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DISCURSOS SOBRE AS ORGANIZAÇÕES

OU ORGANIZAÇÕES COMO DISCURSOS?


reflexões iniciais sobre
um velho conceito em um outro
contexto

Gislene Feiten Haubrich


Modelo Tradicional das
Organizações Empreendedorismo criativo
Estratégias

Agentes de mudança Corpo-si


Estruturas sociais
Simbólico

Pós moderno
Criatividade
Como as características de Compreender como a noção de
negócio emergentes do organização pode ser atualizada
cenário da economia criativa mediante o cenário evidenciado
oportunizam a atualização da em discursos sobre o panorama da
noção de organização? economia criativa no Brasil.
Corpus
banco de teses e dissertações da Capes
“economia criativa no Brasil”
“economia criativa”
1) Creative Economy Report, pela
UNESCO em 2013; seis dissertações:
- três em formato completo
2) Panorama da Economia Criativa - três resumos
no Brasil, pelo IPEA em 2013;
Interessa mencionar que estes
3) Mapeamento da Indústria Criativa estudos contemplam realidades dos
no Brasil, da FIRJAN em 2014. estados do nordeste (Ceará,
Pernambuco e Bahia), sudeste (Rio de
Janeiro) e sul (Paraná).
INDÚSTRIAS CULTURAIS
Se refere as formas de produção e consumo cultural que tem
o seu core no simbólico ou nos elementos expressivos.

INDÚSTRIAS CRIATIVAS
Conceito aplicado ao amplo conjunto produtivo de bens e serviços das indústrias culturais e
daquelas que dependem da inovação, como pesquisa e desenvolvimento de software.

ECONOMIA CRIATIVA

Contempla os processos e atividades culturais como o centro de uma nova economia, mas também contempla
outras manifestações de criatividade (brinquedos, jogos e P&D).
IPEA (Oliveira et al.) FIRJAN UNDP/ UNESCO

a) quando comparado com outros países,


considera-se baixa a intensidade criativa brasileira; - 2004: o Brasil impulsiona o campo da economia criativa
a) a classe de trabalhadores criativos cresceu 90% em
b) a economia criativa tem apresentado a partir de 2004;
10 anos, representando, em 2013, 1,8% do total de
acrescimento superior do que o restante da -2009: economia criativa passa a ser um dos cinco eixos
trabalhadores brasileiros;
conjuntura econômica nacional; que sustentam as conferências municipais e estaduais
b) São Paulo e Rio de Janeiro se destacam no
c) os trabalhadores apresentam mais escolaridade sobre cultura;
mercado de trabalho criativo;
e recebem salários mais altos do que a média - 2010: realização da conferência nacional;
c) a diferença entre a remuneração média brasileira
tradicional; -2012: estabelece-se a secretaria de economia criativa
de R$ 2.073 e a remuneração da classe criativa varia
d) ampliação da rotatividade empregatícia; vinculada ao MinC. O planejamento 2012-2014 tinha como
de R$ 2.853 no CE a até R$ 8.682 no RJ;
e) aponta-se a necessidade de pesquisas princípios de trabalho: diversidade cultural,
d) sobre as áreas criativas: consumo é a mais
específicas: - para mensuração do mercado sustentabilidade, inovação e inclusão social;
numerosa e dobrou entre 2004-2013; tecnologia é
informal da economia criativa, já que se acredita - destacam-se duas ações pontuais: programa Rio
destaque em remuneração; cultura é a menor na
que ela seja mais expressiva mediante a natureza Criativo, criação da “House of the Creative Economy”
economia formal, mas avançou 50% entre 2004-2013.
da economia criativa no Brasil; - para entender a (MG).
rotatividade.
a importância de uma agenda governamental
DISSERTAÇÕES
desenvolvimento de políticas públicas
Processo de institucionalização da economia criativa
modelos de administração da propriedade intelectual

“novas formas de solidariedade”.


adaptar modelo da UNCTAD
novo perfil de trabalhador

Relação entre cultura organizacional e inovação desafios: falta de investimento, falta de informação e
insuficiência de mão de obra.
Algumas conjecturas

- Relatórios do Ipea e da Firjan apontam a qualificação dos trabalhadores criativos como elemento
positivo em relação às demais instancias do mercado, dois estudos de dissertação destacam a falta de mão
de obra qualificada.
- Mobilidade dos profissionais e a informalidade

- Relatório da UNDP/ UNESCO aprecie diversas ações


realizadas pelo governo brasileiro, entre 2009 e 2013, para o fomento
do campo da economia criativa, os estudos de dissertação apontam
para a emergência de criação de políticas públicas para investimento
nas áreas criativas.
Porque repensar a noção de organizações?

- Contexto pós-moderno
- Física quântica, teorias da relatividade, do caos e da complexidade
- Mobilidade laboral
- Diversos papeis assumidos pelo sujeito ao longo de sua vida
- Afrouxamento dos vínculos institucionais
Escola de Montréal
“a organização emerge da comunicação” (TAYLOR; CASALI, 2010, p. 70).

“constituição comunicativa presumidamente incorpora o material (composição ou elementos), a forma


(enquadramento ou formação) e as causas de eficiência (princípios ou regras para gestão) que trazem a organização
à existência”. (NICOTERA; MCPHEE, 2009, p. 4, tradução nossa)

“o discurso é a real fundação sobre a qual a vida organizacional é construída” (FAIRHUST; PUTNAM, 2010, p.105)
Tensões e projeções

A economia criativa possibilita o transgredir das imposições advindas da


burocracia, da formalização e, também, da competitividade. Ela “difere de
outros setores em suas formas organizacionais e no mercado de risco
associado com produtos novos”, além do que “atividades criativas informais
requerem um tipo diferente de política de pensamento”. (UNDP/ UNESCO,
2013, p. 25; p.28).
Tensões e projeções

crescimento da economia criativa no Brasil


- fechamento de postos de trabalho ocasionado pelo alto custo do vínculo formal às organizações,
ou mesmo pela automatização de processos, obriga os sujeitos a buscarem alternativas para seu
sustento
- os diversos movimentos da sociedade, como a globalização e o afrouxamento dos vínculos institucionais, por
exemplo, também impulsionam os trabalhadores a buscar oportunidades que atendam aos seus valores, como o
equilíbrio entre competição e cooperação, a qualidade de vida, o desenvolvimento intelectual e cultural, dentre
outros

fio condutor da economia criativa a forma distinta de


encarar a produção de bens e serviços, ancorada em pilares
intangíveis como o conteúdo simbólico.
Assim...

as manifestações que concernem à economia criativa permitem um olhar


diferenciado às organizações, pois seu centro está numa modificação da relação
que o sujeito tem com o seu fazer, a sua atividade laboral, forma de expressão que
se considera indispensável para os estudos organizacionais fundamentados nas
interações cotidianas e nas suas implicações aos agregados coletivos historicamente
situados.
OBRIGADA!

Gislene Feiten Haubrich


gisleneh@gmail.com

Programa de Pós-graduação em
Processos e Manifestações Culturais