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06/09/2009

VÍRUS HERPÉTICOS Introdução

• Infecções virais
• Problema de saúde mundial
• Morbidade e mortalidade
• Família Herpesviridae
• + de 100 tipos de vírus
• Caracterizados com base na estrutura do vírion
• Latim herpes, grego herpein = to creep
( = rastejar, réptil, se movimentar como as
cobras, sorrateiramente)

Vírus herpéticos humanos


Histórico
NOME COMUM DESIGNAÇÃO SIGLA SUBFAMÍLIA

• 460/377 a.C. médico grego Hipócrates, herpes Herpes Simplex Vírus tipo 1 Herpesvírus humano 1 HSV-1 α

• 484/425 a.C. historiador grego Heródoto, Herpes Simplex Vírus tipo 2 Herpesvírus humano 2 HSV-2 α

herpes febrilis Vírus da Varicela-Zoster Herpesvírus humano 3 VZV α

• 129/204 a.C. farmacêutico e médico grego Vírus Epstein-Barr Herpesvírus humano 4 EBV γ

Galeno, excretinas herpéticas Citomegalovírus Herpesvírus humano 5 CMV β

• 1919, Lowenstein – natureza infecciosa das Vírus Herpes Humano tipo 6 Herpesvírus humano 6 HHV-6 β
lesões: humanos – coelhos Vírus Herpes Humano tipo 7 Herpesvírus humano 7 HHV-7 β

• 1968: Nahmias e Dowdle: 2 tipos de HSV Vírus Herpes Humano tipo 8 Herpesvírus humano 8 HHV-8 γ

Fonte: SANTOS; SILVA; PEREIRA JÚNIOR (2000)

Classificação Classificação
citomegálicos (aumento
citolítico (lise das células das células infectadas)
infectadas) Beta-herpesvírus
Alfa-herpesvírus crescimento lento crescimento lento

infecções latentes em células infecções latentes nas


neurais (nervos sensoriais) glândulas secretórias e
nos rins
HSV-1, HSV-2 e VZV
CMV, HHV-6 e HHV-7

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Estrutura
Classificação 120 a 300 nm
Genoma DNA de fita dupla
Capsídeo - simetria icosaédrica
infectam células linfóides
Tegumento com proteínas e enzimas virais
Envelope lipoproteíco com espículas de
Gama-herpesvírus glicoproteínas

infecções latentes em
células linfóides

VEB e HHV-8

Herpes viruses GENOMA

Nucleocapsid

Envelope

HSV-1 - REPLICAÇÃO Mecanismo de Latência dos HSV- 1


e HSV-2
gD

FASE IMEDIATA • Após a infecção lítica nas


FASE PRECOCE células (mucosa ou epiderme
2-4h PÓS-INFECÇÃO
FASE TARDIA
5-7h PÓS-INFECÇÃO – primoinfecção), os vírus
ICP0 – ICP4 – ICP22 penetram pelas terminações
PROTEÍNAS
DNA POLIMERASE VIRAL
ICP27 – ICP47DO VÍRUS nervosas  axônio  gânglio
ESTRUTURAIS sensorial
REPLICAÇÃO DNA VIRAL

 HSV-1: latência nos gânglios


do nervo trigêmio

 HSV-2: latência nos gânglios


sacrais próximo a coluna

FONTE: Fields Virology 4ª ed. (2001)

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HSV-1 e HSV-2:
Mecanismo de Latência PATOGENIA E PATOLOGIAS

PORTA DE ENTRADA

mucosas, órgãos genitais e escoriações da pele


REPLICAÇÃO LOCAL

Unlike love, herpes is forever!!!! Disseminação hematogênica ou neurogênica

propagação

INFECÇÃO PRIMÁRIA

INFECÇÃO PRIMÁRIA IP pode tb. ser


assintomática!
Manifestações Clínicas (alguns exemplos)

Gengivoestomatite herpética

Ceratoconjutivite herpética

Meningoencefalite herpética

Herpes neonatal

Recuperação da infecção primária

O vírus entra em estado de latência,


podendo ser reativado Infecção secundária

MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS HERPES ORO-FARÍNGEO

1. Doença orofaríngea ou gengivoestomatite


herpética

• A doença sintomática ocorre mais freqüentemente em


crianças (1-5 anos) e afeta a mucosa bucal e gengival
• A doença clínica tem duração de 2-3 sem. - HSV-1
• Sintomas: febre, faringite, lesões vesiculares e ulcerativas,
edema, gengivoestomatite, linfadenopatia
submandibular, anorexia, mal-estar, etc.
• A doença recorrente localiza-se na borda dos lábios, com
dor no início e desaparece em ± 4-5 dias, com recidivas.

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MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS

2. Ceratoconjuntivite

• A infecção inicial por HSV-1 pode ocorrer


nos olhos, produzindo ceratoconjuntivite
grave.
• Lesões oculares recorrentes são comuns
(ulcera de córnea e vesículas nas
pálpebras) podem levar a cegueira

MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
HERPES GENITAL
3. Herpes Genital (HG)

• Habitualmente causada por HSV-2, mas também por


HSV-1
• Infecções genitais primárias podem ser graves e durar
cerca de 3 semanas
• Lesões vesículo-ulcerativas do pênis ou colo uterino,
vulva, vagina e períneo
• HG pode estar associado à febre, mal-estar, disúria e
linfadenopatia inguinal

MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS HERPES CUTÂNEA


4. Infecções Cutâneas

• A pele intacta é resistente aos HSV


• Contaminação ocorre via escoriações
• São quase sempre graves e potencialmente
fatais quando ocorrem em indivíduos com
distúrbios cutâneos, como eczema ou
queimaduras, que permitem a extensa
replicação e disseminação do vírus.

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MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS


5. Encefalites
6. Herpes Neonatal
• A infecção por HSV pode ser adquirida in utero,
• Lesão do lobo temporal durante o parto normal ou após o nascimento
• Presença de pleiocitose (sobretudo linfócitos)
no líquido cefalorraquidiano + comum (75%), opção pela cesariana
• 1 em 5.000 partos por ano
• Diagnóstico definitivo - isolamento do vírus
por biópsia ou post-mortem • Recém-nascidos: baixa imunidade - doença grave
• Alta taxa de mortalidade ou deixa seqüelas • Taxa de mortalidade da doença não tratada - 50%
neurológicas residuais • Lesões: olhos, pele e boca; encefalite; e doença
disseminada em múltiplos órgãos.

HERPES NEONATAL
Infecções em indivíduos
imunocomprometidos

• Alto risco de infecções graves

• Pacientes HIV+/AIDS
• Pacientes com alto grau de desnutrição
• Pacientes submetidos a tratamento antineoplásico
• Na maioria dos casos, a doença reflete a reativação de infecção
latente por HSV.

Manifestações clínicas do HSV-2 são muito


DIAGNÓSTICO LABORATORIAL
características, tal como o herpes genital.

Manifestações clínicas do HSV-1 são


muito características, tal como o herpes
labial recorrente.

Usualmente, confirmação laboratorial


não é requerida!

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Outras manifestações não tão claras


necessitam de confirmação laboratorial! • Amostras clínicas: fluido vesical, fluido
cerebroespinhal, esfregaços do trato genital,
Exs. lesões atípicas, vesículas não visíveis garganta, olhos, reto, pele/mucosas,
(encefalite herpética, keratoconjuntivite, herpes lavados do trato respiratório, etc.
genital confinado ao cérvix, traqueobronquite,
doença disseminada (HIV +), etc.)

• Isolamento em cultura de células – gold


standard - método de escolha se o material for
coletado precocemente, colocado num meio
adequado para transporte, mantido em gelo e
transferido rapidamente para o laboratório

• Diagnóstico confirmatório em 24h por


• Fibroblastos humanos ou células VERO são imunofluorescência
permissivas à infecção pelo HSV

• Efeito citopático aparece em 2 a 7 dias –


característico em cachos de uva

• Diferenciação entre HSV-1 e HSV-2: não é relevante para


o tratamento - somente em casos de estudos
epidemiológicos

• Uso de anticorpos monoclonais específicos,


disponíveis no mercado – distinção entre os dois tipos

• Rapidez é crucial em
situações onde o paciente
necessita se beneficiar logo do • Diagnósticos mais rápidos: detecção dos
tratamento antígenos de HSV em células de lesões – detecção
por imnunofluorescência ou por detecção
• Por ex., teste de escolha para colorimétrica com imunoperoxidase
o diagnóstico da encefalite
herpética – deve ser rápido,
mas é difícil- uso do PCR para • Ensaios imunoenzimáticos ou radioimunoensaios
amplificar o DNA do HSV no também podem ser usados para detectar IgM anti-
fluido cerebroespinhal é HSV em fluido cerebroespinhal
conveniente por ser muito
mais rápido e mais sensível do • Sorologia só é usada atualmente para estudos
que o isolamento viral em epidemiológicos - Kits específicos para diferenciar
cultura de células. os 2 tipos
• A biópsia cerebral é muito
invasiva e não é mais usada!

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EPIDEMIOLOGIA
• Homem: único hospedeiro
• Distribuição mundial
• Transmissão por contato com secreções infectadas
• 90% das primo infecções são inaparentes (assintomáticas)
HSV-1
• É provável que seja o vírus mais constantemente encontrado em
humanos (>>>metade da população +)
HHV-3
• HSV-1: contato com saliva - primeiro contato de 6 meses a 3 anos

Vírus da Varicela-Zoster
Estabelece um estado de portador por toda a vida !

HSV-2
• Contato sexual, mãe infectada passa para o feto pelo parto,
transplacentária
• DST: 500.000 novos casos por ano
• Abortos espontâneos em mães com 20 semanas de gestação
(VZV)

Vírus da Varicela-Zoster Patogênese

• Porta de entrada: vias respiratórias, raramente -


• Família Herpesviridae
conjuntiva ou pele
• Subfamília: Alphaherpesvirinae
• Multiplicação do vírus no local de contaminação
• Gênero: Varicellovirus
• Disseminação hematogênica e linfática - fígado e
• Latência – Gânglios sensitivos da coluna baço
• Viremia secundária (após 11-13 dias)
• Causa: varicela ou catapora disseminando-se por todo o corpo e pele -
& exantema vesículo-pustular dérmico, febre e
herpes zoster ou cobreiro sintomas sistêmicos – Varicela (= CATAPORA)

Patogênese
• Após infecção primária - permanece
latente
• Pode haver reativação em adultos
(traumas físicos ou psíquicos) ou em
pacientes com imunidade comprometida

• O vírus migra das vias neurais para a pele


- erupção vesicular - Herpes zoster (=
cobreiro)
• Podem causar lesão nervosa, diminuição
da visão, paralisia, e dor intensa.
Varicela ou catapora

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Herpes zoster

Epidemiologia e prevenção
BIBLIOGRAFIA

• A transmissão é por via respiratória ou pelo


contato com vesículas cutâneas SANTOS, N.S.O.; ROMANOS, M.T.V.; WIGG, M.D. (Org.) Introdução à
Virologia Humana. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002.
• Os pacientes são contagiosos antes e durante 254p.
os sintomas
• Lesões são fonte de vírus para indivíduos não LUPI, O.; DA SILVA, A.G.; PEREIRA JR., A.C. (Org.) Herpes: clínica,
imunizados diagnóstico e tratamento. Rio de Janeiro: MEDSI,
• Varicela - surtos epidêmicos - inverno e início • TRABULSI, Rachid Luiz. Microbiologia. 3. ed. Rio de Janeiro:
primavera Atheneu.
• Varicela - gestante – feto (1 a 4 semanas antes • BIER, Otto. Microbiologia e Imunologia. 30. ed. São Paulo: Ed.
Melhoramentos.
nascimento) - catapora grave ou fatal