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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO 06°

VARA DO SISTEMA DOS JUIZADOS ESPECIAIS DO


CONSUMIDOR DE SALVADOR – BAHIA.

PROC. Nº: 0076348-51.2017.8.05.0001

FRANQUILINO DA CRUZ BRITTO, já qualificado nos autos da presente


ação de relação de consumo que promove em desfavor da CLARO S/A, não se
conformando com a sentença meritória exarada, comparece, com o devido
respeito à presença de Vossa Excelência, para, tempestivamente (LJE, art. 42), no
decêndio legal, interpor o presente RECURSO INOMINADO, o que faz com fulcro
no art. 41 e seguintes da Lei dos Juizados Especiais (Lei nº. 9.099/95), em
virtude dos argumentos fáticos e de direito expostas nas RAZÕES ora acostadas.

Outrossim, ex vi legis, solicita que Vossa Excelência declare os efeitos com


que recebe o recurso evidenciado, determinando, de logo, que o Recorrido se
manifeste acerca do presente e, depois de cumpridas as formalidades legais, seja
ordenada a remessa destes autos, com as Razões do recurso, à Egrégia Turma
Recursal do Estado da Bahia. Além disso, requer o deferimento da justiça gratuita,
de modo que requer a subida dos autos independentemente de preparo; no mesmo
sentido, requer que o mesmo seja provido para reformar a sentença recorrida.

Respeitosamente, pede deferimento.

Salvador – BA, 18 de agosto de 2017.

ARTHUR DE BRITO ALVES ARAGÃO


OAB/BA nº 53.645

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EGRÉGIA TURMA RECURSAL DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA
DO ESTADO DA BAHIA

Colenda Turma Recursal


Razões De Recurso

PROCESSO Nº: 0076348-51.2017.8.05.0001


RECORRENTE: FRANQUILINO DA CRUZ BRITTO
RECORRIDO: CLARO S/A

Em que pese a reconhecida cultura do eminente Juízo de origem e a


proficiência com que o mesmo se desincumbe do mister judicante, há de ser
reformada a decisão ora recorrida, porquanto proferida em completa dissonância
para com as normas aplicáveis à espécie, inviabilizando, portanto, a realização da
Justiça.

I – DAS PRELIMINARES:

I.I. DA JUSTIÇA GRATUITA

O Recorrente pleiteia os benefícios da JUSTIÇA GRATUITA,


assegurados pela Lei nº 1060/50 e consoante o art. 98, caput, do CPC/2015.

Infere-se dos artigos supracitados que qualquer uma das partes no


processo pode usufruir do benefício da justiça gratuita. Logo, o Recorrente faz jus
ao benefício, haja vista não ter condições de arcar com as despesas do processo
sem prejuízo de sua manutenção.

Mister frisar, ainda, que, em conformidade com o art. 99, § 1º,


do CPC/2015, o pedido de gratuidade da justiça pode ser formulado por petição
simples e durante o curso do processo, tendo em vista a possibilidade de se
requerer em qualquer tempo e grau de jurisdição os benefícios da justiça gratuita,
ante a alteração do status econômico.

Ainda sobre a gratuidade a que tem direito, o novo Código


Instrumentalista dispõe em seu art. 99, § 3º, que “presume-se verdadeira a
alegação de insuficiência deduzida exclusivamente por pessoa natural”. Assim, à
pessoa natural basta a mera alegação de insuficiência de recursos, sendo

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desnecessária, num primeiro momento, a produção de provas da hipossuficiência
financeira.

Assim, ex positis, pois, requer-se os benefícios da assistência judiciária


gratuita, bem como a juntada da sua declaração de hipossuficiência e da CTPS,
com o intuito de comprovar que o mesmo encontra-se desempregado não podendo
arcar com os ônus processuais.

I.2. DA TEMPESTIVIDADE DO RECURSO

O recurso ora agitado deve ser considerado como tempestivo, porquanto


o Recorrente fora intimado da sentença recorrida por meio de carta com aviso de
recebimento, em sua residência, no dia 17 de agosto de 2017.

Portanto, à luz do que rege o art. 42 da Lei dos Juizados Especiais,


plenamente tempestivo este Recurso Inominado, quando interposto nesta data,
dentro do decêndio legal.

I.3. DA REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL

Quanto à representação, a mesma se afigura correta, vez que os


advogados subscritores do presente expediente estão devidamente habilitados por
meio do instrumento particular de mandato já anexado aos autos, nos eventos 16 a
18.

I.4. DO PREPARO

À luz do quanto dispõe a Lei 1.060/1950, requer o Autor, ora Recorrente,


a isenção do pagamento do preparo, haja vista ser hipossuficiente, não tendo meios
de arcar com a referida despesa processual sem prejuízo de seu sustento e dos
seus familiares, declaração firmada em atendimento ao quanto disposto na
legislação aplicável à espécie, reiterando, deste modo, os benefícios da assistência
judiciária gratuita.

II. DOS FATOS DA DEMANDA

O Recorrente ajuizou ação de indenização em face da Recorrida, diante


da cobrança indevida realizada pela mesma a partir do mês de fevereiro/2017, tendo
em vista que o mesmo colocava créditos em seu celular e percebeu que os mesmos
eram abatidos muito rapidamente, de forma significativa, não sendo possível que o
Recorrente realizasse ligações.

Irresignado, o Recorrente entrou em contato com a central de


atendimento da Recorrida, tendo sido informado de que haveria sido contratado um
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serviço denominado MOSCACA, de forma automática, o qual o Autor jamais
contratou.

Pois bem, este Recorrente obteve o prejuízo mensal de 3,99, o qual está
registrado no extrato da sua conta telefônica como “Compra de conteúdo Mozca”, o
que não faz qualquer sentido, tendo em vista que o Recorrente, em nenhuma
hipótese, contratou os referidos serviços.

Sendo assim, Recorrente registrou termo de queixa referente às


cobranças indevidas que vinham sendo contra si opostas pela ora Recorrida, bem
como o pagamento dos danos morais em decorrência da referida cobrança indevida.
A Recorrido apresentou em sua defesa com argumentos insuficientes para que não
fosse reconhecido o pleito autoral.

O M.M. Juízo a quo, data vênia, equivocadamente julgou improcedente a


ação, pois entendeu que o Recorrente não juntou aos autos provas capazes de
sustentar a inversão do ônus da prova indicado na inicial como a cobrança indevida
pela Recorrida, face a não contratação pelo Autor dos serviços supracitados, bem
como da comprovação da existência de danos morais capazes de gerar uma
indenização.

O Recorrente, todavia, entende que a decisão combatida, data máxima


vênia, não apreciou o presente feito como o devia, prejudicando, assim, o caráter
reparatório e pedagógico almejado com a querela.

Com efeito, essa é a razão que leva o Recorrente a interpor o presente


recurso, qual seja majorar o valor da quantia fixada a título de reparação de danos
morais.

III – DO MÉRITO

II.1. DA IMPOSSIBILIDADE DE COMPROVAÇÃO DA SUPOSTA


CONTRATAÇÃO DE SERVIÇO POR SMS. DA INVERSÃO DO ÔNUS
DA PROVA.

O M.M. Juízo a quo, de maneira equivocada, julgou improcedente a ação,


nos seguintes termos:

“O inciso VIII do art.6º do CDC possibilita a inversão do ônus


probandi, com o escopo de facilitar a defesa dos direitos do
consumidor. Tal inversão, contudo, não é automática – ope legis -
dependendo das circunstâncias concretas preencherem os requisitos
legais, de acordo com a apreciação do magistrado (ope iudicis). O
ônus da prova só deve ser invertido quando o requerente tiver
dificuldades para a demonstração do seu direito dentro das regras

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processuais comuns ditadas pelo CPC, e presentes a
hipossuficiência (econômica ou técnica) ou a verossimilhança da
alegação.
Entretanto, ainda que a lide envolva uma relação de consumo,
que privilegia o consumidor através da inversão do ônus da
prova, este não está dispensado de produzir mínima prova a
amparar sua alegação, sob pena de afastar a verossimilhança do
seu relato.
Ficam prejudicados os pedidos de indenização por danos morais
e de restituição do valor, porquanto sucessivos.
Assim, ante o exposto e tudo mais que dos autos consta, julgo
improcedente a queixa formulada por FRANQUILINO DA CRUZ
BRITTO c TIM CELULAR S/A.” (grifos aditados)

Ora Nobre Turma, com a leitura da sentença em epigrafe, percebe-se o


notório equívoco no posicionamento do magistrado de 1º grau no que se refere à
tudo quanto foi narrada e suscitado pelo Recorrente.

Isto porquê a referida sentença, data vênia, é incongruente com os


ditames do direito no que diz respeito à inversão do ônus da prova, bem como não
condiz com as provas produzidas nos autos, pois não foram colacionados aos autos
pela recorrida documentos comprovando a suposta contratação pelo Recorrente do
serviço MOSCACA, uma vez que não há como conceber que o Autor seja obrigado a
apresentar as provas de um fato negativo. Ou seja, se o Recorrente alega que não
contratou os serviços por meio de SMS como seria capaz de comprová-la? É
totalmente impossível, vez que não há mensagens de aceitação do serviço por
parte do Autor, bem como não houve solicitação do mesmo e nem mesmo existe um
contrato formal.

Ademais, o próprio CDC, em seu art. 6º, inciso VIII, é taxativo quanto as
hipóteses de inversão do ônus da prova, a qual somente deve ser aplicada ao caso
concreto quando o alegante demonstrar a verossimilhança das suas afirmações ou
quando este for hipossuficiente.

Vejamos o que dispõe o artigo 6°, inciso VIII do CDC:


Art. 6º São direitos básicos do consumidor:
[...]
VIII - a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a
inversão do ônus da prova, a seu favor, no processo civil, quando,
a critério do juiz, for verossímil a alegação ou quando for ele
hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de experiências;

Sendo assim, coube ao Autor demonstrar a verossimilhança das suas


alegações ou demonstrar a sua hipossuficiência, as quais conseguiu comprovar de
maneira irrefutável.

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Primeiro porque trouxe aos autos o Extrato da sua conta de telefone
celular, com as devidas discriminações dos valores cobrados pelas ligações
realizadas e pelo serviço não contratado pelo Recorrente no valor de R$ 3,99, bem
como a reclamação com o número do protocolo em que havia solicitado o
ressarcimento por um serviço que não havia contratado.

Ora Egrégia Turma, não há como aceitar que tais provas não são
verossímeis com as alegações do autor, uma vez que o mesmo produziu o que
estava a seu alcance e que são suficientes para comprovar que o mesmo estava
sendo cobrado de maneira absurda por um serviço, insisto em repetir, não
contratado. Vejamos os prints abaixo:

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Dessa maneira, por se tratar também de situação de hipossuficiência do
Recorrente, uma vez que o mesmo se encontra desempregado, conforme a
declaração de hipossuficiência e carteira de trabalho em anexo, deve ser
reconhecido pelo juízo a quo o direito à inversão do ônus da prova, pois que este
Recorrente não tem como comprovar que contratou um serviço por SMS, pois, como
já dito diversas vezes, este não solicitou, aceitou ou contratou o serviço denominado
“MOZCA”.

Vejamos como vem decidindo o TJ-BA acerca do tema:

AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO REVISIONAL DE CLAUSULAS


CONTRATUAIS C/C REPETIÇÃO DE INDEBITO E COM PEDIDO
DE ANTECIPAÇÃO DE TUTELA. DECISÃO QUE DEFERIU A
INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. CABIMENTO.MITIGAÇÃO DA
TEORIA FINALISTA EM VIRTUDE DA VULNERABILIDADE DA
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PESSOA JURÍDICA. PREENCHIMENTO DO REQUISITO
ELENCADO NO ART. 6º, VIII, DO CDC. HIPOSSUFICIÊNCIA
TÉCNICA. AGRAVO IMPROVIDO. 1. Verificada a desigualdade
técnica entre os contratantes, a aplicação do Código de Defesa
do Consumidor é possível ao caso. (Classe: Agravo de
Instrumento,Número do Processo: 0018663-26.2016.8.05.0000,
Relator (a): Maurício Kertzman Szporer, Segunda Câmara Cível,
Publicado em: 20/02/2017 )
(TJ-BA - AI: 00186632620168050000, Relator: Maurício Kertzman
Szporer, Segunda Câmara Cível, Data de Publicação: 20/02/2017)

DIREITO DO CONSUMIDOR E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO


INTERNO EM INSURGÊNCIA INSTRUMENTAL. NEGATIVA DE
SEGUIMENTO. RAZÕES EM CONFRONTO A PRECEDENTES DO
STJ. JULGAMENTO MONOCRÁTICO. ART. 557 DO CPC/73,
ENTÃO VIGENTE. POSSIBILIDADE. AÇÃO INDENIZATÓRIA.
PLANO DE SAÚDE. INVERSÃO DO ÔNUS DE PROVA. ART. 6º, VIII
DO CDC. AUSÊNCIA DE COMANDO COERCITIVO PARA
CUSTEAR OS HONORÁRIOS PERICIAIS. FACULDADE
CONFERIDA À RÉ, QUE PODERÁ PREFERIR POR SUPORTAR OS
EFEITOS DA NÃO REALIZAÇÃO DO EXAME TÉCNICO.
ORIENTAÇÃO FIRMADA PELA CORTE CIDADÃ. MONTANTE
ARBITRADO. VALOR RAZOÁVEL. DECISÃO MANTIDA. RECURSO
NÃO PROVIDO. (Classe: Agravo Regimental,Número do Processo:
0025301-12.2015.8.05.0000/50001, Relator (a): Dinalva Gomes
Laranjeira Pimentel, Segunda Câmara Cível, Publicado em:
05/10/2016 )
(TJ-BA - AGR: 00253011220158050000 50001, Relator: Dinalva
Gomes Laranjeira Pimentel, Segunda Câmara Cível, Data de
Publicação: 05/10/2016)

DIREITO DO CONSUMIDOR. APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE


OBRIGAÇÃO DE FAZER C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS
EXTRAPATRIMONIAIS. CONTRATO DE TELEFONIA FIXA.
INDISPONIBILIDADE DO SINAL POR VÁRIOS DIAS. FALHA NA
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INVERSÃO DO ÔNUS DE PROVA.
ART. 6º, VIII DO CDC. RESPONSABILIDADE CIVIL OBJETIVA DA
OPERADORA DE TELECOMUNICAÇÕES. DEVER DE INDENIZAR
CONFIGURADO. DANOS MORAIS. VIOLAÇÃO À HONRA
OBJETIVA (REPUTAÇÃO) DA EMPRESA DEMANDANTE.
COMPROVAÇÃO DA CONDUTA ILÍCITA E DO NEXO DE
CAUSALIDADE. DEVER DE INDENIZAR ATRIBUÍDO À
REQUERIDA. QUANTUM INDENIZATÓRIO FIXADO EM R$
10.500,00 (DEZ MIL E QUINHENTOS REAIS). OBSERVÂNCIA DOS
PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E DA RAZOABILIDADE.
RECURSO NÃO PROVIDO. (Classe: Apelação,Número do Processo:
0001268-28.2014.8.05.0182, Relator (a): Dinalva Gomes Laranjeira
Pimentel, Segunda Câmara Cível, Publicado em: 06/09/2016 )
(TJ-BA - APL: 00012682820148050182, Relator: Dinalva Gomes
Laranjeira Pimentel, Segunda Câmara Cível, Data de Publicação:
06/09/2016)

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É certo ainda que o ônus da prova pertence exclusivamente à
Recorrida, nos termos do 373, II do CPC, sendo explícito que não demonstrou
sequer indícios de veracidade das alegações.
Dessa forma, requer o Recorrente a reforma da sentença para que
seja declarada a inversão do ônus da prova, devendo a Recorrida comprovar
que o Autor enviou SMS requerendo, aceitando ou contratando os serviços em
epígrafe.

II.2. – DA PROVA DO DANO MORAL

Nosso ordenamento jurídico prescreve que a prova do dano moral


autônomo ou puro, isto é, desvinculado do dano material, satisfaz-se com a
demonstração da ocorrência do ato ilícito, que originou a ofensa extrapatrimonial.
Ora, basta verificar a robusta prova ora juntada aos autos para vislumbrar-se, de
plano, o ato ilícito cometido.

O Recorrente foi surpreendido pela cobrança absurda por um serviço que


não contratara, vez que houve a má-fé da Recorrida em cobrar tais valores, bem
como a sua ilicitude, o que levou o Recorrente a se deparar com uma situação de
pleno desfavor.

Noutros termos, a força probante do ato ilícito gera presunção júris tantum
de ocorrência dos danos morais. Pressupõe-se que consistiria num mister inatingível
carrear aos autos de um processo provas materiais das diminuições que afrontaram
a honra da vítima, enfim, seria impossível amealhar aos autos lágrimas e
sofrimentos sob a forma de provas, como faz crer os argumentos do juízo. Se algo
poderia ser provado, seria com a inversão do ônus da prova, através da juntada de
extrato comprovando a utilização dos serviços pelo cliente.

A este respeito leciona o renomado autor Carlos Roberto Gonçalves em


sua obra:

“O dano moral, salvo casos especiais, como o de inadimplemento


contratual, por exemplo, em que se faz mister a prova da perturbação
da esfera anímica do lesado, dispensa prova em concreto, pois se
passe no interior da personalidade e existe in re ipsa. Trata-se de
presunção absoluta. Desse modo, não precisa a mãe comprovar que
sentiu a morte do filho, ou o agravado em sua honra demonstrar em
juízo que sentiu a lesão; ou o autor provar que ficou vexado com a
não-inserção de seu nome no uso público da obra, e assim por
diante”. (In Responsabilidade Civil, Saraiva. 8ª Ed. P. 552)

De outro plano, o Código Civil estabeleceu regra clara de que aquele que
for condenado a reparar um dano deverá fazê-lo de sorte que a situação
patrimonial e pessoal do lesado seja recomposta ao estado anterior. Assim, o
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montante da indenização não pode ser inferior ao prejuízo. Há de ser integral,
portanto.

CÓDIGO CIVIL
Art. 944 – A indenização mede-se pela extensão do dano.

Quanto ao valor da reparação, tocante ao dano moral, assevera Caio


Mário da Silva Pereira, que:

“Quando se cuida de reparar o dano moral, o fulcro do


conceito ressarcitório acha-se deslocado para a
convergência de duas forças: `caráter punitivo` para que
o causador do dano, pelo fato da condenação, se veja
castigado pela ofensa que praticou; e o `caráter
compensatório` para a vítima, que receberá uma soma
que lhe proporcione prazeres como contrapartida do mal
sofrido. “ (PEREIRA, Caio Mário da Silva (atualizador
Gustavo Tepedino). Responsabilidade Civil. 10ª Ed. Rio
de Janeiro: GZ Ed, 2012, p. 78) (destacamos)

Nesse mesmo compasso de entendimento, leciona Arnaldo Rizzardo


que:
“Não existe uma previsão na lei sobre a quantia a ser ficada ou
arbitrada. No entanto, consolidaram-se alguns critérios.
Domina a teoria do duplo caráter da reparação, que se estabelece na
finalidade da digna compensação pelo mal sofrido e de uma correta
punição do causador do ato. Devem preponderar, ainda, as situações
especiais que envolvem o caso, e assim a gravidade do dano, a
intensidade da culpa, a posição social das partes, a condição
econômica dos envolvidos, a vida pregressa da pessoa que tem o
título protestado ou o nome negativado. “ (RIZZARDO, Arnaldo.
Responsabilidade Civil. 4ª Ed. Rio de Janeiro, Forense, 2009, p. 261)

O abalo sofrido pelo Recorrente, em razão das indevidas cobranças é


evidente e inarredável. A angústia, a preocupação, o incômodo são inevitáveis e
inegáveis. Ademais, o fato de ser cobrado injustamente trouxe ao mesmo uma
sensação de impotência e alteração de ânimo que devem ser consideradas para
efeitos de estipulação do valor indenizatório. É presumível e bastante verossímil o
alegado desconforto e abalo sofrido pelo Recorrente, ao perceber que estava sendo
cobrado por um serviço de celular que jamais contratara.

É certo que o problema da quantificação do valor econômico a ser


reposto ao ofendido tem motivado intermináveis polêmicas, debates, até agora não
havendo pacificação a respeito. De qualquer forma, doutrina e jurisprudência são
pacíficas no sentido de que a fixação deve se dá com prudente arbítrio, para que

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não haja enriquecimento à custa do empobrecimento alheio, mas também para que
o valor não seja irrisório, dentro dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade.

Ademais, a indenização deve ser aplicada de forma casuística,


sopesando-se a proporcionalidade entre a conduta lesiva e o prejuízo enfrentado
pelo ofendido, de forma que, em consonância com o princípio neminem laedere,
inocorra o lucuplemento da vítima quanto a cominação de pena tão desarrazoada
que não coíba o infrator de novos atos.

Com esse enfoque:

APELAÇÃO CÍVEL. RESPONSABILIDADE. DANO MORAL.


INSCRIÇÃO INDEVIDA NO CADASTRO DE INADIMPLENTES.
VALOR ÍNFIMO. MAJORAÇÃO. INDENIZAÇÃO ARBITRADA SEM
OBSERVÂNCIA ÀS MÁXIMAS DA PROPORCIONALIDADE E DA
RAZOABILIDADE. SENTENÇA REFORMADA.
1. O valor da reparação a título de danos morais não atende às
máximas constitucionais da proporcionalidade e da razoabilidade e à
média das indenizações concedidas em casos análogos, de acordo
com a lógica do art. 944 do CC; 2. A despeito de adequado e
necessário o valor da reparação por danos morais não atende ao
teste da proporcionalidade em sentido estrito, de tal modo que a
média importância das razões da condenação por violação ao direito
de personalidade da parte autora apelante justifica a elevação da
condenação a R$ 10.000,00, patamar este reputado de baixa
intervenção no direito de propriedade da parte ré apelada. 3. A
jurisprudência do Superior Tribunal de justiça é assente no sentido de
que o valor fixado a título de indenização nas instâncias ordinárias
somente deve ser revisado para reprimir valores estratosféricos ou
excessivamente módicos, o que se verifica na presente hipótese.
Precedente: AGRG no agravo em Recurso Especial nº 518.538/ms
(2014/0118455-6), 4ª turma do STJ, Rel. Raul Araújo. J. 24.6.2014,
unânime, dje 4.8.2014; 4. Apelo provido. (TJAC; APL 0700723-
49.2015.8.01.0001; Ac. 16.430; Primeira Câmara Cível; Rel. Des.
Laudivon Nogueira; DJAC 10/03/2016; Pág. 5)

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS


MATERIAIS E MORAIS. AGRAVO RETIDO ORAL. NÃO
CONHECIMENTO. ACIDENTE DE TRÂNSITO. COLISÃO NA
TRASEIRA. COMPROVAÇÃO DA CULPA. DANOS MATERIAIS.
NÃO COPROVAÇÃO. DANOS MORAIS. OCORRÊNCIA.
INDENIZAÇÃO DEVIDA. SENTENÇA REFORMADA.
Nos termos do artigo 523, caput e §1º, do Código de Processo Civil,
não se conhecerá do agravo retido se a parte não requerer
expressamente, nas razões ou na resposta da apelação, sua
apreciação pelo Tribunal. Deve ser reconhecida a culpa do condutor
de veículo que não emprega as cautelas necessárias em rodovia,
causando o evento, eis que deve ter o domínio de seu veículo,
dirigindo-o com atenção, guardando distância de segurança lateral e
frontal entre o seu e os demais automóveis, como disposto nos
artigos 28 e 29 do Código de Trânsito Brasileiro, sendo elidida a
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presunção de culpa daquele que colide na traseira somente diante de
prova robusta, no sentido de que não concorreu para o evento
danoso. Reconhecida a culpa pelo acidente de trânsito, deve o
responsável arcar com o pagamento da indenização pelos danos
materiais e morais causados por ele. Não comprovados os danos
materiais decorrentes do acidente de trânsito, inocorre o dever de
indenizar. A dor sofrida no momento do acidente e o trauma
resultante deste caracterizam dano moral indenizável. A quantificação
do dano moral deve dar-se com prudente arbítrio, para que não haja
enriquecimento à custa do empobrecimento alheio, tampouco
atribuição em valor irrisório. (TJMG; APCV 1.0342.06.079326-8/001;
Rel. Des. Moacyr Lobato; Julg. 25/02/2016; DJEMG 08/03/2016)

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE


DÉBITO C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. INSCRIÇÃO
INDEVIDA DO NOME NOS ÓRGÃOS DE RESTRIÇÃO AO
CRÉDITO. DÍVIDA QUE NÃO É DO AUTOR. EQUIVOCO NA
PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. DANO MORAL PRESUMIDO.
INDENIZAÇÃO. MAJORAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TERMO
INICIAL. ARBITRAMENTO. SÚMULA Nº 362 DO STJ.
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS MANTIDOS. RECURSO
PARCIALMENTE PROVIDO.
1. O nome do autor resultou negativado por causa da negligência do
apelado, na inclusão indevida do nome nos cadastros de restrições
ao crédito, faltando com o cuidado objetivo exigível na espécie e, com
isso, causando danos morais a serem indenizados. 2. A indenização
por dano moral deve ser fixada de maneira equitativa e em
conformidade com as circunstâncias do caso, não podendo ser
irrisório, de maneira que nada represente para o ofensor, nem
exorbitante, de modo a provocar o enriquecimento sem causa por
parte da vítima. 3. Em se tratando de responsabilidade
extracontratual, como no caso de inscrição indevida do nome nos
cadastros de proteção ao crédito, a correção monetária deve incidir
desde o arbitramento da indenização, nos termos da Súmula nº 362
do Superior Tribunal de justiça. 4. A fixação dos honorários
advocatícios no valor de 15% sobre o total da condenação, é justa e
razoável pois atende precipuamente o que dispõe o artigo 20, § 3º do
cpc. (TJMS; APL 0806059-04.2013.8.12.0002; Terceira Câmara Cível;
Rel. Des. Fernando Mauro Moreira Marinho; DJMS 08/03/2016; Pág.
16)

Assim, demonstrada fica a responsabilidade objetiva da Ré em indenizar


o seu cliente, pois que cobrou de forma ilícita ao Recorrente um valor sobre um
serviço que jamais fora contratado. Assim, cabível e necessária a indenização, pois
que o Recorrente foi efetivamente lesado em seu direito como consumidor.

Por isso, necessário se faz dar provimento ao presente recurso de sorte a


aplicar o valor da condenação em indenização por danos morais sofridos no valor de
R$ 3.000,00 (três mil reais).

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III – CONCLUSÃO

Dado o exposto, em caráter preliminar, requer a admissão do recurso


inominado, inclusive sem preparo, pelo que requer o deferimento da justiça gratuita,
haja vista a miserabilidade econômica da Recorrente. Em continuação, demanda
pelo julgamento procedente do Recurso Inominado a fim de modificar totalmente a
sentença, sendo o presente Recurso Inominado CONHECIDO E PROVIDO, com
a reforma da sentença de mérito, determinando-se a inversão do ônus da prova,
com fito de determinar a condenação em danos morais e materiais no valor mínimo
de R$ 3.000,00 (três mil reais), ou a ser estipulado pela nobre Turma, não sendo o
valor menor que o indicado. Outrossim, requer a condenação em honorários
advocatícios sucumbenciais, na ordem de 20% (vinte por cento) sob o valor da
condenação.

Nestes termos,
Pede deferimento.

Salvador – BA, 28 de Agosto de 2017.

ARTHUR DE BRITO ALVES ARAGÃO


OAB/BA nº 53.645

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