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SISTEMA PENITENCIÁRIO: A UTOPIA DOS DIREITOS HUMANOS

Jamile de Almeida Silva1

Patricia Cerqueira dos Santos2

RESUMO

O Sistema Penitenciário brasileiro apresenta poucos avanços humanitários no decorrer do seu processo histórico,
evidenciando o descumprimento da função ressocializadora da pena. Sendo assim, o presente trabalho busca
fazer uma análise da crise atual deste Sistema, a violação dos direitos humanos, bem como a violação de todos os
instrumentos legais que endossam direitos e garantias aos presos. Para este fim, foi empregado um processo de
sondagem e investigação bibliográfica. Nesta perspectiva, cabe-nos tratar da ineficácia dos presídios, em função
do descumprimento dos preceitos legais e princípios, a exemplo da dignidade da pessoa humana.

PALAVRAS CHAVES

Sistema Penitenciário; Realidade Prisional; Direitos Humanos.

ABSTRACT

The system Brazilian Penitentiary has few humanitarian advances in the course of its historical process,
demonstrating the failure of ressocializadora function pen. Thus, the present work seeks to analyze the current
crisis of this system, the violation of human rights, and the violation of all legal instruments that endorse rights
and guarantees to prisoners. To this end, we used a process of probing and bibliographic research. In this
perspective, it behooves us to deal with the ineffectiveness of prisons, due to noncompliance with the legal
provisions and principles, such as the dignity of the human person.

KEYS WORDS

Penitentiary system; Reality Prison; Human rights.

1
Acadêmica de Direito do 5º semestre, pela Universidade do Estado da Bahia.
2
Acadêmica de Direito do 5º semestre, pela Universidade do Estado da Bahia.
Introdução

A realidade do sistema penitenciário brasileiro atual tem acareado a função


ressocializadora da sanção penal, uma vez que subordina o preso ao tratamento desumano e
desonroso, durante o cumprimento da sua pena. O Estado constitui ao agente que deveria
prestar os direitos humanos e os princípios fundamentais tutelados pelos instrumentos
legais, contudo se mantém inerte e contribui para o descaso dos presídios.

No Brasil, a maioria dos presídios não possuem uma saúde de qualidade, o mínimo
de conforto e não executam atividades socioeducativas de cunho ressocializador, obstruindo
o acesso do ex-detento as oportunidades e inviabilizando a possibilidade de construção de
um futuro melhor.

Como metodologia foi executada a pesquisa bibliográfica, com embasamento na


Constituição Federal, na Lei de Execução Penal, no Código Penal, na Declaração Universal
dos Direitos Humanos e no Pacto de São José da Costa Rica, bem como diversas doutrinas e
artigos científicos publicados em revistas.

O presente artigo foi dividido em três tópicos. O primeiro tópico versa sobre a origem
das penas, bem como a realidade do local de cumprimento destas penas e os efeitos do
descumprimento das garantias legais. No segundo falamos sobre a violação dos direitos
humanos e dos princípios humanos. Ao final, no terceiro tópico, foram apontadas algumas
medidas alternativas para a solução da crise do sistema penitenciário.

2. Sistema penitenciário brasileiro

No Brasil, a evolução da pena está vinculada às Ordenações Filipinas (1603) e ao


Livro V das Ordenações do Rei Filipe II. Neste contexto histórico, a ideia de crime era
incorporada aos preceitos religiosos, ou seja, o crime era visto como um pecado que deveria
ser penalizado de forma cruel, geralmente pelos açoites, pena de morte, degredo, mutilações,
queimaduras, confisco de bens e multa.

Posteriormente, em 1891, foi promulgada uma Constituição que abolia a pena de


morte, a de galés e a de banimento judicial (pena perpétua). Embora esta Constituição
representasse um grande desenvolvimento para o Direito Penal, era necessário que fossem
realizadas algumas variações.

Sobre o Código Penal expedido em 1940, Nucci afirma que:


Na realidade, na ótica do legislador de 1940, foram criadas duas penas
restritivas de liberdade. Para crimes mais graves, a reclusão, de no máximo
30 anos. [...] A detenção, de no máximo três anos, foi concebida para crimes
de menor impacto: os detentos deveriam estar separados dos reclusos e
poderiam escolher o próprio trabalho, desde que de caráter educativo.
Sendo assim, entende-se que as penas, de acordo com o Código Penal atual, possuem a
finalidade retributiva e preventiva, isto é, visam a retribuição do delito cometido para evitar
que o indivíduo volte a delinquir e também a prevenção, que adere ao papel socializador do
indivíduo, como dispõe o artigo 59 do referido Código:

O juiz, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, à conduta social, à


personalidade do agente, aos motivos, às circunstâncias e consequências do
crime, bem como ao comportamento da vítima, estabelecerá, conforme seja
necessário e suficiente para reprovação e prevenção do crime.
O sistema prisional brasileiro pouco avançou no decorrer do processo histórico e trás
consigo marcas de um passado que reflete cruelmente nos dias atuais. Este sistema se
encontra em colapso tanto na sua estrutura física, quanto no que tange ao seu caráter
ressocializador. Ainda é utópico, em pleno século XXI, falar em garantias mínimas e respeito
aos detentos. Sendo que tais garantias não deveriam nem ser discutidas, tendo em vista que
são direitos e, portanto, devem ser efetivados.

A obra de Cessare Beccaria, “Dos Delitos e das Penas” (1764), se encaixa na realidade
prisional atual, embora ela tenha sido escrita no século XVIII. Beccaria trata das
arbitrariedades e critica as leis penais vigentes, trazendo em suas palavras, os anseios e as
necessidades de mudança naquele contexto penal.

Diante do que está sendo exposto e da realidade do sistema penitenciário brasileiro


atual, torna-se notório que este não vem exercendo a sua função socializadora. Deste modo, o
recluso, além de ser privado da sua liberdade, é submetido a condições desumanas que
contrariam valores, como o princípio da dignidade da pessoa humana.

O jurista Rogerio Greco tece várias críticas ao sistema prisional, afirmando que “nosso
problema não é um problema jurídico, e sim, um problema político”. Posto isto, nota-se que o
Estado negligencia os direitos básicos dos apenados. O que nos leva a crer que voltamos à era
medieval, contudo uma era investida de tecnologia.

As situações degradantes mais comuns no sistema penitenciário brasileiro são: as


péssimas condições de higiene e alimentação; a falta de assistência à saúde; a falta de espaço,
que resulta na superlotação das celas e na insalubridade do ambiente; a falta de investimentos
nas atividades socioeducativas; e os abusos oriundos dos agentes penitenciários.
Estes abusos podem ser ilustrados pelo massacre de Carandiru, em São Paulo, no ano
de 1992, onde houve a execução de 111 detentos por Policiais Militares. Vale ressaltar que
80% (oitenta por cento) destes aguardavam pelo julgamento definitivo, ou seja, ainda não
haviam sido condenados.

Ainda sobre a superlotação das celas, é importante destacar que o Brasil possui a
quarta maior população carcerária do mundo. Em 2015, o site G1 fez um levantamento que
demostra números alarmantes. O Brasil há uma população carcerária de 615.933 presos, onde
39% (trinta e nove por cento) destes estão em situação provisória, ou seja, são 238 mil presos
que ainda aguardam pelo julgamento.

A lei de Execução Penal preconiza, em seu artigo 84, que o preso provisório não
poderá ficar junto com o condenado por sentença transitado em julgado. No entanto, na
prática, é notória a divisão de celas entre os indivíduos que aguardam o julgamento e aqueles
que já foram condenados.

A LEP, no artigo 88, preconiza que:

O condenado será alojado em cela individual que conterá dormitório,


aparelho sanitário e lavatório.
Parágrafo único. São requisitos básicos da unidade celular:
a) salubridade do ambiente pela concorrência dos fatores de aeração,
insolação e condicionamento térmico adequado à existência humana;
b) área mínima de 6,00m2 (seis metros quadrados).
O procurador Eugênio Pacelli de Oliveira destaca a visão da sociedade sobre o sistema
penitenciário e a ideia de que a prisão constitui a uma escola do crime:

Há uma ilusão na sociedade: as pessoas acham que a prisão garante o


sossego e a segurança de todo mundo, mas, muitas vezes, a prisão é que
produz o próximo problema. Você colocar uma pessoa que não tem histórico
nenhum presa é algo muito complicado, pois a prisão é um ambiente de
violência, e isso afeta as pessoas.
É fundamental salientar que a instituição penitenciária atual não ressocializa os seus
apenados, todavia acarretam inúmeras consequências, como as rebeliões nos grandes
presídios e as fugas. A reincidência criminal representa o maior efeito da precariedade do
sistema penitenciário, tendo em vista que se o papel ressocializador não é efetivado, o
apenado, que não teve uma preparação para o seu retorno ao convívio social, voltará para o
crime.

Neste mesmo pensamento, Mirabete conclui que:

A ressocialização não pode ser conseguida numa instituição como a prisão.


Os centros de execução penal, as penitenciárias, tendem a converter-se num
microcosmo no qual se reproduzem e se agravam as grandes contradições
que existem no sistema social exterior. [...] A pena privativa de liberdade
não ressocializa, ao contrário, estigmatiza o recluso, impedindo sua plena
reincorporação ao meio social. A prisão não cumpre a sua função
ressocializadora. Serve como instrumento para a manutenção da estrutura
social de dominação. (MIRABETE, 2002, p. 145).
Diante do que foi exposto, é visível que as penitenciárias representam um espaço de
acúmulo de homens, sem que haja uma preocupação do Estado em assegurar as garantias
mínimas previstas. Os fatos atuais demonstram a utopia do ordenamento jurídico brasileiro e a
afronta aos direitos humanos, que clamam por melhorias urgentes. Sendo assim, entende-se a
necessidade de que o infrator seja privado da sua liberdade, mas que também seja regenerado,
a fim de que volte para a sociedade e de que haja uma redução nas taxas de criminalidade.

2.2 Sistema Penitenciário e Direitos Humanos

Os direitos humanos são aqueles fundamentais para que haja o desenvolvimento digno
da pessoa humana, de forma que representam as obrigações que têm o Estado com os seus
cidadãos. A Declaração Universal dos Direitos Humanos versa em seu artigo 1º que “Todos
os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de
consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade”.

Segundo Robert Alexy (2000, p. 24-31), os Direitos Humanos podem ser: universais,
que são aqueles titularizados por todos os seres humanos, sem que haja distinção; moralmente
válidos, tendo em vista que podem ser aceitos por uma fundamentação racional perante
qualquer pessoa que questione; fundamentais, são os direitos que têm por conteúdo os
interesses fundamentais, ou seja, são substancias para o contento das necessidades e
interesses; prioritários, isto é, são os direitos prioritários em relação ao direito positivo, haja
vista que os direitos humanos são essenciais para a legitimidade do direito positivo; abstratos,
pois necessitam de limitação ou restrição.

Diante do que foi exposto e da universalidade dos Direitos Humanos, entende-se que
estes direitos são inerentes ao indivíduo na condição humana, independente da sua condição
social. Por conseguinte, é possível inferir que os presos também são detentores destes direitos
fundamentais.

No âmbito nacional, as garantias ao preso estão previstas na Constituição Federal


(Artigo 5º) e na Lei de Execução Penal (Artigo 41, incisos I a XV). A CF, em seu artigo 5º,
inciso III, impede o tratamento desumano aos presos; o inciso XLVII, alínea "e" proíbe as
penas cruéis e o inciso XLIX, trata da garantia ao respeito à integridade física e moral dos
presos.

A LEP enumera algumas obrigações que o Estado possui com os apenados, como o
direito à alimentação, vestuário, educação, instalações higiênicas, assistência médica,
farmacêutica e odontológica; a assistência jurídica aos indivíduos que não podem custear os
serviços de um advogado; o direito ao seguimento do exercício das atividades profissionais,
desde que compatível com a pena; assistência social e religiosa; e o direito a reintegração ao
convívio social.

O direito social do trabalho do preso, cuja discussão é de bastante relevância, não é


regulamentado pela Consolidação de Leis do Trabalho. No entanto, o preso possui
remuneração, não podendo ser inferior a três quartos do salário mínimo e também são
asseguradas as garantias previstas pela Previdência Social.

É importante ressaltar que o trabalho do preso possui finalidade educativa e produtiva,


atribuindo ocupação durante o cumprimento da pena e evitando a ociosidade. Nesta
perspectiva, Mirabete deduz que:

É preparando o indivíduo pela profissionalização (mão-de-obra qualificada),


pela segurança econômica que vai adquirindo, pela ocupação integral de seu
tempo em coisa útil e produtiva e, conseqüentemente, pelo nascer da razão
de viver, pelo reconhecimento dos direitos e deveres, das responsabilidades e
da dignidade humana que se obterá o ajustamento ou reajustamento
desejado. Evidentemente, a profissionalização deve combinar-se com a
atividade produtiva e o processo de assistência social, devendo o condenado
dividir seu tempo, conforme determinarem as leis complementares e os
regulamentos, entre o aprendizado e o trabalho. (MIRABETE, Júlio Fabrini.
Execução penal. p. 91/92)

A Constituição Federal, o Código Penal e a Lei de Execuções Penais trazem um


tratamento diferenciado às mulheres e aos indivíduos com idade superior a setenta anos, visto
que eles apresentam uma maior fragilidade. Posto isto, cabe expor a obrigatoriedade de que os
referidos sujeitos cumpram suas penas em estabelecimentos próprios.

No âmbito internacional, o Pacto de São José da Costa Rica estabelece as garantias aos
presos, assim como prevê em seu artigo 5(2), o respeito para o indivíduo que tenha a sua
liberdade privada e a vedação as torturas, penas cruéis, desumanas e degradantes.

Francesco Carnelutti, notório jurista italiano, conclui que "basta tratar o delinquente
como um ser humano, e não como uma besta, para se descobrir nele a chama incerta do pavio
fumegante que a pena, em vez de extinguir, deve reavivar." (CARNELUTTI, 2002).
De acordo com a realidade do sistema penitenciário, o que se verifica é a incessante
violação dos direitos humanos e o descumprimento das regras legais que são consideradas
como fundamentais.

É importante destacar que a finalidade dos direitos humanos, no que tange os presos,
não é o de abrandar a pena privativa de liberdade ou torná-la aprazível, de forma que o caráter
retributivo da pena deixe de existir. Contudo, o que se defende é o tratamento humano
assegurado pela lei e a reinserção dos apenados ao convívio social.

3. Possíveis soluções

Diante da realidade do sistema penitenciário atual, torna-se fundamental que o Poder


Público e a sociedade discutam possíveis soluções e alternativas eficazes para as deficiências
existentes nos presídios e para a falta de legitimidade dos direitos previstos pelo ordenamento
jurídico brasileiro.

Dessarte, é necessário que o Estado cumpra com as suas obrigações perante os


apenados e que implemente um maior investimento na estrutura das penitenciárias,
viabilizando condições mínimas de higiene, saúde, alimentação e educação.

A educação e reeducação daqueles que estão cumprindo pena privativa de liberdade


possui grande importância. Portanto, os estabelecimentos prisionais devem ser municiados
por instrumentos e tecnologias que garantam à assistência a educação, tais como: a
implementação de bibliotecas, a instalação de cursos profissionais, aparelhos televisivos e
audiovisuais.

Uma alternativa para o problema da superlotação, em detrimento do descaso do


Estado, seria a privatização dos presídios; que já é uma realidade em outros países, como os
Estados Unidos e a Inglaterra.

Segundo Maria Sylvia Zanella Di Pietro, a privatização, em seu sentido amplo,


abrangeria:

a) a desregulação (diminuição da intervenção do Estado no domínio


econômico);

b) a desmonopolização de atividades econômicas;

c) a venda de ações de empresas estatais ao setor privado (desnacionalização


ou desestatização);
d) a concessão de serviços públicos (com a devolução da qualidade de
concessionário à empresa privada e não mais a empresas estatais, como
vinha ocorrendo);

e) os contracting out (como forma pela qual a Administração Pública celebra


acordos de variados tipos para buscar a colaboração do setor privado,
podendo-se mencionar, como exemplos, os convênios e os contratos de
obras e prestação de serviços); é nesta última formula que entra o instituto da
terceirização.

A privatização consiste na ideia de transferência da administração dos presídios para a


iniciativa privada. Todavia, o Poder Público não ficaria imune de obrigações, tendo em vista
que a sua função seria indelegável. Neste sentido, o Estado deveria continuar sendo
responsável pela fiscalização e pelos incentivos fiscais.

As penas alternativas também devem ser consideradas como medidas eficazes, uma
vez que correspondem a um instrumento que contribui para a ressocialização do apenado, em
função da reintegração deste ao meio social. Estas penas já estão previstas nos instrumentos
legais brasileiros, porém é inescusável que sejam, de fato, efetivadas.

Art. 43. As penas restritivas de direitos são:

I - prestação pecuniária;

II - perda de bens e valores;

III - limitação de fim de semana.

IV - prestação de serviço à comunidade ou a entidades públicas;

V - interdição temporária de direitos;

VI - limitação de fim de semana

O monitoramento eletrônico, disposto na Lei n. 12.258/2010, é uma alternativa a pena


privativa de liberdade, fazendo jus aos avanços da tecnologia; e consiste a uma forma de
controle de um indivíduo ou coisa, obtendo a sua exata localização. Existem quatro formas de
monitoramento eletrônico, sendo estas: a) pulseira; b) tornozeleira; c) cinto; d) microchip
subcutâneo.

O exercício efetivo do monitoramento eletrônico traz diversos benefícios, tanto para


o Poder Público, quanto para a sociedade, considerando-se que o Estado reduz gastos com o
aprisionamento, diminui a população carcerária, contribui para o desafogamento dos
presídios e permite que o indivíduo, durante o cumprimento da pena, tenha contato com a
sua família e com toda a sociedade.

O artigo 10º da LEP preceitua que “a assistência ao preso e ao internado é dever do


Estado, objetivando prevenir o crime e orientar o retorno à convivência em sociedade.
Parágrafo único: A assistência estende-se ao egresso.”

FOCAULT define:

Princípio da boa ‘’condição penitenciária’’: 7) O encarceramento deve ser


acompanhado de medidas de controle e de assistência até a readaptação
definitiva do antigo detento. Seria necessário não só vigia-lo à sua saída da
prisão, mas prestar-lhe apoio e socorro (boulet e benquot na Câmara de
Paris). [1945]: É dada assistência aos prisioneiros durante e depois da pena
com a finalidade de facilitar sua reclassificação (Princípio das instituições
anexas). (FOUCAULT, 2010, p. 257).

Deste modo, conclui-se que é imprescindível que o Estado propicie políticas públicas
para o desenvolvimento humano e para a reinserção dos presos na sociedade. Sendo também
interessante que eles possuam oportunidades após o cumprimento de sua pena, a fim de que
possam se manter em uma sociedade marcada pelo capitalismo.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O Presente artigo teve como objetivo a analise do sistema penitenciário Brasileiro e


todo o seu contexto critico no cenário atual, sedimentado na problematização da falta de
aplicabilidade das leis e na omissão do estado no que tange a efetivação dos direitos dos
presos principalmente em respeito a princípio da dignidade da pessoa humana. É preciso frisar
a importância do debate frente à realidade de um sistema que não cumpre a sua função já que
os presídios brasileiros se encontram em péssimas condições onde a única certeza é a
superlotação e as péssimas condições de higiene e saúde uma estrutura totalmente medieval
que não contribui com o caráter de ressocialização que tanto se almeja. Frente a essa ótica de
um verdadeiro sistema prisional em colapso faz se necessário a realização de medidas
urgentes pelo estado tanto na criação de novos presídios quanto no oferecimento da qualidade
dos mesmos, onde os apenados tenha condição de cumprir a sua pena com dignidade visto
que vivemos em uma sociedade pautada no estado democrático e garantidor de direitos e tal
premissa precisa ser efetivada já que o preso é um cidadão dotado de direitos e deve ser
respeitado. É preciso também que a educação nos presídios ganhe força e que a
ressocialização torne –se estáticas positivas e que o princípio da dignidade da pessoa humana
deixe de ser uma utopia e passe a fazer parte da realidade de uma sociedade que clama pela
aplicabilidade eficaz do direito.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS