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Aluno: Francisco Fábio Ximenes Vasconcelos Matrícula.

20161015010071
Turma: S1 Curso: Engenharia Mecatrônica Período: 2016-1 Prof. Rogério

Introdução à engenharia: IEMEC01 – Inovação Tecnológica

Fortaleza – CE
2016
Sumário
1. Eletrônica................................................................................................................................3
1.1 Sensor captura 12 vezes mais cores que olho humano.....................................................3
1.2 Teletransporte quântico fica prático, seguro e confiável..................................................5
2. Energia....................................................................................................................................9
2.1 LEDs são fabricados com restos de alimentos.................................................................9
2.2 Sensor detecta fogo antes do cheiro e da fumaça...........................................................11
3. Espaço...................................................................................................................................13
3.1 O Universo está morrendo?............................................................................................13
3.2 Astrônomos brasileiros descobrem Sistema Solar 2.0....................................................16
4. Informática............................................................................................................................19
4.1 Quadros do futuro, negros ou brancos, serão eletrônicos...............................................19
4.2 Inteligência artificial cria truques de mágica com baralho.............................................21
4.3 Rede de neurônios artificiais aprende a usar linguagem humana..................................23
5. Materiais................................................................................................................................26
5.1 Metaespelho escolhe o que refletir.................................................................................26
6. Mecânica...............................................................................................................................28
6.1 Pneus que se autoconsertam estão a caminho................................................................28
6.2 Como uma tinta pode facilitar cortar um metal?............................................................30
7. Meio Ambiente......................................................................................................................32
7.1 Espelho de resfriamento irradia calor para o espaço......................................................32
7.2 Sensores de papel feitos no Brasil dão resultados em smartphones...............................35
8. Nanotecnologia.....................................................................................................................38
8.1 Monte seu próprio biochip conectando as peças............................................................38
8.2 Nanotecnologia torna ultrassom 1.000 vezes melhor.....................................................40
9. Robótica................................................................................................................................43
9.1 Exoesqueleto biônico faz paraplégico voltar a andar.....................................................43
9.2 Evolução robótica pode ajudar a explorar outros mundos.............................................45
9.3 Aprendizado cerebral: Ondas cerebrais de professor ensinam aluno.............................47
9.4 Pode ser possível construir híbrido de avião e submarino.............................................49
1. Eletrônica

1.1 Sensor captura 12 vezes mais cores que olho humano


Redação do Site Inovação Tecnológica – 07/10/2014

Informação espectral da mesma imagem, vista através de um sistema RGB de três cores (esquerda)
e por meio do novo sistema com 36 canais de cor (direita).[Imagem: Universidade de Granada]

Sensor multiespectral

Embora poucos se lembrem de filmes e fotografias em preto e branco, só há


poucos dias engenheiros conseguiram construir sensores de luz que realmente
enxergam em cores.
Os sensores de imagem das câmeras – os chamados CCDs – têm uma
arquitetura que consiste em um sensor monocromático (preto e branco) recoberto
por uma camada de filtros de cor (vermelho, verde e azul, ou RGB, na sigla em
inglês).
Esta arquitetura só permite extrair a informação de uma destas três cores em
cada pixel. Para extrair a informação das demais cores de cada pixel é necessário
aplicar algoritmos que, na maioria dos casos, estão entre os segredos mais bem

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guardados de cada fabricante.
Agora, pesquisadores italianos e espanhóis criaram um novo tipo de sensor
multiespectral que é capaz de capturar até 12 vezes mais informações de cores do
que o olho humano.
A nova arquitetura, batizada de Detectores de Campo Transversos
(TFD:Transverse Field Detectors), elimina a necessidade da camada de filtros de
cores utilizada hoje, e gera diretamente 36 canais de cores.

Profundidade dos fótons

A equipe tirou proveito do fato de que cada fóton penetra no sensor a uma
profundidade diferente dependendo do seu comprimento de onda, isto é, de sua cor.
Coletando os fótons a diferentes profundidades no material semicondutor, os
diferentes canais de cores podem ser separados sem a necessidade de filtros
ópticos.
Este princípio já havia sido explorado antes, mas Miguel Martínez e seus
colegas descobriram que “aplicando um campo elétrico transverso de intensidade
variável nós podemos modular a profundidade na qual os fótons em cada canal de
cor são coletados”.
“Imagens multiespectrais abrem uma série infinita de possibilidades dentro
dos mais diversos campos da ciência: imagens médicas, sensoriamento remoto,
imagens de satélite, aplicações industriais, visão robótica, carros sem motoristas e
um longo etcétera de usos potenciais, que atraem o interesse crescente de cada vez
mais cientistas e engenheiros de diferentes especialidades,” disse Martínez.

Bibliografia:

Combining transverse field detectors and color filter arrays to improve multispectral
imaging systems
Miguel A. Martínez, Eva M. Valero, Javier Hernández-Andrés, Javier Romero,
Giacomo Langfelder
Applied Optics
Vol.: 53, Issue 13, Page C14
DOI: 10.1364/AO.53.000C14

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1.2 Teletransporte quântico fica prático, seguro e confiável
Redação do Site Inovação Tecnológica – 02/06/2014

As informações gravadas no qubit no interior de um diamante são transferidas para outro qubit, no
interior de outro diamante, com 100% de garantia. [Imagem: Hanson Lab/TUDelft]

Teletransporte prático

Para um elétron aprisionado no interior de um diamante, o teletransporte


seguro já é uma realidade.
“O que é excepcional em nossa técnica é que é 100% garantido que o
teletransporte vai funcionar. A informação sempre chegará ao seu destino, por assim
dizer. E, mais importante, o método também tem o potencial para ser 100% preciso,”
garante o professor Ronald Hanson, da Universidade Tecnológica de Delft, na
Holanda.
O grupo do professor Hanson não foi o primeiro a conseguir realizar o
teletransporte quântico com garantia de funcionamento, algo realizado por duas
outras equipes em meados do ano passado, mas foi o primeiro a conseguir refazer o
experimento repetidamente com resultados precisos.
Embora o teletransporte estilo Jornada nas Estrelas continue sendo
impossível pelo que se conhece das leis da física, pode-se dizer agora que o

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teletransporte quântico tornou-se uma realidade prática.
Este é um passo essencial rumo à internet quântica, que promete
comunicação ultrarrápida entre computadores – além, é claro, dos próprios
computadores quânticos.

Teletransporte quântico

No teletransporte quântico, o dado contido em um qubit é transmitido à


distância para outro qubit instantaneamente, graças ao fenômeno do
entrelaçamento, em que duas partículas ficam “conectadas” de uma forma que
qualquer coisa que acontecer a uma alterará imediatamente a outra.
Neste novo experimento, os qubits estavam a três metros de distância uns
dos outros, mas a equipe já anunciou planos para repetir a nova técnica de
teletransporte a uma distância de 1.300 metros, entre dois laboratórios da
universidade.
Outras técnicas já permitiram realizar teletransportes a mais de 100 km, mas
a taxa de erro é grande demais para aplicações práticas.
Os pesquisadores garantem agora ter resolvido esse problema, trazendo a
taxa de erros para 0%.
Microfotografia do chip com quatro qubits – as informações são
teletransportadas entre qubits em chips diferentes, sem qualquer contato físico.
[Imagem: Hanson Lab/TUDelft]

Vacâncias de nitrogênio

O experimento usa qubits de diamante, produzidos em pontos conhecidos


como “vacâncias de nitrogênio”, um defeito que surge na estrutura atômica do
diamante quando um átomo de nitrogênio toma o lugar de um átomo de carbono.
Nesse caso, ao lado do átomo de nitrogênio gera-se um espaço vazio, onde
não cabe outro átomo de carbono. Mas os elétrons “soltos” dos átomos de carbono
ao redor ficam lá, por assim dizer aprisionados – são esses elétrons que são
utilizados como qubits.

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Microfotografia do chip com quatro qubits – as informações são teletransportadas entre qubits em
chips diferentes, sem qualquer contato físico. [Imagem: Hanson Lab/TUDelft]

Elétrons são melhores do que núcleos atômicos para funcionarem como


qubits, ou memórias quânticas, porque podem fazer cálculos mais rapidamente.
“Nós definimos o spin (direção de rotação) dessas partículas em um estado
predeterminado, verificamos esta rotação e, posteriormente, lemos os dados. E nós
fizemos tudo isso em um material que pode ser usado para fazer chips. Isto é
importante porque muitos acreditam que somente sistemas baseados em chips
podem ser ampliados para uma tecnologia prática,” explica Hanson.

Esta é a sala de teletransporte – no detalhe, o chip, no centro do qual estão os qubits em seus
microdiamantes. [Imagem: Hanson Lab/TUDelft]

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Einstein estava errado?

Os pesquisadores acreditam que, além de seu potencial prático, sua técnica


poderá se tornar um marco histórico no campo da física.
O experimento repetido a uma grande distância, segundo eles, poderá ser a
primeira demonstração que atenda aos critérios do chamado “teste de Bell
incontestável” (loophole-free Bell test).
Isto significa que seria a demonstração inequívoca – sem brechas, sem
possibilidade de contestação – das correlações não locais entre partículas,
comprovando que haveria influências “escondidas” além do espaço-tempo.
Seria então o primeiro caso em que os físicos se encheriam de orgulho ao
dizer que “Einstein estava errado” - Einstein nunca acreditou no entrelaçamento
quântico, que ele chamava de “ação fantasmagórica à distância”.

Bibliografia:

Unconditional quantum teleportation between distant solid-state quantum bits


W. Pfaff, B. Hensen, H. Bernien, S.B. van Dam, M.S. Blok, T.H. Taminiau, M.J.
Tiggelman, R.N. Schouten, M. Markham, D.J. Twitchen, R. Hanson
Science
Vol.: Published Online
DOI: 10.1126/science.1253512

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2. Energia

2.1 LEDs são fabricados com restos de alimentos


Redação do Site Inovação Tecnológica – 21/10/2015

Pontos quânticos e pontos de carbono

Dois pesquisadores da Universidade de Utah, nos EUA, descobriram uma


maneira de criar LEDs a partir de resíduos de alimentos e bebidas.
Além de reutilizar os resíduos alimentares, este desenvolvimento pode reduzir
os resíduos potencialmente prejudiciais de alguns tipos de LED feitos a partir de
elementos tóxicos.

Os pontos quânticos de carbono podem ser visualizados quando iluminados com luz
ultravioleta. [Imagem: Prashant Sarswat]

Alguns tipos de LED são produzidos com pontos quânticos, pequenos cristais
semicondutores que possuem propriedades luminescentes. Os pontos quânticos
podem ser feitos de vários materiais, mas os melhores são raros, caros e com sérios
problemas de descarte no fim da vida útil.
Por isso, nos últimos anos, alguns pesquisadores têm dado atenção a pontos
quânticos feitos de carbono, que passaram a ser conhecidos como pontos de

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carbono.
Em comparação com outros tipos de pontos quânticos, os pontos de carbono
têm baixa toxicidade e melhor biocompatibilidade, o que significa que eles podem
ser usados em uma variedade mais ampla de aplicações e não terão problemas de
descarte no final da vida útil.

OLEDs

Prashant Sarswat e Michael Free conseguiram transformar resíduos


alimentares de um tipo de bolo de milho conhecido como tortilla em pontos de
carbono e, a seguir em LEDs totalmente funcionais – a rigor, são OLEDs, ou seja,
LEDs orgânicos, uma vez que seu constituinte básico é o carbono.
Para criar os pontos de carbono, os resíduos alimentares foram submetidos a
uma síntese solvo térmica, na qual o lixo orgânico – pedaços de tortilla e refrigerante
– foi colocado em um solvente, sob pressão e temperatura elevadas, produzindo
diretamente os pontos de carbono.
Depois de confirmarem a formação dos pontos quânticos de carbono, foi só
uma questão de ver os LEDs funcionarem – em múltiplas cores.
Atualmente, uma das fontes mais comuns de pontos quânticos é o seleneto
de cádmio. Além de ser tóxico, o material também é caro – chegando a US$20.000 o
quilograma.
“Com resíduos de comida e bebida que já estão por aí, a nossa matéria-prima
é muito mais barata. Na verdade, é essencialmente grátis,” disse Sarswat.

Bibliografia:

Light emitting diodes based on carbon dots derived from food, beverage, and
combustion wastes
Prashant K. Sarswat, Michael L. Free
Physical Chemistry Chemical Physics
Vol.: 17, 27642-27652
DOI: 10.1039/C5CP04782J

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2.2 Sensor detecta fogo antes do cheiro e da fumaça
Redação do Site Inovação Tecnológica – 04/12/2015

Nariz eletrônico

O sensor possui a inteligência embutida para avaliar a leitura dos quatro detectores individuais.
[Imagem: KIT/HsKA]
Fios elétricos em curto-circuito estão entre as principais causas de incêndios.
Esse risco poderá ser minimizado a partir de agora graças a um sensor
desenvolvido por Rolf Seifert e seus colegas da Universidade Karlsruhe, na
Alemanha.
O sensor detecta o risco iminente do incêndio antes que os fios sequer
comecem a cheirar queimado ou mesmo a mudar de cor pela ação do calor – e bem
antes dos primeiros sinais de fumaça.
O dispositivo é um sensor híbrido, composto por quatro áreas feitas com
diferentes óxidos metálicos, que conseguem detectar gases de diferentes
composições e concentrações com altíssima sensibilidade.
Além disso, o dispositivo possui um chip rodando um software que avalia
continuamente a leitura dos quatro sensores individuais, avaliando os dados para
dar o alarme ao primeiro sinal de perigo.

Sensor híbrido

“Para o desenvolvimento do sensor, utilizamos o efeito de que vários gases


reagem de maneiras diferentes com óxidos metálicos sensíveis ao gás em função da
temperatura,” explicou o professor Heinz Kohler, coordenador da equipe.

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A medição simultânea da resistência elétrica nas quatro áreas do sensor
permite detectar a composição e a concentração dos gases assim que eles
começam a emanar dos fios, muito antes que o cheiro possa ser identificado pelos
narizes humanos.
“Sensores híbridos podem ser usados em qualquer lugar, como componentes
isolados ou em uma rede. Eles também podem ser combinados com a tecnologia de
segurança clássica, como as câmeras infravermelhas,” disse o professor Hubert
Keller, membro da equipe.

Bibliografia:

Numerical Signal Analysis of Thermo-Cyclically Operated MOG Gas Sensor Arrays


for Early Identification of Emissions from Overloaded Electric Cables
Rolf Seifert, Hubert B. Keller, Navas Illyaskutty, Jens Knoblauch, Heinz Kohler
Sensors & Transducers Journal
Vol.: 193, Issue 10, pp. 74-79

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3. Espaço

3.1 O Universo está morrendo?


Com informações do ESO – 11/08/2015

O projeto GAMA (Galaxy And Mass Assembly) é o maior rastreio já realizado em múltiplos
comprimentos de onda, feito com o auxílio de vários dos telescópios mais poderosos do mundo. A
imagem mostra a distribuição das galáxias dos vários mapeamentos.[Imagem: ICRAR/GAMA]

Geração de energia no Universo

Uma equipe internacional de astrônomos completou uma análise de mais de


200.000 galáxias, medindo a energia gerada numa enorme região do espaço com a
maior precisão já obtida até hoje.
Com os dados, eles fizeram a melhor estimativa da produção de energia no
Universo – ao menos na parte do Universo mais próxima de nós.
E concluíram que a energia produzida nesta região do Universo é hoje
apenas cerca da metade da energia produzida há dois bilhões de anos.
E como este enfraquecimento ocorre em todos os comprimentos de onda

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medidos – 21 ao todo, do ultravioleta ao infravermelho longínquo –, a equipe
concluiu que o Universo está morrendo lentamente.

Morte do Universo

O modelo cosmológico mais aceito estabelece que toda a energia do


Universo foi criada durante o Big Bang, sendo que uma parte foi criada como massa.
E as estrelas brilham ao converter massa em energia, tal como descrito na famosa
equação de Einstein E=mc2.
“Enquanto a maior parte da energia espalhada pelo Universo surgiu no
seguimento do Big Bang, energia adicional está sendo constantemente criada pelas
estrelas à medida que estas fusionam elementos como o hidrogênio e o hélio,” disse
Simon Driver, coordenador do projeto GAMA (Galaxy And Mass Assembly).
“Esta nova energia, ou é absorvida pela poeira à medida que viaja pela sua
galáxia hospedeira, ou escapa para o espaço intergaláctico e viaja até atingir alguma
coisa, como por exemplo outra estrela, um planeta ou, muito ocasionalmente, um
espelho de telescópio,” detalha Driver.

A queda na produção de energia das galáxias foi registrada em 21 comprimentos de onda. [Imagem:
ICRAR/GAMA]

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Destino do Universo

O fato de o Universo estar em declínio lento é uma ideia defendida desde o


final da década de 1990, e este novo esforço observacional ilustra como este
processo estaria acontecendo em todos os comprimentos de onda – ainda que
muitos astrônomos não concordem com a tese.
A equipe de pesquisadores espera poder expandir este trabalho mapeando a
produção de energia ao longo de toda a história do Universo, utilizando para isso
uma quantidade de novos observatórios, incluindo o maior radiotelescópio do
mundo, o SKA (Square Kilometre Array), que será construído na Austrália e na África
do Sul durante a próxima década.

Bibliografia:

Galaxy And Mass Assembly (GAMA): Panchromatic Data Release (far-UV-far-IR) and
the low-z energy budget
Simon P. Driver et al.
Monthly Notices of the Royal Astronomical Society
Vol.: Accepted Paper
http://www.simondriver.org/mwavev02.pdf

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3.2 Astrônomos brasileiros descobrem Sistema Solar 2.0
Com informações do ESO – 16/07/2015

Concepção artística do planeta gigante gasoso gêmeo de Júpiter em órbita de uma estrela gêmea do
Sol, a HIP 11915.[Imagem: ESO/M. Kornmesser]

Semelhanças cósmicas

Uma equipe internacional liderada pelo astrônomo Jorge Melendez, professor


no Instituto de Astronomia da USP, descobriu um planeta com uma massa muito
semelhante à de Júpiter, em órbita de uma estrela semelhante ao Sol.
Embora já se tenham descoberto muitos planetas semelhantes a Júpiter, a
uma variedade de distâncias de estrelas do tipo solar, o planeta agora descoberto,
tanto em termos de massa como de distância à sua estrela hospedeira, e em termos
de semelhança entre esta estrela e o nosso Sol, é o análogo mais preciso
encontrado até agora do Sol e de Júpiter.
De acordo com as teorias atuais, a formação de planetas com a massa de
Júpiter desempenha um papel importante na arquitetura dos sistemas planetários. A
existência de um planeta com a mesma massa e numa órbita semelhante à de
Júpiter em torno de uma estrela do tipo do Sol abre a possibilidade de que o sistema
planetário em torno desta estrela seja semelhante ao nosso próprio Sistema Solar.
A estrela HIP 11915 tem aproximadamente a mesma idade que o Sol e uma

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composição química semelhante à do Sol, o que sugere que possam existir também
planetas rochosos em órbitas mais próximas da estrela.
Até agora, os rastreios de exoplanetas têm sido mais sensíveis a sistemas
planetários que são povoados nas suas regiões mais internas por planetas muito
grandes, com massas de, no mínimo, algumas vezes a massa da Terra. Isto
contrasta com o Sistema Solar, onde existem pequenos planetas rochosos nas
regiões interiores e gigantes gasosos, como Júpiter, mais para o exterior.
De acordo com as teorias mais recentes, a arquitetura do Sistema Solar,
propícia ao desenvolvimento da vida como a conhecemos, foi possível graças à
presença de Júpiter e da sua influência gravitacional exercida no Sistema Solar
durante a fase da sua formação.
Isto leva a crer que encontrar um planeta gêmeo de Júpiter é um marco
importante na busca de um sistema planetário que seja semelhante ao nosso.

Terra 2.0 e Sistema Solar 2.0

A equipe liderada pelos brasileiros vinha observando estrelas do tipo do Sol


numa tentativa de encontrar um sistema planetário semelhante ao nosso.
“A procura de uma Terra 2.0 e de um Sistema Solar 2.0 completo é um dos
esforços mais excitantes da astronomia. Estamos muito entusiasmados por fazer
parte desta investigação de vanguarda, tornada possível pelas infraestruturas
observacionais disponibilizadas pelo ESO [Observatório Europeu do Sul],” disse
Jorge Melendez - o Brasil é sócio do Observatório Europeu do Sul.
A hospedeira do planeta, a gêmea solar HIP 11915, não é apenas semelhante
ao Sol em termos de massa, mas tem também aproximadamente a mesma idade.
Fortalecendo ainda mais as similaridades, a composição desta estrela é semelhante
à do Sol. A assinatura química do nosso Sol pode estar parcialmente marcada pela
presença de planetas rochosos no Sistema Solar, o que indica a possibilidade da
existência de planetas rochosos em torno da HIP 11915, que ainda deverão ser
localizados.
As atuais técnicas de detecção são mais sensíveis a planetas grandes ou
massivos situados próximo das suas estrelas hospedeiras. Planetas pequenos e de

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pequena massa estão, na maioria dos casos, além das nossas atuais capacidades
de detecção.

Bibliografia:

The Solar Twin Planet Search II. A Jupiter twin around a solar twin
M. Bedell1, J. Meléndez, J. L. Bean, I. Ramírez, M. Asplund, A. Alves-Brito, L.
Casagrande, S. Dreizler, T. Monroe, L. Spina, M. Tucci Maia
Astronomy and Astrophysics
http://www.eso.org/public/archives/releases/sciencepapers/eso1529/eso1529a.pdf

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4. Informática

4.1 Quadros do futuro, negros ou brancos, serão eletrônicos


Redação do Site Inovação Tecnológica – 04/05/2015

Embora ainda esteja mais para um quadro cinza, o princípio funcionou com boa resolução. [Imagem:
Yusuke Komazaki/University of Tokyo]

Quadro eletrônico

Acaba de nascer uma versão eletrônica dos quadros negros e quadros


brancos usados nas salas de aula.
Yusuke Komazaki, da Universidade de Tóquio, adaptou a tecnologia de papel
eletrônico para criar uma versão de baixo custo que pode ser escrita à mão.
O protótipo pode ser visto como um salto tecnológico em relação aos
brinquedos muito populares antes do advento dos computadores, nos quais as
crianças podiam desenhar ou escrever e depois apagar tudo deslizando uma
pequena barra.
Para alcançar uma resolução melhor, Komazaki usou micropartículas
bicolores de 10 micrômetros de diâmetro.

Giz eletrônico

Um dos hemisférios de cada partícula é preto e possui uma carga negativa,


enquanto o outro é branco e possui uma carga positiva. Quando colocadas entre
dois eletrodos, a inversão da tensão faz com que as partículas mudem de posição,

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alternando sua parte visível entre branco e preto.
Para que seja possível escrever nesse quadro eletrônico, o hemisfério preto
possui nanopartículas magnéticas, que são atraídas por um "giz magnético" - nesta
demonstração do conceito, o pesquisador usou uma chave de fenda com um
pequeno ímã na ponta.
Em vez de um apagador, basta apertar um botão para que a inversão da
tensão vire novamente a face branca das partículas para a frente, apagando tudo o
que havia sido escrito, limpando o quadro e deixando-o pronto para novas lições.

Melhor contraste

Komazaki afirma que a grande vantagem do seu quadro eletrônico é o baixo


custo de todos os materiais utilizados, além da possibilidade de construção de
quadros realmente grandes.
O pesquisador afirma que agora está trabalhando para aumentar o contraste
da tela, o que ele acredita ser possível melhorando a aplicação dos pigmentos
pretos e brancos, ou usando outros conjuntos de cores.

Bibliografia:

Electrically and Magnetically Dual-driven Janus Particles for Handwriting-enabled E-


paper
Y. Komazaki, H. Hirama, T. Torii
Journal of Applied Physics
Vol.: 117, 15450
DOI: 10.1063/1.4917379

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4.2 Inteligência artificial cria truques de mágica com baralho
Redação do Site Inovação Tecnológica - 17/11/2014

Para dar uma sensação de maior modernismo, o mágico pode usar um aplicativo desenvolvido para
celular. [Imagem: Williams/McOwan]

Princípios psicológicos e matemáticos

Um programa de inteligência artificial aprendeu como criar truques de mágica


com o baralho – truques que então podem ser reproduzidos por um mágico para
impressionar sua plateia.
O programa recebeu informações sobre como lidar com as cartas de baralho
para criar os truques e uma interpretação de como a mente humana é ludibriada por
esses truques.
Com essas informações, o sistema cria variantes completamente novas de
truques de adivinhação que se mostraram efetivas com experimentos com o público
em uma loja de mágica de Londres.
Os truques de mágica criados pelo programa são do tipo que usa técnicas
matemáticas, em vez de habilidades manuais ou outras teatralidades, e envolve
descobrir uma carta selecionada por um membro da plateia.
“A inteligência computacional pode processar quantidades de informação
muito maiores e checar todos os resultados possíveis de uma forma que é quase

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impossível para uma pessoa fazer por conta própria. Assim, embora um membro da
plateia já possa ter visto uma variação do truque antes, a inteligência artificial pode
usar princípios psicológicos e matemáticos para criar muitas versões diferentes e
manter o público impressionado,” disse Howard Williams, da Universidade Queens
Mary de Londres, um dos criadores do programa.

Mágica de computador

Criar truques de adivinhar cartas em um baralho envolve vários fatores


simultâneos, tais como o tamanho do baralho, o número de cartas envolvidas, o
número de naipes que aparecem e desaparecem e a forma como o quebra-cabeça
pode ser arranjado.
O trabalho do programa envolve montar um quebra-cabeças para mostrar
uma série de naipes ou um determinado número de cartas e, após embaralhar as
cartas, fazer essa série ou a carta selecionada reaparecer usando um princípio
geométrico, e eventualmente seguindo palpites - inócuos - dados pela plateia.
Algo tão complexo é ideal para um algoritmo processar e tomar decisões
sobre quais fatores são mais importantes. Usando a inteligência artificial, os truques
são montados de forma a identificar uma carta específica usando a menor
quantidade possível de informação.
Para dar uma sensação de maior modernismo, o mágico pode usar um
aplicativo desenvolvido para celular, que evita que ele tenha que se lembrar da
ordem das cartas.
O aplicativo, chamado Phoney, está disponível na Google Play Store.

Bibliografia:

Magic in the machine: a computational magician's assistant


Howard Williams, Peter W. McOwan
Frontiers in Psychology
Vol.: 5:1283
DOI: 10.3389/fpsyg.2014.01283

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4.3 Rede de neurônios artificiais aprende a usar linguagem humana
Com informações da Universidade de Sassari – 17/11/2015

O modelo questiona a abordagem mais usada nas neurociências, de que o cérebro funcionaria como
um computador. [Imagem: ANNABELL Project/Un. Sassari]

Modelo cognitivo

Um modelo cognitivo, composto por dois milhões de neurônios artificiais,


simulados em software, mostrou-se capaz de aprender a se comunicar usando a
linguagem humana a partir de um estado de “mente em branco”, somente através da
comunicação com um interlocutor humano.
A pesquisa lança novas luzes sobre os processos neurais que fundamentam
não apenas o desenvolvimento da linguagem, mas todo o processo de
funcionamento da mente humana, além de questionar os modelos mais usados
pelas neurociências.
O modelo, chamado ANNABELL (sigla em inglês para Rede Neural Artificial
com Comportamento Adaptativo Usado para Aprendizagem de Línguas), foi
desenvolvido por um grupo de pesquisadores das universidades de Sassari (Itália) e
Plymouth (Reino Unido).

Analogia cérebro computador

As neurociências já aprenderam um bocado sobre os neurônios e suas


interconexões – as sinapses. Mas um conhecimento detalhado de um neurônio

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individual e de quais são as funções das várias áreas do cérebro em que bilhões
deles ficam ativos ao mesmo tempo não são suficientes para dar pistas sobre como
o cérebro executa suas funções cognitivas.

Uma tendência na comunidade científica tem sido pensar que o cérebro


funciona de forma semelhante a um computador, já que os computadores também
funcionam através de sinais elétricos. De fato, muitos pesquisadores têm proposto
modelos baseados na analogia "cérebro-funciona-como-um-computador" desde o
final dos anos 1960.
Entretanto, além das diferenças estruturais entre neurônios e transistores,
existem diferenças profundas entre o cérebro e um computador, especialmente nos
mecanismos de aprendizagem e de processamento de informação. Computadores
funcionam através de programas – instruções passo a passo – desenvolvidos por
programadores humanos, e não há nenhuma evidência da existência de tais
programas em nosso cérebro.
Hoje, muitos pesquisadores já aceitam que o nosso cérebro é capaz de
desenvolver habilidades cognitivas elevadas simplesmente através da interação com
o meio ambiente, a partir de muito pouco conhecimento inato – o que equivale dizer,
naquela analogia com o computador, que o cérebro não tem programas.

Plasticidade e comutação sinápticas

O modelo ANNABELL parece confirmar essa abordagem, funcionando sem


qualquer conhecimento pré-codificado sobre a linguagem: ele aprende a conversar
apenas através da comunicação com um interlocutor humano, graças a dois
mecanismos fundamentais, que também estão presentes no cérebro biológico: a
plasticidade sináptica e a comutação sináptica.
A plasticidade sináptica é a capacidade das conexões entre dois neurônios
para aumentar sua eficiência quando os dois neurônios são frequentemente
disparados simultaneamente, ou quase simultaneamente.
O mecanismo de computação sináptica, ou comutação neural, é baseado nas
propriedades de determinados neurônios (chamados neurônios biestáveis) para se

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comportarem como interruptores que podem ser ligados ou desligados por um sinal
de controle vindo de outros neurônios. Quando ligados, os neurônios biestáveis
transmitem o sinal de uma parte do cérebro para outra, caso contrário bloqueiam o
sinal – isto sim, é muito parecido com um transístor eletrônico.

Programa aprende a falar

Simulando esses dois mecanismos nos neurônios artificiais modelados em


software, o programa se mostrou capaz de aprender a falar e se comunicar com um
interlocutor humano.
Ele foi validado usando um banco de dados de cerca de 1.500 sentenças de
entrada, selecionadas com base na literatura sobre o desenvolvimento da
capacidade de falar dos seres humanos.
O programa respondeu elaborando cerca de 500 novas frases, que contêm
substantivos, verbos, adjetivos, pronomes e outras classes gramaticais,
demonstrando a capacidade de se expressar por meio de uma linguagem humana
que não lhe foi ensinada previamente.
Com modelos mais próximos da realidade, a expectativa é que sistemas de
inteligência artificial, usados em programas de computador e em robôs, tornem-se
capazes de aprender de forma mais parecida com a humana, sem depender de
programas que especifiquem cada passo desses raciocínios artificiais.

Bibliografia:

A Cognitive Neural Architecture Able to Learn and Communicate through Natural


Language
Bruno Golosio, Angelo Cangelosi, Olesya Gamotina, Giovanni Luca Masala
PLoS ONE
Vol.: 10 (11): e0140866
DOI: 10.1371/journal.pone.0140866

25
5. Materiais

5.1 Metaespelho escolhe o que refletir


Redação do Site Inovação Tecnológica – 12/03/2015

O metaespelho reflete um comprimento de onda em um ângulo determinado (feixe azul), mas é


transparente para todas as demais cores (ilustrado pelo vermelho). [Imagem: V. Asadchy/Aalto Univ.]

Metaespelho

Viktar Asadchy, da Universidade Aalto, na Finlândia, criou um novo tipo de


espelho, feito de metamateriais, que reflete a luz apenas de um ângulo determinado.
Além disso, a superfície artificialmente projetada responde à luz apenas de
uma frequência específica, sendo totalmente transparente a qualquer outra cor.
O material é formado por minúsculas antenas incorporadas em um material
transparente e flexível, um "metaespelho" que dispensa totalmente o material
reflexivo tradicional.
O metaespelho pode ser aplicado sobre outras superfícies para formar
espelhos que viram janelas, e vice-versa, assim como para refletir a luz em uma
determinada direção ou focá-la em um ponto, como um espelho curvo normal.
Isto pode ser muito interessante para substituir as antenas parabólicas ou
para recobrir os painéis solares dos satélites artificiais, deixando a luz do Sol passar

26
para gerar eletricidade e refletindo os sinais de comunicação na faixa das micro-
ondas.

A propósito, embora garantam que o conceito funciona para a luz visível, a


equipe fez seus protótipos para operarem justamente em micro-ondas, cujo
comprimento de onda é maior e, portanto, mais fácil de manipular.

Inclusões ômega

O metaespelho é formado por uma série de fios e bobinas de cobre que os


pesquisadores batizaram de “inclusões ômega”, porque a estrutura lembra a letra
grega ômega (Ω).
Quando a radiação de micro-ondas na frequência ressonante (determinada
pelo tamanho das inclusões ômega) atinge o metaespelho, ela induz correntes
elétricas nos fios e bobinas que, por sua vez, reemitem ou espalham micro-ondas da
mesma frequência - para todas as demais frequências, o material será transparente.
No ano passado, pesquisadores do MIT, nos EUA, criaram um espelho que
pode virar janela, alternando entre transparente e refletor dependendo do ângulo de
incidência da luz.
Aquela técnica usa um cristal especial, formado por 80 camadas ultrafinas de
dois materiais diferentes – vidro comum e óxido de tântalo –, que opera com a luz
que o atravessa, diferentemente deste novo material, que trabalha refletindo a
radiação.

Bibliografia:

Functional Metamirrors Using Bianisotropic Elements


V. S. Asadchy, Y. Ra’di, J. Vehmas, S. A. Tretyakov
Physical Review Letters
Vol.: 114, 095503 (2015)
DOI: 10.1103/PhysRevLett.114.095503

27
6. Mecânica

6.1 Pneus que se autoconsertam estão a caminho


Redação do Site Inovação Tecnológica – 29/09/2015

A borracha para pneus se une sozinha mesmo quando é totalmente seccionada. [Imagem: Amit Das
et al. - 10.1021/acsami.5b05041]

Sem vulcanização

Pela primeira vez, químicos conseguiram fabricar uma borracha própria para
uso em pneus sem o processo de vulcanização, que tem sido essencial para a
fabricação dos pneus infláveis desde a sua invenção, nos anos 1920.
A vulcanização envolve a adição de enxofre ou outros compostos para tornar
a borracha mais durável mantendo sua elasticidade – durante o processo, as
cadeias poliméricas se unem por ligações covalentes.
O problema é que qualquer objeto cortante ou perfurante vai estragar o pneu
e exigir um reparo que, ainda que permita que o pneu volte a rodar, nunca lhe dará

28
de volta sua resistência original.

Materiais autocicatrizantes

A solução foi encontrada por Amit Das e seus colegas das universidades de
Dresden (Alemanha) e Tampere (Finlândia) em uma nova geração de materiais
conhecidos como “autocicatrizantes”, uma categoria de materiais inteligentes que se
rearranja de forma autônoma para corrigir uma falha estrutural.
Já existem diversas versões autocicatrizantes de borrachas e polímeros em
geral, mas nenhum deles havia alcançado a estabilidade necessária para a
fabricação de pneus.
Utilizando um novo processo simples, que evita completamente a
vulcanização, os pesquisadores modificaram quimicamente uma borracha comercial
para produzir um material durável e elástico que se autoconserta.

Agentes de ligação

Embora o processo possa ser acelerado aquecendo o pneu a 100º C por 10


minutos, a resistência máxima foi recuperada em estado de repouso depois de 8
dias, quando a borracha resistiu a uma tensão de 754 libras por polegada quadrada.
Os pesquisadores afirmam que o material poderia ser ainda mais reforçado
pela adição de agentes de ligação, como a sílica ou o negro de fumo.

Bibliografia:

Ionic Modification Turns Commercial Rubber into a Self-Healing Material


Amit Das, Aladdin Sallat, Frank Böhme, Marcus Suckow, Debdipta Basu, Sven
Wiebner, Klaus Werner Stöckelhuber, Brigitte Voit, Gert Heinrich
ACS Applied Materials & Interfaces
Vol.: 7 (37), pp 20623-20630
DOI: 10.1021/acsami.5b05041

29
6.2 Como uma tinta pode facilitar cortar um metal?
Redação do Site Inovação Tecnológica – 21/09/2015

O fluxo sinuoso aparece destacado na imagem à esquerda. À direita, a redução repentina da força
necessária ao corte quando a ferramenta chega à área pintada. [Imagem: Ho Yeung/Koushik
Viswanathan/Purdue University]

Fluxo sinuoso

Engenheiros da Universidade Purdue, nos EUA, descobriram um tipo de


deformação desconhecida até agora, que ocorre nos metais quando eles são
submetidos a estresse, o que inclui operações de dobra e corte.
O fenômeno, batizado de fluxo sinuoso, foi descoberto usando
microfotografias de alta velocidade e simulações computadorizadas.
Ao ser cortado, o metal se deforma em dobras, contrariando as teorias
anteriores, que afirmavam que o metal se cisalharia uniformemente – as dobras
lembram as que ocorrem no mel sendo derramado em uma vasilha.
“Quando o metal se rompe durante um processo de corte, ele forma essas
dobras finamente espaçadas, que pudemos ver pela primeira vez somente por
causa da observação direta em tempo real,” disse o professor Ho Yeung.

Dobraduras metálicas

A boa notícia é que a observação permitiu descobrir uma forma de evitar as


dobraduras no metal.
E a supressão desse fenômeno poderá aumentar a eficiência de todos os

30
processos de trabalhar metais, do corte de chapas à usinagem e torneamento.
Além da melhor qualidade do processamento, haverá um ganho substancial
no consumo de energia, uma redução drástica na força que deve ser aplicada às
peças e um menor tempo de processamento.

Tinta mágica

Os experimentos mostraram que a força de corte – a força aplicada por uma


prensa, por exemplo – pode ser reduzida em 50% simplesmente pintando a
superfície metálica com uma tinta comum, o que, por razões ainda desconhecidas,
suprime o fenômeno do fluxo sinuoso.
Mais estranho ainda, a pintura deve ser feita não na superfície que está sendo
trabalhada, mas no verso dela, no outro lado da chapa.
“Isto pode soar estranho, até mesmo ridículo, para as pessoas da área,
porque o corte não está acontecendo na superfície pintada, ele está ocorrendo a
uma certa profundidade abaixo,” comentou o professor Koushik Viswanathan.
Mas o importante é que funciona. Para tirar a prova, a equipe pintou apenas
metade de uma chapa: quando a ferramenta de corte chegou na porção pintada, a
força aplicada caiu imediatamente para a metade.
A equipe afirma que poderá haver muitos ganhos adicionais quando o fluxo
sinuoso for completamente compreendido - assim como sua supressão quase por
mágica –, alcançando praticamente toda a indústria metal-mecânica.

Bibliografia:

Sinuous flow in metals


Ho Yeung, Koushik Viswanathan, Walter Dale Compton, Srinivasan Chandrasekar
Proceedings of the National Academy of Sciences
Vol.: 112 no. 32, 9828-9832
DOI: 10.1073/pnas.1509165112

31
7. Meio Ambiente

7.1 Espelho de resfriamento irradia calor para o espaço


Redação do Site Inovação Tecnológica – 28/11/2014

Além de refletir toda a energia do Sol, o material ainda pega o calor debaixo dele e o envia para o
espaço – sem gastar energia. [Imagem: Nicolle R. Fuller/Sayo-Art LLC]

Absorve e irradia

Imagine um revestimento que não gasta energia e é capaz de não apenas


refletir praticamente toda a energia recebida do Sol, mas também capturar o calor
por debaixo dele e o irradiar de volta ao espaço de uma forma que não aqueça o ar
circundante.
Não precisa forçar tanto a imaginação: por mais que pareça ficção científica,
um material capaz de fazer tudo isto sem consumir eletricidade acaba de ser criado
por Aaswath Raman e seus colegas da Universidade de Stanford, nos Estados
Unidos.
Se puder ser fabricado em larga escala, o revestimento poderá se traduzir em

32
carros que não esquentam sob o Sol ou prédios e casas que evitam e eliminam o
calor sem precisar ligar o ar-condicionado.
O material multicamada é um melhoramento substancial, em termos de
composição e de eficiência, em relação ao trabalho apresentado pela mesma equipe
em 2013, quando eles apresentaram a primeira versão do seu revestimento térmico
passivo.

Revestimento térmico passivo

O revestimento consiste em sete camadas de materiais aplicados como se


fossem tinta sobre um substrato de sustentação – o revestimento propriamente dito
mede apenas 1,8 micrômetro de espessura, mais fino do que uma folha de papel
alumínio.
Quatro camadas são feitas de dióxido de silício (SiO2) e dióxido de háfnio
(HfO2) aplicados sobre uma primeira camada de prata. Fazendo cada camada com
uma consistência e uma espessura precisas, foi possível construir um espelho
ultraeficiente para vários comprimentos de onda, o que o torna capaz de refletir 97%
de toda a energia incidente.
As três camadas superiores são feitas dos mesmos materiais, mas mais
grossas e na forma de um sanduíche com o HfO2 servindo de recheio. O papel do
trio é capturar o calor que vem por baixo do revestimento e reemiti-lo ao espaço,
sem aquecer o ar circundante.
Isto é possível porque a energia infravermelha – o calor – é formada por
diversos comprimentos de onda, entre seis e 30 micrômetros. As moléculas do ar
são boas em absorver as duas extremidades desse espectro, o que faz com que o
fogo ou um forno aqueça o ar ao seu redor. Mas a porção intermediária do
infravermelho – entre 8 e 13 micrômetros - passa direto pelo ar e é irradiada para o
espaço.
As três camadas finais do revestimento fazem o que os pesquisadores
chamam de “resfriamento radiativo fotônico”, convertendo os fótons infravermelhos
para os comprimentos de onda da porção central do espectro, liberando-os então
em direção ao espaço.

33
Háfnio

O protótipo, do tamanho de uma pizza, conseguiu resfriar a superfície por


baixo dele em 5º C sob sol forte.
A equipe agora pretende construir protótipos maiores e deverá fazer estudos
da viabilidade econômica do uso do revestimento. Embora seja usado em
quantidades mínimas, o háfnio é um material raro e com preço ao redor dos US$600
o quilograma.

Bibliografia:

Passive radiative cooling below ambient air temperature under direct sunlight
Aaswath P. Raman, Marc Abou Anoma, Linxiao Zhu, Eden Rephaeli, Shanhui Fan
Nature
Vol.: 515, 540-544
DOI: 10.1038/nature13883

34
7.2 Sensores de papel feitos no Brasil dão resultados em smartphones
Com informações da Agência Fapesp – 26/03/2014

Outra novidade é a integração dos sensores com aplicativos que rodam em smartphones, reduzindo
ainda mais o custo operacional e facilitando o uso dos novos sensores.[Imagem: Maiara Oliveira
Salles]

Pesquisadores do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP)


desenvolveram dois novos tipos de sensores que podem ajudar detectar drogas e
substâncias perigosas, monitorar o meio ambiente e, no futuro, ajudar a rastrear
doenças.

A grande vantagem do trabalho é substituir métodos caros e materiais


especiais de laboratório por papel simples, como folhas de sulfite e filtro de papel
similar ao usado para coar café.
O primeiro é um sensor eletroquímico, baseado em reações químicas que
produzem energia. O segundo sensor é colorimétrico, fundamentado na
quantificação de uma substância pela percepção da cor.
“Tivemos a ideia de desenvolver dispositivos usando folha de sulfite ou outros
tipos de papel utilizados em impressoras convencionais porque são materiais
abundantes e fáceis de serem conseguidos em qualquer lugar do mundo”, disse
Thiago Régis da Paixão, coordenador do projeto.

35
Outra novidade foi introduzida pela pesquisadora Maiara Oliveira Salles, que
integrou os sensores a aplicativos que rodam em smartphones, reduzindo ainda
mais o custo operacional e facilitando o uso da plataforma.
Isso permitirá o rastreamento de substâncias e o monitoramento de doenças
“em locais remotos, sem a necessidade da infraestrutura de um laboratório de
análise e pessoas treinadas para usá-los,” afirmou Paixão.

Sensores de papel

Os pesquisadores utilizam uma impressora de cera para imprimir na


superfície de uma folha de papel sulfite círculos brancos, com diâmetro de 1,6
centímetro e separados um do outro, onde são colocadas soluções ou amostras do
material que se pretende analisar.
As folhas impressas são colocadas em uma estufa ou prensa térmica por três
minutos e a 120 ºC. O processo de aquecimento faz com que a cera derreta e
penetre todas as camadas do papel, formando uma barreira hidrofóbica
(impermeável) que possibilita que a solução só penetre e fique confinada nos
círculos brancos, que não receberam a impressão da cera.
Por meio de uma transparência com desenhos vazados, os pesquisadores
pintam eletrodos na folha de sulfite impressa, utilizando uma tinta com condutividade
elétrica (condutora) de prata.
Após a secagem da tinta, cada célula eletroquímica é recortada com uma
tesoura, de modo a formar um dispositivo eletroquímico descartável com três
eletrodos.
Ao ser conectado a um potenciostato (equipamento usado para aplicar um
potencial e medir a corrente elétrica de uma solução condutora), o sensor
eletroquímico à base de papel pode detectar ácido pícrico – um explosivo – e
chumbo, que é um componente de resíduos de pólvora, afirmou Paixão.
O sensor colorimétrico inclui nos círculos brancos – desta vez impressos em
papel de filtro – compostos químicos que reagem que as substâncias que se deseja
monitorar.

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Aplicações

Além de detectar explosivos, os sensores têm sensibilidade para íons cloreto


e metais pesados, o que possibilita a sua utilização para monitoramento ambiental.
O projeto dos pesquisadores inclui o aprimoramento dos sensores também
para uso na área de saúde e na detecção de drogas.
O mesmo princípio tecnológico dos sensores poderá dar origem a uma
alternativa mais barata para as tiras de teste glicosímetro, usadas para monitorar os
níveis de glicose em pacientes com diabetes.
“A fita utilizada no teste do glicosímetro talvez seja substituída, no futuro, por
uma folha de papel,” estimou Paixão.

Bibliografia:

Fabrication of disposable electrochemical devices using silver ink and office paper
William Araújo, Thiago Régis Longo César Paixão
Analyst
Vol.: First published online
DOI: 10.1039/C4AN00097H
Explosive colorimetric discrimination using a smartphone, paper device and
chemometrical approach
M. O. Salles, G. N. Meloni, W. R. de Araújo, T. R. L. C. Paixão
Analytical Methods
Vol.: First published online
DOI: 10.1039/c3ay41727a

37
8. Nanotecnologia

8.1 Monte seu próprio biochip conectando as peças


Redação do Site Inovação Tecnológica – 06/10/2014

Se não funcionar, você desmonta, troca as peças e testa de novo. Em um dia provavelmente você
terá um design final.” [Imagem: USC Viterbi School of Engineering]

Biochip de montar

Os biochips – microlaboratórios construídos com as mesmas técnicas da


microeletrônica – já começaram a chegar ao mercado, com potencial para mudar a
forma e a precisão dos exames de saúde.
Esses dispositivos emergentes agora tiveram um impulso radical, que
promete facilitar e baratear ainda mais sua fabricação e o teste de novas aplicações.
Em vez de encomendar à indústria um microlaboratório para cada aplicação,
Krisna Bhargava e seus colegas da Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados
Unidos, desenvolveram uma plataforma que permite que os biochips sejam
montados como se fosse brinquedos Lego.

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Os biochips baseiam-se em uma tecnologia chamada microfluídica, que
permite a manipulação de quantidades minúsculas de líquidos – sangue, por
exemplo – que podem ser misturados ou postos em contato com reagentes ou com
sensores – detectores de biomarcadores de doenças, por exemplo.
Bhargava e seus colegas projetaram blocos microfluídicos genéricos, que
podem então ser acoplados para criar ramificações complexas, de acordo com o
projeto específico de biochip que se tiver em mente.
Além da rapidez no desenvolvimento e teste dos projetos, a grande vantagem
é que a nova plataforma permite a construção de biochips 3D, que podem realizar
tarefas muito mais complexas do que os atuais versões planas.

Biochips 3D

Cada componente básico tem aproximadamente 1 centímetro cúbico, pode


acomodar sensores comuns já disponíveis no mercado e custou cerca de R$0,70.
Os testes iniciais, que envolviam a medição de microgotas, mostraram que o
biochip modular produz resultados comparáveis à ferramenta tradicionalmente
usada para isso, um microscópio óptico que custa cerca de R$70.000.
“Você conecta tudo o que você acha que é necessário para funcionar e então
testa,” descreveu Bhargava. “Se não funcionar, você desmonta, troca as peças e
testa de novo. Em um dia provavelmente você terá um design final, e então poderá
selar o sistema e torná-lo permanente.”
A equipe planeja agora criar uma comunidade onde os projetos poderão ser
compartilhados no sistema código aberto.
"As pessoas têm feito grandes coisas com a tecnologia microfluídica, mas
estes componentes modulares requerem muito menos conhecimento para projetar e
construir um sistema," disse o professor Noah Malmstadt. "Um movimento em
direção à padronização vai significar que mais pessoas vão usá-la, e quanto mais
você aumentar o tamanho da comunidade, melhor as ferramentas se tornarão."

39
Bibliografia:

Discrete Elements for 3-D Microfluidics


Krisna C. Bhargava, Bryant Thompson, Noah Malmstadt
Proceedings of the National Academy of Sciences
Vol.: Early Edition
DOI: 10.1073/pnas.1414764111

8.2 Nanotecnologia torna ultrassom 1.000 vezes melhor


Redação do Site Inovação Tecnológica – 23/06/2014

As nanoestruturas em forma de cruz usam plásmons de superfície para converter os pulsos de luz em
ondas sonoras de frequência ultra-alta, na faixa dos 10 GHz.[Imagem: Xiang Zhang Group/Berkeley
Lab]

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Ultrassom de alta resolução

Os aparelhos de ultrassom mais modernos já permitem reconstruções em 3D


da face dos bebês.
Mas um novo recurso promete gerar imagens que darão aos futuros pais a
sensação de estarem olhando para seus filhos como se eles já tivessem nascido.
Pesquisadores desenvolveram uma nova técnica de detecção de raios
ultrassônicos que promete produzir imagens com uma resolução 1.000 vezes
superior à atual.
Kevin O’Brien e seus colegas do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, nos
Estados Unidos, levaram a geração, detecção e controle das ondas sônicas de alta
frequência para a nanoescala.
Para isso, eles usaram nanoestruturas especiais combinadas com pulsos
muito curtos de raios de laser para produzir fônons acústicos, quasipartículas de
energia vibracional que se movem pela rede atômica de um material na forma de
ondas de som.
A vantagem é que essas vibrações ocorrem em uma frequência de 10
gigahertz – para comparação, os aparelhos de ultrassom usados hoje usam
frequências de cerca de 20 megahertz.

Além dos microscópios

As nanoestruturas têm um formato de cruz, com braços de 35 nanômetros na


horizontal e 90 nanômetros na vertical.
“Para gerar as frequências acústicas de 10 GHz em nossas nanoestruturas
plasmônicas nós utilizamos uma técnica conhecida como ultrassom de
picossegundos,” explica O'Brien. “Pulsos de sub-picossegundos de laser excitam os
plásmons que dissipam sua energia na forma de calor. A nanoestrutura expande-se
rapidamente e gera fônons acústicos coerentes. Este processo transduz os fótons
do laser em fônons coerentes.”
Como a frequência dos pulsos é muitíssimo maior do que a utilizada hoje,

41
torna-se possível gerar imagens de detalhes que passam despercebidos por pulsos
de maior comprimento de onda, o que resulta em uma imagem de melhor qualidade
e maior detalhamento.
Além de uma resolução sem precedentes para o imageamento acústico, os
fônons de 10 GHz poderão ser usados para “ver” estruturas de sub-superfície em
sistemas em nanoescala que os microscópios ópticos e eletrônicos não conseguem
detectar.

Bibliografia:

Ultrafast Acousto-plasmonic Control and Sensing in Complex Nanostructures


Kevin O’Brien, N. D. Lanzillotti-Kimura, Junsuk Rho, Haim Suchowski, Xiaobo Yin, &
Xiang Zhang
Nature Communications
Vol.: 5, Article number: 4042
DOI: 10.1038/ncomms5042

42
9. Robótica

9.1 Exoesqueleto biônico faz paraplégico voltar a andar


Redação do Site Inovação Tecnológica – 03/09/2015

O homem de 39 anos, paraplégico há quatro anos, deu “milhares de passos”, segundo a equipe do
professor Parag Gad, da Universidade da Califórnia em Los Angeles. [Imagem: Cortesia de Mark
Pollock]

Controle neural

Pela primeira vez, um exoesqueleto permitiu que um paciente com paralisia


total nas pernas voltasse a andar de forma intencional e controlada.
E a melhor notícia é que o exoesqueleto foi controlado por meio de
estimulação vinda diretamente da medula espinhal, mas sem cirurgia – os impulsos
nervosos são coletados por eletrodos colocados sobre a pele.
O homem de 39 anos, paraplégico há quatro anos, deu “milhares de passos”,
segundo a equipe do professor Parag Gad, da Universidade da Califórnia em Los
Angeles.

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Um grupo de cinco pacientes já havia testado o sistema de neuroestimulação
não-invasiva há poucas semanas, mas ainda suspensos por cordas elásticas no
teto, sem o exoesqueleto e, portanto, sem andar realmente.

Exoesqueleto biônico

Neste teste pioneiro realizado agora, o paciente Mark Pollock usou um


exoesqueleto biônico autônomo – alimentado por baterias – originariamente
projetado para ser acionado pelos movimentos de uma pessoa que ainda controla os
membros, mas pode não ter força suficiente para se manter de pé ou caminhar –
como idosos ou pacientes internados.
“Se o robô fizer todo o trabalho, o indivíduo se torna passivo e o sistema
nervoso '‘desliga’',” explicou o professor Reggie Edgerton, orientador do trabalho,
detalhando como o exoesqueleto teve de ser adaptado para identificar a intenção de
movimento do paciente.
Como Pollock não pode mover as pernas, os estímulos equivalentes são
coletados de um implante neural inovador, cujos eletrodos são colocados em pontos
estratégicos sobre a pele, na parte inferior das costas e próximo ao cóccix. Os
eletrodos disparam um padrão preciso de pequenos choques que não causam
incômodo ao paciente. Os dados lidos de volta por sensores na mesma região são
então usados para controlar o exoesqueleto.

Tecnologias de neurorrecuperação

“Será difícil fazer com que pessoas com paralisia completa andem de forma
completamente independente, mas mesmo que elas não consigam isso, o fato de
que podem controlar elas próprias o andar irá aumentar enormemente sua saúde em
geral e sua qualidade de vida,” disse Edgerton.
A equipe já fundou uma empresa para tentar comercializar a tecnologia – a
NeuroRecovery Technologies – mas afirma ainda não saber quando a técnica
poderá ser colocada no mercado tal como foi testada no laboratório.

44
Bibliografia:

Iron 'ElectriRx' Man: Overground Stepping in an Exoskeleton Combined with


Noninvasive Spinal Cord Stimulation after Paralysis
Parag Gad, Yury Gerasimenko, Sharon Zdunowski, Dimitry Sayenko, Piia Haakana,
Amanda Turner, Daniel Lu, Roland Roy, V. Reggie Edgerton
IEEE Engineering in Medicine and Biology Society
Vol.: To be published
DOI: 10.1089/neu.2015.4008

Noninvasive Reactivation of Motor Descending Control after Paralysis


Yury P. Gerasimenko, Daniel C. Lu, Morteza Modaber, Sharon Zdunowski, Parag
Gad, Dimitry G. Sayenko, Erika Morikawa, Piia Haakana, Adam R. Ferguson, Roland
R. Roy, V. Reggie Edgerton
Journal of Neurotrauma
Vol.: 32:1-13

9.2 Evolução robótica pode ajudar a explorar outros mundos


Redação do Site Inovação Tecnológica – 17/09/2015

A evolução, que deu tão certo aqui na Terra, poderá ser usada para explorar outros mundos usando
robôs mais simples e mais baratos. [Imagem: Ferrante et al.]

45
Evolução artificial

Enxames de pequenos robôs colaborativos poderão tirar proveito da seleção


darwiniana para completar tarefas complexas de forma mais eficiente.
Eliseo Ferrante e seus colegas da Universidade de Leuven, na Bélgica, estão
pensando em usar esse aspecto da evolução, que deu tão certo aqui na Terra, para
explorar outros mundos usando robôs mais simples e mais baratos.
Os insetos sociais, como formigas, abelhas e cupins têm servido de
inspiração para a criação de enxames de robôs há algum tempo, gerando uma
divisão do trabalho auto-organizada na qual diferentes robôs se especializam
automaticamente para a realização de diferentes sub-tarefas.
No entanto, projetar controladores que permitam que os robôs se organizem
de forma eficaz não é uma tarefa que possa ser considerada resolvida.
Inspirando-se na maneira pela qual as formigas organizam seu trabalho e
dividem as tarefas, a equipe evoluiu comportamentos robóticos complexos utilizando
evolução artificial e simulações detalhadas de robôs – e obteve um rendimento
inédito, de longe o melhor já obtido até agora.

Evolução gramatical

O novo método baseia-se na evolução gramatical e permite a evolução de


comportamentos que mostraram um nível de complexidade nunca alcançado antes.
O avanço deixou os pesquisadores entusiasmados com a possibilidade de
realizar na prática um dos grandes sonhos do campo da robótica de enxame:
explorar ambientes complexos, como a Lua e outros planetas.
“O cenário que estudamos envolve uma forma avançada da divisão do
trabalho, comum em sociedades de insetos e conhecida como 'separação de
tarefas', na qual dois conjuntos de tarefas têm de ser executados em sequência por
indivíduos diferentes. Nossos resultados mostram que o particionamento da tarefa é
favorecido sempre que o ambiente possui recursos que, quando explorados,
reduzem os custos da mudança e aumentam a eficiência líquida do grupo,” escreveu
a equipe.

46
Bibliografia:

Evolution of Self-Organized Task Specialization in Robot Swarms


Eliseo Ferrante, Ali Emre Turgut, Edgar Duéñez-Guzmán, Marco Dorigo, Tom
Wenseleers
PLOS Computational Biology
Vol.: Published online
DOI: 10.1371/journal.pcbi.1004273

9.3 Aprendizado cerebral: Ondas cerebrais de professor ensinam aluno


Redação do Site Inovação Tecnológica – 02/03/2016

Os estudantes que receberam uma estimulação transcraniana com as ondas cerebrais dos
professores aprenderam mais e mais rapidamente. [Imagem: HRL Laboratories]

Aprendizado cerebral

Imagine aprender algo recebendo diretamente as ondas cerebrais do seu


professor. Não, não se trata de telepatia e de nenhum truque tentando lhe vender
algo que não funciona.
Quem está por trás destes novos experimentos é a equipe do professor
Matthew Phillips, dos Laboratórios HRL, pertencentes à Boeing.
O controle de equipamentos, computadores e próteses robotizadas já é
comum, sendo feito a partir das ondas cerebrais coletadas pelo conhecido exame de
eletroencefalograma, que usa sensores postos sobre o crânio.

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As ondas coletadas são então interpretadas por um programa que se
responsabiliza por controlar o equipamento.

Treinamento com ondas cerebrais alheias

Em vez de usar as ondas cerebrais para controlar diretamente o programa,


Phillips utilizou-as para treinar um outro usuário, um aprendiz, que estava estudando
para executar a mesma tarefa.
“Nós medimos os padrões de atividade cerebral de seis pilotos comerciais e
militares, e depois transmitimos esses padrões para indivíduos novatos à medida
que eles aprendiam a pilotar um avião em um simulador de voo realista,” conta o
pesquisador.
Para a transmissão das ondas do piloto treinado para o piloto aprendiz foi
utilizada uma outra técnica também bem conhecida da Medicina, a estimulação
transcraniana por corrente contínua, já utilizada em outros experimentos para tentar
melhorar a cognição e a memória, mas ainda sem resultados inequívocos.
E deu certo, com os aprendizes que receberam a estimulação craniana com
ondas lidas do cérebro dos pilotos profissionais aprendendo mais rapidamente e
apresentando um “controle mais fino” da aeronave no simulador.

Vestibular e aprendizagem de idiomas

Phillips ficou tão satisfeito com os resultados no treinamento dos pilotos que
já fala na utilização da técnica em outras áreas.
"É possível que a estimulação do cérebro possa ser implementada em turmas
para a formação de motoristas, cursinhos pré-vestibular e aprendizagem de línguas,"
disse ele.
"À medida que descobrimos mais sobre como otimizar, adaptar e personalizar
os protocolos de estimulação do cérebro, provavelmente veremos essas tecnologias
se tornando rotineiras em ambientes de treinamento e nas salas de aulas," previu.

48
Bibliografia:

Transcranial Direct Current Stimulation Modulates Neuronal Activity and Learning in


Pilot Training
Jaehoon Choe, Brian A. Coffman, Dylan T. Bergstedt, Matthias D. Ziegler, Matthew E.
Phillips
Frontiers in Human Neuroscience
Vol.: Published online
DOI: 10.3389/fnhum.2016.00034

9.4 Pode ser possível construir híbrido de avião e submarino


Redação do Site Inovação Tecnológica – 09/12/2015

Para navegar sob a água, o microrrobô bate as asas nove vezes por segundo – número que chega a
120 para o voo no ar. [Imagem: Harvard Microrobotics Lab]

Avião submarino

Engenheiros conseguiram demonstrar pela primeira vez a viabilidade técnica


de um veículo híbrido de avião e submarino.
O pequeno protótipo demonstrou o conceito ao ser capaz de voar, mergulhar
e navegar sob a água, tudo em um movimento contínuo, sem interrupções.
O submarino voador, ou avião submarino, foi criado por Yufeng Chen e seus

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colegas da Universidade de Harvard, nos EUA, aproveitando um robô-inseto que a
equipe vem desenvolvendo há vários anos.

Mecânica da propulsão

Para passar do voo ao mergulho, foi precisar alterar ligeiramente a forma de


movimentação das asas do pequeno veículo robótico.
“Por meio de vários estudos, teóricos, computacionais e experimentais,
descobrimos que a mecânica da propulsão pelo bater de asas na verdade é muito
similar no ar e na água. Em ambos os casos, as asas movem-se para frente e para
trás. A única diferença é a velocidade com que as asas batem,” explicou Chen.
Como, para voar, o RoboBee bate suas asas a uma velocidade de 120 vezes
por segundo, ele simplesmente se quebraria se continuasse nesse ritmo na água,
que é quase 1.000 vezes mais densa do que o ar.
Como submarino, o pequeno robô navega bem dando apenas nove braçadas
por segundo.
A direção pode ser alterada com pequenas inclinações nas asas, controladas
individualmente.

Da água para o ar

As alterações implementadas conseguem fazer o robô-inseto passar do voo


no ar para o mergulho e navegação subaquática, mas não conseguem ainda fazer o
inverso porque as delicadas asas acabam se quebrando ao bater contra a água na
tentativa de aceleração para levantar voo.
Chen afirma que superar este problema é o próximo desafio da equipe.

Bibliografia:

Hybrid aerial and aquatic locomotion in an at-scale robotic insect


Yufeng Chen, E. Farrell Helbling, Nick Gravish, Kevin Ma, Robert J. Wood
2015 IEEE/RSJ International Conference on Intelligent Robots and Systems (IROS)

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