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Diferença – Exposição X Argumentação – REDAÇÃO DISCURSIVA

Produção: Equipe Pedagógica Gran Cursos Online

MODOS DE ARGUMENTAÇÃO

Para consubstanciar as ideias e pontos de vista propostos em uma disserta-


ção argumentativa, alguns aspectos devem ser observados.

Antítese

Consiste em explorar pontos de vista contrários ao exposto anteriormente


sobre o assunto. Observe o exemplo abaixo:

Lembremos que a modernidade se caracteriza não apenas por um novo modo


de produção e de vida, mas também por uma nova forma de relacionamento
entre os homens na sociedade – o que influi até mesmo no julgamento que faze-
mos uns dos outros. Essa forma de relacionamento, que vem desde a Revolução
Industrial, é intermediada pelo trabalho, e os parâmetros para julgar as pessoas
são o dinheiro e a propriedade.
Entretanto, trabalho e dinheiro não estão disponíveis para todos. Em cida-
des superpopulosas, em meio às crises das indústrias, frequentemente os tra-
balhadores se veem sem meios de sobreviver. Essa relação entre os homens é,
portanto, uma relação desigual, em que geralmente os trabalhadores estão em
desvantagem, já que não possuem meios estáveis de sobrevivência e depen-
dem de empregadores.
Andrea Buoro et. al. Violência urbana – dilemas e desafios. São Paulo: Atual, 2009.

Comparação

Esta técnica é utilizada com o objetivo de estabelecer comparação de fatos,


ideias, realçando as semelhanças ou diferenças entre eles.
Comparação por semelhança: consiste em estabelecer um paralelo entre
os elementos comparados. Por exemplo:
ANOTAÇÕES

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Não há nenhuma diferença entre a dama da sociedade e o pajé botocudo. Ambos


anunciam seu “status” social através do volume de sofrimento que infligem à natu-
reza para se enfeitar. Uma dessas damas que se apresentam em público com uma
pele de onça, sapatos de couro de jacaré e bolsa de tartaruga estaria dizendo que,
para se vestir naquele dia, foi necessário um grande sacrifício da natureza. Ou seja,
que ela vale muito mais que um jacaré, uma onça e uma tartaruga juntos.
Ela se sente valorizada tanto quanto o chefe indígena que matou três araras para
compor seu exuberante cocar e cinco caitetus para fazer um colar de dentes.
Rogério C. de Cerqueira Leite. Carta do leitor. In: Carta Capital. (Adaptado).

Comparação por contraste: consiste em realçar as diferenças entre os ele-


mentos comparados. Leia o exemplo abaixo:

A História caprichosamente ofereceu aos brasileiros um símbolo de forte den-


sidade, o de Tiradentes, para concretizar o mito do herói nacional. O lado gene-
roso do chefe da rebelião anticolonial vem do transbordamento de seus objeti-
vos, no sentido de tornar coletiva a aspiração de ruptura e de liberdade. Não
apenas um ato de particular conveniência no mundo das relações humanas, mas
uma articulação de vulto nacional.
Enquanto os ativistas da Inconfidência (Tiradentes o maior e o mais lúcido de
todos) e os ideólogos lidavam com categorias universais, que pressupunham os
interesses da coletividade brasileira, outros aderentes circunstanciais, os mag-
natas e os devedores da fazenda Real, ingressaram no processo de luta a fim de
resguardar vantagens particulares.
Fábio Lucas. Luzes e trevas – Minas Gerais no século XVIII. Belo Horizonte: UFMG, 1998, p. 150-1; (com adaptações)

Enumeração de Razões

Enumerar significa expor as partes de um todo, uma por uma. Qualquer ideia
de sentido geral, amplo, numa dissertação, pode ser desdobrada por meio da enu-
meração de seus mais diversos aspectos. Quando fazemos uma enumeração,
podemos encadear livremente os elementos elencados ou seguir um critério que
poderá ir do elemento mais importante para o menos importante ou vice-versa.
ANOTAÇÕES

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Observe o exemplo abaixo, extraído de um artigo de opinião, em uma


revista de grande circulação, em 2001:

“O Brasil está às voltas com o problema do abuso de drogas ilícitas, espe-


cialmente pela população jovem. Constatando-se que a repressão ostensiva não
tem funcionado como se esperava, resta legalizar, pelo menos, o uso de algu-
mas drogas de menor risco à saúde. Vejamos algumas razões que justificam esse
ponto de vista. Em primeiro lugar, porque a repressão falhou: gastam-se bilhões
de dólares na guerra ao tráfico, e o consumo só aumenta. E mais, com a legaliza-
ção, se eliminaria o crime ligado ao tráfico, que movimenta por ano mais de 500
bilhões de dólares, além de reduzir a corrupção, já que polícia, justiça e políticos
deixariam de receber dinheiro da droga. Além do mais, o álcool mata 25 vezes
mais do que as drogas e o fumo mata 75 vezes mais. Mas ambos são legalizados.”

Exemplificação (ilustração)

Este procedimento é, geralmente, usado para comprovar uma afirmação


(assertiva) pessoal, para confirmar uma teoria ou mesmo ilustrar um princípio.
Veja um exemplo:

“Nosso século é o da aceleração tecnológica e científica, que se operou e


continua a se operar em ritmos antes inconcebíveis. Foram necessários milhares
de anos para passar do barco a remo à caravela ou da energia eólica ao motor
de explosão; e, em algumas décadas, se passou do dirigível ao avião, da hélice
ao foguete interplanetário. Em algumas dezenas de anos, assistiu-se ao triunfo
das teorias revolucionárias de Einstein e, também, ao seu questionamento.”
ECO, Umberto. Reflexões para o futuro. In: Veja-25 anos.

Relação de Causa e Consequência

Uma ideia geral de um parágrafo também pode ser desenvolvida por meio de
uma ou mais orações, as quais indiquem:
• A CAUSA – fato que provoca ou justifica o que está expresso na ideia principal.
• A CONSEQUÊNCIA – fato que decorre daquilo que está exposto na ideia
principal.
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Observe o exemplo que segue:

O problema dos automóveis nas regiões urbanas será cada vez mais pare-
cido com o do cigarro. Continuarão sendo fabricados e vendidos, mas surgirão
cada vez mais obstáculos ao seu uso. O aquecimento da economia piora esse
quadro. Quanto maior for a distribuição de renda entre nós, maior será a quanti-
dade de carros em circulação e maior o caos urbano em que nos meteremos. O
aumento cotidiano de veículos em circulação prenuncia a falência dos sistemas
de transporte.
Sair de casa nas grandes cidades brasileiras está se tornando insuportável.
As pessoas estão irritadas, cansadas e agressivas. As ruas sujas. O barulho, de
arrebentar os tímpanos. O brasileiro passa, em média, duas horas por dia dentro
do carro apenas para fazer o trajeto de casa para o trabalho. E nos feriados, o
sofrimento se transfere para as estradas. O que deveria ser um momento de
descanso e descontração se transforma em um martírio. Caminhamos rumo ao
caos inevitável, se não forem tomadas medidas drásticas.
MARICATO, Percival. Fragmento de artigo extraído da revista Veja, de maio de 1995.

• O segundo parágrafo indica uma consequência do que foi indicado como


causa no primeiro parágrafo. O conector “consequentemente” no início do
segundo parágrafo esclareceria melhor essa relação.

Obs.: Este material foi elaborado pela equipe pedagógica do Gran Cursos
Online, de acordo com a aula preparada e ministrada pela professora
Vânia Araújo.
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