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PROCEDIMENTOS NA JUSTIÇÃ DO TRABALHO

Não se deve confundir processo com procedimento trabalhista; processo


trata-se pois de um conjunto de atos processuais que se dão de maneira sequencial
até alcançar a coisa julgada; já o procedimento ou rito, como diz CARLOS
HENRIQUE BEZERRA LEITE:
“é forma, o modo, a maneira como os atos
processuais vão se projetando e se desenvolvendo
dentro da relação jurídica processual, sendo
assim, o modus faciendi do processo, seu aspecto
exterior.”1
Nesse mesmo intuito, seguindo as palavras de ELIO FAZZALARI,
procedimento é pois, “uma sequência de 'atos' os quais são previstos e valorados
pelas normas (…), sendo visto como uma série de 'faculdades', 'poderes', 'deveres',
quantas e quais sejam as posições subjetivas possíveis de serem extraídas das
normas”.2
Mesmo que diferentes, como aponta MANOEL ANTONIO TEIXEIRA FILHO,
“não se referem a objetos diversos, senão que a aspectos distintos senão que a
aspectos distintos de um mesmo objeto, compondo assim uma relação jurídica
processual, onde o processo possui traços substanciais e o procedimento, traços
formais.”3, não sendo de tudo tão inútil a separação conceitual de ambos, pois
delimita, com base na Constituição, as competências de legislação sobre os
processos – competência exclusiva da União (art. 22, I) - e procedimentos –
competência em caráter concorrente da União, dos Estados e do DF - da justiça do
trabalho.
TIPOS DE PROCEDIMENTO NO RPOCESSO DO TRABALHO
No processo do trabalho de conhecimento, há dois tipos de procedimentos:
1. PROCEDIMENTO COMUM
Diferente do novo CPC, o procedimento comum da justiça do trabalho
continua com a mesma divisão em ordinário, sumário e sumaríssimo.
1.1. PROCEDIMENTO COMUM ORDINÁRIO

1 BEZERRA LEITE, Carlos Henrique. Curso de direito processual do trabalho – 12ª ed. São Paulo: LTR
EDITORA, 2014. p. 380.
2 FAZZALARI, Elio. Instituições de direito processual. Trad. Elaine Nassif. Campinas: Bookseller, 2006. p.
114.
3 TEIXEIRA FILHO, Manoel Antonio. Curso de direito processual do trabalho I. São Paulo: LTR EDITORA,
2009. p. 175.
Tem sua fundamentação legal nos artigos 837 ao 852 da CLT, e caracteriza-
se por ser dividida em três partes:
a) Audiência Inaugural de Conciliação
Devem as partes comparecerem em juízo com ou sem seus advogados,
tendo o réu a faculdade de fazer-se representar por gerente ou preposto que tenha
conhecimento dos fatos; e ao empregado ser representado por sindicato, ou em
casos de falta por motivos comprovadamente relevantes, poderá ser também
representado por outro empregado que pertença à mesma profissão ou sindicato de
mesma categoria.
Como descreve CARLOS HENRIQUE BEZERRA LEITE, sendo aberta a
audiência, o juiz deverá propor a conciliação ; na qual, havendo acordo, será
lavrado termo que será assinado pelas partes (incluindo o juiz); e não havendo
acordo, o réu terá vinte minutos para apresentar sua defesa, após a leitura do teor
da ação - podendo a defesa ser escrita, onde desde logo o juiz dá a ciência ao autor
da ação, que terá o prazo de dez dias para apresentar impugnação. Sendo ambas
as partes já intimadas para a audiência de instrução. 4
b) Audiência de Instrução
Assim como na justiça comum, deve as partes comparecerem sob pena de
confissão (revelia), sendo nessa mesma assentada que são ouvidas as
testemunhas, podendo as partes também requerer prova pericial, cujo deferimento
implica na suspensão do processo até a conclusão pericial; finda a instrução, as
partes terão um prazo de 10 minutos cada para aduzirem suas razões finais.
O juiz mais uma vez deverá tentar conciliação, renovando a proposta se
necessário; e caso infrutífera, designará a data para a audiência de julgamento.
c) Audiência de Julgamento
Não é necessariamente uma audiência física, tecnicamente ela não ocorre,
como diz CARLOS HENRIQUE BEZERRA LEITE:
“Na prática, trata-se mais de um prazo fixado pelo
juiz para a publicação da sentença, da qual as
partes ficam, desde logo, intimadas. É a data da
publicação da sentença, ou a data da juntada da
ata de audiência contendo a decisão, que começa
a correr prazo para interposição de recursos.”

4 BEZERRA LEITE, Carlos Henrique. Curso de direito processual do trabalho – 12ª ed. São Paulo: LTR
EDITORA, 2014. p. 382 e 383.
1.2. PROCEDIMENTO COMUM SUMÁRIO
Introduzido pela Lei n. 5.584/70, instituiu a chamada “causa de alçada”,
objetivando maior celeridade às causas trabalhistas de valor até dois salários
mínimos; podendo ser dispensável o resumo dos depoimentos, mas devendo
constar da ata de conclusão a que se chegou quanto à matéria de fato. Não
cabendo recurso das sentenças proferidas.
1.3. PROCEDIMENTO COMUM SUMARÍSSIMO
Rege-se pelos artigos 852 – A ao 852 – I da CLT.
Tal procedimento é embasado nos princípios da celeridade processual,
principio da oralidade e o da concentração dos atos; lhe cabem dissídios individuais
cujo valor não ultrapasse 40 vezes o salário-mínimo vigente na data do ajuizamento
da ação e excluindo expressamente as causas em que figuram as pessoas de direito
público (empresas públicas e de economia mista são exceção).
Quanto ao procedimento em si, como se refere SERGIO PINTO MARTINS, o
pedido deve ser certo e determinado e indicará o valor correspondente, não sendo
admissível pedido genérico ou implícito; em regra, não cabe também, citações por
edital, cabendo ao autor que alegue a correta indicação do nome e endereço do
reclamado, somente se fazendo necessárias as exceções nos casos em que se
mostrarem ineficazes as citações por correio e/ou oficiais de justiça. O processo
deverá em regra, ser julgado em quinze dias de seu ajuizamento, não existindo
prazos para emenda de inicial; o pagamento ficará a cargo do empregado, cujo não
pagamento enseja extinção do processo sem julgamento do mérito, sendo isentos
os empregados que ganharem até no máximo dois salários-mínimos ou, ganhando
valor superior, que comprovar não ter condições de postular sem prejuízo próprio ou
de sua família.5
2. PROCEDIMENTOS ESPECIAIS
A própria CLT estabelece ritos especiais para o inquérito judicial para
apuração de falta grave (arts. 853 a 855), dissídios coletivos (arts. 856 a 871 e 873 a
875), e a ação de cumprimento (art. 872 e seu parágrafo único). Podendo algumas
ações especiais serem cabíveis no processo trabalhista, sendo devidamente
adaptadas ou transplantadas, como o mandado de segurança e ação rescisória, por
exemplo.

5 PINTO MARTINS, Sergio. Direito Processual do Trabalho – 35ª ed. São Paulo. ATLAS, 2014. p. 263 a 269.
3. PROCEDIMENTOS APÓS A EC. 45/2004 E A APLICAÇÃO
DA I.N. Nº 27/2005
A