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O DIVÓRCIO EM MOISÉS, JESUS E NA ATUALIDADE

Texto áureo: “Disse-lhes ele: Moisés, por causa da dureza dos vossos
corações, vos permitiu repudiar vossas mulheres; mas ao princípio não foi
assim”. (Grifo nosso) Mateus 19.8.

Perguntas importantes:

O divórcio é uma regra ou uma exceção?

R. Exceção.

A exceção do divórcio é da Lei ou da Graça?

R. Da Lei, a resposta em Mateus 19.3-12 estava clara que Jesus falava da Lei.

O divórcio em Moisés dava direito a novo casamento?

R. Sim, mas não poderia voltar ao primeiro cônjuge. Deuteronômio 24.1-4.

O divórcio, na resposta de Jesus em Mateus 19 foi de acordo com a Lei ou com


a Graça?

R. Lei, a pergunta era dos fariseus e queriam apenas que Jesus contradissesse
a Lei de Moisés.

Jesus respeitou o divórcio da Lei ou criou um divórcio para a Graça em Mateus


19?

R. Jesus cumpriu a Lei, o divórcio era da Lei e Ele não criou nenhum divórcio,
sendo assim, não há validade de divórcio na graça, o novo testamento o condena
em Marcos 10.11,12, Lucas 16.18, Romanos 7.1,2, 1 Coríntios 7.10,11, Mateus
5.31,32; Mateus 19.9.

Qual o ponto alto do ensino de Jesus em Mateus 19? Reafirmar o pensamento


do Criador a respeito do casamento ou homologar a Lei que permitiu o divórcio,
como eterna e para ser vivida pela Igreja no tempo da graça?

R. Jesus veio revelar o Pai, a Lei foi ineficaz, se a Lei fosse suficiente, Jesus não
teria vindo, cumprido ela e inaugurado um tempo de Graça.
Adultério ou fornicação?

R. Em Mateus 19.9 a palavra grega usada é porneia (relação sexual ilícita,


fornicação ou outra condição, mas nunca adultério, pois essa é a palavra grega
mocheia). O entendimento do texto é que se refere a condição de união ilícita e
não a adultério, traição. A união ilícita também faz um corpo, como o casamento,
nesse caso deve apartar-se (1 Coríntios 5.1; 1 Coríntios 6.16).

Em Moisés, adultério não era tratado pacificamente, com carta de divórcio, mas
apedrejamento público Deuteronômio 22.13-29, João 8.1-11.

O adultério visto hoje na relação divórcio e novo casamento é um mal a ser


vencido, perdoado ou uma benção que libera os envolvidos para um novo
relacionamento? Qual o interesse no adultério? Existe consequências?

A questão do divórcio é muito importante para o estudo, uma vez que ele
envolve vidas e é um problema a ser enfrentado hoje. Nosso texto base se
encontra em Mateus 19.3-12.

A. Vamos responder como foi o casamento no início.


B. O que Moisés ensinou a respeito do casamento.
C. O que Jesus ensinou sobre o casamento.
D. Como as igrejas trataram o casamento ao longo da história.

Os fariseus, grupo político religioso judaico, chegaram a Jesus e perguntaram:


“É lícito o homem repudiar sua mulher por qualquer motivo?” O que eles
pretendiam com essa pergunta?

Resposta: Incriminar Jesus por falar contra a Lei de Moisés. Claro, eles queriam
entregar Jesus às autoridades, então Ele disse apenas o que está na Lei, por
isso, primeiro precisamos conhecer a Lei.

Jesus respondeu aos fariseus o que Deus pensa sobre o casamento, o que é, e
deu sua Palavra, seu ensino, o ensino do Novo Testamento, o ensino da Graça,
da fé, da vida pela fé que dá capacidade de fidelidade e perseverança aos
cônjuges, quando aconselhou: “o homem não separe o que Deus uniu”.

O que é o casamento? A união monogâmica e heterossexual, um homem para


uma mulher, resultando no casamento: “os dois serão uma só carne”. Jesus
citou exatamente o texto que mostra a origem do casamento, quem o compõe e
o que ele é, para isso usou o texto de Gênesis 2.24: “Portanto deixará o homem
o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne”.
E quem escreveu esse texto? Moisés! Portanto, a resposta de Jesus para a
pergunta: “é permitido o homem repudiar a mulher por qualquer motivo?” Em
Mateus 19, foi um poderoso: não! Vocês não leram Moisés? Mateus 19.4-6. Não
é projeto de Deus o divórcio.

Os fariseus não ficam satisfeitos e perguntam enfaticamente: “por que Moisés


mandou dar cata de divórcio e repudiá-la?” Jesus então deixa claro que a dureza
do coração do homem trouxe a Lei, o divórcio era da Lei, mas no princípio do
casamento não há divórcio. Então Jesus fala que não é permitido dar carta de
divórcio por qualquer motivo, isto, Ele está respondendo a pergunta dos fariseus
e não criando algo novo. A pergunta foi: ““é permitido o homem repudiar a mulher
por qualquer motivo?” Devemos conhecer o texto da Lei que trata do assunto,
Deuteronômio 24.1-4. Lá está descrito que a única forma da carta ser dada,
regulamentada pela Lei é por porneia (coisa indecente como descrita no antigo
testamento). A mesma reposta que Jesus dá em Mateus 19.9. Só há uma
excessão, a pornéia, relação sexual ilícita, como descrita no novo testamento.
Vamos detalhar esse conceito logo abaixo.

A diferença notória aqui neste texto é: porneia não é adultério, este é mocheia.
Outro item muito importante é que na criação do casamento não havia divórcio,
na Lei o divórcio foi regulamentado e na Graça não existe divórcio. O que existe
é a clara consequência daqueles que se envolvem nele (Marcos 10.11,12; Lucas
16.18; Mateus 5.31,32; Mateus 19.9). Não podemos nos esquecer que o
mandamento “não adulterarás” foi dado por Deus a Moisés. Moisés fez de tudo
para proteger a mulher da pena de morte (Deuteronômio 22.13-29 e 24.1-4, a
pena de morte era fato ainda no tempo de Jesus João 8.1-11).

Precisamos agora ver como as igrejas trataram o casamento ao longo da


história:

Os 12 apóstolos não trataram do assunto divórcio, eles ministravam ao judeus


convertidos e os conceitos legais da Lei estava claro para eles. Paulo era
apóstolo aos gentios, por isso ele sempre tratou o assunto divórcio a luz do
evangelho da graça. Ele nunca ensinou divórcio, sua pregação era
fundamentada no amor de Deus, no perdão e na entrega de Jesus para cumprir
a Lei e não usar nada dela para se sobrecarregar ou se beneficiar. Romanos
7.2,3. 1 Coríntios 7. 1-3,6-9,10-16,20. Caso ilícito deve ser resolvido (1 Coríntios
5.1-13), mas os que vieram a Cristo de forma irregular, deve regularizar (1
Coríntios 7.20).

Alguns pontos de pensadores da igreja ao longo da história:

Do Livro: Casamento: Contrato ou Aliança?, de Craig Hill (Pompéia, SP, MMI,


s/d; edição original Northglenn, Ccl.: Harvest, 1992).

a) O ponto de vista patrístico - Os pais da igreja nos cinco primeiros séculos e


os líderes em geral, com poucas exceções, até o século 16, teriam sido
‘unânimes no entendimento do ensino de Cristo e Paulo. Se alguém sofresse o
infortúnio do divórcio, um novo casamento não seria permitido qualquer que
fosse a causa.

b) O ponto de vista erasmiano - É a posição da maioria dos protestantes, a partir


do séc.16, que permite o divórcio e o re-casamento.

c) O ponto de vista preterativo - É o ponto de vista de Agostinho, que procura


explicar o diálogo de Mateus 19.1-12, com esclarecimento de que havia duas
escolas rabínicas de interpretação da lei de casamento e divórcio no judaísmo:
uma de Hillel, que permitia todo tipo de divórcios e outra de Shammai, que
procurava restringir tal possibilidade ao mínimo. A questão era como interpretar
as “coisas indecentes” de Deuteronômio 24.1 .A resposta de Jesus teria sido
para despistar e, não, para responder a nenhuma dessas sugestões. Depois,
quando estavam sozinhos com Cristo, os discípulos o pressionaram para
resolver o assunto, e ele teria respondido essa questão, em Marcos 10.11-12.

d) O ponto de vista dos esponsais entende “pornéia” como uma referência a


relações sexuais de pessoas ainda não casadas de verdade. Aquelas que
estejam comprometidas como noivos. Apenas nesse caso seria possível a
separação e ‘re-casamento”, ou melhor, seria o primeiro casamento.
Obs.: Casamento é a união de dois corpos, fazendo-se um corpo, isso não é
realizado pelo contrato civil, nem pela cerimônia religiosa, o corpo é feito pelo
pacto de sangue do sexo (Gn 2.24; Mt 19.6; 1 Coríntios 6.16; Deuteronômio 24.1-
4; Deuteronômio 22.13-17).

e) O ponto de vista da consanguinidade permite o divórcio, mas não o re-


casamento de pessoas cujos casamentos estão proibidos em Levítico18.6-18,
entre pais e filhos (as) (mesmo de segunda núpcias), madrasta e padrasto com
enteado(a), entre sogros(as) e genros e noras, entre pessoas que têm
relacionamento de cunhados(as), entre tios(as) e sobrinhos(as), entre avôs(ós)
e netos(as).

As igrejas evangélicas em geral, aceitam o divórcio que dá direito a novo


casamento, não como regra geral, mais como exceção, sendo o adultério o ato
liberador para o novo casamento, isso, nem sempre leva em conta o fato da parte
infratora e a vítima, na maioria das vezes liberando as duas partes envolvidas
para o novo casamento.

Existem os mais conservadores, aqueles que admitem o divórcio ser necessário


em alguns casos, mas o direito ao novo casamento é negado.

Há ainda uma pratica geral, o fato de as pessoas se divorciarem e não


conseguindo ficar sozinhas, uma vez legalizados civilmente, os mesmos podem
se casar indiscriminadamente.

O triste, é que muitos já se casam com a possibilidade do divórcio. A igreja o tem


tratado como sendo normal. A igreja evangélica em geral vê o adultério como
carta branca para o divórcio e o novo casamento.

A Igreja do Evangelho Quadrangular, em seu estatuto diz não ser regra normal
o divórcio, mas trata caso a caso e de acordo com as escrituras, entendendo
Mateus 19.9 como a exceção, neste caso, o adultério, como ato liberador para
contrair novo matrimônio.

Vejamos o recorte:
Subseção II – Do Estado Civil dos Membros do Ministério
Artigo 29 – A Igreja do Evangelho Quadrangular, com
fundamento nos princípios sagrados da palavra de Deus, não
aceita como situação normal para os membros do Ministério, o
divórcio e a separação de fato ou de direito.
§1º Aqueles que ingressarem originalmente no Ministério,
mesmo tendo contraído novo matrimonio, podem ser aceitos,
observados os requisitos dos artigos 24, 25 e26.
§2º O membro do Ministério que, de fato ou de direito, venha a
se separar de seu cônjuge e contraia novas relações de natureza
conjugal, imediatamente seja suspenso de suas funções até que
o fato seja examinado e julgado pelos órgãos de disciplina
eclesiástica que decidem caso a caso, na forma estabelecida
neste Estatuto, no Capítulo ‘’Da disciplina Eclesiástica‘’.
§3º Em caso de separação, de fato ou de direito, do membro do
Ministério, em razão de adultério ou outra infidelidade conjugal,
a Comissão Julgadora de Disciplina Eclesiástica somente julga
o feito após o exame do processo, cumpridos os procedimentos
e prazos para oitiva de testemunhas e defesa do acusado.
§4º O membro do Ministério, submetido a processo disciplinar,
provando não ter dado causa a sua separação conjugal, é
absolvido, podendo contrair novo matrimônio, após expressa
autorização do Conselho Nacional de Diretores.
§5º O membro do Ministério condenado pela Comissão
Julgadora, em qualquer instância, cuja decisão tenha transitado
em julgado, é excluído do Ministério e proibido de usar o púlpito
da igreja em todo território nacional. – Pena igual sofre o membro
do Ministério que contraia matrimônio com pessoa divorciada,
sem autorização do Conselho Nacional de Diretores.
§6º O Conselho Nacional de Diretores e os Conselhos Estaduais
de Diretores, antes de iniciar processo ou sindicância, nomeiam
uma Comissão Especial para Assuntos Conjugais, composta de
cinco (5) membros de vida conjugal proba e consagrada, com a
finalidade de apoiar, orientar e ajudar os cônjuges membros do
Ministério que estejam sofrendo crise conjugal, envidando
esforços de natureza espiritual, psicológica ou jurídica, tentando,
por todos os meio, recuperação do casamento e a solidificação
no Ministério.
§7º O membro do Ministério que tiver pretensão a segunda
núpcias deve submetê-la à apreciação e deliberação do
Conselho Nacional de Diretores, que analisa caso a caso.
§8º A Igreja do Evangelho Quadrangular não reconhece a união
conjugal de pessoas do mesmo sexo.
§9º O membro do Ministério da Igreja do Evangelho
Quadrangular, quando solteiro, é submetido às mesma
comissão disciplinares.

A Igreja Evangélica Assembleia de Deus na CGADB deliberou que o divórcio


pode ser realizado em caso de traição, tráfico, tentativa de homicídio e coisas
que colocam em risco a integridade do cônjuge e seus filhos.

RESOLUÇÃO DO PLENÁRIO DA CGADB Nº 001/2011


Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil, no uso de
suas atribuições e de conformidade com o disposto no art. 3º, III,
IV c/c o art. 8º, I, do Estatuto Social;

Considerando a existência de Ministros, membros da CGADB,


em situação de Divorcio;

Considerando a necessidade dessa Convenção Geral em traçar


normas que regulamentem a situação ministerial dos seus
membros, no sentido de preservar e manter os princípios morais
e espirituais que embasam a doutrina das Assembleias de Deus
no Brasil;

Considerando que é dever dessa CGADB zelar pela observância


da doutrina bíblica e dos bons costumes dos membros das
Assembleias de Deus, em todo território nacional, sem prejuízo
da atuação das respectivas Convenções Estaduais;

RESOLVE:

Art. 1º A CGADB só reconhece o Divórcio no âmbito ministerial


de seus membros, nos casos de infidelidade conjugal, previstos
na Bíblia sagrada e expressos em Mt. 5:31-32; 19:9,
devidamente comprovados.

Art. 2º. As Convenções Estaduais deverão esgotar todos os


esforços possíveis no sentido de promover a reconciliação do
Ministro e sua esposa, antes de serem ajuizadas Ações de
Divórcio.

Art. 3º. Esta CGADB não reconhece, no âmbito da vida


ministerial de seus membros, a situação de União Estável.

Art. 4º. O Ministro, membro desta CGADB, divorciado nos


termos do disposto no art. 1º. desta Resolução ou no caso, onde
a iniciativa do divórcio partir da sua esposa (1 Co 7: 15), poderá
permanecer ou não, na função ministerial, decisão essa, que
ficará a cargo da Convenção Estadual da qual é filiado,
facultando-se-lhe o direito de recurso para Mesa Diretora e para
o para o Plenário desta Convenção Geral.

Parágrafo 1º.O Ministro, vítima de infidelidade conjugal por parte


de sua esposa, poderá contrair novas núpcias, respeitados os
princípios bíblicos que norteiam a união conjugal, nos termos da
permissibilidade concedida por Cristo, em Mateus 5. 31 e 32; 19.
9, ficando cada caso a ser examinado e decidido pelas
Convenções Estaduais.

Parágrafo 2º. Quando o Ministro der causa ao divórcio, a sua


permanência ou retorno ao ministério dependerá de exame e
decisão da Convenção Estadual, facultando-se-lhe ampla
defesa, sendo-lhe também assegurado recurso para a Mesa
Diretora e para o plenário da Convenção Geral.
Art. 5º. O Ministro, membro desta CGADB que acolher Ministro
divorciado sem a observância do disposto na presente
Resolução, será responsabilizado disciplinarmente, no âmbito
desta Convenção Geral.

Art. 6º. Ficam os Presidentes de Convenções e demais membros


desta CGADB autorizados a divulgar entre a membresia das
Igrejas Evangélicas Assembléias de Deus em todo o território
nacional, o inteiro teor desta Resolução.

Art. 7º. Esta Resolução entrará em vigor na data da sua


publicação no “Mensageiro da Paz”, órgão oficial de publicação
dos atos desta Convenção Geral.

Art. 8º.Revogam-se a resolução 001/95, de 29 de Janeiro de


1995 e demais disposição em contrário.

Plenário da 40ª Assembleia Geral Ordinária da CGADB em


Cuiabá(MT), 13 de abril de 2011.