, que ocasionará a extinção do
processo sem julgamento do mérito.

III - o autor carecer de interesse processual; O juiz identifica a falta de um dos três elementos
que compõem o chamado interesse processual. Seria a falta de

a. Necessidade  erro relativo à CAUSA DE PEDIR. ao elaborar a fundamentação, p


autor ao fi capaz de explicar a ameaça ou violação supostamente sofrida ao direito
material, não consegue explicar o PRÓPRIO CONFLITO e na transparece com clareza
a necessidade da prestação jurisdicional.
b. Adequação  erro relativo à QUALIFICAÇÃO. A adequação está ausente quando o
PROCEDIMENTO indicado na inicial não foi aquele definido seguindo a legislação
para aquela espécie de conflito. Ocorre, por exemplo, quando se entra com um
processo de conhecimento quando na verdade o meio correto seria um mandado
de segurança.
c. Utilidade  o vício encontra-se no pedido. O procedimento escolhido, embora
correto para o tipo de conflito não admite o pedido formulado, devendo o autor
corrigir o pedido. Podemos então dizer que o processo não é útil ao pedido. Junto
com um mandado de segurança (corretamente escolhido) a pessoa pede também
uma indenização por dano moral, o que não é viável. O pedido deve ser corrigido.
Uma alternativa é desistir da parte que não cabe ou ingressar com ações distintas.

IV - não atendidas as prescrições dos arts. 106 e 321.

a. Artigo 106: Quando postular em causa própria, incumbe ao advogado:

I - declarar, na petição inicial ou na contestação, o endereço, seu número de inscrição na


Ordem dos Advogados do Brasil e o nome da sociedade de advogados da qual participa, para
o recebimento de intimações;

II - comunicar ao juízo qualquer mudança de endereço.

§ 1º Se o advogado descumprir o disposto no inciso I, o juiz ordenará que se supra a omissão,


no prazo de 5 (cinco) dias, antes de determinar a citação do réu, sob pena de indeferimento da
petição.

§ 2º Se o advogado infringir o previsto no inciso II, serão consideradas válidas as intimações


enviadas por carta registrada ou meio eletrônico ao endereço constante dos autos.

É necessário indicar o endereço profissional do advogado da parte autora ou quando ele


advoga em causa própria.

b. Artigo 321 O juiz, ao verificar que a petição inicial não preenche os requisitos dos arts.
319 e 320 ou que apresenta defeitos e irregularidades capazes de dificultar o
julgamento de mérito, determinará que o autor, no prazo de 15 (quinze) dias, a
emende ou a complete, indicando com precisão o que deve ser corrigido ou
completado.

Parágrafo único. Se o autor não cumprir a diligência, o juiz indeferirá a petição inicial.

Esse artigo faz referencia a uma categoria residual que abrange todos os demais defeitos
possíveis na petição inicial que não se enquadram nas hipóteses anteriores, como é o caso da
ausência da fixação de valor, ausência da opção quanto à audiência preliminar, não pagamento
das custas, etc.

§ 1º Considera-se inepta a petição inicial quando:

I - lhe faltar pedido ou causa de pedir; o pedido e a causa de pedir são elementos obrigatórios.
A sua omissão torna a petição inepta e, por isso, precisa ser emendada/aditada.

II - o pedido for indeterminado, ressalvadas as hipóteses legais em que se permite o pedido


genérico; o pedido precisa sempre ser CERTO E DETERMINADO, com exceção dos casos que se
admite pedido genérico (ações universais – quando tratar de uma universalidade, conjunto de
direitos, danos complexos - não é possível mensurar, ainda, o valor e assimetria de
informações – apenas o réu dispõe da informação determinada)

III - da narração dos fatos não decorrer logicamente a conclusão; os fatos e o pedido devem
guardar entre si clareza e coesão, ou seja, devem ser logicamente compatíveis. Não é possível,
por exemplo, pedir a nulidade de um casamento e um divórcio. O pedido de divórcio
pressupõe a existência de um casamento valido – a partir do momento que se pede a nulidade
do casamento, o divórcio não pode ser simultaneamente pedido.

IV - Contiver pedidos incompatíveis entre si. A incompatibilidade de pedidos trata de casos


onde há pedido composto e pode se manifestar de diversas maneiras. É o caso de pedidos
cumulados quando a competência de sua apreciação é diversa (vara cível e vara de família) ou
quando os pedidos são auto excludentes, é o caso da nulidade de um contrato cumulada com o
cumprimento de uma cláusula.

§ 2º Nas ações que tenham por objeto a revisão de obrigação decorrente de empréstimo, de
financiamento ou de alienação de bens, o autor terá de, sob pena de inépcia, discriminar na
petição inicial, dentre as obrigações contratuais, aquelas que pretende controverter, além de
quantificar o valor incontroverso do débito.

§ 3º Na hipótese do § 2º, o valor incontroverso deverá continuar a ser pago no tempo e modo
contratados.

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