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UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “JÚLIO DE MESQUITA FILHO” –


FACULDADE DE CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS
DISCENTES: Guilherme Pinto (noturno), RA:171220374
DISCENTES: Jonas de Paula (noturno), RA:171220552
DISCENTES: Diego Andrade (noturno), RA:181224339
DOCENTE: Prof. Me. Matías Ferreyra
DISCIPLINA: Teoria das Relações Internacionais I
CURSO: Relações Internacionais, 2° ano

Resumo de comparativo: Robert Keohane e John Mearshmeimer- The Promise


of Institutionalist Theory e The False Promise of International Institutions,
John Joseph Mearsheimer (dezembro de 1947), foi um professor de Ciência Política e
codiretor do Programa de Política de Segurança Internacional da Universidade de Chicago.
Teve uma carreira militar, onde se formou pela West Point e trabalhou por cinco anos como
oficial da Força Aérea Americana. Mearsheimer continua em plena produção acadêmica nas
RI, apresentando obras de cunho neorrealista ofensivo.
O artigo procura examinar a seguinte questão: instituições afastam os estados da guerra
e ao mesmo tempo promovem a paz?
O autor concentra-se em analisar as maiores teorias acerca do institucionalismo como
um conceito central: institucionalismo liberal, segurança coletiva e teoria crítica. Para tal ele
realiza 4 perguntas: o que são instituições? Como elas trabalham para criar a paz? A lógica de
como uma instituição funciona é válida? A evidência suporta a teoria?
O institucionalismo liberal defende que as instituições alteram o comportamento estatal
diminuindo os efeitos negativos da anarquia. Ele defende como a cooperação entre estados pode
ocorrer de forma mais simples e que existem alternativas ao uso da força. Entretanto essa teoria
discute cooperação entre estados no âmbito econômico e ignora o âmbito da segurança. Assim
ela nunca trabalha como se dá a instituição entre estados que não confiam entre si, ou seja, ela
evita por completo o tema de como a cooperação causa a paz. O institucionalismo liberal
elabora como a cooperação gera mais cooperação, mas não como ela evitará definitivamente a
guerra.
O institucionalismo liberal defende que as instituições, regras e cooperações
desestimulam a trapaça nas relações internacionais. A trapaça e desestimulada porque o Estado
que trapaceou vai sofrer sanções econômicas, não vai receber auxílio de cooperação com outros
estados e vai ter sua imagem internacionalmente prejudicada. Tudo isso é contra o interesse de
um Estado e portanto o longo termo de um acordo é mais benéfico. Entretanto Mersheimer,
concordando com o que os institucionalistas dizem, defende que eles deixaram algo fora da
teoria, o ganho relativo. Quando a questão de ganhos relativos entram na equação da teoria, é
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impossível separar a linha econômica da linha de defesa. Tanto a economia e a defesa de um


Estado estão em jogo em uma cooperação, e deixar uma parte considerável de fora seria uma
falha imensurável.
Se a teoria institucionalista fosse verdadeira os estados nunca se preocupariam com o
outro e a cooperação fluiria de maneira natural. Entretanto o ganho relativo pode se traduzido
para um aumento no poderio econômico-militar, que poderia ser usado como uma arma de
coerção e guerra. É impossível tirar os ganhos relativos da questão.
Mersheimer conclui sua discussão do institucionalismo defendendo mais uma vez como
a teoria tem uma lógica falha, como existem poucos casos empíricos para sustentá-la, e como a
teoria não explica como a cooperação formam o caminho para paz mas sim como elas formam
instituições de apoio econômico conjunto.
A teoria da Segurança Coletiva inicia com a premissa que Estados agem de acordo com
o que dita o Realismo. Entretanto, o objetivo é se afastar do mundo realista através de
instituições, convencendo os Estados a basear seu comportamento em três normas. Estados
devem renunciar o uso da força para alterar o Status Quo. Estados responsáveis não devem
pensar em termos de interesses próprios, devem escolher equacionar seus interesses nacionais
com os interesses da comunidade internacional.
Para a Segurança Coletiva funcionar, Estados devem poder distinguir claramente entre
agressores e vítimas, para poder agir contra o agressor, porém as vezes é difícil determinar isso.
Além de que amizade e inimizade histórica entre Estados podem complicar os esforços da
Segurança Coletiva e mesmo se Estados concordassem em agir coletivamente e
automaticamente, haveria dificuldades em determinar como distribuir as responsabilidades. Por
fim, há uma contradição ao pregar que a guerra é uma atitude horrível e ao mesmo tempo, ditar
que Estados devem estar prontos para, sem pensar duas vezes, repreender agressores.
Dada a limitações da Segurança Coletiva alguns de seus proponentes sugerem duas
versões menos ambiciosas da teoria, Missões de Paz e Concertos.
Missões de Paz são intervenções em países periféricos, devido a guerra civil ou disputas
entre eles. Essa intervenção só pode ser feita com o consentimento dos países afetados e as
forças externas devem ser imparciais. Já os Concertos, segundo Mearsheimer, refletem o
balanço de poder e, portanto, seriam consistentes com as proposições do Realismo. Concerto é
um arranjo em que Grandes Potências que não tem incentivos para atacar umas às outras
concordam em algumas regras para coordenar as ações entre elas com o estabelecimento de
esferas de influência.
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As instituições estão no centro da Teoria Crítica, já que seu objetivo é alterar o sistema
internacional de forma que os Estados deixem de pensar e agir de acordo com o realismo.
Segundo Mersheimer a Teoria Crítica é mais ambiciosa que a Segurança Coletiva, já que ela
busca criar um mundo em que todos os Estados consideram a guerra como algo inaceitável.
Neste mundo, não há nenhum Estado problemático.
A teoria questiona a ideia realista que fatores estruturais são o principal determinante
do comportamento dos Estados, para a teoria crítica, ideias e discurso são as forças que moldam
o mundo. Onde os realistas veem um mundo passível de ser descoberto objetivamente, os
teóricos críticos veem um mundo com infinitas possibilidades de interpretação.
Portanto, os defensores da teoria crítica acreditam que a razão pela qual as relações
internacionais são dominadas por disputas por poder é que a teoria realista tem sido o
pensamento dominante na disciplina. Só que apesar de a Teoria Crítica defender que quando o
discurso muda, o comportamento dos Estados muda, ela não diz nada sobre o que faz alguns
discursos se tornarem dominantes. Inclusive, quando os defensores da teoria crítica apontam
fatores que poderiam mudar o discurso dominante, eles assumem que a realidade é objetiva, o
que contradiz a própria teoria.
Portanto, instituições possuem influência mínima no comportamento do Estado. As três
teorias analisadas no qual a instituição se baseia são todas compostas de falhas Todas têm
problema em sua lógica e não se sustentam historicamente.
Robert Owen Keohane (nascido em 1941) é um cientista político, um professor de
Relações Internacionais. Formou-se pela Universidade de Harvard e se destaca por ser um dos
expoentes do Neoliberalismo Institucionalista, apresentando essa teoria como uma das vertentes
das RI, onde procura enfatizar o uso das instituições internacionais para o estabelecimento de
cooperação entre os Estados. O autor tem a obra “After Hegemony: cooperation and discord in
the world political economy” como um de seus principais trabalhos.
Em seu texto, Keohane levanta a seguinte questão, por que o Realismo, principalmente
o de Mersheimer, tem uma visão tão insípida das instituições internacionais?
Para responder tal questionamento, Keohane critica os assertos de Mearsheimer, pois
considera-o como capaz de privilegiar seus pontos de vista, mesmo quando não encontra
respostas na teoria Realista. Assim, o autor pontua os erros e contradições de Mearsheimer e
faz três proposições: A lógica falaciosa do Realismo, a política econômica frente a segurança e
questões de ganhos relativos e o impacto das instituições no trabalho empírico das relações
internacionais
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Para explanar a primeira proposição, Keohane começa afirmando que os realistas e


institucionalistas diferem na abordagem das ciências sociais, na qual os realistas apresentam
uma visão repleta de generalizações globais, deixando de lado qualificações sobre as condições
de cada variável, que poderiam ser válidas. Keohane extrai duas contradições do próprio artigo
de Mearsheimer, para exemplificar esse déficit realista. Primeiro, o autor realista escreve que
“os Estados em um mundo realista… devem ser motivados primeiramente por preocupações de
ganhos relativos ao considerar a cooperação” (John J. Mearsheimer, 1990, p. 12). Mas, depois
ele admite que essa proposição pode ser falsa quando a ameaça de guerra é baixa, por exemplo,
quando as tecnologias defensivas (métodos de segurança modernos, ogivas nucleares) são
prevalecentes. Segundo, que no mundo realista de Mearsheimer, todo Estado poderia se tornar
uma potência militar formidável, porém Keohane assume a declaração como falsa,
argumentando que no período entre guerras, os Estados Unidos poderiam facilmente ter se
tornado o Estado mais poderoso do mundo, todavia não procuraram tal posição.
Keohane responde a segunda proposição, identificando o asserto de Mearsheimer sobre
a teoria institucionalista, onde ele a vê como uma teoria baseada em duas premissas do “reino”
da política internacional. A primeira pertence à segurança e à política econômica; a segunda,
refere-se ao institucionalismo liberal, podendo ser aplicado principalmente à política
econômica, na qual acaba somente se preocupando com situações de fraudes internacionais.
Para Keohane, embora alguns institucionalistas realmente acreditem nisso, essa não é uma visão
predominante na literatura institucionalista e muito menos aceita. Contrasta então, a afirmação
de Mearsheimer de que a visão institucionalista é exclusivamente sobre a fiscalização de
trapaças ou fraudes entre os Estados. Já que, os entraves sobre as questões distributivas de
segurança apresentam importância igual ou até superior aos problemas de fraudes. Essa
confusão ocorreu, porque quando a teoria institucionalista se encontrava em seu embrião,
acabou por subestimar as questões de segurança, porém nunca as ausentou da teoria.
Sobre o impacto das instituições no trabalho empírico, Keohane contesta o fato de que
os realistas vêem as instituições internacionais apenas como promotoras de efeitos secundários
e não como autores centrais nas negociações interestatais. Para contra-argumentar
Mearsheimer, Keohane identifica o Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) como um
campo frutífero para o estudo das influências das instituições, já que o TJUE tem um grande
impacto nas políticas de integração europeia, transformando a política e leis internas de cada
país-membro da União Europeia (UE).
O excerto de Keohane, teve como objetivo central contra-argumentar a visão Realista
Ofensiva de Mearsheimer e expor a lógica institucionalista frente a teoria Realista. O autor
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institucionalista, mostra em seu excerto, que a importância das instituições nem sempre são
válidas ou se encaixam em todos os casos analisados, ou que elas operam sem respeitar o poder
e interesses dos Estados, mas que são mecanismos capazes de evitar um conflito ou, pelo menos,
de amenizar as probabilidades de uma guerra. Além do mais, Keohane critica a falta de
empirismo da teoria Realista, pois com isso, ela acaba por se tornar falha em construir
evidências convincentes sobre os efeitos das instituições internacionais.
Keohane e Mersheimer podem ser considerados “dois lados da mesma moeda”. Ambos
acreditam no papel das instituições e das premissas realistas, mas diferem quanto ao grau e
intensidade de influência. Mersheimer por ser um realista ofensivo acredita que as instituições
são atores de pouca importância. Ele ainda defende que os estados são atores centrais e que
grandes potências se utilizam das grandes instituições para transformarem sua vontade em
verdade. Keohane contra argumenta essa proposição mostrando que as instituições se importam
com questões de segurança e defesa.
Apesar de Mersheimer ter apresentados fatores empíricos das falhas de instituições (
como o famoso exemplo da Liga das Nações) Keohane apresenta outros mostrando o sucesso
delas ( como a União Européia). Keohane diz que a teoria realista é generalista demais para ter
o crédito merecido por excluir fatores que podem ser levados em consideração enquanto
Mersheimer diz que o poder da teoria realista é ser generalista e poder ser usada em vários
contextos. Keohane mostra como a paz pode ser atingida pelas instituições e minimizadas pelas
mesmas, enquanto Mersheimer aponta que a maioria das teorias liberais não apontam como se
dá esse processo, e as que apontam, como o institucionalismo liberal, não entram na questão de
segurança e da guerra.
O leitor acaba intencionalmente conflituado entre as duas questões. Afinal o leitor é
levado a se questionar do que é o certo ou errado e se a paz é ou não atingida. Ambos os autores
levantam questões muito interessantes, e nenhuma está completamente certa, nem errada.
A conclusão que se chega é que a verdade vai depender de como mais de como o leitor
coloca e enxerga o mundo e a utilidade das teorias. Por não se tratar de uma ciência exata e das
duas terem vindo de um mesmo lugar elas são muito parecidas, mas as divergências acerca das
questões internacionais ainda estão longe de serem respondidas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
KEOHANE, R. O, MARTIN, L. L. The Promise of Institutionalist Theory, Itrnternational
Security, v. 20, n. 1, 1995. p. 39-51.
LIEPKALNIETIS, Arija. Bibliography: Mearsheimer. Uchicago, Chicago, 1 Mar. 2017.
Disponível em: http://mearsheimer.uchicago.edu/biography.html
MUNRO, André. Robert O. Keohane: American political scientist e educator. Britannica,
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Londres. Acesso em: 15 jun. 2018.


Disponível em: https://www.britannica.com/biography/Robert-O-Keohane.
MEARSHEIMER, J. J. The False Promise of International Institutions, International
Security, v. 19, n. 3, 1994. p. 5-49