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UNIVERSIDADE FEDERAL DE CAMPINA GRANDE

CENTRO DE HUMANIDADES
UNIDADE ACADÊMICA DE CIÊNCIAS SOCIAIS
DISCIPLINA: PRÁTICA DE ENSINO EM CIÊNCIAS SOCIAIS
PROFESSOR: SEVERINO JOSÉ DE LIMA
ALUNO: JEFERSON LIMA DE SOUZA

Síntese sobre as OCN´s (Orientações Curriculares Nacionais)

1. História da sociologia e base legal para sua institucionalização


As transformações culturais, político e econômicas ocorridas no século XIX
impulsionaram o ensino da sociologia como ciência capaz de assumir o desafio de
compreender a nova dinâmica social que se configurava, sendo essas próprias dinâmicas
sociais sua propulsora ou elemento inibidor de sua consolidação como disciplina.
A sociologia teve em Augusto Comte um idealizador, porém, foi apenas com Émile
Durkheim em 1887 que ela teve sua relevância cientifica reconhecida por excelência,
registrando o seu marco legal nos currículos oficiais.
Em 1870, por influência de Rui Barbosa a sociologia é introduzida no Brasil em
substituição à disciplina de direito natural.
Com o advento da República e impulsionada pela “Reforma da educação secundária”
e o protagonismo de Benjamin Constant a sociologia torna-se disciplina “obrigatória”, porém,
a morte do ministro da “Introdução Pública” impossibilitou a consolidação desse propósito.
Aos poucos a Sociologia vai ganhando espaço nos currículos secundários e
superiores, muitas vezes lecionada por profissionais de outras áreas, tais como: advogados,
médicos e militares.
A partir das primeiras décadas do século XX a Sociologia alça novos voos, passando a
integrar o currículo dos cursos preparatórios e das denominadas “escolas normais”,
preocupando-se em proporcionar uma formação cientifica ao professor, levou a substituição
de disciplinas de Trabalhos Manuais e Atividades Artísticas pela Sociologia e a Psicologia.
Entre 1925 e 1942 a partir das “Reforma Rocha Vaz” e posteriormente a de “Francisco
Campos”, a Sociologia alça importância substancial, passando a integrar os currículos da
escola secundária, normal e superior, porém, a partir de 1942 sua presença no ensino
secundário passa a sofrer com descontinuidades.
Mesmo com a primeira LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação) de 1961 a
Sociologia se mantém como disciplina optativa ou facultativa, seguindo essa opção na LDB
seguinte de 1971.
Faz-se necessário ressaltar o “obscurantismo” promovido pelo período da ditadura
militar no Brasil, que segregou a Sociologia em sua importância substituindo-a pelas
disciplinas de “Educação Moral e Cívica” e “OSPB”.
A nova LDB – Lei n° 9.394/96 finalmente promove a Sociologia ao seu lugar de
direito, institucionalizando sua obrigatoriedade e importância a partir do Artigo 36, inciso III,
que determina: “ao fim do ensino médio, o educando deve apresentar domínio de
conhecimentos de Filosofia e Sociologia necessários ao exercício da cidadania”.

2. Por que e para que ensinar Sociologia no Ensino Médio?


A Sociologia tem como prerrogativa a formação da cidadania por excelência, na
medida em que apresenta em seu currículo temas como cidadania, política, antropologia
através de conteúdos clássicos e contemporâneos, e por meio de uma linguagem crítica e
revigorante, “desnaturalizando” as explicações imediatistas dos fenômenos sociais.
Através das mais variadas pesquisas, a Sociologia pode oferecer ao estudante do
Ensino Médio um espaço de realização, contestação e reflexão sobre suas concepções de
mundo, economia, sociedade, cultura, sobre o outro e sobre a si mesmo, e seu papel como
agente protagonista de sua comunidade e país.

3. Princípios Epistemológicos de Ensino da Sociologia.


A Sociologia pode ocupar um papel importante, tanto no dialogo com outras
disciplinas, quanto no currículo escolar, assim como, com na própria instituição de ensino.
Porém, os conteúdos de Sociologia, quando abordados por outras disciplinas, sobre outras
perspectivas, tais como a Geografia e/ou a História podem não contemplar com fidedignidade
as abordagens epistemológicas da Sociologia, incutindo em equívocos.
4. Interdisciplinaridade e o diálogo com outras disciplinas
Respeitando as especificidades de cada disciplina e suas áreas de abrangência, seus
limites e possibilidades, a interdisciplinaridade é salutar e recomendável.
A Sociologia tanto pode relacionar-se tanto no campo das humanidades, quanto das
ciências exatas, ou naturais (Física, Química e Biológica).

5. Orientações Metodológicas e o problema da banalização da disciplina


As teorias sociológicas são fruto do dialogo de seus teóricos com o contexto de sua
época, dessa forma, muitas são revistas por outros teóricos, acabando dessa maneira por não
promover um “corpus” consensualmente consagrado e definido, podendo com isso levar ao
“descredito” parte dos professores e alunos.
Podemos encontrar nos parâmetros curriculares oficiais três tipos de recortes
relacionados às propostas para o ensino de Sociologia no ensino médio, são eles: conceitos,
temas e teorias. A tendência é que eles sejam trabalhados “separadamente” por parte dos
professores, livros ou propostas pedagógicas, porem, é possível trabalhá-los de maneira
mutuamente referenciada.

6. O ensino através da pesquisa


Os três recortes anteriormente citados devem ser contemplados pela “pesquisa”, por
ela se constituir num componente de extrema importância na relação aluno e o meio em que
ele vive, tendo a ciência como elemento mediador.
Dessa forma, a partir dos conceitos, temas ou teorias, a pesquisa pode se tornar num
importante instrumento para o desenvolvimento da compreensão e explicação dos fenômenos
sociais.

7. As OCN e a Didática da Sociologia no Ensino Médio


Aulas expositivas: As “aulas expositivas” devem centralizar-se na figura do aluno, no
diálogo aberto.
Seminários: Já os seminários podem se constituir em um rico elemento de mediação
entre professor/aluno, desde que haja a efetiva participação do professor e não a mera
atribuição de tarefas e distribuição de temas, se tornando um momento de descanso e
contemplação do professor.
Excursões, visita a museus, parques ecológicos: Passeios externos ao ambiente
escolar são gratificantes momentos de aprendizado na vida do aluno e da quebra da rotina
escolar.
Leitura e análise de textos: A mediação do professor na leitura e analise de textos
sociológicos permite ao aluno um “despertar” a curiosidade de conhecer mais sobre o autor e
o tema bordado.
Cinema, vídeo ou DVD, e TV: Trazer os recursos audiovisuais para a sala de aula é
promover o “estranhamento” e a “desnaturalização” daquilo que a primeira vista parece tão
familiar, através de documentários, filmes clássicos e debates.
Fotografia: As fotografias, muito presentes na vida dos alunos através dos álbuns de
família ou as famosas “selfs”, podem ser utilizadas na escola para analise de fenômenos
sociais públicos, tais como: manifestações coletivas, situações políticas e sociais importantes
reveladas em periódicos, jornais, revistas.
Charges, cartuns e tiras: Ao projetar em sala de aula uma charge ou tira de humor, o
aluno se sentira instigado a compreender o sentido daquele material trazido pelo professor,
para posteriormente analisar os elementos da figura apresentada.