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COLÉGIO MAUÁ

ENSINO MÉDIO –212


LITERATURA
PROFESSORA AGDA BARACY NETTO

Versificação
Versificação é a técnica e arte de escrever em forma de versos. Pode ser também o estudo dos recursos que
constituem o poema.

Verso

É cada linha do poema; é uma palavra ou conjunto de palavras com unidade rítmica. Eis um poema:

“Quem é esse viajante


Quem é esse menestrel
Que espalha esperança
E transforma sal em mel?”
(Milton Nascimento e Fernando Brant)

Os versos podem ser classificados em tradicionais ou livres. Quando eles possuem o mesmo número de
sílabas poéticas e quando o espaço entre as sílabas tônicas ocorre na mesma frequência ou mesmo ritmo, dizemos
que os versos são tradicionais. E são livres quando um verso, em comparação com o seguinte ou com o anterior,
não possui o mesmo número de sílabas ou quando as pausas entre as sílabas tônicas não têm regularidade.

Estrofe
É o conjunto de versos de um poema e, conforme o número de versos que a estrofe agrupa,
ela recebe denominações especiais.

- Monóstico – estrofe de um verso


- Dístico – estrofe de dois versos
- Terceto – estrofe de três versos
- Quadra ou quarteto - estrofe de quatro versos
- Quintilha – estrofe de cinco versos
- Sextilha – estrofe de seis versos
- Sétima ou Septilha – estrofe de sete versos
- Oitava – estrofe de oito versos
- Nona – estrofe de nove versos
- Décima – estrofe de dez versos

Poemas de Forma Fixa


Existem poemas que têm forma fixa, isto é, obedecem a regras quanto ao número de estrofes
e de versos e quanto à disposição das rimas. Dentre eles temos:

1- Balada: composto por três oitavas ou três décimas, que têm as mesmas rimas, seguidas de uma
quadra e uma quintilha.
2- Haicai: poema de origem japonesa, composto por três versos, sendo o primeiro e o último
pentassílabos e o segundo heptassílabo. Originalmente não possuía rima; no Brasil vem sendo
retomado de maneira rimada.
3- Rondó: formado de três estrofes: uma quintilha, um terceto e outra quintilha, com estribilho
constante.
4- Sextina: composição de seis sextilhas e um terceto, apresenta versos decassílabos.
5- Vilancete: composto por um terceto e duas oitavas.
6- Soneto: poema composto de catorze versos, sendo dois quartetos e dois tercetos, que apresenta,
geralmente, versos decassílabos ou alexandrinos.

Metro

É a extensão da linha poética, do verso. Na poética tradicional, há doze tipos de versos, de


acordo com o número de sílabas poéticas que o verso possui:

- Uma – Monossílabos;
- Duas – Dissílabos;
- Três – Trissílabos
- Quatro – Tetrassílabos
- Cinco – Pentassílabos ou redondilha menor (acentos na 2ª e 5ª)
- Seis – Hexassílabos (acentos na 2ª e 6ª sílabas)
- Sete – Heptassílabos ou redondilha maior (acentos na 3ª e 5ª)
- Oito – Octossílabos
- Nove – Eneassílabos ou jâmbicos (acentos na 3ª, 6ª e 9ª)
- Dez – Decassílabos = heroico (acentos na 6ª e 10ª) ou sáficos (acentos na 4ª, 8ª e 10ª)
- Onze – Hendecassílabos ou datílicos (acentos na 2ª, 5ª, 8ª e 11ª)
- Doze – Dodecassílabos ou alexandrinos (se os acentos forem na 6ª e 12ª)
- Mais de doze – Bárbaros

Sílabas Métricas
As sílabas métricas, também chamadas de poéticas, são as sílabas dos versos e têm uma
contagem diferente da sílaba gramatical. Dividir o verso em sílabas poéticas chama-se escandir.
A contagem das sílabas métricas é feita auditivamente, obedecendo aos seguintes preceitos:

a) só contaremos até a última sílaba tônica de um verso.


1 2 3
Tal / a / chu / va
1 2 3
Trans / pa / re / ce
1 2 3
Quan / do / des / CE

(va/ce/ce - são as sílabas átonas e não entram na contagem poética)

b) Quando em um verso uma palavra terminar por vogal átona e a palavra seguinte começar por vogal ou H
(que não tem som, portanto não é fonema, mas uma simples letra), dar-se-á uma elisão.
A/mo/-te, ó/ cruz/ no/ vér/ti/ce/ fir/ma/da
De es/plên/di/das/ i/gre/jas.

c) Sinérese: é a fusão de dois sons num só dentro da mesma palavra.


Lan/ça a/ poe/si/a

d) Diérese: o contrário da sinérese. Separa em sílabas distintas dois sons vocálicos dentro de uma mesma
palavra.

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Deus/ fa /la /, quan /do a/ tur /ba es/ tá/ qui /e/ ta

e) Hiato: é o contrário da elisão. Separa-se de dois sons interverbais (a sinérese e a diérese são intraverbais; a
elisão e o hiato são interverbais). Conferir elisão e hiato no exemplo a seguir:

E/ va/ ga
Ao/ lu/ ar
Se a/pa/ga
No / ar.

Rima
É a semelhança de sons entre as palavras que se localizam no fim ou no meio de versos
diferentes. Há, também, os versos sem rima, chamados de versos brancos ou livres.

Quanto à disposição, as rimas podem ser:

 Encadeadas- rimas de fim de verso com o anterior do verso seguinte:

“Quando a lua noite n’amplidão flutua


Pálida a lua com fatal calor,
Não sabes, virgem, que por ti suspiro
E que deliro a suspirar de amor

 Alternadas ou Cruzadas – apresentam-se em versos alternados. Esquema ABAB, por exemplo:

...casa A
...forte B
...brasa A
...norte B

 Emparelhadas ou Paralelas – sucedem - se duas a duas, ou seja, rimam-se os versos que se


sucedem. Esquema AABB, por exemplo:

...vento A
...lento A
...ponho B
...sonho B

 Intercaladas, Interpoladas ou Opostas – rimam os versos extremos de uma estrofe. Esquema


ABBA, por exemplo:
...viso A
...fraca B
...maca B
...riso A

 Continuadas – repetição da mesma rima ao longo do poema.


 Mistas – são as que não seguem esquematização regular.

Quanto à acentuação tônica podem ser:

 Oxítonas – agudas ou masculinas


 Paroxítonas – graves ou femininas
 Proparoxítonas – esdrúxulas

Quanto à morfologia podem ser:

 Ricas – rimas formadas por palavras de classes gramaticais diferentes: contente / tente
 Pobres – rimas formadas com palavras da mesma classe gramatical: coração / união
 Raras- formadas entre palavras para as quais há poucas rimas possíveis: leque/ peque
 Preciosas – são rimas obtidas de forma artificial, construídas com palavras combinadas: noute/
sou-te - ouvi-a/ alegria/ guia
 Coroadas – As que ocorrem dentro de um mesmo verso.
Ex.: O triste existe em sofrimento lento. (Castro Alves)