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Guerreiros Sombrios 04 – Beijo da Meia-Noite

Donna Grant
A Dra. Veronica Reid é uma arqueóloga de renome mundial cujas habilida-
des Druidesas a ajudam a desenterrar itens mágicos antigos. A chegada do muito
atraente e carismático Arran MacCarrick coloca-a na defensiva quando ele come-
ça a questionar como ela realmente encontra seus artefatos... até que um inimi-
go desconhecido ataca e Ronnie descobre que Arran tem um segredo tão grande
quanto o seu próprio. Juntos, eles desencadeiam uma paixão que tudo consome e
que não será negada...

Guerreiro Imortal Arran está em uma missão para encontrar o feitiço que
prende o deus dentro dele. Mas um olhar para a impossivelmente bela Ronnie e
ele sabe que há mais sobre ela do que aparenta. Com o perigo que espreita em
cada esquina e uma fome inegável que cresce com cada beijo, Arran deve revelar
quem é para proteger Ronnie de seu inimigo. Agora ele não tem mais escolha se-
não lutar - ou morrer - pela mulher que ama...

Revisão: Célia Carvalho

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CAPÍTULO UM

Castelo de MacLeod
Maio de 2013

As coisas tinham mudado.


E não exatamente para melhor.
Arran MacCarrick olhava fixamente para o tabuleiro de xadrez, sem
realmente ver. Ele tinha 646 anos de idade, e hoje ele sentia todos os
dias desses anos.
Uma grande tristeza pesava sobre ele. Não por ele mesmo, mas
pelos seus amigos. Isso guerreava com a inquietação que o incitava a
fazer alguma coisa.
A necessidade da batalha, trabalhava seu corpo em um frenesi
quando ele soltava os poderes de seu deus dentro dele, Memphaea. O
anseio por algo para fazer o mantinha acordado à noite, e no limite du-
rante o dia. Ele procurava por qualquer coisa, e tudo, para ocupar seus
pensamentos e seu corpo. Mesmo que fosse por um tempo.
Camdyn disse que ele precisava de uma mulher. Arran bufou interi-
ormente. A última coisa que precisava era de uma mulher que se inter-
pusesse em seu caminho e o fizesse se preocupar com sua mortalidade.
Uma mulher.
― Provavelmente não. ― murmurou.
Uma indesejada lembrança de sua irmã encheu seus pensamen-
tos. Ela tinha sido uma estrela luminosa e brilhante em seu mundo. Um
espírito livre que via apenas o bem. Seu futuro deveria ter sido preen-
chido com amor e risos.
Em vez disso, Deirdre o encontrou. Shelley, sua doce irmã, tentara
ajudá-lo. Em troca, ela foi despedaçada diante de seus próprios olhos.

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Ele não tinha se tornado um guerreiro então, não tinha o poder de
parar os wyrrans. Mas mesmo agora com esse poder correndo sob sua
pele, ele sabia que estava melhor sem quaisquer obstáculos.
Estava realmente?
Levantou os olhos do tabuleiro de xadrez para ver Lucan e Cara
andando de mãos dadas pelas escadas, sussurrando palavras de aman-
tes passando entre eles.
Espontaneamente, as noites solitárias o assaltaram. Enquanto os
outros riam e conversavam com suas mulheres, ele se sentava sozinho
em seu quarto, olhando para a televisão sem prestar atenção ao filme
que alguém lhe tinha dado para assistir.
Arran sabia que ele estava melhor sozinho, mas admitia, só para si
mesmo, que invejava o que os outros guerreiros tinham com suas mu-
lheres. Os sorrisos, os toques, os olhares secretos.
Foram essas mulheres, todas formidáveis Druidesas, que ajudaram
a moldar cada Guerreiro no castelo. Os Druidesas eram fortes, indepen-
dentes e ferozes. A combinação perfeita para os guerreiros highlanders
imortais que tinham reivindicado.
Arran e os outros do Castelo MacLeod haviam matado os dois mais
malvados que já haviam andado pela Terra, e perderam amigos no pro-
cesso.
Levaram séculos para acabar com o reino do mal. Depois de derro-
tar tais ameaças, a felicidade deveria ter seguido.
Mas o destino nem sempre era tão gentil.
Arran lembrou-se de seu parceiro quando olhou para cima para
encontrar Aiden olhando para ele com impaciência. Arran estava mo-
vendo seu cavalo no tabuleiro de xadrez quando Larena irrompeu no
grande salão, seguida de perto por seu marido, Fallon MacLeod.
― Cheque! ― Arran disse enquanto cruzava os braços sobre a
mesa e tentava fingir que não ouvia Fallon e Larena quando a discussão
de um ano começou novamente.

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Aiden MacLeod bufou e tamborilou os dedos sobre a mesa. ― Tio
Fallon e tia Larena estão nessa de novo. ― ele murmurou, seus dedos
pousando em cima de sua rainha.
Arran olhou para Aiden, um, de apenas duas crianças trazidas para
um mundo de magia e Druidesas. Aiden era filho de Marcail, uma Drui-
da poderoso, e Quinn MacLeod, um dos três irmãos, tanto Highlanders
quanto Guerreiros.
Com uma cutucada de pé contra o de Aiden, Arran disse: ― Faça o
seu movimento, rapaz.
Os olhos verdes de Aiden brilharam confiantemente. ― Eu te venci
na semana vez. Posso fazer de novo.
― Não fique convencido. ― Arran advertiu, embora um sorriso ti-
vesse puxado para cima os cantos de seus lábios. Eles provocavam Ai-
den quando era apenas um rapaz, mas ele tinha chegado à idade adul-
ta tão teimoso, inteligente e obstinado como qualquer um dos MacLe-
ods.
― Estou cansada de esperar! ― Larena gritou. ― O tempo passou,
Fallon, e você sabe disso. Nós sacrificamos séculos! Quero uma família.
Eu quero segurar meus próprios filhos.
Arran não podia mais ignorar o casal. Seu olhar se deslocou para
seu líder e Larena. Todos os homens do castelo, exceto por Aiden, eram
Guerreiros-Highlanders com deuses primitivos presos dentro deles.
Eles tinham sentidos realçados, velocidade e força incríveis, bem
como poderes individuais dados a eles por seu deus. Cada um deles
mortal de seu próprio modo.
Larena era a única Guerreira mulher em um castelo cheio de mu-
lheres que eram Druidesas. As Druidesas costumavam dizer que as pe-
dras do castelo pareciam zumbir com magia. Não era de admirar, pen-
sou Arran, com guerreiros e Druidesas ocupando a estrutura maciça por
mais de sete séculos.
― Larena. ― disse Fallon, cansado, enquanto passava uma mão
pelo rosto.

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― Não. ― ela o interrompeu, a raiva fazendo sua voz tremer. ―
Não tente me dizer que tudo ficará bem, porque não está tudo bem.
Larena se afastou, deixando Fallon olhando para ela. Arran olhou
para a esquerda para uma sala ao lado que tinha sido convertida em
uma sala de mídia. De lá Hayden, Galen e Logan observavam Fallon si-
lenciosamente, esperando para ver o que aconteceria.
As pessoas que moravam no Castelo MacLeod eram uma família.
Eles não estavam ligados pelo sangue, estavam presos pelo destino. Ar-
ran respirou fundo e pensou como cada um deles tinha andado por
uma trilha que convergia para o castelo.
Mesmo durante as horas mais escuras, o amor entre eles, o riso e
a determinação uniram o grupo. No ano passado, as tensões aumenta-
ram. E a paciência estava se esgotando.
Tudo por causa de um feitiço que poderia prender os deuses den-
tro deles mais uma vez.
Aiden levantou-se silenciosamente da mesa e saiu do grande salão
enquanto os ombros de Fallon caíam. Arran sabia que seu líder precisa-
va de um grande copo de scotch, mas Fallon tinha se afastado de qual-
quer tipo de álcool há muito tempo.
Ao invés disso, Arran agarrou a caneca intocada de café de Aiden
e caminhou até Fallon. Fallon a pegou sem dizer uma palavra, o rosto
cheio de preocupação e medo.
― Você sabe que ela não vai a lugar nenhum. ― disse Arran.
O amor de Fallon e Larena era muito forte para que algo pudesse
arrancá-lo.
Fallon sorveu o café. ― Ela está ferida, e eu não posso tornar isso
melhor. Eu tentei. Eu lhe daria a lua e as estrelas se eu pudesse.
― Então, eu acho que isso significa que a condução que tivemos
sobre o feitiço foi outro beco sem saída?
Fallon assentiu.

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Arran fez uma careta. O feitiço para prender seus deuses não era
uma grande preocupação para ele, mas para os outros dez Guerreiros
que estavam casados, era tudo no que eles se concentravam.
Foi somente através da poderosa magia Druida de Isla de ocultar o
castelo MacLeod do mundo e manter as Druidesas dentro de seu escu-
do de envelhecimento, que os mortais tinham vivido enquanto estives-
sem ali.
Aiden, filho de Quinn, nascera quatrocentos anos antes, e com
magia especial permitiu envelhecer até seu vigésimo quinto ano. As
Druidesas também tinham tomado precauções ao longo dos séculos
com uma poção que iria impedi-las de engravidar. Ninguém queria tra-
zer crianças para a guerra que tinha acontecido.
Funcionou até o ano passado, quando Camdyn e sua esposa, Saf-
fron, tinham se surpreendido, pais grávidos.
― Larena viu Emma. ― Fallon disse para o silêncio. ― É sempre
pior para Larena depois.
Larena não foi a única afetada pelo nascimento da pequena
Emma. Camdyn e Saffron ainda estavam nas terras dos MacLeod, mas
estavam construindo sua casa fora do escudo de Isla. Com a ameaça
de Declan e Deirdre finda, todos se sentiam seguros o suficiente para
deixar o escudo.
Camdyn e Saffron tinham deixado o castelo, principalmente por
causa de sua filha. Aiden ficava mais fora mais do que no castelo, e
com a tensão tão alta, não era de admirar.
― Nós todos pensávamos ter encontrado o feitiço agora. ― Fallon
continuou.
― E ter seu próprio filho.
Fallon inspirou profundamente. ― Esperamos séculos até o mal ter
sido erradicado, e agora que ele foi, não podemos encontrar o feitiço.
O feitiço tinha sido escrito em um pergaminho e escondido no Cas-
telo de Edimburgo, mas ele, junto com três carregamentos de itens
mágicos, tinha sido levado de Edimburgo para Londres séculos atrás.

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Dois desses três embarques chegaram a Londres. O outro estava perdi-
do.
― Vimos Londres, e até mesmo o Palácio de Buckingham. Não
está lá. ― disse Arran.
―Não é um longo pergaminho, mas nada do que nos deparamos
exibe qualquer magia.
― Poderia ser encoberto de alguma forma?
Fallon levantou encolheu um ombro. ― Eu não tenho uma respos-
ta.
Arran podia não se importar se seu deus estava preso ou não no
momento, mas ele sabia que seus companheiros irmãos estavam so-
frendo tanto quanto Fallon. Ele era um dos quatro Guerreiros que não
estava acasalado, então se ele pudesse fazer algo, ele faria.
― Precisamos seguir o caminho.
Fallon franziu a testa enquanto olhava para Arran. ― O que?
― O livro que você encontrou no Castelo de Edimburgo, dizia que
havia três embarques. Um por água, dois por terra. Sabemos que um
por terra não chegou a Londres. Desde que nada foi encontrado em
Londres sobre o pergaminho...
― Então assumimos que estava no carregamento de outros itens
que foram perdidos. ― Fallon terminou. Um fantasma de um sorriso
aparecendo. ― Gosto do seu pensamento.
― Eu justo estava vindo para propor exatamente a mesma coisa.
― Ian disse enquanto descia as escadas para o grande salão. Seus ca-
belos castanhos claros estavam longos e soltos, roçando seus ombros.
Arran não se assustou ao ouvir que outra pessoa teve sua ideia.
Era apenas uma questão de tempo antes de um deles ter pensado em
alguma coisa. O fato de ser Ian era uma surpresa. Especialmente por-
que era a esposa de Logan, Gwynn, que podia fazer maravilhas em um
computador.
Arran sorriu, pensando no computador e como ele, Ian, Logan,
Camdyn e Ramsey tinham lutado para chegar a um acordo com o mun-

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do moderno depois de terem sido saltados para a frente no tempo, vin-
dos de 1603.
― Gwynn encontrou alguma coisa? ― perguntou Arran.
Havia um brilho nos olhos de Ian quando ele disse, ― Na verdade,
eu encontrei. Aprendi uma ou duas coisas com ela.
Ele e Ian compartilhavam um sorriso. Somente alguém que tinha
viajado no tempo podia entender as complexidades e diferenças do
mundo que conheciam e do moderno em que estavam há mais de um
ano.
―- Impressionante, ― disse Arran.
Ele e Ian não estavam unidos pelo seu salto no tempo. Eles havi-
am sido presos na montanha de Deirdre, Cairn Toul, durante anos, en-
quanto ela tentava quebrá-los à sua vontade para que servissem ape-
nas dela.
Ele e Ian não estavam apenas unidos pelo seu salto no tempo.
Eles haviam estado presos na montanha de Deirdre, Cairn Toul, durante
anos, enquanto ela tentava quebrá-los à sua vontade para que servis-
sem apenas a ela.
Foi o que aconteceu com a maioria dos guerreiros. Os deuses
eram muito insistentes, muito poderosos quando foram soltos pela pri-
meira vez. Era preciso um tipo especial de homem para poder voltar da-
quilo e aprender a controlar o próprio deus.
Arran considerava-se um dos poucos afortunados. Mas, novamen-
te, ele tinha encontrado uma maneira de tomar sua própria cabeça an-
tes que ele nunca caísse sobre a ordem do mal.
Ian e Arran escaparam ao lado de Quinn. Nunca passou pela men-
te de Arran não se juntar aos MacLeods na luta contra Deirdre.
― O que você achou, Ian? ― Fallon perguntou, sacudindo Arran
fora de seus pensamentos.
Ian enfiou as mãos no bolso dianteiro de seus jeans baixos, fazen-
do com que sua camiseta vermelha escura se esticasse sobre seus om-
bros musculosos. ― Nós não sabemos a rota exata que foi seguida de

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Edimburgo para Londres, mas fomos capazes de descobrir o curso da
outra expedição terrestre.
― E? ― Arran alertou quando Ian hesitou.
Ian arregalou os lábios. ― O outro carregamento foi pelo caminho
mais rápido.
― Maldito inferno, ― Fallon murmurou.
Arran cruzou os braços sobre o peito. ― O que significa que, o que
estamos procurando foi pelo caminho mais longo.
― Precisamente. ― Ian disse com um aceno de cabeça. ― Eu esti-
ve estudando mapas durante toda a manhã, e eu limitei isso para qua-
tro possíveis rotas.
― Espere, ― disse uma voz feminina do andar de cima.
Um momento depois, e a cabeça de Dani de cabelos loiros pratea-
dos apareceu quando ela desceu as escadas com um monte de papéis
na mão. Ela lançou um sorriso para eles e disse: ― Eu descobri algo in-
teressante numa notícia que estava muito perto de uma das rotas.
― O que é tão notável? ― Fallon perguntou.
Dani esperou até que estivesse ao lado de Ian antes que respon-
desse. ― Uma escavação. Uma escavação arqueológica, para ser exata.
Elas acontecem em todo o Reino Unido, e eles sempre fazem manche-
tes. Eu coloquei uma etiqueta neles, então quando algo é publicado, eu
recebo um alerta em meu e-mail. Quando recebi este, eu fiz um pouco
mais de pesquisa.
Ela fez uma pausa e lambeu os lábios. ― Eu tentei fazer algumas
ligações, mas eu era bloqueada o tempo todo. Mesmo com os talentos
de Gwynn no computador, não encontramos nada. Então... eu fiz o que
qualquer um que conhece uma megamilhonária faria.
― Você falou com Saffron, ― Arran disse com um sorriso. Não
apenas Saffron era uma vidente, mas ela também estava ligada a pes-
soas em todo o mundo através de seu trabalho de negócios e caridade.
Se alguém pudesse obter informações, era ela. Ou seu dinheiro.

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Dani assentiu. ― Graças a Saffron e suas conexões, acho que sei
onde podemos começar a procurar.
― Onde? ― Fallon perguntou, sua atenção focada pela primeira
vez desde que a conversa começou.
― Sudoeste de Glasgow. Estão no sítio há quase dois meses.
Antes que Fallon pudesse fazer um pedido para que alguém exa-
minasse isso, Arran disse. ― Eu vou.
Ian não pareceu perturbado por ele ter falado, mas Fallon enrugou
uma sobrancelha escura.
Arran balançou os calcanhares. Ele tinha que sair do castelo e fa-
zer alguma coisa antes de ficar louco. Além disso, nenhum dos outros
iria querer deixar suas mulheres. ―Todo mundo est ... ocupado além
de mim.
― Poderíamos pedir a Phelan ou Charon para verificar. ― disse
Dani.
Arran deu um grunhido. Ele poderia ter perdoado Charon por espi-
oná-los enquanto estava preso em Cairn Toul, mas isso não significava
que Arran queria que ele assumisse sua missão. ― Por que incomodar
Charon? E Phelan, quem diabos sabe onde ele está? Ele desaparece
como Malcolm.
Assim que as palavras saíram de sua boca, Arran lamentou-as.
Embora todos os homens fossem Guerreiros, Malcolm era diferente.
Quatrocentos anos atrás, ele tinha sido um mortal ajudando sua prima,
Larena, esconder-se de Deirdre.
Ele foi atacado sob comando de Deirdre e deixado para morrer.
Malcolm fora levado ao castelo, e Sonya, com sua magia de cura, fez
tudo o que pôde. Ele salvou sua vida, mas não tirou suas cicatrizes ou
consertou seu braço direito para que ele pudesse usá-lo.
Pouco depois, Deirdre encontrou Malcolm e liberou seu deus. Ela
usou Larena contra Malcolm, a fim de manter Malcolm obedecendo
suas ordens. Mas foi Malcolm quem traiu Deirdre no final, ajudando-os
a acabar com ela de uma vez por todas.

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Mas as cicatrizes de Malcolm eram muito mais profundas do que
as de sua pele. Eles eram em sua própria alma, e nada poderia curá-lo
agora. Só o tempo ajudaria a temperar o passado.
Arran pigarreou. ― Independentemente disso, eu irei. Eu posso
somente ser melhor que Aiden no xadrez tantas vezes. Sem um wyrran
para a batalha, e nenhum mal para matar, eu preciso de algo para fa-
zer.
― Nenhum mal para matar. ― Dani disse com um olhar para Ian.
― Isso soa maravilhoso.
Ian envolveu seu braço em torno dela e levou-a contra ele para
um beijo. ― É música para meus ouvidos. Nunca pensei que viria o dia
em que Deirdre não estivesse mais viva. E depois ter terminado tam-
bém com Declan. É quase bom demais para ser verdade.
Arran desviou o olhar. Era bom demais para ser verdade. Se havia
uma coisa que ele tinha aprendido, era que o mal que Deirdre e Declan
tinham sido não iria desistir tão facilmente.
Tiveram um adiamento. Mas quanto tempo mais duraria isso?
― Encontre-me o feitiço - disse Fallon a Arran. ― Por favor.
Arran olhou para Ian e Dani. Eles estavam juntos por pouco tem-
po, como Logan e Gwynn, e Ramsey e Tara, mas Arran sabia que todos
queriam vidas normais.
Ter filhos.
Envelhecer e morrer com suas esposas.
Camdyn tinha quase conseguido afastar Saffron para longe porque
já tinha sido casado antes. Ele assistiu a morte de sua primeira esposa,
o que tinha confirmado a Camdyn que ele estava melhor sozinho.
Mas, como Quinn era frequentemente ouvido dizendo, o amor en-
contra um caminho.
Arran tinha recebido um lar, e esperança, com os MacLeods. Ele
devia a cada homem e mulher ali, uma dívida, uma que uma única mis-
são não poderia chegar perto de pagar.

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― Vou encontrá-lo. ― jurou Fallon. ― Eu vou seguir todas as pis-
tas. Vou fazer o que for preciso.
― Até mesmo roubar? ― Ian perguntou.
Arran não hesitou em assentir. ― O que for preciso.
Dani estendeu um grande pacote pardo. ― Eu pensei que um de
vocês estaria indo, então eu fiz Saffron puxar algumas cordas. Você es-
tará trabalhando na escavação como um voluntário.
― Eu não vou ter que esgueirar-me? ― Ele perguntou, um pouco
irritado por não poder usar suas habilidades de Guerreiro.
― Não. ― Dani disse, sua voz baixa. ― Não há necessidade. Você
será capaz de olhar para tudo o que encontrar, bem como ajudar na es-
cavação. Se você encontrar algo, sendo um guerreiro, você deve ser ca-
paz de pegá-lo com bastante facilidade.
Arran estava ansioso para a tarefa.
― Mas, ― Dani disse apressadamente, ― lembre-se, você está
trabalhando na empresa de Saffron. Ela está ajudando a fornecer o fi-
nanciamento para esta escavação, que é como nós pudemos obter tan-
ta informação.
Ian revirou os olhos. ― Há algo em que Saffron não esteja envol-
vida?
― Na verdade, não. ― disse Dani. Depois voltou-se para Arran. ―
Em outras palavras, se algo acontecer, eles vão olhar para Saffron e sua
empresa, por isso precisamos ter certeza de que isso não aconteça.
― Se isso acontecer, garantirei que outra empresa seja culpada. ―
disse Arran.
― Bom. Você pode partir pela manhã. Eles estão esperando você
amanhã à tarde. ― disse Dani.
Arran apenas sorriu. ― Vou embora agora. Leva apenas algumas
horas para chegar a Glasgow. Posso estar lá às oito ou nove da noite.
Dessa forma eu posso dar uma olhada antes que todos comecem a tra-
balhar amanhã.

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― Uma boa ideia. ― Fallon caminhou até a cozinha, onde as cha-
ves dos veículos eram mantidas. Ele jogou um conjunto para Arran e
disse: ― Pegue o Range Rover. Será melhor onde você está indo do
que o Porsche.
Arran guardou as chaves e apressou-se a arrumar uma mochila.
Seu sangue bombeado com a necessidade de algo mais emocionante
do que ficar sentado em torno um tabuleiro de xadrez.
Havia somente bastante treinamento que um guerreiro pudesse
fazer antes que seu deus exigisse a batalha. E a morte.
Arran podia não ter o mal para matar, mas tinha um feitiço para
encontrar. Era exatamente o que ele precisava.

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CAPÍTULO DOIS

44 km ao sul de Muirkirk, Escócia

Arran estacionou o Range Rover e olhou através do para-brisa di-


ante do caos que havia diante dele. Um arrepio de magia correu sobre
ele. Ele estava definitivamente no lugar certo.
A magia era antiga e... potente. Isso o fez sorrir, mas aquele sorri-
so congelou quando uma sensação diferente de magia o invadiu. Isso o
deixou respirando com dificuldade, ela necessitava preenchê-lo até que
ele não pudesse ver mais nada, sentir nada além da magia requintada.
Uma Druidesa.
Havia uma Druidesa no sítio. E ele iria encontrar a Druidesa assim
que pudesse. A única coisa que o impediu de procurar imediatamente
foi que a magia não era má.
Saffron havia lhe dito que o sítio da escavação era dirigido pelo Dr.
Ronnie Reid, um arqueólogo de primeira linha e um dos melhores que
já havia saído em campo.
Arran também tinha sido avisado de que o Dr. Reid executava a
operação com mão firme, então ele teria que ter cuidado quando pro-
curasse por qualquer pista do feitiço perdido e pela Druidesa que ele ti-
nha acabado de sentir.
Não que Arran estivesse preocupado com esse Dr. Reid. Ele se co-
locaria nas boas graças do homem, e se asseguraria de que Reid visse
que Arran era um bom trabalhador. Uma vez que isso foi estabelecido,
então Reid o deixaria em paz. Dando a Arran o tempo necessário para
olhar ao redor.
Ele suspirou. Pensou que essa missão seria rápida, mas quando
observou dezenas de pessoas se movimentando de um lado para o ou-
tro dos diferentes locais de escavação, transportando sujeira enquanto
outros se debruçavam inclinados no chão, espanando achados com o
que pareciam pincéis, Arran percebeu que isso não seria nada simples

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Com toda a probabilidade, ele estaria aqui por várias semanas.
Mais ou menos meses
Não que ele ficasse chateado com isso. Não havendo mais o mal
para lutar, Arran andava entediado. Arran estava entediado. Não que
quisesse o mal ao redor, era apenas que o deus dentro dele ansiava por
batalha, ansiava por carnificina.
Exigia morte.
Que melhor maneira de apaziguar o seu deus do que combater o
mal?
Arran cerrou a mandíbula. Não haveria conflitos no sítio da escava-
ção, o que significava que o elemento que teria que encontrar uma ou-
tra maneira de trabalhar a energia reprimida que sentia palpitando atra-
vés de seu corpo.
Exercitar seus músculos com o trabalho físico era apenas uma coi-
sa.
Arran abriu a porta e saiu do Range Rover. O vento uivou sobre
terra, batendo nele justo como a magia tinha feito, e um olhar para o
céu noturno mostrava que a chuva estava a caminho.
Ele fechou a porta e rapidamente abriu a porta do passageiro atrás
para pegar sua mochila e a mala. Saffron garantiu a ele que alojamen-
tos seriam disponibilizados. De certa forma, Arran estava esperando
que não houvesse nada. Fazia muito tempo que não dormia debaixo
das estrelas como fez por quatrocentos anos.
Depois de ajustar os sacos nos ombros, fechou a porta e olhou
para o sítio mais uma vez. A magia estava acenando para ele, a sensual
sensação dela como acendendo um fogo.
Desejo bombeando, ardente e queimando, através dele enquanto
seu olhar escaneava a área. Com cada respiração, um desejo que ele
nunca sentirá antes o preenchia e crescia até isso o consumir, engo-
lindo-o.
Devorou-o.

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Onde estava a Druidesa? Havia uma fome como nunca tinha su-
portado. Cada osso de seu corpo o incitava a encontrar a Druidesa rapi-
damente. Tinha que ser a Druidesa que estava causando tal ... desejo.
A necessidade estava puxando-o, arrastando-o para baixo de um
abismo de desejo tão escuro e profundo, não haveria voltar de lá. Se
não fizesse algo logo, estaria perdido.
Ele procurou em sua mente por qualquer coisa para se segurar, e
foi quando ele pensou no Castelo MacLeod. Isso foi tudo o que precisou
para que ganhasse a vantagem sobre o desejo feroz dentro dele.
Arran rangeu os dentes. A Druidesa que esperasse. Agora, ele ti-
nha que encontrar o Dr. Reid e aprender tanto sobre o homem quanto
pudesse.
O céu de verão ainda brilhava apesar de passar das oito da noite.
Não ficaria bem escuro antes de meia-noite, mas as luzes ao redor da
escavação já tinham sido ligadas.
― Aqui vamos nós, ― Arran disse, e começou a seguir em direção
ao sítio, a sensação de magia crescendo a cada passo que ele dava.
Ele mal tinha dado dez passos antes de ter que esquivar-se das
pessoas que assumiam que ele tinha que se afastado caminho. Desde
que havia a possibilidade deles estarem carregando itens mágicos anti-
gos, eles estavam certos.
Mas ainda assim, um grunhido baixo soou profundamente em sua
garganta.
Ele era um guerreiro, um homem que costumava ser temido. Não
caiu bem que ele foi dispensado tão facilmente.
Arran aproximou-se de um homem de cabelos e óculos finos, ca-
belos loiros esbranquiçados, que mantinha empinado seu nariz de fal-
cão. O homem era esquelético, os ombros já encurvados para frente,
apesar de ser um jovem no meio dos trinta, se Arran adivinhou direito.
― Com licença. ― disse Arran quando o alcançou.
Por alguns instantes, Arran foi ignorado. O homem ergueu os
olhos da prancheta em sua mão enquanto rabiscava algo nos papéis

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com o lápis. Arran ergueu uma sobrancelha quando o homem pareceu
olhar através do dele.
Então, momento mais tarde, o homem deu um passo para trás,
seus olhos azuis largos quando empurrou seus óculos acima em seu na-
riz. ― Cara. Há quanto tempo você está ai? ― Perguntou ele, seu sota-
que americano acentuado, e sua voz mais profunda do que Arran ima-
ginara que saísse de alguém tão magro.
― Mais do que eu gostaria. ― Arran respondeu, dando apenas
uma flexão suficiente em sua voz para dizer ao homem que sua irrita-
ção estava aumentando.
― Eu sou Andy Simmons, o gerente do sitio arqueológico.
― Arran MacCarrick. ― disse ele, estendendo a mão.
Andy a sacudiu com um aperto que era muito mais forte do que
Arran teria adivinhado. ― Você chegou mais cedo do que o esperado.
Disseram há poucas horas que você estaria ajudando.
― Estava ansioso para começar. ― Arran disse com um sorriso.
― Estamos felizes em tê-lo. Qualquer pessoa ligada à Sra. Flet-
cher... hã... Sra. MacKenna, é nossa amiga. Desculpe. Ainda estou me
acostumando ao fato de que Saffron é casada.
― Aye. Com uma boa amiga minha. Saffron sabe como estou inte-
ressado na história da minha terra, e quando ela me contou sobre a es-
cavação, eu não estava pronto para deixar passar a oportunidade. ―
Arran se perguntou se ele tinha mergulhado a mentira um pouco dema-
siado, mas Andy apenas assentiu como se entendesse.
―Você também ama a arqueologia ou não. ― Andy empurrou
seus óculos mais altos em seu nariz e cravou o lápis atrás de sua ore-
lha. ― Todo mundo parece pensar que será como Indiana Jones.
Arran apenas riu com Andy, já que não tinha ideia do que Andy es-
tava se referindo. ― Você pode me encaminhar para o Dr. Ronnie Reid?
Eu gostaria de conhecer.

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Houve um barulho alto seguido de estática e a voz desincorporada
de alguém gritando o nome de Andy. Andy pulou e pegou o walkie-
talkie preso à cintura.
― Dr.1 Reid está lá. ― Andy apontou por cima do ombro dele an-
tes que ele clicasse no walkie-talkie e começasse uma conversa en-
quanto se afastava.
Sumariamente dispensado, Arran deixou seu olhar vagar pelo sítio.
Como não sabia como era o Dr. Reid, começou a procurar alguém que
parecesse estar no comando.
Seu olhar se deteve quando se viu olhando para a bunda mais lin-
da que ele tinha visto em um longo tempo. A mulher usava jeans aper-
tados e desbotados que pareciam bem velhos, como se fossem seus fa-
voritos. O denim abraçava seus quadris esguios e pernas longas.
O vento fez uma pausa, permitindo que a parte de trás de seu ca-
saco marrom caísse no lugar, instantaneamente escondendo seu trasei-
ro de sua visão. Arran franziu o cenho. Ele gostou do que tinha visto.
Muito. Com uma única olhada, seu sangue já estava queimando por
mais do que apenas um olhar para ela, agitando-se com um desejo
apenas refreado.
Que misturado com a magia Druida que estava empurrando os li-
mites de seu controle só aumentava sua fome. Ele conseguiu outra vi-
são da parte traseira da mulher e sorriu em aprovação. Ele sempre
apreciara um corpo atraente quando via um, e esta mulher tinha uma
figura particularmente esplêndida.
Pouco antes de desviar o olhar, o homem ao lado da mulher cha-
mou sua atenção. O homem branco mais velho tinha uma barba cheia
mais cinza do que preta. Um chapéu de aba larga, de cor verde-oliva,
repousava sobre sua cabeça para proteger seus olhos do sol. Ele estava
falando enquanto a mulher balançava a cabeça de cabelo cor de trigo
puxado para trás em um coque baixo e solto.
E com isso, Arran achou seus olhos travados sobre a mulher mais
uma vez. Seus dedos desejavam percorrer o comprimento de seu pes-
coço delgado antes de mergulhar nas mechas de seu cabelo, puxando-
1
Em inglês a palavra Doctor ( Dr.) não tem gênero, servindo para homens e mulheres.

19
a lentamente para ele até que seus lábios se separassem, implorando
por seu beijo.
Ele engoliu em seco e ajustou o jeans em torno de seu pau incha-
do. Com grande autocontrole, ele desviou o olhar da bela e voltou a se
concentrar no cavalheiro mais velho até que seu desejo estivesse sob
controle.
Arran sabia que ele encontrara o Dr. Reid. Sem hesitar, ele cami-
nhou até a dupla. Sua curiosidade sobre a aparência da mulher fez com
que ele mudasse de rumo para que surgisse do lado direito dela em vez
de atrás.
Seu olhar deslizou sobre ela para seu prazer. Seu rosto era um
bronze dourado de seu tempo ao ar livre. Suas botas estavam enlamea-
das e tão desgastadas quanto seus jeans, provando que não se impor-
tava de ficar suja.
A camisa xadrez de mangas compridas que ele vislumbrava debai-
xo do casaco estava enfiada no jeans e mostrava os seios fartos. Mas
era a corrente de ouro com o nó da trindade pendendo logo acima do
decote que o intrigou.
Não era qualquer peça de joia. Era antigo, e Arran apostaria sua
imortalidade que ela tinha desenterrado ela mesma em alguma escava-
ção.
Onde, ele gostaria de saber.
Houve outro crepitar de magia, e por um instante Arran pensou
que poderia ter vindo da mulher.
A magia era mie, ou boa magia. Os mies eram os que usavam a
magia que natureza que lhes deu para curar e ajudar as coisas a cres-
cerem. Eram eles que aconselharam os líderes dos clãs, os que tinham
educado os jovens.
Se ele tivesse sentido magia drough, magia negra, teria buscado
imediatamente a fonte e acabado com isso. Porque os droughs eram
maus. Eles deram suas almas a Satanás para usar a magia negra.
A sensação dessa magia era desagradável, repugnante, enquanto
a sensação de magia mie acalmava um guerreiro.

20
Até onde ele sabia, apenas Guerreiros podiam perceber ou sentir a
magia dos Druidas. Isso tinha salvado seus irmãos mais vezes do que
queria contar.
A mulher olhou para ele, seus olhos cor de avelã mal lhe dando
um segundo aviso enquanto ela voltou para a conversa dela. Mas com
aquele olhar rápido, a cor de seus olhos ficaria gravado em sua memó-
ria para sempre.
Arran abrandou os passos. Seu rosto em forma de coração estava
um pouco inclinado para a esquerda. As maçãs do rosto cheias e uma
pele lisa sem um toque de maquiagem lhe davam uma aparência natu-
ral e prática que ele achou atraente. A única coisa que marcava o rosto
dela era uma pequena cicatriz em seu queixo.
Seus lábios cheios eram rosa escuro que acelerou seu sangue
quando os imaginou abrindo para seus beijos e sussurrando seu nome.
Os claros e vibrantes olhos cor de avelã eram de longe o seu melhor
traço. Eram grandes, e cada emoção podia ser detectada em suas ricas
profundezas.
Arran sorriu. Era muito ruim que não tivesse tempo para perseguir
a mulher, porque ele amava um bom desafio, e isso era exatamente o
que ela seria.
Ele deu a bunda dela outro olhar, interiormente sorrindo como sua
mão coçava para acariciar curvas tão agradáveis. Qualquer uma que
mexesse tanto com ele quanto ela, merecia atenção. Horas e horas de
atenção. Talvez depois que ele encontrasse o feitiço, ele pudesse virar
seu tempo para ela.
Uma mecha de seu cabelo cor de trigo foi puxada para fora do seu
coque pelo vento sempre presente e enredou em seus longos cílios. De-
dos longos e finos se estenderam e pacientemente a tiraram de novo e
de novo. Arran apostaria sua garrafa de Dreagan Scotch, escondida em
seu quarto que era um movimento que ela fazia todos os dias e que
não notava mais.
Ele estava sobre eles agora, e odiou que sua leitura da mulher ti-
vesse chegado ao fim. Arran queria saber o nome dela. Ele queria vê-la
sorrir, ouvi-la rir, e ouvi-la gritar seu nome quando a levasse ao clímax.

21
Suas bolas apertaram quando imaginou soltar seu coque e deixan-
do seu cabelo cair livre quando removesse suas roupas, uma peça de
cada vez até que ela estivesse nua diante dele e ele poderia banquetear
seus olhos em sua beleza.
Estar tão perto dela fazia seu sangue correr como lava derretida
em suas veias. Ele ansiava por um toque dela, ansiava por segurá-la.
Desejava reivindicá-la.
Meses com apenas os dois. Tocando, beijando. Amando. Abrigados
e envoltos em seu desejo.
Ele estendeu a mão para ela, a necessidade de tocá-la esmagado-
ra, arrasadora. Pouco antes de fazer contato, Arran deixou cair a mão,
silenciosamente amaldiçoando-se por permitir que sua paixão o gover-
nasse. Mas, porra, se ele não queria ceder e ver onde o levava.
― Dr. Reid. ― disse Arran ao homem mais velho, quando perce-
beu que ele estava olhando a mulher por muito tempo.
Só que não foi o homem que respondeu: ― Sim?
Arran olhou para a mulher à sua esquerda e estreitou os olhos. Ele
empurrou seu olhar de volta para o homem. ― Ronnie Reid?
Houve um suspiro de longo amargura antes de ouvir, ― Bem aqui,
imbecil. ― à sua esquerda.
Os olhos de Arran lentamente se voltaram para a mulher. ― Você?
― Sim. ― ela disse com um rolar de seus olhos. ― Por que todo
mundo fica tão surpreso?
― Talvez porque você usa 'Ronnie' como seu nome, moça.
O homem mais velho riu, mas ficou calado quando Ronnie lhe en-
viou um olhar fulminante.
―Escute, eu não sei quem você é, mas vamos entender isso de
uma vez por todas. Sou a Dra. Veronica Reid, também conhecida como
Ronnie.
― Não há necessidade de ficar irritada, moça. ― Arran disse para
acalmá-la, mas ele amou o fogo que via dentro dela. Pelo jeito que

22
seus olhos castanhos brilharam, ele sabia que ele tinha dito a coisa er-
rada.
― Não precisa, hein? ― Ronnie perguntou, sua voz de acento
americano ficando mais alto, mais irritada ela se tornava. ― Como você
gostaria que todos questionassem quem você é?
― Ronnie. ― o homem mais velho disse enquanto tentava, e não
conseguia. esconder seu sorriso. ― Dê uma chance ao pobre rapaz. Ele
não pode saber que você teve um dia ruim.
Ronnie fechou os olhos e respirou fundo. Quando olhou de novo
para Arran, sua raiva havia evaporado. ― Me perdoe. Como Pete disse
com tanta sabedoria, você não pode saber sobre o dia que eu tive. Eu
não tinha o direito de me irritar, como você disse.
― Sem danos causados. Eu sou Arran MacCarrick.
Ela estremeceu quando ouviu o nome dele. ― Saffron disse que
você estava vindo. Sei que as primeiras impressões são importantes, Sr.
MacCarrick, mas espero que você se esqueça do meu.
Arran não tinha planos, mas não lhe disse isso. Além disso, gosta-
va do que tinha visto. Talvez demais. O fato de que ela era a Dra. Reid
definitivamente colocava freios em qualquer tipo flerte ele poderia ter
pensado em fazer, mesmo seu pau sendo condenado.
Flertar poderia estar fora, mas ele estava lá para saber tudo o que
havia sobre Ronnie e o que ela estava à beira de descobrir. Ele tinha
que se aproximar dela.
Aye. Muito perto.
Como iria fazer isso e não ceder à necessidade de puxá-la contra
ele e provar seus deliciosos lábios cor-de-rosa, não tinha ideia. Mas ele
teria que pensar, e rapidamente.
― Não se preocupe sobre isso, Dr. Reid.
― Por favor. ― ela disse enquanto estendia a mão. ― Me chame
de Ronnie. Qualquer amigo de Saffron é meu amigo.

23
Arran pegou sua mão pequena e fina na dele. Algo elétrico passou
entre eles com aquele toque simples. E assim mesmo, a paixão irrom-
peu fora de controle, e foi dirigida diretamente para Ronnie.
Seu corpo aqueceu, suas bolas apertaram novamente. Todo o de-
sejo que tinha estado empurrando de lado rugiu para a vida, instando-
o, levando-o para puxá-la em seus braços e provar seus lábios. Ela ti-
nha a aparência de uma pessoa calma, mas Arran podia ver a paixão
queimando logo abaixo da superfície, esperando para ser solta.
O ligeiro alargamento dos olhos dela permitiu que soubesse que
ela também sentira. Ele queria pressioná-la, para fazê-la reconhecer o
que havia entre eles.
Ele queria ver o desejo em seus olhos, sentir sua carne quente sob
suas mãos. Um tremor atravessou a mão dela, e Arran encontrou-se
puxando-a para ele. Por um momento, ela se inclinou para ele. Seu
olhar baixou até seus lábios. Nada importava, além de uma amostra de
seus beijos.
Ela apressadamente desviou o olhar. Mas não antes que ele visse a
luxúria escurecer seus olhos cor de avelã.
Arran recuou seu sorriso no último minuto. Assim que ele estivesse
sozinho, ele iria ligar para Saffron e deixá-la saber sua pequena brinca-
deira sobre manter a identidade secreta de Ronnie como mulher não ti-
nha sido engraçada.
Ele se perguntava por que ela tinha intencionalmente tinha deixa-
do de fora o que Ronnie parecia. A princípio, ele pensou que Saffron es-
tava apenas preocupada com o bebê, mas agora ele sabia a verdadeira
causa.
Contudo, por todas as razões que ele estava irritado com Saffron,
Arran ficou mais do que satisfeito com o que ele viu de Ronnie. Ele a
queria. Nay, querer era uma palavra muito fraca. Ele estava faminto por
Ronnie, doía sentir seu corpo suave contra o dele.
Seu cabelo cor de trigo e seus olhos avelã se destacavam contra o
bronze escuro de sua pele. Olhos amendoados, nariz atrevido, lábios in-
críveis... não havia nada sobre Ronnie que não fosse feminino e com-
pletamente sedutor.

24
Ela era o tipo de mulher que parecia bem vestida com um vestido
formal, ou como ela estava com jeans, camisa, e casaco empoeirado
com sujeira e lama.
Era o tipo de mulher que Arran gostava. O tipo que ele nunca foi
capaz de encontrar.
A ironia não passou despercebida.
― Me chame de Arran, por favor.
Por longos momentos, eles simplesmente se olharam nos olhos.
Ele sabia que ela sentiu o desejo, sabia pela forma como seu pulso ace-
lerou em sua garganta que ele a afetou.
― Eu sou Pete Thornton.
Arran relutantemente soltou a mão de Ronnie e abanou a de Pete.
Levou tudo o que pôde para não rosnar para Pete por interrompê-los.
Em vez disso, forçou um sorriso. ― Qual sua função nesta escavação?
Pete olhou para Ronnie e ambos riram, mas foi Pete quem respon-
deu. ― Eu fui professor de Ronnie em Stanford. Ela tinha um amor por
arqueologia que eu nunca tinha visto antes. E sua habilidade para en-
contrar coisas é incomparável.
―É mesmo? ― Arran ficava mais intrigado com Ronnie Reid quan-
to mais descobria sobre ela. Havia magia aqui. Poderia ser dos artefa-
tos mágicos perdidos há muito tempo, do pingente Ronnie usava, ou
Ronnie mesmo?
Arran não podia esperar para descobrir.
― Chega, Pete. ― disse Ronnie com um sorriso tímido. ― Você
sabe que às vezes temos sorte em nossas escavações, e às vezes não.
― Ah, mas você tem mais sorte do que a maioria.
― Venha, vou mostrar para sua barraca. ― disse Ronnie a Arran.
Ele não foi enganado. Ela tinha cortado Pete antes que ele pudes-
se dizer mais sobre como ela encontrava seus artefatos. ― Muito intri-
gante. ― murmurou para si mesmo.

25
Com um aceno para Pete, Arran a seguiu enquanto atravessavam
a área delimitada com cordas pelo governo. A limitação com cordas cor-
da lhes permitia cavar, mas também mantinha os outros de fora.
Milhares de conversas, gritos, o som de pás mergulhando no chão,
e até mesmo a batida de martelos golpeando pedras enchiam o ar.
Como se estivesse lendo sua mente, Ronnie sorriu. ― Ninguém
nunca percebe quão barulhento os sítios podem ser.
― Aye. Eu não estava esperando isso. O barulho, nem a quantida-
de de pessoas.
― Podemos usar cerca de uma dúzia mais. Então esta é a sua pri-
meira escavação arqueológica?
― É sim. Mas não serei um obstáculo.
Arran não perdeu o modo que ela o olhou de cima abaixo, uma
vez que chegaram ao conjunto de tendas que estavam em um semicír-
culo na frente de dezenas de traillers.
― Não, eu não espero que você seja. Por que a minha escavação,
embora?
― Esse é meu país. Quero ver o que o passado guarda.
Ela deu um pequeno aceno de aceitação. ― Esta é a sua tenda.
Você estará compartilhando com Pete por algumas noites antes que ele
volte para os Estados Unidos para negócios.
Arran mergulhou na tenda através da abertura com zíper. Ele viu
duas camas dobráveis, uma de cada lado da pequena tenda. Não era
ótimo, já que ele teria que compartilhar, mas poderia ter sido pior.
―Isso estará bem. ― disse ele por cima do ombro antes de jogar
as duas malas na cama que tinha sido acabada de ser arrumada.
***
Ronnie tentou não olhar para seu traseiro, ela realmente tentou.
Mas ela nunca tinha visto um homem preencher um par de jeans da
maneira Arran MacCarrick fazia.

26
E não era apenas seu jeans. De seus ombros largos e peito mus-
culoso à maneira que o torso estreitava às calças de jeans que descan-
sam baixo em seus quadris magros e que encerram as longas pernas,
fascinou-a. Ronnie apostaria que por baixo daquela camiseta preta es-
tava um abdômen tão definido, ela seria capaz de contar cada gomo
dele.
Em uma palavra, ele era delicioso.
Ele era a encarnação de alto, sombrio e bonito. Era seu sorriso,
aquele que dizia conhecer segredos da carne que ela só podia imaginar.
Um sorriso que a acenava para lançar a cautela ao vento e deixar seu
corpo comandar.
Mas ela já cometera esse erro uma vez. Um homem alto, sombrio
e bonito era suficiente para uma vida inteira. Não importava que Arran
transpirasse um magnetismo sexual ao qual ela se achava inexplicavel-
mente atraída. Ele tinha carisma e confiança de sobra.
Adicionar a isso a um corpo firme e musculoso uma mulher cega
poderia babar, e Ronnie sabia que ela estava em apuros com A maiús-
culo. Arran exibiu aquele sorriso e olhou para ela como se pudesse
olhar profundamente dentro de sua alma e descobrir seus mais selva-
gens sonhos e desejos.
Por um momento, ela quase o deixou.
Por um momento, ela pôde se ver com ele.
Nua. Membros entrelaçados, respirações ásperas e desiguais, pele
suja com suor e desejo dominando-a, levando-a.
Ronnie não podia desalojar a imagem agora que ela a conjurara. E
senti-la. Seu corpo pulsava, como se desejasse ser tocado. Por Arran.
Seu coração batia em seu peito enquanto lutava contra a atração
de seu corpo. Seria tão fácil ceder e deixar a paixão dela e a virilidade
dele ditar tudo.
O membro mais novo de sua equipe era amigável o suficiente,
mas ela não perdeu a forma como seu olhar se movia ao redor do sítio,
como se estivesse tentando estudar tudo sem ser visto.

27
Saffron tinha financiado muitas das escavações de Ronnie, então
ela não podia dizer-lhe não quando Saffron perguntou se um amigo po-
deria ajudar no sítio. No entanto, agora Ronnie tinha o desejo de cha-
mar Saffron e saber tudo que pudesse sobre Arran.
Não era apenas sua aparência robusta que a fazia perder o contro-
le. Era o brilho em seus olhos dourados, a maneira como ele portava,
como se estivesse pronto para a batalha.
O que era bobagem, porque não havia nada para lutar.
Ronnie riu para si mesma.
― O que foi? ― perguntou Arran quando se endireitou.
Ela balançou a cabeça e sorriu. ― Toda vez que venho à Escócia,
acho que vou ver homens com espadas amarradas a eles, prontos para
a batalha.
Ele não riu como ela esperava. Em vez disso, ele olhou para ela
com seus incríveis olhos dourados, uma intensidade sobre ele que fazia
com que fosse difícil para ela respirar.
As sobrancelhas escuras entre os olhos e uma testa alta. Uma ri-
queza de cabelos tão castanho-escuro que quase parecia negro era
mantido longo com um toque de uma onda e pendurava por seus om-
bros. Tinha cílios pesados e espessos, e a barba escura em suas boche-
chas cinzeladas e mandíbula quadrada só aumentava sua atração.
Depois, havia os seus lábios largos, mais cheios do que deveria ser
o de um homem. Eles a fizeram pensar em membros emaranhados, de
beijos longos e sensuais onde ela esqueceria tudo, exceto o homem
que a tocava.
Como um pacote total, Arran era o tipo de homem que virava as
cabeças onde quer que fosse. As mulheres o queriam, e os homens
queriam ser ele.
Ronnie sabia o que vinha com um homem como Arran. Todo ins-
tinto lhe dizia para mandá-lo embora, mas ela precisava de mãos ex-
tras. E não podia recusar o pedido de Saffron.

28
Sem mencionar que ela não podia ignorar o desejo de seu corpo,
não importa o quanto ela tentasse. Seu coração estava acelerado, seu
sangue ardendo em suas veias desde que ele tinha caminhado para ela.
Sua atitude fácil, descuidada e sedução extrema não poderia ser des-
considerada, não importa o quanto ela tentasse fazer exatamente isso.
Ela puxou seu casaco mais apertado num esforço para proteger
seus mamilos doloridos. Tinham-se endurecido na primeira inflexão de
sua voz profunda e aveludada. Seu sotaque escocês baixo e grosso.
Bastava ouvi-lo falar e arrepios corriam ao longo de seus braços.
É estranho que nenhum dos outros escoceses tenha causado a
mesma reação.
― Você não está muito enganada. ― ele finalmente disse, tirando-
a de seus pensamentos. ― Minha terra tem visto inúmeras batalhas
quando homens lutaram para nos governar.
― Você fala como se tivesse vivido aqui desde o início dos tempos.
Ele encolheu os ombros. ― Talvez eu tenha uma vida passada.
Ronnie normalmente rejeitava tais ditames absurdos, mas de algu-
ma forma, ela acreditou quando Arran disse isso. Talvez não que ele ti-
vesse vivido outra vida, mas que ele era muito mais do que parecia ser.
Ele era perigoso. Disso ela tinha certeza.
Perigoso para seu psicológico. Perigoso para sua capacidade de es-
quecê-lo como tinha feito com tantos outros homens.
Ele era cativante, carismático e inteiramente interessante demais.
― Por que eu sinto, garota, que você não me quer aqui? ― Arran
perguntou.
― Porque homens como você...
― Homens como eu? ― Ele interrompeu, uma sobrancelha escura
levantou como se ele não gostasse de ser comparado a outros homens.
E ela tinha que admitir, Arran MacCarrick realmente não podia ser
comparado a ninguém.

29
― Sim, homens bonitos que vêm às escavações distraem as mu-
lheres. Eles flertam e se envolvem em vez de se concentrar na escava-
ção. As pessoas podem ficar feridas, artefatos perdidos, quebrados ou
roubados, e um grande número de coisas quando as pessoas não estão
se concentrando em suas tarefas.
― Então, você acha que eu sou bonito, ― ele disse com um sorri-
so torto.
Ronnie suspirou e revirou os olhos, tentando não sentir seu estô-
mago flutuar com seu sorriso. Tinha a vontade de lhe devolver o sorri-
so, mas aprendera a lição há muito tempo com homens tão ousados e
lindos.
― O que eu acho que está fora da questão. Você está aqui porque
Saffron pediu. Eu a conheço. Se você é seu amigo, eu só quero pedir
que você se lembre disso quando as mulheres começarem a tomar co-
nhecimento de você.
Seu sorriso desapareceu e seu olhar se estreitou. -― Conheço meu
dever. Você não vai ter nenhum problema comigo cheirando em torno
de qualquer uma das mulheres. Eu não posso ajudar se eles vierem a
mim, mas eu te dou minha palavra, eu irei dissuadi-las.
Isso Ronnie não esperava. ― Uh... obrigada.
― Eu sou muitas coisas, Ronnie, mas eu não iria pensar em com-
prometer esta escavação ou você.
Ela trocou de pé a pé, sentindo-se como uma idiota por dizer to-
das essas coisas para ele. ― Eu só precisava que você entendesse.
― E eu entendi, garota. Não se preocupe com isso. Meu couro é
mais grosso do que a maioria, irá precisar mais do que suas palavras
honestas para me aborrecer.
― Eu quase gostaria de ver isso. ― ela disse com um sorriso. As-
sim que as palavras saíram, ela não tinha certeza de onde tinham vin-
do. Ronnie limpou a garganta. ― Por que você não leva o resto da noi-
te para olhar ao redor? Estamos cobrindo coisas para a noite, e Andy e
Pete estão por perto se precisar de qualquer coisa. A primeira coisa
pela manhã, vou lhe dar seus deveres.

30
― Parece bom. Somente, você poderia querer pensar em cobrir
isso ― disse Arran, apontando para a seção de 4x1,5 m de solo recen-
temente escavado. ― Acontece que haverá uma tempestade.
― Eles disseram que não até amanhã.
― O clima escocês é tão inconstante quanto eu tenho visto. Você
não pode confiar no que os meteorologistas dizem. Você deve aprender
a ler o tempo sozinha, garota.
Ronnie olhou para a seção. Eles tinham cavado apenas quatro po-
legadas, mas já tinham encontrado pedaços de cerâmica quebrada. De-
pois de três anos na Escócia, ela sabia como o tempo era variável. Se
chovesse, não havia como dizer o que seria lavado. E ela sabia que al-
guma coisa estava ali, esperando para ser descoberta.
No entanto, cobri-la agora os deixariam atrasados.
As outras seis seções que estavam cavando há mais de um mês já
estavam cobertas para proteger 90% da chuva.
Ronnie olhou para o céu antes de olhar para a nova seção. Havia
algo importante por baixo de toda essa sujeira. Ela sabia isso em sua
alma.
Ela sentia isso.
Não era algo que ela dissesse a alguém, mas esse mesmo senti-
mento era o que a levou a tantos achados em suas escavações passa-
das. Seu... dom ... era o que a fazia famosa, mas era um segredo que
ela teria que levar para o túmulo. Não havia uma alma com quem pu-
desse confiar tal conhecimento.
― Andy! ― chamou. ― Cubra a nova seção o mais rápido possível.
A chuva está chegando!
Andy deu um aceno de cabeça, e instantaneamente os escavado-
res se moveram enquanto outros se apressaram para cobrir a seção.
Ronnie ficou surpresa quando Arran apressou-se a ajudar.
Tão surpresa com isso, que lhe levou um momento antes dela se-
gui-lo. Enquanto todos eles lutavam com a lona azul brilhante, o vento

31
uivava em torno deles, tentando seu melhor para sacudir a lona fora de
suas mãos.
Não foi até a lona foi estacado firmemente no chão que Ronnie
olhou para cima. E encontrou olhos dourados observando-a, avaliando-
a. A atração que sentira antes a puxou para ele.
Ela manteve os pés enraizados no ponto de algum modo, mas não
havia como negar que queria Arran. Seus beijos, seu toque, seu... cor-
po.
Um batimento cardíaco mais tarde, a primeira gota de chuva gorda
pousou em sua bochecha. Antes que ela pudesse ficar em pé, os céus
desencadearam uma tempestade como nenhuma que ela alguma vez ti-
vesse visto.
Enquanto todo mundo se apressava para sair da chuva, Ronnie ve-
rificou as estacas mais uma vez antes de ir para a próxima seção e as
estruturas de tenda que tinham sido erguidas sobre os locais recém ca-
vados.
A chuva encharcava seus jeans, mas seu casaco, que era imper-
meável, ajudava a manter a parte superior do corpo seca. A maneira
como o vento chicoteava, a jaqueta não podia segurar tudo.
E as gotas correndo por seu rosto e cabeça, no pescoço de sua ca-
misa estavam rapidamente a ensopando.
Enquanto ela verificava uma das cordas das estruturas que cobri-
am uma escavação, Outra se desprendeu do seu nó e começou a sol-
tar-se violentamente ao vento.
Ronnie saltou para ela, mas parecia ir mais alto, como se estivesse
provocando-a. De repente, uma sombra surgiu atrás dela quando uma
grande mão agarrou a corda.
Ela se virou para encontrar Arran. Ele piscou a chuva para fora de
seus olhos, e com um aceno de cabeça, ajoelhou-se para prender a
corda. Ela não observou-o ou a forma como sua camiseta molhada se
agarrava a suas costas então seus músculos se moviam e se agrupava
enquanto trabalhava.
Pelo menos ela tentou não olhar.

32
Era difícil quando ele era tão grande. Ela não era uma pessoa mi-
núscula, mas ele a fazia se sentir assim.
Ela recuou para colocar alguma distância entre eles quando trope-
çou em uma das estacas. Seus braços se agitaram violentamente en-
quanto tentava manter seu equilíbrio.
De repente, ela foi puxada contra um peito duro como uma rocha,
olhando para os olhos nublados de Arran. Um de seus braços envolveu
firmemente ao redor dela enquanto sua outra mão foi esticada na parte
inferior das costas dela, segurando-a contra ele.
Ronnie instintivamente segurou-o, os músculos grossos debaixo de
sua camisa molhada eram quentes e sólidos, seu corpo imóvel, rígido.
Ela piscou através da chuva para encontrar seu rosto polegadas do
dela. Aquele puxão que ela sentiu antes a empurrou rapidamente,
prontamente.
Decisivamente.
O olhar dele caiu para sua boca, e seu estômago caiu nos pés
quando ela percebeu seus lábios separados, esperando ansiosamente
pelo beijo dele.
Seu coração acelerou quando ela sentiu o duro volume da excita-
ção dele contra seu estômago. O calor inundou-se entre suas pernas, e
seus joelhos ficaram fracos.
O braço dele apertou-a uma fração enquanto sua cabeça abaixava
aqueles últimos centímetros. Não havia como ela negar o beijo que sa-
bia que estava vindo. E ela não queria.
As pálpebras dele se ergueram para que os olhos dourados a fitas-
sem, o desejo ardendo para que todos pudessem ver. Ele se afastou um
pouco, como se estivesse se contendo. ― Você precisa ter mais cuida-
do, lass.
― Ele disse moça como um carinho, suave e como um aceno. De-
morou um momento antes que Ronnie pudesse soltá-lo porque ela não
confiava em suas pernas para segurá-la. Quando o fez, deu-lhe um li-
geiro aceno de cabeça e voltou a amarrar as lonas.

33
Ela não sabia o que ela estava mais decepcionada; não receber
seu beijo, ou ter que renunciar a segurá-lo. Ela tinha acabado de pen-
sar que seu corpo era incrível. Então ela o tocou, manipulou aqueles
músculos maravilhosos e sentiu seu calor.
Com ambos verificando o resto das estruturas, Ronnie terminou na
metade do tempo, o que era bom, já que sua mente estava cheia de
Arran e a necessidade ainda correndo por ela. Ela o sinalizou para se-
gui-la enquanto correu para a barraca, com as botas espirrando água a
cada passo.
Não foi até que ela estivesse dentro de seu abrigo e se virasse
para vê-lo mergulhar sua cabeça molhada e entrar para que se pergun-
tasse o que poderia ter feito ela convidá-lo para entrar? Especialmente
depois de quase o beijo deles.
Ela tinha cedido. Ele era o único que tinha mantido isso juntos.
Talvez fosse porque se sentia suficientemente segura com ele. Ele a
queria. A evidência estava lá para ela ver na forma como sua calça je-
ans molhada moldava sua grossa ereção, mas ele levaria isso adiante.
Não importava quanto era bonito, perigoso era perigoso. Apesar
do quanto ela argumentava consigo mesma, ela estava intrigada com
Arran.
Era um jogo precário e perigoso que ela jogava, mas estava confi-
ante de que não faria os mesmos erros de seu passado.
Isso foi até os olhos dourados de Arran fixaram nela, então caíram
para seus seios, que estavam delineados pelas extremamente molhadas
camisa e regata.

34
CAPÍTULO TRÊS

Ronnie poderia ter se coberto com seu casaco. Ela poderia ter se
afastado.
Em vez disso, ficou completamente imóvel, como se o desafiasse a
tocá-la, a beijá-la. Tomar tudo o que ela estava muito com muito medo
de se oferecer.
O desejo que ela viu nos olhos de Arran a manteve imóvel, cativa.
Uma fagulha de fome tão crua, tão visceral brilhou em suas profunde-
zas que o fôlego dela parou, trancado em seu peito.
Ela estava pega, presa. Capturada. Tudo pelo olhar de necessidade
em seus olhos dourados. Quando ela arrastou em uma respiração irre-
gular, Ronnie podia sentir seu corpo derretendo em direção a ele.
Arran era como um campo de força puxando-a, rebocando-a. Ela
sabia que deveria se afastar, ou pelo menos fingir que não tinha visto
sua reação. Mas não podia. Era como se o mundo parasse por alguns
segundos, e eram apenas os dois.
Ele foi o primeiro a desviar o olhar, e Ronnie não quis avaliar o
quanto ficou chateada com isso.
Com a coragem que a levara através da vida, ela tirou a jaqueta e
a colocou sobre a cadeira para secar. Ela então virou-se as costas para
Arran e retirou as mechas do cabelo molhado de seu rosto. Pelo menos
seu coque tinha segurado.
― Obrigada pela ajuda. ― disse ela, quando conseguiu encontrar
a voz.
― Eu fiz o que qualquer um faria.
― Se estivessem lá. ― ela disse, e olhou por cima do ombro para
ele.
Ele estava de lado, seu olhar em algo fora, através da abertura de
sua barraca que ele tinha levantado a aba alguns centímetros para
olhar através dela.

35
Ronnie pensou que tivesse avaliado Arran assim que o viu, mas
mesmo no pouco tempo que ela passou com ele, percebeu que estava
terrivelmente errada.
Com a atenção dele desviada, Ronnie tirou a camisa molhada e a
regata antes de puxar rapidamente um de seus velhos moletons de
Stanford.
***
Arran manteve seu olhar focado do lado de fora, mas dentro da
barraca ele estava ciente de cada movimento de Ronnie. Do som do
material molhado deixando seu corpo para sua inspiração rápida quan-
do o ar fresco bateu sua pele nua. De alguma forma, ele conseguiu
manter de olhar nela enquanto ela mudava de camisa, o que tinha sido
uma façanha em si.
Tinha conseguido um vislumbre de seus seios enquanto sua cami-
sa se agarrava a eles. Eles não eram pequenos ou grandes. Eles eram
uma porção perfeita.
E como ele ansiava vê-los desnudados, para observar enquanto
seus mamilos ficariam rígidos enquanto ele brincava e os sugava.
Arran sabia que ele estava atraído por Ronnie, ele simplesmente
não tinha percebido o quão grande era essa atração até que a tivesse
abraçado.
Sentindo-a.
Tocando-a.
Ele conhecia a sensação de seu corpo contra o dele agora. Ele a
abraçara, conhecia sua suavidade e ansiava por mais. Muito mais. Quão
perto ele ficou de beijá-la. Ela queria isso, teria aceitado.
De sua parte, não se lembrava de sentir tanta necessidade de bei-
jar uma mulher antes. Surpreendeu-o o suficiente para fazê-lo parar.
Agora ele lamentava essa hesitação.
Ronnie queria mantê-lo a uma distância segura, por causa de seus
próprios desejos que ela obviamente não confiava. Ele estava lá há me-

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nos de uma hora, e seu pau já estava doendo para ser enterrado den-
tro dela, sentir seu calor úmido e pegajoso enquanto a enchia.
Arran cerrou os dentes. Que diabos estava errado com ele? Desde
que ele chegou ao sítio de escavação e a magia o tocou, ele estava no
limite, uma estranha sensação o atravessava e que ele não sentira an-
tes.
Não era magia drough. Isso ele sabia.
Ele passara o último ano na constante companhia de Druidesas,
então por que a magia o afetaria agora? A única explicação era que isso
era magia antiga que estava sentindo.
O que quer que fosse, ele precisava se controlar. Precipitadamen-
te. Ronnie já havia lhe dito que não o queria brincando por ali, e como
tudo o que ele queria fazer era jogá-la na cama e cobrir seu corpo com
o dele, isso estava ficando malditamente problemático.
Agora ele desejava ter trazido outro Guerreiro com ele. Era supos-
to ser uma missão simples. Arran deveria ter sabido que seria tudo,
menos simples.
― Por que você não me diz por que está realmente aqui?
A voz de Ronnie, fria e direta ao ponto, puxou a cabeça para ela.
Qualquer desejo que tivesse tido em seus olhos cor de avelã antes es-
tava enterrado. ― Do que você está falando?
― Meu pai adotivo era um detetive no nosso departamento de po-
lícia local. Eu conheço esse o olhar alerta que você tem, aquele que diz
que você observa tudo e todos. Agora, pare de desperdiçar meu tempo
e me diga o que você realmente está fazendo aqui.
Arran gostou de sua atitude franca. Ele a estudou por um momen-
to, notando as letras desbotadas em seu moletom e a maneira como os
cabelos caíam do coque pendurados ao lado do rosto. Perguntou-se por
quanto longo seus cabelos eram, e se eram tão sedosos quanto pare-
cia.
Ele imaginou isso caindo em volta dele enquanto ela se inclinava
sobre ele, lentamente abaixando-se sobre ele. Sua mão apertou os pu-

37
nhos enquanto pensava em deslizar as mãos pelo cabelo e enrolá-lo em
torno de seus dedos.
― Eu estou aqui para ajudar com a escavação. Estou interessado
nisso, e essa é a verdade. Aye, eu observo coisas. É o que eu faço. É
parte de mim e não algo que eu possa mudar.
― Homens como você não aparecem sem motivo algum.
― Essa é a segunda vez que você disse 'homens como eu'. Eu a
assusto, lass?
Ela ergueu o queixo e enfiou os dedos nos bolsos dianteiros de
sua calça jeans.
―Não há muito nesta vida que eu não possa administrar.
― Isso eu acredito. ― Ele não pôde parar o sorriso que se seguiu.
Ronnie tinha coragem. Era óbvio pela maneira como ela se referia
aos homens que algo acontecera em seu passado. Tinha alguma coisa
a ver com o pai? Um amante do passado? Possivelmente um marido?
Arran não sabia, mas queria descobrir. Ele não gostava de ser
comparado a outros, especialmente quando ninguém mais podia se ri-
valizar com um guerreiro.
Ele olhou para a corrente de ouro que caía escondida debaixo de
seu moletom. ― Onde você conseguiu o pingente?
― Em uma escavação há três anos no norte da Escócia. ― Ela ti-
rou o pingente e correu os dedos ao longo do trabalho de nós. ― É re-
quintado, não é? Acho incrível que eles pudessem criar tais obras de
arte há tanto tempo que nossos artesãos hoje mal conseguem replicar.
― Os Celtas eram um povo incrível.
― Eu sempre fui fascinada com eles. ― disse ela com um pequeno
sorriso, Seu olhar ainda no pendente.
― O que seus estudos americanos lhe disseram sobre meus ante-
passados?

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Seus olhos levantaram para os dele então. ― Não tanto quanto eu
sei que está lá fora. Eu tenho feito minha quantidade de pesquisa, e eu
sempre saio sentindo como se um pedaço enorme da história dos Cel-
tas foi deixado de fora.
― Talvez porque eles não queriam que os outros soubessem?
Ela bufou. ― Eles eram um povo orgulhoso. Você sabe disso. Você
pode imaginá-los não querendo dizer ao mundo quem eles eram?
Arran deu de ombros e cruzou os braços sobre o peito. ― E se eu
dissesse que poderia responder a todas as suas perguntas sobre os Cel-
tas?
Ele não sabia por que ofereceu. Ele não podia dizer a ela. Seria
perigoso para qualquer um que não fosse um Druida ou um Guerreiro
saber da existência de um Guerreiro. E os celtas estavam ligados aos
Guerreiros.
― Claro. ― disse ela, e fez um som no fundo da garganta. ― Eu já
tive a mesma oferta antes e foi dito alguma bobagem sobre magia e
Roma e guerreiros.
Arran retesou, sua atenção total sobre a mulher diante dele. Seus
braços caíram de lado e deu um passo em direção a Ronnie. ― Quem
te disse isso?
― Um voluntário na escavação há três anos. Ele era um homem
idoso que fazia com que todos tivessem algo para beber e comer.
Quando eu encontrei o pingente, ele me perguntou se eu queria saber
a história dos Celtas. Não tendo ideia de que eu ia receber um monte
de mentiras, eu disse que sim.
Arran respirou fundo para manter a calma. ― Qual é o nome do
homem? Onde ele está?
― O que importa? ― ela perguntou, sua voz baixando com suspei-
ta. ― Era apenas uma história.
― Ronnie, eu preciso saber quem é este homem.

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Ela procurou seu olhar por um momento antes que dissesse. ― Ele
morreu um mês depois no sítio. Ele caiu e bateu a cabeça em uma pe-
dra. Ele estava morto instantaneamente.
A história dos Druidas, de Roma e da criação dos Guerreiros não
era uma que ninguém além de um Druida ou um Guerreiro soubesse.
Quem era esse homem que contara a história a Ronnie?
― Qual era o nome do homem?
Arran perguntou. A sobrancelha de Ronnie levantou-se. ― O que
isso importa? Ele está morto.
― Por favor, Ronnie.
― Diga-me porquê.
― Droga, você é uma teimosa, ― Arran disse exasperado enquan-
to olhava para longe e tentava encontrar uma razão plausível que ele
pudesse dar.
Ela simplesmente sorriu E encolheu os ombros. ― Como qualquer
um que me conhece atestará. Agora, me diga por que é tão importan-
te. Por que as divagações de um homem velho interessa... Sua voz
morreu quando a percepção caiu sobre seu rosto. ― A menos que sua
história fosse verdade. ― concluiu.
Arran tinha que pensar rapidamente. A mente de Ronnie era afia-
da, mas ele não sabia ao certo o quanto ela sabia, nem o quanto o ve-
lho tinha entendido direito.
― Nós, escoceses, somos protetores das histórias faladas. A magia
tem estado associada com esta terra. Alguns acreditam nela e procura-
rão fazer o que puderem para encontrá-la.
― Com que propósito? ― perguntou ela.
― Para destruí-la. Ou pior, para usá-la em sua vantagem.
A cabeça dela inclinou para o lado. ― Você acredita em magia?
― Se você tivesse visto as coisas que eu vi, Dra. Reid, você não
estaria me perguntando isso.

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Ela riu, o som tão musical e lindo que o fez sorrir em troca. ―
Essa foi uma boa resposta, mas não uma resposta.
― Foi certamente uma resposta. Você só precisa saber como deci-
frar as palavras de um escocês.
― Você gosta de brincar comigo, não gosta?
― Gosto desse bate-papo. ― respondeu ele honestamente. Ele
também gostou de ver as emoções passarem através de seus lindos
olhos cor de avelã. ― A maioria dos meus amigos são casados e, em-
bora discutimos verbalmente, às vezes, é bom poder fazer isso com al-
guém tão inteligente e atraente como você.
― Oh, e agora um elogio. ― disse ela quando olhou para o chão.
― Eu não recebo muito disso. Obrigada.
― Eu não digo coisas que eu não quero dizer. Lembre-se disso. O
nome do homem?
― Vou dar quando você me disser por que é tão importante.
― Eu disse, moça.
Ela revirou os olhos. ― Você me deu uma conversa fiada. Trato de
verdades, Arran.
A conversa foi interrompida quando o celular de Arran tocou, e
Andy entrou na tenda.
―Até amanhã. ― Arran disse, e esquivou-se na chuva antes que
ele mudasse de ideia e ignorasse a chamada de Fallon.
Ronnie encarou a abertura depois que Arran partiu. Andy estava
falando, mas ela não registrou nada do que ele estava dizendo.
Em sua mente, ela estava repassando sua conversa inteira com Ar-
ran. Ele era espirituoso e encantador. Um velhaco da primeira ordem. E
um que ela deveria manter afastado.
Mas ela sabia que ela não manteria. Havia tanto tempo desde que
seu corpo a tinha governado, e ele se sentiu bem, mesmo. Estar nos
braços de Arran fez com que ela se lembrasse do que era sentir a falta
de fôlego correndo por ela.

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Exceto que com Arran, aquela necessidade sem fôlego foi aumen-
tada dez vezes. Assustava-a, a necessidade que sentiu em seus braços,
de saber a promessa sexual que via em seu olhar.
Dar-se a um homem como ele.
Se fosse apenas atração ela poderia ser capaz de lutar contra isso,
Mas a atração era mais profunda, como se um laço invisível estivesse
arrastando-a para Arran.
Como se seus destinos estivessem entrelaçados.
O pensamento a deixou gelada.
Um futuro que envolvesse qualquer menos ela mesma só termina-
ria em tragédia. Ela tinha que manter-se distante se quisesse encontrar
a relíquia que procurava.
Era demasiado importante para esquecer. Demasiado importante
para ela ficar flertando, mesmo com um homem tão encantador e sexy
como Arran MacCarrick.

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CAPÍTULO QUATRO

Arran respondeu ao telefone com uma expressão sucinta, ― Aye?


― Eu acho que você já chegou ai? ― Fallon perguntou.
Arran suspirou e rapidamente entrou em sua barraca. Ele estava
encharcado, mas seu sangue estava em chamas por causa de uma mu-
lher. ― Ronnie Reid.
― Aye. ― ele respondeu.
― O que está acontecendo? Ouço algo em sua voz.
Arran limpou a água dos olhos enquanto permanecia em pé no
meio da tenda. ― Nada que eu não possa controlar, Fallon.
― Esta missão é importante. Se eu precisar envio outro Guerrei-
ro...
― É uma maldita mulher, está bem? ― ele respondeu firmemente.
― Isso é tudo que há errado comigo. Não precisa enviar ninguém.
Houve silêncio por um batimento cardíaco antes de Fallon rir. ―
Você me preocupou. Quem é esta mulher?
― Ronnie Reid.
― A arqueóloga que está executando a escavação?
― Ela mesma.
― Você está maluco, cara.
― E eu sei disso. ― Arran decidiu afastar o assunto dele. ― Há
magia aqui. Eu senti isso assim que eu cheguei aqui.
― Você acha que é o feitiço?
Arran olhou para fora da entrada da tenda. A chuva tinha manda-
do todos se afastarem. Seria um momento perfeito para ele dar uma
olhada. ― Poderia ser, ou poderia ser apenas o restante dos artefatos
mágicos enviados de Edimburgo. Ronnie tem um colar que é celta anti-
go. Isso pode ser parte da fonte.

43
― Há mais outra coisa .
― Provavelmente não é nada.
― Arran. ― disse Fallon, com a voz baixa. ― Eu posso estar ai em
um piscar de olhos. Não minta para mim.
Ele apertou os olhos fechados porque não queria compartilhar a
próxima parte ainda, pelo menos não até que soubesse com certeza. ―
Há um Druida aqui. E antes que você fique tudo animado, eu ainda não
encontrei. Toda essa área zumbe com magia. Estou tendo dificuldade
com a enorme quantidade dela.
― Mas você sentiu alguma coisa?
― Aye. E não foi magia drough.
Arran podia ouvir Fallon tamborilando seu dedo na mesa através
do telefone. Ele esperou enquanto Fallon pensava em tudo.
E mesmo que o olhar de Arran devesse estar no sítio da escava-
ção, ele se encontrou olhando para a tenda de Ronnie. A luz estava
acesa, e ele podia ver a silhuetas dela e de Pete
― Vá com cuidado. ― disse Fallon.
Arran sabia que ele estava falando sobre a missão, mas Arran es-
tava pensando em Ronnie. ― Isso foi decidido antes de eu ir sair daí.
― Aye, mas não sabíamos o que esperar. Eu acho que você vai
aprender mais aí por conta própria, mas eu não vou arriscar nada. Na
primeira sugestão de problemas, estou enviando Charon ou Malcolm.
― Não chegará a isso. ― disse Arran, e terminou a conversa.
Enfiou o telefone em sua mochila e entrou na chuva mais uma
vez. Era uma chuva forte, uma tempestade que duraria várias horas.
Embora Arran não tivesse chance de levantar qualquer das lonas
para perscrutar abaixo, ele poderia explorar a área para conhecer onde
estariam os melhores lugares para entrar ou sair.

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A área era maior do que Arran percebeu na primeira vez. Havia
muito que tinha sido seccionado fora do que aparentemente Ronnie
queria cavar, mas eles não tinham mesmo escavado o chão ali.
Olhou para a mais nova seção de terra que havia sido escavada.
Esse parecia ser o lugar que mais interessava à ela. Ainda assim, Arran
fez uma nota mental de onde estavam os outros.
As nuvens da tempestade tinham escurecido o céu, mas estava
claro o suficiente para que ele pudesse ser visto, então Arran caminhou
até seu SUV para fazer parecer que tinha esquecido algo.
Depois de mexer no porta-malas por um momento, fechou a porta
e então se apoiou contra o veículo. A chuva nunca o incomodara. Ele
sempre achou isso estranho que as pessoas neste mundo moderno,
corriam da chuva como se a chuva fosse prejudicá-los de alguma for-
ma.
Ao seu ver, a chuva lavava a sujeira que cobria o mundo. E o mun-
do precisava de mais chuva.
Ele deu duas voltas em todo o sítio da escavação, certificando-se
de que ninguém o vira. Com a tempestade, era fácil, já que todos fica-
vam em suas tendas ou trailers.
Com sua patrulha terminada, Arran lentamente voltou para sua
tenda. Ele não pôde deixar de olhar para Ronnie. Ela estava sozinha
agora, e por um segundo, Arran pensou em voltar até ela para ver se
conseguia o nome do velho.
Ou um beijo.
Mas Ronnie iria querer saber por que ele precisava do nome. Arran
não podia dizer-lhe a verdade, embora ela quase tivesse juntado todas
as peças.
Era necessário que ele ficasse na escavação, e se ela mergulhasse
na história do velho e descobrisse que Arran era um Guerreiro, duvida-
va que ela permitisse que ele permanecesse no sítio.
Arran continuou andando até chegar em sua própria tenda. Ele se
endireitou e balançou a cabeça vigorosamente para se livrar da água.

45
― Acho eu que deveria ter ficado lá fora. Estaria mais seco.
Arran ergueu o olhar para encontrar Pete sentado em sua cama e
coberto com gotas de água. ― Minhas desculpas. Eu não sabia que
você tinha voltado.
― Eu pensei em jantar com Ronnie, mas sua mente está em outro
lugar.
Arran tirou a camisa e cavou uma em sua mala e um novo jeans.
Uma vez que ele se trocou e colocou suas roupas e botas encharcadas
para secar, sentou-se em sua cama e dobrou um joelho para colocar
seu pé nu sobre a cama.
Deixou um braço descansar sobre o joelho enquanto estudava
Pete, que estava ocupado folheando um livro à luz do lampião sobre a
mesa entre eles. Sua vaidade masculina ficou feliz em ouvir que seu
quase beijo em Ronnie a tinha aturdido como ele também estava.
― Ronnie é uma mulher determinada. ― Pete disse através do si-
lêncio. Ele levantou os olhos de seu livro, seus olhos fixando em Arran.
― Eu percebi.
―Esta é a sua vida, e ela não deixa nada interferir com isso. Se
você tem alguma ideia de seduzi-la...
― Não é por isso que estou aqui. ― Arran interrompeu-o antes
que Pete pudesse continuar. ―Estou aqui pela escavação, não para en-
contrar uma mulher.
Pete grunhiu e virou algumas páginas mais. ― Apenas mantenha o
que eu disse em mente. Ronnie é capaz de cuidar de si mesma.
― Mas você sente a necessidade de protegê-la.
― Aye. Ronnie é ... especial . ― disse Pete. Ele fechou o livro e co-
locou-o ao lado dele enquanto se virava para sentar-se de lado na
cama. Então apoiou os antebraços nas pernas e juntou as mãos. ― Eu
gosto de você, Arran, e eu vi o jeito que você olhou para ela antes que
você soubesse quem ela era.
― Ela é uma linda mulher. Sou um homem que aprecia tal beleza.

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Pete sorriu e olhou para fora da tenda. ― Ela não tem ideia de sua
atratividade, o que é parte de seu fascínio. Os homens confundem seu
não interesse como timidez.
Arran não estava certo por que Pete estava contando tudo isso.
Para avisá-lo, sim, mas havia algo mais lá também.
― Você costuma ajudá-la em suas escavações?
Pete riu e olhou para ele. ― Não. Ronnie há muito que está sozi-
nha. Ela gosta de me deixar tropeçar por aqui, mas é apenas como um
amigo, não um professor. Ela é a única que me ensina agora.
― Mas você a ajuda. ― insistiu Arran.
― De certo modo. Ajudo a organizar as partes para manter as do-
ações para que ela possa continuar seu trabalho. Arqueologia é um ne-
gócio caro.
Arran assentiu. ― É por isso que Ronnie é amiga de Saffron.
― Ah, sim, Miss Fletcher, que se tornou Sra. MacKenna. A empresa
de Saffron tem sido uma doadora, começando com doações de seu pai.
Mesmo quando Saffron pareceu desaparecer, o dinheiro ainda era envi-
ado para Ronnie para continuar suas escavações.
― Com as doações de Saffron, por que você precisa de mais?
― Pete jogou a cabeça para trás e soltou uma gargalhada. Ele cor-
reu uma mão pelo rosto antes que alcançasse debaixo da cama até um
saco e tirou um frasco. Ele desatarrachou a tampa e inclinou o frasco
para um grande gole.
― Não, obrigado. ― Arran disse quando Pete lhe ofereceu um
drinque.
Pete tomou outro gole e enroscou a tampa novamente. ― As doa-
ções do Saffron são altas, mas não cobrem tudo. No entanto, isso nos
permite não ter que pedir muito para os outros.
― Entendo. ― E Arran entendeu. Pete tinha passado da escavação
real para manter Ronnie escavando.

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― Eu acho que você vai se encaixar bem aqui. ― Pete se virou e
deitou de volta na cama. Ele jogou um braço sobre os olhos e grunhiu.
― Se apenas este maldito lugar ficasse escuro como era suposto.
― Onde Ronnie vai depois desta escavação?
Pete deu de ombros. ― Este é seu terceiro ano na Grã-Bretanha, e
parece que ela não tem intenções de sair. Eu continuo tentando levá-la
de volta ao Egito, mas ela está determinada a ficar aqui. Eu não tenho
ideia o que há nesta terra que a mantém encontrando coisas.
― O que há de errado com isso?
― Nada. ― Pete levantou seu braço e olhou para Arran por um
momento. ― Há mais história no Egito é tudo que estou dizendo.
Arran não respondeu quando o braço de Pete mais uma vez cobriu
seus olhos.
― Mas o National Trust da Grã-Bretanha está feliz por tê-la, no en-
tanto.
― O que quer dizer? ― Arran perguntou com cenho franzido.
― Isso significa que ela dá todos os seus achados para eles.
― Tudo?
― Oh, ela irá manter algo pequeno de vez em quando, como o co-
lar que ela usa.
― Pensei que parte de ser um arqueólogo seria dar os achados ao
governo.
― E é.
Mas havia algo na voz de Pete que fez Arran cauteloso. ― Eu sus-
peito que o governo exige as descobertas em troca de escavar em suas
terras.
― Sim. É a forma que sempre foi. Arqueólogos fazem todo o tra-
balho, e obtém um pouco do louvor. Muito tempo depois que os artefa-
tos são colocados em um museu, os que os encontraram são esqueci-
dos.

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Arran relaxou com suas palavras. Ele tinha pensado por um mo-
mento que Pete tinha sido motivado pelo dinheiro, mas agora Arran
compreendeu o tom que tinha em sua voz.
― Como Ronnie se sente sobre isso? ― Arran perguntou.
― Ela não parece se importar. Para ela, é apenas parte de quem
ela é.
Arran deixou o silêncio crescer depois que Pete terminou de falar.
Havia muito sobre Ronnie que Arran tinha aprendido, e ele ainda tinha
que encontrar qualquer coisa que ele não gostasse.
Uma imagem de seu corpo alto e esbelto em sua tenda com suas
camisas ensopadas e agarradas a sua pele brilhava na mente de Arran.
Seu maldito pau começou a endurecer quando ele se lembrou de se-
gurá-la.
Ele tentou empurrar isso de lado, mas era tarde demais. Seu corpo
aqueceu, instantaneamente pronto e necessitado. Se ele sentia uma
necessidade tão esmagadora por ela agora, como seria se a beijasse?
Isso não pode acontecer.
Mas ele queria. Desesperadamente.
Tudo o que fez para varrer esses pensamentos, foi Fallon e Larena,
e os outros casais no Castelo MacLeod que queriam prender os deuses
e ter uma vida normal.
Como se eles pudessem viver normalmente. Eles passaram cente-
nas de anos como imortais, como guerreiros que tinham poderes pró-
prios. Para Arran, era a capacidade de controlar o gelo e a neve.
Isso era sua segunda natureza. Ele queria viver onde não poderia
usar esse poder? Será que ele queria uma vida onde não pudesse ver
no escuro como um guerreiro fazia, ou ouvir como um guerreiro ouvia?
Ter a velocidade e a força de seu deus tirada dele?
Ele não queria, mas isso não era sobre ele. Era sobre seus amigos.

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Arran dizia a si mesmo que não precisava ter seu deus preso, mas
no fundo de sua mente estava preocupado que uma vez que aquele fei-
tiço estivesse lá fora, qualquer um poderia amarrar seu deus.
Qualquer um.
E se o mal voltasse? Porque seria. Eventualmente. O que aconte-
ceria ao mundo se os Guerreiros não estivessem lá para deter o mal?
Arran não queria descobrir.
Era um risco que ele queria correr?

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CAPÍTULO CINCO

Ronnie suspirou enquanto se sentava na cama e bocejava. Ela não


conseguiu dormir ontem à noite. Toda vez que ela fechava os olhos, viu
aqueles dourados olhando para ela.
Mesmo acordada, Arran assombrava sua mente. Ela não conseguia
parar de pensar em como ele estava à vontade, até que ela mencionou
a velha história celta.
O predador que sentia nele tinha acordado naquele momento. Era
uma parte dele que ele, provavelmente, sequer tinha percebido que e
tinha se inclinado para ela, seu corpo parecia se curvar como se esti-
vesse esperando por uma briga.
E por um instante, ela poderia ter jurado que seus olhos brilha-
ram... brancos.
Isso provou o quanto estava exausta e que sua mente brincava
com s ela.
― Olhos brilhando brancos. Sim. Como se isso realmente acontece
― Ronnie murmurou enquanto balançava as pernas para o lado da
cama e se levantava.
A tempestade tinha parado apenas algumas horas antes, mas isso
não iria parar a escavação. Ela jogou água em seu rosto e vestiu outro
par de jeans e uma camiseta mais grossa. Ela estava escovando seu ca-
belo quando ouviu a voz de Arran.
Aquela voz profunda e suave enviou arrepios correndo sobre sua
pele. Ele riu, e ela se perguntou com quem ele estava falando. E então,
sua voz desapareceu. Ela odiava estar decepcionada por não ter ouvido
mais dele.
― Se contenha. ― ela disse enquanto ela olhava para seu reflexo
no pequeno espelho. ― Ele é um cara. Não há tempo para isso.
Não que sempre houvesse tempo.
Ronnie puxou seus cabelos para trás em um rabo de cavalo, em
seguida, torceu os longos fios ao redor antes de embrulhar tudo em um

51
coque. Ela colocou três grampos em seu cabelo para segurá-lo e então
pegou seu casaco enquanto se levantava.
Assim que ela saiu de sua barraca, Andy estava esperando por ela.
― Ei, Ronnie. ― ele disse, e olhou para a prancheta dele. ― Fico
feliz em dizer que todas as lonas foram mantidas ontem à noite durante
a tempestade. Parece que tivemos muito pouco dano. Um pouco de
chuva entrou em alguns locais, mas não em todos.
― E o mais novo?
― Não. Tudo limpo. ― ele respondeu com um sorriso.
Ela assentiu e se dirigiu para a barraca que estava preparada com
comida. ― Exatamente o que eu queria ouvir. Que outras notícias?
― Enviei nosso mais novo voluntário para ajudar a cavar hoje.
Uma vez que ele é bastante forte, ele vai fazer algum trabalho pesado.
Ronnie parou em despejar seu café e olhou para Andy. ― Você o
colocou comigo?
― Você disse ontem que queria se concentrar nesta nova seção, e
isso significa ficar mais profundo do que os quatro centímetros que ti-
vemos ontem.
― Ele poderia destruir qualquer achado.
Andy balançou a cabeça. ― Acho que não. Ele parece ser capaz, e
eu tenho outros assistindo para ter certeza que ele não faça.
―Tudo bem. ― Ronnie disse com um suspiro. Ela pegou um crois-
sant e alguns morangos e saiu da tenda.
Andy estava bem em seu calcanhar. ― Eu pensei que você gostas-
se do Arran. Se for um problema, vou levá-lo para outro lugar.
― Não, está tudo bem. ― Não era, mas se ela fizesse Andy mover
Arran, então alertaria Pete e Arran que ela tinha um problema com ele.
Que ela queria evitar.

52
Quando ela chegou ao local, a lona tinha sido removida e Arran
estava em pé com uma pá, rindo de algo que um dos outros caras dis-
sera.
Ele tinha tirado a camiseta, revelando uma incrível quantidade de
músculos expostos até a cintura muito baixa de sua calça jeans escura.
Sujeira e suor já revestiam seu peito.
Era masculinidade crua, dominante e comandando. Atraente. Sem
sequer tentar, ele atraia todos os olhos para ele, incluindo o seu pró-
prio.
Sua respiração tornou-se errática, seu sangue se aquecendo até
que sua pele estava úmida devido ao desejo visceral e inato de estar
perto dele.
Mesmo seu sorriso, que ele dirigiu a outra pessoa, causou um flu-
tuar no seu estômago. Ela lambeu os lábios e deixou seu olhar deslizar
lentamente por seu peito largo, vendo o poder e força em cada múscu-
lo.
Seus olhos fizeram uma pausa quando ela alcançou a cintura de
seus jeans baixos, apenas dando-lhe um vislumbre do V sexy que desa-
parecia em suas calças.
Ela conhecia a sensação de sua excitação, a dureza, o comprimen-
to. Sua boca ficou seca enquanto pensava nela contra ela. Tinha as-
sombrado seus sonhos. Mas nesses sonhos, ela se mexia contra ele,
não ficou ali como uma idiota, esperando que ele fizesse alguma coisa.
Ronnie engoliu em seco e mentalmente se sacudiu. Ela tinha que
ficar longe de Arran. Ele era a tentação em sua forma mais pura.
― Eu pensei que ele tinha acabado de chegar aqui. O que ele fez,
cair na sujeira? ―Ela perguntou, não tentando esconder sua irritação.
Andy riu e enfiou o lápis atrás da orelha. ― Na verdade, ele está
trabalhando há duas horas.
Ela virou seu olhar surpreso de Arran para Andy. ― Você está fa-
lando sério?

53
― Sim. Ele estava acordado quando eu me levantei, e então ele
me ajudou a remover todas as lonas. Ele queria começar a trabalhar
imediatamente. A próxima coisa que eu soube, todo mundo estava se
levantando.
Ronnie olhou de volta para Arran para encontrar seu olhar nela.
Ele fez um ligeiro aceno de cabeça como se soubesse que ela estava fa-
lando sobre ele, e depois voltou sua atenção para seus novos amigos.
Maldição, mas ela não queria notá-lo.
Um olhar ao redor mostrou que ela não era a única. Todas as mu-
lheres estavam olhando para ele, o que não podia culpá-las. Um pedaço
de homem como Arran não poderia, não deveria, ser ignorado.
Justo quando ela pensou que teria que dizer a ele para colocar sua
camisa e ir para outro lugar, ele disse algo aos homens e começou a ca-
var novamente.
Um segundo depois, todo mundo voltou ao trabalho também. Mes-
mo as mulheres olhando para ele.
― Eu sempre ouvi dizer que havia pessoas que eram líderes natu-
rais. ― Andy se aproximou e sussurrou. ― Eu nunca tinha visto isso an-
tes hoje. Arran nem precisa dizer nada. Eles apenas o seguem.
― Eles estão trabalhando, isso é o que importa. Mas Ronnie esta-
va tão espantada, e respeitosa quanto Andy.
Ele nunca tinha visto alguém chamar a atenção da maneira que
Arran fazia. Não era só a sua boa aparência e os seus músculos, eram
as suas maneiras e comportamento.
Era como se todos o reconhecessem como um líder e lhe desse a
posição.
Ronnie caminhou ao redor da seção que eles estavam cavando,
inspecionando as coisas como ela fazia. Ela podia sentir os artefatos
abaixo da sujeira. Sua música era apenas uma que ela podia ouvir. Isso
a levava a eles a cada momento. Desta vez, a música era mais forte,
mais urgente. Ronnie nunca tinha sentido tanta urgência de um artefa-
to antes, e isso a fez imaginar o que poderia estar escondido sob todas
as toneladas de sujeira e rocha.

54
Ela estava tão profundamente pensativa, ouvindo a música do ar-
tefato que ela não percebeu que tinha parado atrás de Arran até que
ele se virou para ela.
― Eu fiz algo errado?
―Na verdade, não. ― ela disse, e tirou a doce canção de sua
mente. ― Eu ouvi que você está trabalhado por algumas horas.
Ele deu de ombros e apoiou uma mão na pá. ― Eu estava acorda-
do e ansioso para começar.
― Como você sabe, os dias são muito longos nesta época do ano.
Eu gosto de tirar proveito disso.
O sorriso dele foi lento enquanto se espalhava. ― Aye, moça. E
você aprenderá que nós, Highlanders, não nos preocupamos com tra-
balho duro. Ou longas horas. Temos a resistência natural e usamos to-
das as chances que temos.
Sua voz tinha um tom de provocação para ela, mas ela viu a serie-
dade em seus olhos dourados, bem como o tom sexual. E como ela
amava seu sotaque. Ela podia ouvir isso o dia todo.
― Parece que todos os seus músculos serão necessários por todo
o dia. Eu só não quero os desperdice muito cedo.
― Não se preocupe. Eu não me canso facilmente.
― Ela assentiu e se afastou antes que fizesse algo realmente es-
túpido como tocar seus músculos novamente. Ou beijá-lo. Quando tudo
que ela queria fazer era continuar falando com ele, para chegar perto e
sentir o calor irradiando dele. Ronnie também se odiou por isso.
A manhã logo se transformou em meio-dia, mas ela mal notou. Ela
bebeu quando uma garrafa de água foi colocada em sua mão, mas ela
raramente olhava para cima de seu trabalho.
A menos que ela ouvisse a voz de Arran.
Sua voz era a única coisa que poderia quebrar a música crescente
que ocupava sua mente. Havia artefatos em toda a terra, mas os que
estavam na área onde ela cavava eram importantes.

55
Esta era a única razão pela qual eles seriam tão altos e insistentes.
Pelo menos foi o que ela disse a si mesma. Havia relíquias antes que ti-
nham sido quase tão altas e extremamente importantes.
O que ela encontraria desta vez? Uma espada antiga? Talvez uma
câmara funerária escondida? Ela adorava adivinhar e ver se estava cer-
ta quando finalmente descobriu.
Ela só esperava que não fosse mais uma sepultura comum como
aquela que ela encontrara há dois anos, que remontava à invasão sa-
xônica. Havia mais de trinta corpos naquele túmulo, todos eles mulhe-
res e crianças. Era nessas horas que ela se lembrava que o Reino Unido
tinha visto muitas guerras sangrentas.
O som da voz de Arran puxou seu olhar para ele mais uma vez.
Duas vezes ele veio ao seu lado e a ajudara a mover uma grande pe-
dra, mas ele manteve distância. Ronnie estava grata e zangada com
tudo ao mesmo tempo.
Ela finalmente chamou para o almoço do meio-dia. Quando se le-
vantou, viu o quanto de progresso haviam feito.
― Uau. ― Andy disse enquanto se aproximava ao lado dela. Nós
nunca cavamos uma seção tão rápido.
― Não. ― disse ela, mas ela sabia que uma grande parte era devi-
da a Arran
― Nós fizemos cinco vezes mais esta manhã do que fizemos on-
tem sozinhos.
Ronnie olhou para as outras seções. ― E sobre a atualização na
seção três?
― Nós não encontramos nada até cerca de trinta minutos atrás, e
então encontramos um osso de braço.
― Humano?
Andy assentiu. Ele odiava encontrar restos mortais, mas era algo
que ocorria com frequência.
― Alguma outra parte do esqueleto? ― Ela perguntou.

56
― Possivelmente. Vou avisá-la assim que algo for encontrado. Na
seção dois, não achamos nada.
― Hmm. Continue cavando o resto do dia. Pode haver alguma coi-
sa debaixo de toda essa sujeira ainda.
― Uma tigela combinando o que remonta a Roma seria agradável,
― Andy disse enquanto se afastou.
Ronnie bebeu o resto de sua água. Quando se virou para ir até a
barraca de comida, foi para encontrar Arran bloqueando seu caminho.
― Eles fizeram um sanduíche para você. ― ele disse, e estendeu
um pacote embrulhado.
Ela pegou isso e um saco de batatas fritas. ― Obrigada. ― Embo-
ra soubesse que não deveria, ela se viu dizendo: ― Por que você não
come comigo?
Ele assentiu com a cabeça e seguiu-a para a sua tenda. Dentro,
Ronnie afundou em sua cama estreito e deixou Arran usara cadeira.
Eles comeram em silêncio por alguns minutos antes que ela não pudes-
se segurar mais.
― O que você acha de seu primeiro dia até agora? Quer voltar
para casa?
Arran riu, seu olhar fixo nela, e terminou de engolir sua comida. ―
Não. Estou gostando disso imensamente. Estou acostumado a muita
atividade, e ao longo dos últimos meses, não houve muito a fazer. Isso
é exatamente o que eu precisava.
― E você está fazendo todo mundo trabalhar, e trabalhar duro.
Como você fez isso?
Ele encolheu os ombros. ― Eu não fiz nada.
―Onde você mora na Escócia?
Ele pousou o sanduíche e disse em volta da sua comida, ― Nas
Highlands, é claro.
― Claro. ― ela disse. Mas ela viu o olhar de orgulho e satisfação
que se apoderou dele quando falou das Terras Altas.

57
―Você tem uma família?
―Qual é o súbito interesse em minha vida? ― Ele perguntou, em-
bora um sorriso brincava nas bordas de seus lábios
Foi a vez dela de dar de ombros. ― Estou apenas curiosa para co-
nhecer um dos amigos do Saffron. Conheço Saffron há algum tempo.
Ela fala muito de seu marido e de seu novo bebê, e de vez em quando
ela menciona algo sobre os amigos do marido. Você seria um deles,
certo?
― Aye.
― Eu sinto que todos vocês fazem algo importante. Em que que
você trabalha, MI5 ou MI6? Scotland Yard, talvez?
Arran balançou a cabeça, um sorriso meio puxando para cima um
lado de seus lábios. ― Não, nada como isso. Não sei por que ela acha
que somos importantes.
― Ela disse que foram vocês quem a encontraram.
Não passou despercebido como ainda Arran recebia suas palavras.
― Aye. ― ele finalmente disse. - O que ela te disse?
― Só isso. Os jornais noticiaram seu desaparecimento, mas eu vi
no rosto dela que houve muito mais que isso. Três anos é muito tempo
para sumir. Estou tão feliz que todos vocês a encontraram.
― Nós também.
Ronnie sorriu e quebrou uma batata em dois com o dedo. ― Eu
também acho que todos vocês são um grupo bastante unido.
― Você poderia dizer isso.
― Então você não pode me dizer, porque você trabalha para o go-
verno, certo?
Ele se inclinou para frente e olhou para ela. ― Por que isso impor-
ta?
― Não sei. ― mentiu ela. Ela não podia exatamente dizer que
queria saber tudo o que havia sobre ele, porque não conseguia parar

58
de pensar em arrastá-lo para a cama com ela. ― Eu só gosto de desco-
brir as pessoas, e há muito sobre você que não se encaixa bem como
todo mundo.
― Isso me deixa mais interessante.
Isso acontecia. ― Escute, eu sei que o Saffron conhece você,
mas ... Eu não.
― E você está desconfiada. ― ele terminou por ela. ― Eu só estou
aqui para trabalhar.
Era hora de chegar ao coração das coisas. ― Coisas foram rouba-
das de mim no passado. Gosto de conhecer as pessoas que trabalham
para mim, quer estejam sendo pagas ou não. Saffron me deu sua pala-
vra de que você era um bom homem. Posso confiar nisso? Devo confiar
nisso?
― Saffron não é uma mentirosa. Isso é a primeira coisa que você
deve saber, ― Arran disse suavemente. ― Em segundo lugar, eu não
pretendo ser um bom homem, mas se eu der minha palavra sobre algu-
ma coisa, essa é minha obrigação. Eu vou trabalhar tanto e tão duro
quanto você me pedir, e eu dou minha palavra que eu não irei roubar
qualquer coisa.
― Obrigada.
Era justo o que ela queria ouvir, mas não esperava acreditar nisso
com cada fibra de seu corpo. Quem quer que fosse Arran MacCarrick,
ele estava se tornando cada vez mais perigoso para sua sanidade. Pena
que ela precisava dele tão desesperadamente para a escavação.

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CAPÍTULO SEIS

Arran jogou de lado outra pá de terra e se perguntou por que dia-


bos prometeu a Ronnie que ele não roubaria quando jurou a Fallon que
faria achasse o pergaminho.
Que maldita bagunça em que ele se meteu.
Sua família vinha em primeiro lugar, e é isso que todos no Castelo
MacLeod eram. Mas não explicava sua necessidade de confortar Ron-
nie, ou jurar que não iria roubar.
Havia algo em voz quando falou de roubos. Uma vez que ouviu
isso, ele se viu dando uma promessa antes de perceber.
Não havia muito que pudesse fazer até que ele encontrasse o feiti-
ço, e então ele teria que fazer todo o possível para convencer Ronnie a
deixá-lo ter.
―Não vai acontecer. ― ele murmurou.
― O quê? ― Uma mulher ao lado dele perguntou.
Arran balançou a cabeça e enterrou a pá no chão. Memphaea, seu
deus, não estava exatamente satisfeito, mas tinha se acalmado tremen-
damente desde que Arran chegou ao sítio de escavação. Pelo menos
agora, Arran não precisava se preocupar com o fato de seu Deus em-
purrar sua necessidade de sangue e morte, não com a forma como Ar-
ran estava trabalhando seu corpo.
Seus músculos tensos, e ele se esforçava mais duro Foi bom estar
fazendo algo físico. Durante muito tempo ele se sentou ocioso no caste-
lo. Isso não aconteceria novamente.
A magia lavou-o, forte e vigorosa, tomando seu fôlego. Era tão po-
derosa, que o fez dar um passo para trás.
Ele olhou para o chão, tentando ver através da sujeira o que esta-
va abaixo. Havia algo no chão, algo que havia sido enterrado há muito
tempo.

60
Se fosse a carga de objetos mágicos perdidos quando viajava de
Edimburgo para Londres, então não havia como dizer o que eles iriam
descobrir.
Havia coisas que podiam potencialmente prejudicar alguém. Ou
algo que, nas mãos erradas, poderia causar a guerra. Nenhum dos
Guerreiros ou Druidesas sabia exatamente o que estava na expedição.
Qualquer coisa poderia estar sob a sujeira.
Qualquer coisa.
Arran olhou para cima e viu Ronnie olhando fixamente para o chão
atentamente. Ele estreitou o olhar para ela. Ela inclinou a cabeça para o
lado, como se estivesse ouvindo. Suas pálpebras começaram a baixar, e
de repente ela estava cavando mais rápido.
Naquele instante, Arran soube. Ronnie era a Druidesa que ele sen-
tira. Assim que percebeu, sentiu sua magia. Isso pulsava sobre ele mais
forte do que qualquer outra magia ao redor. Formigando-o, submer-
gindo-o na magia deliciosa que era só de Ronnie sozinho. Ele deu um
passo para trás da força disso, seu corpo se contraindo dos efeitos da
magia dela.
Ele a queria antes. Agora ... ele precisava dela.
Seu corpo estava em chamas, e só ela poderia apagar as chamas.
Seus olhares se chocaram quando ela subitamente olhou para cima. A
preocupação obscureceu seus olhos cor de avelã por um momento. En-
tão ela parecia aceitar... o quê? Que ele estava olhando para ela? Que
ele queria empurrá-la de costas e tomá-la bem ali na sujeira na frente
de todos, para reivindicá-la como sua?
Não havia nenhuma maneira que ela pudesse saber que ele tinha
adivinhado que ela era uma Druidesa ou que seu poder estava desen-
terrando artefatos. Ele apostaria que a maior parte do que ela desco-
briu eram relíquias mágicas também.
Todos achavam que ela era uma das melhores arqueólogas porque
tinha sorte onde escavava, mas Arran sabia a verdade agora. Não era
de admirar que ela não gostou quando Pete tentou se gabar.
― Esqueça. ― disse um homem a seu lado.

61
Arran virou a cabeça ao som do sotaque irlandês. ― Esquecer o
quê?
― Dela. Dr. Reid. Cada homem aqui tentou chamar sua atenção.
Acho que ela não gosta de homens.
Arran lembrou-se de como ela tinha olhado para ele, o foco de in-
teresse em seu olhar cor de avelã tinha sido inconfundível. ― Talvez ela
não tenha encontrado o homem certo para demonstrar interesse.
O irlandês bufou. ― Não é provável, companheiro. Ela é fria. Seu
único interesse é o que há no chão.
Arran voltou seu olhar para Ronnie para encontrá-la ajoelhada e
curvada, olhando para algo no chão. Fria? Ronnie não era nada fria. Ela
era paixão e fogo, e com o homem certo, ela brilharia com isso.
Ele gostaria de ver se poderia acentuar sua paixão, e talvez, uma
vez que encontrasse o feitiço, Arran iria assumir o desafio. Ele queria
encontrar o feitiço em breve, porque não tinha certeza de quanto tem-
po poderia manter o controle sobre a necessidade inflexível que o em-
purrava.
Com uma sacudida de cabeça, ele voltou a cavar para tirar a frus-
tração de seu corpo. A poeira cobriu sua calça jeans, e há muito tempo
tinha desistido de sua camisa. O suor escorria por suas costas. Os sons
de botas pisando em terra amassada junto com o raspar de pás esca-
vando e jogando pó enchia o ar.
Para quem olhasse, ele estava concentrado em seu trabalho. Na
verdade, Arran estava focado em Ronnie. Havia muitas conversas, mas
Arran bloqueou todas elas. Todas, exceto Ronnie. Com sua audição re-
alçada, ele era capaz de escolher a voz dela entre tantos.
Apenas por escutá-la, ele descobriu que ela era precisa em seu ge-
renciamento da escavação, e não tinha compaixão de ninguém. Ela tra-
balhava mais do que os pagos e os voluntários.
E sua excitação quando um artefato foi encontrado o fez sorrir. Ela
realmente amava o que fazia. Mesmo que ela usasse sua magia para
fazer isso.

62
As horas desapareceram enquanto Arran continuava a cavar E em-
purrar os outros para continuar trabalhando. No momento em que o
sino para a ceia foi tocado, estava claro o que eles tinham descoberto
era grande.
O que isso era. era outra questão inteiramente diferente. Todo
mundo especulava, mas ninguém tinha ideia. Mesmo o modo como
Ronnie olhava para as rochas que claramente formavam algum tipo de
telhado a deixava aturdida.
Arran queria continuar trabalhando, mas sua força e resistência
começavam a ficar visíveis. Ele enterrou a ponta da pá no chão e saiu
do sítio de escavação para dar o dia como encerrado.
Não importa quão duro ele tentasse, não podia manter os olhos
longe de Ronnie. Ele ouviu sua voz antes de encontrá-la inspecionando
outra seção. Seção dois, e um que todo mundo dizia que não encontra-
riam nada de valor.
No entanto, Ronnie continuava fazendo com que eles cavassem.
Enquanto todos iam para a tenda de comida, Arran foi lavar a su-
jeira e o suor. O balde de água que o esperava na tenda não era sufici-
ente. Ele preferia um longo e agradável mergulho em um lago. Havia
um perto. Perto o suficiente para visitar.
Por mais tentador que fosse, Arran empurrou de lado o mergulho
para outra hora. Ele tirou a calça jeans suja e pegou a água em suas
mãos e despejou sobre seu corpo. Quando ele tirou toda a sujeira e
suor, ele abaixou a cabeça no balde e esfregou os dedos ao longo de
seu couro cabeludo. Só então ele levantou a cabeça da água e se enxu-
gou
Ele tirou uma calça cargo e uma camiseta branca e se vestiu. De-
pois de passar as mãos pelo cabelo e coçar a mandíbula, que precisava
barbear, voltou a colocar as botas e se dirigiu para a comida.
― Você está atrasado. ― disse Andy quando viu Arran entrar na
tenda de comida
Arran encolheu os ombros. ― Aye, mas limpo.

63
Andy riu e pegou um pedaço do empadão de carne. ― A comida
não é tão boa, mas é comida. Amanhã alguns dos voluntários irão até a
cidade próxima para ficar num hotel com chuveiro quente e comida
quente.
― Você não experimentou verdadeiramente a Escócia, a menos
que durma sob as estrelas e cace sua própria comida.
―Ah ... sim. Acho que vou passar da verdadeira experiência na Es-
cócia, então, cara. Eu não saberia a primeira coisa sobre onde procurar
comida, e muito menos o que fazer depois que eu a pegasse.
― Se você a pegasse. ― Arran disse, tentando seu melhor para
manter o sorriso de.
Andy ficou pálido e empurrou os óculos para cima no nariz. ― Já
mencionei que odeio a visão de sangue? É por isso que a arqueologia
me convém. Tudo já está morto. Com ossos eu posso lidar. Sangue?
Nem tanto.
― Então, acho que eu não deveria ir até você se eu me cortar?
Andy revirou os olhos. ― Cara, você estava apenas brincando co-
migo! Eu deveria saber. Ronnie diz que eu levo tudo muito sério.
Ele se afastou, deixando Arran rindo atrás dele. Gostava de Andy.
Arran agarrou um pedaço do empadão, um pãozinho, duas maçãs e
uma cerveja. Havia um enorme barril cheio de gelo com garrafas de
cerveja, e todos haviam pegado pelo menos uma.
Arran sentou-se com outros voluntários. Mesmo que ele vivesse
neste mundo moderno há um ano e tivesse aprendido muito, ainda
achava as pessoas interessantes para ouvir. Especialmente quando eles
vinham de diferentes países.
Muitos no sítio eram britânicos, mas havia também um número
igual de americanos. Havia o estranho irlandês, o francês e até mesmo
um ou dois alemães.
Arran se contentava em ouvi-los falar de suas casas, suas vidas e
coisas mundanas. Ele tentava manter-se em segundo plano, mas eles
logo o notaram e o puxaram para as conversas.

64
Ele odiava ter que mentir, mas para manter em segredo quem ele
era e, sua família, mentir era essencial. Um bom mentiroso misturou
com a maior parte da verdade que pôde.
Logo se tornou conhecimento comum que ele era amigo de Saf-
fron, e todos queriam saber sobre ela e o que acontecera quando desa-
pareceu durante esses três anos.
Arran rapidamente desviou aquelas perguntas fazendo algumas
das suas. Ele sempre ficava espantado o modo como as pessoas queri-
am falar sobre si mesmas, dada a chance. E ele se certificou de que
eles tivessem essas chances muitas vezes.
Era bem passado das dez quando se levantou da mesa e foi para
sua tenda. No entanto, enquanto estava no ar noturno, descobriu que
não estava cansado.
Seu olhar foi para a tenda de Ronnie. A luz estava acesa, mas fra-
ca, e ele não viu nenhum movimento dentro. Arran começou a cami-
nhar em direção à sua tenda, mesmo sabendo que essa era uma má
ideia.
― Ronnie. ― ele chamou enquanto chegava à tenda. Quando não
houve resposta, ele enfiou a cabeça para dentro e a encontrou deitada
de bruços sobre sua cama, seus pés e um braço pendurado do lado.
Durante longos minutos, Arran simplesmente olhou-a dormindo.
Seu coque, como ela prendia seu cabelo todo dia estava pendurado sol-
to. Levaria o menor toque para soltá-lo para que ele pudesse ver seus
cabelos em toda a sua glória.
Mas ele não a tocou. A luz do lampião lançava sobre seu rosto um
brilho dourado, e foi então que ele viu os círculos escuros sob seus
olhos.
―Ela faz isso. ― Andy sussurrou quando ele chegou ao lado de
Arran.
Arran ergueu uma sobrancelha questionando.
Trabalha até a exaustão. Amanhã ela acordará refrescada e pron-
ta. Ela pode levar algumas noites sem dormir por causa de algo que en-
volve a escavação, e então ela desmaia.

65
― Você cuida ela. ― Arran disse.
Andy deu de ombros, seu cabelo fino fluindo na brisa. ― Ela me
tomou como assistente quando ninguém mais o faria. Ela me ensinou
muito.
― Você é leal. Todo mundo precisa de alguém assim.
― Ela é leal a mim também. ― disse Andy. ― Não importa o que,
ela continua trazendo-me para estas escavações como seu gerente de
sítio. Ela até me permitiu levar o crédito pelos meus achados.
Arran assentiu e voltou sua atenção para Ronnie. ― Ela não pode
dormir assim. Ela vai acordar com um torcicolo.
― O que você vai fazer? ― Andy perguntou rapidamente.
Arran sorriu para ele. ― Não se preocupe, rapaz. A virtude dela
está segura comigo.
― Sim, certo. Eu vejo como você olha para ela, ― Andy disse, e
deixou a prancheta na cadeira de Ronnie. ― Vou tirar suas botas. Basta
virá-la de costas quando eu terminar.
Arran esperou enquanto Andy fazia um rápido trabalho de remover
as botas de Ronnie, e então chegou a hora de tocá-la. Ele hesitou por
um minuto porque queria sentir sua pele novamente, mas ao mesmo
tempo, sabia que não era uma boa ideia.
―Arran?
Ele olhou para Andy. ― Não diga a ela que fui eu.
― Por quê?
―Eu não acho que ela gosta muito de mim.
Quando Andy não respondeu imediatamente, Arran olhou para ele.
― Okay. ― Andy disse, e levantou suas mãos em entrega. ― Eu
vou ter certeza de deixar seu nome de fora.
Arran respirou fundo e rolou Ronnie em seus braços. Ele a emba-
lou contra ele, o choque de seu calor e suavidade mexendo instantane-
amente com ele ainda. A pulsação bateu em seus ouvidos e suas bolas

66
apertaram quando todo o sangue se reuniu em seu pau. Justo vindo da
requintado e incrível sensação dela. Os dedos de Arran a apertaram
quando a repentina necessidade de mantê-la contra ele o encheu para
sempre. Ela suspirou e descansou a cabeça contra seu peito.
Esse simples movimento tocou algo profundo dentro dele. E provo-
cou seu desejo crescendo até que ele tremeu com a força disso.
Tomou tudo que Arran tinha para abaixar Ronnie de volta para a
cama. Ele nunca tinha sido tão grato por ter alguém observando naque-
le momento o que ele fazia.
Arran puxou o cobertor sobre Ronnie e se endireitou. Ele deu-lhe
um último olhar antes de apagar o lampião e sair da tenda.
―Arran? ― Andy chamou. Mas ele não podia responder. Ele preci-
sava de uma corrida. Nada para acalmar a necessidade que o consu-
mia.
Em vez de fugir como ele queria, Arran entrou em sua barraca e
fingiu dormir.

67
CAPÍTULO SETE

A caixa era pequena. A madeira era lisa e escura, sem defeitos e


sem costura, exceto pela linha em torno do topo onde a tampa curva
abria.
Verônica.
Seu nome era sussurrado nas notas musicais que soavam sempre
que suas habilidades eram usadas. Podia sentir a caixa embaixo do
chão, sentindo que a incitava a encontrá-la.
Se seu nome não tivesse sido sussurrado, teria sido como qual-
quer outro artefato que ela tivesse ido procurar. No entanto, sentia
medo agora.
Cada instinto que ela tinha a advertia, mas ela não podia ouvir. A
caixa a queria.
Ela foi guiada a encontrá-la. Ela soube quando chegou a Muirkirk
que havia algo especial esperando para ser encontrado. Logo ela afas-
taria a sujeira que a separava da relíquia. Ela seguraria a caixa em suas
mãos. E ela a abriria.
Ronnie sorriu. Ela colocou as mãos sobre o chão e sentiu a caixa
abaixo dela. Sua música era tão alta, havia momentos que era tudo que
ela podia ouvir. Implorava-lhe para liberá-lo, para deixar o sol brilhar
sobre ela mais uma vez.
Isso estava destinado a estar fora no mundo, não escondido e es-
quecido. Sua beleza era simples, sua arte merecia ser admirada. Ela,
junto com todos os outros, faria exatamente isso. Mas primeiro, ela se-
ria a única a segurá-la e beber em sua beleza.
Ronnie mal podia conter a excitação dela. Suas mãos coçavam
para abrir a tampa e ver o que havia dentro. A caixa, e o que estava
dentro, era dela. Não iria para um museu. Este que ela iria manter para
si mesma.
A excitação percorreu Ronnie. A música da caixa ficou mais alta,
seu nome mais insistente.

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― Logo. ― ela sussurrou. ― Eu estou indo para você em breve.
Ela começou a afastar a sujeira com suas mãos nuas quando algo
chamou sua atenção do canto do olho. Ronnie mudou de olhar e en-
controu Arran olhando fixamente. Ele estava sacudindo a cabeça, seus
olhos dourados cheios de apreensão.
E então seus olhos mudaram para branco.
***
Ronnie ofegou e sentou-se, sua respiração dura e alta. Ela olhou
em volta da tenda quando sua mente percebeu que não estava mais
sonhando.
Ela ergueu as mãos e viu que estavam cobertas de terra como se
estivesse cavando. Com suas mãos. Ronnie limpou a sujeira de baixo de
suas unhas e tentou acalmar seu coração acelerado.
Era verdade que a música da caixa era mais forte do que qualquer
outra que ela tivesse encontrado. E até aquele sonho, ela nem sabia
que era uma caixa que a chamava.
E então, ela nunca teve um sonho sobre um artefato que ela esti-
vesse cavando.
Passou a mão pelo cabelo e fechou os olhos. Seus lábios se sepa-
raram para poder respirar pela boca enquanto tentava lembrar que os
sonhos não eram reais.
Era uma surpresa que tivesse tido um sonho tão vívido da caixa e
da implacável necessidade que tinha de encontrá-la. Mas o que fez com
que seu estômago apertasse era que Arran estivera em seu sonho.
O desejo que ela tentava desesperadamente ignorar se transbor-
dava em seus sonhos? Tinha que ser. Seu corpo queria Arran com uma
intensidade que a sacudia até seu âmago. Essa tinha que ser a razão.
A única razão.
― Por favor, que seja a única razão. ― ela orou.

69
Ronnie jogou para trás as cobertas e levantou-se da cama. Ela
olhou para si mesma ainda completamente vestida e tentou se lembrar
da noite anterior.
Ela estava mais do que exausta. Ela se lembrou dessa parte. Pas-
sado que era tudo um borrão.
― Oh, ótimo. Você está acordada.
Ela se virou para a voz de Andy quando ele entrou em sua tenda.
Seu estômago soltou um grunhido alto com o cheiro de biscoitos, que
Andy prontamente entregou a ela.
― Eu imaginei que você estaria com fome já que você desmaiou
na noite passada. ― disse ele com um sorriso.
Ronnie suspirou e se afundou na cadeira para comer os biscoitos e
beber a grande caneca de café. ― De novo? Eu sabia que estava can-
sada, mas não achei que eu estivesse tão cansada. Normalmente tam-
bém não tiro as minhas botas.
Quando Andy desviou o olhar para que não tivesse que encontrar
seus olhos, ela pousou o café e inclinou a cabeça para o amigo. ―
Andy? O que aconteceu?
― Ele me pediu para não te contar.
Começou a sentir-se mal do estômago. ― Quem?
― Arran. Ele te encontrou dormindo. Eu tirei suas botas, e ele te
virou você e cobriu com o cobertor.
Ronnie olhou para a cama. Arran a tinha encontrado e ajudado.
Ele a abraçou. Ela tinha estado em seus braços, sentido seu corpo duro
e a força de seus músculos mais uma vez, e ela não tinha sequer acor-
dado para apreciar isto? Sentia-se enganada e zangada por não ter sido
capaz de tocá-lo novamente para seu prazer.
―Provavelmente foi melhor. ― ela murmurou.
― O quê? ― Andy perguntou.
Ela abanou a cabeça. ― Nada. Não vou dizer a ele que você me
contou.

70
― Bom. ― Andy disse com um suspiro. ― Ele é um sujeito sim-
pático, mas eu tenho a sensação de que ele não é alguém que você
queira chatear. Suspeito que ele seja um inimigo ruim.
Ronnie lembrou o quão fácil ele mudou de casual para “pronto
para a batalha”, como ela tinha pensado nisso. Era como se ele estives-
se preparado para o combate e apenas esperando a palavra ou o gesto
certo. Um guerreiro highlander de outrora, pensou interiormente.
Sim, ela podia ver isso. Arran, com seus longos cabelos, seu sorri-
so malicioso, e a velha alma que vislumbrava em seus olhos poderiam
muito bem ter ficado nas encostas das Highlands, há centenas de anos
atrás, com uma espada na mão, enquanto um exército estava às suas
costas, esperando que ele desse a palavra para entrar na batalha.
― Um verdadeiro escocês. ― sussurrou ela.
― O quê? ― Andy perguntou com uma pequena careta.
Ronnie encolheu os ombros e deu uma mordida no grande biscoito
amanteigado.
― Nada.
Não eram os biscoitos que ela estava acostumada a comer nos Es-
tados Unidos. Estes eram maiores e melhores. Diferente com certeza,
mas rapidamente se tornando um favorito.
― Ele... ah, ele começou cedo novamente.
De alguma forma as palavras de Andy não a surpreenderam. Tam-
pouco tinha que perguntar a quem estava se referindo. Arran. Desde
que ele chegou ao sítio, ele se tornou uma força a ser reconhecida. Ela
não podia olhar em qualquer lugar e não vê-lo nem ouvi-lo.
O corpo de Ronnie formigou apenas pensando em suas mãos so-
bre ela novamente. Se ela estivesse acordada, teria sido corajosa o su-
ficiente para beijá-lo, para testar as águas de paixão de que ela se es-
quivara tanto tempo?
Arran a impedia de se concentrar na escavação. Com ele estando
tão perto, seus pensamentos se voltaram para seus braços fortes, corpo

71
duro, mãos grandes e olhos dourados. Lembrou-se de seu corpo duro,
e da fome que tinha visto refletida em seu olhar.
Ela estremeceu só de pensar nisso. Ninguém a tinha olhado como
Arran a olhava. A oferta estava lá em seu olhar, na maneira como ele a
prendia. Tudo o que tinha que fazer era ceder.
Se ela se atrevesse a tal coisa, sabia que estar com ele seria glori-
oso, mas ele provavelmente a deixaria em tal confusão que ela nunca
poderia funcionar novamente. Arran era tão forte, tão atraente.
Tão fascinante.
Ele era o sexo e a necessidade, a tentação e o desejo, todos em-
brulhados em um único pacote. E ela o queria. A compulsão de se incli-
nar sobre ele, correr a mão ao longo dos músculos e abrir os lábios
para ele era tão forte, que ela tinha que lutar para não fazer exatamen-
te isso quando ele estava perto.
― Ronnie?
Ela piscou e olhou para Andy. Eles estavam falando de Arran. Mas
sobre o quê? Oh, sim, está trabalhando desde cedo. ― Desde que ele
não bagunce com nada, eu não me importo.
― Nenhuma chance disso. Ele me acordou e me fez ficar com ele
apenas para ter certeza de que estava fazendo tudo certo.
Por alguma razão, isso fez Ronnie sorrir. Então ela percebeu Arran
não estava fazendo isso porque sabia o quanto o sítio significava para
ela. Fazia isso porque era isso que ele deveria fazer.
O sorriso rapidamente morreu, mas não a excitação que ela não
conseguia dissipar ao vê-lo novamente. Deus, o que havia de errado
com ela? Ele era apenas um cara. Um cara que a desestruturava desde
que ele entrou em sua vida.
Como diabos ela ia sobreviver semanas com ele ao redor? A mor-
dida de biscoito desceu desajeitadamente e aterrissou pesadamente em
seu estômago.

72
Semanas. Com um quente escocês andando ao redor, olhando
para ela como se estivesse tirando suas roupas. Isso nunca vai funcio-
nar.
― Vou sair em breve. ― disse Ronnie quando ela se levantou.
Andy saiu da tenda e Ronnie fechou a abertura para impedir que
qualquer outra pessoa se aventurasse. Ela comeu o resto do seu café
da manhã, E depois bebeu seu café enquanto seus pensamentos se
voltavam para o sonho. Qualquer coisa para tirar sua mente do Arran e
o que gostaria que ele fizesse com ela.
Não havia dúvida de que ela estava perto da caixa. Ela sentiu arte-
fatos antigos antes, mas havia algo diferente nessa caixa. Por que isso
a queria? Era porque sabia que podia senti-la? Só podia ser isso.
Ela não podia esperar para descobrir o que havia dentro dela. Seri-
am joias? Ouro? Ou algo ainda mais precioso? Quando seu café estava
terminado, Ronnie se preparou para o dia. Ela tremeu contra a água
fria usada para se lavar e com o ar fresco do verão.
Ela ficou mais acostumada ao clima do que quando chegou pela
primeira vez na Escócia, mas houve ocasiões em que ela sentia falta do
calor tropical de Atlanta.
Os verões podiam ser opressivos, eram tão quentes e úmidos, mas
como ela tinha crescido nesse tipo de clima, ia demorar mais de alguns
anos para se acostumar com a umidade e o frio da Escócia.
Ronnie abriu a entrada da tenda e saiu. Só para encontrar seu
olhar fixo em Arran. Ele estava sem camisa de novo. Todos os seus ma-
ravilhosos músculos estavam completamente expostos enquanto ele se
inclinava para frente e jogava uma garrafa de água sobre a nuca.
Ele se endireitou, jogando para trás seu cabelo castanho escuro
que parecia quase preto quando molhado. Ele balançou a cabeça, envi-
ando gotas de água por toda parte.
Ela observou a água escorrer pelo rosto dele até o peito, e depois
ziguezaguear pelos vales de seus músculos para desaparecer na cintura
de sua calça.
Ronnie tentou engolir, mas sua boca estava muito seca.

73
Quando levantou o olhar, foi para descobrir Arran olhando para
ela. Seus olhos dourados pareciam penetrar diretamente em sua alma.
Havia um convite lá, assim como desejo. Ronnie afastou o olhar e en-
controu outras mulheres observando Arran.
Seu único consolo era que ele estava olhando para ela.
― Aí está você. ― disse Pete enquanto ele caminhava para cima.
― Eu estive procurando por você.
― O que foi? ― Qualquer coisa para afastar seus pensamentos de
Arran e seu irresistível corpo. E os olhos incríveis. Pete franziu a testa
um momento antes de dizer,
― O próximo evento de arrecadação de fundos será em poucos
dias.
― Droga. Eu tinha esquecido.
― Você sempre esquece. ― ele disse com uma risada.
Ronnie soltou uma respiração forte. Ela odiava esses eventos. Era
uma necessidade, mas perdia tempo de escavação.
― Onde será desta vez? ― Edimburgo. Tentei mudar para Glas-
gow, já que ficaria mais perto, mas sem sorte, garota.
Ela encolheu os ombros. ― Vai ficar bem.
― Você já pensou em um encontro neste dia?
― Não. ― E então ela parou. Depois do último, onde os homens
não a deixavam sozinha, ela jurou não voltar sozinha novamente.
― Pensando melhor, vou levar Andy.
― Pete riu e rapidamente tossiu para disfarçar. ― Desculpe, Ron-
nie, mas fale sério. Nenhum homem pensará que Andy é seu encontro.
Ele é muito parecido com um irmão para fazer isso com eficiência.
Ela realmente odiava quando Pete estava certo. ― Então você vem
como meu encontro.

74
― Você é mesmo um doce em pensar em mim, mas isso não fun-
cionara tampouco. Você vai precisar de um encontro real, garota, se
você não quiser gastar o tempo afastando os homens.
― Eu sei, mas onde no mundo eu iria encontrar um encontro em
tão curto prazo?
No momento em que as palavras saíram de sua boca, o riso de Ar-
ran soou. Ela se viu olhando para ele novamente. Seu olhar sempre era
atraído para ele, como se ele fosse a chama e ela a mariposa.
Suas mãos enrolaram quando ela lembrou sendo puxada contra
seu corpo duro enquanto suas mãos agarraram seus ombros largos. Foi
só então que ela percebeu que Arran deve ter se movido com a rapidez
do relâmpago para pegá-la antes que ela caísse quando ele estava
amarrando a lona.
― Ele iria. ― Pete disse.
― Não. ― Ronnie disse com um firme sacudir de cabeça. Era o
fato de que ela queria que Arran a tomasse, o que o deixava tão erra-
do. ― Alguém mais.
―Há muitos homens aqui que gostariam da honra de um encontro
com você. Basta escolher um.
― E então eu teria que voltar e trabalhar com eles. Além disso, eu
não quero liderar nenhum deles. Eles vão pensar que é mais do que o
que é.
Pete deu de ombros. ― Então eu suponho que você vá sozinha.
Ronnie mordeu o lábio e olhou para Arran novamente. Ela poderia
perguntar a ele. Ele era o único que ela até consideraria levar com ela.
E certamente manteria os outros longe dela. Ela se perguntou como ele
ficaria num smoking. Ele era provavelmente um daqueles homens que
ficariam bem em tudo.
E fora de tudo. Ela gemeu interiormente quando deu outro olhar
em seus músculos do braço e peito enquanto ele levantava uma grande
rocha. Seus músculos estomacais tensionados, fazendo seu abdômen
parecer uma tábua de lavar antes de jogar a pedra de lado.

75
A roupa esconderia todos aqueles maravilhosos músculos, ela dis-
se para si.
Mas ela sabia que Arran não poderia ir com ela. Ele poderia ser o
único a quem ela queria levar, mas ele também era o único que a fazia
lembrar o que era querer ser tocada por um homem, querer tê-lo bei-
jando-a.
Sentir o desejo correr por seu corpo. Desejar fortes braços a abra-
çando.
Era muito arriscado. Muito arriscado. Especialmente depois que
Max. Ronnie não permitiu que as memórias de Max surgissem. Em vez
disso, ela se jogou na escavação. Ela inspecionou o progresso da nova
seção, e ficou surpresa ao ver que Arran e os outros tinham feito um
bom trabalho. Isso nem sempre era o caso com os voluntários.
Ela ficou de barriga para baixo e pegou a grande escova que pare-
cia um pincel, e então cuidadosamente escovou os escombros em torno
de uma pedra mais próxima dela.
Quando mais da pedra ficou visível, ela começou a escavar mais
sujeira, indo mais fundo até que quatro pedras ficaram visíveis.
― Eles fazem um arco.
Ela se derreteu ao som da voz de Arran. Ele estava ao lado dela,
sua presença à sua volta. O ar à sua volta cresceu espesso e quente.
― Sim. ― ela conseguiu dizer, e rezou para que ele não soubesse
que o som ofegante de sua voz era por causa dele.
― Uma entrada. ― eles disseram em uníssono.
Ronnie olhou por cima do ombro para ele, e compartilharam um
sorriso.
― Uma entrada para o quê? ― perguntou ela.
― Conhecendo os celtas, é mais provável que seja um túmulo. Eu
sei que você já cruzou com eles antes, mas você quer ter cuidado com
este.

76
Sua cautela não a irritou como ela esperava. Em vez disso, ela le-
vou seu aviso para o coração. Talvez fosse a sinceridade e a preocupa-
ção em seus olhos. Talvez fosse apenas sua proximidade. Ou poderia
ser o sonho que ela teve naquela manhã, onde ele estava sacudindo a
cabeça para ela enquanto ela cavava.
― É apenas um túmulo. ― alguém disse.
A cabeça de Arran levantou-se lentamente, seu olhar se estreitou.
― Algumas câmaras não são destinadas a serem abertas. Nunca.
Um formigamento de presságio caiu nas costas de Ronnie. Por um
instante ficou estranhamente silencioso em todo o sítio, e então alguém
riu nervosamente.
― Os celtas colocavam maldições como os egípcios? ― Perguntou
um americano.
O corpo de Arran não moveu um músculo, mas ela sentiu a raiva
começar a subir nele Ela teve que desarmar a situação rapidamente.
― Maldições ou não, se é uma câmara funerária, tratamos com
respeito. Está tudo claro sobre isso? Ela perguntou enquanto se levan-
tava.
Ela olhou para baixo para encontrar Arran ainda em um joelho,
ambas as mãos no chão. Seu olhar estava sobre as pedras e seu corpo
tenso, preparado. Mas, por quê?
Ronnie agachou-se ao lado dele. ― O que foi?
― Sei que não vai acreditar em mim, mas acho que não deveria
cavar mais.
Ela riu. ― Se eu não fizer isso, alguém o fará. As pedras foram vis-
tas.
Os olhos dourados se voltaram para ela. Eles estavam cheios de
inquietação e agitação. ― Pise com cuidado aqui, moça. Eu não acho
que o que você encontrar lá dentro será bom.
Ela pensou em seus sentimentos quando ficava perto de uma relí-
quia. Arran era igual? Ele sentiu alguma coisa? ― Diga-me por quê.

77
― Nada que eu diga vai te impedir. ― disse, e se levantou. Ele
passou uma mão rapidamente pelos fios escuros de seu cabelo. ― Mas
se você entrar, prometa que me levará com você.
― Não tenho medo de encontrar ossos, Arran.
― Pode achar mais do que isso.

78
CAPÍTULO OITO

Mansão Wallace

Jason Wallace balançou os calcanhares, as mãos atrás das costas,


enquanto observava as novas cortinas que acabaram de pendurar em
seu escritório.
― O que você acha, senhor?
Jason olhou para o criado. Criado. Harry tinha sido o líder de uma
pequena gangue de bairro que tinha intimidado Jason desde que era
jovem. Até que Jason mudou tudo isso com seu dinheiro da herança.
― Eu acho que ficaram boas. ― disse Jason, e caminhou até sua
mesa.
Harry seguiu lentamente, um ligeiro coxear depois da surra que
ele levara. ―Senhor, seus ... convidados ... estão esperando por você.
― Por que não me disse antes? ― perguntou.
― Eu perguntei. Você não queria ser incomodada.
― Da próxima vez me incomode. Agora. ― Jason disse quando ele
começou a sair de seu escritório. ― eles estão esperando por mim lá
embaixo?
― Sim, senhor.
Jason percorreu sua casa, uma casa que ele havia recriado dos
fragmentos queimados deixados por seu primo Declan Wallace. Declan
tinha sido criado com o dinheiro da família, enquanto Jason tinha se
preocupado de onde cada refeição viria. Teve muitas refeições que ele
perdeu porque não havia dinheiro.
Declan nunca tinha tido que trabalhar para nada na vida, mas Ja-
son teve seu primeiro fôlego. É o que fazia a reconstrução da proprie-
dade familiar tão doce.

79
Tinha ficado um pouco confuso nos aposentos no subsolo, especi-
almente na parte que parecia suspeitamente como uma masmorra. Mas
Jason tinha mesmo reconstruído aqueles precisamente como eles ti-
nham sido.
Incluindo a porta escondida sob as escadas que levavam ao porão.
Jason abriu a porta e fechou-a silenciosamente atrás dele antes de des-
cer a estreita escada.
Mesmo agora ele lembrou como ele tinha usado um martelo para
derrubar uma parede semi-queimada e encontrar um cofre dentro. Ti-
nha tomado todas as habilidades de Jason como um arrombador para
abrir o cofre, mas ele tinha sido devidamente recompensado quando
conseguiu. Tinha havido dinheiro, mas era o diário de couro vermelho
que tinha sido o verdadeiro tesouro.
Jason sorriu ao encontrar seus convidados esperando por ele. A
masmorra tinha sido uma surpresa a primeira vez que ele tinha visto,
mas também o segundo escritório que ele encontrou.
Se ao menos soubesse mais cedo que a magia corria na família.
Mas era melhor tarde do que nunca, ele sempre dizia.
― Bem-vindos. ― Jason disse quando parou diante dos seis ho-
mens e mulheres esperando por ele. - Que notícias vocês têm para
mim?
A mulher mais próxima dele levantou-se e sorriu quando chegou
ao lado dele. Seus lábios vermelhos rubi chamativos, como seus olhos
pintados com kajal. Ela pôs uma longa unha vermelho contra ele e dei-
xou que lentamente passasse os ombros pelo blazer enquanto ela cami-
nhava atrás dele até que ela estava do lado esquerdo.
― Oh, temos notícias. ― ela sussurrou em um tom rouco que
sempre o deixava duro e pronto.
Havia algo sobre uma mulher com magia negra que nunca falhava
em excitar Jason. Mindy, com seus cabelos e olhos pretos, tinha sido
sua favorita desde que ele a viu pela primeira vez há quase um ano.
― Diga-me. ― ele insistiu.
― Um dos Guerreiros do Castelo MacLeod partiu.

80
A excitação de Jason diminuiu. ― Então? Eles vêm e vão muitas
vezes.
― É verdade, mas nenhum partiu para ser parte de uma escava-
ção arqueológica.
Aquilo prendeu sua atenção. Ele deslocou seu olhar de Mindy para
os dois homens ao lado. ― O que vocês sabem sobre Charon, Phelan e
Malcolm?
― Malcolm está se escondendo. ― disse o mais alto deles, Dale.
Ele era um grande e brutal homem com a cabeça raspada e uma barbi-
cha que o fazia parecer ainda mais sinistro.
Jason se encostou na parede e olhou furioso. ― Vocês são guerrei-
ros. Você deve ser capaz de encontrá-lo.
― Charon ainda acha que sua pequena aldeia está segura. ― dis-
se o guerreiro ruivo com um sorriso frio.
― Isso vai mudar em breve. ― disse Jason. Ele estava ansioso
para que seus planos começassem, e estava quase na hora. Planejou
tudo com cuidado. Todas as informações de que ele precisava sobre os
Guerreiros e Druidesas tinham sido encontradas naquele livro de couro
vermelho.
E ele tinha usado para a perfeição.
Muita coisa acontecera desde que ele herdou a fortuna de Wallace.
Ele poderia ter tomado seu tempo reconstruindo a propriedade, mas ele
não tinha desperdiçado nenhum em aprender sobre a magia negra que
corria pelas veias de sua família.
Ele mergulhou de cabeça naquele mundo e agarrou tudo o que era
dele. Tinha levado algum trabalho para criar os Guerreiros, e ainda
mais em ajudá-los a controlar seu deus. Jason queria que eles matas-
sem, mas ele queria ser o único que os governasse.
Se criar e controlar os Guerreiros tinha sido um problema, não era
nada comparado a encontrar droughs. Classificar as verdadeiras Druide-
sas das falsas tinha sido fácil o suficiente.

81
Mas agora tudo o que Declan tinha planejado e escrito nas páginas
do livro vermelho, Jason tinha posto em movimento. Declan falhou e foi
derrotado pelos MacLeods.
Oh, não havia nenhuma prova de que fossem os MacLeods, mas
se não eles, então quem mais poderia ter matado seu primo?
Era hora da vingança. Era hora da... desforra.
― Aisley. ― Jason chamou sua prima. Uma beleza com uma tez
impecável e longas pernas, seus cabelos de meia-noite puxados para
trás em um rabo de cavalo, e seus olhos escuros permaneciam em
qualquer lugar, exceto sobre ele. ― Que notícias você tem?
Ela manteve a cabeça afastada e os braços cruzados sobre o peito
enquanto ela inclinava os quadris contra a mesa dele. ― Não mais mies
foram para o MacLeods, nem qualquer uma foi localizada.
― Estão lá fora, exatamente como estávamos. Precisamos ter cer-
teza de acabar com elas antes que cheguem ao MacLeods. ― Jason ad-
vertiu.
Ele sorriu quando ouviu um rugido vindo da masmorra. ― Não vai
demorar muito mais para que meus próximos Guerreiros possam se
juntar a nós. Temos a vantagem agora. Os MacLeods não têm ideia de
que estamos aqui ou de que estou reunindo um exército.
― Quando é que vamos atacar? ― perguntou Mindy, excitamento
queimando em seus olhos negros. Seus lábios vermelhos erguidos em
um sorriso astuto.
Jason tomou sua mão e beijou o topo dela. ― Logo, minha queri-
da. Muito em breve. Quero saber sobre esta escavação arqueológica e
por que um guerreiro está lá. Se o MacLeods o enviaram, há uma ra-
zão.
― Talvez eles estejam entediados.
Jason virou a cabeça para Aisley e estreitou os olhos. ― Você está
entediada, prima? Talvez eu deva dar-lhe mais para fazer.
Aisley se endireitou, suas mãos apertando dos lados. ― Já tenho o
suficiente. primo.

82
― Eu não tenho tanta certeza.
Ela desviou o olhar. ― Tudo o que estou dizendo é que talvez esse
Guerreiro só queria fugir do castelo por um tempo. A família pode
ser ... sufocante.
Jason sorriu enquanto caminhava até ela. A história de Aisley era
complicada, ou pelo menos era o que ela chamava. Jason o chamava
perfeito para seus usos.
Aisley tinha muitos usos, embora não soubesse deles. Havia coisas
sobre ela que Jason guardava para si mesmo, coisas que seriam usadas
em seu benefício no futuro. Mas ela tinha que ficar com ele. Ele pensou
que tinha deixado claro aquele ponto, mas talvez precisasse ser feito de
novo.
Ele pegou a mão de sua prima e deu um tapinha nela. Ele se apro-
ximou e sussurrou em seu ouvido: ― Você não está sufocada, Aisley.
Ainda não. Eu posso te dar isso.
― Entendo. ― Seus grandes olhos castanhos olhavam para um lu-
gar na parede.
― Eu pensei que você poderia. ― Jason deixou cair a mão e se vi-
rou para Mindy. ― Pegue Aisley e vá para o sítio de escavação. Eu que-
ro tudo o que você sabe sobre este Guerreiro.
― Mindy sorriu e esfregou as mãos juntas.
Mas Aisley disse. ― É uma má ideia.
― Eu não repassei isso com você? ―Jason fundido com raiva.
Aisley rolou os olhos. ― Pense. Você é o cérebro. Os guerreiros
podem sentir magia Druida. Ele será capaz de dizer a diferença entre
um mie e um drough. Você realmente quer que esse Guerreiro saiba
que há duas droughs lá?
― Ugh. Tanto quanto eu odeio dizer isso, ela tem um ponto, ―
Mindy disse com um beicinho de lábios vermelhos.
Jason odiava quando cometia um erro. Ele o odiava ainda mais
quando lhe era apontado. Apesar disso, Aisley o tinha ajudado sobre
alertar os MacLeods.

83
― Tudo bem. ― Ele se virou para os dois Guerreiros. ― Vão. Ve-
jam o Guerreiro, mas não o deixe saber que vocês estão lá. Fiquem es-
condidos e fora da visão.
Com um aceno brusco da cabeça, ele mandou todos para fora.
Quando Aisley começou a passar por ele, agarrou-lhe o braço: - Oh,
não. Não você.
Quando a porta se fechou atrás da última Druidesa, Aisley puxou o
braço de sua mão, seus lábios abrindo em um sorriso sarcástico. ―
Aye, eu sei. Eu falei fora da vez.
― Você queria isso, lembra? Você queria controlar sua vida. Eu dei
isso a você!
― Oh, sim, você me deu uma bela vida! ― Seu peito arqueou e
seus olhos lançaram adagas.
Jason sorriu enquanto sua raiva evaporava. ― Tudo tem um preço.
Você sabe disso melhor do que a maioria.
― Eu não preciso ser lembrada do que eu fiz, Jason. Estou aqui.
Eu faço o que você pede, e eu salvei seu traseiro mais vezes do que
posso me lembrar. Eu não preciso de você respirando no meu pescoço e
tentando me colocar no meu lugar.
― Mas isso é exatamente o que você precisa. ― Ele deu um passo
em direção a ela, apoiando-a contra a parede. ― Você nunca conheceu
seu lugar, não antes. Você conhecerá até o momento em que eu termi-
nar com você.
Aisley observou-o sair do porão. Como ela o odiava. Se conseguis-
se fugir, ela mergulharia uma faca no coração. Fechou os olhos e agar-
rou a parede. A cicatriz no seu lado esquerdo tinha seis meses, mas
ainda doía. Assim como ela ainda podia sentir a lâmina cortando em
sua pele lentamente, implacavelmente.
Aquela tinha sido a resposta de Jason quando ela tentou sair. Ele
lhe dissera que era apenas uma amostra do que ele faria se ela pensas-
se em deixá-lo de novo.

84
Aisley estendeu a mão na frente dela. A magia negra dentro dela
era como outra entidade. Ela podia senti-la fluir através dela e gradual-
mente tomar sua alma.
Esta era a sua vida. Era o que ela escolhera. Para melhor ou pior,
ela precisava aproveitar ao máximo. ― Antes que o inferno me reivindi-
que.

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CAPÍTULO NOVE

Dois dias depois, Arran trocou sua pá e usou a força. A escavação


agora consistia em pequenas pás e outras ferramentas que ele não po-
dia se importar menos.
Ele e alguns outros transportavam a sujeira extra longe do local.
Não era exatamente um trabalho divertido, mas continuava a manter
sua atividade, bem como mantê-lo perto de Ronnie.
O que em si era tortura.
Ela não tinha ideia de seu encanto. O jeito que suas calças de brim
moldavam a sua bunda, a maneira que sua camisa se estirava através
de seus seios quando ela alcançava algo. Ou a maneira que ela sorria
em abandono e felicidade enquanto cavava a terra.
Tudo isso era puro, requintado, incrível agonia. Ele não conseguia
parar de olhar para ela. E à noite, quando tentava dormir, tudo o que
via era ela. Seu sorriso, seus olhos castanhos, seu cabelo cor de trigo
que o provocava com seu comprimento.
Ele sonhava com as diferentes formas que faria amor com ela,
provocando seu corpo até que ela gritasse seu nome quando ela che-
gasse ao pico, suas mãos agarrando-o, incitando-o sobre ela.
O pior era que ele não tinha nenhum efeito sobre ela. Teria ajuda-
do seu ego que a pegasse olhando para ele algumas vezes, mas como
já tinha sido avisado, ela tinha um único amor, e esse era a arqueolo-
gia.
Felizmente, Pete tinha saído no dia anterior para finalizar algo em
Edimburgo. Ele estava contando a Arran sobre isso, mas Arran não o
estava ouvindo. Ele havia captado Ronnie através da aba da barraca e
tinha estado observando-a.
Ele estava sempre a observando.
Observando e querendo. Ele nunca sentiu tal sofrimento antes.
Seu corpo incendiava com a necessidade, e a única maneira que ele po-

86
deria se segurar de encontrar Ronnie e reivindicar seus lábios era traba-
lhar tão duro quanto ele poderia. E mesmo isso nunca era o suficiente.
Não depois de tocá-la, segurá-la ... sentindo suas curvas femininas
e suavidade acenando.
Memorizou cada movimento pequeno, riso, e sorriso que ela teve.
Toda vez que ela arrumava uma mecha de cabelo atrás da orelha, cada
vez que se dobrava para olhar a prancheta de Andy, cada vez que ela
pesquisava o sítio, ansiosamente esperando encontrar algo. Ela era
uma mulher espantosa.
O que Deirdre lhe tinha feito quando desatou o deus dele tinha
sido horrível. Mas o que Ronnie estava fazendo com ele, por mais invo-
luntário que fosse, cortava-o ainda mais.
Arran não queria desejá-la. Ele não queria sentir a fome inextin-
guível quando ela estava perto.
Mas maldito se ele soubesse como parar isso.
Havia outras mulheres dispostas, mas havia dado sua palavra a
Ronnie para não distrair as outras. Se ao menos soubesse o que estaria
passando agora, ele teria reconsiderado aquela promessa.
Arran permaneceu em sua barraca depois de um longo dia e ge-
meu quando ouviu a doce voz de Ronnie. Seu controle estava segurado
por um fio, um fio muito fino que estava prestes a romper-se.
Agarrou uma troca de roupa e saiu da tenda. Ele mal chegara aos
veículos estacionados quando Andy correu até ele.
― Arran? Cara, você não está saindo ou algo assim? Você está?
Nós precisamos de você.
― Não.
O corpo alto de Andy tropeçou e correu para se recuperar com os
longos passos de Arran. Arran sabia que estava sendo rude, mas tinha
que fugir, para conseguir uma rédea melhor sobre o desejo e a fome
que o perseguia.
Ele nunca tinha experimentado nada tão claro ou intenso antes. O
anseio, a necessidade continuava a crescer, nunca diminuindo. Isso o

87
estava deixando louco. Se não fugisse agora, encontraria Ronnie e a
beijaria.
E então Deus os ajudasse. Um gosto, e ele sabia que ele estaria
acabado.
― Onde você está indo? ― Andy perguntou sem fôlego enquanto
corria para o acompanhar.
― Para nadar.
― Nadar? O lago mais próximo está a uma milha de distância.
― Estarei aqui de manhã.
Felizmente, Andy parou e deixou Arran continuar sozinho. Quando
ele estava longe o suficiente do acampamento para que os outros não o
vissem, ele partiu em uma corrida.
Se quisesse, poderia usar a velocidade que seu deus lhe dava e
estar no lago em questão de segundos, mas Arran estava contente de
continuar a exercitar seu corpo.
Ele desacelerou para uma caminhada quando o lago apareceu. Ar-
ran respirou fundo e simplesmente olhou para a visão diante dele.
Quando chegou ao lago, agachou-se à beira da água. Muitos tinham
construído casas ao redor da água. Parecia que somente ontem este
lago era solitário. Não haviam docas ou barcos amarrados, balançando
languidamente.
Não havia restaurantes e lares na margem séculos atrás. Ou estra-
das onde o som dos carros poderia ser ouvido mesmo através da linha
de árvores. Não era que ele odiasse esse tempo moderno, apenas que
sentia saudade de como as coisas foram uma vez.
Arran tirou as botas e jogou as calças antes de mergulhar na
água. A enseada era isolada, proporcionando-lhe a privacidade que ele
precisava desesperadamente no momento.
Qualquer coisa era susceptível de fazê-lo explodir, ele estava nesse
estado. Um olhar errado, uma palavra errada, e seu desejo poderia se
transformar em raiva. Ele estava tão perto da borda.

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Arran não se lembrava de estar tão despedaçado desde que seu
deus fora liberado pela primeira vez. A fúria e a raiva fervilhavam, mais
a paixão continuava inalterada.
Ele subiu à tona e balançou a cabeça. A água estava fresca e es-
cura no céu do anoitecer. O céu ainda estava claro, dando uma tonali-
dade dourada sobre as nuvens.
Poderia ser uma noite mágica. Ele podia imaginar Ronnie na água
com ele. Ele podia até imaginá-la sorrindo antes de puxá-la em seus
braços para um beijo.
― Merda. ― ele resmungou com sua fantasia.
Arran mergulhou de novo e nadou sob a superfície, esperando que
sua necessidade se aliviasse mesmo um pouco.
***
Ronnie desligou o carro e saiu. Ela se encostou na porta e olhou
através da água clara e lisa do lago. Quando Andy disse a ela onde Ar-
ran tinha partido, ela não tinha acreditado.
Ela ainda não acreditava, mas pelo menos o Range Rover de Arran
ainda estava estacionado no sítio.
Um nativo lhe contara sobre esta enseada isolada no lago e Ron-
nie pensou que era onde Arran poderia ter ido. Mas parecia que ela ti-
nha imaginado errado.
Ela estava voltando para seu carro quando notou as botas descar-
tadas e jeans em uma pilha junto à praia. Ronnie fechou suavemente a
porta do carro e caminhou até as roupas.
Definitivamente eram de Arran. Tinha tentado ignorar aquela calça
jeans que se moldava em seu traseiro o dia inteiro. E tinha falhado. Mi-
seravelmente.
Ignorar Arran provou ser impossível. Ele estava em toda parte.
Sempre disposto a ajudar, sempre lá quando ela precisava de alguém. E
todo mundo gostava dele. As mulheres, é claro, mas mesmo os homens
queriam ser seus amigos.

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As pessoas estavam continuamente gritando seu nome. Ela podia
ouvir sua voz, não importa onde ela estivesse no sítio, e chegara a um
ponto em que, quando ela não o ouvia, ela procurava por ele.
Agora, ela tinha vindo para o lago. Por quê? Sabia que era melhor
não ficar sozinha com ele. Ela tendia a esquecer tudo quando ele esta-
va perto, e ela estava definitivamente tentando-se esta noite.
Particularmente quando ele a colocava tão fora de linha. Ele a fa-
zia pensar em longas noites quentes, de prazer, e de paixão tão inten-
sa, que nunca esqueceria um momento em seus braços.
Seu olhar examinou a água. O único movimento era a própria
água. Ela não pôde evitar sua decepção. Embora soubesse que precisa-
va manter distância, queria vê-lo.
Ronnie colocou as mãos nos quadris e suspirou. ― Momento certo,
como eles dizem, é tudo. Talvez seja para melhor. Eu só poderia ceder a
ele.
Ela estava prestes a voltar para o carro quando uma cabeça que-
brou a superfície. Seus pulmões se agarraram quando ela reconheceu
os longos cabelos escuros de Arran.
Ele riu, o som carregando sobre a água e batendo contra ela.
Os pés de Ronnie ficaram colados ao chão enquanto ela o obser-
vava andar pela água. Seus braços longos e musculosos espalharam a
água quando ele se virou e começou a nadar em direção a ela.
Ela soube o momento em que ele a viu porque seu semblante
tranquilo titubeou. Ele mergulhou debaixo da água novamente, e ela
olhou ao redor com o coração martelando em seu peito. Ela ia embora?
Ou ela tenta si mesma e ficaria?
Fique.
Ela deixou cair as mãos de seus quadris e mordeu o lábio com in-
decisão conflitante. Antes que ela pudesse fazer uma escolha, Arran
quebrou a água novamente, desta vez perto o suficiente para ela poder
ver seus olhos dourados.
― Como você me encontrou?

90
Ronnie deu de ombros, odiando o nervosismo que corria desenfre-
ado através dela. ― Eu perguntei para um nativo se havia um ponto
próximo no lago que fosse privado. Ele me enviou aqui.
― Por que você veio?
Ela engoliu em seco e desviou o olhar. Havia uma borda dura na
sua voz dele que ela não estava acostumada. Isso deveria ter dado a
ela uma parada, mas tudo o que podia pensar era que a única coisa
que a impedia de vê-lo em toda a sua maravilhosa glória era a água. ―
Andy pensou que você poderia estar partindo.
― Eu disse a ele que eu não partiria.
― Sim. Olha, eu só queria ter certeza que você estava bem. Você
obviamente quer ficar sozinho. Eu o verei de volta no sítio.
Ela se virou e tinha dado dois passos para o carro quando ele dis-
se, ― Ronnie.
Ela se manteve de costas para ele e lambeu seus lábios. Sua voz
tinha sido áspera, seca. Era um lado de Arran que ela não tinha visto
antes. O que mais ele mantinha escondido?
― Eu não quero soar tão ... áspero. Eu só... é só que... eu precisa-
va de um banho frio.
― Como eu disse, está tudo bem. ― Ela queria virar e olhar para
ele, queria olhar para seus olhos dourados. Queria ver todos os múscu-
los maravilhosos. ― Eu não quis interromper.
― Você não interrompeu. ― Ela sabia que era mentira, mas ela
estava feliz que ele tinha dito isso de qualquer maneira.
― Eu estou contente que você esteja bem. Você se tornou bastan-
te ativo no sítio. Eu não quero te perder.
― A água está boa. Junte-se a mim.
Ronnie ficou tão surpresa com a mudança de tópico que ela se vi-
rou. O cabelo dele estava afastado do rosto. Ele estava imóvel como
uma estátua, mas ela podia sentir o calor de seu olhar enquanto ela fi-
xava os dela.

91
― A última coisa que pensei trazer comigo para a Escócia foi um
maiô
― Quem disse alguma coisa sobre vestir um maiô?
― A profunda ressonância de sua voz enviou um tremor através
dela, queimando seu sangue até que ela teve que apertar as pernas
juntas. E assim, o fogo a pegou. Um fogo que só ele parecia capaz de
inflamar.
Ele estava oferecendo a ela a mesma coisa que só imaginou em
suas fantasias. Nenhuma mulher sensata desviaria de um homem como
Arran.
― A água vai acalmá-la. ― ele insistiu.
Ela trocou de peso de um pé para o outro enquanto seu olhar pe-
gou as gotas de água pontilhando seus ombros e abdômen. Suas mãos
coçavam para percorrer todos os seus músculos, descendo pelo peito
dele e por cima do abdômen.
Suas pernas ficaram fracas só de pensar nisso. Ela se moveu para
que ela estivesse recostada contra o capô de seu carro. Não era sábio
para ela ser tão levada por um cara. Ela tinha que manter a cabeça,
para ficar no comando. De tudo.
Assustava-a o quanto ela queria sentir seus braços ao redor dela,
queria saber a sensação de seus lábios se movendo sobre os dela. É
como se Max nunca tivesse acontecido, que ela não tinha aprendido
uma lição valiosa.
Arran apagou a dor do passado. Ele prometia novas lembranças,
prazer e êxtase durante o tempo que ela os quisesse. E ela sempre os
queria.
Ele estava bem ali diante dela, esperando.
― O que você está fazendo aqui? Realmente.
A testa dele franziu com a pergunta, mas seu olhar nunca deixou o
dela. ― Não tenho certeza de que você gostaria da verdade.
― Quero a verdade.

92
― Você.
O estômago revirou. Quando conseguiu respirar fundo, estava irre-
gular e seu peito estava pesado. Seus seios incharam, seus mamilos
doíam. Uma fome, profunda e insistente, surgiu dentro dela. A fome de
Arran MacCarrick que ela sabia nunca iria acabar.
Tudo o que ela queria era Arran. Suas mãos, sua boca, seu corpo.
Não havia uma parte dele que ela não quisesse tocar e beijar e colocar
na memória.
― Eu precisava da coisa mais próxima de um banho frio que eu
poderia conseguir.
Ronnie ficou feliz que o carro a estava segurando, porque tinha
certeza que suas pernas teriam se derretido de outro modo. Nenhuma
palavra viria, não que ela soubesse o que dizer em resposta à sua ad-
missão.
― Vejo que você não estava esperando que eu dissesse isso.
― Não. ― ela disse com uma sacudida de cabeça. ― Eu não tinha
ideia.
― Mentirosa. ― Ele riu e se baixou na água de modo que apenas
sua cabeça aparecia. ― Junte-se a mim, Ronnie.
Deus como ela queria entrar naquela água e ir até ele e beijá-lo.
Ela queria enfiar os dedos em seus cabelos escuros e fitar profunda-
mente dentro de seus olhos.
Mas o passado a mantinha em terra, impedindo-a de arriscar-se.
Maldito Max por arruinar isso.
― Eu acho que não posso.
Ele acenou com a cabeça e então se levantou tão rapidamente, a
água espirrou em torno dele. Não foi até que ele começou a caminhar
em sua direção que Ronnie encontrou seu corpo tremendo de necessi-
dade, necessitada dele.
A água ficava cada vez mais baixa em seu corpo a cada passo que
ele tomava. isso revelou o abdômen esculpido que ela já conhecia. Isso

93
também revelava a boa forma de seus quadris e a linha de pelos escu-
ros que viajava de seu umbigo para baixo.
Com seus olhos dourados fixos nela e inconfundivelmente cheios
de uma fome profunda e sombria, ele parecia um lendário escocês de-
terminado a reivindicá-la.
E Deus a ajudasse mas seu coração bateu mais rápido por causa
disso.
Seus lábios se separaram quando a água baixou para mostrar sua
ereção grossa, dura, e suas pernas cheia de músculos. Ele continuou
caminhando direto para ela.
Ronnie odiou que ele parasse justo perto de tocá-la. Ele inclinou
as mãos contra o capô de cada lado dela de modo que seus lábios pe-
gavam a respiração dela, água pingando de seu corpo sobre o dela.
― Eu imaginei você para um tipo de aventura. ― ele disse en-
quanto seu olhar varria seu rosto. ― Que pena.
E então ele se foi.
Ronnie piscou, irritada que, mais uma vez, ela tinha sido muito tí-
mida para ver o que aconteceria se cedesse a Arran MacCarrick.
Tudo o que ela tinha que fazer era se inclinar e colocar seus lábios
nos dele. Ele estava esperando por isso. Ele até disse que viria para um
banho frio por causa de seu desejo por ela.
Mas ela amarelou como sempre fazia.
Ela esperava vê-lo na estrada ou em algum lugar perto, vestindo
suas roupas, mas ele tinha partido. Como foram suas roupas. Foi como
se elas simplesmente desaparecessem.
Ronnie se endireitou e olhou ao redor da área. ― Arran. Arran!
Não importa quantas vezes ela chamou, ele não respondeu e ela
não o encontrou. Depois de alguns minutos, ela desistiu e entrou no
carro.

94
― Droga. ― ela disse, e bateu as mãos no volante. ― Eu sou tão
covarde. Eu o quero e ele está oferecendo. Por que não posso pegar
isso? O que há de errado comigo?
Ela colocou a cabeça no volante e simplesmente se sentou lá, odi-
ando a si mesma por permitir que o passado a governasse. Tudo era
por causa de Max, tudo porque ela tinha sido ingênua e tola.
Pete havia avisado que o que Max fizera comprometeria qualquer
futura felicidade. Ela riu de Pete, mas parecia que ele estava certo.
Ronnie tentou se lembrar da última vez em que teve um encontro, um
encontro real. A última vez que alguém a convidara para sair tinha sido
apenas alguns meses depois que ela se separou de Max.
Ela tinha recusado o encontro, e os próximos vários seguidos des-
se. Então, mergulhou no trabalho de modo que não tinha percebido
que havia passado mais de dois anos desde que teve um encontro de
qualquer tipo.
Com um suspiro ela levantou a cabeça e olhou para a água. Como
seria nadar com Arran? O que teria sentido se esquecer do passado e
ceder à atração?
Como teria sido beijá-lo? Ronnie enraivecida enxugou uma lágrima
que ousou cair. Então ela fez o que sempre tinha feito. Ela se entregou
naquele minuto para chafurdar em culpa e arrependimento, depois ela
empurrou isso de lado e olhou para frente. Era o único curso que ela ti-
nha. Olhar para frente. Olhar sempre adiante.
Prendeu o cinto de segurança e ligou o carro. Enquanto se afasta-
va, ela estava determinada a nunca pensar no lago e Arran caminhando
da água novamente. Nunca pensar no modo como seu corpo reagia à
sua mera presença ou ao que poderia ter sido.

95
CAPÍTULO DEZ

Arran observou Ronnie se afastar. Só então ele soltou a respiração


que estava segurando. Não tinha certeza de como não a tinha arrasta-
do contra ele e saqueado sua boca como ele queria fazer desde o pri-
meiro momento em que a tinha visto. Várias vezes quase saiu de seu
esconderijo quando ela chamou seu nome.
Ela queria entrar na água. Tinha estado lá em seu rosto. Mas algo
a tinha parado. O que foi aquilo?
E por que ele malditamente se importava tanto?
Vestiu-se quando o chiado da magia dela começou a desvanecer
enquanto seu carro se afastava. Ele sentiu sua magia enquanto estava
debaixo d'água, mas quebrar a superfície e vê-la em pé havia trazido
num estante, todo o ardor que ele tinha trabalhado tão duro para res-
friar.
Se ele pudesse esquecer a necessidade ardente o suficiente para
falar com ela sobre Druidesas, ele poderia aprender mais sobre ela.
Mas, porra, se ele conseguisse controlar seu corpo. No entanto, ele ia
ter que controlar... e logo. Tinha visto a maneira como ela olhara para
os arcos. Se era uma tumba ou algo mais que ela estava descobrindo,
ele não gostou da sensação dele.
E isso parecia estar levando-a. Era o modo que ela olhava para
isso o que mais o incomodava. A última coisa que queria era enfrentá-la
sendo ela uma Druidesa, mas como não ficava sozinho com ela, estava
perdendo tempo.
Ele tinha tido essa oportunidade há alguns minutos, e tinha explo-
dido isso. Tudo por causa de seu maldito pau.
Seu telefone tocou naquele momento. ― Merda. ― ele murmurou,
e tirou o telefone do bolso traseiro. Então soltou uma outra série de
maldições quando viu o nome de Saffron.
― Você tem alguma explicação a fazer. ― ele disse como forma de
responder, já que ela se recusava a atender suas ligações.

96
―Olá para você também. ― Saffron disse, um sorriso em sua voz.
― Eu pensei que você poderia gostar do meu pequeno trote. Muitas
pessoas pensam que Ronnie é um homem baseado em seu nome.
― Essa é uma dedução natural. E você poderia ter respondido mi-
nhas chamadas antes sobre isso. Por que você está realmente ligando?
Quando ela não respondeu imediatamente, ele ficou instantanea-
mente alerta. Saffron era uma Vidente. Elas eram raras no mundo Drui-
da, tão rara que tinha sido sequestrada por Declan Wallace, a fim de
usar sua magia.
Tinha sido Camdyn, seu marido, que a libertou da prisão. Esses fo-
ram três anos de que Saffron nunca falava.
― Saffron. ― Arran disse suavemente. - Você teve algum tipo de
visão?
Houve um longo suspiro pelo telefone. ― Sim.
Arran apertou os olhos porque sabia sobre quem era a visão. ―
Ronnie.
― Sim. ― Saffron disse novamente.
― O que você viu?
― Não o suficiente. Eu sinto muito. Tudo o que sei é que ela esta-
va assustada. Realmente com medo, Arran. O tipo de medo como eu
estava quando Camdyn me encontrou na masmorra de Declan.
O intestino de Arran apertou dolorosamente. Golpeou uma árvore
com o punho.
― Porra.
― Eu queria ligar para você primeiro. Camdyn foi ao castelo dizer
aos outros. Fallon vai querer enviar outro guerreiro, e talvez isso seja
sábio.
― Não. ― disse Arran com força. Ele não queria compartilhar Ron-
nie com ninguém. ― Eu posso fazer isso.

97
― Eu não sei o que vai acontecer com ela. Poderia ser um aciden-
te no sítio, ou poderia ser um assalto na cidade, um acidente enquanto
ela está dirigindo. Poderia ser qualquer coisa.
― Um acidente. ― ele repetiu, e empurrou a cabeça para onde as
luzes traseiras do carro de Ronnie tinham desaparecido. ― Eu ligo para
você.
Arran estava correndo antes que a última palavra saísse da boca.
Ele não se conteve desta vez. Memphaea queria ser solto, e com o pa-
vor batendo nele, ele mal conseguia manter seu deus abaixado.
Usando toda a sua velocidade, Arran atravessou carros estaciona-
dos e rochedos. Ele não seguiu a estrada, em vez disso tomou um ca-
minho reto até que ele viu as luzes traseiras de Ronnie.
Ele começou a diminuiu até que viu um carro virar a curva em di-
reção a ela. O pneu derrapou naquele momento, fazendo com que o
carro desviasse na pista de Ronnie.
― Ronnie! ― Arran gritou enquanto ele bombeava suas pernas
mais duro para alcançá-la.
Ia ser uma colisão frontal. Os carros estavam muito próximos uns
dos outros, e estava acontecendo muito rápido.
― Vire a maldita roda, Ronnie! ― Arran gritou, sabendo que não
faria nada de bom, já que ela não podia ouvi-lo.
Mas de alguma forma, ela fez virar a roda no último segundo. O
carro bateu no lado do passageiro. O guincho de pneus e o cheiro de
borracha queimada junto com o som de metal permaneceriam em sua
memória para sempre.
Os carros ainda estavam balançando de sua colisão quando ele a
alcançou. Ele abriu a porta, parando sua verdadeira força para que ele
não a arrancasse, para encontrá-la segurando o volante com tanta for-
ça, seus dedos brancos.
― Ronnie? ― Ele perguntou suavemente, hesitante. ― Ronnie,
moça. Preciso que olhe para mim. Olhe para mim. ―ele disse mais alto
quando ela não se moveu.

98
Seus olhos castanhos assustados e cheios de medo viraram-se
para ele. ― Arran?
― Aye. Você está machucada?
― Eu ... eu não sei.
Ele deu uma olhada rápida, mas não viu nenhum sangue além de
um corte em sua mão da janela do passageiro quebrado. ― Fique aqui.
Eu volto já.
Arran correu para o outro carro, e depois de determinar que eles
também estavam bem, correu de volta para Ronnie. Ela não tinha se
movido. Sangue corria do corte entre seus dois nós dos dedos, onde
um pequeno pedaço de vidro tinha se embutido na mão dela.
Ele tomou seu rosto em suas mãos e a fez olhar para ele nova-
mente. ― Ronnie, você bateu a cabeça?
― Seus olhos estavam um pouco aturdidos quando ela tentou ba-
lançar a cabeça, não, um estremecimento rápido a parou.
― Droga. ― Arran murmurou.
Ele arrancou uma das mãos dela do volante e sentiu como estava
gelada. Choque. Ele esfregou a mão dela para ajudar a aquecê-la antes
que gentilmente tomasse sua outra mão.
Arran cuidadosamente segurou sua mão ferida na dele. ― Tenho
que tirar o vidro.
― Vidro. ―repetiu Ronnie. Então ela olhou para a mão e assentiu.
― Sim. Por favor, tire-o.
― Vire a cabeça.
Ele esperou até que ela desviasse o olhar antes dele olhar para o
vidro. Seus dedos eram grandes demais para tentar agarrá-lo sem ma-
chucá-la. A única opção que tinha era usar suas garras.
― Mantenha os olhos fechados. ― alertou. Um fantasma de um
sorriso puxou seus lábios. ― O sangue não me incomoda.

99
―Bem, você está olhando me deixa nervoso, e eu não quero te
machucar.
―Ok.
Ele observou como garras brancas se estendiam de seus dedos.
Arran estava apenas pegando o vidro quando ela inalou.
― Estou feliz que você esteja aqui, Arran. Ele usou aquele segun-
do para puxar o vidro e jogá-lo fora.
― Eu também. Está tudo acabado.
― Meu carro está morto?
― Não. ― ele disse com uma risada, suas garras se foram. ― Você
precisará de uma nova janela e de alguma coisa na carroceria, mas o
carro deve continuar a andar.
Demorou mais do que Arran gostou, obter informações trocadas
em relação ao acidente. Uma vez que isso foi feito, ele limpou o assen-
to do passageiro dos vidros e mudou Ronnie de lugar.
Ele estava no processo de dirigir de volta ao sítio quando seu tele-
fone tocou novamente. De alguma forma, ele não se surpreendeu ao
ver que era Saffron.
― Acabou. ― disse ele
― O que quer dizer? ― Saffron perguntou.
Arran olhou para Ronnie para encontrar seus olhos fechados. ―
Houve um acidente. Ronnie está bem.
― Estou feliz em ouvir isso. ― disse Saffron depois de uma breve
pausa. ― Mas não acho que isso é o que minha visão se trata. Terror,
Arran. Verdadeiro, coração-batendo o terror.
Ele apertou a mandíbula. A única coisa que faria Ronnie sentir
qualquer coisa assim era o mal que estiveram lutando por séculos. Um
mal que tinha desaparecido agora.
― Isso acabou. ― ele soltou.
Saffron fez um som na parte de trás de sua garganta. ― Acabou?

100
― Já faz um ano.
― Eu sei. Deixe-me falar com Ronnie.
Arran segurou o telefone para Ronnie. ― É Saffron. ― ele disse
quando ela olhou para o telefone.
Ele dirigiu pelas estradas estreitas e sinuosas, fingindo que não
podia ouvir a voz de Saffron através do telefone perguntando como
Ronnie estava. Arran manteve seu olhar para frente enquanto fingia
não ouvir o tremor na voz de Ronnie enquanto respondia.
A conversa terminou rapidamente, e quando Ronnie lhe passou o
telefone, ele sentiu sua mão tremer. Ele jogou o telefone no suporte de
copo e envolveu seus dedos em volta dos dela.
Ele lhe deu um sorriso reconfortante, e para seu alívio, ela não se
afastou.
― Eu já estive em outro acidente. ― ela disse. ― Foi durante a fa-
culdade, e eu estava dirigindo para casa. Eu tinha um amigo no carro
comigo, e estávamos falando enquanto eu dirigia pelo estacionamento
da universidade. Um carro repentinamente recuou em mim. Muito pou-
co dano, mas me assustou.
― O inesperado sempre assusta. Isso não é nada para se envergo-
nhar.
Ela olhou para as mãos entrelaçadas. ― Eu suponho.
Muito cedo eles chegaram de volta ao sítio de escavação. Arran
saiu do carro e correu para o outro lado para ajudar Ronnie. Ela já tinha
aberto a porta e estava saindo pelo tempo que ele chegou até ela.
A maioria já tinha ido para suas tendas para a noite, então não ha-
via ninguém para vê-los chegar. Arran esperou até que ela estivesse
fora antes de fechar a porta.
Ele a levou de volta para a sua tenda, e embora não quisesse
deixá-la, não havia desculpa para ficar. Suas mãos coçavam para se-
gurá-la novamente e certificar-se de que ela estava realmente bem. A
vida mortal poderia ser extinguida tão rapidamente, muito rapidamente.
Isso o gelou só de pensar.

101
― Obrigada. Por estar lá.
Arran encolheu os ombros. ― Você não estaria lá se eu não tives-
se ido ao lago.
― Isso não foi culpa sua.
― Nem foi sua. Acidentes acontecem.
Ela sorriu e sentou em seu catre. ― Eu nem consigo ver onde o vi-
dro estava na minha mão.
―Era pequeno. ― Ele engoliu em seco e olhou ao redor. Estavam
sozinhos. Ele poderia perguntar a ela agora sobre ser uma Druidesa,
mas o olhar aturdido em seus olhos lhe dizia que ele não iria obter
qualquer informação dela. Ele teria que esperar novamente. ― Descan-
se um pouco. Vejo você pela manhã.
Arran saiu antes que ele fizesse algo louco como tomá-la em seus
braços e beijá-la até que ambos ficassem sem sentido. O medo que ti-
nha corrido através dele quando testemunhou o acidente deixou-o gela-
do.
Mesmo depois de saber Ronnie estava segura, ele não poderia
afastar o conhecimento de que a qualquer momento ela poderia ser to-
mada. Poderia ter acontecido naquela noite, se não tivesse girado a
roda.
Agora ele percebia como cada um dos Guerreiros se sentia sobre
suas esposas mortais. E por que todos haviam escolhido ficar debaixo
do escudo mágico no castelo.
Arran deitou-se em seu catre e olhou para o topo de sua tenda. O
acidente repetido em sua mente de novo e de novo. O som do casca-
lho, o guincho dos pneus.
Apesar de saber que o acidente de Ronnie o assombraria por al-
gum tempo, foram as palavras de Saffron que o mantiveram acordado.
O mal acabou. Arran assistiu primeiro a Deirdre e depois Declan
serem destruídos. Eles haviam morrido, apagados da face da terra.
Mas eles tinham matado Deirdre uma vez antes e ela tinha sobre-
vivido. Foi isso que aconteceu com Declan?

102
Arran esfregou as palmas de suas mãos contra os olhos. Ele se
sentou e pegou o telefone. Por vários minutos, ele pensou em chamar
um dos Guerreiros.
Antes de decidir qual deles, seu telefone tocou. Ele viu o nome de
Ramsey aparecer. O Guerreiro também era meio Druida. Ele tinha sido
aquele a acabar com Declan.
― Ramsey. ―, Arran respondeu ao telefone.
― Saffron e Camdyn acabaram de sair. Ela nos contou o que acon-
teceu.
― É tudo o que ela disse? ― Ramsey fez uma pausa.
― Ela disse que o mal pode não estar morto como pensávamos.
― Você foi o único dentro da mansão de Declan. Ele morreu?
Ramsey riu, o som cheio de humor e satisfação. ― Oh, aye. De-
clan morreu.
― Nós pensamos isso de Deirdre também.
― É verdade. ― Ramsey suspirou. ― Vivemos um ano pensando
que tudo se foi. Que é um ano em que alguém poderia ter colocado as
coisas em movimento.
― Nós teríamos sabido. Não?
― Eu gostaria de pensar assim. Saffron não teve visões a respeito
de Declan.
Arran esfregou o queixo enquanto pensava. ― Aye, mas também
não estávamos procurando nada, não é? Assumimos que o mal foi bem
e verdadeiramente varrido.
― Como minha linda esposa continua me lembrando, não pode
existir o bem sem o mal. Tara deve saber, já que toda a sua família é
drough. Alguma coisa fora do comum aconteceu ai?
― Além do acidente? Não. Nada. Há magia em todos os lugares.
Eu não tenho dúvida de que os itens mágicos que estamos procurando
estão aqui.

103
Ramsey grunhiu. ― Que tipo de magia? Drough? Mie? Fallon disse
que você não disse.
― Porque é difícil, eu não sinto magia drough.
Mas. ― perguntou Ramsey
― Mas ... Sinto muita magia antiga. E magia mie.
― Isso envolve alguma pessoa?
― Aye.
― Ronnie. ― Ramsey respondeu. ― Você passou mais tempo com
ela desde que Fallon falou com você pela última vez. Você já falou com
ela sobre isso?
― Não ainda. As coisas ... continuam ficando no caminho.
― Ah. Você a quer.
Arran apoiou os cotovelos nas pernas. ―Eu mal posso pensar com
a necessidade, Ramsey. Sua magia é...
― Especial. ― Ele terminou.
― Aye. É mie, mas é diferente de qualquer uma das mies que eu
já senti antes.
― Você não deveria estar ai sozinho.
Ele sorriu com a declaração de Ramsey. ― Eu sou um Guerreiro,
meu amigo. Eu posso cuidar de mim mesmo.
― Não há dúvida sobre isso. Mas como eu aprendi enquanto eu
estava mantendo Tara segura, é sempre melhor ter alguém observando
suas costas enquanto você está focado em outra pessoa.
― Talvez.
Ramsey riu suavemente. ― Ouvi dizer que a Dra. Reid é muito bo-
nita.
― Ela é malditamente bonita. E intocável.
― Por que você não a seduziu?

104
Arran fechou os olhos. ― É... complicado.
― Interessante. Muito interessante.
― O que significa? ― Arran perguntou.
― Não importa. Nós vamos olhar para Declan, mas eu juro que ele
está morto.
― Isso é o que todos nós dissemos sobre Deirdre. ― Arran disse
antes de terminar a chamada.
Ele jogou o telefone de lado e deitou de volta em seu travesseiro,
um braço debaixo dele De certa forma, ele tinha que conseguir Ronnie
sozinha amanhã de manhã e conversar com ela. Não ia ser fácil com
Andy pairando ou o sítio chamando por ela, mas Arran tinha que saber
o quanto ela sabia sobre Druidesas.
Ele não estava preocupado que ela pudesse estar trabalhando com
o mal. Não havia um indício disso em sua magia, mas o que estava pre-
ocupando era a sua absorção em sua escavação atual. Se o que ele
procurava estivesse lá, tinha que saber antes que Ronnie visse. Ou ele
realmente iria ter um problema em suas mãos.

105
CAPÍTULO ONZE

Ronnie levantou os olhos de seu lugar no chão para encontrar Ar-


ran à sua esquerda. Ele nunca estava longe. Isso deveria ter incomodá-
la. Isso já a teria incomodado antes.
Mas depois do acidente de carro, ela gostava de tê-lo perto. Ela
gostava demais.
Onde antes do acidente, ele a mantinha afastado e desejava arder
sob sua pele, agora ele acrescentava um novo elemento: a segurança.
Havia apenas dois outros homens que sempre haviam inspirado
essa sensação de conforto nela, Pete e Andy. Nunca teria pensado que
Arran seria colocado na mesma categoria que Pete e Andy, mas não ha-
via como negar.
Quando ela acordou naquela manhã depois de outra noite cheia
de sonhos envolvendo a caixa e que envolviam Arran fazendo amor
com ela, ela descobriu o quanto ruim foi o dano em seu carro. Como
ele rodava ainda, ela não sabia. Ela mandou Andy chamar alguém para
rebocá-lo para consertá-lo.
Ela tinha acordado às cinco, e tinha trabalhado desde então. Vá-
rias vezes, Arran pediu para falar com ela sozinha, mas sempre havia
algo que surgia e que precisava de sua atenção urgente.
Ela não queria continuar afastando-o, mas não podia evitar. O que
fosse que ele quisesse, ela se asseguraria de ter algum tempo sozinha
para ouvir o que ele tinha a dizer. Desde que ele não lhe dissesse que
estava partindo.
O pensamento fez seu estômago azedar. Ronnie olhou para o
chão. Precisava concentrar-se em seu trabalho, não no cara todo-muito-
bonitão que, por acaso, salvava sua vida e produzia o desejo que ela
pensava não ter.
Ela sorriu. Bem, dizer que ele salvou a vida dela era um pouco dra-
mática, mas era assim que se sentia. Ele estava calmo e controlado en-
quanto cuidava de tudo. Ronnie não tinha sido capaz de pensar no pas-
sado a não ser que tinha estado em um acidente.

106
Arran não só a olhado, mas também ao outro motorista também.
Ele a tinha levado de volta ao sítio e à sua tenda.
Ronnie não conseguia se lembrar da última vez em que alguém a
ajudara de tal forma. Ela estava acostumada a fazer tudo sozinha. Ti-
nha se tornado um hábito, desde que foi criada em um lar adotivo com
cinco outras crianças.
Não que seus pais adotivos tivessem sido pessoas más. Eles ti-
nham sido normais, e a trataram gentilmente. Mas ambos trabalhavam
e tiveram outras crianças para cuidar.
Ronnie tinha aprendido que se ela quisesse fazer alguma coisa, te-
ria que ser a única a fazê-lo. Ter alguém como Arran a ajudando e não
esperando nada em troca era refrescante. Também não ajudou a atra-
ção que ela sentia.
Outro olhar mostrou que, como de costume, Arran estava cercado.
Deve ser seu sorriso contagiante ou sua natureza descontraída. Mas ela
tinha visto uma outra parte dele, que ele guardava com cuidado quan-
do estava com os outros.
Ela tinha visto o lado predatório, a parte dele que estava pronta
para a vida que o jogasse. Um lado que não iria cair sem uma luta.
Seus olhos dourados encontraram os dela, e por um momento ela
manteve seu olhar fixo antes que ela desviasse o olhar. Por que ele es-
condia essa outra parte dele? Ela gostava daquela parte, que ela não
entendia.
Ela franziu o cenho enquanto continuava a cavar em volta da pe-
dra. Ela nunca tinha sido uma que apreciava os caras alfa muscular. Até
Arran. Não havia dúvida de que ele era um alfa. Todos os outros pareci-
am reconhecê-lo também, e foi por isso que se reuniam com ele.
Mas por que ela?
Era a atração. Pelo menos era o que ela dizia a si mesma.
― Precisa de alguma ajuda?

107
As palavras foram ditas em um tom baixo, sedutor, que enviou ar-
repios correndo sobre sua pele e seu coração bater em tempo duplo.
Arran.
― Eu pensei que você já tivesse um trabalho para fazer. ― Ronnie
disse enquanto ela continuava a cavar.
― Eu fiz isso. Parece que você poderia usar uma mão.
Ela fez a coisa errada e olhou para ele. Seus olhos dourados a en-
laçaram, a tranquilizaram. Enfeitiçaram. Tudo sobre Arran a puxava, in-
citando-a a se aproximar dele.
Ronnie engoliu e esfregou alguma sujeira da bochecha dele som-
breada pela barba.
― Eu não me barbeei. ― disse ele com uma careta. Ele esfregou a
mandíbula por um momento. ― Eu esqueci.
―Isso parece bem em você. Não que você precise de ajuda.
Ela estava flertando? Flertando! Que diabos estava errado com
ela?
Um sorriso desordenado roubou os lábios de Arran. ― É mesmo?
―Você sabe que é. Olhe a sua volta. Toda mulher aqui não pode
tirar os olhos de você.
― Toda mulher, menos uma.
O sorriso desaparecera de seus lábios, e havia um fio sério em
suas palavras. Ele se referia a ela, ela sabia, e pela vida dela, ela não
sabia como responder.
― Como está sua mão? ― perguntou ele.
Ronnie estava grata pela mudança de assunto. ― Está um pouco
dolorido onde o vidro penetrou a pele. Além do meu pescoço estar
frágil do impacto, estou bem.
― Bom.
Ele não se afastou, e seu olhar não se moveu. Ele estava tão perto
que ela podia ver o anel escuro de ouro ao redor de seus olhos e uma

108
gota de suor enquanto corria pelo lado de sua bochecha. Seu olhar caiu
para sua boca.
Seus lábios eram largos e firmes. Nenhum sorriso torcia os lados
agora, nenhuma doce palavra fazia seu coração correr. No entanto, não
amorteceu o fogo que ele inflamava.
Foram apenas os sons do sítio que a impediram de fazer uma tola
de si mesma se inclinando para beijá-lo. Mas oh, como ela queria. Seus
lábios pareciam muito bons para não beijar. Ela levantou os olhos a
tempo de ver o olhar dele cair em sua boca, e ela mal suprimiu um ge-
mido.
Seus mamilos se endureceram dolorosamente. Seu corpo inteiro
doía para estar mais perto dele, para que ele a tocasse. Ronnie não sa-
bia como, mas tinha certeza de que ele seria um amante excepcional.
Ter um homem cuidando dela, mesmo que fosse por algumas ho-
ras, parecia bom demais para ser verdade. Tudo dependia dela permi-
tindo que ele se aproximasse.
Alguém gritou seu nome. Duas vezes. Já não podia ignorar aque-
les ao seu redor.
Ronnie limpou a garganta e desviou o olhar. ― Obrigada novamen-
te por me ajudar na noite passada.
― Alguma coisa estranha aconteceu recentemente? Qualquer pes-
soa pendurada em volta de você não reconheça?
Ela empurrou sua cabeça para ele. ― Por quê?
― Só de curiosidade. ― encolheu os ombros enquanto seu olhar
varria a cena ao redor.
― Não houve nada.
― Me avise se houver.
― Assim que você me disser por quê.
Suas narinas dilataram em agitação. ― Saffron disse que pode ha-
ver pessoas pensando em prejudicá-la.

109
Ronnie riu e balançou a cabeça. ― Há sempre aqueles lá fora que
pensam que a história deve permanecer no chão. Não importa em que
país eu esteja, há pessoas que querem me prejudicar por cavar em seu
passado. Eu costumo pensar que é porque eles temem o que eu vou
encontrar.
― Ou querem o que você está encontrando. ― Ele inclinou-se per-
to. ― É uma ameaça Saffron sentiu que eu precisava saber, o que signi-
fica que você precisa levá-la a sério, Ronnie. Mantenha os olhos aber-
tos.
― É isso que você queria falar comigo? Ele deu um rápido movi-
mento de cabeça. - Não. Isso realmente precisa ser privado. Mas eu
gostaria de fazer essa conversa acontecer logo.
Pela forma como ele falou, ela soube que essa “conversa” não se-
ria sobre a atração entre eles. Seu coração bateu forte quando ela per-
cebeu quantas vezes ele a observava. Ele sabia seu segredo? Teria des-
coberto que usava suas habilidades para encontrar as relíquias?
― Não há necessidade de ter medo de mim. ― Arran disse às
pressas. ― Eu sou seu amigo, Ronnie. Eu quero te ajudar, te proteger.
Há... coisas... sobre mim que poderiam ajudar. Se você me deixar.
Ele se levantou e se afastou antes que ela pudesse responder. Por
longos momentos ela olhou para ele, suas palavras reverberando em
sua cabeça. Ele sabia. Ele sabia seu segredo.
Mas o que ele poderia ter que poderia ajudá-la? Era uma pergunta
que só ele poderia responder, e uma que ela exigiria assim que soubes-
se exatamente o que ele pensava que sabia sobre ela.
O resto da tarde Ronnie olharia para cima de vez em quando en-
quanto trabalhava. Arran estava sempre perto, mas ela também olhava
ao redor dela como ele tinha perguntado. Ela não sabia o que estava
procurando. Apesar de seu foco mudar constantemente, eles foram ca-
pazes de fazer um bom pequeno progresso ao redor do arco.
Parecia que Arran tinha razão, e era uma porta de algum tipo. Ha-
via ainda muita sujeira bloqueando o seu caminho, e cada vez que se
moviam alguns, mais, de repente, caíam e preenchiam o lugar.

110
Barreiras de madeira que se assemelhava a cercas pequenas fo-
ram feitas e colocadas no lugar. Ainda assim, a sujeira caia através das
fendas das barreiras e diminuía consideravelmente o seu progresso.
Ronnie não estava pronta para parar de trabalhar quando o sino
do jantar tocou, mas ela era a única. Ela se sentou enquanto os outros
rapidamente guardavam suas ferramentas e caminhavam para a tenda
de comida.
Linhas de exaustão estavam claras em seus rostos. Ela tinha em-
purrado todos eles duro, mesmo que não tivesse conseguido o que
queria. Que era todo o arco visível para ela para que pudesse ver o que
era.
Ela planejava continuar trabalhando quando Andy estava de re-
pente ao seu lado, puxando-a pelo braço para se levantar. Arrastou-a
para a tenda de comida enquanto ele a atualizava sobre as outras se-
ções ao redor do acampamento.
Só foi justo antes de entrar na tenda que ela viu Arran andando
pelo perímetro do sítio.
***
Arran fez uma terceira rodada no sítio, olhando para cada carro es-
tacionado e trailler. Nada parecia fora do comum, mas as visões de Saf-
fron nunca estavam erradas.
Os acontecimentos poderiam mudar e, assim, tornar suas visões
mudas, mas se ela tivesse razão e Ronnie estivesse apavorada, então
Arran duvidava que os eventos pudessem mudar o suficiente para evi-
tar isso.
Uma ligeira agitação no ar e ele se virou para encontrar Fallon
atrás dele. ― Que diabo! ― Qualquer um poderia ter visto você.
Fallon sorriu. ― Ah, mas eles não viram. Como vão as coisas?
― O de sempre. Ainda não encontrei nada.
― Nós também. As mesmas pessoas más que parecem povoar o
mundo com assassinatos, estupros e outros, mas nada que sugira
doughs.

111
Arran cruzou os braços sobre o peito. ― Eles estão lá fora. Assim
como os mies estão.
― Aye, mas onde? Se alguém estava tomando o lugar de Declan,
acho que teríamos ouvido alguma coisa agora.
― Eu não tenho tanta certeza. Pode ser que eles estejam esperan-
do alguma coisa.
― Como o quê?
Arran olhou para o lugar que Ronnie estava cavando. Quase meta-
de do arco podia ser visto agora. ― Talvez eles estejam esperando para
ver o que Ronnie encontre.
― Merda. ― Fallon disse, e passou a mão pelos cabelos escuros.
Seus olhos verdes brilhavam de raiva. ― Pensei que tivéssemos termi-
nado com tal mal. Quero dar a Larena o bebê que ela deseja tão deses-
peradamente.
Arran derrubou seus braços para os lados. Ele não odiava a posi-
ção onde Fallon e os outros estavam. Ele não queria prender seu deus
como eles, mas ele entendia a necessidade de fazer suas companheiras
felizes.
― Fale-me de Ronnie.
Arran levantou uma sobrancelha para Fallon. ― Tenho certeza de
que Saffron lhe disse tudo o que há para saber. E conhecendo Gwynn
com suas habilidades de computador, ela foi capaz de puxar todo o pas-
sado de Ronnie.
― Aye. ― Fallon disse com um aceno de cabeça. ― Mas eu quero
sua opinião sobre ela.
― Ela é teimosa. Talentosa. Linda. Há um pouquinho de orgulho
nela também, mas é compreensível, sendo tão boa quanto ela é em seu
campo. Embora ela seja tão boa, porque é a sua magia levando-a para
os artefatos. Ela é boa para o seu pessoal, tanto pagos como voluntá-
rios. Ela também é muito privada e mantém os homens em comprimen-
to do braço. Eu acho que tem a ver com o seu passado.
― Aye.

112
Arran olhou para a barraca de comida, onde ele a tinha visto pela
última vez. Queria conhecer seu passado. Isso o ajudaria a se aproxi-
mar dela, a saber que caminhos tomar e quais afastar.
― Seus pais morreram quando ela tinha apenas quatro anos. ―
disse Fallon. ― Não havia parentes para levá-la, então ela entrou no
sistema de adoção no Arizona. Um casal com cinco outros filhos adoti-
vos tomou-a e criou-a.
Arran assentiu enquanto escutava Fallon. ― Houve um homem
com quem ela esteve envolvida, não houve?
― Aye. Um homem chamado Max Drummond.
― Ele quebrou o coração dela. ― Arran voltou o olhar para Fallon.
Não era um palpite selvagem. Explicaria sua hesitação em ceder aos
seus desejos. ― O que ele fez com ela?
Ele mentiu para se aproximar para poder roubar as relíquias que
ela estava encontrando e vendê-las no mercado negro.
Arran fechou os olhos ao perceber que havia paralelos entre ele e
Max. Ambos se aproximaram de Ronnie por algo que ela estava cavan-
do.
Mas, enquanto Max tinha feito isso por puro dinheiro, Arran estava
fazendo isso por seus amigos. Embora não gostasse de mentir para ela.
Ele planejava contar tudo a ela quando falasse com ela sobre sua ma-
gia.
Ele esperava que ela não ficasse muito zangada com ele, mas com
toda a probabilidade, ela o expulsaria do sítio. Como ele desejava que
Max estivesse na frente dele para que pudesse colocar o punho em seu
rosto pelo que tinha feito com Ronnie.
Agora, Arran entendeu por que ela estava tão hesitante em ceder
à atração entre eles. Ele teria que trabalhar mais para ganhar sua confi-
ança. Ele não esperava ou queria, mas ele se preocupava com Ronnie.
Assim que o pensamento passou por sua mente, sentiu como se
tivesse sido chutado no estômago por um cavalo. Ele se importava com
Ronnie.

113
Merda.
Quando ele abriu os olhos, foi para encontrar Fallon olhando para
ele com curiosidade. ― O que? Ronnie é uma boa pessoa que não me-
recia tal tratamento.
― Hmm.
― O que aconteceu com esse Max Drummond?
Fallon deu de ombros. ― Ele desapareceu antes que as autorida-
des pudessem encontrá-lo.
―Gwynn encontrou alguma coisa sobre ele através do computa-
dor?
―Nada.
―E a Safron? Alguma visão? Cara, Dani, Marcail ou qualquer uma
das outras Druidesas foram capazes de usar sua magia para encontrá-
lo?
― É como se ele nunca existisse.
Arran fechou as mãos. ― Eu não gosto do som disso.
― Eu também não, e é por isso que eu liguei para Charon. Ele
está usando sua rede de homens para ver o que eles podem descobrir.
Arran odiava que eles ainda dependessem de Charon. Ele perdoou
o Guerreiro por espionar todas aquelas décadas, mas isso não significa-
va que Arran tinha que gostar do cara.
Falon mexeu os ombros e Arran sorriu. ― Você sente a magia des-
te lugar. ― Ele não estava apresentando uma pergunta, e Fallon con-
cordou com a cabeça em resposta.
― Você não estava mentindo quando disse que era irresistível.
Este é definitivamente o lugar para os itens enviados de Edimburgo, en-
tão.
― Pelo menos nós esperamos. ― acrescentou Arran. ― Ronnie
está perto de encontrar algo, eu acho. Ela desenterrou um arco de pe-
dra no chão.

114
― É dali que a magia está vindo?
Arran deu de ombros. ― É difícil pontuar a localização. Eu sinto a
magia onde quer que eu ande ao redor do sítio. O arco me dá uma pa-
rada, entretanto.
― É um túmulo?
― Eu penso assim.
― Os lábios de Fallon achataram. ― Seja cuidadoso. Vou telefonar
quando eu tiver notícias de Charon.
E, assim, Fallon se foi. Arran poderia ter obtido o poder de contro-
lar o gelo e a neve, mas Fallon se teletransportava. Isso era útil fre-
quentemente. Ele respirou fundo e se virou para a tenda de comida.
Queria ver Ronnie, não porque tivesse algo para lhe dizer, mas só por-
que precisava ver seus olhos cor de avelã, cabelos cor de trigo e sorri-
so.
Ele precisava dela ao lado dele.

115
CAPÍTULO DOZE

Ronnie se jogou e se virou a cama. Normalmente, nunca a inco-


modava que a maldita coisa fosse tão estreita, mas esta noite ela não
conseguia desligar o cérebro o suficiente para dormir.
Era Arran. E era o sítio.
Ela se sentou e balançou as pernas sobre o lado da cama. Seus
dedos coçavam para estar de volta na terra, raspando-a longe das pe-
dras do arco.
A música era tão alta, ela não podia desligá-la. Continuava cha-
mando-a, convocando-a. O problema era que não podia mais esperar. A
manhã parecia uma eternidade. Ela tinha que chegar à caixa agora.
Poucas vezes, desde que se tornara arqueóloga, a necessidade a
havia levado. Uma vez foi quando ela encontrou o pingente de nó trin-
dade.
O que estaria no chão desta vez? Que relíquia inestimável estava
na caixa escondida por centenas de anos, esquecida até que ela a loca-
lizasse?
Ronnie suspirou e desistiu de esquecer o sitio. A única maneira
para ela encontrar algum tipo de paz era ir cavar.
Ela enrolou o cabelo em um coque e voltou a colocar as botas. As
noites de verão na Escócia só a ajudavam. Era quase meia-noite e ain-
da havia luz lá fora.
Como ela não sabia quanto tempo ela estaria trabalhando, ela en-
controu uma luz e manteve-a ao lado dela para que pudesse ligá-la
quando escurecesse.
Teria sido melhor manter a luz em seu posto, mas poderia desper-
tar os outros, e ela preferia ficar sozinha.
Assim que seus dedos tocaram a sujeira, ela sorriu. Isso a acalma-
va de maneiras que nada mais poderia. Exceto talvez Arran.

116
― Chega. ― ela sussurrou para si mesma enquanto pensava em
seus olhos dourados e sorriso-para-coração.
A primeira vez que ela tinha feito uma aula de geologia e o profes-
sor os fez cavar em busca de pedras, ela sabia o que queria fazer com
sua vida.
Enquanto ela cavava em torno das pedras, ela pensou no próximo
evento de arrecadação. Não podia ir sozinha. Era exaustivo, tentando
afastar os homens. Não que ela fosse uma grande beleza, mas eles pa-
reciam intrigados com o que ela fazia. Interessada o bastante para con-
tinuar perseguindo-a muito depois que a festa terminava.
Tinha se tornado um problema. De qualquer forma, ela odiava as
coisas. A ideia de implorar por dinheiro para continuar seu trabalho irri-
tava-a. Ela ganhou um pouco de dinheiro com as coisas que encontrou,
mas não era o suficiente para sustentar suas escavações.
Desde que Pete tinha se auto excluído e Andy também, não havia
mais ninguém para ela escolher.
Arran.
― Não. ― murmurou ela.
Ela não podia perguntar a ele. Ela não perguntaria a ele.
Primeiro, porque ela sabia que ele provavelmente diria sim. Segun-
do, porque ela estava inexplicavelmente atraída por ele e não podia di-
zer não por muito mais tempo. Se ela fosse colocada em estreita proxi-
midade com Arran por qualquer quantidade de tempo, não havia o que
dizer o que ela faria.
Ela se viu sorrindo. Não era como se ela fosse a única que tivesse
assumido o controle em um relacionamento. No entanto, com Arran, ela
não queria esperar que ele a beijasse. Queria beijá-lo.
Tão diferente dela. Mas, novamente, ela não era ela mesma desde
que ele chegara.
Ronnie balançou a cabeça e continuou a cavar em torno das pe-
dras do arco. Ela estava inclinada no chão, esticada até onde seus bra-
ços a permitissem. Ela continuou assim, trabalhando lenta e metodica-

117
mente em torno das pedras até que ela tinha removido outros quatro
centímetros de sujeira os quatro metros inteiros através do arco.
Ela se sentou sobre os calcanhares e examinou o arco. A fim de
fazer mais trabalho, ela teria que descer até onde as barreiras estavam
impedindo os lados da terra de desmoronar em cima do arco novamen-
te.
― Droga. ― ela disse, e olhou ao redor do sítio.
Todos estavam em suas tendas e traillers, adormecidos. As poucas
horas em que a escuridão se arrastava pelo céu haviam chegado sem
que ela soubesse.
Ainda assim, Ronnie não estava cansada. Ela queria continuar tra-
balhando. Mesmo que apenas por mais uma hora.
Ela ajustou seu relógio para a contagem regressiva de uma hora e
saltou para onde as barreiras estavam. Ronnie ficou imóvel por alguns
segundos para ver se as barreiras se prenderiam.
De joelhos, ela podia apenas ver sobre o topo do chão, por isso,
mesmo se as barreiras falhassem, ela tinha muito tempo para sair antes
que ela ficasse ferida.
Com isso resolvido, Ronnie voltou ao trabalho.
***
Arran estava sobre seu estômago, um braço pendurado sobre o
lado do catre quando ele sacudiu despertando. Ele ficou instantanea-
mente alerta. Seu deus gritou, dando boas-vindas a uma batalha, mas
nada moveu.
Ele tinha se acostumado a dormir de calça no caso de haver uma
emergência. Arran sentou-se e pôs os pés no chão.
Arran sentou-se com os olhos fechados e permitiu que os sentidos
aumentados de seu deus determinassem o que o tinha arrancado do
seu sono. Ele não sabia ao certo quanto tempo estava ali sentado antes
de ouvir o som inconfundível de alguém cavando.
Era pequeno e suave, mas estava lá.

118
Arran saiu de sua barraca e encontrou uma luz brilhando sobre a
seção com o arco. Ele mal teve tempo de registrar que era a cabeça de
trigo de Ronnie que ele viu quando ouviu o movimento do solo.
Não havia tempo para gritar, nada a fazer senão chegar até ela.
Arran usou sua velocidade para atravessar a distância das barracas para
a seção justo quando houve um estrondo alto que o alcançou.
Ele deslizou pelo chão, as garras de sua mão direita estendida e
cavando no chão, enquanto se segurava de lado, justo quando a terra
caia sobre Ronnie.
Arran agarrou seu braço quando o grito dela o alcançou. Ele enter-
rou suas garras para segurá-lo no lugar enquanto a outra mão de Ron-
nie se aproximava para segurar sua mão.
― Não me deixe cair, ― ela disse suavemente.
Não havia histeria, nenhum grito com sua Ronnie. Mas ele viu o
medo refletido na sua profundeza avelã. ― Nunca. ― ele disse.
Ele poderia facilmente levá-los para o lado, mas então ela gostaria
de saber como ele fizera isso. Arran não estava pronto para explicar sua
imortalidade, seus poderes, ou o fato de que ele era um Guerreiro.
Nem poderia continuar permitindo que ela se pendurasse suspen-
sa sobre um buraco na terra.
― Eu vou balançar você para cima. ― Ele disse.
Ela balançou a cabeça bruscamente. Arran não perdeu tempo de-
pois disso. Ele rapidamente balançou-a de lado ao lado com força sufici-
ente para voltar em solo sólido.
Uma vez que ele a soltou, ele ouviu seu ofego antes dela aterris-
sar. Arran colocou seus pés descalços contra a terra e usou suas pernas
e braços para pular sobre a terra...
Ele pousou com os joelhos dobrados e as mãos no chão. Quando
ele levantou a cabeça, foi para encontrar Ronnie olhando para ele en-
quanto ela estava deitada ao seu lado e apoiada no cotovelo.
― Você está ferida? ― Ele perguntou, se apressado para ela. Ele
ajoelhou ao seu lado e alisou para trás o cabelo do rosto dela. De algu-

119
ma forma o maldito coque ainda estava preso e ele quis arrancar os
grampos para que pudesse sentir as mechas correndo por seus dedos.
Arran inclinou a cabeça dela primeiro de um lado e depois do ou-
tro, procurando arranhões ou contusões. Ele inspecionou suas mãos an-
tes dele empurrar as mangas de sua camisa e olhou seus braços.
― Eu estou bem. ― ela disse trêmula. Suas palavras o pararam.
Esta não era a mulher que ele conhecera. Mesmo depois do acidente na
noite anterior, quando ela estava em choque, sua voz tinha sido forte.
Ele segurou seu rosto e fez com que ela o olhasse nos olhos. ―
Você está segura agora.
Ela piscou lentamente, suas pupilas dilatadas assim ele mal podia
ver a cor avelã de seus olhos. ― Arran.
Ele se viu inclinado em direção a seus tentadores lábios, seu corpo
exortando-o a prová-la, saboreá-la.
Chamando por ela.
De alguma forma as mãos dela se moveram de modo que ela
agarrou seus braços como se ele fosse a única coisa que a ancorava
neste mundo.
Arran se moveu lentamente, a necessidade urgente e consumindo.
Ele viu suas pálpebras se fecharem e seus lábios se formarem em um
suspiro.
Nunca tinha desejado uma mulher tanto.
Mas a fome o pegou desprevenido. Ele não colocou os lábios nos
dela enquanto fechava a distância. Ele roçou seu nariz contra o dela, o
lábio dela não respirava.
Arran não pôde mais suportar a tortura. Ele fechou os olhos e,
com um gemido, beijou-a.
Seus lábios eram macios, flexíveis e mais doces do que qualquer
vinho. Ele tentou manter as coisas lentas, mas aquele gosto inflamou
seu desejo de novas e inigualáveis alturas.
Tudo que ele podia sentir, ouvir e provar era Ronnie.

120
Na primeira separação de seus lábios, ele deslizou sua língua para
dentro e encontrou a dela. Ele gemeu novamente quando ela não ape-
nas o aceitou, mas beijou-o de volta.
Ele podia sentir o desejo dela, e isso queimou, chamuscou... ar-
deu.
Arran envolveu seus braços em volta dela, puxando-a apertada
contra ele enquanto aprofundava o beijo. As unhas dela cravaram em
suas costas, um suave gemido alcançando-o.
Ele estava contemplando tomá-la bem ali, em plena visão de qual-
quer um que pudesse estar olhando. Foi quando ele soube que ele ti-
nha que recuar.
Isso foi contra tudo dentro dele, mas de alguma forma ele termi-
nou o beijo e colocou sua testa sobre a dela. Ela estava respirando tão
duro quanto ele. Ele não estava pronto para soltá-la, e pelo jeito que
ela se agarrava a ele, tampouco era ela.
Tudo que Arran sabia era que com um gosto, nada e ninguém ha-
veria depois de Ronnie. De alguma forma, de alguma maneira ele tinha
que tê-la.
Com um beijo que ela tinha conseguido entrar em seu sangue.
Com um beijo ela tinha encontrado a alma dele.

121
CAPÍTULO TREZE

Ronnie tocou seus lábios. Havia várias horas desde que Arran a
salvara, a beijara... e a deixara. Bem, ele realmente não tinha ido em-
bora. Ele estava em sua tenda, mas não era onde ela o queria.
Ela o queria com ela. Abraçando. Acariciando-a.
Seu beijo tinha sido tudo o que esperava e temia. Ele tinha rouba-
do seu fôlego e agitado as chamas de desejo que agora queimavam
dentro dela, ferozmente e calorosamente.
Depois de um beijo tão ardente que despertou algo dentro dela,
não estava pronta para isso terminar. Tinha levado mais tempo do que
queria admitir que emergiu de seu atordoamento do beijo para perce-
ber que Arran a tinha levado para sua tenda.
Mesmo assim, ela não conseguia pensar, além da necessidade que
a percorria, até compreender que ele se fora antes que ela tivesse se-
quer pronunciado uma palavra.
Ronnie se levantou e correu para a entrada para se certificar de
que Arran não tinha saído do sítio Ela suspirou, e então voltou para seu
catre quando o viu entrar em sua barraca.
― Oh Deus.
Ela estava com tantos problemas. Ela sabia, instintivamente, que
Arran não ia ser bom para ela. Ele era o tipo de homem que a faria
uma tola fora de si. O tipo que ela teria deixado tudo de lado, até mes-
mo seu próprio trabalho, apenas para estar com ele.
Certa vez, ela acreditou que Max fosse aquele homem, mas sem-
pre seu trabalho tinha vindo antes dele. Sempre. Não era o caso com
Arran, e isso aconteceu depois de apenas um maldito beijo!
Ronnie caiu de costas no catre e soltou um longo suspiro. Um bei-
jo. Um beijo arrebatador, excitante, mexido e surpreendente beijo. Um
beijo que ela esperou toda a sua vida para receber.
Um beijo que ela pensou que nunca conseguiria.

122
Um beijo que ela nunca esqueceria.
Ela deveria estar na escavação, olhando o porquê o chão tinha ce-
dido abaixo dela, mas tudo que Ronnie conseguia pensar era o beijo.
Seus olhos se fecharam quando se lembrou de como as mãos dele
a seguraram suavemente, mas firmemente. Como ele tinha se assegu-
rado de que ela não estava ferida antes que seu olhar dourado se escu-
recesse e sua cabeça baixasse para a dela.
Aqueles lábios maravilhosos dele tinham sido macios e insistentes,
ternos e implacáveis. Ele reclamou seus lábios com a habilidade e talen-
to de um homem que sabia não apenas como beijar, mas como trans-
formar uma mulher de dentro para fora.
Esquecera-se do seu próprio nome. ― Como isso acontece? ―
Perguntou-se.
― Ronnie! ― Andy gritou quando ele irrompeu em sua barraca. ―
Há uma parte desmoronada da escavação na seção quatro.
― Eu sei. ― Ronnie disse e se levantou sobre os cotovelos. ― Eu
estava lá quando aconteceu.
Andy franziu o cenho. ― Você está machucada?
― Não. Arran me pegou antes de eu cair.
― É uma coisa boa, também. Deve ser uma queda de 6 metros
até o fundo.
Ronnie se sentou, sua mente pensando em quando Arran a pegou.
Ela tinha estado tão envolvida no beijo, ela esqueceu tudo sobre sua
experiência de morte próxima.
― 6 metros. ― murmurou ela.
Ela mentalmente colocou-se de volta no sítio. Ela estava cavando,
perguntando-se o que estava debaixo de seus pés quando o chão tinha
desabado. Um grito havia se alojado em sua garganta, mas não houve
tempo para fazer nenhum som.
E então alguém pegou seu braço.

123
Arran.
― O quê? ― Andy perguntou.
Ronnie o ignorou enquanto ela pensou em quando olhou para
cima para encontrar Arran segurando-a. O que ele estava segurando
para mantê-lo ancorado? Ela nunca estivera tão assustada antes, mas
ele estava calmo.
Quase calmo demais.
Ele não pedira ajuda para levantá-la. Na verdade, ele a tinha le-
vantado sozinho. Ela sabia o quão forte ele era ao ver seus músculos,
mas quantos homens poderiam pegá-la e depois balançá-la sem ajuda?
Quantos homens poderiam fazê-lo parecer fácil e sem suar?
Nenhum.
Tinha sido tão grata por estar de volta em terreno sólido que leva-
ra um minuto para levantar a vista, mas quando ela o fez, Arran estava
lá. Como ele tinha se levantado tão rapidamente?
Ronnie levantou-se e passou por Andy enquanto caminhava para a
seção. Uma lembrança que estava embaçada, agitada. Ela não tinha
certeza se o que ela lembrava estava correto, já que estava tão assus-
tada, e então despertou até o ponto de esquecer tudo o que estava ao
seu redor.
Com o coração batendo forte, ela manteve os olhos no chão até
encontrá-las. Cinco marcas rasgavam o chão a cerca de 90 cm de onde
ela tinha caído.
As marcas terminaram na borda e se aprofundaram, como se al-
guém tivesse se segurado ali.
Ronnie estendeu os dedos e os colocou onde estavam as marcas.
As barras eram finas e afundavam pelo menos 5 cm no chão.
O que poderia fazer aquele tipo de marca?
― Algo errado?

124
Ela congelou com a voz profunda de Arran. Lentamente, levantou
a cabeça para encontrá-lo em pé na frente dela. ― Como você me sal-
vou?
―Sorte.
Ele sempre tinha uma resposta para tudo, Ronnie percebeu. Ela se
levantou e olhou para a porção de terra que tinha desaparecido. Uns
bons 1,2 m do arco tinha caído.
― E essas marcas? ― Ela perguntou, e apontou para aquelas que
estava olhando.
― Meus dedos quando eu os cavei no chão para agarrar em algo.
Havia uma parte de verdade em suas palavras, mas não toda a
verdade. Ela assentiu, permitindo que ele assumisse que ela acreditava
nele. Havia uma conexão entre as marcas, Arran, e a facilidade com
que ele a tinha salvo.
Ela simplesmente não conseguia saber exatamente o que era.
― Ronnie, olha, ― Andy disse enquanto olhava para onde a terra
tinha desabado.
Ela se agachou ao lado dele e olhou para onde ele apontou. ―
Não acredito nisso. A porta para o arco foi revelada.
― E está bloqueada. ― Arran apontou do outro lado.
As tábuas de madeira sobre a porta não desanimaram Ronnie. ―
A madeira tem estado submersa só Deus sabe quanto tempo. Eles se-
rão fáceis de quebrar.
― Aye, mas você deve quebrá-las?
Ela se virou para olhar para Arran e notou a forma como sua man-
díbula estava apertada e um músculo com um tique. ― O que você não
está me dizendo?
― Você sabe tanto quanto eu. Estou simplesmente afirmando o
óbvio. Quantos tumbas você encontrou com a porta bloqueada?
Ela engoliu em seco e encolheu os ombros. ― Nenhuma.

125
― Meu ponto. ― Ele olhou para a porta novamente e franziu a
testa. ― A porta é maior do que a maioria dos que já vi. E é bloqueada.
Pedir-lhe para não entrar seria como pedir que o sol não brilhasse.
Ronnie sorriu firmemente. ― Está certo. Então não se preocupe.
― Então deixe-me pedir-lhe que não vá para dentro sem mim.
Seu sorriso estancou quando ela olhou para ele. ― Por quê?
Por alguns segundos, ele pareceu tentar encontrar as palavras cer-
tas. Então ele disse: ― Porque eu posso ser o único que pode ajudar se
algo... mal acontecer.
― Quem é você? ― Ela exigiu, sua paciência esgotando-se. ―
Você queria me dizer, então me diga agora.
Ele olhou para longe e lambeu os lábios. ― Estou aqui para ajudar.
Eu tenho experiência com coisas desagradáveis acontecendo dentro de
tumbas. Se isto for uma tumba. ― murmurou enquanto olhava para a
porta de novo
― O que mais poderia ser? Foi você que sugeriu que era isso.
― Porque eu pensei que fosse. Agora, eu não tenho tanta certeza.
Assim como você sabe, há algo lá dentro. Você está procurando por
isso.
Ela se acalmou, seu sangue tornando-se frio com suas palavras.
― O que você quer dizer? ― Sua voz era baixa, suas palavras mal
sussurraram.
― Você sabe o que quero dizer. ― Não havia raiva ou desgosto em
suas palavras, apenas a simples verdade. ― Eu sei que você usa magia,
Ronnie. Posso sentir a sua magia. Você não precisa se esconder sendo
uma Druidesa comigo.
― Druidesa? ―Ela franziu o cenho. De onde ele saiu pensando
que ela era uma Druidesa? Mas o mais importante, como ele sabia que
ela usava suas habilidades?
A maneira como ele olhava para ela, como se ele a entendesse,
parecia liberar a marca que estava incubada em seu peito por anos.

126
― Aye, moça. Uma Druidesa. Pensei que você soubesse.
Ronnie olhou para a estrutura que acabara de escavar. Era magia
que ela usava? Era isso o que realmente eram suas habilidades? E isso
fazia dela uma Druidesa, como Arran sugeria.
― Hum, Ronnie. ― Andy interrompeu a conversa. ― Sobre a se-
ção dois. Estão cavando há semanas. Não há nada lá.
― Dê mais um dia, Andy. Eu vou reavaliar a situação amanhã.
― Não se esqueça que você parte no dia seguinte para Edimbur-
go.
― Merda. ― Ela tinha esquecido a festa. Outra vez.
― Já está em sua programação por seis meses agora. Você me fez
adicionar um dia extra na cidade para que você pudesse encontrar um
vestido e fazer o seu cabelo.
Como se ela precisasse ser lembrada como horrível era seu cabelo.
Ela cortou os olhos para Andy e o encarou.
― Desculpe. ― Ele murmurou, empurrando os óculos para cima
no nariz.
― Não. Está bem. É a falta de sono que me faz desabar.
Ronnie olhou para descobrir Arran a encarando.
Ele esperou até que Andy se afastar antes de perguntar. ― Você
sabe que não há nada na seção dois. Por que continuar cavando lá?
Ela exalou e deu o maior salto de fé que ela já tinha feito em toda
a sua vida. Ela lhe disse a verdade. ― Tenho que fazer. Se eu sempre
encontrar algo onde eu escavar, as pessoas começam a me questionar.
― Então, você se certifica de cavar em lugares onde não há nada.
― Sim. ― Suas mãos tremiam de divulgar esse pedaço de infor-
mação.
Para sua surpresa, Arran colocou uma mão sobre a dela. ― Eu
nunca vou repetir o seu segredo.

127
― E seu segredo? ― Ela perguntou.
― O que faz você pensar que eu tenho um?
Ela deu de ombros, gostando da sensação dele tocando nela. Ago-
ra, se somente ele a beijasse de novo. ― Você disse que podia sentir
minha magia. Acho que há mais que você não está me contando.
― Você sabia que era uma Druidesa?
― Não.
― Então, uma vez que eu lhe contar tudo o que você precisa sa-
ber sobre as Druidesas, compartilharei meu segredo.
― Sua mão apertou a dela antes de se levantar e se afastar, dei-
xando a mente de Ronnie tão cheia de perguntas que atenuou a música
dos artefatos.
***
Arran segurava a corda que abaixava lentamente Ronnie para den-
tro da terra. Ele não queria que ela fosse. Ele teria implorado se isso ti-
vesse ajudado, mas ele tinha visto aquele endurecer teimoso de seu
queixo e sabia que era inútil. Pelo menos ela tinha levado Andy para
baixo com ela.
Ele permitiu o alongamento da corda uma vez que ela chegou no
fundo, para que ela pudesse andar por ali. Ela e Andy levaram cerca de
trinta minutos antes de gritaram que outros poderiam descer.
Arran manteve-se segurando a corda de Ronnie, para que pudesse
puxá-la para fora o mais rapidamente possível se algo acontecesse. Ti-
nha um mau pressentimento cada vez que olhava para o arco. Havia
algo dentro da estrutura que precisava permanecer lá dentro. A magia
que sentia não estava manchada pelo mal, pelo menos, nada que pu-
desse sentir. Mas isso não significava que alguma coisa deveria sair da
construção.
Quem quer que tenha construído o edifício arqueado tinha se as-
segurado de selá-lo com as placas cruzando sobre a porta. Se estes
eram os itens tomados de Edimburgo em seu caminho para Londres,

128
então, algo deve ter acontecido aqui que parou a expedição e levou ou-
tros a construir a estrutura em torno dos itens.
E não foi apenas construído em torno dos itens, mas cavado na
terra E então enterrado. Por quê?
― Para mantê-los afastados do mundo.
― O quê? ― perguntou o homem a seu lado.
Arran balançou a cabeça e flexionou a mão. Ele precisava de Ron-
nie longe do arco imediatamente. Mas com dez outros estudantes ar-
queológicos descendo até ela, isso não ia acontecer em breve.
O melhor Arran poderia fazer era manter um olho nela. Isso foi
exatamente o que ele fez. Cada hora que ela ficava lá embaixo era
como uma eternidade. Ele não tinha dado a ela uma escolha sobre pu-
lar almoço também. Ela tinha conseguido engolir o sanduíche em tem-
po recorde e voltar para baixo.
Quanto mais ela ficava lá embaixo, e quanto mais Arran olhava
para o arco e a porta, mais ele sabia que aquilo não deveria ser aberto.
Ele tinha mais um dia provavelmente para convencê-la a não abri-lo,
antes de limpar a sujeira e os restos fora do caminho para Ronnie po-
deria chegar à porta.
No final do dia, Arran se certificou que Ronnie estivesse em segu-
rança longe da seção, antes de começar a ligar para o Castelo MacLeod
para informá-los sobre o que estava acontecendo, quando sentiu a
mágica de Ronnie.
― Eu pensei que você estivesse descansando. ― ele disse sem
olhar acima de suas mãos.
Houve um suspiro antes que ela veio ficar ao lado dele. ― Eu não
conseguia dormir. Estou muito excitada com o achado. Além disso, você
tem algumas informações sobre Druidesas que eu quero.
― Eu não tenho certeza de que este é a hora para essa conversa.
Suas sobrancelhas levantaram quando ela o encarou. ― Vamos fa-
zer a hora. Você não pode me dizer que eu sou uma Druidesa e apenas
deixar nisso. Eu preciso de respostas, Arran.

129
Ele olhou fixamente em suas profundidades cor de avelã e assen-
tiu. ― Aye, moça, você é. Não é algo que você queira que as pessoas
ouçam, no entanto.
― Eles estão exaustos e ficando longe de mim por medo de que
eu os coloque de volta ao trabalho. É o momento perfeito.
― Tudo bem. ― disse ele, e guardou o telefone.
― Há muito tempo ...
― Ronnie! ― Andy gritou. ― Ronnie! Pete está no seu telefone.
Ele diz que é importante!
Arran observou-a debater se devia atender ou não.
― A história pode esperar. Vá ver o que Pete precisa.
― Eu voltarei. ― ela prometeu antes de se afastar.
Arran observou o balanço de seus quadris, lembrando-se muito
bem do sabor dela. O beijo o tinha mantido afastado, o desejo fazendo-
o doer.
Ele não poderia ter parado de beijá-la, mesmo se o destino do
mundo dependesse dele. Ficou surpreso com o fato de se segurar por
tanto tempo, mas ela quase tinha morrido. Isso, aparentemente, foi o
catalisador que o enviou para a borda.
Depois de ter se assegurado que ela não estava ferida, seu corpo
simplesmente se recusou a fazer outra coisa senão tomá-la em seus
braços. Mesmo agora, era difícil manter suas mãos longe dela.
Naquele momento seu telefone tocou e o nome de Broc apareceu
na tela. ― Broc.
― Arran. Estou ligando por causa de Sonya.
Arran apertou os olhos. A magia de Sonya como Druidesa não era
apenas a habilidade de curar. Ela também era capaz de se comunicar
com as árvores. Aquela magia lhe tinha salvado a vida. ― As árvores.
Broc suspirou. ― Aye. Eles dizem de algo terrível está vindo.
― Elas disseram o quê? É outro mal?

130
― Esse é o problem. ― Broc disse com raiva. ― Elas não especifi-
caram. Sonya não é a única a ouvir isso. Gwynn também está ouvindo.
― Merda. ― disse Arran.
Gwynn, outra Druidesa e esposa de Logan, tinha magia que a dei-
xava ouvir e falar com o vento. –
― O vento está dizendo a Gwynn a mesma coisa.
― Não exatamente. ― A voz de Gwynn pôde ser ouvida no fundo.
Broc grunhiu. ― Espere, Gwynn.
― Não. ― disse ela.
Depois de um momento de luta, onde Arran podia ouvir Logan e
Sonya dizendo a Broc para entregar o telefone a Gwynn, o silêncio en-
cheu a outra extremidade do telefone.
― Arran? ― Gwynn disse.
― Estou aqui. ―
― Desculpe, mas o que Broc disse não é exatamente verdade. Vo-
cês nem sempre ouvem o que estamos dizendo. Vocês guerreiros
acham que sabem tudo. ― disse ela, exasperada
― Agora, Gwynn. ― disse Logan ao fundo.
Arran sorriu com o sotaque texano de Gwynn e com incitação ur-
gente de Logan
― É verdade. ― disse ela. ― Mesmo assim, o que Broc lhe contou
sobre Sonya é fato. O que eu ouvi foi um pouco diferente. Você sabe
que o vento e as árvores nem sempre nos dizem o que precisamos sa-
ber. O vento é incontrolável...
Sua voz desvaneceu-se em nada. Arran socou a perna com frustra-
ção, mas manteve a voz tranquila quando disse. ― Gwynn? Diga-me.
― Eu acho que é sobre o sítio de escavação. O vento está falando
tão rápido, eu mal posso entendê-lo, mas eu ouvi o seu nome. E o de
Ronnie.

131
― Isso não é bom.
― Não. Escute, acho que vocês precisam sair daí.
Arran riu quando viu Ronnie sair da barraca de comida e correr
para o trailler de Andy com o telefone ainda em sua orelha.
― Tanto quanto eu concordo com você, eu não acho que isso vá
acontecer. Ronnie é ... bem, ela é obstinada. Ela não vai embora sem
ver o que está dentro da maldita porta.
― Que porta?
― Eu estava prestes a chamar Ian para ver se ele e Dani tinham
encontrado algo mais sobre os itens mágicos tirados de Edinburgh.
Gwynn suspirou alto. ― Eu estive no computador constantemente
procurando por isso, com os outros ajudando, mas isso foi há tanto
tempo, Arran. Não sei se eles teriam acrescentado algo assim a todo
material.
― Sei que é um tiro longo, mas fique atenta.
― Espere. ― disse Gwynn. Arran podia ouvir o telefone passar de
novo, e dessa vez, era Logan do outro lado. ― O que está acontecendo
aí?
Arran correu uma mão por seu rosto.
― Não tenho certeza. Eu não quero assustar ninguém desnecessa-
riamente...
― O que é? ― interrompeu Logan. ― Seus instintos como Guerrei-
ro são bons. Confie neles.
― Tenho um mau pressentimento, Logan. Um sentimento muito
ruim sobre o que Ronnie está escavando.
― Qual é?
― Tudo o que podemos ver agora são pedras que fazem um arco
sobre uma porta. Fallon sentiu a magia que cercava este lugar exata-
mente como eu. É mágica antiga.

132
― Então, um túmulo? É melhor conversar com Broc e Sonya sobre
isso, já que exploraram muitos deles.
― Pensei que fosse um túmulo, mas não tenho tanta certeza.
Logan soltou um grunhido. ― O que você acha que é?
― Algo ruim. O problema é que parece que quem construiu este,
não só o fez enterrado e o cobriu, mas também fecharam a porta com
várias tábuas entrecruzadas.
― Eles queriam que as pessoas fossem mantidas de fora.
― Ou o que quer que esteja dentro, seja mantido lá.
― Merda.
Arran apertou os lábios. ― Exatamente.
― Você não deveria estar aí sozinho. Se há algo nessa constru-
ção... Espere. Quão grande é?
― Eu não tenho ideia. Apenas o arco, e cerca de meio metro do
teto foram revelados.
Logan ficou em silêncio por um momento. ― Eu não concordei
com Fallon enviando você sozinho. Perdemos Duncan. Eu não quero
perder outro de nós.
Arran detestava pensar em Duncan. Ele era irmão de Ian e aliado
íntimo quando Arran esteve preso na montanha de Deirdre.
Quando Deirdre matara Duncan, quase perderam Ian no processo.
Nada tinha sido o mesmo desde a morte de Duncan. Como Guerreiros,
eles podiam ser imortais, mas tirando suas cabeças e você tirava a vida
deles.
― Eu sei que Ronnie vai para Edimburgo por alguns dias em bre-
ve. Talvez Saffron pudesse encontrá-la lá e mantê-la distraída para que
eu possa ver o que está por trás da porta.
― Não. ― Logan disse. ― Então nós podemos ver o que está por
trás dessa porta. Você não está fazendo isso sozinho.

133
Arran desligou o telefone e sorriu. Ele queria fugir do castelo, mas
agora que tinha ido embora, sentia falta dos outros. O riso, as lutas, as
noites de cinema, as discussões e as refeições.
As refeições eram sempre tão altas e caóticas. Mas era especial.
Arran não tinha apreciado até então o quanto significava para ele. Se
houvesse perigo, ele não queria que nenhum de seus amigos fosse pos-
sivelmente ferido. Ele cuidaria de tudo.
Ou morreria tentando.

134
CAPÍTULO QUATORZE

Ronnie estava deitada em sua tenda e pensando em Arran. As noi-


tes eram as mais difíceis. Ele assombrava seus sonhos. Seu beijo a fez
desejar coisas que ela pensava que nunca iria querer. E de alguma for-
ma Arran, e seus sonhos da caixa do mistério, se entrelaçavam até que
ela não podia pensar em um sem o outro.
A única coisa que ela podia contar para ajudá-la a esquecer Arran,
e coisas que nunca poderia ser, era a escavação. Tinha tirado as tábuas
das portas depois do jantar. Arran, claro, tinha sido um dos homens que
fizeram o trabalho.
O músculo apertando em sua mandíbula lhe disse em termos ine-
quívocos que ele não estava feliz com isso. Ela ficou ao seu lado en-
quanto tirava uma tábua de cada vez.
Não foi até que terminou que ela percebeu como Arran tinha esta-
do tenso. Quase como se esperasse que algo acontecesse.
― Não vá para dentro. ― ele implorou suavemente para que nin-
guém mais pudesse ouvir.
Ronnie planejava fazer exatamente isso, mas algo nos olhos de Ar-
ran deu-lhe uma parada. O que era mais um dia? Pareceu bastante sim-
ples no momento, mas agora, no meio da noite, ela não conseguia pa-
rar de pensar nisso.
A caixa queria sair. Queria que ela a encontrasse, para abri-la. E
não podia esperar mais um dia.
Ela caiu de costas em seu catre e soltou um suspiro. Ela já tinha
saído para a escavação sozinha e quase morreu. Ela realmente queria
se arriscar de novo?
E se a caixa estivesse lá e ela encontrasse com todos os outros,
ela teria que dar ao governo. A única maneira de saber com certeza era
ir sozinha. Dessa forma, se a caixa estivesse lá, ela poderia esconder.
Ninguém precisaria saber o que ela encontrou.

135
Ronnie levantou-se de sua cama e se apressou a vestir-se enquan-
to a canção sempre presente a chamava. Mesmo enquanto ela se ves-
tia, ela sabia que estava fazendo a coisa errada, mas a caixa era impor-
tante. Ela sentia isso em seus ossos, no fundo de sua alma. De alguma
forma aquela caixa pertencia a ela. Não havia jeito de entregar a nin-
guém.
Ninguém.
Sabendo disso, ela tinha apenas uma escolha. Ela tinha que entrar
na câmara.
Ronnie agarrou uma lanterna e saiu de sua tenda para olhar ao re-
dor. Não havia uma alma à vista. Era quase 1 da manhã, e o céu estava
apenas começando a escurecer. Tudo tinha sido deixado na escavação,
assim, ela facilmente pegou a corda e abaixou-se no buraco.
Estava escuro e assustador, agora que ela estava no chão sozinha.
Engolindo um pedaço de inquietação, ela ligou a lanterna. Ela tirou o
arnês da corda e encarou a porta de madeira que Arran tinha estado
olhando.
A porta em si era desinteressante. A única coisa que o fazia se
destacar era que tinha bem mais de 3,60 m de altura, e esculpida para
se encaixar perfeitamente no arco de pedras.
Ronnie caminhou até a porta e girou o feixe de luz para uma pedra
que ela viu Arran inspecionar mais cedo. Ela não podia ver nada, mas
isso não significava que nada estava ali. Tinha aprendido que não podia
esquecer nada.
Pegou um punhado de terra e esfregou-o sobre a rocha. Para seu
espanto, ela viu um nó de trindade esculpido no arenito.
Por que não tinha aparecido antes, ela não tinha certeza, nem im-
portava. Ronnie rapidamente começou a esfregar a terra em outras pe-
dras ao redor da porta e encontrou ainda mais símbolos celtas. Cada
um diferente, e todos invisíveis a olho nu.
Ela deu um passo para trás e olhou para a porta novamente. ― O
que há sobre isso que faz com que Arran desconfie?
E me faz querer entrar tão desesperadamente?

136
Depois de uma respiração profunda e calmante, ela colocou a mão
na porta. Não havia puxador, nada que sugerisse como ela poderia abrir
a porta. Antes que pudesse tentar, algo chiou através de seus dedos e
correu todo seu corpo.
E então a porta começou a se abrir sozinha.
― Ah Merda!
Ronnie saltou para trás e tropeçou na corda. Ela caiu duro de bun-
da, apoiando-se com a mão que não segurava a lanterna.
Uma rajada de ar viciado saiu soprando da câmara e à sua direita,
fazendo-a engasgar e tossir repetidamente. Ronnie teve que girar sua
cabeça se afastado e cobrir sua boca até que a poeira misturada com o
ar tivesse baixado bastante que pudesse ver dentro a câmara.
A música aumentou e depois ficou em silêncio. Ela lambeu os lá-
bios e olhou para dentro da câmara, inclinando a cabeça primeiro de
um jeito, depois o outro. Os raios da lanterna mostravam que a câmara
tinha o dobro do tamanho que ela imaginara.
O silêncio encheu a área e, quando ela ficou a seus pés, o silêncio
parecia mais alto do que o normal. Ela deu uma tentativa de passo em
direção à entrada e acendeu a luz em volta da porta, procurando arma-
dilhas de qualquer tipo.
Só quando estava segura de que estava a salvo, entrou na câma-
ra. Era um retângulo com lados mais compridos do que na frente e
atrás.
Ronnie estremeceu quando a umidade da câmara se instalou sobre
ela. Ela quase pensou que sentiu um fio de... mal. Mas certamente era
apenas sua imaginação e todos aqueles filmes de terror que ela adora-
va ver sozinha.
Era quase como se ela estivesse se intrometendo em algum lugar
que ela não tinha nenhum direito de estar. Sua pele formigava desagra-
davelmente, e a sensação a fez mexer os ombros para tentar fazê-la
desaparecer.
Em todos os seus anos como arqueóloga, e todos os lugares que
ela tinha escavado, nunca nada a tinha desconcertado como este lugar.

137
Ronnie esquadrou os ombros depois de uma breve pausa onde ela
considerou chamar Arran. Ela avançou para a câmara. E as palavras de
advertência de Arran ecoaram em sua mente.
Ela esperava encontrar um corpo, como em qualquer câmara fune-
rária, exceto que não havia nenhum. Em vez disso, havia mesas que se
alinham nas paredes e iam para o meio da câmara, onde os artefatos
estavam espalhados.
Ronnie foi para cada um, olhando-os. Alguns não eram nada mais
do que um pedaço de rocha ou pedra com uma inscrição ou desenho
celta. Uma peça era um anel. Outra um punhal.
Ela queria tocar cada uma, mas ela se conteve. Enquanto andava
cada mesa, brilhando sua lanterna em cada parte, ela mentalmente es-
tava catalogando tudo.
Sua mente, no entanto, ficou em branco quando encontrou uma
tabuleta de pedra do tamanho de um laptop que estava meio quebrado
na diagonal. As peças foram colocadas uma ao lado da outra, as bordas
rachadas não totalmente se tocando.
A escrita era gaélica, o nó gravado com precisão meticulosa. Incli-
nou-se para baixo sobre a mesa e tentou juntar um pouco do seu co-
nhecimento disperso do gaélico para ler o que dizia.
― A que não usou... - Sacudiu a cabeça. ― Não. Não usado -,
inexplorado, talvez. É isso aí. ― Aquele com magia inexplorada irá... ―
Ela franziu os lábios e sacudiu o cérebro para distinguir as próximas li-
nhas. ― Liberará aqueles aprisionados por... Por que? ― Ela disse com
raiva.
Ronnie lambeu os lábios e olhou para a escrita novamente. ― Li-
berará aqueles ... presos pelos que vieram antes.
Ela parou e olhou para a tabuleta novamente. As linhas estavam
escritas não como uma carta, mas como uma profecia.
― Merda. ― ela murmurou. Ela olhou para a tabuleta com novos
olhos. ― Aquele com magia inexplorada libertará aqueles que foram
presos por aqueles que vieram antes.

138
― Ela. ― disse ela com um tremor que não conseguiu manter fora
de sua voz - ― Sem saber, trará destruição e ... morte.
Um arrepio de pressentimento correu por sua espinha. Essa profe-
cia provavelmente tinha sido trancada por milhares de anos. Isso não
significada nada.
Ronnie obrigou-se a se afastar, ainda as palavras que havia lido e,
voz alta repetidamente e de novo em sua mente,
Até que ela chegou à caixa. ― Eu encontrei você. ― ela sussurrou
animadamente enquanto a música começava mais uma vez. Era doce,
suave agora, ninando até. Acalmou-a e apagou todas as suas preocupa-
ções.
Ronnie não pôde acreditar nos seus olhos. Era a mesma caixa que
ela viu em seus sonhos. Curiosamente pequena. Tinha a tampa arquea-
da também.
Ela colocou a lanterna ao lado da caixa para que a luz brilhasse
nela e ela pudesse ter ambas as mãos para segurá-la. Cuidadosamente
ela levantou a caixa em suas mãos e sorriu.
Ela correu suas mãos amorosamente sobre a caixa de madeira pla-
na. Depois de ter ficado tão curiosa para saber o que estava dentro
dela, agora descobriu que estava um pouco hesitante para abri-la.
O que poderia ser tão importante que tinha em uma caixa tão pe-
quena? E por que isso importava que ela o tivesse.
Ronnie caiu de joelhos no chão de terra e colocou a caixa de volta
sobre a mesa como mais do formigamento desagradável picando sua
pele. Arran a tinha advertido para não vir aqui sozinha. Ele não tinha
tido seu riso alegre desde que ela tinha caído pelo buraco.
A maneira como ele olhava para a porta tinha sido quase como se
estivesse avaliando isto, como se estivesse tentando determinar o que
estava dentro.
Ela não tinha dúvida que ele ficaria chateado se soubesse que ela
estava aqui sozinha. Ronnie sabia que era melhor abrir tal descoberta
sozinha. Era imprudente e estúpida, mas ela tinha encontrado a caixa.
Isso era o importante.

139
E isso não significava que ela tinha que abrir a caixa agora. Podia
levá-lo à sua tenda para que pudesse abri-la sempre que quisesse.
Parecia a coisa certa a fazer, e a tiraria da câmara escura e misteri-
osa. Ronnie pegou a caixa, mas antes que ela pudesse se levantar, uma
sensação estranha a alcançou.
Era opressiva, opressiva. Inseguro.
De repente, ela precisava saber o que estava na caixa. Se sentia
como se fosse vida ou morte se ela não abrisse e olhasse dentro. Na-
quele minuto.
Com as mãos trêmulas, ela virou a pequena trava metálica e abriu
a tampa.

140
CAPÍTULO QUINZE

Arran acordou e pulou em pé com um grunhido baixo e estridente.


Seu deus estava berrando dentro dele, e foi então que ele sentiu a anti-
ga e poderosa explosão da magia da seção que estavam escavando.
Ele saiu de sua tenda e correu para a seção. Sem hesitar um se-
gundo, ele saltou sobre o lado a terra em frente à porta e arco.
Apenas para encontrar a porta aberta.
Seu deus estava exigindo que ele o soltasse, insistindo que para
lutar. Mas Arran se conteve. Ele caminhou até a porta e parou enquanto
olhava para dentro. Levou apenas um momento para que ele visse a luz
de uma lanterna.
E então ele viu Ronnie.
A estranha pálida poeira rodopiando em volta dela estava vindo de
uma caixa que ela segurava, e a magia que emergia da poeira
parecia ... errada. Muito errada.
Arran entrou na câmara quando a poeira se materializou em uma
massa de criaturas diferentes de tudo o que ele já tinha visto. Não ha-
via nada em seu tempo como um Guerreiro que o fizesse parar. Até
aquele momento.
Os seres eram altos e esqueléticos, como se alguém tivesse estica-
do a pele firmemente sobre os ossos, de modo que pareciam que os
ossos perfurariam a qualquer momento. Longos cabelos brancos caiam
em seus rostos alongados. Seus olhos eram negros sólidos e sua pele
da cor de cinzas.
Pareciam como a morte. E Arran compreendeu que era o que eles
trariam.
A criatura mais próxima a ele rosnou, mostrando presas ainda
mais longas do que as que Arran tinha em sua forma de Guerreiro. A
magia que ele sentira antes só se intensificou, e não havia dúvida sobre
o mal agora.

141
Ele não tinha escolha a não ser liberar seu Guerreiro. Em um ins-
tante, garras brotaram de seus dedos, presas encheram sua boca, e
sua pele virou o branco de seu deus.
Então eles correram para ele.
Arran usou suas longas garras para cortar as criaturas. Conside-
rando que tal corte teria matado outros, não fez nada além de enraive-
cer esses novos monstros.
Sua regeneração era quase instantânea. Arran sabia que estava
em apuros, mas não ia cair sem lutar. Na verdadeira moda escocesa.
Ele soltou um forte rugido do fundo de seu peito. Com velocidade
e habilidade, ele começou a se mover rapidamente, cortando e cortan-
do cada criatura que o cercava. Algo começou a picar sua pele. Quei-
mou-se como um fogo ácido, e logo o teve de joelhos.
As criaturas estavam sorrindo enquanto se fechavam ao redor
dele. Arran não estava pronto para morrer. Quem protegeria Ronnie
quando ele fosse embora? Mais uma vez ele atacou com suas garras,
mas não era o esforço que ele queria.
A criatura mais próxima agarrou seu braço, seu sorriso se alargan-
do. O alarme varreu Arran. Mas era tarde demais para desejar ter outro
Guerreiro com ele.
Em vez de cortá-lo, a maldita coisa o mordeu. Arran jogou a cabe-
ça para trás e gritou com a sensação de presas em sua pele. Mas isso
não foi de bom. Os outros logo começaram a se alimentar dele tam-
bém.
Ele podia sentir o sangue drenando de seu corpo, enfraquecendo-
o mais eficazmente do que o que estava queimando sua pele. Através
da massa de corpos ósseos cinzentos, ele espiou Ronnie. Ela estava
apoiada contra uma parede enquanto uma das criaturas se erguia sobre
ela.
― Não! ― Arran trovejou. Ele se voltou para seu deus e procurou
a força de Memphaea, seu poder. Sua raiva.
Quando ele se reuniu dentro dele como uma grande bola de ener-
gia, ele jogou as criaturas fora dele.

142
Os monstros eram imortais, e se havia uma coisa que ele sabia,
era como matar um imortal. Decapitação. Ele parou de cortar seus pei-
tos e foi para o pescoço deles.
Ele matou dois antes de perceberem o que estava acontecendo.
Então mais três caíram. Eles começaram a lutar para detê-lo, e em sua
condição enfraquecida, eles deveriam ter sido capazes de detê-lo.
Mas havia Ronnie. Ela era tudo no que ele podia pensar, ela era
tudo o que o mantinha de pé e lutando. Ele tinha que alcançá-la, para
levá-la a salvo antes que os bestas a prejudicassem.
Lágrimas percorriam seu rosto enquanto ela olhava para o mons-
tro com medo. Arran alcançou o ser na frente de Ronnie e passou suas
garras pelo pescoço do bastardo.
Vagamente, ouviu Ronnie gritar quando a cabeça da criatura caiu
de seu corpo e rolou no chão. Arran agarrou o monstro mais próximo
dele e envolveu suas mãos em torno de sua cabeça. Com um empurrão
e um puxão, ele puxou a cabeça da criatura.
Quando ele se voltou para continuar lutando, ele encontrou os ou-
tros desaparecidos. Arran sentiu-se começar a cair e moveu um pé para
a frente para manter o equilíbrio. Ele olhou para o seu corpo para vê-lo
cheio de mordidas e o sangue dos monstros. Foi então que ele com-
preendeu que era o sangue deles que queimava sua pele.
A câmara começou a girar, e não importa o quão duro ele tentasse
se manter em pé, as pernas dele falharam. Arran caiu de joelhos com
força, seu corpo trabalhando em dobro para continuar respirando.
Um som atrás dele, meio chorando, meio gemendo, o pegou bem
antes de cair de bruços.
Ronnie.
Arran sabia que sua pele ainda era branca, e não importa o quanto
ele tentasse esmagar seu deus, não funcionava. Ele estava com muita
dor e muito fraco para ter muito comando. A única coisa boa era que
seu deus também estava fraco, então não havia chance para ele tomar
o controle de Arran também.

143
Arran tentou se empurrar sobre suas mãos e joelhos, mas só con-
seguiu avançar para frente. Se aquelas criaturas voltassem, não havia
como proteger Ronnie. Esse pensamento o manteve movendo-se.
De alguma forma, ele ficou de joelhos e virou a cabeça para ela.
Ela olhou com os olhos arregalados para ele. Como ele odiava o medo
que via em seu rosto. Ela não percebeu que ele não iria machucá-la?
Ela não sabia que ele faria qualquer coisa para mantê-la segura?
― Não. Vou. Machucar. Você.
Cada palavra era mais difícil de dizer. As bordas de sua visão esta-
vam escurecendo, e ele não sabia quanto tempo ele poderia ficar cons-
ciente. Ele tinha que levá-la para fora da câmara e para a segurança, e
de preferência chamar Fallon para ajudar.
Tudo o que ele foi capaz falar foi. ― Saia. Agora.
― Não. ― De repente, ela estava ao lado dele. Ele a viu alcan-
çando-o. Arran se afastou bruscamente, o que o fez cair de lado. A ter-
ra caiu nas marcas da mordida e esfregou contra o sangue das criatu-
ras, queimando-o pela segunda vez.
― Não. Ronnie. Vá.
***
Ronnie lambeu os lábios e olhou para o homem que tinha lutado
tão valentemente para salvar os dois. Ele tinha sido superado em nú-
mero e ferido. Mas ele não desistiu. Ele tinha impedido o monstro de
tocá-la.
Marcas de mordidas ardidas salpicavam o torso nu de Arran, bra-
ços, pescoço e até mesmo seu rosto. Ela tinha que ajudá-lo de alguma
forma, e deixá-lo não era uma opção.
― O que eu faço, Arran? Diga-me. - ela insistiu.
Ela estava com medo de tocá-lo, não porque sua pele fosse tão
branca como neve recém caída, mas porque ele estava com tanta dor.
Quando ele abriu os olhos e ela viu que eles eram brancos sólidos de
canto a canto, ela só podia olhar.

144
Eles eram os mesmos olhos que ela tinha visto em seu sonho. O
homem que feria seu corpo tão apertado de desejo realmente tinha um
segredo tão grande quanto o dela.
Seus olhos fecharam e suas mãos fechou. Ela engoliu em seco
quando viu as longas garras brancas. Ronnie olhou em volta, tentando
encontrar uma maneira de ajudá-lo. Ela poderia pedir ajuda, mas o que
eles fariam quando vissem Arran?
Ela não faria isso com ele. O que quer que fosse, ele manteve seu
segredo... e agora, ela manteria o dele, também. Ronnie saiu correndo
da câmara e viu uma grande garrafa de água que tinha sido deixada
por alguém. Ela agarrou e correu de volta para Arran.
Todas as mordidas tinham que ser limpas antes que uma infecção
começasse. Hesitantemente jogou água em uma ferida perto de seu
ombro. A água correu para baixo e manchou de sangue em seu bíceps.
Um suspiro o deixou.
― Melhor? ― Ela perguntou.
Ele deu um único assentimento. Ronnie começou a limpar as mor-
didas, mas não demorou muito para perceber que não eram as mordi-
das que o feriam, era o sangue.
Ela então trabalhou diligentemente para remover o sangue das cri-
aturas do peito, dos braços e rosto. Só então ela o virou para que sua
cabeça descansasse em suas pernas e ela tivesse acesso às costas
dele.
― O que você é? ― Ela perguntou, agora que sua respiração tinha
estabilizado.
― Um guerreiro.
― Claro que você é um guerreiro.
― Não, Ronnie. Um Guerreiro. Lembra-se da história que o velho
lhe contou sobre os Celtas?
Ela parou, segurando a garrafa sobre suas costas, pronta para der-
ramar.

145
― Sim.
― Diga-me o que ele lhe disse.
― Acho que prefiro que você me diga.
Ele estremeceu quando ela tocou um lugar com o sangue seco.
― Desculpe.
Ele apertou-lhe a perna com a mão, uma mão que a abraçara com
tanta ternura horas atrás, enquanto se beijavam. Uma mão que foi per-
furada com marcas de mordida e que tinha garras que ele cuidadosa-
mente afastou dela.
― Não se aborreça. Eu resisti a piores tipos de dor.
― É difícil acreditar depois de te ver assim.
― É verdade. Ronnie, eu sou imortal.
― Ok. ― Ela não tinha certeza do que uma pessoa deveria dizer
quando recebesse uma declaração como essa. Ela continuou a lavar o
sangue de suas costas. Suas mãos eram macias enquanto ela mal toca-
va sua pele. Mas ela tinha certeza de que tinha havido mais marcas de
mordida em suas costas da última vez que ela olhou.
― Não, eu realmente sou. A história que o velho disse a você é
verdadeira. Há muito tempo, quando Roma chegou à Bretanha, eles
não podiam conquistar os celtas. Mas não importa o quão duro os cel-
tas lutassem, eles não poderiam fazer os romanos sair.
― O que aconteceu? ― Ela perguntou, e começou a trabalhar em
limpar as mãos dele.
― Há magia nesta terra que eu amo. Está na água, no ar que res-
piramos.
― E o chão?
― Aye. ― ele disse. ― A magia está aqui por causa dos Druidas.
Como em qualquer coisa, havia os bons Druidas, mies, e os maus, os
droughs.
― Qual é a diferença entre eles? As escolhas que fazem?

146
Ela se sentiu bem ao ver seu sorriso. ― Um pouco. A magia dos
mies é a forma pura com que eles nasceram. Eles usam para o bem,
para ensinar, ou para ajudar. Os droughs, entretanto, dão sua alma a
Satã para ter a magia negra. Um simples drough contra um simples
mie, vencerá contra o mie toda vez. Mas reunir um grupo de mies jun-
tos, e os droughs não têm uma chance.
Ronnie estava encantada com sua história e como facilmente ele
falava de magia e Druidas. Suas mãos tinham ido de acariciar os om-
bros dele para brincar com seu cabelo. Ela se repreendeu e derramou
mais água sobre as mordidas.
Só para descobrir que não havia tantas quanto antes.
― Então os celtas foram para os Druidas em busca de ajuda. ―
ela disse.
Arran assentiu. ― Os mies não iriam ajudá-los, mas os droughs o
fariam. As secas chamaram deuses há muito esquecidos e trancado no
inferno. Os guerreiros mais fortes de cada família se adiantaram para
hospedar um deus.
― Isso não soa como uma boa ideia.
― Eles estavam desesperados para livrar sua terra dos romanos.
Assim, os guerreiros aceitaram os deuses, e no processo tornaram-se
imbatíveis na batalha. Eles atacaram Roma uma e outra vez. Não de-
morou muito para que Roma deixasse a Bretanha por completo.
Ronnie torceu os lábios. ― Isso não é o que Roma diz que aconte-
ceu, mas, novamente, eu sei tudo sobre como os países no poder deci-
dem o que será escrito na história.
― Aye. Com a partida dos romanos, os guerreiros começaram a se
ligar uns aos outros e a qualquer outra pessoa que encontrassem. Os
droughs esperavam ser capazes de tirar os deuses dos homens, uma
vez que sua missão estava terminada, mas não foi como planejado.
Nada que os droughs fizeram pararam os deuses. Então eles foram pe-
dir ajuda aos mies.
― Isso exigiu coragem.

147
Arran moveu suas costas, os músculos movendo-se tão fluidos
como água.
― Foi. Também levou os droughs e os mies trabalhando juntos
para prender os deuses dentro desses guerreiros. Foi a primeira e a úl-
tima vez que as duas seitas trabalharam juntas.
― Então os deuses foram presos. O que aconteceu com os ho-
mens?
Eles não lembraram de nada do que tinham feito desde que os
deuses entraram em seus corpos. Os deuses foram presos, passando
através da linhagem e indo para o guerreiro mais forte cada vez. Os
deuses nunca mais deveriam ser desvinculados. Mas houve uma drough
que queria governar o mundo. Ela encontrou uma maneira de desatar
os deuses.
Ronnie olhou através da câmara para a parede vazia e pensou na
história do velho. ― Os MacLeods. O velho mencionou os MacLeods.
― Foi aí que Deirdre começou a correr para o poder. Ela usou sua
magia negra para se tornar imortal e passou séculos procurando o Ma-
cLeod que era a chave. Ela descobriu que não era apenas um MacLeod,
mas irmãos. Três irmãos, de fato.
― Essa Deirdre não matou realmente todo o clã MacLeod?
― Ela matou. ― disse Arran, sentando-se sobre os calcanhares.
Sua pele ainda era branca, e suas garras ainda eram visíveis também.
Garras ...
Elas justificavam as marcas que ela encontrou na terra depois que
Arran a salvou, quando o solo cedeu. Ele usou suas garras para se se-
gurar. Agora tudo estava começando a fazer sentido.
Ronnie pegou uma em sua mão e inspecionou a longa e curva gar-
ra branca. ― Deirdre encontrou os MacLeods de que ela precisava?
― Aye, e ela soltou o deus deles. Os três irmãos compartilhavam
um deus porque eram iguais em batalha. Eles foram os primeiros de
nós, e os que tiveram a sorte de escapar de Deirdre. No entanto, isso
não a deteve. Ela partiu, encontrando mais de nós e desvinculando nos-
sos deuses.

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― Esta pele branca, as garras, e seus ... seus olhos, ― ela disse, e
parou para engolir. ― Eles são o que faz de você um guerreiro?
― Não se esqueça disso. ― ele disse, e abriu seus lábios para ela
ver suas presas.
― Você está tentando me assustar? ―
―Eu quero que você me conheça. ― Ele olhou para longe. ― Ron-
nie, a forma em que você me vê agora é o que acontece quando eu
permito que meu deus se levante. Eu tenho controle sobre ele, mas
nem todo guerreiro tem. Os deuses são fortes. Eles querem a batalha e
o sangue e a morte.
― Tão forte quanto vocês Guerreiros são, vocês não foram atrás
de Deirdre?
Ele sorriu e olhou para o teto. ― Essa é uma longa história, mas
nós fizemos. E nós a derrotamos assim como seu sucessor, Declan Wal-
lace.
― Declan. ― ela disse em temor. ― Interessante. Saffron sabe o
que você é?
― Claro. ― Ele disse isso com tanta naturalidade, e foi nesse mo-
mento que ela percebeu o porquê. ― Porque seu marido, Camdyn,
também é um Guerreiro.
― Precisamente.
Ela olhou para o peito dele a tempo de ver uma das mordidas se
curar. Um rápido olhar lhe mostrou que todas as mordidas tinham desa-
parecido.
― Você realmente é imortal. Você não pode ser morto?
― Aye. Pegue nossas cabeças, ou coloque sangue drough em nos-
sas feridas.
― Encantador. ― ela murmurou, e se levantou. E
Ela enxugou as mãos e olhou ao redor da câmara. ― Essas criatu-
ras. O que eles eram?

149
― Eu não tenho ideia. Eu nunca vi algo parecido em todos os
meus anos.
― E justo quantos anos estamos falando?
Ele sorriu e se levantou. ― Seiscentos e quarenta e seis.
―Seis ... ―, ela disse, e então perdeu sua capacidade de conver-
sar.
Arran deu de ombros. ― Há uma história sobre como nós fomos
saltados através do tempo, mas isso vai ter que esperar. Você não sabia
que você era uma Druidesa. Como então você sabia como usar sua ma-
gia?
― Eu não usei, ― ela disse com um encolher de ombros. ― Pelo
menos, eu não fiz isso de propósito no começo. Só pensei que tinha
sorte. Então eu percebi que eu podia ouvir os artefatos cantando para
mim. E só eu podia ouvir sua música.
― Pete não sabe?
― Não. Ninguém além de você. Adoro o que faço, Arran. Eu sei
que é errado como eu descubro sobre as relíquias, mas eu tenho que
encontrá-las.
― Não há nada de errado com o que você faz, Ronnie. Cada Drui-
da tem um dom especial de magia para usar. Você escolheu usar o seu
em seu trabalho, e você não faz mal a ninguém no processo.
― Até hoje. ―ela sussurrou.
― Por que você abriu a caixa?
Ronnie deu de ombros. ― É o que eu vim fazer aqui, mas depois
mudei de ideia. Eu ia levar a caixa para a minha tenda e abri-la mais
tarde. Mas o desejo irresistível de abri-la levou-me. Eu não pude parar.
A propósito, eu acho que você precisa adicionar o sangue dessas criatu-
ras à sua lista de coisas que podem te machucar.
Ela podia sentir seus olhos nela, seus olhos brancos. Foi-se o olhar
dourado que ela tinha vindo a desfrutar tanto. Como se estivesse lendo
sua mente, sua pele branca desapareceu. Suas garras desapareceram,
as presas desapareceram e seus olhos dourados voltaram.

150
― Precisamos olhar para tudo nesta câmara. Ele caminhou até o
item mais próximo e o inspecionou. Foi quando ela se deu conta de que
ele estava procurando por alguma coisa:
― Você veio a essa escavação por um motivo.
A cabeça de Arran levantou-se lentamente e ele a olhou.
―Aye. Há um feitiço que estou procurando. Este feitiço vai pren-
der nossos deuses mais uma vez e permitir que os guerreiros que estão
casados possam viver vidas normais, como mortais. Eles não desejam
trazer crianças para este mundo enquanto elas são imortais.
― Saffron e Camdyn fizeram.
― E isso foi um acidente. As Druidesas no castelo têm impedido a
gravidez, mas de alguma forma com Saffron e Camdyn, o feitiço não
funcionou.
― Druidesas? No castelo? ― ela repetiu.
Ele se contraiu. ― Ah ... aye. Há Druidesas.
― E você acha que eu sou uma?
― Sei que você é uma. Como um guerreiro, eu sinto magia. A sua,
Ronnie, é magia mie ― disse ele, virando-se para encará-la.
― Ajude-nos. Ajude-me a encontrar o feitiço. Foi tomado em um
de três envios de Edimburgo centenas de anos atrás. Dois dos carrega-
mentos, um por terra e um por mar, chegaram a Londres. O terceiro
carregamento foi por terra na rota mais difícil. Acreditamos que esta es-
cavação é parte do carregamento.
― Carregamento de quê?
― Itens mágicos. ― Depois dos monstros que ela acabara de ver e
aprender sobre Arran, ela não hesitou em acreditar nele. E depois do
que ela acabara de lançar no mundo, ela precisava fazer algo para fazer
as coisas direito.
― O que estou procurando?

151
CAPÍTULO DEZESSEIS

Arran encolheu os ombros. ― Não faço ideia. Poderia ser qualquer


coisa. Ao mesmo tempo era um pergaminho, mas isso pode ter sido
mudado.
―Isso não é muito para começar.
― Eu sei. ― ele disse, e pegou uma adaga. ― É tudo que temos.
― Você não precisa de luz? ― Ronnie perguntou, e pegou sua lan-
terna.
Ele inspecionou o punho quando encontrou nó celta. ― Não. Eu
posso ver também no escuro como na luz. Qualquer coisa que pareça
suspeita, me avise. Isso envolve magia, então poderia ser qualquer coi-
sa.
― Não qualquer coisa, certamente. Quero dizer, é um feitiço que
estava em um pergaminho. Não é como se pudesse magicamente se
transformar em poeira ou algo assim.
Arran deixou de lado o punhal, uma vez que tinha certeza de que
o nó no cabo e lâmina não eram o pergaminho. ― Larena, que é nossa
única guerreira, tem um anel. Dentro do anel está uma lista de todas as
famílias que tiveram um guerreiro que se voluntariou há muito tempo
atrás... Com apenas algumas palavras, essa lista desaparece na pedra
no anel de Larena.
― Bem. Agora que eu sei, ― Ronnie disse, e voltou a olhar.
Arran sorriu e se moveu para o próximo objeto. Era um pergami-
nho. Ele cautelosamente tocou as bordas para ver como ele mal tinha
começado a ser afetado pelo tempo. Não poderia ser tão fácil, encon-
trar o feitiço em um pergaminho.
Poderia?
Ele gentilmente tomou isto em suas mãos e o desenrolou. Com um
suspiro, ele fechou os olhos. Era um feitiço, mas não o que ele precisa-
va.

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Depois de cuidadosamente enrolar o pergaminho, Arran o devol-
veu ao lugar e ficou ali. O feitiço no pergaminho poderia ser inofensivo.
Ou poderia mudar tudo.
― Nenhum desses artefatos pode ver a luz do dia.
―Por quê? ― Ronnie perguntou enquanto pegava em uma peque-
na pedra e a colocava no feixe de sua lanterna.
― Cada um deles é mágico de alguma forma. Alguns mantêm ma-
gia, como a caixa, e alguns são mágicos, como o pergaminho que eu
encontrei que tem um feitiço. Ainda há Druidas lá fora, bons e ruins, e
seria melhor para todos se ninguém soubesse desses itens.
Ronnie caminhou até ele e tocou seu braço. - E as peças que che-
garam a Londres? Onde eles estão?
― Cuidadosamente guardado.
― Como você sabe? ― Ela perguntou com uma risada.
Arran passou a mão pelo queixo. ― O poder de Larena como
Guerreira é tornar-se invisível. Ela viu por si mesma o que estava sob
chaves no palácio real de Londres.
― Merda.
― O poder de Larena tem sido útil em muitas ocasiões. Ela nos
ajudou a derrotar Declan e libertar outra Druidesa, ela encontrou Saf-
fron inicialmente e...
― Espere. Encontrou Saffron? ― Ronnie perguntou. ― O que você
quer dizer?
― Não é a minha história para contar, mas eu vou dizer que De-
clan sequestrou Saffron e manteve ela trancada em uma masmorra
abaixo de sua casa.
Ronnie sacudiu a cabeça, surpresa. ― Querido Deus. Por que ele
iria querer Saffron?
Ele hesitou, inseguro de quanto lhe contar, já que era a história de
Saffron.

153
― Ou ela é uma Druidesa que você falou? ― Ronnie perguntou.
Seus olhos se arregalaram quando ele não negou. ―Saffron é uma
Druidesa? O que tinha sobre ela que Declan queria?
― Declan era um drough, Ronnie. Saffron é uma mie, mas ela
também é uma Vidente.
Ronnie deu de ombros e perguntou: ― O que isso significa exata-
mente?
― Os videntes são aqueles que veem pedaços do futuro. Saffron
terá vislumbres do futuro das pessoas. Às vezes os eventos mudam
aquelas visões, e às vezes não. Houve alguns casos em que pudemos
ajudar os envolvidos se os conhecêssemos.
Ronnie esfregou sua bochecha manchada de sujeira. ― Eu não
posso acreditar que há Guerreiros lá fora, e que eu sou uma Druidesa.
Um Druidesa! O que mais há lá?
― Essas novas criaturas agora, e para ser honesto, provavelmente
há mais.
― Não sei se vou ficar excitada ou assustada.
― Provavelmente um pouco de ambos. ― Ele se moveu para o
próximo item e viu Ronnie olhando para a caixa que ela abriu.
Arran a rodeou e agarrou a caixa. Ela era completamente lisa, sem
marcas em qualquer lugar.
― Não há nada. ― disse Ronnie.
― Aye, há. Eu posso sentir a magia. Eu soube assim que eu che-
guei em sua escavação que a magia estava aqui. O problema é que eu
não posso fazer magia, então isso vai levar um Druida que sabe o que
procurar para olhar para ele e me dizer o que está sendo escondido.
Ronnie se virou e colocou a luz no objeto atrás dela. ― É outro
pergaminho.
Arran deixou de lado a caixa e pegou o pergaminho. Ele desenro-
lou-a para encontrar um manifesto de itens tirados de Edimburgo. Ele
soltou um grito e sorriu para ela.

154
― Você encontrou o manifesto. Agora tudo o que precisamos fazer
é localizar cada item aqui.
― Como você pode ler isso? ― Ela perguntou com uma carranca
quando ela se levantou em suas pontas dos pés para ver.
Ele encolheu os ombros. ― É gaélico. Eu posso lê-lo. Agora, vamos
começar.
― Gaélico. Eu leio um pouco, mas mal. Encontrei uma pedra antes
de abrir a caixa. Parecia ter uma profecia.
Um músculo ticou em sua mandíbula. ― Mostre-me.
Ronnie levou-o para a tabuleta quebrada e observou-o estudá-la.
Por longos momentos, o silêncio reinou e ela ficou desconfortável. Ar-
ran, como de costume, estava calmo e direto ao ponto, mas ela sabia
exatamente o que tinha feito.
Ela quase tinha matado os dois, liberando as criaturas da caixa.
Sua magia, que sempre fora usada para desenterrar relíquias inofensi-
vas, fora usada para o mal. Por aquelas bestas que eram más. Ela não
precisava ser uma Guerreira para saber disso.
Isso escorria deles, sufocando-a com a sua impureza. E agora eles
estavam no mundo. Eles tinham que ser parados.
― Esta é uma profecia. ― disse Arran enquanto deslizava um dedo
por um lado quebrado da tabuleta de pedra. ― Uma que foi escrita há
muito, muito tempo.
― O que diz? ― Ele a olhou.
― Por que você quer saber?
Ela estava prestes a dizer-lhe que não sabia quando fez uma pau-
sa e soube que lhe devia a verdade. ― Eu não posso explicar isto, mas
eu penso que é sobre mim.
― Diz, “Aquele com magia inexplorada / libertará aqueles presos
pela magia-mor / ela sem intenção causará a destruição e a morte.”
― Eu decifrei quase tudo. O que isso significa?

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― Seria difícil saber sem o resto.
Ronnie agarrou a mesa para manter-se firme. ― Há mais?
― Aye. É ao longo dos lados.
― O que ele diz?
― “Uma druidesa será a portadora da desgraça
Só para ser morta por um homem-deus.
A nova escuridão unirá forças com a Druidesa
E será o fim de tudo. “
― Me diga que não é sobre mim, ― ela perguntou.
Arran pegou sua mão. ― Poderia ser sobre qualquer um.
―Vamos ver. Eu sou uma Druidesa que tinha magia inexplorada, e
eu liberei aqu