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1 – O quê?

A proposta do grupo é uma adaptação da peça “Antonio José e a Inquisição” para um


espetáculo de balé contemporâneo. O balé contemporâneo foi escolhido porque, ainda
que se valha da técnica e trabalho dos pés do balé clássico, permite maior liberdade na
criação dos trajes. + desafio da transposição

Os trajes do espetáculo serão construídos visualmente tendo a fogueira como referência.


Por isso, as personagens usarão trajes que variam entre tons quentes, como vermelho,
rosa, vinho, etc, e tons de cinza. O objetivo é que essa paleta quase monocromática
remeta ao espectador a ameaça constante da Inquisição com seu castigo mais conhecido
até hoje: a morte através do fogo. O fogo que queima os condenados e as cinzas que
eles se tornam estarão sempre presentes na construção estética dos trajes. A única
personagem construída em tons frios – tanto nos trajes quanto na iluminação – será o
“fantasma”.

Além disso, buscando mais uma quebra nos cânones dôo balé clássico, os trajes serão
adornados com elementos menos convencionais. Esses elementos remeterão
diretamente a traços da personalidade das personagens ou ao momento em que se
encontram no espetáculo.

2. Quando?

O espetáculo se passa no século XVIII, mas contará com trajes históricos estilizados:
primeiro pela necessidade de adequa-los ao traje para dança – com todas as obrigações
de primazia do movimento do corpo do dançarino que ele acarreta – e segundo pela
possibilidade experimental estética que o balé contemporâneo oferece.

3. Onde?

Optou-se por manter a ambientação do espetáculo em Portugal. Ainda que não haja
referência explicita à cidade onde se passa a ação, entende-se que um local que reúne
artistas atuantes deva ser uma cidade relativamente cosmopolita. Além disso, há alguns
signos bastante associados à cultura portuguesa que devem aparecer nos trajes das
personagens, como a porcelana portuguesa que será referência para a criação do traje
de Lúcia.

4. Por que?

A questão que norteou a escolha de adaptar uma peça teatral para um espetáculo de
dança foi pensando nas possibilidades estéticas que um texto escrito pode trazer. Por
que um texto dramático não pode ser ponto de partida para criações artísticas de outras
linguagens?

É sabido que o balé se valeu muitas vezes de adaptações de textos de outras naturezas
para a criação de espetáculos. Há diversos exemplos de adaptações de contos de fadas,
textos de Shakespeare, etc. O desafio do exercício aqui era adaptar uma peça construída
com poucas personagens e muitos monólogos em um espetáculo de dança sem que ele
se tornasse monótono. Para isso, propôs-se a retirada de algumas cenas e inserção de
outras. Um exemplo de inserção foi a sequencia do sonho de Antonio José, que no
espetáculo original não ocorria diante dos olhos do espectador. A proposta aqui é realizar
uma cena com um corpo de baile de soldados, que encenarão junto a Antonio José o
pesadelo apenas descrito por ele.

5. Quem?

Optou-se por atribuir a cada uma das personagens um papel tradicional no balé. Isso
norteará como devem ser os trajes, uma vez que cada função tem necessidades
específicas de dança e movimentação corporal.

Funções

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